Defesa de Carla Zambelli recorre ao pedido de extradição na Itália; o que acontece agora?

Publicado em: 26/03/2026 12:19

Defesa de Carla Zambelli recorre ao pedido de extradição na Itália; o que acontece agora?
<br /> Deputada Carla Zambelli (PL-SP)
Mário Agra/Câmara dos Deputados
Nesta quinta-feira (26), a Justiça italiana decidiu que Carla Zambelli (PL-SP) será extraditada do país. No entanto, a defesa da ex-deputada já disse que vai recorrer da decisão; o que deve acontecer agora?
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Justiça italiana decide extraditar Carla Zambelli
Zambelli, que tem cidadania italiana, deixou o Brasil em maio do ano passado após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Caso a extradição seja de fato decretada, o processo será analisado pelo Ministério da Justiça italiano, a quem cabe liberar a volta ao Brasil formalmente.
Logo em seguida, as autoridades italianas comunicarão oficialmente ao governo brasileiro — que deve tomar as rédeas a partir daí.
No entanto, os advogados que fazem a defesa de Zambelli na Itália disseram à TV Globo que vão protocolar o recurso. Com isso, o caso voltará aos tribunais e subirá à Corte Suprema de Apelações. A decisão final cabe ao Ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
A condenação de Zambelli
Zambelli foi condenada por unanimidade pelo STF em maio de 2025 pela invasão dos sistemas do CNJ.
O colegiado seguiu o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes, que propôs:
Carla Zambelli: 10 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, perda do mandato parlamentar (a ser declarada pela Câmara dos Deputados após o trânsito em julgado) e inelegibilidade.
Walter Delgatti: 8 anos e 3 meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Ele já cumpre prisão preventiva.
Indenização: a deputada e o hacker também terão que pagar uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos.
Votaram pela condenação os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.
A Primeira Turma entendeu que Carla Zambelli e Walter Delgatti cometeram os crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou os dois de coordenarem ataques aos sistemas do CNJ com o objetivo de desacreditar a Justiça e incitar atos antidemocráticos.
De acordo com a denúncia, Zambelli orientou Delgatti a invadir o sistema para inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo a PGR, a intenção era "colocar em dúvida a legitimidade da Justiça" e fomentar manifestações contra as instituições republicanas.