Inceptio: Empresários e sócios investigados por tráfico e lavagem de dinheiro se tornam réus no Acre
Publicado em: 16/04/2026 22:04
<br /> Presos durante a Operação Inceptio, no Acre e em outros estados, empresários e sócios passam a ser réus
Reprodução
Os empresários e irmãos John Muller Lisboa, Mayon Ricary Lisboa e Marck Johnnes Lisboa e o sócio e primo deles, Douglas Henrique da Cruz, além do empresário André Borges, investigados pela Polícia Federal (PF-AC) por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa, tiveram denúncia recebida pela Justiça do Acre, conforme decisão à qual o g1 teve acesso.
Além deles, outras nove pessoas também irão responder pelos crimes investigados na Operação Inceptio, que ocorreu em Rio Branco, Porto Velho (Rondônia), Ubá (Minas Gerais), Camaçari, Ilhéus e Salvador, na Bahia, Cabedelo (Paraíba) e São Paulo (SP).
Além disso, Marck Johnnes também teve a prisão preventiva decretada e se apresentou à polícia nesta quinta-feira (16). O g1 não conseguiu contato com as defesas dos acusados.
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Os crimes atribuídos aos réus variam entre organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e dano qualificado ao patrimônio público. Marck Johnnes é apontado na denúncia do Ministério Público (MP-AC) como líder do grupo criminoso. (Veja abaixo as acusações a cada réu)
Empresários são presos em operação da PF contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
"Os autos revelam que Marck Johnnes da Silva Lisboa teria desempenhado papel relevante na estrutura do grupo investigado, exercendo função de liderança e coordenação das atividades ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro e tráfico de entorpecentes. Consta, ainda, que sua atuação não se limitou a episódio isolado, o que demonstra a habitualidade da conduta", cita a decisão assinada pelo juiz Alex Ferreira Oivane, da Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco.
Marck Johnnes havia sido libertado da prisão em dezembro do ano passado com a imposição de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica. André Borges, que foi solto dois após a operação, havia tido a liberdade revogada em novembro, junto com Mayon Ricary. Contudo, foi liberado na mesma decisão que relaxou a prisão de Marck Johnnes.
LEIA TAMBÉM:
Preso em operação da PF é comissionado em secretaria do Acre com salário de mais de R$ 6 mil
Após prisão de contratante, show do DJ Alok no Acre é cancelado
O que é habeas corpus e quando ele pode ser utilizado
Crimes atribuídos aos réus
Marck Johnnes Lisboa - Integrar organização criminosa; associação para o tráfico, com agravante de tráfico interestadual; lavagem de dinheiro por 38 vezes agravada por organização criminosa; e dano qualificado ao patrimônio público.
André Borges - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro agravada por organização criminosa.
Douglas Henrique da Cruz - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro agravada por organização criminosa.
John Muller Lisboa - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Mayon Ricary Lisboa - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro por sete vezes.
Como funcionava o suposto crime?
Em matéria publicada no site oficial, o Ministério Público deu detalhes sobre a acusação apresentada pelo órgão. Segundo o MP, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os integrantes. "A organização era responsável pelo envio de drogas para outros estados, pela negociação dos entorpecentes e pela movimentação do dinheiro obtido com a atividade criminosa, buscando ocultar a origem dos valores", afirmou.
Ainda segundo os promotores, os envolvidos usavam termos codificados em conversas para tratar das atividades ilegais, além de realizarem negociações e pagamentos ligados ao tráfico, com movimentação de valores elevados.
'Inceptio'
Os irmãos Lisboa, John, Mayon e Johnnes, e o primo deles Douglas são donos de várias empresas que organizam e promovem eventos no estado. Inclusive, duas empresas de Douglas, a Moon Club RB DHS da Cruz Sociedade LTDA e DHS da Cruz Sociedade LTDA, foram responsáveis pela venda de camarotes privados e por trazer os artistas dos shows da Expoacre Rio Branco 2025.
Já Johnnes Lisboa é diretor geral da empresa Inove Eventos, que havia anunciado a vinda do DJ Alok para Rio Branco. A apresentação, que deveria ocorrer na Arena da Floresta, foi cancelada uma semana após a prisão dos suspeitos.
O empresário e cinegrafista John Muller Lisboa ocupava ainda um cargo em comissão na Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), com salário de mais de R$ 6 mil. Ele foi exonerado no dia seguinte à prisão, em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE).
Bloqueio de bens
A Justiça bloqueou mais de R$ 130 milhões em contas bancárias do grupo investigado, e apreendeu bens que valem cerca de R$ 10 milhões. A polícia descobriu que o grupo atuava em seis estados e mandavam grandes quantidades de droga do Acre para o Nordeste e o Sudeste.
O dinheiro do tráfico era movimentado por meio de contas bancárias, criptomoedas e empresas de fachada. Os suspeitos podem responder por tráfico de drogas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
À Rede Amazônica Acre, o delegado André Barbosa, da Delegacia de Repreensão a Entorpecentes da PF-AC, disse que o grupo criminoso atua no Acre desde 2019 e que o caso foi descoberto durante a investigação de outros crimes.
"Não tem ligação direta com a venda de entorpecente. Eram usadas como mecanismo de instrumentalizar a movimentação de recursos ilícitos, inclusive com origem do tráfico de drogas. Identificamos que tinha um grupo de narcotraficantes que revendia drogas para os estados do Nordeste e Sudeste e para internalizar o dinheiro, utilizava diversas pessoas físicas e jurídicas para lavar dinheiro, incluindo estabelecimentos comerciais", destacou na época.
Reveja os telejornais do Acre
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Os empresários e irmãos John Muller Lisboa, Mayon Ricary Lisboa e Marck Johnnes Lisboa e o sócio e primo deles, Douglas Henrique da Cruz, além do empresário André Borges, investigados pela Polícia Federal (PF-AC) por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa, tiveram denúncia recebida pela Justiça do Acre, conforme decisão à qual o g1 teve acesso.
Além deles, outras nove pessoas também irão responder pelos crimes investigados na Operação Inceptio, que ocorreu em Rio Branco, Porto Velho (Rondônia), Ubá (Minas Gerais), Camaçari, Ilhéus e Salvador, na Bahia, Cabedelo (Paraíba) e São Paulo (SP).
Além disso, Marck Johnnes também teve a prisão preventiva decretada e se apresentou à polícia nesta quinta-feira (16). O g1 não conseguiu contato com as defesas dos acusados.
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Os crimes atribuídos aos réus variam entre organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e dano qualificado ao patrimônio público. Marck Johnnes é apontado na denúncia do Ministério Público (MP-AC) como líder do grupo criminoso. (Veja abaixo as acusações a cada réu)
Empresários são presos em operação da PF contra tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
"Os autos revelam que Marck Johnnes da Silva Lisboa teria desempenhado papel relevante na estrutura do grupo investigado, exercendo função de liderança e coordenação das atividades ilícitas relacionadas à lavagem de dinheiro e tráfico de entorpecentes. Consta, ainda, que sua atuação não se limitou a episódio isolado, o que demonstra a habitualidade da conduta", cita a decisão assinada pelo juiz Alex Ferreira Oivane, da Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco.
Marck Johnnes havia sido libertado da prisão em dezembro do ano passado com a imposição de medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica. André Borges, que foi solto dois após a operação, havia tido a liberdade revogada em novembro, junto com Mayon Ricary. Contudo, foi liberado na mesma decisão que relaxou a prisão de Marck Johnnes.
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Crimes atribuídos aos réus
Marck Johnnes Lisboa - Integrar organização criminosa; associação para o tráfico, com agravante de tráfico interestadual; lavagem de dinheiro por 38 vezes agravada por organização criminosa; e dano qualificado ao patrimônio público.
André Borges - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro agravada por organização criminosa.
Douglas Henrique da Cruz - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro agravada por organização criminosa.
John Muller Lisboa - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Mayon Ricary Lisboa - Integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro por sete vezes.
Como funcionava o suposto crime?
Em matéria publicada no site oficial, o Ministério Público deu detalhes sobre a acusação apresentada pelo órgão. Segundo o MP, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas entre os integrantes. "A organização era responsável pelo envio de drogas para outros estados, pela negociação dos entorpecentes e pela movimentação do dinheiro obtido com a atividade criminosa, buscando ocultar a origem dos valores", afirmou.
Ainda segundo os promotores, os envolvidos usavam termos codificados em conversas para tratar das atividades ilegais, além de realizarem negociações e pagamentos ligados ao tráfico, com movimentação de valores elevados.
'Inceptio'
Os irmãos Lisboa, John, Mayon e Johnnes, e o primo deles Douglas são donos de várias empresas que organizam e promovem eventos no estado. Inclusive, duas empresas de Douglas, a Moon Club RB DHS da Cruz Sociedade LTDA e DHS da Cruz Sociedade LTDA, foram responsáveis pela venda de camarotes privados e por trazer os artistas dos shows da Expoacre Rio Branco 2025.
Já Johnnes Lisboa é diretor geral da empresa Inove Eventos, que havia anunciado a vinda do DJ Alok para Rio Branco. A apresentação, que deveria ocorrer na Arena da Floresta, foi cancelada uma semana após a prisão dos suspeitos.
O empresário e cinegrafista John Muller Lisboa ocupava ainda um cargo em comissão na Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), com salário de mais de R$ 6 mil. Ele foi exonerado no dia seguinte à prisão, em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE).
Bloqueio de bens
A Justiça bloqueou mais de R$ 130 milhões em contas bancárias do grupo investigado, e apreendeu bens que valem cerca de R$ 10 milhões. A polícia descobriu que o grupo atuava em seis estados e mandavam grandes quantidades de droga do Acre para o Nordeste e o Sudeste.
O dinheiro do tráfico era movimentado por meio de contas bancárias, criptomoedas e empresas de fachada. Os suspeitos podem responder por tráfico de drogas, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
À Rede Amazônica Acre, o delegado André Barbosa, da Delegacia de Repreensão a Entorpecentes da PF-AC, disse que o grupo criminoso atua no Acre desde 2019 e que o caso foi descoberto durante a investigação de outros crimes.
"Não tem ligação direta com a venda de entorpecente. Eram usadas como mecanismo de instrumentalizar a movimentação de recursos ilícitos, inclusive com origem do tráfico de drogas. Identificamos que tinha um grupo de narcotraficantes que revendia drogas para os estados do Nordeste e Sudeste e para internalizar o dinheiro, utilizava diversas pessoas físicas e jurídicas para lavar dinheiro, incluindo estabelecimentos comerciais", destacou na época.
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Palavras-chave:
tecnologia
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