Etanol de cana: entenda os desafios e as oportunidades do 'ouro verde' brasileiro na transição energética
Publicado em: 18/04/2026 12:50
<br /> Etanol de cana: especialista fala sobre oportunidades do setor na transição energética
No momento em que o mundo corre para substituir combustíveis fósseis, o Brasil se destaca por ter uma solução consolidada e de larga escala: o etanol.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país - que com os EUA concentra 80% da produção mundial do combustível - atingiu 37,5 bilhões de litros na safra 2025/2026, 0,8% a mais do que no ciclo agrícola anterior.
Ainda produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, o biocombustível é apontado como uma peça-chave na transição energética. Contudo, para ampliar sua relevância nesse cenário, o país precisa superar desafios, que vão desde a competição com o milho, cada vez mais relevante nessa produção, até a necessidade de aumentar a produtividade.
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“O mundo está pedindo mais energia renovável, e o etanol já é uma realidade. Não precisa inventar nada para ter um combustível mais limpo”, avalia Guilherme Nastari, diretor da consultoria Datagro, durante o evento Cana Summit, realizado em Ribeirão Preto (SP).
Para produtor rural, tecnologia veio para ficar no agro
Wesley Almeida/ EPTV
Uma solução que o Brasil já domina
Diferente de outras tecnologias que ainda precisam ser desenvolvidas ou ganhar escala, o etanol já é uma realidade no Brasil. O país construiu um modelo que combina com sucesso a produção de energia e alimentos, algo que pode servir de referência para outras nações.
A demanda por biocombustíveis tende a crescer, impulsionada principalmente por setores de difícil eletrificação, como a aviação e o transporte marítimo.
O potencial é tão grande que, segundo Nastari, o Brasil sozinho não conseguiria suprir toda a necessidade mundial.
“Existe um potencial enorme, tanto para o combustível sustentável de aviação (SAF) quanto para o marítimo”, afirma.
O dilema da produtividade: cana x milho
Apesar da posição consolidada, a cana-de-açúcar enfrenta uma concorrência crescente do milho na produção de etanol. Na safra 2025/2026, segundo a Conab, o volume de combustível com origem no cereal chegou a 10,17 bilhões de litros, um aumento de 29,8% em relação à safra passada e que corresponde a 27% da produção total de etanol. O etanol produzido a partir da cana, por sua vez, chegou a 27,33 bilhões de litros.
Essa disputa acende um alerta sobre a necessidade de a cana se tornar mais produtiva para manter sua competitividade. Walter Maccheroni, gestor de Inovação da Usina São Martinho, pondera que a comparação direta entre as duas culturas pode ser imprecisa.
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“São culturas diferentes. O milho é uma planta anual, mais simples de melhorar geneticamente. A cana é perene, mais complexa”, explica.
O desafio é que, enquanto o milho se beneficia de tecnologias globais e do investimento de grandes multinacionais, o desenvolvimento genético da cana ainda depende majoritariamente de esforços locais.
Para Jaime Finguerut, diretor do Instituto de Tecnologia Canavieira (ITC), o potencial da cana está longe de ser alcançado.
“O potencial genético da cana pode chegar a 400 toneladas por hectare, mas hoje estamos muito abaixo disso. Precisamos avançar em produtividade para competir melhor”, defende.
A visão do setor, no entanto, não é de exclusão, mas de convivência, com a integração entre as duas culturas sendo uma estratégia para o futuro.
Indústria de etanol de milho cresce em MT
TV Centro América
O futuro está além do tanque do carro
Para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo, o setor aposta na diversificação. As usinas estão se transformando em "biorrefinarias", capazes de gerar múltiplos produtos a partir da cana.
Além do etanol e do açúcar, a cana já gera:
Energia elétrica a partir da queima do bagaço;
Biometano, um gás renovável produzido com os resíduos da produção;
Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF), um mercado promissor;
Bioplásticos e outras fibras, substituindo materiais de origem fóssil.
“As usinas caminham para biorrefinarias, com pesquisa e investimento”, resume José Guilherme Nogueira, CEO da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana).
E os carros elétricos?
Outro ponto de atenção para o futuro do etanol é o avanço dos carros elétricos, que podem reduzir a demanda por combustíveis líquidos. Contudo, especialistas acreditam que essa transição não será imediata e terá custos elevados.
No caso específico do Brasil, o etanol deve manter sua relevância por muitos anos, principalmente devido à frota dominante de veículos flex, que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com o biocombustível.
Essa característica única do mercado nacional funciona como uma proteção para o setor, garantindo uma demanda estável enquanto o futuro da mobilidade se desenha.
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No momento em que o mundo corre para substituir combustíveis fósseis, o Brasil se destaca por ter uma solução consolidada e de larga escala: o etanol.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país - que com os EUA concentra 80% da produção mundial do combustível - atingiu 37,5 bilhões de litros na safra 2025/2026, 0,8% a mais do que no ciclo agrícola anterior.
Ainda produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar, o biocombustível é apontado como uma peça-chave na transição energética. Contudo, para ampliar sua relevância nesse cenário, o país precisa superar desafios, que vão desde a competição com o milho, cada vez mais relevante nessa produção, até a necessidade de aumentar a produtividade.
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“O mundo está pedindo mais energia renovável, e o etanol já é uma realidade. Não precisa inventar nada para ter um combustível mais limpo”, avalia Guilherme Nastari, diretor da consultoria Datagro, durante o evento Cana Summit, realizado em Ribeirão Preto (SP).
Para produtor rural, tecnologia veio para ficar no agro
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Uma solução que o Brasil já domina
Diferente de outras tecnologias que ainda precisam ser desenvolvidas ou ganhar escala, o etanol já é uma realidade no Brasil. O país construiu um modelo que combina com sucesso a produção de energia e alimentos, algo que pode servir de referência para outras nações.
A demanda por biocombustíveis tende a crescer, impulsionada principalmente por setores de difícil eletrificação, como a aviação e o transporte marítimo.
O potencial é tão grande que, segundo Nastari, o Brasil sozinho não conseguiria suprir toda a necessidade mundial.
“Existe um potencial enorme, tanto para o combustível sustentável de aviação (SAF) quanto para o marítimo”, afirma.
O dilema da produtividade: cana x milho
Apesar da posição consolidada, a cana-de-açúcar enfrenta uma concorrência crescente do milho na produção de etanol. Na safra 2025/2026, segundo a Conab, o volume de combustível com origem no cereal chegou a 10,17 bilhões de litros, um aumento de 29,8% em relação à safra passada e que corresponde a 27% da produção total de etanol. O etanol produzido a partir da cana, por sua vez, chegou a 27,33 bilhões de litros.
Essa disputa acende um alerta sobre a necessidade de a cana se tornar mais produtiva para manter sua competitividade. Walter Maccheroni, gestor de Inovação da Usina São Martinho, pondera que a comparação direta entre as duas culturas pode ser imprecisa.
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Para Jaime Finguerut, diretor do Instituto de Tecnologia Canavieira (ITC), o potencial da cana está longe de ser alcançado.
“O potencial genético da cana pode chegar a 400 toneladas por hectare, mas hoje estamos muito abaixo disso. Precisamos avançar em produtividade para competir melhor”, defende.
A visão do setor, no entanto, não é de exclusão, mas de convivência, com a integração entre as duas culturas sendo uma estratégia para o futuro.
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Para garantir a sustentabilidade do negócio a longo prazo, o setor aposta na diversificação. As usinas estão se transformando em "biorrefinarias", capazes de gerar múltiplos produtos a partir da cana.
Além do etanol e do açúcar, a cana já gera:
Energia elétrica a partir da queima do bagaço;
Biometano, um gás renovável produzido com os resíduos da produção;
Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF), um mercado promissor;
Bioplásticos e outras fibras, substituindo materiais de origem fóssil.
“As usinas caminham para biorrefinarias, com pesquisa e investimento”, resume José Guilherme Nogueira, CEO da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana).
E os carros elétricos?
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No caso específico do Brasil, o etanol deve manter sua relevância por muitos anos, principalmente devido à frota dominante de veículos flex, que podem ser abastecidos tanto com gasolina quanto com o biocombustível.
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Palavras-chave:
tecnologia
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