Quadrilha usava entidade filantrópica, madeireira e faculdade para desviar emendas parlamentares em Ipojuca; entenda o esquema
Publicado em: 08/10/2025 19:27
Ao menos sete pessoas estão sendo investigadas pela Polícia Civil num esquema de desvios milionários de emendas parlamentares em Ipojuca, no Grande Recife. De acordo com as investigações, entidade filantrópica, faculdade e madeireira eram algumas das empresas utilizadas para praticar os desvios (veja vídeo acima).
Na sexta-feira (3), foram presas três mulheres, sendo duas advogadas e uma que auxiliou na elaboração de orçamentos para as empresas envolvidas nas fraudes. Há quatro homens foragidos. A TV Globo teve acesso ao inquérito que mostra que mais de R$ 27 milhões podem ter sido desviados no esquema.
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As pessoas investigadas são as seguintes:
Presas
Advogadas Eva Lúcia Monteiro e Edjane Silva Monteiro: irmãs que teriam envolvimento com o IGPN, o Instituto de Gestão de Políticas Públicas do Nordeste;
Maria Netania Vieira Dias, que auxiliou na elaboração da proposta e obtenção de orçamentos para empresas envolvidas;
Foragidos
José Gibson Francisco da Silva: presidente do IGPN;
Julio Cesar de Almeida Souza: diretor financeiro do IGPN;
Gilberto Claudino da Silva Júnior: gestor da Faculdade Novo Horizonte;
Gerailton Almeida da Silva: dono da Madeireira & Construção Paraense LTDA.
O esquema
O inquérito, já remetido à Vara Criminal de Ipojuca, detalha como funcionava o esquema criminoso. De acordo com a investigação, 12 pessoas e cinco empresas participavam do grupo, que usava associações inexistentes ou sem capacidade técnica para justificar a execução de projetos.
Segundo o documento, o IGPN foi o principal beneficiado, recebendo pelo menos nove emendas parlamentares, que somaram mais de R$ 6,3 milhões.
O IGPN deveria executar o projeto Preamar – Saúde Integral, mas no endereço registrado em Barreiros, no Litoral Sul de Pernambuco, só havia um galpão vazio com placa de “alugo”.
Vizinhos informaram que o imóvel pertencia a Gerailton Almeida da Silva, dono da empresa Madereira & Construção Paraense LTDA, também investigada.
Outra entidade citada é a Rede Vhida, cuja presidente é a advogada Edjane Silva Monteiro. Essa organização foi criada em 2024, reaproveitando o CNPJ de uma antiga igreja, a Assembleia de Deus Pentecostal Ministério Sinush.
O inquérito também cita o Instituto Nacional de Ensino, Sociedade e Pesquisa (Inesp) e o Instituto Habitus de Planejamento, além da Rede Nacional de Gestão.
A Polícia Civil afirma que empresas de fachada eram criadas, fechadas e depois reabertas com outros nomes para mascarar o desvio das verbas.
Segundo o inquérito, Maria Netania Vieira Dias, que foi presa, teria auxiliado na elaboração de propostas fraudulentas. As advogadas Eva Lúcia Monteiro e Edjane Silva Monteiro, ligadas ao IGPN, também foram detidas;
A gestão do instituto, até 2027, está registrada em nome de José Gibson Francisco da Silva (presidente) e Julio Cesar de Almeida Souza (diretor financeiro), ambos também investigados.
O inquérito aponta ainda Gilberto Claudino da Silva Júnior, gestor da Faculdade Novo Horizonte, como responsável por coordenar a fraude. Ele também presidiu outras instituições investigadas.
A Justiça decretou sua prisão preventiva, mas ele não foi encontrado no condomínio de luxo onde morava, na Praia do Cupe, em Porto de Galinhas, em Ipojuca.
O boletim de ocorrência registra que a casa estava trancada, com luzes acesas, comida pronta e mesa posta, sugerindo saída às pressas.
A Polícia Civil investiga também os vereadores que aprovaram quase 90 emendas impositivas para essas entidades e servidores da Prefeitura de Ipojuca que autorizaram os pagamentos.
Prédio da Câmara Municipal de Ipojuca, no Grande Recife
Reprodução/TV Globo
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Link original: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2025/10/08/quadrilha-emendas-parlamentares-em-ipojuca-entenda.ghtml
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