Mineração em alto-mar pode colapsar cadeia alimentar dos oceanos, alerta estudo
Publicado em: 07/11/2025 05:03
<br /> Entenda o que é a Foz do Amazonas e o que especialistas apontam estar em risco
A corrida por minérios essenciais à transição energética — como cobre, ferro e zinco — está chegando ao fundo do mar. Mas um novo estudo internacional alerta que a mineração em alto-mar pode ter consequências drásticas para a cadeia alimentar marinha, comprometendo desde microrganismos até grandes espécies comerciais, como o atum e o dourado.
Leia também: Entenda o que é a Foz do Amazonas e o que especialistas apontam estar em risco
Pesquisadores da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, analisaram dados de um teste de mineração realizado em 2022 no Pacífico e descobriram que o material liberado na água após a perfuração — uma mistura de sedimentos e rejeitos — pode confundir e subnutrir organismos microscópicos, base da vida marinha.
Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (6) na revista científica Nature Communications.
Como funciona a mineração em alto-mar
O processo de extração busca nódulos polimetálicos — pedras ricas em cobre, ferro e outros minerais — localizados a até 5 mil metros de profundidade.
Depois que as empresas trazem esses materiais à superfície, elas precisam descartar a água e o sedimento coletados, devolvendo-os ao oceano.
O problema, segundo os cientistas, é que essas partículas têm o mesmo tamanho das que servem de alimento para o zooplâncton, um conjunto de pequenos animais que vive na chamada “zona crepuscular” (entre 200 e 1.500 metros de profundidade).
“Esses resíduos funcionam como uma espécie de junk food do mar”, explica o oceanógrafo Michael Dowd, autor principal do estudo. “Se os microrganismos se alimentam desse material, acabam ficando desnutridos — e isso afeta toda a teia alimentar acima deles.”
Pargos-de-duas-faixas nadam na área protegida do Parque Nacional de Porquerolles, na França, antes da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos
AP/Annika Hammerschlag, Arquivo
Do plâncton aos grandes peixes
A pesquisa indica que 60% dos organismos do zooplâncton podem ser impactados, o que atinge diretamente o micronekton — pequenos peixes e crustáceos que servem de alimento para espécies maiores.
Em efeito cascata, a escassez desses seres pode alterar o comportamento e a sobrevivência de peixes de valor comercial, como atuns, dourados e outros predadores que se alimentam em grandes profundidades.
“Se a base da cadeia colapsa, o impacto se espalha até o topo”, resume Dowd. “Mesmo uma única operação não causa danos massivos, mas várias empresas explorando por anos podem gerar um desequilíbrio regional irreversível.”
Um problema invisível — e global
A maioria dos alertas sobre mineração em águas profundas até hoje se concentrava nos danos ao fundo do mar. Este estudo, porém, amplia o foco: os impactos também atingem o meio da coluna d’água, onde vive uma grande parte da biomassa oceânica.
Os autores defendem mais pesquisas para definir onde e como os rejeitos deveriam ser devolvidos ao mar — e alertam que descartar o material no fundo, em vez da zona intermediária, pode ser igualmente destrutivo.
Eles também destacam alternativas mais sustentáveis, como reciclagem de baterias e de eletrônicos ou reaproveitamento de resíduos de mineração terrestre, reduzindo a necessidade de perfurar o oceano.
Pressão econômica e ambiental
Mesmo com as incertezas ambientais, vários países e empresas já têm contratos de exploração firmados com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, órgão vinculado à ONU.
Nos Estados Unidos, a administração Trump chegou a acelerar licenças de perfuração no Pacífico, alegando interesse estratégico nos minerais críticos usados em tecnologias verdes e armamentos.
Organizações ambientais, por outro lado, pedem uma moratória global até que os impactos sejam totalmente compreendidos.
“Elas estão questionando se vale a pena obter alguns minérios em troca de desorganizar a forma como os oceanos funcionam”, afirmou a pesquisadora Sheryl Murdock, da Universidade Estadual do Arizona.
O que está em jogo
De acordo com a bióloga marinha Diva Amon, da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, o risco vai além da pesca:
“Tudo isso pode causar doenças, migrações forçadas e até extinções de espécies. E, dependendo da escala, o impacto pode ser permanente.”
COP30: Belém começa a receber participantes da cúpula
A corrida por minérios essenciais à transição energética — como cobre, ferro e zinco — está chegando ao fundo do mar. Mas um novo estudo internacional alerta que a mineração em alto-mar pode ter consequências drásticas para a cadeia alimentar marinha, comprometendo desde microrganismos até grandes espécies comerciais, como o atum e o dourado.
Leia também: Entenda o que é a Foz do Amazonas e o que especialistas apontam estar em risco
Pesquisadores da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, analisaram dados de um teste de mineração realizado em 2022 no Pacífico e descobriram que o material liberado na água após a perfuração — uma mistura de sedimentos e rejeitos — pode confundir e subnutrir organismos microscópicos, base da vida marinha.
Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (6) na revista científica Nature Communications.
Como funciona a mineração em alto-mar
O processo de extração busca nódulos polimetálicos — pedras ricas em cobre, ferro e outros minerais — localizados a até 5 mil metros de profundidade.
Depois que as empresas trazem esses materiais à superfície, elas precisam descartar a água e o sedimento coletados, devolvendo-os ao oceano.
O problema, segundo os cientistas, é que essas partículas têm o mesmo tamanho das que servem de alimento para o zooplâncton, um conjunto de pequenos animais que vive na chamada “zona crepuscular” (entre 200 e 1.500 metros de profundidade).
“Esses resíduos funcionam como uma espécie de junk food do mar”, explica o oceanógrafo Michael Dowd, autor principal do estudo. “Se os microrganismos se alimentam desse material, acabam ficando desnutridos — e isso afeta toda a teia alimentar acima deles.”
Pargos-de-duas-faixas nadam na área protegida do Parque Nacional de Porquerolles, na França, antes da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos
AP/Annika Hammerschlag, Arquivo
Do plâncton aos grandes peixes
A pesquisa indica que 60% dos organismos do zooplâncton podem ser impactados, o que atinge diretamente o micronekton — pequenos peixes e crustáceos que servem de alimento para espécies maiores.
Em efeito cascata, a escassez desses seres pode alterar o comportamento e a sobrevivência de peixes de valor comercial, como atuns, dourados e outros predadores que se alimentam em grandes profundidades.
“Se a base da cadeia colapsa, o impacto se espalha até o topo”, resume Dowd. “Mesmo uma única operação não causa danos massivos, mas várias empresas explorando por anos podem gerar um desequilíbrio regional irreversível.”
Um problema invisível — e global
A maioria dos alertas sobre mineração em águas profundas até hoje se concentrava nos danos ao fundo do mar. Este estudo, porém, amplia o foco: os impactos também atingem o meio da coluna d’água, onde vive uma grande parte da biomassa oceânica.
Os autores defendem mais pesquisas para definir onde e como os rejeitos deveriam ser devolvidos ao mar — e alertam que descartar o material no fundo, em vez da zona intermediária, pode ser igualmente destrutivo.
Eles também destacam alternativas mais sustentáveis, como reciclagem de baterias e de eletrônicos ou reaproveitamento de resíduos de mineração terrestre, reduzindo a necessidade de perfurar o oceano.
Pressão econômica e ambiental
Mesmo com as incertezas ambientais, vários países e empresas já têm contratos de exploração firmados com a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, órgão vinculado à ONU.
Nos Estados Unidos, a administração Trump chegou a acelerar licenças de perfuração no Pacífico, alegando interesse estratégico nos minerais críticos usados em tecnologias verdes e armamentos.
Organizações ambientais, por outro lado, pedem uma moratória global até que os impactos sejam totalmente compreendidos.
“Elas estão questionando se vale a pena obter alguns minérios em troca de desorganizar a forma como os oceanos funcionam”, afirmou a pesquisadora Sheryl Murdock, da Universidade Estadual do Arizona.
O que está em jogo
De acordo com a bióloga marinha Diva Amon, da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, o risco vai além da pesca:
“Tudo isso pode causar doenças, migrações forçadas e até extinções de espécies. E, dependendo da escala, o impacto pode ser permanente.”
COP30: Belém começa a receber participantes da cúpula
Palavras-chave:
tecnologia
Mais Notícias Relacionadas
Teresina, Parnaíba e Picos lideram crescimento econômico com 7 mil novas empresas
Indústria de alimentos em Teresina. Secom/PI Dados do Painel Empresarial da Junta Comerci...
Santa Casa de JF recebe primeiro robô cirúrgico autônomo da América Latina
A Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora acaba de dar mais um passo que reforça um pa...
Com apoio da Investe Piauí, grupo amplia cadeia agroindustrial no Cerrado
Grupo já opera uma granja com 90 mil aves. Ingrid Tapety Com apoio da Investe Piauí, o Gr...
Santa Casa de Passos fortalece atendimento com projeto “Vida em Movimento”
Santa Casa de Passos fortalece atendimento com projeto “Vida em Movimento”– Crédito: Divu...