TST mantém condenação de fabricante do Mounjaro por exposição tóxica que causou malformações em filha de ex-funcionário
Publicado em: 30/11/2025 08:17
<br /> Fábrica da Eli Lilly funcionou em Cosmópolis por 27 anos
Reprodução EPTV/Arquivo
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação da Eli Lilly do Brasil, fabricante do Mounjaro, por expor um operador de produção a substâncias químicas tóxicas durante sete anos na unidade de Cosmópolis (SP). A decisão foi divulgada na última quinta-feira (27).
Segundo o TST, essa exposição levou às malformações congênitas da filha do trabalhador, que nasceu com mielomeningocele (defeito no fechamento da coluna vertebral do feto) e hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro) em 1994.
O pai da jovem trabalhou na Eli Lilly de 1988 a 1995, em contato direto com solventes orgânicos, aromáticos e compostos clorados usados na fábrica. Ainda segundo o TST, ele desenvolveu, ao longo dos anos, problemas neurológicos, comportamentais e físicos, como:
crises de pânico;
ansiedade;
perda de memória;
dores no corpo;
hipertensão;
e hepatite química.
Exames realizados em 2013 confirmaram a contaminação dele e da filha por metais pesados e agentes considerados cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos. Esses últimos são substâncias capazes de causar alterações no desenvolvimento do embrião ou feto, como as malformações.
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O g1 pediu um posicionamento à Eli Lilly, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Assim que a farmacêutica se manifestar, o texto será atualizado.
Exposição intensa a agentes químicos
Uma perícia apontou que havia, no ambiente da fábrica, diversos agentes capazes de interferir no desenvolvimento embrionário. O laudo concluiu que houve uma concausa, ou seja, mais de um fator contribuiu para o problema.
Nesse caso, a predisposição genética se somou à exposição intensa aos agentes químicos. A perícia também observou a possibilidade de exposição indireta da mãe da criança, diagnosticada com câncer de mama, já que ela lavava as roupas e calçados usados pelo trabalhador.
A empresa contestou a relação entre o trabalho do pai e as sequelas da criança, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) “considerou consistente o conjunto de provas, formado por perícias ambientais, pareceres médicos e registros de exposição química”.
O TRT concluiu haver “risco relevante e falhas preventivas no ambiente de trabalho” e condenou a empresa a pagar R$ 200 mil por danos morais e R$ 100 mil por danos estéticos, além de pensão vitalícia, plano de saúde, cadeira de rodas e despesas médicas da menina.
A Sétima Turma do TST manteve a decisão. O relator, ministro Cláudio Brandão, afirmou que o trabalho na unidade envolvia manipulação frequente de substâncias perigosas, o que criava um risco especial.
O relator lembrou ainda que já havia registro, em uma ação civil pública, de que “um imenso número de empregados” desenvolveu doenças relacionadas à contaminação no mesmo ambiente de trabalho.
A decisão da Sétima Turma foi unânime.
Fabricante do Mounjaro, Eli Lilly se torna a primeira farmacêutica trilionária
Gigante do setor
Neste mês, a Eli Lilly atingiu um valor de mercado de US$ 1 trilhão, tornando-se a primeira farmacêutica a entrar no clube exclusivo dominado por gigantes da tecnologia e reforçando sua ascensão como uma potência no setor de emagrecimento.
A valorização de mais de 35% das ações da empresa este ano foi impulsionada principalmente pelo crescimento explosivo do mercado de medicamentos para perda de peso, como o Mounjaro.
As vendas do tirzepatide da Lilly, comercializado como Mounjaro para diabetes tipo 2 e Zepbound para obesidade, também superaram as da Merck Keytruda como o medicamento mais vendido do mundo.
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Reprodução EPTV/Arquivo
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação da Eli Lilly do Brasil, fabricante do Mounjaro, por expor um operador de produção a substâncias químicas tóxicas durante sete anos na unidade de Cosmópolis (SP). A decisão foi divulgada na última quinta-feira (27).
Segundo o TST, essa exposição levou às malformações congênitas da filha do trabalhador, que nasceu com mielomeningocele (defeito no fechamento da coluna vertebral do feto) e hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro) em 1994.
O pai da jovem trabalhou na Eli Lilly de 1988 a 1995, em contato direto com solventes orgânicos, aromáticos e compostos clorados usados na fábrica. Ainda segundo o TST, ele desenvolveu, ao longo dos anos, problemas neurológicos, comportamentais e físicos, como:
crises de pânico;
ansiedade;
perda de memória;
dores no corpo;
hipertensão;
e hepatite química.
Exames realizados em 2013 confirmaram a contaminação dele e da filha por metais pesados e agentes considerados cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos. Esses últimos são substâncias capazes de causar alterações no desenvolvimento do embrião ou feto, como as malformações.
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O g1 pediu um posicionamento à Eli Lilly, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Assim que a farmacêutica se manifestar, o texto será atualizado.
Exposição intensa a agentes químicos
Uma perícia apontou que havia, no ambiente da fábrica, diversos agentes capazes de interferir no desenvolvimento embrionário. O laudo concluiu que houve uma concausa, ou seja, mais de um fator contribuiu para o problema.
Nesse caso, a predisposição genética se somou à exposição intensa aos agentes químicos. A perícia também observou a possibilidade de exposição indireta da mãe da criança, diagnosticada com câncer de mama, já que ela lavava as roupas e calçados usados pelo trabalhador.
A empresa contestou a relação entre o trabalho do pai e as sequelas da criança, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15) “considerou consistente o conjunto de provas, formado por perícias ambientais, pareceres médicos e registros de exposição química”.
O TRT concluiu haver “risco relevante e falhas preventivas no ambiente de trabalho” e condenou a empresa a pagar R$ 200 mil por danos morais e R$ 100 mil por danos estéticos, além de pensão vitalícia, plano de saúde, cadeira de rodas e despesas médicas da menina.
A Sétima Turma do TST manteve a decisão. O relator, ministro Cláudio Brandão, afirmou que o trabalho na unidade envolvia manipulação frequente de substâncias perigosas, o que criava um risco especial.
O relator lembrou ainda que já havia registro, em uma ação civil pública, de que “um imenso número de empregados” desenvolveu doenças relacionadas à contaminação no mesmo ambiente de trabalho.
A decisão da Sétima Turma foi unânime.
Fabricante do Mounjaro, Eli Lilly se torna a primeira farmacêutica trilionária
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Neste mês, a Eli Lilly atingiu um valor de mercado de US$ 1 trilhão, tornando-se a primeira farmacêutica a entrar no clube exclusivo dominado por gigantes da tecnologia e reforçando sua ascensão como uma potência no setor de emagrecimento.
A valorização de mais de 35% das ações da empresa este ano foi impulsionada principalmente pelo crescimento explosivo do mercado de medicamentos para perda de peso, como o Mounjaro.
As vendas do tirzepatide da Lilly, comercializado como Mounjaro para diabetes tipo 2 e Zepbound para obesidade, também superaram as da Merck Keytruda como o medicamento mais vendido do mundo.
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Palavras-chave:
tecnologia
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