Consumo das famílias desacelera no terceiro trimestre de 2025, diz IBGE
Publicado em: 04/12/2025 20:56
A economia desacelerou no Brasil de julho a setembro. O Produto Interno Bruto do terceiro trimestre foi de 0,1%. As famílias estão consumindo menos.
Juros, inflação. Tomara que essas palavras passem bem longe dos ouvidos da Laura, que por enquanto só se interessa por outros sons. O PIB ainda não faz parte do mundo de um bebê. Mas os pais sabem que cada brinquedo entra na conta. Ultimamente, o consumo dessa família está do tamanho dela.
"A gente compra mais para ela. Para a gente, a gente deu uma segurada, realmente, porque as contas deram uma apertada. A gente está focando no principal, no necessário para ela", conta a estudante Paula Sayão, mãe de Laura.
Segundo o IBGE, o consumo das famílias desacelerou no terceiro trimestre. Já o consumo do governo continuou crescendo. O economista Armando Castelar explica que esses dois números são inseparáveis:
"Se a gente não conseguir segurar o gasto público, a gente vai ser obrigado a manter essa taxa de juros muito alta para poder ficar segurando o consumo das famílias.
01,%, 0,1%, 0,1%. O consumo das famílias e a oferta de serviços foram iguais ao indicador principal: o pequeno crescimento do PIB. Esses números significam que o carro pisou no freio, mas continua andando para frente. Sem parar e muito menos sem andar de ré. O que, em termos econômicos, seria bem diferente.
"A gente está tendo um pouso suave. A economia está desacelerando, está ajudando a trazer a inflação para baixo, que é o que o Banco Central está buscando, mas sem apertar o mercado, exagerar no desemprego, sem gerar uma grande recessão, sem aumentar o desemprego de uma forma que seria muito dolorosa”, diz Armando Castelar.
Pouso suave. O "pouso" fica evidente na comparação com o ritmo de crescimento no primeiro e no segundo trimestres de 2025. Já o "suave" foi garantido pelo bom desempenho de alguns setores. Apesar da desaceleração dos serviços - que representam quase 70% da economia -, as exportações aumentaram mais de 3%, mesmo no auge das sanções do governo americano. Uma das razões foi a agilidade do agro, que cresceu 0,4% e foi capaz de encontrar novos compradores, driblando as tarifas americanas.
"Quando ele cortou a nossa compra, nós conseguimos aumentar a exportação para o México, para a Argentina, para o Paraguai, para o Uruguai e realmente não caiu a exportação e não caiu a venda”, diz o pecuarista Aldo Resende Teles.
Criatividade e agilidade também no comércio para compensar a calmaria no consumo das famílias. O lugar que parece uma loja de brinquedos é uma startup de tecnologia para sugerir o presente ideal. O setor de informação e comunicação, que abrange esse ramo de negócios, cresceu 1,5%. E a empresa também faz a própria entrega, atuando assim no setor de transportes, um dos que mais cresceram: quase 3% (2,7%).
Foi de lá que saiu o presente que chegou até a casa da Laura. Ela vai fazer seis meses e, a todo momento, revela semelhanças com a economia brasileira do período em que nasceu. Agora, por exemplo: uma carinha adormecida, mas crescendo devagarzinho.
Para quem prefere evitar os gráficos, é possível ler a economia nos prédios em obras. A construção civil é uma manifestação concreta do ritmo da atividade. Sensível ao crédito e ao nível dos investimentos, aliás, como todo o setor industrial.
A indústria extrativa despontou com a produção de petróleo e gás. A construção cresceu 1,3%. A transformação, com as fábricas de alimentos, têxteis e metalúrgicas, ficou quase no zero a zero. O setor de eletricidade, gás, água e esgoto encolheu. Na média, a indústria teve o melhor trimestre de 2025: alta de 0,8%. Um resultado de resiliência, na avaliação dos economistas.
A indústria cresce mesmo com o crédito caro, sob efeito da taxa básica de juros, que subiu em um esforço do Banco Central para conter a inflação. Para não parar, a construtora investiu nos projetos populares.
"Hoje, a gente está sentindo uma velocidade de vendas menor no médio padrão porque o crédito está mais difícil para a população. A construção civil não está desvinculada da economia. Então, se a economia vai bem, prospera com uma taxa de juros menor, a construção civil vai bem. Quando a taxa é muito elevada, a gente diminui o ritmo de crescimento”, explica Yorki Estefan, diretor da Conx.
A taxa básica de juros começou o ano em 12,25% e chegou a 15% em junho. E a inflação, boa parte do ano acima de 5%, caiu para o teto da meta do BC, 4,5% em novembro, segundo a prévia da inflação oficial. A economista Tatiana Pinheiro diz que o governo precisa controlar os gastos para que os juros voltem a baixar.
"Essa expectativa de corte de juros que as pessoas têm, que o mercado tem, que os economistas têm, depende de um estado onde as receitas e despesas estejam equilibradas. É necessário que a gente caminhe para esse caminho de receitas, pelo menos receitas iguais ao total de despesas no ano que vem”, afirma Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galapagos Capital.
Os investimentos reagiram com alta de 0,9%. Poderia ser mais.
"O Brasil tem ali 17%, a taxa de investimento é de 17%. Quando a gente olha a América Latina, a taxa de investimento médio, tirando o Brasil, é de 22%”, diz Tatiana Pinheiro.
Em um ranking com 51 países, o PIB do Brasil aparece na 34ª posição. O Ministério da Fazenda comentou o PIB. Disse que o resultado veio pouco abaixo das previsões de mercado e que surpreendeu principalmente o menor crescimento do setor de serviços. Mas que, em contrapartida, os desempenhos da agropecuária e da indústria vieram acima do esperado.
Consumo das famílias desacelera no terceiro trimestre de 2025, diz IBGE
Reprodução/TV Globo
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Link original: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/04/consumo-das-familias-desacelera-no-terceiro-trimestre-de-2025-diz-ibge.ghtml
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