Túnel Santos-Guarujá: leilão põe fim a quase 100 anos de promessas e reviravoltas; confira a história
Publicado em: 05/09/2025 00:00
<br /> Túnel Santos-Guarujá: entenda o leilão que promete mudar a mobilidade na Baixada Santista
Após quase um século de debates, projetos e frustrações, o sonho da ligação por túnel entre Santos e Guarujá começa a sair do papel nesta sexta-feira (5), às 16h, com o leilão que vai definir a empresa responsável pela construção e operação da estrutura pelos próximos 30 anos. O evento será realizado na sede B3, em São Paulo.
A travessia leva atualmente de 20 minutos a duas horas, pela estrada ou por balsas, lanchas e catraias. A aguardada ligação seca vai reduzir esse tempo para um ou dois minutos. O tema é discutido desde 1927, como mostra um recorte do jornal A Tribuna (veja abaixo). Desde então, foram décadas de estudos, projetos e maquetes inauguradas, envolvendo tanto a proposta de túnel quanto a de ponte, que nunca saíram do papel.
O projeto atual foi modelado pelo Governo de São Paulo, com participação do Governo Federal, já que o túnel atravessará o canal do Porto de Santos, o maior da América do Sul.
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O investimento total previsto é de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,14 bilhões divididos entre a União e estado para as obras, e R$ 1,78 bilhão da concessionária para operação e manutenção da estrutura durante os 30 anos de concessão.
O caminho até a definição: debates entre ponte e túnel
Projeto foi publicado na primeira página do jornal santista A Tribuna, no 23 de janeiro de 1927
Novo Milénio
Os registros sobre a construção de uma ponte ou túnel entre Santos e Guarujá datam de 1927. Desde então, uma única certeza se manteve: a obra é considerada essencial para a mobilidade da população e para o desenvolvimento do Porto de Santos.
Apesar da relevância, os projetos não resistiram às mudanças de governo e às crises econômicas. Foram diversas as propostas, estudos e maquetes, tanto de pontes quanto de túneis, que nunca saíram do papel.
A definição pelo túnel como modelo de travessia só ocorreu em 2014, após novos estudos técnicos. Desde então, mesmo com alternância de governos, o projeto seguiu alinhado aos interesses das esferas estadual e federal, que vão dividir os custos da obra.
Canal do Porto de Santos: Navio e balsa
Arquivo AT
1927: O arquiteto Enéas Marini apresentou o primeiro projeto submerso para construção de uma ponte ligando Santos ao Guarujá.
1948: Surgiu a proposta de uma ponte levadiça, que permitiria o trânsito sem interromper a navegação. A ideia foi arquivada.
1950: Foi apresentado um projeto de ponte sobre o estuário.
1954: Manchetes de jornais da época anunciaram um túnel submerso como solução para a mobilidade.
1973: Na virada dos anos 1970 para os 1980, a obra voltou a ser cogitada. Porém, a dívida externa e a escassez de crédito internacional dificultaram a execução do projeto.
1999: O tema do túnel retorna ao planejamento urbano e volta a ganhar repercussão na imprensa.
2010: O projeto é relançado como “o sonho de uma vida” para a Baixada Santista.
2014: Novos estudos definem o traçado atualizado do que seria o primeiro túnel submerso da América Latina.
2023 (22 de novembro): O projeto foi qualificado no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal.
2024 (16 de fevereiro): Celebração do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para construção do Túnel Santos-Guarujá. 13 de março: início da consulta pública para contribuições e sugestões ao projeto.
2025 (25 de abril): O projeto do túnel foi promovido em missão internacional na Europa, destacando sua tecnologia inédita. 5 de setembro: Governo Federal realiza o leilão do túnel Santos-Guarujá, na B3, em São Paulo.
Infográfico - Túnel Santos-Guarujá em números
Arte/g1
Promessas e reviravoltas: os últimos 11 anos de impasses
Em dezembro de 2014, ano em que estudos definiram o traçado do túnel, o então governador e atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) autorizou a publicação do edital de licitação, com previsão de início das obras em março de 2015.
O projeto já tinha uma das licenças ambientais e atraiu cinco consórcios, com valor estimado em R$ 2 bilhões e prazo de execução de três anos e oito meses.
A promessa foi suspensa em fevereiro de 2015, quando o TCE-SP interrompeu a licitação por possíveis irregularidades, após construtoras apontarem falhas no edital e prazo curto para propostas. Em 2017, Alckmin anunciou que o túnel seria deixado 'de lado' por ser 'caro' e pela prioridade de concluir o VLT.
Reviravoltas: volta ponte e termina túnel
Canal do porto de Santos
Arquivo AT
Em 2018, o então governador e atual ministro de Empreendedorismo, Márcio França (PSB), retomou a discussão da ligação seca, mas com novo projeto: uma ponte. A proposta seguiu como principal alternativa entre 2019 e 2022, durante o governo João Doria, que defendia o modelo por menor impacto e com um custo estimado de R$ 3,9 bilhões.
Doria enfrentou resistência do Governo Federal, especialmente do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, que já apoiava o túnel. O impasse travou o avanço.
Em 2023, Tarcísio assumiu o estado e Lula a presidência. Apesar de estarem em lados opostos, firmaram parceria para tirar o projeto do papel. O acordo foi fechado em fevereiro de 2024, com estado e União comprometidos a investir R$ 5,8 bilhões, metade para cada.
Túnel segue modelo europeu
A tecnologia escolhida para o túnel imerso entre Santos e Guarujá é inédita no Brasil e, segundo o Governo Federal, já consolidada em grandes obras internacionais na Europa e na Ásia.
Inspirada no túnel Fehmarnbelt, que vai ligar Alemanha e Dinamarca, a construção utiliza módulos de concreto pré-moldados, afundados no leito do canal, encaixados com precisão milimétrica e cobertos para proteção (veja abaixo).
Infográfico - Como vai ser a obra do Túnel Santos-Guarujá
Arte/g1
Projeto vai a leilão com licença ambiental
O projeto do túnel imerso recebeu a Licença Prévia (LP), que confirma a viabilidade ambiental da obra. O documento foi emitido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em 11 de agosto após aprovação do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).
A LP, primeira das três fases do licenciamento ambiental, autoriza o avanço do projeto para o modelo de Parceria Público-Privada (PPP). A empresa vencedora será remunerada por pedágio, contraprestação pública, aporte do governo e receitas acessórias.
Etapas da Licença Ambiental
Licença Prévia (LP): Avalia e confirma a viabilidade ambiental do projeto.
Licença de Instalação (LI): Autoriza o início das obras, desde que todas as exigências legais e ambientais sejam atendidas.
Licença de Operação (LO): Permite o funcionamento do empreendimento após sua conclusão.
A emissão da LP foi baseada no Estudo e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima), elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que detalha os possíveis efeitos socioambientais da construção do túnel.
Túnel Santos-Guarujá recebe primeira licença ambiental e avança para leilão
Investimento, tempo de construção e prazo de concessão
O investimento total previsto é de R$ 6,8 bilhões. Desse valor, R$ 5,14 bilhões virão de recursos públicos, divididos entre União e Estado, enquanto R$ 1,78 bilhão será responsabilidade da concessionária ao longo da operação.
A empresa vencedora terá concessão por 30 anos, com prazo de cinco anos para concluir as obras. O projeto será acompanhado pelo Governo de São Paulo, responsável pela modelagem da PPP, e contará com participação do Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos e da Autoridade Portuária de Santos, já que o túnel atravessa o canal portuário.
Segundo o Governo Federal, a expectativa é que a concessionária recupere o investimento em até três anos após o início das operações.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos
Após quase um século de debates, projetos e frustrações, o sonho da ligação por túnel entre Santos e Guarujá começa a sair do papel nesta sexta-feira (5), às 16h, com o leilão que vai definir a empresa responsável pela construção e operação da estrutura pelos próximos 30 anos. O evento será realizado na sede B3, em São Paulo.
A travessia leva atualmente de 20 minutos a duas horas, pela estrada ou por balsas, lanchas e catraias. A aguardada ligação seca vai reduzir esse tempo para um ou dois minutos. O tema é discutido desde 1927, como mostra um recorte do jornal A Tribuna (veja abaixo). Desde então, foram décadas de estudos, projetos e maquetes inauguradas, envolvendo tanto a proposta de túnel quanto a de ponte, que nunca saíram do papel.
O projeto atual foi modelado pelo Governo de São Paulo, com participação do Governo Federal, já que o túnel atravessará o canal do Porto de Santos, o maior da América do Sul.
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O investimento total previsto é de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,14 bilhões divididos entre a União e estado para as obras, e R$ 1,78 bilhão da concessionária para operação e manutenção da estrutura durante os 30 anos de concessão.
O caminho até a definição: debates entre ponte e túnel
Projeto foi publicado na primeira página do jornal santista A Tribuna, no 23 de janeiro de 1927
Novo Milénio
Os registros sobre a construção de uma ponte ou túnel entre Santos e Guarujá datam de 1927. Desde então, uma única certeza se manteve: a obra é considerada essencial para a mobilidade da população e para o desenvolvimento do Porto de Santos.
Apesar da relevância, os projetos não resistiram às mudanças de governo e às crises econômicas. Foram diversas as propostas, estudos e maquetes, tanto de pontes quanto de túneis, que nunca saíram do papel.
A definição pelo túnel como modelo de travessia só ocorreu em 2014, após novos estudos técnicos. Desde então, mesmo com alternância de governos, o projeto seguiu alinhado aos interesses das esferas estadual e federal, que vão dividir os custos da obra.
Canal do Porto de Santos: Navio e balsa
Arquivo AT
1927: O arquiteto Enéas Marini apresentou o primeiro projeto submerso para construção de uma ponte ligando Santos ao Guarujá.
1948: Surgiu a proposta de uma ponte levadiça, que permitiria o trânsito sem interromper a navegação. A ideia foi arquivada.
1950: Foi apresentado um projeto de ponte sobre o estuário.
1954: Manchetes de jornais da época anunciaram um túnel submerso como solução para a mobilidade.
1973: Na virada dos anos 1970 para os 1980, a obra voltou a ser cogitada. Porém, a dívida externa e a escassez de crédito internacional dificultaram a execução do projeto.
1999: O tema do túnel retorna ao planejamento urbano e volta a ganhar repercussão na imprensa.
2010: O projeto é relançado como “o sonho de uma vida” para a Baixada Santista.
2014: Novos estudos definem o traçado atualizado do que seria o primeiro túnel submerso da América Latina.
2023 (22 de novembro): O projeto foi qualificado no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do Governo Federal.
2024 (16 de fevereiro): Celebração do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para construção do Túnel Santos-Guarujá. 13 de março: início da consulta pública para contribuições e sugestões ao projeto.
2025 (25 de abril): O projeto do túnel foi promovido em missão internacional na Europa, destacando sua tecnologia inédita. 5 de setembro: Governo Federal realiza o leilão do túnel Santos-Guarujá, na B3, em São Paulo.
Infográfico - Túnel Santos-Guarujá em números
Arte/g1
Promessas e reviravoltas: os últimos 11 anos de impasses
Em dezembro de 2014, ano em que estudos definiram o traçado do túnel, o então governador e atual vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) autorizou a publicação do edital de licitação, com previsão de início das obras em março de 2015.
O projeto já tinha uma das licenças ambientais e atraiu cinco consórcios, com valor estimado em R$ 2 bilhões e prazo de execução de três anos e oito meses.
A promessa foi suspensa em fevereiro de 2015, quando o TCE-SP interrompeu a licitação por possíveis irregularidades, após construtoras apontarem falhas no edital e prazo curto para propostas. Em 2017, Alckmin anunciou que o túnel seria deixado 'de lado' por ser 'caro' e pela prioridade de concluir o VLT.
Reviravoltas: volta ponte e termina túnel
Canal do porto de Santos
Arquivo AT
Em 2018, o então governador e atual ministro de Empreendedorismo, Márcio França (PSB), retomou a discussão da ligação seca, mas com novo projeto: uma ponte. A proposta seguiu como principal alternativa entre 2019 e 2022, durante o governo João Doria, que defendia o modelo por menor impacto e com um custo estimado de R$ 3,9 bilhões.
Doria enfrentou resistência do Governo Federal, especialmente do então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atual governador de São Paulo, que já apoiava o túnel. O impasse travou o avanço.
Em 2023, Tarcísio assumiu o estado e Lula a presidência. Apesar de estarem em lados opostos, firmaram parceria para tirar o projeto do papel. O acordo foi fechado em fevereiro de 2024, com estado e União comprometidos a investir R$ 5,8 bilhões, metade para cada.
Túnel segue modelo europeu
A tecnologia escolhida para o túnel imerso entre Santos e Guarujá é inédita no Brasil e, segundo o Governo Federal, já consolidada em grandes obras internacionais na Europa e na Ásia.
Inspirada no túnel Fehmarnbelt, que vai ligar Alemanha e Dinamarca, a construção utiliza módulos de concreto pré-moldados, afundados no leito do canal, encaixados com precisão milimétrica e cobertos para proteção (veja abaixo).
Infográfico - Como vai ser a obra do Túnel Santos-Guarujá
Arte/g1
Projeto vai a leilão com licença ambiental
O projeto do túnel imerso recebeu a Licença Prévia (LP), que confirma a viabilidade ambiental da obra. O documento foi emitido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em 11 de agosto após aprovação do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).
A LP, primeira das três fases do licenciamento ambiental, autoriza o avanço do projeto para o modelo de Parceria Público-Privada (PPP). A empresa vencedora será remunerada por pedágio, contraprestação pública, aporte do governo e receitas acessórias.
Etapas da Licença Ambiental
Licença Prévia (LP): Avalia e confirma a viabilidade ambiental do projeto.
Licença de Instalação (LI): Autoriza o início das obras, desde que todas as exigências legais e ambientais sejam atendidas.
Licença de Operação (LO): Permite o funcionamento do empreendimento após sua conclusão.
A emissão da LP foi baseada no Estudo e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima), elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que detalha os possíveis efeitos socioambientais da construção do túnel.
Túnel Santos-Guarujá recebe primeira licença ambiental e avança para leilão
Investimento, tempo de construção e prazo de concessão
O investimento total previsto é de R$ 6,8 bilhões. Desse valor, R$ 5,14 bilhões virão de recursos públicos, divididos entre União e Estado, enquanto R$ 1,78 bilhão será responsabilidade da concessionária ao longo da operação.
A empresa vencedora terá concessão por 30 anos, com prazo de cinco anos para concluir as obras. O projeto será acompanhado pelo Governo de São Paulo, responsável pela modelagem da PPP, e contará com participação do Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos e da Autoridade Portuária de Santos, já que o túnel atravessa o canal portuário.
Segundo o Governo Federal, a expectativa é que a concessionária recupere o investimento em até três anos após o início das operações.
VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos
Palavras-chave:
tecnologia
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