'Não sabemos se estão vivos ou morreram': o desespero de quem tem parentes no Irã, país que cortou internet e massacrou milhares nas ruas
Publicado em: 19/01/2026 12:42
<br /> Não sabemos se estão vivos ou morreram
Brasileiros com familiares no Irã vivem dias de angústia desde que o regime iraniano bloqueou a internet e intensificou a repressão a protestos no país. Sem acesso a mensagens, ligações ou redes sociais há pelo menos dez dias, muitos dizem não saber se pais, irmãos e outros parentes estão vivos ou mortos em meio a uma onda de prisões e milhares de mortes nas ruas.
“Minha mãe, meu pai, toda a família… nenhuma palavra, nenhuma voz no WhatsApp. Agora nós não sabemos se estão vivos ou morreram. Cortaram a internet, cortaram o telefone”, diz Mah Mooni, imigrante iraniana que vive no Brasil e tenta contato com parentes todos os dias, sem sucesso.
"Meu filho, dois netinhos brasileiros, porque os dois nasceram aqui. Agora não sabemos se eles estão vivos ou morreram", comenta o empresário Mohammad Ghorbanian, em meio a lágrimas de preocupação.
Segundo relatos, as mensagens não chegam nem por SMS nem por aplicativos como o WhatsApp. O apagão digital ocorre no momento em que o Irã enfrenta a maior onda de protestos em anos, iniciada no fim de dezembro de 2025 por causa do aumento do custo de vida e que evoluiu para um questionamento direto ao regime.
Imigrantes iranianos no Brasil dizem estar sem informações sobre os parentes que ainda estão no Irã.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Especialistas afirmam que o bloqueio de comunicação é um padrão conhecido da ditadura iraniana. “Normalmente, isso é interpretado como um alerta de massacre a caminho. O regime corta a conexão da população com o mundo para depois entrar com uma repressão mais forte”, afirma Bruno Natal, jornalista especializado em tecnologia.
Não é a primeira vez que o Irã bloqueia a internet, mas nunca por um período tão longo. O corte já dura ao menos dez dias. Técnicos explicam que o governo mantém o funcionamento da rede apenas para serviços estatais, enquanto isola a população.
Tecnologias para driblar a censura
Mesmo sob risco, alguns iranianos tentam burlar a censura usando ferramentas alternativas. Entre elas estão proxies do Telegram, o serviço de mensagens Delta Chat, o navegador Ceno e terminais do Starlink, sistema de internet via satélite do empresário Elon Musk.
Segundo especialistas, entre 50 mil e 100 mil terminais do Starlink estariam em funcionamento no Irã, muitos contrabandeados. “Numa cidade pequena, basta um Starlink para todo mundo saber o que está acontecendo”, diz um professor de relações internacionais. Ainda assim, o risco é alto. “Se a polícia souber que alguém tem esse equipamento em casa, vai invadir. A pessoa pode ser acusada de espionagem”, relata Mohammed.
Mortes, prisões e pena de morte
De acordo com a organização independente Human Rights Activists in Iran, 3.308 mortes já foram confirmadas desde o início dos protestos. Outros mais de 4.200 casos ainda estão sob investigação. A repressão inclui prisões em massa e ameaças de pena de morte a manifestantes, como no caso de Erfan Soltani, de 26 anos, que quase foi enforcado.
“Nunca houve uma repressão desse tipo. O regime sentiu a pressão das ruas. Primeiro reagiu com a internet, depois com balas”, afirma um especialista.
O Irã é governado desde 1979 por uma teocracia liderada pelos aiatolás. Desde 1989, o país é comandado pelo líder supremo Ali Khamenei, principal alvo dos protestos atuais. Críticas ao regime, diferenças religiosas ou políticas podem levar à prisão. “Se você tem um pensamento diferente da ditadura islâmica, pode ser preso”, diz Mohammed.
Irã cortou internet em meio a protestos contra o regime
Reprodução/TV Globo
Tensão internacional e medo sem fim
A crise interna também elevou a tensão internacional. Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos chegou a ameaçar ataques ao Irã, mas recuou após pressão da Arábia Saudita, preocupada com o impacto no mercado de petróleo. O Irã controla a margem norte do Estreito de Ormuz, por onde passa até um quarto de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
Enquanto as tensões geopolíticas diminuem, o desespero de quem está longe só aumenta. Mohammad tenta ligar mais uma vez para a irmã. A chamada não completa.
Parte da família dele ainda vive no Irã. “Imagina ficar incomunicável por dez dias. Imagina”, diz o repórter. A resposta, por enquanto, é o silêncio.
Erfan Soltani, manifestante de 26 anos, quase foi enforcado pelo regime iraniano
Reprodução/TV Globo
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Brasileiros com familiares no Irã vivem dias de angústia desde que o regime iraniano bloqueou a internet e intensificou a repressão a protestos no país. Sem acesso a mensagens, ligações ou redes sociais há pelo menos dez dias, muitos dizem não saber se pais, irmãos e outros parentes estão vivos ou mortos em meio a uma onda de prisões e milhares de mortes nas ruas.
“Minha mãe, meu pai, toda a família… nenhuma palavra, nenhuma voz no WhatsApp. Agora nós não sabemos se estão vivos ou morreram. Cortaram a internet, cortaram o telefone”, diz Mah Mooni, imigrante iraniana que vive no Brasil e tenta contato com parentes todos os dias, sem sucesso.
"Meu filho, dois netinhos brasileiros, porque os dois nasceram aqui. Agora não sabemos se eles estão vivos ou morreram", comenta o empresário Mohammad Ghorbanian, em meio a lágrimas de preocupação.
Segundo relatos, as mensagens não chegam nem por SMS nem por aplicativos como o WhatsApp. O apagão digital ocorre no momento em que o Irã enfrenta a maior onda de protestos em anos, iniciada no fim de dezembro de 2025 por causa do aumento do custo de vida e que evoluiu para um questionamento direto ao regime.
Imigrantes iranianos no Brasil dizem estar sem informações sobre os parentes que ainda estão no Irã.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Especialistas afirmam que o bloqueio de comunicação é um padrão conhecido da ditadura iraniana. “Normalmente, isso é interpretado como um alerta de massacre a caminho. O regime corta a conexão da população com o mundo para depois entrar com uma repressão mais forte”, afirma Bruno Natal, jornalista especializado em tecnologia.
Não é a primeira vez que o Irã bloqueia a internet, mas nunca por um período tão longo. O corte já dura ao menos dez dias. Técnicos explicam que o governo mantém o funcionamento da rede apenas para serviços estatais, enquanto isola a população.
Tecnologias para driblar a censura
Mesmo sob risco, alguns iranianos tentam burlar a censura usando ferramentas alternativas. Entre elas estão proxies do Telegram, o serviço de mensagens Delta Chat, o navegador Ceno e terminais do Starlink, sistema de internet via satélite do empresário Elon Musk.
Segundo especialistas, entre 50 mil e 100 mil terminais do Starlink estariam em funcionamento no Irã, muitos contrabandeados. “Numa cidade pequena, basta um Starlink para todo mundo saber o que está acontecendo”, diz um professor de relações internacionais. Ainda assim, o risco é alto. “Se a polícia souber que alguém tem esse equipamento em casa, vai invadir. A pessoa pode ser acusada de espionagem”, relata Mohammed.
Mortes, prisões e pena de morte
De acordo com a organização independente Human Rights Activists in Iran, 3.308 mortes já foram confirmadas desde o início dos protestos. Outros mais de 4.200 casos ainda estão sob investigação. A repressão inclui prisões em massa e ameaças de pena de morte a manifestantes, como no caso de Erfan Soltani, de 26 anos, que quase foi enforcado.
“Nunca houve uma repressão desse tipo. O regime sentiu a pressão das ruas. Primeiro reagiu com a internet, depois com balas”, afirma um especialista.
O Irã é governado desde 1979 por uma teocracia liderada pelos aiatolás. Desde 1989, o país é comandado pelo líder supremo Ali Khamenei, principal alvo dos protestos atuais. Críticas ao regime, diferenças religiosas ou políticas podem levar à prisão. “Se você tem um pensamento diferente da ditadura islâmica, pode ser preso”, diz Mohammed.
Irã cortou internet em meio a protestos contra o regime
Reprodução/TV Globo
Tensão internacional e medo sem fim
A crise interna também elevou a tensão internacional. Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos chegou a ameaçar ataques ao Irã, mas recuou após pressão da Arábia Saudita, preocupada com o impacto no mercado de petróleo. O Irã controla a margem norte do Estreito de Ormuz, por onde passa até um quarto de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
Enquanto as tensões geopolíticas diminuem, o desespero de quem está longe só aumenta. Mohammad tenta ligar mais uma vez para a irmã. A chamada não completa.
Parte da família dele ainda vive no Irã. “Imagina ficar incomunicável por dez dias. Imagina”, diz o repórter. A resposta, por enquanto, é o silêncio.
Erfan Soltani, manifestante de 26 anos, quase foi enforcado pelo regime iraniano
Reprodução/TV Globo
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