Herpes-zóster tem aumento exponencial em 5 anos na região de Piracicaba: ‘doença da modernidade’, diz infectologista
Publicado em: 26/01/2026 08:09
<br /> O herpes-zóster é marcado pela reativação do vírus causador da catapora
getty images
O Departamento Regional de Saúde de Piracicaba (SP) registrou aumento exponencial no número de atendimentos ambulatoriais e hospitalares para casos de herpes-zóster entre nos últimos cinco anos, segundo dados mais recentes divulgados pelo governo do estado de São Paulo ao g1. Entenda causas, veja sintomas e tratamento na reportagem.
🏥As notificações saltaram de 124 registros de atendimentos clínicos em todo ano de 2020 para 992 casos entre janeiro e outubro de 2025. A doença, que costuma ser mais comum em pessoas com mais de 50 anos, também foi registrada em pacientes mais jovens.
Modernidade e estresse: O g1 conversou com o médico infectologista Tufi Chalita. O especialista destaca que, embora a doença comum em pessoas com mais de 50 anos, tem percebido registros em pacientes mais jovens.
“Doença que vem com a modernidade. Passamos a ver um número muito importante de jovens como casos de herpes, às vezes, bastante intensos. Coisa que não se via antes. Isso é a questão da vida moderna”, explicou.
🚑As internações por herpes-zóster na região de Piracicaba também cresceram entre 2020 e 2025, passando de nove para 14 hospitalizações.
Em muitos casos, a herpes-zóster pode ser desencadeada por estresse elevado que, ao baixar a imunidade do paciente, provoca lesões na pele e dores intensas. Além disso, a condição pode levar a sentimentos de frustração, ansiedade e isolamento devido à dor prolongada.
Herpes-zóster
TV Globo/Reprodução
O que é a herpes-zóster?
O infectologista Tufi Chalita explica que a herpes-zoster é uma doença infecciosa, causada pelo vírus da varicela ou catapora. Geralmente adquirido na infância – momento em que a maioria dos brasileiros manifesta as feridas clássicas e a coceira da catapora –, ele pode ficar anos dormente no organismo e "acordar" a qualquer fase da vida.
Quando desperta, o vírus faz surgir dolorosas bolhas pelo corpo.
"O comportamento desse vírus tem um tropismo, uma tendência a ficar no nosso sistema nervoso central. Depois que se adquirea varicela, fica para sempre dentro meu corpo. Em determinadas circunstâncias, por ele ser um vírus oportunista, se a imunidade de origem física ou emocional cair, diminuir, esse vírus pode se reativar, ele se multiplica milhões de vezes e vem ao longo das fibras nervosas daquela região que estava e vai causar alguns sintomas.
Casos de herpes zoster crescem 122% em Piracicaba em 2023; Campinas tem alta de 19%
Quais são os sintomas?
Pacientes com herpes-zóster experimentam dor intensa, muitas vezes descrita como queimação ou choques elétricos. As lesões causam desconforto e coceira.
Os sintomas normalmente são dores com sensação às vezes de ardência, de choque, de calor, de ferroada ou as vezes coceira em determinados lugares.
“Normalmente, esses sintomas precedem o aparecimento de pequenas lesões vesículas na pele, na região onde havia aquele nervo, a região de nervação daquele nervo que foi acometido. Existe uma possibilidade, felizmente remota, de acometer o sistema nervoso, desenvolvendo o que chamamos de encefalite, ou seja, infecção no cérebro causada pelo vírus da herpes-zóster.”, explica o infectologista.
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Complicações da doença
A complicação mais grave da herpes-zóster se chama “neuralgia crônica”, que pode persistir por meses ou anos, diminuindo a qualidade de vida.
Herpes-zóster tem alta de 122% na rede pública de Saúde de Piracicaba: entenda doença que pode ser ativada por estresse
Reprodução/EPTV
Quais são as complicações mais graves?
A encefalite é uma doença mais grave, explica o médico. “Pode afetar o comportamento da pessoa. O indivíduo começa a ficar agressivo, perde o contato com o meio ambiente. É uma doença que pode ser fatal, é uma raridade, mas pode acontecer”, explica.
Como o vírus é transmitido?
O herpes-zóster não é transmitido diretamente de uma pessoa para outra como o herpes genital. Porém, quem nunca teve catapora ou não tomou a vacina pode contrair a doença ao ter contato direto com as lesões ativas de alguém infectado — mas, nesse caso, desenvolverá catapora, não herpes-zóster.
Existe vacina contra o herpes-zóster?
Sim, mas ela está disponível apenas na rede privada. A vacina pode reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença e, se ocorrer, tende a ser mais branda. O preço pode chegar a R$ 1,6 mil.
Como é feito o tratamento?
O tratamento inclui antivirais (como o aciclovir), analgésicos e medicamentos para controle da dor. O ideal é iniciar o tratamento nas primeiras 72 horas após o surgimento das lesões, para reduzir a duração dos sintomas e o risco de complicações.
Ministério da Saúde consulta população sobre vacina gratuita contra herpes-zóster
Vacina
A vacina contra a herpes-zóster existe, mas apenas na rede privada de saúde. Ela é eficaz mas o custo pode ser um obstáculo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster, doença popularmente conhecida como cobreiro. A decisão foi publicada no último dia 12 de janeiro no Diário Oficial da União e se refere ao imunizante recombinante adjuvado, avaliado para uso em idosos com 80 anos ou mais e em pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos.
A conclusão foi tomada após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável por avaliar evidências científicas, impacto orçamentário e custo-efetividade de medicamentos, vacinas e procedimentos antes de sua eventual oferta na rede pública.
VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região
Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba
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O Departamento Regional de Saúde de Piracicaba (SP) registrou aumento exponencial no número de atendimentos ambulatoriais e hospitalares para casos de herpes-zóster entre nos últimos cinco anos, segundo dados mais recentes divulgados pelo governo do estado de São Paulo ao g1. Entenda causas, veja sintomas e tratamento na reportagem.
🏥As notificações saltaram de 124 registros de atendimentos clínicos em todo ano de 2020 para 992 casos entre janeiro e outubro de 2025. A doença, que costuma ser mais comum em pessoas com mais de 50 anos, também foi registrada em pacientes mais jovens.
Modernidade e estresse: O g1 conversou com o médico infectologista Tufi Chalita. O especialista destaca que, embora a doença comum em pessoas com mais de 50 anos, tem percebido registros em pacientes mais jovens.
“Doença que vem com a modernidade. Passamos a ver um número muito importante de jovens como casos de herpes, às vezes, bastante intensos. Coisa que não se via antes. Isso é a questão da vida moderna”, explicou.
🚑As internações por herpes-zóster na região de Piracicaba também cresceram entre 2020 e 2025, passando de nove para 14 hospitalizações.
Em muitos casos, a herpes-zóster pode ser desencadeada por estresse elevado que, ao baixar a imunidade do paciente, provoca lesões na pele e dores intensas. Além disso, a condição pode levar a sentimentos de frustração, ansiedade e isolamento devido à dor prolongada.
Herpes-zóster
TV Globo/Reprodução
O que é a herpes-zóster?
O infectologista Tufi Chalita explica que a herpes-zoster é uma doença infecciosa, causada pelo vírus da varicela ou catapora. Geralmente adquirido na infância – momento em que a maioria dos brasileiros manifesta as feridas clássicas e a coceira da catapora –, ele pode ficar anos dormente no organismo e "acordar" a qualquer fase da vida.
Quando desperta, o vírus faz surgir dolorosas bolhas pelo corpo.
"O comportamento desse vírus tem um tropismo, uma tendência a ficar no nosso sistema nervoso central. Depois que se adquirea varicela, fica para sempre dentro meu corpo. Em determinadas circunstâncias, por ele ser um vírus oportunista, se a imunidade de origem física ou emocional cair, diminuir, esse vírus pode se reativar, ele se multiplica milhões de vezes e vem ao longo das fibras nervosas daquela região que estava e vai causar alguns sintomas.
Casos de herpes zoster crescem 122% em Piracicaba em 2023; Campinas tem alta de 19%
Quais são os sintomas?
Pacientes com herpes-zóster experimentam dor intensa, muitas vezes descrita como queimação ou choques elétricos. As lesões causam desconforto e coceira.
Os sintomas normalmente são dores com sensação às vezes de ardência, de choque, de calor, de ferroada ou as vezes coceira em determinados lugares.
“Normalmente, esses sintomas precedem o aparecimento de pequenas lesões vesículas na pele, na região onde havia aquele nervo, a região de nervação daquele nervo que foi acometido. Existe uma possibilidade, felizmente remota, de acometer o sistema nervoso, desenvolvendo o que chamamos de encefalite, ou seja, infecção no cérebro causada pelo vírus da herpes-zóster.”, explica o infectologista.
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Complicações da doença
A complicação mais grave da herpes-zóster se chama “neuralgia crônica”, que pode persistir por meses ou anos, diminuindo a qualidade de vida.
Herpes-zóster tem alta de 122% na rede pública de Saúde de Piracicaba: entenda doença que pode ser ativada por estresse
Reprodução/EPTV
Quais são as complicações mais graves?
A encefalite é uma doença mais grave, explica o médico. “Pode afetar o comportamento da pessoa. O indivíduo começa a ficar agressivo, perde o contato com o meio ambiente. É uma doença que pode ser fatal, é uma raridade, mas pode acontecer”, explica.
Como o vírus é transmitido?
O herpes-zóster não é transmitido diretamente de uma pessoa para outra como o herpes genital. Porém, quem nunca teve catapora ou não tomou a vacina pode contrair a doença ao ter contato direto com as lesões ativas de alguém infectado — mas, nesse caso, desenvolverá catapora, não herpes-zóster.
Existe vacina contra o herpes-zóster?
Sim, mas ela está disponível apenas na rede privada. A vacina pode reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença e, se ocorrer, tende a ser mais branda. O preço pode chegar a R$ 1,6 mil.
Como é feito o tratamento?
O tratamento inclui antivirais (como o aciclovir), analgésicos e medicamentos para controle da dor. O ideal é iniciar o tratamento nas primeiras 72 horas após o surgimento das lesões, para reduzir a duração dos sintomas e o risco de complicações.
Ministério da Saúde consulta população sobre vacina gratuita contra herpes-zóster
Vacina
A vacina contra a herpes-zóster existe, mas apenas na rede privada de saúde. Ela é eficaz mas o custo pode ser um obstáculo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster, doença popularmente conhecida como cobreiro. A decisão foi publicada no último dia 12 de janeiro no Diário Oficial da União e se refere ao imunizante recombinante adjuvado, avaliado para uso em idosos com 80 anos ou mais e em pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos.
A conclusão foi tomada após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão responsável por avaliar evidências científicas, impacto orçamentário e custo-efetividade de medicamentos, vacinas e procedimentos antes de sua eventual oferta na rede pública.
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Palavras-chave:
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