Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja e os desafios do transporte no Arco Norte
Publicado em: 07/03/2026 06:01
Do Mato Grosso para o mundo: a nova rota da soja brasileira
O Brasil atravessa o auge da colheita da soja, e o cenário atual reafirma a posição do país como um gigante exportador: cerca de dois terços de tudo o que é produzido em solo brasileiro têm como destino o mercado externo
No centro dessa engrenagem está o estado de Mato Grosso, responsável por quase 30% da safra nacional
A história dessa hegemonia começou há pouco mais de 50 anos, impulsionada por incentivos governamentais que levaram agricultores do Sul para o Centro-Oeste.
Naquela época, a produtividade era de 35 sacas por hectare; hoje, graças à pesquisa e tecnologia, chega a atingir 90 sacas por hectare (assista a reportagem completo no vídeo acima).
O gargalo da infraestrutura
Desafio logístico
Apesar do salto tecnológico dentro das fazendas, a infraestrutura externa não acompanhou o mesmo ritmo.
Em Mato Grosso, a capacidade de armazenamento é um desafio: a média de estocagem do estado é de apenas 40% da produção, o que obriga grandes empresas a investirem em silos próprios para garantir eficiência logística
A soja brasileira é a base da alimentação, especialmente no continente asiático, sendo utilizada para óleo e farelo para nutrição animal, além de aplicações industriais como pneus e emborrachados
Para que esse produto chegue ao outro lado do oceano, a logística tornou-se o ponto crucial da operação.
A ascensão do Arco Norte
Alternativas de transporte
Nos últimos anos, a geografia do escoamento mudou. Em vez de a safra "descer" o mapa em direção aos portos do Sul e Sudeste, ela passou a "subir"
É o fortalecimento do chamado Arco Norte, um conjunto de portos e rotas localizados acima do paralelo 16 (linha imaginária que corta o país na altura de Brasília).
Os números mostram essa evolução:
2009: Os portos do Arco Norte escoavam 16% da produção nacional;
2024: Esse volume saltou para 34%
O uso dessas rotas pode reduzir o valor do frete em até 15%, encurtando o caminho entre as lavouras e o destino final
Entre os principais portos estão Mirituba, Santarém e Barcarena, no Pará, e o Porto de Itaqui, no Maranhão.
O caso de Itaqui
O Porto de Itaqui, em São Luís, tornou-se um símbolo dessa expansão. Entre 2020 e 2024, a exportação de soja e milho pelo terminal saltou de 11 milhões para 20 milhões de toneladas.
O crescimento atraiu produtores do Sul que venderam suas terras para investir em áreas maiores no Mato Grosso e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Para quem vive na estrada, como o caminhoneiro Walter, o sistema de agendamento nos portos trouxe alívio para as antigas filas intermináveis.
No entanto, o "nó" logístico ainda persiste no trajeto entre a fazenda e o terminal portuário, onde a dependência do transporte rodoviário — que responde por 66% da carga no país — ainda esbarra em estradas precárias e desafios climáticos.
O Brasil atravessa o auge da colheita da soja, e o cenário atual reafirma a posição do país como um gigante exportador: cerca de dois terços de tudo o que é produzido em solo brasileiro têm como destino o mercado externo
No centro dessa engrenagem está o estado de Mato Grosso, responsável por quase 30% da safra nacional
A história dessa hegemonia começou há pouco mais de 50 anos, impulsionada por incentivos governamentais que levaram agricultores do Sul para o Centro-Oeste.
Naquela época, a produtividade era de 35 sacas por hectare; hoje, graças à pesquisa e tecnologia, chega a atingir 90 sacas por hectare (assista a reportagem completo no vídeo acima).
O gargalo da infraestrutura
Desafio logístico
Apesar do salto tecnológico dentro das fazendas, a infraestrutura externa não acompanhou o mesmo ritmo.
Em Mato Grosso, a capacidade de armazenamento é um desafio: a média de estocagem do estado é de apenas 40% da produção, o que obriga grandes empresas a investirem em silos próprios para garantir eficiência logística
A soja brasileira é a base da alimentação, especialmente no continente asiático, sendo utilizada para óleo e farelo para nutrição animal, além de aplicações industriais como pneus e emborrachados
Para que esse produto chegue ao outro lado do oceano, a logística tornou-se o ponto crucial da operação.
A ascensão do Arco Norte
Alternativas de transporte
Nos últimos anos, a geografia do escoamento mudou. Em vez de a safra "descer" o mapa em direção aos portos do Sul e Sudeste, ela passou a "subir"
É o fortalecimento do chamado Arco Norte, um conjunto de portos e rotas localizados acima do paralelo 16 (linha imaginária que corta o país na altura de Brasília).
Os números mostram essa evolução:
2009: Os portos do Arco Norte escoavam 16% da produção nacional;
2024: Esse volume saltou para 34%
O uso dessas rotas pode reduzir o valor do frete em até 15%, encurtando o caminho entre as lavouras e o destino final
Entre os principais portos estão Mirituba, Santarém e Barcarena, no Pará, e o Porto de Itaqui, no Maranhão.
O caso de Itaqui
O Porto de Itaqui, em São Luís, tornou-se um símbolo dessa expansão. Entre 2020 e 2024, a exportação de soja e milho pelo terminal saltou de 11 milhões para 20 milhões de toneladas.
O crescimento atraiu produtores do Sul que venderam suas terras para investir em áreas maiores no Mato Grosso e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Para quem vive na estrada, como o caminhoneiro Walter, o sistema de agendamento nos portos trouxe alívio para as antigas filas intermináveis.
No entanto, o "nó" logístico ainda persiste no trajeto entre a fazenda e o terminal portuário, onde a dependência do transporte rodoviário — que responde por 66% da carga no país — ainda esbarra em estradas precárias e desafios climáticos.
Palavras-chave:
tecnologia
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