Em encontro com Trump, Xi fala em 'encruzilhada' global e diz que China tem mais interesses do que diferenças com os EUA
Publicado em: 13/05/2026 23:47
BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou nesta quinta-feira (14), durante encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim, que a relação entre os dois países será decisiva em um momento de incerteza global.
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Segundo Xi, todo o mundo está observando o encontro desta quinta. Em discurso, ele questionou se os dois países podem, em nome do bem-estar e do futuro da humanidade, construir juntos um futuro mais brilhante para as relações bilaterais.
“Atualmente, transformações sem precedentes em um século estão se acelerando em todo o mundo, e o cenário internacional é fluido e turbulento. O mundo chegou a uma nova encruzilhada.”
O líder chinês disse que sempre considerou que os interesses comuns entre China e Estados Unidos superam as diferenças e defendeu que a cooperação entre os dois países é benéfica para ambos e para o restante do mundo.
Ele afirmou que o sucesso de uma das nações representa uma oportunidade para a outra e que uma relação bilateral estável é positiva no cenário internacional.
Também disse esperar discutir temas relevantes com Trump e indicou que 2026 pode ser um marco para os laços entre as duas potências, com a proposta de dar continuidade ao passado e abrir caminho para o futuro.
Xi afirmou ainda que China e Estados Unidos ganham com a cooperação e perdem com o confronto, e defendeu que os dois países devem atuar como parceiros, e não como rivais, buscando prosperar juntos e encontrar uma forma adequada de convivência entre grandes potências no cenário atual.
Trump adotou um tom positivo ao comentar a relação com Xi e disse que os laços entre os dois países tendem a melhorar. Ele classificou o encontro como uma honra e afirmou que vê um futuro promissor para a relação bilateral.
“Você é um grande líder. Digo isso a todo mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade.”
O presidente americano também comentou a recepção na China e disse ter ficado impressionado com a participação de crianças nas cerimônias, que, segundo ele, representam o futuro.
O encontro
Essa é a segunda vez em menos de um ano que Trump e Xi se encontram presencialmente. No último encontro, em outubro de 2025, os dois anunciaram acordos e concordaram em pausar a guerra comercial entre os dois países.
🇮🇷 Desta vez, no entanto, a reunião ocorre em meio a um conflito em andamento: a guerra no Irã. Apesar do cessar-fogo no Oriente Médio, Trump vem ameaçando novos ataques diante da falta de acordo.
A China é uma importante parceira do Irã e segue como uma das principais compradoras do petróleo iraniano.
O governo Trump tem pressionado Pequim a usar a influência sobre o Irã para avançar negociações e impedir que o país desenvolva uma arma nuclear.
Além do Irã, Trump também deve tratar com Xi da Rússia, em uma tentativa de avançar nas conversas de paz com a Ucrânia.
☢️ Também há tensões que envolvem diretamente China e Estados Unidos. Em novembro de 2025, Trump acusou Pequim de testar armas nucleares em segredo. A acusação foi reforçada por um subsecretário norte-americano em fevereiro deste ano, pouco antes do início da guerra no Irã.
O governo Trump afirma que a China tem realizado testes nucleares subterrâneos sem “limites” e “transparência”.
Pequim nega as acusações e condenou as declarações feitas por Trump.
O presidente norte-americano tem demonstrado interesse em um acordo conjunto entre EUA, Rússia e China para limitar a proliferação de armas nucleares.
À Reuters, uma autoridade do governo chinês disse que Xi não tem interesse em discutir o tema neste momento.
🇹🇼 Outro tema delicado entre os dois países é Taiwan. A China considera a ilha parte do próprio território. Já os Estados Unidos atuam para garantir a autonomia da região.
Os EUA têm fornecido armas para Taiwan, o que irritou a China.
Enquanto isso, Pequim reforçou a presença militar no entorno da ilha, o que gerou reação negativa dos norte-americanos.
Trump afirmou na segunda-feira (11) que vai discutir com Xi o fornecimento de armas para Taiwan.
"Vou ter essa conversa com o presidente Xi. O presidente Xi gostaria que não fizéssemos isso. Esta é uma das muitas questões sobre as quais vamos conversar", disse Trump a repórteres durante evento na Casa Branca.
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IA e comércio
Além das tensões geopolíticas, Trump e Xi também devem discutir temas econômicos e tecnológicos, como inteligência artificial (IA) e tarifas.
🤖 Em relação à IA, assessores do governo Trump têm demonstrado preocupação com o avanço de modelos desenvolvidos na China. A avaliação é que os países precisam criar um canal de comunicação para evitar conflitos. O encontro dessa semana pode pavimentar essa conversa.
O tema ganhou peso após uma nova escalada de tensões em abril.
Os EUA acusaram a China de promover roubo em larga escala de tecnologia de inteligência artificial, com tentativas organizadas de acessar sistemas americanos.
Segundo a Casa Branca, as ações envolveriam contas falsas e técnicas para contornar mecanismos de segurança e extrair dados sensíveis.
O episódio também levantou dúvidas sobre a liberação de chips avançados de IA para empresas chinesas.
💸 Já na área comercial, os dois países ainda vivem uma trégua firmada em outubro de 2025, após uma guerra tarifária. O acordo foi alcançado no último encontro entre Trump e Xi Jinping.
O acordo prevê redução de tarifas, compras de produtos americanos pela China e manutenção do fornecimento de minerais raros chineses aos EUA.
Desta vez, é esperado que Trump e Xi anunciem a criação de fóruns para facilitar o comércio e investimentos entre os dois países.
Na mesa de negociações também estará a prorrogação do tratado que interrompeu a guerra comercial entre os dois países.
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Link original: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/13/em-encontro-com-trump-xi-fala-em-encruzilhada-e-defende-parceria-com-os-eua.ghtml
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