Trabalho infantil volta a subir, mas atividades de maior risco seguem em queda, aponta IBGE
Publicado em: 19/09/2025 10:00
<br /> Governo de SP é condenado por incentivar trabalho infantil
Após uma queda histórica, o trabalho infantil voltou a crescer em 2024, registrando alta de 2,1%. Dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que pelo menos 1,65 milhão de crianças e adolescentes brasileiros, entre 5 e 17 anos, estavam nessa situação.
O total representa 4,3% dos jovens dessa faixa etária, que somam ao todo 37,9 milhões no país. Apesar do aumento, o índice permanece abaixo do que foi registrado entre 2016 e 2022.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
A série histórica apresenta oscilações relevantes:
Entre 2016 e 2019, o trabalho infantil caiu 15,7%, seguido de alta de 7% em 2022.
Em 2023, o número atingiu o menor patamar já registrado, com retração anual de 14,6%, totalizando 1,61 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
Trabalho infantil ainda afeta 1,6 milhão de crianças
Arte/g1
O pesquisador do IBGE responsável pelos dados, Gustavo Geaquinto Fontes, ressalta que, nos anos de 2020 e 2021, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua não coletou dados sobre o tema devido à pandemia de Covid-19.
Segundo ele, apesar do crescimento em 2024, ainda não é possível afirmar que a tendência de queda nesse tipo de trabalho foi revertida.
“Entre 2023 e 2024, observamos uma variação positiva de 2,1% no contingente, mas o nível continua baixo. Em termos percentuais, a participação na população total também subiu um ponto, passando de 4,2% para 4,3%.”
Quem são as crianças e adolescentes em trabalho infantil?
Mas afinal, o que caracteriza o trabalho infantil? Fontes frisa que nem todas as crianças que realizam atividades econômicas ou de autoconsumo (como pesca ou criação de animais) se enquadram nessa definição.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho infantil é definido como aquele que é “perigoso e prejudicial à saúde ou ao desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças” ou que compromete a escolarização.
Além disso, a classificação também é diferente de acordo com a faixa etária dos jovens.
“Para crianças de até 13 anos, qualquer forma de trabalho é proibida. Adolescentes de 14 e 15 anos só podem atuar como aprendizes. Jovens de 16 e 17 anos podem trabalhar com carteira assinada, mas nunca em atividades insalubres, perigosas ou noturnas”, explica Fontes.
Conforme os dados da PNAD, o trabalho infantil no Brasil apresenta desigualdades significativas por raça, gênero e idade.
Entre os trabalhadores infantis de 5 a 17 anos, meninos representam 66% do total, com rendimento médio de R$ 924;
As meninas correspondem a 34%, com renda média de R$ 693 — uma diferença superior a R$ 230.
A desigualdade racial também se manifesta no trabalho infantil: crianças e adolescentes pretos ou pardos representam 66% dos trabalhadores, com renda média de R$ 789, enquanto crianças brancas são 32,8%, recebendo em média R$ 943.
Os dados também indicam que o trabalho infantil não é uniforme:
Crianças mais novas se ocupam em atividades informais e com baixa carga horária;
Adolescentes enfrentam jornadas mais longas e vínculos formais, o que pode afetar sua educação, saúde e desenvolvimento. (veja mais abaixo)
Meninos negros são os que mais trabalham
Arte/g1
Na análise regional indica que, em 2024, o Nordeste concentrou o maior número de crianças e adolescentes em trabalho infantil, com 547 mil, seguido pelo Sudeste, com 475 mil.
Na sequência, aparecem Norte (248 mil), Sul (226 mil) e Centro-Oeste (153 mil).
Piores formas de trabalho infantil
Em 2024, 560 mil crianças e adolescentes estavam nas chamadas piores formas de trabalho infantil, listadas na categoria TIP — atividades descritas no decreto 6.481 do governo federal, associadas a riscos de acidentes ou danos à saúde.
O contingente atingiu o menor patamar da série histórica, após queda de 5,1% em relação a 2023 e retração ainda mais acentuada de 22,7% entre 2022 e 2023.
“No período acumulado da série histórica, entre 2016 e 2024, houve uma redução de 39,1% de crianças e adolescentes ocupados nas atividades da lista TIP”, afirma o pesquisador do IBGE.
A maioria desse grupo é composta por adolescentes de 16 e 17 anos (8,3%), em sua maioria pretos ou pardos (6,1%).
Piores formas de trabalho infantil em queda
Arte/g1
Beneficiários do Bolsa Família
Os dados também mostram uma relação entre vulnerabilidade social e trabalho infantil. Em 2024, 717 mil crianças e adolescentes que viviam em domicílios beneficiários do Bolsa Família estavam nessa situação, cuja renda familiar per capita foi de R$ 604.
A proporção nesse grupo foi de 5,2%, ligeiramente acima da média nacional (4,3%). No entanto, ao longo da série histórica, a redução foi mais acentuada do que a média geral, fazendo a diferença cair de 2,1 para 0,9 ponto percentual.
Em relação às atividades exercidas, as crianças beneficiárias em situação de trabalho infantil estavam mais presentes no autoconsumo (40,5%) e nas agrícolas (30,3%).
Quanto à frequência escolar, esse grupo apresentou índice superior à média dos trabalhadores infantis: 91,2%, com variação maior entre adolescentes de 16 e 17 anos (82,7% entre beneficiários, contra 81,8% na média geral).
A frequência escolar é uma das condições para manter o Bolsa Família: o mínimo exigido é de 60% para estudantes de 4 e 5 anos e 75% para aqueles de 6 a 18 anos incompletos.
Afazeres domésticos e cuidado de pessoas
Outro dado importante da pesquisa é a carga de afazeres domésticos. Em 2024, mais da metade das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (54,1%) ajudava em tarefas de casa ou no cuidado de pessoas. A prática era mais comum entre meninas (58%).
Entre os que já exerciam algum tipo de atividade econômica, essa participação era ainda maior: 74% também acumulavam afazeres domésticos, contra 53,3% entre os que não trabalhavam.
A diferença ficava mais evidente nas idades mais baixas, de 5 a 13 anos. Nesse grupo, 79,6% dos que trabalhavam em atividades econômicas também realizavam afazeres domésticos, enquanto entre os que não trabalhavam essa proporção era de 44,9%.
Criança trabalhando, em foto de arquivo
Valter Campanato/Agência Brasil
Após uma queda histórica, o trabalho infantil voltou a crescer em 2024, registrando alta de 2,1%. Dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que pelo menos 1,65 milhão de crianças e adolescentes brasileiros, entre 5 e 17 anos, estavam nessa situação.
O total representa 4,3% dos jovens dessa faixa etária, que somam ao todo 37,9 milhões no país. Apesar do aumento, o índice permanece abaixo do que foi registrado entre 2016 e 2022.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
A série histórica apresenta oscilações relevantes:
Entre 2016 e 2019, o trabalho infantil caiu 15,7%, seguido de alta de 7% em 2022.
Em 2023, o número atingiu o menor patamar já registrado, com retração anual de 14,6%, totalizando 1,61 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
Trabalho infantil ainda afeta 1,6 milhão de crianças
Arte/g1
O pesquisador do IBGE responsável pelos dados, Gustavo Geaquinto Fontes, ressalta que, nos anos de 2020 e 2021, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua não coletou dados sobre o tema devido à pandemia de Covid-19.
Segundo ele, apesar do crescimento em 2024, ainda não é possível afirmar que a tendência de queda nesse tipo de trabalho foi revertida.
“Entre 2023 e 2024, observamos uma variação positiva de 2,1% no contingente, mas o nível continua baixo. Em termos percentuais, a participação na população total também subiu um ponto, passando de 4,2% para 4,3%.”
Quem são as crianças e adolescentes em trabalho infantil?
Mas afinal, o que caracteriza o trabalho infantil? Fontes frisa que nem todas as crianças que realizam atividades econômicas ou de autoconsumo (como pesca ou criação de animais) se enquadram nessa definição.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o trabalho infantil é definido como aquele que é “perigoso e prejudicial à saúde ou ao desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças” ou que compromete a escolarização.
Além disso, a classificação também é diferente de acordo com a faixa etária dos jovens.
“Para crianças de até 13 anos, qualquer forma de trabalho é proibida. Adolescentes de 14 e 15 anos só podem atuar como aprendizes. Jovens de 16 e 17 anos podem trabalhar com carteira assinada, mas nunca em atividades insalubres, perigosas ou noturnas”, explica Fontes.
Conforme os dados da PNAD, o trabalho infantil no Brasil apresenta desigualdades significativas por raça, gênero e idade.
Entre os trabalhadores infantis de 5 a 17 anos, meninos representam 66% do total, com rendimento médio de R$ 924;
As meninas correspondem a 34%, com renda média de R$ 693 — uma diferença superior a R$ 230.
A desigualdade racial também se manifesta no trabalho infantil: crianças e adolescentes pretos ou pardos representam 66% dos trabalhadores, com renda média de R$ 789, enquanto crianças brancas são 32,8%, recebendo em média R$ 943.
Os dados também indicam que o trabalho infantil não é uniforme:
Crianças mais novas se ocupam em atividades informais e com baixa carga horária;
Adolescentes enfrentam jornadas mais longas e vínculos formais, o que pode afetar sua educação, saúde e desenvolvimento. (veja mais abaixo)
Meninos negros são os que mais trabalham
Arte/g1
Na análise regional indica que, em 2024, o Nordeste concentrou o maior número de crianças e adolescentes em trabalho infantil, com 547 mil, seguido pelo Sudeste, com 475 mil.
Na sequência, aparecem Norte (248 mil), Sul (226 mil) e Centro-Oeste (153 mil).
Piores formas de trabalho infantil
Em 2024, 560 mil crianças e adolescentes estavam nas chamadas piores formas de trabalho infantil, listadas na categoria TIP — atividades descritas no decreto 6.481 do governo federal, associadas a riscos de acidentes ou danos à saúde.
O contingente atingiu o menor patamar da série histórica, após queda de 5,1% em relação a 2023 e retração ainda mais acentuada de 22,7% entre 2022 e 2023.
“No período acumulado da série histórica, entre 2016 e 2024, houve uma redução de 39,1% de crianças e adolescentes ocupados nas atividades da lista TIP”, afirma o pesquisador do IBGE.
A maioria desse grupo é composta por adolescentes de 16 e 17 anos (8,3%), em sua maioria pretos ou pardos (6,1%).
Piores formas de trabalho infantil em queda
Arte/g1
Beneficiários do Bolsa Família
Os dados também mostram uma relação entre vulnerabilidade social e trabalho infantil. Em 2024, 717 mil crianças e adolescentes que viviam em domicílios beneficiários do Bolsa Família estavam nessa situação, cuja renda familiar per capita foi de R$ 604.
A proporção nesse grupo foi de 5,2%, ligeiramente acima da média nacional (4,3%). No entanto, ao longo da série histórica, a redução foi mais acentuada do que a média geral, fazendo a diferença cair de 2,1 para 0,9 ponto percentual.
Em relação às atividades exercidas, as crianças beneficiárias em situação de trabalho infantil estavam mais presentes no autoconsumo (40,5%) e nas agrícolas (30,3%).
Quanto à frequência escolar, esse grupo apresentou índice superior à média dos trabalhadores infantis: 91,2%, com variação maior entre adolescentes de 16 e 17 anos (82,7% entre beneficiários, contra 81,8% na média geral).
A frequência escolar é uma das condições para manter o Bolsa Família: o mínimo exigido é de 60% para estudantes de 4 e 5 anos e 75% para aqueles de 6 a 18 anos incompletos.
Afazeres domésticos e cuidado de pessoas
Outro dado importante da pesquisa é a carga de afazeres domésticos. Em 2024, mais da metade das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos (54,1%) ajudava em tarefas de casa ou no cuidado de pessoas. A prática era mais comum entre meninas (58%).
Entre os que já exerciam algum tipo de atividade econômica, essa participação era ainda maior: 74% também acumulavam afazeres domésticos, contra 53,3% entre os que não trabalhavam.
A diferença ficava mais evidente nas idades mais baixas, de 5 a 13 anos. Nesse grupo, 79,6% dos que trabalhavam em atividades econômicas também realizavam afazeres domésticos, enquanto entre os que não trabalhavam essa proporção era de 44,9%.
Criança trabalhando, em foto de arquivo
Valter Campanato/Agência Brasil
Palavras-chave:
vulnerabilidade
Mais Notícias Relacionadas
Jovem paraguaia de 20 anos é resgata em área rural do Paraná após suspeita de tráfico de pessoas para exploração sexual
Polícia Federal localizou a jovem em Missal, no oeste do estado Polícia Federal A Polícia Fed...
Ex-patrocinador do Fluminense Celso Barros, morto aos 73 anos, foi vítima de desvio do FGTS
Celso Barros, pré-candidato à presidência do Fluminense Reprodução/Redes sociais O médico Cel...
Servidor do INSS denuncia ter sido aliciado para participar de esquema de fraude e PF inicia investigação em RO
Operação Autolycus Polícia Federal Um servidor do INSS em Porto Velho (RO) denunciou ter sido...
Campanha incentiva adoção de cartinhas com pedidos de Natal de idosos em Bauru
campanha “Adote um Sorriso” completa 10 anos em Bauru (SP) Divulgação A campanha “Adote um So...