Morre bebê de um ano agredida pela mãe em Jundiaí

Publicado em: 25/09/2025 18:49

Morre bebê de um ano agredida pela mãe em Jundiaí
<br /> Hospital abre protocolo de morte encefálica para bebê vítima de maus-tratos em Jundiaí
Morreu nesta quinta-feira (25) a bebê de um ano e três meses que foi agredida pela mãe em Jundiaí (SP). A confirmação foi feita pelo Hospital Universitário (HU) no fim da tarde.
A equipe do hospital havia iniciado o protocolo de morte encefálica na quarta (24). De acordo com instituição médica, a morte foi confirmada às 17h50. O bebê estava internado desde a sexta-feira (19).
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As agressões estão sendo investigadas como tentativa de homicídio, segundo a Polícia Civil. A mãe da criança teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Lesão corporal
Inicialmente, o caso foi registrado como lesão corporal grave e maus-tratos, no entanto, a polícia informou que há indícios de que a criança era agredida desde fevereiro, quando foi atendida pela primeira vez no Hospital Universitário (HU) de Jundiaí.
Em nota enviada nesta quarta-feira (24), o HU informou que o bebê permanecia internado na UTI em estado extremamente grave. Também disse que a criança respirava com o auxílio de aparelhos e que a equipe iniciou o protocolo para investigação de morte encefálica.
O delegado Rafael Diório, do 5º DP de Jundiaí, disse à TV TEM que as investigações apontam que o bebê era agredido "de forma intensiva", com fraturas nos braços, queimaduras, e um quadro de desnutrição.
"É uma sequência de condutas que não são compatíveis somente com maus-tratos. Consideramos até quase como uma tortura, porque desde fevereiro a criança é vítima dessas agressões físicas intensas. Não é só um ralado. É um caso muito triste mesmo", explica o delegado.
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Em entrevista à TV TEM, a coordenadora pediátrica do HU, Stela Tavolieri, disse que a criança chegou no hospital entubada e com inúmeras lesões pelo corpo, incluindo queimaduras, mordidas e dedos sem unha.
Segundo Stela, as lesões antigas foram identificadas a partir do contexto apresentado pela mãe da criança. Como o bebê não consegue andar, a equipe médica achou inconsistências com os tipos de ferimentos que ele tinha.
Na terça-feira (23), a Câmara Municipal também aprovou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a atuação do órgão. O intuito é investigar uma possível omissão do Conselho no cumprimento de suas funções em relação à vítima.
Coordenadora pediátrica do Hospital Universitário (HU), de Jundiaí (SP), Stela Tavolieri
TV TEM/Reprodução
Sindicância
Também na quarta-feira (24), a Prefeitura de Jundiaí, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), oficiou o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) para que instaure sindicância para apurar a atuação do Conselho Tutelar 3 no caso. O caso é acompanhado também pelo Ministério Público e investigado pela Polícia Civil.
Relembre o caso
A mãe, uma mulher de 23 anos, foi denunciada para a polícia por uma médica no dia 19 de setembro.
De acordo com o boletim de ocorrência, a criança foi inicialmente levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vetor Oeste e, em seguida, transferida ao Hospital Universitário (HU).
Além dos ferimentos pelo corpo, a vítima teve quatro paradas cardíacas ainda enquanto estava na UPA. Em fevereiro, a menina havia sido internada por oito dias por apresentar quadro de desnutrição e marcas de mordidas pelo corpo.
Ainda conforme o boletim, a vítima era acompanhada pela médica desde a primeira internação e, por isso, a profissional denunciou o caso às autoridades. O Conselho Tutelar também mantinha contato com a família, mas a mulher se mudou de endereço e não comunicou o órgão.
Criança vítima de maus-tratos está internada em estado grave no Hospital Universitário (HU) de Jundiaí (SP)
Prefeitura de Jundiaí/Reprodução
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