Moradores de comunidade no AC bloqueiam avenida e ponte em protesto por regularização de moradias

Publicado em: 05/11/2025 13:22

Moradores de comunidade no AC bloqueiam avenida e ponte em protesto por regularização de moradias
<br /> Moradores da comunidade Marielle Franco bloqueiam avenida em Rio Branco
Moradores da comunidade Marielle Franco, em Rio Branco, interditaram um trecho da Avenida Brasil, em frente à Casa Civil, durante um protesto na manhã desta quarta-feira (5). O grupo cobra por transparência e diálogo no processo de regularização das moradias da área.
O protesto se estendeu à ponte Coronel Sebastião Dantas. A situação causou congestionamento no Centro da cidade. Até a última atualização desta reportagem, o local ainda não havia sido liberado.
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Com cartazes e faixas com frases como ''Não aceitamos mais ser oprimidos'', os moradores cobram presença de representantes do governo estadual e da Caixa Econômica Federal para discutir o impasse que, segundo eles, se arrasta há cerca de quatro anos.
O ato foi marcado por críticas à atuação de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que também ocupa parte da região nas proximidades do bairro Defesa Civil.
Em nota o governo do Acre informou que a doação do terreno da área da comunidade Marielle Franco, no bairro Defesa Civil, foi autorizada ainda em 2023 e está pendente apenas de providências por parte da Associação Esperança de um Novo Milênio. (Confira nota completa na íntegra)
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Segundo os manifestantes, o presidente da associação local, que também é ligado ao MTST, estaria favorecendo apenas os integrantes do movimento na elaboração das listas de famílias contempladas por projetos habitacionais.
Ao g1, o morador Francisco Ferreira, que participou da mobilização, disse que a comunidade quer a saída dos integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
“Nosso pedido é que o governo vá até a área e escute quem mora lá. O pessoal do MTST se apossou e está oprimindo a comunidade. Queremos que eles saiam e que possamos decidir juntos sobre as nossas moradias”, explicou.
Moradores da comunidade Marielle Franco bloqueiam avenida em Rio Branco na manhã desta quarta-feria (5)
Cedida
Parte dos moradores também alega que a cozinha solidária instalada no local, mantida por integrantes do MTST, teria sido fechada após desentendimentos entre os grupos.
O espaço funcionava como ponto de apoio para famílias em situação de vulnerabilidade social, oferecendo refeições gratuitas.
Além disso, o grupo afirma que não pretende encerrar o movimento até conseguir uma reunião com representantes do governo estadual e da Caixa para discutir o futuro das moradias.
Luta
O protesto desta quarta-feira é o mais recente capítulo de uma disputa por moradia que começou após a reintegração de posse da área conhecida como Terra Prometida, no bairro Irineu Serra, em agosto de 2023. Na época, mais de cem casas foram demolidas e a ação da polícia usou spray de pimenta contra moradores.
Sem ter para onde ir, as famílias acamparam primeiro em uma quadra esportiva no bairro Jorge Lavocat, mas deixaram o local alegando distância das escolas dos filhos e insegurança.
Dias depois, o grupo montou um novo acampamento em frente à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), onde permaneceu por 58 dias, cobrando uma solução definitiva do governo.
Após negociações, parte das famílias aceitou aluguel social e outra parte foi encaminhada para acomodações na comunidade Marielle Franco, no bairro Defesa Civil, onde foram montadas tendas provisórias.
Segundo o governo, as estruturas serviriam como abrigo temporário até a conclusão de novos conjuntos habitacionais previstos pelo Programa Minha Casa, Minha Vida.
Ainda em setembro, o governo formalizou a doação de um terreno à Associação Esperança de um Novo Milênio, responsável por erguer 25 casas para famílias que viviam acampadas. A proposta prevê que os beneficiários construam moradias improvisadas com apoio do Estado até o início das obras.
Nota na Íntegra do Governo do Acre
O governo do Acre informa que a doação do terreno da área da comunidade Marielle Franco, no bairro Defesa Civil, foi autorizada ainda em 2023 e está pendente apenas de providências por parte da donatária, a Associação Esperança de um Novo Milênio. Além da doação do terreno, o governo do Estado também prestou apoio técnico, com projetos de engenharia e outros.
A seleção dos beneficiários é feita segundo as regras programa do programa Minha Casa, Minha Vida – MCMV na modalidade Entidades.
No que se refere ao pactuado quando da reintegração de posse do imóvel público localizado no Irineu Serra, algumas famílias seriam priorizadas no processo de seleção para moradias, caso estivessem aptas, segundo as regras do programa federal.
Reiteramos que a participação do governo do Estado foi cumprida com a doação do terreno e apoio nos projetos de engenharia.
Governo do Estado do Acre
VÍDEOS: g1