Entenda por que o avanço da tecnologia gera um desafio a mais para o futuro do planeta
Publicado em: 07/11/2025 22:19
<br /> Crise do clima: mundo hiperconectado e IA geram desafio ambiental
O Jornal Nacional está apresentando uma série especial sobre o futuro do planeta. Nesta sexta-feira (7), mostramos que um mundo hiperconectado da inteligência artificial inaugura uma virada histórica para a humanidade. Um tempo de oportunidades inéditas. Mas representa também um desafio para o meio ambiente: porque a expansão das empresas de inteligência artificial vai exigir um consumo sem precedentes de água e de energia.
Quando você liga seu computador na tomada, a energia elétrica vai passando, vai passando, vai passando e aí você liga. Vamos abrir para ver o que acontece lá dentro. A energia elétrica entra até chegar no chip processador. E é essa eletricidade que faz o computador funcionar.
Dentro do pequeno chip tem vários transistores microscópicos, que são como interruptores. Se a energia passa por ele, é um. Se não passa, é zero. Zero, um, zero, um, zero são as contas que formam tudo o que está no seu computador. Isso faz com que o chip esquente muito. E tem um sistema de refrigeração para esse chip. Ou seja, é um monte de energia elétrica passando o tempo todo.
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Quando você coloca o computador no colo, você percebe que ele esquenta. Aí você resolve ir em um serviço de streaming e dar um play em um filme que está na internet. Mas onde é que está esse vídeo que você está assistindo no seu computador? Muito provavelmente em um dos maiores data centers do mundo, no Vale do Silício, nos Estados Unidos. É como se fosse uma grande biblioteca – cheia de prateleiras. Ou melhor, um grande cérebro que processa todos os dados que você depois vai clicar e encontrar na internet. São basicamente prateleiras e prateleiras de computadores, um em cima do outro. Ficam atrás de grades, no escuro. Tudo lá é secreto.
Um plano de saúde, por exemplo, coloca lá o seu cadastro. E esses dados se comunicam, por exemplo, com o hospital para liberar sua cirurgia. Cada empresa tem seus dados. Esse data center é onde partes dos dados de todas as empresas se encontram. São montanhas imensas de informações. Esse é o motivo pelo qual falam tanto que data centers consomem tanta energia. O Christopher Wellise trabalha em um data center.
“Os chips desses computadores esquentam muito quando a energia elétrica passa por dentro deles. E a gente precisa remover esse calor”, conta Christopher Wellise, vice-presidente de sustentabilidade da Equinix.
Remover o calor é resfriar. Da mesma forma que o chip do seu computador é resfriado por aquele ventiladorzinho, só que para um sistema desse tamanho, precisa de muito ar-condicionado.
“Esse aqui é o sistema de refrigeração. O ar frio vai sendo empurrado pelos corredores de computadores. Do outro lado do prédio, ele chega quente, é aspirado e resfriado de novo”, explica Christopher Wellise.
Chega a ser engraçado que o gasto energético de que mais se fala hoje em dia, o coração do desenvolvimento tecnológico de ponta, o suprassumo do Vale do Silício, é em ar-condicionado. Só que esses computadores produzem tanto calor que só o ar-condicionado não dá conta. Há também um sistema de tubos por onde passa água fria para resfriar ainda mais. Depois que passa pelos computadores, essa água esquenta e é descartada. Isso tudo para deixar o data center sempre ligado, e você conseguir dar play no vídeo no computador. Só o data center que a equipe do Jornal Nacional visitou gasta tanta energia quanto para abastecer uma cidade de 80 mil habitantes.
Entenda por que o avanço da tecnologia gera um desafio a mais para o futuro do planeta
Jornal Nacional/ Reprodução
Os data centers já são responsáveis por quase 5% do consumo de energia dos Estados Unidos. Na Irlanda, já são 20%. Aquíferos no Chile estão sob ameaça pela expansão da tecnologia. E ainda é só o começo. Nos próximos cinco anos, o uso de energia pelos data centers deve mais que dobrar. Eles vão consumir mais eletricidade do que o Japão. Porque algo muito maior está chegando. Em um museu em Nova York, não há quadros nas paredes, mas um vídeo em loop constante.
“Esse vídeo é para explorar a questão: o que é um criador? Eu transformei meu avatar digital em um artista”, diz a artista Lu Yang.
Doku é quem Lu Yang é no mundo virtual. Só que na salinha ao lado, o próprio avatar Doku criou o seu outro vídeo. A inteligência artificial criou uma obra de arte.
“Eu comecei a experimentar com inteligência artificial há três anos, mas não ficava bom. Ano passado, eu percebi que ela estava boa o suficiente para usar. Eu posso ter uma ideia e as imagens aparecem na minha frente”, conta Lu Yang.
Meredith Broussard escreve sobre inteligência artificial e é professora da Universidade de Nova York:
“A gente esquece que, na verdade, é tudo matemática. Um computador é uma máquina que faz contas. Quanto mais contas, mais energia ele vai usar".
O consumo de energia da inteligência artificial segue a mesma lógica dos data centers. Só que esquentando ainda mais e tendo que resfriar ainda mais.
“Quanto mais potente o computador, mais água ele consome para ser resfriado. Muitos data centers nos Estados Unidos estão sendo erguidos em comunidades vulneráveis, e eles sugam toda a água que as pessoas precisam, e começa a faltar água na torneira", afirma Meredith Broussard.
Lugarejos no país todo se deparam com a questão: o que vai acontecer com a abertura de um novo data center?
“Eu acordo todo dia de manhã e isso é a primeira coisa que vem à minha cabeça. Como vamos proteger nossa água para as futuras gerações?”, pergunta um fazendeiro.
Esse é só um exemplo. E Saint Charles, no Missouri, pequenos fazendeiros tentam barrar a construção.
“Como você pode arriscar construir algo tão perigoso aqui?”, questiona o fazendeiro.
“Cada pergunta que você faz para o ChatGPT é como se estivesse jogando fora uma garrafinha de água”, afirma Meredith Broussard.
Entenda por que o avanço da tecnologia gera um desafio a mais para o futuro do planeta
Jornal Nacional/ Reprodução
No data center da Califórnia, o Christopher Wellise, que é chefe do departamento de sustentabilidade, subiu com a equipe do Jornal Nacional até o telhado do data center para mostrar que é coberto de placas solares.
“Essas aqui alimentam algumas partes do escritório da empresa”, mostra Christopher Wellise.
Mas para o data center em si, essa energia não é suficiente.
“Hoje em dia, 96% de toda nossa energia vem de fontes renováveis. Nosso objetivo é que seja 100% em 2030”, diz Christopher Wellise.
Mas será que é verdade? Fernando Valle é analista do setor de energia em Nova York:
“Não. Eles de fato estão pagando créditos renováveis para poder incentivar maior geração renovável. Mas a energia que eles de fato estão usando é a mesma que vem para você e para mim", afirma Fernando Valle, diretor-executivo de energia da Hedgeye Risk Management.
A energia que o data center consome vem da rede. A mesma usada por todos os habitantes da Califórnia. Essa rede é abastecida principalmente por usinas de gás natural e carvão - que geram metade da energia dos Estados Unidos – e uma parte por energia eólica e solar. Todas essas fontes vão para a mesma rede. Na hora de distribuir, não dá para saber de onde veio a energia.
“Não tem como diferenciar o elétron que está aqui com o que foi para minha casa", afirma Fernando Valle.
Data centers e empresas de tecnologia assinam contratos de longo prazo com empresas de energias renováveis. Pagam para elas produzirem mais. Mas, no fim das contas, tudo misturado.
O governo de Donald Trump mandou frear todos os novos cata-ventos e construção de fazendas de energia solar. Depende muito das empresas continuar gerando energia renovável.
“Se você nasceu nessa era, você não pode evitar a inteligência artificial. Você é parte do mundo”, diz Lu Yang.
“A promessa com as novas tecnologias é que iríamos ter mais prosperidade. Mas dá para contar nos dedos as empresas que aproveitam essa prosperidade. Pessoas normais estão perdendo seus empregos. A inteligência artificial não entregou o que promete e ainda usa muita água limpa que as pessoas poderiam beber”, diz Meredith Broussard.
É o dilema do nosso tempo. Para resolvê-lo, os Estados Unidos querem aumentar ainda mais a produção de energia e decretaram a volta das usinas nucleares. É o que vamos ver no episódio de sábado (8).
O Jornal Nacional está apresentando uma série especial sobre o futuro do planeta. Nesta sexta-feira (7), mostramos que um mundo hiperconectado da inteligência artificial inaugura uma virada histórica para a humanidade. Um tempo de oportunidades inéditas. Mas representa também um desafio para o meio ambiente: porque a expansão das empresas de inteligência artificial vai exigir um consumo sem precedentes de água e de energia.
Quando você liga seu computador na tomada, a energia elétrica vai passando, vai passando, vai passando e aí você liga. Vamos abrir para ver o que acontece lá dentro. A energia elétrica entra até chegar no chip processador. E é essa eletricidade que faz o computador funcionar.
Dentro do pequeno chip tem vários transistores microscópicos, que são como interruptores. Se a energia passa por ele, é um. Se não passa, é zero. Zero, um, zero, um, zero são as contas que formam tudo o que está no seu computador. Isso faz com que o chip esquente muito. E tem um sistema de refrigeração para esse chip. Ou seja, é um monte de energia elétrica passando o tempo todo.
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Conheça os interesses e a história por trás do negacionismo climático
Veja como decisões políticas dos EUA afetam a vida no planeta
Quando você coloca o computador no colo, você percebe que ele esquenta. Aí você resolve ir em um serviço de streaming e dar um play em um filme que está na internet. Mas onde é que está esse vídeo que você está assistindo no seu computador? Muito provavelmente em um dos maiores data centers do mundo, no Vale do Silício, nos Estados Unidos. É como se fosse uma grande biblioteca – cheia de prateleiras. Ou melhor, um grande cérebro que processa todos os dados que você depois vai clicar e encontrar na internet. São basicamente prateleiras e prateleiras de computadores, um em cima do outro. Ficam atrás de grades, no escuro. Tudo lá é secreto.
Um plano de saúde, por exemplo, coloca lá o seu cadastro. E esses dados se comunicam, por exemplo, com o hospital para liberar sua cirurgia. Cada empresa tem seus dados. Esse data center é onde partes dos dados de todas as empresas se encontram. São montanhas imensas de informações. Esse é o motivo pelo qual falam tanto que data centers consomem tanta energia. O Christopher Wellise trabalha em um data center.
“Os chips desses computadores esquentam muito quando a energia elétrica passa por dentro deles. E a gente precisa remover esse calor”, conta Christopher Wellise, vice-presidente de sustentabilidade da Equinix.
Remover o calor é resfriar. Da mesma forma que o chip do seu computador é resfriado por aquele ventiladorzinho, só que para um sistema desse tamanho, precisa de muito ar-condicionado.
“Esse aqui é o sistema de refrigeração. O ar frio vai sendo empurrado pelos corredores de computadores. Do outro lado do prédio, ele chega quente, é aspirado e resfriado de novo”, explica Christopher Wellise.
Chega a ser engraçado que o gasto energético de que mais se fala hoje em dia, o coração do desenvolvimento tecnológico de ponta, o suprassumo do Vale do Silício, é em ar-condicionado. Só que esses computadores produzem tanto calor que só o ar-condicionado não dá conta. Há também um sistema de tubos por onde passa água fria para resfriar ainda mais. Depois que passa pelos computadores, essa água esquenta e é descartada. Isso tudo para deixar o data center sempre ligado, e você conseguir dar play no vídeo no computador. Só o data center que a equipe do Jornal Nacional visitou gasta tanta energia quanto para abastecer uma cidade de 80 mil habitantes.
Entenda por que o avanço da tecnologia gera um desafio a mais para o futuro do planeta
Jornal Nacional/ Reprodução
Os data centers já são responsáveis por quase 5% do consumo de energia dos Estados Unidos. Na Irlanda, já são 20%. Aquíferos no Chile estão sob ameaça pela expansão da tecnologia. E ainda é só o começo. Nos próximos cinco anos, o uso de energia pelos data centers deve mais que dobrar. Eles vão consumir mais eletricidade do que o Japão. Porque algo muito maior está chegando. Em um museu em Nova York, não há quadros nas paredes, mas um vídeo em loop constante.
“Esse vídeo é para explorar a questão: o que é um criador? Eu transformei meu avatar digital em um artista”, diz a artista Lu Yang.
Doku é quem Lu Yang é no mundo virtual. Só que na salinha ao lado, o próprio avatar Doku criou o seu outro vídeo. A inteligência artificial criou uma obra de arte.
“Eu comecei a experimentar com inteligência artificial há três anos, mas não ficava bom. Ano passado, eu percebi que ela estava boa o suficiente para usar. Eu posso ter uma ideia e as imagens aparecem na minha frente”, conta Lu Yang.
Meredith Broussard escreve sobre inteligência artificial e é professora da Universidade de Nova York:
“A gente esquece que, na verdade, é tudo matemática. Um computador é uma máquina que faz contas. Quanto mais contas, mais energia ele vai usar".
O consumo de energia da inteligência artificial segue a mesma lógica dos data centers. Só que esquentando ainda mais e tendo que resfriar ainda mais.
“Quanto mais potente o computador, mais água ele consome para ser resfriado. Muitos data centers nos Estados Unidos estão sendo erguidos em comunidades vulneráveis, e eles sugam toda a água que as pessoas precisam, e começa a faltar água na torneira", afirma Meredith Broussard.
Lugarejos no país todo se deparam com a questão: o que vai acontecer com a abertura de um novo data center?
“Eu acordo todo dia de manhã e isso é a primeira coisa que vem à minha cabeça. Como vamos proteger nossa água para as futuras gerações?”, pergunta um fazendeiro.
Esse é só um exemplo. E Saint Charles, no Missouri, pequenos fazendeiros tentam barrar a construção.
“Como você pode arriscar construir algo tão perigoso aqui?”, questiona o fazendeiro.
“Cada pergunta que você faz para o ChatGPT é como se estivesse jogando fora uma garrafinha de água”, afirma Meredith Broussard.
Entenda por que o avanço da tecnologia gera um desafio a mais para o futuro do planeta
Jornal Nacional/ Reprodução
No data center da Califórnia, o Christopher Wellise, que é chefe do departamento de sustentabilidade, subiu com a equipe do Jornal Nacional até o telhado do data center para mostrar que é coberto de placas solares.
“Essas aqui alimentam algumas partes do escritório da empresa”, mostra Christopher Wellise.
Mas para o data center em si, essa energia não é suficiente.
“Hoje em dia, 96% de toda nossa energia vem de fontes renováveis. Nosso objetivo é que seja 100% em 2030”, diz Christopher Wellise.
Mas será que é verdade? Fernando Valle é analista do setor de energia em Nova York:
“Não. Eles de fato estão pagando créditos renováveis para poder incentivar maior geração renovável. Mas a energia que eles de fato estão usando é a mesma que vem para você e para mim", afirma Fernando Valle, diretor-executivo de energia da Hedgeye Risk Management.
A energia que o data center consome vem da rede. A mesma usada por todos os habitantes da Califórnia. Essa rede é abastecida principalmente por usinas de gás natural e carvão - que geram metade da energia dos Estados Unidos – e uma parte por energia eólica e solar. Todas essas fontes vão para a mesma rede. Na hora de distribuir, não dá para saber de onde veio a energia.
“Não tem como diferenciar o elétron que está aqui com o que foi para minha casa", afirma Fernando Valle.
Data centers e empresas de tecnologia assinam contratos de longo prazo com empresas de energias renováveis. Pagam para elas produzirem mais. Mas, no fim das contas, tudo misturado.
O governo de Donald Trump mandou frear todos os novos cata-ventos e construção de fazendas de energia solar. Depende muito das empresas continuar gerando energia renovável.
“Se você nasceu nessa era, você não pode evitar a inteligência artificial. Você é parte do mundo”, diz Lu Yang.
“A promessa com as novas tecnologias é que iríamos ter mais prosperidade. Mas dá para contar nos dedos as empresas que aproveitam essa prosperidade. Pessoas normais estão perdendo seus empregos. A inteligência artificial não entregou o que promete e ainda usa muita água limpa que as pessoas poderiam beber”, diz Meredith Broussard.
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