Há 10 anos, paulistanos enfrentam tempestades cada vez mais intensas; especialistas alertam para necessidade de prevenção
Publicado em: 11/12/2025 20:42
<br /> Há 10 anos, paulistanos enfrentam tempestades cada vez mais intensas
Reprodução/TV Globo
Fenômenos extremos estão mais frequentes. Por isso as cidades precisam aprender a se planejar melhor.
Foi o pior vendaval sem chuva desde 1963, segundo o Inmet. Com rajadas que duraram praticamente o dia inteiro, como registra o gráfico mostrado pela professora de Ciências da Atmosfera da USP.
“Atingindo aqui São Paulo, Sudeste, os estragos são diferentes e maiores, e afeta muito mais gente. Manteve essas rajadas de ventos, que nós chamamos de rajadas de vento sustentadas, por praticamente 12 horas sobre a cidade de São Paulo e isso gera um estresse em toda a infraestrutura da cidade”, explica Rachel Ifanger Albrecht.
Mas não são poucas as tempestades que chegaram completas: com ventania, chuvas e raios. Nos últimos dez anos, elas ficaram pioraram. Em 2014, um temporal com granizo e ventos fortes deixou 200 mil pessoas sem energia. Dois anos depois, a chuva e a ventania causaram soterramentos, alagamentos e apagão. Vinte e oito pessoas morreram na Região Metropolitana. A tempestade em 2019 derrubou árvores, provocou apagões e afetou o transporte público. Em fevereiro de 2020, as marginais Tietê e Pinheiros ficaram submersas em um evento classificado como um dos mais extremos em décadas. Um ciclone extratropical atingiu a capital em novembro de 2023. A ventania deixou mais de 2 milhões de clientes sem energia elétrica e centenas de árvores caíram.
A ventania passa, mas os estragos e prejuízos ficam - e vão se somar aos próximos eventos extremos do clima, cada vez mais frequentes e intensos. Isso é certeza dos especialistas. Uma certeza tão firme quanto a necessidade de prevenção.
A Prefeitura de São Paulo informou que depende do desligamento de energia para remover árvores que caíram e que trabalha para prevenir o problema.
“A prefeitura faz o seu papel preventivo. São cerca de 170 mil podas realizadas nas vias urbanas da cidade e por volta de 11 mil remoções de árvores que não são mais saudáveis por ano. E o replantio: só este ano, na cidade de SP, foram 120 mil novas árvores plantadas”, diz Fabricio Cobra Arbex, secretário municipal das Subprefeituras de SP.
Às 6h40, quando mais de 1 milhão de clientes continuavam sem energia elétrica, o Globocop flagrou o pátio da Zona Norte lotado de veículos e caminhões da Enel parados. O diretor da concessionária disse que era troca de turnos, informou que tem 3 mil homens trabalhando em campo, mas não há previsão de tempo para restabelecer a energia em toda a cidade.
“Eu tenho ocorrências que consigo agilizar e trocar mais rápido, porque não foi tão destruído. E eu tenho ocorrências que, de fato, preciso reconstruir a rede, e isso leva um tempo, dada a complexidade da ocorrência”, diz Marcelo Puertas, diretor da Regional Norte da Enel São Paulo.
O coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis explica que temos tecnologia, ciência e profissionais capazes de preparar melhor as cidades para evitar os prejuízos e o sofrimento de tanta gente.
“Quem tem a capacidade de tomar uma decisão em escala - porque esse é um problema em escala - é a gestão pública. E a gestão pública tem que tomar as decisões e enfrentar os problemas, sobretudo com quem fornece o serviço. Nós temos aqui esse problema, mas não adianta ficar com essa troca de culpas: quem é culpado ou não. Nós temos é que solucionar o problema para a população de uma forma geral”, afirma Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis e da Rede Nossa São Paulo.
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Reprodução/TV Globo
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“Atingindo aqui São Paulo, Sudeste, os estragos são diferentes e maiores, e afeta muito mais gente. Manteve essas rajadas de ventos, que nós chamamos de rajadas de vento sustentadas, por praticamente 12 horas sobre a cidade de São Paulo e isso gera um estresse em toda a infraestrutura da cidade”, explica Rachel Ifanger Albrecht.
Mas não são poucas as tempestades que chegaram completas: com ventania, chuvas e raios. Nos últimos dez anos, elas ficaram pioraram. Em 2014, um temporal com granizo e ventos fortes deixou 200 mil pessoas sem energia. Dois anos depois, a chuva e a ventania causaram soterramentos, alagamentos e apagão. Vinte e oito pessoas morreram na Região Metropolitana. A tempestade em 2019 derrubou árvores, provocou apagões e afetou o transporte público. Em fevereiro de 2020, as marginais Tietê e Pinheiros ficaram submersas em um evento classificado como um dos mais extremos em décadas. Um ciclone extratropical atingiu a capital em novembro de 2023. A ventania deixou mais de 2 milhões de clientes sem energia elétrica e centenas de árvores caíram.
A ventania passa, mas os estragos e prejuízos ficam - e vão se somar aos próximos eventos extremos do clima, cada vez mais frequentes e intensos. Isso é certeza dos especialistas. Uma certeza tão firme quanto a necessidade de prevenção.
A Prefeitura de São Paulo informou que depende do desligamento de energia para remover árvores que caíram e que trabalha para prevenir o problema.
“A prefeitura faz o seu papel preventivo. São cerca de 170 mil podas realizadas nas vias urbanas da cidade e por volta de 11 mil remoções de árvores que não são mais saudáveis por ano. E o replantio: só este ano, na cidade de SP, foram 120 mil novas árvores plantadas”, diz Fabricio Cobra Arbex, secretário municipal das Subprefeituras de SP.
Às 6h40, quando mais de 1 milhão de clientes continuavam sem energia elétrica, o Globocop flagrou o pátio da Zona Norte lotado de veículos e caminhões da Enel parados. O diretor da concessionária disse que era troca de turnos, informou que tem 3 mil homens trabalhando em campo, mas não há previsão de tempo para restabelecer a energia em toda a cidade.
“Eu tenho ocorrências que consigo agilizar e trocar mais rápido, porque não foi tão destruído. E eu tenho ocorrências que, de fato, preciso reconstruir a rede, e isso leva um tempo, dada a complexidade da ocorrência”, diz Marcelo Puertas, diretor da Regional Norte da Enel São Paulo.
O coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis explica que temos tecnologia, ciência e profissionais capazes de preparar melhor as cidades para evitar os prejuízos e o sofrimento de tanta gente.
“Quem tem a capacidade de tomar uma decisão em escala - porque esse é um problema em escala - é a gestão pública. E a gestão pública tem que tomar as decisões e enfrentar os problemas, sobretudo com quem fornece o serviço. Nós temos aqui esse problema, mas não adianta ficar com essa troca de culpas: quem é culpado ou não. Nós temos é que solucionar o problema para a população de uma forma geral”, afirma Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis e da Rede Nossa São Paulo.
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Palavras-chave:
tecnologia
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