Uruçu-capixaba: conheça espécie de abelha sem ferrão que só aparece no ES e corre risco de extinção
Publicado em: 14/12/2025 04:01
<br /> Espécie de abelha sem ferrão que só aparece no ES corre risco de extinção
Exclusiva das áreas montanhosas da Mata Atlântica, entre 800 e 1.200 metros de altitude, a uruçu-capixaba, também chamada de uruçu-negra, está desaparecendo de regiões onde sempre foi abundante e já preocupa pesquisadores e produtores rurais do Espírito Santo. A espécie, que não possui ferrão e só existe no estado, corre risco de extinção.
Além de rara, a abelha exerce um papel essencial na natureza: ela é responsável pela polinização de plantas nativas e de cultivos importantes para a economia capixaba, especialmente o café.
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Pesquisadores apontam que a perda de habitat, o avanço de espécies exóticas, o uso de agrotóxicos e o comércio ilegal de colmeias colocam a população dessa espécie sob ameaça crescente.
A uruçu-capixaba depende de florestas altas e antigas, ambientes que vêm desaparecendo com o desmatamento na Mata Atlântica. A espécie também realiza um comportamento único, uma espécie de “tremedeira” dentro das flores, que melhora a dispersão do pólen e aumenta a eficiência da polinização em lavouras.
Uruçu-capixaba: espécie de abelha sem ferrão que só aparece no Espírito Santo corre risco de extinção
TV Gazeta
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COMO PET: capixaba ajuda a preservar a natureza criando 40 mil abelhas em casa
Para o pesquisador de abelhas nativas e professor da Universidade Federal de Viçosa, Helder Canto, o impacto da espécie na manutenção da vida natural é profundo.
"A polinização garante a sobrevivência das florestas. Com a abelha visitando flor em flor para coletar o néctar, que é o seu alimento, assim também como o pólen, ela faz gerar as sementes. Essas sementes têm o fruto que vai garantir a alimentação para outros animais. Pequenos animais são alimentos para grandes animais, ou seja, sem a abelha a gente não tem semente, não tem floresta, não tem fruto, não tem vida. A abelha participa dessa interdependência de toda a vida natural".
Estudos indicam que até 90% das espécies vegetais brasileiras dependem de abelhas para se reproduzir. Além das plantas nativas, morango, tomate e abacate também são polinizados por abelhas sem ferrão.
Presença da espécie nas montanhas do ES
A uruçu-capixaba já foi registrada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) em 12 municípios capixabas, principalmente na Região Serrana. Uma dessas áreas é a Reserva Ambiental Águia Branca, em Vargem Alta, no Sul do Espírito Santo, onde colmeias raras são monitoradas.
Municípios onde a uruçu-capixaba é encontrada no Espírito Santo
Arte/g1
A bióloga Patrícia Bellon explicou que a aproximação do público às colmeias tem ajudado no processo de conscientização.
"A gente sempre consegue levar pessoas pra visitar uma colmeia que é super rara. Isso desperta muita curiosidade delas, elas entendem que, assim, até o próprio café da manhã delas é influenciado pela essa polinização da abelha. Então, desperta uma consciência ambiental sobre essa questão de preservação e conscientização ambiental".
Em Venda Nova do Imigrante, a espécie encontrou abrigo em uma árvore antiga da propriedade da produtora rural Margarida Tonolli.
"Sem as abelhas, sem a polinização, não teria essas plantas. A gente não colheria tantas frutas igual a gente colhe, café igual a gente colhe. A gente fica mais atento agora à conservação delas, sabendo que elas têm importância. Eu não conhecia essa sem ferrão mesmo não. Então, para gente, ela vai ficar sempre agora mais importante", garantiu Margarida.
Ameaças às abelhas
O avanço do desmatamento e a substituição da Mata Atlântica por áreas degradadas ou ocupadas por espécies exóticas reduzem o espaço disponível para a espécie. O uso de agrotóxicos e o comércio ilegal de colmeias também contribuem para o declínio populacional.
Helder Canto explicou que os efeitos dessa exploração humana já são perceptíveis.
"A gente sente o declínio populacional das abelhas, a gente tem um déficit de polinização. Então, muitas plantas que dependem dessa polinização redizem. Sem a polinização, a produção agrícola diminui, gerando menos renda e também impacto econômico. Um prejuízo não só para a natureza, como prejuízos econômicos para a produção agrícola", avaliou o professor.
Uruçu-capixaba: espécie de abelha sem ferrão que só aparece no Espírito Santo corre risco de extinção
TV Gazeta
Documentário busca aproximar o público da espécie
A preocupação com a uruçu-capixaba inspirou o documentário “Na Imensidão do Pequeno”, lançado em novembro em Vargem Alta. O filme foi produzido pelo Instituto Terra Brasilis e pela Universidade Federal de Viçosa, com apoio do Projeto Biodiversidade Rio Doce e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
O diretor-executivo do Instituto Terra Brasilis, Reinaldo Lourival, destacou que despertar afeto pelo animal é uma ferramenta poderosa de conservação.
"A ciência, ela informa as pessoas, mas o amor leva as pessoas a conservarem. E você não ama o que você não conhece. E, no caso da uruçu-capixaba, é um orgulho para o Espírito Santo, é um bicho que só tem aqui, só tem numa região muito restrita. Então, é criar uma imagem de orgulho para as pessoas".
Tecnologia como aliada da educação ambiental
Além do documentário, tecnologias interativas estão ajudando na conscientização. O jogo “Be a Bee – Seja uma Abelha” simula a rotina de uma abelha na floresta e ensina o papel das espécies nativas na manutenção dos ecossistemas.
Com óculos de realidade virtual, o estudante Miguel Leon, de 11 anos, pôde “voar” pela Mata Atlântica.
"Ah, eu não conheço muito, mas eu sei que a abelha realmente tem alguma importância para o sistema, para o meio ambiente, e deu para vê-las, né? Tem um lugarzinho ali que você consegue ver ela entrando e saindo, né? É bem maneiro", falou animado.
Tecnologia é aliada dos pesquisadores para ajudar na educação ambiental e na preservação da uruçu-capixaba, espécie de abelha sem ferrão exclusiva do Espírito Santo
TV Gazeta
Futuro da espécie
Projetos de conservação têm se dedicado a reintroduzir a abelha em áreas protegidas e estimular a recuperação da Mata Atlântica para garantir a sobrevivência da espécie no longo prazo.
Helder Canto reforçou a importância de valorizar a existência dessa espécie, seja conservando a natureza, seja realizando reflorestamento e regeneração das matas.
"O que acontece é que muitas colônias estão hoje em propriedades particulares. O que a gente está fazendo é o contrário, é devolver essas abelhas para a natureza, replicando essas colônias e reintroduzindo em áreas de conservação, como as unidades de conservação, para garantir a sobrevivência da população, não só agora, mas para o futuro", disse.
Uruçu-capixaba é exclusiva das áreas montanhosas da Mata Atlântica, no Espírito Santo
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Exclusiva das áreas montanhosas da Mata Atlântica, entre 800 e 1.200 metros de altitude, a uruçu-capixaba, também chamada de uruçu-negra, está desaparecendo de regiões onde sempre foi abundante e já preocupa pesquisadores e produtores rurais do Espírito Santo. A espécie, que não possui ferrão e só existe no estado, corre risco de extinção.
Além de rara, a abelha exerce um papel essencial na natureza: ela é responsável pela polinização de plantas nativas e de cultivos importantes para a economia capixaba, especialmente o café.
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Pesquisadores apontam que a perda de habitat, o avanço de espécies exóticas, o uso de agrotóxicos e o comércio ilegal de colmeias colocam a população dessa espécie sob ameaça crescente.
A uruçu-capixaba depende de florestas altas e antigas, ambientes que vêm desaparecendo com o desmatamento na Mata Atlântica. A espécie também realiza um comportamento único, uma espécie de “tremedeira” dentro das flores, que melhora a dispersão do pólen e aumenta a eficiência da polinização em lavouras.
Uruçu-capixaba: espécie de abelha sem ferrão que só aparece no Espírito Santo corre risco de extinção
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CLIMA FRIO E ÚMIDO: Produção de cogumelos cresce em regiões mais frias de montanhas e impulsiona agricultura familiar
COMO PET: capixaba ajuda a preservar a natureza criando 40 mil abelhas em casa
Para o pesquisador de abelhas nativas e professor da Universidade Federal de Viçosa, Helder Canto, o impacto da espécie na manutenção da vida natural é profundo.
"A polinização garante a sobrevivência das florestas. Com a abelha visitando flor em flor para coletar o néctar, que é o seu alimento, assim também como o pólen, ela faz gerar as sementes. Essas sementes têm o fruto que vai garantir a alimentação para outros animais. Pequenos animais são alimentos para grandes animais, ou seja, sem a abelha a gente não tem semente, não tem floresta, não tem fruto, não tem vida. A abelha participa dessa interdependência de toda a vida natural".
Estudos indicam que até 90% das espécies vegetais brasileiras dependem de abelhas para se reproduzir. Além das plantas nativas, morango, tomate e abacate também são polinizados por abelhas sem ferrão.
Presença da espécie nas montanhas do ES
A uruçu-capixaba já foi registrada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) em 12 municípios capixabas, principalmente na Região Serrana. Uma dessas áreas é a Reserva Ambiental Águia Branca, em Vargem Alta, no Sul do Espírito Santo, onde colmeias raras são monitoradas.
Municípios onde a uruçu-capixaba é encontrada no Espírito Santo
Arte/g1
A bióloga Patrícia Bellon explicou que a aproximação do público às colmeias tem ajudado no processo de conscientização.
"A gente sempre consegue levar pessoas pra visitar uma colmeia que é super rara. Isso desperta muita curiosidade delas, elas entendem que, assim, até o próprio café da manhã delas é influenciado pela essa polinização da abelha. Então, desperta uma consciência ambiental sobre essa questão de preservação e conscientização ambiental".
Em Venda Nova do Imigrante, a espécie encontrou abrigo em uma árvore antiga da propriedade da produtora rural Margarida Tonolli.
"Sem as abelhas, sem a polinização, não teria essas plantas. A gente não colheria tantas frutas igual a gente colhe, café igual a gente colhe. A gente fica mais atento agora à conservação delas, sabendo que elas têm importância. Eu não conhecia essa sem ferrão mesmo não. Então, para gente, ela vai ficar sempre agora mais importante", garantiu Margarida.
Ameaças às abelhas
O avanço do desmatamento e a substituição da Mata Atlântica por áreas degradadas ou ocupadas por espécies exóticas reduzem o espaço disponível para a espécie. O uso de agrotóxicos e o comércio ilegal de colmeias também contribuem para o declínio populacional.
Helder Canto explicou que os efeitos dessa exploração humana já são perceptíveis.
"A gente sente o declínio populacional das abelhas, a gente tem um déficit de polinização. Então, muitas plantas que dependem dessa polinização redizem. Sem a polinização, a produção agrícola diminui, gerando menos renda e também impacto econômico. Um prejuízo não só para a natureza, como prejuízos econômicos para a produção agrícola", avaliou o professor.
Uruçu-capixaba: espécie de abelha sem ferrão que só aparece no Espírito Santo corre risco de extinção
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Documentário busca aproximar o público da espécie
A preocupação com a uruçu-capixaba inspirou o documentário “Na Imensidão do Pequeno”, lançado em novembro em Vargem Alta. O filme foi produzido pelo Instituto Terra Brasilis e pela Universidade Federal de Viçosa, com apoio do Projeto Biodiversidade Rio Doce e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
O diretor-executivo do Instituto Terra Brasilis, Reinaldo Lourival, destacou que despertar afeto pelo animal é uma ferramenta poderosa de conservação.
"A ciência, ela informa as pessoas, mas o amor leva as pessoas a conservarem. E você não ama o que você não conhece. E, no caso da uruçu-capixaba, é um orgulho para o Espírito Santo, é um bicho que só tem aqui, só tem numa região muito restrita. Então, é criar uma imagem de orgulho para as pessoas".
Tecnologia como aliada da educação ambiental
Além do documentário, tecnologias interativas estão ajudando na conscientização. O jogo “Be a Bee – Seja uma Abelha” simula a rotina de uma abelha na floresta e ensina o papel das espécies nativas na manutenção dos ecossistemas.
Com óculos de realidade virtual, o estudante Miguel Leon, de 11 anos, pôde “voar” pela Mata Atlântica.
"Ah, eu não conheço muito, mas eu sei que a abelha realmente tem alguma importância para o sistema, para o meio ambiente, e deu para vê-las, né? Tem um lugarzinho ali que você consegue ver ela entrando e saindo, né? É bem maneiro", falou animado.
Tecnologia é aliada dos pesquisadores para ajudar na educação ambiental e na preservação da uruçu-capixaba, espécie de abelha sem ferrão exclusiva do Espírito Santo
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Futuro da espécie
Projetos de conservação têm se dedicado a reintroduzir a abelha em áreas protegidas e estimular a recuperação da Mata Atlântica para garantir a sobrevivência da espécie no longo prazo.
Helder Canto reforçou a importância de valorizar a existência dessa espécie, seja conservando a natureza, seja realizando reflorestamento e regeneração das matas.
"O que acontece é que muitas colônias estão hoje em propriedades particulares. O que a gente está fazendo é o contrário, é devolver essas abelhas para a natureza, replicando essas colônias e reintroduzindo em áreas de conservação, como as unidades de conservação, para garantir a sobrevivência da população, não só agora, mas para o futuro", disse.
Uruçu-capixaba é exclusiva das áreas montanhosas da Mata Atlântica, no Espírito Santo
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