'Congelar o tempo': conheça o fotógrafo brasileiro que batizou baleia com nomes dos filhos na Antártica
Publicado em: 19/12/2025 07:12
<br /> Registro da baleia batizada de Fredi, feito pelo fotógrafo Adriano Kirihara
Adriano Kirihara/Arquivo pessoal
A fotografia proporciona a sensação de "congelar o tempo", revivido a cada novo olhar sobre o registro feito. Esse sentimento é colecionado pelo jornalista e fotógrafo de natureza Adriano Kirihara, de Presidente Prudente (SP), há mais de 25 anos. Ele já teve, inclusive, a oportunidade de batizar uma baleia fotografada na Antártica com os nomes dos filhos.
Ao g1, Adriano relembra que começou a trabalhar como fotógrafo profissional há 12 anos e já viajou para diferentes lugares do Brasil e do mundo. A paixão pelo ofício vem desde pequeno, enquanto crescia em uma chácara, cercado por natureza.
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"A fotografia sempre esteve muito presente na minha vida. Desde pequeno, eu achava fascinante a ideia de 'congelar o tempo', de guardar memórias, de preservar instantes que, sem a imagem, se perderiam para sempre", diz.
Após a faculdade de jornalismo, o interesse de Adriano por um tipo específico de fotografia se intensificou ainda mais.
"Nunca me identifiquei com a fotografia de eventos. O que sempre me chamou foi a fotografia de natureza, de turismo contemplativo e documental, aquela que pede tempo, silêncio e escuta."
Registro de pinguins feito por Adriano Kirihara
Adriano Kirihara/Arquivo pessoal
Atualmente, Adriano se autodefine como "fotodocumentarista das belezas naturais e humanas". "Alguém interessado nas relações entre o território, as pessoas e suas histórias. Acredito muito que, se algo é bonito, verdadeiro e tem valor, precisa ser mostrado, porque mostrar também é uma forma de preservar."
Foi assim que, em uma das oportunidades, Adriano Kirihara viajou até a Antártica e registrou uma imagem que se tornaria sua marca: a fotografia de uma baleia, feita em 2019, enviada ao projeto Baleia à Vista e, posteriormente, inserida no sistema internacional Happywhale para monitoramento da espécie.
Como o prudentino foi o primeiro a fazer o registro, teve o privilégio de dar o nome para o animal, registrado oficialmente no sistema. Dois anos depois, outro fotógrafo registrou a mesma baleia.
"Sempre que esse mesmo indivíduo é fotografado novamente, o nome aparece associado, funcionando, na prática, como uma certidão de nascimento. Batizei essa baleia de Fredi, em homenagem aos meus dois filhos, Frederico e Diogo".
Baleia Fredi já foi fotografada mais 16 vezes por diferentes fotógrafos
Reprodução/Happywhale
Desde então, a baleia já foi fotografada mais 16 vezes por diferentes fotógrafos, sempre na região da Antártica e proximidades. Os registros podem ser observados pelo site da Happywhale, como mostra a imagem acima.
Entretanto, Adriano relembra que, para ele, todo registro é importante: "Cada fotografia carrega um encontro único, mas alguns momentos acabam se tornando ainda mais especiais, porque rompem barreiras e marcam a história".
Colecionando momentos
O fotógrafo documentarista também reúne registros nacionais importantes, como o do mico-leão-preto no Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), considerado o maior remanescente de Mata Atlântica do interior paulista e uma unidade símbolo de preservação ambiental.
"Também tive a oportunidade de fotografar a arara-azul-de-lear, espécie endêmica do sertão baiano, cuja população em vida livre é estimada em pouco mais de 2 mil indivíduos. Um animal simbólico, que, por muito tempo, esteve à beira do desaparecimento e, hoje, segue existindo graças a esforços contínuos de conservação", conta ao g1.
Além dos registros já citados, Adriano também acumula imagens de espécies classificadas como vulneráveis, como o tamanduá-bandeira. "Infelizmente, a lista de animais em risco ou em situação preocupante só cresce, o que reforça ainda mais a importância de documentar, sensibilizar e preservar."
Tamanduá-bandeira e filhote são registrados por Adriano Kirihara
Adriano Kirihara/Arquivo pessoal
Importância da preservação
Durante as expedições pelo Brasil e pelo mundo, o fotógrafo costuma contar com o apoio de guias ou moradores locais, que conhecem bem a região, para ter um melhor aproveitamento. Ainda assim, em algumas situações, se depara com o descaso de visitantes, principalmente em trilhas e áreas de ecoturismo.
"Saco plástico, tampa de garrafa, bituca de cigarro, latas, restos deixados para trás por pessoas que dizem amar a natureza. É algo que realmente me incomoda. Muita gente pensa que é só uma garrafa ou só um papel, mas, se 10 pessoas pensarem assim, depois 20, logo aquele ambiente estará tomado pelo lixo", continua.
"A fotografia, nesse contexto, também pode ajudar a mostrar essa realidade e provocar reflexão. Nem sempre é sobre grandes tragédias, mas sobre o que cada um faz quando ninguém está olhando", afirma Adriano.
Confira outros registros do fotodocumentarista:
Fotodocumentarista Adriano Kirihara
O profissional também reforça a importância da fotografia como forma de preservação, especialmente diante do avanço da Inteligência Artificial (IA). Ele afirma não ser contrário ao uso da tecnologia e acredita que toda inovação tem seu valor e espaço, desde que seja utilizada de forma consciente.
"É importante refletir que, no futuro, as próximas gerações podem ter dificuldade de distinguir o que é uma imagem criada artificialmente e o que é um registro real. Nesse sentido, a fotografia documental ganha ainda mais importância."
"Para mim, a fotografia é, antes de tudo, uma forma de preservar. É deixar um registro, com muita humildade, do mundo como ele é. A fotografia tem esse poder silencioso de 'guardar o tempo'. Ela cria memória, constrói referência e ajuda a contar histórias que, sem a imagem, poderiam se perder."
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Adriano Kirihara/Arquivo pessoal
A fotografia proporciona a sensação de "congelar o tempo", revivido a cada novo olhar sobre o registro feito. Esse sentimento é colecionado pelo jornalista e fotógrafo de natureza Adriano Kirihara, de Presidente Prudente (SP), há mais de 25 anos. Ele já teve, inclusive, a oportunidade de batizar uma baleia fotografada na Antártica com os nomes dos filhos.
Ao g1, Adriano relembra que começou a trabalhar como fotógrafo profissional há 12 anos e já viajou para diferentes lugares do Brasil e do mundo. A paixão pelo ofício vem desde pequeno, enquanto crescia em uma chácara, cercado por natureza.
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"A fotografia sempre esteve muito presente na minha vida. Desde pequeno, eu achava fascinante a ideia de 'congelar o tempo', de guardar memórias, de preservar instantes que, sem a imagem, se perderiam para sempre", diz.
Após a faculdade de jornalismo, o interesse de Adriano por um tipo específico de fotografia se intensificou ainda mais.
"Nunca me identifiquei com a fotografia de eventos. O que sempre me chamou foi a fotografia de natureza, de turismo contemplativo e documental, aquela que pede tempo, silêncio e escuta."
Registro de pinguins feito por Adriano Kirihara
Adriano Kirihara/Arquivo pessoal
Atualmente, Adriano se autodefine como "fotodocumentarista das belezas naturais e humanas". "Alguém interessado nas relações entre o território, as pessoas e suas histórias. Acredito muito que, se algo é bonito, verdadeiro e tem valor, precisa ser mostrado, porque mostrar também é uma forma de preservar."
Foi assim que, em uma das oportunidades, Adriano Kirihara viajou até a Antártica e registrou uma imagem que se tornaria sua marca: a fotografia de uma baleia, feita em 2019, enviada ao projeto Baleia à Vista e, posteriormente, inserida no sistema internacional Happywhale para monitoramento da espécie.
Como o prudentino foi o primeiro a fazer o registro, teve o privilégio de dar o nome para o animal, registrado oficialmente no sistema. Dois anos depois, outro fotógrafo registrou a mesma baleia.
"Sempre que esse mesmo indivíduo é fotografado novamente, o nome aparece associado, funcionando, na prática, como uma certidão de nascimento. Batizei essa baleia de Fredi, em homenagem aos meus dois filhos, Frederico e Diogo".
Baleia Fredi já foi fotografada mais 16 vezes por diferentes fotógrafos
Reprodução/Happywhale
Desde então, a baleia já foi fotografada mais 16 vezes por diferentes fotógrafos, sempre na região da Antártica e proximidades. Os registros podem ser observados pelo site da Happywhale, como mostra a imagem acima.
Entretanto, Adriano relembra que, para ele, todo registro é importante: "Cada fotografia carrega um encontro único, mas alguns momentos acabam se tornando ainda mais especiais, porque rompem barreiras e marcam a história".
Colecionando momentos
O fotógrafo documentarista também reúne registros nacionais importantes, como o do mico-leão-preto no Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), considerado o maior remanescente de Mata Atlântica do interior paulista e uma unidade símbolo de preservação ambiental.
"Também tive a oportunidade de fotografar a arara-azul-de-lear, espécie endêmica do sertão baiano, cuja população em vida livre é estimada em pouco mais de 2 mil indivíduos. Um animal simbólico, que, por muito tempo, esteve à beira do desaparecimento e, hoje, segue existindo graças a esforços contínuos de conservação", conta ao g1.
Além dos registros já citados, Adriano também acumula imagens de espécies classificadas como vulneráveis, como o tamanduá-bandeira. "Infelizmente, a lista de animais em risco ou em situação preocupante só cresce, o que reforça ainda mais a importância de documentar, sensibilizar e preservar."
Tamanduá-bandeira e filhote são registrados por Adriano Kirihara
Adriano Kirihara/Arquivo pessoal
Importância da preservação
Durante as expedições pelo Brasil e pelo mundo, o fotógrafo costuma contar com o apoio de guias ou moradores locais, que conhecem bem a região, para ter um melhor aproveitamento. Ainda assim, em algumas situações, se depara com o descaso de visitantes, principalmente em trilhas e áreas de ecoturismo.
"Saco plástico, tampa de garrafa, bituca de cigarro, latas, restos deixados para trás por pessoas que dizem amar a natureza. É algo que realmente me incomoda. Muita gente pensa que é só uma garrafa ou só um papel, mas, se 10 pessoas pensarem assim, depois 20, logo aquele ambiente estará tomado pelo lixo", continua.
"A fotografia, nesse contexto, também pode ajudar a mostrar essa realidade e provocar reflexão. Nem sempre é sobre grandes tragédias, mas sobre o que cada um faz quando ninguém está olhando", afirma Adriano.
Confira outros registros do fotodocumentarista:
Fotodocumentarista Adriano Kirihara
O profissional também reforça a importância da fotografia como forma de preservação, especialmente diante do avanço da Inteligência Artificial (IA). Ele afirma não ser contrário ao uso da tecnologia e acredita que toda inovação tem seu valor e espaço, desde que seja utilizada de forma consciente.
"É importante refletir que, no futuro, as próximas gerações podem ter dificuldade de distinguir o que é uma imagem criada artificialmente e o que é um registro real. Nesse sentido, a fotografia documental ganha ainda mais importância."
"Para mim, a fotografia é, antes de tudo, uma forma de preservar. É deixar um registro, com muita humildade, do mundo como ele é. A fotografia tem esse poder silencioso de 'guardar o tempo'. Ela cria memória, constrói referência e ajuda a contar histórias que, sem a imagem, poderiam se perder."
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