Desocupação de prédio no Centro do Rio tem tumulto e uso de gás de pimenta por agentes

Publicado em: 07/09/2025 14:14

Desocupação de prédio no Centro do Rio tem tumulto e uso de gás de pimenta por agentes
<br /> Desocupação termina em confusão no Centro do Rio
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Uma desocupação em um prédio no Centro do Rio, na manhã deste domingo (7), teve tumulto, o uso de gás de pimenta por agentes da Polícia Militar e da Secretaria de Ordem Pública (Seop). Além de deputados denunciando que foram agredidos por agentes da Guarda Municipal. Uma pessoa foi presa e duas ficaram feridas, sendo levadas ao Hospital Souza Aguiar.
A confusão começou durante a retirada de cerca de 100 famílias — entre elas mulheres, crianças e idosos — de um prédio na Avenida Venezuela, na Região Portuária do Rio. O imóvel pertence à construtora Cury e está em processo de doação para a Prefeitura. Os organizadores afirmam que a ocupação buscava reivindicar moradia popular em um prédio abandonado e sem função social.
Durante a ação, houve relatos de violência. Os deputados Josemar (PSOL) e Tarcísio Motta, que estiveram no local, acusa agentes da Guarda Municipal de terem lançado spray de pimenta contra eles quando os parlamentarem tentavam acompanhar a operação. Motta chegou a discutir com o secretário de Ordem Pública Marcus Belchior, que também no local.
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A Prefeitura afirma que o edifício será sede do futuro Centro Cultural Rio África, projeto voltado à valorização da cultura afro-brasileira e à memória da diáspora africana, com localização estratégica em frente ao Cais do Valongo, patrimônio mundial da Unesco 
Paes e o governador Cláudio Castro ordenaram a desocupação, alegando que a ocupação colocava em risco o andamento das obras do centro cultural.
De acordo com o prefeito Eduardo Paes, a PM e a GM agiram dentro da lei.
Os deputados Tarcísio Motta e professor Josemar, ambos do PSOL, durante confusão com a Guarda Municipal do Rio
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Caso registrado na delegacia
O deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) afirmou que as famílias removidas da Avenida Venezuela estavam em um terreno da União, vinculado à Secretaria de Patrimônio da União (SPU), e que o local está previsto para ser utilizado no programa federal “Imóvel da Gente”, voltado à destinação de imóveis públicos para habitação social.
“A confusão começou quando guardas municipais entraram no prédio para retirar os pertences das famílias. Tentamos acompanhar, mas a Guarda Municipal impediu minha circulação. Estávamos apenas exercendo nossa prerrogativa parlamentar”, disse Motta.
Na tarde deste domingo, Tarcísio e professor Josemar, registraram um boletim de ocorrência na 20ª DP (Vila Isabel), denunciando agressão, lesão corporal e abuso de autoridade por parte de agentes da Prefeitura do Rio.
Motta informou ainda que pretende representar contra o prefeito Eduardo Paes na Câmara Municipal e no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por impedir o exercício da função parlamentar durante a operação.
“Presenciamos uma cena lamentável: a Guarda Municipal agindo em um imóvel que não pertence à Prefeitura, mas sim à União. Fui empurrado, agredido e atingido com spray de pimenta no rosto enquanto exercia meu mandato. Estávamos ali para garantir que os direitos das famílias fossem respeitados, mas acabamos sendo vítimas de um abuso institucional”, afirmou Josemar.
Procurada para comentar as supostas ilegalidades cometidas pelos agentes da Seop e da GM, a assessoria de imprensa de Secretaria de Ordem Pública não comentou.