'Temos educação e saúde de graça, não quero o mundo dos EUA': população da Groenlândia rejeita avanço de Trump
Publicado em: 28/01/2026 03:00
'Não quero o mundo dos EUA': população da Groenlândia rejeita avanço de Trump
A maior ilha do planeta voltou ao centro das atenções internacionais depois que Donald Trump retomou declarações de que os Estados Unidos deveriam “comprar a Groenlândia” por motivos estratégicos. A ideia, criticada mundialmente em 2019, reapareceu em discursos recentes do ex-presidente americano.
As falas reacenderam tensões no território autônomo do Reino da Dinamarca. Em resposta, o primeiro-ministro da Groenlândia orientou a população a manter kits de emergência abastecidos, incluindo água potável, alimentos não perecíveis e até armas de caça com munição. A recomendação gerou apreensão entre os cerca de 56 mil habitantes da ilha.
Birger Poppel, climatologista da Universidade da Groenlândia, afirmou que a possibilidade de maior influência dos Estados Unidos preocupa.
“Nos desdobramos para garantir acesso gratuito à educação e à saúde. Olhando para os Estados Unidos e, principalmente, para o que quer Donald Trump, é um outro mundo. Eu não quero isso para mim”, disse.
Tentativa de compra reaparece
Trump já havia manifestado interesse em comprar a ilha em 2019, quando ofereceu cerca de US$ 100 milhões e prometeu investir na região, distribuindo riqueza entre os moradores e valorizando a cultura local. A proposta, amplamente rejeitada, comparava o possível negócio à compra do Alasca, adquirida da Rússia em 1868 por US$ 7 milhões — considerada um dos maiores acordos imobiliários da história norte-americana.
A ideia, no entanto, contraria princípios básicos do direito internacional. Como território sob soberania dinamarquesa, a Groenlândia não está à venda e, segundo seus líderes, deve decidir seu próprio futuro. Ainda assim, segundo relatos, a nova estratégia defendida por Trump seria realizar um referendo local para saber se os moradores estariam dispostos a negociar.
“Nós não somos uma coisa que você possa ir lá e comprar. Nós somos um povo — esta é a nossa terra”, afirmou uma residente groenlandesa em entrevista ao Fantástico.
Por que a Groenlândia virou peça-chave na geopolítica global e nos planos de Trump
Interesse dos EUA cresce com avanço do degelo e disputa por minerais
Trump afirma que a Groenlândia é uma peça-chave para a segurança nacional dos EUA, citando a localização estratégica no Ártico e a presença de minerais cruciais para indústrias de alta tecnologia — de baterias de carros elétricos a equipamentos militares.
Sob o manto de gelo que derrete rapidamente, há reservas de elementos considerados essenciais para a economia global nas próximas décadas. E o degelo acelerado — três vezes mais rápido que a média mundial — abre novas rotas marítimas e facilita acesso às áreas de mineração.
A mudança climática também transformou o Ártico em um tabuleiro de disputa entre potências: China, Rússia, Canadá, países da OTAN e os próprios Estados Unidos. Para Washington, a ilha dinamarquesa é um ponto estratégico no controle dessas rotas.
Memórias da colonização reforçam resistência local
A desconfiança da população diante das ambições americanas tem raízes profundas. Por séculos, a Groenlândia foi tratada como colônia de exploração pela Dinamarca, que apagou tradições inuítes, impôs religião e controlou a economia — inclusive lucrando com a caça de baleias e focas.
As marcas ainda estão presentes. Hoje, metade do orçamento da Groenlândia depende de repasses do governo dinamarquês. Os serviços públicos — como saúde e educação gratuitos — são sustentados por essa verba.
Quatro dos cinco partidos do Parlamento groenlandês defendem a independência total, mas admitem que ainda não há base econômica suficiente para isso. A proposta de Trump, por outro lado, é vista como um retrocesso colonial: trocar um tutor por outro, ainda mais distante culturalmente.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
‘Eu quero a Groenlândia’: por que Donald Trump quer ampliar presença americana no Ártico
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
PRAZER, RENATA
O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.
A maior ilha do planeta voltou ao centro das atenções internacionais depois que Donald Trump retomou declarações de que os Estados Unidos deveriam “comprar a Groenlândia” por motivos estratégicos. A ideia, criticada mundialmente em 2019, reapareceu em discursos recentes do ex-presidente americano.
As falas reacenderam tensões no território autônomo do Reino da Dinamarca. Em resposta, o primeiro-ministro da Groenlândia orientou a população a manter kits de emergência abastecidos, incluindo água potável, alimentos não perecíveis e até armas de caça com munição. A recomendação gerou apreensão entre os cerca de 56 mil habitantes da ilha.
Birger Poppel, climatologista da Universidade da Groenlândia, afirmou que a possibilidade de maior influência dos Estados Unidos preocupa.
“Nos desdobramos para garantir acesso gratuito à educação e à saúde. Olhando para os Estados Unidos e, principalmente, para o que quer Donald Trump, é um outro mundo. Eu não quero isso para mim”, disse.
Tentativa de compra reaparece
Trump já havia manifestado interesse em comprar a ilha em 2019, quando ofereceu cerca de US$ 100 milhões e prometeu investir na região, distribuindo riqueza entre os moradores e valorizando a cultura local. A proposta, amplamente rejeitada, comparava o possível negócio à compra do Alasca, adquirida da Rússia em 1868 por US$ 7 milhões — considerada um dos maiores acordos imobiliários da história norte-americana.
A ideia, no entanto, contraria princípios básicos do direito internacional. Como território sob soberania dinamarquesa, a Groenlândia não está à venda e, segundo seus líderes, deve decidir seu próprio futuro. Ainda assim, segundo relatos, a nova estratégia defendida por Trump seria realizar um referendo local para saber se os moradores estariam dispostos a negociar.
“Nós não somos uma coisa que você possa ir lá e comprar. Nós somos um povo — esta é a nossa terra”, afirmou uma residente groenlandesa em entrevista ao Fantástico.
Por que a Groenlândia virou peça-chave na geopolítica global e nos planos de Trump
Interesse dos EUA cresce com avanço do degelo e disputa por minerais
Trump afirma que a Groenlândia é uma peça-chave para a segurança nacional dos EUA, citando a localização estratégica no Ártico e a presença de minerais cruciais para indústrias de alta tecnologia — de baterias de carros elétricos a equipamentos militares.
Sob o manto de gelo que derrete rapidamente, há reservas de elementos considerados essenciais para a economia global nas próximas décadas. E o degelo acelerado — três vezes mais rápido que a média mundial — abre novas rotas marítimas e facilita acesso às áreas de mineração.
A mudança climática também transformou o Ártico em um tabuleiro de disputa entre potências: China, Rússia, Canadá, países da OTAN e os próprios Estados Unidos. Para Washington, a ilha dinamarquesa é um ponto estratégico no controle dessas rotas.
Memórias da colonização reforçam resistência local
A desconfiança da população diante das ambições americanas tem raízes profundas. Por séculos, a Groenlândia foi tratada como colônia de exploração pela Dinamarca, que apagou tradições inuítes, impôs religião e controlou a economia — inclusive lucrando com a caça de baleias e focas.
As marcas ainda estão presentes. Hoje, metade do orçamento da Groenlândia depende de repasses do governo dinamarquês. Os serviços públicos — como saúde e educação gratuitos — são sustentados por essa verba.
Quatro dos cinco partidos do Parlamento groenlandês defendem a independência total, mas admitem que ainda não há base econômica suficiente para isso. A proposta de Trump, por outro lado, é vista como um retrocesso colonial: trocar um tutor por outro, ainda mais distante culturalmente.
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
‘Eu quero a Groenlândia’: por que Donald Trump quer ampliar presença americana no Ártico
Ouça os podcasts do Fantástico
ISSO É FANTÁSTICO
O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
PRAZER, RENATA
O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.
Palavras-chave:
tecnologia
Mais Notícias Relacionadas
Guilherme Arantes, Débora Falabella, teatro infantil, samba, Filarmônica: veja agenda cultural deste fim de semana em BH
Canções que marcaram época na voz de Guilherme Arantes, samba com Fabiana Cozza, peças de...
DJ Bruno Be, Dado Villa Lobos, Rock Beats e 'Tom Jobim Musical' são atrações do fim de semana com feriado prolongado no DF
Musical faz homenagem a Tom Jobim Com o feriado do aniversário de Brasília na próxima ter...
'Rio das Ostras Digital' visa modernização da gestão municipal
Já estão disponibilizados diversos serviços no sistema Secom Rio das Ostras deu um import...
Inceptio: Empresários e sócios investigados por tráfico e lavagem de dinheiro se tornam réus no Acre
Presos durante a Operação Inceptio, no Acre e em outros estados, empresários e sócios pas...