Zonas Norte, Sul, Oeste e, agora, Sudoeste... Mas cadê a Leste? E o ‘centro’ é na Barra? As curiosidades sobre o mapa do Rio

Publicado em: 14/09/2025 06:00

Zonas Norte, Sul, Oeste e, agora, Sudoeste... Mas cadê a Leste? E o ‘centro’ é na Barra? As curiosidades sobre o mapa do Rio
<br /> Zona Sudoeste do Rio: entenda o que muda com a nova delimitação
O Rio de Janeiro ganhou uma Zona Sudoeste, mas dificilmente terá uma Zona Leste. Você sabe por quê? E quantos bairros a cidade tem? Qual é o maior? E o menor? E o mais novo?
A geografia carioca é cheia de histórias curiosas: tem praia famosa que não é bairro, bairro maior do que muita gente pensa, “bairro-exclave”, “bairros-enclaves” e um “centro” muito longe da região do Centro.
O g1 abriu o novo mapa do Rio de Janeiro e buscou o Instituto Pereira Passos (IPP) para tirar dúvidas e levantar curiosidades. Veja abaixo.
Cadê a Zona Leste?
O Centro fica no centro mesmo?
O bairro mais velho tem 44 anos
O que é a Zona Sudoeste do Rio?
A Barra é maior do que você imagina
Jacarepaguá e seus exclaves
O Rio também tem enclaves
Tijuca, Andaraí, Grajaú, Maracanã...
Tijuca é Zona Sul do Rio?
Arpoador não é bairro
Por que a Zona Norte tem tantos bairros pequenos?
Os maiores
Caçulinha
Ilha é Zona Norte, e Paquetá é...?
O Cristo está em que bairro?
Como eu faço para criar um bairro?
Recortes do Mapa Digital do Rio
Reprodução
1. Cadê a Zona Leste?
Nesta semana, o prefeito Eduardo Paes (PSD) sancionou um projeto aprovado pela Câmara de Vereadores que mudou o desenho da cidade, “retirando” 20 bairros da Zona Oeste e formando a caçula Zona Sudoeste. Além delas, há as zonas Norte e Sul e o Centro.
Muita gente de fora pensa: cadê a Zona Leste do Rio? Ao contrário de outras metrópoles, o Rio nunca teve uma. A rigor, é a Baía de Guanabara, em volta da qual o município nasceu e cresceu.
A divisão da cidade é técnica e histórica, e a direção “leste” nunca foi usada oficialmente. Hoje, a cidade se organiza em 5 Áreas de Planejamento, as APs: Centro (AP-1), Zona Sul e Grande Tijuca (AP-2), Zona Norte (AP-3), Zona Sudoeste (AP-4) e Zona Oeste (AP-5).
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2. O Centro fica no centro mesmo?
O Centro do Rio não está localizado no ponto geográfico central da cidade.
O Centro – como conhecemos – se desenvolveu historicamente às margens da Baía de Guanabara, entre morros como o do Castelo e o de Santo Antônio, que serviam de proteção contra invasões. Hoje, o bairro do Centro é mais um polo histórico, comercial e financeiro, do que um ponto central no mapa.
Se fosse pela geografia, o “centro” ou o “meio” estaria mais próximo da região do Riocentro e do Parque da Pedra Branca, na Zona Oeste.
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Imagem aérea do Riocentro, na Zona Oeste do Rio
Reprodução/ TV Globo
3. O bairro mais velho tem 44 anos
A prefeitura mantém na plataforma Data.Rio o Mapa Digital, onde é possível conferir em detalhes como os 166 bairros cariocas ocupam o território.
Mas esse “retalho” oficial só foi estabelecido em 1981, com os decretos municipais 3.157 e 3.158. Até então, cada região era reconhecida mais pela tradição, “de boca”, do que por limites legais.
Foi há 44 anos que a prefeitura definiu, pela 1ª vez, as Áreas de Planejamento (APs), as Regiões Administrativas (RAs) e os (então) 153 bairros, que passaram a ter contornos fixados em decreto.
Até hoje, essa base é a espinha dorsal da organização territorial da cidade — desde então, o Rio criou 13 bairros, chegando aos 166.
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4. O que é a Zona Sudoeste do Rio?
Vereadores do Rio aprovam projeto que cria Zona Sudoeste, com Barra da Tijuca, Freguesia, Joá e outros
Infografia: Juan Silva e Otávio Camargo/g1
São esses 20 bairros:
Anil
Barra da Tijuca
Barra Olímpica
Camorim
Cidade de Deus
Curicica
Freguesia de Jacarepaguá
Gardênia Azul
Grumari
Itanhangá
Jacarepaguá
Joá
Praça Seca
Pechincha
Recreio dos Bandeirantes
Tanque
Taquara
Vargem Grande
Vargem Pequena
Vila Valqueire
A lei incluiu Rio das Pedras na região, mas, no banco de dados da prefeitura, a comunidade ainda não é considerada bairro — ao contrário da Cidade de Deus.
A zona ocupa 24% do município e abriga, segundo o Censo de 2022, 1.105.620 pessoas, ou 17,80% da população carioca — segundo as projeções do IBGE, o número praticamente ficou estável até hoje.
Autor da lei, Doutor Gilberto (SDD) disse que a nova região “vai qualificar a expansão urbana e principalmente a distribuição espacial desses bairros”.
De acordo com a Prefeitura do Rio, a mudança não representa impacto imediato para os contribuintes: valores de impostos, serviços públicos e cadastros permanecem os mesmos.
No entanto, especialistas alertam que a nova classificação pode, no futuro, influenciar o mercado imobiliário e o planejamento urbano.
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5. A Barra é maior do que você imagina
Quem desce o Túnel do Joá se depara com a placa: “Sorria, você está na Barra!”. Como muitos pensam, o bairro não termina logo depois da Cidade das Artes, no “Cebolão” das avenidas das Américas e Ayrton Senna.
Oficialmente, a Barra se estende até áreas que muita gente já considera Recreio dos Bandeirantes — aliás, a Barra é maior que o Recreio, que só começa na Avenida Salvador Allende.
Então, oficialmente, são da Barra da Tijuca a Praia da Reserva inteira e as lagoas da Tijuca, de Marapendi e de Jacarepaguá.
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Amanhecer na Praia da Reserva, na Barra da Tijuca
Reprodução/TV Globo
6. Jacarepaguá e seus exclaves
Por falar em Jacarepaguá, muitos acham que Taquara, Pechincha e Freguesia são meras subdivisões, mas todos são bairros oficiais e “independentes”.
Mas Jacarepaguá ainda consta como bairro e, no mapa, aparece como um grande U fracionado, com 3 áreas não contíguas que “abraçam” boa parte da Zona Sudoeste do Rio.
Na geografia, isso é chamado de exclave — quando parte do território de um país (ou de um bairro) fica separada da área principal e cercada pelo território de outra jurisdição.
É como se fosse um “pedaço destacado” que pertence a um lugar, mas não está colado nele. Um exemplo internacional é Kaliningrado: fica separado do restante da Rússia, com Lituânia e Belarus no caminho.
Voltando a Jacarepaguá, seus exclaves da ponta são praticamente ocupados pelos maciços da Tijuca e da Pedra Branca. A parte do meio, entre Curicica e Cidade de Deus, é onde fica o CT do Vasco da Gama.
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7. O Rio também tem enclaves
Outro conceito da geografia, um enclave é um território totalmente cercado por outro — é quando uma área fica inteiramente dentro de outra, sem saída própria.
Exemplos clássicos são o Vaticano e San Marino, que estão totalmente dentro da Itália, e Lesoto, que é um país inteiro dentro da África do Sul.
No Rio de Janeiro, são bairros-enclave o Jabour, dentro de Senador Camará; Ilha de Guaratiba; e Gericinó e Vila Kennedy, em Bangu.
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8. Tijuca, Andaraí, Grajaú, Maracanã...
O Mapa Digital do Rio traz a divisão da Grande Tijuca — que muito carioca confunde e diz ser uma coisa só.
Não: a “tríplice fronteira” entre Tijuca, Andaraí e Vila Isabel, por exemplo, fica na Rua Barão de Mesquita, no meio das esquinas das ruas José Higino e Agostinho Menezes.
A Praça Varnhagem é Tijuca, mas marca divisa com Maracanã e Vila Isabel.
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9. Tijuca é Zona Sul do Rio?
A divisão do município em Áreas de Planejamento (AP) colocou a Grande Tijuca na mesma AP-2 da Zona Sul do Rio.
O IPP ressalta que, por enquanto, apenas a Zona Oeste e a Zona Sudoeste foram delimitadas por leis.
Enquanto não se cria uma lei para desenhar o que é Zona Norte, o IPP recomenda usar, no caso da AP-2, as sub-regiões de planejamento da Zona Sul e da Tijuca. Essa divisão serve para traçar onde — informalmente — começa a Zona Norte do Rio.
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10. Arpoador não é bairro
Cartão-postal disputado por surfistas e conhecido pelo pôr do sol aplaudido nas pedras, o “Arpex” não aparece como bairro nos mapas oficiais: faz parte de Ipanema.
A fronteira com Copacabana é na “Academia dos Flintstones”, que o g1 já mostrou — um espaço democrático onde se malha com concreto e sucata.
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Rio de Janeiro, 15/01/2018 - Nascer do sol no Arpoador
José Raphael Berrêdo/g1
11. Por que a Zona Norte tem tantos bairros pequenos?
A Zona Norte foi ocupada primeiro e de forma mais densa do que outras regiões do Rio. Essa concentração de gente e de identidades locais fez com que o território fosse se subdividindo em bairros menores, cada um com sua própria referência cultural.
Já a Zona Oeste, ocupada mais tarde e com menos densidade, acabou ficando com bairros enormes — como Campo Grande e Guaratiba.
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12. Os maiores
Campo Grande é o bairro mais populoso do Brasil, com 350 mil habitantes — é como se fosse uma “cidade média” dentro da cidade do Rio.
Também é um colosso em tamanho, mas não é o maior do Rio: vem atrás de Guaratiba, o 1º da lista, e de Santa Cruz, o 2º.
E Guaratiba era para ter mais terreno ainda. Recentemente foi criado um enclave, a Ilha de Guaratiba — que de ilha não tem nada, mas o nome pegou —, e há Pedra de Guaratiba e Barra de Guaratiba.
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13. Caçulinha
O menor bairro carioca é também o mais novo: o Bairro Argentino. Um trecho que tem 4 ruas “emancipou-se” de Brás de Pina este ano. Até então, Zumbi, na Ilha do Governador, era o menor.
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14. Ilha é Zona Norte, e Paquetá é...?
No mapa da prefeitura, consta que Paquetá e suas ilhotas fazem parte da Região Administrativa do Centro.
Já a Ilha do Governador é Zona Norte do Rio.
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15. O Cristo está em que bairro?
O Corcovado fica na divisa do Humaitá, do Alto da Boa Vista e de Santa Teresa. Um zoom bem aproximado mostra que quase todo o Santuário está em Santa Teresa.
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Divisão de bairros no Cristo: estátua está em Santa Teresa, mas morro ainda ocupa o Alto da Boa Vista (na parte de baixo da imagem) e o Humaitá (à direita)
Reprodução
16. Como eu faço para criar um bairro?
Para nascer oficialmente, um bairro precisa ser criado por lei: a proposta pode vir de um vereador ou da própria prefeitura, passa pela aprovação da Câmara Municipal e, em seguida, deve ser sancionada pelo prefeito.
Só então a mudança entra em vigor, e a Prefeitura — por meio do Instituto Pereira Passos (IPP) — atualiza o Mapa Digital, o cadastro imobiliário e os registros de serviços.
Os critérios levados em conta incluem a identidade local, limites físicos como ruas ou rios, histórico de ocupação e impacto no planejamento urbano. Foi assim com a Lapa (2012), a Vila Kennedy (2017) e o Jabour (2019), os últimos bairros criados no Rio.
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