VÍDEO: Vereador parte para cima de colega e precisa ser contido durante discussão em sessão no RS
Publicado em: 05/12/2025 13:32
Um vereador de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, precisou ser contido por funcionários da Câmara Municipal durante uma discussão com uma colega na sessão de terça-feira (2).
O tumulto ocorreu durante um debate sobre o parcelamento do 13º salário de servidores. A vereadora Helen Cabral (PT) acusa o vereador Tony Oliveira (Podemos) de violência política de gênero. O parlamentar nega a agressão, mas pediu desculpas por ter se "exaltado".
Diante do episódio, o presidente da Câmara suspendeu os trabalhos temporariamente. A vereadora cobrou providências da Mesa Diretora ainda no plenário e afirmou ter registrado um boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher.
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A discussão começou quando os vereadores debatiam a proposta. Um outro vereador, Tubias Calil (PL), discutia com Tony pouco antes do momento.
Segundo Helen, Tony se levantou, gritou, apontou em sua direção e tentou se aproximar, precisando ser contido por outros colegas.
O momento foi gravado por quem estava na sessão (veja acima), mas a transmissão oficial da sessão plenária foi interrompida temporariamente, sem registrar a suposta agressão.
O que diz a vereadora Helen Cabral
Em nota, a vereadora afirmou que sofreu uma "clara tentativa de intimidação" enquanto defendia os servidores públicos.
"A parlamentar foi atacada pelo vereador Tony Oliveira, da base do governo, que, aos gritos, abandonou o debate democrático e partiu pra cima de forma violenta", diz o comunicado.
Para ela, o episódio configura "o mais grave ato de violência política de gênero já sofrido pela vereadora dentro da Câmara". Segundo a nota, "a agressão não se deu por divergência de ideias, mas por ser mulher ocupando um espaço de poder".
A vereadora reafirmou que não irá se calar e que todas as medidas legais estão sendo tomadas.
O que diz o vereador Tony Oliveira
Também por meio de nota, o vereador Tony Oliveira pediu desculpas "pelo momento de exaltação".
"Sou uma pessoa de temperamento firme [...] e acabei me alterando diante de provocações, insultos e inverdades", declarou. Ele, no entanto, negou a agressão e disse que os fatos estão sendo distorcidos.
Segundo Oliveira, o bate-boca inicial era com o vereador Tubias Calil (PL) sobre a quebra de quórum na sessão anterior. Ele alega que Helen Cabral começou a filmar a discussão. "Ao perceber que estava sendo filmado, aproximei-me e disse apenas: 'Filma, Helen! Filma!'", relatou.
O vereador do Podemos nega ter agredido a colega. "Não agredi a vereadora Helen, nem física, nem verbalmente. Qualquer afirmação nesse sentido é falsa". Ele afirma ainda que a assessora da vereadora "partiu para cima, proferindo novas ofensas". Ele finaliza dizendo que tem "absoluto respeito por todas as mulheres".
Vereadora acusou colega de violência de gênero
Damião Borges/Arquivo pessoal
Nota da vereadora Helen
"A vereadora Helen Cabral (PT) vem a público denunciar o grave episódio de violência política de gênero sofrido durante a Sessão Plenária desta terça-feira, 02 de dezembro, na Câmara Municipal de Santa Maria.
Enquanto denunciava a falta de transparência do Executivo e defendia os direitos das servidoras e servidores diante do projeto de parcelamento do 13º salário, a parlamentar foi atacada pelo vereador Tony Oliveira, da base do governo, que, aos gritos, abandonou o debate democrático e partiu pra cima de forma violenta, em clara tentativa de intimidação.
O ataque misógino não apenas ultrapassa todos os limites aceitáveis dentro de uma instituição pública, como configura o mais grave ato de violência política de gênero já sofrido pela vereadora dentro da Câmara. A agressão não se deu por divergência de ideias, mas por ser mulher ocupando um espaço de poder.
O episódio ocorre justamente durante a 5ª Semana Municipal de Não Violência Contra a Mulher, lei de autoria da própria vereadora Helen e na semana em que a vereadora participa do Festival MEL — Movimento Mulheres em Luta, que neste ano discute exatamente a violência política de gênero contra mulheres parlamentares — o que evidencia a urgência do tema e a gravidade do ocorrido.
A vereadora reafirma que não se calará. Todas as medidas institucionais e legais já estão sendo tomadas, incluindo comunicação à Mesa Diretora exigindo providências e registro de Boletim de Ocorrência na Delegacia da Mulher, para que o agressor seja responsabilizado e para que situações como esta jamais voltem a ocorrer.
A política deve ser um espaço de debate, não de intimidação. A violência política de gênero é uma ameaça à democracia, e sua tolerância significa conivência com a exclusão das mulheres da vida pública.
Helen Cabral seguirá firme no mandato. Pelo direito de existir, resistir e viver com dignidade — dentro e fora do plenário."
Nota do vereador Tony
"Quero iniciar esta nota pedindo desculpas pelo momento de exaltação ocorrido na Sessão Plenária do dia 02/12. Sou uma pessoa de temperamento firme, que defende seus princípios com convicção, e acabei me alterando diante de provocações, insultos e inverdades que estavam sendo ditas no plenário. Ainda assim, reconheço que poderia ter agido com mais calma, e por isso peço desculpas aos colegas e à comunidade.
Dito isso, é necessário esclarecer o que realmente ocorreu, já que alguns grupos estão tentando distorcer os fatos e construir uma narrativa totalmente equivocada sobre o episódio.
O debate começou quando questionei a quebra de quórum na última Sessão, situação que gerou prejuízos aos trabalhos da Câmara. Meu bate-boca foi diretamente com o vereador Tubias Calil (PL), que novamente faltou com respeito à Mesa Diretora e à Presidência, algo que infelizmente tem se repetido.
Durante esse momento, a vereadora Helen começou a filmar a discussão. Em nenhum momento houve agressão verbal ou física da minha parte, como alguns estão tentando insinuar.
Ao perceber que estava sendo filmado, aproximei-me e disse apenas: 'Filma, Helen! Filma!" Reforcei que o motivo da minha indignação era a quebra de quórum ocorrida na sessão anterior, protagonizada justamente pelo grupo que agora tenta criar uma narrativa falsa.
Durante esse tumulto, enquanto eu pedia para Helen Cabral registrar o que realmente estava acontecendo, quem avançou de forma agressiva não fui eu. Pelo contrário: uma assessora da vereadora partiu para cima, proferindo novas ofensas e tentando incitar ainda mais o clima de hostilidade. Mais uma atitude contribuindo de forma decisiva para o acirramento do momento.
O que me tirou do sério foi ver vereadores que saíram espontaneamente da sessão anterior, aplaudidos por manifestantes nas galerias, agora tentando posar de vítimas e acusando quem permaneceu trabalhando de ser o causador do problema.
Quero deixar claro à comunidade: responderei sempre pelos meus atos, porque tenho responsabilidade com o cargo que ocupo. Mas não admitirei inverdades sendo espalhadas para manchar minha imagem. Não agredi a vereadora Helen, nem física, nem verbalmente. Qualquer afirmação nesse sentido é falsa, e todas as medidas legais serão tomadas para garantir que a verdade prevaleça e que aqueles que promoverem calúnias sejam responsabilizados.
Tenho absoluto respeito por todas as mulheres, dentro e fora da Câmara. Minha trajetória pessoal e pública é marcada por respeito, diálogo e responsabilidade. Jamais teria qualquer atitude que pudesse ofender, desrespeitar ou constranger uma mulher, em nenhuma circunstância.
Sigo trabalhando, com firmeza e transparência, em defesa da população de Santa Maria."
VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Link original: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2025/12/05/video-vereador-discussao-colega-sessao-santa-maria-rs.ghtml
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