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A mulher que descobriu câncer no cérebro depois que mala caiu na sua cabeça

Publicado em: 17/03/2026 17:58

Lauren Macpherson descobriu que tinha câncer cerebral terminal depois que uma mala caiu do compartimento de bagagem de um trem e a atingiu na cabeça. Lauren Macpherson via BBC Lauren Macpherson tinha acabado de passar o feriado em um festival de música em Londres quando um acidente incomum no trem de volta terminou com a descoberta de que ela talvez tivesse apenas uma década de vida. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A viagem foi planejada como a "primeira de muitas" celebrações para a jovem de 29 anos: ela havia acabado de ser promovida no trabalho e comprado sua primeira casa com o namorado, Zak. Hábitos que podem reduzir o risco de câncer em até 40%, segundo a ciência Mas, quando uma mala de 16 kg caiu do compartimento superior e atingiu sua cabeça durante o trajeto de volta para Cardiff, no País de Gales, o incidente acabou levando à descoberta de um câncer cerebral terminal. Depois de ser retirada do trem e levada ao hospital para fazer uma tomografia a fim de verificar se não havia fraturado a coluna, os médicos identificaram uma sombra em seu cérebro. "É como se o chão simplesmente desaparecesse sob seus pés. Você não sabe o que fazer, é horrível", disse Macpherson, que foi informada de que pode viver entre 10 e 12 anos. Lauren tinha acabado de passar o fim de semana em Londres comemorando a aprovação nos exames quando descobriu que tinha um tumor cerebral. Lauren Macpherson via BBC O impacto da mala causou muito inchaço, por isso Macpherson foi retirada do trem ainda na cidade de Swindon para fazer os primeiros exames. LEIA TAMBÉM: 7 hábitos que podem reduzir o risco de câncer em até 40%, segundo a ciência Dois dias depois, já em Cardiff, fez uma ressonância magnética, que indicou que se tratava provavelmente de um tumor no cérebro. Macpherson disse que, no ano anterior ao acidente, vinha enfrentando sintomas de desregulação emocional e fadiga extrema, mas que isso havia sido atribuído a hormônios ou a um transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) ainda não diagnosticado. Ela contou que procurou seu clínico geral três vezes para fazer diferentes exames, pois também estava tendo problemas intestinais e desmaios. A fadiga era tão intensa que Macpherson precisou reduzir para meio período sua jornada de trabalho como técnica em cardiografia, para conseguir conciliar o emprego com os estudos de mestrado. Quando os médicos falaram da sombra vista na tomografia, Macpherson disse que "soube na hora". "Existe um instinto dentro de você e, quando você vem se sentindo mal, tudo simplesmente passa a fazer sentido", acrescentou. "É quase como um alívio. Você pensa que está ficando louca, com todas essas coisas dando errado. Para ser sincera, eu era bastante ingênua… Eu estava preocupada, mas naquele momento não estava com medo." "Eu não pensei que fosse incurável. Apenas pensei: 'Eles encontraram, agora podem tirar'." Lauren e seu parceiro, Zak, passaram o feriado bancário de agosto comemorando, antes que o acidente de trem mudasse sua vida. Lauren Macpherson via BBC A consulta seguinte com o especialista ocorreu um mês depois, quando a gravidade do diagnóstico ficou clara. Os médicos suspeitavam que ela tivesse glioblastoma, um tumor de crescimento rápido que poderia significar apenas dois anos de vida. "Não esperávamos isso de jeito nenhum. Então a ficha caiu e é quando você pensa: 'Meu Deus, pode ser que eu tenha só dois anos'." Lauren e seu namorado Zak não faziam ideia de que o diagnóstico seria tão sério. Lauren Macpherson via BBC Macpherson foi informada de que precisaria passar por uma cirurgia para retirar o tumor, mas a espera pelo procedimento no NHS (sistema público de saúde britânico) levaria cerca de quatro meses. Em vez disso, ela entrou em contato com uma clínica privada usando o plano de saúde de Zak, o que reduziu o tempo de espera para três semanas. Um porta-voz do serviço público de saúde disse que os pacientes são avaliados "de acordo com a sua necessidade clínica" e que os casos de câncer são priorizados para "garantir que recebam cirurgia e tratamento o mais rapidamente possível". E acrescentou: "No caso de Macpherson, isso teria sido organizado logo após ela ser considerada apta e concluir os exames pré-operatórios. No entanto, Macpherson acabou decidindo buscar tratamento de forma privada." Macpherson descreveu ter ficado em choque após o diagnóstico, com um "instinto de sobrevivência" entrando em ação. Ela passou por uma cirurgia no cérebro no fim de outubro, que conseguiu remover cerca de 80% do tumor. Uma biópsia confirmou então que ela tinha um oligodendroglioma de grau 2, um tumor cerebral raro, de crescimento rápido e incurável, mas ainda em estágio inicial. "Foi quase como se alguém tivesse me dado um cérebro novo. Foi muito estranho, nada fazia sentido, eu não me sentia eu mesma", disse Macpherson. Como o tumor estava localizado no córtex da fala do cérebro, Macpherson ficou semanas sem conseguir falar após a cirurgia e perdeu grande parte de suas funções cognitivas. A recuperação levou tempo, e houve dias em que ela teve náuseas e vertigem. "Eu subestimei o quão difícil seria o primeiro mês. Eu só queria começar a me sentir bem." O parceiro de Lauren, Zak, a pediu em casamento na praia favorita dela, em sua cidade natal, Swansea, apenas algumas semanas após o diagnóstico. Lauren Macpherson via BBC Querendo conversar com outras pessoas que passam pela mesma experiência, Macpherson criou uma página no Instagram para aumentar a conscientização e documentar sua jornada. "Você só quer falar com outras pessoas e ver como elas estão lidando com isso e como se sentem", disse. Foi por meio dessas conexões que ela descobriu o vorasidenibe, um tratamento menos agressivo usado em pacientes que não precisam de quimioterapia ou radioterapia imediatamente após a cirurgia. O medicamento foi aprovado pelas diretrizes do Scottish Medicines Consortium para uso no NHS da Escócia, mas isso ainda não acontece no País de Gales, Inglaterra e Irlanda do Norte, algo que Macpherson vem fazendo campanha para mudar. O governo galês afirmou que se baseia nas recomendações independentes do Instituto Nacional para Saúde e Cuidado de Excelência (NICE, na sigla em inglês) para garantir que o custo dos tratamentos oferecidos rotineiramente aos pacientes no País de Gales esteja "em equilíbrio com seus benefícios". "Embora as evidências de estudos indiquem que o medicamento pode retardar a progressão do câncer, não há provas claras de que ele ajude as pessoas a viver mais", afirmou um comunicado. O texto acrescenta que o NICE recomendou provisoriamente que o vorasidenibe não seja disponibilizado no NHS, mas que a orientação final deve ser publicada ainda este ano. Lauren diz que o diagnóstico tem sido incrivelmente difícil para sua família, que não consegue compreender como viver sem ela. Lauren Macpherson via BBC No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovou em agosto de 2025 o uso de vorasidenibe para uso e venda no Brasil, medicamento que foi desenvolvido como terapia para tratar pacientes com astrocitoma e oligodendroglioma (como o de Macpherson), dois tipos de tumor cerebral. Macpherson precisará fazer exames a cada três meses para monitorar o tumor e está passando por um tratamento de fertilidade antes de iniciar o uso do vorasidenibe, que receberá por meio de um doador privado. "A medicina está avançando em um ritmo que nunca vimos antes, a inteligência artificial está tomando conta de tudo, como sabemos, então tenho muita esperança nesse sentido." Mas ela admitiu que há "momentos com a família em que você desaba e mal consegue respirar". "Tudo isso tem sido difícil para mim… mas para a família, quase foi ainda mais difícil", disse Macpherson. "Acho que todo mundo sempre diz 'eu queria que fosse comigo, não com você', mas eu realmente via isso neles, constantemente a dor nos olhos, porque queriam que fosse com eles e não comigo." "Foi muito, muito difícil. Eu não desejaria isso a ninguém, ter que lidar com algo assim", concluiu. Os tumores cerebrais são a principal causa de morte por câncer entre pessoas com menos de 40 anos no País de Gales, segundo a organização Brain Tumour Research. A instituição afirma que a doença recebeu apenas 1% dos investimentos em pesquisa sobre câncer no Reino Unido desde 2002.

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Em vídeo, Netanyahu envia mensagem de ano novo persa a iranianos e fala de recomeço para o Irã: 'O bem triunfará sobre o mal'

Publicado em: 17/03/2026 10:50

Benjamin Netanyahu publica mais um vídeo após boatos de morte O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, divulgou nesta terça-feira (17) um novo vídeo em que deseja feliz ano novo persa a iranianos e fala de um recomeço para o país. 👉Amplamente celebrado no Irã, o ano novo persa, também conhecido como Norwuz, ocorre entre os dias 20 e 21 de março, marcando o início da primavera, e, na ocasião, iranianos costumam fazer festas e sair às ruas. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O premiê israelense aproveitou a proximidade da data e enviou uma mensagem direcionada a cidadãos iranianos, com quem seu governo tenta frequentemente dialogar. No vídeo, com legendas em persa, ele fala de "um novo começo" para o povo iraniano e diz que "o bem triunfará sobre o mal neste ano". "Ao bravo povo do Irã, desejo a vocês — como faço todos os anos — um feliz período de festas, começando com o festival das luzes. Ele simboliza a antiga crença do povo iraniano de que a luz triunfará sobre as trevas e o bem triunfará sobre o mal neste ano", diz Netanyahu. "Aproveito esta oportunidade para desejar a todos um feliz Nowruz — um ano de liberdade e novos começos. Desejo esperança a todos os meus queridos amigos". Prova de vida Na segunda-feira (16), Netanyahu publicou mais um vídeo em que "prova estar vivo", depois que outros dois foram acusados de terem sido feitos com ferramenta de inteligência artificial. No vídeo, Netanyahu aparece ao ar livre fazendo fotos e interagindo com outras pessoas. Na publicação, o primeiro-ministro conversa, brinca com um cachorro que está ali, faz um comentário elogioso a Jerusalém e alerta as pessoas que ali estão para que se protejam. "Às vezes também dá para sair um pouco, respirar um pouco de ar. Só que sempre, sempre é preciso ter um abrigo por perto", diz ele ao final do vídeo. Initial plugin text No entanto, internautas seguem dizendo tratar-se de inteligência artificial. Em outra publicação que foi acusada de usar IA, o primeiro-ministro apareceu em uma cafeteria rebatendo os mesmos boatos, que foram tratados como piada por ele e seus assessores. No vídeo, Netanyahu aparece pedindo um café enquanto conversa com a pessoa que está filmando. "Acho que estão dizendo na internet que você está morto", diz a pessoa não identificada para o primeiro-ministro. "Eu adoro café. Sabe de uma coisa? Eu adoro o meu povo, o comportamento deles é fantástico. Você quer contar o número de dedos?", responde Netanyahu à provocação. No mesmo vídeo, ele também alertou com relação à necessidade dos israelenses se protegerem durante bombardeios. Ele também mostra as duas mãos, com cinco dedos cada, a fim de afastar os boatos de sua morte. "Estamos fazendo coisas que não posso compartilhar no momento, mas estamos agindo, atingindo o Irã com muita força, inclusive hoje, e também continuando no Líbano", disse o primeiro-ministro. Nesta segunda, as Forças Armadas de Israel negaram que o país esteja ficando sem interceptores de mísseis. Em conversa com jornalistas, o porta-voz militar Nadav Shoshani disse que o Irã está disparando muito menos mísseis contra o território israelense do que em outros momentos nos últimos dois anos de guerras regionais, e que o país está preparado "para um combate prolongado". O tenente-coronel ainda acrescentou que não tem conhecimento de nenhum "problema urgente" com o estoque de interceptores, e que Israel está preparado para uma "ameaça maior". Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fala aos israelenses. Reprodução/X/@netanyahu

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Adolescentes processam empresa de Musk nos EUA por imagens sexualizadas geradas por chatbot

Publicado em: 17/03/2026 07:33

Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas Três adolescentes entraram nesta segunda-feira (17) com uma ação coletiva nos Estados Unidos contra a xAI, empresa de inteligência artificial (IA) de Elon Musk, após acusarem seu chatbot de gerar imagens pornográficas delas a partir de fotos reais, anunciaram suas advogadas. A ação está relacionada à proliferação, no fim do ano passado, de deepfakes de mulheres e crianças nuas. A publicação dessas imagens em redes sociais provocou uma onda de indignação mundial e levou a investigações em vários países e no estado americano da Califórnia. O processo cita o caso de uma pessoa, já detida, que usou o chatbot Grok para transformar fotos comuns das jovens, retiradas de redes sociais ou outras fontes, em imagens hiper-realistas sexualizadas. 'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok, IA de Musk As montagens circularam no X, Discord e Telegram, e depois migraram para a dark web como moeda de troca para outros conteúdos de pornografia infantil, diz a ação, movida em um tribunal federal de San José. "Ver a minha filha ter um ataque de pânico ao perceber que essas imagens haviam sido criadas e espalhadas sem nenhuma esperança de apagá-las foi horrível", descreveu em comunicado a mãe de uma das adolescentes, do estado do Tennessee. Uma das autoras da ação tem pesadelos recorrentes, e outra precisa de remédios para dormir e tem medo de comparecer à própria cerimônia de formatura. A xAI "projetou deliberadamente o Grok para produzir conteúdo sexualmente explícito com fins lucrativos", sem implementar as proteções usadas por outros grandes atores da IA contra a pornografia infantil, denunciaram as advogadas. Segundo um estudo do Center for Countering Digital Hate, o Grok gerou cerca de 3 milhões de imagens sexualizadas em 11 dias no fim de 2025, das quais 23.000 representavam menores de idade. Em resposta ao escândalo, a xAI restringiu em janeiro exclusivamente aos assinantes a geração de imagens pelo Grok. Grok, inteligência artificial criada por Elon Musk REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

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PDV: por que empresas oferecem dinheiro para funcionários saírem do trabalho

Publicado em: 17/03/2026 04:01

Carteira de trabalho Divulgação/Governo de São Paulo Receber uma indenização maior, manter benefícios por mais tempo e sair da empresa por escolha própria. Essa é a lógica dos programas de demissão voluntária (PDV), mecanismo cada vez mais usado por empresas que precisam reduzir equipes ou reorganizar suas operações. Nos últimos meses, organizações de diferentes setores voltaram a adotar com frequência esse tipo de estratégia. O Banco da Inglaterra, por exemplo, ofereceu pacotes de desligamento que chamou atenção no mundo todo: £ 150 mil (cerca de R$ 900 mil) para funcionários que aceitaram sair voluntariamente da instituição. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo reportagem da Bloomberg, cerca de 446 funcionários devem deixar o banco britânico e um em cada seis participantes do programa recebeu o valor máximo da indenização. O agência também informou que os pagamentos foram calculados com base no salário final e no tempo de serviço de cada funcionário — o equivalente a um décimo do salário anual multiplicado pelos anos trabalhados. Em média, os funcionários receberam cerca de £ 81 mil (R$ 560 mil), o que levou a um custo total estimado em £ 36 milhões (R$ 251 milhões). Os empregos que mais devem crescer em 2026, segundo o ranking do LinkedIn Gigantes da tecnologia também têm recorrido a estratégias semelhantes. No início de 2026, o Google passou a oferecer pacotes de saída voluntária para parte dos funcionários da sua organização global de negócios, conhecida como GBO, que reúne áreas como vendas, soluções e desenvolvimento corporativo. A iniciativa foi comunicada em um e-mail enviado pelo diretor de negócios da empresa, Philipp Schindler. O executivo afirmou que a companhia entra em 2026 “em posição forte”, mas que o cenário continua dinâmico e exige adaptação constante — especialmente diante da expansão da inteligência artificial. De acordo com o Business Insider, o programa foi direcionado apenas a determinadas funções nos Estados Unidos. Equipes que atuam diretamente no atendimento a clientes ficaram de fora da iniciativa para evitar impactos na relação com os consumidores. Esses exemplos ilustram uma estratégia cada vez mais comum no mundo corporativo: usar programas de demissão voluntária para ajustar o tamanho das equipes ou o perfil dos funcionários sem recorrer diretamente a cortes obrigatórios. 🔍 O programa de demissão voluntária é um mecanismo pelo qual a empresa oferece incentivos financeiros ou benefícios adicionais para que o próprio funcionário opte por encerrar o vínculo de trabalho. Na prática, ele funciona como uma alternativa às demissões obrigatórias. Segundo Daniel Consani, CEO do Grupo Top RH, esse tipo de programa costuma aparecer em momentos de transformação organizacional. “Normalmente ele surge em contextos de reestruturação, queda de receita, fusões ou mudanças estratégicas que exigem reorganização da força de trabalho”, afirma. Embora a redução de custos seja um fator importante, Consani explica que o PDV geralmente faz parte de mudanças mais amplas dentro das empresas. “Muitas organizações utilizam o programa para redesenhar estruturas, reduzir funções sobrepostas ou adaptar a equipe a novas prioridades estratégicas”, diz. Em setores que passam por mudanças tecnológicas rápidas, por exemplo, o mecanismo pode facilitar a transição para novos modelos de negócio. Ou seja, nem sempre o PDV é aberto a todos os funcionários. Em muitos casos, a empresa direciona o programa para áreas ou cargos específicos. Segundo Consani, isso acontece porque o instrumento normalmente está ligado a um reposicionamento estratégico da organização. “Empresas tendem a oferecer pacotes voluntários em departamentos que serão reduzidos, automatizados ou substituídos por novas competências.” O caso do Google ilustra essa lógica. A empresa direcionou o programa para determinadas funções dentro da sua organização global de negócios, enquanto manteve outras equipes fora da iniciativa. Segundo o Business Insider, cargos ligados diretamente ao atendimento de clientes não foram incluídos no programa justamente para evitar impactos na relação com os consumidores. Esse tipo de segmentação permite que a empresa ajuste sua estrutura sem comprometer áreas consideradas críticas para o futuro. No Brasil, a implementação desse tipo de iniciativa segue regras específicas. Para que o PDV seja oferecido, o plano deve estar previsto em acordo ou convenção coletiva firmados entre a empresa e o sindicato da categoria. O programa também precisa ser formalizado por escrito. Além disso, a adesão deve partir do próprio trabalhador — ou seja, cabe ao funcionário manifestar interesse em participar. Essa característica reforça o objetivo do mecanismo: transformar um momento delicado em uma negociação estruturada entre empresa e trabalhador. Demissão voluntária bate recorde no Brasil Vantagens e desvantagens Uma das principais vantagens do programa de demissão voluntária é reduzir o impacto social e organizacional das demissões. Quando o desligamento ocorre por adesão voluntária, o processo tende a gerar menos conflitos trabalhistas e menos desgaste na relação entre empresa e colaboradores. Outro benefício importante é a previsibilidade financeira. Ao oferecer incentivos previamente definidos, a empresa consegue estimar melhor o custo das saídas e planejar com mais clareza a reorganização das equipes. Além disso, programas desse tipo costumam reduzir o risco de disputas judiciais ligadas aos desligamentos. Para que isso funcione, porém, a forma como o processo é conduzido faz diferença. Segundo Consani, o papel do RH é fundamental para garantir que o programa seja transparente. “O colaborador precisa entender exatamente o que está sendo oferecido e não pode se sentir pressionado a aderir. Também é importante que exista suporte ao funcionário durante o processo.” Essa abordagem também ajuda a evitar interpretações equivocadas sobre a iniciativa. “Quando o processo é conduzido de forma humanizada, fica claro que não se trata de uma decisão em que apenas a empresa sai ganhando”, afirma. Apesar disso, programas de demissão voluntária também apresentam riscos. Um dos principais é a perda inesperada de profissionais estratégicos. Em muitos casos, trabalhadores mais qualificados ou com maior empregabilidade são justamente os que têm mais facilidade para aderir ao programa e encontrar novas oportunidades. “Existe o risco de saída de talentos importantes e de perda de conhecimento estratégico”, afirma Consani. Isso pode gerar impactos na continuidade operacional da empresa e dificultar a transferência de conhecimento entre equipes. Outro problema possível é a perda da chamada memória organizacional — o conjunto de experiências acumuladas pelos profissionais ao longo dos anos. Esse fator pode ser especialmente crítico em empresas com processos técnicos ou regulatórios complexos, explica Consani. Programas de demissão voluntária também podem influenciar o ambiente de trabalho. “Quando existe transparência e comunicação clara sobre os motivos da decisão, o efeito tende a ser mais controlado.” Por outro lado, quando o programa é percebido apenas como uma tentativa de reduzir custos, ele pode gerar insegurança entre os funcionários que permanecem na empresa. Isso acontece porque o PDV frequentemente sinaliza um período de mudanças e incertezas dentro da empresa. Quando o PDV pode não fazer sentido O programa também não é uma solução universal. Em empresas que enfrentam problemas estruturais de gestão ou produtividade, um PDV pode apenas reduzir custos no curto prazo sem resolver as causas reais da ineficiência. Em empresas que enfrentam problemas estruturais de gestão ou produtividade, um PDV pode apenas reduzir custos no curto prazo sem resolver as causas reais da ineficiência. Além disso, o instrumento pode ser inadequado em setores que já enfrentam escassez de mão de obra qualificada. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que áreas como tecnologia, engenharia e saúde convivem com déficit de profissionais. Nesses casos, estimular saídas voluntárias pode gerar mais dificuldade para repor talentos do que economia efetiva. O que avaliar antes de aceitar? Para os trabalhadores, a decisão de aderir a um programa de demissão voluntária exige análise cuidadosa. Segundo Consani, o ideal é avaliar o pacote com uma visão estratégica de carreira — e não apenas financeira. “Muitas pessoas olham primeiro para o valor da indenização. Mas é fundamental considerar quanto tempo pode levar para se recolocar no mercado.” Ainda de acordo com o CEO do Grupo Top, o trabalhador deve considerar fatores como plano de saúde, previdência complementar e estabilidade financeira da família. “Um pacote que parece vantajoso no curto prazo pode não ser suficiente se o profissional não tiver um plano claro de transição de carreira”, afirma. Por outro lado, há grupos que tendem a ser mais beneficiados por esse tipo de programa. Profissionais próximos da aposentadoria, por exemplo, costumam avaliar o programa como uma oportunidade de antecipar a saída do mercado de trabalho com segurança financeira. O pacote também pode ser interessante para trabalhadores que já planejavam mudar de carreira ou abrir um negócio próprio. Em muitos casos, profissionais utilizam os recursos da rescisão como capital inicial para iniciar um novo projeto profissional. Ainda assim, especialistas recomendam planejamento antes de tomar a decisão. Consani afirma que o erro mais comum é tomar a decisão de forma precipitada. Muitos se concentram apenas no valor imediato da indenização e deixam de avaliar fatores importantes, como planejamento financeiro, custo de vida e chances de recolocação. “Em momentos de transição profissional, decisões impulsivas podem gerar impactos duradouros na trajetória de carreira”, afirma Consani.

Netanyahu volta a postar ‘prova de vida’ após boatos de morte; entenda

Publicado em: 16/03/2026 15:05

Benjamin Netanyahu publica mais um vídeo após boatos de morte O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu publicou, nesta segunda-feira (16), em sua conta no X, mais um vídeo em que "prova estar vivo", depois que outros dois foram acusados de terem sido feitos com ferramenta de inteligência artificial. No vídeo, Netanyahu aparece ao ar livre fazendo fotos e interagindo com outras pessoas. Na publicação, o primeiro-ministro conversa, brinca com um cachorro que está ali, faz um comentário elogioso a Jerusalém e alerta as pessoas que ali estão para que se protejam. "Às vezes também dá para sair um pouco, respirar um pouco de ar. Só que sempre, sempre é preciso ter um abrigo por perto", diz ele ao final do vídeo. Initial plugin text No entanto, internautas seguem dizendo tratar-se de inteligência artificial. Em outra publicação que foi acusada de usar IA, o primeiro-ministro apareceu em uma cafeteria rebatendo os mesmos boatos, que foram tratados como piada por ele e seus assessores. No vídeo, Netanyahu aparece pedindo um café enquanto conversa com a pessoa que está filmando. "Acho que estão dizendo na internet que você está morto", diz a pessoa não identificada para o primeiro-ministro. "Eu adoro café. Sabe de uma coisa? Eu adoro o meu povo, o comportamento deles é fantástico. Você quer contar o número de dedos?", responde Netanyahu à provocação. No mesmo vídeo, ele também alertou com relação à necessidade dos israelenses se protegerem durante bombardeios. Ele também mostra as duas mãos, com cinco dedos cada, a fim de afastar os boatos de sua morte. "Estamos fazendo coisas que não posso compartilhar no momento, mas estamos agindo, atingindo o Irã com muita força, inclusive hoje, e também continuando no Líbano", disse o primeiro-ministro. Nesta segunda, as Forças Armadas de Israel negaram que o país esteja ficando sem interceptores de mísseis. Em conversa com jornalistas, o porta-voz militar Nadav Shoshani disse que o Irã está disparando muito menos mísseis contra o território israelense do que em outros momentos nos últimos dois anos de guerras regionais, e que o país está preparado "para um combate prolongado". O tenente-coronel ainda acrescentou que não tem conhecimento de nenhum "problema urgente" com o estoque de interceptores, e que Israel está preparado para uma "ameaça maior". Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fala aos israelenses. Reprodução/X/@netanyahu

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Empresas europeias pedem que UE aplique multa ao Google por favorecimento em busca

Publicado em: 16/03/2026 12:28

O novo mecanismo de busca do Google mostraria lista com sites proibidos e excluídos com um aviso dizendo que "alguns resultados podem ter sido removidos devido a exigências legais" Reuters Editoras, empresas de tecnologia e startups europeias pediram que os reguladores antitruste da União Europeia concluam uma investigação de quase dois anos sobre o Google, da Alphabet, por suposto favorecimento de seus próprios serviços em buscas online, além da imposição de uma multa à gigante de tecnologia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Em uma carta aos líderes da UE, o Conselho Europeu de Editores pediu que a investigação seja concluída na próxima semana. O conselho é formado por empresas e entidades como Axel Springer, News Corp, Condé Nast, Associação Europeia de Mídia de Revistas, Aliança Europeia de Tecnologia, EU Travel Tech, entre outras. Essa iniciativa evidencia as tensões dentro do bloco sobre o complexo equilíbrio da regulamentação das grandes empresas de tecnologia, com confrontos frequentes entre Washington e Bruxelas sobre regras que visam limitar o domínio das companhias norte-americanas nas mídias sociais, nas buscas online e na inteligência artificial. União Europeia multa Google em quase 3 bilhões de euro Credibilidade em jogo A investigação, iniciada pela Comissão Europeia em março de 2024 sob a Lei dos Mercados Digitais da União Europeia (DMA, na sigla em inglês), já dura quase dois anos. Os reguladores da UE afirmaram que pretendem concluir os casos da DMA em 12 meses. "A credibilidade da Comissão Europeia está em jogo", afirmaram os grupos que representam editoras, empresas de tecnologia e startups em uma carta conjunta enviada no domingo à presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, à chefe da área antitruste da UE, Teresa Ribera, e à chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen. "É importante que não se demonstre que a pressão contínua para diluir o DMA tenha tido sucesso", disseram os grupos. "A cada dia que passa, a rentabilidade das empresas europeias diminui ainda mais, prejudicando sua capacidade de investir e crescer, e muitas já enfrentam dificuldades financeiras ou mesmo falência devido à conduta da Alphabet." A Comissão Europeia confirmou o recebimento da carta. "A Comissão pretende concluir esta investigação complexa o mais rapidamente possível", disse um porta-voz. Concorrentes dizem que soluções são insuficientes O Google, que apresentou diversas propostas para apaziguar concorrentes e reguladores da UE desde que foi acusado, não respondeu aos repetidos pedidos de comentários. Seus concorrentes afirmam que as medidas são insuficientes. A empresa nega favorecer seus próprios serviços em buscas online. Os grupos -- que incluem a Iniciativa para a Busca Neutra, a Fundação Europa Inovadora e a Associação Alemã de Startups -- pediram que a Comissão, que atua como órgão de fiscalização da concorrência da UE, adote uma decisão formal de não conformidade contra a Alphabet, incluindo uma ordem de cessação e desistência, e imponha uma multa dissuasora.

Seguradoras passam a oferecer cobertura para erros de inteligência artificial

Publicado em: 16/03/2026 11:10

Seguradoras passam a oferecer cobertura para erros de inteligência artificial Divulgação: Pexels Apesar da crescente autonomia e capacidade da inteligência artificial, a tecnologia ainda está sujeita a erros. Por isso, segundo reportagem da agência France Press divulgada nesta segunda-feira (16), empresas do setor de seguros começaram a incorporar a IA em suas coberturas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça As seguradoras oferecem apólices específicas que cobrem erros como decisões equivocadas e as chamadas “alucinações” — quando a tecnologia apresenta informações falsas com alto grau de confiança. Tradicionalmente, seguros são desenhados para cobrir falhas humanas — não decisões tomadas por máquinas. Por isso, empresas que desenvolvem ou utilizam sistemas mais autônomos têm buscado coberturas adicionais. Segundo Phil Dawson, responsável por IA na empresa seguradora Armilla, a evolução dessas ferramentas desafia a lógica tradicional dos seguros. “A finalidade destas ferramentas avançadas de IA é prescindir da assistência e da supervisão humanas na tomada de decisões, o que questiona parte da lógica fundamental da cobertura de seguros existente”, afirmou. ChatGPT pode falhar em mais da metade das emergências médicas Seguradoras mudam postura Até recentemente, os riscos da IA eram muitas vezes cobertos de forma implícita em apólices tradicionais, em um modelo chamado de “cobertura silenciosa”. Startup busca pessoa disposta a provocar erros e testar os limites de sistemas de inteligência artificial. Freepik Segundo análise de Sonal Madhok e Anat Lior, publicada em 2025 pela corretora Willis Towers Watson, essa situação lembra os primeiros anos da criminalidade cibernética, quando os riscos ainda não eram claramente definidos. Nos últimos meses, o setor passou de uma postura cautelosa para uma abordagem mais ativa. De acordo com Jonathan Mitchell, da corretora Founder Shield, muitas apólices padrão passaram a incluir cláusulas de “exclusão absoluta da IA”, retirando esse tipo de risco da cobertura tradicional. Segundo o jornal Financial Times, seguradoras como a Chubb têm solicitado a reguladores dos Estados Unidos autorização para excluir formalmente responsabilidades ligadas à IA de seus contratos. Com isso, cresce a oferta de seguros específicos para IA. Um dos principais produtos é o seguro de erros e omissões (E&O), comum em serviços profissionais, mas agora adaptado para incluir falhas de inteligência artificial. Esse tipo de apólice pode cobrir situações como: decisões erradas tomadas por sistemas automatizados prejuízos financeiros causados por “alucinações” danos no mundo real, como compras excessivas feitas por um agente virtual Em um exemplo citado por Dawson, uma imobiliária buscou proteger seu agente de IA como se fosse um funcionário e acabou contratando uma apólice específica para a tecnologia. LEIA TAMBÉM: ‘Eu, aluno, declaro que usei IA’: veja o que universidades permitem e proíbem em trabalhos e pesquisas Avaliação de risco e exclusões Antes de conceder cobertura, seguradoras avaliam detalhadamente os sistemas de IA. A Armilla, por exemplo, realiza testes para identificar vulnerabilidades dos modelos e analisa a gestão de riscos da empresa, além da adesão a normas nacionais e internacionais. Mesmo assim, algumas áreas ficam de fora. A seguradora não cobre aplicações relacionadas a diagnósticos médicos ou saúde mental. Já a Munich Re exclui falhas decorrentes de condições excepcionais de mercado, como variações atípicas na avaliação de ativos financeiros ou obras de arte. Mercado em expansão Atualmente, os principais clientes desse tipo de seguro são empresas de tecnologia e companhias de setores como agricultura, indústria e energia — tanto desenvolvedoras quanto usuárias de IA. Para Michael von Gablenz, da Munich Re, o potencial do mercado é comparável ao da cibersegurança — ou até maior. Apesar dos avanços tecnológicos, ele ressalta que os riscos não devem desaparecer. “Seguem sendo modelos estatísticos”, afirmou. “Sempre apresentam uma parte de incerteza.” De acordo com a consultoria Deloitte, o mercado global de seguros para IA pode movimentar até US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 25 bilhões) até 2032. *Com informações da France Presse

ByteDance suspende lançamento de IA de vídeo após disputas de direitos autorais, diz The Information

Publicado em: 16/03/2026 11:06

Exemplo de vídeo gerado pelo Seedance 2.0. Divulgação/Seedance 2.0 A empresa chinesa ByteDance, criadora do TikTok, suspendeu o lançamento global de seu mais recente modelo de geração de vídeo, o Seedance 2.0, após uma série de disputas de direitos autorais com os principais estúdios de Hollywood e plataformas de streaming. A informação foi publicada pelo The Information no sábado (14), citando duas pessoas com conhecimento direto do assunto. A Reuters não pôde verificar imediatamente a informação. E a ByteDance não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça No mês passado, a empresa chinesa afirmou que tomaria medidas para evitar o uso não autorizado de propriedade intelectual no gerador de vídeos por IA Seedance 2.0, após ameaças de ação judicial de estúdios dos Estados Unidos, entre eles a The Walt Disney Company. Segundo a reportagem, a Disney enviou uma carta de cessação e desistência à ByteDance acusando a companhia de utilizar personagens de seu catálogo para treinar e alimentar o modelo sem autorização. A iniciativa ocorreu após vídeos gerados pela ferramenta se tornarem virais na China, incluindo um que mostraria os atores Tom Cruise e Brad Pitt em uma briga. A Disney também afirmou que o Seedance teria sido pré-carregado com uma biblioteca pirata de personagens protegidos por direitos autorais de franquias como Star Wars e Marvel, apresentados como se fossem imagens de domínio público. Apresentado oficialmente em fevereiro, o modelo foi descrito pela ByteDance como uma ferramenta voltada ao uso profissional em áreas como cinema, comércio eletrônico e publicidade. A empresa destacou que o sistema é capaz de processar texto, imagens, áudio e vídeo simultaneamente, com o objetivo de reduzir os custos de produção de conteúdo. O Seedance 2.0 ganhou destaque após ser comparado à tecnologia desenvolvida pela DeepSeek, conhecida por criar modelos de inteligência artificial que rivalizam com os da Anthropic e da OpenAI. Executivos do setor de tecnologia, incluindo Elon Musk, elogiaram a capacidade da ferramenta de gerar histórias cinematográficas a partir de poucas instruções. A ByteDance planejava disponibilizar o novo modelo de vídeo para clientes em todo o mundo em meados de março, mas decidiu suspender os planos após as disputas envolvendo direitos autorais, segundo o The Information. De acordo com a publicação, a equipe jurídica da empresa trabalha para identificar e resolver possíveis problemas legais, enquanto engenheiros desenvolvem mecanismos de proteção para evitar que o sistema gere conteúdos que possam resultar em novas violações de propriedade intelectual. TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Seedance 2.0 sss

‘Eu, aluno, declaro que usei IA’: veja o que universidades permitem e proíbem em trabalhos e pesquisas

Publicado em: 16/03/2026 04:01

Unesp publicou manual com regras sobre o uso de IA Arquivo Pessoal Não adianta fingir que a inteligência artificial não existe, concluíram reitores e professores do ensino superior. Eles perceberam que qualquer tentativa de proibir 100% o uso de ferramentas como ChatGPT e Gemini pelos alunos seria em vão. Mas como garantir que esse tipo de tecnologia não vá prejudicar a formação dos jovens nem distorcer os resultados de avaliações? 📈Contexto: O Conselho Nacional de Educação (CNE) está discutindo um parecer que criará diretrizes nacionais para o emprego da IA na educação pública e privada, abrangendo todas as etapas de ensino. Até a última atualização desta reportagem, nesta segunda-feira (16), o texto ainda estava em aberto, aguardando as últimas recomendações do Ministério da Educação (MEC). Nos próximos dias, deve ser votado pelos conselheiros e encaminhado para consulta pública. Enquanto essa resolução não é finalizada, universidades públicas brasileiras optaram por elaborar e publicar seus próprios “manuais” com regras e recomendações sobre o uso de inteligência artificial no contexto acadêmico. Na última semana, por exemplo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou um guia para os alunos e os docentes da graduação, classificando as práticas em três categorias: ✅❌PODE Traduzir textos, parafrasear parágrafos, elaborar resumos e obter explicações adicionais; Revisar textos produzidos (gramática e ortografia); Criar esboços, roteiros, cronogramas e mapas mentais; Gerar imagens, vídeos e animações, compor músicas, criar apresentações e desenvolver jogos educativos; Traduzir textos para fins de pesquisa, desde que a tradução seja cuidadosamente revisada e validada. ❌NÃO PODE Submeter trabalhos gerados por IA como se fossem produções originais sem declaração explícita; Praticar plágio, deixando de citar adequadamente obras que a IA pode ter incluído nos resultados; Utilizar IA em provas, testes e avaliações sem autorização expressa do docente; Compartilhar informações confidenciais ou protegidas por direitos autorais; Produzir desinformação (deepfakes) ou simular resultados experimentais sem explicitar o uso da ferramenta. 😑DEPENDE: Gerar partes específicas de trabalhos (a permissão varia de acordo com a disciplina e as diretrizes do professor); Fazer tarefas em grupo (as diretrizes devem ser explicadas pelo docente e combinadas com transparência entre todos os integrantes da equipe). “Em um trabalho de conclusão de curso, o que nós esperamos é que o aluno não utilize de forma integral a inteligência artificial para a construção do seu texto. Ela não pode fazer a pesquisa por ele ou escrever por ele, mas pode corrigir erros gramaticais ou ajudar a encontrar referências”, explica Denis Salvadeo, professor da Unesp e um dos autores do guia. Em dezembro de 2025, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou um documento com regras específicas para a pós-graduação. “A comunidade, tanto alunos quanto professores, não tinha uma orientação do que poderia ser feito. Até onde poderia usar IA em um trabalho ou uma pesquisa?”, afirma Luiz Leduíno de Salles Neto, docente do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Federal de São Paulo (ICT/Unifesp). “Agora, nossas diretrizes estabelecem que deve haver transparência: o autor deve indicar onde ele usou inteligência artificial. E aí, vai caber aos pares [outros pesquisadores da área], aos avaliadores e aos professores analisarem se o uso é adequado ou não.” Tudo documentado e combinado com o professor UFBA lançou guia com orientações sobre uso de IA por alunos e professores Reprodução Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o chamado “Guia para Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial Generativa” destaca a importância de o professor de cada disciplina estipular o que é permitido em determinada atividade. O docente pode exigir, por exemplo, que o estudante descreva: a ferramenta de IA utilizada em um trabalho; o prompt (comando) enviado e a resposta obtida. “Se você simplesmente dá um comando, recebe um texto de volta e entrega esse texto, as habilidades de raciocínio, de acúmulo, de ligação de ideias e de síntese não são desenvolvidas. Foi só a máquina. Você entrega a atividade, mas não desenvolve a aprendizagem”, diz Adriano Peixoto, professor e membro da comissão de IA da UFBA. “Para a universidade, o que a gente quer é justamente que o aluno aprenda, que ele desenvolva um senso crítico. Por isso, é importante exigir que ele explique por que usou a IA, qual foi o padrão de interação e qual a interpretação feita sobre a resposta.” Na resolução sobre IA na pesquisa e na pós-graduação, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também deixa claro: “É obrigatória a inclusão de uma declaração explícita sobre o uso de IAG [inteligência artificial generativa] em todos os documentos finais submetidos à avaliação na Unifesp ou encaminhados para publicação.” IA como assistente, não como ‘titular’ Em geral, o objetivo central das universidades é reforçar que a IA deve servir como uma “assistente”, sem jamais dispensar a supervisão humana. “A tecnologia deve ser usada para apoiar, complementar e potencializar as capacidades humanas, e não para substituí-las indiscriminadamente”, afirma o guia da Unifesp. Márcia Azevedo Coelho, pesquisadora de IA na Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a principal preocupação com o uso indiscriminado dessas ferramentas é aceitar as respostas sem nenhum senso crítico, mas se fossem necessariamente imparciais. “As universidades precisam preparar os alunos e os professores para que eles entendam como cada sistema funciona e quais as estruturas culturais por trás deles. Não são máquinas neutras; elas têm determinada visão de mundo”, diz. “E estar no ensino superior é querer contribuir para alguma área. Se quero contribuir, preciso estar ali como pessoa, refletindo sobre determinado assunto, colocando minha marca, fazendo minhas conexões. O ChatGPT não dá conta disso”, diz. Como descobrir? Punir ou não punir? A Universidade Federal do Ceará (UFC), em portaria publicada em setembro de 2025, segue a mesma linha das demais citadas nesta reportagem: proíbe, por exemplo, que a IA sirva para “redigir seções substantivas do trabalho [de pesquisa] (métodos inéditos, testagens, resultados, discussão e conclusões)” ou “inserir referências não verificadas”. Um dos artigos estipula que os trabalhos de pós-graduação devem ser submetidos a sistemas como o Turnitin, criado para detectar o uso de IA em um texto. Mas, segundo especialistas ouvidos pelo g1, esse tipo de ferramenta não é 100% confiável. “Não existem recursos que garantam que a pessoa usou IA. Eles costumam dar 'falso positivo'. O ideal é que haja um protocolo de transparência entre professores e alunos, seguindo preceitos éticos”, afirma Tadeu da Ponte, pesquisador e especialista em inteligência artificial aplicada. Os únicos casos em que seria mais simples, por esses softwares, provar que a IA foi usada de maneira indevida são: plágio tradicional, quando há cópia quase integral de um texto, sem a devida menção aos autores; uso de referências falsas — o ChatGPT pode, por exemplo, “inventar” fontes e mencionar obras ou artigos científicos que sequer existem. “Sempre deve haver uma revisão humana”, diz Ponte. Não basta criar regras Tadeu da Ponte reforça que só guias ou manuais não bastarão: podem apontar diretrizes, mas devem ser acompanhados de uma mudança na cultura acadêmica. “A mentalidade precisa ser outra. Não dá mais para pensar que um aluno usa IA porque é preguiçoso. As ferramentas podem ser um recurso poderoso para o estudante e para os professores”, diz. “Não faria sentido pedir para alguém ir de São Paulo até Sorocaba, no interior, usando um mapa impresso, se temos hoje o Waze. É preciso mais do que proibir um recurso que já existe: é momento de pensar em como ele deve ser empregado de forma adequada para a aprendizagem.” É aí que entra a importância do letramento digital em IA, como explica a professora Márcia, da USP. “Precisamos ensinar não só os alunos, mas também os professores, a como usar essas ferramentas. Não faz mais sentido aplicar determinadas avaliações”, afirma. “Se for uma prova individual, tem de ser presencial, na sala de aula. Se for um seminário, mesmo que o aluno use IA para pesquisar, podemos exigir que ele apresente o que aprendeu para a sala ou associe algo a seu cotidiano. São formas de garantir o desenvolvimento de certas competências.” Tadeu da Ponte dá mais uma sugestão para a IA no ensino superior: exercícios de simulação de práticas profissionais. Em um curso de jornalismo, poderia haver um exercício de simulação de entrevista, em que o bot (“robô”) representaria um especialista. O aluno enviaria uma pergunta por vez a esse “entrevistado” e reagiria às respostas, como em um diálogo escrito. O professor da faculdade, nessa atividade, avaliaria justamente a conversa entre o estudante e a IA. “Seria uma forma de avaliar um número maior de alunos e conseguir dar devolutivas mais detalhadas. Simulações assim podem ser mais interessantes do que um formato antigo de prova”, diz. Pedagoga explica sobre o uso de inteligência artificial nas escolas

Banco abre vagas para assessores de investimentos no Maranhão; veja quem pode se inscrever

Publicado em: 15/03/2026 18:22

Banco abre vagas para assessores de investimentos no Maranhão. Freepik (Imagem ilustrativa). O Santander abriu processo seletivo para contratar assessores de investimentos no Maranhão. As vagas são para atuação no estado, em regime CLT, com contratação imediata, dentro da plataforma Santander AAA — área de investimentos do banco. Segundo o banco, os candidatos devem ter perfil empreendedor e capacidade para construir e manter relacionamentos comerciais, sempre com foco no atendimento ao cliente. As inscrições devem ser feitas online. Profissionais com experiência no mercado podem se candidatar pelo link: 👉 https://santander.wd3.myworkdayjobs.com/SantanderCareers/job/Evergreen/Banco-de-Talentos---Assessor-de-Invest-High_Req1539241 Já quem deseja ingressar no segmento de investimentos pode se inscrever em: 👉 https://santander.wd3.myworkdayjobs.com/pt-BR/SantanderCareers/job/Evergreen/Banco-de-Talentos---Assessor-de-Invest-One_Req1539104 De acordo com Janaína de Paula, head do Santander AAA no Maranhão, o novo ciclo de contratações responde ao aumento da demanda no estado. “Desde que implementamos nosso escritório regional de investimentos no Maranhão, observamos um crescimento nos negócios na região”, afirmou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Requisitos e modelo de trabalho Para concorrer às vagas, é obrigatório possuir a certificação CPA-20. A certificação CEA deve ser obtida em até 90 dias após a contratação, e a CFP é considerada um diferencial. O banco destaca que oferece um modelo de trabalho inovador, que inclui carteira de clientes, remuneração meritocrática baseada no desempenho individual e oportunidades de crescimento em uma instituição internacional. Criado há três anos, o projeto AAA conta atualmente com 1,8 mil assessores em todo o país e está presente em mais de 200 cidades. Assistente de inteligência artificial O Santander informou ainda que implementou, neste ano, um assistente de inteligência artificial para apoiar o trabalho dos assessores de investimentos. A ferramenta permite cruzar dados dos clientes com indicadores econômicos, recomendações de carteiras e produtos, além de sugerir mensagens para comunicação mais ágil e personalizada. Apesar do uso da tecnologia, o banco afirma que a atuação humana continua essencial, garantindo a verificação das informações e a qualidade do atendimento prestado ao cliente.

Oscar 2026: animador vê bom momento para artistas brasileiros em Hollywood

Publicado em: 15/03/2026 07:01

O mineiro Romualdo Amaral nos bastidores de grandes estreias em Los Angles Arquivo Pessoal/Romualdo Amaral O Oscar 2026 pode marcar um momento histórico para o cinema brasileiro, e um artista de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, acompanha essa fase de perto, diretamente de Hollywood. O animador Romualdo Amaral está confiante porque, além do 'molho' do ator baiano Wagner Moura em “O Agente Secreto” conquistar cada vez mais o público e a crítica, essa vibração também reverbera no trabalho da comunidade artística brasileira presente no coração da indústria do cinema mundial. Mineiro de Uberlândia, indicado ao Oscar 2025 com 'Wicked', na categoria de efeitos visuais, neste ano, para surpresa de muitos, a Academia deixou 'Wicked 2' fora da premiação. "Acho que não fizeram uma boa campanha como no primeiro 'Wicked'. Mas ver o Brasil com cinco indicações no Oscar já me faz feliz. É um bom momento para artistas brasileiros em Hollywood", disse o animador, que passou as férias na cidade natal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Além das quatro categorias de 'O Agente Secreto' (Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Ator e Melhor Filme em Língua Não Inglesa) o Brasil chegou a cinco indicações, seu recorde, com a categoria Melhor Fotografia, com a indicação de Adolpho Veloso pelo filme "Sonhos de Trem" (EUA). Romualdo tem certeza de que as conquistas do Brasil com 'Ainda Estou Aqui' e 'O Agente Secreto' reverberam positivamente para os profissionais brasileiros em busca de um espaço principalmente na indústria cinematográfica de Hollywood. "É como se os olhos do mundo se voltassem para o Brasil. Esses dias um profissional de Los Angeles me procurou para pedir dicas de como fazer networking com empresas brasileiras". Reconhecimento Entre janeiro e fevereiro acontecem as premiações mais importantes do cinema mundial. Acompanhadas por milhões de pessoas pela TV ou pela internet, essas cerimônias têm no momento dos discursos dos premiados um dos pontos altos. "Qualquer pessoa que vê a ficha técnica de um filme sabe que é muita gente envolvida naquela obra. Algumas produções se arrastam por anos e, por aqui, já perceberam que nós, brasileiros, conhecemos os caminhos mais difíceis, principalmente no mundo da arte e somos esforçados, não temos medo do trabalho", disse Romualdo. Esse é um dos principais pontos ao qual ele atribui essa valorização essa valorização ao profissional brasileiro.Ainda neste ano, seu trabalho poderá ser visto na Netflix em '72 Horas'. E tem outras produções já acertadas, mas mantém guardados a sete chaves... coisas do show business. Resenha brasileira O diretor Walter Salles e o mineiro Romualdo Amaral em evento de "Ainda Estou Aqui', em 2025 Arquivo Pessoal/Romualdo Amaral Depois de algumas semanas de férias no Brasil, Romualdo Amaral voltou para os Estados Unidos, afinal, ele afirma que os eventos pré-Oscar são uma ótima oportunidade para criar novas conexões e consequentemente, atrair novos projetos. Mas o after, ele espera que seja de comemoração. "Os brasileiros que trabalham nessa área em Los Angeles são unidos. Estaremos juntos assistindo e torcendo por Kleber Mendonça Filho, pelo Wagner Moura e pelo filme 'O Agente Secreto'. Tenho muito orgulho de pertencer a esta comunidade e participar de mais um momento histórico para a sétima arte brasileira". Bastidores "Uma das coisas mais legais dos bastidores dessas produções é que a gente trabalha tanto tempo junto que acaba construindo uma família. O diretor, maquiadores, atores, os carregadores, animadores e designers, entre tantos outros. O recado que fica desses laços é que o trabalho de cada um, por mais simples que seja, importa", conta Romualdo Amaral. O brasileiro recorda o impacto na indústria do entretenimento com a greve dos roteiristas em 2023. Foram quase 5 meses até que retornaram ao trabalho e a roda voltasse a girar. "O fator humano ainda tem muito peso, por mais que a gente precise da Inteligência Artificial, sabemos que não podemos ser usados por ela. Por isso os estúdios estão preocupados com capacitação para lidar com essas ferramentas, ao mesmo tempo que temos diretores que juram que jamais usarão tal recurso", comentou Romualdo. Quem é Romualdo Amaral? Romualdo Amaral é mineiro, 36 anos, nascido em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Um sonhador? Sim, mas principalmente, um batalhador. O menino que cresceu no bairro Pacaembu, estava sempre com a família e os amigos, já demonstrava um interesse pelas artes, principalmente pelo cinema. Mas ele acabou cursando Ciências da Computação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mesmo nesse meio, seus projetos já eram relacionados à sétima arte. Trabalhou na área de Tecnologia da Informação após concluir a faculdade, em 2012. Foram quatro anos até ele decidir dar o primeiro passo em direção ao sonho. Em 2016 Romualdo partiu com a cara, a coragem e o talento para um mestrado nos Estados Unidos. Escolheu a Academy Of Art University, em São Francisco, na Califórnia. E o caminho não foi fácil. "Economizei o que pude, tive um suporte dos meus pais porque nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, as melhores universidades são pagas. A gente precisa ter um planejamento financeiro até que seja possível começar a trabalhar, o que eu consegui a partir do segundo ano do mestrado. Estudava meio período e no outro trabalhava". O ambiente acadêmico é valioso para o ramo escolhido por Romualdo. "A universidade era do lado de Emeryville, onde fica a Pixar e muitos animadores egressos voltam pra lá como professores. Ou seja, é um ótimo lugar para se investir em novos artistas. As feiras que acontecem ao longo do ano também são ótimas oportunidades para ser recrutado por alguma empresa". Principais creditações 2026 72 Horas Pânico 7 2025 Wicked: One Wonderful Night Wicked: Parte II Tron: Ares Jogo Sujo Springsteen: Salve-me do Desconhecido Anônimo 2 A Última Missão Um Maluco no Golfe 2 Thunderbolts* Capitão América: Admirável Mundo Novo 2024 Wicked The Killer Borderlands: O Destino do Universo Está em Jogo Harold e o Lápis Mágico Foi marcante para o artista mineiro o convite da gigante Marvel para integrar a equipe de "Falcão e o Soldado Invernal" (2021) ainda morando em Uberlândia. Em 2022, participou de duas animações de destaque, 'Tico e Teco: Defensores da Lei' e 'Lilo Crocodilo'. Um trabalho chamava o outro e em 2024, Romualdo Amaral integrou o time de 'Harold e o Lápis Mágico' e foi um momento especial por trabalhar direto com uma grande referência para ele, o brasileiro Carlos Saldanha. "Carlos Saldanha é mais um nome que enche o Brasil de orgulho", comentou o animador. Se compararmos os grandes projetos nos quais marcou presença de 2024 para 2025, dobraram. A maior parte desses trabalhos é pela empresa Opsis, onde ingressou em 2021. Romualdo reconhece que a indicação ao Oscar 2025 na categoria de efeitos visuais por 'Wicked' foi um divisor de águas. "Reforçou ainda mais a relação de confiança que eu já tinha na Opsis e me permitiu abraçar mais projetos presenciais, ou remotamente. Afinal, a pandemia acelerou esse processo que permite que eu trabalhe de qualquer lugar do mundo", explicou Romualdo. Estreia na direção Morando em Los Angeles, a rotina de Romualdo Amaral é pulsante. Na profissão que escolheu é preciso estar atento ao que o mercado pede, às tecnologias, às inovações e é sempre bom ter um sonho a mais. E ele segue agora trabalhando para ser reconhecido também como diretor de cinema. O primeiro passo já foi dado, em 2024 ele finalizou o curso de Direção de Cinema na University of California (UCLA). Em breve, lançará seu primeiro live action. 'Small As A Pea', ainda sem título em português, é um filme para a família. Um pequeno explorador levará os espectadores para grandes aventuras, mas primeiro, estará no circuito de festivais. Veja o cartaz abaixo. 'Small As A Pea', primeiro live action de Romualdo Amaral, será lançado em breve Divulgação Romualdo, como um bom mineiro, não tem pressa. Segue interagindo nos grupos de grandes artistas e não se deixa deslumbrar. Apesar de trabalhar com grandes ídolos, entende sua posição e o lado fã dá lugar ao lado profissional. O artista visual agora quer conquistar seu espaço como diretor e parte dessa história será contada em um livro que será publicado pela editora Ffyve em junho. "Descobri como diretor, roteirista e contador de histórias o poder da escrita, e vou explorar mais isso." Assista também: Animador mineiro recebe indicação ao Oscar com 'Wicked' Animador mineiro recebe indicação ao Oscar com 'Wicked' VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas o

O que chamamos de evidência científica?

Publicado em: 15/03/2026 05:01

Polilaminina: por que o estudo não foi publicado por revistas científicas Em tempos de desinformação viral e certezas instantâneas, poucas expressões são usadas com tanta autoridade e, muitas vezes, com tão pouca precisão como “evidência científica”. Ela é invocada em debates políticos, campanhas de saúde pública, discussões familiares e até em propagandas comerciais, como se fosse um selo de verdade absoluta. Mas o que realmente significa esse conceito, que parece tão evidente e, ao mesmo tempo, tão evasivo? À primeira vista, poderíamos dizer que evidência científica é aquilo que “demonstra” algo com base na ciência. Mas basta examiná-la para descobrir que não é um objeto estável, mas um processo complexo, cheio de nuances, incertezas e revisões constantes. Longe de ser um bloco monolítico, a evidência científica é construída, questionada e, às vezes, se contradiz. Compreender sua natureza é fundamental para navegar em debates sobre temas tão diversos como vacinas, inteligência artificial, mudanças climáticas ou nutrição. Quem pode gerar evidências científicas? Existe a crença de que a ciência é um território exclusivo dos profissionais de laboratório. Mas, em essência, a ciência não é um título; é um método. Se uma pessoa formula uma pergunta clara, levanta uma hipótese, coleta dados com rigor, controla vieses e expõe suas conclusões ao escrutínio público, ela está usando o método científico e, portanto, está fazendo ciência. O que determina a validade de um resultado não é quem o produz, mas como os dados são gerados e avaliados. Mesmo assim, a ciência moderna tornou-se tão técnica que alguns experimentos requerem equipamentos, financiamento ou conhecimentos especializados. Essa barreira é prática, não filosófica. Freepik Quanta evidência é suficiente? Uma das ideias mais importantes e mais difíceis de comunicar é que nem toda evidência tem o mesmo peso. Nenhum estudo isolado, por mais sólido que seja, pode carregar sozinho o peso da verdade. A evidência é acumulada e avaliada como um gradiente. A hierarquia clássica da evidência científica — ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais, séries e relatos de casos etc — é um guia útil, mas imperfeito. Na vida real, a “melhor evidência disponível” depende da pergunta, do contexto e da viabilidade dos estudos. Por exemplo, não seria ético randomizar pessoas para fumar ou não fumar para estudar a relação do tabagismo com o câncer de pulmão. Por isso, estudos observacionais cuidadosamente elaborados tornaram-se a forma mais robusta de evidência possível para esse tipo de problema. Além disso, a reprodutibilidade é fundamental. Um resultado isolado pode ser interessante; um resultado reproduzido por diferentes equipes, em diferentes locais e com diferentes métodos torna-se convincente. Quando as evidências se contradizem As contradições entre estudos podem parecer desconcertantes para o público, mas são uma parte essencial do avanço científico. Diferentes grupos podem estudar populações distintas, usar métodos com níveis variáveis de precisão ou analisar os dados com suposições estatísticas divergentes. Às vezes, o que parece contradição é simplesmente evidência incompleta. Se cinco pequenos estudos sugerem um efeito e um grande ensaio clínico o contradiz, o peso da evidência recai sobre o estudo mais rigoroso, não sobre a soma aritmética das publicações. Há um protocolo único para produzir evidências? Embora costumemos falar do “método científico” como se fosse uma receita única, a realidade é muito mais diversificada. A biologia, a física, a sociologia, a medicina ou a astronomia utilizam abordagens metodológicas distintas, adaptadas aos seus objetos de estudo. Em temas de medicina e saúde, os ensaios clínicos randomizados são a ferramenta mais robusta para avaliar intervenções. Em contrapartida, o estudo do clima depende de modelos matemáticos de enorme complexidade. Nas ciências sociais, os métodos qualitativos (entrevistas, etnografias, análise de discurso) geram evidências distintas, mas complementares às quantitativas. O que todas essas abordagens têm em comum é a transparência: descrever o que foi feito, como foi feito, com quais dados, sob quais premissas e com quais limitações. A evidência científica é legitimada, em grande medida, por sua capacidade de ser revisada, testada e replicada. Provisória por natureza Mas talvez a característica mais fascinante da evidência científica seja seu caráter provisório. Uma afirmação científica é forte não porque é eterna, mas porque está sujeita a revisão quando surgirem dados ou métodos melhores. Essa flexibilidade, às vezes percebida como fraqueza, é, na verdade, um dos pilares da ciência moderna. Aceitar a incerteza não significa renunciar à ação. Significa agir com as melhores evidências disponíveis, enquanto se continua investigando. Na saúde pública, durante pandemias ou diante de avanços tecnológicos disruptivos, as evidências são necessariamente imperfeitas e evoluem rapidamente. Compreender isso ajuda a evitar frustrações, teorias da conspiração e falsas dicotomias. A chave: as evidências como ponto de partida A evidência científica, portanto, não é um veredicto final, mas um processo contínuo, coletivo e aperfeiçoável. Sua força reside em sua capacidade de se autocorrigir, reconhecer suas limitações e melhorar com o tempo. Em um mundo saturado de dados, opiniões e pseudocertezas, compreender sua natureza dinâmica é essencial. A evidência científica não encerra debates: ela os abre. É, mais do que uma resposta, um convite permanente para continuar questionando. Luis Felipe Reyes não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

Palavras-chave: inteligência artificial

Anúncios falsos com inteligência artificial se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes

Publicado em: 14/03/2026 21:26

Anúncios fraudulentos circulam nas redes sociais Anúncios falsos se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes. As empresas que controlam as plataformas afirmam que tentam conter as fraudes, mas os conteúdos enganosos continuam circulando. Os golpes on-line estão cada vez mais sofisticados. Bandidos usam a inteligência artificial para criar anúncios prometendo, por exemplo, facilidades inexistentes para acesso a serviços públicos; e para criar vídeos também falsos com imagem e voz de pessoas conhecidas, com credibilidade. O médico Drauzio Varella diz que tem a imagem usada em fraudes na internet há pelo menos dez anos e que, agora, o uso da IA tornou esses golpes ainda mais perigosos: “Mesmo pessoas que me conhecem falam: 'não, era você falando, eu vi você falando'. Eu digo: não era, é falsa a propaganda. E desde que isso começou, a gente tentou entrar em contato com eles, explicar que isso era propaganda falsa. Eles simplesmente ignoram. Por que eles ignoram? Eles ganham dinheiro para fazer isso”. Marie Santini, especialista em manipulação e desinformação em redes sociais, afirma que todos nós estamos cada vez mais vulneráveis: “A gente não pode transferir para o consumidor e para o usuário a responsabilidade de se proteger das fraudes e golpes. A gente não pode pedir para que as pessoas passem a ser especialistas em identificação de inteligência artificial, ou checadores de informação, ou até médicos. E, por isso, a gente precisa de uma solução coletiva que passa pela regulamentação, passa pela fiscalização e passa pelo desincentivo econômico e em última instância na punição”, afirma. A última edição do Anuário de Segurança Pública revela que houve uma forte migração do crime do ambiente real para o virtual. Em um período de seis anos, o índice de roubos de todo tipo teve queda de 51% no país, enquanto os crimes na internet aumentaram 408%. Para um anúncio ser impulsionado e atingir um grande número de usuários na rede social, e-mail ou aplicativo de bate-papo, o contratante paga à big tech - geralmente com cartão de crédito. Ele precisa fazer um cadastro com apresentação de CPF ou CNPJ, no caso de empresa. O anúncio é então direcionado para o usuário com base em seus interesses, faixa etária, sexo: informações que as empresas de tecnologia têm. “Essas empresas de tecnologia não têm feito o suficiente para evitar golpes e fraudes na rede, principalmente em relação aos anúncios, à publicidade, que é um serviço que elas vendem. Se uma empresa não tem condições de verificar o cadastro e os dados bancários de seus clientes, ela não pode nem operar, porque não garante segurança nem para o sistema financeiro nem para os próprios consumidores”, diz Marie Santini. Quem tem a responsabilidade de proteger o usuário nas redes? Especialistas afirmam que esses golpes se tornaram um problema não só de segurança, mas também de saúde pública. As big techs, as grandes empresas de tecnologia que controlam as redes sociais, dizem que têm criado e tomado medidas para evitar a publicação e derrubar os anúncios fraudulentos. Uma reportagem da agência de notícias Reuters, com base em documentos da Meta - dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp - diz que a companhia estima que 10% de sua receita em 2024 vieram de anúncios fraudulentos: US$ 16 bilhões. No Brasil, a Meta informa que o combate a fraudes e golpes on-line é uma prioridade; que está utilizando tecnologia de reconhecimento facial e detecção, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas; que em 2025 removeu 159 milhões de anúncios fraudulentos, 92% deles antes de serem denunciados; e que está acionando a Justiça contra anunciantes que usam imagens de figuras públicas indevidamente. O Google diz que proíbe anúncios com representações fraudulentas e comércio de substâncias não aprovadas; que em 2024, 201 milhões de anúncios foram removidos e 1,3 milhão de contas de anunciantes suspensas; e que oferece uma ferramenta para que usuários denunciem possíveis violações. A assessoria do X nos Estados Unidos afirmou que proíbe globalmente a promoção de conteúdos fraudulentos, incluindo anúncios. Também por nota, o TikTok declarou que não permite anúncios ou conteúdos manipulados, incluindo os gerados por inteligência artificial; e que os conteúdos que violavam as diretrizes da empresa foram removidos. Só em 2025, a Advocacia-Geral da União abriu mais de 150 processos pedindo a retirada de anúncios fraudulentos da internet. Em quase 90% dos casos conseguiu, mas reconhece que isso ainda é muito pouco diante da gravidade do problema. “Hoje, a AGU tem uma equipe dedicada a isso. A gente poderia ter pessoas dedicadas a outras políticas públicas se não tivesse que ficar buscando informação errada na internet que leva a prejuízos financeiros aos contribuintes”, diz Flávio José Roman. “Elas são capazes de diariamente retirar da plataforma conteúdo de pornografia, de mutilação, conteúdos muito tóxicos e pesados, e elas retiram realmente. Então, se elas têm condições de retirar esse tipo de conteúdo, elas têm condições de tirar qualquer tipo de conteúdo que esteja prejudicando a sociedade, o consumidor e o usuário que está ali dentro”, afirma Marie Santini. Anúncios falsos se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM Meta faturou US$ 16 bilhões com anúncios de golpes e produtos ilegais em 2024, diz agência Meta anuncia processos contra deepfakes no Brasil e na China

'Corte uma cabeça e outras crescerão': por que regime iraniano segue difícil de derrubar

Publicado em: 14/03/2026 20:09

Especialistas afirmam que estrutura de poder do Irã garante longevidade do regime. Getty Images via BBC Mais de quarenta anos após a Revolução de 1979, a República Islâmica do Irã enfrenta a crise mais grave de sua história. Ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel mataram o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, e outros altos comandantes militares, além de danificar infraestrutura essencial. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Washington e Tel Aviv deixaram claro que desejam uma mudança de regime, incentivando os iranianos a derrubar seu governo. Ainda assim, especialistas afirmam que o Irã construiu deliberadamente uma estrutura de poder robusta e duradoura, difícil de ser desmantelada. O que explica essa resiliência — e por que ela difere da de outros países do Oriente Médio? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 'Hidra iraniana' Quem detém o poder no Irã BBC Desde a derrubada da monarquia iraniana, a República Islâmica construiu gradualmente um sistema político projetado para resistir a crises, dizem especialistas. Esse sistema combina instituições rigidamente controladas, doutrinação ideológica, coesão das elites e uma oposição fragmentada. "É uma estrutura semelhante à Hidra (monstro mitólogico com corpo de dragão e várias cabeças de serpente, que renasciam quando cortadas): você corta uma cabeça e outras crescem", diz Sébastien Boussois, pesquisador de Oriente Médio no Instituto Geopolítico Europeu, na Bélgica. No domingo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, foi escolhido como seu sucessor, menos de duas semanas após a morte do pai. Espera‑se que ele continue a linha dura do pai. Novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, tende a manter linha dura adotada por seu pai. Getty Images via BBC 'Poliditadura' Especialistas afirmam que, ao contrário de países do Oriente Médio ou do Norte da África, como Tunísia, Egito e Síria — onde líderes foram derrubados — o Irã conseguiu resistir mais eficazmente a pressões externas graças a um aparato de segurança fortemente motivado por ideologia. Segundo Bernard Hourcade, ex‑diretor do Instituto Francês de Pesquisa no Irã, sediado em Teerã, o país não funciona como uma ditadura tradicional centrada em um único líder, mas como uma "poliditadura": uma aliança entre defensores do islamismo político e um intenso nacionalismo iraniano. O poder é distribuído entre diversas esferas — instituições clericais, forças armadas e setores estratégicos da economia — o que torna o sistema muito mais difícil de derrubar do que regimes baseados em um líder único. Entre os órgãos mais influentes está o Conselho dos Guardiões, responsável por vetar leis e filtrar candidatos para as eleições, reduzindo ainda mais as chances de qualquer facção desafiar seriamente o Estado. Embora o Irã seja amplamente classificado como uma autocracia, oferece aos cidadãos a possibilidade simbólica de votar em algumas eleições, incluindo a escolha do presidente. No entanto, o processo é rigidamente controlado, com candidatos avaliados pelo Conselho dos Guardiões segundo critérios como lealdade à República Islâmica. O papel central da Guarda Revolucionária Se as instituições formam o esqueleto do regime, as forças de segurança são amplamente vistas como o seu músculo. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), que atua paralelamente ao exército regular, é frequentemente descrito como a "espinha dorsal do regime", afirma Hourcade. Além de sua função militar, a Guarda tornou‑se uma potência política e econômica, com vastos interesses empresariais e influência exercida por meio da milícia Basij, uma organização paramilitar voluntária. Um ponto crucial é que as forças de segurança permaneceram unificadas diante de sucessivas ondas de protestos. Para Boussois, essa coesão está profundamente ligada à ideologia: "Essa cultura de martírio presente entre os xiitas e em grupos como Hamas e Hezbollah é quase considerada parte do trabalho", afirma. O vice‑ministro da Defesa, Reza Talaeinik, declarou recentemente à TV que cada comandante da Guarda tem sucessores designados até três níveis abaixo, garantindo continuidade operacional. Kasra Aarabi, chefe de pesquisa sobre a Guarda na organização americana United Against Nuclear Iran, argumenta que a estrutura descentralizada do Irã foi moldada pelas lições do colapso das forças iraquianas em 2003, durante a invasão liderada pelos EUA. Se o regime continuar de pé, ele acredita que "a Guarda terá um papel ainda mais importante". Redes de patronagem e coesão das elites Grande parte da economia iraniana é controlada por organizações ligadas ao Estado, como as bonyads — fundações de caridade que, ao longo do tempo, passaram a comandar milhares de empresas em diversos setores. Essas redes distribuem empregos e contratos a grupos leais ao regime. O vasto império empresarial da Guarda Revolucionária, que inclui o conglomerado Khatam al‑Anbia, reforça esse sistema de patronagem. Embora as sanções ocidentais tenham causado danos profundos à economia iraniana, essas estruturas ajudam a proteger as elites e a preservar seu interesse na continuidade do sistema, afirmam especialistas. Segundo Boussois, o arranjo é "tão sólido que quase não vemos deserções". Ideologia e o legado da revolução A religião também desempenha um papel central na preservação do poder no Irã. A revolução estabeleceu uma rede duradoura de instituições religiosas, políticas e educacionais que continuam moldando a visão de mundo do Estado. "Essa estrutura muito antiga e muito poderosa — ideológica, burocrática, administrativa — torna o sistema forte", afirma Boussois. Para ele, a ideologia "funciona como uma verdadeira fonte de unidade, vocação e recrutamento". Uma oposição dividida Historicamente, a oposição iraniana tem sido marcada pela fragmentação. Ela reúne reformistas, monarquistas, grupos de esquerda, movimentos da diáspora — como o Conselho Nacional de Resistência do Irã — e diversas organizações étnicas. Essa divisão não é recente, observa Ellie Geranmayeh, pesquisadora sênior do Conselho Europeu de Relações Exteriores. Após a revolução, o debate sobre a criação de partidos políticos foi deixado de lado, em grande parte porque o país entrou em guerra com o Iraque em 1980, conflito que durou quase oito anos. Segundo Geranmayeh, ao longo do tempo, facções moderadas foram "marginalizadas, desacreditadas ou presas" tanto pelo regime quanto por grupos linha‑dura. Houve grandes ondas de protestos contra o governo — como o Movimento Verde de 2009 e as manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini em 2022 —, mas esses movimentos careciam de liderança centralizada e foram duramente reprimidos. A onda mais recente de protestos, neste e no último ano, foi impulsionada por apelos do filho exilado do último xá (rei). O Irã também mantém um dos sistemas de vigilância mais sofisticados da região, recorrendo a desligamentos frequentes da internet, monitoramento por Inteligência Artificial e unidades cibernéticas que visam ativistas no exterior. Cautela pública — e por que ela começa a se desgastar Por muitos anos, grande parte da população iraniana hesitou em pressionar por uma mudança de regime, influenciada pelo que viu nas intervenções lideradas pelos EUA no Afeganistão e no Iraque, afirma Geranmayeh. A Primavera Árabe reforçou ainda mais essa cautela. Segundo ela, porém, esse cálculo mudou. Muitos iranianos passaram a sentir que o Estado já não consegue garantir necessidades básicas — de empregos a água potável — ao mesmo tempo em que intensifica a repressão violenta. A brutal repressão de janeiro contra uma nova onda de protestos — na qual milhares foram mortos após algumas das maiores manifestações já vistas no país — acelerou essa mudança, acrescenta. Hourcade observa ainda a existência de um "fosso geracional" na forma como os iranianos enxergam o regime. Os mais jovens, muitos deles altamente educados, conectados ao mundo e influenciados pelas redes sociais, rejeitam o sistema, que consideram "corrupto, opressivo e irrelevante para suas aspirações", argumenta. 'Todo regime acaba um dia' Analistas afirmam que regimes autoritários tendem a cair quando três condições se alinham: Mobilização em massa Divisões entre as elites governantes Deserções das forças de segurança No passado, o Irã frequentemente experimentou a primeira, mas não as outras duas, dizem especialistas. Hourcade acredita que o fim da República Islâmica é inevitável, mas não iminente. "Todo regime acaba um dia. A verdadeira questão é o tempo — a cronologia." Ele argumenta que a morte de Khamenei foi um grande golpe para o regime. "Não haverá outro como ele. Seu substituto nunca terá a autoridade que Khamenei teve." Mas Boussois diz que a queda da República Islâmica está longe de ser certa. Se acontecer e for desencadeada por intervenção militar estrangeira, o que vier depois pode ser pior, afirma. Trump disse anteriormente ao jornal americano New York Times que a captura do ex‑presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA seria o "cenário perfeito" para o Irã. Mas Boussois afirma: "O oposto pode ocorrer — como na Coreia do Norte ou em Cuba — um fortalecimento do núcleo duro do regime."

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Bloco do Game of Thrones, cerveja em bar, churrasco na laje: ator que fez Tyrion Lannister usa IA pra curtir o Rio com personagens

Publicado em: 14/03/2026 10:52

Ator que fez Tyrion Lannister usa IA pra curtir o Rio com personagens Reprodução O ator Peter Dinklage, conhecido por interpretar Tyrion Lannister na série Game Of Thrones, publicou imagens nas redes sociais aparentemente curtindo o Rio de Janeiro ao lado de outros personagens da série. As fotos, geradas com Inteligência Artifical, viralizaram e ultrapassaram mais de 500 mil curtidas. Nas fotos publicadas no perfil dele do Instagram, o grupo aparece em cenários típicos da cidade: participando de um bloco de carnaval, fazendo churrasco em uma laje com vista para o mar e almoçando em um boteco com cerveja e petiscos. As imagens, no entanto, não são reais. Elas foram criadas com inteligência artificial e misturam os rostos dos atores da série em situações bem brasileiras: como beber chope em mesas de bar, posar em meio a bandeiras de casas de Westeros em um bloco de rua e fazer churrasco em uma laje com caixas térmicas e garrafas de cerveja. Assista a uma reportagem sobre o mundo de Westeros, um dos cenários da série: Tour por estúdio de 'Game of Thrones' leva fãs ao mundo de Westeros Os personagens também estavam vestidos com roupas de times cariocas e de chinelo, em um estilo bem carioca. Em uma das imagens mais compartilhadas, os personagens aparecem em um bloco chamado “Bloco do Game of Thrones”, cercados por foliões e com bandeiras das casas da série ao fundo. Entre os rostos reconhecíveis estão personagens ligados à família Lannister e outros protagonistas da trama, criada a partir dos livros de George R. R. Martin. Ator que fez Tyrion Lannister usa IA pra curtir o Rio com personagens Reprodução Outra montagem mostra o grupo reunido em uma laje com vista para a praia, com churrasqueira, cervejas e refrigerantes sobre a mesa. Já em outra cena, eles aparecem almoçando em um bar de rua, com pratos de comida brasileira e garrafas de cerveja sobre a mesa. As imagens viralizaram e a web entrou na brincadeira, com comentários do tipo: “Oficial: Tyrion é brasileiro”. Um usuário comentou: “Você já pode comer cuscuz e tapioca”. Ator que fez Tyrion Lannister usa IA pra curtir o Rio com personagens Reprodução

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