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Governo Donald Trump agora vai testar novos modelos de IA para verificar se representam riscos à segurança nacional

Publicado em: 05/05/2026 22:10

Trump muda de postura sobre IA e fecha acordo para aumentar regulação da inteligência artificial O governo de Donald Trump mudou a política de inteligência artificial: vai passar a testar novos modelos antes deles chegarem ao mercado para verificar se representam riscos à segurança nacional. Cruzar imagens de satélite, dados confidenciais de inteligência, definir alvos, calcular ataques precisos, em segundos. É a inteligência artificial como arma de guerra. Foi assim na operação americana que eliminou o líder supremo do Irã Ali Khamenei. Os Estados Unidos usaram um sistema da empresa Anthropic para coordenar os ataques a múltiplos alvos iranianos. Parceria rompida. O governo queria acesso irrestrito à tecnologia. A empresa não aceitou. Quer a garantia de que a IA nunca poderá tomar sozinha a decisão de atacar. E foi exatamente a Anthropic que anunciou a descoberta de um novo modelo de IA capaz de descobrir falhas em qualquer sistema digital. É o Mythos. Um modelo tão poderoso que conseguiria invadir redes de defesa nacional ou o sistema financeiro com ataques cibernéticos. Um perigo nas mãos de hackers. A Anthropic anunciou que limitaria o acesso ao Mythos a apenas um pequeno grupo de empresas. Grande público, nem pensar. Diante do risco, até o governo Trump, que vinha defendendo menos regulação para as big techs ganharem a corrida tecnológica contra a China, adaptou sua posição. Agora, quer que os modelos novos de IA passem por uma avaliação de segurança antes de serem lançados. Para isso, o governo americano anunciou nesta terça-feira (5) novos acordos com o Google, a Microsoft e a xAI. Parecidos com os que o governo anterior, de Joe Biden, já tinha fechado com a OpenAI, a empresa do ChatGPT. A preocupação com o impacto da IA é das poucas coisas que têm unido democratas e republicanos - impacto nos empregos e na segurança dos usuários, principalmente os jovens. Governo Donald Trump agora vai testar novos modelos de IA para verificar se representam riscos à segurança nacional Jornal Nacional/ Reprodução Na segunda-feira (4), os repórteres Jeff Horwitz e Engen Tham, da agência de notícias Reuters, ganharam o prêmio Pulitzer – o mais importante do jornalismo – por reportagens que denunciavam irregularidades na Meta, dona do Facebook, WhatsApp e Instagram. Segundo a investigação, a Meta permitiu que chatbots de inteligência artificial – aquelas ferramentas para falar com a IA – tivessem conversas de cunho sexual com crianças. As reportagens também mostraram que a Meta lucrou com anúncios fraudulentos nas redes sociais, mesmo depois de identificar que as ofertas eram falsas. Um documento da empresa, visto pelos jornalistas, projetava que 10% das receitas em 2024 viriam dessas postagens ilegais. A Meta declarou que o valor no documento era uma estimativa imprecisa e exagerada. LEIA TAMBÉM EUA vão revisar sistemas de IA de big techs antes de chegarem ao público Promotora da Geórgia é punida após erros de IA em caso de assassinato nos EUA Meta amplia proteção para adolescentes na União Europeia e nos EUA sob pressão global

Papa Leão XIV rebate críticas, após ataques de Trump: 'só espero ser ouvido'

Publicado em: 05/05/2026 15:56

Críticas de líderes católicos a Trump cresceram após ataques ao papa Leão 14 e uma imagem de inteligência artificial que gerou forte reação. Getty Images via BBC O papa Leão XIV disse nesta terça-feira (5) que espera difundir a mensagem cristã falando sobre a paz, mas que as pessoas são livres para criticá-lo. A fala acontece após o mais recente ataque ao pontífice feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump. "A missão da Igreja é pregar o Evangelho, pregar a paz", disse Leão XIV, o primeiro papa americano. "Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho... espero simplesmente ser ouvido por causa do valor da palavra de Deus." ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A fala do papa se somou às expectativas para o encontro entre o secretário dos EUA e papa Leão XIV, que ocorrerá na quinta-feira (7). A visita de Rubio ao Vaticano está prevista para ocorrer entre quarta e sexta desta semana. O encontro entre o representante direto do presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder da Igreja Católica ocorre em meio a uma escalada de tensões entre os dois. Eles demonstram diferenças ideológicas desde que Leão XIV foi eleito pontífice, há cerca de um ano, porém trocaram farpas diretas nas últimas semanas. Trump chamou o papa de "fraco" e disse, sem apresentar provas, que o pontífice "acha tudo bem que o Irã tenha uma arma nuclear"; Em resposta, Leão XIV disse que não tem medo de Trump; Dias depois, Trump voltou a cutucar Leão XIV dizendo que o pontífice estaria desinformado sobre execuções de manifestantes pelo regime iraniano; Em meio à polêmica, Trump gerou controvérsia ao postar uma montagem de IA que o retratava como Jesus Cristo; O papa acabou colocando panos quentes na polêmica ao afirmar que não é de seu interesse debater com Trump. A polêmica, que tornou explícita a rixa entre o governo Trump e o primeiro papa norte-americano da História, marcou um endurecimento da postura de Leão XIV desde que ele se tornou pontífice. O embate causou uma negativa nos EUA, com possível prejuízo político para o republicano. LEIA TAMBÉM: Papa Leão nomeia como bispo ex-imigrante ilegal que entrou nos EUA escondido em porta-malas Papa Leão XIV minimiza desavença com Trump, dizendo que 'não é do meu interesse' debater com ele 'Tenho o direito de discordar do papa', diz Trump Vídeos em alta no g1

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Promotora da Geórgia é punida após erros de IA em caso de assassinato nos EUA

Publicado em: 05/05/2026 15:28

A Suprema Corte do estado da Geórgia puniu, na terça-feira, uma promotora ao concluir que o uso incorreto de ferramentas de inteligência artificial levou à inclusão de citações falsas e enganosas em uma decisão ligada a um caso de assassinato. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O tribunal proibiu Deborah Leslie, promotora assistente do condado de Clayton, de atuar perante os juízes por seis meses e determinou que ela passe por um treinamento adicional sobre ética, redação de documentos jurídicos e uso correto de IA. Segundo a Corte, “numerosas citações fictícias ou atribuídas erroneamente” apareceram em uma decisão de 2025 de um tribunal inferior, que havia negado o pedido de novo julgamento feito por um réu acusado de assassinato. “Citar casos que não existem ou que não sustentam a tese para a qual são citados é uma violação das normas deste tribunal e está muito aquém da conduta que esperamos dos advogados da Geórgia”, escreveu o juiz Benjamin Land. Vídeos em alta no g1 O caso chama atenção porque tribunais nos Estados Unidos têm aplicado punições a advogados que usam ferramentas de IA para pesquisas e textos jurídicos sem conferir se as informações estão corretas. Aqui, porém, o erro partiu de uma promotora e acabou incorporado a uma decisão judicial. Leslie pediu desculpas em um documento anterior, afirmando que não verificou de forma independente as citações geradas pela ferramenta de inteligência artificial. Nem ela nem a promotoria do condado de Clayton responderam aos pedidos de comentário. A sanção está ligada ao processo de Hannah Payne, condenada à prisão perpétua mais 13 anos por assassinato e cárcere privado de Kenneth Herring. As citações incorretas foram incluídas em uma minuta de decisão preparada por Leslie, que recomendava a rejeição do pedido de novo julgamento. O juiz do caso acatou parte desse texto, incluindo as referências falsas, ao negar o pedido. Após a identificação do problema, a Suprema Corte anulou a decisão anterior e determinou que uma nova sentença seja elaborada sem as informações incorretas. Em manifestação, o advogado de Payne, Andrew Fleischman, afirmou que o caso foi prejudicado pelos erros. Segundo ele, “Hannah Payne tem argumentos sólidos para apelação. É lamentável que a má conduta do Estado esteja agora atrasando sua oportunidade de ter essas questões decididas”. Habilidades como inteligência artificial, análise de dados e negociação estratégica serão diferenciais no mercado. Freepik/ Reprodução

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EUA vão revisar sistemas de IA de big techs antes de chegarem ao público

Publicado em: 05/05/2026 15:09

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (5) que passará a ter acesso antecipado a novos modelos de inteligência artificial desenvolvidos por grandes empresas de tecnologia. A ideia é avaliar essas ferramentas antes que elas sejam lançadas ao público. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os acordos envolvem empresas como Google DeepMind, Microsoft e xAI e representam uma mudança significativa na postura do presidente Donald Trump, que até então defendia menor interferência do governo no desenvolvimento desse tipo de tecnologia. Segundo fontes oficiais, as parcerias retomam e adaptam compromissos firmados na gestão anterior, de Joe Biden, agora com novos termos. De acordo com o jornal "New York Times", a Casa Branca também estuda criar um grupo de trabalho com representantes do governo e do setor tecnológico. Esse grupo teria como objetivo discutir formas de avaliar e revisar novos sistemas de IA antes de sua liberação. Vídeos em alta no g1 O Centro para Normas e Inovação em IA (Caisi), ligado ao Departamento do Comércio, afirmou que fará análises antes do uso dessas tecnologias e investigações específicas para entender melhor seu funcionamento e possíveis riscos. Ainda não está claro se os acordos anunciados fazem parte desse plano mais amplo em discussão. O Caisi substituiu um órgão criado durante o governo Biden voltado à segurança da inteligência artificial. Na época, Trump havia criticado esse tipo de regulação e chegou a revogar medidas anteriores, alegando que poderiam prejudicar a competitividade dos Estados Unidos, especialmente em relação à China. A mudança de posição pode estar ligada ao avanço de novos sistemas mais poderosos. Um exemplo é o modelo "Mythos", desenvolvido pela empresa Anthropic. Segundo informações, ele não foi divulgado ao público por ter grande capacidade de identificar falhas de segurança digital, o que poderia trazer riscos. "Uma ciência de medição independente e rigorosa é essencial para compreender a IA de ponta e suas implicações para a segurança nacional", afirmou Chris Fall, diretor do Caisi. Veículos de imprensa dos Estados Unidos informaram que a Agência de Segurança Nacional (NSA) já teve acesso ao "Mythos" e está realizando testes com o sistema. Inteligência Artificial nos estudos: até onde ela ajuda ou atrapalha? Reprodução/Freepik

Mark Zuckerberg 'autorizou pessoalmente' violação de direitos autorais da Meta, dizem editoras

Publicado em: 05/05/2026 14:49

Cinco editoras e o autor Scott Turow processaram a Meta e seu CEO nesta terça-feira (5). Eles acusam a empresa de usar, sem autorização, milhões de livros e artigos protegidos por direitos autorais para treinar seu sistema de inteligência artificial, o Llama. A ação foi apresentada em um tribunal federal em Manhattan e abre uma nova frente na disputa entre o setor editorial e empresas de tecnologia que desenvolvem ferramentas de IA. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Segundo os autores, Zuckerberg e a Meta seguiram o lema “agir rápido e quebrar coisas” ao utilizar um grande volume de obras sem permissão para alimentar o sistema. Vídeos em alta no g1 Além disso, eles afirmam que o uso desse material ocorreu sem pagamento ou autorização dos criadores. “Os réus reproduziram e distribuíram milhões de obras protegidas por direitos autorais sem autorização, sem oferecer qualquer compensação a autores ou editoras e com pleno conhecimento de que sua conduta violava a lei”, diz um trecho da ação. “O próprio Zuckerberg autorizou pessoalmente e incentivou ativamente a infração.” Meta rebate acusações e disputa se intensifica Entre os autores publicados pelas editoras que movem a ação — Elsevier, Cengage, Hachette Book Group, Macmillan e McGraw Hill — estão nomes como Scott Turow, Donna Tartt e também Yiyun Li e Amanda Vaill, vencedoras do Prêmio Pulitzer de 2026. Em nota divulgada na segunda-feira, a Meta afirmou que pretende “defender-se vigorosamente” das acusações. “A inteligência artificial está impulsionando inovações transformadoras, produtividade e criatividade para indivíduos e empresas, e tribunais têm reconhecido que o treinamento de IA com material protegido por direitos autorais pode se enquadrar como uso justo”, diz parte do comunicado. Nos últimos anos, disputas desse tipo têm se tornado mais frequentes. Autores e editoras passaram a acionar a Justiça para contestar o uso de suas obras no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Em 2025, a própria Meta concordou em encerrar uma ação coletiva movida por escritores, e a decisão final desse acordo deve ser analisada na próxima semana. Mark Zuckerberg, CEO da Meta Reuters

Cristão pode fazer terapia? Por que relação entre fé evangélica e a psicologia é tão polêmica

Publicado em: 05/05/2026 14:12

Alguns pastores têm recomendado que cristãos não façam terapia ou procurem 'psicólogos cristãos'. GETTY IMAGES via BBC Em um vídeo com milhares de visualizações no YouTube, o pastor Rodrigo Mocellin diz que a psicologia está "contra o cristianismo", e não ao lado. "Estão no mesmo campo de batalha, mas batalhando um contra o outro", argumenta o líder da Igreja Resgatar, que tem quase 640 mil seguidores na plataforma de vídeos. "É óbvio que a fé cristã não pode ter parceria com a psicologia. São como água e óleo. Não tem como andar junto." Em outro vídeo, César Augusto, pastor da Igreja Apostólica Fonte da Vida, diz que as pessoas "podem frequentar psicólogo ou seja lá o que for". Mas recomenda aos quase 200 mil seguidores ali: "Já experimentou ter o momento de uma consulta com o maior psicólogo do mundo, que é Jesus?". VEJA TAMBÉM: Vídeos em alta no g1 Em post publicado em seu canal, o bispo Walter McAlister, da Igreja Cristã Nova Vida, até reconhece que "a psicologia tem ajudado muito o ser humano". Mas faz uma ressalva. "Recomendaria que [o cristão] consultasse um psicólogo que também fosse cristão. Porque esses conflitos não resolvidos não podem ser fundamentados apenas em comportamento, traumas de infância ou desejos enrustidos. Alguns são de ordem espiritual." Pastor evangélico, o senador Magno Malta (PL-ES) é autor de uma proposta, atualmente em consulta pública, para instituir no Senado uma Frente Parlamentar em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos. Um dos pontos de seu projeto é que seja instaurada uma mobilização para que sejam combatidas o que ele chama de "medidas normativas que imponham restrições desproporcionais ao exercício profissional em razão de convicções religiosas". O Conselho Federal de Psicologia diz que acompanha os debates sobre fé e a prática profissional e afirma ter um compromisso com o respeito à diversidade de crenças e convicções. Mas ressalta que nenhum profissional da área deve se apresentar como "psicólogo cristão" para não "levar à crença equivocada de que a prática é exclusivista ou baseada em dogmas, o que contraria a universalidade e a laicidade da ciência psicológica". A relação entre cristianismo e psicologia sempre teve suas arestas. Para especialistas, a dificuldade desse diálogo nasce justamente da concorrência do objeto tratado por ambas as searas: a psiquê ou a alma humana. O título do vídeo do pastor Mocellin é emblemático: "Psicologia e fé cristã: irreconciliáveis". Ele é taxativo. Diz que a psicologia é "o homem dizendo que não precisamos da Bíblia" e que essa ciência não passa de "doutrina de demônios". "A Bíblia diz que ansiedade é pecado. A psicologia diz que é transtorno", argumenta. "Só a Bíblia pode desnudar a alma humana. [O pai da psicanálise, Sigmund] Freud se considerava aquele sujeito que veio para desvendar a alma humana." Autor do recém-lançado livro Cristianismo Leve e pastor na Igreja Batista Filadélfia, o teólogo Pedro Pamplona entende que terapias psicológica ou psicanalítica podem ser complementares ao trabalho espiritual no cuidado com a mente humana. Mas, para ele, essa interface tem limites. Ele vê "incompatibilidades" entre a atuação do terapeuta e o aconselhamento religioso. "A Bíblia tem uma antropologia própria, que chamamos de antropologia cristã." Maneira própria Pamplona defende que sua religião tem uma forma de entender o ser humano e suas questões que foi dada por uma revelação de Deus. "Essa antropologia cristã influencia o modo como cuidamos das pessoas, como entendemos seus propósitos de vida, o efeito do pecado em suas vidas e como lidamos com a diversidade de seus pensamentos, emoções e questões", explica o pastor. As diferentes psicoterapias abordam o ser humano a partir de uma perspectiva conflitante com o que determina sua fé, diz ele. "Essas antropologias podem ser bem distintas da antropologia cristã e, por isso, a abordagem clínica pode ser tornar incompatível com a fé cristã", pondera. "Visões diferentes nas antropologias geram fundamentos éticos e valores de vida diferentes. O psicólogo não deve fazer proselitismo religioso em seu ambiente de trabalho, mas, mesmo sem essa prática, ele pode ir contra o padrão de vida que a Bíblia orienta para seus seguidores." É uma questão permeada por valores. O pastor lembra que muitas vezes aquilo que é "normal ou natural" para a psicologia, é "pecado" para os religiosos. Então, ele argumenta que o profissional da psicologia pode acabar "incentivando" o paciente "a fazer coisas que a Bíblia proíbe". Alguns pastores têm recomendado que cristãos não façam terapia ou procurem 'psicólogos cristãos'. GETTY IMAGES via BBC Para a psicóloga e psicanalista Beatriz Breves, autora do livro Eu Fractal - Conheça-te a Ti Mesmo, não deveria haver motivos para essa dificuldade de conciliação. "A psicoterapia é um processo de ampliação de autoconhecimento. Quando a pessoa está segura em sua fé religiosa, não há incompatibilidade, ou seja, a psicoterapia não interfere na fé, nem a fé impede o processo terapêutico", diz Breves. "A verdadeira incompatibilidade surge quando a pessoa não dispõe de abertura para se implicar no próprio processo, o que não tem relação com religião, mas com a disponibilidade interna necessária para que a terapia aconteça." Embora o processo terapêutico leve a pessoa a confrontar seus valores, isso não cria incompatibilidade, defende a psicóloga. "A fé não impede o questionamento, pelo contrário. Quando alguém pode interrogar a própria fé e, ainda assim, reconhecer que ela permanece, a fé se fortalece", diz Breves. "O questionamento não a enfraquece, a torna mais consciente. E é justamente nesse movimento que o equilíbrio se torna possível." Inteligência artificial como terapeuta: quais os riscos dessa prática? Cristão pode fazer terapia? Para o teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, a dificuldade de conciliação entre psicologia e religião está em uma suposta concorrência entre ambos. "Os líderes religiosos que querem combater a psicanálise e a Psicologia estão lutando por uma reserva de mercado. Eles querem ter o direito de ser os conselheiros espirituais dessas pessoas. Para isso, demonizam a psicologia." Moraes pontua que essa leitura é comum a segmentos teológicos fundamentalistas, quando o pastor tende a orientar que a solução para qualquer problema "está na Bíblia". "Eles transformaram a Bíblia em um livro mágico. E a Bíblia não é isso. Mas isso funciona no campo subjetivo para eles", critica o teólogo. "Há esferas de atuação. Padres e pastores podem continuar orientando seus fiéis, mas isso é em aliança, sem nenhuma incompatibilidade com outras formas de tratamento. Deve se desejar a melhora do fiel." O pastor Pamplona não concorda com religiosos que dizem que "cristão não deve fazer terapia", embora reconheça que seja uma visão que esteja "ganhando adeptos" ultimamente. Para ele, esse tipo de pregação revela "ignorância geral sobre o tema da saúde mental". A doutrina cristã da 'suficiência das Escrituras' advoga que a Bíblia seria suficiente para lidar com tudo o que tange o ser humano. GETTY IMAGES via BBC O religioso explica que a confusão se dá por conta de uma doutrina cristã chamada de "suficiência das Escrituras". Tal entendimento advoga que a Bíblia seria suficiente para lidar com tudo o que tange ao ser humano. Pamplona acredita que a interpretação correta é que o livro sagrado resolve tudo o que é "suficiente para a salvação" do ser humano, mas não os problemas desses em sua totalidade. "É claro que a Bíblia tem princípios que norteiam toda nossa vida, mas, quando precisamos de ajuda profissional especializada, procuramos por médicos, dentistas, psicólogos ou qualquer outro profissional", diz o pastor. "Portanto, fazer uso da psicologia ou da medicina não significa ser contra a suficiência das escrituras, pois a Bíblia nunca se propôs a ser um manual médico ou de psicologia. Novamente, essas coisas podem se complementar." Há um efeito colateral desse entendimento restritivo, afirma o pastor. Muitos cristãos que precisam recorrer a tratamentos psicoterapêuticos acabam se sentindo culpados por fazerem isto. De certa forma, isso deixa seu fardo ainda maior. A escritora Magali Leoto, integrante da associação Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos, diz que a crença de quem professa essa fé não pode fazer terapia é compartilhada por alguns grupos religiosos. "Mas é importante entender que psicologia é uma ciência e tem critérios técnicos para embasar suas práticas e conclusões", afirma Leoto, que é missionária na Igreja Batista de Água Branca e na Igreja Batista Memorial de Alphaville. Terapeutas cristãos Na psicologia, há um vasto campo daqueles que são assumidamente cristãos. Professor na Faculdade São Basílio Magno, o psicólogo Pierre Patrick Pires é fundador da empresa Atos 20, uma consultoria de psicologia especializada em tratar saúde mental em contextos religiosos, especialmente no meio católico. Para ele, psicologia e fé precisam ser compreendidas "como campos distintos, mas não opostos". A primeira seria uma ciência voltada a um compromisso ético e ao cuidado da saúde mental. Já a outra está interessada no sentido da vida e na espiritualidade. "A psicologia não precisa negar a fé para ser científica. Nem a fé precisa negar a psicologia para ser autêntica", resume Pires. Na visão dele, a psicoterapia precisa "acolher" a religiosidade do paciente "como parte de sua história e identidade". Sem induzi-la. Aí reside um "diálogo ético no processo clínico". "As incompatibilidades surgem quando há confusão das funções. A psicologia deixa de ser ética quando ela tenta substituir a religião e impor valores morais e doutrinários", diz Pires. "Da mesma forma, a fé se fragiliza quando tenta negar a subjetividade humana, o sofrimento psíquico, os processos mentais, e substituir o cuidado psicológico com respostas exclusivamente espirituais." O psicólogo diz que um discurso que demoniza a psicologia "é preocupante", porque pode "gerar culpa, silenciamento no sofrimento psíquico e atraso para buscar uma ajuda profissional diante da necessidade". Por conta disso, muitos acabam encarando o sofrimento psicológico como "fracasso espiritual", explica Pires. Em sua dissertação de mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a psicóloga Andréia Aparecida de Melo Coliath concluiu que, em geral, pessoas cristãs preferem profissionais de psicologia também cristãos. Compartilhar do mesmo universo de referências conferiria uma maior garantia de respeito por suas experiências religiosas, suas crenças e os significados que isso tudo tem para sua existência. Pires não acha relevante que um cristão procure um profissional que seja necessariamente também cristão. "O critério deve ser a formação, a competência técnica e o compromisso ético desse profissional. Sendo cristão ou não, um psicólogo tem o compromisso de respeitar a singularidade de cada paciente." O pastor Mérlinton de Oliveira é psicólogo e teólogo e tem visão semelhante. "Se um cristão encontra um profissional assim, ético, mesmo não sendo também um cristão como ele, será bem acolhido em sua pessoalidade", analisa Oliveira. Para Oliveira, a terapia "é compatível com as experiências espirituais e religiosas". "Uma condição psicoemocional saudável e equilibrada é essencial para a devida experiência religiosa saudável, bem como uma experiência saudável é uma prática que colabora com um bem-estar psicoemocional", diz Oliveira, que é professor na Faculdade Adventista do Paraná, Cada prática tem seus próprios métodos, ressalta o pastor. "Enquanto a prática religiosa é exercida sob a perspectiva da fé, dos ritos sacros, da relação transcendental, do uso de escritos sagrados, entre outras, a prática terapêutica se dá sob a perspectiva das técnicas científicas, do uso de instrumentos elaborados e validados humanamente, de elaborações teóricas desenvolvidas ao longo do tempo, entre outras." Ele defende que a psicologia e a fé são complementares. "Contudo, é necessário ter prudência para que uma prática não diminua a importância da outra, afinal, embora possam ter metodologias próprias, ao final ambas atuam visando a um objeto em comum, o ser humano", afirma Oliveira. Ele lembra que, em um encontro terapêutico, se houver formas distintas de ver a vida e o mundo, o código de ética da profissão ensina que "o terapeuta deve respeitar a realidade do seu cliente". Para ele, isso "deveria tranquilizar um cristão ao buscar esse profissional". A psicóloga e missionária Leoto afirma que ela e seus colegas "têm enfrentado" dificuldades dentro da sua profissão. Ela comenta que a relação com o Conselho Federal de Psicologia e os profissionais cristãos é de "um equilíbrio institucional". "Mas algumas controvérsias têm acontecido. Em alguns momentos, as normas dos conselho podem ser interpretadas como limitadoras", diz Leoto. Por exemplo, temos como regra que não podemos manifestar publicamente nossa fé em redes sociais. Se eu mostrar que sou uma psicóloga cristã, alguém pode me denunciar." Mas, na prática, ela vê mais convergência do que divergência entre uma coisa e outra. "Tanto a psicologia quanto a fé bíblica se encontram em alguns sentidos e alguns movimentos e algumas interfaces", argumenta Leoto. Para ela, se a psicologia "está em busca do sentido e da compreensão do ser humano" e "Deus é quem criou o ser humano e conhece todo o potencial do ser humano", esta intersecção é inevitável. "A psicologia não descobriu a roda", comenta. "Muito do que eu aprendi na faculdade, muitos conceitos, já estavam na Bíblia. E aparecem no meu dia a dia, na prática da terapia", diz ela, pontuando que tanto a Psicologia quanto a fé "trazem esperança e caminhos, inclusive metodológicos, para a restauração e a ressignificação de conflitos e problemas". Ela defende ser preciso cuidado para que o atendimento não seja enviesado. "Ética bíblica e ética psicológica se complementam, mas não podem se confundir", afirma. A psicóloga e missionária Leoto entende que, na hora de lidar com um paciente angustiado, por exemplo, a abordagem precisa entendê-lo "como um ser espiritual". Este é seu ponto de partida. Ela recorre a um conceito conhecido como metanoia para exemplificar isso. O termo, de origem grega, significa uma mudança radical de mentalidade. Leoto lembra que é uma questão bíblica — no sentido de conversão, de arrependimento, etc. — e também um processo abordado na terapia, quando se promove a reorganização e a ressignificação. "O próprio evangelho já é uma metanoia", afirma ela, frisando que Jesus trouxe, a quem acredita, uma nova narrativa de salvação. De cristão para cristão A recomendação do bispo Walter McAlister de que um cristão procure um terapeuta cristão é muito comum. Pamplona, por exemplo, diz que "entende esse conselho" e gosta dele. "O cristão se sente mais seguro em ter outro cristão como terapeuta por acreditar que será mais fácil ter o mesmo tipo de antropologia e de não ouvir ideias e orientações contrárias à sua fé", argumenta. "Preciso dizer que hoje em dia há muitos psicólogos anticristãos, que falam contra a fé e até mesmo colocam a culpa da falta de saúde mental na religião", critica ele. "Há muitas ideias estranhas e não profissionais circulando em ambientes da psicoterapia. Eu mesmo gostaria de ter um psicólogo evangélico. Me sentiria mais seguro para tratar da minha vida e de coisas íntimas da minha vida." Mas ele acredita que um bom psicólogo, mesmo não sendo cristão ou evangélico, saberá criar um ambiente seguro e guiar a terapia de forma equilibrada com um paciente cristão. "Por isso meu conselho principal não é o psicólogo cristão, mas sim um bom psicólogo de confiança. Se ele for cristão, acho melhor, mas não como uma regra que não pode ser quebrada." Leoto entende que o tema "merece análise cuidadosa", embora "limite a escolha". "A crença religiosa não é necessária para o processo de terapia", diz ela. "Um terapeuta que não é cristão vai respeitar e integrar a fé do paciente em suas sessões, assim como quem é cristão precisa respeitar quem não é." Por outro lado, a psicóloga e missionária entende que uma base religiosa comum seja aliada na hora de debater os "pilares morais, éticos e valores pessoais no contexto de um set terapêutico". "A psicoterapia é espaço seguro para que o paciente possa explorar suas crenças, fazer reflexões e reavaliar suas posições sobre temas que o façam sofrer, que são desafiadores. Por exemplo, o aborto." Ela explica que um paciente que "vem para a terapia" com sentimentos conflitantes sobre tal tema, em geral parte dos valores e crenças religiosas. "A psicoterapia também ajuda o paciente a refletir e discutir como as doutrinas religiosas influenciam suas opiniões e decisões", acrescenta. Conciliar religião e psicologia é uma seara que parece tênue, uma vez que, em um ambiente terapêutico em geral, o paciente se confronta com seus pilares morais, éticos e valores que muitas vezes se misturam com fé. "Por isso, a relação entre a fé cristã e as psicoterapias não é tão simples", comenta. "É por isso que nossa resposta não pode ser 'não pode' ou 'pode tudo'. Por outro lado, equilibrar é possível. Todo cristão precisa aprender os fundamentos de sua fé." Ele defende que os evangélicos tenham um "filtro bíblico" na hora de escolher terapia e terapeuta. "E esse filtro vem pelo conhecimento que temos da Bíblia. Como a Bíblia entende o homem, sua condição de pecado, seu propósito de vida, sua salvação, sua esperança, seu chamado para ser como Jesus. Como a Bíblia fala da mente? Quais valores guiam a vida cristã?", afirma. "Quando o cristão conhece a sua própria fé, ele está mais apto para procurar por ajuda psicológica de maneira mais equilibrada." Conselho de Psicologia não reconhece o termo 'psicólogo cristão' A proposta de uma frente parlamentar no Senado para defender que psicólogos possam exercer sua religiosidade no âmbito profissional argumenta que isso é uma proteção à "liberdade de consciência, de crença e de manifestação religiosa". Segundo o texto em consulta pública, tal frente parlamentar deveria "promover o reconhecimento de que a religiosidade constitui dimensão integrante da identidade do indivíduo". A argumentação coloca conselhos profissionais e órgãos reguladores na posição daqueles que restringem "indevidamente direitos fundamentais". O senador Magno Malta diz no texto da proposta que "há registros concretos de psicólogos cristãos que vêm sendo notificados por Conselhos Regionais de Psicologia, submetidos à assinatura de termos de ajustamento de conduta e respondendo a processos ético-disciplinares simplesmente por manifestarem sua fé em ambientes pessoais ou de comunicação pública, como redes sociais, biografias profissionais ou participação em atividades religiosas". "Em diversos casos, tais procedimentos não decorrem de condutas técnicas inadequadas no exercício da profissão, mas exclusivamente da identificação do profissional como cristão, da exposição de símbolos religiosos ou da expressão de valores pessoais", prossegue o senador. "Isso evidencia um preocupante desvio de finalidade no uso do poder regulamentar e um cenário de constrangimento institucional que afeta diretamente o livre exercício profissional." O Conselho Federal de Psicologia diz que "tem acompanhado com atenção os debates públicos que emergem nas redes sociais e em outros meios de comunicação" que "tangenciam a relação entre religiosidade, fé e a prática profissional da Psicologia". Sobre os conteúdos que propagam a ideia de que cristãos não deveriam fazer terapia ou não deveriam ter um terapeuta que também não fosse cristão, o conselho diz que "reitera o compromisso da ciência psicológica com a laicidade do Estado". Além disso, frisa que tem "compromisso com a promoção de uma prática psicológica que respeite a diversidade de crenças e convicções individuais". Segundo a instituição, o psicólogo deve, em sua atuação "empregar exclusivamente princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional". E, ao fazê-lo, "devem considerar a laicidade como pressuposto". "A Psicologia reconhece que a religião e a fé são fenômenos presentes na cultura e que participam da constituição da dimensão subjetiva de cada um. A relação das pessoas com o 'sagrado' pode e deve ser objeto de escuta e acolhimento pelo profissional, mas, e isso é crucial, nunca imposto aos pacientes", argumenta o conselho. Por fim, afirma que misturar fé com terapia "revela um desconhecimento sobre a natureza da prática psicológica ética e científica" e que, por meio de resolução de 2023, são vedadas "práticas que misturam fé e ciência de forma indevida". Por exemplo, nenhum psicólogo pode se apresentar como "psicólogo cristão", salienta o órgão — que destaca reconhecer especialidades, mas que "Psicologia cristã não é uma delas". "Associar o título profissional a uma vertente religiosa pode levar à crença equivocada de que a prática é exclusivista ou baseada em dogmas, o que contraria a universalidade e a laicidade da ciência psicológica."

Palavras-chave: inteligência artificial

Seis dedos, compromisso com a piada e máscara... O que significa o look de Katy Perry no Met Gala 2026

Publicado em: 05/05/2026 12:36

A cantora Katy Perry Reuters Katy Perry retornou ao Met Gala após quatro anos. Sua última aparição no evento beneficente do Metropolitan Museum of Art foi em 2022. Mas em 2025, algumas imagens criadas por inteligência artificial “garantiram” que a cantora esteve no evento, com um look preto formado por uma saia longa brilhante e um blazer em alfaiataria risca de giz cheio de recortes. LEIA MAIS: Por que Bad Bunny se transformou em um octogenário para o Met Gala 2026? Veja os looks dos convidados do Met Gala 2026 Na ocasião, Katy precisou ir até as redes sociais para explicar que não esteve no local. Ela até estava nos Estados Unidos, mas cerca de dois mil quilômetros de distância. "Não consegui ir ao MET, estou na turnê 'The Lifetimes' (nos vemos amanhã em Houston pessoalmente. P.S.: Este ano eu estava com a minha mãe, então ela está a salvo dos robôs, mas estou rezando por todos vocês", escreveu a cantora. Mas Katy não esqueceu da história. E resolveu brincar e explorar a situação em seu look todo branco personalizado da Stella McCartney. A produção em cetim italiano contava com uma luva de seis dedos, fazendo referência a um erro comum em imagens geradas por IA. Ela ainda usou uma máscara prateada produzida Miodrag Guberinic, que segundo o comunicado enviado à imprensa para explicar o traje, foi "projetada para ser um reflexo literal e simbólico que convida o observador a considerar que sua percepção dos outros pode espelhar seu próprio mundo interior e, inversamente, mascarar a verdade". Antes de abrir a máscara mostrando seu rosto, Perry ainda levantou uma carta onde estava escrito “Commitment to the Bit” (Compromisso com a piada). E ainda mostrou a carta de tarô do Mago, que simboliza a capacidade de usar talentos e recursos para mudanças. O look ainda contava com um detalhe: a cauda do vestido tinha alguns pedaços queimados, fazendo possível referência a “Watch It Burn”, uma das músicas registradas pela artista no ano passado e que podem ser lançadas em breve. A cantora Katy Perry Reuters Katy Perry no MET 2026 Angela Weiss / AFP

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Manifestante completa 4 dias em cima de ponte em Washington em protesto contra Trump, guerra no Irã e IA

Publicado em: 05/05/2026 11:42

Guido Reichstadter, um ativista que se diz anti-guerra e anti-IA, completou quatro dias em cima da ponte Memorial Frederick Douglass, em Washington, em protesto contra o presidente americano Donald Trump. A ação, segundo ele, também é uma maneira de se posicionar contra a guerra no Irã e contra o avanço das ferramentas de inteligência artificial. Reichstadter subiu no topo da ponte no sábado (2). Do local, ele publicou em sua conta no X: “Acabem com as guerras. Derrubem o regime Trump. Parem a IA. A não cooperação revolucionária e não violenta com o mal é nosso direito, poder e responsabilidade.” No X, Guido escreveu os motivos que o levaram a fazer o protesto. “Olá, meu nome é Guido Reichstadter e atualmente estou ocupando o topo da ponte memorial Frederick Douglass, em Washington, DC. Estou convocando o povo dos Estados Unidos a pôr fim imediato à guerra ilegal do regime Trump contra o Irã e a remover o regime do poder por meio de ação direta em massa, não violenta, e da não cooperação", escreveu. Homem escala ponte em Washington em protesto contra a guerra "Também quero alertar com urgência o povo dos EUA e do mundo sobre o perigo iminente de ultrapassarmos um ponto de não retorno rumo ao desenvolvimento da inteligência artificial, que representa o risco de danos catastróficos à humanidade, incluindo a extinção humana", continuou. "Peço aos governos do mundo que tomem medidas imediatas para acabar com esse perigo, proibindo permanentemente o desenvolvimento de inteligência artificial geral e de superinteligência de máquinas. Também conclamo os povos do mundo a exercer toda a influência possível, por meio de ações não violentas, para obrigar seus governos a encerrar esse perigo com a máxima urgência”, completou o manifestante. Em uma conversa com um oficial por telefone, Reichstadter reforçou seu protesto contra o que chamou de "ataque ilegal ao Irã e a guerra em curso, e o fato de estarmos em uma crise de IA". Ao ser questionado pelo policial sobre o que seria crise da IA, ele responde: "Empresas de IA estão avançando em direção ao seu objetivo declarado de construir máquinas, sistemas de inteligência artificial que são mais inteligentes do que os seres humanos. Cientistas e pesquisadores importantes dizem, e até mesmo os chefes das empresas e os engenheiros que nelas trabalham dizem que isso deve representar um risco de dano existencial para a humanidade", disse. O protesto fez com que as autoridades fechassem todas as faixas da ponte. Em 2022, ele já tinha feito um protesto semelhante contra a decisão da Suprema Corte americana que suspendeu o direito de cada estado nos Estados Unidos de legislar sobre o direito ao aborto. Manifestante está há 4 dias em cima de ponte Reprodução/Reuters

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Coinbase anuncia demissão de 14% da equipe em plano para reduzir custos e focar em IA

Publicado em: 05/05/2026 10:29

A Coinbase anunciou nesta terça-feira (5) que vai cortar cerca de 700 postos de trabalho, o equivalente a aproximadamente 14% da sua equipe global. A medida faz parte de um plano de reorganização para reduzir custos e adaptar a empresa ao uso crescente de inteligência artificial. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O movimento ocorre em um momento de instabilidade no mercado de criptomoedas, marcado por fortes oscilações. No início do ano, outras empresas dos Estados Unidos também adotaram cortes de gastos e mudanças internas para se ajustar a esse cenário e ao avanço da tecnologia. Após o anúncio, as ações da Coinbase subiam cerca de 4% nas negociações antes da abertura do mercado. A empresa espera concluir a maior parte dessas mudanças até o segundo trimestre de 2026. Vídeos em alta no g1 Segundo a companhia, apesar de ter uma posição financeira considerada sólida e potencial de crescimento no longo prazo, o cenário atual exige uma operação mais enxuta e eficiente para atravessar este momento e se preparar para um novo ciclo do mercado. O presidente-executivo, Brian Armstrong, destacou que o avanço da inteligência artificial tem permitido automatizar tarefas e reduzir a necessidade de equipes maiores, inclusive em atividades que antes exigiam conhecimento técnico especializado. A Coinbase estima gastar entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões com a reestruturação, principalmente com indenizações e benefícios pagos aos funcionários desligados. A maior parte desses custos deve ser registrada no segundo trimestre, embora a empresa não descarte despesas adicionais. Essa não é a primeira vez que a companhia reduz seu quadro de funcionários. Em momentos anteriores de queda no mercado de criptomoedas, a empresa já adotou medidas semelhantes, o que mostra como o setor é sensível às mudanças no cenário econômico e ao comportamento dos investidores. IPO da Coinbase em Nasdaq AP Photo/Richard Drew

Entenda como funciona o sistema com IA que levou à prisão de médico que estuprou pacientes

Publicado em: 05/05/2026 05:25

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que médico foi preso O médico Neandro Schiefler, de 46 anos, foi preso em Praia Grande, no litoral de São Paulo, seis meses após ser condenado por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude contra pacientes em Itajaí (SC). Conforme apurado pela TV Tribuna, afiliada da Globo, ele foi identificado por uma câmera de monitoramento que usa inteligência artificial para fazer o reconhecimento facial de procurados. A investigação chegou até a polícia após a esposa de Neandro enviar um CD com vídeos dos abusos. Na época, o delegado responsável pelo caso, Alexandre de Oliveira, disse que as filmagens eram feitas pelo próprio médico, sendo a maioria com as vítimas dopadas. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Os crimes teriam ocorrido desde 2017 dentro das unidades de saúde onde ele trabalhava. Na época, a polícia informou que Neandro confirmou ser a pessoa que aparece em 14 das 16 filmagens. O g1 não localizou a defesa dele até a última atualização desta reportagem. Neandro Schiefler, de 46 anos, foi identificado e preso em Praia Grande, SP Reprodução/TV Tribuna Encontrado Neandro estava andando pelas ruas da cidade quando foi identificado por uma câmera de monitoramento. O equipamento usa inteligência artificial para cruzar as imagens captadas com os dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) e do programa Muralha Paulista. Com o reconhecimento do médico, um alerta sonoro foi enviado ao Centro Integrado de Comando e Operações Especiais (Cicoe) de Praia Grande, que acionou uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM). Os guardas chegaram em aproximadamente dois minutos e realizaram a abordagem em um ponto de ônibus no bairro Ocian, no sábado (2). Durante a pesquisa pessoal, ele foi identificado como procurado da Justiça de Santa Catarina e acabou sendo preso. Centro Integrado de Comando e Operações Especiais (Cicoe) de Praia Grande, SP Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande/Divulgação O inspetor chefe da GCM, Marco Alves dos Santos, informou que a cidade tem 3,7 mil câmeras espalhadas, sendo que 122 contam com esse reconhecimento facial. De acordo com ele, alguns critérios definem em quais regiões os equipamentos são instalados. "São locais de grande movimentação de pessoas e também, de alguma forma, de interesse de rotas de crime. Pessoas que, por algum motivo, cometeram algum tipo de delito e acabam utilizando uma rota para poder sair desses locais", explicou o inspetor, em entrevista à TV Tribuna. Médico que estuprava pacientes e filmava os crimes é preso em Praia Grande, SP Condenação Em fevereiro de 2019, Neandro foi preso pela primeira vez durante a operação ‘Jaleco Branco’, realizada pela Polícia Civil de Santa Catarina. Ele atuava como clínico geral em Itajaí quando foi surpreendido pelo mandado de prisão temporária. Em outubro de 2025, Neandro foi condenado a 16 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude pela Segunda Vara Criminal da Comarca de Itajaí, do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina. De acordo com o mandado de prisão, a Justiça entendeu que o médico praticou violação sexual por três vezes, além de estupro de vulnerável contra pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não podiam oferecer resistência. Segundo a decisão da Justiça, Neandro se aproveitou da posição de médico para agir com abuso de poder ou violação de dever inerente à profissão. O mandado de prisão tinha validade até 2045. O médico Neandro Schiefler, de 46 anos, foi condenado a 16 anos de prisão Reprodução/Redes sociais Intervenção do CRM Em 2019 e 2020, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina determinou a interdição cautelar do registro profissional de Neandro, que se tornou alvo de um processo ético profissional. No entanto, o CRM cassou o registro permanentemente após julgamento do Tribunal Superior de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina. A decisão foi publicada em junho de 2023, levando em consideração uma série de artigos do conselho que Neandro infringiu. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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Elon Musk pagará multa de US$ 1,5 milhão por não divulgar compra de ações do Twitter

Publicado em: 05/05/2026 00:42

Elon Musk chega ao tribunal para o julgamento contra a OpenAI. Godofredo A. Vásquez/AP Photo Elon Musk fechou um acordo na ação civil movida pela Securities and Exchange Commission (SEC), que acusava o acusa de demorar para divulgar suas primeiras compras de ações do Twitter (atual X), em 2022. Um fundo em nome de Musk pagará uma multa civil de US$ 1,5 milhão, segundo o acordo divulgado nesta segunda-feira (4) em um tribunal federal de Washington, D.C. 🔎 A Securities and Exchange Commission (SEC) é a agência do governo dos Estados Unidos responsável por regular e fiscalizar o mercado financeiro. Musk não admitiu irregularidades e não terá que devolver os US$ 150 milhões que supostamente economizou com o atraso. O acordo ainda precisa ser aprovado pela juíza distrital Sparkle Sooknanan, que em fevereiro rejeitou o pedido de Musk para encerrar o caso. A decisão encerra mais de sete anos de disputas entre Musk e o regulador, iniciadas em setembro de 2018, quando a SEC o acusou de fraude por publicar que havia garantido financiamento para fechar o capital da Tesla. Musk resolveu aquele caso pagando US$ 20 milhões, permitindo que advogados da Tesla revisassem alguns de seus posts no Twitter e deixando o cargo de presidente do conselho da empresa. “O sr. Musk agora foi inocentado de todas as questões relacionadas ao atraso no envio de formulários na aquisição do Twitter, como dissemos desde o início”, afirmou seu advogado, Alex Spiro, em nota. A SEC se recusou a comentar. Saiba mais: Elon Musk é considerado culpado por fraudar acionistas antes de comprar o Twitter Musk comprou ações a preços artificialmente baixos, diz regulador Rede social X, do bilionário Elon Musk AP Photo/Rick Rycroft Na ação de janeiro de 2025, a SEC afirmou que o atraso de 11 dias na divulgação da participação inicial de 5% no Twitter, no fim de março e início de abril de 2022, permitiu a Musk comprar mais de US$ 500 milhões em ações a preços artificialmente baixos, antes de revelar uma fatia de 9,2%. O órgão defendia que Musk pagasse multa e devolvesse os US$ 150 milhões supostamente economizados às custas de investidores. Musk alegou que o atraso foi involuntário e acusou a SEC de violar sua liberdade de expressão ao persegui-lo. A ação foi apresentada seis dias antes de o ex-presidente Joe Biden deixar a Casa Branca e ser substituído por Donald Trump. O atual presidente da SEC, Paul Atkins, tem redirecionado as prioridades do órgão. “É um dia embaraçoso para a SEC”, disse Amanda Fischer, ex-chefe de gabinete de Gary Gensler. Segundo ela, o acordo “deveria levar o público a questionar se a SEC está protegendo aliados da Casa Branca em detrimento de investidores comuns”. Musk liderou o Departamento de Eficiência Governamental no governo Trump, voltado à redução de custos, antes de deixar o cargo em maio passado. Robert Frenchman, sócio do escritório Dynamis, em Nova York, disse que a multa de US$ 1,5 milhão é “modesta para a pessoa mais rica do planeta”, mas pode desestimular violações semelhantes. “É uma mensagem ao mercado de que as regras se aplicam a todos, inclusive a Elon Musk”, afirmou. Musk concluiu a compra do Twitter por US$ 44 bilhões em outubro de 2022. Posteriormente, integrou o Twitter à sua empresa de inteligência artificial xAI e, depois, incorporou a xAI à sua empresa espacial SpaceX. A revista Forbes estima que Musk tenha patrimônio de US$ 789,9 bilhões. Acordo após troca na chefia da SEC As duas partes informaram em 17 de março que estavam em negociações para um acordo, um dia após a chefe de fiscalização da SEC, Margaret Ryan, deixar o cargo após pouco mais de seis meses. A saída ocorreu após divergências com outros líderes da agência sobre a condução de casos, segundo fontes. Um advogado de Ryan não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. A multa aplicada a Musk é a maior já imposta pela SEC para esse tipo de infração, segundo uma fonte com conhecimento do acordo. O caso é separado de outra ação civil, na qual um júri de San Francisco considerou Musk responsável, em 20 de março, por fraudar acionistas do Twitter após anunciar a compra da empresa. Os acionistas alegaram que Musk questionou a quantidade de contas falsas e de spam na plataforma, os chamados bots, para forçar uma renegociação do preço ou desistir da aquisição. Segundo eles, as declarações derrubaram o valor das ações, causando prejuízos. As perdas podem chegar a US$ 2,5 bilhões. Os advogados de Musk, incluindo Spiro, pedem a anulação da decisão ou um novo julgamento, classificando o veredito como “resultado de viés e preconceito contra um réu polarizador”. *Com informações da Reuters.

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Páginas pró-governo publicam versão de 'Dona Maria' para defender Lula nas redes

Publicado em: 04/05/2026 19:28

Perfis de esquerda que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a publicar uma versão própria da “Dona Maria”, personagem fictícia criada por Inteligência Artificial (IA) que viralizou nas redes com críticas ao governo. Na adaptação feita por páginas governistas, a personagem mantém as mesmas características físicas, mas adota um discurso favorável a Lula. Em vídeo publicado em 23 de abril por perfis como Lula Pela Verdade, Comitê Popular Oficial, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Brasil 4.0 e Jovem Esquerda Br, a idosa critica a escala 6x1 e a família Bolsonaro. Dona Maria, personagem criada por inteligência artificial Reprodução “Eles mentiram pra nós. Falaram que o Lula ia acabar com o Brasil, mas tudo que vejo é o homem trabalhando pelos brasileiros. Fica difícil falar mal dele com ele propondo o fim da escala 6 por 1. Enquanto a família Bolsonaro, que eu tanto defendi, está mais preocupada em vender o Brasil em benefício próprio”, diz o avatar. A versão original da personagem de IA ganhou projeção a partir de 2025, com vídeos de tom emocional e linguagem agressiva contra o governo. Um dos conteúdos publicados no Instagram, em 10 de julho daquele ano, alcançou 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários. De acordo com uma análise da BBC News Brasil, o perfil tem engajamento próximo ao de políticos tradicionais da direita brasileira, com uma média de mais de 2 mil comentários por publicação. Ao menos 12 vídeos da página tiveram mais de 1 milhão de visualizações em menos de um ano. Na época do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a “Dona Maria” foi uma das vozes mais reproduzidas nas redes sociais. A personagem viralizou ao comentar a crise comercial e criticar a postura do governo brasileiro diante das medidas. Publicação feita por perfis progressistas imita estratégia da direita Reprodução "Eu já estou revoltada com essa p*, Brasil. E o molusco (referência ao presidente Lula) está calado. Agora que o povo está levando no r* com taxa gringa, ele está calado igual siri na lata. Cadê o povo na rua? Cadê panela batendo, cadê o grito, cadê a revolta? Ou todo mundo virou planta? Porque eu tô aqui gritando e só escuto o vento e a taxa vindo", diz em um dos vídeos. Diante da repercussão, PT, PV e PCdoB — que formam a Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil) — acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 22 de abril, os partidos protocolaram uma representação pedindo a suspensão e a indisponibilização de perfis com o nome “Dona Maria” em plataformas como Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X.

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Terras Raras: relator propõe fundo com participação da União e incentivo fiscal para processar minério no país

Publicado em: 04/05/2026 19:28

Brasil e Vietnã se igualam à China em terras raras, mas ficam atrás em exploração O relator do projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos e estratégicos, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), apresentou nesta segunda-feira (4) um relatório que autoriza a criação de um fundo garantidor de até R$5 bilhões para estimular projetos na área. O texto teve a urgência aprovada e está na pauta da Câmara dos Deputados desta semana, com previsão para ser analisado na terça-feira (5). 💰 O texto autoriza a União a criar um fundo, do qual participará como cotista, no limite de R$2 bilhões. O fundo terá natureza privada. 🚜 Também serão cotistas outras empresas que tiverem receita a partir da pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais críticos e estratégicos. Conforme o relator, o BNDES estima que sejam necessários R$5 bilhões para destravar os projetos. “Esse fundo é muito importante. Quando recentemente o BNDES fez uma chamada sobre projetos vinculados a processamento e beneficiamento de minerais críticos, o volume foi muito significativo”, afirmou o relator. Mina de terras raras em Minaçu (GO) é alvo de acordo bilionário entre empresa brasileira e americana; operação prevê expansão da produção e fornecimento por 15 anos Divulgação/Serra Verde Incentivos a processamento Conforme o relator, o projeto cria condicionantes para desestimular a produção de commodities e incentivar o processamento e agregação de valor no Brasil. O texto não define, mas segundo o relator, abre a possibilidade de ser criar impostos para inibir a exportação “Isso não é uma novidade. Hoje, pela legislação, o governo tem a possibilidade de estabelecer imposto sobre exportação. A legislação permite. Isso pode ser visto (Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos – CMCE) pontualmente para alguns minerais e outros não”, disse Jardim. A proposta cria crédito fiscal vinculado a agregação de valor para as empresas. De acordo com o relator, os créditos podem ser concedidos para empresas que firmem contrato de longo prazo, de no mínimo cinco anos. Somente terão acesso aos créditos os projetos considerados prioritários e o percentual do crédito fiscal concedido poderá ser proporcional à agregação de valor na cadeia dos minerais. O que são terras raras e minerais críticos? As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para o funcionamento de uma série de produtos modernos. Conforme o texto, a lista de minerais será elaborada pelo Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos e revisada a cada 4 anos. Apesar do nome, elas não são exatamente raras: estão espalhadas pelo mundo, mas geralmente em baixas concentrações, o que torna a extração economicamente desafiadora. As terras raras fazem parte de um grupo mais amplo conhecido como minerais críticos. Entre eles estão o lítio, o cobalto, o níquel e o grafite, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Esses minerais se tornaram ainda mais vitais para a economia global, porque podem ser usados no contexto da transição energética, incluída a mobilidade de baixo carbono, e do avanço da inteligência artificial e da digitalização das empresas. Hoje, cerca de 70% da produção global de terras raras está concentrada na China, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A principal mina do mundo é Bayan Obo, no norte do país. Atualmente, o Brasil tem a maior reserva de nióbio do mundo, é o segundo em reservas de grafita, segundo em terras raras, com 21 milhões de toneladas e o terceiro maior em reservas de níquel.

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'David da Vinci', o menino gênio mexicano com QI superior ao de Einstein

Publicado em: 04/05/2026 18:26

'Não somos extraterrestres: temos altas habilidades, mas continuamos sendo crianças', comenta David. BBC David Camacho provavelmente não irá gostar do título desta reportagem. Primeiramente, porque não se identifica com a descrição de "menino gênio", embora seu quociente de inteligência (QI) de 162 esteja muito acima dos 130 fixados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como mínimo para considerar uma pessoa com altas habilidades ou intelectualmente superdotado. "Os gênios já estão no túmulo e, se foram gênios, é porque fizeram coisas geniais", explica ele, modestamente, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. Em segundo lugar, porque ele admite que não lhe agrada muito ser comparado com outras mentes brilhantes, como a dos físicos Stephen Hawking (1942-2018) ou Albert Einstein (1879-1955), que tinham QI estimado de 160. "Tenho 10 anos e estou apenas começando", prossegue ele. "Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida, certo?" VEJA TAMBÉM: Vídeos em alta no g1 Mas existe, sim, um gênio que serve de inspiração para o menino. Ele chegou a adotar seu sobrenome nas redes sociais, onde é conhecido como "David da Vinci". "Minha professora do jardim da infância me ensinava muito sobre Leonardo da Vinci [1452-1519] e como ele era polímata: alguém que combina as ciências, tecnologia, engenharia, matemática, artes, ciências humanas... de tudo um pouco", recorda ele. "Fiquei impressionado com a sua história, até que disse: 'Quero ser como ele', para fazer grandes coisas." E, por enquanto, David parece estar bem encaminhado rumo a este sonho. Da Nasa para o seu próprio livro Eloquente, sempre sorrindo e com um discurso articulado e surpreendente para sua pouca idade, este menino de Querétaro, na região central do México, conta casualmente que oferece conferências em universidades e para organismos internacionais. E está a ponto de publicar um livro. David Camacho também teve a "grandiosa oportunidade" de ser selecionado para visitar a sede da Nasa em Houston, no Estado americano do Texas. Ele participou de um programa de treinamento espacial, pilotou um voo simulado e vivenciou a gravidade zero. Seu futuro poderá levá-lo em direção à Nasa, mas ele não quer fechar nenhuma porta. "Gostaria de fazer a primeira cirurgia no espaço", ele conta. "Criar a próxima SpaceX, ser o próximo Elon Musk, algo assim. Combinando tudo com os negócios, com as ciências humanas... tenho toda a vida pela frente!" David Camacho participou de um programa de treinamento espacial na Nasa. Nasa Atualmente, David Camacho estuda em uma escola internacional online, que o certificará para poder entrar na universidade. Ele fala espanhol, inglês, francês e alemão e começou a estudar russo, português e italiano. Ele garante que é "um orgulho" ter um quociente de inteligência tão alto e o que ele mais aprecia em ser uma criança com altas habilidades é poder entender tudo rápido e aprender de forma acelerada. "Não são muitas as pessoas que nascem assim, de forma que eu gostaria de usar isso em favor das crianças e do bem-estar da humanidade, deixar a minha marca", afirma ele. Mas ele acredita que nem todos entendem o que é ser um menino gênio. "Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo." "Muitas vezes, eles me desafiam, dizendo: 'Se você é um menino gênio, diga a raiz quadrada não sei do quê, multiplique por tanto...' Espere, se eu não aprendi, não vou saber!", ele conta, rindo. Combatendo o bullying Sua mãe, Claudia Flores, recorda as primeiras indicações que a fizeram pensar que havia algo especial com David. "Fazíamos uma longa viagem na estrada e ele sabia cerca de 40 canções infantis", relembra ela. "Nós o mandamos para a escola e ele ficou feliz por 15 dias. Mas, depois, começou a pedir: 'Me passe para as crianças maiores, quero aprender mais'." "Aquilo me entediava muito", conforma ele. Mas o momento decisivo chegou com a pandemia de covid-19. Sua mãe se sentou ao seu lado enquanto ele fazia as aulas online e percebeu que era verdade que ele aprendia muito rapidamente, em comparação com as outras crianças. "Perguntei até que número ele sabia e acabamos contando até os milhões", relembra a mãe. "Por isso, comecei a pesquisar o que eram crianças com altas habilidades e especialistas me disseram como cuidar disso." A mãe de David Camacho percebeu que seu filho aprendia com muita rapidez, em comparação com as outras crianças. BBC Mas, apesar de todas as suas conquistas, chegar até aqui não foi fácil para David. Ele conta que sofreu muito naquela que era a escola dos seus sonhos. "As outras crianças não entendiam por que alguém que acabava de entrar na escola conseguia saber mais coisas do que eles, nem como podia fazer tantas coisas", explica ele. "E a sua forma de demonstrar isso era me fazendo bullying." Ele decidiu recentemente aproveitar esta má experiência para dar a volta por cima e empregá-la para desenvolver o aplicativo Macayos, que estará disponível ao longo deste ano. Ele o define como "a primeira plataforma digital mexicana criada com inteligência artificial, que ensina às crianças, de forma divertida, capacidades para saber gerenciar suas emoções". David Camacho pede a todos os que praticam bullying com crianças como ele que sejam empáticos e inclusivos. "Não somos extraterrestres: temos altas habilidades, mas continuamos sendo crianças." Ele, de fato, reconhece que muitas das suas relações são com pessoas adultas, pois sente que "não se encaixa" com muitas crianças. Mas também garante que faz coisas habituais da sua idade, como brincar com seus blocos de montar ou ir ao parque. "Muitos pensam que sou um menino disfarçado de adulto, mas sou um menino que faz coisas de criança... e também parte das coisas de adultos", resume ele. O diagnóstico 'David da Vinci' teve sorte porque seu diagnóstico de altas habilidades chegou com relativa rapidez à sua vida. Muitas crianças são identificadas erroneamente como tendo transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), por se apresentarem inquietas ou se entediarem na escola. E também pode haver confusão com o autismo. "O que acontece é que a criança já entendeu o que está sendo explicado e quer algo mais", indica Flores. Estimativas elaboradas por instituições como o Centro de Atenção ao Talento do México (Cedat) indicam que pode haver um milhão de crianças superdotadas no país. Mas a grande maioria não foi identificada e 93% deles foram mal diagnosticados. "Tenho certeza de que existem no México muitas crianças como eu que não recebem apoio, nem orientação", afirma o menino. "Fico muita triste ao ver que existem grandes talentos que precisam ir para outros países porque sua família não teve os recursos ou porque não encontraram oportunidades por aqui." No Brasil, a organização Mensa, fundada em 1946 no Reino Unido para reunir pessoas superdotadas, calcula que possa haver cerca de 4 milhões de brasileiros "superinteligentes", entre adultos e crianças — ou seja, com QI acima dos 130 pontos. Sua inspiração em Leonardo da Vinci gerou o nome com que ele é conhecido nas redes sociais: 'David da Vinci'. BBC Durante toda a entrevista, David Camacho fala com muita rapidez. Ele pula de um tema para outro com facilidade e retorna, se achar que se esqueceu de mencionar algo importante. Claudia Flores reconhece que ser mãe de um menino como ele é um grande desafio. "Ser a mãe de Edgar David Camacho Flores é muito fácil, pois ele é um menino tranquilo, nobre e amoroso. Mas ser mãe de David da Vinci é o desafio, pois ele é acelerado, anda correndo..." "Eu digo que ele tem dois esquilos naquela cabecinha. Mas ele responde que não, que tem um computador quântico", conclui a mãe, sorrindo.

Musk buscou acordo com OpenAI antes de julgamento, mostra processo

Publicado em: 04/05/2026 15:33

Elon Musk chega ao tribunal para o julgamento contra a OpenAI. Godofredo A. Vásquez/AP Photo Elon Musk entrou em contato com o presidente da OpenAI, Greg Brockman, para avaliar o interesse em um acordo dois dias antes do início de um julgamento nos Estados Unidos em que o bilionário acusa da criadora do ChatGPT de ter traído sua missão original de desenvolver inteligência artificial sem fins lucrativos. Quando Brockman sugeriu que ambas as partes desistissem de suas reclamações, Musk teria dito: "Até o final desta semana, você e Sam serão os homens mais odiados dos EUA. Se você insistir, assim será", segundo consta em um novo documento incorporado ao processo após ser apresentado no domingo. O bilionário se referiu a Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI. Musk afirmou na quinta-feira passada que leu apenas o título de um termo de compromisso de 2017 relacionado à mudança da OpenAI de uma estrutura sem fins lucrativos para uma organização com fins lucrativos. O bilionário afirma que os líderes da OpenAI lucraram indevidamente com suas contribuições de caridade, quando a empresa ainda operava em um esquema sem fins lucrativos. Vídeos em alta no g1 O fundador da SpaceX está buscando mudanças na liderança da OpenAI e US$150 bilhões em indenizações da empresa e da Microsoft, uma das maiores investidoras da criadora do ChatGPT. O julgamento perante a juíza distrital dos EUA Yvonne Gonzalez Rogers em Oakland, Califórnia, começou em 28 de abril e deve durar várias semanas, com um veredicto podendo ocorrer em meados deste mês. Musk, seu advogado e a OpenAI não responderam imediatamente a pedidos da Reuters para comentar o assunto.

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