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'Será que?': Criador de trend nas redes sociais, João Inácio Júnior foi apresentador que passou mais tempo à frente de telejornal no CE

Publicado em: 05/04/2026 04:01

Vídeos de apresentador cearense João Inácio Jr. viram trend com repercussão nacional A cantora Ivete Sangalo e o humorista Whindersson Nunes foram alguns dos brasileiros que entraram, nos últimos meses, na trend iniciada pelo apresentador cearense João Inácio Júnior (confira no vídeo acima). Autor de vídeos que viralizaram nas redes sociais, ele tem 50 anos de carreira no rádio e na televisão. Na TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará, João Inácio foi o apresentador que passou mais tempo à frente de um telejornal: foram 22 anos no comando do noticiário da noite, que se chamava Jornal do 10 e hoje é o CE2. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Com uma dança de estilo próprio e brincadeiras em torno da pergunta “será que eu sou gay?”, os vídeos de João Inácio Júnior começaram a "viralizar" por todo o país a partir de novembro de 2025. A escolha do tema faz humor com a própria trajetória, pois ele conta que escuta perguntas e especulações sobre a sexualidade desde o início da carreira. O sucesso dos vídeos abre também espaço para que ele continue se posicionando como apoiador da causa LGBTQIA+. Apresentador de telejornais João Inácio Jr. comenta sobre passado como apresentador de telejornais no Ceará Uma versão mais séria do João Inácio Júnior esteve no ar nos telejornais locais do Ceará até o início dos anos 2000. Na TV Verdes Mares, ele passou 22 anos no comando do Jornal do 10, antigo nome do CE2. Isso faz com que ele seja o apresentador com maior tempo à frente de um telejornal da emissora. "Eu apresentava durante 15 minutos notícias aqui do Ceará, e aí, depois de 15 minutos, pontualmente às oito da noite, eu dizia: 'Agora as notícias do Brasil e do mundo com Cid Moreira e Sérgio Chapelin'", lembrou João Inácio, em entrevista pelos 50 anos da TV Verdes Mares. Ao g1, ele explicou que acabou passando por todos os telejornais nos anos em que esteve no ar pela emissora (confira no vídeo acima). E falou sobre a diferença na postura dos âncoras no passado. Como recorda, os apresentadores geralmente se posicionavam sentados atrás de uma bancada, em um padrão de movimentos e expressões mais contidos em comparação com os dias atuais. ‘Agora a Ivete fica famosa’ Ivete Sangalo e Whindersson Nunes são alguns dos famosos que fizeram trend iniciada por João Inácio Jr. Reprodução Na última segunda-feira (30), a cantora Ivete Sangalo publicou um vídeo utilizando a trend criada por João Inácio Júnior. No vídeo, a artista divulgou informações sobre a nova turnê com referências aos vídeos do apresentador, como a expressão 'o pau que rola na internet'. Entre os amigos, o comunicador escutou que ‘agora a Ivete fica famosa’, em tom de brincadeira sobre a crescente repercussão dos vídeos dele nas redes sociais. Todos os dias, ele acompanha os novos usos da trend feitos por pessoas de idades e profissões diversas em todo o Brasil. O movimento tem sido uma nova etapa do sucesso dele nas redes. O comunicador explicou que, há pelo menos dois anos, gera comentários e brincadeiras com o público local por causa dos vídeos em que apresenta uma dança, que ele criou misturando passos do piseiro, da aeróbica e dos movimentos de um jogador de futebol. O amor pelo esporte também aparece na escolha do visual para os vídeos. As chuteiras de futebol de campo geralmente têm cores vibrantes combinando com outros acessórios. Ele veste também camisas de times, mas evita os clubes locais para não despertar confusões com torcedores. João Inácio Jr. nos vídeos que viralizaram nas redes sociais Reprodução A novidade que acabou viralizando nacionalmente foi quando ele adicionou frases aos vídeos de dança. Para ele, a brincadeira remete às especulações sobre a sua sexualidade, que carrega desde o início da carreira (confira abaixo na reportagem). Para além da piada, o humor virou oportunidade para que ele enfatize a defesa de um mundo mais diverso e menos preconceituoso. “Eu escolhi um tema que tem a ver com toda a minha história e é um tema bacana, de inclusão, de amor, de apoio. Eu não tinha ideia da repercussão. É claro que eu sabia que ia ter uma repercussão grande aqui [no Ceará], porque o pessoal vê o cara da televisão e do rádio dando pulinho numa praça… Isso já chamaria atenção por si só. Aí eu resolvi falar durante os pulinhos, com um tema muito interessante”, contou ao g1. Para o comunicador, uma das maiores surpresas foi quando ele foi abordado em um shopping por um homem que veio agradecer pelas mensagens de apoio à comunidade LGBTQIA +. O homem, de 35 anos, relatou que ficou muito tempo sem falar com o pai depois de ter revelado ser gay. “Ele disse: ‘Meu pai é muito seu fã. Depois que você começou a fazer isso, ele me chamou para uma conversa. Ele quis me pedir perdão por tanta dor que ele causou’. Eu acho isso tão bacana, sabe? Essas pessoas sofreram tanto, e saber que posso contribuir de alguma forma me deixa muito feliz”, relatou João Inácio, bastante emocionado. A partir da brincadeira do ‘será que?’, ele conta que a trend tem sido usada de formas diversas, desde políticos mostrando seus resultados até pessoas que querem falar de suas profissões. Tudo isso ao som de “La Isla Bonita”, da cantora Madonna. O sucesso também é evidenciado nas dezenas de convites que João Inácio tem recebido para propagandas e participações em podcasts e programas de TV, em todo o Brasil. 50 anos de histórias João Inácio Jr. atua há 50 anos na comunicação cearense, com programas no rádio e na televisão Arquivo SVM Foi em 1976 que, aos 19 anos, João Inácio Júnior começou a trabalhar em uma rádio de Fortaleza como noticiarista, lendo as principais notícias no ar. Era o início de uma carreira na qual ele exploraria linguagens e formatos diversos. Ainda no primeiro mês, ele ganhou um programa próprio, no qual passou a mesclar música e informação na rádio. A passagem para a televisão também veio em pouco tempo, no segundo mês de atividades. “Eu comecei na TV da Rede Tupi, aqui no Ceará, e na rádio. Em dois meses, eu era muito conhecido, era um sucesso absoluto. E aí, iniciou essa história de que eu era gay. E eu nunca me incomodei porque eu nunca vi problema em uma pessoa ser gay ou ser lésbica. Eu não me incomodava nem explicava”, contou ao g1. Uma das atividades do comunicador era também apresentar eventos, como os desfiles de moda seguidos de bailes em Fortaleza. Nas festas, as pessoas começaram a perguntar se ele também sabia cantar. “Eu me meti a cantar de brincadeira. E aí virou sério, e eu virei cantor durante 22 anos”, recorda João Inácio. Nas décadas de 1980 e 1990, ele foi vocalista do grupo de forró Banda Malícia. Ele brinca que o uso de collant e calças bem apertadas durante as apresentações ajudou a espalhar os comentários sobre a sua sexualidade. E recorda que sempre se posicionou como aliado da causa LGBTQIA+, destacando, em seus programas, momentos importantes, como a transmissão de um casamento coletivo homoafetivo. O evento havia sido organizado pelo humorista cearense Paulo Diógenes, que atuava na defesa da diversidade sexual. Aos 69 anos, João Inácio Júnior relembra histórias de seus 50 anos como comunicador no Ceará Ismael Soares/SVM Alguns dos programas de sucesso comandados por João Inácio Júnior foram o Disque e Toque, na FM 93, e o João Inácio Show, na Rádio Verdes Mares AM e na TV Diário. A voz marcante, o humor e os personagens do rádio foram aspectos que ajudaram o comunicador a entrar para a história da mídia cearense. Um dos personagens mais famosos foi o Seu Gereba, um velho ‘esculhambado’ que abusava das piadas escrachadas ou de duplo sentido. Atualmente, João Inácio apresenta o programa Bafulê, trazendo informações e entretenimento na TV Diário e na rádio Verdinha 92.5. Com um formato em que aparece sempre no vídeo, o comunicador conta que deu um tempo nos personagens que dependiam apenas da sua voz. “Eu precisaria de bonecos para operacionalizar isso. Ou agora, criar com inteligência artificial. Mas a criatividade também não é tão simples. Ali, no caso dos personagens, eu pegava o tema do momento. Então, eu estava falando uma notícia, e já entravam os personagens, era uma criação imediata. Com bonecos ou inteligência artificial, eu teria que criar antes”, explicou. As histórias do Seu Gereba, do Chico Lacraia ou do Vovô Maraponga estão apenas na memória dos cearenses por enquanto. No entanto, João Inácio continua encontrando novas formas de entreter o seu público. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Palavras-chave: inteligência artificial

Médicos criam aplicativo para orientar famílias sobre primeira infância e faturam R$ 27 mil por mês

Publicado em: 05/04/2026 02:00

Médicos criam aplicativo com IA para orientar pais sobre cuidados na primeira infância Imagine uma mãe acordando às três da manhã preocupada com a febre do filho. Em vez de abrir dezenas de sites ou recorrer a fóruns na internet, ela busca uma orientação rápida, clara e confiável. Foi pensando nesse tipo de situação que um grupo de empreendedores criou, em Goiânia (GO), um aplicativo voltado para cuidados e orientações na primeira infância. A plataforma foi idealizada pela odontopediatra Luciane Costa e pelo pediatra Paulo Sucasas, que se uniram a outros três sócios — uma psicóloga, uma cientista da computação e um engenheiro com formação em administração — para desenvolver uma solução digital que ajudasse pais e cuidadores a acompanhar o desenvolvimento infantil. O foco do aplicativo é a fase da primeira infância, que vai do nascimento até os seis anos de idade. A ideia surgiu da experiência profissional dos fundadores e do contato frequente com dúvidas e inseguranças de famílias durante consultas. “Cuidar de uma criança é como estar em uma orquestra em que o regente é a própria criança. Todos precisam tocar afinados, porque quando alguém desafina, o desenvolvimento também pode ser afetado”, diz Luciane. Segundo os empreendedores, a motivação para criar o negócio também veio das histórias de mães atendidas nos consultórios e da própria experiência deles como pais. “O objetivo era levar para os pais as informações essenciais sobre desenvolvimento infantil, especialmente o desenvolvimento neuropsicomotor, que precisa ser acompanhado ao longo dos primeiros meses e anos de vida”, afirma Paulo. Da ideia até o lançamento do aplicativo, o projeto levou quase sete anos de desenvolvimento. Durante esse período, a empresa também recebeu apoio por meio de editais e programas de incentivo à inovação. O investimento inicial no negócio foi de R$ 82 mil, valor usado principalmente para desenvolver a tecnologia da plataforma. Hoje, a startup registra faturamento médio mensal de cerca de R$ 27 mil. Médicos criam app para orientar famílias sobre primeira infância e faturam R$ 27 mil por mês Reprodução/PEGN Inteligência artificial com curadoria médica O aplicativo oferece diferentes tipos de conteúdo para os usuários, como artigos, vídeos educativos e uma comunidade de famílias que trocam experiências. Um dos recursos mais utilizados é um chat com inteligência artificial disponível 24 horas por dia. O diferencial, segundo os fundadores, é que as respostas da IA passam por curadoria de profissionais da saúde, o que busca garantir maior segurança nas orientações. “Nós testamos diversas tecnologias de inteligência artificial, mas a maioria foi criada para propósitos gerais. O nosso propósito é muito específico: parentalidade e domínio médico”, explica a cientista da computação Nádia Félix, uma das sócias. Hoje, cerca de 24 profissionais, em sua maioria da área da saúde, participam da produção e revisão do conteúdo disponível no aplicativo. Modelo de negócios A plataforma funciona em modelo freemium. Existe uma versão básica gratuita e dois planos pagos: Plano essencial: R$ 25 por mês Plano comunidade: R$ 30 por mês A startup também aposta em estratégias de divulgação digital e no boca a boca entre pais e profissionais da saúde. O aplicativo já registra quase 2 mil downloads, com metade dos usuários formada por mães e cuidadores e a outra metade por profissionais da área médica. Outra frente de expansão do negócio é oferecer a tecnologia para consultórios, permitindo que médicos acompanhem o desenvolvimento de pacientes pela plataforma. Médicos criam app para orientar famílias sobre primeira infância e faturam R$ 27 mil por mês Reprodução/PEGN Impacto para as famílias Para quem utiliza o aplicativo, o acesso rápido às informações pode fazer diferença em momentos de insegurança. A mãe Larissa Arbués Carneiro conta que recorreu ao chat da plataforma após o filho cair da cama. “Eu fiquei com muito medo e perguntei o que deveria observar. A orientação foi clara sobre quais sinais acompanhar e em que situação procurar atendimento médico. Isso me deixou muito mais tranquila”, afirma. Segundo os fundadores, a proposta da ferramenta não é substituir profissionais de saúde, mas ampliar o acesso das famílias a informações confiáveis. “Como pediatra, vejo que o aplicativo cria uma oportunidade para que pais e cuidadores tenham acesso a orientações importantes”, diz Paulo. Para Luciane, o projeto também tem um significado pessoal. “É uma forma de devolver às mães e às famílias alguns dos privilégios e aprendizados que tive ao longo da vida.” Médicos criam app para orientar famílias sobre primeira infância e faturam R$ 27 mil por mês Reprodução/PEGN Mamãe Pingo (App Infantil) 📍 Endereço: Avenida T2, 471, Sala 714 – Edifício Focus Business Center – Setor Bueno, Goiânia/GO – CEP: 74210‑005 📞 Telefone/WhatsApp: (62) 99621‑7347 📧 E‑mail: contato@mamaepingo.com 🌐 Site: https://mamaepingo.com.br 📸 Instagram: https://www.instagram.com/mamaepingo 📘 Facebook: https://www.facebook.com/share/17nQdS14R4 Impact Hub Goiânia 📍 Endereço: Avenida T4 – Shopping Buena Vista – Setor Bueno, Goiânia/GO – CEP: 74230‑030 📞 Telefone/WhatsApp: (62) 98144‑6677 🌐 Site: https://impacthub.net 📸 Instagram: https://www.instagram.com/impacthubgoiania

Energia desviada em ‘gatos’ por 3 meses abasteceria 2,1 mil famílias por um mês na região de Presidente Prudente

Publicado em: 04/04/2026 18:48

Casos suspeitos de furto e fraude de energia são confirmados por meio de inspeções técnicas em campo. Energisa Sul-Sudeste/Divulgação Furtos e fraudes de energia elétrica geraram um prejuízo superior a R$ 403 mil na região de Presidente Prudente (SP) nos três primeiros meses de 2026. Segundo a concessionária responsável pelo fornecimento, foram identificadas 105 irregularidades no período. De acordo com a Energisa Sul-Sudeste, as ocorrências incluem ligações clandestinas e adulterações em medidores, que resultaram no desvio de 430.532 kWh de energia. O volume de energia recuperado seria suficiente para abastecer cerca de 2,1 mil famílias durante um mês. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Segundo o coordenador de Combate a Perdas de Energia da empresa, Sidney Aparecido Lucio de Souza, além de ser crime, esse tipo de prática também representa risco à segurança. “Ligações clandestinas sobrecarregam a rede elétrica e podem provocar acidentes graves, como choques e incêndios. Além disso, quem realiza esse tipo de intervenção não tem autorização nem qualificação, o que aumenta ainda mais o perigo”, afirmou. veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para identificar irregularidades, a concessionária informou que utiliza tecnologia e análise do comportamento de consumo dos clientes, com apoio de sistemas de inteligência artificial. Os casos suspeitos são verificados por meio de inspeções técnicas em campo. A empresa também alerta que o prejuízo causado por furtos e fraudes acaba sendo repassado aos consumidores, conforme prevê a legislação do setor elétrico. Situações suspeitas podem ser denunciadas de forma anônima pelo telefone 0800 70 326 ou pelo site da concessionária. Initial plugin text Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Influencer que imitou macaco no Rio diz repudiar gestos semelhantes do pai após vídeo em bar na Argentina

Publicado em: 04/04/2026 17:06

Pai de mulher presa por racismo no Rio imita macaco horas após ela voltar à Argentina A advogada e influenciadora Agostina Páez, ré por injúria racial no Brasil, publicou um posicionamento em suas redes sociais para se desvincular das atitudes do pai, o empresário Mariano Páez, que foi filmado em um bar de Santiago del Estero imitando um macaco e afirmando sentir “asco pelo Estado” (veja acima). “O que se vê é lamentável e eu repudio completamente. Eu me responsabilizo pelo que fiz: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos”, afirmou. Os gestos são semelhantes aos que Agostina fez em direção a funcionários de bar em Ipanema, em janeiro. Ela foi detida à época e permaneceu por mais de dois meses no país, sob monitoramento com tornozeleira eletrônica (veja mais detalhes abaixo). A manifestação do pai ocorreu menos de 24 horas após o retorno dela à Argentina, e o vídeo repercutiu nas redes sociais. Em seu perfil, Agostina demonstrou abatimento com a situação e repudiou o comportamento do pai. A influenciadora também declarou que não tem qualquer relação com o episódio. “Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Eu estava em casa, acompanhada de amigos que estiveram ao meu lado durante todo esse tempo”, escreveu. Na sequência, ela destacou que o pai esteve presente durante o período difícil que enfrentou, mas reforçou que não pode ser responsabilizada pelas atitudes dele. Agostina posta esclarecimento após vídeo do pai Reprodução/Redes sociais As imagens foram divulgadas por um site local e mostram o empresário em uma saída noturna acompanhado da companheira. Em determinado momento, ele grita e imita um macaco — o mesmo gesto que levou a filha a ser presa no Brasil. Além desse vídeo, também circulou outra gravação em que o empresário afirma que foi ele quem pagou a fiança de US$ 18 mil para que a filha responda ao processo em liberdade e que não recebeu dinheiro público. Na gravação, ele diz: “Eu tenho asco do Estado. Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…”, afirma, cercado por outras pessoas. Segundo o jornal La Nación, o pai afirmou que as gravações foram feitas com uso de inteligência artificial. O g1 submeteu o vídeo a ferramentas, que analisaram como entre 0% e 2% a chance de ter IA na geração das imagens. Polícia investiga advogada argentina por ofensas racistas em Ipanema Sem tornozeleira A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que Agostina Páez, ré por injúria racial, retirou a tornozeleira eletrônica na terça-feira (31), após receber permissão da Justiça. Ela retornou para seu país nesta quarta (1º) e falou com jornalistas no aeroporto em Buenos Aires. A advogada também se encontrou com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, uma das representantes da direita do país. O encontro foi registrado com uma selfie postada pela ex-ministra em uma rede social (veja abaixo). Agostina Páez posou para selfie com a ex-ministra Patricia Bullrich na volta à Argentina Reprodução/X Agostina definiu o que passou no Brasil como um "calvário", mas se disse arrependida por sua "reação", no episódio de gestos e palavras racistas contra funcionário de um bar na Zona Sul do Rio. "Apesar do contexto, me arrependo de ter reagido desta maneira, mas agora estou aqui". Ela afirmou que não é racista. "Há uma lei no Brasil que é muito severa", disse aos jornalistas. "Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil", disse. Ela aconselhou os viajantes que conheçam os contextos das leis no Brasil. A advogada foi autorizada a voltar para a Argentina após a defesa obter um habeas corpus e o pagamento do valor de fiança estabelecido pela Justiça do Rio de Janeiro. Ela vai responder ao processo em liberdade, a partir do país de origem. Pai de influenciadora ré por racismo no Rio é filmado imitando macaco Reprodução Fiança de R$ 97 mil Uma decisão da Oitava Câmara do Tribunal de Justiça determinou nesta segunda-feira (30) o cumprimento de condições, entre elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos - aproximadamente R$ 97 mil, para Agostina deixar o Brasil. A liminar foi expedida pelo desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso na Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e confirmada pelo colegiado. Segundo a denúncia do MPRJ, no dia 14 de janeiro deste ano, Agostina se referiu a um empregado de um bar em Ipanema como “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono”, que em espanhol significa “macaco”, além de imitar gestos do animal. Os gestos foram flagrados em vídeo. Ainda de acordo com a promotoria, ela voltou a fazer ofensas, usando expressões como “negros de m*rda” e “monos” para outros dois funcionários, caracterizando três crimes. A acusada chegou a ser presa e foi submetida a medidas cautelares como retenção de passaporte, proibição de sair do país e uso de tornozeleira eletrônica. Na decisão, o relator entendeu que, com o encerramento da fase de instrução do processo, deixou de existir a necessidade de manter as restrições impostas à ré. Agostina deverá manter endereço e contatos atualizados e se comprometer a atender às convocações da Justiça brasileira, mesmo estando fora do país. O relator considerou ainda que a acusada é primária, tem profissão definida e demonstrou colaboração com o processo, inclusive com manifestação pública de arrependimento. Para o magistrado, impedir a saída do país, mesmo após o fim da instrução, configuraria constrangimento ilegal. Ele também ressaltou que acordos internacionais entre Brasil e Argentina permitem, em caso de condenação, o cumprimento da pena no país de origem da acusada. Durante uma audiência em março, Agostina pediu desculpas para os três funcionários do bar pelos gestos racistas. O Ministério Público defendeu uma “reparação financeira pelo dano moral” às vítimas no valor de 120 salários mínimos, ou R$ 190.452. Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar Reprodução/TV Globo Pai de influenciadora ré por racismo no Rio é filmado imitando macaco Reprodução

Palavras-chave: inteligência artificial

Alunos criam lixeira 'inteligente' com sensores e IA para descarte correto de medicamentos

Publicado em: 04/04/2026 08:00

Alunos de Araçatuba (SP) criam lixeira 'inteligente' para descarte correto de medicamentos Etec de Araçatuba/Divulgação O descarte incorreto de medicamentos vencidos ou sem uso pode contaminar a água e gerar riscos à saúde. Pensando nisso, um grupo de estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) de Araçatuba (SP) desenvolveu uma lixeira “inteligente” que permite automatizar o processo. Batizado como TampAI, o projeto une tecnologia e preservação ambiental. Para desenvolver o equipamento, os alunos utilizaram recursos de automação e inteligência artificial. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp A ideia surgiu dentro da própria escola, a partir de uma demanda identificada pelos alunos do 3º ano do ensino médio Rafael Batista Prescinato, Vitor de Assis Silva e Felipe Braga Beltran, de 17 anos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na prática, o equipamento funciona sem contato físico, o que reduz os riscos de contaminação. Ao se aproximar do lixo, um sensor detecta a presença do usuário e aciona automaticamente a abertura da tampa. Segundos depois, ela se fecha sozinha. O sistema conta com um segundo sensor, responsável por monitorar o nível de armazenamento interno para evitar que o recipiente transborde. O lixo possui conectividade e envia dados em tempo real para uma plataforma que permite o acompanhamento do volume de resíduos. Conforme os alunos, ao oferecer um local adequado e controlado para o descarte, o projeto contribui para a redução dos impactos ambientais e a preservação da saúde. “É algo frequentemente negligenciado. Por isso, decidimos criar uma solução para eliminar esse problema”, explica Vitor de Assis. O descarte inadequado de medicamentos causa contaminação do solo e da água, já que substâncias químicas presentes nos remédios podem atingir os lençóis freáticos e os cursos d’água. Initial plugin text Isso afeta animais, plantas e pode retornar até ao consumo humano, caso a água sem tratamento seja ingerida. Além disso, medicamentos descartados incorretamente podem ser reutilizados de forma indevida, causando automedicação e intoxicações, bem como riscos de acidentes com crianças. LEIA MAIS Menina de 7 anos transforma fé em artesanato ao produzir terços infantis Inteligência Artificial atua como 'olho invisível' ao auxiliar cientista brasileiro em pesquisa para identificar molécula que destrói células cancerígenas 🗑️ Reconhecimento Alunos de Araçatuba (SP) apresentam lixeira criada para descarte correto de medicamentos Etec de Araçatuba/Divulgação Desde a concepção até a versão final, o desenvolvimento do protótipo levou cerca de sete meses, ou seja, de março a setembro do ano passado. O resultado foi apresentado na Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), um dos principais eventos de inovação estudantil do estado de São Paulo. Além do reconhecimento acadêmico, os alunos acreditam que o projeto tem potencial de aplicação prática em diferentes espaços. A proposta é que o repositório inteligente possa ser instalado em farmácias, unidades de saúde, escolas e locais públicos. Veja mais notícias da região em g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Como o tarifaço de Trump remodelou o comércio global

Publicado em: 04/04/2026 04:01

Trump durante anúncio do tarifaço em abril de 2025 Carlos Barria/Reuters Em 2 de abril de 2025, Donald Trump surpreendeu o mundo ao anunciar a "independência econômica" dos Estados Unidos, com a imposição de tarifas de importação a todos os países. Desde então, o presidente americano tem se mostrado disposto a manter a medida, mesmo com a Suprema Corte questionando a legalidade do tarifaço. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A DW analisou dados comerciais sobre a origem das importações dos EUA ao longo do último ano para entender os efeitos das tarifas de Trump. Como o mundo vem se ajustando a essa nova ordem econômica? E quem está se beneficiando dessas mudanças? Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como falas de Trump mexem no preço do petróleo — e como ele reage com respostas do Irã 2 de abril de 2025: Casa Branca anuncia as tarifas do "Dia da Libertação" No anúncio do tarifaço, no chamado "Dia da Libertação", a Casa Branca informou que todos os países — com algumas exceções devido a sanções e acordos comerciais pré-existentes — seriam submetidos a uma sobretaxa básica de 10% sobre todas as importações. Além disso, 85 países que exportam mais para os EUA do que importam seriam alvo de tarifas mais altas, que chegavam a até 50%. "Não acho que as pessoas esperavam que o governo dos EUA basicamente declarasse uma guerra comercial contra o mundo inteiro", afirma Haishi Li, economista da Universidade de Hong Kong, cuja pesquisa se concentra em como tarifas e sanções afetam o comércio global. O impacto foi imediato, e os mercados financeiros globais despencaram. Enquanto Trump insistia publicamente que "as grandes empresas não estão preocupadas com tarifas", o governo americano decidiu, em 9 de abril, fazer uma pausa de 90 dias em todas as tarifas acima da taxa básica de 10%. Durante essa suspensão, diversos parceiros comerciais, como União Europeia, Vietnã e Reino Unido, correram para negociar acordos comerciais na tentativa de reduzir as tarifas anunciadas. As negociações com a China permaneceram tumultuadas nos meses seguintes, com rodadas de ameaças de tarifas recíprocas que chegaram a até 125%. Após múltiplas extensões de última hora da pausa de 90 dias, as tarifas específicas por país entraram em vigor em 7 de agosto de 2025. O Brasil acabou sendo penalizado com uma tarifa adicional de 40%. Isso elevou para 50% a alíquota extra imposta às exportações brasileiras a partir de 6 de agosto. A sobretaxa, porém, foi revertida por decisão do próprio Trump no fim de novembro. Início de 2025: importadores dos EUA fazem estoques prevendo tarifas Mesmo antes de abril, já era claro que mudanças estavam a caminho. "As tarifas vão nos deixar ricos pra caramba", declarou Trump ao iniciar seu segundo mandato, em janeiro de 2025. As empresas americanas entenderam o recado. Em uma corrida para encher armazéns antes do aumento de custos, ampliaram drasticamente os pedidos e trouxeram para o país, entre janeiro e março, um volume de bens 20% maior do que a média de 2022 a 2024 — um salto equivalente a cerca de 184 bilhões de dólares (R$ 949 milhões). Prevendo tarifas mais altas sobre barras de ouro, por exemplo, os EUA importaram cerca de 50 vezes o volume habitual no início de 2025, totalizando aproximadamente 72 bilhões de dólares (R$ 371 bilhões) — principalmente da Suíça, mas também de fornecedores menos tradicionais, como Uzbequistão, Filipinas e Zimbábue. Grandes fabricantes em toda a Ásia também registraram fortes altas, com Taiwan, Vietnã e Índia exportando volumes acima do normal para os Estados Unidos nesse período. Abril a julho de 2025: empresas americanas migram para países com tarifas mais baixas O período de suspensão implementado em 9 de abril deu aos importadores americanos uma janela de três meses para se adaptar à nova situação. Um estudo de Haishi Li e colegas constatou que as empresas tentaram deslocar suas cadeias de suprimentos para países com menor risco tarifário. "As importações se comportaram como a água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas", disse Li à DW. Nenhum país sofreu uma redução maior do que a China, que enfrentou as ameaças tarifárias mais altas e voláteis. Entre abril e julho de 2025, os EUA importaram 66 bilhões de dólares a menos da China do que nos anos anteriores. O Canadá, que enfrentou ameaças de tarifas de 25%, também registrou uma queda significativa de 24 bilhões de dólares. No entanto, o país parece ter compensado essa redução ao ajustar seu comércio com outros parceiros: no total, as exportações canadenses em 2025 ficaram apenas 1,6 bilhão abaixo das de 2024. "Os países que mais se beneficiaram do tarifaço foram os 'países dos 10%', como Austrália e várias nações da América Latina", aponta Haishi Li. Mas algumas nações sujeitas a taxas elevadas também registraram forte aumento nas exportações para os EUA: Vietnã, Tailândia e Taiwan enfrentaram algumas das chamadas "tarifas recíprocas" mais altas — 46%, 36% e 34%, respectivamente — e, ainda assim, os EUA registraram um acréscimo de 34 bilhões de dólares em importações de Taiwan apenas entre abril e julho. "Os importadores americanos buscaram países que pudessem servir como substitutos para a China", explica o economista da Universidade de Hong Kong. Muitos fabricantes em Taiwan e no Vietnã já mantinham laços fortes com empresas dos EUA, reforçados durante a disputa comercial com a China no primeiro mandato de Trump, o que já havia deslocado parte da produção e das cadeias de suprimentos para essas e outras economias asiáticas. Americanos arcam com maior parte dos custos Até agora, a medida não trouxe a produção de volta para os Estados Unidos, afirma Alex Durante, economista-sênior do think tank americano Tax Foundation, que analisou o impacto doméstico do tarifaço de Trump. "O último ano foi bastante ruim para a indústria e para o emprego", diz ele à DW. "Os setores que estão crescendo tendem a ser aqueles relativamente protegidos das tarifas, devido a isenções como as concedidas a computadores e produtos ligados à inteligência artificial." Mesmo com a mudança na origem das compras, o valor total das importações voltou ao normal pouco depois do anúncio do "Dia da Libertação", em 2 de abril. Um dos números que mais cresceram foi a arrecadação alfandegária dos EUA. Em 2025, o Tesouro americano recolheu 287 bilhões de dólares em tarifas e impostos, aproximadamente o triplo do registrado em anos anteriores. Dados preliminares indicam que 2026 deve ultrapassar esse total. Essa arrecadação representou cerca de 5% de todos os impostos coletados nos Estados Unidos em 2025. Estudos mostram que as tarifas mais altas têm sido pagas quase integralmente pelos importadores americanos, e não por exportadores estrangeiros. Como resultado, os consumidores dos EUA acabaram arcando com a maior parte dos custos. "Estimamos que as tarifas custaram, na prática, cerca de mil dólares por domicílio americano em 2025", afirma Alex Durante, da Tax Foundation. "Esse é o efeito cumulativo de as empresas aumentarem preços, reduzirem investimentos, cortarem empregos ou diminuírem salários para se ajustar às tarifas." Incerteza assombra exportadores No cenário internacional, os meses desde agosto de 2025 têm sido marcados por acordos comerciais fechados às pressas — e desfeitos com a mesma rapidez —, além de novas rodadas de ameaças tarifárias direcionadas a países ou grupos específicos de produtos. O comércio global, afirma Haishi Li, tornou-se muito mais incerto. "Se você perguntar a acadêmicos, formuladores de políticas nos EUA ou a qualquer pessoa o que vai acontecer neste ano, acredito que ninguém saiba responder", diz o economista. O choque mais recente nesse equilíbrio já frágil do sistema tarifário dos EUA veio com a decisão da Suprema Corte, em fevereiro, que derrubou a base legal das tarifas do "Dia da Libertação". Com uma nova alíquota geral de 15% em vigor e o governo americano aparentemente determinado a encontrar outras formas de aplicar tarifas mais altas, exportadores e importadores tentam prever o que os próximos meses trarão. Para se adaptar a essa incerteza, diz Haishi Li, os governos podem priorizar o apoio a empresas que busquem novos mercados fora dos EUA. "Se conseguirem diversificar suas cadeias de suprimentos, isso as tornará mais resilientes — o que pode ser um ponto positivo em meio a esse cenário", finaliza.

Palavras-chave: inteligência artificial

Pesquisadores criam app para agilizar exames de hanseníase e substituir fichas de papel em Pernambuco

Publicado em: 04/04/2026 02:00

Aplicativo ANSd ajuda na avaliação de pacientes com hanseníase em Pernambuco VÍDEO DESPUBLICADO: 14488118 Pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE) desenvolveram um aplicativo para auxiliar nos exames de pacientes com hanseníase. A ferramenta Avaliação Neurológica Simplificada Digital (ANSd) busca substituir o registro que, atualmente, é feito com papel e caneta (veja vídeo acima). As pesquisas iniciaram em 2024 e partiram da necessidade de facilitar e agilizar os processos dentro dos hospitais. Em abril, o Hospital Otávio de Freitas, que fica no bairro de Tejipió, na Zona Oeste do Recife, começa a testar a usabilidade da nova ferramenta. A unidade de saúde é referência no estado no tratamento da doença e será a primeira a testar o aplicativo. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A ANSd é um dos resultados projeto hansen.ai, que recebe financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento científico Tecnológico (CNPq) e do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde. Patricia Endo, doutora em Ciência da Computação, coordena o projeto e disse que a ideia do aplicativo surgiu após uma visita à unidade de saúde, em 2023. "A realidade do hospital era de todos os dados dos pacientes estarem em papel, guardados em caixas. [...] É um cenário completamente analógico. A gente entende a importância que é ter esses dados armazenados e coletados de forma digital", disse a doutora. Os pacientes com hanseníase precisam passar por uma avaliação de sensibilidade neurológica, que é feita por um especialista em hansenologia. No exame, são feitos estímulos na pele para testar se os pacientes sentem tato, dor ou temperatura, e as reações são anotadas no papel com ajuda de canetas coloridas. "Cada peso de sensibilidade tem uma cor diferente que ela [especialista] tem que pintar no papel. A quantidade de erros que a gente pode ter e com o tempo essa cor vai se deteriorando. Então, quando a gente tem isso hoje no formato de digital, a gente consegue ter também qualidade desses dados", explica Patricia Endo. Trecho do formulário de Avaliação Neurológica Simplicada adotado pelo SUS Reprodução/Ministério da Saúde O aplicativo conta com a ficha de avaliação igual à regulamentada pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, os profissionais de saúde que já estão acostumados com o modelo em papel terão mais facilidade em preencher na versão digital. "Eles vão conseguir fazer isso de uma forma mais eficaz, com maior qualidade e num tempo menor", disse a pesquisadora. A professora e doutora da UPE Danielle Moura é especialista em hanseníase e integra a equipe de pesquisadores do projeto. Para ela, a nova ferramenta digital vem para solucionar um problema que há anos acomete o Sistema Único de Saúde (SUS). "O aplicativo vem responder a uma demanda histórica e crítica, que é a necessidade de sistematizar, qualificar e tornar acessível a avaliação neurológica de pacientes com hanseníase em todos os pontos da rede de atenção do SUS", disse. A pesquisadora conta, ainda, que com a implementação do aplicativo, será possível diminuir a perda de informações e as barreiras para análise de dados em nível populacional. Outra vantagem é a garantia do preenchimento completo e adequado das informações, que no futuro pode ajudar a alertar precocemente algum sinal de alteração no paciente. Hanseníase no Brasil A hanseníase é uma doença infectocontagiosa crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta, principalmente, a pele e os nervos periféricos e pode causar incapacidades físicas permanentes, úlceras plantares e lesões oculares. Em casos de diagnóstico e tratamentos precoces, os efeitos permanentes da doença podem ser evitados. No Brasil, de acordo com o Boletim Epidemiológico da Hanseníase publicado pelo Ministério da Saúde em 2026, foram notificados 22.129 casos novos da doença em 2024. Desses, 36,5% dos pacientes já possuíam grau 1 de incapacidade física, caracterizado pela diminuição ou perda da sensibilidade nas mãos, pés ou olhos. Só em Pernambuco, ao longo dos últimos 10 anos, foram notificados 19.831 casos novos de hanseníase, de acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado pelo Centro de Informação Estratégicas de Vigilância em Saúde estadual. Em 2024, foram notificados 1.699 casos novos da doença no estado. Segundo Danielle Moura, entre os 1.420 casos que foram avaliados naquele ano, no momento do diagnóstico, 12,5% apresentavam grau 2 de incapacidade física, um parâmetro considerado “alto” e que indica um diagnóstico tardio. Aplicativo ANSd ajuda na avaliação neurológica simplificada de pacientes com hanseníase Reprodução/Instagram Desdobramentos do projeto Além da UPE, o projeto hansen.ai conta com parceria do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ao todo, 23 pesquisadores, entre professores e alunos, participam do projeto que tem previsão para ser finalizado no final de 2026. A equipe está em busca de novos financiamentos para dar andamento ao projeto, que ainda prevê o lançamento de outras ferramentas e dispositivos. O professor e pesquisador do IFPE Hilson Vilar desenvolve um modelo de predição com inteligência artificial. "A gente vai poder usar essas informações que vão ser coletadas [pelo aplicativo] para fazer um modelo de inteligência artificial para conseguir prever a evolução do paciente. Porque alguns pacientes começam o tratamento e têm uma boa evolução, e outros pioram bastante. Se a gente conseguir identificar, no momento do primeiro atendimento, quem tem mais risco de piorar, a gente consegue que o SUS faça um atendimento diferenciado, para tomar algumas ações para evitar que aquele paciente fique com alguma sequela da doença", explica o professor. Coordenadora do projeto hansen.ai, Patricia Endo (centro), e outras pesquisadoras que desenvolveram o aplicativo ANSd hansen.ai/Divulgação Além do modelo de inteligência artifical, também está em desenvolvimento um aparelho para ajudar na avaliação sensitiva. Os pesquisadores indicam que o aplicativo ANSd, que coleta e sistematiza os dados, é um ponto de partida para criação de outras ferramentas úteis para o atendimento de pessoas com hanseníase. A pesquisa ainda esbarra em uma série de desafios. O uso da ferramenta digital no Hospital Otávio de Freitas, por exemplo, só pode começar após a chegada de um tablet e uma impressora na unidade de saúde. "Nos principais desafios, acho que sempre vai ter essa questão burocrática. Já queríamos estar no hospital, podendo fazer esses testes de usabilidade. Mas a gente ainda está nas tratativas dessas questões. Outro desafio muito grande é pensar nessa escalabilidade, de como é que a gente sai de um cenário de um hospital aqui no estado e consegue, de alguma forma, escalar para o Brasil todo", diz a coordenadora do projeto. Além do aplicativo usado pelos profissionais de saúde, o projeto ainda prevê uma plataforma para os pacientes, em que eles poderão acompanhar seu estado de saúde e receber orientações médicas e de autocuidado. Initial plugin text VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Eleições 2026: partidos e federações que vão lançar candidatos têm até este sábado para obter registro no TSE

Publicado em: 04/04/2026 00:01

O prazo para que partidos e federações partidárias que vão lançar candidatos em outubro tenham o registro de seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) termina neste sábado (4). O registro é uma exigência da legislação eleitoral. Para concorrer a cargos eletivos no Brasil, os candidatos precisam estar filiados a partidos políticos. As siglas podem lançar candidatos sozinhas ou formar alianças: por meio de federações de partidos (que atuam como um único partido por pelo menos quatro anos e valem para todos os cargos); ou coligações (que valem atualmente apenas para eleições majoritárias: senadores, governadores e presidente da República). Veja os vídeos que estão em alta no g1 As federações Autorizadas por lei a partir de 2021, as federações são uniões de partidos com uma duração mínima obrigatória de quatro anos. ⏳ Se o prazo mínimo não for respeitado, a norma prevê sanções para as siglas, como a proibição de ingresso em outras federações e restrições ao uso de recursos do Fundo Partidário. A federação deve ser composta por partidos com registro definitivo no TSE e terá abrangência nacional. A lei também determina que a federação partidária só pode participar das eleições se tiver o registro de estatuto aprovado pela Justiça Eleitoral até seis meses antes do pleito. O TSE já tinha quatro federações registradas: Federação Renovação Solidária (PRD, Solidariedade) Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) Federação PSDB Cidadania (PSDB, CIDADANIA) Federação PSOL Rede (PSOL, Rede). Em 26 de março, o tribunal aprovou o registro da federação União Progressista (União Brasil, PP), a quinta oficializada na Justiça Eleitoral. Partidos políticos A legislação também estabelece um prazo para que as legendas que vão participar das eleições obtenham esse registro no TSE: seis meses antes das eleições. Neste ano, o prazo termina em 4 de abril. Atualmente, o Brasil conta com 30 partidos com cadastro do estatuto no Tribunal Superior Eleitoral. A oficialização na Corte Eleitoral permite que as siglas lancem candidatos para as eleiçõesde outubro, tenham acesso aos fundos partidário e eleitoral, a tempo de propaganda no rádio e na TV, além de direito exclusivo ao uso de seu nome, sigla e número de urna. Tribunal Superior Eleitoral aprova regras para uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral de 2026 Jornal Nacional/ Reprodução O que está em disputa em outubro? No dia 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Se houver segundo turno, ele será realizado em 25 de outubro. Além do presidente e do vice-presidente, serão eleitos 27 governadores e outros 27 vice-governadores, 513 deputados federais, 54 senadores (2/3 da composição do Senado), 1.035 deputados estaduais, 24 deputados distritais. Estarão em disputa os seguintes cargos: presidente e vice-presidente da República; governador e vice-governador de estado; senador; deputado federal; deputado estadual; deputado distrital.

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Imposto de Renda: golpes ficam mais sofisticados e enganam até usuários atentos

Publicado em: 03/04/2026 21:37

Imposto de Renda: golpes ficam mais sofisticados e enganam até usuários atentos Mais de 7,5 milhões de brasileiros já declararam o Imposto de Renda. A Receita Federal alerta: golpistas aproveitam esse período para criar sites falsos e fazer cobranças indevidas. A Caroline levou um susto quando recebeu um e-mail que parecia ser da Receita Federal. "Abre uma página, que parece que é o aplicativo do gov, é igual, é igual. E aí as informações que vieram: alguma questão com irregularidade, que eu ia perder meu CPF, que eu ia perder meu acesso à conta bancária, mil coisas que eu ia ficar penalizada", disse a professora de dança Carolina Torres. Por pouco, ela não clicou. Os golpes digitais, que estão cada vez mais sofisticados, fazem com que o usuário não desconfie. Uma empresa de segurança da informação já identificou mais de 1.600 sites falsos da Receita, criados esse ano. "Impressionante que o Vitor está mostrando que todos esses sites que já foram identificados como falsos estão sendo criados. E logo ao lado tem os dias, nossa! Um por exemplo, foi criado agora há pouco. Depois 3, 4, 5 dias isso vai se alimentando o tempo inteiro né?", questiona a repórter. "A criação dos sites hoje eles levam minutos pra serem criados e entrarem no ar exatamente com a identidade da Receita Federal", disse Victor Santos, CEO da empresa de segurança. "Se a pessoa clica naquele link, ela realmente vai cair aqui?", aponta a repórter. "E se colocar seu CPF ele funciona. Mariana a primeira dica é sempre olhe para o URL do site. Se o site não terminar com Gov ponto BR, ele é fraudulento. Se você recebeu alguma coisa estranha no seu WhatsApp se você tiver um link que tem algo diferente disso, pode ter certeza que não é um site original da Receita Federal", revela Santos. As mensagens também podem vir acompanhadas de um áudio criado por inteligência artificial. "Olá! Aqui é do suporte avançado da Receita Federal. Identificamos uma divergência grave no seu CPF que impede a sua restituição", diz o áudio. Por isso, é tão importante saber como a Receita Federal entra em contato. Ainda mais agora, com os brasileiros fazendo o Imposto de Renda. "Não vai chegar uma correspondência via e-mail, via WhatsApp, mensagem de texto, não. Quando a Receita quer se comunicar, ela tem dois caminhos: um, ela utiliza os Correios, correspondência registrada, com todos os formalismos; e o segundo é uma comunicação passiva, onde o contribuinte vai até a página da Receita ou aplicativo da Receita e obtém ali as informações", diz José Carlos Fonseca, auditor fiscal da Receita Federal. Outra dica importante é desconfiar de mensagens que pedem urgência para pagamentos. "A Receita Federal, sempre que pede alguma coisa ao cidadão, tem um prazo de 30 dias para resolver", diz Fonseca. Depois do susto, a Carolina ficou mais atenta. "Pra mim mesma, eu tentei falar isso depois: cara, não pode ter o desespero. É o desespero que leva a cometer o erro", disse Carolina. LEIA TAMBÉM Empresário é procurado pela PF por suspeita de comprar dados sigilosos da esposa de Moraes

Palavras-chave: inteligência artificial

Drone reforça fiscalização policial em estradas no interior de SP; 1º teste multou 136 condutores

Publicado em: 03/04/2026 15:12

Drone reforça fiscalização policial em estradas no interior de SP A Polícia Militar Rodoviária conta com reforço para fiscalizar as rodovias da região de Campinas. Um drone tem feito o monitoramento de veículos em estradas que cortam as cidades dos circuitos das Águas e das Frutas. O primeiro teste ocorreu em março, em Amparo (SP), e resultou na autuação de 136 condutores. Esse "olhar" da polícia pelo alto pode auxiliar a identificar irregularidades em trechos das rodovias que não estão cobertos pelos policiais fisicamente. O drone pode identificar e acompanhar algum veículo que desviou de uma fiscalização até o deslocamento de viaturas para abordagem do condutor. Outro exemplo do uso do drone é para acabar com o excesso de velocidade. Há trechos em que a velocidade máxima permitida na região é de 60 km/h, mas vídeos compartilhados em redes sociais mostram, por exemplo, um motociclista a 280 km/h. "A gente consegue, em tempo real, observar as infrações, cometimentos de crimes de trânsito, como disputa de corridas ilegais, manobras ilegais que os condutores cometem. Principalmente nessa região, a gente tem um fluxo muito grande de motocicletas de grandes cilindradas. Então a gente abriu mão dessa nova tecnologia para nos auxiliar na fiscalização e na tomada de decisão", explicou o tenente Antonio Plínio Barone Júnior. Polícia Militar Rodoviária da região de Campinas (SP) tem utilizado drones para fiscalizar rodovias na região dos circuitos das Águas e das Frutas no interior de São Paulo Reprodução/EPTV 📍 O primeiro teste ocorreu em 14 de março, na Rodovia Engenheiro Constâncio Cintra (SP-360), em Amparo. ⚠️ Com o auxílio do drone, 118 motos, 11 carros e três caminhões foram parados, resultando na aplicação de 136 multas. LEIA TAMBÉM VÍDEO: motociclista morre ao cair, invadir pista contrária e bater em carro em rodovia de SP Câmeras com IA aumentam em 41% o registro de infrações em rodovia na região de Campinas VÍDEO: motociclista faz manobras a 280 km/h em rodovia de SP com velocidade máxima de 60 km/h VÍDEO: motociclista morre ao perder controle e bater em carro em rodovia de Tuiuti Tecnologia como aliada O tenente da Polícia Militar Rodoviária conta que o uso do drone é mais um recurso tecnológico para auxiliar o trabalho de fiscalização diante do grande volume de veículos nas estradas da região, em especiais nos finais de semana e feriados. "As rodovias da nossa região aqui, muitas já contam com câmeras, com sistema de monitoramento com inteligência artificial. Então ela já flagra o cometimento das infrações, diversos tipos de infrações. A gente não consegue combater todos com a abordagem, porque é uma quantidade muito grande de veículos. Porém agora, com o advento da fiscalização remota, a gente está ampliando esse controle de fiscalização", diz Barone. 📲 Siga o g1 Campinas no Instagram Polícia Militar Rodoviária da região de Campinas (SP) tem utilizado drones para fiscalizar rodovias na região dos circuitos das Águas e das Frutas no interior de São Paulo Reprodução/EPTV O policial reforça que a intenção não é afastar o turismo mas, sim, garantir segurança e tranquilidade por quem busca as cidades dos circuitos das Águas e das Frutas no interior de São Paulo. "A região aqui é uma região muito bonita, uma região turística, e nós não somos contra o turista vir aqui para a região. O que nós combatemos é o cometimento de crimes de trânsito, de cometimentos de infrações de trânsito, porque gera um risco à vida dos usuários da rodovia", completa Barone. Assista à reportagem completa: Polícia passa a usar drones para monitorar excesso de velocidade em rodovias da região VÍDEOS: saiba tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias da região no g1 Campinas.

Menos de 24 h após ré por racismo voltar à Argentina, pai é filmado imitando macaco

Publicado em: 03/04/2026 14:48

Pai de mulher presa por racismo no Rio imita macaco horas após ela voltar à Argentina Menos de 24 horas depois da chegada da influenciadora e advogada argentina Agostina Páez à província de Santiago del Estero, uma nova polêmica envolvendo a família ganhou repercussão local. O pai dela, o empresário Mariano Páez, foi filmado durante a madrugada em um bar do centro da cidade fazendo gestos semelhantes aos de um macaco e dizendo que sente “asco pelo Estado” (veja acima). As imagens foram divulgadas por um site local e mostram o empresário em uma saída noturna acompanhado da companheira. Em determinado momento, ele grita e imita um macaco — o mesmo gesto que levou a filha a ser acusada de injúria racial no Brasil, após um episódio ocorrido em um bar no Rio de Janeiro. Além desse vídeo, também circulou outra gravação em que o empresário afirma que foi ele quem pagou a fiança de US$ 18 mil para que a filha responda ao processo em liberdade e que não recebeu dinheiro público. Na gravação, ele diz: “Eu tenho asco do Estado. Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…”, afirma, cercado por outras pessoas. Agostina Páez passou a responder por injúria racial na Justiça brasileira após a divulgação de um vídeo, em janeiro, em que aparece fazendo gestos associados a um macaco em direção a funcionários de um bar em Ipanema. Ela foi detida à época e permaneceu por mais de dois meses no país, sob monitoramento com tornozeleira eletrônica (veja mais detalhes abaixo). Polícia investiga advogada argentina por ofensas racistas em Ipanema Enquanto o pai afirmou que as gravações foram feitas com uso de inteligência artificial, Agostina demonstrou abatimento com a repercussão do vídeo. A jovem advogada publicou um posicionamento nas redes sociais em que se desvincula das atitudes do pai. “O que se vê é lamentável e eu repudio completamente. Eu me responsabilizo pelo que fiz: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelos meus próprios atos”, afirmou. Ela acrescentou que não tem relação com o conteúdo que circula. “Não tenho absolutamente nada a ver com isso. Eu estava em casa, acompanhada de amigos que estiveram ao meu lado durante todo esse tempo”, escreveu. Em seguida, disse que o pai esteve presente durante o período difícil que enfrentou, mas ressaltou que não pode ser responsabilizada pelas atitudes dele. Agostina posta esclarecimento após vídeo do pai Reprodução/Redes sociais Sem tornozeleira A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que Agostina Páez, ré por injúria racial, retirou a tornozeleira eletrônica na terça-feira (31), após receber permissão da Justiça. Ela retornou para seu país nesta quarta (1º) e falou com jornalistas no aeroporto em Buenos Aires. A advogada também se encontrou com a senadora Patrícia Bullrich, ex-ministra de Segurança Nacional do governo de Javier Milei, uma das representantes da direita do país. O encontro foi registrado com uma selfie postada pela senadora em uma rede social (veja abaixo). Agostina Páez posou para selfie com a senadora Patricia Bullrich na volta à Argentina Reprodução/X Agostina definiu o que passou no Brasil como um "calvário", mas se disse arrependida por sua "reação", no episódio de gestos e palavras racistas contra funcionário de um bar na Zona Sul do Rio. "Apesar do contexto, me arrependo de ter reagido desta maneira, mas agora estou aqui". Ela afirmou que não é racista. "Há uma lei no Brasil que é muito severa", disse aos jornalistas. "Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil", disse. Ela aconselhou os viajantes que conheçam os contextos das leis no Brasil. A advogada foi autorizada a voltar para a Argentina após a defesa obter um habeas corpus e o pagamento do valor de fiança estabelecido pela Justiça do Rio de Janeiro. Ela vai responder ao processo em liberdade, a partir do país de origem. Pai de influenciadora ré por racismo no Rio é filmado imitando macaco Reprodução Fiança de R$ 97 mil Uma decisão da Oitava Câmara do Tribunal de Justiça determinou nesta segunda-feira (30) o cumprimento de condições, entre elas o pagamento de caução equivalente a 60 salários mínimos - aproximadamente R$ 97 mil, para Agostina deixar o Brasil. A liminar foi expedida pelo desembargador Luciano Silva Barreto, relator do caso na Oitava Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e confirmada pelo colegiado. Segundo a denúncia do MPRJ, no dia 14 de janeiro deste ano, Agostina se referiu a um empregado de um bar em Ipanema como “negro” de forma pejorativa e, ao deixar o local, usou a palavra “mono”, que em espanhol significa “macaco”, além de imitar gestos do animal. Os gestos foram flagrados em vídeo. Ainda de acordo com a promotoria, ela voltou a fazer ofensas, usando expressões como “negros de m*rda” e “monos” para outros dois funcionários, caracterizando três crimes. A acusada chegou a ser presa e foi submetida a medidas cautelares como retenção de passaporte, proibição de sair do país e uso de tornozeleira eletrônica. Na decisão, o relator entendeu que, com o encerramento da fase de instrução do processo, deixou de existir a necessidade de manter as restrições impostas à ré. Agostina deverá manter endereço e contatos atualizados e se comprometer a atender às convocações da Justiça brasileira, mesmo estando fora do país. O relator considerou ainda que a acusada é primária, tem profissão definida e demonstrou colaboração com o processo, inclusive com manifestação pública de arrependimento. Para o magistrado, impedir a saída do país, mesmo após o fim da instrução, configuraria constrangimento ilegal. Ele também ressaltou que acordos internacionais entre Brasil e Argentina permitem, em caso de condenação, o cumprimento da pena no país de origem da acusada. Durante uma audiência em março, Agostina pediu desculpas para os três funcionários do bar pelos gestos racistas. O Ministério Público defendeu uma “reparação financeira pelo dano moral” às vítimas no valor de 120 salários mínimos, ou R$ 190.452. Agostina Paez, de 29 anos, imitou macaco e fez o som do animal após discussão em um bar Reprodução/TV Globo

Palavras-chave: inteligência artificial

As doenças antes incuráveis que estão ganhando tratamentos graças à IA

Publicado em: 03/04/2026 06:45

A inteligência artificial está inventando novos remédios contra Parkinson, superbactérias resistentes a antibióticos e muitas doenças raras Getty Images/BBC Há cerca de um século, a humanidade vem perdendo lentamente a batalha contra as bactérias. Nossas armas mais poderosas nesta luta são os antibióticos. Mas a resistência vem se espalhando, fazendo com que eles se tornem cada vez menos eficazes. Atualmente, cerca de 1,1 milhão de pessoas morrem todos os anos de infecções que, até recentemente, eram facilmente tratadas. E este número deve aumentar para mais de oito milhões até 2050, a menos que sejam tomadas medidas urgentes. Mas o desenvolvimento de novos antibióticos é um processo lento, caro e frustrante. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entre 2017 e 2022, apenas 12 novos antibióticos foram aprovados para uso. A maioria deles é similar a tipos já existentes, aos quais as bactérias já estão desenvolvendo resistência. A falta de financiamento e de interesse das companhias farmacêuticas fez com que este campo fosse cronicamente negligenciado. Mas, agora, os pesquisadores estão tentando solucionar este problema. E alguns deles apostam na inteligência artificial (IA) para ajudá-los. "Em questão de dias ou horas, podemos examinar imensas bibliotecas" de compostos químicos para identificar quais exibem atividade antibacteriana", afirma o professor de ciências e engenharia médica James Collins, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) na cidade de Cambridge, nos Estados Unidos. Com a ajuda da IA, Collins e sua equipe já descobriram dois novos compostos que poderão se tornar armas vitais contra a gonorreia e a Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM), duas infecções altamente resistentes aos medicamentos atuais. Este é apenas um exemplo de como a IA vem abrindo uma nova era de descoberta de medicamentos, que promete trazer progressos em relação a alguns dos problemas médicos de mais difícil tratamento dos tempos atuais. Os cientistas, agora, empregam a IA para examinar condições sem cura conhecida, como Parkinson, e milhares de doenças raras, na esperança de novas descobertas. Collins e sua equipe treinaram um modelo de IA generativa para reconhecer as estruturas químicas de antibióticos conhecidos. Isso permitiu que o algoritmo aprendesse o que causa a morte das bactérias. Em seguida, os pesquisadores usaram a IA para examinar mais de 45 milhões de estruturas químicas diferentes, determinando sua capacidade de combater as bactérias Neisseria gonorrhoeae, a causadora da gonorreia, e Staphylococcus aureus, uma fonte significativa de infecções na forma de SARM. A equipe de James Collins usa a IA para identificar novos compostos que possam matar diversas bactérias (acima) resistentes a outros medicamentos (embaixo) Getty Images/BBC Estas duas bactérias são altamente resistentes às drogas. A gonorreia, por exemplo, consegue escapar de quase todos os remédios usados para o seu tratamento. Com isso, o número de antibióticos disponíveis como último recurso contra cada uma delas é cada vez menor. E o método empregado por Collins usa a IA para criar compostos inteiramente novos para combatê-las. Em uma das técnicas, ele selecionou uma molécula como ponto de partida e empregou uma combinação de técnicas de IA generativa para desenvolvê-la, "acrescentando ligações, átomos e subestruturas", explica ele. A cada estágio crítico, o seu modelo de IA treinado avaliava o composto. "Este composto se parece com um antibiótico? Está chegando perto de um possível antibiótico?" Outra abordagem envolveu a eliminação do composto inicial, permitindo que a IA navegasse livremente desde o princípio. Desta forma, Collins e seus colegas projetaram 36 milhões de compostos com uso potencial contra as bactérias e selecionaram 24 deles para síntese em laboratório. Destes, sete apresentaram alguma atividade antimicrobiana e dois foram altamente eficazes para matar linhagens das duas bactérias resistentes a outros tipos de antibióticos. É importante destacar que os compostos aparentemente atacam as bactérias de formas diferentes dos antibióticos já existentes. Isso aumenta a esperança de que eles venham a formar uma nova classe de medicamentos, capaz de superar as defesas das bactérias resistentes a drogas. As duas substâncias se encontram atualmente em fase de testes. Collins e seu laboratório já haviam empregado a IA para descobrir outros compostos antibióticos poderosos e inovadores, que matam uma ampla variedade de bactérias resistentes aos tratamentos. Elas incluem Clostridium difficile, uma infecção intestinal comum, e Mycobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose. Mas, para algumas doenças, os pesquisadores não têm a possibilidade de partir de remédios existentes para ajudá-los a descobrir novos tratamentos. Por isso, eles precisam se basear nos conhecimentos existentes sobre a doença. E, em alguns casos, estes conhecimentos oferecem poucos pontos de partida. Progresso sobre Parkinson A doença de Parkinson foi identificada pela primeira vez em 1871. E, mais de dois séculos depois, ainda não existe tratamento que reduza a sua progressão. Existem mais de 10 milhões de pacientes com Parkinson em todo o mundo e seu número vem aumentando em países que enfrentam o envelhecimento da população. No Reino Unido, cerca de uma a cada 37 pessoas será diagnosticada em algum momento da vida. Nos Estados Unidos, até um milhão de pessoas vivem atualmente com a doença. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença de Parkinson, segundo o Ministério da Saúde. As contínuas tentativas de tratamento de Parkinson foram marcadas pelo fracasso. Parte do motivo é que ainda não conhecemos as causas da doença. "Existem debates sem fim sobre a origem da doença", segundo o professor de biofísica Michele Vendruscolo, um dos diretores do Centro de Doenças Causadas pelo Desdobramento Incorreto de Proteínas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "Se você for a uma conferência sobre Parkinson, ouvirá dezenas de hipóteses diferentes, todas elas sendo ativamente pesquisadas", explica ele. Isso dificulta incrivelmente o desenvolvimento de um medicamento para evitar a doença. Existe uma enorme quantidade de testes clínicos investigando diferentes hipóteses. Mas, até o momento, não houve sucesso, segundo Vendruscolo. "As pessoas realmente estão confusas sobre qual deve ser o objetivo", afirma ele. "E, mesmo se você souber qual é o alvo, costuma ser muito difícil tentar atingi-lo." Mas, em 2024, Vendruscolo e seus colegas publicaram um estudo empregando aprendizado de máquina (uma forma de inteligência artificial) para buscar possíveis medicamentos capazes de agir sobre os grupos de proteínas desdobradas incorretamente no cérebro, encontradas em pacientes com Parkinson. Acredita-se que esses conjuntos de proteínas, conhecidos como corpos de Lewy, participem dos estágios iniciais da neurodegeneração em pacientes com Parkinson, eventualmente gerando sintomas que incluem tremores, lentidão de movimentos e rigidez muscular. Atualmente, o tratamento mais eficaz contra o Parkinson é o medicamento levodopa, que ajuda a melhorar os sintomas da doença. Mas ele também pode causar efeitos colaterais, como movimentos involuntários. Vendruscolo trabalha para suspender a progressão da doença. Ele e sua equipe começaram com um conjunto de compostos que já havia sido identificado como potencialmente eficaz para o tratamento dos corpos de Lewy. O pesquisador alimentou esses compostos em um programa de aprendizado de máquina, que extrapolou suas estruturas químicas para propor novos compostos que também poderão ser eficazes. David Fajgenbaum tenta encontrar novas curas entre medicamentos já existentes, desde que descobriu um tratamento para sua própria doença rara entre remédios aprovados para outros usos Getty Images/BBC Para o tratamento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, os medicamentos precisam ser suficientemente pequenos para poderem atravessar a barreira hematoencefálica. Mas, mesmo se os cientistas restringirem sua caça às moléculas pequenas, "a quantidade de opções ainda será gigantesca", explica Vendruscolo. "O número de possíveis moléculas pequenas é muito maior que o número de átomos do Universo." O poder da IA pode reduzir esta busca com muita rapidez. "Podemos analisar estes dados e fazer previsões muito precisas sobre a forma em que as possíveis moléculas se unem ao alvo em escala impensável até alguns anos atrás", segundo Vendruscolo. Com os métodos mais tradicionais, os cientistas podem selecionar cerca de um milhão de moléculas em seis meses, ao custo de vários milhões de dólares. "Agora, você pode fazer o mesmo em poucos dias e selecionar bilhões de moléculas, ao custo de alguns milhares de dólares", explica ele. Os compostos de Vendruscolo, sugeridos por IA, foram testados em laboratório. "Nós avaliamos quais dos candidatos realmente se ligam [aos corpos de Lewy] e retroalimentamos esta informação para o programa de aprendizado de máquina, para que ele possa aprender com seus próprios erros." Por fim, eles identificaram cinco novos compostos promissores com mais rapidez e eficácia do que as técnicas convencionais. Os compostos identificados pela IA também foram muito mais inovadores que os encontrados usando métodos de desenvolvimento mais tradicionais, segundo Vendruscolo. Agora, os compostos estão passando por novos testes para determinar se, um dia, eles poderão ser oferecidos como produtos terapêuticos para pacientes com Parkinson. Vendruscolo espera que a IA possa ajudar a suspender a doença de Parkinson antes do seu início. Ele utiliza a tecnologia para encontrar moléculas pequenas que se liguem às proteínas individuais que formam os corpos de Lewy, ainda no seu estado normal. "Se pudermos estabilizar as proteínas nesta forma, evitaremos o Parkinson, o que é melhor que sua cura", afirma ele. Novos usos para medicamentos antigos O tratamento de doenças nem sempre significa criar novos medicamentos. O professor de medicina David Fajgenbaum, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, conseguiu salvar sua própria vida com um medicamento existente que os médicos nunca teriam receitado para ele. Aos 25 anos de idade, Fajgenbaum foi diagnosticado com um raro subtipo de um transtorno conhecido como doença de Castleman, que aciona uma reação imunológica, causando mau funcionamento do fígado, dos rins e da medula óssea. Ele não reagiu a nenhum dos tratamentos disponíveis e os médicos disseram que não sabiam o que fazer. Depois de semanas de testes com seu próprio sangue, pesquisando a literatura médica e tratando a si próprio como uma cobaia humana, ele acabou encontrando uma possível salvação: um modesto medicamento chamado sirolimo, normalmente administrado a pessoas que recebem doação de rins, para evitar a rejeição do novo órgão. Para surpresa dos seus médicos, ele usou o medicamento e fez retroceder sua doença de Castleman. Agora, ela está em remissão há mais de uma década. A experiência abriu seus olhos para o potencial existente nos milhares de medicamentos que já passaram pelos extensos testes de segurança necessários para sua comercialização. Adaptando essas drogas para outras condições, os pacientes obtêm tratamentos que não seriam disponíveis de outra forma. Em 2022, Fajgenbaum criou uma organização sem fins lucrativos chamada Every Cure. Usando aprendizado de máquina, ele compara milhares de medicamentos com milhares de doenças. E os mais promissores são testados em laboratório ou enviados para médicos dispostos a experimentar. Faigenbaum é o cientista mais conhecido a empregar a IA desta forma. Mas outros já estão fazendo descobertas. Na Faculdade de Medicina Harvard, nos Estados Unidos, um modelo de IA encontrou cerca de 8 mil substâncias aprovadas que poderão ser redirecionadas para tratar 17 mil doenças diferentes. A IA está se mostrando particularmente útil para encontrar tratamentos para doenças raras, frequentemente ignoradas pelas indústrias farmacêuticas, devido à falta de incentivo financeiro oferecido pela pequena quantidade de possíveis pacientes. O redirecionamento de medicamentos existentes também oferece outra oportunidade. Nos últimos anos, a IA identificou o potencial de redirecionamento de tratamentos existentes para condições raras, como o transtorno cromossômico conhecido como síndrome de Pitt–Hopkins, a doença inflamatória chamada sarcoidose e um raro tipo de câncer renal que aflige crianças jovens, o tumor de Wilms. Pesquisadores da Universidade McGill em Montreal, no Canadá, utilizaram IA recentemente para redirecionar medicamentos para o tratamento de fibrose pulmonar idiopática (FPI), uma rara e progressiva doença pulmonar, caracterizada por cicatrizes e espessamento do tecido pulmonar. Sua técnica envolveu a modelagem da progressão da doença com um modelo de IA. "As doenças complexas, em sua maioria, são dirigidas por uma mudança anormal do estado das células", segundo um dos pesquisadores, o professor assistente Jun Ding, do Departamento de Medicina da Universidade McGill. "Se pudermos descobrir como a célula passou de saudável para anormal, talvez possamos reverter ou retardar o processo", explica ele. Em primeiro lugar, os pesquisadores extraíram células pulmonares de participantes saudáveis e pacientes em diferentes estágios de progressão da doença. Eles empregaram sequenciamento de DNA de alta resolução para gerar grande quantidade de dados. Isso permitiu que eles observassem as mudanças das células ao longo do curso da doença. Em seguida, eles construíram um modelo de IA generativa que simulasse o processo, mapeando as transições de diversos estados e populações celulares, conforme o avanço da enfermidade. Durante o processo, a IA também destacaria eventuais biomarcadores que poderiam ser utilizados para diagnosticar a doença e possíveis objetivos terapêuticos. "Chamamos isso de sistema de doença virtual", segundo Ding. Tradicionalmente, os medicamentos são testados em animais ou em células humanas isoladas. Eles pretendem usar este mesmo paradigma com a IA, basicamente simulando os efeitos da FPI sobre as células virtuais. "Os pesquisadores podem então testar os impactos da aplicação de diferentes substâncias para o modelo, sem grandes custos", explica ele. No estudo de McGill, a IA sugeriu oito possíveis opções de tratamento para FPI. E um candidato promissor é um medicamento normalmente receitado para hipertensão, o que oferece uma opção de baixo custo e comprovadamente segura. Ding afirma que a IA desenvolvida por ele e seus colegas também poderá ser empregada para outras doenças, como tipos de câncer e condições pulmonares. Sua equipe continua a aprimorar o modelo e diversificá-lo sob diferentes condições. A FPI teve outra inovação recente graças à IA. A empresa de descoberta de drogas por IA Insilico Medicine produziu uma possível substância chamada rentosertib. E. Nos testes clínicos de fase 2, a substância se mostrou promissora contra a FPI. A empresa usou IA para identificar possíveis fraquezas da doença e projetar um medicamento que pudesse combatê-las. A esperança é que, se os testes forem bem sucedidos, o medicamento possa estar disponível até o final da década. A Insilico Medicine não é a única. Outras empresas também buscam fazer avanços médicos com IA, como a Terray, Isomorphic Labs, Recursion Pharmaceuticals e Schrödinger. "Acredito que, nos próximos cinco a 10 anos, a maior parte do desenvolvimento de novos medicamentos poderá ser orientada por IA ou até ser totalmente baseada em IA", segundo Ding. James Collins e sua equipe descobriram possíveis novos antibióticos em velocidade muito maior que o que era possível até então, graças às ferramentas de IA criadas por eles próprios M Scott Brauer/BBC Revolução limitada Mas, apesar dos avanços oferecidos pela IA, existem limitações. Muitos dos conjuntos de dados sobre medicamentos são de propriedade das empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Isso significa que eles não são disponíveis ao público. "Você precisa obter os dados sobre as propriedades das substâncias, como absorção, distribuição, excreção e toxicidade", segundo Collins. "Não temos esses conjuntos de dados." Atualmente, a IA é mais útil no estágio de seleção inicial do processo de desenvolvimento de medicamentos: a identificação de objetivos e a busca de moléculas para atingir aquele propósito. Estas são apenas duas etapas do longo processo necessário para desenvolver novos medicamentos, o que indica que pode levar algum tempo até que algum desses possíveis tratamentos chegue aos pacientes, se é que isso irá acontecer. "A IA está revolucionando a descoberta de medicamentos", segundo Vendruscolo. "Mas apenas de formas muito específicas." Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Technology.

Real ou IA? Vídeo viral mostra som 'pintando' formas geométricas

Publicado em: 03/04/2026 03:00

Vídeo viral mostra som 'pintando' formas geométricas Se você navegou pelas redes sociais nos últimos dias, provavelmente se deparou com um vídeo impressionante: uma pessoa passa um arco de violino na borda de uma placa de metal coberta com grãos de cuscuz e, instantaneamente, o alimento se organiza em formas geométricas perfeitas. O vídeo parece efeito especial ou inteligência artificial, mas é física pura. O fenômeno, conhecido como Figuras de Chladni, é o objeto de estudo da cimática, que analisa como vibrações e sons podem organizar a matéria. 〰️ Basicamente, é uma forma de visualizar a onda sonora. Imagem mostra grãos desorganizados e organizados depois de passar corda de violino na mesa Steve Mould Por que os grãos se organizam em formas? Para entender o que se vê na imagem, o primeiro passo é entender que o som não é algo invisível que apenas ouvimos; ele é uma onda mecânica que faz a placa de metal vibrar fisicamente Quando o arco do violino passa na borda, ele faz as partículas do metal "dançarem" em uma velocidade altíssima (a frequência). 〰️ Para entender melhor, imagine uma cama elástica com várias crianças pulando: Se você jogar areia nela, a areia vai saltar até cair nas bordas ou em algum lugar com menos movimento; Na placa de metal, existem pontos chamados antinós, que vibram freneticamente e "chutam" o cuscuz para longe; Os grãos acabam se acumulando nos nós, que são justamente os pontos onde a placa vibra menos do que na região de antinó. Imagem mostra ondas sonoras formando desenho sobre a mesa Steve Mould Esses pontos de repouso são chamados de nós, enquanto as áreas de vibração intensa são os antinós. O padrão geométrico que enxergamos é, basicamente, o desenho dos lugares onde a placa de metal não está se mexendo. "O grão foge da parte que vibra muito e é empurrada para os pontos onde o metal fica com menos movimento", explica a física e divulgadora científica Gabriela Bailas, física e divulgadora científica. 〰️ E você pode se perguntar: por que esses pontos parados formam desenhos geométricos? Isso acontece por causa da interferência. As ondas sonoras viajam pelo metal, batem na borda e voltam. Nesse "vai e vem", as ondas que estão indo se chocam com as que estão voltando. Onde elas se cancelam (interferência destrutiva), a placa não se mexe. Onde elas se somam (interferência construtiva), a vibração é máxima. O resultado final é uma onda estacionária, que é como um mapa invisível de áreas paradas e áreas agitadas. O cuscuz apenas "pinta" esse mapa para nós. Sons graves criam padrões mais simples e abertos e os sons agudos, que têm frequências alta, fazem a placa vibrar de forma muito mais rápida e detalhada, criando formas geométricas extremamente complexas e intrincadas. "Quanto maior a frequência da vibração das partículas do metal em si, maior e mais complexa é aquela forma geométrica, que fica todinha intrincada na placa. Sons mais agudos tendem a ser frequências maiores e aí nós temos formações de figuras geométricas mais complexas", explica o professor de física Emerson Bezerra. Cuidado com a desinformação O sucesso desses vídeos também atraiu teorias pseudocientíficas. Algumas postagens sugerem que, se o som organiza o cuscuz, ele poderia "reorganizar células" e curar doenças como o câncer. 🔴 ATENÇÃO: os especialistas alertam que isso é falso. O experimento da imagem é um experimento de física básica e só funciona porque os grãos são poucos, leves e finos. “Se você colocar mais grãos ali, já não iria se mexer da mesma forma. Isso não seria possível com o corpo humano e nossas células", afirma Gabiriela Bailas, PhD em física. A teoria seria o mesmo que dizer que ao parar em frente a caixas de som gigantes, nossas células teriam algum movimento – o que não é verdade.

Palavras-chave: inteligência artificial

Batalha virtual: Estados Unidos, Israel e Irã usam propaganda e até fake news para vencer a guerra nas redes sociais

Publicado em: 02/04/2026 20:52

EUA e Irã travam guerra nas redes sociais Estados Unidos, Israel e Irã se enfrentam também em outro campo de batalha: as redes sociais. E nessa guerra, usam como armas a propaganda e até fake news. Tudo falso. Uma artilharia de vídeos e imagens de explosões que nunca aconteceram. De lágrimas que nunca caíram. É frenética e desonesta, a batalha virtual entre Estados Unidos, Israel e aliados e o Irã. Todos disparam bombas falsas que caem nos celulares. Só em duas semanas, foram mais de 110 imagens geradas por inteligência artificial, vistas e compartilhadas milhões de vezes. Como se a realidade não bastasse. Alguns vídeos são reais. Mas os falsos circulam depressa. Muitos promovem visões pró-Irã, para demonstrar uma suposta superioridade e sofisticação militar. Criam a sensação de que a guerra é mais destrutiva e custosa para os aliados americanos do que realmente é. Um dos vídeos falsos mais disseminados fez chover mísseis em Tel Aviv. Já outros vídeos funcionam como uma nova versão de uma arma que existe desde que guerra é guerra: a propaganda. Um vídeo do regime iraniano cria uma cena falsa com IA para ilustrar o ataque americano que realmente aconteceu a uma escola. Batalha virtual: Estados Unidos, Israel e Irã usam propaganda e até fake news para vencer a guerra nas redes sociais Jornal Nacional/ Reprodução O Irã vem criando várias animações para reforçar a visão que tem sobre Estados Unidos e Israel. Mas a Casa Branca também apela - para boliche, futebol americano, baseball, filmes de Hollywood. Sempre mesclando com imagens reais da guerra. “Justiça à moda americana”, dizia um post. O ator Ben Stiller estrelou um dos filmes que aparecem na postagem e escreveu para a Casa Branca: “Nunca demos permissão para isso e não temos interesse em fazer parte dessa máquina de propaganda. Guerra não é filme”. Até personagem de desenho animado o governo americano já usou para mostrar poder. Isso em uma guerra onde milhares de civis estão morrendo. O Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou, esses dias, uma imagem da cabeça do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, nesses jogos de martelada de parque de diversão. A conta da embaixada iraniana na África do Sul zombou da ideia de Trump de querer controlar, ao lado do Irã, o Estreito de Ormuz. Uma nova e sofisticada onda de ferramentas de inteligência artificial está tornando esse combate nas redes sociais pesado. A guerra moderna não é mais só travada no front de batalha. Especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional na Inglaterra disseram que estamos vendo uma mudança significativa na maneira como a realidade é enquadrada e recebida emocionalmente. “É sem precedentes. E de agora em diante, acho que vamos dizer isso sobre todos os conflitos, se não houver mecanismos de proteção”, disse ao Jornal Nacional a pesquisadora iraniana Mahsa Alimardani, formada pela Universidade de Oxford. Mahsa vive em Londres e é uma das diretoras da ONG internacional de direitos humanos Witness. Ela estuda desinformação gerada por inteligência artificial. “O mais perverso é o efeito que isso produz: a dúvida. As pessoas passam a não acreditar nem no que é real, mesmo quando aquilo já foi comprovado e checado”, afirma Mahsa. A equipe do Jornal Nacional conversou também com a dinamarquesa Tine Munk, especialista em guerra de narrativas digitais. Ela é professora da Universidade Nottingham Trent, na Inglaterra: “Quando um conflito é apresentado nessa linguagem quase que de jogos, games, esportes, filmes e cultura da internet, o público não precisa aprender muito sobre a complexidade política real por trás disso. Isso até pode mobilizar apoio, mas traz riscos sérios: tira a sensibilidade do público, cria uma distância emocional em relação ao sofrimento, normaliza uma guerra. É muito preocupante”. LEIA TAMBÉM China culpa EUA e Israel por bloqueio no Estreito de Ormuz, e Rússia diz estar 'pronta para ajudar' a resolver guerra no Irã EUA usaram novo tipo de míssil em ataque a uma escola no Irã que matou 21, diz jornal

Palavras-chave: inteligência artificial

EUA contestam decisão em favor da Anthropic em meio a disputa por uso de IA em guerras

Publicado em: 02/04/2026 18:51

Entenda embate entre governo dos EUA e Claude, rival do ChatGPT O governo dos Estados Unidos informaram nesta quinta-feira (2) que devem recorrer da decisão de um tribunal da Califórnia que o impediu de aplicar punições contra a empresa de inteligência artificial a Anthropic. A companhia é dona do Claude, assistente rival do ChatGPT 🔎 EUA x ANTHROPIC: o governo americano trava uma disputa para ter o uso irrestrito de IA para fins militares. A empresa impõe limites por ser contra a adoção de suas ferramentas em sistemas de vigilância em massa de cidadãos e de armamento autônomos, por exemplo. Advogados do Departamento de Justiça dos EUA manifestaram o desejo de entrar com um recurso e terão até 30 de abril para apresentar seus argumentos, conforme o prazo definido pelo tribunal que analisa a proibição para punições contra a Anthropic. Na semana passada, o Departamento de Guerra dos EUA, também conhecido como Pentágono, foi impedido pela Justiça de classificar a Anthropic como um risco para a cadeia de fornecimentos, designação normalmente reservada a empresas de países adversários. A Justiça americana também derrubou a ordem do presidente Donald Trump para órgãos federais deixarem de usar a inteligência artificial da Anthropic. Mesmo com a ordem contrária, os EUA usaram o Claude na ofensiva militar contra o Irã, segundo o The Wall Street Journal. O assistente costuma ajudar o Exército americano a fazer avaliações de inteligência, identificar alvos e simular cenários de batalha. Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, e Donald Trump, presidente dos EUA Reuters/Bhawika Chhabra; Reuters/Nathan Howard As "amplas medidas punitivas" tomadas pelo governo americano pareceram arbitrárias e poderiam "paralisar a Anthropic", afirmou a juíza Rita Lin, que impediu as duas punições contra a empresa por uma semana. "Nada na legislação vigente apoia a noção orwelliana de que uma empresa americana possa ser rotulada como uma potencial adversária e sabotadora dos EUA por expressar discordância com o governo", disse a juíza em referência ao autor de livros distópicos George Orwell. Ela afirmou que a decisão não obriga os EUA a usarem os produtos da Anthropic nem o impede de fazer a transição para outros fornecedores de IA. Um alto funcionário do Pentágono disse que a decisão era uma "vergonha". O subsecretário de Guera dos EUA, Emir Michael, afirmou que a medida "prejudicaria a plena capacidade" do secretário Pete Hegseth de "conduzir operações militares com os parceiros que escolher". Além do tribunal na Califórnia, a Anthropic entrou com um processo no tribunal federal de apelações em Washington, D.C. As ações contestam aspectos diferentes das ações adotadas pelo Pentágono contra a empresa. Diversas entidades apresentaram pareceres jurídicos favoráveis à Anthropic, incluindo a Microsoft, associações comerciais, trabalhadores do setor de tecnologia, líderes militares aposentados e um grupo de teólogos católicos.