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SpaceX lança nova tripulação para a Estação Espacial após 1ª evacuação médica da NASA

Publicado em: 13/02/2026 08:13

Os astronautas da Tripulação 12, da esquerda para a direita, o piloto Jack Hathaway, o cosmonauta russo Andrei Fedyaev, a comandante Jessica Meir e a astronauta da ESA Sophia Adenot, da França AP/John Raoux Uma nova tripulação foi lançada nesta sexta-feira (13) rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) para substituir os astronautas que voltaram à Terra no mês passado na primeira evacuação médica da história da NASA. O foguete da SpaceX decolou de Cabo Canaveral, na Flórida, levando dois astronautas americanos, uma francesa e um russo. A missão está prevista para durar de oito a nove meses, até o outono no Hemisfério Norte. A chegada à estação deve ocorrer neste sábado (14). Com a saída antecipada de quatro tripulantes por questões médicas —caso inédito em 65 anos de voos espaciais tripulados da agência americana— a ISS operava com equipe reduzida. A chegada dos novos integrantes restabelece o quadro completo de sete astronautas a bordo. “Acontece que sexta-feira 13 é um dia de muita sorte”, disse o controle de lançamento da SpaceX por rádio após a entrada em órbita. “Que viagem!”, respondeu a comandante da missão, Jessica Meir. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Evacuação médica inédita No mês passado, quatro astronautas retornaram à Terra após um integrante da equipe passar mal em órbita. A NASA não divulgou a identidade do tripulante nem detalhes sobre o problema de saúde. Após o pouso no Oceano Pacífico, próximo a San Diego, os astronautas foram levados diretamente a um hospital. Foi a primeira vez que a agência interrompeu uma missão espacial por motivos médicos. No mês passado, quatro astronautas retornaram à Terra após um integrante da equipe passar mal em órbita. NASA Durante a ausência da tripulação substituída, atividades extraveiculares —as chamadas caminhadas espaciais— e outras tarefas científicas foram suspensas ou adiadas. Segundo a vice-gerente do programa da estação, Dina Contella, a agência avaliou que os protocolos médicos existentes eram suficientes e não solicitou exames adicionais antes do novo lançamento. Também não foi enviado equipamento extra de diagnóstico. Um aparelho de ultrassom já disponível na estação foi usado em sua capacidade máxima no dia 7 de janeiro, quando o astronauta apresentou sintomas. Testes para futuras missões à Lua e Marte Além de manter a rotina científica da estação, a nova tripulação realizará experimentos voltados para missões de longa duração, como as previstas para a Lua e Marte. Entre os testes programados estão: um filtro capaz de transformar água potável em fluido intravenoso de emergência; um sistema de ultrassom com uso de inteligência artificial e realidade aumentada, dispensando especialistas em terra; exames das veias jugulares para estudo sobre formação de coágulos sanguíneos; simulações de pouso lunar. Um foguete Falcon 9 da SpaceX com uma tripulação de quatro pessoas a bordo da espaçonave Dragon decola da plataforma 40 na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral AP/John Raoux Os experimentos fazem parte da preparação para o programa Artemis, que prevê o retorno de astronautas à Lua. Jessica Meir, que participa de sua segunda missão, integrou em 2019 a primeira caminhada espacial exclusivamente feminina. Uma das astronautas da missão Artemis II, prevista para orbitar a Lua possivelmente já em março, é Christina Koch —que esteve ao lado de Meir naquela atividade histórica. Está previsto um contato por rádio entre as duas tripulações. “O fato de eles estarem no espaço ao mesmo tempo que nós… é tão emocionante”, afirmou Meir antes do lançamento. Tripulação internacional A missão reúne experiência e estreantes. Meir e o russo Andrei Fedyaev retornam à estação pela segunda vez. Já o americano Jack Hathaway e a francesa Sophie Adenot fazem sua estreia no espaço. Adenot se torna a segunda mulher francesa a viajar ao espaço, após Claudie Haigneré, que esteve na estação russa Mir em 1996. Antes da decolagem, Fedyaev liderou o tradicional grito “Poyekhali” (“Vamos lá”, em russo), expressão usada por Yuri Gagarin ao se tornar o primeiro homem no espaço, em 1961. O lançamento ocorreu na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral. Paralelamente, a SpaceX prepara a plataforma do Centro Espacial Kennedy para futuras missões com a nave Starship, veículo de grande porte que a NASA pretende utilizar nas próximas etapas do programa lunar.

Palavras-chave: inteligência artificial

A física de origem cubana que construiu avião aos 14 anos e teve trabalho citado por Stephen Hawking

Publicado em: 13/02/2026 06:29

Sabrina González Pasterski teve sua primeira candidatura à Universidade de Harvard rejeitada e ficou na lista de espera do MIT, mas depois brilhou como aluna de ambas as instituições Rich Polk/Getty Images "O que seria de mim sem minha mãe e o que seria dela sem sua história familiar? É difícil separar a identidade de alguém da própria realidade." Assim escreveu Sabrina González Pasterski em um e-mail enviado à BBC Mundo — serviço em espanhol da BBC — em 2020, para enfatizar que ela se reconhece como membro da comunidade latina. A física havia sido uma das dez jovens de origem latino-americana selecionadas pela equipe da BBC Mundo como figuras inspiradoras nos Estados Unidos. Seis anos depois, voltamos a conversar com a cientista, que nasceu em Chicago, em 1993. Atualmente, ela atua no prestigiado Instituto Perimeter de Física Teórica, no Canadá, onde lidera a Iniciativa de Holografia Celestial, que reúne um grupo de pesquisadores que tenta responder uma questão: seria possível uma teoria bidimensional descrever o Universo? A jovem, que teve sua primeira candidatura à Universidade de Harvard rejeitada e ficou na lista de espera do MIT, brilhou anos depois como aluna de ambas as instituições. Alguns dos trabalhos em que participou, junto a outros pesquisadores, foram citados por Stephen Hawking, e contribuíram para novas previsões sobre ondas gravitacionais. Três desejos Pasterski conta que sua mãe, Maria, nasceu em Cuba, e se mudou para os EUA ainda pequena, com os pais e a irmã. Quando era adolescente, entre os 12 e 14 anos, Sabrina construiu seu próprio avião. "Sempre gostei muito da ideia de ver como as coisas vão se juntando, como peças muito pequenas se juntam para formar algo maior", conta. Aos 16 anos, pilotou o avião que ela mesmo havia construído, o que chamou atenção da imprensa americana. Logo depois vieram as conquistas acadêmicas e reconhecimentos, com destaque em revistas como Time, Forbes e Scientific American. Sabrina Pasterski quando tinha quatro anos Arquivo Pessoal/Sabrina González Pasterski Alguns veículos de comunicação chegaram a chamá-la de "a nova Einstein", um rótulo que ela considera inadequado. Com a projeção vieram também convites para entrevistas e palestras em diferentes plataformas ao redor do mundo. Em uma delas, durante o Perspektywy Women in Tech Summit, em 2019, ela disse que tinha três desejos para as mulheres que atuam na área de tecnologia. "Não sucumbamos àqueles que querem nos fazer duvidar de nós mesmas", disse ela sobre o primeiro desejo. O segundo foi: "que resistamos à pressão daqueles que querem planejar nosso futuro por nós". E o terceiro foi sobre não ter medo de tirar um tempo de folga. Sem medo da mudança "Você ainda tem esses desejos?", pergunto a ela. "Sim, mantenho o que disse", ela responde, rindo. Sabrina construiu seu próprio avião quando era adolescente Arquivo Pessoal/Sabrina González Pasterski Pasterski construindo o avião na garagem de casa, quando tinha 13 anos Arquivo Pessoal/Sabrina González Pasterski "Quando a gente é mais jovem, é comum sentir a necessidade de se encaixar, de acompanhar o ritmo de colegas igualmente brilhantes, mas a verdade é que cada pessoa conduz suas pesquisas de uma maneira." "O que você deve tentar fazer é descobrir o que realmente te motiva." Quando ela fala sobre não ter medo de tirar um tempo para si, ela se refere à importância de fazer uma pausa para "descobrir o que realmente lhe dá prazer", sem medo de que isso leve a uma mudança de rumo. E isso se alinha não apenas com sua recomendação de "ter certeza de que você está fazendo o que quer fazer", mas também com a sua própria trajetória. Pasterski percebeu que sua paixão de infância pela aeronáutica não era o caminho que ela queria seguir. Foi quando descobriu a física. "Sabrina é uma das pesquisadoras que realizou trabalhos que, na ciência, chamamos de seminais — publicações que serviram como ponto de partida para uma nova área da Física Teórica", afirmou à BBC Mundo Francisco Rojas, professor da Universidade Adolfo Ibáñez, no Chile. Ele se refere à holografia celestial, área na qual também atua. Depois do trabalho em parceria com o físico Andrew Strominger, pioneiro dessa nova vertente da física, "Sabrina continuou sendo um dos principais nomes dessa área. É impressionante a quantidade de artigos que ela já publicou". 'Olhar para o céu noturno' Em um vídeo do Instituto Perimeter, Pasterski fala da holografia celestial. "Por celestial, nos referimos literalmente a olhar para o céu noturno: como o Universo físico é codificado como um holograma?", explica. Para entender a transcendência do seu trabalho, é preciso fazer uma breve viagem no tempo, relembrar o trabalho de físicos brilhantes e ter em mente que as duas teorias mais poderosas sobre o Universo — a relatividade geral e a mecânica quântica — não são compatíveis. Um dos físicos que tentou fazer com que elas dialogassem foi Stephen Hawking. Ao lado de Jacob Bekenstein, Hawking realizou, nos anos 1970, cálculos que foram revolucionários. "Esses cálculos deram o primeiro pontapé do que se chama hoje de holografia", destaca Rojas. Os dois cientistas calcularam a entropia e a temperatura de um buraco negro. Trabalhos em que Pasterski participou com outros pesquisadores foram citados por Stephen Hawking MENAHEM KAHANA/AFP via Getty Images A entropia é uma grandeza fundamental, presente basicamente em todos os sistemas físicos, e está relacionada à quantidade de informação contida neles. "Misturando as leis da relatividade geral — que descrevem o surgimento dos buracos negros — com as equações da mecânica quântica, eles chegaram a algo revolucionário", explica o especialista. Eles descobriram que a entropia do buraco negro não era proporcional ao seu volume, mas sim à sua área. "Como assim? Se o buraco negro tem coisas dentro, está cheio de estrelas, gases...como é possível que a entropia aumente com a área e não com o volume? Isso foi algo radical." O princípio holográfico Anos depois, seriam feitas algumas pesquisas que acabariam levando ao campo que hoje tem Pasterski entre suas principais referências. Leonard Susskind publicou "The world as a hologram" (O mundo como um holograma, na tradução livre para o português), em que uniu teorias de outros físicos de destaque, entre eles Bekenstein e Hawking. "E o que ele nos diz é: 'Olhem, o que acontece nos buracos negros talvez aconteça no Universo inteiro. Talvez a nossa realidade tridimensional seja algo que acontece nos limites do Universo, e tudo o que acontece aqui seja, na verdade, uma espécie de holograma do que está acontecendo lá fora'", explica o professor Rojas. Andrew Strominger, um dos pioneiros da holografia celestial, ganhou em 2017 o Prêmio Breakthrough por suas contribuições "transformadoras" para a teoria quântica de campos, a teoria das cordas e a gravidade quântica Kelly Sullivan/Getty Images E assim chegamos ao princípio holográfico. O que esse princípio propõe é que "toda a informação de um sistema físico — levando em conta todos os efeitos da mecânica quântica e da gravidade — não está realmente codificada no volume tridimensional em que ele existe, mas sim na borda bidimensional desse volume", explica Rojas. Se isso for verdade na escala do Universo, a implicação seria que "a nossa própria realidade poderia estar acontecendo na borda do nosso próprio Universo". A holografia celestial busca justamente generalizar o princípio holográfico e aplicá-lo a um Universo que não se expanda de forma acelerada. Citada por Stephen Hawking Na Iniciativa da Holografia Celestial do Instituto Perimeter, Pasterski lidera um grupo de pesquisadores que se dedicam a "unir nossa compreensão do espaço-tempo com a teoria quântica, codificando nosso universo como um holograma", diz o site do instituto. Anos antes, após se graduar no MIT como a melhor aluna do programa de Física, com uma média perfeita de 5, Pasterski fez seu doutorado em Harvard sob supervisão de Andrew Strominger, um dos maiores representantes da holografia celeste. Pasterski entrou no MIT aos 17 anos e, em 2021, integrou o Instituto Perimeter, um dos principais centros de pesquisa dedicados à física no mundo Gabriela Secara/Perimeter Institute Lá, ela ajudou a descobrir o chamado spin memory effect, ressalta o Instituto Perimeter, e ajudou a completar o chamado triângulo infravermelho — pesquisa que foi citada por Stephen Hawking. Esse estudo está relacionado às ondas gravitacionais e aos fenômenos do eletromagnetismo quântico. "Ao citá-lo, Hawking o destaca como um trabalho muito importante para o futuro da física", afirma Rojas. "É uma descoberta bastante relevante porque, hoje em dia, não é comum que um artigo científico em física preveja algo que possa ser medido experimentalmente em um prazo relativamente curto." A comparação com Einstein Pasterski já disse que não se sentia muito confortável em ser chamada de "a próxima Einstein". "Primeiro porque isso foi dito quando Hawking citou o trabalho que eu participei com o Andrew (Strominger). Eu estava apenas no segundo ano do meu doutorado", disse à BBC mundo. Pasterski durante entrevista com a BBC Mundo via chamada de vídeo BBC "Foi curioso porque meus pais, que não têm nada a ver com física, ao verem esse reconhecimento, achavam que eu estava indo muito bem. Mas eu sentia que não era bem assim." "O que mais me incomodava era pensar que, se eu realmente fosse uma grande cientista, minha vida seria diferente, e eu via isso pelas pessoas que ganhavam os prêmios Nobel. Isso sim era algo concreto e duradouro", declarou. "A outra questão é que esse tipo de rótulo não ajuda em nada se você está em uma área com milhares de pessoas. Não é justo." Ela afirma que a história do avião provavelmente fez com que ela chamasse mais atenção "do que outras pessoas que também eram brilhantes". "Durante um tempo, isso me incomodou porque eu sentia que não estava à altura [da comparação] e depois veio a pergunta: será que posso transformar isso em algo útil, positivo? Acho que a maturidade e o fato de ser professora me ensinaram que o legado de Einstein é algo que todo o nosso campo está tentando dar continuidade." "Até que ponto podemos ter um pouco mais de controle sobre essa narrativa? Não precisa ser sempre sobre estrelas que se destacam. Por exemplo, Edward Witten, qualquer um dos professores do Instituto de Estudos Avançados, em Princeton, meu orientador… há muitas estrelas, e nem todas escrevem livros ou tentam chamar atenção." Para Pasterski, o ponto central é como usar a visibilidade e o reconhecimento de uma forma que beneficie o campo da física como um todo e ajude a criar pontes com outras áreas, como o setor de tecnologia e a Inteligência Artificial, por exemplo. "Eu adoro a ideia de transformar esse tipo de atenção em algo positivo — de promover uma colaboração entre a academia e a indústria que nos ajude a resolver problemas e a fazer pesquisa de maneira mais eficiente, inovadora e interessante." Uma lacuna a ser preenchida Tentar unir a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica se tornou um dos maiores desafios da física, que já mobilizou várias gerações de cientistas. Mas é assim que a pesquisa científica funciona, afirma Pasterski. O Instituto Perimeter, onde Sabrina Pasterski lidera um grupo de pesquisa Universal Images Group via Getty Images Quando você se dedica a estudar um problema pequeno na física, está se apoiando "nos ombros de gigantes" que ficaram presos em um ponto específico — e é justamente ali que você encontra uma lacuna importante a ser preenchida. É isso que ela, junto com sua equipe, está tentando fazer com suas pesquisas, que levam em conta a gravidade quântica, os estudos de Hawking, os experimentos realizados a partir deles, a teoria quântica de campos e a teoria das cordas, entre outros. "Existem exemplos específicos em que foram feitas tentativas de se estudar uma teoria da gravidade quântica procurando uma descrição que fosse equivalente, mas sem gravidade — e é nisso que eu trabalho", afirma. Com seu grupo de pesquisadores, ela procura criar um marco teórico geral que seja "mais realista" do ponto de vista da física. "É como se a própria física nos dissesse que existem descrições mais simples que podem nos levar a compreender muito mais coisas." E, para encontrar respostas, é fundamental contar com um "marco matematicamente consistente". "O objetivo é tentar encontrar um conjunto de leis altamente condensadas que depois expliquem todos esses outros fenômenos que estamos observando. Acho que essa é a missão que temos como grupo." Outra forma de ver o Universo É assim que Pasterski e sua equipe estão tentando ver o Universo de uma forma totalmente nova. "Eu gostaria que as pessoas soubessem que a descrição do Universo pode ser mais simples do que todas as coisas que surgem a partir dele — e que estamos tentando encontrá-la." "No fundo, acho que acreditamos que existe, em algum lugar, um conjunto de regras fundamentais das quais tudo emerge. Seria incrível entender quais são. Isso é fascinante." "Então, o Universo é um holograma?", pergunto. "Acredito que podemos descrevê-lo como um holograma, sim. E então surge a pergunta: é essa uma descrição útil?" E, se você, leitor, está se perguntando por que a palavra "celestial" aparece no nome desse ramo da física, o professor Rojas explica que é porque a teoria propõe que muitos dos fenômenos físicos que observamos — como as interações entre partículas subatômicas ou os vestígios deixados por colisões de buracos negros no espaço — podem ser compreendidos como uma projeção em uma esfera… Tal como as estrelas projetam seu brilho no céu noturno. Físico brasileiro é citado em Nobel de Física e celebra reconhecimento da ciência nacional

Quase 80% das cidades em Goiás recebem selo de ouro por projetos de alfabetização

Publicado em: 13/02/2026 04:01

Cidades em Goiás recebem selo de ouro por projetos de alfabetização O Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização premiou 193 cidades goianas com categoria ouro. O selo engloba municípios, estados e Distrito Federal, avaliando ações das secretarias de Educação no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Veja a lista completa com o nome de todas as cidades que receberam o selo ouro aqui. O resultado final da premiação foi divulgado na segunda-feira (9). Além dos municípios, o Estado de Goiás também recebeu o selo ouro na premiação. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp De acordo com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc), o estado tem cumprido uma série de ações de alfabetização. Entre elas, o governo destacou a distribuição de materiais complementares impressos para estudantes, além de programas de bolsas e projetos para avaliar e acompanhar a aprendizagem dos alunos das redes municipais e estaduais de ensino. LEIA TAMBÉM: Seis universidades com curso de medicina em Goiás podem ser punidas pelo MEC após avaliação negativa Curso de medicina da UniEvangélica tem a melhor nota de Goiás, aponta Inep Universidade Federal de Jataí passa a oferecer curso de Inteligência Artificial O Governo de Goiás também pontuou ações de inclusão, como apoio à educação de povos indígenas, quilombolas e comunidades do campo. Ao g1, o professor há 22 anos da rede pública de ensino de Caldas Novas, Eduardo Francis, contou que ficou feliz em saber que a cidade recebeu o título. Ele afirmou que a Educação como um todo enfrentou desafios após a pandemia, e ver o resultado demonstra que as estratégias adotadas deram resultado. "Tivemos êxito. Isso é motivo para nos alegrar e ver que o nosso trabalho é árduo, mas nós conseguimos", afirmou. Nas redes sociais, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), falou sobre a conquista do título pela capital. Ele destacou que a capital conta com cerca de 120 mil alunos atualmente e que o trabalho em equipe dos gestores municipais e de cada unidade foi o ponto chave para o recebimento do selo. "São muitos diretores, coordenadores, nossa secretária de Educação e os nossos vereadores. Um trabalho em equipe que permitiu que as nossas escolas estejam em ordem. É todo um conjunto de atitudes que faz com que tenhamos selo ouro", pontuou. Critérios exigidos Sede do Ministério da Educação, em Brasília. MEC vai adotar medidas em relação aos cursos de medicina que tiveram notas 1 e 2 no Enamed Angelo Miguel / MEC De acordo com o Ministério da Educação (MEC), o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização conta com critérios a serem atingidos para a conquista da categoria ouro. Eles são: "Institucionalização e implementação da política de alfabetização ou das ações no âmbito da alfabetização em consonância com o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada; Implementação das ações de formação de professores e gestores; e Distribuição de materiais didáticos complementares de alfabetização". As avaliações contam com a participação de instituições reconhecidas na área educacional, que contam com o apoio do MEC e do Comitê Estratégico Nacional do CNCA. Outras duas comissões, sendo uma gestora do selo e outra técnica de avaliação, participam da análise de pedidos de reconsideração e da avaliação de inscrições das secretarias de educação. Reconhecimento Governo anuncia bônus para servidores da Educação em Goiás Divulgação/Governo de Goiás Ainda de acordo com o MEC, o selo serve como um reconhecimento de que as gestões estão implementando de forma correta as estratégias do programa Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Além disso, o selo também serve como um estímulo para que os estados continuem focados em atingir as metas e reduzir as desigualdades como prevê o Plano Nacional de Educação. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

Palavras-chave: inteligência artificial

Atriz denuncia governo da Albânia por uso de sua imagem em ministra criada por IA

Publicado em: 13/02/2026 00:01

Atriz Anila Bisha e Diella (IA que é ministra da Albânia) Reprodução/Instagram; Reprodução/Site do Gabinete do Primeiro-Ministro A atriz albanesa Anila Bisha, cuja imagem foi usada para criar a inteligência artificial nomeada como ministra da Albânia, anunciou nesta quarta-feira (11) que acionou o Tribunal Administrativo para pedir a suspensão do uso de sua imagem. Em setembro, o primeiro-ministro Edi Rama nomeou a IA, chamada Diella (“sol”, em albanês), como ministra responsável por decisões sobre licitações públicas. A iniciativa foi apresentada como um símbolo do combate à corrupção, tema sensível no país. Bisha, de 57 anos e bastante conhecida na Albânia, havia assinado um contrato com o governo autorizando o uso de sua imagem para representar a assistente virtual do portal E-Albania, que oferece serviços públicos online. Segundo ela, porém, o acordo não previa o uso de sua imagem na criação da ministra virtual. Scarlett Johansson diz que OpenAI imitou sua voz no ChatGPT: 'Fiquei chocada' 'Atriz' criada por inteligência artificial gera protestos em Hollywood Veja os vídeos que estão em alta no g1 Isso é "uma exploração da minha identidade e dos meus dados pessoais", afirmou. A atriz disse que entrou com a ação na segunda-feira (9). "Assinei apenas um contrato, de alguns meses [até 31 de dezembro de 2025], para o uso da minha imagem no âmbito dos serviços oferecidos aos cidadãos pelo E-Albania, de forma alguma para Diella, a ministra", acrescentou. Bisha afirma também que a Agência Nacional da Sociedade da Informação, que desenvolveu a IA de Diella, registrou uma patente sobre sua imagem e sua voz sem a avisar, o que, segundo ela, "é ilegal" e a impede de trabalhar. Ela afirmou à AFP que não reagiu antes porque esperava um acordo amigável, mas suas mensagens às autoridades ficaram sem resposta e ela decidiu recorrer à Justiça. Veja mais: Fenômeno da IA agora assusta investidores? 'Chefões' tentam amenizar preocupações 'Gêmeo digital': IA pode replicar personalidades humanas com 85% de precisão 'Atriz' criada por inteligência artificial gera protestos em Hollywood Por que o Moltbook, rede social das IAs, pode não ser a revolução que promete

Palavras-chave: inteligência artificial

EUA e Taiwan finalizam acordo para reduzir tarifas e impulsionar compras de produtos americanos

Publicado em: 12/02/2026 22:53

Bandeiras dos EUA e de Taiwan são vistas em São Francisco REUTERS/Stephen Nellis Autoridades do governo de Donald Trump firmaram um acordo comercial recíproco que estabelece uma tarifa de 15% dos Estados Unidos sobre produtos importados de Taiwan e, em contrapartida, obriga o país asiático a adotar um cronograma para eliminar ou reduzir tarifas sobre praticamente todos os bens americanos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O documento, divulgado na quinta-feira pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA, também compromete Taiwan a aumentar significativamente as compras de produtos dos EUA entre 2025 e 2029, incluindo US$ 44,4 bilhões em gás natural liquefeito e petróleo bruto, US$ 15,2 bilhões em aeronaves civis e motores, US$ 25,2 bilhões em equipamentos e geradores para redes elétricas, além de equipamentos marítimos e para siderurgia. O acordo acrescenta linguagem técnica e detalhes específicos a um pacto-quadro comercial alcançado em janeiro, que reduziu as tarifas sobre produtos taiwaneses — incluindo os do poderoso setor de semicondutores — para 15%, ante os 20% inicialmente impostos por Trump. Isso coloca Taiwan em pé de igualdade com seus principais concorrentes asiáticos de exportação, a Coreia do Sul e o Japão. “Este é um momento decisivo para a economia e as indústrias de Taiwan aproveitarem os ventos da mudança e passarem por uma grande transformação”, escreveu o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, em sua página no Facebook. Segundo ele, o acordo vai otimizar a estrutura econômica e comercial Taiwan–EUA, construir cadeias industriais confiáveis e estabelecer uma parceria estratégica de alta tecnologia entre Taiwan e os Estados Unidos. O acordo de janeiro incluía um compromisso de Taiwan de que suas empresas investiriam US$ 250 bilhões para impulsionar a produção de semicondutores, energia e inteligência artificial nos EUA, incluindo US$ 100 bilhões já comprometidos pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company. O governo taiwanês garantiria outros US$ 250 bilhões em investimentos nos EUA, disse o secretário de Comércio, Howard Lutnick. A redação final não trouxe mais detalhes sobre esses investimentos, mas afirmou que o escritório de representação de Taiwan nos EUA colaborará com autoridades americanas para facilitar novos investimentos “greenfield” e “brownfield” em setores estratégicos de manufatura de alta tecnologia, incluindo IA, semicondutores e eletrônicos avançados. O acordo eliminará imediatamente as tarifas de Taiwan de até 26% sobre muitas importações agrícolas dos EUA, incluindo carne bovina, laticínios e milho. Porém, algumas tarifas, como a atual taxa de 40% sobre barriga de porco e de 32% sobre presunto, cairão apenas para 10%, de acordo com a tabela tarifária. Veja os vídeos em alta do g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os EUA afirmaram que, pelo acordo, Taiwan removerá barreiras não tarifárias sobre veículos automotores e aceitará os padrões de segurança automotiva dos EUA, bem como os de dispositivos médicos e produtos farmacêuticos. O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse em comunicado que o acordo ampliará as oportunidades de exportação para agricultores, pecuaristas, pescadores, trabalhadores e fabricantes americanos. “Este acordo também se baseia em nossa longa relação econômica e comercial com Taiwan e aumentará significativamente a resiliência de nossas cadeias de suprimentos, especialmente nos setores de alta tecnologia”, acrescentou Greer. Nos primeiros 11 meses de 2025, o déficit comercial dos EUA com Taiwan saltou para US$ 126,9 bilhões, ante US$ 73,7 bilhões em todo o ano de 2024, em grande parte devido ao forte aumento das importações de chips de IA de alto desempenho vindos de Taiwan, segundo dados do Departamento do Censo dos EUA.

Setor de serviços cresce pelo quinto ano seguido em 2025, diz IBGE

Publicado em: 12/02/2026 21:56

A força dos serviços O setor de serviços cresceu pelo quinto ano seguido em 2025. Os dados são do IBGE. Como toda promoção, esta também veio acompanhada de mais responsabilidades. O diretor de operações André Ribeiro, ainda um jovem profissional de TI, agora está desenvolvendo um programa para detectar falhas em torres de energia elétrica. “A gente está tendo muita procura nesse sentido de fazer projetos de inteligência artificial para automatizar algumas tarefas de engenharia ou da operação em si da empresa, que antes eram feitas de maneira manual”, conta. Encomendas como essa representam bem o crescimento que o setor de serviços teve em 2025, com alta de quase 3% na comparação com 2024. Destaque para a contribuição que os serviços ligados à tecnologia tiveram para o bom resultado. Mesmo em dezembro de 2025, quando o setor recuou na comparação mensal, os serviços de informação, acompanhados dos serviços prestados às famílias, se mantiveram em alta. “Esse setor sempre tem uma margem para melhora porque a gente está sempre criando novas demandas, criando novas necessidades, e quem traz essas soluções, muitas vezes, são esses setores de informação e comunicação”, afirma Stéfano Pacini, economista FGV IBRE. Setor de serviços cresce pelo quinto ano seguido em 2025, diz IBGE Jornal Nacional/ Reprodução A pesquisa mostra ainda que, entre os diferentes tipos de atividades que fazem parte desse grande guarda-chuva que é o setor de serviços, os serviços de tecnologia da informação foram os que mais cresceram nos últimos cinco anos: alta de mais de 84%. Em termos de trabalho, isso significa um mercado que está aquecido, oferecendo bons salários, oportunidade de crescimento e que segue procurando gente. A empresa onde o André trabalha desenvolve soluções tecnológicas e está em busca de profissionais capazes de operar essas novas ferramentas. Não precisa experiência: a boa e velha vontade de aprender é suficiente para começar. “Dá para contratar sem experiência. Ele já começa trabalhando ao lado de alguém que tem experiência, mas o que é muito útil é ter um conhecimento dos processos desse tipo de cliente em particular”, diz o diretor de tecnologia Cristiano Henrique Ferraz.

Transporte público de Pilar do Sul deve ser parcialmente retomado nesta sexta-feira, diz prefeitura

Publicado em: 12/02/2026 19:09

Operação interdita empresa e deixa Pilar do Sul sem transporte público O transporte público de Pilar do Sul (SP) deve começar a ser normalizado nesta sexta-feira (13). O serviço foi temporariamente suspenso após a empresa responsável pela operação ser embargada e interditada durante uma ação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na manhã desta quinta-feira (12). A prefeitura informou que está finalizando a contratação emergencial de uma empresa para assumir temporariamente a operação do transporte público. Segundo a administração municipal, as linhas devem ser retomadas parcialmente nesta sexta-feira, com previsão de normalização total do serviço nos próximos dias. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp A administração municipal não divulgou qual empresa será contratada em caráter emergencial nem quais linhas estarão em operação para atender a população nesta sexta-feira. Operação do MTE Segundo o MTE, a operação foi realizada após uma denúncia ser protocolada no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT). Um dos documentos, com 74 páginas, aponta maus-tratos, assédio moral e até tortura contra funcionários. Ainda de acordo com o órgão, a empresa recebeu 21 autuações. A situação representava riscos aos 59 funcionários da empresa e aos passageiros. O g1 teve acesso ao documento de embargo do ministério, que aponta irregularidades graves em diferentes áreas, como segurança, condições de trabalho, manutenção, proteção e saúde dos funcionários. O MTE também constatou durante a fiscalização que há a falha de controle de risco e manutenção, podendo causar acidentes graves. Enquanto durar o embargo, que deve permanecer até que as irregularidades sejam solucionadas, a empresa não poderá fazer uma série de ações. Veja a lista: Liberar ônibus em situação de irregularidade; Fazer manutenções sem a segurança devida; Expor trabalhadores a jornadas exaustivas diárias; Utilizar veículos sem segurança comprovada. Veículos usados no transporte público estavam em situações precárias, aponta MTE Divulgação/MTE Outro documento emitido pelo MTE, ao qual a reportagem também teve acesso, mostra que a prefeitura chegou a ser notificada da operação ainda na terça-feira (10). No entanto, a gestão municipal não propôs nenhuma alternativa para o transporte público da cidade durante o período. Entre as irregularidades, a fiscalização apontou que a garagem dos ônibus está em um local não permitido pelo zoneamento urbano do município. Caso o embargo seja descumprido, a empresa responsável estará sujeita a sanções administrativas. Na denúncia dos funcionários enviada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, é relatado que os veículos utilizados no transporte estão em condições precárias, incluindo ausência de freios, cintos de segurança, assentos para idosos, além de falhas mecânicas frequentes. Além disso, os trabalhadores relataram uma jornada exaustiva, chegando a até 15 horas diárias. Também foi mencionado que não há o pagamento de horas extras, nem recebimento de vale-refeição, apesar de o benefício constar no contrato de trabalho. Ainda conforme a denúncia protocolada no MDH, há relatos de situações envolvendo abuso sexual e assédio moral no ambiente de trabalho, além da proibição de que os funcionários denunciassem os casos ao sindicato. Ao analisar os depoimentos, o ministério identificou graves violações ao princípio da dignidade humana, incluindo tortura psicológica, violação à integridade física e negligência. Funcionários relatam situações de abuso Divulgação/MTE O que dizem os citados Em nota publicada nos canais oficiais, a Prefeitura de Pilar do Sul informou que a empresa deve interromper a prestação do serviço até que as atividades sejam regularizadas. A gestão informou que está adotando todas as providências necessárias para regularizar a situação no menor prazo possível e restabelecer o transporte público. Questionada pela TV TEM, a prefeitura ainda não se manifestou sobre possíveis alternativas durante o período de paralisação. Em nota enviada à TV TEM, a Viação Estevam, responsável pelo transporte público municipal de Pilar do Sul, questiona as provas anexadas pelo MTE nos documentos da fiscalização, visto que há a imagem de um bode dentro do ônibus supostamente gerada por inteligência artificial. Além disso, a empresa afirma que o termo de embargo é genérico e não especifica quais adequações técnicas seriam necessárias para a retomada das atividades. Com relação à manutenção, é alegado que os reparos são feitos em concessionárias autorizadas e que não há evidências de riscos. Ainda conforme a nota, a concessionária já protocolou sua defesa administrativa contra o auto de infração e interpôs uma medida judicial com pedido de tutela de urgência, para suspender o embargo e garantir a continuidade do transporte público na cidade. O g1 também entrou em contato com o MPT, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: inteligência artificial

Brasileiro ganha prêmio na Alemanha por pesquisa com IA para diagnosticar transtornos mentais

Publicado em: 12/02/2026 12:37

Francisco Rodrigues foi um dos 20 cientistas agraciados com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da Fundação Alexander von Humboldt Divulgação USP Métodos baseados em inteligência artificial (IA) são confiáveis para diagnosticar transtornos mentais. Essa é uma das conclusões de estudos liderados pelo brasileiro, Francisco Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP). Nos testes em laboratório, imagens de ressonância magnética foram usadas para gerar dados e treinar um algoritmo capaz de identificar a condição mental dos pacientes com mais de 90% de acerto. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em artigos de revistas científicas como Nature e PLOS One. "Conseguimos identificar quais regiões foram alteradas em uma pessoa com epilepsia, autismo ou esquizofrenia, por exemplo, e entender quais alterações estão relacionadas com aquele transtorno", explica Rodrigues. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Leia também: 'Temos dados suficientes para robôs terem raciocínio muito rápido', diz diretor brasileiro da Nvidia A técnica está em estágio inicial de desenvolvimento, e poderá auxiliar psicólogos e psiquiatras no diagnóstico automático desses transtornos, principalmente entre aqueles com sintomas semelhantes e que geram dúvidas entre os profissionais, ou ainda em fases iniciais das doenças. "Hoje com o procedimento tradicional, o psiquiatra não vai conseguir identificar se você vai desenvolver esquizofrenia daqui a dez anos, esse é o ponto". Segundo o Censo de 2022, pelo menos 2,4 milhões de brasileiros foram diagnosticados com o transtorno do espectro autista (TEA), outros 1,6 milhão entre 15 e 44 anos têm esquizofrenia e mais 1,7 milhão acima de 60 anos têm algum tipo de demência como mal de Alzheimer e Parkinson. Atualmente, o diagnóstico é feito após a avaliação do histórico dos pacientes por psicólogos e psiquiatras, além da aplicação de testes. "Não há um marcador para os transtornos mentais, assim como há para o diabetes, por exemplo", diz Rodrigues. "A ideia é de que no futuro, um escaneamento do cérebro seja capaz de dizer se a pessoa tem depressão, ou outra questão". Coleta de dados é desafio Em São Paulo, as análises feitas no laboratório se baseiam justamente em imagens obtidas por exames de ressonância magnética ou eletroencefalograma (EEG) que mapeiam o cérebro e sua atividade em pacientes saudáveis e outros com algum tipo de transtorno. "Tiramos várias dessas medidas e inserimos em um sistema de aprendizagem de máquina". Mas coletar esses dados é um desafio para a pesquisa, uma vez que os EEG podem ser imprecisos, e as ressonâncias são difíceis de produzir. "Como colocar uma pessoa com esquizofrenia ou que tenha déficit de atenção mais de 40 minutos parada dentro de uma máquina?" Por isso, até agora, as análises se limitaram a algumas dezenas de indivíduos. Nos estudos em questão, o pesquisador recorreu a informações coletadas a partir de ressonâncias magnéticas do cérebro de pacientes dos Estados Unidos. "Um dos grandes problemas que temos é o número limitado de participantes. Para que os métodos sejam mais precisos, a máquina precisa de dados, e quanto mais tem, mais aprende", afirma Rodrigues. Saiba também: Os 'espelhos com IA' que estão mudando como cegos se veem Colaboração Brasil-Alemanha E são exatamente esses dados advindos de técnicas como os minicérebros que o pesquisador vai buscar na Alemanha. Em janeiro deste ano, Rodrigues foi um dos 20 cientistas agraciados com o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel da fundação alemã Alexander von Humboldt. A instituição concede 60 mil euros (cerca de R$ 370 mil) a pesquisadores estrangeiros cujas produções científicas tiveram impacto no seu campo de estudos. "Essa colaboração com a Alemanha é extremamente importante. Já temos bastante experiência com a parte teórica de aprendizagem de máquina e modelos de sistemas complexos, trabalho com isso desde o meu doutorado em 2007. Só que na Alemanha eles conseguem coletar os dados". Os minicérebros são obtidos a partir da extração de células do córtex cerebral de embriões de animais que são isoladas e depois crescem em placas. Um chip capta a atividade neuronal e os sinais elétricos entre os neurônios, que servirão de base de dados para os estudos. A expectativa é usar esses dados para testar como determinadas intervenções, como medicamentos, alteram a dinâmica das redes neurais simuladas. Ainda assim, os organoides não reproduzem a complexidade de um cérebro humano completo e funcionam como modelos experimentais. Formado em Física pela USP, a relação de Rodrigues com a Alemanha começou em 2006, quando foi aluno visitante do Instituto Max Planck durante o doutorado. Depois, em 2011, passou a colaborar com a professora Cristiane Thielemann da Universidade de Ciências Aplicadas de Aschaffenburg em pesquisas com minicérebros. Foi ela quem o indicou para o prêmio Friedrich Wilhelm Bessel, da Fundação Humboldt. Até o fim de 2026, Rodrigues embarca para Frankfurt, onde vai prosseguir com a pesquisa durante um ano. Além disso, ele vai ministrar dois cursos na Fundação Humboldt ligados ao seu tema de estudo: sistemas complexos e aprendizagem de máquina. Quando retornar ao Brasil, a expectativa é de continuar com os trabalhos, mas um método geral de previsão e diagnóstico de transtornos mentais só deve estar disponível nos próximos dez anos. "Já sabemos que funciona, mas o protocolo de coleta de dados ainda é muito restrito, tem que passar por um processo de implementação da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e isso demora".

Palavras-chave: inteligência artificial

Meninos dançam 'Passinho do Jamal' e viralizam com mais de 10 milhões de visualizações

Publicado em: 12/02/2026 06:00

Meninos dançam 'Passinho do Jamal' e viralizam com mais de 10 milhões de visualizações A dança foi tão sincronizada que levantou suspeita de uso de inteligência artificial. A coreografia era, na verdade, puro talento. Os primos Benício Monteiro, de 5 anos, e Lorenzo Oliveira, de 4, conquistaram a internet com a dança do Passinho do Jamal e ultrapassaram 10 milhões de visualizações nas redes sociais. Agora, eles até tem sido reconhecidos pelas ruas de Boa Vista. 🕺 Passinho do Jamal é uma dança que surgiu no Recife. A coreografia mistura movimentos dos braços em sincronia com as pernas, um balanço tímido do quadril e um senso de ritmo apurado. O ritmo conquistou famosos como Adriane Galisteu, João Gomes e Ivete Sangalo e veio parar em Roraima com Benício e Lorenzo. Publicado no TikTok, o vídeo protagonizado pelos primos ultrapassa milhões de visualizações e acumula 660 mil curtidas. Na gravação, eles aparecem de uniforme escolar — a dupla estava a caminho do primeiro dia de aula do ano. Nem as mochilas nas costas impediram que entregassem o molejo digno da repercussão. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Quem gravou e postou o vídeo viral, no último dia 2 de fevereiro, foi a jovem Emilly Cristina Oliveira, de 24 anos, mãe de Benício - o loirinho das imagens. "Acredito porque eles [seguidores] não estão acostumados a ver crianças dançando assim. E por eles saberem muito o passinho da dança, estão confiando que é a inteligência artificial, por eles saberem dançar. Mas não é IA. Por incrível que pareça, não é IA", conta Emilly. Emilly publicou outros 13 vídeos dos dois. Juntos, os conteúdos somam mais de 14 milhões de visualizações nas redes sociais - número quase 20 vezes maior que a população de Roraima, estimada em 738 mil habitantes. Meninos têm a mesma idade do passinho A história da dança se entrelaça com a dos pequenos estudantes. O Passinho do Jamal surgiu no bairro Santo Amaro, no Centro do Recife, onde moram os amigos de infância Pedro Henrique, de 25 anos, e Romero Júnior, de 21 — conhecidos como Eo Chapa e Jamal. Embora tenha surgido em 2020, o brega funk só ganhou força nas redes sociais quase cinco anos depois, praticamente o tempo de vida de Benício e Lorenzo. Enquanto a dança crescia na internet, os dois também cresciam, até que, no extremo Norte do país, fizeram história. "Postei o vídeo e fui fazer minhas obrigações. Quando entrei no TikTok à noite, já tinha mais de 20 mil visualizações. No outro dia, já estava com um milhão. Não imaginei que iria repercutir dessa forma", disse a mãe de Benício. Os primos vivem com a família no bairro Cidade Satélite, na zona Oeste de Boa Vista. As casas ficam a cerca de dois minutos uma da outra, o que faz com que estejam sempre juntos. Além de primos, são grandes amigos. O vídeo viral é resultado de treino - eles começaram a dançar aos 2 anos de idade. “Tudo que eles vão fazer é um incluindo o outro. São bem apegados um ao outro, bem amigos, se protegem”. #FATO OU #FAKE? “Eu jurava que era IA”. "Já IA acreditando" são alguns dos comentários, feitos em vários idiomas, no Instagram e no TikTok. Vários perfis questionam se as crianças são reais ou se o vídeo foi produzido com uso de inteligência artificial. E, mais uma vez, Emilly garantiu: é tudo real, mesmo que uma adulta de mais de 20 anos não consiga fazer o passinho por falta de coordenação motora (como a repórter que vos fala). Ou seja, caso ainda haja dúvidas, é #FATO. Os primos também acompanham o alcance do vídeo e comemoram o sucesso. "Estão adorando [a repercussão]. Inclusive, antes de você mandar mensagem, eles estavam ensaiando aqui em casa, super animados", contou Emilly. As casas ficam a cerca de dois minutos uma da outra, o que faz com que estejam sempre juntos — além de primos, são grandes amigos. Arquivo 'Não é só diversão' A mãe de Lorenzo, Mônica Vital da Silva, de 25 anos, disse que os meninos têm uma rotina bem definida. Os dois estão em processo de alfabetização, e além das danças e brincadeiras em casa, elas também estudam com eles. "A gente pratica o alfabeto, o abecedário. Não é só diversão. Eu comprei letras pra ajudar no aprendizado. A gente acredita que não é só na escola que a criança aprende, em casa também precisa de incentivo". A repercussão do vídeo não ficou apenas nas redes sociais. Os meninos estão sendo reconhecidos nas ruas e até são parados para tirar fotos. "Quando a gente vai deixar eles na escola, as pessoas ficam comentando: 'Olha os menininhos do passinho do Jamal'. Teve até umas meninas, de uns 14 ou 15 anos, que quiseram tirar foto com eles, e ele [Benício] ficou com vergonha". Estilo é para poucos Além dos passinhos, o estilo dos pequenos também chamou a atenção dos seguidores, especialmente o de Benício. Ele aparece com luzes loiras no cabelo e com um cordão, o que compõe o visual que já virou marca registrada. “O Benício é fogoió de nascença, né? Ruivinho. Eu sempre tive a ideia de fazer isso nele. Ele ficou curioso para saber por que os meninos pintam o cabelo no fim do ano, nesse negócio de ‘nevou’ e tal”. Segundo a mãe, ele é muito vaidoso e preocupado com o estilo. "O tempo todo gosta de andar bem arrumado. Quando eu falo: ‘Benício, a gente vai sair’, ele se preocupa com que roupa ele vai, se a sandália dele tá lavada, onde que tá o cordão. Ele é muito vaidoso, muito vaidoso mesmo". Brega funk O gênero musical surgiu entre 2008 e 2010 e tem um perfil mais dinâmico, que se reinventa e se adapta aos novos cenários. Antes mesmo de ser criada a expressão "brega funk", já existiam músicas e danças que carregavam elementos do gênero, mas eram enquadradas como tecnobrega. O Passinho do Jamal tem uma característica diferente: o foco não está no movimento do quadril. O desafio da dança é conseguir a sincronia entre os braços e as pernas, de uma forma rítmica, quase como uma marcha. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Palavras-chave: inteligência artificial

É #FAKE anúncio de remédio que cura visão embaçada; golpe usa vídeos feitos com IA e imagens de Ana Maria Braga e Drauzio Varella

Publicado em: 12/02/2026 05:03

Não existe remédio miraculoso para catarata e visão turva g1 Circulam nas redes sociais anúncios de um suposto médico oferecendo um remédio que ajudaria pacientes na recuperação de visão embaçada e catarata. É #FAKE. selo fake g1 🛑 Como são os anúncios? Desde o início de fevereiro, viralizaram no Instagram perfis e anúncios falsos de um "remédio" chamado Renova Vision, que serviria para recuperar a visão embaçada, inclusive para pacientes com catarata. Ao clicar nos anúncios ou no link "saiba mais" disponível na bio desses perfis, os usuários são levados a uma conversa no WhatsApp com um atendimento que compartilha vídeos, áudio e a foto de um suposto médico. Mas nada disso é real. O Renova Vision não existe, e tanto o médico quanto os pacientes que aparecem satisfeitos foram inteiramente fabricados por inteligência artificial (IA). Procurada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que o produto não tem registro, classificando-o como "clandestino". Também fez um alerta para "promessas mirabolantes" (leia mais abaixo). 🔊 No áudio falso, o médico recomenda aos usuários que se mantenham na conversa, pois o produto está se esgotando: "Assim como já te falei, a gente importa a matéria-prima dos Estados Unidos, juntamente com a autorização do Ministério da Saúde. Por isso, eu quero que você preste atenção e não saia da nossa conversa, porque o nosso estoque leva em média 6 meses para renovar e já estamos quase no final do nosso lote. Está bom? Eu quero saber, então, se ficou alguma dúvida sobre o que expliquei até agora do Renova Vision". 📸 Na foto falsa, o médico aparece ao lado da apresentadora Ana Maria Braga, que seria supostamente uma consumidora do Renova Vision. Na parte inferior direita da foto, é possível identificar o losango que simboliza o Gemini (ferramenta de IA do Google). No entanto, esse detalhe só é visível se a pessoa ampliar a foto fora do campo de conversa do WhatsApp. 🎥 Nos vídeos falsos, o "médico" aparece ao lado de pacientes que atestam a eficiência do produto:"Faz dois meses que usei Renova Vision, e parece que minha visão já está igual à de quando eu tinha 18 anos. Minha catarata – nem os médicos acreditam, porque ela sumiu toda", diz uma personagem identificada como Dona Maria. Entre as mensagens, também aparecem os CNPJs de duas empresas, que seriam responsáveis por encapsular e distribuir o Renova Vision. A promessa é a entrega de 12 frascos do produto. Ao fim da interação com o atendimento, é disponibilizada a opção de pagamento em boleto, cartão de crédito e PIX, com valores que variam de R$ 688,98 a R$ 1.228. Usuários que efetuaram o pagamento usaram o portal Reclame Aqui. Uma mensagem diz: "Efetuei uma compra de um produto Renova Vision para minha mãe no dia 05/01/2026. O boleto veio de R$ 688,98 e efetuei o pagamento na Lotérica. Porém, após efetuar o pagamento no dia 05/01/2026 não recebi mais nenhuma informação de rastreamento e nem consegui mais contato com quem me vendeu". No Facebook, há outra versão do anúncio do Renova Vision, desta vez protagonizado pelo deepfake (imagens de pessoas reais distorcidas por IA) do médico Drauzio Varella. Ao Fato ou Fake, ele afirmou: "Nunca fiz nem farei propaganda de remédios. Essas propagandas são golpes de criminosos que usam minha imagem". Algumas dessas peças publicitárias estão ativas desde dezembro, mostra a Biblioteca de Anúncios da Meta (controladora de Facebook, Messenger, Instagram e Threads). Trata-se de uma central de informações sobre todas as propagandas (pagas por usuários ou empresas) veiculadas nas redes da plataforma. Elas aparecem para o usuário de acordo com idade, gênero, localização e interesses. ⚠️ Por que é mentira? O Fato ou Fake submeteu o áudio e os vídeos do WhatsApp a ferramentas de identificação do uso de inteligência artificial em vídeos, áudios e fotos. O diagnóstico é o seguinte: SynthID Detector – A plataforma do Google verifica conteúdos gerados com a ferramenta de IA da própria empresa. Nesse caso, aponta que todos os vídeos e a foto do médico com Ana Maria Braga foram feitos, em parte ou na íntegra, com esse recurso. Essa tecnologia insere uma marca d'água para identificar vídeos, imagens, áudios ou textos fabricados sinteticamente. Embora imperceptível para humanos (que não conseguem verificar o indicador apenas assistindo às cenas ou escutando os áudios), o selo é detectável pelo sistema. Hiya Deepfake Detector – Em uma escala de 0 a 100 de autenticidade, o áudio recebeu nota 10. Uma pontuação baixa como essa indica probabilidade muito elevada de o material ser sintético. Diagnóstico do SynthID g1 Diagnóstico do Hiya Deepfake Detector g1 O Fato ou Fake também consultou, por e-mail, a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para verificar a procedência desse medicamento. A resposta foi: "Não existe nenhum medicamento oficialmente registrado na Anvisa com esse nome, logo esse produto é clandestino e não pode ser usado. Ao público, recomenda-se atenção e desconfiança de promessas mirabolantes". A Anvisa também lembra que a consulta de produtos registrados pode ser feita publicamente no site oficial do órgão: "Os medicamentos devem ser registrados na Anvisa para poderem ser comercializados e anunciados em propagandas. Na dúvida, verifique se o produto tem registro no portal da Agência, na Consulta de Produtos, pois pode se tratar de um produto irregular ou mesmo de uma falsificação". Lula passa por cirurgia de catarata em Brasília Não existe remédio miraculoso para catarata e visão turva g1 Veja também Vídeo de capivara pegando "carona" em cima de tatu foi feito com IA É #FAKE vídeo de capivara pegando 'carona' em cima de tatu VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

Vereador aciona a Justiça contra desapropriação de imóvel em Botafogo e recorre contra arquivamento de inquérito

Publicado em: 12/02/2026 05:00

Desapropriação de prédio ativo em Botafogo gera reações O vereador Pedro Duarte (PSD), presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara do Rio, ingressou com uma ação popular na Justiça estadual para tentar anular o decreto municipal que desapropriou um imóvel na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, Zona Sul da cidade. A ação já tramita na 15ª Vara de Fazenda Pública. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça No processo, o parlamentar pede a intimação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a declaração de nulidade do Decreto 57.362/2025 e a concessão de tutela antecipada (liminar) para suspender os efeitos da norma até decisão final da Justiça. Prefeitura desapropria prédio com comércio ativo em Botafogo; vereador e moradores apontam ilegalidade Reprodução Google Maps O decreto, assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) e publicado em 27 de novembro de 2025, declarou o imóvel de utilidade pública para fins de desapropriação por hasta pública. O mecanismo faz parte do Plano Diretor e permite ao município levar diretamente a leilão imóveis considerados ociosos, abandonados ou que não cumpram a função social. Desde o início da controvérsia, Duarte sustenta que o prédio não estava abandonado nem subutilizado e, portanto, não se enquadraria nos critérios legais para esse tipo de desapropriação. Segundo o vereador, o imóvel estava alugado e havia planejamento para troca de bandeira do supermercado que funcionava no local. "Ainda que o beneficiário da expropriação seja entidade eminentemente privada, a desapropriação por hasta pública demanda uma causa de utilidade pública, quer uma renovação urbana, quer uma regularização fundiária”, justificou o vereador na ação popular. O advogado que assina a ação, Vinícius Monte Custodio, afirmou que o decreto fere princípios legais. “A ação popular é uma medida judicial que permite a qualquer cidadão brasileiro pleitear a anulação de atos lesivos ao patrimônio público, à moralidade administrativa, ao meio ambiente ou ao patrimônio histórico-cultural”, explicou. Recurso contra arquivamento Paralelamente à ação popular, Duarte recorreu, no último dia 4, contra o arquivamento de um inquérito civil instaurado pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Urbanismo da Capital. O procedimento havia sido aberto para apurar a legalidade do decreto, mas foi encerrado 20 dias depois, sob o argumento de perda de objeto, já que a empresa proprietária do imóvel havia ajuizado ação própria. O vereador sustenta que a ação movida pelo Grupo Sendas — de natureza declaratória de nulidade — trata de direito individual. Já a representação feita por ele teria alcance mais amplo, ao questionar a conformidade do ato administrativo com o Plano Diretor e eventual desvio de finalidade. “É importante ressaltar que, apesar do arquivamento, a promotora destacou em seu despacho os indícios de ausência de requisitos necessários à utilização da desapropriação por hasta pública, bem como a falta de motivação técnica do decreto e desvio de finalidade”, disse Duarte. Entenda o caso A desapropriação do imóvel gerou reação de moradores e empresários da região. O prédio pertence à Sendas Invest e estava alugado para operação de supermercado. Arthur Sendas Filho, presidente da empresa proprietária, afirmou que o imóvel estava em atividade. “Querem tomar nosso imóvel. Imagina se amanhã uma imobiliária quer a sua casa, sua loja, seu imóvel e combina com a prefeitura uma ação. A prefeitura desapropria, a imobiliária compra no leilão e decide fazer um empreendimento bem onde era a sua casa. Estamos chocados”, disse. O imóvel alvo da prefeitura do Rio tem entrada pela Rua Barão de Itambi e pela Rua Jornalista Orlando Dantas. Reprodução Google Maps Em entrevista à CBN, no fim do ano passado, o prefeito Eduardo Paes afirmou que a desapropriação foi motivada por um pleito da Fundação Getulio Vargas (FGV) para conectar prédios na região e viabilizar um projeto ligado a pesquisa e inteligência artificial. Segundo ele, o encaminhamento ainda pode ser ajustado. "Se for mais interessante para a cidade, nós vamos fazer", disse Paes.

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Musk declara guerra à Wikipédia e lança rival baseado em IA

Publicado em: 12/02/2026 00:01

Elon Musk, em foto de setembro de 2025, e tela inicial da Grokipedia AP Photo/Julia Demaree Nikhinson; Reprodução No início de 2026, a Wikipédia celebrou seu 25º aniversário como um dos maiores projetos colaborativos da história. No entanto, sua posição como principal fonte de conhecimento livre na internet está sendo desafiada por um novo e controverso concorrente: a Grokipédia, uma enciclopédia gerada por inteligência artificial (IA) e liderada pelo bilionário Elon Musk e sua empresa xAI. Fundada em 2001 por Jimmy Wales e Larry Sanger, a Wikipédia começou como um experimento participativo para complementar a Nupedia, um projeto com artigos escritos e editados por especialistas nos assuntos abordados — e que nunca decolou. Duas décadas e meia depois, a Wikipédia tornou-se uma rede com mais de 65 milhões de artigos em mais de 300 idiomas, mantida por cerca de 250 mil voluntários ativos em todo o mundo. E agora enfrenta os desafios de um novo cenário, cada vez mais dominado pela inteligência artificial. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Artigos copiados da Wikipédia Musk lançou a Grokipédia em 27 de outubro de 2025 com uma publicação massiva: mais de 885 mil artigos gerados automaticamente pelo Grok — muitos deles copiados ou adaptados da Wikipédia. Conforme o próprio Musk declarou ao podcast All In, o Grok, o modelo linguístico de inteligência artificial da xAI, gerou os primeiros artigos da Grokipédia – todos em inglês – processando informações de um milhão das entradas mais populares da Wikipédia. Em seguida, elas foram modificadas e complementadas com pesquisas de outras informações publicamente disponíveis na internet. Se na Wikipédia milhares de voluntários atualizam e revisam constantemente o conteúdo, na Grokipédia os usuários não participam diretamente da criação, edição ou correção dos artigos. O papel deles se limita a sugerir correções, que estão sujeitas a um processo de revisão pela plataforma. Não há informações públicas sobre o funcionamento ou os modelos utilizados na plataforma, nem sobre as diretrizes para revisão de correções. O objetivo declarado de Musk é "eliminar a propaganda" e criar uma base de conhecimento "mais objetiva" do que a Wikipédia, que ele acusa de ser "capturada por ativistas de esquerda" e de ter se tornado "woke". Grok, IA de Elon Musk, criou 3 milhões de imagens sexualizadas de mulheres e menores, aponta investigação Acusações de distorções e viés Essa promessa de neutralidade, porém, não convenceu a todos. A diretora executiva da Wikimedia Alemanha, Franziska Heine, avalia que a Grokipédia não é neutra, mas repleta de preconceitos. Ela menciona como exemplo artigos sobre a invasão do Capitólio em Washington em 6 de janeiro de 2021 ou o suposto genocídio da população branca na África do Sul. Diversos veículos de comunicação, incluindo a revista Wired e o jornal The Guardian, identificaram um viés conservador na Grokipédia e afirmaram haver distorções em temas sensíveis, como aids e HIV, direitos LGBTQ+ e a invasão do Capitólio. Um de seus verbetes, por exemplo, dizia que o consumo de pornografia favoreceu a disseminação da aids, afirmou a Wired. Para os críticos, o problema não está apenas no conteúdo, mas também na falta de transparência do projeto, já que a Grokipédia opera sem autores ou administradores identificáveis e carece de um sistema aberto de revisão pela comunidade. Segundo a pesquisadora Nina Jankowicz, citada pelo Guardian, esse modelo transforma a Grokipédia num sistema de informação que, apesar de se apresentar como neutro, pode introduzir vieses sem que o público perceba. Embora ainda longe do alcance e da influência da Wikipédia, a Grokipédia já está indexada por mecanismos de busca como Google e Bing e gera milhares de visitas diárias, segundo dados compilados pela Search Engine Roundtable. Seu crescimento é rápido para um projeto tão recente e possivelmente se beneficia da notoriedade e presença midiática de Musk. 'Sentimento horrível. Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok, IA de Musk Wikipedia defende criação compartilhada de verbetes A Wikimedia, no entanto, enfatiza que a diferença fundamental continua sendo as pessoas. "O conhecimento da Wikipédia é – e sempre será – humano. Esse conhecimento criado por humanos é o que as empresas de IA usam para gerar conteúdo. Até mesmo a Grokipédia precisa da Wikipédia para existir", afirmou. Embora reconheça que controvérsias possam surgir em questões políticas, a Wikimedia rejeita a ideia de que a Wikipédia tenha sido "capturada" por uma ideologia e destaca uma vantagem essencial de seu modelo: os artigos são desenvolvidos a partir de fontes visíveis, debates públicos e um processo coletivo de edição aberto à revisão constante. A comunidade da Wikipédia também mantém uma postura cautelosa em relação ao uso da inteligência artificial na criação e edição de conteúdo. Embora ferramentas automatizadas sejam usadas para tarefas auxiliares, como a detecção de vandalismo, o conteúdo principal continua sendo criado por pessoas. Como alerta Heine, a IA "sempre se baseia no que já é conhecido e, no pior cenário, mistura isso com coisas que são completamente falsas ou que não se encaixam". Quem decide o que é verdade na era da IA? A Grokipédia se encaixa no ecossistema tecnológico de Musk – que inclui as empresas X, Tesla, SpaceX e xAI – como mais um elemento em sua cruzada contra o que ele considera uma hegemonia cultural progressista. Para os críticos da enciclopédia, no entanto, trata-se de um experimento ideológico que utiliza a capacidade da inteligência artificial para remodelar consensos informacionais sem mecanismos claros de responsabilização. E embora não tenha o impacto da Wikipédia, sua crescente presença nos resultados de buscadores e as citações ocasionais por modelos de IA, como o ChatGPT, como fonte em algumas respostas – como mostrou o Guardian – levanta uma questão preocupante: quem decidirá o que é verdade na era dos chatbots? A Wikipédia, com seus erros, limitações e campanhas periódicas de doações, continua defendendo a transparência, a colaboração e o debate público. A Grokipédia promete velocidade, escala e "objetividade", mas a partir de um modelo centralizado. Nessa tensão entre conhecimento compartilhado e controle centralizado, está em jogo mais do que apenas o futuro das enciclopédias, mas também a própria maneira como o conhecimento comum será construído na era da inteligência artificial. Leia também: Foi vítima da "trend do biquini" no X? Veja o que fazer Sob críticas por imagens sexualizadas não consentidas, empresa de IA de Musk arrecada US$ 20 bi Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas

Palavras-chave: inteligência artificial

Gradução em Inteligência Artificial da Unicamp aposta em projetos reais e uso ético da tecnologia

Publicado em: 11/02/2026 19:29

Acesso ao campus da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri / Unicamp O curso de bacharelado em Inteligência Artificial (IA) e Ciência de Dados, aprovado pela Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) da Unicamp, terá como proposta desafiar os estudantes a encontrarem resoluções para problemas da sociedade, abordar o "uso ético responsável" da IA, além de relacionar conteúdos de exatas com outras áreas do conhecimento. De acordo com a universidade de Campinas (SP), o projeto ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Universitário (Consu), órgão máximo de deliberação da instituição. A expectativa é que ele seja votado na próxima sessão do conselho, em 31 de março. Caso seja aprovado, a previsão é que a graduação seja implementada no campus de Limeira (SP) no início de 2027. O curso também pode ter uma turma em Campinas a partir de 2028. ✍🏻 Cristiano Torezzan, diretor associado da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) de Limeira (SP), e Leonardo Tomazeli, professor da FCA, participaram da idealização do curso. Eles explicaram ao g1 que a nova graduação foi criada para capacitar o profissional a não apenas programar, mas entender o problema, dialogar com outras áreas, encontrar os dados adequados e implementar uma solução. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp "O grande diferencial é uma formação mais holística, mais ampla, no sentido de que cobre mais áreas do que tradicionalmente um curso de ciência da computação, por exemplo. Então, vai ser um curso eminentemente prático. Então, o estudante vai ter contato com problemas reais já desde o primeiro ano", relata Leonardo Tomazeli Veja os vídeos que estão em alta no g1 Onde ele poderá trabalhar? Com o diploma em mãos, o profissional estará apto a atuar em qualquer projeto que envolva a análise de dados e o desenvolvimento de algoritmos. Isso inclui desde a concepção e modelagem, até a implementação final da IA. Os professores ressaltam que a expectativa é que os formados ocupem vagas em todas as gamificações de inteligência artificial, entretanto, o curso propõe que o estudante busque uma especialização no final do curso, através da escolha de uma ênfase de especialização. "Ele vai escolher no final do curso uma ênfase, que é onde ele vai se especializar, principalmente no domínio de conhecimento daquelas áreas. Então, a nossa expectativa é que ele atue na grande área de IA, mas que ele possa se especializar em uma dessas ênfases que nós vamos oferecer aqui", explica Cristiano Torezzan. Segundo a Unicamp, o novo curso terá ênfases em três áreas: Cidades Inteligentes e Sustentáveis Administração Pública e Governo Digital Saúde e Esporte de Alto Rendimento Mais completo, prático e interdisciplinar Embora cursos como ciência da computação e outras engenharias possuam elementos semelhantes e também capacitem profissionais para trabalhar com a inteligência artificial, os professores explicam que eles nem sempre cobrem a "cadeia completa". Leonardo Tomazeli ressalta que um projeto não se baseia apenas na programação da inteligência artificial, e que o desenvolvimento de um projeto precisa ser somado a outras áreas do conhecimento. "O aluno tem que ter condições de ver toda essa cadeia, desde a modelagem do problema, do entendimento do problema, da interlocução com os atores que trabalham na área específica. [...] As vezes, o grande desafio de um projeto de IA nem sempre é a parte só técnica, mas é a parte de interação, de discussão com aquelas pessoas, as partes que estão envolvidas naquele problema", diz. Além disso, Cristiano Torezzan explica que em todos os semestres, os estudantes terão em suas grades curriculares disciplinas chamadas de "Projetos Integradores", onde vão poder aplicar os conhecimentos em "problemas reais". "Muito mais do que receber uma demanda pronta de um sistema que quer desenvolver, é preciso fazer esse sistema que cumpra essas características. Então, essa formação é ampla no sentido de ter mais aptidões, desenvolver habilidades e aptidões para conversar com pessoas que têm os problemas reais para serem resolvidos", explica. Conhecimentos éticos Segundo os professores, o curso também pretende formar pessoas que compreendam as limitações, riscos e aspectos éticos da área. "Tudo que é um pouco de soft skills, mas também esse uso ético responsável, que a gente acha também que é algo bem importante hoje para formar alguém que vai trabalhar na área de IA, né? Saber também as limitações, dificuldades, os riscos. Isso é bem importante para o curso", relata Leonardo Tomazeli. O curso O bacharelado terá duração mínima de oito e máxima de 12 semestres, com carga horária de 3.240 horas. Inicialmente, serão oferecidas 40 vagas para uma turma no período matutino. O curso será estruturado em seis eixos de formação: matemática estatística computação ferramentas de IA ciência de dados estágio De acordo com os professores, a graduação já está sendo oferecida por outras universidades públicas, como a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e privadas, como a PUC Goias e a PUC-Campinas. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Governo e MPF dizem que resposta do X sobre imagens eróticas do Grok é 'insuficiente'

Publicado em: 11/02/2026 18:40

Grok: ferramenta gratuita da rede social X é usada para criar imagens íntimas falsas O governo considerou insuficiente a explicação do X sobre as medidas tomadas para impedir o uso da inteligência artificial Grok para produzir imagens sexualizadas sem consentimento. O caso é analisado pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Desde o fim do ano passado surgiram milhares de denúncias em diversos países de que essa inteligência artificial atende a pedido de usuários adulterar imagens postadas por mulheres nas redes, a fim de que elas apareçam nuas ou de biquíni, por exemplo. Ao menos duas brasileiras relatam ter sido vítimas dessas "deepfakes". A ANPD, o MPF e a Senacon já tinham recomendado, no último dia 20 de janeiro, que o X impedisse esse tipo de adulteração de imagem feito pelo Grok. A rede social, que pertence ao bilionário Elon Musk, disse ter removido milhares de publicações com essas imagens e suspendido centenas de contas por violações de suas políticas. Mas a avaliação das autoridades brasileiras é que as informações apresentadas "não foram acompanhadas de evidências concretas, relatórios técnicos ou mecanismos de monitoramento que permitam aferir sua efetividade". Testes realizados pelas equipes técnicas dos órgãos indicaram que a rede social ainda permite gerar e compartilhar sem consentimento imagens sexualizadas ou erotizadas de crianças, adolescentes e adultos. Interação no X para recriar imagem de mulher de biquíni usando o Grok Reprodução/X O MPF destacou que a empresa não foi transparente e ordenou que ela forneça relatórios mensais sobre sua atuação para evitar a produção dessas imagens. A ANPD e a Senacon determinaram que o X implemente imediatamente medidas para impedir o uso do Grok para criar esse tipo de conteúdo. Se a ordem não for cumprida, o X ficará sujeito a sanções mais rígidas, incluindo o pagamento de multas. Os envolvidos também poderão responder pelo crime de desobediência. O MPF também poderá fazer investigações mais incisivas que levem a uma ação judicial para reparar eventuais danos causados com a criação das imagens. Investigações na Europa Os escritórios da rede social X na França foram alvo de buscas do Ministério Público de Paris e da polícia francesa no último dia 3, como parte de uma investigação preliminar que apura uma série de supostos crimes, como a disseminação de pornografia infantil e "deepfakes". A adulteração de imagens pela Grok também é alvo de investigação no Reino Unido e na União Europeia. O Grok é desenvolvido pela xAI, a empresa de inteligência de Musk, que também é dona do X. No início do mês, o bilionário anunciou a fusão dessas empresas com a SpaceX, do ramo aeroespacial, que também pertence a ele. A medida deverá criar um negócio trilionário. A SpaceX deve estrear na bolsa de Nova York ainda neste ano.

Palavras-chave: inteligência artificial

É #FAKE que Tarcísio de Freitas e 'governadores bolsonaristas' assinaram carta pedindo intervenção federal no STF

Publicado em: 11/02/2026 18:30

É #FAKE que Tarcísio e governadores assinaram carta pedindo intervenção federal no STF; vídeo é IA e de ficção Reprodução Vídeos publicados no YouTube e disseminados em outras redes sociais alegam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e outros 12 "governadores bolsonaristas" assinaram uma carta "pedindo intervenção federal" no Supremo Tribunal Federal (STF). É #FAKE. selo fake g1 📲 Como o vídeo chegou ao Fato ou Fake? Leitores sugeriram a checagem e enviaram o link do vídeo ao nosso WhatsApp: +55 (21) 97305-9827. 🛑 Como é o vídeo falso? A versão original do vídeo foi publicada no YouTube em 4 de fevereiro e passou de 225 mil visualizações – mas o conteúdo foi replicado em outros canais na mesma plataforma. O título diz:"Tarcísio reúne 12 governadores bolsonaristas e assina carta pedindo intervenção federal no STF". No vídeo, aparece a imagem de um homem criada com inteligência artificial (IA), acompanhada de um áudio sintético que diz: "Tarcísio junta 12 governadores bolsonaristas, e [eles] assinam carta pedindo intervenção federal no STF. É isso mesmo que você ouviu. Um movimento coordenado, articulado e histórico. Governadores de peso decidiram reagir contra abusos do Supremo. A carta já foi protocolada no Senado Federal. O alvo principal é Alexandre de Moraes". O canal que publicou o vídeo descreve, sem destaque, "o conteúdo não afirma como fatos comprovados as cartas, documentos, pedidos e movimentações discutidas". Também cita que "todas as informações sobre documentos, assinaturas e desdobramentos são apresentadas como especulação para fins de análise e entretenimento político" e que não se trata de "conteúdo jornalístico factual". Apesar disso, na seção de comentários, usuários publicaram mensagens indicando que acreditaram na veracidade do vídeo sobre a suposta carta de Tarcísio. Veja dois exemplos: "100% de acordo com governadores! Devemos salvar o Brasil das mãos destes corruptos"; e "A hora chegou! Devemos cobrar os senadores!". Há também textos que demonstram desconfiança, como este: "Não vi nada na mídia que tocasse nesse assunto tão importante. Penso seriamente que é fake, IA". Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes a um total de 27 anos e 3 meses de prisão. Moraes foi o relator da ação. ▶️ Como foi feita a checagem? O Fato ou Fake mostrou a publicação à assessoria de imprensa do governo de São Paulo. A resposta, envidada por WhatsApp, diz: "trata-se claramente de informação falsa, totalmente improcedente". Também consultada, a assessoria de imprensa do Senado Federal afirmou que "não foi protocolado qualquer documento com o teor descrito no link enviado". Além disso, o Fato ou Fake submeteu o vídeo e o áudio a detectores que apontaram o uso de IA no material: SynthID Detector – A plataforma do Google verifica conteúdos gerados com a ferramenta de IA da própria empresa. O resultado da análise apontou: "Feito com IA do Google – Synth ID identificado em todo ou parte do conteúdo carregado" (veja abaixo). Essa tecnologia insere uma marca d'água para identificar vídeos, imagens, áudios ou textos fabricados sinteticamente. Embora imperceptível para humanos (que não conseguem verificar o indicador apenas assistindo às cenas ou escutando os áudios), o selo é detectável pelo sistema. Hiya – Aponta que o fragmento de áudio analisado tem 99% de probabilidade de ser falso. A ferramenta SynthID Detector sinaliza que o vídeo foi feito utilizando a tecnologia do Google Reprodução A ferramenta Hyia alerta que o fragmento de áudio analisado é muito provavelmente gerado com IA, com probabilidade de 99% Reprodução O Fato ou Fake consultou o advogado constitucionalista Felipe Penteado Balera, doutor em direito constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ele afirmou: "Isso é juridicamente impossível. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 estabelece, no art. 2º, o princípio da separação dos Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário são independentes e harmônicos entre si. O Supremo Tribunal Federal integra o Poder Judiciário da União e não está sujeito a qualquer forma de 'intervenção' por governadores". Balera detalha ainda que "a chamada intervenção federal, prevista nos arts. 34 e 36 da Constituição, é instituto completamente diverso: trata-se de medida excepcional pela qual a União restringe temporariamente a autonomia de um Estado-membro". "Ou seja, quem pode sofrer intervenção são os próprios estados — e, consequentemente, seus governadores — e não o STF." Exemplos concretos, lembra ele, ocorreram em 2018, com intervenções federais no Rio de Janeiro e em Roraima, decretadas pelo então presidente Michel Temer (MDB), quando a União assumiu temporariamente competências estaduais. "Nunca houve, nem há previsão constitucional, de 'intervenção no STF'. Além disso, caso se cogitasse qualquer forma de intervenção sobre o STF, isso representaria gravíssima afronta ao princípio da separação dos poderes, que constitui cláusula pétrea da Constituição (art. 60, §4º, III), insuscetível de supressão sequer por emenda constitucional. Portanto, a narrativa não encontra qualquer amparo jurídico e contraria os pilares estruturantes do Estado Democrático de Direito", afirma o especialista. É #FAKE que Tarcísio e governadores assinaram carta pedindo intervenção federal no STF; vídeo é IA e de ficção Reprodução Veja também Vídeo de capivara pegando "carona" em cima de tatu foi feito com IA É #FAKE vídeo de capivara pegando 'carona' em cima de tatu VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)