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Proposta de Derrite para PL Antifacção 'banaliza o terrorismo' e desestabiliza o sistema penal, diz secretário nacional de Segurança Pública

Publicado em: 10/11/2025 08:25

O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, afirmou que o parecer do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o projeto de lei antifacção “banaliza o terrorismo” e pode “desestabilizar todo o sistema penal e processual brasileiro”. A proposta de Derrite altera o texto original do governo Lula, que criou uma nova figura penal para as facções criminosas, e passa a enquadrar parte dessas condutas dentro da Lei Antiterrorismo. "Eles, na verdade, recuaram naquela ideia inicial de transformá-las efetivamente em terroristas, mas procuraram equipar a ação, quase que banalizando as ações terroristas. Terrorismo, em qualquer país do mundo, é uma exceção para determinadas circunstâncias e não para qualquer atividade criminosa. E aqui se banaliza o terrorismo, de tal forma que a lei ficou com muitos artigos, com inúmeras situações, e eu insisto, o grande problema dessa proposta é que ela vai desestabilizar todo o sistema penal e processual brasileiro", disse Sarrubbo em entrevista ao programa Em Ponto, da GloboNews. Segundo o secretário, o substitutivo apresentado pelo relator Guilherme Derrite, apresentado em menos três horas após ser designado relator do projeto — que propõe equiparar condutas de facções à Lei Antiterrorismo e endurecer penas para até 40 anos — “foi elaborado às pressas” e “quebra toda a sistematização da legislação penal brasileira”. O secretário alertou que, ao aplicar os novos mecanismos apenas aos crimes classificados como terrorismo, o texto exclui diversas organizações criminosas. “Teremos dificuldade, por exemplo, para investigar facções que operam golpes cibernéticos e de Pix. O relatório olha só para grandes facções e ignora as demais, que também precisam ser combatidas.” Ele também critica a ausência de dispositivos que estavam no projeto do governo, como o perdimento civil de bens, já utilizado em países da Europa e da América Latina. “Esse instrumento é essencial para evitar que bens como helicópteros, barcos e propriedades voltem aos criminosos mesmo após a anulação de processos. Foi retirado do texto, o que é um retrocesso”, disse. O secretário afirmou ainda que o substitutivo não diferencia líderes e integrantes de base, tratando igualmente chefes de organizações e executores, o que, segundo ele, “enfraquece o foco no comando financeiro das facções”. “É um projeto que olha para o andar de baixo e não para o andar de cima. Precisamos atacar o comando, o dinheiro, a estrutura que sustenta essas organizações”, disse. O que prevê o projeto original do governo O texto original do governo, enviado ao Congresso no fim de outubro, cria a figura da facção criminosa, com pena de 8 a 15 anos de prisão. A proposta também amplia instrumentos de investigação e bloqueio de bens, autoriza infiltração de agentes e rastreamento financeiro e de dados digitais, e prevê o afastamento de servidores públicos ligados a facções. O projeto foi construído ao longo de mais de um ano pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com a participação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), do Ministério Público, da academia e da sociedade civil. “Foi um texto amplamente debatido e trabalhado com especialistas, técnicos e forças de segurança de todo o país. O que apareceu agora é um substitutivo que não dialoga com essa construção”, disse o secretário. Esta reportagem está em atualização. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mário Sarrubbo em coletiva. Reprodução/ TV Globo

Palavras-chave: cibernético

'RH da pirataria' e centrais na Argentina: os detalhes da operação contra apps de streaming ilegal no Brasil

Publicado em: 06/11/2025 03:00

Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil A derrubada de serviços de streaming pirata como o My Family Cinema e o TV Express foi resultado de uma investigação na Argentina contra um esquema bilionário que focava em clientes no Brasil. Fora do ar há cerca de uma semana, os serviços eram usados por modelos de TV boxes como Duosat e BTV, vendidos no Brasil sem autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) (saiba mais abaixo). O My Family Cinema informou que "devido a questões de direitos autorais, esta marca deve encerrar permanentemente seus serviços". Nas redes sociais, dezenas de brasileiros reclamaram que os serviços não estavam funcionando. E, apesar de estarem relacionadas a plataformas com conteúdo pirateado, as queixas chegaram até mesmo ao ReclameAqui, site que recebe reclamações de empresas legítimas. Entre sábado (1º) e terça-feira (4), 14 serviços já tinham saído do ar, segundo a Alianza, associação de empresas contra pirataria audiovisual na América Latina que denunciou o esquema na Argentina. A entidade diz que o número de serviços derrubados deverá subir para 28 até o final de novembro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O que você achou do novo formato de vídeo que abre esta reportagem? Os aplicativos tinham cerca de 6,2 milhões de assinantes ativos, sendo 4,6 milhões no Brasil, segundo a Alianza. A associação diz que os serviços chegaram a 8 milhões de usuários em junho e suspeita que o Mundial de Clubes, realizado neste período, levou a um pico de contratações. Clientes dos serviços de streaming pirata pagavam de US$ 3 a US$ 5 por mês cada um (entre R$ 16 e R$ 27 por mês) para ter acesso indevido a conteúdo como filmes, séries e transmissões esportivas. A prática gerou um alerta em entidades como La Liga, que administra o campeonato espanhol e passou a contribuir com a investigação. A estimativa é que o esquema teve faturamento anual entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões (de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão), segundo a Alianza. E foi derrubado após uma investigação que começou ainda em 2024. A Anatel não participou dessa investigação, mas orienta usuários de TV boxes a comprarem apenas aparelhos certificados pela agência para "garantir a segurança do consumidor e evitar a prática de atividades ilícitas". BadBox 2.0: mais de 370 mil TV boxes foram infectadas no Brasil, diz relatório 'Pane geral' em TV boxes piratas: como é a solução que promete combater caixinhas irregulares Ligações de números parecidos: como são feitas as chamadas adulteradas que irritam usuários Mensagem de erro em aplicativos de streaming piratas foram publicadas nas redes sociais Reprodução Como foi a investigação? A operação partiu de uma denúncia feita pela Alianza, que, em 2024, decidiu investigar por conta própria o aplicativo MagisTV (também conhecido como UniTV e HTV), que oferece acesso indevido a conteúdos protegidos por direitos autorais. Representantes da associação compraram modelos de TV boxes com o MagisTV em diferentes revendedores para obter mais informações sobre essas plataformas. Em setembro de 2024, a entidade apresentou uma denúncia para o departamento de investigação de crimes cibernéticos do Ministério Público Fiscal de Buenos Aires, que iniciou uma investigação formal. Escritório na Argentina alvo de busca em operação contra serviços de streaming pirata Reprodução Em agosto de 2025, a Justiça autorizou buscas em quatro escritórios de empresas que pareciam legítimas, mas funcionavam como centrais do esquema de conteúdo pirata. Um desses escritórios tinha cerca de 100 funcionários contratados de acordo com a legislação trabalhista da Argentina e com apoio até mesmo de um setor de Recursos Humanos. Policiais apreenderam 88 notebooks, 10 pen drives, 37 discos rígidos e 568 cartões de recarga para liberar conteúdo nas TV boxes. Autoridades encontraram ainda 9,4 milhões de pesos argentinos (cerca de R$ 35 mil) e US$ 3.900 (R$ 21 mil), além de carteiras digitais com US$ 120 mil (R$ 640 mil) em criptomoedas. Policiais apreenderam dinheiro e dispositivos eletrônicos em escritório alvo de busca em operação contra streaming pirata Reprodução Por que o esquema estava na Argentina? Apesar de ser o centro desse esquema, a Argentina não é o principal destino das TV boxes ilegais. O país tem um mercado relativamente pequeno para as caixinhas de TV, que têm como público-alvo usuários em países como Brasil, México, Equador e África do Sul. Mas o mercado restrito na Argentina também contribui para que o esquema seja levado para lá, avaliou Jorge Alberto Bacaloni, presidente do conselho da Alianza. "No Brasil, há um mercado enorme. Com certeza, há alguém no Brasil investigando. Mas ninguém tentaria procurá-los em um país com um mercado menor porque imaginariam que o negócio não estaria baseado lá". A organização criminosa incluía ainda ex-executivos e funcionários ativos de grandes empresas de conteúdo, segundo a Alianza. "Com os problemas em relação ao câmbio, a Argentina é um país muito barato. E é um país com pessoas muito qualificadas para administrar esses serviços", disse Bacaloni. Quais plataformas saíram do ar? As 14 plataformas derrubadas são: My Family Cinema, TV Express, Eppi Cinema, Vela Cinema, Cinefly, Vexel Cinema, Humo Cinema, Yoom Cinema, Bex TV, Jovi TV, Lumo TV, Nava TV, Samba TV e Ritmo TV. Os serviços só ficaram indisponíveis semanas depois da operação policial porque os escritórios na Argentina eram responsáveis apenas pelas áreas de marketing e vendas. A estrutura técnica estava hospedada na China, o que exigiu mais tempo para interromper seu funcionamento. TV box é ilegal? As TV boxes, também conhecidas como aparelho de IPTV e caixinhas de TV, podem ser usadas no Brasil, mas precisam ter sido homologadas pela Anatel. A lista de aparelhos autorizados pela agência pode ser encontrada neste link ao selecionar o filtro "Tipo de produto" e selecionar "Smart TV Box". "O processo de homologação é realizado para garantir que o equipamento atenda aos requisitos técnicos definidos pela Anatel em relação à emissão de radiofrequências, à segurança cibernética e ao uso regular das redes de telecomunicações", diz a agência. A Anatel afirma que colabora com entidades como a Alianza, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) para bloquear o funcionamento das TV boxes não homologadas e o conteúdo de serviços de streaming pirata. "Além de possibilitar a pirataria, TV Boxes piratas podem interferir em outros aparelhos legítimos e permitir ataques hackers às redes de seus usuários", diz a agência.

Palavras-chave: cibernéticohackerhackers

Homem que monitorava mais de 20 presídios com drones é preso em Guarulhos, na Grande SP

Publicado em: 05/11/2025 19:29

A prisão foi realizada no bairro Vila Rio, em Guarulhos, após o cumprimento de mandados judiciais Divulgação/Governo de SP Um homem apontado como o responsável por monitorar presídios dos estados de São Paulo e Pernambuco com drones foi preso nesta quarta-feira (5) na Vila Rio, em Guarulhos, por policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). De acordo com a polícia, o suspeito era investigado havia cerca de dois meses, quando o Sistema de Administração Penitenciária (SAP) tomou conhecimento de que imagens de sistemas prisionais paulistas estavam sendo compartilhadas em perfis nas redes sociais. Os investigadores da 4ª Delegacia da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) identificaram o autor das postagens e deram cumprimento ao mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça. Na casa do suspeito, a polícia encontrou dois drones com filmagens de 21 estabelecimentos penais de São Paulo. Havia também mais duas gravações de presídios localizados em Pernambuco. O conteúdo mostrava toda a estrutura do presídio, a rotina dos presos, dos trabalhos realizados e a troca de turno dos agentes penitenciários, comprometendo a segurança dos locais. O “espião” não possuía autorização para a condução de drones nem para fazer as filmagens. Com ele também foram apreendidos dois celulares, um pen-drive e um computador. Em consultas ao sistema policial, foi identificado que o suspeito já possuía passagens pela polícia por furto, estelionato e violência doméstica. O caso foi registrado como cumprimento de mandado, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, violação de domicílio, divulgação de segredo e direção não licenciada de aeronave na 4ª Delegacia da DCCiber, do Deic. O delegado solicitou a conversão da prisão em flagrante do indiciado para a preventiva. A polícia também enviou um ofício ao Poder Judiciário para solicitar a remoção dos perfis que divulgavam as imagens dos presídios nas redes sociais. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: cibernético

Entenda como consultores usavam 'estoque zero' de brindes da Natura para fraudar compras

Publicado em: 05/11/2025 15:27

Revendedores de cosméticos são suspeitos de aplicar golpe milionário Um grupo de revendedores da Natura é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por operar um esquema de fraude que explorava falhas no sistema de pontuação e cashback da empresa para adquirir produtos com grandes descontos. Os consultores simulavam compras e usavam o esgotamento do estoque de brindes para gerar crédito em dinheiro, obtendo vantagem indevida e causando um prejuízo milionário à fabricante de cosméticos. A apuração da Divisão Especializada na Investigação de Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor levou à Operação Espelho de Vênus, que cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Contagem e Betim. Milhares de itens, avaliados em cerca de R$ 6 milhões, foram apreendidos pelos investigadores. Doze pessoas estão sendo investigadas pelos crimes de fraude eletrônica, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. Segundo a Polícia Civil, os consultores investigados descobriram e exploraram uma falha no sistema de distribuição de brindes da Natura durante as compras online na plataforma. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O esquema detalhado pela polícia funcionava da seguinte forma: Simulação de compras: os consultores simulavam compras no site da plataforma. Exploração do cashback: o grupo agia no momento em que o estoque de brindes esgotava. Nessa situação, o site da empresa oferecia crédito em dinheiro (cashback) para os consultores. Compras conjuntas: para explorar a falha do sistema e garantir o cashback em dinheiro, os consultores realizavam compras conjuntas com o objetivo de zerar rapidamente o estoque de um brinde específico. ✅ Mande sua denúncia, reclamação ou sugestão para o g1 Minas e os telejornais da TV Globo O g1 procurou a Natura para um posicionamento. Em nota, a empresa informou que "segue colaborando com as autoridades e reitera seu compromisso inegociável com a ética, o respeito e a integridade em todas as suas relações". Revenda Ilegal Com o crédito em mãos, os produtos eram adquiridos a um custo muito menor e revendidos abaixo do preço de mercado em plataformas online e lojas físicas. Segundo a delegada Cristiana Pereira Gambassi Angelini, da Polícia Civil, o esquema criminoso atrapalhava, até mesmo, nas vendas dos concorrentes. "Os produtos comprados com cashback eram vendidos em outras plataformas conhecidas de vendas por um preço de 50% a 60% abaixo do mercado. Então, atrapalhava até a competitividade das outras consultoras que estavam ali comprando normalmente." Ainda conforme a polícia, alguns dos investigados tinham mais de 20 anos de atuação no mercado de vendas e recrutavam outros consultores, principalmente parentes, para ampliar o esquema. A instituição também apura se funcionários da Natura teriam envolvimento na fraude. Polícia investiga fraude de consultores da Natura Divulgação/Natura + PCMG

Palavras-chave: cibernético

OAB-RJ entra com ação na Justiça Federal contra a Meta por suposta demora na desativação de contas do Whatsapp

Publicado em: 04/11/2025 16:29

OAB-RJ lança cartilha de combate ao golpe do falso advogado; veja dicas Divulgação A Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) entrou com uma ação civil pública contra a Meta, que administra o Whatsapp, na Justiça Federal. De acordo com a OAB-RJ, a ação é por conta de falhas graves na segurança do aplicativo na desativação de contas. A OAB afirma ue, mesmo que uma linha telefônica seja desativada pela operadora, a conta do Whatsapp permanece ativa. Com o aplicativo ainda ativo, criminosos podem aplicar diversos crimes virtuais, entre eles o golpe do falso advogado, que tem feito vítimas por todo o Brasil, alerta a presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio. No país, após uma linha telefônica ser cancelada, o número associado a ela só pode ser atribuído a um novo usuário depois de um prazo de quarentena de 180 dias. Como o WhatsApp segue ativo nesse período, gera o que técnicos chamam de "janela de vulnerabilidade", possibilitando acesso de golpistas a dados e informações do ex-titular da conta e ao uso indevido para a prática de crimes, principalmente via wi-fi. Com a ação civil pública, a OAB pede que a Justiça determine medidas urgentes para corrigir o problema. Entre os pedidos estão: a desativação automática, em até 48 horas úteis, das contas do WhatsApp vinculadas a números cancelados; a implementação, em até 90 dias, de um mecanismo técnico de sincronização com as operadoras; a proibição de manter contas ativas associadas a números desativados; e a notificação de usuários sobre os riscos e procedimentos de segurança. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça “É uma situação de insegurança muito grande, que viola a privacidade dos usuários, contraria o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Geral de Proteção de Dados. Facilita a vida dos criminosos e causa transtornos à sociedade. Além disso, dificulta a investigação pelas autoridades competentes, já que, oficialmente, as linhas a serem investigadas já foram canceladas”, afirma Basílio. O g1 entrou em contato com a Meta, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. LEIA TAMBÉM 'Golpe do falso advogado' já fez mais de 500 vítimas no Rio só em 2025 Cartilha de combate ao golpe do Falso Advogado A OAB criou uma Cartilha de Combate ao Golpe do Falso Advogado, um documento com dicas e orientações para que o cidadão ou a cidadã evitem ser vítimas desse tipo de fraude, que acontece quando criminosos se passam por advogados para persuadir as pessoas a fornecer dados pessoais e realizar pagamentos. Somente em 2025, a OAB-RJ já recebeu mais de 600 denúncias sobre esse tipo de golpe, que, segundo o órgão, tem contado até com uso de inteligência artificial para reproduzir a voz e a imagem dos verdadeiros profissionais. O delegado André Neves, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada, da Polícia Civil, anunciou que todos os casos registrados de golpes do falso advogado serão investigados por um núcleo de combate a crimes cibernéticos, que acaba de ser criado, e vai funcionar na Cidade da Polícia Para localizar a cartilha e fazer o download, acesse o menu principal do Portal da OAB-RJ, selecione a aba “Publicações” e clique em “Cartilhas Temáticas” ou “Publicações”. Veja, abaixo, algumas dicas: Principais sinais de alerta Há maneiras de se precaver das tentativas de golpe. Os golpistas utilizam invasão e clonagem de WhatsApp, perfis falsos e mensagens suspeitas. Por isso, fique alerta caso: Um número desconhecido envie mensagem afirmando ser advogado ou representante de um escritório; Receba uma mensagem exigindo pagamento imediato para liberação judicial de algum processo; Receba link ou e-mail alegando que há pagamentos pendentes; O contato peça informações sigilosas, como identidade, senhas bancárias, número de cartão de crédito, entre outras; Seja feita a exigência de pagamento de taxas judiciais de maneira imediata. Como se prevenir do golpe? Quando houver dúvidas sobre a origem do contato ou a necessidade do pagamento, siga a verificação de segurança abaixo: Desconfie de urgência e pressão Golpistas costumam dizer que “precisa ser agora” para que a vítima não tenha tempo de pensar. Nunca tome decisões sob pressão. Confirme a identidade do advogado Peça o número da OAB, o e-mail cadastrado e acesse no site confirmadv.oab.org.br. Qualquer cidadão poderá confirmar a identidade de um advogado regularmente inscrito nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, de forma rápida e simples, para se certificar que está em contato com um profissional habilitado. Não transfira dinheiro sem confirmação Nunca envie valores para contas de pessoas físicas. Desconfie de pedidos via Pix, WhatsApp ou redes sociais. Mesmo com áudios e vídeos, fique atento Com o uso da inteligência artificial, muitos golpistas podem forjar a voz e até mesmo a imagem do seu advogado. Sempre confirme antes as informações. Crie uma palavra-chave Combine com seu advogado uma palavra-chave para verificar se é realmente ele quem está falando Orientações aos clientes Se você ou alguém que conhece foi vítima do golpe, siga essas orientações: Tire prints das mensagens, do número de contato e da chave PIX; Caso tenha feito pagamentos, salve os comprovantes; Verifique os dados dos pagamentos; Confirme pessoalmente com o seu advogado a necessidade de pagamentos não previstos e ou faça chamada de vídeo; Denuncie o número falso no WhatsApp e avise seu advogado. Faça o Boletim de Ocorrência com os dados reunidos, utilizando os prints salvos como provas. Caso tenha feito tranferências tente o estorno via Mecanismo Especial de Devolução (MED) Assista ao vídeo com informações sobre o golpe: Falsos advogados aplicam mais de 500 golpes no Rio em 2025, alerta OAB

Quais os riscos econômicos se Brasil declarar facções criminosas como terroristas?

Publicado em: 04/11/2025 15:42

Em agosto, empresa na Faria Lima foi alvo de operação que investiga dinheiro do crime organizado EPA via BBC Parlamentares e governadores de oposição ao governo federal estão se mobilizando para aprovar leis que classifiquem como grupos terroristas as facções criminosas que atuam no país — como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Alguns projetos tramitam a meses no Congresso, mas a mobilização ganhou impulso após a megaoperação policial em favelas no Rio de Janeiro na semana passada — que resultou em 121 mortes e é considerada uma das mais letais da história da cidade. A Câmara de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados deve colocar em pauta nesta terça-feira (4) um projeto de lei que amplia o conceito de terrorismo para incluir organizações criminosas e milícias privadas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O projeto de lei 1.283/2025 é de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) e relatado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O projeto altera a Lei Antiterrorismo (13.260, de 2016) para "ampliar as motivações do crime de terrorismo, especificar infraestruturas críticas e serviços de utilidade pública, estender a aplicação da lei a organizações criminosas e a milícias privadas que realizem atos de terrorismo, além de estabelecer majorante para ato de terror cometido por meio de recurso cibernético". Ferreira já anunciou que pretende abrir mão da relatoria do projeto para que ela seja assumida pelo secretário estadual de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), que anunciou que vai se licenciar do cargo e voltar à Câmara dos Deputados, para liderar a questão e vê-la aprovada no Plenário. O projeto foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e tramita em regime de urgência. Ferreira deu um parecer favorável para que o projeto de lei seja aprovado na CCJ — comparando os grupos criminosos a um Estado paralelo. "Se se observa que um Estado qualquer, mesmo que seja um Estado paralelo, está usurpando a soberania nacional, inclusive do ponto de vista territorial, para oprimir nossos concidadãos, é mister que se entre imediatamente em guerra contra tal estado", disse o deputado no seu parecer. "Para isso deve-se utilizar todas as ferramentas que o Direito oferece. A presente iniciativa legislativa consiste em uma dessas ferramentas" Mas especialistas e acadêmicos com que a BBC News Brasil conversou afirmam que a aprovação de projetos que ampliem o conceito de terrorismo no Brasil para abranger as facções criminosas podem ter efeitos negativos na economia brasileira — abrindo o país a sanções internacionais. Efeitos indesejados e de grande escala Ao justificar seu projeto de lei, o deputado Danilo Forte afirma que a classificação de grupos criminosos como terroristas daria mais ferramentas ao poder público para lidar com as facções. "Neste sentido, este Projeto de Lei ao tipificar atos de terror praticados por grupos criminosos organizados na Lei Antiterrorismo brasileira, possibilita a responsabilização dos integrantes e líderes dessas organizações por atos preparatórios, antecipando a tutela penal para reforçar a capacidade de prevenção e resposta a essas ameaças antes que se concretizem", afirma Forte no projeto de lei. "Além disso, a competência investigativa passa a ser atribuída à Polícia Federal, garantindo uma investigação mais especializada e abrangente." Ele argumenta também que haveria maior facilidade para apreensão de bens de criminosos classificados como terroristas. "A possibilidade de decretação de medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores do investigado ou acusado assegura que os recursos utilizados para financiar tais atividades sejam identificados e bloqueados, desarticulando financeiramente os indivíduos ou redes responsáveis por tais atos de terror", diz o deputado no projeto de lei. "Ressalte-se que essas medidas de congelamento de bens e valores podem ser realizadas em cooperação internacional, o que é essencial diante da natureza transnacional do crime organizado no Brasil." Mas para o ex-policial e pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Roberto Uchôa, a simples redesignação de facções criminosas como grupos terroristas não teria efeitos práticos significativos no combate a grupos como o PCC e o CV. E além disso, segundo ele, uma nova lei nesse sentido teria um efeito indesejado para a economia brasileira — e talvez de grande impacto. "Eu acho que nem os deputados têm noção do que eles estão fazendo. Eu acho que para variar, é mais uma uma discussão legislativa com base no fígado", disse Uchôa à BBC News Brasil. Ele acredita que se o Brasil passar a classificar as facções como terroristas, países como os EUA "automaticamente vão designar também". "Dificilmente eles não vão acompanhar a legislação brasileira", diz Uchôa, que é membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (ONG apartidária que reúne especialistas na área). "Isso tem algumas consequências que esses parlamentares não estão verificando. Para começar, isso dá um poder para os americanos sancionarem e prenderem qualquer pessoa ligada a essas organizações." Projetos de lei que equiparam facções a grupos terroristas ganharam impulso após megaoperação policial no Rio de Janeiro na semana passada EPA via BBC Como a redesignação de facções criminosas poderia afetar a economia nacional? O ex-policial e pesquisador dá como exemplo um fundo de investimento que seja apontado em investigações brasileiras como possivelmente conectado a uma organização criminosa. "Você imagina que essa empresa que tem um fundo de investimento ligado ao PCC seria a primeira a ser sancionada [internacionalmente]. Começa-se sancionando ela, e depois pode se ir sancionando outras tantas empresas que tiveram de alguma forma ligações com esse fundo de investimento. A escala disso, nós não sabemos onde pode parar. " O problema maior, segundo o pesquisador, é que o crime organizado está profundamente infiltrado na economia brasileira — atuando em diversos setores. Por isso, empresas e indivíduos de todos esses setores estariam teoricamente expostos a sanções internacionais que visem combater terrorismo — caso houvesse indício de alguma conexão com o crime organizado. Do PIX ao Banco do Brasil Em agosto, a Polícia Federal deflagrou três operações (Carbono Oculto, Quasar e Tank) que demonstraram o quão profunda são essas conexões entre o crime organizado e a economia nacional. A estimativa da PF é de que um esquema operado pelo PCC tenha movimentado pelo menos R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Uma reportagem da BBC News Brasil mostrou como investigações policiais indicaram que o PCC controla postos de gasolina para ganhar dinheiro sonegando impostos e adulterando combustível. Os mesmos postos — além de padarias e lojas de conveniência — seriam então usados para lavar dinheiro do tráfico de drogas. Segundo as investigações, os recursos ilícitos eram ocultados com ajuda de fintechs, empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros. Por fim, havia a suposta participação de fundos de investimento sediados nas imediações da Faria Lima para a blindagem do patrimônio do PCC contra eventuais investigações. "Bancos, fintechs, mercado financeiro... a Carbono Culto é uma evidência do tamanho da infiltração do crime organizado no mercado financeiro. Veja só a quantidade de empresas legais que poderia se dizer que têm envolvimento com dinheiro de origem ilegal." Segundo Uchôa, não é nem preciso haver condenação de nenhuma empresa ou indivíduo para que ele sejam sancionados internacionalmente. As decisões de sanções são discricionárias dos governos — bastando por exemplo a citação em investigações. Isso seria particularmente problemático no caso de agentes públicos, segundo ele. "Vamos pensar como é que seria, por exemplo, alguma investigação que apontasse envolvimento de agente público brasileiro com essas organizações criminosas, o que não é difícil, porque a corrupção envolvendo agentes públicos e organizações criminosas no brasileiro é algo de conhecimento geral", diz. "Os americanos poderiam sancionar todo mundo que possa ter alguma ligação. Haja concurso público para botar gente no lugar da quantidade de gente que vai ser sancionada dentro do serviço público da gestão pública brasileira." Outro problema seria o aumento dos custos para as empresas. "Esse tipo de legislação abre as portas para uma quantidade impressionante de sanções em vários agentes do mercado. O país está pronto para isso?" "Isso vai exigir um nível de compliance e um nível de preparo para evitar a entrada do dinheiro ilegal que vai gerar um custo impressionante para as empresas e bancos e tudo mais." Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas, concorda com a avaliação de que sanções americanas — no caso de os EUA considerarem o PCC e o CV como grupos terroristas — podem ter efeitos amplos no Brasil. "Eles [os EUA] teriam a possibilidade de criar sanções e tomar ativos de forma muito mais rápida. Por exemplo, se o governo americano de repente considerar que o Pix e o sistema bancário brasileiro têm infiltração das facções criminosas, e que por isso precisa ser descartado do sistema Internacional, ele pode agir. Isso pode gerar sanções que são sanções mais pesadas", diz Alcadipani, também integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. "Isso pode trazer complicações muito maiores para o Brasil, inclusive de ordem geopolítica. O governo americano poderiam tomar ativos na hora que eles quiserem. Se eles decidirem, em um exemplo extremo, que terroristas estão fazendo transações econômicas pelo Banco do Brasil, os EUA poderiam adotar sanções fortes sobre o Banco do Brasil." EUA e 'narcoterroristas' Em visita a Brasília em maio, o responsável pelo setor de sanções do Departamento de Estado, David Gamble, solicitou formalmente que o Brasil adotasse a designação de terroristas ao PCC e CV. Em reuniões com representantes do Ministério da Justiça, Gamble argumentou que essas facções criminosas têm conexões com cartéis internacionais e representam uma ameaça à segurança dos EUA. O governo brasileiro, porém, rejeitou o pedido. O argumento citado na época pelo secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, em entrevistas à imprensa, foi o de que facções como PCC e CV não se enquadram na definição de terrorismo da legislação brasileira. Uchôa afirma que mesmo que o Brasil não classifique PCC e CV como narcoterroristas, países estrangeiros ainda assim podem fazê-lo. Na semana passada, Argentina e Paraguai anunciaram que adotariam essa postura. "Os americanos não precisam de autorização do Brasil para fazer isso. Eles podem fazer unilateralmente, como fizeram com a Venezuela ou com o México", diz. Em entrevista à BBC News Brasil, o relator especial da ONU sobre Direitos Humanos e Contraterrorismo, Ben Saul, disse que o uso de legislações antiterrorismo contra grupos criminosos pode abrir caminho para outros tipos de abusos. Ele cita o caso dos EUA, que em abril deste ano designou oito cartéis de drogas — como o mexicano Sinaloa e o venezuelano Tren de Aragua — como organizações terroristas. Depois dessa designação, segundo Saul, o governo americano passou a deportar imigrantes venezuelanos acusando-os de ligações com o Tren de Aragua. E começou também a atacar barcos no mar do Caribe e no oceano Pacífico, classificando os seus ocupantes de "narcoterroristas". "Antes de os EUA invocarem a Lei de Estrangeiros Inimigos para deportar centenas de venezuelanos para El Salvador sob a alegação de suspeita de terrorismo, a primeira coisa que eles fizeram foi declarar o Tren de Aragua como uma organização terrorista. E depois disso é que vieram as deportações sumárias", disse Saul. "Agora, temos ataques militares contra os chamados narcoterroristas, dizimando-os no Caribe. Portanto, muitas vezes é um caminho para uma série de abusos ainda maiores."

Palavras-chave: cibernéticotecnologia

Criminosos ampliam o uso da inteligência artificial nas fraudes

Publicado em: 04/11/2025 04:02

Polícia Civil do RS prende quatro suspeitos de aplicar fraudes milionárias com inteligência artificial Na semana passada, acompanhei mais uma edição do Annual Women’s Retirement Symposium, seminário que discute como proteger o patrimônio das pessoas aposentadas ou a caminho de fazê-lo. O tema central foi o aumento de fraudes e golpes impulsionados pela utilização de inteligência artificial. Norte-americanos acima dos 55 anos detêm 70% da riqueza pessoal do país – e se tornaram os principais alvos dos criminosos. Acredito que situação semelhante ocorre no Brasil, por isso as informações são valiosas para nós. Norte-americanos acima dos 55 anos detêm 70% da riqueza pessoal do país – e se transformaram nos principais alvos dos criminosos cibernéticos Age without limits Segundo levantamento do instituto Pew Research, 73% dos americanos já foram vítimas de algum tipo de fraude. O FBI estima que, ano passado, idosos nos Estados Unidos perderam US$ 4,885 bilhões, o equivalente a 26 bilhões de reais – valor que representa um aumento de 43% em relação a 2023. O mais grave é o crescimento de golpes relacionados a criptomoedas, sendo que o grupo mais afetado foi o da faixa acima dos 60. Matthew Strope, coordenador da área contra fraudes da consultoria financeira Robinhood, alertou para o nível de sofisticação alcançado com o uso da inteligência artificial: “um cliente recebeu uma ligação com a voz da neta aos prantos, explicando que tinha se envolvido num acidente de trânsito. Em seguida, um suposto advogado entrou no circuito pedindo dinheiro para resolver o problema. A voz da jovem havia sido clonada a partir de uma postagem que ela fizera numa rede social”. A técnica dos criminosos consiste em explorar a emoção das vítimas e criar um senso de urgência, portanto a recomendação é: dar uma pausa, refletir e se proteger. A pausa é para pôr a cabeça para funcionar: no caso citado, por que um advogado estaria no local do acidente? Esse momento de reflexão serve para a pessoa se livrar da pressão a que está sendo submetida e evita que caia numa cilada. As instituições financeiras têm criado mecanismos para impedir os golpes, bloqueando movimentações que fujam do perfil dos clientes. Ainda assim, não é o bastante. O mais importante é se manter alerta. O chamado phishing-based malware é um ataque cibernético no qual a vítima é induzida a instalar um software malicioso através de um link ou arquivo infectado. O objetivo é roubar dados, controlar sistemas e causar danos financeiros. Exemplos comuns incluem um e-mail que parece ser do seu banco, dizendo que sua conta será bloqueada, ou dos correios, avisando sobre uma encomenda que ficou retida. Para se proteger, tenha sempre em mente: Desconfie de mensagens urgentes ou alarmantes. Verifique o remetente e o domínio do e-mail. Nunca baixe arquivos de fontes desconhecidas. Use antivírus e mantenha o sistema atualizado. Ative a autenticação em dois fatores, que exige duas formas distintas de verificação para confirmar a identidade do usuário.

Polícia investiga fraude de consultores da Natura que causou prejuízo milionário à empresa

Publicado em: 03/11/2025 19:01

Revendedores de cosméticos são suspeitos de aplicar golpe milionário A Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu nove mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, Contagem e Betim durante a Operação Espelho de Vênus. A ação apura um esquema fraudulento envolvendo revendedores da Natura, que teriam causado um prejuízo milionário à empresa. Segundo as investigações, o grupo explorava falhas no sistema de pontuação e cashback da marca para adquirir produtos com grandes descontos e revendê-los em plataformas online e lojas físicas (leia mais abaixo). Milhares de itens, avaliados em cerca de R$ 6 milhões, foram apreendidos pelos investigadores. ✅ Mande sua denúncia, reclamação ou sugestão para o g1 Minas e os telejornais da TV Globo O g1 procurou a Natura para um posicionamento, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. A operação contou com 25 policiais civis e apoio do sistema antifraudes da empresa. Doze pessoas são investigadas pelos crimes de fraude eletrônica, associação criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a economia popular. As apurações da Divisão Especializada na Investigação de Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor continuam para identificar todos os envolvidos e calcular o prejuízo total. Esquema de fraude De acordo com a Polícia Civil, os consultores descobriram uma falha no sistema de distribuição de brindes durante compras no site Natura. O esquema funcionava da seguinte forma: Os consultores simulavam compras na plataforma. Quando o estoque de brindes acabava, o site oferecia crédito em dinheiro, que era usado para obter vantagem indevida. Os consultores, então, faziam compras conjuntas para zerar o estoque de um brinde específico, explorar a falha do sistema e conseguir o cashback em dinheiro. Com o cashback, os produtos eram adquiridos a um custo menor e revendidos abaixo do preço do mercado. "Os produtos comprados com cashback eram vendidos em outras plataformas conhecidas de vendas por um preço de 50% a 60% abaixo do mercado. Então, atrapalhava até a competitividade das outras consultoras que estavam ali comprando normalmente", disse a delegada Cristiana Pereira Gambassi Angelini. Ainda conforme a polícia, parte dos investigados tinha mais de 20 anos de atuação no mercado e recrutava outros consultores, sobretudo parentes, para ampliar o esquema. A instituição também apura se funcionários da Natura estariam envolvidos na fraude. Polícia investiga fraude de consultores da Natura que causou prejuízo milionário à empresa PCMG/Divulgação

Palavras-chave: cibernético

Plataformas piratas de streaming deixam de funcionar no Brasil após decisão da Argentina, diz Anatel

Publicado em: 02/11/2025 20:50

Mensagem de erro em aplicativos de streaming piratas foram publicadas nas redes sociais. Reprodução A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que as operações de uma série de plataformas ilegais de streaming foram interrompidas neste sábado (1º). Os serviços piratas estavam hospedados em servidores na Argentina e tinham milhares de consumidores no Brasil. A derrubada ocorreu, segundo a Anatel, por decisão da justiça argentina. Como as plataformas estavam ancoradas no país vizinho, a medida impactou a oferta dos serviços ilegais no Brasil. A ação é um desdobramento de uma operação da Argentina de combate a uma rede ilegal de distribuição de conteúdo audiovisual. O processo conta com a colaboração de uma série de entidades contra a pirataria, como a Aliança Contra a Pirataria Audiovisual (ALIANZA). A Anatel afirmou que não integra o processo que levou à interrupção dos streamings piratas. A agência também informou que, além dos aplicativos desativados neste sábado, outros ainda estão sendo interrompidos. De acordo com a autarquia, mais de 30 plataformas foram encerradas neste final de semana como consequência direta da ordem judicial argentina. Um dos serviços derrubados é o 'My Family Cinema', popular no Brasil. Alerta aos consumidores Anatel inaugura laboratório de combate aos aparelhos de 'gatonet' O combate à pirataria é uma das frentes de atuação da Anatel. Ao longo dos últimos meses, a agência tem lançado ações para enfrentar o mercado ilegal de distribuição audiovisual e dos aparelhos TV Box, popularmente chamados de "gatonet" A agência afirma que o consumo de conteúdos por meio de plataformas ilegais e dos aparelhos TV Box pode trazer riscos ao consumidor. Segundo a Anatel, estes serviços podem abrir portas para que dados dos consumidores sejam roubados por criminosos. A utilização das plataformas e dos aparelhos piratas também podem levar a ataques cibernéticos e violações de segurança. "É importante lembrar ao consumidor brasileiro que assine apenas serviços regulares no país e que desconfie de pacotes ofertados a valores muito baixos e/ou por fornecedores desconhecidos", diz a agência.

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Suspeito de participar do maior ataque hacker do país que desviou R$ 800 milhões é preso em Campina Grande

Publicado em: 31/10/2025 15:44

Foragido suspeito de desvio milionário é preso em Campina Grande (PB) Um homem de 29 anos suspeito de participar do maior ataque hacker do país, que desviou R$ 800 milhões de bancos e empresas ligadas ao sistema de pagamentos PIX, foi preso em Campina Grande, de acordo com a Polícia Militar. Segundo a Rotam, que prendeu o suspeito, o setor de inteligência da corporação foi acionado pela Polícia Federal com informações sobre um veículo que estaria sendo utilizado pelo suspeito no bairro do José Pinheiro, no centro da cidade. O homem foi localizado e preso para cumprimento de um mandado de prisão que estava em aberto. Ele era alvo de uma operação que envolveu todo o Brasil, na quinta-feira (30), desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público de São Paulo. Com o suspeito, foram apreendidos aparelhos celulares e o próprio veículo que ele estava quando foi capturado. Ele foi levado para a delegacia da Polícia Federal, em Campina Grande, responsável pelas investigações. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Maior ataque hacker do país foi feito a partir de quarto de hotel em Brasília O balanço da operação PF faz operação contra ataques hackers ao PIX Até a última atualização, 12 pessoas haviam sido presas no Brasil e outras sete no exterior, com a ajuda da Interpol: seis na Espanha e uma na Argentina. Segundo os investigadores, os criminosos desviaram R$ 813 milhões de contas de bancos e instituições de pagamento que são usadas para gerenciar transferências de dinheiro de clientes via PIX. 📢O Banco Central informou que o sistema PIX não foi invadido pelos criminosos e que nenhum cliente das instituições financeiras foi prejudicado. 🔎O ataque cibernético em julho afetou pelo menos seis instituições financeiras e causou alvoroço no mercado financeiro. Segundo as empresas envolvidas, não houve dano às contas e informações de seus clientes. Segundo a TV Globo apurou, a divisão de tarefas entre os integrantes da organização criminosa revelou também a existência de pessoas com a função especializada de realizar invasões hackers. Além disso, os criminosos se aprimoraram em obter contas de instituições de pagamento para a movimentação rápida de valores, converter valores financeiros em criptoativos e realizar transações diretas entre carteiras de ativos virtuais ponto a ponto, sem qualquer registro ou controle. O grupo criminoso ainda lavava os valores das fraudes por meio de investimentos em criptoativos, que eram revertidos em dinheiro e bens no Brasil e no exterior para uso dos integrantes do esquema. Durante a operação, foi determinado o bloqueio de R$ 640 milhões em bens dos investigados. Eles são acusados de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, lavagem de dinheiro e furto mediante fraude eletrônica. Relembre o caso Operação mirou ataque hacker a sistemas ligados ao PIX Reprodução/PF Em julho, a C&M Software reportou para o Banco Central um ataque às suas infraestruturas digitais. O incidente permitiu o acesso indevido a contas de reserva de pelo menos seis instituições financeiras que estavam conectadas à companhia. 🔎 As contas de reservas são contas que os bancos e instituições financeiras mantêm no BC. Essas contas funcionam como uma conta corrente, e são utilizadas para processar as movimentações financeiras das instituições. Essas contas ainda servem como uma reserva de recursos que os bancos precisam manter no BC para garantir que cumpram com suas obrigações financeiras. Também funcionam para que as empresas possam participar de operações com o próprio BC — como empréstimos de liquidez, aplicações em títulos públicos e depósitos compulsórios (valores obrigatórios mantidos pelos bancos no BC). De acordo com a C&M, criminosos usaram credenciais, como senhas, de seus clientes para tentar acessar seus sistemas e serviços de forma fraudulenta. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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Cuidado com o arquivo ZIP: conheça golpe com vírus pelo WhatsApp que faz vítimas no RS

Publicado em: 31/10/2025 03:00

Conheça golpe com vírus pelo WhatsApp Um novo golpe tem se disseminado pelo WhatsApp no Rio Grande do Sul: o vírus, chamado Sorvepotel, infecta celulares e computadores após o usuário clicar em um link ou arquivo ZIP recebido por mensagem. O conteúdo costuma ser disfarçado como orçamento, recibo ou comprovante. As mensagens geralmente partem de contatos conhecidos e apresentam linguagem técnica. Ao ser acessado, o arquivo ativa o vírus, que passa a agir silenciosamente no dispositivo da vítima. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Veja como o golpe funciona: A vítima recebe uma mensagem com link ou arquivo ZIP; O conteúdo parece confiável e técnico; Ao clicar, o vírus é instalado no dispositivo; O malware acessa o WhatsApp Web e envia o mesmo arquivo para todos os contatos e grupos; Em minutos, o golpe se espalha em cadeia; Criminosos podem acessar dados pessoais e senhas. Golpe com vírus pelo WhatsApp por meio do arquivo ZIP Reprodução/ RBS TV Segundo a Polícia Civil, há mais de 20 ocorrências registradas e em investigação. O g1 entrou em contato com a Meta, empresa à qual o WhatsApp pertence, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A moradora Laura Klein foi uma das vítimas. Ela estava fazendo orçamentos após perder bens no acidente com um ônibus desgovernado que atingiu o Edifício Esmeralda, no centro de Porto Alegre: "Deu alguns minutos e eu vi que meu WhatsApp começou a mandar a mesma mensagem para toda a minha lista de contatos, que eu contabilizei com umas 400 pessoas. Então, nesse momento, eu percebi o que estava acontecendo", conta Laura. O delegado Filipe Bringhentti, do Departamento de Repressão a Crimes Cibernéticos, alerta para cuidados básicos: “Nunca abrir anexos nem clicar em links suspeitos, mesmo que venham de pessoas conhecidas. Manter o antivírus atualizado, desconectar o WhatsApp Web quando não estiver usando e, se cair no golpe, desconectar da internet, fazer a varredura e registrar boletim de ocorrência.” Ao receber um link ou arquivo, a recomendação é: atenção redobrada. Para evitar a contaminação por vírus como o Sorvepotel, é essencial manter o antivírus atualizado, desconectar o WhatsApp Web quando não estiver em uso e, em caso de golpe, desligar o dispositivo da internet imediatamente, realizar uma varredura completa e registrar boletim de ocorrência. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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PF faz operação contra hackers que desviaram R$ 800 milhões de empresas ligadas ao PIX

Publicado em: 30/10/2025 10:32

PF faz operação contra ataques hackers ao PIX A Polícia Federal (PF) cumpre nesta quinta-feira (30) mandados contra acusados de envolvimento no ataque hacker que desviou mais de R$ 800 milhões de empresas ligadas ao sistema PIX, do Banco Central (BC). Segundo os investigadores, os criminosos desviaram R$ 813 milhões de contas de bancos e instituições de pagamento que são usadas para gerenciar transferências de dinheiro de clientes via PIX. Até a última atualização desta reportagem, 17 suspeitos foram presos — 11 em território brasileiro, e outros seis fora do país. 🔎O ataque cibernético em julho afetou pelo menos seis instituições financeiras e causou alvoroço no mercado financeiro. Segundo as empresas envolvidas, não houve dano às contas e informações de seus clientes. A PF cumpre 26 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal: Goiás, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Paraíba e Bahia. O que se sabe sobre ataque hacker contra empresa que interliga bancos ao PIX Há mandados sendo cumpridos também no exterior, com apoio da Interpol — em cooperação internacional com as polícias da Espanha, Argentina e Portugal. Segundo a TV Globo apurou, a divisão de tarefas entre os integrantes da organização criminosa revelou também a existência de pessoas com a função especializada de realizar invasões hackers. Além disso, os criminosos se aprimoraram em obter contas de instituições de pagamento para a movimentação rápida de valores, converter valores financeiros em criptoativos e realizar transações diretas entre carteiras de ativos virtuais ponto a ponto, sem qualquer registro ou controle. O grupo criminoso ainda lavava os valores das fraudes por meio de investimentos em criptoativos, que eram revertidos em dinheiro e bens no Brasil e no exterior para uso dos integrantes do esquema. Operação mirou ataque hacker a sistemas ligados ao PIX Reprodução/PF Além disso, foi determinado o bloqueio de R$ 640 milhões em bens dos investigados. Eles são acusados de organização criminosa, invasão de dispositivo informático, lavagem de dinheiro e furto mediante fraude eletrônica. Relembre o caso Em julho, a C&M Software reportou para o Banco Central um ataque às suas infraestruturas digitais. O incidente permitiu o acesso indevido a contas de reserva de pelo menos seis instituições financeiras que estavam conectadas à companhia. 🔎 As contas de reservas são contas que os bancos e instituições financeiras mantêm no BC. Essas contas funcionam como uma conta corrente, e são utilizadas para processar as movimentações financeiras das instituições. Essas contas ainda servem como uma reserva de recursos que os bancos precisam manter no BC para garantir que cumpram com suas obrigações financeiras. Também funcionam para que as empresas possam participar de operações com o próprio BC — como empréstimos de liquidez, aplicações em títulos públicos e depósitos compulsórios (valores obrigatórios mantidos pelos bancos no BC). De acordo com a C&M, criminosos usaram credenciais, como senhas, de seus clientes para tentar acessar seus sistemas e serviços de forma fraudulenta. - Esta reportagem está em atualização.

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Polícia Civil cumpre mandado contra homem suspeito de disseminar discurso de ódio contra mulheres, bebês e homossexuais

Publicado em: 28/10/2025 07:55

Polícia Civil apreendeu aparelhos eletrônicos do suspeito Divulgação/Polícia Civil A Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão contra um homem suspeito de disseminar discursos de ódio contra mulheres, bebês e homossexuais. O suspeito tem 18 anos e mora na cidade de Santa Rita, na Grande João Pessoa. De acordo com o delegado João Ricardo da Delegacia de Crimes Cibernéticos, o homem utilizava as redes sociais para incentivar violência sexual contra mulheres e bebês, bem como assassinato de homossexuais. “Em relação às mulheres e aos bebês, ele incentivava que pessoas praticassem crimes sexuais em relação a essas pessoas. Em relação os homossexuais, ele incentivava que pessoas praticassem crimes de homicídio e dizia que ele poderia fazer também”. Na residência do suspeito, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, e a Polícia Civil vai investigar, inclusive, se ele agia sozinho. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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Bancos vão cancelar contas laranjas e de bets irregulares; entenda

Publicado em: 27/10/2025 11:59

Bets. Augusto César Gomes/g1 Os bancos brasileiros começaram a adotar regras mais rígidas para bloquear movimentações suspeitas e cancelar contas de bets irregulares, ou seja, aquelas que não têm autorização da Secretaria de Prêmio e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. A informação foi divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta segunda-feira (27). Segundo o órgão, contas laranjas (abertas em nome de uma pessoa, mas usada normalmente por outras, para esconder a verdadeira origem do dinheiro) e contas frias (que são abertas de forma ilícita e sem conhecimento do titular) também serão fechadas. A iniciativa se soma às medidas já anunciadas pelo Banco Central e pelo Poder Público e, segundo a federação, o objetivo é "fortalecer o compromisso do setor bancário contra o crime organizado e impedir o uso de contas para qualquer atividade ilícita". Segundo o presidente da Febraban, Isaac Sidney, a ação é um "marco" no processo de corrigir os relacionamentos "tóxicos" dos bancos com clientes que alugam ou vendem suas contas e que usam o sistema financeiro para "escoar recursos de golpes, fraudes e ataques cibernéticos, bem como para lavar o dinheiro sujo do crime”. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Os bancos não podem, de forma alguma, permitir a abertura e a manutenção de contas laranja, de contas frias e de contas de bets ilegais, e é por isso que estamos estabelecendo procedimentos obrigatórios a todos os bancos, para disciplinar o setor e coibir esse tipo de crime", afirmou Sidney em nota oficial. *Esta reportagem está em atualização

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O guia de espionagem dos EUA que ensina a sabotar o seu trabalho

Publicado em: 26/10/2025 07:01

Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Para reduzir moral e, com isso, a produção: seja simpático com trabalhadores ineficientes, dê-lhes promoções imerecidas; discrimine contra os eficientes e queixe-se injustamente do trabalho deles", "marque reuniões quando houver trabalho mais importante a fazer", "multiplique a papelada de forma plausível", "aumente procedimentos: faça com que três pessoas tenham de aprovar o que uma só poderia aprovar". Essas regras que parecem saídas de um livro satírico sobre o que não fazer em sua empresa — uma espécie de anticoach de gestão — não são peça de ficção. Elas constam de material distribuído pelo serviço de inteligência do governo dos Estados Unidos, em janeiro de 1944. Intitulado Simple Sabotage Field Manual (Manual de Sabotagem Simples de Campo, em tradução livre), o documento de 32 de páginas foi formulado pelo Escritório de Serviços Estratégicos dos Estados Unidos, órgão de inteligência que funcionou entre 1942 e 1945 e é considerado o antecessor da CIA, a Agência Central de Inteligência, criada em 1947 pelo governo americano. O manual foi distribuído pelos agentes do organismo aos países internacionais, naquele contexto de Segunda Guerra Mundial. A ideia era preparar cidadãos-sabotadores em países ocupados pelos nazistas na Europa. Em outras palavras, contar com o trabalho de simpatizantes dos países Aliados que, infiltrados em empresas de nações alinhadas ao Eixo, atuassem de forma contraproducente, empacando os esforços nazifascistas durante o período bélico. A introdução do documento foi assinada pelo oficial William Donovan (1883-1959), que comandava o departamento de inteligência dos Estados Unidos. Guerra híbrida William Donovan liderava departamento de inteligência dos Estados Unidos. National Archives via BBC Aos olhares contemporâneos, este documento está dentro das estratégias daquilo que se convencionou chamar de guerra híbrida. "São várias as maneiras de conduzir uma guerra. A tradicional é simplesmente focar nos alvos militares, nas atividades militares. Mas há maneiras mais abrangentes, que estão no conceito hoje chamado de guerra híbrida", contextualiza à BBC News Brasil o cientista político Leonardo Bandarra, pesquisador no Instituto de Estudos de Desenvolvimento e Paz da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha "Isso significa misturar métodos militares e não militares. Com informação, atividades psicológicas. Isso não é novo. Existe desde a antiguidade", diz Bandarra. Ele explica que, nesse sentido, o esforço de guerra incorpora táticas terroristas e táticas de guerrilhas com armas convencionais. "Há ataques cibernéticos, campanhas de desinformação e maneiras de deixar menos clara a linha do que é guerra e do que é paz, o que é convencional e o que é anticonvencional", comenta o cientista político. "A questão é manter a ambiguidade." O historiador Victor Missiato, pesquisador no Instituto Mackenzie, avalia que, como a Segunda Guerra havia ganhado âmbitos mundiais, foram necessárias diferentes táticas e estratégias para enfrentar diferentes tipos de batalhas. "Nesse contexto, a espionagem, a sabotagem e os serviços secretos se aperfeiçoaram muito.", diz Missiato Para o especialista em segurança Hugo Tisaka, fundador da empresa NSA Global, a estratégia dos EUA era "uma ação de guerra psicológica, algo muito usado em teatros de guerra". "Ações de sabotagem para enfraquecer o inimigo sãoé uma estratégia que ocorre historicamente. É comum, mas não deve ser o normal", diz Tisaka, consultor de segurança para empresas internacionais. Tanto Tisaka quanto Bandarra atentam para semelhanças entre esse manual e o Manual do Guerrilheiro Urbano publicado em 1969 pelo guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) para orientar os militantes de esquerda no Brasil. O cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp), classifica esse documento como um conjunto de "estratégias antiadministrativas" como instrumento de sabotagem. "Recomendava-se aos infiltrados um excesso de zelo nas ações em suas organizações", explica ele. "Como se eles agissem com hiperrresponsabilidade sobre os processos. E isso acabava por interromper a produtividade dos avanços das instituições burocráticas e produtivas." Em outras palavras, ele comenta que se criava uma contradição. "O excesso de zelo, a profunda minúcia em nome de um suposto aperfeiçoamento eram, na verdade, o contrário: estavam a serviço de prejudicar o avanço dos rivais", diz. O Brasil foi aliado dos EUA e Reino Unido durante a Segunda Guerra e enviou combatentes à Itália Arquivo Nacional via BBC O sabotador: cidadão comum O documento americano foi dividido em cinco partes: Introdução; Possíveis Efeitos; Motivando o Sabotador; Ferramentas, Alvos e Tempo; e Sugestões Específicas para Sabotagem Simples. De forma geral, as instruções se assemelham a táticas de guerrilha. O texto deixa claro que há diferentes tipos de sabotagem, e o manual trata especificamente dos "inúmeros atos simples que o cidadão-sabotador comum pode praticar". Para especialistas, nada do que também não fosse feito pelo outro lado da guerra, no caso os esforços nazifascistas. "Este documento, publicado em 1944, diz muito sobre como os Aliados foram correndo atrás de tudo o que os alemães fizeram primeiro, principalmente nos dois, três primeiros anos de guerra", compara Missiato. "Quando se trata de destruição, as armas do cidadão-sabotador são sal, pregos, velas, pedrinhas, linha ou quaisquer outros materiais que ele normalmente teria como chefe de família ou sabotador em sua função específica. Seu arsenal é a prateleira da cozinha, a pilha de lixo e seu kit habitual de ferramentas e suprimentos", enfatiza o documento. "Os alvos de sua sabotagem geralmente são objetos aos quais ele tem acesso normal e discreto na vida cotidiana." "Um segundo tipo de sabotagem simples", prossegue, "não requer nenhuma ferramenta destrutiva e produz danos físicos, se houver, por meios altamente indiretos. Baseia-se em oportunidades universais para tomar decisões erradas, adotar uma atitude não cooperativa e induzir outros a seguirem o exemplo". "Tomar uma decisão errada pode ser simplesmente uma questão de colocar ferramentas em um lugar em vez de outro. Uma atitude não cooperativa pode envolver nada mais do que criar uma situação desagradável entre os colegas de trabalho, envolver-se em discussões ou demonstrar mau-humor e estupidez." O manual explica que não é simples motivar um sabotador em potencial. Para tanto, uma das sugestões é convencê-lo de que ele está "agindo em legítima defesa contra o inimigo ou retaliando o inimigo por outros atos de destruição". Segundo o texto, um sabotador pode se sentir desanimado se perceber que seus esforços implicam em resultados muito pequenos, por isso é importante demonstrar que cada um faz parte de um projeto maior e abrangente, de um grupo "embora invisível" de sabotadores "operando contra o inimigo". "Não tenha medo de cometer atos pelos quais possa ser diretamente responsabilizado, desde que o faça raramente e tenha uma desculpa", recomenda o manual. De forma geral, o documento ensina que uma sabotagem simples deve "sempre consistir em atos cujos resultados serão prejudiciais aos materiais e à mão de obra do inimigo". No ambiente de trabalho Aos olhos contemporâneos, a parte mais saborosa do guia é justamente a última, que traz as sugestões específicas para sabotagem simples — e de onde foram tiradas todas as frases do primeiro parágrafo desta reportagem e esses dois seguintes: "Levante questões irrelevantes com frequência", "quando possível, redirecione os assuntos a comitês para 'maior estudo e consideração'", "faça discursos", "fale com frequência e por longos períodos", "ilustre seus pontos com longas anedotas e relatos pessoais". "Volte a decisões já tomadas na reunião anterior e tente reabrir a discussão", "exija ordens por escrito", "entenda 'mal' as ordens e faça perguntas intermináveis", "ao atribuir tarefas, ponha primeiro as menos importantes", "ao treinar novos funcionários, dê instruções incompletas ou enganosas". Este capítulo do manual também incentiva ao cometimento de incêndios em armazéns, quartéis, escritórios e outras instalações do tipo, com a dica de que "sempre que possível" o fogo deva "começar depois de você ter ido embora". Há instruções sobre dispositivos simples que podem ser feitos com materiais como vela e algodão. Se a pessoa em questão tiver acesso a compartimentos onde são acondicionados lixo, o texto recomenda que ele procure acumular ali materiais oleosos e gordurosos, facilitando a precipitação de um incêndio. "Se você trabalha como zelador noturno, pode ser o primeiro a relatar o fogo. Mas não o faça muito cedo", diz o documento, já ensinando a construir um álibi. "Uma fábrica limpa não é suscetível a incêndios, mas uma suja é. Os trabalhadores devem ser descuidados […]. Se houver acúmulo suficiente de sujeira e lixo, um edifício à prova de fogo se tornará inflamável", recomenda. Há uma série de outras dicas. "Esqueça de fornecer papel nos vasos sanitários; coloque papel enrolado, cabelo e outras obstruções no vaso sanitário. Sature uma esponja com uma solução espessa de amido ou açúcar. Aperte-a firmemente até formar uma bola, enrole-a com um barbante e seque. Remova o barbante quando estiver completamente seca", ensina o manual. "A esponja terá o formato de uma bola dura e compacta. Jogue-a no vaso sanitário ou introduza-a em uma tubulação de esgoto. A esponja expandirá gradualmente até seu tamanho normal e obstruirá o sistema de esgoto." "Coloque papel, pedaços de madeira, grampos de cabelo e qualquer outra coisa que caiba nas fechaduras de todas as entradas desprotegidas de edifícios públicos", diz o texto. "Deixe as ferramentas de corte cegas. Elas serão ineficientes, retardarão a produção e podem danificar os materiais e as peças em que você as utiliza." O guia ainda ensina a desgastar máquinas adulterando o óleo de lubrificação ou mesmo estragando o sistema de filtragem. "Coloque qualquer substância obstrutiva nos sistemas de lubrificação ou, se flutuar, no óleo armazenado. Pentes torcidos de cabelo humano, pedaços de barbante, insetos mortos e muitos outros objetos comuns serão eficazes para interromper ou dificultar o fluxo de óleo através de linhas de alimentação e filtros", sugere. Há lições sobre como destruir motores elétricos e diluir gasolina para que o combustível não funcione. "Água, urina, vinho ou qualquer outro líquido simples que você possa obter em quantidades razoavelmente grandes diluirá a gasolina a um ponto em que não ocorrerá combustão no cilindro e o motor não se moverá […]. Se usar água salgada, causará corrosão e danos permanentes ao motor", explica. O manual também sugere danificar pneus de veículos e transferir para ramais errados ligações telefônicas recebidas na empresa, entre outros pontos curiosos. Também há orientações sobre como fazer para interferir em transmissões de rádio e atrapalhar a eficiência dos correios. "Essas instruções mostram como as estratégias de guerra podiam adentrar no cotidiano da vida das pessoas, em um tempo em que a guerra ainda era muito restrita ao palco das batalhas", comenta Missiato, historiador do Mackenzie. Enrolação Donovan (esquerda) assinava o início do manual US Army/ Domínio Público via BBC A parte final do documento enfatiza ações que podem ser feitas por empregados em geral. "Interessante notar a sofisticação das estratégias de guerra no cotidiano da vida das pessoas, fazendo com que o social se transformasse também em campo de batalha", afirma Missiato. O documento prossegue; "Trabalhe lentamente. Pense em maneiras de aumentar o número de movimentos necessários no seu trabalho: use um martelo leve em vez de um pesado, […] use pouca força onde seria necessária uma considerável, e assim por diante". "O grande objetivo que eles tinham nessa questão da sabotagem era criar um tempo, ou seja, diminuir o passo das coisas que poderiam ser rápidas. Isso é uma tática interessante", atenta o cientista político Bandarra. "Ao aumentar a burocracia, você gera uma disfuncionalidade burocrática intencional. E o tempo, na guerra, é algo muito importante." O manuel segue: "Crie o máximo possível de interrupções no seu trabalho". "Quando for ao banheiro, passe mais tempo lá do que o necessário. Esqueça as ferramentas: você terá de voltar para buscá-las." "Finja que as instruções são difíceis de entender e peça para repeti-las mais de uma vez", recomenda. "Ou finja que está particularmente ansioso para fazer o seu trabalho e importune o encarregado com perguntas desnecessárias." "Aja de forma estúpida", sugere. "Seja o mais irritável e briguento possível sem se meter em encrenca. Dê explicações longas e incompreensíveis quando questionado." Anticoach As orientações são o avesso de qualquer compilado de recomendações de boas práticas empresariais de hoje em dia. "O meu livro é a antítese desse manual", reconhece à BBC News Brasil o executivo Rafael Catolé, autor de O Poder da Gestão. "O manual [distribuído pelos Estados Unidos] fala sobre burocratização, não dar acesso aos tomadores de decisão, gastar tempo com decisões irrelevantes ou já tomadas e focar naquilo que não traz resultado", resume. "Sabemos que o que funciona é o contrário disso: selecionar o que é importante, democratizar o acesso aos tomadores de decisão, pulverizar as decisões em escalas que fazem sentido." Por outro lado, Catolé reconhece que muitas empresas acabam tendo condutas ineficientes que, ironicamente, se assemelham às práticas de sabotagem recomendadas pelo documento. "Por exemplo, a falácia das reuniões onde as pessoas passam foros e foros para tomar decisão e, como o foro não tem foco principal, não tem foco objetivo, não tem começo, meio e fim, você tem um alongamento de decisões que deveriam ser simples", compara. "Eu diria que muitas vezes as próprias empresas se sabotam quando, por exemplo, importam ferramentas de administração que podem soar como positivas ao racionalizar o organograma mas, por outro lado, não respeitam a queixa que existe de muitos funcionários competentes de que esse excesso de intervenção administrativa sobre certas funções acaba emperrando a criatividade, a espontaneidade e a liberdade em termos produtivos", critica Ramirez. Por que milhões seguem fora do mercado há anos? Defender home office nas redes custou o emprego deles

Palavras-chave: cibernético