Arquivo de Notícias Resultados para: "vulnerabilidade"

Após patrulha, policiais do Amapá fazem ação solidária para família vulnerável com 8 filhos

Publicado em: 09/09/2025 16:14

Policiais do Amapá se mobilizam para doar alimentos a família carente com 8 crianças Policiais do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do Amapá fizeram uma ação solidária no sábado (6), em Macapá, após encontrarem uma família em situação de vulnerabilidade. O grupo, que tem oito crianças, recebeu doações de alimentos, roupas e dinheiro. A ajuda veio depois de uma ocorrência no bairro do Coração, na Zona Oeste da capital. As crianças estavam comendo em um local inadequado, perto da linha do trem. Com apoio de um vizinho, os policiais conseguiram encontrar a casa da família, que ficava a cerca de um quilômetro dali. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp A casa feita com madeira improvisada abriga dez pessoas em situação de vulnerabilidade, entre elas um bebê de dois meses. Segundo a mãe, que prestou depoimento à polícia, o marido está em tratamento contra o câncer e a família vive apenas com o auxílio do programa Bolsa Família. Casa fica localizada na Zona oeste e abriga pai, mãe e oito filhos Batalhão Ambiental/Divulgação A sargento Marília Fonseca, que conversou com a família, contou que ficou surpresa com as condições em que viviam. “Ela disse que o Bolsa Família não era suficiente para alimentar as crianças e que o marido estava com câncer. Então falei com a guarnição e com o subtenente: ‘Vamos ajudar?’. Em vez de tirar essas crianças da mãe, decidimos apoiar. Abrigo não é lugar de criança”, relembrou. A policial destacou que o objetivo da ação era fortalecer os laços com a comunidade, uma das missões da corporação. “Foi a união de vários militares. Às vezes, quando pedimos ajuda, pensam que é para se promover. Mas não é isso. Queríamos apenas ajudar”, afirmou. Entre os itens arrecadados estão cinco cestas básicas e roupas para o bebê. A doação foi recebida com emoção pela família. O trabalho do Batalhão Ambiental O Batalhão Ambiental atua no policiamento ostensivo fardado, na preservação da ordem pública e na proteção do meio ambiente, em parceria com órgãos e entidades. A equipe é formada por profissionais de diversas áreas, como geografia, biologia, engenharia florestal, de pesca e ambiental. Todos da área militar. Após patrulha, policiais do Amapá fazem ação solidária para família vulnerável com 8 filhos Batalhão Ambiental/Divulgação Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Palavras-chave: vulnerabilidade

Abertura da Festa de Flores e Morangos reúne diversas autoridades

Publicado em: 09/09/2025 15:10

O primeiro final de semana da 43ª edição da Festa de Flores e Morangos de Atibaia foi um sucesso! Na sexta-feira, dia 5, teve cerimônia de abertura com a presença de diversas autoridades, grande público e ampla cobertura dos veículos de imprensa. No sábado, dia 6, o evento recebeu a visita da deputada federal Tabata Amaral e no domingo, dia 7, o secretário estadual de Turismo do Estado de São Paulo, Roberto de Lucena, fez questão de ir à festa, pois não conseguiu comparecer na cerimônia de abertura. Sem falar do grande público, que prestigiou em peso os três primeiros dias do evento mais importante de Atibaia e um dos mais importantes do Estado e do país. Festa de Flores e Morangos Divulgação Cerimônia de abertura Entre as autoridades presentes estão Nelson Takao Yoshida, presidente da Associação Hortolândia de Atibaia; a vice-cônsul do Japão, Yuka Nogami, representando o governo do Japão; Roberto Nishio, presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social - Bunkyo; Carlos Roza, presidente da Japan House; Eduardo Abe, presidente da Associação Cultural Esportiva Nipo Brasileira de Atibaia (ACENBRA); Dirceu Hashimoto, presidente do Sindicato Rural de Atibaia; Carlos Shinkawa, vice-presidente da Pró-Flor; Osvaldo Maziero, presidente da Associação de Produtores de Morango e Hortifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região; Rômulo Kobori, presidente do Conselho Municipal de Desenvovimento Rural de Atibaia; José Carlos Ferreira, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Atibaia (ACIA); o presidente da Câmara Municipal de Atibaia, Júlio Mendes, e demais vereadores; o prefeito Daniel Martini, a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Camille Donnabella Martini, e diversos secretários municipais; o deputado federal Saulo Pedroso; Mário Biral, diretor superintendente do Senar/SP; Diógenes Kassaoka, subsecretário de Abastecimento e Segurança Alimentar do Estado de SP; e Estanislau Stek, superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária no Estado de São Paulo, representando o governo federal. Festa de Flores e Morangos Divulgação Em sua fala, Nelson Takao Yoshida, presidente da Associação Hortolândia de Atibaia, destacou o legado dos fundadores da instituição, o objetivo desta tradicional festa e a mudança de local. “É com grande satisfação que a Hortolândia realiza pela segunda vez esse evento em nossa casa própria, aqui no Parque Ecológico de Atibaia. Neste momento, não podemos deixar também de enaltecer o trabalho dos fundadores de nossa entidade, que deixaram um legado valioso para as próximas gerações. A associação segue firme com seu propósito, que é valorizar e promover os produtores rurais de Atibaia e região, destacando todo potencial agrícola, cultural e turístico, além de gerar oportunidade para muitos. Aproveitem cada momento, pois tudo foi feito com muita dedicação e carinho”, enfatiza. Pavilhão de decoração Após a fala das autoridades, foi realizado o corte da fita do pavilhão de decoração de flores, abrindo oficialmente a visita dos turistas a uma das mais esperadas atrações do evento. Com o tema “Hana no Toki – Tempo de Flores” e mais de um milhão de pétalas utilizados na decoração, os visitantes podem acompanhar a magia do universo japonês que será representado pelas quatro estações do ano com diversificados arranjos florais japoneses, os tradicionais ikebanas. A primavera virá com a cor rosa, por conta da Cerejeira, tradicional árvore que floreia na estação. O verão será representado pela cor azul em razão dos diversos festivais típicos da cultura japonesa. A cor laranja ficará para a estação outono, pois as folhas de todas as árvores ficam alaranjadas na estação que antecede o frio. Já o inverno tem a cor gelo, em razão da neve que cai no país nesta época do ano. Festa de Flores e Morangos Divulgação A beleza das orquídeas, rosas e girassóis também darão um toque mais que especial e colorido para a decoração do pavilhão. Sem falar do morango gigante, que tem mão e um leque com a palavra matsuri (festival), perfeito para fazer as mais variadas fotos com a fruta anfitriã da festa. Outra incrível atração do pavilhão é o Ninja Jiraiya, personagem de uma famosa série japonesa lançada no Brasil no final da década de 80. Visitas políticas No sábado, dia 6, a festa recebeu a deputada federal Tabata Amaral e no domingo teve a visita do secretário estadual de Turismo do Estado de São Paulo, Roberto de Lucena. Ambos conheceram todo o evento e se reuniram com o Nelson Takao Yoshida, presidente da Associação Hortolândia de Atibaia. Foi apresentado a eles um projeto de ampliação do Parque Ecológico e outro sobre incentivo à agricultura familiar. Entrada gratuita e ingresso solidário A gratuidade exclusiva para funcionários públicos municipais de Atibaia e alunos da rede municipal de Educação (1º ao 5º ano) acompanhados de seus responsáveis acontece às sextas e aos sábados, como forma de reconhecimento e incentivo à participação da comunidade. Já no dia 19 de setembro, a iniciativa da Entrada Solidária permite a troca de ingresso pela doação de 1 kg de alimento não perecível, em parceria com o Fundo Social de Solidariedade de Atibaia e demais entidades, beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade. Festa de Flores e Morangos Divulgação Inclusão Pensando no bem-estar e no acolhimento das crianças, a festa de Flores e Morangos, em parceria com a APAE Atibaia e Ensolar Energia Solar Fotovoltaica, organizou uma sala multissensorial. Um espaço de autorregulação montado com muito carinho. Além disso, o evento também é “pet friendly”, em que animais de estimação são bem-vindos e têm acesso a toda a estrutura do evento. O objetivo é tornar a experiência dos visitantes ainda mais inclusiva e divertida. Realização da festa A Festa de Flores e Morangos de Atibaia é uma realização da Associação Hortolândia de Atibaia, com apoio da Prefeitura Municipal de Atibaia, patrocínio do Lago Azul, Sakata, Hospital Leonardo da Vinci, Aticare, Sicredi, Bioplugs e Ball, e colaboração da Acenbra Atibaia, Associação dos Produtores de Morangos de Atibaia e Região, Pró-Flor e Sindicato Rural de Atibaia. Festa de Flores e Morangos Divulgação Serviço 43ª Festa de Flores e Morangos de Atibaia Data: de 05 a 28 de setembro Às sextas, sábados e domingos Horários: das 9h às 18h Local: Parque Ecológico de Atibaia, Av. Nobuyuki Hiranaka, 566, acesso pela Rodovia Dom Pedro I. No sentido Atibaia/Campinas, acesse a entrada antes do primeiro pedágio (saída 79 - km 79). Já no sentido Campinas/Atibaia, pegue a saída para B. Pires/V. D. Pedro I (antes do km 79). Telefone – 0800-055-5979 Ingressos: inteira R$ 60,00 e meia R$ 30,00 – Todas as sextas o valor do ingresso será de meia entrada (R$ 30,00). Estacionamento (administrado pela empresa Estapar): R$ 50,00 carros, R$ 180,00 ônibus, R$ 100,00 vans e micro-ônibus, R$ 25,00 motos. Site: www.floresemorangos.com.br

Moraes vê gravidade em conversa entre Ramagem e Bolsonaro e diz: 'Não é mensagem de um delinquente do PCC para outro'

Publicado em: 09/09/2025 10:29

'Não é uma mensagem de um delinquente do PCC para outro', diz Moraes sobre conversa entre Ramagem e Bolsonaro O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou nesta terça-feira (9) uma troca de mensagens, que considera grave, entre o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes fez a observação durante leitura do seu voto no julgamento de Bolsonaro, Ramagem e outros seis réus por tentativa de golpe de Estado. Nesta terça, a Primeira Turma retomou a análise das condutas do chamado núcleo crucial da trama golpista. O ministro leu trechos de mensagens atribuídas a Ramagem, que atualmente é deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro. Em um dos textos, conforme as investigações, o então diretor da Abin afirma: "Por tudo que tenho pesquisado, mantenho total certeza de que houve fraude nas eleições de 2018, com vitória do senhor [Jair Bolsonaro] no 1º turno [...]. Entendo que argumento de anulação de votos não seja uma boa linha de ataque às urnas. [...] A prova da vulnerabilidade já foi feita em 2018, antes das eleições. Resta somente trazê-la novamente e constantemente. [...] Deve-se dar continuidade àqueles argumentos, com devida e constante publicidade [...]. Essas questões que devem ser massificadas. A credibilidade da urna já se esvaiu, assim como a reputação de ministros do STF". Segundo Moraes, o conteúdo dessas conversas foi explorado por Bolsonaro durante live feita em 2021, na qual o ex-presidente fez com ataques às urnas. Para o magistrado, nesse momento a organização criminosa golpista, liderada por Bolsonaro, já iniciava "atos executórios" a fim de se manter no poder. "Isso não é uma mensagem de um delinquente do PCC para outro. Isso é uma mensagem do diretor da Abin para o então presidente da República. A organização criminosa já iniciava os atos executórios para se manter no poder independente de qualquer coisa e para afastar o controle judicial previsto constitucionalmente. E, ainda, com ofensas à lisura e integridade de ministros do Supremo", declarou Moraes. 'Não é conversa de bar', diz ministro O ministro Alexandre de Moraes durante julgamento de Bolsonaro e outros 7 na Primeira Turma do STF Evaristo Sá/AFP Posteriormente, Moraes cita discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro em atos do dia 7 de Setembro de 2021, data em que é comemorada a Independência do Brasil. Em discursos, na avaliação de Moraes, Bolsonaro incitou ataques ao Supremo Tribunal Federal. Ele mencionou fala do ex-presidente sobre não mais cumprir ordens judiciais proferidas pelo ministro da Corte. "Isso não é conversa de bar alguém no clube conversando com um amigo. É um presidente da República, no 7 de Setembro, instigando milhares de pessoas contra o STF, contra o poder judiciário e contra um ministro do STF", concluiu Moraes.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Estuprador em série é preso no DF suspeito de praticar crimes há 40 anos; vítimas tinham entre 10 e 13 anos

Publicado em: 09/09/2025 08:42

James Deon Vale de Oliveira preso por estupro em série Divulgação/PCDF A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um estuprador em série no Riacho Fundo nesta segunda-feira (8). James Deon Vale de Oliveira tem 55 anos e foi preso preventivamente. Ele é acusado de praticar estupros contra crianças com idade entre 10 e 13 anos. Ainda segundo a polícia, os crimes aconteciam há cerca de 40 anos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O criminoso é morador do Riacho Fundo e tinha um modus operandi padrão para se aproximar das vítimas. De maneira passiva e através do assédio, ele se aproveitava da vulnerabilidade dos menores para manter uma aproximação e cometer os abusos. Segundo as investigações, após cometer os crimes, ele usava sua condição de adulto para intimidar as vítimas. Entre as ameaças relatadas, a de matar o menor e seus familiares caso fosse denunciado. De acordo com a polícia, alguns crimes teriam sido cometidos há cerca de 40 anos e, em tese, já teriam prescrevido. Apesar disso, esses casos seguem sendo investigados. Relacionamento com criança de 12 anos A polícia também investiga a suspeita de que o homem mantinha um relacionamento com uma criança de 12 anos. O caso é investigado pela 29ª Delegacia de Polícia do Riacho Fundo. O celular do suspeito também foi apreendido e encaminhado para a perícia sob a suspeita de armazenar material pornográfico. Violência e abuso sexual infantil: saiba como denunciar LEIA TAMBÉM: JULGAMENTO DO GOLPE: governo do DF vê segurança dentro do esperado e deve repetir ações; veja o que pode mudar ACIDENTE: homem morre após ser atropelado por 2 carros na Epia Sul, em Brasília Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Brasil não tem 'soberania monetária' para enfrentar sanções de Trump, alerta especialista

Publicado em: 09/09/2025 07:07

Entenda o que é a Lei Magnitsky Em meio à crise diplomática entre Estados Unidos e Brasil, os bancos brasileiros ficaram no centro de um fogo cruzado. De um lado, instituições como Itaú, Bradesco, Santander, BTG Pactual e Banco do Brasil vivem o dilema de cumprir as sanções do governo de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Por outro, seguir a decisão do ministro Flávio Dino — que diz que a aplicação no Brasil de sentenças judiciais e leis estrangeiras precisam ser validadas por acordos internacionais ou referendadas pela Justiça brasileira. No dia 2 de setembro, o primeiro dia de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF, estes cinco grandes bancos receberam uma carta do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos com questionamentos sobre a aplicação da Lei Magnitsky. O comunicado do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, da sigla em inglês), que pertence ao Tesouro americano, questionou quais ações foram ou estão sendo tomadas pelas instituições para cumprir a sanção aplicada a Moraes. A jurista Camila Villard, especialista em direito econômico e regulação do mercado monetário, avalia que o sistema financeiro do Brasil possui mecanismos robustos para enfrentar as sanções americanas, mas que a dependência do dólar impõe limites à soberania monetária do país. "No caso do Brasil, isso significa depender de recursos em dólar e de captação de moeda internacional para aplicações e relações externas. Assim, nossa soberania monetária se reduz, pois, embora o real seja plenamente exercido no território nacional, fora dele o país está sujeito às amarras do sistema financeiro global", diz a especialista. Villard é professora associada de direito da ESSCA School of Management, na França, e fundadora do Instituto Mulheres na Regulação. Na avaliação da especialista, o desafio de médio e longo prazo é reduzir essa vulnerabilidade. "É urgente que se construa uma política mais robusta, com recursos humanos e financeiros, para desenvolver alternativas. A necessidade desse plano ficou ainda mais evidente no cenário pós-eleição de Trump", questiona. Para ela, o país deu passos importantes, como a implementação do Pix. "Recentemente, o Banco Central Europeu começou a defender o euro digital com o mesmo argumento: a necessidade de assegurar soberania monetária, sem depender de entidades privadas submetidas à lei americana", pontua. "Ou seja, o que a Europa está começando a discutir agora, o Brasil já implementou com o Pix. Essa vanguarda nos garante até mesmo uma blindagem parcial contra eventuais sanções externas que poderiam afetar o sistema interno." Mas, para dar mais passos adiante, ela alerta que é preciso trabalhar em cooperação internacional. "Mas precisamos, no médio e longo prazo, pensar em mecanismos cooperativos que permitam enfrentar crises internacionais de forma menos dependente dos Estados Unidos." Confira a entrevista completa abaixo. Camila Villard, professora associada de direito da ESSCA School of Management, na França, e fundadora do Instituto Mulheres na Regulação. International Studies Association BBC News Brasil - Por que a Lei Magnitsky, uma lei americana, pode ter efeitos práticos e obrigatórios para bancos em outros países? Qual é o mecanismo que garante essa "extraterritorialidade", na prática? Camila Villard - A Magnitsky faz parte de um conjunto de leis criadas pelos Estados Unidos que atribuem sanções a um grupo de países ou a pessoas incluídas na Specially Designated List, ou lista de pessoas designadas. Hoje, essa lei tem mais de 600 nomes nessa lista. Inicialmente, ela foi criada para combater corrupção e violações de direitos humanos internacionalmente. Mas ela não deixa de ser, claro, uma medida unilateral. Nos relatórios de prestação de contas do uso dessa lei pelo Poder Executivo americano, especialmente durante a gestão de Joe Biden, há uma preocupação em, apesar de ser um ato unilateral, mostrar multilateralismo, cooperação com países na definição dos agentes incluídos nessa lista. O que observo, porém, é o uso desse poder pelo governo Trump com uma motivação claramente política por trás, o julgamento do ataque à democracia brasileira. Ainda que com a justificativa discursiva de que a inclusão do ministro Alexandre de Moraes teria relação com violação de direitos humanos e liberdade de expressão de cidadãos americanos. A regra do direito é que as leis se aplicam na jurisdição de cada país. Mas leis sancionatórias americanas, das quais a Magnitsky é uma, atingem entidades que usam o sistema financeiro internacional. Na prática, o mecanismo é puramente financeiro: toda entidade que usa o dólar como moeda internacional e a infraestrutura do mercado financeiro americano para transações internacionais fica sujeita a essa lei. Esse é o caso dos bancos brasileiros. Eles, de fato, precisam obedecer à legislação americana. Ainda que, do ponto de vista jurídico, não haja um processo de internalização dessa norma no Brasil — seja por meio de lei nacional ou por cooperação judiciária —, o que existe é a aplicação de fato, pelo poder monetário que os Estados Unidos exercem internacionalmente. BBC News Brasil - Então, esse poder da Magnitsky tem a ver com a centralidade do dólar e do sistema financeiro americano. Villard - Exatamente. O mecanismo que permite a aplicação extraterritorial de decisões jurídicas americanas é o poder do dólar. Hoje, se olharmos para os bancos brasileiros, eles dependem de correspondentes bancários nos Estados Unidos para transações internacionais ou têm subsidiárias no país. O próprio Bradesco, por exemplo, tem quatro entidades do grupo econômico baseadas nos EUA, entre Nova York e Flórida. Então, a capacidade dessa lei, do ponto de vista jurídico, de alcançar efeitos extraterritoriais se deve exatamente ao poder internacional do dólar. Apesar de ser uma moeda nacional, ela é usada por diferentes agentes econômicos no mundo, e os bancos brasileiros dependem desse fluxo de crédito internacional denominado em dólar, sustentado por entidades submetidas à jurisdição americana. Os bancos correspondentes, situados em território americano, devem obedecer às ordens dos EUA e, nos contratos com os bancos brasileiros, precisam considerar a obediência às normas americanas. Além disso, as próprias subsidiárias dos bancos brasileiros nos EUA devem cumprir a legislação local. Essa é a complexidade do caso que enfrentamos hoje. Manifestantes se reúnem em ato em favor da soberania brasileira e contra a anistia a bolsonaristas Sebastiao Moreira/EPA/Shutterstock via BBC BBC News Brasil - E como o Swift entra nessa equação? Bancos russos já foram sancionados, qual é a chance de o Brasil sofrer um tipo de sanção parecida em relação ao sistema? Villard - O Swift é um sistema de mensagens financeiras. Quando dois bancos, um no Brasil e outro na Europa ou nos Estados Unidos, realizam transações, as informações do envio, como pagamento de importações ou recebimento de exportações, circulam pelo Swift. Essas mensagens identificam o valor, quem envia, quem recebe. Ele é, portanto, apenas um mensageiro. Depois da mensagem, ocorre o fluxo da moeda propriamente dita, que quase sempre passa pelo dólar como moeda intermediária. O Swift é uma entidade sediada na Bélgica, submetida às regras da União Europeia, mas da qual participam centenas de bancos — se não me engano, mais de 200 instituições financeiras. Ele deve obedecer à legislação europeia, mas grande parte dos membros são instituições financeiras norte-americanas ou europeias que têm depósitos em dólar (eurodólares). Assim, mesmo na jurisdição da União Europeia, essas operações também envolvem dólares. A China chegou a trabalhar em um sistema paralelo, mas ele não tem alcance equivalente. O acesso ao Swift é essencial, mas não é o único pilar. Existem outras entidades que sustentam a infraestrutura de pagamentos e transações financeiras internacionais. Uma delas é a Clearing House de Nova York, com o sistema chamado Chips, do qual, inclusive, o Santander é membro. O Chips, submetido à legislação norte-americana, faz clearing (compensação) de diferentes transações internacionais. Hoje, 95% dessas operações têm ao menos uma ponta fora dos Estados Unidos. Não podemos chamá-la apenas de Clearing House americana; é internacional, mas sob jurisdição dos EUA. Essas entidades são fundamentais para o funcionamento do mercado financeiro global. Para os bancos brasileiros, o risco é enorme: não só para pagamentos internacionais de exportações e importações, mas também para operações de crédito e captação de recursos. Fundos captados por meio de emissão de títulos no exterior, por exemplo, passam por essas infraestruturas em Nova York, especialmente pelo Chips. Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino Getty Images via BBC BBC News Brasil - Uma decisão do Flávio Dino colocou os bancos, de certa forma, nesse fogo cruzado. Gostaria que você explicasse: se os bancos obedecem à lei americana, quais são os riscos? E, se desobedecem à decisão do STF, quais são as consequências? Villard - Essa decisão do Flávio Dino, é importante dizer, não se refere a esse caso específico da aplicação da Lei Magnitsky e da inclusão do ministro Alexandre de Moraes na lista. Na verdade, foi usada como um recado institucional para os bancos. Tratava-se de um caso distinto, relacionado à aplicação extraterritorial de decisões internacionais de outras cortes. O relevante é que o ministro Flávio Dino, apesar de discordar do conteúdo daquela decisão específica, se valeu desse processo, que tratava de um tema jurídico correlato, para vocalizar a posição do STF e mandar um recado institucional. A mensagem foi: uma decisão internacional só pode ser integrada ao sistema jurídico brasileiro se seguir os procedimentos definidos pela Constituição. Essa decisão foi, inclusive, encaminhada a bancos e à Febraban. Foi, portanto, um movimento de posicionamento institucional — um recado, digamos, "diplomático" do STF aos bancos. Embora não tivesse vínculo direto com o caso Magnitsky, antecipou o que seria uma eventual decisão da Corte caso os bancos resolvessem aplicar essa norma americana sem o devido processo de internalização. O que isso mostra é o risco legal dentro da jurisdição brasileira: em tese, os bancos não deveriam aplicar a lei americana sem um processo formal de internalização no sistema jurídico nacional — algo que, evidentemente, não ocorrerá. De fato, os bancos estão em uma encruzilhada: precisam obedecer à lei americana para garantir o acesso ao sistema financeiro internacional, mas também enfrentam uma possível futura decisão do STF, que já sinalizou que essa norma não poderia ser usada como motivação jurídica para excluir o ministro Alexandre de Moraes do sistema financeiro nacional. Esse dilema revela a complexidade do problema, que não é apenas jurídico, nem só econômico ou político, mas uma combinação dos três. Não podemos reduzi-lo a uma questão puramente dogmática ou a um embate entre o STF e a elite política da extrema-direita. No curto prazo, o STF — que não é apenas uma corte judiciária, mas também política, pela forma como foi estruturado na Constituição — tende a considerar não apenas os argumentos jurídicos, mas também os impactos sociais e econômicos de suas decisões. Isso já ocorreu em outros momentos: no julgamento dos planos de estabilização econômica, na criação do Fundo Garantidor de Crédito, entre outros casos em que a Corte ponderou o efeito sistêmico sobre a inflação, o sistema financeiro e a estabilidade institucional. Por isso, acredito que, se o STF tiver de se pronunciar sobre a Magnitsky, levará em conta essa contextualização econômica e institucional: o que significaria, de fato, para os bancos brasileiros, considerando a posição periférica do Brasil no sistema financeiro internacional, desobedecer à lei americana. Num segundo passo, pensando em médio e longo prazo, a questão é: qual é a política do Estado brasileiro para construir alternativas? O que o Executivo, o Ministério da Fazenda, o presidente Lula estão desenhando para reduzir a dependência dessa infraestrutura dominada pelo dólar? É preciso começar agora a pensar em alternativas que possam estar maduras em cinco, dez, vinte anos. Como construir um sistema financeiro internacional que não dependa exclusivamente da moeda americana? Esse é um projeto de longo prazo, que deve ser articulado com parceiros da América Latina, do Brics e de outros blocos. A China já vem desenvolvendo esse tipo de infraestrutura há pelo menos 20 anos, ainda que dependente do yuan. O Brasil, no passado, teve experiências embrionárias, como o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) com Argentina e Uruguai, mas são iniciativas incipientes. É urgente que se construa uma política mais robusta, com recursos humanos e financeiros, para desenvolver alternativas. A necessidade desse plano ficou ainda mais evidente no cenário pós-eleição de Trump. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump JIM LO SCALZO/POOL/EPA/Shutterstock via BBC BBC News Brasil - Depois desse recado institucional do ministro Dino, o Ofac enviou um comunicado para cinco grandes bancos brasileiros. O que significa essa notificação, na prática? Qual é a situação hoje dos bancos? Villard - Uma vez que o presidente Trump, por ordem executiva, inclui o ministro Alexandre de Moraes na lista do Ofac, essa entidade, que integra o Tesouro americano, passa a ser responsável por supervisionar o cumprimento da decisão. O Ofac pode enviar cartas pedindo informações: quais medidas de compliance foram adotadas, quais procedimentos os bancos construíram para efetivar a regra. O Ofac tem essa competência institucional de acompanhar a aplicação da norma. Os bancos, por sua vez, precisam criar procedimentos específicos para verificar se existe alguma transação envolvendo a pessoa física ou jurídica incluída na lista, ou mesmo sociedades nas quais essa pessoa detenha mais de 50% das ações. Esta é a complexidade: é preciso ter certeza de que nenhuma transação está sendo feita direta ou indiretamente com o alvo da sanção. Esse é o primeiro passo para a aplicação de uma eventual sanção ou multa, caso o OFAC não esteja satisfeito com as respostas dos bancos. BBC News Brasil - E se o Ofac não estiver satisfeito? Se os bancos disserem que não conseguem aplicar a sanção porque o STF se pronunciou, que medidas mais duras podem ser aplicadas? Pensando que estamos no contexto do julgamento do Bolsonaro. Villard - O primeiro passo pode ser a aplicação de uma multa, geralmente proporcional às transações. Já vimos isso em casos como o da Binance, que acreditava não estar submetida à Magnitsky por ser uma exchange de moeda virtual, mas tinha várias contas de russos incluídos na lista. Foram milhares de contas e a multa aplicada foi milionária. No caso do ministro Alexandre de Moraes, a sanção se concentraria em uma única pessoa, então a multa seria proporcionalmente menor. Tenho ouvido que, para bancos do porte dos brasileiros, uma multa de US$ 1 milhão, por exemplo, não seria significativa. Mas há um ponto distinto nesse momento: o governo Trump tem usado esses mecanismos para fazer pressão política. A aplicação da lei depende do Executivo americano, que presta contas ao Congresso, mas com ampla margem de discricionariedade. Portanto, o risco não está só na multa, mas no contexto geopolítico. O Ofac poderia, em último caso, excluir os bancos do acesso ao sistema financeiro americano — e isso, sim, teria impacto devastador, pois significaria cortar o acesso ao sistema financeiro internacional. Esse é o cuidado que precisamos ter: o contexto hoje é muito diferente das gestões anteriores nos EUA. Vemos um uso político do poder jurídico concedido ao Executivo. Desde a interferência de Trump no Banco Central americano até a aplicação da Magnitsky nesse caso, há um objetivo político, como influir o julgamento conduzido pelo Judiciário brasileiro. Trata-se de um ataque frontal à soberania nacional. BBC News Brasil - O André Esteves, do BTG Pactual, deu uma entrevista dizendo que sanções não são novidade e que os bancos estariam preparados, numa visão mais pragmática. Os bancos realmente têm mecanismos para navegar essa crise sem grandes turbulências ou existe um risco que está sendo subestimado? O que faz esse caso diferente? Villard - O contexto geopolítico é muito especial nesse momento. Ele é bastante distinto das gestões anteriores do Tesouro norte-americano. Isso, para mim, é algo que precisa entrar na avaliação do risco jurídico que a aplicação dessa lei hoje impõe ao sistema financeiro nacional. Isso também demanda dos bancos não só um trabalho do departamento jurídico, de análise de risco e de identificação das possíveis sanções, mas também um trabalho diplomático no âmbito nacional. Há, por exemplo, diálogo com a Corte Suprema brasileira e algumas tentativas de oferecer soluções financeiras para que não haja a desbancarização de um ministro do Supremo. Quais alternativas os bancos podem propor a esses ministros? O primeiro deles é o Alexandre de Moraes. Não podemos esquecer que pode haver uma extensão dessa lista. Então, quais mecanismos financeiros podem ser propostos? Existe uma discussão sobre a criação de contas em cooperativas de crédito que não estejam conectadas ao sistema financeiro nacional. Do ponto de vista pragmático, essa é a solução que temos hoje para atravessar essa encruzilhada sem a capitulação do Poder Judiciário: criar mecanismos que aliviem os efeitos sobre a pessoa física desses ministros. É o que podemos fazer no curto prazo. Não consigo imaginar outra solução que não provoque tanto impacto na economia brasileira. Fora de pauta, na minha visão, deveria estar a exclusão de bancos do sistema financeiro. A aplicação de sanções não é novidade: o uso de diferentes legislações sancionatórias pelo governo americano já mostrou que essas multas podem ser exorbitantes. Isso, em parte, pode ser tratado pelos bancos. Mas o contexto de disputa, inclusive nacional, somado ao recado institucional enviado pelo ministro Flávio Dino, não favorece a economia do país — pelo contrário, impacta negativamente. Talvez aqui uma ação diplomática com instituições brasileiras seja extremamente importante: como construir alternativas sem impactar ainda mais a economia, que já vem sofrendo desde o tarifaço. Movimentos de esquerda fazem protesto contra a anistia SEBASTIAO MOREIRA/EPA/Shutterstock via BBC BBC News Brasil - O governo Lula tem se apoiado no discurso da soberania nacional, que foi a principal pauta do ato de 7 de setembro. Mas você descreveu que o Brasil está na periferia do sistema financeiro internacional. O que significa dizer que o Brasil não tem soberania monetária e que estamos na periferia desse sistema? Villard - O direito internacional público, ao menos desde os anos 1930, com uma decisão da Corte Permanente de Justiça, reconhece que todo país soberano tem soberania monetária. Ela faz parte da soberania nacional: é o poder de um Estado emitir sua própria moeda, definir a unidade monetária, a política monetária e a política cambial. É claro que esse poder pode ser restringido por meio de acordos internacionais. Quando o Brasil adere ao FMI, depois de 1945, ao sistema de Bretton Woods, restringe voluntariamente sua capacidade de gerir a moeda internacionalmente. O mesmo ocorre com Estados europeus que adotaram o euro. Isso mostra que a soberania monetária é, antes de tudo, um poder estatal que pode ser limitado por escolha. O problema é que, desde a intensificação da globalização financeira, mesmo sem abdicar formalmente desse poder, os Estados se veem submetidos a forças econômicas que impõem restrições à soberania. Uma delas é o papel do dólar como moeda internacional. Países que não conseguem emitir uma moeda aceita e usada globalmente, e que dependem da infraestrutura de outros países para realizar transações de comércio ou de crédito, acabam com a soberania monetária restringida involuntariamente — não por escolha, mas por estarem integrados à globalização financeira. No caso do Brasil, isso significa depender de recursos em dólar e de captação de moeda internacional para aplicações e relações externas. Assim, nossa soberania monetária se reduz, pois, embora o real seja plenamente exercido no território nacional, fora dele o país está sujeito às amarras do sistema financeiro global. BBC News Brasil - O tarifaço veio em meio a uma reunião dos Brics, após Trump criticar propostas de criação de moedas alternativas ao dólar para comércio entre países do grupo. Até que ponto é viável enfrentar esse sistema dolarizado? E como tem sido a reação dos Estados Unidos a essas iniciativas do Sul global? Villard - É uma excelente pergunta, porque mostra a conexão entre o debate da lei Magnitsky e várias declarações do Trump contra iniciativas de diferentes países para restringir o uso do dólar e da infraestrutura financeira norte-americana internacionalmente. Os Brics fazem parte desse movimento. A China, por exemplo, com o yuan digital, desenvolveu projetos no âmbito do BIS (Banco de Compensações Internacionais), o banco central dos bancos centrais, com sede na Suíça. Um deles foi o mBridge, liderado por China, Hong Kong, Tailândia e Emirados Árabes. A ideia era permitir transações diretas entre moedas locais, sem passar pelo dólar, usando o blockchain. Em outubro de 2024, o BIS anunciou a saída do projeto, dizendo que estava maduro e que os bancos centrais poderiam levá-lo adiante sozinhos. Nos bastidores, o problema foi que a Rússia passou a chamar seu sistema de pagamentos alternativos de "Brics Bridge", usando o mesmo nome. Isso gerou ruído diplomático. Esse episódio mostra que alternativas estão sendo construídas. Países como China e Rússia investem seriamente em plataformas que permitam contornar o dólar. A novidade é que usam tecnologias originalmente associadas a criptoativos privados, como o blockchain, para criar moedas digitais soberanas. O Brasil, por sua vez, tem o projeto Drex, a versão digital do real. O Pix também ilustra esse debate. Inicialmente não usou blockchain, por decisão técnica do Banco Central, mas é um arranjo de pagamentos baseado numa infraestrutura pública — o SPI, Sistema de Pagamentos Instantâneos. Hoje funciona nacionalmente, mas há projetos internacionais. O BIS, por exemplo, lidera a iniciativa Nexus, que conecta sistemas de pagamentos instantâneos como o UPI da Índia e o Pix brasileiro, permitindo transações internacionais sem passar por redes privadas americanas como Visa e Mastercard. Isso mostra duas coisas: primeiro, que o Banco Central brasileiro está investindo em infraestrutura pública para garantir soberania; e segundo, que o Brasil saiu na frente nesse debate. Tanto que, recentemente, o Banco Central Europeu começou a defender o euro digital com o mesmo argumento: a necessidade de assegurar soberania monetária, sem depender de entidades privadas submetidas à lei americana. Ou seja, o que a Europa está começando a discutir agora, o Brasil já implementou com o Pix. Essa vanguarda nos garante até mesmo uma blindagem parcial contra eventuais sanções externas que poderiam afetar o sistema interno. BBC News Brasil - Para finalizar: em relação ao Banco do Brasil, circularam fake news como que era preciso tirar o dinheiro do banco por causa das sanções. Existe algum efeito real para o dia a dia do brasileiro em relação a crédito, juros, deixar o dinheiro na conta? Villard - O que é muito importante destacar é que o Banco Central do Brasil é reconhecido internacionalmente como uma das autoridades reguladoras com atuação exemplar na supervisão do mercado financeiro. Temos mecanismos de estabilidade extremamente poderosos, como o seguro depósito e o Fundo Garantidor de Crédito, que assegura valores em caso de quebra de instituição financeira. Construímos instituições e mecanismos regulatórios que fortalecem a estabilidade do sistema financeiro nacional. Desde o Plano Real, quando essa arquitetura começou a ser consolidada, o Brasil vem sendo reconhecido internacionalmente como modelo de regulação. Ou seja, temos instrumentos para nos proteger de crises internacionais. Mas a lei Magnitsky revela algo importante: a resiliência interna é fundamental, mas precisamos também de cooperação internacional. Quando os dólares ficam escassos no mercado global, nosso sistema financeiro, que depende de conexões internacionais, também é afetado. Quais mecanismos temos? Durante as crises de 2008 e 2020, o Brasil teve acesso a swaps com o Federal Reserve, o banco central americano. Pouquíssimos países emergentes tiveram essa cooperação direta. O risco que vejo é que, numa próxima crise, esse apoio não se repita, considerando a influência que o governo Trump tenta exercer sobre o Federal Reserve, que supostamente tem autonomia. Do ponto de vista da estabilidade do sistema financeiro nacional, temos instituições e mecanismos jurídicos para lidar com problemas. Não vejo risco imediato. Mas precisamos, no médio e longo prazo, pensar em mecanismos cooperativos que permitam enfrentar crises internacionais de forma menos dependente dos Estados Unidos. Nosso sistema tem mecanismos para lidar com esse tipo de crise. Brasil não tem 'soberania monetária' para enfrentar sanções de Trump, alerta especialista REUTERS/Marx Vasconcelos

Palavras-chave: tecnologiavulnerabilidade

Universitários com hábitos pouco saudáveis têm 3 vezes mais risco de depressão, diz pesquisa da UFSC

Publicado em: 09/09/2025 03:00

Professor Thiago Matias explica resultados preliminares de estudo sobre universitários Metade dos universitários brasileiros apresenta sinais de depressão, e um fator em comum pode estar ligado aos hábitos diários. É o que aponta uma pesquisa inédita feita com mais de 6 mil calouros de 12 universidades do país capitaneada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O estudo revela que hábitos diários, ligados à alimentação, ao sono e à prática de exercícios, podem influenciar de forma decisiva a saúde mental dos jovens. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O responsável pelo estudo em Santa Catarina é o professor Thiago Matias, coordenador do Grupo de Pesquisa em Motivação e Movimento Humano (Motus). A iniciativa para a colaboração partiu do professor Felipe Barreto Schuch, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Estilos de vida são aspectos que envolvam comportamentos de saúde. O quanto se pratica de atividade física, o que se come, como se dorme, como se relaciona, o tempo que se passa em frente às telas. E aí a gente tem observado que essas alterações, positivas ou negativas, podem de alguma forma se relacionar com a saúde mental deles”, diz o professor. A pesquisa faz parte de um levantamento global que acompanha estudantes de 60 instituições em 20 países, o projeto "Unilife-M". No Brasil, a amostra foi composta por 6.371 universitários, com idades entre 16 e 35 anos, que responderam a questionários sobre hábitos de vida e saúde mental. Os dados chamam atenção: 54,4% dos estudantes apresentaram sintomas de depressão; Entre os que têm hábitos menos saudáveis, o risco é três vezes maior; Foram identificados três perfis: 42,3% com estilo de vida positivo, 44% com perfil de risco e 13,7% com hábitos mistos. Entre os fatores analisados estão: alimentação atividade física qualidade do sono uso de substâncias gerenciamento do estresse apoio social comportamento sedentário. Já no questionário sobre sintomas, os estudantes responderam sobre assuntos como: depressão, ansiedade, mania, distúrbios no sono, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), falta de atenção, hiperatividade e risco de suicídio. “O estudante que dorme mal, alimenta-se de forma inadequada e não se exercita tem mais chances de desenvolver sintomas de ansiedade e depressão”, reforça Matias. O professor explica que esses alunos, todos os anos, vão novamente responder a esses formulários, completando o ciclo de formação, o que caracteriza um estudo longitudinal. O grupo de estudos na UFSC também criou um manual para ajudar os estudantes a encontrar uma rede de apoio na universidade. "Esse cenário epidemiológico, com essas prevalências que são muito altas, pode até assustar a população. Justamente os alunos já carregam alguns desses sintomas na entrada da universidade, e a universidade tenta criar formas e faz pesquisa para tentar entender essa situação, e ajudá-los a encontrar locais de apoio", explica o professor. Estudantes correm durante olimpíada estudantil na UFSC em 2023 Leticia Schlemper/Agecom/UFSC Fase vulnerável Para os especialistas, a entrada na universidade é um momento de vulnerabilidade. A psiquiatra Deisy Porto diz que a transição entre a escola e a graduação traz muitos desafios à saúde mental, por envolver escolhas importantes como a profissão e um vestibular concorrido, por exemplo. "Fora todas as mudanças que podem vir, como o afastamento dos amigos e família, novas responsabilidades, cobrança por desempenho e pressão financeira. A adolescência e início da vida adulta são períodos de maior vulnerabilidades para o início de transtornos mentais, como depressão, ansiedade ou até quadros psicóticos, por todos esses fatores ambientais, associados às vulnerabilidades genéticas e individuais", explicou. O consumo de bebidas alcoólicas também pode afetar a saúde mental de estudantes universitários, já que é frequentemente normalizado nessa faixa etária e pode aumentar os riscos de acidentes e episódios de violência. "O consumo de álcool é um fator de risco importante para adoecimento psiquiátrico. Ele pode agravar quadros de ansiedade e depressão, favorecer condutas impulsivas. Além disso, quando usado como forma de lidar com sofrimento emocional, o álcool mascara os sintomas e atrasa a busca por ajuda adequada". Virada de chave Universitária Ingridy Della Betta comenta importância dos exercícios físicos Quem sentiu na pele a diferença que um estilo de vida saudável pode fazer foi a estudante Ingridy Della Betta, de 28 anos. Durante a graduação, no Paraná, ela enfrentou uma rotina exaustiva e deixou os exercícios de lado. A pandemia agravou o quadro: Ingridy desenvolveu ansiedade. Depois que o pior da Covid-19 passou, ela resolveu fazer mudanças na vida. Porém, novamente não conseguiu tempo para os exercícios. "Foi na época em que fui morar sozinha. Tinha que manter uma rotina de dois trabalhos, dois estágios, mais a graduação e, nesse tempo, o que mais pesou foi o fato de eu não conseguir manter uma rotina de treinamentos", contou. A virada aconteceu no mestrado, em Florianópolis, que começou neste ano. Agora, ela separa tempo para os exercícios, seja na academia, caminhadas, pedaladas e trilhas, aproveitando a natureza da capital catarinense. Segundo ela, isso ajudou na saúde mental, junto a outras questões. "Sou bolsista do mestrado e isso facilita, porque ser bolsista proporciona com que eu esteja disponível para a pós-graduação. Mas, ao mesmo tempo, maior tempo para flexibilizar minhas rotinas. Então, consigo me dedicar a ter uma rotina de treino, uma rotina de alimentação mais saudável". "Hoje eu digo que eu estou no meu auge de bem-estar psicológico, feliz com as minhas escolhas e com as consequências de estar aqui onde eu estou, na cidade em que eu estou, com as oportunidades de poder fazer atividade física", resumiu. Estudante Ingridy aproveita atividades ao ar livre em Florianópolis Ingridy Della Betta/Arquivo pessoal Como reduzir os riscos Segundo a psiquiatra, ao longo da graduação, diversos fatores podem impactar a saúde mental dos estudantes. No início do curso, é comum enfrentarem a pressão da adaptação e a insegurança diante do novo ambiente. Já na metade da formação, as exigências acadêmicas se intensificam e surgem dúvidas sobre o futuro profissional. No final, a ansiedade relacionada ao ingresso no mercado de trabalho e à vida adulta independente tende a aumentar. Além disso, muitos concluem a graduação com dívidas de financiamento estudantil, o que representa mais um fator de estresse. De acordo com a especialista, pequenas mudanças podem ajudar: 💤manter uma rotina minimamente organizada de sono, alimentação e estudo 🙌 cultivar vínculos sociais de qualidade 🎲reservar tempo para lazer e atividade física 🧑‍⚕️procurar apoio psicológico quando sentir necessidade "Reconhecer que pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas, sim, de cuidado consigo mesmo. Pode fazer toda a diferença para atravessar esse período com mais saúde", concluiu a doutora. Prevenção Os pesquisadores defendem que políticas públicas voltadas para a promoção de hábitos saudáveis podem ser essenciais para prevenir transtornos mentais entre universitários. “Temos observado que boa parte dos transtornos mentais que esses jovens vão enfrentar acontecem justamente nesse período. A gente quer entender o que acontece e se a exposição a essas alterações do estilo de vida influenciam de alguma forma esses sintomas de transtorno mental” Além do professor Matias, fazem parte da pesquisa, pela UFSC, os acadêmicos Tuane Sarmento, Renato Claudino e Jhonatan Wélington Pereira Gaia. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Palavras-chave: vulnerabilidade

'Efeito tarifaço?' Viracopos registra queda de 18,5% nas exportações para EUA

Publicado em: 08/09/2025 20:03

As exportações pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP) registraram queda de 18,5% em agosto em comparação com o mesmo mês em 2024. Em nota, Viracopos afirmou que o recuo pode estar relacionado ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que passou a valer no dia 6 de agosto e elevou em 50% as tarifas sobre parte dos produtos brasileiros. O levantamento foi divulgado pela Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos e mostra a comparação entre as exportações de cada ano: agosto de 2025: 6.761 toneladas exportadas agosto de 2024: 8,292 toneladas exportadas ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Produtos exportados Viracopos é um dos principais portões de saída de mercadorias brasileiras — especialmente das regiões Sudeste e Sul — para os Estados Unidos. Por ano, cerca de 20 mil toneladas saem de Viracopos com destino ao mercado norte-americano. Entre os produtos exportados estão: calçados; tecidos; peças para as indústrias farmacêutica e automotiva; itens do setor metalmecânico; frutas; peixes. O tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos, em vigor desde 6 de agosto, aumento em 50% as tarifas de quase 36% das mercadorias brasileiras exportadas para o país, incluindo café, carnes e frutas. Leia também: 'Forte vulnerabilidade': tarifaço do Trump pode impactar mais da metade dos produtos exportados pela RMC aos EUA, diz estudo Tarifaço de Trump: como taxação de 50% impacta produção de café na região de Campinas Queda de exportações em Viravopos pode ser efeito do tarifaço EPTV/Reprodução VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Programa Minha Casa, Minha Vida abre cadastro até o fim de setembro em Corumbá

Publicado em: 08/09/2025 18:05

Minha Casa Minha Vida Clóvis Neto/Arquivo PMC Moradores de Corumbá (MS) podem se inscrever para concorrer a imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. O cadastramento e a atualização de dados vão até o dia 30 de setembro, pela Agência Municipal de Habitação e Regularização Fundiária (AMHARC). Ao todo, 181 imóveis serão entregues. As inscrições podem ser feitas através deste link, ou presencialmente na sede da AMHARC, na Rua Frei Mariano, esquina com a Avenida General Rondon, das 7h30 às 13h30. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Podem se inscrever famílias com renda bruta mensal de até R$ 2.850. Também é preciso cumprir os critérios previstos na Lei Federal nº 14.620/2023 e na Portaria do Ministério das Cidades nº 738/2024, como não ter imóvel próprio nem ter sido beneficiado por outro programa habitacional. A seleção será feita pelo sistema HABIX, com apoio da Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul (Agehab-MS). Terão prioridade famílias chefiadas por mulheres, com idosos, crianças, pessoas com deficiência, vítimas de violência doméstica ou que moram em áreas de risco. O edital reserva 50% das unidades para famílias em situação de vulnerabilidade social, como beneficiários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Outros 10% são para pessoas com deficiência e 5% para idosos. A lista final de selecionados e suplentes será publicada pela prefeitura depois da análise dos documentos. Documentos exigidos (do titular e do cônjuge, se houver): RG, CPF e carteira de trabalho (CTPS); Certidão de nascimento (se solteiro) ou de casamento (com averbação, se divorciado ou viúvo); Certidão de nascimento dos filhos menores de 18 anos, se houver; Comprovante de renda (como holerite); Declaração de recebimento do BPC, se for o caso; Comprovante de endereço atualizado; Laudo médico para pessoas com deficiência, câncer, doenças raras ou microcefalia; Contrato ou recibo de aluguel, se houver; Comprovante de participação em programa de aluguel social; Declaração da prefeitura para quem está em situação de rua; Registro de denúncia no Ministério Público para mulheres vítimas de violência doméstica. Quem pode se inscrever: Moradores de Corumbá (MS); Maiores de 18 anos ou emancipados legalmente; Brasileiros natos ou naturalizados; Quem nunca teve imóvel próprio; Quem nunca foi beneficiado por outro programa habitacional ou de regularização fundiária. Tenha em mãos para o cadastro: Comprovante de endereço atualizado com CEP; RG ou certidão de nascimento/casamento de todos os moradores da casa; CPF e Número de Identificação Social (NIS), se tiverem; Comprovante de renda dos moradores, se houver; Laudo médico com CID para pessoas com deficiência na família. Lula assina MP que retoma programa habitacional Minha Casa, Minha Vida Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

Palavras-chave: vulnerabilidade

Dentista é presa por injúria racial contra funcionário de boate em Vitória

Publicado em: 08/09/2025 16:55

Dentista é presa por racismo em boate em Vitória Uma dentista foi presa em flagrante por injúria racial após ofender um funcionário de 42 anos em uma boate, na madrugada deste domingo (7), em Vitória. Segundo a Polícia Militar, Camila Magalhães Bonfim Ribeiro chamou o trabalhador de “negrinho” mesmo na presença dos policiais. Antes disso, a mulher teria ficado agressiva e se recusado a pagar a conta no local. Segundo a defesa da dentista, a Camila sofreu um surto psicótico e ainda teria sido impedida de deixar o estabelecimento. (confira nota abaixo) 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), a confusão começou quando a dentista se recusou a pagar pelas bebidas consumidas e passou a fazer insultos e ameaças dentro da boate, no bairro Praia do Canto. A PM informou que foi acionada porque a mulher estava “bastante alterada e agressiva”. Testemunhas relataram que ela tentou fugir e precisou ser contida pela equipe de segurança. A dentista Camila Magalhães Bonfim Ribeiro foi presa por injúria racial em Vitória, neste domingo (7). Espírito Santo. TV Gazeta Durante a abordagem, Camila disse que havia sido agredida, mas testemunhas afirmaram que os ferimentos foram provocados por ela mesma, em razão do estado de embriaguez. A dentista foi levada ao Hospital de Urgência e Emergência de Vitória (HEUE) onde foram constatados arranhões no joelho e um corte na cabeça. Após receber atendimento, foi encaminhada para a 1ª Delegacia Regional de Vitória. De acordo com a Polícia Civil, na delegacia, a mulher foi autuada em flagrante por injúria racial e conduzida ao sistema prisional. Delegacia Regional de Vitória Carlos Alberto Silva/ Rede Gazeta Defesa A advogada Angélica Damasceno Romeiro, que faz a defesa da dentista, informou que a cliente é uma mulher em situação de fragilidade e que teria sido vítima de agressão física na casa noturna. “Em meio à violência sofrida, [Camila] apresentou sinais de um possível surto psicótico, o que reforça sua vulnerabilidade naquele momento. Diante desse cenário, foi ela própria quem acionou a Polícia Militar, buscando proteção e amparo das autoridades. Reiteramos que Camila afirma que em nenhum momento buscou proferir ofensas de cunho racial, manifestando, inclusive, seu repúdio a toda e qualquer prática discriminatória. Ressaltamos que a tentativa de inverter a condição de vítima para transformá-la em agressora não condiz com a realidade dos fatos”. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Palavras-chave: vulnerabilidade

Abertas inscrições para o Programa Minha Casa Minha Vida em Petrolina

Publicado em: 08/09/2025 08:44

Minha Casa Minha Vida em Petrolina Divulgação/Ascom PMP A Prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, iniciou as inscrições para o Programa Minha Casa Minha Vida, destinado a famílias em situação de vulnerabilidade social. Nesta primeira seleção, serão oferecidas 200 unidades habitacionais no Residencial Dom Avelar I. As inscrições são gratuitas e estarão abertas até o dia 26 de setembro. Os interessados devem obrigatoriamente se inscrever no Cadastro Municipal de Habitação de Interesse Social, acessando o site de cadastro do programa (clique aqui). Para participar, é necessário atender a alguns requisitos estabelecidos pelo Governo Federal, como estar inscrito no Cadastro Municipal de Habitação de Interesse Social; ter cadastro ativo e atualizado no Cadastro Único até o término do prazo das inscrições; residir em Petrolina há, no mínimo, dois anos, ser maior de 18 anos ou emancipado; ter renda bruta mensal familiar de até R$ 2.850,00, e ser o responsável pela unidade familiar, conforme o CadÚnico. O processo de inscrição é totalmente gratuito e a gestão municipal destaca que qualquer cobrança para intermediar cadastros é ilegal. Para evitar golpes, os interessados devem realizar a inscrição apenas pelos canais oficiais e acompanhar os comunicados divulgados pela gestão municipal. Vídeos: mais assistidos do Sertão de PE

Palavras-chave: vulnerabilidade

Mais de 3 mil mulheres vítimas de violência doméstica buscaram ajuda em Rio Preto entre janeiro e agosto de 2025

Publicado em: 08/09/2025 07:18

Mulheres vítimas de violência doméstica compartilham vivências no noroeste de SP Em São José do Rio Preto (SP), mais de 3 mil mulheres vítimas de violência doméstica procuraram a Secretaria da Mulher nos primeiros oito meses de 2025. O número preocupa e reforça a necessidade de políticas públicas de acolhimento e proteção. O número foi divulgado durante um encontro que reuniu mulheres em situação de vulnerabilidade, além de vítimas que transformaram a dor em luta. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Histórias como a de Eva, que aos 21 anos sofreu uma agressão do ex-marido alcoolizado que resultou em um AVC e a deixou com sequelas permanentes, marcaram o evento, que ocorreu em 22 de agosto. Já Ana Léia da Silva Costa, promotora de sustentabilidade, relatou ter vivido dois relacionamentos abusivos, sendo mantida em cárcere privado no segundo. Ela conseguiu denunciar e o agressor foi preso. “Hoje eu faço de tudo para ser, além da minha própria maior superação, alguém que ajude outras mulheres a encontrarem dentro de si a força para superar”, disse Ana. Ana passou por dois relacionamentos abusivos; em um deles ela viveu em cárcere privado. Reprodução/TV TEM A presidente do Conselho de Direitos das Mulheres de Rio Preto, Patrícia Lopes de Sousa, também destacou a importância de manter o debate vivo. “Eu acho importante debater e a gente tem que repetir todos os dias sobre a questão da violência doméstica, porque ainda é um assunto que muitas mulheres não se identificam no momento em que estão vivendo esse relacionamento abusivo”, afirma. Segundo a Vara da Violência Doméstica de Rio Preto, de janeiro a agosto deste ano, foram expedidas 1.777 medidas protetivas, aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2024. Para a secretária da Mulher, Rosicler Quartieri, o fortalecimento da rede de apoio é essencial. O "Agosto Lilás" é uma campanha anual de conscientização e combate à violência contra a mulher no Brasil, criada em alusão à Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006. Reprodução/TV TEM “Nós fazemos o acolhimento dessa mulher e depois o atendimento. Caso ela não tenha rede de apoio, oferecemos casa-abrigo, auxílio aluguel e uma rede de proteção muito importante”, explica. Na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araçatuba (SP), o número de ocorrências de violência doméstica registradas entre 1º de janeiro e 25 de agosto de 2025 chegou a 956, com 609 medidas protetivas expedidas. No mesmo período do ano passado, foram 893 registros e 593 protetivas. Ao longo de todo o ano de 2024, a cidade contabilizou 1.395 casos. Segundo a DDM, não existe um perfil único de vítima, já que a violência doméstica atinge mulheres de diferentes idades, níveis de escolaridade e condições sociais. Ainda assim, a maior parte das que procuram atendimento especializado está em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Segundo a DDM de Araçatuba, não existe um perfil único de vítima, já que a violência doméstica atinge diversas mulheres. G1 Neste ano, a DDM de Araçatuba passou a funcionar 24 horas, ampliando as possibilidades de acolhimento. Além disso, a cidade conta com a Casa da Mulher Paulista, que oferece suporte para que vítimas consigam romper o ciclo de agressão e recuperar a autonomia pessoal e financeira. Outros casos na região Os números de violência doméstica em Rio Preto refletem uma realidade mais ampla. Nos últimos dias, o g1 noticiou diversos casos graves registrados na região, mostrando diferentes formas de agressão e os riscos que mulheres continuam enfrentando no dia a dia. Em General Salgado (SP), uma jovem grávida de 18 anos foi agredida com socos, chutes e puxões de cabelo por um homem na rua, na madrugada de 23 de agosto. A violência começou após a vítima reclamar de um motorista que passou próximo a ela e seus amigos. A agressão foi registrada por câmera de segurança. Assista ao vídeo abaixo. Grávida é agredida com socos, chutes e puxões de cabelo por homem no meio da rua Já em Olímpia (SP), uma mulher de 24 anos foi baleada pelo ex-marido na frente do filho, de um ano, na madrugada do dia 17 de agosto. O suspeito, que já tinha medidas protetivas contra ele, fugiu levando a criança. A vítima foi socorrida pelo Samu e encaminhada ao pronto-socorro. O homem se entregou à polícia dois dias depois. Em Araçatuba, um policial civil matou a esposa, de 38 anos, e em seguida cometeu suicídio. O crime ocorreu no Residencial Vila Madalena. O enteado relatou que o casal havia discutido e que o homem possuía diversas armas, incluindo armamento da corporação. Em Jales (SP), um homem de 52 anos foi preso suspeito de agredir a mulher, de 47 anos, e arrastá-la pelos cabelos em um posto de combustíveis. As agressões foram registradas por testemunhas, e o homem acabou solto após audiência de custódia, com a Justiça considerando as medidas protetivas suficientes para o caso. Assista ao vídeo abaixo. Homem é preso após ser filmado agredindo e arrastando namorada pelos cabelos em Jales Veja mais notícias da região em g1 Rio Preto e Araçatuba. VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Palavras-chave: vulnerabilidade

Após perder o filho de 5 anos, mãe transforma luto em solidariedade e funda instituto em Juiz de Fora

Publicado em: 07/09/2025 16:22

Carlos Miguel Rabelo Santos tinha 5 anos quando faleceu Arquivo Pessoal Perder um filho é uma dor imensurável e inexplicável, mas Shirlei da Silva Rabelo transformou essa perda em missão. Carlos Miguel Rabelo Santos morreu em dezembro de 2024, aos cinco anos, por causa de uma pneumonia bacteriana grave. A perda inspirou a criação do Instituto Carlos Miguel, que acolhe mães e apoia crianças em situação de vulnerabilidade em Juiz de Fora. “Ele era muito esperto, cheio de vida, e cada passo que ele dava era uma vitória pra gente”, disse Shirlei, que é técnica de enfermagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Em novembro de 2024, uma crise de asma agravou o quadro de saúde da criança. Uma bactéria resistente evoluiu rapidamente e comprometeu os pulmões. Carlos Miguel ficou 15 dias internado no Hospital João Penido, mas não resistiu e morreu no dia 5 de dezembro. Promessa a Deus que faria algo com a dor Carlos Miguel Rabelo Santos com a família Arquivo Pessoal No momento mais difícil, a mãe conta que se agarrou à fé e prometeu transformar a dor em algo maior. Pelas redes sociais, Shirlei compartilhou o luto, recebeu o apoio da comunidade e começou a planejar as ações sociais. Na primeira campanha arrecadou 200 caixas de bombom para doar a crianças em situação de vulnerabilidade. “Foi um gesto pequeno, mas cheio de significado. A gente queria espalhar amor do jeitinho que o Miguel espalhava”, contou. Shirlei da Silva Rabelo, mãe de Carlos Miguel Rabelo Santos, criou o Instituto em homenagem ao filho Arquivo Pessoal Hoje, o Instituto arrecada alimentos, brinquedos e roupas, e promove eventos para crianças em situação de vulnerabilidade. Mesmo com o luto, Shirlei afirma que se apega à missão que nasceu do amor por Carlos Miguel. “É como se eu ainda estivesse cuidando do meu filho aqui. Ele era iluminado. E apesar da dor, sempre existe o dia de amanhã", concluiu emocionada. Segundo a mãe, foi no colégio que começaram as investigações para o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Lá, ele recebeu apoio e começou a se desenvolver. Uma das ações do Instituto Carlos Miguel em Juiz de Fora Arquivo Pessoal Shirlei sonha em criar um espaço físico: um centro de acolhimento com alimentação, cursos e apoio psicológico para mães que perderam os filhos. O Instituto se mantém com doações e com o esforço da própria mãe, que muitas vezes busca os donativos com o próprio carro. LEIA TAMBÉM: 'Da dor surgiu o amparo': mãe transforma luto pelo filho em instituição que já ajudou mais de 4 mil crianças com câncer em MG 🔎 Quem quiser ajudar com o projeto é só entrar em contato através do telefone (32) 99133-9478. Shirlei com os filhos, enteado e o marido Arquivo Pessoal O que é a pneumonia bacteriana? Doença inflamatória aguda que afeta os pulmões, a pneumonia pode ser causada por micro-organismos (vírus, bactérias ou fungos) ou mesmo pela inalação de substâncias que comprometam as estruturas pulmonares. No caso da pneumonia bacteriana, os principais agentes causadores são as bactérias Streptococcus pneumoniae (conhecida como pneumococo), Mycoplasma pneumoniae e Haemophilus influenzae. O diagnóstico é feito com o auxílio de um raio-x. Pneumonia pode ser identificada através de um raio-x VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

No Recife, Grito dos Excluídos protesta em defesa da soberania nacional e do meio ambiente e contra anistia para golpistas

Publicado em: 07/09/2025 13:08

Grito dos Excluídos pede prisão de Bolsonaro e soberania brasileira A 31ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu manifestantes, neste domingo (7), no Centro do Recife, num ato em defesa da soberania nacional, do meio ambiente, da democracia e contra a anistia para reivindicada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, bem como para golpistas que participaram dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Na tradicional manifestação que acontece simultaneamente ao desfile cívico-militar, realizado na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, na Zona Sul do Recife, os participantes se concentraram no Parque Treze de Maio, no bairro da Boa Vista, e seguiram em caminhada pela Avenida Conde da Boa Vista até a Avenida Guararapes, no bairro de Santo Antônio (veja vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O Grito dos Excluídos acontece anualmente no Dia da Independência do Brasil e foi criado em 1995 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em articulação com movimentos sociais e pastorais. Neste ano, o ato teve como lema “A Vida em Primeiro Lugar” e o tema “Cuidar da casa comum e da democracia é luta de todo dia”. O mote destaca a urgência de enfrentar a crise climática, proteger o meio ambiente, reafirmar a democracia e garantir a soberania nacional. Grito dos Excluídos de 2025, em imagem aérea sobre a Ponte Duarte Coelho, no Recife Reprodução/TV Globo Durante a mobilização, os participantes também pediram o Plebiscito Popular 2025, que defende a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6x1, além de justiça tributária, com isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e aumento da alíquota para os super-ricos. “O lema desse ano é cuidar da democracia, é uma luta de todo dia pela soberania do nosso país, por tudo que está acontecendo no nosso país. Eu estou aqui há 31 anos por uma mudança de olhar para nós, minorias, que, na verdade, somos maioria. Estamos aqui pelo plebiscito, pela taxação das grandes fortunas, pelo fim da escala 6x1”, disse Marcionita Batista, uma das coordenadoras do ato. Manifestantes carregaram cartazes contra a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, assim como bandeiras em defesa da Palestina e pela valorização dos trabalhadores. Arary Nobre, Gleice e Artur no Grito dos Excluídos no Recife Iris Costa/g1 A manifestante Arary Nobre, ativista do Movimento Abrace a Comunidade, foi à manifestação acompanhada da esposa, Gleice Ribeiro, e do filho Artur. “Os excluídos são aqueles que vivem em estado de vulnerabilidade. São as pessoas em situação de rua, idosos, mulheres, pessoas LGBTQIA+, é meu filho, fruto de uma relação homoafetiva. A luta da gente é por um país igualitário. Eu me conecto com todas as pautas que estão sendo levantadas aqui hoje indo nas comunidades, vendo a realidade, sentindo na pele a vulnerabilidade das pessoas”, apontou Arary. Pajé Juruna, do Povo Karaxuna Wanassu, no Grito dos Excluídos no Recife Iris Costa/g1 O pajé Juruna, do Povo Karaxuna Wanassu, também participou do ato, e criticou a aprovação da nova Lei Geral de Licenciamento Ambiental, conhecida por ambientalistas como "PL da Devastação". A nova lei muda completamente o processo de obtenção de licenças ambientais no Brasil e seus defensores dizem que ela deve desburocratizar e acelerar obras consideradas estratégicas. “Todo ano a gente está aqui, mostrando a nossa realidade, tanto na cidade quanto nos campos e florestas. Ainda há muito racismo estrutural, intolerância religiosa, aqui nós temos um espaço para combater isso. Nós lutamos pela cura da terra. Querem mudar a lei que protege a natureza. Se isso acontecer, vai se repetir o que aconteceu em Brumadinho e Belo Monte”, afirmou o pajé. Para Vanildo Bandeira, advogado, professor e coordenador nacional da Articulação Brasileira de Gays, a manifestação também é uma forma de demonstrar apoio ao presidente Lula (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Lula faz o que muitos prometeram e não fizeram. Agora, mais do que nunca, é importante que estejamos do lado dele, fortalecendo o STF, as lutas do pobre, do operário, porque nos elegemos um congresso que está trabalhando de costas para o país, entregando a soberania nacional aos Estados Unidos”. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: vulnerabilidade

Incra seleciona famílias para receber lotes em assentamento de Palmas; veja como participar

Publicado em: 07/09/2025 08:21

Incra no Tocantins Reprodução/TV Anhanguera O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) lançou um edital para selecionar famílias interessadas em receber lotes no Projeto de Assentamento Sítio, em Palmas. São 40 vagas disponíveis e as inscrições começam na segunda-feira (8). As famílias serão beneficiárias no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Conforme o edital, os interessados em concorrer aos lotes podem se inscrever gratuitamente de duas formas: pelo site do Incra ou presencialmente, no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Taquaruçu, distrito de Palmas, até o dia 22 de setembro. Quem optar por fazer a inscrição pela internet, deve acessara Plataforma de Governança Territorial (PGT), efetuar login com a conta gov.br, preencher o formulário de inscrição online e anexar os documentos exigidos no edital. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Presencialmente, o candidato deve ir até a unidade do CRAS de Taquaruçu de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, também munido com a documentação. Para ser beneficiária do programa, podem participar pessoas que possuem inscrição ativa no Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal. Clique aqui para conferir o edital e a documentação exigida. Clique aqui para se inscrever. Entre as determinações para ter preferência aos lotes estão pessoas desapropriadas, que trabalham no imóvel desapropriado, trabalhadores rurais em situação de vulnerabilidade, que tenha sido vítima de trabalho análogo à escravidão, entre outras condições. LEIA TAMBÉM: Ex-marido da primeira-dama agia como lobista e tinha 'proximidade' com governador afastado, diz PF Suspeito de assalto é preso duas vezes no mesmo dia após conseguir fugir de viatura, diz polícia A classificação vai levar em consideração: Famílias numerosas, que entra no critério de tamanho da família e força de trabalho (TFF); Tempo de residência da família em Palmas; Unidade familiar chefiada por mulher; Unidade familiar ou indivíduo integrante de acampamento cadastrado pelo Incra e situado no município; Unidade familiar que contenha filho com idade entre dezoito e vinte e nove anos, cujo pai ou mãe seja assentado residente na mesma área do projeto de assentamento para o qual se destina a seleção; Unidade familiar de trabalhador rural que resida no imóvel destinado ao projeto de assentamento; Tempo comprovado de exercício de atividades agrárias pela unidade familiar; Renda mensal familiar, graduada nos termos declarados no Cadastro Único; Unidade familiar cujos integrantes tenham participado de capacitações ou tenham experiência comprovada na área de preservação e conservação do meio ambiente ou práticas agrícolas sustentáveis; Unidade familiar chefiada por jovens entre dezoito e vinte e nove anos de idade, filhos de famílias acampadas ou assentadas. Os critérios vão gerar pontuações para as famílias conseguirem ser beneficiadas no programa. Após a análise dos documentos, a Comissão Regional divulgará um edital, na Plataforma de Governança Territorial e na sede da unidade responsável pela seleção, com a lista de Inscrições deferidas e indeferidas. Haverá também prazo para recursos, mas as datas não foram informadas no edital de seleção. VEJA TAMBÉM: Mais de 44 mil famílias de baixa renda aguardam por moradia no Tocantins Mais de 44 mil famílias de baixa renda aguardam por moradia no Tocantins Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Palavras-chave: vulnerabilidade

EXCLUSIVO: Reservatórios estão há 10 anos em seca; estiagem expõe ponto cego e encarece a conta de luz

Publicado em: 07/09/2025 07:17

Conta de luz mais cara? Entenda como a mudança do clima afeta o seu bolso Nos últimos 10 anos, as principais bacias do país passaram mais tempo secas do que cheias. ➡️ E isso escancara uma vulnerabilidade no nosso sistema elétrico: o modelo que faz a previsão dos reservatórios não é atualizado há décadas e por causa disso não leva em consideração as mudanças climáticas. A falta de previsibilidade dos recursos é um fator que pode agravar a crise de energia, de acordo com especialistas. ➡️ O cenário de estiagem prolongada se repete em diferentes regiões, mas a análise do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden) obtidos pelo g1 com exclusividade mostra que nas bacias hidrográficas mais estratégicas do país — como Paraná, São Francisco e Tocantins — a última década foi marcada por uma sequência de secas cada vez mais severas. Essas bacias atendem as principais hidrelétricas nacionais como Furnas, Sobradinho, Porto Primavera, Itaipu, Rosana, Tucuruí, Serra da Mesa e Três Marias. Série histórica mostra que bacias que atendem reservatórios passaram mais tempo secos que cheios Arte/g1 Quem estima a capacidade de geração das hidrelétricas, responsáveis por cerca de 60% da energia no Brasil, é o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Seu sistema olha para o passado para entender o que vai acontecer no futuro. E isso funcionava até dez anos atrás. No entanto, agora, as projeções acabam não identificando o problema. 🔴 Isso porque o ONS ainda baseia suas previsões em parâmetros de probabilidade que são estimados a partir de séries históricas e desconsidera a previsão dos efeitos do aquecimento global e das alterações no regime de chuvas. ➡️ Em resumo: para estimar o quanto de água vai desaguar nos reservatórios, eles usam as estatísticas como a média e o desvio padrão. Para saber esse número, o sistema usa o que foi observado ao longo de 90 anos. Como a tendência de seca começou a cerca de dez anos, esse índice acaba sendo encoberto pela situação de normalidade dos outros 80 anos. Com isso, não reflete a realidade. ➡️ O próprio órgão reconhece a limitação: “Os dados históricos das vazões necessitam de atualizações para, de fato, contemplarem as mudanças climáticas e eventos extremos”. Apesar disso, diz que as mudanças climáticas são um fator de atenção para a órgão. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), empresa federal que faz os estudos para subsidiar o ONS, diz que tem desenvolvido documentos técnicos que buscam contribuir com esse debate, mas não informou se há alguma previsão para ajustes no sistema usado hoje. (Leia as notas na íntegra) Segundo especialistas, esse descompasso gera incertezas sobre o fornecimento futuro e pesa no bolso do consumidor. 🔴 Desde agosto, a conta de luz está mais cara, justamente pelo baixo nível dos reservatórios. A Aneel acionou a bandeira vermelha patamar 2, a mais cara possível. Abaixo, entenda: Como os números mostram a mudança no padrão de chuva O g1 teve acesso aos gráficos de todos as bacias do país desde os anos 1980 e selecionou as que atendem os principais reservatórios do país. ➡️ Os dados nacionais mostram que de Norte a Sul, os gráficos mostram um padrão semelhante na maioria dos reservatórios: uma mudança no ciclo a partir de 2014, com uma seca persistente. Antes disso, havia uma oscilação entre períodos de cheia e seca. Um exemplo é a bacia que atende o reservatório de Serra da Mesa, em Goiás, o maior do Brasil em volume de água, com capacidade de 54,4 bilhões de m³. A análise mostra que: Até 2013: seguia-se o padrão de alternância entre estiagens e cheias. O maior período de seca até então havia sido de 1998 a 2000 — uma estiagem de dois anos, intensa, mas sem atingir níveis extremos. Depois de 2013: inicia-se uma sequência de seca que se estende até 2020 — sete anos seguidos. Nesse período, a intensidade da estiagem superou todas as marcas anteriores. Desde então, foram registrados curtos intervalos de cheia, que não duraram sequer um ano. (Veja abaixo) Dados de bacias que atendem os reservatórios da usina de Serra da Mesa Arte/g1 Outro exemplo é a bacia que alimenta o reservatório de Furnas, essencial para o abastecimento das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Até 2015: o reservatório seguia um ciclo de alternância entre cheias e secas, o que fazia com que os períodos de baixa não durassem tanto tempo. Até esse ano, a maior estiagem registrada tinha sido entre 2001 e 2004, mas sem atingir níveis considerados extremos. Depois de 2015: a bacia enfrenta a seca que atinge a região Sudeste e afeta Furnas. O período seco se prolongou por sete anos consecutivos. Em seguida, houve uma breve trégua, com um evento isolado com chuvas acima da média, mas que não se repete mais. Assim, a bacia que atende o reservatório continua passando muito mais tempo sob estiagens intensas do que sob cheias. (Veja abaixo) Dados da bacia que atende a hidrelétrica de Furnas Arte/g1 Na bacia que atende o reservatório Três Marias, o padrão é semelhante: Antes de 2015: havia alternância entre períodos de cheia e estiagem, com variações regulares ao longo dos anos. Depois de 2015: a bacia é afetada pela grande seca que atinge a região sudeste. Com isso, há o início de uma estiagem prolongada, que se intensifica e atinge patamares inéditos na região. Há um evento extremo de chuva que aumenta os índices na bacia, mas ele volta a uma estiagem prolongada. (Veja abaixo) Dados da bacia que alimenta a hidrelétrica de Três Marias Arte/g1 Esses são apenas alguns exemplos de um padrão que se repete na maioria das bacias pelo país. A doutora em hidrologia e pesquisadora do Cemaden, Adriana Cuartas, que também faz o monitoramento de bacias, explica que há alguns anos os pesquisadores perceberam que, depois da crise de 2015, as bacias não voltaram a um ciclo normal. ➡️ Naquele ano, houve uma seca intensa. Cidades passaram por racionamento, reservatórios e rios pelo país ficaram esvaziados. Milhões de pessoas foram afetadas. “Desde então, o padrão que temos é de seca e secas cada vez mais extremas. Quando temos um breve período de normalidade, em poucos meses o reservatório volta a um ponto crítico porque não há chuva suficiente para repor a água que estamos usando”, explica Cuartas. Para Adriana, o país não vem vivendo crises que são pontuais, mas um novo normal do clima, reflexo do aquecimento global e ao desmatamento, que muda o padrão de chuvas. “É urgente olharmos esse problema e pensarmos em adaptação e mitigação. Os dados nos dão sinais de que não é mais um período de crise, esse é um novo normal no país. O ONS tem uma previsão de aumento na demanda de energia e seguramente não temos chuva o suficiente para repor as bacias e atender o país”, explica. Onde está o ponto cego no país? A mudança nos padrões de chuva já vem acendendo um alerta no setor elétrico: A conta está ficando mais caras há meses consecutivos; Há um alerta de baixa nas bacias E uma previsão de que a demanda suba em até 14% nos próximos cinco anos. Nesse ano, o ONS chegou a recomendar, entre outras medidas, a retomada do horário de verão para reduzir o consumo em determinados horários e aliviar o sistema. Ainda não há uma definição sobre isso. ➡️ Esse não é um cenário exclusivo deste ano, mas vem se repetindo nos últimos dez. A pergunta que o g1 fez ao ex-diretor do ONS Luiz Barata e o ex-diretor da Aneel Jerson Kelman é: estamos na iminência de uma crise? Eles explicam que há um risco no futuro, que é incerto e o maior problema está na forma como nos preparamos. Segundo eles, há um ponto cego no sistema. ➡️ Atualmente, o ONS utiliza um modelo de previsão para estimar a situação dos reservatórios nos próximos cinco anos. Como esse sistema funciona: A ferramenta se baseia em dados desde 1930; Os dados são atualizados, mas ao tentar prever o futuro, ele usa estatísticas que levam em conta o que aconteceu nos últimos 95 anos; Os dados mais antigos, correspondentes aos períodos mais úmidos, acabam prevalecendo nas estimativas das estatísticas sobre os dados mais recentes, que são dos períodos mais secos. Em resumo: o modelo matemático acaba sendo otimista porque a análise dos dados do passado superestima o volume de água que os reservatórios terão no futuro. Isso faz com que o sistema aponte que vamos ter uma quantidade de água que, na prática, não chega. ➡️ Além de só olhar para o passado, ele também não leva em conta o panorama desenvolvido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), referência mundial no assunto, que ajuda a pensar cenários futuros. “Os modelos utilizados pelo Operador, no horizonte de 9 meses e de até cinco anos – Plano da Operação Energética (PEN) e Programa Mensal da Operação (PMO) – consideram dados históricos das vazões e necessitam de atualizações para, de fato, contemplarem as mudanças climáticas e eventos extremos”, admite o ONS. Luiz Barata, que comandou o ONS entre 2016 e 2020, explica que tentou modernizar os modelos para incluir projeções mais alinhadas ao cenário climático atual, mas não teve sucesso. “Insistimos com o centro de pesquisas sobre a necessidade de rever a cadeia de modelos utilizada nos estudos do operador, mas eu fracassei nessa tentativa de modernizar e eles são os mesmos até hoje”, diz Barata, que hoje preside a Frente Nacional dos Consumidores de Energia. O g1 também conversou com Jerson Kelman, referência no setor elétrico, já foi diretor-geral da Aneel, presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) e pesquisador do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), responsável por desenvolver os estudos técnicos que sustentam o trabalho do ONS. Segundo Kelman, desde que atuou no Cepel, nos anos 70 e 80, os modelos usados para projeções no setor elétrico quase não mudaram. "Agora, é mais do que claro que precisa ser feita uma atualização. A mudança climática existe. Os eventos extremos estão cada vez mais frequentes e intensos", explica. E por que isso não foi feito? O g1 questionou os dois especialistas que já estiveram à frente do órgão e podiam liderar o movimento de mudança. As justificativas foram: Para Kelman, o problema é que ainda havia dúvidas sobre o real impacto das mudanças climáticas, apesar dos alertas do IPCC existirem desde os anos 1990. "A mudança climática há 10 anos não era uma hipótese amplamente aceita. Agora, dez anos depois, pouca gente acha que não tem mudança climática", diz o ex-diretor. Já Barata aponta que o problema foi a resistência à mudança, ao relembrar o período em que esteve à frente do ONS. "Durante todo o tempo que estive no ONS, de 2016 a 2020, preciso dizer que a organização resiste em mudar. É uma resistência por entender que há anos é feito assim e funcionou. Por que mudar? Isso exige muito processo. Agora é urgente", diz. O g1 questionou o ONS que explica que suas projeções são de curto prazo e, por isso, não olham as mudanças climáticas, mas que reconhece que elas são um fator de atenção. (Leia a nota na íntegra abaixo) Qual o risco para a segurança energética no país? Hoje, a água é muito importante para a produção de energia no país. Cerca de 60% de toda a nossa energia vem de hidrelétricas. Por isso, os reservatórios precisam ser preservados. Assim, quando se identifica que a chuva vai ser pouca e os níveis vão descer, o ONS precisa acionar outras fontes, como as termelétricas. Isso é feito para equalizar o sistema. ➡️ No entanto, se modelo for otimista, no sentido de prever mais chuva do que efetivamente o país vai ter, acaba usando muita água do estoque armazenado nos reservatórios no presente. Isso pode gerar racionamentos e encarece o custo da energia no futuro. Barata explica que, da forma como o sistema funciona hoje, as ações acabam sendo tomadas apenas “muito perto do problema” e que “as medidas corretivas tornam a energia mais cara”. O especialista afirma que o país tem reserva de energia para atender à demanda, mas, no longo prazo, sem considerar as mudanças climáticas, isso pode afetar o sistema e elevar ainda mais o custo da energia para o consumidor. "Se a gente continuar usando o mesmo sistema, com o avanço das mudanças climáticas como estamos vendo, talvez a solução que temos hoje, como ativar termelétricas, já não vá mais ser o suficiente. Há um risco futuro. Além da energia ficar ainda mais cara", explica. Kelman diz que no longo prazo, isso pode acarretar problemas graves para o setor de energia. "Precisamos priorizar isso, sob pena de cometer erros graves. Esses modelos não servem apenas para determinar quanto cada usina produz para atender à demanda, mas também produzem o preço da energia. Uma falha afeta relações comerciais entre agentes do setor elétrico e consumidores da ordem de bilhões de reais”, explica. Clauber Leite, diretor de bioeconomia e energia renovável do instituo E +, que atua com transição energética, explica que o país vive há anos na eminência de uma crise pela forma como o sistema funciona e que isso é um risco. "A gente vive na eminência de termos uma crise desde 2014. Precisamos mudar a forma como operamos o sistema para ter segurança. Isso pode impactar ainda mais o custo, a vazão, a disponibilidade de água. Isso pode desequilibrar o sistema", explica. Ele reforça que esse o cenário recente, com secas e acionamento de bandeiras, deve servir para a operação como um alerta para a mudança. Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP, explica que isso é um risco para a segurança energética do país no longo prazo. "O reservatório é a segurança de energia. Ele precisa ser preservado e, se o sistema não sabe que a água vai acabar mais rápido que o esperado, ele age tarde. Isso é um risco. Precisamos urgente revisar como isso é feito sob risco de ficarmos vulneráveis no futuro". O Brasil vive um novo normal? Para Adriana Cuartas, que acompanha a hidrologia no país há décadas, e Carlos Nobre, uma das maiores autoridades em mudanças climáticas, o Brasil já enfrenta um novo normal climático — resultado direto das ações humanas. Os dois especialistas destacam o impacto do desmatamento histórico, ainda significativo mesmo com as reduções recentes. “A perda de toda a vegetação que tivemos ao longo da nossa história mudou a umidade do país e, consequentemente, os ciclos das chuvas. Temos a junção do nosso panorama regional, que é o desmatamento, com a exposição ao aquecimento global. O Brasil vive um novo normal”, explica Cuartas. “Não dá mais para crer que isso é uma crise que vai passar, já vivemos os impactos de um país mais quente e mais seco que o normal”, reforça. Carlos Nobre, reforça que essa não é uma crise momentânea, mas um retrato do novo normal do clima com as mudanças climáticas. "O país está mais quente e com menos chuva. Essa não é uma crise que estamos enfrentando agora e que têm previsão de passar. É o novo clima no Brasil, uma nova realidade aletrada pelas mudanças climáticas", diz Nobre. O coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, ainda reforça a influência dos aquecimentos dos oceanos que vêm pressionando ainda mais a mudança nos padrões de chuva no país. Os dados mostram que em momentos em que a seca se intensificava em algumas das bacias isso acontecia por interferência de movimentos como o El Niño. "Temos um país mais quente por causa das mudanças climáticas e todo esse calor ainda é reforçado pelo aquecimento dos oceanos, como o El Niño", explica. O que dizem o ONS e a EPE Nota do ONS: As mudanças climáticas são um fator de atenção para toda a sociedade, incluindo o setor elétrico. No caso do ONS, o horizonte máximo dos estudos eletroenergéticos é de cinco anos, não considerando os cenários climáticos provenientes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que contemplam projeções até o ano de 2100. Os modelos utilizados pelo Operador, no horizonte de 9 meses e de até cinco anos - Plano da Operação Energética (PEN) e Programa Mensal da Operação (PMO) - consideram dados históricos das vazões e necessitam de atualizações para, de fato, contemplarem as mudanças climáticas e eventos extremos. Já nas previsões de curto prazo são levadas em consideração informações de alguns dos melhores modelos de previsão do tempo disponíveis no Brasil e no mundo (modelos do centro europeu e norte americano). Nota da EPE: A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) acompanha com atenção as discussões sobre as mudanças climáticas na matriz elétrica e energética brasileira. O tema é complexo e exige uma abordagem robusta, multidisciplinar e integrada, considerando as diversas naturezas dos impactos, bem como as diferentes instituições do setor. Tendo em vista a importância crescente de se incorporar aspectos de mudanças climáticas nos estudos e análises de planejamento energético, temos desenvolvido documentos técnicos que buscam contribuir com esse debate. Pode-se citar o "Roadmap para o Fortalecimento da Resiliência do Setor Elétrico em Resposta às Mudanças Climáticas", que vem sendo elaborado nos últimos meses, com três documentos já publicados. Considerando sua competência legal de prestar serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o planejamento do setor energético, a EPE mantem seu olhar atento aos desafios da transição energética, especialmente no que se refere à segurança energética nacional.

Palavras-chave: vulnerabilidade