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Moltbook: 'rede social' de IAs expôs dados e pode ter permitido posts de humanos, diz empresa de cibersegurança

Publicado em: 02/02/2026 18:00

Moltbook: a rede social de agentes de IA que humanos só podem observar Uma falha grave de segurança na Moltbook, nova rede social que se apresenta como um espaço exclusivo para AIs conversarem entre si, expôs dados privados de milhares de pessoas reais, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (2) pela empresa de cibersegurança Wiz. De acordo com os pesquisadores, a vulnerabilidade permitiu o acesso indevido a mensagens privadas trocadas entre agentes de IA, além dos endereços de e-mail de mais de 6 mil usuários e de mais de 1 milhão de credenciais. Além disso, segundo Ami Luttwak, cofundador da Wiz, a falha permitia que qualquer pessoa publicasse no site, fosse bot ou não. "Não havia verificação de identidade. Você não sabe quais são agentes de IA e quais são humanos", disse Luttwak. Então ele riu. "Acho que esse é o futuro da internet." Críticas aos humanos, livre-arbítrio, religião: o que robôs comentam no Moltbook, rede social só para IAs Criar agentes de IA é uma carreira em alta: veja como começar A Wiz afirma que o problema foi corrigido após a empresa entrar em contato com os responsáveis pela plataforma. O criador da Moltbook, Matt Schlicht, não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters. Luttwak classificou o episódio como um exemplo clássico dos riscos da chamada “vibe coding” — prática de desenvolvimento de software baseada fortemente no uso de inteligência artificial, com pouca atenção a princípios básicos de segurança. “Embora esse tipo de programação permita criar sistemas muito rapidamente, muitas vezes os fundamentos de segurança acabam sendo ignorados”, afirmou. O pesquisador australiano Jamieson O’Reilly, especialista em segurança ofensiva, também fez alertas públicos sobre o caso. Segundo ele, a popularidade da plataforma cresceu antes que medidas mínimas de proteção fossem adotadas. “A popularidade do Moltbook explodiu antes que alguém pensasse em verificar se o banco de dados estava devidamente protegido”, disse. Em publicações nas redes sociais, o criador da Moltbook, Matt Schlicht, já tinha defendido a “vibe coding”. Em um post no X na sexta-feira (31), afirmou que “não escreveu uma única linha de código” para criar o site. 🤖 O que é o Moltbook Moltbook: rede social foi criada apenas para agentes de IA interagirem Reprodução/Moltbook A plataforma é apresentada como uma rede social exclusiva para bots OpenClaw, um agente de código aberto descrito por seus defensores como capaz de gerenciar e-mails, lidar com seguradoras, fazer check-in de voos e executar outras tarefas. Ela surgiu na esteira do interesse global por agentes de IA. 🔎 O que são agentes de IA? São programas capazes de executar tarefas de forma autônoma, como fazer compras online ou reservar restaurantes. A principal diferença em relação aos chatbots é que estes dependem de comandos constantes e respondem apenas ao que é solicitado. Já os agentes não apenas respondem: eles tomam decisões e executam ações sozinhos. Desde o lançamento, na semana passada, o site ganhou visibilidade após publicações virais no X sugerirem que os bots estariam tentando encontrar formas privadas de comunicação. A Reuters afirma que não conseguiu confirmar de forma independente se as postagens na plataforma foram, de fato, feitas por agentes de inteligência artificial. Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais

Palavras-chave: inteligência artificial

Motorista que desviou R$ 88 mil de idosa é condenada a devolver valor com juros: 'Vai ser mais de R$ 100 mil', diz advogado

Publicado em: 31/01/2026 05:01

Motorista espelhou celular de idosa e realizou 48 transferências bancárias entre janeiro de 2023 e abril de 2024 Divulgação A motorista que se aproveitou da confiança de uma idosa de 79 anos para realizar 48 transferências bancárias que juntas somaram R$ 88.847,40, deverá devolver o valor à vítima. A decisão foi divulgada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) na quinta-feira (29) e o estorno do valor deve ser acrescido de juros e correção monetária. Cabe recurso da decisão. O crime foi descoberto em maio de 2024, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, depois que o gerente do banco ligou para a vítima alertando sobre as transferências frequentes. Na época, a vítima disse que a motorista de 26 anos prestou serviços de transporte por aplicativo para ela entre janeiro de 2023 e abril de 2024, depois de conquistar sua confiança. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp A suspeita é que a mulher se aproveitava dos momentos em que a idosa deixava a bolsa no carro, pegava o telefone e realizava as transferências depois de conseguir acesso às senhas do celular e dos aplicativos de bancos. Ao g1, o advogado da idosa, Rafael Vinicius Normandia da Cruz, afirmou que só estará de fato satisfeito quando sua cliente for integralmente ressarcida. "Ela fez um espelhamento do celular da minha cliente, então ela conseguia mexer no aplicativo pelo celular dela e realizar as transferências. Caso a justiça negue mais uma vez o recurso da motorista, se ela recorrer, ela deverá pagar o valor corrigido que soma um valor superior a R$ 100 mil. Se por ventura ela não pagar, a justiça pode optar pela penhora dos bens dela", esclareceu o advogado. Já o advogado da motorista, Brian Epstein Campos, disse que irá comentar sobre o caso posteriormente. Relembre o caso Segundo o processo, a motorista prestava serviços com frequência para a idosa, criando uma relação de confiança entre as duas. Com o tempo, se aproveitando da vulnerabilidade da vítima e do fato de ela ter pouca familiaridade com tecnologia, a motorista usou aplicativos de acesso remoto para controlar o celular da idosa à distância. As investigações e a análise dos extratos bancários mostraram que, entre janeiro de 2023 e abril de 2024, foram realizadas 48 transferências da conta bancária da idosa diretamente para a conta da motorista. Ao todo, os valores desviados somaram mais de R$ 88 mil. Além da ação na área cível, que trata da devolução do dinheiro, a motorista também foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por furto qualificado, crime que ocorre quando há agravantes, como o abuso de confiança. “Diversas tentativas de conciliação foram realizadas. No entanto, todas foram infrutíferas. Diante da gravidade da situação, da tentativa de ocultar provas e da ausência de êxito nas tratativas extrajudiciais, não restou alternativa senão propor a ação buscando a reparação dos prejuízos causados pelos valores indevidamente desviados da conta bancária”, ressaltou Rafael Normandia. LEIA TAMBÉM: Idosa é atropelada por moto ao atravessar Avenida Seme Simão, em Uberlândia VÍDEO: Homem aproveita conversa de idosa e furta carteira com R$ 1.600 Ladrão é preso após derrubar idosa ao puxar bolsa durante roubo Em primeira instância, a Justiça condenou a motorista a devolver os valores. Inconformada com a decisão, ela recorreu ao Tribunal de Justiça. No recurso, a motorista alegou que não teve direito pleno de defesa, o que é chamado juridicamente de cerceamento de defesa. Segundo ela, a sentença deveria ser anulada para que testemunhas fossem ouvidas e para que fosse feita uma perícia técnica no celular da idosa. A defesa também argumentou que as provas apresentadas não seriam suficientes para comprovar o crime. Ao analisar o recurso, o relator do caso, desembargador Nicolau Lupianhes Neto, rejeitou os argumentos da defesa. Ele explicou que a motorista não apresentou contestação dentro do prazo previsto em lei, situação conhecida como revelia, mesmo tendo participado de uma audiência de conciliação acompanhada de advogada. O magistrado destacou ainda que não houve prejuízo ao direito de defesa, já que os documentos anexados ao processo eram suficientes para a análise do caso. “Os extratos bancários detalham cronologicamente 48 transferências bancárias, todas destinadas à conta da apelante”, afirmou o desembargador no voto. Ao manter a condenação, o relator ressaltou que a motorista agiu de forma intencional ao se apropriar do dinheiro da idosa, explorando a fragilidade da vítima e a relação de confiança construída ao longo do tempo. A decisão também destacou a gravidade da conduta por se tratar de um crime cometido contra uma pessoa idosa, grupo que tem proteção especial garantida pelo Estatuto do Idoso, lei que busca coibir abusos e garantir os direitos dessa parcela da população. Veja também: Idoso é vítima de golpe do empréstimo Idoso é vítima de golpe do empréstimo em Uberlândia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Palavras-chave: tecnologia

FALA JOTAEFE

Publicado em: 29/01/2026 15:27

Estar presente, ouvir e participar são formas de fortalecer laços e garantir que todos tenham acesso aos serviços e direitos que promovem cidadania, porque uma cidade mais justa nasce quando cada cidadão reconhece seu papel e encontra espaço para ser ouvido. O Fala JF une o compromisso da população com a necessidade de pensar e planejar o futuro. Praça CEU em Juiz de Fora Carlos Mendonça/Prefeitura de Juiz de Fora Quando a comunidade tem acesso a informação, de forma clara e acessível, ela conhece seus direitos e deveres. Isso contribui para decisões mais conscientes, prevenção de problemas sociais e melhoria da qualidade de vida. Já os serviços básicos garantem dignidade. A presença de iniciativas nesses territórios reduz vulnerabilidades, promove inclusão social e cria condições para que crianças, jovens, adultos e idosos possam viver com mais segurança e saúde. Comunidades fortalecidas geram impactos positivos para toda a cidade. Por isso, no dia 31 de janeiro acontece a primeira edição do projeto, com uma ação voltada para a população na Praça CEU, de 9h às 13h. Entre os serviços que serão oferecidos estão o CAC (Centro de Apoio ao Cidadão) da Câmara Municipal, que é um setor que oferece diversos serviços gratuitos à população, como orientação jurídica, social, acesso a certidões (nascimento, casamento), auxílio na confecção de currículos, buscando facilitar o acesso do cidadão aos seus direitos e à própria casa legislativa. Também serão oferecidos serviços de saúde, como palestra e orientação da Ascomcer, exames de audiometria e consultas de otorrinolaringologia e cuidados odontológicos. O SEDECON também vai estar na ação, orientando a população e enquanto isso, as crianças poderão aproveitar os brinquedos que estarão no evento. São vários os serviços oferecidos no evento Ramon Machado

Palavras-chave: câmara municipal

Unimed Bauru lança nova campanha institucional que celebra a conexão com a cidade

Publicado em: 29/01/2026 11:37

Lideranças da cooperativa e autoridades locais se reuniram no Alameda Rodoserv Center para o lançamento oficial da campanha 2026 Unimed Bauru/Divulgação A Unimed Bauru lançou oficialmente, no dia 20 de janeiro, sua nova campanha publicitária e institucional com um mote que traduz a essência da cooperativa: a forte ligação com a cidade de Bauru e com as pessoas que fazem parte da região. Com o conceito “Presença que transforma”, a campanha reforça o papel da cooperativa como muito mais do que uma operadora de planos de saúde: um complexo médico-hospitalar que cuida, atende e impacta positivamente a vida de milhares de pessoas. A apresentação do novo filme da campanha foi feita na sala 2 do Cine’n Fun, do Alameda Rodoserv Center, para as lideranças da cooperativa, empresários, convidados e imprensa. Também estiveram presentes atletas das equipes patrocinadas pela cooperativa, como o Esporte Clube Noroeste, Sesi Vôlei (masculino e feminino), Bauru Basket, Associação Bandeirante de Tae Kwon Do e Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA). O evento no Cine’n Fun reuniu lideranças, empresários e atletas para a apresentação oficial do filme que marca o novo posicionamento da cooperativa em 2026 Unimed Bauru/Divulgação A proposta da campanha é destacar a história, a presença e a atuação da Unimed Bauru ao longo de mais de cinco décadas, evidenciando sua conexão genuína com a cidade. “Nós somos de Bauru e temos isso no nosso DNA. Somos uma cooperativa e, como tal, temos um papel social forte na comunidade, construindo uma relação próxima com a cidade há 55 anos”, destaca a gerente de Marketing da Unimed Bauru, Márcia Palhacci. O Hospital Unimed Bauru inicia um ciclo de ampliações, incluindo novos leitos na Pediatria e a inauguração de uma farmácia com funcionamento 24 horas Unimed Bauru/Divulgação O vídeo completo, com três minutos de duração, foi apresentado no telão do cinema para os convidados. E a partir de agora, estará nos principais veículos de comunicação em versões mais compactas. Fundada em 6 de julho de 1971, a Unimed Bauru iniciou suas atividades com um grupo de 45 médicos. Hoje, são mais de 800 cooperados, de praticamente todas as especialidades, atuando de forma integrada para cuidar da saúde da população de Bauru e região. Ações como o Programa Félix e a Caminhada de Bem com a Vida exemplificam o compromisso social da Unimed com a comunidade bauruense Unimed Bauru/Divulgação Além da comercialização de planos de saúde, a cooperativa conta com um hospital próprio, que realiza mais de 1,5 mil cirurgias por mês, e com o Centro de Diagnóstico Unimed (CDU), que reúne consultórios, salas de exames e centro cirúrgico ambulatorial. No mesmo espaço, funcionam ainda o setor de Medicina Preventiva, o Serviço de Atendimento Referenciado em Autismo (SARA) e o Saúde Ocupacional Unimed (SOU) “Somos referência em toda a região por oferecer uma medicina avançada, com alta tecnologia e atendimento de excelência”, ressalta o presidente da Unimed Bauru, Marcus Vinícius Marques. O lançamento oficial da campanha “Presença que transforma” contou com a presença de empresários, autoridades e representantes da imprensa regional Unimed Bauru/Divulgação Apoio ao esporte A presença da Unimed Bauru na comunidade também se reflete no apoio ao esporte, fortalecendo equipes que levam o nome da cidade para todo o país. A cooperativa é patrocinadora do Bauru Basket, Esporte Clube Noroeste, Sesi Vôlei (feminino e masculino), Associação Bandeirante de Tae Kwon Do e Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA). “Investir em esporte é associar nossa marca aos benefícios da atividade física, algo essencial para a promoção da saúde. Por isso, apoiamos, patrocinamos e divulgamos nossos atletas”, afirma Marques. presidente Marcus Vinícius Marques destacou, durante seu discurso no cinema, os investimentos estruturais planejados para os 55 anos da instituição Unimed Bauru/Divulgação Compromisso social No campo social, a Unimed Bauru desenvolve ações que impactam diretamente a vida da população. A Campanha do Agasalho, realizada anualmente, beneficia pessoas em situação de vulnerabilidade com doações de roupas, cobertores e até ração para animais abandonados. Já a Caminhada de Bem com a Vida incentiva a prática de atividade física e alia saúde à solidariedade, com arrecadação de leite para entidades assistenciais. A cooperativa também apoia diversas instituições por meio de doações de brinquedos e alimentos, arrecadados em eventos institucionais, além de manter o Programa Félix, que promove a inclusão digital com aulas de informática ministradas por colaboradores da Unimed Bauru em quatro entidades assistenciais da cidade. O evento marcou o início da veiculação da campanha nos principais veículos de comunicação, reforçando o compromisso social da cooperativa Unimed Bauru/Divulgação Investimentos Ao completar 55 anos em 2026, a Unimed Bauru segue ainda mais conectada com o desenvolvimento de Bauru, investindo em melhorias estruturais que ampliam a capacidade de atendimento e elevam a experiência de pacientes, cooperados e colaboradores. No Hospital Unimed Bauru, estão previstas: Ampliação dos setores de Ginecologia, Obstetrícia e Pediatria, com mais 10 leitos, distribuídos em nove apartamentos novos; Reforma e ampliação do Pronto Atendimento Adulto, com foco em mais conforto, eficiência e agilidade; Inauguração da Farmácia no HUB, com funcionamento 24 horas; Entrega de um novo refeitório, moderno e funcional, voltado ao bem-estar de cooperados e colaboradores. Já no Centro de Diagnóstico Unimed (CDU), os investimentos incluem: Instalação de elevadores panorâmicos, garantindo maior acessibilidade e fluidez; Nova base do SOS Unimed, ampliando a cobertura e a agilidade do atendimento de urgência; Modernização da recepção do Centro Médico, proporcionando um ambiente ainda mais acolhedor. O vídeo oficial da campanha, com três minutos de duração, foi apresentado no telão do cinema, emocionando o público presente na sala 2 Unimed Bauru/Divulgação

Palavras-chave: tecnologia

Vitória completa 600 dias sem feminicídios e vai na contramão do Brasil em assassinatos de mulheres

Publicado em: 29/01/2026 10:02

Vitória está há mais de um ano sem feminicídios Em um país onde o número de feminicídios bateu recorde no último ano - foram quatro mulheres mortas por dia em 2025, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública -, a cidade de Vitória tem se destacado por caminhar na contramão. Nesta quinta-feira (29), a capital do Espírito Santo completa 600 dias sem registros do crime. O último caso de morte violenta de mulher aconteceu em 8 de junho de 2024, quando Sebastião Carlos da Silva matou a própria filha, Brenda Luz da Silva, com golpes de canivete. O homem foi condenado a 11 anos e seis meses de prisão. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo a Prefeitura de Vitória, a realidade na capital capixaba é resultado de um trabalho contínuo entre o município, o Poder Judiciário e as forças de segurança. Outro ponto que ganha destaque é a tecnologia voltada à proteção da mulher. Uma das ferramentas é o Botão Maria da Penha. Quando acionado, o dispositivo envia para a Guarda Municipal a localização da mulher em tempo real, faz disparar um alarme na Central de Monitoramento e também envia um alerta para as equipes na rua. A ocorrência, então, passa a ser uma prioridade. A ferramenta funciona desde 2016, sendo disponibilizada às mulheres que têm medida protetiva e estão classificadas com maior risco de vida. Em Vitória, atualmente, são 33 casos. Delegacias da mulher do ES: veja a lista e saiba quais funcionam 24 horas Brenda Luz da Silva tinha 30 anos e foi morta com golpes de canivete pelo próprio pai em Vitória Reprodução/Acervo pessoal A mulher que recebe o dispositivo também é acompanhada pela Guarda. As equipes checam a sua rede de apoio, explicam o funcionamento da tecnologia e realizam patrulhas para garantir a sua segurança. Segundo a comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, o tempo de resposta ao acionamento do botão é curto justamente porque todos os agentes estão preparados: "A Guarda Municipal passa por uma requalificação anual. Então, todo nosso efetivo tem condição de atender a ocorrência e não revitimizar a mulher", disse. LEIA TAMBÉM: VIOLÊNCIA: Diarista é agredida com martelada na cabeça pelo companheiro em Viana EMBOSCADA: Vaqueiro é assassinado a tiros enquanto ia para o trabalho em fazenda no ES CASA SEM ENDEREÇO: saiba como funciona o abrigo para mulheres e filhos vítimas de violência doméstica no ES Botão Maria da Penha é oferecido a mulheres com medida protetiva e risco de vida em Vitória, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta A comandante relembrou um caso em que a tecnologia foi uma aliada da segurança: "uma mulher que possuía o botão fez uma denúncia informando que o homem (agressor) havia fugido. Ela informou a placa do carro dele, e pelas câmeras foi possível identificar o caminho que ele havia feito, abordar e prender o indivíduo". Além disso, existe um trabalho preventivo em espaços públicos para que a população se conscientize e ajude no combate à violência contra a mulher. "A Guarda Municipal faz esse trabalho nas praças, escolas, EJAs (Educação de Jovens e Adultos), para que a mulher possa se ver na situação, se identificar como uma vítima passando pela violência e pedir ajuda". Prevenção e acolhimento Ações de prevenção e acolhimento também auxiliam a minimizar os riscos aos quais as mulheres estão submetidas. Na Casa Rosa de Vitória, centro especializado da Secretaria Municipal de Saúde, são realizados 400 atendimentos por mês, tanto a mulheres quanto a famílias em situação de vulnerabilidade. A subsecretária de atenção à saúde de Vitória, Patrícia Vêdova, explica que, no espaço, são oferecidos serviços de saúde por uma equipe multidisciplinar, com médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Casa Rosa de Vitória acolhe mulheres e famílias vítimas de violência, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta “Hoje a Casa Rosa está aberta para fazer o acolhimento não só às vítimas, mas também às pessoas que têm ou percebem em algum momento que estão sofrendo esse trauma (violência). Então estamos abertos para acolher e até entender o que a mulher acha que pode ser um possível trauma.” Além de oferecer proteção às vítimas, a Casa Rosa também é referência em prevenção e assistência a infecções sexualmente transmissíveis (IST) e na profilaxia pós-exposição sexual (PEP). Depois do tratamento que envolve a ressignificação do trauma, o centro direciona a vítima a outros serviços municipais para que ela possa se capacitar profissionalmente ou até voltar a estudar. A Casa Rosa oferece acolhimento tanto por demanda espontânea quanto por encaminhamentos da rede pública. O serviço pode ser procurado via telefone ((27) 3332-3290 e (27) 99773 5393), e-mail (savviolencia@vitoria.es.gov.br ou casarosa@vitoria.es.gov.br) ou no próprio espaço, localizado na Ilha de Santa Maria. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Palavras-chave: tecnologia

Jovens em vulnerabilidade participam de projeto e se aproximam do Porto

Publicado em: 28/01/2026 15:37

Cerimônia de formatura aconteceu nesta terça-feira (27), na sede do Instituto Adesaf, em São Vicente Comunicação / Instituto Adesaf Quinze jovens em situação de vulnerabilidade social concluíram, após quatro meses de formação, o projeto INICIA – São Vicente Agora é Porto, iniciativa que alia educação socioambiental e aproximação da juventude com a cultura portuária. Realizado pelo Instituto Adesaf e patrocinado pela Autoridade Portuária de Santos (APS), empresa do Ministério de Portos e Aeroportos do Governo Federal, o projeto é voltado para adolescentes e jovens moradores de São Vicente, com prioridade para as áreas rurais de Acarau e Paratinga. A iniciativa ofereceu 15 vagas gratuitas para o curso Saúde, Território e Porto: cultivo de plantas medicinais e agroecologia, com material pedagógico incluso e ajuda de custo de R$ 500,00 para alimentação e transporte. Ao longo do curso, os participantes tiveram contato com conteúdos sobre cultura portuária, história e importância econômica do Porto de Santos, além de práticas ligadas à agroecologia e ao uso de plantas medicinais, conectando saúde, meio ambiente e desenvolvimento local. Para a estudante Elisabeth de Santana, de 18 anos, moradora de Acarau, a experiência representou a aproximação de um sonho antigo. “Fiquei muito feliz com a oportunidade. Estudar em um curso como esse traz muita experiência e abre portas para, futuramente, trabalhar no Porto, como eu já sonhava”, afirma. Formanda Elisabeth (esq.) destaca experiência adquirida e possibilidade de atuação no Porto Comunicação / Instituto Adesaf A mudança de percepção sobre o complexo portuário também foi um dos principais impactos relatados pelos formandos. Nicolly Oliveira, de 21 anos, moradora da Vila Margarida, conta que antes enxergava o Porto apenas como um espaço distante. “Hoje, eu vejo como uma cultura. Além de gerar empregos, o Porto tem uma história, um processo de desenvolvimento e muita tecnologia envolvida”, diz. O mesmo sentimento é compartilhado por Hallyson Nusa, de 23 anos, também da Vila Margarida. “Antes, eu achava que o Porto era apenas um conjunto de empresas para trabalhar. Hoje, entendo que existe uma história muito grande por trás, com famílias que dependem de lá há muitos anos”, relata. Segundo a coordenadora pedagógica Aline Pasquino, o curso buscou ir além da qualificação técnica. O percurso formativo promoveu o conhecimento sobre a cultura portuária e, também, ampliou a compreensão sobre plantas medicinais e agroecologia, fortalecendo o cuidado com a saúde e práticas sustentáveis A fundadora e diretora-presidente do Instituto Adesaf, Fernanda Gouveia, destacou que a iniciativa está alinhada à missão da instituição. É mais uma iniciativa que promovemos com foco no protagonismo do jovem e no cuidado com o meio ambiente, que integra a missão do Instituto Adesaf. Agradeço à Autoridade Portuária de Santos por apoiar projetos que investem na juventude e na sustentabilidade da nossa Região Além da formação, o acolhimento é uma das ações importantes do projeto Comunicação / Instituto Adesaf De acordo com o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, "Investir em projetos assim mostra que o Porto de Santos vai além da movimentação de cargas; é um agente de transformação social. Um Porto que conecta a riqueza do país precisa garantir que o crescimento do complexo portuário transborde para a comunidade, distribuindo bem-estar e oportunidades.” Acesse: https://www.adesaf.org.br

Palavras-chave: tecnologia

WinRAR ainda é uma excelente porta de entrada para hackers em seu PC; entenda o caso

Publicado em: 28/01/2026 08:22 Fonte: Tudocelular

Pesquisadores de segurança voltaram a acender o alerta sobre o WinRAR, um dos softwares de compactação de arquivos mais usados no mundo, após a identificação de ataques contínuos explorando uma falha crítica. Mesmo meses após a divulgação inicial do problema, a vulnerabilidade segue sendo usada ativamente por diferentes grupos maliciosos. O caso envolve a falha catalogada como CVE-2025-8088, que permite a execução remota de código em sistemas Windows. Segundo relatórios recentes do Google Threat Intelligence Group, ataques explorando esse vetor continuam em circulação, afetando usuários que não aplicaram correções de segurança.A vulnerabilidade do WinRAR está ligada a uma técnica conhecida como path traversal, que permite escapar das pastas previstas pelo software durante a extração de arquivos. Na prática, isso abre caminho para gravar conteúdo malicioso em áreas sensíveis do sistema operacional.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hackerhackerswindows

Com cachê de R$ 300, peça 'Dos silêncios que não deveriam existir' seleciona atores amadores em Divinópolis

Publicado em: 27/01/2026 14:24

Abertas inscrições para seleção de atores da peça "Dos silêncios que não deveriam existir" em Divinópolis Instituto Alma/ divulgação Divinópolis abre as portas para novos talentos com a seleção de atores amadores, maiores de 18 anos, para a peça "Dos Silêncios que Não Deveriam Existir". Com um cachê de 300 reais + vale alimentação, a peça contará com atores para o elenco principal e montagem que busca explorar como as tecnologias impactam as relações humanas e a vida social na atualidade. Os interessados podem se inscrever até o dia 28 de janeiro por meio de um formulário online. A seleção será dividida em duas fases: a primeira é a inscrição online, e, para os selecionados, haverá um aula presencial que avaliará as habilidades cênicas de forma prática. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp Os atores escolhidos farão parte do elenco principal e de apoio, participando ativamente de todo o processo de criação do espetáculo, que inclui oficinas de teatro, corpo e voz, além da elaboração coletiva do texto. A direção ficará a cargo de Aryanne Souza, uma profissional reconhecida na área, que une teatro e psicologia para promover processos criativos e coletivos. A peça contará com duas apresentações, com capacidade total para 592 espectadores, e oferecerá tradução simultânea em Libras, assegurando acessibilidade ao público surdo. O projeto visa democratizar o acesso à cultura e promover discussões sobre o uso responsável da tecnologia, incentivando a participação de diversos públicos, incluindo jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade social. As inscrições são gratuitas. LEIA TAMBÉM: Veja detalhes do caso Henay Amorim, que completa 30 dias Entenda a importância de cruz de 200 kg serrada e furtada Quem é a prefeita que teve Rolex e joias de R$ 900 mil roubados VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

Palavras-chave: tecnologia

Cursos gratuitos de energia solar e mecânica de motos tem 500 vagas em Teresina; veja como se inscrever

Publicado em: 27/01/2026 11:48

Universidade Federal do Piauí (UFPI) em Teresina UFPI Cerca de 500 vagas gratuitas estão abertas para cursos de energia solar fotovoltaica e mecânica de motocicletas em Teresina. As inscrições seguem até 6 de fevereiro, por meio de formulário online. São 200 vagas para o curso de energia solar, com carga horária de 320 horas, e 300 vagas para o curso de mecânica de motos, com duração aproximada de 200 horas. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Podem participar pessoas de 16 a 65 anos, com ensino fundamental completo, residentes em Teresina ou cidades vizinhas e com cadastro ativo no CadÚnico. Os candidatos também precisam ter disponibilidade para atividades presenciais no turno noturno durante a semana e manhã e tarde aos sábados, conforme edital. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mulheres chefes de família, jovens em vulnerabilidade, pessoas com deficiência e moradores da zona rural ou periferias terão prioridade no processo seletivo. As aulas teóricas serão presenciais no Centro de Tecnologia, no bairro Ininga, Zona Leste, e também podem ocorrer na Escola da Câmara Municipal, no bairro Cabral, Zona Norte. As práticas serão realizadas aos sábados no Centro de Tecnologia. A iniciativa é uma parceria entre a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa (Fadex), a Câmara Municipal de Teresina e a Universidade Federal do Piauí (UFPI), com foco em ampliar a autonomia econômica de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Como se inscrever As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até 6 de fevereiro no formulário disponível em uma plataforma digital ou no site oficial. Documentos necessários: CPF RG Comprovante de residência Comprovante de escolaridade Número de Identificação Social (NIS) A seleção será feita com base nas informações preenchidas no formulário. Confira o cronograma Inscrições: até 6 de fevereiro Resultado preliminar: 19 de fevereiro Período para recursos: 20 de fevereiro Resultado final: 24 de fevereiro Início das aulas: a partir de 2 de março A lista de aprovados será divulgada no site da Fadex. *Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

Palavras-chave: câmara municipaltecnologia

Ford oferece 80 vagas para curso de capacitação gratuito em Salvador; saiba como se inscrever

Publicado em: 27/01/2026 07:12

A Ford anunciou um programa gratuito de formação profissional com 160 novas vagas – 80 na Bahia e 80 em São Paulo Ford Brasil A Ford anunciou um programa gratuito de formação profissional com 160 novas vagas – 80 na Bahia e 80 em São Paulo. O curso, com duração de cerca de quatro meses, é voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade social, preparando-as para atuar como programadores de software. As inscrições para o "Ford " podem ser feitas pelo site até 1º de fevereiro. Para participar não é preciso ter conhecimento prévio na área. Basta ter 16 anos ou mais, ensino médio em curso ou completo, renda familiar de até quatro salários mínimos e morar em Salvador ou na região metropolitana de São Paulo. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Na Bahia, o curso oferece duas opções de locais para frequentar as aulas: SENAI CIMATEC Orlando Gomes; SENAI CIMATEC Digital e Criativo, no Pelourinho. O curso de Front-End conta com turmas matutinas (35 vagas) e vespertinas (45 vagas), somando 300 horas. As aulas também começam em março. Outra novidade introduzida este ano na Bahia é para alunos que já fizeram o curso de Front-End. Eles agora podem ampliar sua formação no curso de Back-End, em turmas matutinas e vespertinas que começam em fevereiro, com 300 horas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em São Paulo, as aulas do "Ford " terão início em março de 2026, no SENAI Conde José Vicente de Azevedo, no bairro do Ipiranga. Serão duas turmas noturnas (20 vagas cada), com um programa de cerca de 400 horas que inclui formação em Front-End, Back-End, Phyton e Power BI. Há também turmas de manhã ou à tarde (20 vagas cada), com formação em Power BI, Phyton, Bancos de Dados, Data Warehouse e Inteligência Artificial, somando cerca de 250 horas de treinamento. Trilha de capacitação completa Lançado em 2023 em São Paulo, o "Ford " teve 15 mil inscritos e mil alunos atendidos, alguns deles contratados antes mesmo de concluir o curso. Essa procura motivou a Ford a ampliar o programa, que passou a ser oferecido na Bahia e também na Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Tanto na Bahia como em São Paulo, o curso inclui também aulas de lógica, habilidades comportamentais, sessões de mentoria e palestras. Os alunos recebem um certificado emitido pelo SENAI, apoio na busca por oportunidades de trabalho por meio da Rede Cidadã, além de ajuda de custo para alimentação e transporte, suporte pedagógico e assistência social. Em 2026, a Ford renovou a parceria com a Soul Bilíngue, permitindo que os estudantes participem de um processo seletivo para concorrer a 100 vagas de um curso de inglês online da ONG. Ao final, os dois alunos que mais pontuarem em um processo de gamificação ganharão uma bolsa de intercâmbio no exterior.

Palavras-chave: inteligência artificial

Injeção contra HIV: entenda por que Campinas é uma das 7 cidades do Brasil onde Fiocruz aplicará testes do medicamento

Publicado em: 27/01/2026 07:03

Droga, chamada comercialmente de Sunlenca, é um tratamento injetável aplicado somente duas vezes por ano. AP via Business Wire Campinas é uma das setes cidades do Brasil onde a Fiocruz conduzirá testes para avaliar a viabilidade do medicamento injetável lenacapavir ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida visa ampliar os métodos de prevenção ao HIV e foi divulgada após Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar, no último dia 12, o uso da injeção como profilaxia ao vírus. Segundo a Fiocruz, a unidade escolhida para realização dos testes em Campinas é o Centro de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV/Aids e Hepatites Virais, que fica na Rua Regente Feijó, 637, no centro da cidade. Ela foi escolhida por seu histórico de participação em projetos de prevenção ao HIV conduzidos pela Fiocruz. A previsão é de que o início dos testes em Campinas comecem em março. 📍As demais cidades selecionadas para os testes são: São Paulo (SP), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Salvador (BA) e Manaus (AM) — entenda abaixo por que essas cidades foram escolhidas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp A medicação, que tem alto custo (variando entre R$ 130 mil e R$ 200 mil por pessoa por ano, conforme a cotação do dólar), foi doada pela fabricante Gilead Scientes para realização do teste por dois anos e chegou à sede da fundação, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (23). No total, serão atendidos 1500 participantes em todo o Brasil. ⚠️A Fiocruz destaca que não haverá recrutamento ativo para o estudo. A participação será restrita a pessoas que procurarem espontaneamente as unidades de saúde e estiverem dentro do público-alvo. O g1 conversou com a médica infectologista Brenda Hoagland, coordenadora clínica do projeto pela Fiocruz, que explicou em detalhes como será a implementação dos testes. Veja abaixo. O que é o lenacapavir? Qual o objetivo dos testes com a medicação injetável? Injeção contra HIV é vacina? Como serão conduzidas as aplicações? Quantas pessoas devem participar? Por que essas cidades foram escolhidas? O que diz o Ministério da Saúde? Saiba como a profilaxia pré-exposição (PrEP) protege contra o HIV O que é o lenacapavir? O lenacapavir é um antirretroviral inovador da farmacêutica Gilead Sciences, com ação prolongada para a prevenção do HIV. Ele é um medicamento injetável (ou seja, aplicado por injeção, mas não se trata de uma vacina) usado como profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao vírus e administrado apenas duas vezes por ano, o que representa uma mudança significativa em relação aos comprimidos de uso diário. 💊ENTENDA: Disponível no SUS desde 2018, esses remédios são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente no país. O principal diferencial do lenacapavir, contudo, está na duração da proteção. Enquanto a PrEP oral exige uso frequente e contínuo, o medicamento injetável mantém níveis de proteção elevados por vários meses após a aplicação, o que pode facilitar a adesão e reduzir falhas no uso. Estudos clínicos de grande porte mostraram sua eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, inclusive entre mulheres, grupo que historicamente enfrenta mais limitações com os métodos disponíveis (entenda mais abaixo). Por esses resultados, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como opção adicional de PrEP e o classificou como a melhor alternativa disponível enquanto ainda não existe uma vacina contra o vírus. Veja como funciona o lenacapavir. Arte/g1 - Thalita Ferraz Qual o objetivo dos testes com lenacapavir? Apesar de o lenacapavir já ter eficácia comprovada em estudos internacionais, o foco da Fiocruz agora é outro: entender se o medicamento pode ser implementado como política pública no SUS. Segundo a médica infectologista Brenda Hoagland, o Brasil já oferece a profilaxia pré-exposição (PrEP) oral gratuitamente desde 2018, mas o acesso ainda não avançou como o necessário para conter a epidemia do HIV, especialmente entre os mais jovens. “A gente não está testando eficácia, a gente já passou dessa fase. Agora a gente quer ver a viabilidade de oferecer uma profilaxia injetável. O objetivo desse estudo hoje é avaliar como a gente também poderia ofertar uma nova modalidade de PrEP, que é a PrEP injetável com lenacapavir”, explica a médica. A proposta é analisar, na prática, se a versão injetável — aplicada apenas duas vezes ao ano — pode beneficiar pessoas que têm dificuldade de aderir ao uso diário de comprimidos. 📈Os dados comprovam. Os casos de infecção por HIV entre adolescentes de 13 a 19 anos em Campinas cresceram 75% de 2024 para 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde do município. Além disso, a faixa de 20 a 29 anos concentra o maior número de novos casos na cidade. Leia também: Lenacapavir: qual o futuro do medicamento com quase 100% de eficácia na prevenção do HIV; veja em 10 tópicos Injeção contra HIV não é vacina Com a aprovação da Anvisa, o medicamento passou a ser popularmente chamado de “injeção contra o HIV”, o que gerou dúvidas sobre se ele funcionaria como uma vacina — o que não é o caso. “Não, isso não é uma vacina. A gente ainda não tem uma vacina eficaz contra o HIV. Vacina é algo que a gente aplica na pessoa e a pessoa vai desenvolver no corpo dela defesas contra uma determinada doença. O que a gente faz com a PrEP injetável, a lenocatavir, na verdade, ele é uma prevenção”, esclareceu Brenda. A médica explicou que o lenacapavir é uma profilaxia, ou seja, um medicamento que protege enquanto está ativo no organismo. A proteção só é mantida se a aplicação for feita regularmente, a cada seis meses, sem atrasos. Como serão conduzidas as aplicações? O lenacapavir é aplicado por injeção subcutânea, podendo ser administrado no abdômen, parte posterior do braço ou glúteos. Cada dose garante proteção por cerca de seis meses. De acordo com a Fiocruz, os estudos indicam que o medicamento é bem tolerado. Os efeitos colaterais mais comuns são locais, como dor, desconforto ou formação de uma pequena nodulação no ponto da aplicação. Por isso, os profissionais de saúde que aplicarão o medicamento passam por treinamento específico, e o produto vem acompanhado de uma agulha própria, definida pelo fabricante. Quem poderá participar do estudo? O estudo não fará recrutamento ativo. Ou seja, não haverá busca direta por participantes. Poderão participar pessoas que já procurarem espontaneamente as unidades de saúde envolvidas para testagem, PrEP ou outras formas de prevenção, e que façam parte do público-alvo da pesquisa. Público-alvo: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. (Para participar do estudo, os voluntários precisarão realizar testes e apresentar resultado negativo para o vírus HIV). A escolha dessa faixa etária se deve ao aumento de novos casos de HIV entre adolescentes e jovens no Brasil nos últimos anos. A coordenadora clínica do projeto reforçou que esse público exige atenção especial nas estratégias de prevenção. Por que essas cidades foram escolhidas? Em geral, as cidades foram incluídas no estudo por já ter histórico de participação em projetos de prevenção ao HIV conduzidos pela Fiocruz. É o caso de Campinas, cuja unidade escolhida é o Centro de Referência em IST, HIV/Aids e Hepatites Virais, no Centro da cidade, que já atua em iniciativas semelhantes desde 2018. Além disso, a cidade integra uma rede estratégica de centros urbanos selecionados justamente por atenderem populações com maior vulnerabilidade e demanda por prevenção combinada. Já São Paulo foi incluída por ter uma unidade móvel de prevenção ao HIV. "Essa unidade móvel da cidade de São Paulo já oferece PrEP oral. Seria viável oferecer uma PrEP injetável? Nessas unidades móveis a gente acessa mais populações que têm uma maior vulnerabilidade de chegar a uma unidade física? É o que a gente quer investigar", indaga a coordenadora clínica. Segundo a médica, a inclusão de Nova Iguaçu se deu pelo fato de a unidade atender muitos municípios vizinhos da Baixada Fluminense. Quantas pessoas devem participar? Ao todo, o estudo prevê a participação de 1.500 pessoas nas sete cidades. O medicamento será doado pela fabricante Gilead para uso exclusivo no projeto, que terá duração de dois anos. Cada participante poderá receber até quatro doses, considerando aplicações semestrais. Custo e efetividade Além da logística de aplicação e da adesão dos usuários, o estudo também vai analisar a custo-efetividade do lenacapavir. Apesar dos medicamentos, nesta fase de teste, serem doados pela fabricante, a médica infectologista ressalta a importância de entender se o investimento no medicamento pode, de fato, reduzir novos casos de HIV, especialmente por ser muito caro. Nos Estados Unidos, o lenacapavir é vendido por valores que variam entre US$ 25 mil e US$ 28 mil por pessoa ao ano para uso como PrEP, podendo chegar a US$ 40 mil a US$ 44 mil anuais em indicações terapêuticas. “A gente sempre inclui um estudo de custo-efetividade, que é um estudo que diz: se eu comprar o produto para aquelas populações que realmente podem se beneficiar, isso é custo efetivo? Se eu comprar, eu realmente vou reduzir os casos novos de HIV?”, explica Brenda Hoagland, coordenadora clínica do projeto pela Fiocruz. O que diz o Ministério da Saúde O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que a pesquisa com a Fiocruz contribui para a produção de evidências e o aprimoramento das políticas de profilaxia pré-exposição (PrEP), incluindo subsídios técnicos para a PrEP injetável no SUS. A pasta ainda indicou que para que haja incorporação do lenacapavir ao SUS, é necessária a aprovação na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que analisa critérios como eficácia, segurança e análises de custo-efetividade, e que não há, até o momento, nenhum pedido de análise para incorporação do lenacapavir. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias da região na página do g1 Campinas

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Caso Master: PF começa a ouvir nesta segunda depoimentos em inquérito sobre compra do banco pelo BRB

Publicado em: 26/01/2026 07:18

PF começa a ouvir depoimentos de investigados no caso Master A Polícia Federal começa a ouvir nesta segunda-feira (26) oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão tomados na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessões presenciais e por videoconferência. Nesta segunda, serão ouvidos quatro investigados: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. Já na terça-feira (27), prestam depoimento: Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. O cronograma dos depoimentos teve aval do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. No dia 16, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias. O caso Dono do Banco Master diz à PF que conversou com Ibaneis Rocha sobre venda ao BRB O procedimento faz parte da investigação que apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Essa frente de apuração chegou ao STF em dezembro do ano passado, quando Toffoli decidiu que o caso deveria tramitar na Suprema Corte. Até então, a investigação estava sob responsabilidade da Justiça Federal em Brasília. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado. Para os investigadores, o retorno oferecido era irreal, e o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A PF afirma haver indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema. Em março, o banco chegou a fechar um acordo para comprar o Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado no âmbito da Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Segunda fase da investigação Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero para aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com a PF, o grupo investigado teria se aproveitado de forma sistemática de “vulnerabilidades do mercado de capitais” para realizar fraudes, por meio do uso de fundos de investimento e de elos societários, familiares ou funcionais. Os investigadores apontam indícios de que o grupo — formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco — pode ter cometido ao menos cinco crimes: organização criminosa; gestão fraudulenta de instituição financeira; induzimento ou manutenção em erro de investidores; uso de informação privilegiada e manipulação de mercado; e lavagem de dinheiro. A apuração identificou operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de pessoas com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. Segundo a PF, o esquema também teria contado com laranjas e sócios ocultos.

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Caso Master: PF ouve nesta semana depoimentos em inquérito sobre compra do banco pelo BRB

Publicado em: 25/01/2026 04:01

Polícia Federal mira aplicações de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master; presidente e ex-diretores são alvo de buscas A Polícia Federal vai ouvir, a partir da próxima segunda-feira (26), oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão tomados na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessões presenciais e por videoconferência. Na segunda-feira (26), serão ouvidos quatro investigados: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. Já na terça-feira (27), prestam depoimento: Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. O cronograma dos depoimentos teve aval do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. No dia 16, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias. O caso Dono do Banco Master diz à PF que conversou com Ibaneis Rocha sobre venda ao BRB O procedimento faz parte da investigação que apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Essa frente de apuração chegou ao STF em dezembro do ano passado, quando Toffoli decidiu que o caso deveria tramitar na Suprema Corte. Até então, a investigação estava sob responsabilidade da Justiça Federal em Brasília. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado. Para os investigadores, o retorno oferecido era irreal, e o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A PF afirma haver indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema. Em março, o banco chegou a fechar um acordo para comprar o Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado no âmbito da Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Segunda fase da investigação Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero para aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com a PF, o grupo investigado teria se aproveitado de forma sistemática de “vulnerabilidades do mercado de capitais” para realizar fraudes, por meio do uso de fundos de investimento e de elos societários, familiares ou funcionais. Os investigadores apontam indícios de que o grupo — formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco — pode ter cometido ao menos cinco crimes: organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento ou manutenção em erro de investidores, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado, além de lavagem de dinheiro. A apuração identificou operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de pessoas com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. Segundo a PF, o esquema também teria contado com laranjas e sócios ocultos.

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Lenacapavir: qual o futuro do medicamento com quase 100% de eficácia na prevenção do HIV; veja em 10 tópicos

Publicado em: 24/01/2026 03:00

Droga, chamada comercialmente de Sunlenca, é um medicamento injetável aplicado somente duas vezes por ano. AP via Business Wire A recente aprovação do lenacapavir pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) coloca o Brasil diante de um novo capítulo na prevenção do HIV. Considerado um dos avanços mais relevantes da última década, o medicamento injetável é aplicado apenas duas vezes por ano e apresentou eficácia próxima de 100% em estudos internacionais. Agora, autorizado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, o lenacapavir passa a poder ser usado no país como profilaxia pré-exposição (PrEP). A decisão da Anvisa, porém, não significa incorporação automática ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que abre um debate central sobre acesso, custo e política pública. O principal ponto em discussão é se — e como — o medicamento pode chegar à rede pública. Isso porque a incorporação dependeria da negociação de preços, análise de custo-efetividade e definição de critérios de uso. Mas qual é de fato o futuro do medicamento no Brasil? Ele deve chegar ao SUS? Para quem seria indicado? O país tem condições de arcar com um tratamento de alto custo ou de negociar alternativas que tornem o acesso viável? E, na prática, o lenacapavir substituiria as estratégias de prevenção já disponíveis ou funcionaria como uma opção adicional? Entenda a seguir, em 10 tópicos: O que é o lenacapavir? O lenacapavir pode ser incorporado ao SUS? O preço é hoje o principal entrave para o SUS? O Brasil tem histórico para negociar esse tipo de medicamento? Quem poderia ser priorizado no SUS, caso o medicamento seja adotado? O lenacapavir substituiria a PrEP oral no Brasil? Como o lenacapavir age no organismo? Qual é a eficácia comprovada do lenacapavir? O que dizem os organismos internacionais sobre o lenacapavir? O que é essencial saber sobre o HIV e a Aids? Anvisa aprova lenacapavir injetável para prevenção do HIV 1. O que é o lenacapavir? O lenacapavir é um antirretroviral inovador da farmacêutica Gilead Sciences, com ação prolongada para a prevenção do HIV. Ele é um medicamento injetável (ou seja, aplicado por injeção, mas não se trata de uma vacina) usado como profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao vírus e administrado apenas duas vezes por ano, o que representa uma mudança significativa em relação aos comprimidos de uso diário. 💊ENTENDA: Disponível no SUS desde 2018, esses remédios são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente no país. O principal diferencial do lenacapavir, contudo, está na duração da proteção. Enquanto a PrEP oral exige uso frequente e contínuo, o medicamento injetável mantém níveis de proteção elevados por vários meses após a aplicação, o que pode facilitar a adesão e reduzir falhas no uso. Estudos clínicos de grande porte mostraram sua eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, inclusive entre mulheres, grupo que historicamente enfrenta mais limitações com os métodos disponíveis (entenda mais abaixo). Por esses resultados, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como opção adicional de PrEP e o classificou como a melhor alternativa disponível enquanto ainda não existe uma vacina contra o vírus. Veja como funciona o lenacapavir. Arte/g1 - Thalita Ferraz 2. O lenacapavir pode ser incorporado ao SUS? Sim, a incorporação é possível, mas ainda não está em curso e depende principalmente de decisões políticas e de negociação de preço. Isso porque a aprovação do medicamento pela Anvisa autoriza o uso no país, mas não garante sua oferta automática na rede pública. Para que isso aconteça, é necessário que haja um pedido oficial de incorporação e que o medicamento passe por análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar critérios como eficácia, segurança e custo-benefício. ⚠️ Segundo o Ministério da Saúde, até o momento NÃO há solicitação em andamento para a análise do lenacapavir. Especialistas, no entanto, avaliam que o lenacapavir pode ampliar as estratégias de prevenção ao HIV ao reduzir um dos principais desafios da PrEP oral: a dificuldade de manter o uso diário do medicamento. Por ser aplicado apenas duas vezes por ano, o injetável tende a beneficiar principalmente pessoas em situação de maior vulnerabilidade ou com menos acesso regular aos serviços de saúde. Segundo a infectologista Rosana Del Bianco, diretora de Internação no Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do Estado de São Paulo, o lenacapavir deve ser visto como mais uma ferramenta dentro dessa prevenção combinada. “Ele é mais uma arma no sentido da prevenção, porque é uma injeção apenas duas vezes por ano. A praticidade é muito grande. A PrEP oral é altamente efetiva e gratuita, mas envolve o uso diário do comprimido, e isso acaba falhando para muita gente”, afirma. Rosana destaca que o medicamento não substitui as estratégias já existentes, mas amplia as opções para diferentes perfis de usuários. “A gente já tem o tenofovir com a emtricitabina, os preservativos, o cabotegravir injetável. O lenacapavir vem para somar, principalmente para aquelas pessoas mais vulneráveis, que não conseguem fazer o uso oral diário”, explica. 3. O preço é hoje o principal entrave para o SUS? Sim. Hoje, o custo do lenacapavir é apontado por especialistas como o principal obstáculo para que o medicamento chegue ao sistema público. Nos Estados Unidos, o lenacapavir é vendido por valores que variam entre US$ 25 mil e US$ 28 mil por pessoa ao ano para uso como PrEP, podendo chegar a US$ 40 mil a US$ 44 mil anuais em indicações terapêuticas. Em contraste, estudos publicados em revistas científicas internacionais estimam que versões genéricas do lenacapavir poderiam custar entre US$ 25 e US$ 47 por ano, valor considerado compatível com sistemas públicos universais. O Brasil, no entanto, ficou de fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela fabricante, que autorizaram a produção de genéricos em cerca de 120 países de renda baixa e média-baixa. Essa exclusão mantém o medicamento sob monopólio e limita, ao menos no curto prazo, alternativas para redução significativa de custos no país. Assim, como do ponto de vista científico a eficácia do lenacapavir já está bem estabelecida, o foco do debate atualmente não é mais se o medicamento funciona, mas se ele é viável do ponto de vista financeiro e operacional dentro de um sistema público universal como o SUS. No Brasil, esse debate avança em meio à preparação de um estudo de implementação coordenado pela Fiocruz, que ainda não foi iniciado. A proposta é acompanhar, na rotina dos serviços de saúde, como o lenacapavir pode ser incorporado à prevenção do HIV, reunindo dados sobre adesão, organização da oferta, fluxos de atendimento e perfil do público. O estudo terá caráter observacional — sem reavaliar a eficácia clínica do medicamento — e será realizado em sete cidades: Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Outro ponto central do estudo é o modelo de adesão. A participação será voluntária e espontânea, sem recrutamento ativo. Na prática, pessoas pertencentes ao público elegível que procurarem os serviços de saúde para iniciar ou manter a PrEP poderão optar entre o esquema oral já disponível no SUS ou a PrEP injetável com lenacapavir, no contexto do estudo. A infectologista Beatriz Grinsztejn, responsável pela coordenação do projeto pela Fiocruz, tem ressaltado que a iniciativa busca gerar dados práticos para subsidiar discussões futuras sobre políticas públicas, especialmente no que diz respeito à operacionalização da estratégia no SUS. Grinsztejn, que assumiu a presidência da International AIDS Society (IAS), também reforça que a prevenção ao HIV no país já conta com ferramentas eficazes. “A PrEP oral segue disponível no SUS e é uma estratégia consolidada de prevenção”, afirma. Prep oral disponibilizada pelo Ministério da Saúde. Ministério da Saúde 4. O Brasil tem histórico para negociar esse tipo de medicamento? Sim. O Brasil acumula uma experiência longa na negociação de medicamentos contra o HIV/Aids, construída desde os anos 1990 a partir da decisão de garantir tratamento gratuito e universal pelo SUS. Para sustentar esse modelo, o governo precisou negociar preços com a indústria farmacêutica, buscar alternativas de fornecimento e investir, ao longo do tempo, em produção nacional e parcerias tecnológicas. Esse histórico ajuda a entender por que o lenacapavir já está no radar das negociações, mesmo antes de qualquer decisão sobre incorporação ao SUS. Este mês, por exemplo, a Gilead Sciences assinou um memorando de entendimento com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos) para avaliar formas de cooperação, incluindo uma possível transferência de tecnologia. O acordo, porém, não garante produção local nem redução imediata de preço; trata-se de uma etapa preliminar de diálogo. “Do ponto de vista da infectologia, o lenacapavir representa o nosso maior avanço desde o início das terapias antirretrovirais, principalmente por ser uma tecnologia injetável de longa ação, a cada seis meses. Mas, no cenário atual, ele não muda nada, porque estamos fora do acordo de genéricos e um tratamento que custa cerca de US$ 40 mil por ano é inviável para a saúde pública", diz a médica infectologista Mafê Medeiros, especialista em saúde da população LGBTQIA+ Por causa desse alto custo, Medeiros avalia que o lenacapavir só faz sentido como política pública se vier acompanhado de uma análise cuidadosa de custo-efetividade. Na leitura da especialista, o medicamento tem potencial para integrar o SUS sobretudo por reduzir a necessidade de consultas frequentes, exames e deslocamentos aos serviços de saúde, especialmente quando comparado a outras opções injetáveis, como o cabotegravir, aplicado a cada dois meses. Essa diferença, segundo ela, pode representar economia operacional para o sistema, ao diminuir o número de visitas e o uso de insumos ao longo do ano. "Em saúde pública, não tem como ignorar que o dinheiro é limitado", diz. Em nota enviada ao g1, a Gilead Sciences do Brasil afirmou que mantém conversas institucionais sobre o tema, mas ressaltou que “estratégias de acesso, precificação ou eventual incorporação ao SUS dependem de etapas regulatórias e de avaliações conduzidas pelas instâncias competentes”. A empresa acrescentou que “mantém diálogo contínuo com autoridades de saúde no Brasil e, à medida que esses processos avancem, compartilhará atualizações de forma oportuna e transparente”. Saiba como a profilaxia pré-exposição (PrEP) protege contra o HIV 5. Quem poderia ser priorizado no SUS, caso o medicamento seja adotado? Caso o lenacapavir venha a ser incorporado ao SUS, especialistas avaliam que a adoção dificilmente ocorreria de forma ampla e imediata. Como acontece com outras tecnologias novas e de alto custo, a tendência seria uma implementação gradual, guiada por critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde e pelas instâncias responsáveis pela avaliação de tecnologias em saúde. Nesse cenário, a priorização poderia considerar situações em que o risco de infecção permanece elevado apesar da existência da PrEP oral e de outras estratégias de prevenção. Especialistas apontam que há grupos e contextos em que barreiras estruturais, sociais ou logísticas dificultam o acesso contínuo aos serviços de saúde, o que acaba limitando a efetividade das políticas atuais. O lenacapavir, por ter aplicação semestral, poderia ser avaliado como uma alternativa nesses casos, desde que demonstrasse benefícios claros em relação às opções já disponíveis. Hoje, a adesão à PrEP oral gira em torno de 60%, enquanto cerca de 40% das pessoas têm dificuldade em manter o uso regular dos comprimidos. A introdução de uma opção injetável poderia justamente atender esse grupo que não consegue aderir ao esquema diário. 6. O lenacapavir substituiria a PrEP oral no Brasil? 🚫NÃO. A avaliação predominante entre especialistas é que o lenacapavir não substituiria a PrEP oral, que já é uma das bases da política de prevenção ao HIV no Brasil. O que está em discussão, segundo infectologistas e gestores, é a ampliação do conjunto de ferramentas disponíveis, e não a troca de uma tecnologia por outra. O lenacapavir entraria como uma opção adicional dentro da chamada prevenção combinada, permitindo que diferentes métodos coexistam e sejam utilizados de acordo com as necessidades e possibilidades do sistema de saúde. Essa lógica busca evitar dependência de uma única estratégia e aumentar a flexibilidade da política pública. Além disso, a substituição pura e simples da PrEP oral levantaria questões práticas e financeiras. A PrEP em comprimidos tem custo menor, logística conhecida e já está integrada aos serviços. O lenacapavir, por outro lado, envolve preço elevado, aplicação injetável e necessidade de adaptação da rede. Atualmente, 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo Adobe Stock 7. Como o lenacapavir age no organismo? O lenacapavir atua no HIV de um jeito diferente dos remédios mais conhecidos. Em vez de atacar uma única etapa da infecção, ele mira a “carcaça” do vírus, o capsídeo: uma estrutura de proteína que funciona como uma cápsula protetora do seu material genético. Assim, ao atingir o capsídeo, o medicamento acaba atrapalhando várias fases do ciclo do HIV ao mesmo tempo (veja o INFOGRÁFICO do começo desta reportagem). Logo após a entrada do HIV na célula humana, o capsídeo precisa manter um equilíbrio delicado: ser estável o suficiente para proteger o material genético, mas flexível para se desmontar no momento certo. O lenacapavir interfere nesse processo, dificultando que o vírus faça esse “desencaixe” no tempo adequado e consiga levar seu material genético até o núcleo da célula, etapa essencial para que a infecção se estabeleça. Por isso, o efeito do medicamento não se limita ao início da infecção. Em fases mais avançadas, quando o HIV tenta produzir novas partículas, o lenacapavir também interfere na montagem dos vírus recém-formados. O resultado são partículas mal estruturadas, com menor capacidade de infectar outras células e de dar continuidade à infecção. Como essa ligação ao capsídeo é duradoura, o bloqueio se mantém por longos períodos no organismo. É isso que permite esquemas de uso espaçados, como a aplicação a cada seis meses, tanto em estratégias de prevenção quanto de tratamento. 8. Qual é a eficácia comprovada do lenacapavir? Em dados apresentados na 25ª conferência internacional sobre a Aids, que aconteceu em Munique, na Alemanha, em 2024, e publicados no NEJM, a Gilead Sciences mostrou que o lenacapavir tem uma eficácia geral de 100% na prevenção da infecção pelo HIV-1 - responsável por quase todas as infecções de HIV no mundo. Segundo a publicação, que trouxe dados desse acompanhamento de mais de 2 mil mulheres cisgênero na Uganda e na África do Sul, o medicamento injetável aplicado somente duas vezes por ano se provou tão eficaz que o estudo clínico chegou a ser interrompido precocemente, já que os números superaram os critérios de interrupção pré-definidos. O estudo provou que NENHUMA das 2.134 mulheres que recebeu o lenacapavir contraiu o HIV. Em comparação, 16 das 1.068 mulheres (ou 1,5%) que tomaram entricitabina (FTC) e fumarato de tenofovir desoproxila (TDF), a combinação farmacológica da PrEP, foram infectadas. Já 39 das 2.136 mulheres (1,8%) que receberam emtricitabina (FTC) e tenofovir alafenamida (TAF), um comprimido diário chamado comercialmente de Descovy, foram infectadas. Resultados semelhantes apareceram também no PURPOSE 2, estudo que incluiu homens cis, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias em países como Brasil, Argentina, México, Peru, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos. Nesse ensaio, o lenacapavir injetável aplicado duas vezes por ano reduziu em 96% o risco de adquirir HIV quando comparado à chamada incidência “de base”, isto é, a taxa esperada de infecção em pessoas com perfil semelhante que não utilizavam PrEP. Na prática, isso significa que o risco observado entre usuários do lenacapavir foi apenas 4% do risco esperado sem prevenção. O estudo também comparou diretamente o lenacapavir com a PrEP oral diária padrão (FTC/TDF). Houve 2 infecções entre cerca de 2.180 participantes que receberam o injetável, contra 9 infecções entre pouco mais de mil pessoas que usaram a PrEP oral. Célula infectada por partículas do vírus HIV, anexas à superfície National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) 9. O que dizem os organismos internacionais sobre o lenacapavir? Por causa desses números tão positivos, o Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, emitiu um comunicado afirmando que o medicamento oferece uma esperança de acelerar os esforços para acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 - meta que faz parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. No entanto, para que isso aconteça, a agência da ONU diz que a Gilead precisará assegurar que todas as pessoas que necessitam desse medicamento tenham seu acesso garantido. "Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030", afirmou Winnie Byanyima, Diretora Executiva do Unaids. Na mesma linha, a Organização Mundial da Saúde classificou o lenacapavir como um avanço relevante na prevenção do HIV e publicou diretrizes recomendando o uso do medicamento injetável de longa duração como nova opção de PrEP, aplicada duas vezes ao ano. Para a OMS, o lenacapavir deve integrar a chamada prevenção combinada, ao lado da PrEP oral e de outros métodos já existentes, ampliando o leque de escolhas para pessoas em maior risco de infecção. Entenda como funciona a pesquisa da vacina contra o HIV 10. O que é essencial saber sobre o HIV e a Aids? A Aids é uma doença causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV, na sigla em inglês). Esse vírus invade e enfraquece o sistema imunológico, que protege o corpo contra doenças. O HIV atinge principalmente os linfócitos T CD4+. Ele modifica o DNA dessas células e se replica. Após se multiplicar, o vírus destrói os linfócitos e continua a infecção em novas células. Pessoas que vivem com HIV/Aids (PVHA) com carga viral indetectável têm risco zero de transmitir o vírus por via sexual. Já pessoas que vivem com HIV/Aids que não estão em tratamento ou possuem carga viral detectável podem transmitir o vírus a outras pessoas. A transmissão pode ocorrer por meio de relações sexuais sem proteção, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, caso não sejam adotadas as medidas preventivas necessárias. A maneira mais eficaz de prevenir o HIV é a prevenção combinada, que utiliza várias abordagens simultâneas para atender diferentes necessidades e formas de transmissão. Já a PrEP é uma das principais formas de prevenção do HIV. Comprimidos são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Se você teve uma situação de risco, como sexo desprotegido ou uso compartilhado de seringas, faça o teste de HIV. Se a exposição ocorreu há menos de 72 horas, procure informações sobre a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP). VÍDEO: Preconceito e discriminação com quem vive com HIV são obstáculos para uma vida saudável Preconceito e discriminação com quem vive com HIV são obstáculos para uma vida saudável

Palavras-chave: tecnologia

O que a ciência sabe sobre os riscos dos fones bluetooth; tema viraliza em vídeos nas redes sociais

Publicado em: 23/01/2026 04:01

O que ciência sabe sobre vídeos na internet que apontam riscos dos fones Bluetooth Vídeos que circulam nas redes sociais afirmam que o uso de fones de ouvido bluetooth estaria relacionado ao surgimento de nódulos na tireoide e a outros riscos à saúde. Muitas dessas publicações mencionam um estudo publicado em uma revista científica do grupo Nature, mas nem sempre deixam claro que a pesquisa identificou apenas uma associação estatística, e não uma relação de causa e efeito. Os autores do estudo são claros ao afirmar que, embora tenham encontrado uma associação estatística importante, os resultados não implicam inerentemente uma relação de causalidade. Isso significa que a pesquisa mostra que os dois fatores, uso de fones e nódulos, aparecem juntos com frequência, mas não prova que um seja a causa direta do outro, ponto que não é explicado na maioria dos vídeos. A pesquisa foi conduzida como uma exploração epidemiológica (ciência que estuda a distribuição, frequência e os fatores determinantes de doenças) que utilizou inteligência artificial avançada para investigar a relação entre o uso de fones bluetooth e o risco de nódulos na tireoide. O processo seguiu etapas de coleta de dados, processamento estatístico e modelagem preditiva (técnica de análise de dados). Nesses estudos, uma associação indica que dois fatores podem ocorrer juntos com maior frequência, sem que um necessariamente provoque o outro. Para estabelecer causalidade, são necessários estudos mais aprofundados, como pesquisas prospectivas, com acompanhamento ao longo do tempo, grupos de controle e replicação dos resultados em diferentes populações. O que dizem os especialistas Segundo a médica Pauliana Lamounier, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), do ponto de vista da otorrinolaringologia, o maior risco para a audição está relacionado ao volume do som e ao tempo de exposição. O tipo de fone também tem influência: se for intra-auricular(encaixados dentro do canal auditivo), tende a concentrar mais energia sonora dentro do conduto auditivo do que os fones do tipo concha (cobre toda a orelha). “Quando surgem muitas falas alarmistas, é importante aguardar novos estudos antes de mudar comportamentos. São necessários estudos independentes, com diferentes populações e contextos, além de pesquisas prospectivas, com acompanhamento ao longo do tempo, grupo controle e replicação dos resultados. Existem vários critérios para que a gente consiga, de fato, comprovar uma relação de causalidade. Qualquer alarme que se faça em relação a isso, no momento, é excessivo”, afirma Carolina Ferraz, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Muitas crianças e jovens usam fones de ouvido para ouvir música, assistir a vídeos e jogar. Freepik Para jovens e crianças existe um risco maior? Jovens podem apresentar uma vulnerabilidade específica devido aos seus hábitos de consumo tecnológico. Crianças e adolescentes, possivelmente, terão uma exposição acumulativa maior a esses aparelhos ao longo da vida. Geralmente, crianças e adolescentes não percebem os sintomas iniciais do dano auditivo, como zumbido ou dificuldade de compreensão da fala. “Os fones de ouvido, por si só, não são vilões. O problema é o uso inadequado, especialmente ouvir música em volume elevado por períodos prolongados, o que representa o principal risco à saúde auditiva”. ressalta Pauliana Lamounier. Radiação não ionizante e limites conhecidos Os fones bluetooth emitem radiação de radiofrequência (RF) não ionizante, a mesma categoria usada por dispositivos como celulares, Wi-Fi e outros equipamentos eletrônicos de uso cotidiano. Trata-se de uma radiação de baixa energia, incapaz de ionizar átomos ou causar danos diretos ao DNA. A tecnologia bluetooth opera na frequência de 2,4 GHz, faixa amplamente estudada e regulada por órgãos internacionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidências consistentes de efeitos adversos à saúde associados à exposição à radiofrequência dentro dos limites recomendados. Até o momento, não existem diretrizes médicas ou regulatórias que limitem o uso de fones bluetooth por risco de radiação. Existe alguma recomendação? De acordo com Carolina Ferraz, esse estudo pode ser considerado um primeiro alerta, mas ainda são necessários outros trabalhos para avaliar se existe, de fato, alguma relação causal. Ela explica que as sociedades médicas são claras quanto às indicações de ultrassonografia e que as diretrizes não recomendam rastreamento para qualquer pessoa. Segundo ela, especialmente por causa desse artigo, não há indicação de que se passe a rastrear toda a população. Existe uma regra prática que pode ajudar, conhecida como regra do 60/60. A orientação é utilizar o som em até 60% do volume máximo do aparelho por, no máximo, 60 minutos seguidos, fazendo pausas para descanso da audição após esse período, como forma de prevenir a perda auditiva induzida por ruído. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)