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Empresário pernambucano procurado pela Interpol por violência doméstica é preso nos EUA

Publicado em: 15/09/2025 16:32

Saulo Ferreira Melo, de 34 anos, responde a processo no Brasil por violência doméstica Reprodução/WhatsApp O empresário pernambucano Saulo Ferreira Melo, de 34 anos, foi preso nos Estados Unidos (EUA) enquanto estava foragido por crimes cometidos no Brasil. Ele foi acusado pela ex-companheira de descumprimento de medidas protetivas, estelionato, fraude, extorsão, violência psicológica e lesão corporal. A prisão foi confirmada, nesta segunda-feira (15), pela Polícia Federal em Pernambuco. Segundo a PF, ele foi detido pelo Serviço de Imigração Americano no dia 26 de agosto. Saulo continua nos EUA, sob custódia da polícia de imigração americana, num centro de imigrantes em Rancho Road, na Califórnia. De acordo com a defesa de Saulo Ferreira Melo, a prisão não se deu em razão do mandado de prisão que estava em aberto, mas por conta de uma irregularidade administrativa em seu visto de permanência nos Estados Unidos (entenda mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O mandado de prisão preventiva foi expedido pela Vara de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Capital, no Recife, em abril deste ano. No processo, o réu foi condenado a 5 anos de reclusão. No mesmo período, ele fugiu para os EUA e, desde junho de 2025, seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Ele estava foragido há quatro meses e era procurado nos 192 países que compõem a Organização Internacional de Polícia Criminal (OIPC). Em nota, a Polícia Federal em Pernambuco informou que "trabalha na transferência em tempo hábil para o país – a depender da celeridade do processo de deportação levado a efeito pelas autoridades americanas – não se descartando o início de processo de extradição". As medidas visam apresentar o foragido à Justiça brasileira. Violência contra mulher O processo segue em segredo de Justiça, por isso o nome da vítima não será divulgado. O g1 teve acesso à decisão judicial assinada no dia 28 de abril pela juíza Catarina Vila-Nova Alves de Lima, da 1ª Vara de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O documento informa que, segundo o boletim de ocorrência, Saulo praticou diversos crimes contra a vítima. De acordo com a sentença, os fatos "são graves, demonstrando elevado grau de perversidade, encontrando-se a vítima em maior situação de vulnerabilidade". Além disso, a mulher informou que Saulo não estava pagando pensão alimentícia. Na audiência preliminar de conciliação, ao ser questionado sobre seu endereço atualizado, o acusado não respondeu. Ele precisou ser intimado para indicar os endereços residenciais, porém, segundo a juíza, ele "apresentou resposta preliminar de forma intempestiva e restou silente em relação ao endereço". A vítima ficou sabendo que Saulo saiu do país e informou à Justiça. Por esses motivos, foi decretada a prisão preventiva do acusado. Segundo Amanda Florentino, responsável pela defesa da vítima, embora a prisão não tenha acontecido em decorrência dos crimes cometidos no Brasil, a prisão do emprésario pela Interpol deve facilitar a transferência do acusado de volta ao país. “Ele foi preso pelo serviço de imigração americana, possivelmente por algum problema com o seu visto, mas não impede de ter a verificação e a confirmação do mandado de prisão em aberto”, comentou a advogada. De acordo com a advogada, voltando ao Brasil, o empresário pode responder ao processo em liberdade, mas a defesa acredita que a fuga para os Estados Unidos deve justificar a manutenção da prisão preventiva. “Há a possibilidade de ele responder em liberdade. Dentro da Constituição, ele tem alguns benefícios previstos. Óbvio que a defesa vai lutar para que isso não aconteça, pela magnitude das violências sofridas pela vítima e por demonstrar que ele não tem interesse em cooperar com a justiça, por ter fugido do país e passado quatro meses foragido”, apontou. Ainda de acordo com a advogada, sua cliente não é a única vítima de violência doméstica conhecida. “Ele responde a diversos processos criminais de outras naturezas. Existe outra vítima de violência doméstica. [...] Nós temos conhecimento de duas mulheres, a ex-mulher dele e minha cliente. Pode ser que tenha outros [casos]. [...] Até saiu na mídia um vídeo onde ele agrediu sua ex-companheira, na frente, inclusive, das crianças”, disse Amanda. “É uma prisão que a gente vem esperando enquanto defesa. Cada passo que o processo dá, mexe um pouquinho mais na ferida, traz as lembranças e, óbvio, o medo. Nesse momento, ela segue com bastante medo”. O que diz a defesa de Saulo Ferreira Melo Procurado pelo g1, o advogado Paulo de Tarso Frazão Negromonte, responsável pela defesa de Saulo Ferreira Melo, disse que irá se manifestar sobre as acusações apenas nos autos processuais "para comprovar de forma efetiva o seu estado de inocência". Em relação à prisão nos EUA, Paulo de Tarso disse que o procedimento não teve relação com o processo que tramita no Brasil. Segundo ele, a detenção aconteceu por conta de uma "irregularidade administrativa de visto de permanência nos Estados Unidos junto ao serviço de imigração". O g1 perguntou ao advogado quais foi a irregularidade administrativa que motivou a prisão do empresário pela polícia de imigração, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. Quem é Saulo Ferreira Melo O empresário Saulo Ferreira Melo é sócio-administrador da Agittos Promoções e Eventos, fundada em 2019 no Recife. A empresa tem como atividade principal serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas. Em 2024, a Agittos Promoções e Eventos foi responsável por promover o festival de música Rock Remembers. O evento, que seria realizado em 19 de julho daquele ano, foi cancelado. A promessa da produtora foi que o valor dos ingressos seriam devolvidos aos clientes no mesmo mês. Porém, denúncias no portal Reclame Aqui indicam que diversas pessoas não receberam reembolso. ⏬Veja, no vídeo abaixo, como mulheres vítimas de violência doméstica podem ajudar: Violência contra mulher: como pedir ajuda VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: vulnerabilidade

Ministério Público denuncia Hytalo Santos e marido por tráfico de pessoas, pornografia infantil e exploração sexual

Publicado em: 15/09/2025 16:07

Prisão de Hytalo Santos e Israel Vicente completa um mês O influenciador Hytalo Santos e o marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, foram denunciados pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) pelos crimes de tráfico de pessoas, produção de material pornográfico e favorecimento da prostituição e exploração sexual de vulneráveis. O casal está preso em João Pessoa, no presídio do Roger, desde 28 de agosto, quando foram transferidos de São Paulo. De acordo com o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que é responsável pela investigações, a apuração revelou um modus operandi estruturado e premeditado, voltado à exploração sexual de crianças e adolescentes, caracterizado pela utilização de artifícios de fraude, promessas de fama e vantagens materiais para atrair vítimas em situação de vulnerabilidade. O MP também pede indenização por danos coletivos no valor de R$ 10 milhões. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias do PB em tempo real e de graça Gaeco investiga Hytalo Santos e o marido; Polícia Civil presta apoio técnico O caso do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, Israel Vicente, conhecido como Euro, cuja prisão completa um mês nesta segunda-feira (15), desde que eles foram detidos em São Paulo por tráfico de pessoas e exploração de crianças e adolescentes, passou a ser investigado integralmente pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado da Paraíba (Gaeco-PB). De acordo com o promotor Dennys Carneiro, do Gaeco, a investigação corre em segredo de Justiça e detalhes em relação ao oferecimento de denúncia por parte do órgão não podem ser revelados. Inicialmente o caso era investigado também pelas promotorias de Bayeux e João Pessoa, pelos promotores Ana Maria França e João Arlindo. Porém, desde o final de agosto, o caso foi transferido integralmente para o Gaeco, que passou a ser o órgão que, agora, junta as provas do caso. Sobre a Polícia Civil, o g1 entrou em contato com o delegado Carlos Othon, que informou que a corporação não investiga o influenciador e o marido dele, e que essas investigações são exclusivas do Gaeco. O delegado disse que apenas o setor de Inteligência da corporação está envolvido no caso, prestando apoio técnico para extração de dados em oito equipamentos eletrônicos. A polícia também havia participado da transferência do casal para a Paraíba em 28 de agosto. O advogado do casal, Felipe Cassimiro, disse para a reportagem que "muitos pedidos" para soltar Hytalo e Euro foram protocolados para a Justiça e ainda aguardam decisão. A defesa disse acreditar que a prisão "se encerre nos próximos dias". Ele já afirmou que o casal é inocente. Caso de Hytalo Santos passa a ser investigado por grupo de combate ao crime organizado na Paraíba Fantástico/Reprodução Cronologia do caso Hytalo Santos Quem é Hytalo Santos, influenciador preso por suspeita de exploração infantil VÍDEO DE FELCA DENUNCIA HYTALO SANTOS: Em 6 de agosto, o youtuber Felca denunciou as práticas do paraibano. A conta do Instagram do influenciador saiu do ar. BUSCA E APREENSÃO: mandado cumprido na quarta-feira (13) em um condomínio de luxo, onde o influenciador mora, no bairro do Portal do Sol, pela promotoria de João Pessoa; BLOQUEIO DE REDES SOCIAIS: decisão da Justiça que bloqueou o acesso às redes sociais do influenciador; PROIBIÇÃO DE CONTATO COM AS VÍTIMAS: Hytalo não pode ter contato com os adolescentes citados no processo; DESMONETIZAÇÃO: ele não pode receber dinheiro por conteúdos publicados nas redes sociais; SEGUNDO PEDIDO DE BUSCA E APREENSÃO: na quinta-feira (14), a Justiça da Paraíba autorizou novas buscas e apreensões em endereços ligados a Hytalo Santos. Desta vez, a autorização é relacionada à ação da promotoria de Bayeux. PRISÃO DE HYTALO SANTOS E DO MARIDO: Hytalo Santos e o marido dele, Israel Nata Vicente, foram presos preventivamente na sexta-feira (15) em uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo, após a Justiça decretar a prisão de ambos. TJPB NEGA SOLTURA DE HYTALO: O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) negou o pedido de liberdade do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, no sábado (16). JUSTIÇA BLOQUEIA BENS DE HYTALO SANTOS: A Justiça do Trabalho da Paraíba acatou pedido do MPT para bloquear carros, bens e valores de até R$ 20 milhões sob propriedade do influenciador. HYTALO SANTOS E MARIDO SÃO TRANSFERIDOS PARA A PARAÍBA: O influenciador e o marido foram transferidos para o presídio do Roger, em João Pessoa, no dia 28 de agosto. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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Troca de ingressos da Festa da Uva Fina de Ferraz de Vasconcelos começa nesta segunda-feira

Publicado em: 15/09/2025 10:40

Fundo Social é um dos pontos de troca da Festa da Uva de Ferraz de Vasconcelos Laura Ramos/Secom Ferraz de Vasconcelos A troca dos ingressos solidários da 41ª Festa da Uva Fina de Ferraz de Vasconcelos começa nesta segunda-feira (15). Os interessados devem ficar atentos ao que pode ser trocado pelo ingresso (confira a lista abaixo). ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Todos os alimentos arrecadados serão destinados às famílias em situação de vulnerabilidade do município. No total são 12 pontos de troca espalhados pela cidade (veja abaixo a lista) A Prefeitura orienta os moradores a fazerem um cadastro antes para que a troca ocorra de forma rápida. O link está disponível no QR Code nos cartazes afixados nos pontos de troca e também nas redes sociais da Prefeitura de Ferraz. Clique aqui para se cadastrar para fazer a troca dos ingressos Os shows fazem parte do aniversário de 72 anos de Ferraz de Vasconcelos e o line-up tem estrelas do sertanejo, forró, pagode e gospel, como Ana Castela, Leonardo, Menos é Mais, Bruno e Marrone, Nattan e Fernandinho. A Festa da Uva Fina acontece entre 9 e 14 de outubro, no Complexo Esportivo Gotthard Kaesemodel Jr, o Birutão. Veja os alimentos para troca de ingressos Ana Castela: um brinquedo novo Leonardo: 1 quilo de arroz ou um pacote de café Menos é Mais: 1 quilo de arroz ou um pacote de café Bruno e Marrone: 1 quilo de feijão ou 1 quilo de açúcar Nattan: 1 quilo de feijão ou 1 quilo de açúcar; Fernandinho: 1 quilo de feijão ou 1 quilo de açúcar Confira os pontos de troca UBS CSII UBS Vila São Paulo UBS Vila Margarida UBS Vila Santo Antônio UBS Jardim Yone Parque Nosso Recanto Casa da Mulher Paulista Ferrazense Centro de Arte e Cultura (CAC), no centro Estação Cidadania e Cultura, no Kemel Procon (dentro do CIC) no Parque São Francisco Fundo Social de Solidariedade Prefeitura de Ferraz Feira gastronômica movimenta Ferraz de Vasconcelos Assista a mais notícias

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Favela do Moinho: do abandono da fábrica à luta por moradia na última comunidade do Centro de SP

Publicado em: 15/09/2025 05:03

Montagem feita com auxílio de inteligência artificial a partir de fotos de diversas fases da Favela do Moinho, no Centro de São Paulo AYRTON VIGNOLA/ESTADÃO; PAULO LIEBERT/ESTADÃO CONTEÚDO; ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO; CAIO CASTOR; e RAUL LUCIANO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Moinho é a última favela remanescente no Centro de São Paulo. Alvo de disputas territoriais e habitacionais, a favela deve desaparecer em breve com a remoção compulsória dos moradores e a transferência da sede do governo para a região. Localizada entre os bairros Campos Elíseos e Bom Retiro, entre duas linhas de trens, a comunidade brotou em um terreno abandonado após a falência da indústria Moinho Central no início da década de 1990. Antes disso, algumas pessoas já se abrigavam na área encoberta pelo viaduto Engenheiro Orlando Murgel. Sua trajetória é marcada por décadas de conflitos habitacionais, grandes incêndios, violência policial, a sombra da gentrificação e a ausência de políticas públicas adequadas, transformando o local em um palco de disputas intensas entre moradores e o poder público. Enquanto o poder público aponta riscos estruturais e de segurança, além da presença do crime organizado, moradores e especialistas denunciam políticas de “higienização social” e processos de gentrificação cujo objetivo é expulsar populações de baixa renda de uma área com potencial no mercado imobiliário. Na segunda-feira (8), a favela virou palco de uma grande operação do Ministério Público. Dez pessoas foram presas acusadas de participar de uma rede criminosa que incluía tráfico de drogas. O alvo principal da ação foi Alessandra Moja, líder comunitária do Moinho (leia mais abaixo). ⬇️ No final desta reportagem, você pode ver um infográfico que mostra a cronologia da Favela do Moinho, da década de 1980 até os dias atuais. Da indústria ao abandono: como surgiu a comunidade O terreno que hoje abriga a Favela do Moinho já foi símbolo industrial. Inaugurado em 1949, o Moinho Central tinha capacidade para moer 450 toneladas de farinha por dia e armazenar até 5.600 toneladas de trigo em seus silos, explica o arquiteto Breno Felisbino em artigo publicado no Arch Daily. Com a crise industrial e a desativação de fábricas no Centro, a região passou a ser ocupada por trabalhadores sem alternativa de moradia. No início dos anos 1990, famílias ergueram barracos sob o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel e, em seguida, expandiram a ocupação para dentro do terreno. “O começo foi muito precário. Um fez uma casa ali, outro acolá, e aquilo foi crescendo. Aos poucos, virou uma comunidade”, contou o documentarista Caio Castor em conversa com o g1. Ele morou no Moinho entre 2012 e 2014. Favela do Moinho, no Centro de SP PAULO LIEBERT/ESTADÃO CONTEÚDO Em 2005, os moradores se organizaram e fundaram a Associação de Moradores da Favela do Moinho. Em contato com a assessoria jurídica gratuita de uma universidade, o grupo ingressou na Justiça Federal com um pedido de usucapião. 🔎 Usucapião é o instrumento jurídico usado para adquirir a propriedade de um bem que, normalmente, está negligenciado pelo proprietário, normalmente sem cumprir uma função social ou econômica. O direito só é garantido se a posse for prolongada (ocupação por tempo determinado em lei), pacífica e sem oposição. Justiça atende pedido da comunidade Em 2008, após quase 20 anos de ocupação, o juiz federal José Marcos Lunardelli, da 17ª Vara Federal, reconheceu de forma liminar a posse do espaço, garantindo provisoriamente o direito à permanência. A conquista, porém, não durou. Em 2024, o Judiciário revogou a decisão, devolvendo a área ao mercado. Favela do Moinho em 2012 Caio Castor Os grandes incêndios de 2011 e 2012 O Moinho também ficou marcado por grandes incêndios. Em dezembro de 2011, um incêndio matou uma pessoa e deixou cerca de 600 famílias desabrigadas. Os moradores afirmam que muitas pessoas morreram na ocorrência e contestam a versão oficial de duas mortes. No ano seguinte, em 2012, outro incêndio atingiu cerca de 200 barracos, ampliando a vulnerabilidade da comunidade. “Muitos moradores entendem esses episódios como tentativas de expulsão”, relata Caio. Foi justamente nesse contexto que o documentarista decidiu viver no local. Ele tinha dois objetivos: ajudar na reconstrução do espaço e fazer o registro histórico da comunidade. Ele participou ativamente dos mutirões de reconstrução e da criação do espaço coletivo "Casa Pública", que se tornou sede da associação. Nesse período, ele e outros parceiros utilizaram o audiovisual para registrar a vida na favela, as invasões policiais e as reuniões com o poder público, utilizando essas imagens para denunciar abusos e informar a comunidade. Caio revelou que pretende produzir um longa-metragem sobre o Moinho como forma de perpetuar a história de luta da favela. Apesar de décadas de reivindicações, apenas em 2022 a comunidade recebeu saneamento básico. Criminalização e operações policiais Em 2017, na gestão João Doria (PSDB), a Prefeitura anunciou uma operação de remoção das famílias. O discurso oficial associava a favela ao tráfico de drogas. O resultado foi a intensificação da repressão policial. Moradores denunciaram prisões arbitrárias, agressões e até a morte de um adolescente de 17 anos durante abordagem da PM. Para Caio, esse processo foi emblemático: “A criminalização do Moinho veio em um momento muito próximo do início da remoção. Associar a comunidade ao crime foi uma forma de justificar a expulsão”, apontou. Aumento das operações após perda do usucapião Em 2024, a Justiça revogou a tutela antecipada de usucapião concedida em 2008, deixando a comunidade sob risco iminente de despejo. Nos meses seguintes, se iniciou uma escalada nos conflitos — tanto o policial quanto o político. Em abril de 2025, moradores protestaram contra a desocupação, mas foram dispersados pela PM com bombas de efeito moral. Segundo o governo, a CDHU tem se reunido com os moradores desde o ano passado e está presente na região para “apresentar opções de atendimento habitacional” e “manter tratativas com as famílias que hoje moram na área, a fim de oferecer moradias dignas e seguras, de acordo com a política habitacional vigente.” Em maio, novas operações do CDHU, acompanhadas por policiais, demoliram casas e forçaram saídas. A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano argumentou que a presença da polícia na favela foi necessária para garantir a segurança dos funcionários do órgão. A comerciante Cíntia Bonfim, de 40 anos, vive no Moinho há quase 20 anos. Ela relatou ao g1 que a violência policial já resvalou em sua família. “Meu sobrinho de 16 anos saiu para comprar pão e um policial apontou o laser no peito dele. Ele chegou em casa apavorado”. Movimentação da tropa de choque da PM na Favela do Moinho, nesta quinta-feira (15) ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Gentrificação e higienização social A urbanista Isadora Guerreiro, do LabCidade da USP, analisa as ações como parte de uma estratégia maior de reestruturação do bairro, que deve ser alvo de uma grande mudança em razão da chegada da sede do governo estadual. Ela entende que o território tem passado por um processo de gentrificação e "higienização". "Toda a região ali está em processo de fechamento de cortiços, de criminalização, inclusive, de todo o comércio popular que existe, para retirada dessas pessoas e limpeza da área para a Parceria Público-Privada (PPP) para a mudança da sede do governo. Com certeza, é um acirramento de conflitos", destacou. A pesquisadora diz que o caso ilustra um modelo em que o combate ao tráfico e a “guerra às drogas” servem de justificativa para transformar áreas populares em espaços de interesse do mercado imobiliário. Renaci Marques, de 48 anos, cresceu na favela. Morador do Moinho desde 1987, ele está com dificuldade para conseguir uma nova casa. Para ele, a CDHU está dificultando a compra de imóveis no Centro: “Sempre desvalorizam os apartamentos que a gente encontra na região para obrigar a aceitar opções que ficam mais longe, em lugares como Itaquera ou Cidade Tiradentes. Mas nossa vida está aqui”, lamentou. Ele afirmou que teme o impacto da mudança em seu trabalho de reciclagem, já que é muito conhecido no Centro. Cíntia Bonfim afirmou que sua documentação para a carta de crédito está parada há cerca de 40 dias, sem previsão de andamento, enquanto, segundo ela, o processo é mais rápido para quem compra diretamente com a CDHU. O futuro incerto da comunidade Em maio de 2025, o governo federal afirmou que paralisaria o processo de cessão da área da favela em razão do modus operandi truculento utilizado pelo estado durante as desocupações. No dia seguinte ao comunicado da União, o Moinho amanheceu com forte presença da tropa de choque da PM. Os moradores fizeram protestos por três dias seguidos. Governos federal e estadual, então, firmaram um acordo para subsidiar imóveis de até R$ 250 mil pelo programa Minha Casa Minha Vida. A União deve arcar com R$ 180 mil e o estado com R$ 70 mil. Na prática, porém, o modelo exige que famílias aceitem sair do Centro. “A gente não quer ir embora. Queremos apenas condições dignas para continuar aqui, onde já construímos nossa vida”, resumiu Renaci. Para Caio Castor, o significado vai além da moradia: “O Moinho é símbolo da resistência contra a expulsão da população pobre do coração de São Paulo”, disse. Até julho de 2025, cerca de 441 famílias — o equivalente à metade dos moradores — já havia deixado a comunidade. Desse total, 280 casas foram descaracterizadas, 103 emparedadas e 14 demolidas. A moradora Cíntia reitera que a comunidade está vivendo em meio a ruínas e o medo é constante. Operação do MP na favela Na última semana, uma operação prendeu dez pessoas na favela. A investigação defende que Alessandra Moja agia para defender os interesses do irmão Leonardo Moja, conhecido como Leo do Moinho, que chefiava o tráfico no local e foi preso no ano passado. O MP argumenta que a Favela do Moinho funcionava como um "quartel-general" do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Centro da capital por meio do tráfico de drogas, extorsão de moradores e da lavagem de dinheiro. Nas redes sociais, o perfil da Favela do Moinho se manifestou em relação às prisões. O texto diz que as autoridades forjaram drogas na casa de Alessandra para criar uma situação de flagrante delito. A nota diz que Alessandra e a filha, que também foi presa, são reconhecidas por sua atuação na luta por moradia e direitos das cerca de mil famílias da comunidade. "A presença do PCC está literalmente em todos os lugares. Vai estar no Moinho, vai estar na Faria Lima, vai estar em vários lugares. Acho que a gente tem que falar o quanto a guerra às drogas tem servido de cortina de fumaça para outros interesses, sejam imobiliários, no caso da reestruturação de Campos Elísios, sejam políticos", pontuou Isadora Guerreiro. Cronologia da Favela do Moinho, em SP Arte/g1

Casos de coqueluche em Ribeirão Preto causam preocupação; saiba como se proteger

Publicado em: 15/09/2025 04:01

Casos de coqueluche em Ribeirão Preto causam preocupação após três anos sem infectados Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que Ribeirão Preto (SP) registrou 23 casos de coqueluche até o início de agosto. A situação acende um alerta para autoridades de saúde e especialistas, que apontam a queda nas coberturas vacinais como principal fator para a doença, que pode causar complicações graves, especialmente em bebês com menos de 1 ano. Em 2024, a cidade voltou a registrar casos após três anos consecutivos sem nenhuma ocorrência. Foram 88 pessoas infectadas, o maior número dos últimos 10 anos. 📱Siga o g1 Ribeirão Preto e Franca no Instagram Casos zerados por três anos seguidos A coqueluche voltou a aparecer de forma expressiva após um período de controle eficaz graças à vacinação. De acordo com a Vigilância em Saúde de Ribeirão Preto, de 2021 a 2023, a cidade não registrou nenhum caso da doença. A médica pediatra e infectologista Silvia Fonseca, que tem acompanhado a evolução da doença no município e o avanço das ocorrências após anos de estabilidade, vê os casos com preocupação. A gente já tinha conseguido controlar a coqueluche. Zerar os casos por três anos foi uma conquista importante, graças a vacinação. Ver esses números voltando a subir, é frustrante, especialmente porque temos vacina e sabemos que ela funciona" O cenário de estabilidade por três anos foi resultado direto da ampla cobertura vacinal, especialmente após a inclusão da vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) para gestantes, implantada em 2014. Essa vacina tem o objetivo de transferir anticorpos da mãe para o bebê durante a gestação, protegendo a criança nos primeiros meses de vida, período em que ela ainda não completou o esquema vacinal. Desde então, com o avanço da imunização, os números vinham diminuindo gradativamente. De acordo com a especialista, doenças como a coqueluche são altamente transmissíveis e precisam de uma cobertura vacinal próxima de 95% para se manter sob controle. Quando a imunização cai, os casos reaparecem. A vacina é o principal meio de prevenção da coqueluche TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL via BBC Casos da coqueluche em Ribeirão Preto Segundo dados da Vigilância Epidemiológica, o maior pico de coqueluche em Ribeirão Preto ocorreu em 2013, com 90 casos confirmados. LEIA TAMBÉM SUPERAÇÃO: Menino vence leucemia e é o 1º a ter alta em novo centro de transplante em Ribeirão Preto CONQUISTA: Gêmeas siamesas recebem alta após primeira cirurgia para separação de crânios em Ribeirão Preto, SP IMUNIZAÇÃO: Ribeirão Preto amplia vacinação contra gripe para toda população; veja como receber Foi justamente naquele ano que o município, alinhado às diretrizes do Ministério da Saúde, passou a reforçar as ações de imunização, sobretudo com a introdução da vacina dTpa para gestantes. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a taxa de cobertura da dTpa até junho deste ano era de 19,66%. No ano todo de 2024, o índice foi de 89,89%. O gráfico abaixo mostra a queda expressiva após 2013, seguida por um período de estabilidade sem casos, e, agora, uma nova ascensão em 2024 e 2025. Silvia explica que esse padrão é típico de doenças com alta transmissibilidade e dependentes de cobertura vacinal elevada para se manterem sob controle. “A gente observa surtos cíclicos da coqueluche quando a vacinação cai. Não é uma surpresa epidemiológica. O que surpreende é que, mesmo com vacina disponível, a gente ainda veja crianças adoecendo gravemente”, afirma. Ela alerta que a queda na imunização de bebês, adultos e gestantes durante a pandemia pode ter favorecido o retorno da doença. Durante a pandemia, muita gente deixou de vacinar. As gestantes pararam de ir ao pré-natal com frequência. Crianças perderam doses do calendário. E mesmo os adultos, que deveriam receber reforço com a dTpa, não procuraram a vacina. O vírus da Covid tirou o foco de todo o resto" Bebês são os mais vulneráveis A coqueluche costuma ser mais grave em bebês com menos de 1 ano, principalmente nos menores de 2 meses, que ainda não iniciaram ou não completaram o esquema vacinal. É justamente essa faixa etária que mais preocupa os especialistas. A doutora lembra que, em casos mais severos, a coqueluche pode levar à internação em UTI, complicações pulmonares e até à morte. “O bebê pequeno não tem defesa. Ele depende da mãe vacinada para receber anticorpos durante a gestação. Se a mãe não toma a dTpa, ele nasce desprotegido e pode evoluir rapidamente para um quadro grave. A bactéria da coqueluche produz uma toxina que paralisa os cílios das vias respiratórias. O bebê não consegue eliminar o muco e começa a se afogar na própria secreção. É muito angustiante". Além da vulnerabilidade dos bebês, a volta da doença acende outro alerta: a população adulta também pode se infectar e transmitir, muitas vezes sem saber que está contaminada. “Um adulto com coqueluche pode não ter os sintomas clássicos. Ele vai achar que está com uma tosse prolongada, uma virose comum, e vai conviver com um bebê em casa, sem saber que está passando a bactéria”, afirma Silvia. Principal prevenção contra a coqueluche é a imunização Divulgação/Semcom O que é a coqueluche? A coqueluche, também conhecida como "tosse comprida", é uma doença infecciosa que afeta as vias respiratórias, causa crises de tosse seca e falta de ar. A doença atinge principalmente bebês e crianças. É altamente transmissível, já que o contaminado pode infectar outras pessoas através de gotículas da tosse, espirros ou mesmo ao falar. Segundo o Ministério da Saúde, em alguns casos, a transmissão pode ocorrer por objetos recentemente contaminados com secreções de pessoas doentes, mas isso é pouco frequente. A coqueluche pode ser tratada com antibióticos, principalmente no início do quadro. No entanto, o medicamento tem efeito limitado sobre os sintomas mais avançados, como a tosse. Por isso, além do tratamento, é fundamental o isolamento do paciente infectado para evitar surtos, especialmente em ambientes escolares ou domiciliares com crianças pequenas. “O antibiótico interrompe a transmissão da bactéria, mas a toxina já produzida continua agindo no organismo. A pessoa pode continuar tossindo por semanas. Um caso confirmado deve ficar afastado por pelo menos cinco dias após o início do antibiótico. Se não houver tratamento, o isolamento precisa durar até 21 dias após o início da tosse”, explica Silvia. Como prevenir? A principal forma de prevenção é a vacina, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até 6 anos, gestantes e profissionais da área da saúde. Adultos também podem se proteger com a dose de reforço, que deve ser aplicada a cada 10 anos. No primeiro ano de vida, os bebês recebem a vacina pentavalente em três etapas: aos 2, 4 e 6 meses. Depois, são recomendadas doses de reforço aos 15 meses e novamente aos 4 anos. A pentavalente protege contra cinco doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e influenza tipo B. 'Morrer por coqueluche em 2025 é inadmissível' Para Silvia Fonseca, a atual situação exige uma resposta imediata das autoridades de saúde, das famílias e da sociedade. Ela reforça que a imunização é a única forma eficaz de interromper o ciclo de transmissão da doença. É como andar de carro sem cinto e com o motorista bêbado. A gente tem o recurso, tem a vacina, sabe como funciona. Morrer por coqueluche em 2025 é inadmissível. A gente precisa vacinar os bebês, os adultos, os adolescentes, as gestantes. Só assim a gente quebra essa cadeia. Não dá para esperar a próxima onda O que é coqueluche, doença que acendeu o alerta no Brasil e em países da Europa *Sob supervisão de Thaisa Figueiredo e Hélio Carvalho Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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Iza diz que sua era reggae 'demorou para começar': 'é algo que me acompanha desde sempre'

Publicado em: 14/09/2025 22:21

Iza fala sobre sua era no reggae: 'Começou, mas demorou pra começar' Depois de levar Olodum, Toni Garrido e Célia Sampaio ao palco do The Town 2025, Iza falou sobre sua "era reggae". Em entrevista ao g1, a artista afirmou que está namorando a nova fase há dois anos e que ela "começou, mas demorou para começar". "Porque é uma coisa que me acompanha desde sempre", explicou a artista. "Estou abraçando esse meu lado mais lúdico e profetiza da coisa. Às vezes eu subo no palco e começo a falar um monte de coisa, o que sinto vontade de falar. E acho que essa vulnerabilidade e essa busca por falar coisas que estão dentro do meu coração tem tudo a ver com coisas que o reggae defende", diz. "O reggae faz parte da minha vida desde sempre. A música que mais me deixou conhecida no início da minha carreira foi 'Pesadão', que foi abençoada pelo Marcelo Falcão." A artista também analisou se o Brasil entrou em um momento de valorização do reggae nacional. Além de seus projetos, também foi anunciado recentemente a participação de Edson Gomes no Lollapalooza 2026. "Estou achando isso muito louco. Às vezes a gente se pergunta se os conteúdos que estamos vendo estão ali por causa da nossa bolha. Mas não." "Está todo mundo se voltando para essa história maravilhosa que é o reggae no nosso país, que se veste de outras formas, como o Olodum, como o xote e várias outras vertentes. Fico muito feliz que está todo mundo muito ligado no reggae." "É maravilhoso para o meu trabalho, faz com que eu consiga conhecer novas pessoas, e que novas pessoas consigam também conhecer meu som", comemora. Iza no The Town Fábio Tito/g1

Palavras-chave: vulnerabilidade

Quadrilha internacional usa dados de vítimas de enchentes em esquema milionário de lavagem de dinheiro com fintechs

Publicado em: 14/09/2025 21:16

Esquema fez fortuna transformando uma das áreas mais pobres de São Paulo num laranjal Uma investigação exclusiva do Fantástico revelou que moradores do Jardim Pantanal, um dos maiores e mais pobres bairros da zona leste de São Paulo, foram usados por uma organização criminosa internacional em um esquema de lavagem de dinheiro. A quadrilha se aproveita da vulnerabilidade da população para aplicar golpes e movimentar milhões de reais por meio de fintechs. Santielle de Souza, moradora do bairro, foi uma das vítimas. Ela perdeu tudo na enchente que atingiu o Jardim Pantanal em 2022 e dias depois das fortes chuvas, um grupo bateu à sua porta. "Eles vinham nas casas, aí perguntavam se não queria fazer um cadastro para pegar uma cesta e ganhar R$ 100 para ajudar na enchente. Só que precisava dar o RG", lembra. Ela fez o cadastrou, recebeu o dinheiro, mas a cesta nunca chegou. E surgiram só problemas: multas de trânsito, contas bloqueadas e CPF inválido. Os dados são usados para abrir contas bancárias em nome das vítimas. Essas contas viram ferramentas para lavar dinheiro. A investigação mostrou que os dados dos moradores são repassados a empresas de fachada, que transferem os valores para fintechs ligadas à quadrilha. Uma dessas empresas, a RMD Administração Empresarial, teria movimentado R$ 480 milhões. Parte do dinheiro passa pela 2GO Instituição de Pagamentos, em nome do policial civil Cyllas Salerno Elias, preso durante a operação. O esquema foi descoberto por acaso, a mais de 700 km da capital, na cidade de Rosana. Um morador investiu em uma plataforma digital que prometia lucros por tarefas online. Ele perdeu R$ 33 mil e denunciou o caso à polícia. A investigação revelou que o site está hospedado fora do país e que o golpe é sofisticado, com uso de robôs para aplicar fraudes em larga escala. Já foram identificadas mais de 3 mil vítimas em todo o Brasil. O núcleo da quadrilha é formado por brasileiros e chineses. Entre os nomes apontados pela polícia estão Ricardo Daffre, Carlos Donizete de Souza, Lin Chen, Jie Zhang, Jie Wang, Yao Ji e Xiangguo Li. Cinco deles estão presos. Lin Chen e Yao Ji seguem foragidos. As defesas dos investigados negam envolvimento. O advogado de Xiangguo Li e Yao Ji afirma que não há provas concretas contra os dois. A defesa de Ricardo Daffre diz que ele colabora com a Justiça e é inocente. Já o advogado de Cyllas Salerno Elias afirmou que a 2GO forneceu todos os dados à polícia e que a fraude ocorreu no banco de origem. As defesas de Jie Wang e Jie Zhang não se manifestaram. O Fantástico não conseguiu contato com os advogados de Lin Chen e Carlos Donizete. Alguns moradores do Jardim Pantanal chegaram a ser denunciados à Justiça. Mas os promotores concluíram que eles também são vítimas. "Usaram de má fé contra muitos pais e mães de família, até senhoras, idosos mesmo, que estavam esperando alimento e tiveram seus nomes usados", lamenta Santielle. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Policial civil é preso novamente em investigação de golpe financeiro contra moradores do Jardim Pantanal

Publicado em: 14/09/2025 13:58

Agente da Polícia Civil de São Paulo Cyllas Salerno Elia Junior, criador e dono do 2GO Bank, uma das instituições financeiras citadas por Gritzbach Reprodução/TV Globo O policial civil Cyllas Elia Júnior, dono da fintech 2GO Bank, foi preso neste domingo (14) em São Paulo pela Corregedoria da Polícia Civil. A prisão temporária aconteceu no mesmo dia em que o Fantástico exibirá uma reportagem exclusiva mostrando como moradores do Jardim Pantanal, na Zona Leste da capital, foram vítimas de golpes financeiros. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, além da prisão, agentes cumpriram mandados de busca em cinco endereços autorizados pela Justiça. O caso corre em paralelo às investigações anteriores da Polícia Federal. Em fevereiro, Cyllas já havia sido alvo da Operação Hydra, quando relatórios da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo apontaram que a 2GO Bank movimentava valores milionários com criptomoedas ligadas ao PCC e até a organizações terroristas. À época, ele chegou a ser preso, mas voltou a trabalhar normalmente na Polícia Civil meses depois. De acordo com a apuração do Fantástico, no Jardim Pantanal os criminosos se aproveitaram da vulnerabilidade social da comunidade para aplicar fraudes. Com a promessa de cestas básicas, recolheram documentos dos moradores e abriram milhares de contas bancárias em nome das vítimas, que depois eram usadas no esquema de lavagem de dinheiro. Cyllas foi levado para a Corregedoria da Polícia Civil, onde deve prestar depoimento.

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DJ transforma desafio em lição de vida após pedalar mais de 4 mil km entre MG e o Uruguai

Publicado em: 14/09/2025 05:00

DJ mineiro viajou de bicicleta de Pedra do Indaiá até o Uruguai DJ Jotta Vieira/Arquivo Pessoal Deixar a cidade natal, a rotina e a família para se aventurar rumo ao desconhecido é uma decisão que poucos têm coragem de tomar. Mas foi exatamente isso que o DJ mineiro João Carlos Vieira, conhecido como DJ Jotta, de Pedra do Indaiá, decidiu fazer. Ele pedalou 4.200 km, ida e volta até o Uruguai, em uma viagem que durou 59 dias. A ideia da expedição nasceu de um momento delicado. No ano passado, Jotta enfrentou uma pneumonia e fez uma promessa à Nossa Senhora Aparecida pedindo pela cura. Ao alcançar a graça, disse que sentiu ter recebido um propósito de Deus: viajar de bicicleta. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Apesar de já pedalar longas distâncias, foi a primeira vez que encarou uma expedição internacional. A jornada começou no início de julho e terminou em 30 de agosto, quando retornou a Pedra do Indaiá. “Ali mesmo fui tocado, parece que com um propósito de Deus, e parti com o destino ao Uruguai. Nesse caminho eu realmente vi que o propósito de Deus na minha vida era em cima da bicicleta”, contou. Viagem durou 59 dias, com ida e volta até Pedra do Indaiá DJ Jotta Vieira/Arquivo Pessoal Segundo ele, a escolha pelo Uruguai não teve um motivo específico. O objetivo era começar por um trajeto que cruzasse os estados do Sul e testasse seus limites em longas distâncias. Mas, assim como na música, onde já soma mais de 20 anos de carreira, ele viu na viagem uma oportunidade de se reinventar. Durante os quase dois meses de pedaladas, a trilha sonora foi a canção "Eu Seguirei", do frei Gilson. “Minha conexão com a música vai muito além do que eu imaginava. Ela me dá força para seguir”, contou. Foram mais de 4 mil quilômetros percorridos em cima de uma bicicleta e levando apenas o essencial DJ Jotta Vieira/Arquivo Pessoal O trajeto não foi fácil. Em um dos momentos mais desafiadores, um ciclone atingiu a divisa entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. “Os ventos chegaram a 70, 80 km/h. Precisei deitar na pista e segurar a bicicleta por quase uma hora para não ser levado”, relembrou. Apesar das dificuldades, também houve espaço para solidariedade. Durante o percurso, Jotta dividiu alimentos com pessoas de rua e em situação de vulnerabilidade. “Comprava quatro pães, conseguia me alimentar e ainda compartilhar com quem não tinha certeza do que comer naquele dia. Isso me transformou em um ser humano melhor”, refletiu. LEIA TAMBÉM: Dois amigos, um carro antigo e um sonho: dupla de MG chega aos Estados Unidos após dois meses de viagem em Parati 1994 reformada Casal faz sucesso na internet ao mostrar cidades do interior de MG para além dos roteiros tradicionais Rock, estrada e amizade: motoclube criado por professores celebra aventuras em MG Entre tantas histórias do caminho, uma marcou de forma especial: o encontro com Fábio em Biguaçu (SC), que costuma estar em um posto de combustíveis da cidade. Ele, que usa cadeira de rodas, conta às pessoas como ficou tetraplégico após um acidente e hoje se dedica a pregar a palavra de Deus. Jotta gravou um vídeo com Fábio, que viralizou e já soma mais de 21 milhões de visualizações. “Acredito que esse foi um propósito que Deus me direcionou, compartilhar a história dele e espalhar ainda mais essa mensagem de fé”, acrescentou. DJ Jotta e Fábio durante a passagem por Santa Catarina DJ Jotta Vieira/Arquivo Pessoal Mesmo com espaço limitado, o DJ fez questão de levar uma foto do filho, um colar da avó e, como define, muita força de vontade. "Hoje, o meu pouco se tornou muito. Aprendi a compartilhar, ter mais empatia e amor ao próximo", disse. Segundo Jotta, a aventura também trouxe reflexões sobre autoconhecimento e mudou sua forma de ver a vida. "Descobri que a vida é maravilhosa e que a gente reclama demais por pouca coisa. Temos muito mais motivos para agradecer", acrescentou. DJ mineiro viaja de bicicleta de Pedra do Indaiá até o Uruguai DJ Jotta Vieira/Arquivo Pessoal De volta a Pedra do Indaiá no dia 30 de agosto, DJ Jotta já se prepara para a próxima expedição. Em outubro, o destino será a Bolívia, passando novamente por Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. “Essa é a missão e o propósito que Deus me deu: seguir viajando, levando música, fé e empatia mundo afora. O impossível é só questão de opinião. Seja qual for o problema, quando ele chegou você já estava aqui, então você é maior do que ele. Nunca desista dos seus sonhos", finalizou Jotta. VEJA TAMBÉM - TV Integração 60 anos: aventuras na terceira idade TV Integração 60 anos: aventuras na terceira idade VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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Do subsolo de Nova York ao interior paulista, cultura ballroom resgata legado de acolhimento e visibilidade da comunidade LGBTQIA+: 'É aconchego'

Publicado em: 13/09/2025 17:32

g1 esteve no evento 'Ballroom Sorocaba APT' para entender melhor como a comunidade funciona Diogo Del Cistia/g1 "Você só precisa deixar o seu corpo seguir o ritmo". Há mais de 35 anos, Madonna usou sua fama como ícone pop para dar visibilidade ao "vogue" como arte e expressão, por meio da canção homônima, que liderou diversas paradas musicais. A canção homenageia o estilo de dança criado na subcultura queer de Nova York e celebrado no ballroom (evento artístico que reúne comunidades marginalizadas em competições). Os dançarinos imitam poses de modelos da revista Vogue. Como em uma sessão de fotos, os movimentos são definidos por linhas, poses e expressões faciais intensas. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Quarenta anos depois, o vogue e o ballroom ultrapassaram Nova Iorque e conquistaram reconhecimento mundial, chegando inclusive a cidades do interior de São Paulo. Para entender melhor essa comunidade, o g1 acompanhou o evento "Ballroom Sorocaba – Aberto Para Todes" e descobriu que a dança é apenas um dos pilares que sustentam a força dessa cultura. O idealizador do projeto, Jeff Cabal, conta que seu interesse pelo ballroom começou em 2018. A curiosidade surgiu ao participar das balls – como são chamadas as competições – e perceber que os eventos também incluíam rodas de conversa e espaços de acolhimento. Madonna apresentando 'Vogue' no MTV Video Music Awards de 1990 Reprodução/MTV "As primeiras movimentações começaram por volta de 2016. Já existiam pessoas que tinham acesso a essa cultura e eu sempre fui próximo às pessoas que convivem em núcleos artísticos. Eu me interessei por tudo, mas, por ser uma pessoa muito politizada, o fato da ballroom sempre trazer questões como raça, gênero e até mesmo saúde, como prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), foi algo muito legal para eu poder me aproximar", conta. Na visão de Jeff, que também é fotógrafo e produtor cultural, o ballroom funciona como um vínculo familiar. Frequentado por pessoas de comunidades marginalizadas, o espaço acaba sendo usado para ensinar práticas e prevenções que, em muitos casos, seriam aprendidas dentro de casa. “Nós falamos sobre demandas da vida adulta que, muitas vezes, as pessoas de dentro de casa não comentam. Saúde LGBT, profissionalização, mercado de trabalho. É um núcleo muito forte de acolhimento. Conseguimos nos aproximar de juventudes que estão em processos de vícios em substâncias como uma rede de apoio. Claro que, em nenhuma hipótese, vai substituir a rede de saúde, mas estamos aqui para ajudar”, comenta. Jeff Cabal é um dos idealizadores do projeto phfalcadi/Divulgação Dentro do universo ballroom, existem as houses, que são "famílias" formadas por integrantes da cultura. Jeff pertence à House of Cabal, fundada por Tanesha Cabal em Juiz de Fora (MG), mas atualmente não se considera mais líder da house, nem da cena local. "Existem outras houses espalhadas pela cidade, como a Avalanx, que se juntou a nós para produzir o projeto, a De Lá, que é a primeira house composta por travestis, a house de Cue e outras mais. No nosso caso, nós somos uma kiki house, ou seja, de âmbito regional. As houses mainstream, ou seja, dos grandes centros, ficam em grandes cidades de outros países, como Paris e Nova York", diz. Como e quando o ballroom surgiu? Ao g1, Jeff explica que as houses têm esse nome — casa, em inglês — por representarem um lar para quem as frequenta. As primeiras surgiram nos Estados Unidos, na década de 1980, com o objetivo de acolher pessoas marginalizadas que precisaram deixar suas casas. Essa realidade foi retratada na série "Pose", na qual a protagonista, Blanca, acolhe pessoas LGBTs em situação de vulnerabilidade, em um período marcado pela ascensão da cultura do luxo. Mj Rodriguez, que interpreta Blanca, foi a primeira mulher trans a vencer um Globo de Ouro. "As mulheres trans e travestis assumiram a liderança naquela época. O ballroom surgiu de e para pessoas que não tinham para onde ir. Elas cuidavam dessas pessoas, na maioria trans ou travestis e trans, durante o período de epidemia do HIV e da Aids. Por muitas vezes, era a única coisa que os acolhidos tinham”, revela. Mj Rodriguez em cena de 'Pose' Eric Liebowitz/FX via AP "Às vezes, até as donas das casas conviviam com o vírus. Elas não necessariamente escondiam, mas ocultavam justamente para trazer uma força de tudo que estava acontecendo e manter um forte vínculo com os filhos acolhidos. Elas sobreviviam pelo amor e pela resiliência. Pode ser romantizado nas séries de TV, mas era algo bem forte e visceral", completa. Por consequência, Jeff opina que, levando em consideração todo o contexto envolvendo a epidemia dos vírus, a comunidade surgiu, também, para cumprir com o papel de naturalizar assuntos que sempre foram considerados tabus para a sociedade. "Embora sejam doenças que avançaram muito no tratamento, ainda é um demônio que assola a comunidade LGBTQIA+ frequentemente. Existem estigmas e preconceitos que cercam as pessoas de um modo geral e criam esse distanciamento do assunto ou de pessoas que têm HIV. O ballroom serve, também, para naturalizar isso", pontua. Conservadorismo regional Historicamente, Sorocaba e as demais cidades do interior podem ser consideradas tradicionalistas. Segundo Jeff, isso ainda é um empecilho para que a comunidade seja ampliada no município. Mesmo assim, ele sente que há uma certa movimentação natural das pessoas em relação ao movimento e que, junto disso, existem parcerias interessadas em colocá-lo em um patamar acima. "Não existe nenhum demarcador para frequentar a comunidade, com exceção de violência e preconceito. Mas, também, é importante fazer a manutenção das pessoas que já estão conosco há tempos para capacitá-las e transformá-las em um legado forte que não dependa de pessoas específicas. Tem sido um movimento natural, com políticas públicas, privadas e contato com marcas. Nós estamos primeiramente estruturando, para depois alcançarmos mais pessoas", relata. Evento é aberto para todos os públicos, apesar de ser majoritariamente LGBTQIA+ Diogo Del Cistia/g1 O representante da house acredita, também, que muitas pessoas possuem pensamentos apolíticos e que isso pode acabar distanciando-as de um local que tem grande expressividade política e sociocultural. "Nós vivemos em um território muito hostil. Às vezes, as pessoas não querem não por preconceito ou algo do tipo, mas simplesmente por não estarem 'nem aí'. No interior, as pessoas não gostam de falar sobre movimentações políticas. É um desinteresse geral", lamenta. Apesar da veia artística que cerca o universo do ballroom, Jeff ressalta que não é necessário possuir alguma vocação na área para frequentar os encontros. Segundo ele, existem pessoas que não competem nos eventos e, mesmo assim, fazem parte da comunidade. “A forma mais tradicional de entrar para uma house é sendo selecionado pelas pessoas que já estão em uma. Elas podem te ver durante uma competição e pensar: ‘Nossa, eu quero ela’. Mas a arte não é uma limitante nossa. Você pode trazer o seu conhecimento sobre algo para nós, com o que tiver como ferramenta”, diz. Jeff também é produtor cultural e fotógrafo Diogo Del Cistia/g1 “Há, por exemplo, psicólogos. Eles não são profissionais da house, é importante ressaltar, mas as pessoas das casas podem acabar se sentindo mais à vontade para conversar sobre questões psicológicas justamente por ser um diálogo entre duas pessoas LGBTQIA+. Dá para ser produtor, dá para ser uma pessoa que irá gerir as crises, entre outras coisas mais”, completa. Ainda segundo o fotógrafo, ser ou não LGBTQIA+ também não é um ponto considerado crucial para fazer parte, mas é necessário entender todo o contexto cultural de como a comunidade surgiu e se mantém no dia a dia. “É uma forma de furar a bolha. É uma cena que também conta com mulheres heterossexuais e, muitas vezes, existe a vontade de trazer o namorado ou o marido. Todos são muito bem-vindos, claro, mas é importante saber de quem é o protagonismo. Aqui, nós estamos falando, na maioria das vezes, de mulheres trans e travestis”, conscientiza. Ações e competições Malika competiu pela Femme House of De Lá Diogo Del Cistia/g1 O evento, que durou todo o mês de agosto, contou com diversas atividades educativas para quem se interessa em conhecer melhor o mundo do ballroom, como oficinas de "voguing", palestras conscientizadoras e rodas de conversas. A programação foi encerrada com um grande baile de competições - ou ball -, que contou com participantes de diferentes houses e categorias. Malika Saion é estudante de turismo e foi uma das competidoras da Celebration Kiki Ball. Desde a sua entrada no ballroom, ela é parte da House of De Lá, criada por Brianna Salera, e composta apenas por mulheres trans e travestis desde a sua formação na cidade. “Nós competimos na categoria ‘Face’, que é justamente sobre mostrar a beleza dos nossos rostos. É a beleza de ser travesti. Todo o ballroom é sobre a nossa cultura, sobre o nosso pertencimento, existência e divertimento. Mas, mesmo assim, o nervosismo bate em todas as competições”, revela. Dona de cinco troféus, ela acredita que a rivalidade entre as houses permanece somente nas competições. No dia a dia, a grande maioria das pessoas possui uma relação amigável, mantendo a premissa de família que a ballroom prega desde a sua criação. “Todos nós somos uma família. Meu namorado é da House of Cabal, inclusive. Estamos todos interligados e essa rivalidade não existe fora das balls. Dentro da pista, nós somos individuais e celebramos nossa maneira de ser”, pontua. “Para mim, ballroom significa aconchego. A sociedade não deixa nós sermos o que realmente somos. A sociedade não diz que somos bonitas, que nosso corpo é bonito, que nós somos alguém. O ballroom ressignifica tudo isso. É um lugar onde eu posso ser eu mesma, como se eu nascesse de novo”, complementa. Malika e Cali venceram uma das categorias no evento Diogo Del Cistia/g1 O nome Odara Soares, para as participantes do movimento cultural, já é conhecido há muitos anos. No evento, ela assumiu a função de jurada da competição. “Eu cheguei há cerca de seis anos, sem saber muito bem do que se tratava. Estava no auge da depressão [...] O ballroom mudou isso. Quando conheci, me apaixonei e percebi a importância que esse tipo de cultura tem para nós. Ela chega em lugares onde o sistema não quer que chegue”, compartilha. A mulher, que também é digital influencer, é uma das fundadoras da House of De Lá. Para ela, ver as outras integrantes da família competindo e se integrando cada dia mais representa uma sensação de maternidade. “Eu sinto muito isso por ser uma redução de danos. Nós tentamos orientá-las e instruí-las para não passarem por situações que passamos antes. Elas precisam ir além dos bailes. É uma responsabilidade muito grande ser um farol, um norte para as meninas da house”, afirma. “Muitas vezes, nós temos que colocar nossas próprias dores no bolso para acolhermos elas. Às vezes, nosso mundo está desmoronando, mas, quando vemos alguém mais vulnerável e que não tem a mesma vivência que nós, é nosso papel resgatá-lo. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, mas é o que mais consome pornografia trans, o que é hipócrita. Uma simples ida à padaria pode ser um verdadeiro filme de terror”, acrescenta. Odara foi convidada para ser a jurada da competição Diogo Del Cistia/g1 O vogue como dança e suas vertentes Gabrielly Dias, responsável pelo Ballroom Sorocaba junto a Jeff, conta que, de início, o vogue possui duas categorias essenciais para aprendizado: o “Old Way”, que é a antiga forma de performance, e o “New Way”, com alterações que vieram com o passar dos anos. “Assim como um campeonato de futebol, existem diversas categorias que, em cada uma delas, há uma regrinha diferente. Durante as aulas e as competições, nós prestamos atenção além da construção do movimento. Vemos também o ‘feeling’, o carisma, a coragem. Para quem quer começar, eu indico estudar primeiro”, comenta. A integrante da House of Avalanx comenta que a “jogada” no chão possui nome: deep. Ele deve ser feito de acordo com o limite da pessoa que está praticando e, conforme o movimento, pode acabar tendo um risco significativo de lesões. “Não é uma dança que você apenas joga uma parte do seu corpo. Há toda uma questão de se ‘jogar no chão’, que exige muita técnica e cuidado corporal. Se for feita de forma errada, pode acabar causando machucados sérios. Não é apenas dançar no chão. Faz parte da performance”, explica. Deep, se feito de forma errada, pode causar lesões sérias Diogo Del Cistia/g1 Ao decorrer do evento, Gabrielly deu aulas de “Vogue Femme” - outra vertente da dança criada por travestis e mulheres trans que, durante a performance, procuram exibir sensualidade e feminilidade. No entanto, a competição também possui categorias voltadas para quem não é tão “chegado” em dançar. “Nós tornamos o espaço como se fosse uma verdadeira passarela, para que você tenha a combinação do caminhar com movimentos de dança. O vogue é sobre vender, sobre desfile, sobre roupas. Há a categoria ‘pose’, que é só sobre poses fotográficas, ‘best dress’, para a melhor roupa, entre outras. Quem não sabe executar a dança pode participar dessas”, descreve. O público, de acordo com Gabrielly, também é uma peça-chave de todo o ballroom. As pessoas ao redor contam para aumentar e melhorar a energia das apresentações que, em todas as vezes, deve ser entregue com o máximo de força de vontade. “A plateia conta muito e ela tem que interagir bastante durante todo o tempo. Seja na hora de votar, de encorajar. As pessoas ao redor, que também estão gritando e se divertindo, também fazem parte do ballroom. A nossa comunidade vai muito além de quem está desfilando na passarela”, finaliza. Público é peça-chave do evento Diogo Del Cistia/g1 Confira outros destaques do g1 g1 em 1 minuto: Sorocaba tem uma farmácia para cada 2 mil habitantes *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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Prudente cria programa de prevenção à gravidez indesejada para mulheres em situação de vulnerabilidade

Publicado em: 13/09/2025 17:30

Adolescentes estão entre o público prioritário do programa SBP/Divulgação A Prefeitura de Presidente Prudente (SP) sancionou a Lei nº 11.696, que institui o Programa de Prevenção à Gravidez Indesejada no município. A ação deve promover acesso gratuito a um método contraceptivo de longa duração: o implante subcutâneo de etonogestrel. A norma foi publicada no Diário Oficial do Município. A proposta, de autoria do vereador Edgar Caldeira, tem o objetivo ampliar o acesso de mulheres em situação de vulnerabilidade a métodos contraceptivos e ações de educação sexual, com foco na redução de casos de gravidez não planejada e na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Segundo o texto da lei, o programa será gratuito e voltado às mulheres que firmarem anuência e atenderem aos critérios médicos. Terão atendimento prioritário: Adolescentes; Usuárias de drogas; Moradoras em situação de rua; Mulheres com três ou mais partos anteriores; Puérperas de alto risco; Mulheres com contraindicação à amamentação; Mulheres com distúrbios mentais ou baixo nível de compreensão; Mulheres que não se adaptaram aos métodos contraceptivos orais ou injetáveis oferecidos nas UBSs; Mulheres em situação de risco ou vulnerabilidade social. O programa ainda prevê ações como campanhas de divulgação sobre os serviços disponíveis nas unidades de saúde; ações de prevenção às DSTs e educação sexual; e oferecimento de implantes anticoncepcionais. A regulamentação da lei caberá ao Poder Executivo. O texto já está em vigor desde sua publicação e revoga normas anteriores que contrariem as disposições atuais. Em nota ao g1, a Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da Secretaria Municipal de Saúde informou que a Lei nº 11.696 segue as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde para ampliação do acesso aos métodos contraceptivos no Sistema Único de Saúde (SUS). “Atualmente, o Ministério da Saúde encontra-se em processo de regulamentação e distribuição do insumo, o que permitirá aos municípios organizarem a oferta do procedimento. Assim que o material for disponibilizado, a Secretaria irá definir os fluxos de atendimento, público-alvo e unidades de referência para garantir a implementação adequada da medida em nosso município”, explicou. Implante subcutâneo de etonogestrel Conforme a justificativa do projeto, a proposta visa oferecer às mulheres, principalmente as que se encontram em situação de vulnerabilidade social, acesso gratuito a um método contraceptivo de longa duração: o implante subcutâneo de etonogestrel. O dispositivo libera hormônios ao longo de até três anos, prevenindo a gravidez de forma eficaz e segura, mas com possibilidade de reversão — ou seja, a mulher pode retomar sua fertilidade poucos dias após a retirada do implante. A iniciativa busca prevenir, principalmente, casos de gravidez indesejada entre adolescentes, usuárias de drogas, moradoras de rua, mulheres com deficiência e aquelas que enfrentam risco de morte em razão de uma gestação. Segundo o autor da proposta, o projeto representa uma política pública de planejamento familiar e uma forma de minimizar impactos sociais decorrentes de gestações não planejadas. Confira outros destaques do g1 g1 em 1 minuto: mãe se inspira na banda KLB para dar nomes a trigêmeos Mãe se inspira na banda KLB para dar nomes a trigêmeos no interior de SP: 'Amor que vem do coração' VÍDEO: ouriço-cacheiro é resgatado com patas queimadas durante incêndio em mata de Presidente Prudente Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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Festival une rock e solidariedade em prol de animais resgatados em Descalvado; veja como participar

Publicado em: 13/09/2025 16:56

3º Rock Dog Fest acontece neste domingo (14) em Descalvado (SP) D'Prol Pets Rock and roll, opções gastronômicas e muito amor aos amigos de quatro patas. Essa é a proposta do 3º Rock Dog Fest, que acontece neste domingo (14) no espaço da Fepasa, a antiga estação ferroviária de Descalvado (SP). 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram O evento tem entrada gratuita, mas aqueles que quiserem também podem fazer contribuições (leia abaixo). Veja mais informações sobre o festival: 🎸 Qual o endereço e horário do evento? O festival começa às 10 e vai até as 18h na antiga estação ferroviária, localizada na Avenida Pio XVII, nº 134-186. 🐶 E a programação? Além de bandas locais e DJs, o evento contará com espaço para crianças e barracas de pastéis, lanches, sorvetes e doces. Black Room e Sonora são algumas das bandas confirmadas na agenda. Mais notícias da região: VÍDEO: Resgatado de maus-tratos, 'cachorro roqueiro' vira atração em show no interior de SP PETS: Clínicas veterinárias populares atendem animais gratuitamente em Araraquara e São Carlos FINAL FELIZ: Cachorra que ficou 10 dias em telhado após enchente no RS se adapta em novo lar em São Carlos ❤️ Gesto de amor O evento vai arrecadar produtos de limpeza e também 1 kg de ração canina. Os itens serão destinados a Organizações Não Governamentais (ONGs) que resgatam animais em situação de vulnerabilidade no município, informou a organização. O festival é uma parceria de organizações como o Moto Clube Insanos e D.A.P.A. D'ProlPets. Veja vídeo: cachorro rouba a cena em show de hardcore em São Carlos Dia do Rock: cachorro rouba a cena em show de hardcore em São Carlos REVEJA VÍDEOS DA EPTV: a Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

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Em mutirão de saúde, Lula diz que é preciso ampliar o programa Mais Médicos e construir hospitais universitários

Publicado em: 13/09/2025 13:35

Lula acompanha mutirão no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Ao lado dele, ministros Padilha e Alckmin Marcella Rodrigues/g1 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (13) que é preciso ampliar o programa Mais Médicos - que leva profissionais a regiões consideradas "prioritárias, remotas, de difícil acesso e de alto índice de vulnerabilidade". Ele acompanhou um mutirão de atendimentos no Hospital Universitário de Brasília (HUB). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. De acordo com Lula, quando a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu "impeachment", em 2016, o programa Mais Médicos contava 18 mil profissionais. Acrescentou que, no início de seu terceiro mandato, em 2023, o número havia caído para 12 mil médicos. "Houve uma piora na saúde brasileira. Mas já estamos com quase 30 mil médicos, mais do que dobramos em dois anos e meio, e achamos que é pouco. Uma parte da elite brasileira que acha que não precisa formar mais médicos, que tem muito. Tem em uma certa parte do país, mas quando entramos no coração do país, no Norte, no Nordeste, no sertão, não tem medico e o prefeito não tem dinheiro para pagar", declarou. O presidente também informou que pretende construir mais hospitais universitários no Brasil. A meta é de abrir 13 unidades até o final de 2026, quando se encerra seu mandato. O mutirão faz parte da iniciativa "Ebserh em Ação", que mobiliza médicos para aumentar o número de atendimentos e cirurgias. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esse é o maior mutirão já feito no país na área de saúde. A ação também acontece em outros 44 hospitais universitários federais neste sábado (13). Os hospitais devem realizar mais de 29 mil atendimentos neste sábado, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo: 1,9 mil cirurgias eletivas 4,5 mil consultas especializadas 22,7 mil exames especializados e terapias. O que é Ebserh? O nome do mutirão faz referência a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Ela é vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e é responsável por administrar os 45 hospitais universitários federais do país. LEIA TAMBÉM: HFAUS: hospital veterinário oferece 'tratamento de luxo' para animais silvestres no DF SEGURANÇA PARA EX-GOVERNADORES: Celina Leão diz que Ibaneis 'enfrentou crime organizado' Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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TCE aponta irregularidade nos benefícios dos institutos de previdência de cinco municípios do Alto Tietê

Publicado em: 13/09/2025 12:22

TCESP realizou auditoria em institutos de previdência municipal TCE-SP/Divulgação Um relatório do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) apontou irregularidades nas folhas de pagamentos dos beneficiários dos institutos de previdência dos municípios de Biritiba-Mirim, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Suzano (confira abaixo todos os detalhes). O TCE realizou uma auditoria fiscal em todos os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) municipais do estado. As auditorias foram realizadas no dia 16 de julho, após divulgação de um esquema de fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ocorrida entre 2019 e 2024, que desviou R$ 6,3 bilhões. O resultado foi divulgado no dia 30 de julho. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp O Tribunal selecionou os contracheques de 2024 dos beneficiários para checar se os valores descontados eram autorizados pelos aposentados e pensionistas. Os convênios firmados com bancos, sindicatos e empresas também foram verificados. Os casos em que não havia autorização formal para um ou mais desses descontos, ou quando eles não eram obrigatórios, foram apontados como irregularidade. De acordo com o TCE, descontos considerados indevidos são aqueles que não mostram o motivo dos valores serem descontados ou que não são autorizados pelos beneficiários. O TCE verificou que alguns benefícios dos servidores municipais de Arujá estão entre os que não apresentaram documentos comprovatórios em relação aos descontos. Mas no caso do município, os descontos foram feitos na folha de pagamento pelo Sindicato dos Servidores Públicos de Arujá e Região (Sindismar). Em Biritiba Mirim, o relatório apontou irregularidade nos contracheques de aposentados e pensionistas referentes a empréstimos consignados, pois não há documentos que comprovem que essas pessoas autorizaram os empréstimos. Já em Itaquaquecetuba, o relatório apresentou descontos como empréstimos consignados realizados por terceiros e descontos voluntários, em folha de pagamentos sem indicação que comprovem autorização ou assinatura dos beneficiários. Segundo o TCE, foram verificados descontos voluntários, como convênios, associações, planos e seguros, nos contracheques de aposentados e pensionistas de Mogi das Cruzes. Entretanto, não foram apresentados documentos que comprovem que os beneficiários autorizaram esses descontos. Isso fere os princípios de legalidade, transparência e controle, que, de acordo com o Tribunal, podem indicar falhas administrativas e até fraudes. Por fim, no Instituto de Previdência de Suzano, o TCE apontou falta de normativo interno que regulamente os descontos. O Tribunal recomenda que os institutos de previdências dos municípios regularizem e mantenham arquivadas as autorizações formais dos descontos, melhorem os controles internos, disponibilizem canais de atendimento e contestação para os beneficiários, e divulguem as regras normativas sobre os descontos em folha. Veja a situação em cada município Arujá De acordo com o TCE, os descontos nas folhas de pagamentos dos servidores de Arujá, não apresentaram acordos, contratos ou convênios formais firmados com o Sindicato dos Servidores Públicos de Arujá e Região (Sindismar). O TCE destaca que o sindicato está cobrando empréstimo consignado dos aposentados e pensionistas sem formalidade contratual. A Prefeitura de Arujá informou que o município não possui RPPS ativo e que os descontos relativos à sindicalização são autorizados diretamente pelos servidores ativos vinculados ao sindicato. Já o Sindismar não respondeu aos questionamentos do g1 até a última atualização desta reportagem. Biritiba Mirim De acordo com o TCE, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Biritiba Mirim não comprovou a existência de autorizações expressas dos beneficiários para descontos de empréstimos consignados. Segundo o tribunal, isso é uma falha grave de controle por parte da RPPS, pois abre margem para irregularidades ou fraudes. A Prefeitura de Biritiba Mirim informou que não foram identificados descontos irregulares na folha de pagamento. A administração municipal informou que não foi notificada pelo TCE sobre irregularidades e os apontamentos do relatório são relacionados às melhorias nos procedimentos de autorização de empréstimo consignado. Itaquaquecetuba De acordo com o TCE, o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Itaquaquecetuba não apresentou as autorizações dos beneficiários em relação aos descontos verificados. Segundo o tribunal, essa falha representa risco de irregularidade grave e possibilita a ocorrência de fraudes ou descontos indevidos. Além de demonstrar ausência de controle administrativo sobre os valores retidos e violação ao direito dos segurados e transparência da administração pública. A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que o município ainda não foi notificado pelo TCE. A administração municipal relatou ainda que o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Itaquaquecetuba (IPSMI) não identificou nenhuma irregularidade. Os aposentados e pensionistas entrevistados confirmaram estar cientes dos descontos realizados, que ocorrem por meio de convênio odontológico, empréstimos consignados e sindicatos. Mesmo assim, o IPSMI disse que já iniciou o procedimento para arquivar essas autorizações e está preparando a documentação necessária para responder ao Tribunal quando a notificação for recebida. Como não há registro de descontos indevidos, não há estudo de ressarcimento em andamento. Mogi das Cruzes De acordo com o TCE, o relatório verificou que nenhum dos descontos das folhas de pagamentos apresentava autorizações dos beneficiários do Instituto de Previdência Municipal de Mogi das Cruzes. Segundo o tribunal, a falta de comprovação representa risco de lesão financeira aos segurados. A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que foi alertada pelo TCE sobre essas autorizações e que iniciou um procedimento interno para apurar a legalidade dos descontos realizados em folha de pagamento dos beneficiários em 2024. A ação resultou na instauração de processo administrativo, que está em trâmite. De acordo com a gestão municipal, até o momento não foram identificados empréstimos consignados irregulares, mas sim a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle interno para garantir probidade, segurança e transparência nos descontos em folha de pagamento dos servidores públicos municipais. Suzano De acordo com o TCE, o relatório verificou a falta de um normativo interno do Instituto de Previdência do Município de Suzano (IPMS). que regulamente os descontos em folha de pagamentos dos aposentados ou pensionistas. Um normativo interno seria uma lei ou decreto municipal aprovado pelos conselhos fiscal, administração e previdenciário. A Prefeitura de Suzano informou que o relatório não apontou irregularidades na concessão de benefícios e nem na folha de pagamentos dos aposentados e pensionistas. De acordo com a administração municipal, a cidade é mencionada sobre a ausência de normativo interno para regulamentação de descontos em folha de pagamentos, que segundo o IPMS, não é exigida por lei. Quais são os descontos autorizados e quais são irregulares O TCE explicou que os descontos permitidos sem a necessidade de autorização do beneficiário são aqueles obrigatórios por lei. Entre eles: imposto de renda; contribuição previdenciária; pensão judicial. Já os descontos que não forem autorizados são considerados irregulares. Eles são chamados de voluntários. Entre eles: empréstimos consignados, desde que não sejam dos próprios RPPS; mensalidades associativas ou sindicais; convênios médicos ou odontológicos; seguros; plano de assistência social ou funeral; serviços contratados via entidades consignatárias. Auditora em todo o estado O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) auditou 218 Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) todo o estado e a São Paulo Previdência (SPPrev). A fiscalização apontou que 215 dos 219 RPPS auditados realizaram descontos em folha de pagamento sem comprovação de autorização dos beneficiários. O que somou mais de R$ 519 milhões em dezembro de 2024. Segundo o TCE, apenas 48% dos institutos possuíam contratos ou convênios formais que comprovassem a ciência dos beneficiários em relação aos descontos. Entre os 211 regimes com descontos de empréstimos consignados por entidades externas, 30% não apresentaram nenhuma autorização dos segurados, e apenas 56% comprovaram todas as autorizações. O TCE determinou que os institutos têm prazo de 30 dias para apresentar as normas e autorizações dos descontos. O Tribunal destacou o risco de vulnerabilidade dos aposentados e pensionistas, especialmente os idosos, frente à falta de transparência e controle nos descontos feitos diretamente nos benefícios. Leia também TCE emite alerta para nove cidades do Alto Tietê sobre irregularidades Onda de furtos e assaltos preocupa moradores do Jardim Maricá, em Mogi das Cruzes Fiscalização do TCE encontra irregularidades em postos de saúde do Alto Tietê Veja tudo sobre o Alto Tietê

Palavras-chave: vulnerabilidade

Barbeiro é assassinado no próprio estabelecimento na Grande Fortaleza

Publicado em: 13/09/2025 11:26

Barbeiro conhecido como Bii Sousa, de 29 anos, foi morto a tiros dentro do próprio estabelecimento, em Maracanaú. Arquivo pessoal Um barbeiro conhecido como Bii Sousa, de 29 anos, foi morto a tiros dentro do próprio estabelecimento no Bairro Pajuçara, em Maracanaú, na tarde desta sexta-feira (12). Segundo testemunhas, criminosos armados invadiram a barbearia e atacaram a vítima, que morreu no local. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Conforme a Secretaria da Segurança, as circunstâncias do homicídio são investigadas pela 1ª Delegacia de Polícia Civil de Maracanaú. LEIA TAMBÉM: Empresário é levado à força por criminosos e executado a tiros às margens de rodovia no Ceará Ações sociais Além de trabalhar na barbearia que leva seu nome, Bii atuava em ações sociais com o projeto "Barbeiros do Bem", realizando cortes de cabelo gratuitos para pessoas em vulnerabilidade social. Recentemente, ele foi premiado na Feira da Beleza de Maracanaú, em reconhecimento pela iniciativa social. A organização do evento divulgou uma nota de pesar pela morte do barbeiro. "Bii foi mais que um parceiro, foi inspiração, alegria, dedicação e presença marcante em nossa trajetória. Sua contribuição, talento e carisma deixaram um legado inesquecível, que continuará vivo em cada lembrança e em cada conquista da nossa Feira", diz um trecho da nota de pesar. Veja também: Ceará fecha 2024 com maior índice de homicídios Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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