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'Revolta do Roblox' se divide em protestos a favor e contra Felca; g1 cobriu manifestações

Publicado em: 17/01/2026 02:00

Roblox ampliará verificação de idade em meio a críticas sobre proteção a crianças A plataforma de jogos Roblox alterou as regras na última quarta-feira (7), restringindo o uso do chat. A partir de agora, jogadores terão que verificar a idade e só poderão conversar com usuários de faixas etárias parecidas. A medida não agradou parte do público, que começou uma série de protestos virtuais na plataforma. Até esta quinta (15), muitos dos protestos virtuais tinham cartazes pedindo justiça pelo chat, o fim das restrições, etc. Mas agora o grande tópico é outro: o influenciador Felca. Eu entrei na plataforma nesta sexta (16) para entender como é a nova verificação de idade e como estão os protestos. Veja como foi: Como é o cadastro e a verificação de idade Na hora de se cadastrar, você tem que inserir seus dados, incluindo a data de nascimento. O jogo não te impede de jogar caso você tenha menos de 18 anos, que tende a ser grande parte do público. Mas logo ao se cadastrar, a primeira recomendação é de não usar seu nome verdadeiro como nome de usuário — pra garantir um user original, fui de "stellanskarsgard2". Com as novas mudanças, a plataforma pede uma comprovação da sua idade (no meu caso, 27 anos). Então, o Roblox faz uma verificação facial, similar à de aplicativos de banco. Caso a idade esteja errada, é possível contestar mostrando seu documento de identidade. Apesar de dizer que tenho 27 anos, a verificação facial estimou que eu tinha entre 18 e 20 anos. Verificação facial identificou que eu teria entre 18 e 20 anos Captura de tela/Roblox Fez bem para a minha autoestima, mas é um deslize: oficialmente, eu só poderia conversar com pessoas acima de 20 anos. Mas já que o Roblox achou que eu tinha 19, me permitiu conversar com pessoas de 16 anos ou mais. "Estamos continuamente aprimorando nossa tecnologia de estimativa de idade facial para torná-la o mais precisa e resistente a fraudes possível", afirmou a plataforma, sobre o erro na verificação (leia o comunicado completo ao final desta reportagem). "Para isso, garantimos que nossa parceira, Persona, tenha todos os recursos relevantes de prevenção de fraudes ativados e ajustados especificamente para a Roblox - incluindo detecção de deepfake, verificações de similaridade com figuras públicas e outras salvaguardas avançadas." Onde acontecem os protestos? Não é tão simples encontrar essas manifestações. A maior parte delas acontece em "Brookhaven", um jogo dentro da plataforma que é uma cidade virtual. Dá pra passear, andar de carro, nadar na piscina e visitar as casas de outros jogadores. Mas existem várias "Brookhaven". Ao entrar, você é colocado aleatoriamente em um servidor e pode não encontrar jogadores brasileiros protestando. Para encontrá-los, é preciso reiniciar a cidade algumas vezes e contar com a sorte. Agora é sobre o Felca Se nos primeiros dias a "revolta do Roblox" reivindicava a liberação do chat, agora o grande ponto de discussão é... o Felca. O criador de conteúdo, que viralizou em 2025 por abordar a exposição infantil de crianças na internet, passou a ser associado às novas regras do Roblox — mesmo não tendo relação alguma com as mudanças. Por isso, no Roblox não existe esquerda ou direita, conservador ou liberal; existe pró-Felca e contra Felca. Nesta sexta (16), todos os protestos encontrados pelo g1 falavam sobre o influenciador. Protestos 'pró e contra o Felca' dominam Roblox Captura de tela/Roblox O primeiro que eu vi, na verdade, era em defesa dele. "Não foi o Felca, foi 'os dono do Roblox'", dizia um cartaz. O dono do Roblox, por sua vez, não escapou da raiva dos usuários e ganhou um "eu te odeio", ainda que os usuários não saibam o nome dele. Mais tarde, encontrei um protesto à moda francesa, com carros pegando fogo na rua (virtual). Esse falava diretamente contra o Felca: tinha cartazes como "Odiamos você", "Felca seu feio" e o vago "Você vai ver". Em comunicado, a empresa se posicionou contra ameaças feitas ao influenciador (leia o comunicado completo ao final desta reportagem). "Condenamos as ameaças feitas contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito, tanto dentro quanto fora da Roblox. Conforme consta em nossas Regras da Comunidade, não permitimos conteúdo que ameace outros com danos no mundo real ou online, incluindo incitação à violência." Festas ainda estão rolando... No meio de algumas manifestações, algumas placas chamavam para "festinhas" em casas virtuais, churrascos e até um "rolê com carreta furacão". "Vamos na festa da casa 13, fingir que odiamos o Felca", brincou um usuário. Como o chat não está liberado entre os jogadores, a principal forma de se comunicar é através de placas, cartazes e até caminhões com escritos. Então, tentei conversar com os manifestantes segurando uma placa com os dizeres: "por que vocês odeiam o Felca?". "Porque ele tirou o chat do Roblox. Pelo menos é o que eu acho", me respondeu um jogador, também com uma plaquinha. 'Ele tirou o chat do Roblox', disse jogadora Captura de tela/Roblox O que diz o Felca? O próprio Felca relatou nas redes sociais que passou a receber ameaças após mudanças anunciadas pela plataforma de jogos Roblox. Segundo o influenciador, as mensagens têm chegado por meio de sua conta no Instagram e teriam sido enviadas por usuários que se identificam como crianças. Em uma das mensagens compartilhadas por Felca, o autor escreve: “Olá, Felca. Todo mundo do Roblox está ficando doido, dizendo que você deixou a gente sem chat" e "Felca, eu vou te matar”. Os comunicados do Roblox (na íntegra) Sobre o Felca: "Estamos cientes das recentes manifestações na plataforma sobre nosso processo de verificação de idade para acessar o chat na Roblox. Essas mudanças foram projetadas para ajudar a proteger nossos usuários, especialmente os mais jovens. Estamos exigindo que todos passem por uma verificação de idade para usar nossos recursos de chat, a fim de ajudar a manter a Roblox a mais segura possível para a imaginação, diversão e criatividade. Condenamos as ameaças feitas contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito, tanto dentro quanto fora da Roblox. Conforme consta em nossas Regras da Comunidade, não permitimos conteúdo que ameace outros com danos no mundo real ou online, incluindo incitação à violência. Entendemos que a comunicação é uma parte fundamental da experiência na Roblox e acreditamos que essas medidas são importantes para a segurança de nossa comunidade a longo prazo. Continuamos comprometidos com um diálogo contínuo com especialistas e pais, enquanto trabalhamos para continuar a liderar a inovação em segurança online." Sobre os problemas na verificação: "Estamos continuamente aprimorando nossa tecnologia de estimativa de idade facial para torná-la o mais precisa e resistente a fraudes possível. Para isso, garantimos que nossa parceira, Persona, tenha todos os recursos relevantes de prevenção de fraudes ativados e ajustados especificamente para a Roblox - incluindo detecção de deepfake, verificações de similaridade com figuras públicas e outras salvaguardas avançadas. Além disso, conduzimos regularmente nossos próprios exercícios de ‘red-team’ (equipe de ataque) para identificar possíveis vulnerabilidades e trabalhamos em estreita colaboração com a Persona para fechar quaisquer brechas que encontramos. Para um mergulho mais profundo na engenharia e nas políticas por trás desses sistemas, você pode ouvir este episódio do Tech Talks. O Fundador e CEO da Roblox, Dave Baszucki, está acompanhado por Rajiv Bhatia (Diretor de Produto), Naren Koneru (Líder de Engenharia, Segurança) e Eliza Jacobs (Diretora de Políticas de Segurança) para discutir como funciona a Estimativa de Idade Facial, o design focado em privacidade por trás dela e como estamos resolvendo o desafio de permitir uma comunicação autêntica enquanto mantemos os usuários seguros. Para lidar com pessoas que usam disfarces, IA, bonecos ou outras tentativas de falsificação ('spoofing'), nosso fluxo de Estimativa de Idade Facial usa uma abordagem em camadas. Além de verificar a existência de um rosto, o sistema procura por sinais de 'liveness' (prova de vida), evidências de artefatos comuns em conteúdo sintético ou gerado por IA, e sinais que detectam hardware comprometido ou virtual (frequentemente usado para ataques). Também temos proteções contra abuso em escala e envios repetidos. Embora nenhuma verificação única seja perfeita, a combinação de sinais visuais e não visuais ajuda a reduzir a eficácia de disfarces ou rostos sintéticos, e continuamos a ajustar essas detecções à medida que novos métodos de evasão surgem."

Palavras-chave: tecnologia

Projeto oferece aulas gratuitas de tecnologia para idosos no Ceará; saiba como participar

Publicado em: 14/01/2026 07:42

Curso de tecnologia para idosos Cerca de 15 cidades do Ceará já estão recebendo novas turmas do projeto Chá Tecnológico e Social Itinerante, realizado pelo Instituto Idear, que oferece uma formação na área de tecnologia para idosos com mais de 60 anos. A ação é gratuita e voltada para autonomia, cidadania e promoção da qualidade de vida desse público. A programação começou no dia 13 de janeiro no Conjunto Palmeiras. Nesta quarta-feira (14), o projeto realiza dois encontros: às 8h, no Centro de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) do Conjunto Palmeiras, e às 14h, no CCDH do bairro Cristo Redentor. Os novos alunos somam-se aos que começaram as aulas ainda em 2025, resultando em mais de 500 pessoas beneficiadas nesta edição. Ao todo, são 15 cidades atendidas atualmente pelo projeto. LEIA TAMBÉM: Carnaval 2026 em Fortaleza: inscrições para ambulantes estão abertas Filipe Ret, Alok, Pedro Sampaio e mais: Carnaquiraz anuncia programação De acordo com a organização do projeto, o Chá Tecnológico e Social Itinerante promove aulas voltadas à independência da pessoa idosa no mundo digital, com conteúdos práticos como uso seguro da tecnologia, comunicação online, aplicativos bancários e de transporte, além de temas relacionados à inteligência artificial, segurança digital, memória e raciocínio lógico. ➡️ O projeto também desenvolve atividades nas áreas de direitos, saúde física e mental, bem como o estímulo a novas habilidades. 🤳🏽Para participar, é necessário atender aos critérios obrigatórios do projeto: ter idade igual ou superior a 60 anos residir no município atendido saber ler e escrever ter disponibilidade de tempo e ter interesse em participar do projeto. 📌São critérios preferenciais: mulheres, pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. pessoas negras, povos originários e pessoas LGBTQIA+. Projeto leva aulas de tecnologia para idosos em 15 cidades do Ceará Congerdesign para Pixabay Como funciona A primeira aula do projeto é presencial e tem caráter introdutório. Nesse momento, os participantes recebem o kit do aluno, incluindo tablet com internet, apostila e camisa, além de orientação para utilização do equipamento e acesso às aulas online. Após essa etapa, os encontros passam a ocorrer de forma virtual, com aulas ao vivo de três a quatro vezes por semana. Além da formação tecnológica, os alunos podem escolher duas entre 14 áreas de interesse, que incluem atividades como cultivo de plantas, pintura, culinária, crochê, dança e canto. O projeto também contempla ações voltadas à saúde mental e à cidadania, com rodas de conversa conduzidas por psicóloga e palestras sobre direitos da pessoa idosa e cuidados com a saúde. Sobre o projeto Para participar, é necessário atender aos critérios obrigatórios do projeto Divulgação Desde 2019, o Chá Tecnológico e Social já beneficiou mais de 3000 pessoas idosas, segundo a organização. Na versão itinerante do projeto, já foram atendidas mais de 2.000 pessoas em 22 municípios do Ceará. Com participação totalmente gratuita, o projeto é realizado através de parceria com o Conselho Estadual dos Direitos do Idoso, a Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará e as prefeituras dos municípios atendidos. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Ameaçada de extinção e com cores do Brasil: conheça a arara-canindé, espécie que acompanhou ciclistas no interior de SP

Publicado em: 13/01/2026 07:13

Arara 'escolta' ciclistas de Jaú durante treino em rodovia no interior de SP O encontro inusitado de uma arara-canindé com um grupo de ciclistas em Guarapuã, distrito de Dois Córregos, no interior de São Paulo, é considerado raro por especialistas. Conhecida pelas cores vibrantes que remetem à bandeira do Brasil, a espécie está ameaçada de extinção. Segundo o adestrador de animais Vinicius Bittencourt, a ave não costuma se aproximar de pessoas, o que torna o encontro ainda mais incomum. De acordo com ele, a principal explicação para esse comportamento é que a ave seja domesticada ou treinada para praticar voo livre. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp "O movimento, por si só, não costuma atrair essa espécie. Esse tipo de aproximação indica que provavelmente é uma ave criada fora do ambiente natural ou que tenha sido domesticada e treinada desde filhote", conta. O vídeo foi registrado por Willian Padilha, morador de Jaú (SP), e chegou a ser confundido com Inteligência Artificial nas redes sociais. Até a noite de segunda-feira (12), a gravação já havia ultrapassado 16 milhões de visualizações. Ao analisar as imagens a pedido do g1, Bittencourt confirmou que a ave é uma arara-canindé, cujo nome científico é Ara ararauna. Ele explicou que essa espécie não é comum na região de São Paulo, sendo mais frequente em áreas próximas ao Mato Grosso. "Não é muito comum nessa região do estado de São Paulo. Na vida selvagem, a ocorrência começa mais próxima do Mato Grosso", revela. Adestrador de animais Vinicius Bittencourt Arquivo pessoal Nas redes sociais, surgiu também a hipótese de que a ave pudesse estar "pedindo ajuda", voando baixo e tentando contato com humanos, mas Bittencourt descartou a ideia. "Não, esse comportamento está muito mais ligado ao 'imprinting', quando o psitacídeo cria vínculo com humanos ainda filhote", comenta. Por fim, ele comentou sobre a raridade do encontro e a possibilidade de domesticidade da ave. "O encontro é raro, apesar de o número de psitacídeos como pet ter crescido muito no mundo todo. Hoje, com técnicas mais avançadas baseadas na etologia da ave, é possível praticar o voo livre com o animal, sem precisar aparar as asas como antigamente", comenta. Arara 'escolta' ciclistas durante treino em rodovia de Jaú (SP) a Dois Córregos (SP) Reprodução/Instagram 🦜Conheça a arara-canindé A arara-canindé, que traz nas penas as cores da bandeira do Brasil, também é conhecida como arara-de-barriga-amarela ou simplesmente arara-amarela, e está ameaçada de extinção. Arara-canindé mede cerca de 80 centímetros de comprimento Percival Gonzales Uma das razões para a vulnerabilidade da espécie é o fato de se deslocar a grandes distâncias durante o dia, entre locais de descanso e alimentação, tornando-se presa fácil. Quando as aves são caçadas para venda, as árvores que abrigam seus ninhos costumam ser derrubadas, prejudicando a reprodução de diversas araras que utilizam os mesmos ninhos e alterando o habitat natural dela. Essas aves fazem seus ninhos em buracos no tronco, onde colocam os ovos, e os filhotes permanecem no ninho até a décima terceira semana, sendo alimentados pelos pais, que regurgitam o alimento em seus bicos. Arara-canindé em grupo Luciana Pires - Prefeitura de Palmas/Divulgação O bico forte da arara-canindé também é usado para ingerir pedrinhas, que auxiliam na trituração de sementes de palmeiras como buriti, tucum, bocaiúva, carandá e acurí. Por triturar as sementes, as araras-canindé são consideradas "predadoras" de algumas palmeiras, já que impedem a dispersão dessas plantas. Em geral, essas aves voam em pares ou em grupos de três indivíduos, mantendo a mesma combinação mesmo em bandos de até 30 aves. Em cativeiro, podem viver até 60 anos, o que reforça a importância de proteger tanto os indivíduos quanto seu habitat natural. Nome científico: Ara ararauna. Família: Psittacidae. Ordem: Psittaciformes. Distribuição: no Brasil, é encontrada desde a Amazônia até o Paraná, além do Panamá, Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina. Alimentação: frutas e sementes, em sua maioria de palmeiras. Reprodução: período de incubação de aproximadamente 28 dias, botando de um a três ovos. Conservação: em perigo – ameaçada de extinção. Penas de arara-canindé Guilherme Provenzano Giovanni/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

Palavras-chave: inteligência artificial

Forbes Under 30 e certificada pela Nasa: astronauta que 'não sai da Terra' relembra início da carreira no interior de SP

Publicado em: 09/01/2026 07:15

Forbes Under 30 e certificada pela Nasa: astronauta análoga relembra início de carreira Celebrado nesta sexta-feira (9), o Dia do Astronauta homenageia a coragem e a dedicação de profissionais que desafiam os limites do conhecimento humano em busca de novas fronteiras no espaço. Em Sorocaba (SP), esse sonho de alcançar as estrelas tem nome, história e muitos feitos: Maria Larissa Pereira Paiva, conhecida como Larittrix. Aos 20 anos, a jovem já participou da detecção de mais de 25 asteroides em colaboração com a Nasa e analisou mais de 2 mil galáxias para o Observatório Astronômico Nacional do Japão (NAOJ). O apelido artístico é uma referência à estrela Bellatrix, da constelação de Órion, a mesma das populares Três Marias, que despertaram sua curiosidade ainda na infância. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Larittrix é astronauta análoga (termo usado para pessoas que realizam simulações de missões espaciais na Terra), embaixadora do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e integra a lista Forbes Under 30, que reconhece jovens líderes e inovadores com menos de 30 anos. Foi em uma faculdade de Sorocaba que ela também estudou psicologia e formou uma parceria que visava estimular o interesse dos alunos por este universo. "Aos oito anos de idade, perguntei à minha avó quais eram os nomes das estrelas, porque, na minha concepção, era justo que elas tivessem nomes, assim como a gente. Ela me contou a história das Três Marias, e eu cresci fazendo perguntas sobre o mundo ao meu redor, mas nunca me conformei com as respostas", conta. Larittrix é astrounata análoga certificada pela Nasa, já detectou mais de 25 asteroides e integra a lista Forbes Under 30 Arquivo pessoal Do interior do Ceará ao 'espaço' Larissa cresceu em uma pequena cidade do interior do Ceará e, mesmo sem acesso à internet durante parte da infância e adolescência, não abandonou o sonho de se tornar astronauta. Participou de olimpíadas científicas e buscou alternativas para estudar. "As escolas onde eu estudei não tinham acesso à internet. Eu mesma tive que buscar isso com muita dificuldade e levar para as escolas por onde passei. Antes como estudante e hoje em mais de 350 escolas como palestrante, incluindo CEIs e EJAs", conta. Aos 16 anos, foi certificada pela Nasa após identificar um asteroide durante um projeto internacional de incentivo à ciência. "Hoje, já são mais de 25", afirma. Larittrix é astrounata análoga certificada pela Nasa, já detectou mais de 25 asteroides e integra a lista Forbes Under 30 Arquivo pessoal Vinda para o interior paulista Motivada pela curiosidade e pelo desejo de conhecer o mundo, Larissa deixou sua cidade natal, Pires Ferreira (CE), e chegou a Sorocaba por meio de uma parceria entre a prefeitura local, as iniciativas Força Meninas e Medalhei Olimpíadas Científicas, e a UniFacens. Na cidade, ingressou no curso de psicologia do centro universitário e passou a integrar projetos voltados ao estímulo científico. "Se Pires Ferreira me deu o sonho, Sorocaba me deu as ferramentas e a escala para o mundo. Amo aquele lugar. Foi um período de muita imersão no ecossistema de engenharia e inovação, essencial para entender como transformar ciência teórica em impacto prático, além da cultura olímpica linda que plantamos por lá", relata. Incentivo às mulheres na ciência Na universidade sorocabana, Larittrix, junto de outra colega, liderou um clube de incentivo à participação feminina na ciência e representou o Brasil em um projeto astronômico da Nasa. As estudantes participaram do programa Disk Detective, que analisa dados telescópicos em busca de sistemas planetários ocultos. A iniciativa surgiu a partir da percepção de que meninas ainda enfrentam obstáculos significativos para ingressar nas áreas de ciências exatas. Amanda e Larittrix lideram clube que incentiva meninas a se interessarem pela ciência Facens/Divulgação Hoje, Larittrix já impactou mais de 20 mil estudantes por meio de projetos de popularização científica, como Pires Ferreira nas Estrelas, Sobral nas Estrelas e o Time Larittrix & Medalhei, que oferece bolsas a alunos em situação de vulnerabilidade social. "Hoje realizo palestras, mentorias e busco empreender ajudando estudantes. As crianças dizem que eu sou como a 'Xuxa da Astronomia', porque minhas palestras de astronomia básica incluem música, arte, cultura. Para os adolescentes, sou como a melhor amiga ou irmã mais velha. O que começou como curiosidade se tornou minha missão de vida: democratizar a ciência para quem, como eu, veio do nada, com pouquíssimos privilégios", conta Larissa. "Sinto que minha maior função é ser uma 'ponte', provando que morar em cidade pequena não limita o tamanho do seu sonho, e mostrar para uma menina que ela pode ser uma cientista premiada pela Nasa. É o que dá sentido a tudo isso", completa. Comunicação e novos caminhos Em Sorocaba, Larittrix também teve experiências como produtora de conteúdo e atriz, gravando vídeos educativos sobre astronomia. "Sorocaba também me profissionalizou na comunicação. Atuar como atriz e produtora na Batuta Filmes e no ED+ Content Hub foi um divisor de águas. Sair do amadorismo do celular para gravar em um estúdio profissional, com luz, câmera e roteiro, me lembrou o poder do storytelling novamente, desde a época em que fui voluntária em Fortaleza (CE). Eu me sentia realizando um sonho de infância toda vez que as luzes se acendiam para eu falar de astronomia. Confesso que sinto uma saudade enorme daquela rotina criativa", relembra. Larittrix impactou mais de 20 mil estudantes por meio de projetos de popularização científica Arquivo pessoal Principais prêmios e conquistas Prêmios e honrarias Forbes Under 30 Brazil (2024-25): destaque na categoria "Ciência e Educação"; Prêmio "Mude o Mundo como uma Garota": vencedora na categoria "Liderança", concedida pela organização Força Meninas; Moções de aplausos e congratulações: quatro homenagens recebidas da Assembleia Legislativa do Ceará (ALECE), da Câmara Municipal de Mirassol (SP) e da Prefeitura de Pires Ferreira (CE). Reconhecimento científico e acadêmico Primeira astronauta análoga do Ceará: título reconhecido pela Wogel/Habitat Marte; Colaboração com Nasa/IASC: participação em programas de caça a asteroides, com contribuição na detecção de mais de 50 corpos celestes; Projeto Galaxy Cruise (NAOJ): análise voluntária de dezenas de milhares de galáxias para o Observatório Astronômico Nacional do Japão; Certificados da Nasa: reconhecimento por participação em desafios online como FIT Explorer, DART Mission e Scientist for a Day. Medalhas em olimpíadas de conhecimento Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA): medalha de prata (2021); Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG): medalhas de prata e bronze; Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB): duas medalhas de cristal. Atuação e destaque profissional Palestrante em grandes eventos: mais de 300 palestras realizadas, incluindo participações no TEDx, Campus Party, Siará Tech Summit, Feira do Empreendedor e Rio 2C; Coordenadora de projetos pedagógicos: atuação no Complexo Cultural Parque da Luz, conhecido como Museu do Eclipse, em Sobral (CE). *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: câmara municipaltecnologia

Casos de violações de direitos da pessoa idosa tem aumento de 38% no Amazonas em 2025, aponta Sejusc

Publicado em: 08/01/2026 20:23

Casos de violações de direitos de pessoas idosas crescem no Amazonas. Cristian Newman/Unsplash/Divulgação Mais de 5,8 mil casos de violações de direitos da pessoa idosa foram registradas no Amazonas entre janeiro e dezembro de 2025. Os dados são do Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (Cipdi), vinculado à Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). O número representa um aumento de 38% em comparação com o ano de 2024. Entre as violações mais registradas em 2025, a negligência aparece em primeiro lugar, com 1.764 casos. Em seguida, estão situações de vulnerabilidade e risco social (1.433), violência psicológica (786) e violência financeira (683). Também foram contabilizados casos de intimidação e perturbação (634), violência física (219), autonegligência (171) e abandono (161). Outras ocorrências envolvem violência patrimonial, maus-tratos, violência sexual, retenção de documentos, crimes cibernéticos, ameaças, violência doméstica e agressões verbais. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a coordenadora do Cipdi, Márcia Magalhães, a maioria das denúncias parte de familiares, e o perfil mais recorrente das vítimas é de mulheres entre 60 e 69 anos. “O número de casos atendidos representa não somente o aumento da violência contra a pessoa idosa no estado do Amazonas, mas também o trabalho preventivo e educativo realizado para que a informação alcance a sociedade e incentive a denúncia, já que, em muitos casos, a pessoa idosa não se sente motivada a denunciar”, explicou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com a secretária da Sejusc, Jussara Pedrosa, apesar do crescimento ser preocupante, ele reflete um aumento da rede de proteção e a ampliação do acesso aos canais de denúncia. “Nós intensificamos bastante os canais de comunicação, os canais de denúncia e também descentralizamos os equipamentos. Isso reflete o número maior de casos de violência sendo denunciados, um indicativo de que mais idosos estão rompendo com esse ciclo de violência e tendo seus direitos assegurados”, afirmou a secretária. Atendimentos ultrapassam 10 mil em 2025 Os atendimentos do Cipdi são realizados por uma equipe multiprofissional formada por psicólogos, assistentes sociais e advogado. Entre os serviços oferecidos estão orientação, registro de denúncias, encaminhamento à rede de proteção, visitas domiciliares, elaboração de relatórios, mediação de conflitos, orientação jurídica e ações temáticas. Somados todos os serviços, o Cipdi ultrapassou a marca de 10 mil atendimentos ao longo de 2025. Onde buscar ajuda e denunciar A Sejusc mantém três unidades do Cipdi, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h: Zona Centro-Sul: Rua do Comércio, ao lado da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (Decci); Zona Leste: PAC do Shopping São José; Zona Norte: PAC do Shopping Via Norte. Casos de violência contra a pessoa idosa também podem ser denunciados 24 horas por dia pelos telefones Disque 100, 180 ou 190.

Palavras-chave: cibernético

As churrascarias e restaurantes japoneses acusados de manter trabalhadores em condições análogas à escravidão: 'Parece presídio'

Publicado em: 07/01/2026 08:43

"Não tenho dinheiro nem para um café. Estou totalmente zerado!" Era véspera do décimo dia do mês, mas Wellington, um maranhense de 26 anos nascido em Bacabal, município a 250 km de São Luís, acreditava que teria que esperar mais uma semana para receber, enfim, a primeira parte do seu salário de R$ 2 mil, um montante não muito maior do que o salário mínimo. Ele tinha desembarcado em São Paulo havia três semanas, atraído pela oferta de uma agência de empregos para trabalhar como passador na churrascaria Boizão Grill, na região em que a Marginal Tietê atravessa o bairro do Pari, no Centro da cidade. Passador é a pessoa responsável por circular — ou "passar" — por entre as mesas de churrascarias oferecendo cortes de carnes. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Até então desempregado, pai de um garoto de 6 anos, ele diz que topou a proposta mais pelos benefícios do que pelo salário em si: incluía a moradia subsidiada e três refeições diárias no restaurante. "Eu teria o dinheiro limpo para mim", disse Wellington, que teve seu nome verdadeiro preservado nesta reportagem. Ele chegou a uma rodoviária na capital paulista em um domingo cedo, com a promessa de que teria a carteira assinada após um período de experiência. Acomodou-se em um alojamento de funcionários indicado pelo novo emprego e, na manhã seguinte, estava trabalhando. "Daí, uma semana depois, fiquei doente", relatou à BBC News Brasil. "Tosse, febre, uma dor absurda no corpo. Não dava para levantar da cama." Ele conta que foi, então, a uma Unidade de Pronto Atendimento e, apesar de ter saído sem um diagnóstico, recebeu um atestado para ficar sete dias afastado do trabalho. "Mas, como eu tinha trabalhado só uma semana, eles disseram que iriam me pagar só por esses dias. O problema é que nem isso eu recebi", reclamou. Sem poder ir ao restaurante por conta da saúde, ele diz ter comido, por alguns dias, somente biscoitos e café preto — mas seguiu morando no alojamento. Era um sobrado marrom e cinza, envelhecido, de cerca de 80 m². Com dois quartos, ficava a menos de um quarteirão da churrascaria. Além dele, viviam ali outros 11 garçons e passadores — com três deles, Wellington dividia um dos dormitórios. Ele pensou na época: "Vou ficar aqui até quando eles deixarem ou até eu encontrar um lugar melhor para trabalhar. Quem sabe volte para o Maranhão". Hoje, se arrepende: "Se eu soubesse que seria desse jeito, não teria nem vindo." A Boizão Grill disse à reportagem não ter tido qualquer vínculo empregatício com Wellington e que sequer sabia que ele estava vivendo no alojamento com os outros garçons. Wellington fez esse relato à BBC News Brasil em maio do ano passado, enquanto uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT-SP) e do MTE cumpria uma ordem judicial para comprovar a denúncia de que a Boizão Grill — cujo rodízio de carne sai por cerca de R$ 170 por pessoa — mantinha ali, naquela casa, trabalhadores em condições análogas à escravidão. Na denúncia original contra a Boizão Grill, um garçom demitido meses antes contou que tinha morado ali por meio ano em condições precárias de higiene, convivendo com picadas de percevejos na sua cama. Ele reclamava ainda que as jornadas eram maiores do que o combinado e que parte dos empregados não tinha a carteira de trabalho assinada pelos patrões sob o pretexto de que estavam no "período de experiência". Pelas regras da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, o funcionário deve ser formalmente registrado mesmo quando ainda está em teste. O relato era verídico, como a força-tarefa comprovou ao longo daquele dia. Denúncias contra restaurantes disparam no Brasil De maio para cá, a BBC News Brasil acompanhou outras duas operações da força-tarefa em churrascarias da capital paulista. Denúncias desse tipo eram raras no Brasil até meados de 2022, mas cresceram substancialmente de lá para cá — segundo entrevistados, em parte pela maior conscientização dos trabalhadores de que enfrentar condições degradantes é ilegal. Documentos do MTE aos quais a BBC News Brasil teve acesso apontam que, de 2022 até setembro de 2025, foram realizados 152 resgates de trabalhadores e trabalhadoras nessa situação em restaurantes no Brasil — desde estabelecimentos simples aos de alto padrão. O número de resgates por ano passou de 8 em 2022 para 71 em 2023, 34 em 2024 e 39 em 2025. Os 12 homens da Boizão Grill ainda não foram contabilizados oficialmente nessa lista, porque a ação contra a churrascaria ainda não foi ajuizada, mas, quando forem, a contagem subirá para 51 pessoas resgatadas no ano passado — um salto de 538% em quatro anos. A maioria ocorreu nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas há casos também no Ceará, Pernambuco e Pará. São Paulo tem sido o epicentro do fenômeno: segundo o MTE, todas as 34 pessoas resgatadas em condições análogas à escravidão em restaurantes no Brasil em 2024 estavam trabalhando no Estado — boa parte delas na capital. Os dados consideram apenas empresas registradas na Receita Federal como "restaurantes e similares", o que exclui estabelecimentos como lanchonetes, por exemplo. Maurício Krepsky, auditor-fiscal do MTE, aponta que a centralidade de casos em São Paulo se explica, em parte, pela maior quantidade de restaurantes da cidade — reconhecida como um polo gastronômico —, mas também pelo maior acesso à informação que os trabalhadores encontram trabalhando nas cidades. "Quanto mais fiscalização se faz, mais coisas se acham. Mas, no caso de São Paulo, há uma particularidade: a parte urbana do Estado tem mais acesso aos canais de denúncias do que no Acre, Roraima ou Rondônia, por exemplo, onde as pessoas não conseguem alcançar os meios de denunciar", diz Krepsky. "Sem contar o medo. Nessas regiões mais afastadas, se a pessoa denunciar, ela e a família ficam vulneráveis a todo tipo de retaliação. Não conseguem mais emprego, podem sofrer uma violência." Paulo Roberto Warlet, também auditor do ministério, lotado na capital paulista, afirma que a maioria das denúncias são contra churrascarias e restaurantes de comida japonesa que operam no sistema de rodízio. "Quando falamos em trabalho análogo à escravidão, algumas imagens surgem automaticamente na cabeça de todo mundo: a carvoaria, a fazenda, o garimpo, as áreas rurais, distantes. Aqui em São Paulo, também se tornou comum a associação com oficinas de costura", explicou Warlet, enquanto ouvia os relatos de trabalhadores no alojamento da Boizão. "Mas sujeitar pessoas a essas condições", apontou, girando a mão para o entorno do imóvel, "é uma prática que sempre ganha novas facetas." "Acontece lá, aqui, em lugares que não se imagina. Esse é um processo perversamente dinâmico." 'O alojamento parece um presídio' Funcionário do ministério desde 2011, Paulo Roberto Warlet coleciona histórias sobre as operações que já participou pelo Brasil. Conta que já foi recebido a tiros por garimpeiros mantidos em regime análogo à escravidão no Pará; resgatou trabalhadores que, descobriu depois, eram procurados pela Justiça por crimes hediondos; e até virou notícia em 2020, na pandemia, pela agressão que sofreu de um empresário em São Paulo que resistia em cumprir em seu escritório de contabilidade as regras sanitárias impostas pelo governo estadual. O alojamento da churrascaria em São Paulo, no entanto, conseguiu deixá-lo impressionado. Na parte de baixo da casa, quatro beliches se colavam uns aos outros, nem todos com colchões. Outras três camas avançavam pela cozinha, que, por isso, não estava sendo usada. Lençóis cobriam os vãos para dar alguma privacidade aos homens — na chegada da equipe, dois dormiam abraçados às suas malas. "A gente tem medo de ser roubado", explicou Gabriel, um dos garçons que morava no imóvel. Para preservá-lo, seu nome foi trocado. Janelas tampadas por roupas penduradas e pelos próprios beliches mantinham a sala na penumbra. Sem ar circulando, o odor era forte. Segundo um relatório da ação, no fundo, havia um banheiro "úmido, (que) ostentava lixo sobre a pia e, à falta de cesto, o papel higiênico servido era atirado sobre [sic] o chão". "O vaso sanitário, com várias peças de revestimento faltantes na parede, não tinha assento e exalava odor de urina e fezes", prosseguem os fiscais no documento. "O chuveiro elétrico não estava aterrado, o que colocava em risco, em caso de fuga acidental de corrente, a integridade física e, quiçá, a vida dos alojados." No quintal, bitucas de cigarro, restos de alimentos e roupas sujas dividiam espaço com uma faca de corte de carnes sobre o que já foi uma cama. No andar de cima, os dois quartos eram divididos por sete homens, que tinham a vantagem de ter acesso mais rápido ao outro banheiro do imóvel — o único com chuveiro, embora sem água quente. Nas portas, um aviso fixado em uma folha de papel definia as regras, como "não usar drogas", não "transitar pelo espaço durante a madrugada" e "não mexer no que não lhe pertence". A força-tarefa — formada por Warlet, pela auditora-fiscal Maria do Carmo Pimentel e pela então promotora do MPT-SP Andréa Tertuliano, além de dois policiais — não teve dúvidas: resgatou todos os 12 trabalhadores por "condições degradantes". Essa é uma das quatro categorias que caracterizam uma situação de trabalho análogo à escravidão, segundo regras do MTE publicadas em 2021. Além de condições degradantes, outras categorias são: trabalho forçado, jornadas exaustivas e servidão por dívidas (cobrar despesas ou dívidas de alguém a partir de algum tipo de vínculo de trabalho). "Parece um presídio!", exclamou Warlet enquanto caminhava pela casa. A comparação já lhe havia surgido semanas antes, quando participou de uma ação em um alojamento que abrigava garçons de um restaurante japonês em Moema, na Zona Sul da capital paulista. "As janelas tinham grades grossas, as roupas penduradas, o espaço imundo. Era um absurdo! Parecia uma cela de penitenciária", recorda. No relatório sobre os trabalhadores da Boizão, que baseará uma Ação Civil Pública (ACP) contra a churrascaria, a força-tarefa argumentou que as condições encontradas no alojamento "afrontavam a dignidade humana". Segundo o auditor-fiscal Maurício Krepsky, operações em ambientes urbanos nos últimos anos têm mostrado condições até mais precárias do que em fazendas ou garimpos no interior do país. "Colegas experientes, que trabalham na Amazônia, por exemplo, têm ficado cada vez mais chocados com o que encontram nas cidades", diz Krepsky, que acabou de defender uma dissertação na Universidade de York, na Inglaterra, sustentando que auditores atuam resguardando os direitos humanos. Ele lembra do relato de uma colega do ministério sobre o resgate de uma família em uma pastelaria no Rio de Janeiro: "Ela só chorava. Tinha encontrado um bebê de cinco meses em um local onde não cabia um adulto em pé". Krepsky afirma que os riscos de uma pessoa ser explorada estão diretamente ligados à sua vulnerabilidade social — influenciada, sobretudo, pelo recorte regional. Muitos dos resgatados pelo país são de Estados do Norte ou Nordeste, onde indicadores socioeconômicos são, em geral, piores. "Quanto mais vulnerável é, mais exposta uma pessoa fica — e mais difícil de ela perceber a precariedade em que está", afirma o auditor. Procurada pela reportagem, a Boizão Grill respondeu, por meio de sua advogada, que os esclarecimentos estão sendo prestados à Justiça. O espaço permanece aberto caso o restaurante decida se manifestar. Durante a operação, a churrascaria não negou que mantém um alojamento para os funcionários. Os fiscais relatam que alguns restaurantes, quando estão diante dos agentes, assumem que mantêm alojamentos, mas é prática comum colocar "laranjas" nos contratos de aluguel dos imóveis para haver ligação formal com as empresas. Não é ilegal que um empregador ofereça alojamento para os empregados, mas esses locais precisam atender a normas mínimas de higiene e segurança. A reportagem tentou também falar com algumas de agências que mediam o contato entre empregados e empregadores, mas não conseguiu contato com nenhuma delas. Segundo o MTE, são geralmente empresas informais, quando não recrutadores individuais. Alguns garçons relataram de fato que a intermediação tinha sido feita por uma pessoa que os havia procurado pelo WhatsApp e que sequer tinham visto pessoalmente. McDonald's e supermercados são acusados de usar trabalho análogo à escravidão no Reino Unido Máquinas podem pensar? Os 70 anos de história que levaram à inteligência artificial dos dias atuais Buscando 'rabiscos' no escuro "Imagina uma sala escura cujas paredes estão todas rabiscadas", diz Leonardo Sakamoto, jornalista que cobre o trabalho análogo à escravidão há duas décadas. "O facho de luz que nós temos para ver os rabiscos é muito pequeno, mas, toda hora que se aponta para a parede, dá para ver um pedaço deles. Onde você apontar, você vai encontrar. Só não tem como iluminar a sala inteira. Essa é a metáfora que melhor explica o esforço em combater esse tipo de crime: não há como saber tudo. Só o que a fiscalização consegue iluminar." Professor na Pontíficia Universidade de São Paulo (PUC-SP) e fundador do portal Repórter Brasil, especializado no tema, Sakamoto diz que tem ouvido falar sobre o trabalho degradante em estabelecimentos que servem comida há pelo menos 15 anos — "sobretudo em pastelarias do Rio de Janeiro". Mas, agora, ele nota que o facho de luz da Justiça se voltou com mais força para os restaurantes. "Há alguns anos, aconteceu o mesmo com o trabalho doméstico. Fizeram muitas ações e encontraram muita coisa. O processo é esse: tem uma primeira fiscalização, descobrem que se trata de algo generalizado e, então, as operações — e os casos — aumentam." Warlet corrobora a constatação: "É claro que isso vem acontecendo há muito mais tempo". Para o auditor do MTE, o aumento nas denúncias e resgates em restaurantes é, antes de tudo, reflexo do processo em que os trabalhadores vão se dando conta da precariedade à qual estão sujeitos. "Ou seja: está deixando de ser naturalizado. Isso é bom", comemora. Analistas apontam, porém, a dificuldade no reconhecimento de situações de exploração como um dos motivos pelos quais há pouquíssimos restaurantes na Lista Suja do Trabalho Escravo, relação pública de empresas autuadas e que esgotaram todas as possibilidades de recursos nas esferas administrativas. Pela lei, elas devem permanecer na relação por dois anos — período em que, entre outras punições, não conseguem acessar linhas de crédito ou participar de licitações públicas. Hoje, há 684 empresas na lista, mas apenas 11 são restaurantes — sete em São Paulo, dois no Pará, um no Ceará e um em Pernambuco. Ao menos quatro são churrascarias e dois, restaurantes de comida japonesa. Esse dado, diz Sakamoto, é uma subrepresentação do fenômeno. Primeiro porque "o que permanece invisível não está nessa estatística". Além disso, alinhado à visão de Warlet, ele destaca que o volume de denúncias depende das fiscalizações e da compreensão dos trabalhadores de que são submetidos a condições degradantes nos restaurantes. "Cada vez que os órgãos vão agindo, vão aumentando as ações, iluminando mais a 'sala'. Daí, quanto mais pessoas resgatadas descobrem que estão na situação de escravidão, mais elas denunciam", explica. Esse ciclo, porém, gira mais lentamente do que a própria força-tarefa gostaria — e muito porque São Paulo tem, hoje, somente três auditores debruçados sobre todas as denúncias de trabalho análogo à escravidão do Estado que chegam à Justiça. Há casos que demoram meses para serem descobertos. Alguns Estados, como Pernambuco e Rondônia, pior do que isso: não têm ninguém. Maurício Krepsky afirma que é comum auditores viajarem para outros Estados para suprir a falta de profissionais. "O último concurso foi realizado há 11 anos, quando entraram cerca de 3 mil auditores. Só agora que foram diplomados 825 novos auditores-fiscais para ampliar essa equipe", diz o auditor. Ele aponta também para a falta de interesse na área "porque tem mais risco em comparação a outras, como fiscalizações remotas [nas áreas tributárias, administrativas, etc.] e sem perigo à integridade física". "No caso de trabalho análogo à escravidão, você está no campo, correndo risco de ser alvejado, até de morrer...", afirma Krepsky. À BBC News Brasil, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) afirmou que "nunca recebeu qualquer informação sobre o assunto por parte de qualquer órgão público ou privado". Procurado, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Apart Hotéis, Motéis, Flats, Pensões, Hospedarias, Pousadas, Restaurantes, Churrascarias, Cantinas, Pizzarias, Bares, Lanchonetes, Sorveterias, Confeitarias, Docerias, Buffets, Fast-Foods e assemelhados de São Paulo e região (Sinthoresp) não respondeu. Facas escondidas, colchões infestados de percevejos e calor 'insuportável' Paranaense de Santo Antônio do Sudoeste, cidade na fronteira com a Argentina, Gabriel Garcez conta que tinha feito "de tudo" até chegar a São Paulo. "Já fui vigia de prefeitura, entregador de comida, vendi churrasco na rua...", elenca. Ele foi atraído pelo mesmo aspecto que chamou a atenção de Wellington: trabalho com casa e refeições pagas pelo patrão. Vivia no alojamento da Boizão Grill desde o final de 2024. De todos os problemas de morar ali, disse que o pior era o medo de conviver com as facas. "Olhem nos colchões", apontou à força-tarefa durante a inspeção. Enquanto os agentes iam suspendendo as camas, várias facas surgiam escondidas debaixo dos estrados, no chão ou nos travesseiros. Os passadores explicaram que precisaram comprar os equipamentos com dinheiro do próprio bolso, já que a churrascaria não havia fornecido os utensílios e não era possível trabalhar sem eles. O valor alto — uma faca para cortar carne custa, em média, R$ 200 — aumentava o risco de que elas fossem furtadas na cozinha do restaurante. Por isso, era mais "confiável" levá-las de volta para o alojamento. Um garçom contou à equipe que, na semana anterior à operação, dois homens tinham brigado no alojamento por uma desavença do trabalho. Um deles teria desembainhado sua faca e ferido o outro no braço em um confronto na rua. Ninguém soube dizer nome e localização de ambos. Em outro alojamento mantido por um restaurante inspecionado semanas depois, na Zona Norte da cidade, os trabalhadores disseram ter medo de que as facas possam ser usadas após o uso de drogas por alguns dos colegas. Como o restaurante assinou um acordo com a Justiça, o nome do estabelecimento que mantinha o imóvel será preservado pela reportagem a pedido dos auditores. Segundo Andrea Tertuliano, que liderava as forças-tarefas em São Paulo até junho, a capacidade de corte das facas utilizadas pelos trabalhadores as torna uma "arma mortal". "É um risco até para a população em geral, não só para quem vive na casa", afirma Tertuliano, que foi promovida a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) e, assim, deixou o grupo. No primeiro momento, a Boizão Grill contestou a versão dos passadores: disse aos fiscais que havia comprado facas novas para a equipe e que as mantinha sob custódia fora do horário do expediente. Então, pressionada a mostrar os comprovantes das compras dos objetos, a churrascaria apresentou a nota fiscal da aquisição de uma única faca, comprada no mês anterior à inspeção. Semanas depois, em outra operação da força-tarefa, os percevejos nas camas eram a principal queixa dos garçons. Eles trabalhavam na Maninho's Steak House, uma churrascaria vizinha à Boizão Grill, também na Marginal Tietê, e estavam, da mesma forma, morando em um alojamento arranjado pelo restaurante. O sobrado branco grande fica na esquina do estabelecimento. Ali, dez homens dividiam um espaço de cerca de 70 m², com dois cômodos e uma sala enxuta compartilhada por três deles. No fundo, a cozinha era dormitório, e quatro trabalhadores ficavam ali. A pia servia de armário de sapatos, apoio para um ventilador — "porque o calor é insuportável", contou um dos entrevistados — e para cozinhar vez ou outra. No quintal, dava para ver alguns objetos do restaurante, como caixas e maquinário. Sem beliches suficientes para os recém-chegados, caixotes de plástico originalmente destinados a guardar garrafas de cerveja eram usados como suportes para colchões. Era possível ver percevejos nos lençóis e no chão. "Eles mandam a gente ir 'limpo' para lá [churrascaria]. Mas como?", questionou Alfredo, um baiano que, após uma década na Bahia, havia regressado a São Paulo. Ele pediu para que seu nome verdadeiro não fosse usado nesta reportagem. Ele contou que foi demitido de uma fábrica de elásticos durante a pandemia e perambulou por diferentes empregos até aceitar a proposta para ser garçom na capital paulista. "A gente amanhece todo picado", continuou ele, indicando as marcas nas costas e nos braços. Outros dois moradores do alojamento mostraram picadas à força-tarefa. Mas os agentes decidiram não resgatar os trabalhadores nessa segunda operação, já que o restaurante apresentou comprovantes de dedetizações recentes — o que mostrou, segundo o MTE, "preocupação com a resolução do problema". Entretanto, o relatório da ação descreve que "o empregador não dotara o alojamento de colchões, lençóis, fronhas, cobertores e travesseiros limpos", e que tampouco "assegurou que houvesse a coleta de lixo diária e lavagem periódica das roupas de cama, o que compromete a higiene do local". Além dos problemas encontrados no imóvel, 29 funcionários da churrascaria não tinham registro em carteira, e um deles estava recebendo seguro-desemprego por uma demissão anterior — portanto, não estava apto a trabalhar. Ao final, a força-tarefa pediu que o MPT ponha o estabelecimento "no rol daqueles sujeitos a fiscalizações reiteradas". Sobre os trabalhadores informais, notificou o Ministério Público Federal. A Maninho's Steak House disse em nota que já "regularizou integralmente todas as solicitações pontuais apresentadas" pelos órgãos. A churrascaria acrescentou que os "alojamentos" — no plural — "já se encontravam em plenas condições de uso" em novembro. Sobre a falta de registros em carteira, o restaurante argumentou que alguns profissionais eram "colaboradores eventuais" que "prestam apoio nos períodos de maior demanda", mas que também regularizou a situação deles. Enviados 'como escravos' à Rússia: os relatos de imigrantes da Coreia do Norte à BBC Mães PJ enfrentam maternidade sem direitos: 'Vamos te desligar porque você está grávida' 'A pessoa fica presa ao local de trabalho' A dinâmica do trabalho análogo à escravidão em restaurantes é, antes de tudo, um truque sobre a jornada, dizem especialistas. O tempo regulamentado de trabalho no Brasil é de 44 horas semanais, de segunda a sábado — um total máximo de 7,3 horas diárias. A lei ainda permite duas horas extras remuneradas por dia. Como churrascarias e os rodízios de comida japonesa, ao contrário de lanchonetes ou outros tipos de restaurantes, têm movimentos intensos em dois momentos – no almoço e no jantar –, eles criam as escalas de trabalho com um período de descanso na metade do dia, geralmente à tarde, quando os clientes rareiam. É uma maneira de distribuir o custo do trabalho a partir da demanda do negócio. Nas operações da força-tarefa, por exemplo, os garçons e passadores começavam a trabalhar ao meio-dia e saíam às 15h. Depois, voltavam das 18h até 22h30. "É o que explica por que os restaurantes oferecem alojamento", sugere Andrea Tertuliano. Na leitura dela, esse foi o jeito encontrado para manter os trabalhadores sempre por perto e, assim, demandá-los em horários paralelos. A consequência é que a jornada real de trabalho fica bem maior do que a combinada no ato da contratação. À medida que as denúncias de trabalho análogo à escravidão em restaurantes de São Paulo foram se avolumando, Tertuliano notou como a dinâmica dos alojamentos também foi se adaptando à vulnerabilidade dos trabalhadores. "Eles são trazidos de outros Estados, muitas vezes com as passagens rodoviárias pagas. Chegam aqui com salários baixos, sem conhecer a cidade. Na lógica comum, iriam viver na periferia, em bairros distantes, onde o aluguel é mais barato", diz ela. "Mas, assim, ficaria mais difícil para os restaurantes: não só seria mais caro, por causa do vale-transporte, como também teriam menos controle sobre a presença deles", prossegue. "O alojamento, de alguma forma, prende a pessoa ao local de trabalho." Warlet acrescenta que oferecer moradia acaba "fidelizando" a mão de obra: "Porque, morando no alojamento, o trabalhador não consegue achar outro emprego caso queira". Alfredo Rosa, um dos garçons ouvidos nesta reportagem, ilustra essa dinâmica a partir das regras da comida. Quando chegou ao restaurante, foi informado que poderia fazer as três refeições no próprio trabalho, em horários acordados antes. Pelo horário previsto no contrato, ele só poderia começar a trabalhar ao meio-dia. "Mas, para tomar café da manhã, já tem que ir uniformizado. Daí sempre surge um pedido, uma tarefa ali. E vamos ficando..." Tertuliano ressalta: "Esse é um exemplo de como até a alimentação serve para prender o trabalhador ao local de trabalho: ele não consegue comer sem intermediação do empregador". Em dias mais movimentados, como finais de semana ou datas comemorativas, ou quando grupos grandes chegam ao restaurante, o descanso também costuma ser ignorado. "Dá a hora de sair, o salão está cheio. A gente já sabe: se não ficar lá, eles te olham feio, te ameaçam. Daí a gente trabalha direto mesmo", afirmou Gabriel Garcez. Para a advogada de um restaurante de comida japonesa autuado pela força-tarefa em junho, os alojamentos são efeito da alta rotatividade. O nome dela não será revelado nesta reportagem porque o estabelecimento assinou um acordo com a Justiça e os auditores pediram sigilo para não prejudicar o cumprimento do combinado. "Ninguém para no trabalho. O 'cara' fica aqui sem gastar dinheiro, ganha Bolsa Família na cidade dele ou confia no seguro-desemprego. Os custos do excesso de contratações ficam com a gente, que temos que pagar verbas rescisórias, multas, etc..", disse ela. 'Se eu perder esse emprego, não tenho para onde ir' De maio até novembro, a BBC News Brasil questionou garçons de 13 restaurantes diferentes — oito rodízios de comida japonesa e cinco churrascarias —, em várias áreas de São Paulo, se eles viviam em alojamentos fornecidos pelos empregadores. Em 12, as respostas foram positivas. Também foram perguntados sobre condições dos imóveis, volume de pessoas por cômodo e se sabiam de alguma denúncia envolvendo esses locais, mas todos hesitaram temendo represálias ou demissões. "Se eu perder esse emprego, não tenho para onde ir", confidenciou um garçom de um restaurante japonês de Perdizes, na zona oeste. Natural de Pedro II, no Piauí, ele estava em seu segundo emprego com alojamentos do tipo na cidade. "Eu saí do alojamento de lá para vir para esse, que era melhor. Lá era bem ruim: sujo, muita gente junta...", revelou. Em meio ao aumento de denúncias, a força-tarefa paulista também percebeu uma aparente mudança no perfil de trabalhadores de churrascarias: a substituição dos "gaúchos", em referência àqueles vindos de Estados do Sul, pelos nordestinos. Não há dados quantitativos sobre isso, mas a impressão dos auditores é que, desde a pandemia, os restaurantes de São Paulo e do Rio passaram a buscar mão de obra mais do Nordeste e do Norte. "Minha hipótese é que, no Sul, existem mais opções profissionais, ao contrário do Nordeste e do Norte. É um efeito da desigualdade entre as regiões do país", sugere Tertuliano. "Até porque, nas operações da força-tarefa no Sul, as pessoas resgatadas lá tampouco são sulistas: também são nordestinas e nortistas." Nos alojamentos em que a reportagem esteve, a maioria dos trabalhadores era, de fato, de Estados como Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia. Gabriel Garcez era o único "gaúcho", do Paraná. Tertuliano aponta para as raízes históricas, datando da escravidão no Brasil colonial, das denúncias verificadas atualmente. "Quando trabalhadoras domésticas são encontradas nessas condições, os donos da casa justificavam que, se não fosse por eles, elas estariam passando fome. Esse é um pensamento que existia desde a época da colônia", exemplifica. Maria do Carmo Pimentel, outra auditora-fiscal do MTE que estava nas operações, ratifica essa interpretação: "Em um país com 300 anos de escravidão, ela não acaba facilmente. Talvez nem acabe". Onde está Wellington? No fim de setembro, a BBC News Brasil voltou ao alojamento mantido pela Boizão Grill, no Pari. A casa seguia seu fluxo normal: homens vestidos com camisa branca, calça, gravata e sapatos pretos entravam e saíam conforme o ritmo do restaurante. A churrascaria havia optado por não assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) oferecido pela força-tarefa na primeira operação para corrigir os problemas encontrados. Por isso, os auditores do MTE decidiram entrar com uma ação civil pública contra o restaurante no MPT-SP. Apesar de ser um instrumento administrativo, o TAC costuma ser a primeira oferta feita a um estabelecimento flagrado mantendo pessoas em analogia à escravidão. Além de ser mais rápido, por estipular as ações que devem ser tomadas dentro de um período curto, ele ainda costuma ser menos oneroso para as empresas do que um processo jurídico. Caso o TAC não seja aceito, a etapa seguinte é recorrer à Justiça. No caso da Boizão, Andréa Tertuliano, ainda na função de promotora, sugeriu que os trabalhadores resgatados fossem demitidos e tivessem verbas rescisórias pagas integralmente. Ela também pediu um ressarcimento, cujo valor não foi revelado, a cada um deles, e que, se o restaurante decidisse manter o alojamento, que o adequasse às regras que estabelecem condições básicas de conforto e higiene em locais de trabalho. O TAC teria duração de 15 dias e, se não fosse seguido, seria sucedido por uma ação civil pública. O restaurante pediu que os garçons não fossem resgatados imediatamente, já que haveria a comemoração do Dia das Mães naquele fim de semana, data em que as gorjetas dos clientes tendem a ser mais altas. Por isso, aquela escala era disputada entre eles. A força-tarefa aceitou. Mas o restaurante não quis seguir com o TAC. Até agora, a ação não foi ajuizada. Tertuliano, responsável por fazer o processo avançar no Judiciário, mudou de cargo dias depois da operação e não tem mais poder de ajuizamento — isto é, de fazer a denúncia ao Ministério Público. Seu substituto ainda não foi nomeado e, assim, o documento está engavetado. Em outubro, em uma terceira operação na Boizão, a força-tarefa descobriu que o alojamento continuava funcionando e que a churrascaria não tinha feito nenhuma adequação. A casa continuava igual. Wellington Silva, porém, não estava mais lá. Os colegas não sabiam sobre ele, mas, no relatório do MTE, um funcionário deu uma pista. "Houve notícia até de que um dos resgatados em maio, Wellington, embora com pneumonia, fora expulso do local sem que sequer as verbas rescisórias lhe houvessem sido pagas." Imóvel de cerca de 80 m² tinha 12 trabalhadores, entre garçons e passadores Vinícius Mendes/BBC

Palavras-chave: inteligência artificial

Novo presidente do Simespi aposta em qualificação e competitividade para a indústria

Publicado em: 06/01/2026 10:06

Paulo Estevam Camargo: “Liderar é ouvir, dialogar e construir consensos” Crédito: André Covolam O Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras) inicia, em 2026, um novo ciclo sob a presidência de Paulo Estevam Camargo, engenheiro, economista e empresário com quase duas décadas de atuação na entidade. À frente do sindicato no triênio 2026–2028, ele assume com foco na qualificação profissional, no fortalecimento do associativismo e na preparação das indústrias para os desafios tecnológicos e econômicos do setor metalmecânico. Sindicato patronal pretende ampliar a base e incluir quatro novos municípios Crédito: Igor Mello Com trajetória construída na convergência entre teoria e prática, Camargo destaca que sua formação em economia, engenharia e empreendedorismo moldou uma liderança baseada em método, análise de dados e valorização das pessoas. “Liderar é ouvir, dialogar e construir consensos. Mais do que protagonismo individual, é mobilização coletiva”, afirma. Empresário à frente da Molas Piracicaba, associada ao Simespi desde 1995, ele destaca que as decisões mais difíceis da gestão envolvem pessoas e reforça que inovação vai além de tecnologia, exigindo cultura organizacional, confiança e comunicação clara. Seu vínculo com o sindicato evoluiu da busca por assessoria jurídica, nos anos 1990, para um compromisso institucional, consolidado a partir de 2008, quando passou a integrar a diretoria em diferentes cargos até chegar à presidência. Entre as prioridades da gestão estão a ampliação da qualificação profissional, por meio de parcerias com escolas, entidades e poder público; a capacitação de empresários e dirigentes, com foco em temas estratégicos como a reforma tributária; e a expansão da base territorial do Simespi para municípios como São Pedro, Charqueada, Águas de São Pedro e Santa Maria da Serra. Camargo assume em um cenário desafiador, marcado por alto custo Brasil, complexidade tributária, juros elevados, concorrência internacional e falta de mão de obra qualificada. “O Simespi tem papel estratégico na transição tecnológica do setor, apoiando especialmente pequenas e médias empresas na adoção de automação, digitalização e novas tecnologias”, afirma. A gestão também pretende fortalecer o papel social da entidade, que já desenvolve ações comunitárias e projetos de qualificação de jovens em situação de vulnerabilidade, além de aprofundar o diálogo com o poder público em todas as esferas. “Ninguém avança sozinho. É pela união e pela cooperação que vamos fortalecer a indústria regional”, resume o novo presidente.

Palavras-chave: tecnologia

Reservas recordes, infraestrutura em queda: o estado da indústria petrolífera da Venezuela

Publicado em: 04/01/2026 00:00

A importância e o tamanho das reservas de petróleo na Venezuela Após a captura de Nicolás Maduro neste sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela à atuação de grandes companhias norte-americanas. A declaração amplia o alcance político e econômico da ofensiva anunciada por Washington. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Até então, o governo norte-americano vinha justificando as operações militares no Caribe e o endurecimento das sanções contra Caracas com o argumento de combater o narcotráfico e desarticular rotas de drogas supostamente ligadas a grupos criminosos associados ao regime venezuelano. A sinalização de Trump, no entanto, reforça que a estratégia americana envolve também interesses energéticos. A Venezuela possui cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris — volume quase quatro vezes maior que o dos EUA, segundo órgãos internacionais do setor energético. Com a captura de Maduro e a promessa de reorganização do setor, o controle sobre essas reservas passa a integrar o debate sobre os desdobramentos da ação americana e seus impactos econômicos e geopolíticos na região. A seguir, o g1 detalha os principais pontos do mercado de petróleo venezuelano e como eles afetam a economia do país: A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos. Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração. 🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital. Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021. No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo. Dependência histórica do petróleo O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século XX. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia. Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica. A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais. Sanções, PDVSA e relações com os EUA Os Estados Unidos mantêm uma relação histórica com o petróleo venezuelano desde os anos 1920. Na década de 1930, o país já atraía grandes companhias estrangeiras, sobretudo dos EUA e da Europa. Com o avanço das sanções, essa presença diminuiu drasticamente. Hoje, a Chevron é a única empresa americana que ainda opera na Venezuela, graças a uma autorização especial concedida por Washington, apesar das restrições ao país. A PDVSA, que no passado assegurava a entrada de dólares na economia venezuelana, passou a sofrer cortes no próprio orçamento, interrompendo ciclos de manutenção e investimentos, o que agravou ainda mais a queda da produção. Em 2002, a nomeação do economista Gastón Parra para a presidência da empresa gerou forte reação interna, que culminou em uma greve que paralisou a companhia por cerca de dois meses e resultou na demissão de aproximadamente 20 mil funcionários. Petróleo e geopolítica internacional Apesar das dificuldades, o petróleo continua sendo o pilar econômico da Venezuela. Segundo a Reuters, em 2024 a PDVSA faturou cerca de US$ 17,5 bilhões com exportações, com produção média ligeiramente acima de 800 mil barris por dia. 🔎 O petróleo venezuelano é considerado estrategicamente relevante para os EUA por ser compatível com refinarias americanas. Especialistas afirmam que o interesse de Washington vai além do discurso de combate ao narcotráfico e inclui objetivos econômicos, como a tentativa de reduzir preços de combustíveis no mercado interno. Antes do endurecimento das sanções em 2019, os EUA eram os principais compradores do petróleo venezuelano. Após as restrições, a Venezuela passou a direcionar exportações para a China, em acordos de petróleo em troca de empréstimos, intensificando a disputa geopolítica na região. 👉 Segundo informações da Reuters, a Venezuela vinha quitando empréstimos por meio do envio de petróleo bruto transportado em três superpetroleiros de grande porte que, até recentemente, eram de propriedade compartilhada entre Caracas e Pequim. Dois desses navios se aproximavam da costa venezuelana em dezembro, quando Trump anunciou um bloqueio a todas as embarcações que entrassem ou saíssem do país. Desde então, as embarcações aguardam novas instruções, segundo documentos da estatal PDVSA e dados de monitoramento marítimo, em meio à paralisação da maior parte das exportações venezuelanas. Em entrevista à "Fox News" neste sábado, Trump afirmou que a China receberia o petróleo, sem detalhar como isso ocorreria. Impacto do petróleo na economia venezuelana A produção e exportação de petróleo continuam sendo fundamentais para o desempenho econômico do país. Estimativas baseadas em dados da PDVSA e da Reuters indicam que as exportações de petróleo responderam por cerca de 58% da receita da estatal em 2024. No mesmo ano, a estatal faturou US$ 17,52 bilhões com exportações de hidrocarbonetos — área que envolve a produção e venda de petróleo e gás —, dos quais US$ 10,41 bilhões foram destinados ao Tesouro venezuelano em impostos e royalties, segundo a Reuters. A economia venezuelana cresceu 7,71% no primeiro semestre de 2025, segundo boletim especial do Banco Central da Venezuela (BCV), impulsionada sobretudo pelo setor de hidrocarbonetos, que avançou quase 15% no período. O boletim mais recente da instituição aponta que o PIB venezuelano cresceu 8,71% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. No período, a atividade petrolífera avançou 16,12%, enquanto a atividade não petrolífera teve alta de 6,12%. Essa dependência, porém, gera vulnerabilidade. Um estudo do Instituto Tricontinental, com base em dados da Global South Insights, estima que as sanções lideradas pelos EUA causaram perdas de cerca de US$ 226 bilhões em receitas petrolíferas para a Venezuela entre 2017 e 2024 — valor superior ao próprio PIB venezuelano, hoje estimado em US$ 108,5 bilhões. Apesar de deter uma das maiores riquezas naturais do mundo, a Venezuela permanece entre as menores economias da América Latina, com sua trajetória condicionada ao petróleo e às tensões geopolíticas. Equipamentos com logo da PDVSA, empresa estatal venezuelana de produção de petróleo, em imagem registrada em Lagunillas, Venezuela. Isaac Urrutia/Reuters/Foto de arquivo *Com informações da agência de notícias Reuters

Palavras-chave: tecnologia

Prefeitura de Poços de Caldas encerra 2025 com avanços estruturais em todas as áreas

Publicado em: 30/12/2025 11:02

Prefeitura de Poços de Caldas encerra 2025 com avanços estruturais em todas as áreas – Crédito: Divulgação O ano de 2025 foi marcado por importantes conquistas para Poços de Caldas. Ao longo do período, a Prefeitura, em parceria com a Câmara Municipal, encaminhou e aprovou uma série de projetos de lei estratégicos, consolidando um ciclo de organização administrativa, investimentos estruturantes e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à melhoria da qualidade de vida da população. Foram diversos projetos encaminhados ao Legislativo, abrangendo áreas fundamentais como gestão financeira, desenvolvimento urbano, saneamento, valorização do servidor, saúde, habitação, mobilidade, segurança, assistência social e desenvolvimento econômico. As medidas aprovadas fortalecem a base administrativa do município e preparam a cidade para os desafios e oportunidades dos próximos anos. Os resultados refletem o trabalho conjunto entre gestão pública, Legislativo e comunidade, consolidando Poços de Caldas como referência em Minas Gerais e no Brasil em planejamento, eficiência administrativa e políticas públicas. Prefeitura de Poços de Caldas encerra 2025 com avanços estruturais em todas as áreas – Crédito: Divulgação Gestão responsável e equilíbrio fiscal Na área financeira, 2025 foi marcado por avanços significativos. A atualização da Unidade Fiscal do Município (UFM) passou a ser realizada com base na variação positiva do IPCA, garantindo maior previsibilidade, justiça fiscal e alinhamento com a inflação oficial. Outro destaque foi a implantação do Programa de Regularização Fiscal (REFIS), que ofereceu condições facilitadas para que contribuintes regularizassem seus débitos, contribuindo para o equilíbrio das contas públicas e ampliando a capacidade de investimento do município. Planejamento urbano e inclusão social O desenvolvimento urbano avançou com a prorrogação dos prazos para regularização do uso do solo, desmembramentos e edificações, proporcionando mais segurança jurídica para moradores e empreendedores. Também foi instituído o Programa Municipal de Assistência Técnica em Engenharia Pública, que passou a oferecer elaboração de projetos e serviços técnicos de engenharia para famílias com renda mensal de até três salários mínimos, promovendo moradia digna, inclusão social e crescimento urbano ordenado. Prefeitura de Poços de Caldas encerra 2025 com avanços estruturais em todas as áreas – Crédito: Divulgação Investimento em saneamento e segurança hídrica Um dos maiores marcos de 2025 foi a autorização para a contratação de operação de crédito no valor de R$ 74,8 milhões para a ampliação da capacidade da Estação de Tratamento de Água (ETA 5). O investimento garante o abastecimento de água tratada de Poços de Caldas pelos próximos 20 anos, acompanhando o crescimento populacional e assegurando qualidade de vida para as futuras gerações. Valorização do servidor público A valorização dos servidores municipais esteve entre as prioridades da administração. O vale-alimentação foi reajustado de R$ 700 para R$ 780, e a revisão geral da remuneração garantiu a recomposição das perdas salariais, com aumento total de 5%. Também foram aprovados o repasse do Incentivo Financeiro Adicional (IFA) aos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, a gratificação para servidores da farmácia vinculada à política estadual de assistência farmacêutica e o reajuste da bolsa do programa de estágio, fortalecendo a motivação e o reconhecimento do funcionalismo público. Desenvolvimento econômico e geração de empregos Por meio do Programa Avança Poços, o município avançou na atração de investimentos e na geração de empregos. Foram autorizados benefícios fiscais e doações de áreas no Distrito Industrial para implantação e expansão de empresas como Can-Pack Brasil, Viridion Rare Earth Technologies, Danone e outras. As iniciativas reforçam a vocação industrial de Poços de Caldas e impulsionam a economia local. Outro destaque foi a consolidação do modelo de desburocratização, implantado em parceria com o Governo de Minas, por meio do programa Rede Sim Mais Livre. A iniciativa simplificou processos, eliminou etapas desnecessárias e reduziu significativamente o tempo de legalização de empresas. Como resultado, Poços de Caldas alcançou um marco expressivo: tempo médio de abertura de empresas de apenas 12 horas, incluindo alvará de funcionamento e AVCB para atividades de baixo e médio risco, tornando-se referência para outros municípios mineiros, com mais de 5 mil empresas beneficiadas. Avanços na saúde pública Na saúde, a adesão ao Consórcio Público de Cooperação Intermunicipal do Médio Paraopeba (ICISMEP) ampliou o acesso a serviços especializados, otimizando recursos e fortalecendo a regionalização do atendimento, com reflexos diretos na qualidade dos serviços prestados à população. Modernização administrativa A administração municipal também avançou na modernização da gestão pública, com a autorização para contratação temporária de servidores por meio de processo seletivo baseado em análise curricular e titulação. A medida trouxe mais agilidade, transparência e eficiência no atendimento às demandas do município. Habitação, mobilidade e qualidade de vida Na área habitacional, foram aprovados benefícios para a regularização de débitos do Programa Municipal de Habitação Popular e destinadas áreas para a construção de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida – Faixa 1, ampliando o acesso à moradia para famílias de baixa renda. Prefeitura de Poços de Caldas encerra 2025 com avanços estruturais em todas as áreas – Crédito: Divulgação A mobilidade urbana ganhou destaque com a lei que institui a Carruagem Elétrica em Poços de Caldas, criando um novo modelo de transporte turístico sustentável e encerrando definitivamente o uso de veículos de tração animal, presentes na cidade desde 1983. As novas carruagens serão movidas exclusivamente a energia elétrica, com design inspirado nas antigas charretes, capacidade para até cinco passageiros, além de itens de segurança e acessibilidade. Também foi instituído o Conselho Municipal de Mobilidade Urbana e concedida subvenção econômica ao transporte coletivo, garantindo a continuidade e a melhoria do serviço prestado à população. Na segurança pública, o lançamento do programa Poços Vigia + fortaleceu a cooperação entre o poder público e a comunidade, ampliando ações preventivas e contribuindo para o aumento da sensação de segurança. Prefeitura de Poços de Caldas encerra 2025 com avanços estruturais em todas as áreas – Crédito: Divulgação Compromisso social O fortalecimento da assistência social também marcou o ano, com a doação de imóvel municipal à Associação Beneficente de Apoio à Comunidade (ABACO), ampliando o atendimento e o suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Para o prefeito Paulo Ney, 2025 representou um ano de ajustes, organização e construção de bases sólidas para o futuro. “O primeiro ano de um governo é sempre desafiador, mas trabalhamos diariamente para organizar a cidade, avançar em projetos estruturantes e garantir que Poços de Caldas continue evoluindo. A parceria com os vereadores foi fundamental para aprovar pautas importantes e construir soluções conjuntas para a cidade”, destacou. Com planejamento, responsabilidade e diálogo, Poços de Caldas encerra 2025 com resultados concretos e perspectivas positivas para os próximos anos.

Palavras-chave: câmara municipal

NASA: IA identifica falha de segurança de 3 anos que expôs naves espaciais a hackers; entenda

Publicado em: 29/12/2025 14:55 Fonte: Tudocelular

Apesar de trabalhar com atividades críticas e que exijam segurança máxima, hackear a NASA parece ter sido mais fácil do que qualquer um possa imaginar. Uma vulnerabilidade deixou expostas as naves da agência americana e as suas comunicações com a Terra durante três anos, segundo relatório divulgado nas últimas semanas. A falha de segurança foi encontrada e corrigida em quatro dias com o auxílio de uma IA, desenvolvida pela startup californiana AISLE. O problema não havia sido detectado pelas revisões de código feitas por humanos ao longo de todo esse período.Entenda os riscos Caso tivesse sido explorada, a brecha permitiria a cibercriminosos sequestrar espaçonaves ou rovers em missões espaciais, ou ainda interceptar dados confidenciais. Na prática, geraria um prejuízo de bilhões de dólares à infraestrutura da NASA.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hackerhackers

RJ faz megaoperação de hidratação para população enfrentar onda de calor

Publicado em: 29/12/2025 10:35

RJ tem megaoperação de hidratação por conta do forte calor Thaís Espírito Santo / g1 O Rio está fazendo uma megaoperação de hidratação para ajudar a população a enfrentar a forte onda de calor que atinge a cidade. Nesta segunda-feira (29), a Cedae começou a disponibilizar pontos de hidratação na Central do Brasil, no Centro do Rio, com foco no atendimento a pessoas em situação de rua, grupo mais vulnerável aos efeitos das ondas de calor. “Nossa atuação tem se concentrado nas praias porque estamos tendo recordes de população nas praias. Hoje a gente começa a concentração da distribuição nas estações de trem, onde são identificadas ilhas de calor", explicou Aguinaldo Ballon, presidente da Cedae. A iniciativa também será estendida a passageiros do transporte público, com distribuição de água nas estações de trem de Bangu, Campo Grande, Madureira e na própria Central do Brasil. As ações fazem parte de uma mobilização integrada determinada pelo governador Cláudio Castro, que envolve a Cedae, o Corpo de Bombeiros e as secretarias estaduais de Saúde, Defesa Civil e Ambiente. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça No domingo (28), o governo já havia iniciado distribuição de 10 mil litros de água potável em locais de grande circulação, como praias da Zona Sul e o Parque Madureira. Os pontos de distribuição incluíram o Leme (entre os postos 1 e 2), Copacabana (entre os postos 2 e 6), Arpoador, Ipanema (entre os postos 8 e 9) e o Parque Madureira. A operação contou com a chamada “Frota da Hidratação”, composta por uma kombi e 14 bicicletas posicionadas em postos de salva-vidas, além da instalação de bebedouros para pets. A água distribuída é proveniente da Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu e passa por monitoramento contínuo por meio de um laboratório móvel, garantindo a qualidade do abastecimento. Saúde Na área da saúde, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) reforçou as ações nas 27 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estaduais, onde foram instalados pontos de hidratação em áreas externas para atender pessoas em situação de vulnerabilidade nos dias mais quentes. As Unidades de pronto Atendimento (UPAs) têm orientações para acolhimento de pacientes com sintomas de calor excessivo e manejo clínico prioritário para crianças e idosos. O atendimento de emergência do Samu teve um reforço operacional com 5 duplas de “motolancias” na capital. É uma moto do Samu para chegar mais rápido nas ocorrências. Há também o reforço com três veículos de intervenção rápida que foram espalhados em pontos estratégicos. Entre as principais recomendações à população estão evitar atividades físicas ao ar livre no período da tarde, manter hidratação frequente e redobrar os cuidados com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Risco do banho noturno Esse ano, segundo o governo do estado, a Operação Verão 2025/2026 conta com reforço no efetivo, com mais de mil bombeiros nas praias e um investimento superior a R$ 23 milhões em equipamentos e tecnologia. Drones serão usamos para emitir alertas sonoros sobre os riscos do banho noturno nas praias do Rio. Nos últimos dias, por conta do intenso calor, as praias têm ficado lotadas durante a noite. O Corpo de Bombeiros, no entanto, desaconselha o mergulho neste horário por conta do risco de afogamento. Calor extremo mantém praias lotadas dia e noite no Rio Reprodução/TV Globo A grande quantidade de banhistas ainda tem atrapalhado o trabalho da Comlurb, que aproveita o vazio da madrugada para limpar as praias. Emissão de alertas A Secretaria de Estado de Defesa Civil, por meio do Corpo de Bombeiros e do Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ), intensificou o monitoramento e a emissão de alertas aos municípios sobre a baixa umidade do ar e as temperaturas elevadas. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) inaugurou uma sala de monitoramento da temperatura e sensação térmica. Ao todo, 30 estações que monitoram qualidade do ar passam a acompanhar a onda de calor para emitir alertas em tempo real. Os dados também serão compartilhados com prefeituras parceiras do Alerta de Cheias, integrando as informações meteorológicas. Paralelamente, a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) acompanham os impactos do calor sobre os recursos hídricos, a vegetação e a fauna, adotando medidas preventivas e ampliando a vigilância ambiental durante este período crítico. Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: tecnologia

Atualize agora: Apple corrige brechas críticas no iOS 26 que expõem usuários

Publicado em: 29/12/2025 05:58 Fonte: Tudocelular

Ainda no começo deste mês, vimos a Apple anunciar a versão final do iOS 26.2 com várias melhorias e novidades. O que muitos não sabem, porém, é que a empresa também corrigiu duas vulnerabilidades graves de “dia zero”, já exploradas inclusive no mundo real. Segundo a companhia, as vulnerabilidades teriam sido exploradas no que afirmou ser um “ataque extremamente sofisticado", direcionado a um pequeno grupo de indivíduos, utilizando algum tipo de spyware. A correção também atinge outros produtos da marca, protegendo todo o ecossistema da empresa.Entrando em detalhes, uma vulnerabilidade é classificada como de “dia zero” (ou zero-day) quando ainda é desconhecida pelo desenvolvedor, mas já conhecida por atacantes. Ganha esse nome porque o desenvolvedor tem “zero dias” para consertar a falha antes que os hackers possam explorar a brecha de forma ampla.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hackerhackers

Vice-prefeito preso, confissão de corrupção, polêmica em transferência de alunos: relembre fatos políticos marcantes em 2025

Publicado em: 28/12/2025 08:26

Relembre fatos políticos marcantes em 2025 De prisão de vice-prefeito suspeito de envolvimento em esquema de fraudes em licitações a polêmica em solução para transferência de alunos em escolas municipais por conta de reformas, o ano de 2025 foi agitado no campo político na região de Campinas. Entre os fatos marcantes estão ainda a confissão de corrupção passiva por um vereador de Campinas, o pedido de condenação para um legislador em Sumaré e a descoberta de irregularidades em programa de auxílio a estudantes em situação de vulnerabilidade econômica em Indaiatuba. Para relembrar fatos políticos que repercutiram na região e no Brasil, o g1 elaborou uma retrospectiva com as notícias que mais repercutiram e seus desdobramentos ao longo de 2025. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp 👇 Confira abaixo a lista dos 10 acontecimentos políticos que mais repercutiram em 2025: Vice-prefeito de Hortolândia preso em operação da PF contra fraudes em licitações PF prende vice-prefeito de Hortolândia por suspeita de fraude O vice-prefeito de Hortolândia (SP), Cafu César (PSB), foi preso preventivamente no dia 12 de novembro em uma operação da Polícia Federal que investiga supostas práticas ilegais de fraudes em licitações públicas. Na ocasião, o secretário de Educação do município, também foi preso. Segundo a investigação, uma organização criminosa usava lobistas para intermediar contatos entre a empresa usada no esquema e o poder público - além de autoridades municipais, empresários, doleiros e lobistas estão envolvidos. Cafu Cesar foi exonerado do cargo de secretário de Governo após a operação, e teve o afastamento sem remuneração do cargo de vice-prefeito aprovado pela Câmara ainda em novembro. No início de dezembro, a Justiça revogou a prisão preventiva com determinação de medidas cautelares, como o impedimento de assumir novor cargos e funções. Após fraudes, Indaiatuba encerra programa de bolsas para alunos de baixa renda Após fraudes, Indaiatuba encerra 'Passe Bolsa' e inicia revisão de 718 benefícios Em novembro, o Fantástico denunciou irregularidades no programa Passe Bolsa, de Indaiatuba, em que estudantes de alta renda receberam dinheiro do auxílio que deveria ser destinado a alunos em vulnerabilidade social. Após o caso vir à tona, a prefeitura excluiu 76 beneficiários que não atendiam aos critérios mínimos exigidos e faria a notificação para que devolvam os valores recebidos. Dados do Ministério Público (MP) apontam que um grupo que não se enquadraria nos critérios chegou a receber R$ 513 mil. A prefeitura anunciou a suspensão dos pagamentos e revisão dos benefícios. Por reforma, Campinas transfere 800 alunos a prédio 27 km distante Secretaria de Educação de Campinas vê período em transporte de alunos como "pedagógico" A decisão da Secretaria de Educação de Campinas de transferir 800 alunos de uma escola municipal para um prédio contratado 27 km distante, em ônibus contratados para percorrer um trajeto que representava perda de horas de aula e reclamação dos pais, movimentou a cidade em setembro. O representante regional chegou a definir o tempo em trânsito como pedagógico. O Ministério Público (MP) instaurou inquérito para apurar a situação dos estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Leão Vallerié, e a repercussão negativa fez a Prefeitura voltar atrás em algumas decisões, como a determinação do prefeito pela reposição das aulas e o cancelamento da transferência, nos mesmos moldes, de 491 alunos de outra unidade da rede municipal. Após repercussão com 1º caso, Campinas volta atrás e cancela transferência de 491 alunos Vereador Zé Carlos confessa corrupção passiva em esquema na Câmara de Campinas Vereador Zé Carlos, de Campinas, confessa ao MP que pediu propina para manter contrato Em junho, o então vereador Zé Carlos (PSB) confessou que pediu propina para renovar ou manter o contrato de uma empresa terceirizada na Câmara de Campinas no período em que ele foi presidente da Casa. A confissão ocorreu em um acordo de não persecução penal com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em que o vereador também afirmou que a propina seria destinada a ele mesmo. Dias após o acordo de confissão vir à tona, o vereador pediu renúncia ao cargo. O pedido foi lido na abertura da sessão da Casa, antes da leitura e votação de um pedido de instauração de comissão processante. Entenda acordo que evitou condenação de vereador, mas exigiu confissão de pedido de propina Áudios, CP arquivada e operação do Gaeco: relembre investigação contra vereador de Campinas que confessou ter pedido propina Licitação para compra de merenda em Campinas vira alvo de investigação e prefeitura afasta servidora Licitação para compra de merenda na rede municipal de Campinas vira alvo de investigação Lana Torres / G1 A Prefeitura de Campinas (SP) afastou uma servidora da Coordenadoria de Nutrição após abrir investigação sobre possíveis irregularidades em uma licitação para a compra de parte da merenda escolar da rede municipal. O caso veio à tona em setembro. Dois órgãos receberam denúncias de que as licitações da Secretaria de Educação apresentavam exigências muito específicas, o que restringia a ampla concorrência. O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou a denúncia à Polícia Federal (PF) e solicitou a abertura de inquérito. Gaeco pede que vereador de Sumaré Welington da Farmácia seja condenado por corrupção Vereador Welington da Farmácia (MDB), ex-secretário de Planejamento de Sumaré (SP) Câmara de Sumaré/Divulgação No início de novembro, o Ministério Público (MP) enviou à Justiça as alegações finais na ação contra o vereador Welington da Farmácia (MDB), ex-secretário de Planejamento de Sumaré (SP) e pai do atual vice-prefeito, André da Farmácia (MDB). No documento, o MP pede que o réu, denunciado por corrupção passiva em 2022, seja condenado e cumpra a pena em regime inicial fechado. O advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho informou ao g1 que vai argumentar que houve um "sequência de ilegalidades desde o nascimento dessas investigações". Ex-secretário de Sumaré é denunciado à Justiça pelo MP por suspeita de corrupção passiva Campinas retira pedras usadas para evitar moradores em situação de rua no Viaduto Laurão Após 32 anos, Campinas retira pedras instaladas sob Viaduto Laurão Rogério Capela/Prefeitura de Campinas Após 32 anos, a Prefeitura de Campinas (SP) retirou as pedras usadas para evitar a presença de moradores em situação de rua no entorno do Viaduto Laurão, ao redor da pilastra de sustentação do elevado da Avenida Moraes Salles. As pedras foram instaladas sob a estrutura em 1993. Em janeiro, a Secretaria de Serviços Públicos iniciou o plantio de mudas no local. Em nota, o secretário municipal de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, afirmou que a mudança “visa deixar o lugar mais bonito e humanizado”. Tarifaço dos EUA pode impactar produtos exportados pela RMC Donald Trump, em foto de 6 de agosto de 2025 Reuters/Jonathan Ernst O anúncio do tarifaço aos produtos brasileiros imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve repercussão imediata na Região Metropolitana de Campinas. Em agosto, um levantamento do Observatório da PUC-Campinas apontou "forte vulnerabilidade" da pauta exportadora na região com a decisão política. Para efeito de comparação, no 1º semestre de 2025, Campinas foi responsável por 34,33% do total exportado pela região para os EUA. Após negociações com o governo brasileiro, o país norte-americano retirou, em novembro, as tarifas da maior parcela dos itens taxados. Campinas oficializa criação de polo de inovação em Barão Geraldo Oficina regional sobre o PIDS realizada em 2023 Eduardo Lopes/Prefeitura de Campinas O prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos), sancionou em novembro a lei que cria o Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS) no distrito de Barão Geraldo. Aprovado pela Câmara em outubro, o projeto prevê transformar 17 milhões de m² em "um espaço voltado para tecnologia, pesquisa e sustentabilidade", além de "permitir atividades comerciais em áreas residenciais por meio de um modelo de desenvolvimento sustentável". Após liminar do STF, Campinas suspende criação de loteria municipal Bilhete de loteria da Lotto alemã, imagem ilustrativa Dirk Vorderstraße/CC BY-NC 3.0 Em dezembro, a Prefeitura de Campinas suspendeu, por tempo indeterminado, o processo de criação da loteria municipal (Locamp). A medida foi tomada após uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibiu todos os municípios de criarem ou operarem serviços de loteria e apostas esportivas. A Locamp previa a explocação de qualquer modalidade lotérica, o que inclui a raspadinha, loteria de apostas (como Mega-Sena, Lotofácil, Quina), as de esportes (como Timemania), entre outros produtos. A expectativa era iniciar a operação em 2026. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

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Mulher consegue emprego como presente de Natal após pedido ao Papai Noel em plataforma de Inteligência Artificial

Publicado em: 25/12/2025 07:00

Papai Noel aderiu ao uso da Inteligência Artificial em Rio Preto (SP) Leandro Ferreira de Oliveira/Arquivo pessoal Neste Natal, a tradicional lista de presentes ganhou um significado diferente: em vez de brinquedos, roupas ou eletrônicos, o Papai Noel entrou na tecnologia e atendeu a pedidos de vagas de emprego. As cartinhas foram enviadas por meio de um aplicativo desenvolvido com Inteligência Artificial por um programador em São José do Rio Preto (SP). Leandro Ferreira de Oliveira decidiu unir tecnologia e solidariedade na plataforma, que tem a proposta de conectar desejos reais de crianças, jovens e adultos a empresas e organizações dispostas a ajudar no noroeste paulista. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na prática, o projeto funciona como um assistente virtual: a pessoa registra um pedido e o algoritmo analisa informações como idade, custo e urgência da solicitação. A partir desses dados, a IA busca empresas parceiras, doadores ou alternativas para tornar o desejo realidade. Se não houver resposta positiva de parceiros locais, a IA pesquisa outras opções ou compara preços. Tudo é organizado para que o pedido tenha a maior chance possível de ser atendido. Segundo o criador, até mesmo pedidos simples passam por análise. "Sempre fui curioso, uma pessoa que buscava algo diferente das experiências tradicionais. A IA é o futuro. Ela é capaz de otimizar processos. A ideia é que a IA seja um assistente virtual. Esperamos alegrar as vidas de milhares de pessoas", comenta Leandro. Entre os pedidos atendidos, dois chamaram a atenção: vagas de emprego. Entre eles, está o de uma mulher de 62 anos. A solicitação foi registrada na plataforma, analisada pela IA e encaminhada a empresas parceiras. O resultado foi a contratação da candidata em um supermercado. O presente, de acordo com Leandro, mudou completamente o Natal dela. Outra mulher, de Votuporanga (SP), que é mãe solo de três filhos, pediu para trabalhar como caixa de supermercado. O pedido resultou em uma entrevista de emprego - o primeiro passo para a contratação. "São bem impactantes alguns desejos assim, porque às vezes são coisas simples. Quem tem um orçamento apertado, às vezes vive com um salário mínimo, R$ 1,5 mil, não pode se dar ao luxo de comprar um chocotone que custa R$ 50. E a gente está podendo realizar esses sonhos, né? Tudo isso aí é uma honra, uma possibilidade muito bacana de poder contribuir e ajudar o próximo", celebra Leandro. O projeto está em funcionamento desde o dia 10 de dezembro e recebeu mais de 300 pedidos. A meta inicial era atender dez solicitações em São José do Rio Preto e dez em Votuporanga, mas o número foi superado antes mesmo do fim da campanha, que ocorreu na terça-feira (23), com a entrega dos pedidos, entre brinquedos, bonecas e cestas básicas. A expectativa é realizar cerca de 40 desejos nesta primeira edição. Em janeiro, a plataforma deve divulgar uma prestação de contas com os dados da campanha, apontando desafios e melhorias para o próximo ano. "A Inteligência Artificial nos ajudou a contatar as pessoas e tomar decisões. Alguns pedidos ainda vão ser atendidos depois do Natal, por conta do frete, logística, que fogem do nosso controle. É como se o Papai Noel existisse de carne e osso." Crianças escaneiam QR Code e fazem pedidos ao Papai Noel em Rio Preto (SP) Leandro Ferreira de Oliveira/Arquivo pessoal 📱 Como funciona a conexão? Para enviar um pedido ao Papai Noel, os interessados escanearam um QR Code, que foi espalhado em papéis e colado em paredes, e preencheram um formulário detalhado com informações. A IA, então, assumiu a função de cruzar os pedidos com as ofertas: Necessidade material: crianças em situação de vulnerabilidade que pedem um brinquedo são conectadas a empresas parceiras que podem fazer a doação; Oportunidade de trabalho: um pai que precisa recomeçar a vida e pede um emprego de açougueiro, por exemplo, é ligado diretamente a vagas abertas e contratantes parceiros na sua cidade; Apoio social e afetivo: pessoas solitárias que buscam a companhia de um pet são conectadas a ONGs de proteção animal para adoção responsável. Para garantir que o máximo de desejos seja realizado, o projeto também abriu um canal de patrocínio comunitário. Pessoas interessadas em apoiar a causa podem fazer doações de qualquer valor via PIX para o "Fundo de Realização". Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Por que suas fotos dos anos 2000 podem estar perdidas para sempre — e como preservar as atuais

Publicado em: 23/12/2025 15:11

Segundo estimativas recentes, calcula-se que cerca de 5,3 bilhões de fotografias digitais sejam tiradas todos os dias no mundo Getty Images via BBC No meu aniversário de 40 anos, pedi aos meus amigos e familiares um único presente: fotos minhas do início dos meus 20 anos. Minha própria coleção de imagens dessa época — aproximadamente entre 2005 e 2010 — é terrivelmente pequena. Existe um vazio entre os meus álbuns de fotos impressos da época da faculdade e minha pasta do Dropbox (serviço de armazenamento em nuvem) com registros dos meus primeiros anos como mãe. Tudo o que consegui encontrar daquela época foi um punhado de fotos de baixa resolução, em que apareço em um bar fazendo algo estranho com as mãos. E o resto? Ficou para trás por causa de um computador quebrado, contas de e-mail e redes sociais inativas e um mar de pequenos cartões de memória e pendrives perdidos no caos de várias mudanças internacionais. É como se minhas lembranças não passassem de um sonho. Descobri que não sou a única. No início dos anos 2000, o mundo passou por uma transição repentina e drástica da fotografia analógica para a digital, mas levou um tempo para encontrar um armazenamento fácil e confiável para todos aqueles novos arquivos. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Como não perder fotos e vídeos para sempre? Guia indica onde guardar arquivos 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta Hoje em dia, seu smartphone envia cópias de segurança das fotos para a nuvem assim que elas são tiradas. Muitas imagens capturadas durante a primeira geração de câmeras digitais não tiveram a mesma sorte. Conforme as pessoas trocavam de aparelhos e os serviços digitais surgiam e desapareciam, milhões de fotos se perderam no caminho. Há um buraco negro no registro fotográfico que atravessa a sociedade. Quem tinha uma câmera digital naquela época provavelmente perdeu boa parte das imagens quando deixou de usá-la. Mesmo hoje em dia, os arquivos digitais são muito menos permanentes do que parecem. Mas, se você tomar as medidas certas, ainda é possível proteger suas fotos atuais do mesmo esquecimento. Global 8000: como é o jato executivo mais rápido do mundo Quarto privativo, cama e TV de 32": como é o avião que fará voo mais longo do mundo 'Vejo você em 4 anos': a despedida de adolescentes às redes após proibição na Austrália Neste ano, comemora-se o 50º aniversário da fotografia digital. A primeira câmera digital era um equipamento volumoso e pouco prático, que mais parecia uma "torradeira com uma lente", como explicou seu inventor, Steve Sasson, à BBC. Décadas se passaram até que as câmeras digitais se tornassem um produto de consumo viável, mas, no início dos anos 2000, praticamente todos os meus conhecidos tinham uma. Tiramos milhares de fotos e as compartilhamos em álbuns online com nomes como "Terça à Noite!" ou "Viagem à Nova York — parte 3". Mas será que alguém do meu círculo teria essas imagens 20 anos depois? Quando perguntei, descobri que pouquíssimos as guardaram. Todos enfrentavam os mesmos problemas que eu. Como podia haver tão pouco material de um período tão repleto de fotos? Ao observar nossa relação com as fotografias, o intervalo entre 2005 e 2010 se revela como um microcosmo da Era da Informação. É uma vida inteira de inovação, rupturas e acesso condensado em apenas cinco anos da cronologia da história humana. A revolução digital O ano de 2005 foi um bom momento para quem usava câmeras digitais. Naquele ano, o avanço da tecnologia digital derrubou as vendas de câmeras analógicas, segundo dados da Associação de Produtos de Câmera e Imagem (Cipa, na sigla em inglês). A concorrência acirrada reduziu o preço das câmeras digitais compactas básicas a ponto de torná-las compras por impulso. A qualidade dos equipamentos também melhorou rapidamente, dando a alguns consumidores uma desculpa para atualizar suas câmeras compactas uma ou até duas vezes por ano. Pense nisso: durante um século, a fotografia pessoal foi um processo lento e deliberado. Tirar fotos custava dinheiro. Cada rolo de filme rendia um número limitado de fotos. E se você quisesse ver suas fotos, tinha que gastar tempo revelando o filme ou pagar um laboratório para fazer o trabalho, e depois repetir todo o processo se quisesse cópias impressas. No entanto, a partir de 2005, todas essas barreiras ruíram num piscar de olhos. Logo, os consumidores estavam produzindo milhões de fotos digitais por ano. Mas o que parecia uma época de abundância fotográfica foi, na prática, um momento de extrema vulnerabilidade. Cartões SD, pendrives e discos rígidos externos eram as formas de armazenamento preferidas na década de 2000 Getty Images via BBC "[Os consumidores] não tinham consciência do que não sabiam", afirma Cheryl DiFrank, fundadora da My Memory File, empresa que ajuda clientes a organizar bibliotecas de fotos digitais. "A maioria de nós não dedica tempo para compreender de fato as novas tecnologias. Simplesmente descobrimos como usá-las para atender às nossas necessidades imediatas... e resolvemos o resto depois." Segundo DiFrank, na época as pessoas não tinham consciência de que não conseguiriam "resolver o resto mais tarde". A memória do consumidor médio estava espalhada de forma precária por uma ampla gama de tecnologias portáteis de primeira geração, vulneráveis a perdas, furtos, vírus e à obsolescência: câmeras, cartões SD, discos rígidos, pendrives, câmeras Flip Cam, CDs e um emaranhado de cabos USB que funcionavam com alguns dispositivos, mas não com outros. Ao mesmo tempo, os laptops começaram a superar os computadores de mesa pela primeira vez na história. As pessoas passaram a armazenar e visualizar fotos apenas nesses aparelhos, que, infelizmente, também eram mais fáceis de quebrar ou perder. As vendas de câmeras digitais dispararam em 2005, atingiram o pico em 2010 e depois despencaram, segundo a Associação de Produtos de Câmera e Imagem. O iPhone da Apple foi lançado em 2007, e os telefones celulares logo revolucionaram por completo a então nascente explosão da fotografia digital. Os consumidores rapidamente adotaram a nova tendência fotográfica, muitas vezes sem se deter em proteger as fotos que já haviam feito. O 'buraco negro' A dor de perder fotos é algo pessoal para Cathi Nelson. Em 2009, seu computador e o disco rígido externo de backup foram roubados de sua casa. Como na época ainda não havia serviços de armazenamento em nuvem acessíveis, ela perdeu para sempre grande parte das memórias de sua família. Ironicamente, Nelson agora ganha a vida ajudando outras pessoas a recuperarem suas fotos perdidas. Naquele mesmo ano, Nelson fundou a organização The Photo Manager, que reúne profissionais especializados em organizar acervos de fotos digitais. Naquela época, as coleções de fotos já estavam tão desorganizadas que havia uma enorme demanda por ajuda profissional, diz ela. "As pessoas estão sobrecarregadas pelas opções, pela tecnologia e pela quantidade de dados", escreveu Nelson em um relatório técnico sobre o problema. Os membros da Photo Manager estão constantemente ajudando seus clientes com o "buraco negro" digital de 2005-2010. "Vejo isso repetidamente, essa coisa toda do 'buraco negro' digital", diz Caroline Gunter, integrante do grupo. "Houve um período, do início dos anos 2000 até 2013, em que era muito difícil para as pessoas se organizarem e muitas fotos acabaram se perdendo." Nelson, Gunter e outros membros da organização contam que recuperam imagens pixeladas de bebês feitas em celulares Nokia com teclado físico, resgatam fotos armazenadas em CDs e enfrentam o atendimento ao cliente de sites de álbuns online, como Snapfish ou Shutterfly. "Nossos membros sempre dizem que este é o único trabalho que fazem em que as pessoas choram quando recebem tudo de volta", afirma Nelson. Ao mesmo tempo, ocorreu outra mudança radical: a livre troca de fotos online. Não só tínhamos a capacidade de gerar milhões de fotos, como também podíamos compartilhá-las com toda a humanidade, de uma forma que parecia muito mais permanente do que realmente era. Em 2006, a plataforma de redes sociais MySpace era o site mais popular dos Estados Unidos e, para muitos, tornou-se o serviço preferido para compartilhar e armazenar fotos. Seu reinado, porém, durou pouco. O Facebook foi lançado em 2004 e, em 2012, já contava com mais de 1 bilhão de usuários. O MySpace logo caiu no esquecimento, deixando para trás inúmeras fotos e outras lembranças digitais. Em 2019, o MySpace anunciou que 12 anos de dados haviam sido apagados devido a uma falha acidental no servidor. A empresa afirmou que "todas as fotos, vídeos e arquivos de áudio" publicados antes de 2016 foram perdidos para sempre — toda uma geração de imagens perdida no tempo. No entanto, o MySpace não era o único centro de armazenamento de fotos. Empresas como a Kodak, a Shutterfly, a Snapfish, a rede de farmácias Walgreens e muitas outras empresas também investiram em serviços de fotos online. Os clientes recebiam galerias de fotos online gratuitas, e as empresas podiam gerar receita com impressões e brindes. Inicialmente, o modelo foi um sucesso estrondoso. A Shutterfly, por exemplo, abriu seu capital em 2006 com uma oferta pública inicial de grande repercussão, que arrecadou US$ 87 milhões (aproximadamente R$ 430 milhões). Perdidas para sempre O restante do que ocorreu ficou para os livros de história e para os estudos de caso das escolas de negócios. A Kodak, por exemplo, entrou em processo de falência — embora a empresa tenha ressurgido anos depois. A Shutterfly adquiriu todas as fotos da Galeria Kodak EasyShare, mas minha experiência pessoal mostra que isso não foi uma boa notícia para minhas imagens. Para transferir as fotos da Kodak EasyShare para a Shutterfly, era necessário vincular as duas contas — uma tarefa que nunca concluí, apesar dos vários e-mails enviados pela Shutterfly me incentivando a fazê-lo. Os e-mails de marketing da empresa prometiam aos clientes que as fotos jamais seriam apagadas. Algum tempo depois, porém, ao acessar minha conta, descobri que as imagens estavam arquivadas e inacessíveis. Um porta-voz da Shutterfly afirmou que minha história é conhecida e que a empresa fez todo o possível para auxiliar os clientes na transição para a Kodak. No entanto, infelizmente, algumas fotos se tornaram irrecuperáveis ​​com o tempo. A Kodak lançou muitos modelos de câmeras digitais nas décadas de 1990 e 2000 Getty Images via BBC A Shutterfly ainda mantém parte dessas imagens, mas a empresa não as libera. Segundo um porta-voz, não é possível acessar, baixar ou compartilhar fotos armazenadas na Shutterfly a menos que se faça uma compra a cada 18 meses. Posso usar essas fotos para criar um produto como um calendário fotográfico, que a Shutterfly vende com prazer, mas não consigo acessar meus arquivos a menos que faça compras regulares. É quase como se minhas memórias estivessem sido sequestradas. "O que as pessoas não compreendem é que um dos maiores custos dos negócios online é o armazenamento", afirma Karen North, professora da Escola de Comunicação Annenberg da Universidade do Sul da Califórnia (Estados Unidos). "Havia tanto entusiasmo com as novas tecnologias que não se deu atenção real — muito menos atenção pública — à necessidade de um modelo de negócios sustentável." Na década de 2000, o custo do armazenamento digital era consideravelmente maior do que é hoje. O armazenamento em nuvem externa para as empresas estava apenas começando a surgir naquela época, e muitas empresas precisavam construir e manter seus próprios servidores, o que era um gasto enorme. Os consumidores produziam milhões de fotos digitais, mas, a longo prazo, as empresas online não conseguiam arcar com os custos de armazená-las, afirma North. "No início dos anos 2000, havia a ideia de que tudo o que fosse colocado na internet deveria ser gratuito", diz North. "Todos vivíamos nossas 'segundas vidas' de graça. O Gmail era gratuito. Hoje, ao olhar para trás, fica claro como uma pequena taxa de assinatura da Kodak ou de qualquer um desses sites poderia ter protegido nossas lembranças." O que aconteceu, em vez disso, foi que os consumidores passaram a pagar um preço diferente: todas aquelas fotos carregadas e compartilhadas rapidamente (mas não impressas ou armazenadas em um disco rígido externo) entre 2005 e 2010 ficaram seriamente comprometidas. "Estamos maravilhados com toda essa coisa grátis", diz Sucharita Kodali, analista de mercado varejista da Forrester Research. "Ninguém se pergunta: 'O que acontecerá daqui a cinco ou dez anos?' Perdemos completamente nossa capacidade de pensamento crítico porque fomos deslumbrados pela internet gratuita." As soluções atuais de armazenamento de fotos podem parecer mais permanentes, mas, segundo especialistas como Nelson, os riscos continuam os mesmos. "Psicologicamente, as pessoas não entendiam a diferença entre dados digitais e uma fotografia física", diz Nelson. "Pensamos que estamos vendo uma fotografia real. Mas não estamos. Estamos vendo um monte de números." Você pode segurar uma foto na mão, mas os dados estão a apenas um clique de desaparecer. Como proteger suas fotos "Tudo se resume à redundância", afirma Nelson. "Corremos um risco muito maior hoje do que quando as fotos eram simplesmente impressas." Se os consumidores dependerem demais da nuvem, o destino de suas fotos estará nas mãos de uma empresa que pode falir ou decidir apagá-las completamente. "Ou veja o meu exemplo do roubo de um disco rígido externo, que eu considerava o backup ideal", acrescenta Nelson. "É por isso que a redundância é fundamental." Especialistas em gerenciamento de imagens costumam seguir a chamada regra do 3-2-1 para o armazenamento de fotos. A lógica é manter sempre três cópias de cada imagem: duas guardadas em mídias diferentes (como a nuvem e um disco rígido externo) e uma terceira cópia armazenada em um local físico separado, como um HD deixado na casa de um parente. Essa é a melhor proteção contra falhas tecnológicas e desastres naturais. Aprendi essa lição da pior forma. Hoje, salvo todas as fotos que recebo por SMS ou e-mail no meu dispositivo, que tem backup automático no Google Fotos. Uma vez por mês, faço backup do Google Fotos no meu HD externo. Também é uma boa ideia editar suas fotos diariamente. Sentir que você tem um número administrável de fotos significa que você tem mais chances de estar no controle. "O volume [de fotos] atualmente é insano", diz Gunter. "A seleção de fotos é o que está causando problemas para as pessoas, porque elas não têm tempo. Elas simplesmente continuam acumulando bagunça." No meu aniversário de 40 anos, recebi alguns tesouros que nunca tinha visto antes. Havia uma foto minha com o cabelo incrivelmente curto; o futon estranho que não conseguimos vender e acabamos deixando na calçada; os azulejos de um banheiro que já não existe; bolsas enormes e desnecessárias. Encontrei até um vídeo granulado do meu cachorro, gravado com um celular antigo, no qual uma amiga diz estar apaixonada por "um cara qualquer" — o mesmo cara com quem ela se casou 15 anos depois. Há algo que hoje sabemos e que naquela época não sabíamos: as redes sociais, ou qualquer serviço online, podem não ser guardiãs confiáveis de nossas fotografias. Cabe a nós assumir a responsabilidade real por nossas memórias e reduzir os riscos envolvidos.

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