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Dupla mata 2 pessoas e tenta matar outras 3 durante assaltos no DF

Publicado em: 28/08/2025 07:07

Dupla suspeita de matar 2 pessoas e tenta matar outras 3 durante assaltos no DF reprodução Uma dupla de criminosos matou duas pessoas e tentou matar outras três durante assaltos em Ceilândia, no Distrito Federal. Os crimes aconteceram entre a madrugada e manhã de quarta-feira (27). Um dos suspeitos, Jonathan Bruno Dias Santos, de 30 anos, foi preso na tarde de quarta. O segundo suspeito ainda não foi identificado e está foragido. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Em todos os casos, os suspeitos usaram uma faca para exigir dinheiro ou pertences das vítimas. Segundo a Polícia Civil, a maioria das vítimas vive em situação de vulnerabilidade. Uma foto mostra os dois suspeitos juntos (veja acima). A polícia informou que o homem foragido é o que aparece usando a camiseta vermelha. Onda de crimes Veja os crimes cometidos pelos suspeitos entre a madrugada e manhã de quarta, em Ceilândia: Assalto por volta de 0h, na QNN 18: a vítima foi um homem de 65 anos, que sobreviveu. Ele foi atacado com aproximadamente 15 golpes de faca e socorrido pelo SAMU. Assalto pelas 2h, na EQNM 2/4: vítima foi um homem de 39 anos, que também foi esfaqueado e sobreviveu. Assalto às 3h, na QNN 2: vítima foi um homem de 24 anos. Ele foi ferido com golpes no pescoço e abdômen após reagir ao roubo. O homem sobreviveu e está internado. Assalto às 7h, na QNN 12: vítima foi atacada e morta; ainda não identificada. Assalto às 8h20, na QNN 1: vítima foi um homem de 25 anos. Ele foi abordado e negou entregar o dinheiro. Depois foi esfaqueado na cabeça e morreu. Suspeito preso Jonathan Bruno Dias Santos, de 30 anos, foi preso após onda de crimes em Ceilândia reprodução O suspeito Jonathan Bruno Dias Santos foi preso pela 23ª Delegacia no início da tarde de quarta. Ele foi indiciado por dois crimes de latrocínio consumado e dois de tentativa de latrocínio. Segundo a polícia, Jonathan Bruno Dias Santos tem extensa ficha criminal, como roubo, tráfico, furto e corrupção de menores. Ele cumpria prisão domiciliar. LEIA TAMBÉM: SAÚDE: Falta de médicos fecha UTIs para recém-nascidos em Ceilândia; DF estuda migrar equipe de Brazlândia VEJA DETALHES: Condomínio onde Bolsonaro está preso tem quadras, quatro igrejas e pista de skate Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Solidão, dependência e baixa autoestima deixam mulheres mais vulneráveis em relações violentas, aponta pesquisa no RJ

Publicado em: 28/08/2025 05:04

'Até quando?' Saiba como pedir socorro em casos de violência doméstica Uma pesquisa feita com mulheres assistidas pelo Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) de Queimados, da secretaria estadual da Mulher, apontou alguns fatores que deixam as mulheres mais vulneráveis em relações abusivas e violentas. O estudo, conduzido pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), analisou os impactos da dependência emocional. Os dados sobre a vulnerabilidade em relações violentas apontam que 30% das mulheres justificaram por solidão, outras 24% acreditam que a dependência do parceiro e 18% das entrevistadas acreditam que a baixa autoestima influencia. Já os principais elementos que mantêm a permanência nesses relacionamentos são a dependência emocional (25%), a vergonha, majoritariamente reforçada por crenças religiosas (21%), e a preservação da família em função dos filhos (17%). O estudo também aponta que a violência perdura por gerações: 52% das participantes relataram que ao menos uma mulher da família sofreu violência e 48% delas já haviam vivenciado violência por parceiro íntimo em outros relacionamentos. Esse histórico contribui especialmente para sentimentos de desconexão e rejeição (73,33%), super vigilância e inibição (66,66%). "Os resultados confirmam a importância da rede integrada de proteção à mulher e o papel fundamental dos centros especializados, que oferecem acolhimento psicológico, social, jurídico e, sobretudo, esperança e oportunidade de recomeço", afirma a secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar. As consequências emocionais e psicológicas dessas violências mais recorrentes na pesquisa foram a auto culpabilização (38%), a desesperança (31%) e os danos psicológicos (31%). Entre as reações comportamentais, prevaleceram o choro (40%) e o isolamento (35%). Segundo a pesquisa, a maioria das mulheres encontrou apoio para romper o ciclo da violência principalmente por meio da rede de acolhimento (73%), seguida por organismos de enfrentamento e combate à violência, como polícias e órgãos de assistência (20%). Para a pesquisadora responsável, Elisângela Cunha, os resultados do estudo desenvolvido em seu mestrado no Laboratório de Estudos sobre Violência contra Crianças e Adolescentes da UFRRJ reforçam a relevância dos equipamentos especializados. “Constatamos que a dependência emocional atua como um padrão dentro do ciclo da violência. Isso evidencia o papel essencial de espaços como o CEAM no processo de acolhimento e transformação da vida das mulheres", afirma Cunha. A pesquisa foi realizada com base em uma metodologia qualitativa e quantitativa, envolvendo 15 mulheres em 45 encontros. As mulheres tinham a partir de 18 anos, sofreram violência psicológica e foram atendidas no CEAM Queimados. Pintando recomeços Secretaria da Mulher faz oficina de pintura com vítimas de violência Divulgação/Fernanda Sabença Uma das ações realizadas no acolhimento dessas mulheres foram oficinas de pintura conduzidas pela professora e artista plástica Fernanda Brandão, entre maio e julho deste ano, e tiveram como objetivo promover bem-estar e fortalecer a autoestima de mulheres em situação de violência. A atividade fez parte da programação promovida pela Secretaria nas três unidades de referência do Governo do Estado, o Centro Integrado de Atendimento à Mulher Márcia Lyra, no Centro do Rio; o CIAM Baixada, em Nova Iguaçu; e o CEAM Queimados. A iniciativa gerou uma exposição dos trabalhos produzidos, realizada nesta quinta-feira (28), com a presença da atriz Patrícia Ramos. “Nunca tinha pintado nada antes. Mas essa é a casa dos meus sonhos. Ainda não é a que eu tenho, mas é a que desejo: limpinha, cheirosa, do meu jeitinho”, contou Ana (nome fictício), emocionada ao apresentar sua primeira tela durante a oficina de pintura acrílica sobre tela. A obra, que retrata uma casa e uma árvore, simboliza seu recomeço após anos de violência doméstica. Secretaria da Mulher faz oficina de pintura com vítimas de violência Divulgação/Fernanda Sabença Maria (nome fictício) também participou das oficinas e contou que precisou se afastar do mercado de trabalho em função da violência psicológica praticada pelo marido. “No CIAM, eu fui acolhida logo no primeiro dia e encaminhada para atendimento psicológico. Aqui, encontrei um lugar que realmente funciona e se importa. Vim para a oficina de pintura em busca de conhecimento e saio com vontade de transformar isso em oportunidade”, afirma. Rede de proteção O Governo do Estado dispõe de uma rede de proteção e acolhimento formada por três Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CIAMs e CEAMs). As unidades da SEM-RJ, localizadas no Centro do Rio, em Queimados e em Nova Iguaçu, oferecem atendimentos psicológico, social e jurídico, além de ações de capacitação profissional, geração de renda e fortalecimento da autonomia. Em 2024, os centros especializados realizaram 11 mil atendimentos, oferecendo apoio integral a mulheres em situação de violência física, sexual, moral, psicológica ou patrimonial. No primeiro semestre deste ano, já foram 7.085 atendimentos. Essa rede de enfrentamento também conta com 14 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), um abrigo sigiloso, 47 equipes da Patrulha Maria da Penha, além de UPAs e hospitais estaduais com equipes capacitadas para acolher vítimas de violência. Todos os endereços, incluindo os dos 50 centros especializados municipais que existem no estado do Rio, podem ser consultados no aplicativo gratuito para celular Rede Mulher e no site www.secmulher.rj.gov.br . Endereços das unidades estaduais CIAM Márcia Lyra Rua Regente Feijó, 15 – Centro, Rio de Janeiro CEAM Queimados Rua Odilon Braga, 26 – Queimados, RJ CIAM Baixada Rua Coronel Bernardino de Melo, s/nº, 4º andar – Centro, Nova Iguaçu

Palavras-chave: vulnerabilidade

Quem é o padre preso por suspeita de estupro de vulnerável no Paraná

Publicado em: 28/08/2025 04:01

Genivaldo é padre há 12 anos Arquivo pessoal O padre Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, preso no último domingo (24) em Cascavel, no oeste do Paraná, suspeito de estupro de vulnerável, atuava como sacerdote há 12 anos em diferentes cidades da região. Segundo a Arquidiocese de Cascavel, ele trabalhou em paróquias no norte da cidade, em Boa Vista da Aparecida e, mais recentemente, na cidade de Santa Lúcia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp Na Igreja, ele foi tesoureiro da Arquidiocese e assessor eclesiástico da Pastoral da Sobriedade. Em 2015, concluiu graduação em Teologia pela Faculdade Missioneira do Paraná. Além da atuação religiosa, Genivaldo também oferecia “terapias complementares” em uma clínica de Cascavel, prática que a Polícia Civil do Paraná (PCPR) classificou como exercício ilegal da medicina. A polícia afirma que, segundo os depoimento colhidos durante a investigação, o caso mais recente de abuso sexual ocorreu há cerca de duas semanas no local onde o padre atendia como terapeuta. O padre também atuou em meios de comunicação. Em 2016, criou uma rádio web com programação católica 24 horas por dia, que atualmente está fora do ar. Em 2020, ele concedeu entrevista a uma revista religiosa, na qual destacou o gosto por programas de rádio. Em nota enviada à RPC, afiliada da TV Globo, a defesa de Genivaldo afirmou que a investigação se baseia “essencialmente em depoimentos orais”, que a manifestação ocorrerá no processo e que a análise dos materiais apreendidos durante a operação da polícia “vai ajudar a mostrar a verdade sobre os fatos”. O padre tinha uma rádio web com programação 24h por dia. Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Vídeo: chuva de granizo deixa cidade com cenário parecido com neve no Paraná Luto: Médico e ex-vice-prefeito de Guarapuava morre 20 dias após sofrer acidente de moto, no Paraná Acidente: Casal morre após carro aquaplanar na chuva, capotar em rodovia e bater em árvore Relembre o caso Padre foi preso na manhã de domingo (24), em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) Genivaldo Oliveira dos Santos é investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais. Entre as seis vítimas apontadas pela polícia até o momento estão jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ele foi preso por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa do padre. Segundo a polícia, ele está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano. Durante a investigação, 15 pessoas foram ouvidas. Dentre elas, seis vítimas foram identificadas. O relato de outras duas possíveis vítimas está em análise. Segundo a polícia, a prisão temporária do padre foi decretada porque ele estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas. A defesa dele afirma que prossegue acompanhando as investigações e que tomará todas as providências necessárias para a revogação da prisão, que a defesa entende ser "desnecessária nesse momento." Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Documento aponta que arcebispo sabia de denúncia feita há quase 15 anos contra padre preso por estupro de vulnerável

Publicado em: 27/08/2025 16:05

O documento também cita os nomes de dois reitores do seminário e de uma psicóloga, além do arcebispo. RPC Cascavel Um documento assinado em 2011 por um seminarista que denunciou o padre Genivaldo Oliveira dos Santos aos superiores da igreja por tentativa de abuso sexual indica que o então arcebispo de Cascavel, Dom Mauro Aparecido dos Santos, tinha conhecimento do caso e não o relatou à polícia. O documento foi incluído como prova no inquérito que investiga o padre, preso no domingo (24) por estupro de vulnerável. A vítima hoje também é padre e contou em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que pensou em procurar a polícia, mas desistiu por medo de não ser ordenado sacerdote por causa da denúncia. Ele decidiu, então, redigir o documento e entregá-lo pessoalmente ao arcebispo. “Era minha palavra contra a dele [...] E a partir daquele momento, eu fiz um documento dizendo que da minha parte estaria tudo resolvido e fiz acompanhamento psicológico”, conta a vítima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp No texto, a vítima escreveu: “De minha parte dou por encerrado o caso ocorrido com o seminarista Genivaldo Oliveira dos Santos”. O arcebispo Dom Mauro Aparecido dos Santos atuou em Cascavel de 2008 até o seu falecimento, em 2021. O documento também cita os nomes de dois reitores do seminário (os padres Emerson Detoni e Antonio Ailson Aurélio) e de uma psicóloga, além do arcebispo. O g1 tentou contato com as pessoas citadas, por meio da Cúria Metropolitana, que respondeu que os reitores citados não fazem mais parte da Arquidiocese de Cascavel. O g1 tenta localizar os padres e a psicóloga. A defesa do padre Genivaldo Oliveira dos Santos disse, por meio de nota, que vai se pronunciar no processo e que acompanha a investigação com o intuito de colaboração total com as investigações, "de modo que se busque a verdade real dos fatos, e não aquela exteriorizada pela digna autoridade policial em entrevista nos meios de comunicação". Segundo a vítima, foi apenas no ano passado, quando soube da existência de outras denúncias, que ela decidiu relatar o caso e colaborar com as investigações. O atual arcebispo de Cascavel, Dom José Mário Scalon Angonese, disse em comunicado que o padre denunciado foi suspenso assim que a denúncia chegou oficialmente à diocese, no dia 14 de agosto. “Um processo de investigação já está em andamento. Temos um prazo de 90 dias na diocese e depois encaminhamos para a Congregação da Doutrina da Fé, no Vaticano. Se confirmado que houve pedofilia, a decisão de Roma tem sido clara: a demissão do estado clerical. Ele deixará de ser padre”, afirmou. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também foi contatada, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem. LEIA TAMBÉM: Vídeo: chuva de granizo deixa cidade com cenário parecido com neve no Paraná Luto: Médico e ex-vice-prefeito de Guarapuava morre 20 dias após sofrer acidente de moto, no Paraná Acidente: Casal morre após carro aquaplanar na chuva, capotar em rodovia e bater em árvore Relembre o caso Padre foi preso na manhã de domingo (24), em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) Genivaldo Oliveira dos Santos é investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais. Entre as seis vítimas apontadas pela polícia até o momento estão jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Ele foi preso por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa do padre. Segundo a polícia, ele está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano. Durante a investigação, 15 pessoas foram ouvidas. Dentre elas, seis vítimas foram identificadas. O relato de outras duas possíveis vítimas está em análise. Segundo a polícia, a prisão temporária do padre foi decretada porque ele estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas. A defesa dele afirma que prossegue acompanhando as investigações e que tomará todas as providências necessárias para a revogação da prisão, que a defesa entende ser "desnecessária nesse momento." Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná q Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.

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Mais de 112 mil pessoas vivem em áreas de risco alto e muito alto de desastres em Manaus, aponta SGB

Publicado em: 27/08/2025 15:48

Mais de cem mil pessoas vivem em áreas de risco alto ou muito alto em Manaus Mais de 112 mil pessoas vivem em 438 setores classificados como de risco alto e muito alto para desastres como inundações, alagamentos, enxurradas, erosões e deslizamentos. Os dados são da atualização do mapeamento de áreas de risco geológico da cidade, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), nesta quarta-feira (27). De acordo com o estudo, a capital amazonense possui 362 setores de risco alto e 76 de risco muito alto para os desastres. O trabalho de campo ocorreu entre junho de 2024 e abril de 2025. Em relação ao último mapeamento, de 2019, houve redução no número total de setores de risco. No entanto, o número de domicílios e a dimensão dos setores mapeados aumentaram. Na época, foram identificados 634 setores de risco alto e muito alto, onde viviam, aproximadamente, 73 mil pessoas. A atualização do mapeamento indica que todas as zonas administrativas apresentam áreas de risco, com destaque para as zonas Leste e Norte, que concentram maior número de setores e domicílios vulneráveis. Dentre os bairros, os que mais se destacam pelo número de moradias em risco registrado são: Jorge Teixeira, Cidade Nova, Gilberto Mestrinho, Alvorada, Mauazinho e Nova Cidade. Juntos, esses seis bairros concentram 194 setores de risco alto e muito alto, abrangendo mais de 13 mil domicílios e aproximadamente 52 mil pessoas vulneráveis aos processos geológicos e hidrológicos identificados. O pesquisador em geociências do SGB, Elton Andretta, explica que o crescimento urbano desordenado de Manaus, observado há décadas, é o principal fator para a existência de áreas de risco. Segundo ele, o cenário se agrava porque a cidade é cortada por diversos igarapés e rios, que atravessam todas as zonas administrativas. “A ocupação irregular nas planícies de inundação e sobre as drenagens deixa as casas vulneráveis a enchentes, alagamentos, inundações e enxurradas, além de erosões de margem fluvial”, disse. O estudo mostra ainda que os meses de janeiro a abril, período de maior intensidade de chuvas, concentram a maior parte dos registros de ocorrências. O SGB também identificou que parte das áreas mapeadas em 2019 passou por intervenções de mitigação, mas o crescimento urbano desordenado e a ocupação de áreas impróprias para habitação continuam sendo fatores que ampliam a vulnerabilidade da população. Desabamento de casa em Manaus. Divulgação/Defesa Civil No estudo, o SGB apresenta recomendações para reduzir os riscos existentes, principalmente, nos setores classificados como de risco muito alto. “Esses 76 setores mapeados devem ser priorizados pelas municipalidades na questão de intervenções estruturais (obras) e não estruturais (alertas, gestão e gerenciamento), visando a mitigação dessas áreas. Para não agravar mais a situação, o planejamento urbano do município é de extrema importância, combatendo as invasões e ocupações irregulares, realizando de obras de urbanização e infraestrutura contínuas por toda a cidade”, ressaltou Andretta. O mapeamento de áreas de risco é um dos principais trabalhos que o SGB realiza em todo o país para apoiar o poder público em ações de prevenção de desastres. Mais de 1,7 mil municípios brasileiros já receberam esse estudo. Atualização do mapeamento Na atualização do mapeamento, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) adotou uma nova metodologia, considerando apenas os setores de risco alto e muito alto. Também foram utilizadas tecnologias como imagens de maior resolução e drones, o que permitiu unir em um mesmo setor áreas vizinhas que antes eram contabilizadas separadamente.

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Profissional fala sobre avanços e desafios no cuidado com a saúde mental em Santarém: 'A psicologia é um marco na vida das pessoas'

Publicado em: 27/08/2025 15:13

Psicóloga Vanusa Marques compartilha sua visão sobre a importância da profissão No Dia do Psicólogo, celebrado nesta quarta-feira (27), a psicóloga Vanusa Marques compartilha sua visão sobre a importância da profissão e os desafios enfrentados atualmente em Santarém, no oeste do Pará. Para ela, exercer a psicologia é mais que uma carreira: é uma missão de impacto direto na vida das pessoas. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp “Ser psicóloga para mim é um privilégio, uma honra. É uma profissão que exige empatia, compreensão e muito estudo para contribuir de fato com o bem-estar da população”, afirma Vanusa. Segundo a profissional, a psicologia tem avançado significativamente nos últimos anos, especialmente com o apoio da tecnologia. Ela destaca que a terapia online ampliou o alcance do atendimento, levando cuidado até comunidades distantes e até para brasileiros que vivem no exterior. “Hoje conseguimos atender pessoas incomunicáveis, em lugares remotos, e isso nos deixa muito felizes. É a possibilidade de levar saúde mental onde antes não era possível chegar”, reforça. Psicóloga Vanusa Marques Arquivo Pessoal Internet: aliada e desafio para a saúde mental Por outro lado, Vanusa alerta que o uso excessivo da internet também tem trazido consequências negativas, principalmente para crianças e adolescentes. “Assim como a tecnologia possibilitou novos caminhos, ela também trouxe aumento de transtornos. A infância e a adolescência têm sido muito impactadas, e até adultos apresentam comportamentos mais complexos. Isso é um grande desafio para a nossa atuação”, explicou. Diante desse cenário, a psicóloga defende que o olhar para o paciente precisa ser cada vez mais abrangente. “Hoje não podemos considerar apenas o aspecto emocional. É preciso levar em conta fatores fisiológicos, sociais, políticos e culturais que interferem no bem-estar das pessoas”, disse. Psicologia na escola Vanusa também ressalta a importância da presença de psicólogos nas escolas, espaço em que considera fundamental a atuação da categoria. “Estar no chão da escola é uma conquista. Lá podemos acolher alunos, professores e famílias, oferecendo orientação e estratégias para lidar com os desafios do desenvolvimento e da aprendizagem”, destacou. Rede pública e acesso ao atendimento em Santarém Atendimentos da ação de saúde e cidadania ofertados no CAPS AD III, em Santarém Geisa Oliveira / Ascom Semtras De acordo com dados da Prefeitura de Santarém, a rede pública realiza, em média, 1.200 atendimentos psicológicos por mês. Apesar disso, a demanda ainda é considerada alta, principalmente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que atendem pessoas em sofrimento psíquico severo e persistente. Atualmente, os serviços gratuitos estão disponíveis em diversos pontos: Unidades Básicas de Saúde (UBS Floresta, Livramento, Conquista e Aparecida): casos leves, inclusive da zona rural. CAPSi: atendimento a crianças e adolescentes em sofrimento psíquico ou uso abusivo de álcool e drogas. CAPS AD III: atendimento a maiores de 18 anos em uso abusivo de álcool e drogas. Centro de Referência em Saúde da Mulher: apoio psicológico a gestantes de alto risco. Centro de Referência em Saúde do Idoso: atendimento a idosos. Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST): atendimento a trabalhadores. Consultório na Rua: atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Quebrar tabus ainda é um desafio Mesmo com os avanços, Vanusa reforça que o preconceito ainda é uma barreira para muitas pessoas que poderiam se beneficiar da psicologia. “Muita gente ainda tem medo ou vergonha de buscar ajuda. Precisamos quebrar tabus e mostrar que cuidar da saúde mental não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Estamos diante de uma população emocionalmente adoecida, e nosso papel é tanto cuidar dos que já apresentam sofrimento quanto promover bem-estar para quem ainda não adoeceu”, afirmou. Para ela, a data é um convite à reflexão. “A psicologia é um marco na vida de quem tem a possibilidade de fazer uso dela. Que possamos ampliar o acesso, fortalecer a promoção da saúde mental e encorajar mais pessoas a buscar autoconhecimento", finalizou VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região

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Auditores-fiscais resgatam 80 trabalhadores em condições análogas à escravidão em duas cidades do MA

Publicado em: 27/08/2025 14:49

Em Barreirinhas, os auditores fizeram o resgate de quatro pescadores, antes deles embarcarem em uma jornada de até 15 dias em mar aberto, em situação insalubre. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho Auditores-Fiscais do Trabalho resgataram 80 trabalhadores em condições análogas à escravidão no Maranhão, durante uma operação realizada entre os dias 13 e 27 de agosto, nos municípios de Magalhães de Almeida e Barreirinhas, na região dos Lençóis Maranhenses. Em Magalhães de Almeida, foram resgatados 76 trabalhadores que atuavam na extração da palha de carnaúba e viviam em condições degradantes. Já em Barreirinhas, os auditores fizeram o resgate de quatro pescadores, antes deles embarcarem em uma jornada de até 15 dias em mar aberto, em situação insalubre. Os Auditores-Fiscais do Trabalho são vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do MA em tempo real e de graça A operação de resgate dos trabalhadores feita pelos auditores contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF). Segundo a coordenadora da operação, auditora-fiscal do trabalho Gislene Stacholski, os responsáveis por manter os trabalhadores em condições análogas à escravidão foram notificados para regularizar os vínculos trabalhistas, quitar as verbas rescisórias e recolher o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e as contribuições sociais. No total, foram pagos mais de R$ 265 mil em verbas rescisórias aos resgatados. Leia também: Operação resgata 49 trabalhadores a condições análogas à escravidão no Maranhão Doze trabalhadores são encontrados em condições degradantes no Maranhão Dezenove trabalhadores são resgatados em condições análogas à escravidão no Maranhão Degradação na extração da palha de carnaúba Em Magalhães de Almeida, foram resgatados 76 trabalhadores que atuavam na extração da palha de carnaúba e viviam em condições degradantes. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em Magalhães de Almeida foram resgatados 76 trabalhadores que viviam em condições de abandono e miséria. As vítimas ficavam alojadas em casas de farinha desativadas, imóveis inacabados e até quintais improvisados. Nos locais não havia ventilação, camas ou qualquer estrutura básica, sendo que os trabalhadores dormiam em redes trazidas por eles, amarradas em paredes de tijolos crus, em varandas estreitas ou embaixo de árvores, expostos ao calor, à chuva e a mosquitos. Em Magalhães de Almeida, foram resgatados 76 trabalhadores que atuavam na extração da palha de carnaúba e viviam em condições degradantes. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho A comida deles era composta de arroz, feijão, farinha, rapadura e pequenos pedaços de carne - sem qualquer valor nutritivo adequado ao esforço físico exigido. O alimento era preparado em fogareiros de chão e servida em bacias plásticas no próprio carnaubal, consumida no chão, em pé ou encostados em cercas. Ainda de acordo com a SIT, a água para beber e cozinhar era imprópria para consumo humano, pois era coletada em lagoas barrentas, utilizadas também por animais, e armazenada em galões reaproveitados de produtos químicos, sem filtragem ou tratamento. Em Magalhães de Almeida, foram resgatados 76 trabalhadores que atuavam na extração da palha de carnaúba e viviam em condições degradantes. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho Quanto aos banheiros, eles eram inexistentes ou quebrados, com isso, a maior parte dos trabalhadores era obrigada a utilizar o mato como sanitário e a recorrer a lagoas para o banho, dividindo o espaço com gado e outros animais. A SIT destaca que o ambiente revelava uma rotina de abandono e precariedade total, sem qualquer respeito à dignidade da pessoa humana. Em Magalhães de Almeida, foram resgatados 76 trabalhadores que atuavam na extração da palha de carnaúba e viviam em condições degradantes. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho Risco de morte durante pesca em alto-mar Em Barreirinhas, os auditores fizeram o resgate de quatro pescadores, antes deles embarcarem em uma jornada de até 15 dias em mar aberto, em situação insalubre. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho No porto de Barreirinhas, onde quatro pescadores foram resgatados antes de embarcarem para uma jornada de até 15 dias em mar aberto, os auditores constataram que o alojamento no barco era um cubículo abafado, com apenas seis beliches estreitos de madeira, colchões rasgados e sem ventilação, instalado no mesmo espaço do motor da embarcação. Além disso, como não havia banheiro, os pescadores eram obrigados a utilizar baldes improvisados ou o próprio mar para fazer suas necessidades fisiológicas. Já o banho era feito com água salgada, seguido de enxágue precário com pequenas quantidades de água doce. A alimentação dos trabalhadores também era insuficiente e precária, contando apenas com arroz, feijão, macarrão e parte do peixe pescado. O alimento era armazenado de forma inadequada sob os beliches, exposta ao calor e à umidade. A água doce para beber e cozinhar era guardada em tambores plásticos reaproveitados, sem garantia de potabilidade. Em Barreirinhas, os auditores fizeram o resgate de quatro pescadores, antes deles embarcarem em uma jornada de até 15 dias em mar aberto, em situação insalubre. Divulgação/Secretaria de Inspeção do Trabalho Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho, as condições constatadas no local configuram grave risco à saúde e à vida, pela privação de meios mínimos de descanso, higiene, alimentação e dignidade. Maranhão lidera casos de aliciamento para trabalho escravo no Brasil Tráfico de pessoas e escravidão do século XXI A Secretaria de Inspeção do Trabalho destaca que a fiscalização comprovou que os trabalhadores da carnaúba foram recrutados, transportados, alojados e explorados em condições degradantes, em flagrante violação de direitos fundamentais. O caso se enquadra no crime de tráfico de pessoas para fins de exploração laboral (art. 149-A, II, do Código Penal), já que todos os verbos típicos - transportar, alojar e acolher - estavam presentes, sempre associados ao abuso da extrema vulnerabilidade socioeconômica das vítimas. O órgão apontou, ainda, que as imagens dos alojamentos e frentes de trabalho revelam a “brutalidade de um modelo produtivo que nega dignidade, saúde e segurança a centenas de trabalhadores, mas alimenta cadeias econômicas globais”. As 80 pessoas foram resgatadas de um ciclo de miséria e exploração que, ainda hoje, caracteriza a escravidão contemporânea no Brasil. Os trabalhadores resgatados têm direito a três parcelas de seguro-desemprego especial e foram encaminhados aos órgãos municipais e estaduais de assistência social para atendimento prioritário. ⚠️ COMO DENUNCIAR? - Existe um canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão: é o Sistema Ipê, disponível pela internet. O denunciante não precisa se identificar, basta acessar o sistema e inserir o maior número possível de informações. A ideia é que a fiscalização possa, a partir dessas informações do denunciante, analisar se o caso de fato configura trabalho análogo à escravidão e realizar as verificações no local. Os dados oficiais das ações de combate ao trabalho análogo ao de escravo no Brasil estão disponíveis no Radar do Trabalho Escravo da SIT.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Idoso morto a facadas em Barão Geraldo: polícia prende namorado da ex-esposa da vítima e outro suspeito por homicídio

Publicado em: 27/08/2025 12:03

José Vitorino Ferrari, de 81 anos, foi esfaqueado dentro de casa no distrito de Barão Geraldo Arquivo pessoal A Polícia Civil prendeu, na noite de segunda-feira (25), dois homens suspeitos de participar da morte do comerciante esfaqueado dentro de casa no distrito de Barão Geraldo, em Campinas (SP). Um dos presos é namorado da ex-mulher da vítima. José Vitorino Ferrari, de 81 anos, foi esfaqueado após encontrar uma pessoa no corredor do quintal da própria casa na manhã do dia 21 de agosto. Nenhum item de valor foi levado, o que afastou a hipótese de tentativa de latrocínio - ou seja, roubo seguido de morte. Conforme consta no pedido de prisão: Um dos presos foi flagrado por câmeras de segurança pulando o muro da casa da vítima logo depois do crime. Esse homem, auxiliar de pedreiro, tinha trabalhado com o namorado da ex-mulher da vítima em uma obra em outro imóvel do idoso, vizinho à casa onde aconteceu o crime. O namorado da ex-companheira contratou o primeiro suspeito para o serviço e fez o pagamento via Pix. Ele foi apresentado à vítima apenas como “pedreiro”, sem que o idoso soubesse da relação dele com a ex-esposa. Para os investigadores, o namorado da ex-esposa do idoso pode ter sido coautor ou participado de alguma forma da morte. Disputas financeiras Em depoimento à Polícia Civil, a filha da vítima relatou que o pai e a mãe não eram oficialmente divorciados e viviam em um contexto de disputas financeiras. Além disso, contou que o relacionamento atual da mãe era escondido do comerciante. Ainda segundo o pedido de prisão, por ter trabalhado na casa, o namorado da ex-mulher do comerciante tinha “conhecimento privilegiado da rotina, das vulnerabilidades do local e dos hábitos de um senhor de 81 anos que vivia sozinho”. Além das prisões, a Justiça expediu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos e autorizou a quebra de sigilo dos aparelhos eletrônicos (como celulares e computadores) da dupla. Após a prisão, ambos foram encaminhados à cadeia anexa ao 2º Distrito Policial da cidade para aguardar os trâmites judiciais. O g1 entrou em contato com o Tribunal de Justiça (TJ-SP) para saber o resultado das audiências de custódia, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. Quais as diferenças entre a prisão temporária e a preventiva? VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

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Salvador registra aumento de 60% no número de registros de estelionato contra idosos; veja como se prevenir

Publicado em: 27/08/2025 11:08

Mais de 2 mil ocorrências de estelionato são registradas na delegacia do idoso em Salvador O estelionato é o tipo de crime mais registrado na Delegacia de Atendimento ao Idoso, em Salvador. Segundo a Polícia Civil, foram mais de 2.300 ocorrências no primeiro semestre desse ano, um aumento de mais de 61% em relação ao mesmo período em 2024. "É um crime patrimonial que se aproveita da vulnerabilidade do idoso, da dificuldade do entendimento, de certa forma até de uma inocência. E são feitos empréstimos, transferências bancárias, principalmente porque está inserido também nesse contexto virtual, nessas redes sociais todas", explicou a delegada titular da unidade, Cristiane Leite. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Aos 79 anos, uma idosa, que preferiu não revelar a identidade, lamentou ter perdido R$ 80 mil ao tentar comprar uma casa. "Eu vendi a casa por R$ 90 mil. Uma casinha que tinha. Passei R$ 80 mil para ele e fiquei com R$ 10 mil no banco. Eu não sabia o que era consórcio". "Não entendia nada de consórcio. Pensei que era como comprar uma casa dando entrada e depois continuasse pagando", afirmou. Salvador registra aumento de 60% no número de registros de estelionato contra idosos Reprodução/TV Bahia Cerca de 35 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais têm direitos básicos estabelecidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa, criado em 2003. A lei determina que é dever da família e de toda a sociedade assegurar que a pessoa idosa tenha acesso a saúde, alimentação, transporte, liberdade e outras garantias. Esse grupo é o que mais cresce a cada ano aqui no país, mas é, também, vítima de crimes graves. "As violência físicas e psicológicas, a negligência e tem crescido muito a violência patrimonial financeira", disse o secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva. Veja abaixo algumas dicas para prevenir golpes que tiram dinheiro de idosos: Caso faça uma compra equivocada, não confirme ou disponibilize algum dado por telefone. Prefira tratar de qualquer assunto na própria agência, de preferência com o gerente; Em casos de processos judiciais, antes de fazer qualquer pagamento, procure informações sobre o processo junto a associações de classe ou com advogados conhecidos; Se o seu cartão ficar retido no caixa eletrônico, procure um funcionário credenciado dentro da agência ou deixe o cartão na máquina e, posteriormente, peça você mesmo para que seja cancelado; Quando estiver no banco, recuse ajuda de estranhos e procure resolver pendências dentro da agência com funcionários credenciados. "A mesma importância que o idoso dá para a senha do banco, ele tem que dar aos aplicativos que ele tem em um dispositivo móvel do banco e aos aplicativos governamentais. Para além disso, é importante que desconfie de telefones estranhos, que falam que falam que é o sobrinho, filho e pedem a realização do PIX, pagamento de boletos", orientou o delegado da Delegacia de Atendimento ao Idoso de Salvador, Felipe Santos. LEIA TAMBÉM: Suspeito de enganar idoso em caixa eletrônico de Salvador é detido em flagrante após ser denunciado por mulher Entenda como funciona 'golpe da facção', que tem feito vítimas em cidade do interior da Bahia Mulher é presa suspeita de aplicar golpes com falsas ofertas de emprego na Bahia; prejuízo estimado em R$ 500 mil Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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Sicoob Credip acompanha execução de projetos que receberam recursos da cooperativa

Publicado em: 27/08/2025 10:49

Sicoob Credip acompanha projetos sociais apoiados pela cooperativa Sicoob Credip Com o objetivo de acompanhar de perto a aplicação dos recursos e garantir a transparência na execução das ações, a Sicoob Credip iniciou uma série de visitas técnicas a projetos sociais apoiados por meio de edital no ano passado. Somente em 2024, a cooperativa destinou mais de R$ 2,6 milhões para o fortalecimento de 162 iniciativas nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, em localidades onde está presente. As visitas estão sendo realizadas por analistas de Desenvolvimento Cooperativo da instituição, com apoio dos gerentes do Ponto de Atendimento e de delegados representantes da cooperativa. A ação faz parte do processo de prestação de contas e permite avaliar os impactos gerados nas comunidades atendidas. Entre os projetos visitados está o Albergue de Pimenta Bueno (RO), que acolhe atualmente 33 pessoas em situação de vulnerabilidade. A entidade já foi contemplada quatro vezes com recursos da cooperativa, o que possibilitou melhorias estruturais e o desenvolvimento de atividades voltadas à inclusão produtiva. A vice-presidente do Albergue, Elaine, conta que a instituição atua desde 2002 no acolhimento de pessoas em situação de rua, oferecendo alimentação, pernoite, encaminhamento à rede de apoio em saúde e assistência social, e, sempre que possível, apoio para o retorno ao convívio familiar. Ela ressalta que o apoio da Sicoob Credip fortalece esse trabalho. “Essa iniciativa da cooperativa em apoiar projetos sociais é de extrema importância, principalmente para nós. Ela auxilia diretamente na reestruturação física do local, proporcionando um ambiente mais digno para essas pessoas que muitas vezes são invisibilizadas. A gente sabe que, juntos, podemos fazer um futuro melhor para todos. Só tenho a agradecer”, disse Elaine. Já o presidente do albergue, Antonio Marcelino Ramalho Ferreira, destaca os resultados práticos dos investimentos recebidos. “Com os recursos da cooperativa, conseguimos construir uma área para oficinas de artesanato voltadas a pessoas em situação de rua, além de realizar melhorias como o calçamento e a reforma da cozinha. Isso tem refletido diretamente na qualidade do atendimento e no dia a dia dos acolhidos.” Para a analista de Desenvolvimento Cooperativo da Sicoob Credip, Laura Araujo Costa, a etapa de visitas técnicas é fundamental para verificar os resultados e garantir a efetividade das ações. “Temos visto que os recursos estão sendo aplicados conforme previsto, com impactos reais na vida das pessoas. Essa proximidade reforça a importância do investimento social feito com responsabilidade e alinhado às necessidades locais”, destaca. A delegada Elissa Gonçalves de Oliveira e Silva, acompanhou de perto diversas iniciativas apoiadas pela Sicoob Credip e destacou o impacto transformador dos recursos investidos. Segundo ela, os projetos têm promovido bem-estar e fortalecido a autoestima de mulheres e crianças atendidas, como no caso da produção de sutiãs com próteses mamárias, das oficinas de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência e das ações com crianças e adolescentes, incluindo a doação de equipamentos de informática e testes de visão. “Esse dinheiro foi essencial, fez a diferença e não viria de outro lugar. Não é só um sutiã, é autoestima e bem-estar. Assim como vimos mulheres ganhando confiança com a defesa pessoal, crianças tendo acesso ao computador e aos testes de visão. A cooperativa está cumprindo seu papel social, se interessando pela comunidade e transformando realidades”, afirmou. A Sicoob Credip é uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil, presente nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Ao todo são mais de 150 mil cooperados, 47 pontos de atendimento físicos, 1 digital, e um crescimento acima da média.

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Projeto para levar pessoas em situação de rua de volta à cidade de origem é aprovado em Juiz de Fora

Publicado em: 27/08/2025 10:44

Moradores de rua em Juiz de Fora, foto de arquivo TV Integração/Reprodução Um projeto de lei que cria o programa “De Volta para Minha Terra” foi aprovado na última segunda-feira (25) na Câmara de Juiz de Fora. A matéria, de autoria da vereadora Roberta Lopes (PL), pretende oferecer apoio a pessoas em condição de vulnerabilidade social que desejam retornar à cidade de origem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp A vereadora justifica que o projeto "busca promover a reintegração social, a reconstrução de vínculos familiares e devolver a dignidade a esses cidadãos em situação de vulnerabilidade". De acordo com a proposta, que agora segue para sanção ou veto da prefeita Margarida Salomão (PT), o morador deverá: estar em situação de vulnerabilidade social; comprovar vínculo com o município de destino, ou ter um núcleo familiar no local; O auxílio só poderá ser concedido apenas uma vez para cada pessoa. LEIA TAMBÉM: Projeto que proíbe arquitetura hostil é rejeitado por vereadores de Juiz de Fora Projeto de lei recebeu vistas O projeto de lei começou a tramitar na Câmara em fevereiro deste ano e teve oito pedidos de vista — quando o parlamentar solicita mais tempo para analisá-lo antes da votação. Na segunda-feira, ele foi aprovado em três discussões e recebeu uma emenda aditiva da vereadora Kátia Franco (PSB), que inclui a obrigatoriedade do transporte de animais de estimação dos moradores em situação de rua. Votaram contra a matéria os parlamentares do PT: Cida Oliveira, Juraci Scheffer, Laiz Perrut e Letícia Delgado. Entenda mais sobre o programa O programa deve oferecer os seguintes serviços e benefícios caso seja sancionado: Transporte para o destino solicitado, a partir de convênios com os entes federados competentes; Suporte logístico para o transporte de pertences pessoais, caso necessário; Auxílio na emissão de documentos necessários para o deslocamento; Intermediação com programas sociais da cidade de destino, quando aplicável; Acompanhamento social, com a realização de entrevistas e levantamentos socioeconômicos. Já a coordenação do programa fica sob a responsabilidade do órgão competente, conforme regulamentação do Executivo. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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Fim do dólar? Por que moeda vem perdendo força no mundo — e isso pode ser o que Trump quer

Publicado em: 27/08/2025 07:06

Trump diz que vai acabar com o BRICS se o bloco avançar com a proposta de substituição do dólar nas negociações comerciais No primeiro semestre de 2025, o dólar americano teve seu pior desempenho em mais de cinco décadas no índice usado para medir a força da moeda dos Estados Unidos. A desvalorização acumulada até junho foi de 11% no U.S. Dollar Index, criado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e que compara o dólar a outras seis moedas — o euro, yen japonês, a libra esterlina, o dólar canadense, o krona sueco e o franco suíço. Quedas como essa já foram registradas em outros momentos. Mas, desta vez, a desvalorização acontece ao mesmo tempo que outros eventos que preocupam alguns economistas, o que tem feito cada vez mais investidores, analistas financeiros e outras pessoas no ramo bancário questionarem a força do dólar americano, de acordo com fontes do próprio setor. Um dos pontos de preocupação apontados é a queda pequena, mas gradual, na participação da moeda nas reservas cambiais dos bancos centrais ao redor do globo. Somam-se a isso uma fuga de capital estrangeiro no mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e críticas sobre a forma como o governo americano tem usado a dominância do dólar para aplicar sanções em temas geopolíticos, segundo especialistas. A atual política de tarifas do governo de Donald Trump — e os rumores no mercado sobre a possibilidade de um enfraquecimento deliberado da moeda por parte da Casa Branca para impulsionar a indústria americana — também tem gerado especulações. Mas enquanto alguns demonstram preocupação, outros são céticos em relação ao apetite do mercado em buscar alternativas ou à capacidade de qualquer outra moeda de alcançar o status atingido pela americana. O dólar se consolidou como a moeda internacional após a 2ª Guerra Mundial, com o acordo de Bretton Woods. Desde então, tornou-se a mais usada nas reservas globais e nas transações no sistema Swift, uma rede de pagamentos globais que conecta 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países. Então, afinal, quão profunda é a desconfiança em torno da moeda que domina as transações comerciais em todo o mundo? E o que dizem aqueles que ainda preveem uma longa vida de dominância para o dólar? Participação nas reservas cambiais Um relatório elaborado pelo banco J.P. Morgan no início de julho apontou alguns dos fatores que ameaçam o domínio da moeda atualmente. O primeiro tem relação com a queda do dólar nas reservas internacionais — ou o conjunto de ativos externos em moeda estrangeira mantidos pelos bancos centrais ou autoridades monetárias para garantir sua estabilidade econômica e financeira. A soma das reservas mundiais em moedas estrangeiras equivalia a mais de US$ 12 trilhões em março de 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, mais de 57% estava alocado em dólar. Ou seja, a moeda americana ainda domina. No entanto, no começo dos anos 2000, essa fatia superava 70%. E enquanto o dólar viu uma diminuição em sua participação, o total em renminbis chineses dobrou na última década. Vale notar, no entanto, que as reservas na moeda chinesa ainda representam apenas 2% do total, bem atrás de outras mais tradicionais, como o euro e a libra esterlina. Segundo especialistas, no entanto, a principal tendência de "desdolarização" das reservas cambiais está relacionada à crescente demanda por ouro, que é visto como uma alternativa às moedas globais. Atualmente, o ouro corresponde a 9% das reservas de mercados emergentes, mais do que o dobro dos 4% observados há uma década. Mercado de commodities e títulos do Tesouro Outros fatores que, segundo a análise do JP Morgan, indicariam uma tendência de "desdolarização" são o uso de outras moedas no comércio internacional e a queda das participações estrangeiras nos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano. Quando o assunto é a moeda usada nas transações internacionais, há várias formas de medir qual é a mais influente. E o dólar ainda domina em termos de volumes de câmbio, faturamento comercial, denominação de passivos transfronteiriços (dívidas ou obrigações financeiras de um país, empresa ou banco perante credores estrangeiros) e emissão de dívida em moeda estrangeira. Mas, segundo analistas, a moeda americana vem perdendo espaço como referência nos mercados de commodities, especialmente no setor de energia. Por conta das sanções internacionais aplicadas contra a Rússia, o país tem usado moedas locais para as exportações de petróleo e derivados. Com isso, nações como Índia, China, Brasil, Tailândia e Indonésia podem comprar petróleo a preços mais baixos e pagar com suas próprias moedas. Já as posições estrangeiras em títulos americanos vêm sendo reduzidas há 15 anos. Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos — assim como os de outros países com economia forte — costumam ser vistos como investimentos de refúgio, para onde muitos direcionam seu dinheiro em momentos de crise nos mercados, como quedas nas bolsas de valores. E, embora os investidores estrangeiros continuem sendo o maior componente do mercado de títulos do Tesouro americano, sua participação vem caindo. Antes da grande crise financeira global de 2008, mais de 50% dos títulos estavam na mão de compradores de fora dos EUA. Agora, caiu para 30%, segundo o JP Morgan. "Em termos de transações internacionais, há um declínio muito modesto na porcentagem do que ocorre em dólar", diz Luis Oganes, chefe de Pesquisa Macro Global no J.P. Morgan, à BBC News Brasil. "Onde estamos observando a desdolarização, e certamente um grande afastamento do dólar, é nas reservas cambiais dos bancos centrais e na denominação monetária das transações de commodities." Desvalorização e queda das bolsas Para além do relatório, outros fatores que chamam a atenção são a desvalorização do dólar e as quedas no mercado de ações americano. Após acumular no primeiro semestre de 2024 a maior desvalorização registrada até aquele momento desde 1973, os índices que medem o valor do dólar ensaiaram uma recuperação em meados de julho, mas voltaram a cair em agosto. Segundo relatório do banco Morgan Stanley, embora a moeda tenha se fortalecido 3,2% em julho, o declínio deve continuar, possivelmente adicionando outros 10% em perdas até o final de 2026. Além disso, no início de abril deste ano, as bolsas dos Estados Unidos tiveram a sua pior semana desde a pandemia de covid-19, com o índice S&P 500 de Wall Street, que inclui as maiores empresas americanas, com uma queda de 10%. Em seguida, bolsas de todo o mundo despencaram. No Brasil, o dólar caiu mais de 12%. Tudo aconteceu diante de anúncios do presidente Donald Trump sobre a adoção de uma onda sem precedentes de tarifas de importação. Em abril, o republicano divulgou sua intenção de adotar uma tarifa básica universal de 10% sobre todas as importações para os EUA. O prazo para entrada em vigor da medida foi adiado algumas vezes depois disso, e novas alíquotas foram anunciadas para alguns países específicos. Entre eles o Brasil, que em 6 de agosto passou a enfrentar tarifa de 50% sobre alguns produtos. Desde que foi anunciado, o tarifaço de Trump preocupa investidores, que temem seu efeito sobre os lucros corporativos e a desaceleração em massa do crescimento econômico. Isso faz com que alguns tentem se proteger de novas quedas do dólar e diminui a confiança na economia americana e em sua moeda, dizem especialistas. Como resultado, investidores estrangeiros venderam US$ 63 bilhões em ações de empresas listadas em bolsas dos EUA entre março e abril de 2025, segundo o banco Goldman Sachs. O mesmo vale para o mercado de títulos, que serve como um termômetro da confiança na economia de um país. Quando há muitas compras, isso é um sinal de confiança. Mas, se os investidores começam a vender — como aconteceu nos Estados Unidos após os anúncios de Trump sobre as tarifas — é porque algo não vai tão bem. "Existe um movimento de desvalorização e de aumento da desconfiança no dólar que foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas erráticas e imprevisíveis em relação à política comercial americana", avalia Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por que a confiança no dólar está caindo? Mas a aplicação de novas tarifas pelo governo americano não é o único fator que, segundo os especialistas, vem erodindo a segurança no dólar. A forma como o governo americano usa a moeda como um instrumento para punição de transgressões na área geopolítica, por meio de sanções econômicas, é um dos principais motivos para a queda de confiança entre investidores, diz Robert McCauley, pesquisador sênior da Universidade de Boston que passou a maior parte de sua carreira no Banco de Compensações Internacionais e no Fed de Nova York. Países, empresas, bancos ou indivíduos sancionados pelos EUA podem ser totalmente excluídos do sistema monetário financeiro internacional e do sistema de pagamentos global, a depender do nível das sanções. Foi o que aconteceu com a Rússia, por exemplo, após a invasão da Ucrânia. Ou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, enquadrado na Lei Magnitsky, de violações de direitos humanos e práticas de corrupção, em meio a uma disputa política com os Estados Unidos. "As tarifas foram um choque adicional que se se somam ao congelamento dos ativos russos e da exclusão de alguns bancos russos da parcela do dólar do sistema financeiro internacional", diz McCauley. Segundo o pesquisador da Universidade de Boston, essas práticas podem estar encorajando alguns atores a tentar contornar o dólar para evitar, eventualmente, serem colocados em uma situação semelhante. Os títulos do Tesouro americano ocupam há décadas "a base da pirâmide da estrutura das finanças internacionais" como os ativos mais seguros, afirma o especialista. Mas quando detentores importantes, como bancos ou investidores russos, passam a ter seus ativos congelados, essa ideia fica ameaçada. "A presunção é que os títulos do Tesouro dos EUA são o lugar certo para se recorrer quando as coisas ficam difíceis", diz McCauley. "Mas o fato de que o ativo de refúgio pode repentinamente se tornar ativo nenhum para um grande detentor é um choque. Faz os investidores pensarem melhor." 'Movimento de aumento da desconfiança no dólar foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas', diz especialista à BBC Brasil Getty Images via BBC Outro ponto levantado é o aumento dos déficits fiscais dos países desenvolvidos nos últimos anos. No caso dos Estados Unidos, o país terminou 2024 com US$ 35,46 trilhões em dívida federal, uma quantia que equivale a 123% do seu PIB, de acordo com o Tesouro americano. Segundo Luis Oganes, há um temor entre investidores de que, no futuro, possa haver pressão sobre a moeda para que ela se desvalorize, a fim de reduzir ou liquidar os déficits comerciais — para alguns economistas, isso tornaria as exportações americanas mais competitivas, porque ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. "Há uma sensação de que há necessidade de diversificar as moedas, especialmente em países de mercados emergentes. No passado, vimos países encontrarem dificuldades quando sua relação dívida/PIB aumentou muito, o que poderia eventualmente levar à pressão sobre suas moedas para se depreciarem a fim de reduzir ou liquidar o ônus da dívida", diz Oganes. "Isso está se combinando com razões geopolíticas para fazer os investidores de longo prazo questionarem a sensatez de manter a alocação ao dólar ou se deve haver uma mudança estrutural ou uma maior diversificação." O pesquisador do J.P.Morgan afirma ainda que há a expectativa de que o Fed anuncie novos cortes nas taxas de juros nos próximos meses, o que pode reduzir o apelo do dólar para os investidores. Com juros menores nos EUA, os rendimentos de títulos americanos caem, e os investidores podem buscar países com juros maiores, o que aumenta a oferta de dólar no mercado e faz seu valor cair. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos EUA, está sob pressão para reduzir as taxas de juros Bloomberg via Getty Images/BBC O Fed normalmente reduz a taxa de juros quando a economia está em dificuldades e a aumenta se o ritmo de alta dos preços começar a acelerar demais. As autoridades do banco central americano há muito tempo indicam que esperam reduzi-las em algum momento deste ano, seguindo os passos de outros bancos centrais, incluindo o do Reino Unido. Mas eles têm adiado a redução por muito mais tempo do que o previsto, preocupados com o impacto das tarifas e outras novas políticas do governo Trump, incluindo cortes de impostos, na economia. Há ainda cada vez mais setores acusando o presidente americano de interferência no banco central americano, algo que também pode afastar investidores. O presidente americano chegou a ameaçar demitir o chefe do Fed, Jerome Powell embora tenha dito recentemente que não considerava mais tal medida necessária. Nesta semana, Trump anunciou que demitiria Lisa Cook, uma das diretoras do Fed e membro do comitê de 12 membros responsável por definir as taxas de juros nos EUA. Ele a acusa de fraude em um contrato imobiliário pessoal. Cook, que tem mandato previsto para durar até 2038, contesta a ordem de Trump, dizendo que ele não tem autoridade para isso, e se nega a pedir demissão. Seu advogado anunciou na terça-feira (26/08) um processo na Justiça contra a ordem do republicano, indicando uma longa disputa judicial sobre a questão. Trump também atacou o Fed por demorar muito para cortar as taxas de juros, afirmando que a medida ajudaria o governo a economizar dinheiro no pagamento da dívida pública e impulsionariam o mercado imobiliário. O presidente minimizou ainda nos últimos meses as preocupações de que suas tarifas pudessem elevar os preços ou prejudicar o crescimento do país. Brics e desdolarização Há ainda quem considere que a desconfiança em relação ao dólar data de antes da maior parte das sanções ou do tarifaço e suas consequências. "Começa nos anos de 2008 e 2009, quando uma crise financeira tem origem no mercado americano e leva a economia internacional a uma pequena recessão e, desde então, os países desenvolvidos a uma certa estagnação econômica", aponta Fernanda Brandão, do Mackenzie. "Essa crise é simbólica e importante porque apontou ou mostrou as vulnerabilidades em se depender do dólar como a moeda global." Segundo Brandão, depois desse momento, o mundo passou a ter mais clareza sobre o fato de que qualquer perturbação na economia americana que altere as políticas monetárias colocadas em práticas pelo Fed e pela Casa Branca pode gerar "consequências que vão afetar outras economias". E, segundo a especialista, é a partir daí que surgem os primeiros movimentos políticos encabeçados por nações em desenvolvimento em prol da desdolarização. Brics é visto hoje como uma das principais forças de apoio à desdolarização Anadolu via Getty Images/BBC Atualmente, o bloco Brics é visto como a principal força dessa corrente. O grupo era até pouco tempo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas se expandiu com a entrada de 10 novos membros desde 2024. Para Fernanda Brandão, o fato de muitos países emergentes terem sofrido as consequências da crise financeira de 2008, apesar da crise ter começado nos EUA, fez com que o Brics adotasse uma política de desdolarização desde sua criação. "A partir dali ficou muito claro que existe uma vulnerabilidade causada pela dependência em relação ao dólar", diz Brandão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seus desejos de desdolarização do comércio global durante a última cúpula do Brics, em julho no Rio de Janeiro. "Acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar. Quando for com a Argentina ou China, não precisa. Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado?', disse Lula. Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou ainda que a substituição de dólar no comércio internacional é "uma coisa que não tem volta, vai acontecer até que seja consolidada". O Brics já ampliou o uso das moedas nacionais de seus membros no comércio interno, em especial da chinesa. E a Rússia vem impulsionando o estabelecimento de uma plataforma digital própria para pagamentos, em uma tentativa de minimizar os impactos das sanções internacionais. O bloco também discute a criação de uma moeda própria. Nada oficial foi anunciado até agora, mas as tratativas já foram vistas como uma ameaça pelo governo americano. Trump já afirmou que o grupo é "um ataque ao dólar" e usou a participação da Índia no bloco como um agravante para a imposição de tarifas mais altas às exportações do país no Estados Unidos. "Eles têm o Brics, que é basicamente um grupo de países que são anti-Estados Unidos", disse o presidente americano no final de julho. "É um ataque ao dólar, e não vamos deixar ninguém atacar o dólar." Qual o plano de Trump? Dentro do governo Trump, parece haver perspectivas conflitantes e por vezes contraditórias sobre o que o domínio do dólar significa para os interesses políticos dos EUA, dizem analistas. Por um lado, com suas declarações sobre os Brics e alternativas de pagamentos globais, Trump trata o papel internacional da moeda como um símbolo do nacionalismo americano e de sua estratégia de "America first" (América em primeiro lugar, em português). Uma lei aprovada em julho nos Estados Unidos, que regulamenta as "stablecoins" com valor fixo em relação ao dólar, parece servir esse plano. Essas criptomoedas são projetadas para manter paridade com o valor do dólar e oferecer mais estabilidade dentro do ecossistema cripto. Por isso, dizem alguns economistas, elas podem ampliar ainda mais a preponderância da moeda americana no sistema financeiro mundial. Por outro lado, com sua política tarifária, Trump arrisca minar o domínio do dólar, segundo Fernanda Brandão, do Mackenzie. Especula-se na imprensa e no mercado que esse pode ser exatamente seu objetivo, seguindo uma corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana, como aponta em um artigo recente o centro de estudos de relações internacionais Atlantic Council. Essa ideia é defendida principalmente por Stephen Miran, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do governo americano que foi recentemente nomeado por Trump para o Conselho de Governadores do Fed. Em um artigo publicado em 2024, Miran afirma que por conta de sua posição como reserva mundial, o dólar "está persistentemente supervalorizado", levando a desequilíbrios comerciais e prejudicando os próprios cidadãos dos EUA. A demanda global por dólares, segundo este argumento, aumenta seu valor, encarecendo os produtos fabricados nos EUA — o que, por sua vez, gera déficits comerciais persistentes, e incentiva os fabricantes americanos a transferir a produção para o exterior, destruindo empregos locais. Outros assessores de Trump também já defenderam a ideia de que um enfraquecimento do dólar poderia tornar as exportações americanas mais competitivas no mercado internacional, uma vez que ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. Ao mesmo tempo, os produtos importados que entram nos EUA aumentariam de preço. "Trump não quer um dólar forte porque isso aumenta as importações", afirmou Gabriela Siller, diretora de análise econômica do grupo financeiro BASE, com sede no México, em junho à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. Stephen Miran: corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana Getty Images via BBC Uma teoria é que Trump tem um plano com vários de seus principais conselheiros — o chamado "Acordo Mar-a-Lago", que teria sido proposto por Miran, com o objetivo final de obrigar os parceiros comerciais dos EUA a desvalorizar o dólar americano no mercado internacional, aponta Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte. Tal medida tornaria as exportações americanas mais acessíveis aos mercados estrangeiros e diminuiria o valor das grandes reservas de moeda americana da China. Mas ideias defendidas por Miran e outros assessores de Trump não são bem aceitas por uma parcela dos economistas. "O plano de Miran, por mais astuto que pareça, se baseia em um diagnóstico equivocado", escreveu Kenneth Rogoff, professor de economia e políticas públicas da Universidade de Harvard, nos EUA, e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora a função do dólar como principal moeda de reserva do mundo tenha um papel importante, o economista observa que "este é apenas um dos muitos fatores que contribuem para os persistentes déficits comerciais dos EUA". E, se o déficit comercial tem várias causas, "a ideia de que as tarifas podem ser uma panaceia é, na melhor das hipóteses, duvidosa", acrescenta. É importante ressaltar que, a rigor, o presidente não controla diretamente o valor do dólar em relação a outras moedas porque a taxa de câmbio flutua livremente. Washington não pode intervir diretamente para fazer a moeda subir ou descer, já que seu valor é determinado por um vasto mercado global de divisas, e são os grandes investidores que compram ou vendem dólares de acordo com suas expectativas. No entanto, a política econômica do governo dos EUA envia sinais ao mercado, e isso influencia a evolução do valor do dólar e outros fatores importantes, como as taxas de juros. Dólar ainda 'é rei' Mas os últimos acontecimentos não são um sinal do fim da hegemonia da moeda americana na visão de parte dos analistas. Para alguns dos especialistas consultados pela BBC News Brasil, o início do fim do dólar ainda não chegou. "A afirmação de que estamos vivendo o começo do fim do dólar é prematura", diz Robert McCauley, da Universidade de Boston. Apesar de uma retração em alguns setores, a moeda ainda impera quando falamos de transações em comércio internacional. E segundo a grande maioria dos analistas, não há no momento nenhuma outra capaz de substituí-la. "A dolarização provavelmente continuará, mas o que vai limitá-la, a velocidade com que ela pode se desenvolver, é o fato de que 'para onde ir em vez disso', certo? Não há muitas outras moedas líquidas ou países nos quais você pode investir facilmente ou com um mercado de liquidez profunda", afirma Luis Oganes. Mesmo a moeda chinesa, que tem crescido e sendo usada por muitos bancos centrais para reservas, não tem ainda força suficiente ainda para substituir o dólar, segundo os especialistas. Além disso, os depósitos bancários em dólar americano cresceram em muitos países emergentes na última década, indicando uma tendência de busca pela moeda americana em momentos de estresse econômico. Há ainda quem argumente que mesmo países como Rússia e China, que promovem a discussão sobre a desdolarização, tem dificuldade de se desvincular totalmente do dólar americano. "Me impressiona o quão lenta a desdolarização foi na Rússia, apesar da clara intenção do governo de reduzir sua exposição ao dólar americano", diz Robert McCauley. "Acredito que isso se deve ao fato de o setor privado não ser facilmente persuadido a abandonar o uso do dólar como forma de empréstimo e transação, mesmo em detrimento da moeda nacional." O especialista afirma ainda que a China não tem usado todo o potencial de seus empréstimos ou projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento em meio à Iniciativa Cinturão e Rota para impulsionar alternativas à moeda americana. "As autoridades chinesas parecem estar satisfeitas em conceder empréstimos pelo Banco de Exportação-Importação da China [China Eximbank] e pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB) a países africanos e asiáticos em dólar", diz McCauley. "Há uma excelente oportunidade para desdolarizar as contas externas da China, mas que não tem sido aproveitada." Queda do dólar nas reservas internacionais é visto como sinal de perda de força da moeda americana Getty Images via BBC

Palavras-chave: vulnerabilidade

Casal que viveu 43 anos junto morre com diferença de menos de duas horas

Publicado em: 27/08/2025 05:03

Sebastião e Almezinda de Abreu morreram com menos de duas horas de diferença, após 43 anos de união Tiago Abreu/Arquivo Pessoal Uma história de amor que atravessou décadas chegou ao fim, ou talvez a um novo começo, em São João del Rei, no interior de Minas Gerais. Casados há 43 anos, Sebastião Francisco de Abreu, de 72 anos, e Almezinda Maria da Fonseca de Abreu, de 70, morreram com menos de duas horas de diferença. Para os filhos, a separação física nunca foi uma opção na vida deles. “Quando o coração do meu pai parou, parece que o da minha mãe também parou junto. Parece que ele saiu dali só para buscar ela”, contou Tiago Abreu ao g1, um dos dois filhos do casal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Sebastião enfrentava problemas de saúde há mais de um ano. Em 2024, passou por uma cirurgia após fraturar a cabeça do fêmur, um osso da coxa. A recuperação foi longa e exigiu fisioterapia constante. Nos últimos 40 dias, ele esteve internado por conta de uma infecção urinária e, posteriormente, uma pneumonia, agravadas pela insuficiência cardíaca. Almezinda esteve ao lado dele o tempo todo, como sempre fizeram ao longo da vida. “Ela ficou com ele todos esses dias no hospital. A gente tentava trocar, mas ela não aceitava. Ele também não queria que fosse outra pessoa. Ele dizia que ela era a médica dele”, lembra Tiago. O amor entre eles era do tipo que não aceita separações, nem temporárias. Na manhã da última quarta-feira (20), Sebastião piorou. “Minha mãe me mandou um áudio chorando, pedindo para eu descer para o hospital, porque ele não estava bem. Quando cheguei, ela já estava mal também. Sabia o que estava por vir. Ela conhecia os procedimentos do hospital, já tinha visto outras pessoas partirem”, conta o filho. Com muito esforço, a família convenceu Almezinda a ir até a casa de uma tia para descansar um pouco. “Ela já saiu de lá dizendo que não ia aguentar ficar sem ele. Disse com todas as letras que ia encontrá-lo. Era como se ela já soubesse que não viveria sem meu pai”. Mais tarde, naquela mesma noite, por volta das 23h, Sebastião faleceu na Santa Casa de São João del Rei. Pouco depois, a família foi surpreendida por uma ligação: Almezinda também estava na UPA, após sofrer um ataque cardiogênico fulminante, como se tivesse o coração partido e fosse acompanhar o marido na morte. Segundo Tiago, ela não tinha histórico de problemas de saúde e também não soube da morte do marido. Até o fim Casal que morreu com horas de diferença em MG Tiago Abreu/Arquivo Pessoal Na despedida no funeral, a união dos dois foi ainda mais evidente. Os filhos tentaram organizar o sepultamento em duas gavetas lado a lado, mas no cemitério havia somente uma gaveta e um túmulo no chão. “A gente não teve dúvida: os dois seriam enterrados juntos, na mesma sepultura no chão. Não tinha como separar. Nunca foram separados. Nem deveriam ser agora". O velório reuniu amigos, vizinhos, religiosos, congadeiros, evangélicos, católicos, moradores em situação de rua e crianças. Todos com histórias de carinho e gratidão por Almezinda e Sebastião. Muitos diziam que eram como pai e mãe para todos. “Ficamos com saudade, mas não com tristeza. Porque eles viveram e morreram do jeito que escolheram: juntos, em paz, com fé. E deixaram um legado que a gente carrega com orgulho”, conclui Tiago. LEIA TAMBÉM: Conheça casal que se conheceu em trilha e fez casamento no alto de serra ao nascer do sol Eternos namorados, casal de idosos que vive em abrigo reencontra o amor todos os dias Amor que nunca se separou A história de Sebastião e Almezinda começou em uma festa de bairro, ainda na juventude. Desde então, nunca mais se separaram. Tiago conta que nunca viu os pais brigando. “Tudo era conversado, dividido, feito junto. Minha mãe era mais ativa, mas nada acontecia sem antes ela ouvir meu pai. E ele sempre apoiou tudo que ela fazia", explicou. E o que Almezinda fazia era muito. Religiosa, solidária e determinada, dedicava boa parte do tempo a ações voluntárias e festas religiosas, como as celebrações de São Cosme e Damião, Congado, Festa do Divino, Nossa Senhora do Rosário e tantas outras que ajudava a organizar com o mesmo zelo com que cuidava da própria casa. Era conhecida por todos no Bairro São Dimas e além. As crianças sabiam que poderiam bater à porta dela e sair com pão, leite ou café. Adultos em situação de vulnerabilidade também recebiam acolhimento. Com jeito firme, mas acolhedor, Almezinda virou referência de solidariedade em São João del Rei. Almezinda de Abreu ajudava muita a comunidade de São João del Rei Camilla Nascimento/Arquivo pessoal Sebastião, mais reservado, também carregava fé e empatia. Músico, tocava na igreja e dizia com orgulho que era cursilhista — um cristão católico comprometido a aprofundar a fé e a transformar os ambientes onde vive. “Quando alguém lhe contava algo ruim sobre outra pessoa, ele respondia apenas: ‘Reza por ela’”, lembra Tiago. Com a morte dos pais, Tiago criou uma música para lembrar com carinho deles. Escute abaixo: Filho transforma luto em canção após morte dos pais em São João del Rei Na história desse casal, não há espaço para tragédia. Existe um sentimento raro, que resistiu ao tempo, às dificuldades e até à morte. Eles provaram que o verdadeiro amor existe e pode durar para sempre. *estagiária sob supervisão de Carol Delgado. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

Cidade de SP precisaria do dobro do nº de Conselhos Tutelares; rede de proteção a crianças está sucateada, dizem conselheiros

Publicado em: 27/08/2025 05:02

O que faz um Conselho Tutelar?  As denúncias recentes do influenciador e youtuber Felipe Bressanim, o Felca, sobre exploração e exposição de crianças e adolescentes na internet reacenderam o debate nacional sobre proteção à infância. Mas em São Paulo a rede responsável por zelar por esses direitos enfrenta falhas na articulação e falta de estrutura. A capital precisaria ter pelo menos o dobro de Conselhos Tutelares para atender à demanda de proteção de crianças e adolescentes. A recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é de uma unidade para cada 100 mil habitantes, mas São Paulo conta apenas com 52 órgãos, número insuficiente para os cerca de 12 milhões de moradores. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp O Conselho Tutelar funciona como guardião dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cobrando que as políticas públicas funcionem e que a rede de proteção atue de forma integrada em diferentes regiões da cidade. A cidade de São Paulo possui 52 conselhos, cada um formado por cinco membros eleitos pela população. Eles estão vinculados à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura, responsável por providenciar estrutura física, serviços de limpeza e segurança, entre outros apoios. O g1 conversou com sete conselheiros tutelares das zonas Leste, Oeste, Norte e Sul da capital. Eles relataram sobrecarga de responsabilidades, ausência de recursos básicos — como internet, armários e até telefone — e problemas de articulação entre saúde, assistência social, educação e Justiça. O resultado é um atendimento precário para famílias em situação de vulnerabilidade. A cidade de São Paulo possui 52 Conselhos Tutelares, como o CT Cidade Tiradantes II, na Zona Leste. Reprodução Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma mãe com seis filhos, em depressão pós-parto, agrediu um dos meninos. A escola acionou o Conselho Tutelar, mas os encaminhamentos não tiveram retorno da rede. “A mãe estava tendo atendimento da Casa Ser, mas não tinha acolhimento da UBS [Unidade Básica de Saúde] e do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que são equipamentos essenciais nessa fase. A mãe está com depressão, precisa de ajuda”, relatou a conselheira Vanuza Fonseca, que atende no Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II. Sem acompanhamento, o quadro se agravou. A mãe foi presa, e as crianças, retiradas de casa. Hoje, estão sob cuidado de uma tia, que é mãe solo e já cria dois filhos. “Se a rede não funcionar, essa mãe vai perder os seis filhos. Vai chegar uma hora que a tia não vai aguentar”, ressalta a conselheira. Casos semelhantes se repetem em outras regiões. Em Perus e Anhanguera, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Em Perus, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Reprodução Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Também na Zona Leste, um conselheiro foi alvo de uma ameaça de morte depois que um oficial cometeu um descuido e deixou seu nome aparecer em um documento entregue a um pai. Na Zona Sul de São Paulo, há relatos de conselheiros que recebem denúncias de abusos e, sem comunicar um oficial, teriam decidido resolver a situação "com as próprias mãos", segundo dois profissionais ouvidos pelo g1 que não quiseram se identificar. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de haver melhor estrutura física no local, falta material básico, como armários e pastas, que, segundo a conselheira Carlina Henrique, muitas vezes são comprados com recursos do próprio bolso. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Reprodução Uma defensora pública do estado de São Paulo da área da infância, que pediu para não ser identificada, afirmou que existe uma falta de estrutura generalizada. Segundo ela, o Conselho Tutelar da Sé, no Centro, ficou um longo período sem computadores e arquivos no início de 2023. Ao g1, ela apontou um entendimento equivocado da função do Conselho Tutelar por parte de outras instituições, como transportar crianças entre serviços. “A função do Conselho Tutelar é garantir direitos, fiscalizar políticas públicas e, em casos emergenciais, determinar o acolhimento, mas não executar serviços que cabem a outras secretarias.” De acordo com Sandra Massud, promotora de justiça da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, a atuação dos Conselhos Tutelares vai além de simplesmente remover crianças e adolescentes de situações de risco. “Os conselheiros têm que realizar um trabalho preventivo que é previsto, inclusive em lei municipal, com o objetivo de evitar o acolhimento de crianças e adolescentes. Contudo, é muito difícil da gente ver isso acontecer”, disse. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de melhor estrutura física no local, falta material básico como armários e pastas. Arquivo pessoal O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que os órgãos são tratados com negligência e até desprezo. "Conselhos são órgãos fiscalizadores que requisitam e exigem serviços, políticas públicas e medidas de proteção para as crianças e adolescentes. Isso acaba prejudicando seriamente a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes e as colocando em situações de riscos" afirmou. "São Paulo está longe de cumprir a resolução do Conanda e várias cidades da região metropolitana também." O que fazem os conselhos em SP: Aplicar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como encaminhamentos, orientações e acompanhamento das famílias; Buscar alternativas ao afastamento familiar, acionando serviços como Cras, Creas ou outras redes de proteção social para evitar a separação da criança da família; Elaborar planos de ação com a criança, o adolescente, a família e, quando necessário, com o próprio agente violador, respeitando os limites de cada situação; Atuar de forma preventiva, buscando proteger crianças e adolescentes antes que seja necessária uma medida extrema, como o acolhimento institucional; Encaminhar casos graves ao Ministério Público, ao Judiciário ou à Segurança Pública, sem deixar de aplicar as medidas protetivas cabíveis; Tomar decisões de forma colegiada, com participação de todos os conselheiros, para evitar decisões isoladas ou sem planejamento. O acolhimento institucional, realizado em unidades chamadas de Saicas (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), e popularmente conhecidas como abrigos, deveria ser a última medida, usada apenas quando não há alternativa segura de permanência com a família. Na prática, porém, faltam vagas. Segundo ação civil pública movida pelo MP-SP na semana passada, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas, irmãos acabam separados, e adolescentes chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. “Já tivemos casos de cinco crianças dormindo dentro do próprio conselho, sem nenhuma estrutura para isso. Mas vamos fazer o quê? Jogar na rua?”, indagou Carlina, conselheira em Pinheiros. Segundo ela, os casos mais comuns na região são de trabalho infantil e mendicância. Ela explica que, embora haja uma equipe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo que realiza abordagens diurnas, no período noturno não há quem faça esse serviço. Em nota, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que "tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões" (leia a íntegra mais abaixo). Sistema integrado O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), criado pelo governo federal para registrar violações e integrar políticas públicas, praticamente não funciona na capital paulista. Conselheiros afirmam que não conseguem acessar a plataforma por falta de internet, falhas técnicas e ausência de capacitação. Apesar de a cidade ter registrado 1.087 casos de estupro de vulnerável nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Sipia aponta apenas 49 casos. Em 2024, a capital contabilizou 2.231 casos do mesmo crime. Nas contas dos conselheiros, porém, foram somente 60 registros. “A gente não consegue acessar o Sipia tem vários dias. Quando perguntam por que a gente não está usando, quero saber quem vai defender os conselheiros. O programa não funciona”, disse a conselheira Juliana Cleiri, da Cidade Tiradente II, na Zona Leste. A promotora Sandra Massud, do MP-SP, aponta ainda baixa escolaridade de parte dos conselheiros, falta de interesse e até uso político do cargo como entraves para o funcionamento adequado do sistema. Como consequência, os atendimentos muitas vezes são registrados rudimentarmente em cadernos de papel, sem um banco de dados que permita o acompanhamento adequado. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu que há desafios históricos na utilização do sistema e que tem promovido uma série de melhorias para qualificar a experiência dos usuários e ampliar a adesão ao Sipia. "Em 2025, 471 conselheiros tutelares do estado de São Paulo foram capacitados para operar a atual versão do sistema. Esse número representa 49% dos Conselhos Tutelares do estado." Políticas para a infância Profissionais da rede afirmam que a desarticulação entre secretarias e a ausência de políticas contínuas agravam a situação. “Na prática, tenho visto fechamento de serviços. Fecham com a justificativa de que vão abrir em outro lugar, mas esse serviço não reabre”, disse uma defensora pública que pediu para não ser identificada. "Como que você elabora um projeto de começo, meio e fim de uma política pública? Quando você sempre começa do zero, fica muito mais difícil." Segundo ela, a falta de orçamento na assistência social na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com menos verba prevista do que a necessária, impacta salários e repasses a entidades e gera um cenário de sucateamento. Para 2025, o orçamento destinado à administração dos Conselhos Tutelares no município de São Paulo está previsto em cerca de R$ 53 milhões. No começo deste mês, após protesto de assistentes sociais, Nunes prometeu reajustar o valor de repasse para organizações. Os profissionais conveniados da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social cobraram valores não pagos e o reajuste no repasse às entidades de assistência social que têm convênio com o município. Segundo a promotora Sandra, mesmo propostas viáveis já apresentadas por técnicos e especialistas tanto da prefeitura quanto do MP-SP não foram implementadas. "Já participei de reuniões em que técnicos da própria prefeitura assumiram compromissos e, na semana seguinte, foram exonerados", afirmou. “Quando você está tratando de um problema social, ele não é definitivo. É uma situação que muda conforme a sociedade e outros problemas que influenciam. O fato é que as soluções muitas vezes não são colocadas em prática." O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões. Ao longo deste ano, esses recursos já foram atualizados para R$ 54,9 milhões, sendo 77% aplicados até agora para o funcionamento das 52 unidades. Isso inclui remuneração dos conselheiros, locação de imóveis, manutenção, limpeza, veículos, entre outros. Para assegurar melhor estrutura, acessibilidade e condições de atendimento, a atual gestão realizou a transferência de 28 conselhos para novos imóveis, ampliou a banda larga de internet em todos os conselhos, adquiriu novo mobiliário para unidades e fornece materiais de escritório periodicamente. No caso do Conselho de Guaianases, o local possui linhas móveis de telefone ativas para atendimento emergencial e casos pontuais de manutenção estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A Pasta também investe em requalificação para os 260 conselheiros tutelares e, em relação ao Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), ele já é adotado por mais da metade das unidades. Cabe ressaltar que a criação de novos Conselhos Tutelares obedece à legislação municipal e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente), que consideram não apenas a proporção populacional, mas também a vulnerabilidade dos territórios e as especificidades locais."

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Abrigos para crianças que sofrem maus-tratos não têm vagas na cidade de SP; adolescente dormiu em Conselho Tutelar

Publicado em: 27/08/2025 05:01

Em um e-mail endereçado ao conselho, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) afirmou que não atendeu a solicitação “por falta de vaga” e que entraria em contato “havendo disponibilidade.” Arquivo pessoal Os abrigos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo não têm vagas suficientes para atender a demanda. No começo de agosto, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma ação civil pública cobrando uma solução da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre o tema. A ação, que tramita em segredo de Justiça, é assinada pela promotora de Justiça da Infância e Juventude do MP-SP Sandra Massud. Os abrigos são oficialmente chamados de Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saicas). ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp Segundo o processo, jovens chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. Quando há a vaga, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas. Sandra afirmou que, mesmo com decisões judiciais que obrigam a prefeitura a garantir vaga em até duas horas, o município não consegue cumprir a determinação. “É um problema muito sério, porque, ao mesmo tempo em que a Justiça determina que sejam criadas vagas, a prefeitura acaba contratando de forma emergencial e sem planejamento. Isso não resolve o problema, só perpetua a falta de estrutura”, disse. Maria da Cruz, conselheira tutelar em Sapopemba, na Zona Leste, relatou dificuldade para conseguir uma vaga de acolhimento para um adolescente atendido pelo órgão na última segunda-feira (25). Segundo ela, o jovem chegou ao conselho por volta das 7h, mas permaneceu até as 20h sem encaminhamento, mesmo após diversas tentativas de contato com a Central de Vagas da prefeitura. “Ligamos várias vezes e ninguém nos atendeu. O adolescente acabou pedindo ajuda ao avô, que prontamente veio buscá-lo para dormir em casa. Só no dia seguinte, às 11h, conseguimos a vaga — mas em Parelheiros, na Zona Sul, a quase duas horas de distância de Sapopemba. Isso é recorrente e representa uma falta de respeito com os conselheiros da cidade”, afirmou Maria. A conselheira disse que já perdeu as contas de quantas vezes adolescentes dormiram no banco da sede por falta de vagas. Em julho, o Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II, também na Zona Leste, registrou um caso parecido. Um adolescente em situação de rua procurou os conselheiros, pediu ajuda para ser encaminhado a um abrigo e passou o dia no local aguardando vaga. Por volta das 22h30, porém, voltou para a rua. Em um e-mail endereçado ao conselho, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) afirmou que não atendeu a solicitação “por falta de vaga” e que entraria em contato “havendo disponibilidade”. Segundo a conselheira Juliana Cleiri, que atendeu o adolescente, ele não retornou mais. No processo, o MP-SP também pede a criação de novos Saicas, com prazo de até seis meses para apresentação de um cronograma, além da ampliação da divulgação do Programa Família Acolhedora, em famílias cadastradas previamente oferecem acolhimento provisório à criança afastada do convívio familiar. Dados da Smads informam que havia, em 2021, 2.055 vagas em abrigos, distribuídas em 137 unidades. Em nota, a prefeitura informou que "tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões" (leia a íntegra abaixo). Não houve resposta, no entanto, sobre a falta de vagas em abrigos. Vontade política Para a promotora Sandra, a ausência de vontade política trava propostas já discutidas entre técnicos e gestores. “Muitas soluções já foram pensadas, mas não são colocadas em prática. Vi pessoas que apresentaram propostas, chegaram a assumir compromissos, mas foram exoneradas na semana seguinte”, relatou. Ela também cobra a ampliação do Programa Famílias Acolhedoras, que hoje considera “muito pequeno” em São Paulo. “É muito mais barato para a prefeitura e melhor para a criança, que não fica institucionalizada por mais tempo do que o necessário”, explicou. Na cidade de São Paulo, O Instituto Fazendo História, organização sem fins lucrativos, atua há mais de 20 anos com crianças e adolescentes acolhidos. A ONG tem parceria com a prefeitura e recebe famílias voluntárias que passam por uma série de entrevistas e análises até se tornarem famílias acolhedoras. Atualmente, 21 famílias estão aptas para receber crianças de até 6 anos. O Profissão Repórter acompanhou o trabalho do instituto e de famílias voluntárias que decidiram abrir suas casas para receber bebês e crianças em situação de vulnerabilidade e que, por alguma razão, a Justiça determinou o afastamento da família de origem. Além da falta de vagas, a promotora critica falhas no registro e no acompanhamento dos atendimentos feitos pelos Conselhos Tutelares. “Tem conselhos que ainda registram em cadernos de papel, com poucas informações. Isso é muito sério. Sem dados confiáveis, fica impossível planejar políticas de prevenção”, afirmou. Falta de Conselhos Tutelares Em Perus, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Reprodução A capital precisaria ter pelo menos o dobro de Conselhos Tutelares para atender à demanda de proteção de crianças e adolescentes. A recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é de uma unidade para cada 100 mil habitantes, mas São Paulo conta apenas com 52 órgãos, número insuficiente para os cerca de 12 milhões de moradores. O Conselho Tutelar funciona como guardião dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cobrando que as políticas públicas funcionem e que a rede de proteção atue de forma integrada em diferentes regiões da cidade. A cidade de São Paulo possui 52 Conselhos Tutelares, cada um formado por cinco membros eleitos pela população. Eles estão vinculados à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) da Prefeitura, responsável por providenciar estrutura física, serviços de limpeza e segurança, entre outros apoios. O g1 conversou com sete conselheiros tutelares das zonas Leste, Oeste, Norte e Sul da capital. Eles relataram sobrecarga de responsabilidades, ausência de recursos básicos — como internet, armários e até telefone — e problemas de articulação entre saúde, assistência social, educação e Justiça. O resultado é um atendimento precário para famílias em situação de vulnerabilidade. Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma mãe com seis filhos, em depressão pós-parto, agrediu um dos meninos. A escola acionou o Conselho Tutelar, mas os encaminhamentos não tiveram retorno da rede. “A mãe estava tendo atendimento da Casa Ser, mas não tinha acolhimento da UBS [Unidade Básica de Saúde] e do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que são equipamentos essenciais nessa fase. A mãe está com depressão, precisa de ajuda”, relatou a conselheira Vanuza Fonseca, que atende no Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II. Sem acompanhamento, o quadro se agravou. A mãe foi presa, e as crianças, retiradas de casa. Hoje, estão sob cuidado de uma tia, que é mãe solo e já cria dois filhos. “Se a rede não funcionar, essa mãe vai perder os seis filhos. Vai chegar uma hora que a tia não vai aguentar”, ressalta a conselheira. Casos semelhantes se repetem em outras regiões. Em Perus e Anhanguera, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Também na Zona Leste, um conselheiro foi alvo de uma ameaça de morte depois que um oficial cometeu um descuido e deixou seu nome aparecer em um documento entregue a um pai. Na Zona Sul de São Paulo, há relatos de conselheiros que recebem denúncias de abusos e, sem comunicar um oficial, teriam decidido resolver a situação "com as próprias mãos", segundo dois profissionais ouvidos pelo g1 que não quiseram se identificar. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de haver melhor estrutura física no local, falta material básico, como armários e pastas, que, segundo a conselheira Carlina Henrique, muitas vezes são comprados com recursos do próprio bolso. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Reprodução Uma defensora pública do estado de São Paulo da área da infância, que pediu para não ser identificada, afirmou que existe uma falta de estrutura generalizada. Segundo ela, o Conselho Tutelar da Sé, no Centro, ficou um longo período sem computadores e arquivos no início de 2023. Ao g1, ela apontou um entendimento equivocado da função do Conselho Tutelar por parte de outras instituições, como transportar crianças entre serviços. “A função do Conselho Tutelar é garantir direitos, fiscalizar políticas públicas e, em casos emergenciais, determinar o acolhimento, mas não executar serviços que cabem a outras secretarias.” De acordo com Sandra Massud, a atuação dos Conselhos Tutelares vai além de simplesmente remover crianças e adolescentes de situações de risco. “Os conselheiros têm que realizar um trabalho preventivo que é previsto, inclusive em lei municipal, com o objetivo de evitar o acolhimento de crianças e adolescentes. Contudo, é muito difícil da gente ver isso acontecer”, disse. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de melhor estrutura física no local, falta material básico como armários e pastas. Arquivo pessoal O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que os órgãos são tratados com negligência e até desprezo. "Conselhos são órgãos fiscalizadores que requisitam e exigem serviços, políticas públicas e medidas de proteção para as crianças e adolescentes. Isso acaba prejudicando seriamente a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes e as colocando em situações de riscos" afirmou. "São Paulo está longe de cumprir a resolução do Conanda e várias cidades da região metropolitana também." O que fazem os CTs em SP: Aplicar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como encaminhamentos, orientações e acompanhamento das famílias; Buscar alternativas ao afastamento familiar, acionando serviços como Cras, Creas ou outras redes de proteção social para evitar a separação da criança da família; Elaborar planos de ação com a criança, o adolescente, a família e, quando necessário, com o próprio agente violador, respeitando os limites de cada situação; Atuar de forma preventiva, buscando proteger crianças e adolescentes antes que seja necessária uma medida extrema, como o acolhimento institucional; Encaminhar casos graves ao Ministério Público, ao Judiciário ou à Segurança Pública, sem deixar de aplicar as medidas protetivas cabíveis; Tomar decisões de forma colegiada, com participação de todos os conselheiros, para evitar decisões isoladas ou sem planejamento. O acolhimento institucional, realizado em unidades chamadas de Saicas (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), e popularmente conhecidas como abrigos, deveria ser a última medida, usada apenas quando não há alternativa segura de permanência com a família. Na prática, porém, faltam vagas. Segundo ação civil pública movida pelo MP-SP na semana passada, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas, irmãos acabam separados, e adolescentes chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. “Já tivemos casos de cinco crianças dormindo dentro do próprio conselho, sem nenhuma estrutura para isso. Mas vamos fazer o quê? Jogar na rua?”, indagou Carlina, conselheira em Pinheiros. Segundo ela, os casos mais comuns na região são de trabalho infantil e mendicância. Ela explica que, embora haja uma equipe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo que realiza abordagens diurnas, no período noturno não há quem faça esse serviço. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania não respondeu, até a última atualização desta reportagem, sobre o que vem sendo realizado para enfrentar os problemas. Sistema integrado O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), criado pelo governo federal para registrar violações e integrar políticas públicas, praticamente não funciona na capital paulista. Apesar de a cidade ter registrado 1.087 casos de estupro de vulnerável nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Sipia aponta apenas 49 casos. Em 2024, a capital contabilizou 2.231 casos do mesmo crime. Nas contas dos conselheiros, porém, foram somente 60 registros. Conselheiros afirmam que não conseguem acessar a plataforma por falta de internet, falhas técnicas e ausência de capacitação. “A gente não consegue acessar o Sipia tem vários dias. Quando perguntam por que a gente não está usando, quero saber quem vai defender os conselheiros. O programa não funciona”, disse a conselheira Juliana Cleiri, da Cidade Tiradente II, na Zona Leste. A promotora Sandra aponta ainda baixa escolaridade de parte dos conselheiros, falta de interesse e até uso político do cargo como entraves para o funcionamento adequado do sistema. Como consequência, os atendimentos muitas vezes são registrados rudimentarmente em cadernos de papel, sem um banco de dados que permita o acompanhamento adequado. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu que há desafios históricos na utilização do sistema e que tem promovido uma série de melhorias para qualificar a experiência dos usuários e ampliar a adesão ao Sipia. "Em 2025, 471 conselheiros tutelares do estado de São Paulo foram capacitados para operar a atual versão do sistema. Esse número representa 49% dos Conselhos Tutelares do estado." Políticas para a infância Profissionais da rede afirmam que a desarticulação entre secretarias e a ausência de políticas contínuas agravam a situação. “Na prática, tenho visto fechamento de serviços. Fecham com a justificativa de que vão abrir em outro lugar, mas esse serviço não reabre”, disse uma defensora pública que pediu para não ser identificada. "Como que você elabora um projeto de começo, meio e fim de uma política pública? Quando você sempre começa do zero, fica muito mais difícil." Segundo ela, a falta de orçamento na assistência social na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com menos verba prevista do que a necessária, impacta salários e repasses a entidades e gera um cenário de sucateamento. Para 2025, o orçamento destinado à administração dos Conselhos Tutelares no município de São Paulo está previsto em cerca de R$ 50,6 milhões. No começo deste mês, após protesto de assistentes sociais, Nunes prometeu reajustar o valor de repasse para organizações. Os profissionais conveniados da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social cobraram valores não pagos e o reajuste no repasse às entidades de assistência social que têm convênio com o município. Segundo a promotora Sandra, mesmo propostas viáveis já apresentadas por técnicos e especialistas tanto da prefeitura quanto do MP-SP não saíram do papel. "Já participei de reuniões em que técnicos da própria prefeitura assumiram compromissos e, na semana seguinte, foram exonerados", afirmou. “Quando você está tratando de um problema social, ele não é definitivo. É uma situação que muda conforme a sociedade e outros problemas que influenciam. O fato é que as soluções muitas vezes não são colocadas em prática." O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões. Ao longo deste ano, esses recursos já foram atualizados para R$ 54,9 milhões, sendo 77% aplicados até agora para o funcionamento das 52 unidades. Isso inclui remuneração dos conselheiros, locação de imóveis, manutenção, limpeza, veículos, entre outros. Para assegurar melhor estrutura, acessibilidade e condições de atendimento, a atual gestão realizou a transferência de 28 conselhos para novos imóveis, ampliou a banda larga de internet em todos os conselhos, adquiriu novo mobiliário para unidades e fornece materiais de escritório periodicamente. No caso do Conselho de Guaianases, o local possui linhas móveis de telefone ativas para atendimento emergencial e casos pontuais de manutenção estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A Pasta também investe em requalificação para os 260 conselheiros tutelares e, em relação ao Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), ele já é adotado por mais da metade das unidades. Cabe ressaltar que a criação de novos Conselhos Tutelares obedece à legislação municipal e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente), que consideram não apenas a proporção populacional, mas também a vulnerabilidade dos territórios e as especificidades locais."

Palavras-chave: vulnerabilidade