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STF suspende ação de desocupação de área privada ocupada por moradores em Cuiabá

Publicado em: 28/10/2025 12:21

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, com estátua da Justiça em destaque. Divulgação/STF O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a desocupação de uma área do Contorno Leste, onde vivem cerca de 5 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, em Cuiabá. Por maioria, os ministros do STF seguiram o voto do relator Flávio Dino. A decisão foi publicada nesta segunda-feira (27). A decisão liminar que já havia suspendido o despejo foi proferida por Dino no início deste mês, após um grupo de moradores fazer uma manifestação contra a ordem de desocupação, na época, os moradores pediram a regularização do local após serem notificados pela Justiça para deixarem a região, que é propriedade privada. Na decisão, ele apontou irregularidades no relatório social elaborado pelo governo de Mato Grosso e considerou que os critérios adotados para definir quem é vulnerável desrespeitam decisões já fixadas pelo STF e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ação, movida pelo morador José Leonardo Vargas Galvis, cita como réus o CNJ, a Comissão de Soluções Fundiárias de Mato Grosso e o governador Mauro Mendes (União Brasil). O ministro considerou que a triagem do Estado ignora a realidade local e viola direitos fundamentais, como o acesso à moradia digna. Segundo a decisão, a Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Setasc) analisou mais de 1,2 mil cadastros, mas excluiu a maioria dos moradores ao aplicar filtros restritivos, como renda per capita superior a meio salário mínimo, vínculo formal de emprego, registro de CNPJ ativo, inclusive MEI, e antecedentes criminais. Com esses critérios, o número de famílias consideradas vulneráveis caiu para apenas 172. Para o ministro, esses parâmetros "impedem o encaminhamento de pessoas vulneráveis a abrigos dignos e comprometem a preservação da unidade familiar". Ele afirmou que a vulnerabilidade social não pode ser reduzida a fatores como renda ou situação criminal, e que o Estado deve adotar uma abordagem mais humana e abrangente. A manifestação Em setembro, vários moradores se reuniram e protestaram em frente à Prefeitura Municipal, quando pediram pela regularização da área, após notificação judicial que determinou que os moradores deixassem o local, que é propriedade privada. Segundo os moradores, eles ocupam a área desde 2023, antes de o proprietário entrar com uma ação pedindo a reintegração de posse do local. Moradores fazem protesto em Cuiabá

Palavras-chave: vulnerabilidade

Ex-secretária, marido e veterinária fizeram eutanásias de centenas de animais para reduzir custos e bater metas em Canoas, conclui a polícia

Publicado em: 28/10/2025 06:59

Mulher é suspeita de eutanasiar cães resgatados após usá-los para receber doações no RS A Polícia Civil indiciou a ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, o marido dela e a veterinária que era responsável técnica da pasta por um esquema de eutanásia de animais para reduzir custos da prefeitura com o tratamento dos animais e bater metas. 🔍 A eutanásia é um procedimento que, na medicina veterinária, é usado em casos onde o animal em tratamento de saúde não tem chances de recuperação. Pelo menos 498 animais foram mortos em 8 meses, "uma matança desmedida", segundo a polícia. Em todo o ano de 2024, quando o secretário era outro, foram 354, mesmo diante da demanda gerada pela enchente que atingiu o RS. Paula Lopes foi indiciada por associação criminosa, maus-tratos e falsidade ideológica – ela foi exonerada do cargo; Marcelo Vieira, por associação criminosa – mesmo sem cargo público, prestava serviços na secretaria; e Tainara Harth por falsidade ideológica, maus-tratos e associação criminosa – ela é uma funcionária terceirizada e foi afastada da função pela prefeitura. Todos respondem pelos crimes em liberdade, pois a polícia não pediu a prisão deles porque não demonstraram risco de fuga. O advogado de Paula disse que ainda não foi notificado do indiciamento e que não teve acesso aos autos do inquérito, razão pela qual deve se manifestar posteriormente. O g1 e a RBS TV tentam contato com os advogados responsáveis pelas defesas de Vieira e Tainara. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, "eutanásias eram realizadas de forma sistemática e sem qualquer critério dentro da Secretaria de Bem-Estar Animal de Canoas". "A finalidade era financeira. Havia uma vontade de diminuir custos e aumentar atendimentos, exames e procedimentos dentro da secretaria para atingir metas. Tratar um cachorro é muito mais custoso que eutanasiá-lo", afirma a delegada Luciane. Provas obtidas pela Polícia Civil indicam que havia pressão para sacrificar animais que poderiam ser tratados e que os profissionais da pasta eram orientados a preencher atestados de óbito de forma irregular. Por exemplo: foram feitas eutanásias em gatos diagnosticados com FIV (HIV felina) ou FELV (leucemia felina) mesmo quando havia possibilidade de tratamento. O mesmo era feito em cães com cinomose. Houve o caso de um cão com fraturas múltiplas que teve os membros amputados em vez de passar pela cirurgia ortopédica indicada. Além disso, atestados de óbito de animais mortos via eutanásia eram distribuídos para que veterinários assinassem. A investigação também sinaliza que deixar em branco a data da morte dos animais era uma prática recorrente, e que o objetivo disso seria criar a aparência de que teriam passado por algum tipo de tratamento antes de serem mortos. "Não existiam documentos de 2025 [sobre os tratamentos e mortes]. Eles (os indiciados) sumiram com esses documentos de forma proposital", diz a delegada Luciane. Suspeita de lavagem de dinheiro e estelionato Quem é a ex-secretária de Canoas suspeita de determinar eutanásia de cães após usá-los para receber doações no RS Reprodução/redes sociais A Polícia Civil suspeita que a ex-secretária teria resgatado animais, usado cães nas redes sociais para obter doações e, então, determinado a eutanásia deles, situação que ainda está sob investigação. Paula responde por lavagem de dinheiro e estelionato. Conforme a delegada Luciane, a polícia já tinha indícios de uma alta quantia movimentada nas contas bancárias de Paula. A suspeita é de que os valores depositados a título de doação para ajudar animais resgatados por ela e postados nas redes sociais seriam usados em proveito próprio. "As protetoras de animais nos relatam que é muito dinheiro gasto com o tratamento de bichos, e nos estranha o fato de ter dinheiro em casa enquanto ela pedia nas redes sociais. Queremos saber exatamente a origem desses valores", afirma Bertoletti. Ela se refere ao fato de terem sido encontrados R$ 100 mil em espécie na casa da ex-secretária durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em setembro deste ano. Quem é a ex-secretária Paula Lopes, em pronunciamento na internet Reprodução/Redes sociais/Instagram A ex-secretária de Bem-Estar Animal da prefeitura de Canoas, Paula Lopes assumiu a secretaria em 1º de janeiro deste ano. Segundo a prefeitura, "a escolha se deu com base em sua atuação em prol da causa animal". "Como ativista, tinha reconhecimento público e em redes sociais como alguém que trabalhava com respeito e dedicação aos animais", disse a prefeitura por meio de nota. Ela foi exonerada do cargo em 18 de agosto deste ano. Em postagem nas redes sociais durante a investigação da Polícia Civil, ela alegou que as denúncias são reflexo do envolvimento dela com a política. "O meu objetivo sempre vai ser ajudar os animais. Mas isso incomoda quem usa essa pauta. Quem me conhece (...) Eu aceitei esse desafio em janeiro deste ano e desde lá virou esse caos. Desde quando eu entrei. Os números estão aí e, assim que eu puder, eu vou divulgar para vocês as verdades", disse. A protetora de animais é fundadora do Instituto Paula Lopes que, por meio das redes sociais, se propõe a ajudar "a mudar histórias". Nos seus perfis, pessoal e do instituto, publica fotos e vídeos do trabalho com ativista: desde denúncias de maus-tratos, resultado do acolhimento de animais que diz ter feito por meio do instituto até pedir ajuda para cães e gatos, principalmente, em situação de vulnerabilidade. Também divulga chave PIX para doação em dinheiro, além do link que leva para plataformas de pagamento. Ela reside em Porto Alegre, na Vila Assunção, na Zona Sul da capital. A casa dela chegou a ser alvo de um dos mandados de busca e apreensão cumpridos em uma operação policial do caso na quinta-feira. No local, a polícia apreendeu R$ 100 mil em dinheiro. A quantia estava em um dos cômodos. A Polícia Civil encontrou R$ 100 mil em dinheiro na casa da ex-secretária Polícia Civil/Divulgação Animais eram eutanasiados, segundo Polícia Civil Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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Padre Júlio Lancellotti tem pedido de indenização contra vereadora negado pela Justiça; entenda

Publicado em: 28/10/2025 05:28

Vereadora eleita pede que moradores não alimentem pessoas em situação de rua A Justiça negou o pedido de R$ 30 mil de indenização por danos morais feito pelo padre Júlio Lancellotti contra a vereadora Janaina Ballaris (União), de Praia Grande, no litoral de São Paulo. De acordo com a sentença, obtida pelo g1 nesta terça-feira (28), o juiz considerou que a mulher não ofendeu o pároco ao associá-lo a um assistencialismo midiático em entrevista concedida a uma rádio. 🔎Assistencialismo é um termo usado para descrever ações que buscam ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade através de benefícios imediatos. Esta prática pode causar dependência, sem promover mudanças estruturais que solucionem o problema. Janaina afirmou ao g1 que sempre respeitou o padre e chegou a ir pessoalmente à Paróquia São Miguel Arcanjo para tentar conversar. "Ele escolheu o caminho judicial. A Justiça reconheceu que não houve ofensa e que as minhas falas estavam protegidas pela liberdade de expressão. Que possamos seguir com serenidade porque a democracia se constrói com diálogo", destacou ela. Cabe recurso da decisão em primeira instância. O g1 tentou contato com o padre, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa dele também não foi localizada. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Padre Júlio Lancellotti entrou com um processo contra a vereadora Janaina Ballaris (União), de Praia Grande (SP) Reprodução/Instagram As declarações da parlamentar à rádio CBN Santos foram feitas em dezembro de 2024, cerca de uma semana após o padre compartilhar um vídeo de Janaina e escrever na legenda da publicação: "Impressionante, vereadora eleita de Praia Grande". Nas imagens, ela orientou moradores a não alimentarem ou darem dinheiro a pessoas em situação de rua (assista acima). A vereadora disse na entrevista: "Eu acho que dar assistência é diferente do assistencialismo. O assistencialismo é fazer o que o padre faz, que é louvável, dar comida, mas dar assistência é você encaminhar [...] O assistencialismo é fácil, você faz bonito para todo mundo ver". O advogado do padre, Nicholas Berro, apontou no processo que a parlamentar também fez uma publicação dizendo que Lancellotti recebe dinheiro do governo e que iria se encontrar com um vereador para investigar a situação (veja abaixo). Story sobre o padre Júlio publicado por Janaina foi anexado ao processo (à dir.) Redes sociais Sentença O padre pediu R$ 30 mil de indenização por danos morais, afirmando que as declarações de Janaina foram ofensivas e difamatórias. Segundo o documento, ele teve a honra, imagem e reputação comprometidas com as alegações de que recebia dinheiro público e praticava assistencialismo. Na sentença do último dia 21, o juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 5ª Vara Cível de São Paulo, julgou improcedente a solicitação do padre e o condenou a pagar os honorários advocatícios, além das custas e despesas processuais. O magistrado explicou que a declaração de assistencialismo foi uma discordância da vereadora sobre a atuação de Lancellotti, e a afirmação de que ele recebe verba do governo não configura acusação, destacando "que existem diversas formas lícitas de repasses e utilização de recursos públicos". "A manifestação da ré insere-se em debate de interesse público (político) e a condição de pessoa pública do autor lhe impõe tolerância a críticas", afirmou o juiz. "Não [foi] caracterizado qualquer ato ilícito por parte da ré, que manifestou pensamento que deve ser tolerado numa sociedade aberta". Padre Júlio Lancellotti entrou com um processo contra a vereadora Janaina Ballaris (União), de Praia Grande (SP) Reprodução e Victor Angelo Caldini/Reprodução/Instagram Relembre o caso O vídeo de Janaina publicado pelo padre viralizou, ultrapassando 390 mil visualizações no Instagram e gerando críticas à postura da parlamentar. À época dos fatos, ela afirmou ao g1 que o conteúdo foi tirado de contexto de forma "maldosa" e que a intenção era orientar o encaminhamento das pessoas em situação de vulnerabilidade à Secretaria de Assistência Social do município. No dia 17 de dezembro do ano passado, Janaina foi questionada sobre o atrito com o padre durante a entrevista na rádio e respondeu que dar assistência é diferente de assistencialismo. Segundo ela, Lancellotti não poderia fazer política revestido de uma "manta religiosa" como autoridade. Ainda na ocasião, a parlamentar opinou que algumas pessoas alimentam quem vive nas ruas com o intuito de "ficar bem com Deus", mas não se interessam por saber os motivos de o morador estar ali. "Nem olha para a cara da pessoa [...] dá [comida] como se estivesse dando para o cachorrinho", disse. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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Roubo do Louvre: brasileira viu joias antes de serem levadas e estava a 2 metros de janela por onde entraram ladrões; veja relato

Publicado em: 28/10/2025 04:02

Roubo do Louvre: brasileira estava a 2 metros de janela por onde entraram ladrões A estudante brasiliense Aline Lemos foi uma das poucas testemunhas do roubo milionário no Museu do Louvre, em Paris, que ocorreu em um domingo (19). Ela estava a cerca de dois metros da janela por onde os ladrões armados entraram na galeria Apolo, um dos salões mais luxuosos e históricos do museu. Em entrevista ao Fantástico, contou que estava filmando as vitrines e admirando as joias da sala no momento em que os bandidos arrombaram a janela. “Eu tava muito perto, a um metro da janela. Ouvi o barulho de pancada e depois o som de uma motosserra. Foi muito assustador”, contou em entrevista ao Fantástico. O assalto aconteceu por volta das 9h30, meia hora depois da abertura do museu. Os criminosos estacionaram um pequeno caminhão com uma escada mecânica em uma lateral pouco movimentada, subiram até a sacada da galeria e quebraram a janela. Em apenas quatro minutos, levaram nove joias da coroa francesa, avaliadas em cerca de R$ 50 milhões. Entre elas, o broche relicário da Imperatriz Eugênia, presente de Napoleão I. Aline relatou que turistas e funcionários foram retirados às pressas. “Os seguranças começaram a direcionar todo mundo para a entrada principal, embaixo das pirâmides. Depois abriram escadas de emergência e foi por uma delas que eu consegui sair”, disse. Roubo do Louvre: Quem são suspeitos presos de levar joias de museu Após o roubo, o museu fechou a galeria e transferiu as peças remanescentes para um cofre do Banco da França. Dois suspeitos foram presos em Paris: um homem com dupla cidadania francesa e argelina, detido no aeroporto Charles de Gaulle ao tentar embarcar para a Argélia, e outro francês. Ambos já eram conhecidos por participar de roubos sofisticados. Segundo a jornalista e pesquisadora Elane Sciolino, especialista na história do Louvre, o crime escancarou vulnerabilidades antigas. “Apenas 25% das salas mais importantes têm câmeras. Além disso, o museu é uma construção centenária, o que torna qualquer reforço de segurança um processo burocrático e demorado”, explicou. Sciolino também afirmou que a ferramenta usada para quebrar as vitrines é a mesma descrita em um manual interno de emergência do museu, levantando suspeita de um possível vazamento de informações. Dois homens são presos suspeitos de terem roubado joias do Louvre valendo R$ 550 milhões

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Por que acusados de monitorar autoridades para matar pesquisaram carros SUV para cometer os crimes

Publicado em: 28/10/2025 04:02

Por que acusados de monitorar autoridades para matar pesquisaram carros SUV para cometer os crime Integrantes do PCC pesquisaram carros SUV com sete lugares para “montar o armamento” dentro do veículo sem chamar atenção nas ruas. Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, o grupo planejava assassinar autoridades do sistema prisional e do MP, entre elas o coordenador de presídios Roberto Medina e o promotor Lincoln Gakya,, do Gaeco. A escolha dos veículos fazia parte da estratégia para garantir mobilidade, espaço e fuga rápida após os ataques. No celular de um dos suspeitos, a polícia encontrou pesquisas por modelos de SUVs e fotos de veículos com compartimentos amplos, capazes de comportar até sete pessoas. O objetivo era realizar ataques simultâneos, com equipes divididas entre vigilância, execução e cobertura de fuga. As investigações indicam que a ordem para matar Medina e Lincoln Gakya, era a mesma que resultou no assassinato do ex-delegado Rui Ferraz Fontes, morto em setembro na Praia Grande após um mês de monitoramento. O plano foi descoberto após a prisão de Victor Hugo da Silva, o Falcão, responsável por vigiar Medina e sua esposa. Em seu celular, a polícia encontrou vídeos, mapas e áudios detalhando a rotina do casal e apontando vulnerabilidades na casa, como muros baixos e ausência de câmeras. Outro criminoso, Sérgio Garcia da Silva, o Messi, fazia o mesmo com o promotor Lincoln Gakiya,, chegando a mapear trajetos e marcar no celular a sede do Ministério Público. A operação de bloqueio foi deflagrada em 24 de outubro. Com 25 mandados de busca e apreensão cumpridos em sete cidades, a polícia conseguiu impedir os crimes e desarticular a nova frente de ações do PCC fora do sistema prisional, preservando a vida das autoridades que estavam sob monitoramento. Os investigadores também identificaram sobrevoos de drones nas residências das vítimas e mensagens trocadas entre os criminosos sobre a compra de fuzis calibre 5.56. Segundo a polícia, os ataques seriam executados de forma coordenada e orquestrada, com uso de carros grandes e fortemente armados. Esta semana a polícia desvendou um plano de bandidos do PCC para matar autoridades de São Paulo.

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Por que tantos adolescentes ainda bebem, mesmo com a venda proibida no Brasil?

Publicado em: 28/10/2025 04:01

Cerveja Amanda Xavier/ Agencia RBS Você sabia que, mesmo com a venda proibida, um em cada quatro adolescentes brasileiros já experimentou bebidas alcoólicas? Os dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) mostram que o álcool ainda está presente na vida de jovens entre 14 e 17 anos. Beber faz da cultura brasileira e é socialmente aceito. Mas, quando o consumo começa cedo, ele deixa de ser um hábito e vira um problema de saúde pública. O início precoce traz efeitos sobre o desenvolvimento emocional, físico e social. Quando o álcool entra cedo demais O LENAD revela que 27,6% dos adolescentes já beberam pelo menos uma vez na vida. Entre eles, 19,1% consumiram no último ano e 10,4% beberam no último mês. Pode parecer pouco, mas o consumo nessa idade é perigoso. O cérebro ainda está em formação e o álcool afeta a memória, raciocínio e controle de impulsos. Esses impactos se refletem em baixo desempenho escolar, maior evasão e vulnerabilidade social. Entre os adolescentes que bebem, o consumo médio é de 3,7 doses por ocasião, mas há jovens que relatam quantidades bem maiores também conhecido como “binge drinking”. Usando o instrumento AUDIT, que mede padrões de consumo de risco, o levantamento mostra que 15,8% dos adolescentes apresentam algum de nível de uso nocivo ou possível dependência. Mesmo considerando todos os jovens, 3% já têm consumo problemático e 5,7% se enquadram em critérios para Transtorno por Uso de Álcool. Isso representa mais de meio milhão de adolescentes brasileiros. O consumo precoce pode evoluir rapidamente e gerar consequências sérias para a saúde mental, no desempenho escolar e no convívio social. E há diferenças marcantes entre as regiões do país. O consumo maior está no Sul (36,7%) e no Centro-Oeste (32,9%), e o menor no Norte (19,5%) e Nordeste (22%). Fatores culturais, acesso fácil e falhas na fiscalização ajudam a explicar essas variações. Regiões com maior oferta e menos controle tendem a registrar maiores taxas de consumo entre jovens. LEIA MAIS: Cresce o consumo de álcool entre adolescentes no Brasil, aponta pesquisa Por que o álcool é tão perigoso para o cérebro dos jovens Por que adolescentes ainda têm acesso ao álcool? Apesar das restrições legais, muitos adolescentes conseguem comprar bebidas sem comprovar a idade. Bares, restaurantes, supermercados e lojas de conveniência raramente seguem a exigência da lei. A Organização Mundial da Saúde alerta que o consumo precoce de álcool é influenciado pela facilidade de acesso, preços baixos e pelas normas permissivas. No Brasil, todos esses fatores atuam a favor do consumo. O álcool está presente em festas, comemorações e até em programas de TV. As campanhas de marketing reforçam a ideia de que beber significa liberdade e sucesso. Bebidas doces e coloridas, como “ice”, atraem o público jovem. Festas “open bar” e “esquenta pré-balada” contribuem para o risco de intoxicação. Tudo isso cria um ambiente que normaliza o uso e reforça a ideia de que beber é parte do processo de amadurecimento. Mas o consumo precoce não é responsabilidade apenas dos jovens ou das famílias. É um problema coletivo, que inclui o Estado, a indústria e os meios de comunicação. O que pode ser feito: informação, fiscalização e mudança cultural Para mudar esse cenário, é preciso informação, fiscalização e mudança cultural. Cumprir a lei que proíbe a venda a menores é o primeiro passo. Hoje, essa fiscalização é rara. Bares, mercados e eventos precisam ter responsabilidades e punições claras. Medidas como restringir a publicidade e aumentar o preço começam a ganhar espaço no país. A recente aprovação do “imposto do pecado”, que prevê sobretaxas para produtos como bebidas alcoólicas, é um avanço. Ainda assim, a regulação da publicidade digital de bebidas alcoólicas permanece limitada. Anúncios segmentados em redes sociais e plataformas online escapam à fiscalização. As brechas legais e a influência da indústria, somadas à aceitação social do consumo, mantêm o tema praticamente estagnado. Por isso, é essencial que o aumento de impostos venha acompanhado de políticas educativas permanentes e ações de fiscalização, para que o impacto vá além do preço e alcance o comportamento. Além das medidas estruturais, é fundamental agir também no nível individual, ao identificar e apoiar jovens em risco. Ferramentas simples, como o questionário AUDIT, podem ser usadas para detectar precocemente padrões perigosos de consumo, uma iniciativa de baixo custo e alto impacto se implementada de forma contínua. Beber na adolescência não é brincadeira. É um comportamento com consequências reais e duradouras. Mais do que um ato individual, o consumo de álcool na adolescência reflete um ambiente social permissivo e falhas na regulação. Compreender esses mecanismos é essencial para orientar políticas baseadas em evidências. *Mariana Guedes de Agostini Sóssio é doutora em Saúde Pública pela Liverpool John Moores University, no Reino Unido, e pesquisadora, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP). *Elize Massard da Fonseca é doutora em Política Social e Professora, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP).

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Prefeitura de BH abre inscrições para cadastro escolar de 2026

Publicado em: 28/10/2025 04:01

Alunos durante aula na Escola Municipal Padre Flávio Giammetta, em Belo Horizonte. (foto ilustrativa) Adão de Souza/PBH A Prefeitura de Belo Horizonte abre, nesta terça-feira (28), as inscrições para o Cadastro Escolar de 2026, necessário para a realização de matrículas na educação infantil, no ensino fundamental e na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal. As inscrições devem ser feitas pelo portal da prefeitura até 14 de novembro. Cada estudante poderá ser cadastrado uma vez. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Os resultados do Cadastro Escolar serão divulgados no dia 15 de novembro no portal da prefeitura. As matrículas devem ser efetivadas entre 15 e 30 de dezembro, mediante apresentação de certidão de nascimento, declaração de vacinação atualizada e comprovante de endereço. Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, migrantes, refugiados ou com deficiência terão matrícula assegurada, independentemente do cadastro. Famílias com filhos já matriculados em escolas e creches da rede pública também não precisam se cadastrar novamente. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Critérios Veja abaixo os critérios para as inscrições: Crianças de 4 anos terão vaga garantida. Para a faixa etária de 0 a 3 anos e alunos de período integral, a prefeitura vai seguir critérios de vulnerabilidade social, incluindo participação em programas sociais, crianças com deficiência, filhos de mães adolescentes e famílias em situação de risco. Irmãos de estudantes já matriculados terão prioridade para vagas na mesma unidade escolar. Atualmente, a rede municipal de ensino de BH atende mais de 189 mil estudantes em instituições próprias e parceiras.

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Carreta Digital chega a Codó com cursos gratuitos de tecnologia para jovens da rede pública

Publicado em: 27/10/2025 14:24

Carreta Digital chega a Codó com cursos gratuitos de tecnologia para jovens da rede pública Divulgação/Assessoria A Carreta Digital chegou a Codó, no interior do Maranhão, oferecendo cursos gratuitos de informática, robótica e tecnologia para estudantes da rede pública. A unidade está estacionada na Praça de São Sebastião, no pátio do Colégio Militar 2 de Julho, e deve capacitar cerca de 700 jovens até 15 de dezembro. As inscrições estão abertas e podem ser feitas por meio da Secretaria Municipal de Educação. O projeto é uma iniciativa do Ministério das Comunicações, executado pela Rede Brasileira de Certificação, Pesquisa e Inovação (RBCIP). Desde setembro de 2024, a Carreta Digital já passou por escolas públicas do Rio Grande do Sul, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, beneficiando quase 9 mil alunos em situação de vulnerabilidade social. Os laboratórios móveis são equipados com impressoras 3D, kits de robótica e computadores de alto desempenho. Entre os cursos oferecidos estão robótica, montagem e configuração de PCs para jogos (PC Games), além de manutenção e conserto de celulares. Carreta Digital chega a Codó com cursos gratuitos de tecnologia para jovens da rede pública Divulgação/Assessoria 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, destacou a importância do projeto: "Essa é uma iniciativa que leva tecnologia, capacitação e oportunidades até quem mais precisa. O projeto integra as ações de inclusão digital do Ministério das Comunicações e vem percorrendo municípios de todo o Brasil, oferecendo cursos gratuitos em informática e cidadania digital." Em todo o país, 8.927 crianças e adolescentes já foram atendidos pelo programa. Com um novo investimento de R$ 7,8 milhões, o projeto será ampliado para os estados do Rio de Janeiro, Paraíba e Pernambuco, onde mais 8 mil jovens devem ser capacitados. Segundo Aline Marcon, coordenadora executiva da Carreta Digital, a meta inicial era formar 15 mil alunos. Com a expansão, o número deve chegar a 23 mil em sete estados. "É uma grande oportunidade de iniciação profissional, que pode facilitar o ingresso no mercado de trabalho, ajudar as famílias com o uso de novas tecnologias e complementar o aprendizado em disciplinas como matemática e física." O prefeito de Codó, Francisco Carlos de Oliveira, comemorou a chegada da carreta: "É nessa Carreta Digital onde nós vamos incluir o jovem. Isso é um momento de beleza para nossa população. A carreta vai fazer com que a gente profissionalize nossa juventude, isso é uma coisa que eu tenho, mais uma vez, só que agradecer a Deus." Horários previstos para as aulas da Carreta Digital em Codó Matutino 1ª turma: 8h00 a 9h45 2ª turma: 10h00 a 11h40 Vespertino 3ª turma: 14h00 a 15h45 4ª turma: 16h00 a 17h40 Endereço: Praça de São Sebastião, no pátio do Colégio Militar 2 de Julho, Codó- MA. Veja também: Carreta Digital chega a mais uma escola pública em SL Em março deste ano, a Carreta Digital do Ministério das Comunicações levou cursos de capacitação digital ao Centro Educa Mais João Francisco Lisboa, em São Luís. Na escola, mais de 350 alunos foram qualificados pelo projeto. Saiba mais na reportagem da TV Mirante: Carreta Digital do Ministério das Comunicações chega a mais uma escola pública em SL

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Prato Cheio 2025: veja as instituições parceiras da campanha

Publicado em: 27/10/2025 12:50

Dia D da a Campanha Prato Cheio: Alimente a Esperança Lucas Marreiros/g1 A campanha Prato Cheio contará com cinco instituições parceiras para fortalecer a rede solidária do projeto neste ano. A iniciativa arrecada alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social e, em 2025, conta com o apoio do Armazém Paraíba e do Teresina Shopping. A campanha terá seis pontos de coleta de doações no Piauí: três em Teresina, um em Picos, um em Floriano e outro em Parnaíba. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp "As pessoas têm vontade de fazer algo para ajudar quem vive em situação de extrema pobreza, mas não conhecem uma instituição em que confiem para fazer isso. Essa campanha tem esse papel. E neste ano cresceu, com o apoio do Teresina Shopping e do Armazém Paraíba, a expectativa é arrecadar ainda mais alimentos e ajudar mais pessoas a ter um Natal mais farto", afirma o diretor de jornalismo da Rede Clube, Claudinei Moreira. O recebimento das doações no Teresina Shopping será realizado do dia 1º a 12 de dezembro. O Dia D da campanha ocorre em 12 de dezembro. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Confira as instituições selecionadas Em Teresina: Associação dos Cadeirantes do Município de Teresina (ASCAMTE) representa, defende e promove os direitos das pessoas com deficiência física, em especial usuários de cadeira de rodas, há cerca de 20 anos, na Zona Sul de Teresina. A instituição atende cerca de 150 pessoas em cadeira de rodas e suas famílias. Associação de Mielomenigocele e Hidrocefalia (AMH) trabalha diariamente com pessoas que enfrentam desafios físicos e sociais no bairro Piçarra, na Zona Sul da capital. Movimento Pela Paz Na Periferia (MP3) tem a missão de promover inclusão social e cultural de crianças, adolescentes e jovens da periferia desde 2004. Com o Prato Cheio, o serviço de cozinha solidária da associação será ampliada. Em Parnaíba: A Obras Sociais Luz da Esperança busca praticar serviços gratuitos e permanentes aos usuários da assistência social, principalmente crianças e adolescentes em situação de risco social. Eles ficam localizados no bairro Piauí e também ofertam cursos profissionalizantes. Em Floriano: A Associação Casa Dorcas acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade social e dependência química, oferecendo alimentação, abrigo, apoio emocional, espiritual e social há cerca de 10 anos, no bairro Riacho Fundo. *Estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

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Mutirão oferece 150 exames gratuitos de glaucoma e catarata em Salvador; veja como participar

Publicado em: 27/10/2025 10:05

Mutirão oferece 150 exames gratuitos de glaucoma e catarata em Salvador Fundação Lar Harmonia O 23º Mutirão de Glaucoma e Catarata oferecerá 150 vagas para exames gratuitos de detecção das doenças, no domingo (2), no bairro de Piatã, em Salvador. A ação feita pela Fundação Lar Harmonia acontecerá no Ambulatório Médico Odontológico Eurípedes Barsanulfo (AMEB), das 7h às 14h. O agendamento está aberto e pode ser feito no site da instituição. Podem participar homens e mulheres a partir de 50 anos. Pessoas com histórico familiar de glaucoma ou catarata também podem se inscrever a partir dos 20 anos. Para realizar os exames, é necessário apresentar originais e cópias do RG, cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) de Salvador e comprovante de residência. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Veja os vídeos que estão em alta no g1 Criada em 1994, a Fundação Lar Harmonia é uma instituição sem fins lucrativos que há mais de 30 anos dedica-se à promoção da saúde, bem-estar e inclusão social, com foco em famílias em situação de vulnerabilidade dos bairros Bairro da Paz, Alto do Coqueirinho e Baixa do Tubo. Entre suas frentes de atuação estão o ambulatório médico-odontológico, o Lar de Idosos Fabiano de Cristo, escola integral, creche-escola, núcleo de psicologia e jurídico, núcleo de assistência social, além de editora e distribuidora de livro. SERVIÇO 23º Mutirão de Glaucoma e Catarata Local: Fundação Lar Harmonia, Rua Deputado Paulo Jackson, Nº 560, em Piatã. Vagas: 150 atendimentos gratuitos Agendamento: Site da instituição Data: 2 de novembro de 2025 Horário: das 7h às 14h Documentos necessários: RG, Cartão SUS de Salvador e comprovante de residência LEIA TAMBÉM Prefeitura de Salvador oferece inserção gratuita de DIU em unidades de saúde; saiba como acessar Programa oferece assistência especializada gratuita para pessoas interessadas em gestar em Salvador; veja como ter acesso Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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Assistente social relata transformação após acolhimento de bebês; conheça o programa

Publicado em: 27/10/2025 07:22

Assistente social divide rotina com acolhimento de bebês afastados da família no interior de SP Ana Klipper/Unsplash A assistente social Maria dos Anjos (nome fictício), de Sorocaba (SP), acorda todos os dias às 6h. Na rotina, uma nova função: levar as crianças na creche. Embora o filho mais velho dela tenha 19 anos, a atividade voltou a ser obrigatória depois que ela se inscreveu no programa Família Acolhedora, que leva crianças em vulnerabilidade a um lar até que sejam adotadas. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O programa foi aprovado por força de lei em 2019, e instituído como programa efetivo da Prefeitura de Sorocaba em 2022, por meio da Secretaria da Cidadania (Secid). Maria acolheu dois irmãos, de dois e três anos. Para ela, a mudança não representa uma dificuldade, e sim um motivo de gratidão. "São muitos benefícios, atendimento individual, vínculo afetivo, viver em ambiente seguro, ter uma família de referência, desenvolvimento saudável, memórias afetivas importantes, entre outros", afirma. A presença das crianças no dia a dia da família trouxe benefícios, segundo a assistente social. Maria dos Anjos conta que a experiência fortaleceu os vínculos familiares. "Percebemos a nossa família mais fortalecida e nossos filhos sensibilizados com essa ação. Acredito que isso seja um exemplo para eles e que, futuramente, eles possam acolher também. Fazer parte do programa não beneficia somente a criança, mas também a família que está acolhendo. Acreditamos neste programa que transforma vidas de crianças e adolescentes”, lembra. Desafios e preparação Segundo Maria, uma das principais dificuldades é o processo de adaptação, tanto das crianças quanto da família. “Os principais desafios enfrentados ocorreram, sobretudo, na primeira e na última semana do acolhimento. A semana inicial exige sensibilidade, compreensão e paciência", comenta. "Já a semana final é especialmente delicada devido ao momento da despedida, que representa uma etapa emocionalmente significativa para todos os envolvidos. Esse momento é cuidadosamente preparado pela equipe técnica, desde a fase de capacitação até a efetiva concretização da despedida, visando garantir que ocorra de forma respeitosa e menos dolorida", acrescenta. Esta é a segunda vez que a assistente social acolhe crianças pelo programa Família Acolhedora. O primeiro, em 2024, foi de um bebê de nove meses. “A mudança mais significativa é em relação ao horário da creche das crianças, considerando que temos horário fixo e levá-las e buscá-las.” Sobre o programa A promotora Cristina Palma e Ana Lúcia Batista, da Secretaria da Cidadania (Secid), de Sorocaba (SP), falam sobre Família Acolhedora Marcel Scinocca/g1 Segundo a promotora Cristina Palma, da Promotoria da Infância e Juventude, que ajudou a idealizar o programa na cidade, a ideia é ampliar o número de famílias habilitadas a fazer o acolhimento. “Nós estamos com muitas crianças institucionalizadas e com a necessidade de abrir mais acolhimento. Não sabemos ao certo o motivo, mas a vulnerabilidade social aumentou. São dados que temos levantado e está aumentando essa necessidade de tirar as crianças dessas famílias”, diz, citando como exemplo o aumento das famílias onde há problemas com violência e drogas. Segundo ela, o acolhimento é a melhor alternativa. “Nossa ideia é aumentar a capacidade social do programa, aumentar o número de famílias que poderiam receber essas crianças, ao invés de elas irem para o ambiente institucional.” Ela lembra que o período é temporário, até que a Justiça decida sobre o destino da criança. Outro ponto abordado, diz respeito aos benefícios para a criança, para as famílias e para sociedade. Ana Lúcia Batista, coordenadora da Criança e do Adolescente da Secretaria da Cidadania (Secid), explica que os interessados passam por um processo criterioso de avaliação. Ainda conforme ela, não há um período definido para a duração do acolhimento. “O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) determina um período de 18 meses o prazo máximo de acolhimento, mas, às vezes, pode até ultrapassar.” A situação vai depender, por exemplo, da disponibilidade das famílias ou de eventuais decisões judiciais. Os acolhidos podem ter de zero a 17 anos incompletos e que o processo dura pelo menos dois meses. Sorocaba tem 140 crianças que estão em instituições, mas que, segundo Palma, podem viver em lares estruturados. A cidade tem ainda 12 crianças com 11 famílias acolhedoras. Outras dez famílias estão aptas a escolher. A família que acolhe não tem contato com a família biológica da criança ou do adolescente, e vice-versa. Como participar Para as famílias aprovadas no programa, a Prefeitura de Sorocaba oferece uma bolsa-auxílio mensal no valor de um salário-mínimo por acolhido. Os requisitos para participar são: Pelo menos 21 anos; Residir em Sorocaba há no mínimo um ano; Não possuir interesse em adoção; Apresentar boa saúde física e mental: Não ter antecedentes criminais; Participar das capacitações ofertadas pela equipe. LEIA TAMBÉM CRIMES NA INTERNET: Stalking e ameaça lideram crimes virtuais contra mulheres; saiba como denunciar VIOLÊNCIA NO INTERIOR: Suspeitos invadem casa de idosos, fogem com carro e acabam presos em Tietê ROUBO DE INSUMOS AGRÍCOLAS: Trio armado invade sítio, rende idosos e tranca as vítimas no banheiro Pessoas que estejam interessadas em conhecer mais sobre o serviço e o trabalho voluntário podem entrar em contato pelo WhatsApp: (15) 99101-4772 ou presencialmente, de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, na Avenida Armando Sales de Oliveira, 241, no bairro Trujillo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí

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Com aumento no número de mulheres e crianças, migração tem um novo perfil e demanda políticas de acolhimento no Paraná

Publicado em: 27/10/2025 04:01

Migração tem novo perfil e demanda políticas de acolhimento "Os lugares por onde passamos não são lugares seguros. Ainda mais com um bebê", lembra Yoana Pérez Gonzalez, de 19 anos, que percorreu o trajeto de Havana, em Cuba, até o Brasil. Ela chegou a Curitiba com 35 semanas de gravidez, fase final da gestação. "A gente vem com medo. Mas, graças a Deus, tudo acabou bem", conta. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Yoana viajou de barco ao lado do companheiro, Eudy Guerra, até chegar à costa da Guiana, país no norte da América do Sul que faz fronteira com o Brasil. De lá, ela explica que a família seguiu viagem por conta própria até Curitiba. Receosa, ela evita dar detalhes sobre o percurso. A jovem diz que passar tanto tempo na estrada naquela fase da gestação foi difícil. "Eu me sentia muito mal, com cólica, enjoo e todas essas coisas." Yoana Pérez Gonzalez, de 19 anos, se mudou de Havana, em Cuba, para Curitiba Maycon Hoffmann/RPC Em agosto deste ano, o casal chegou a Curitiba e foram para o apartamento que alugaram à distância, pela internet. A quitinete de menos de 40 metros quadrados estava vazia. Sem conhecer ninguém na cidade, Yoana e Eudy dormiram no chão durante as primeiras noites. “Nós estávamos dormindo no piso, com apenas uma colcha no chão para poder dormir”, descreve Yoana. O casal veio de Cuba apenas com uma mochila. "Eu não podia carregar peso, ainda mais naquela fase da gravidez", diz a jovem. Sem móveis em casa, Yoana dormia no chão aos 8 meses de gravidez Arquivo familiar Yoana e Eudy fazem parte de uma tendência identificada pelas instituições públicas e do terceiro setor que acompanham o tema: o perfil dos migrantes que chegam ao Brasil está passando por uma mudança. O g1 e a RPC investigaram, ao longo dos últimos três meses, o acesso de famílias migrantes e refugiadas às políticas públicas voltadas à primeira infância em Curitiba e no Paraná. Leia mais abaixo. ▶️ Este texto faz parte da série "Infâncias em Travessia". Com foco na primeira infância e nos impactos das políticas públicas sobre famílias migrantes, os textos discutem e mapeiam os caminhos físicos, emocionais e sociais que crianças migrantes e refugiadas percorrem na chegada ao Paraná. Acesse aqui todos os textos da série. Navegue por esta reportagem: Mudança no perfil migratório Acolhimento além do idioma Busca por um futuro Yoana e Eudy estão reconstruindo a vida no Paraná Maycon Hoffmann/RPC Foi uma vizinha cubana quem indicou a Yoana e Eudy o contato da voluntária Marluce Bely, da ONG Unidade Fraternidade, que apoia migrantes em Curitiba e integra a Pastoral do Migrante. Após uma mensagem enviada num domingo à noite Marluce mobilizou uma rede de solidariedade e, por meio de doações, ajudou a conseguir o básico para o lar da família. “Lembro que ela comprou um chuveiro para tomarmos banho, porque não havia nada. Eles nos forneceram cama, pia, fogão, malas, sofá, pratos e coisas para o bebê”, lembra Yoana. Eles contam que não têm amigos nem familiares em Curitiba e que escolheram a capital paranaense porque ouviram boas referências da cidade. O edifício no bairro Novo Mundo onde vivem Yoana, o companheiro e o bebê abriga dezenas de outras famílias estrangeiras, de diferentes nacionalidades. Mudança no perfil migratório: cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio Dados do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) apontam uma mudança na nacionalidade que lidera os pedidos de refúgio no Brasil. Entre janeiro e outubro de 2025, foram 26.647 pedidos feitos por cubanos. Pela primeira vez, os cidadãos da ilha caribenha superaram os pedidos de refúgio feitos por venezuelanos, que somaram 13.686 no período. No Paraná, o cenário acompanha essa tendência: foram 2.270 pedidos de cubanos, sendo 1.666 registrados em Curitiba, o que revela uma nova configuração migratória na região. Além disso, Curitiba é a cidade brasileira que mais recebeu venezuelanos por meio da Operação Acolhida - que é coordenada pelo Subcomitê Federal de Acolhimento e Interiorização de Imigrantes em Situação de Vulnerabilidade. De acordo com o último levantamento realizado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome em parceria com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU, 8.812 venezuelanos estão acolhidos na capital paranaense por meio do programa. O OBMigra aponta também um aumento no percentual de mulheres que solicitam refúgio no Brasil. Elas eram 10,1% em 2013, mas em 2025 passaram a representar 43,6% dos pedidos. Se em anos anteriores, os homens eram maioria absoluta nos pedidos de refúgio, a diferença tem se encurtado. Até setembro deste ano, foram 24.368 pedidos de mulheres contra 31.383 de homens. Segundo Márcia Ponce, secretária executiva da Regional Paraná da Cáritas Brasileira, o novo rosto da migração é um fenômeno global e já se reflete nos atendimentos realizados pela entidade, que atua como ponte entre o poder público e os migrantes. "Historicamente, a migração era liderada por homens. Hoje, vemos um movimento crescente de mulheres à frente", afirma. Muitas dessas mulheres chegam acompanhadas de filhos pequenos ou em grupos familiares maiores, com avós, filhas e netas. Acolhimento além do idioma Clefaude Estimable é psicólogo, especialista em mediação cultural e pesquisador na área de migração e saúde mental. Atua no apoio a migrantes e refugiados em diversos países da América Latina e do Caribe. Segundo ele, o acolhimento com migrantes vai muito além da tradução do idioma — exige sensibilidade e compreensão da diversidade cultural. Clefaude lembra de um caso que atendeu e o marcou: “Ela gritava durante o parto, mas era algo cultural, uma forma de expressão dela. O médico obstetra chamou um psiquiatra porque imaginava que ela estava em surto”. Claudia Vidigal, representante da Fundação Van Leer no Brasil — organização independente que promove o desenvolvimento integral na primeira infância — atua há mais de 20 anos na defesa dos direitos das crianças. Ela também colaborou na elaboração de guias voltados a famílias venezuelanas refugiadas e migrantes com filhos pequenos. Claudia destaca a importância de respeitar as diferenças culturais nas formas de exercer a maternidade, e valorizar a força dessas mulheres que recomeçam em um novo país. “Além da dor e dos desafios da migração, essas histórias carregam alegria, alívio e o desejo de recomeçar — de oferecer aos filhos um futuro diferente, mesmo diante das incertezas.” Ela reforça que essas trajetórias não devem ser apagadas, mas reconhecidas como histórias de resiliência. “É também bonito ver a coragem de quem pega os filhos e parte de um território de risco em busca de dignidade. E construir esse senso de gratidão — não como quem recebe, mas como povos irmãos que se apoiam — é essencial.” Yasiel Enrique, filho de Yoana e Eudy Maycon Hoffmann/RPC Busca por um futuro Migrante cubana faz pré-natal em Unidade de Saúde de Curitiba Danay Ivete Medina Figueired, de 25 anos, chegou de Havana no fim de janeiro, acompanhada do marido e do filho de três anos. Ela está na reta final de uma nova gestação e a reportagem a acompanhou em uma consulta na Unidade de Saúde Vitória Régia, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A enfermeira que a atendeu contou que Danay chegou ao posto com baixo peso e anemia. Para a cubana, o atendimento em Curitiba é muito diferente do que recebeu no país de origem, durante a primeira gestação. “Aqui é totalmente diferente de Cuba. Tudo limpo, organizado. A ecografia mostra tudo direitinho. Lá não era assim.” Ela disse que espera um futuro melhor em Curitiba. Com um sorriso largo no rosto, Danay diz que o filho mais velho está encantado com Curitiba e adora os parques da cidade. “Ele está muito feliz por ter um irmãozinho e por estar no Brasil. Diz que não quer voltar para Cuba. Está muito contente aqui.” O bebê de Danay nasceu saudável no dia 16 de outubro. *Com colaboração de Matheus Karam e Maria Pohler, assistentes de produtos digitais do g1 Paraná. Esta reportagem recebeu apoio do programa “Early Childhood Reporting Fellowship”, do Global Center for Journalism and Trauma. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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O que está em jogo para Milei e Trump nas eleições legislativas da Argentina?

Publicado em: 26/10/2025 10:48

Auxílio de Trump a Milei põe à prova influência dos EUA nas eleições argentinas? Getty Images via BBC Como uma eleição legislativa na América do Sul pode se tornar tão relevante a ponto de o governo americano tentar influenciar seu resultado? A resposta está na Argentina. A votação de domingo (26/10), que renovará parte do Congresso argentino, ganhou uma relevância incomum nos âmbitos políticos, econômicos e geopolíticos. Ou seja, as urnas podem definir muito mais do que a metade das cadeiras da Câmara dos Deputados e um terço do Senado em disputa. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para o presidente argentino, Javier Milei, um economista libertário aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o episódio é o teste mais delicado de seus quase dois anos de governo. Mas esta eleição também pode ser crucial para a oposição argentina e para a nova aliança de Buenos Aires com Washington, como disse o próprio Trump. Então, o que afinal está em jogo para cada lado? Para Milei: um teste delicado Meses atrás, a eleição legislativa parecia para Milei uma oportunidade para consolidar seu projeto político e ampliar seu respaldo em um Congresso onde não tem maioria (algo crucial para a aprovação de mudanças na lei e de vetos presidenciais, por exemplo). Seu drástico plano de ajuste começou a mostrar resultados: a inflação mensal caiu de 25% quando assumiu o governo, em dezembro de 2023, para cerca de 2% atualmente; a taxa de pobreza recuou 10 pontos percentuais até o primeiro semestre deste ano; o país obteve em 2024 um superávit fiscal inédito em mais de uma década. Esses avanços, porém, vieram acompanhados de grandes sacrifícios para a população. Por exemplo: A renda real média de muitos argentinos caiu, de servidores públicos a aposentados; A taxa de pobreza ainda alcançava 31,6% ou 14,5 milhões de pessoas, no meio do ano, segundo dados oficiais. O ajuste fiscal promovido por Milei provoca forte impacto na economia e no cotidiano dos argentinos. AFP/Getty Images via BBC "É uma eleição importante, porque o que está em jogo é a continuidade desse esforço, que é duro, para estabilizar a economia ou para o retorno da Argentina ao período de alta inflação", disse Sergio Berensztein, analista político argentino, à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC). Em paralelo ao ajuste promovido por Milei, alguns escândalos atingiram o presidente, que chegou ao poder com a promessa de acabar com a corrupção da "casta" política. O próprio Milei protagonizou um caso obscuro, hoje sob investigação da Justiça dos EUA, após promover em fevereiro uma criptomoeda cujo valor despencou em questão de segundos. Karina Milei, irmã do presidente, secretária-geral da Presidência e uma das pessoas mais influentes do governo argentino, foi citada em áudios vazados em agosto, que sugeriam ela ter recebido parte de um suposto esquema de propina na Agência Nacional para a Deficiência (Andis, na sigla em espanhol). E o candidato do governo Milei a deputado pela província de Buenos Aires, José Luis Espert, renunciou neste mês à candidatura depois que vieram a público seus vínculos com um empresário acusado de narcotráfico nos EUA. Embora todos neguem ter agido de forma irregular, as urnas também deverão medir o custo político desses casos e o apoio popular que Milei ainda tem. Na reta final da campanha legislativa, Milei tenta reanimar a base governista. Getty Images via BBC Seu partido, La Libertad Avanza, sofreu no mês passado a sua pior derrota eleitoral ao perder para a oposição peronista as eleições legislativas da província de Buenos Aires, a mais populosa do país. O resultado causou apreensão nos mercados e levou muitos investidores a trocarem pesos por dólares como proteção para eventuais perdas, o que gerou instabilidade cambial. Um dos pontos-chave da votação do próximo domingo será saber se Milei conseguirá o apoio de um terço da Câmara dos Deputados, margem necessária para manter seus vetos às leis aprovadas que o presidente rejeita. "Se [Milei] não tiver sozinho esse terço, poderá alcançá-lo negociando com aliados no Congresso", afirma Berensztein. "A grande dúvida é se ele estará disposto a moderar suas posições sempre agressivas e bastante controversas nesses dois primeiros anos." A capacidade de costurar acordos com o PRO, partido do ex-presidente Mauricio Macri, e com outros setores também será determinante para a viabilidade das reformas trabalhista, tributária e previdenciária que Milei quer implementar. Sem o apoio necessário, seja por um desempenho abaixo do previsto nas urnas, seja por isolamento político, é provável que os mercados voltem a reagir de forma negativa, e que o restante do mandato do presidente fique comprometido. Para a oposição: disputa pela agenda No campo oposto, a oposição argentina busca consolidar no domingo sua influência sobre a agenda nacional a partir do Congresso. Nos últimos meses, Milei sofreu derrotas legislativas relevantes em razão de acordos pontuais entre diferentes blocos, após vetar leis que considerava contrárias ao seu plano de austeridade e entrar em confronto tanto com o Congresso quanto com governadores provinciais. O governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, é um dos principais nomes da oposição peronista. Getty Images via BBC Mas a oposição está longe de formar um bloco único. Mesmo dentro do peronismo, principal força contrária ao governo, há grupos que respondem a diferentes líderes: a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner (em prisão domiciliar após ser condenada por corrupção), o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof (que tem adotado tom mais moderado), e o ex-ministro e ex-candidato Sergio Massa. Por outro lado, no centro político, surgiu um novo grupo chamado Províncias Unidas, que reúne governadores de diferentes partidos. Esses líderes regionais, observa Berensztein, "têm potencial para construir uma alternativa eleitoral distinta, que quebre um pouco a polarização". Assim, as eleições de domingo podem servir para que a oposição comece a se reorganizar, com perfis diversos, de olho na disputa presidencial de 2027. Para Trump: o destino do resgate Trump ordenou um auxílio financeiro inédito nos EUA à Argentina para aliviar os crescentes problemas políticos e econômicos de Milei, com quem mantém afinidade ideológica. Até agora, essa ajuda se traduziu na abertura de uma linha swap (acordo para o intercâmbio de moedas), por US$ 20 bilhões (cerca de R$ 108 bilhões) entre os dois países e na destinação de cerca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) para comprar pesos argentinos, a fim de evitar uma desvalorização ainda maior da moeda. Trump também mencionou a possibilidade de importar carne argentina, e o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou que pretende criar um fundo adicional de US$ 20 milhões (cerca de R$ 108 bilhões) com bancos privados para investir no país sul-americano. A iniciativa, porém, ainda não saiu do papel. Para Washington, o apoio financeiro à Argentina atende a 'interesses estratégicos' dos Estados Unidos. Bloomberg/Getty Images via BBC "Não queremos outro Estado falido na América Latina, e uma Argentina forte e estável como bom vizinho é explicitamente de interesse estratégico dos EUA", afirmou Bessent na rede social X, na terça-feira (21/10). Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, com sede em Washington, afirma que, com essas medidas, o governo Trump tenta reverter "a presença bastante forte da China" na América do Sul. "A Argentina tem ativos de interesse econômico, estratégico e geopolítico para os EUA", disse De Boelle à BBC News Mundo, citando como exemplo o gás natural, as reservas de minerais críticos como o lítio e as terras raras. "Essa ajuda à Argentina permite uma negociação mais agressiva dos EUA para afirmar seus interesses em várias áreas", explicou. Mesmo assim, o próprio Trump advertiu que o auxílio ao país depende do desempenho eleitoral de Milei. "Se ele não ganhar, vamos embora", declarou ao receber Milei na Casa Branca neste mês. No domingo (19/10), Trump defendeu o acordo com a Argentina afirmando que o país "está lutando por sua vida". Apesar da ação do Tesouro dos EUA, o dólar voltou a encostar no limite da banda cambial antes das eleições legislativas. Bloomberg/Getty Images via BBC Diante disso, a pressão sobre a cotação do dólar continuou na Argentina, e o Tesouro aumentou a compra de pesos para contê-la. Ainda é uma incógnita como tudo isso influenciará o voto dos argentinos. Trump, porém, vem recebendo críticas tanto de opositores democratas quanto de setores nacionalistas próximos a ele, que consideram arriscado apostar dinheiro dos contribuintes americanos nesse apoio. De Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional, afirma que o resgate prometido pelo governo americano não resolve o "problema de fundo" da vulnerabilidade do sistema monetário argentino e da dependência do país em relação ao dólar. "O risco para os EUA é que, em algum momento, terão de decidir entre sair da Argentina ou continuar enviando dinheiro sem saber como serão reembolsados", disse De Bolle.

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Como a academia de boxe que nasceu na favela do Moinho foi parar no maior evento de arte do Brasil

Publicado em: 26/10/2025 05:01

Apresentação na Bienal de Arte de SP do Boxe Autônomo, academia que dá treinos populares na capital paulista Denis Hornos de Queiroz O coletivo Boxe Autônomo, que nasceu em ocupações e espaços públicos do Centro de São Paulo, como a Favela do Moinho, estreou na 36ª Bienal de São Paulo entre os dias 16 e 18 de outubro, com uma instalação-performance que mistura luta, dança e debates sobre esporte e política. Fundado em 2015 por três amigos e baseado na Casa do Povo, no Bom Retiro, o projeto transformou o gesto esportivo em linguagem artística para mostrar que o boxe pode ser ferramenta de transformação social. O grupo começou realizando treinos ao ar livre na Favela do Moinho, nos Campos Elíseos, uma das últimas comunidades remanescentes da região central da capital, marcada por conflitos por moradia, PCC e ações do governo estadual. As atividades combinavam exercícios físicos com rodas de conversa sobre racismo, machismo e cidadania. “Antes de começar os treinos, a gente fazia uma roda para conversar sobre política, racismo, machismo, antifascismo e o combate a todas as formas de discriminação. Era um espaço de aprendizado e escuta”, diz Breno Macedo, um dos fundadores do projeto. Foi nesse ambiente que Kelvy Alecrim, hoje tricampeão brasileiro e tetracampeão estadual, conheceu o boxe aos 14 anos. “Comecei a treinar no mesmo dia e me apaixonei”, conta. O atleta também conquistou títulos nos Jogos Abertos e no desafio Brasil-Argentina, e virou símbolo da filosofia do projeto: esporte como instrumento de transformação social. LEIA TAMBÉM: Academias populares de boxe resistem debaixo de viadutos em SP Projeto social leva boxe para comunidade na Zona Sul de SP e inspira meninas Em 2018, o grupo se instalou na Casa do Povo, no Bom Retiro — um espaço histórico ligado à resistência cultural e política desde os anos 1940. Lá, o Boxe Autônomo consolidou sua rotina de treinos populares, debates e, agora, apresentações artísticas. Boxe, performance e política O Boxe Autônomo já montou ringues no Sesc Pompeia e reforça que não busca reconhecimento artístico, mas visibilidade social. Divulgação/@eurodrigoespindola O convite para a Bienal veio da Casa do Povo, que integra o programa “Ensaio Geral”, realizado no subsolo do Teatro de Arte Israelita Brasileiro (TAIB), localizado na própria instituição histórica. Durante três dias, o coletivo promoveu treinos abertos, apresentações de sparring, mesas de debate e performances que exploram o corpo, a luta e a arte. A estreia contou até com a presença do ex-jogador de futebol Raí. 🥊Sparring é uma simulação de combate, ou treinamento, usado em esportes de luta para praticar técnicas, táticas e condicionamento físico em um ambiente controlado. Os objetivos principais são desenvolver habilidades, aprimorar movimentos e preparar o atleta para competições de forma segura e realista. Entre as performances, “Quadrilátero da Fragilidade” chamou atenção ao unir socos e palavras sobre medo e vulnerabilidade. Segundo Michael de Paula Soares, o Micha, doutor em antropologia pela USP e coordenador do coletivo, atuar no campo expandido das artes é uma forma de mostrar que o boxe pode ser muito mais do que agressão. “A nossa modalidade é constantemente desvalorizada porque os corpos que estão em ascensão nesse esporte são corpos negros, racializados, de diversas origens. Mas existe uma pedagogia, um método, uma tradição muito antiga no Brasil.” Para Micha, o boxe é também cuidado, linguagem e invenção. “Quando um corpo periférico entra em um espaço de arte, ele mostra que também produz pensamento. Nossa atuação no campo das artes é uma forma de mostrar isso e desafiar o olhar conservador sobre o boxe." Inspirado nas academias antifascistas italianas, o projeto surgiu em um contexto de forte politização das lutas de contato. Enquanto parte significativa das artes marciais se aproximava de discursos conservadores, o coletivo decidiu criar um ambiente inclusivo e seguro para pessoas LGBTQIA+, mulheres, migrantes e trabalhadores precarizados. “Queríamos um espaço em que cada pessoa se sentisse respeitada, independentemente de quem fosse ou de onde viesse. Se não gosta, se afasta; quem se identifica, fica”, afirma Raphael Piva, um dos fundadores. Apresentação na Bienal de Arte de SP do Boxe Autônomo, academia que dá treinos populares na capital paulista Denis Hornos de Queiroz Novos horizontes Em setembro deste ano, Anderson participou de intercâmbio cultural em Paris, na França, unindo boxe e arte, e na Bienal descobriu que o esporte também pode ser dança. Divulgação/@eurodrigoespindola Entre os participantes da Bienal está Anderson Diniz, de 20 anos, ex-aluno e hoje treinador do Boxe Autônomo. Paraibano, ele enfrentou desafios pessoais desde cedo e encontrou no projeto um caminho de transformação. “Vim da Paraíba com muitos problemas familiares e comecei a morar sozinho aos 15 anos. Com 17, entrei numa academia só para emagrecer. Depois conheci o Boxe Autônomo e contei minha história para o Breno. Ele me colocou num campeonato de estreantes — e fui campeão", conta. Quando chegou a São Paulo, Anderson conciliava treinos com jornadas de trabalho exaustivas e, depois, passou a dar aulas no projeto. Em setembro deste ano, o jovem participou de intercâmbio cultural em Paris, na França, unindo boxe e arte, e na Bienal descobriu que o esporte também pode ser dança. “Para ser sincero, eu nem sabia o que era Bienal. Quando me chamaram para dançar, pensei que tivessem escolhido a pessoa errada. Mas era uma dança com o boxe, e no fim deu tudo certo. Descobri que o boxe também pode ser arte.” Na Bienal, a apresentação "Aproximações!" uniu a dança popular brasileira e o boxe. No ringue, Micha e Anderson exploram os gestos que unem a capoeira, festa e luta. “É a ideia de que o corpo é memória. A gente traz para dentro da arte o que o Brasil sempre teve nas ruas: o movimento, o enfrentamento, a invenção”, explica Micha. O Boxe Autônomo já montou ringues no Sesc Pompeia e reforça que não busca reconhecimento artístico, mas visibilidade social. “A gente não separa arte, esporte e política. Tudo está junto no mesmo corpo”, resume. Apresentação na Bienal de Arte de SP do Boxe Autônomo, academia que dá treinos populares na capital paulista Denis Hornos de Queiroz Apresentação na Bienal de Arte de SP do Boxe Autônomo, academia que dá treinos populares na capital paulista Denis Hornos de Queiroz Segundo Michael de Paula Soares, doutor em antropologia pela USP e coordenador do coletivo, atuar no campo expandido das artes é uma forma de mostrar que o boxe pode ser muito mais do que agressão. Divulgação/@eurodrigoespindola Durante três dias, o coletivo promoveu treinos abertos, apresentações de sparring, mesas de debate e performances que exploram o corpo, a luta e a arte. Divulgação/@eurodrigoespindola

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COP 30: pesquisadores de BH saem de motorhome em expedição inédita de 3 mil km até Belém

Publicado em: 26/10/2025 05:01

Motorhome sairá de BH com destino a Belém, no Pará Divulgação Pesquisadores de Minas Gerais farão pela primeira vez uma viagem de mais de 3 mil quilômetros rumo à Convenção do Clima da Organização das Nações Unidas (COP-30), que será realizada em novembro em Belém, no Pará. Em um motorhome, o grupo sairá de Belo Horizonte no dia 1º de novembro. A empreitada ambiental vai coletar dados e informações sobre os principais biomas brasileiros. Veja mais abaixo o infográfico com a rota que será feita pelo grupo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O motorhome do Instituto Bem Ambienta (Ibam) fará paradas em diversos municípios antes de chegar a Belém, compartilhando atualizações em tempo real, conteúdo visual e histórias da comunidade. Os pesquisadores também farão workshops públicos sobre temas diversos relacionados ao meio ambiente. Para Sergio Myssior, arquiteto e coordenador institucional da expedição, entre o discurso de alerta sobre as mudanças climáticas e a participação popular como agentes das transformações urgentes e necessárias, ainda existe uma lacuna a ser preenchida. "Estamos na ponta lidando com as comunidades, cidades, com a realidade local e muitas vezes essa construção dessa política global parece muito desconectada do dia a dia. Isso nos motivou a fazer a conexão entre o global e o local", afirmou ao g1. Delegações ainda negociam hospedagem para a COP 30, em Belém LEITA TAMBÉM Às vésperas da COP30, apenas Brasil investiu em fundo para preservar florestas ONU aponta que 90% dos vazamentos de metano detectados por satélite continuam sem resposta; veja IMAGENS Expedição A expedição passará por 4 biomas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Amazônia. Durante cerca de dez dias, os pesquisadores conversarão com moradores, gestores e representantes do poder público. O objetivo é registrar locais que já sofrem com os impactos da mudança do clima e destacar iniciativas locais de adaptação das cidades e resiliência de territórios. "O termo mudança climática ainda é muito difuso, distante. Quando a gente traduz para uma linguagem acessível, falando sobre vetores de doenças como dengue, zika, ou deslizamentos, enchentes e efeitos da onda de calor, conseguimos aproximar o tema das pessoas", afirmou Sérgio. Belém: metrópole de rica herança cultural Belém é conhecida por ser uma metrópole de rica herança cultural e histórica, com influência das florestas pela diversidade amazônica. A cidade está listada entre as capitais brasileiras de maior vulnerabilidade diante da crise climática. O município tem lidado com o aumento da intensidade de enchentes, a elevação do nível do mar e a ocorrência de eventos climáticos extremos. "A gente tem falado muito dessa pauta, da fragilidade da infraestrutura. Tentando ver por outro ângulo, Belém tem suas fragilidades, e isso tem impacto também na possibilidade de as pessoas se deslocarem para o encontro. Por outro lado, é a oportunidade de mostrar para o mundo a realidade das cidades brasileiras de lidar com problemas do passado que se tornam mais agudos diante dos eventos climáticos", completou Sérgio. Como será a rota dos pesquisadores Pesquisadores de MG farão expedição de 3 mil g1 Vídeos mais vistos no g1 Minas:

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