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Com cachê de R$ 300, peça 'Dos silêncios que não deveriam existir' seleciona atores amadores em Divinópolis

Publicado em: 27/01/2026 14:24

Abertas inscrições para seleção de atores da peça "Dos silêncios que não deveriam existir" em Divinópolis Instituto Alma/ divulgação Divinópolis abre as portas para novos talentos com a seleção de atores amadores, maiores de 18 anos, para a peça "Dos Silêncios que Não Deveriam Existir". Com um cachê de 300 reais + vale alimentação, a peça contará com atores para o elenco principal e montagem que busca explorar como as tecnologias impactam as relações humanas e a vida social na atualidade. Os interessados podem se inscrever até o dia 28 de janeiro por meio de um formulário online. A seleção será dividida em duas fases: a primeira é a inscrição online, e, para os selecionados, haverá um aula presencial que avaliará as habilidades cênicas de forma prática. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp Os atores escolhidos farão parte do elenco principal e de apoio, participando ativamente de todo o processo de criação do espetáculo, que inclui oficinas de teatro, corpo e voz, além da elaboração coletiva do texto. A direção ficará a cargo de Aryanne Souza, uma profissional reconhecida na área, que une teatro e psicologia para promover processos criativos e coletivos. A peça contará com duas apresentações, com capacidade total para 592 espectadores, e oferecerá tradução simultânea em Libras, assegurando acessibilidade ao público surdo. O projeto visa democratizar o acesso à cultura e promover discussões sobre o uso responsável da tecnologia, incentivando a participação de diversos públicos, incluindo jovens e pessoas em situação de vulnerabilidade social. As inscrições são gratuitas. LEIA TAMBÉM: Veja detalhes do caso Henay Amorim, que completa 30 dias Entenda a importância de cruz de 200 kg serrada e furtada Quem é a prefeita que teve Rolex e joias de R$ 900 mil roubados VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

Palavras-chave: tecnologia

Cursos gratuitos de energia solar e mecânica de motos tem 500 vagas em Teresina; veja como se inscrever

Publicado em: 27/01/2026 11:48

Universidade Federal do Piauí (UFPI) em Teresina UFPI Cerca de 500 vagas gratuitas estão abertas para cursos de energia solar fotovoltaica e mecânica de motocicletas em Teresina. As inscrições seguem até 6 de fevereiro, por meio de formulário online. São 200 vagas para o curso de energia solar, com carga horária de 320 horas, e 300 vagas para o curso de mecânica de motos, com duração aproximada de 200 horas. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Podem participar pessoas de 16 a 65 anos, com ensino fundamental completo, residentes em Teresina ou cidades vizinhas e com cadastro ativo no CadÚnico. Os candidatos também precisam ter disponibilidade para atividades presenciais no turno noturno durante a semana e manhã e tarde aos sábados, conforme edital. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mulheres chefes de família, jovens em vulnerabilidade, pessoas com deficiência e moradores da zona rural ou periferias terão prioridade no processo seletivo. As aulas teóricas serão presenciais no Centro de Tecnologia, no bairro Ininga, Zona Leste, e também podem ocorrer na Escola da Câmara Municipal, no bairro Cabral, Zona Norte. As práticas serão realizadas aos sábados no Centro de Tecnologia. A iniciativa é uma parceria entre a Fundação Cultural e de Fomento à Pesquisa (Fadex), a Câmara Municipal de Teresina e a Universidade Federal do Piauí (UFPI), com foco em ampliar a autonomia econômica de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Como se inscrever As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até 6 de fevereiro no formulário disponível em uma plataforma digital ou no site oficial. Documentos necessários: CPF RG Comprovante de residência Comprovante de escolaridade Número de Identificação Social (NIS) A seleção será feita com base nas informações preenchidas no formulário. Confira o cronograma Inscrições: até 6 de fevereiro Resultado preliminar: 19 de fevereiro Período para recursos: 20 de fevereiro Resultado final: 24 de fevereiro Início das aulas: a partir de 2 de março A lista de aprovados será divulgada no site da Fadex. *Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

Palavras-chave: câmara municipaltecnologia

Ford oferece 80 vagas para curso de capacitação gratuito em Salvador; saiba como se inscrever

Publicado em: 27/01/2026 07:12

A Ford anunciou um programa gratuito de formação profissional com 160 novas vagas – 80 na Bahia e 80 em São Paulo Ford Brasil A Ford anunciou um programa gratuito de formação profissional com 160 novas vagas – 80 na Bahia e 80 em São Paulo. O curso, com duração de cerca de quatro meses, é voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade social, preparando-as para atuar como programadores de software. As inscrições para o "Ford " podem ser feitas pelo site até 1º de fevereiro. Para participar não é preciso ter conhecimento prévio na área. Basta ter 16 anos ou mais, ensino médio em curso ou completo, renda familiar de até quatro salários mínimos e morar em Salvador ou na região metropolitana de São Paulo. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Na Bahia, o curso oferece duas opções de locais para frequentar as aulas: SENAI CIMATEC Orlando Gomes; SENAI CIMATEC Digital e Criativo, no Pelourinho. O curso de Front-End conta com turmas matutinas (35 vagas) e vespertinas (45 vagas), somando 300 horas. As aulas também começam em março. Outra novidade introduzida este ano na Bahia é para alunos que já fizeram o curso de Front-End. Eles agora podem ampliar sua formação no curso de Back-End, em turmas matutinas e vespertinas que começam em fevereiro, com 300 horas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em São Paulo, as aulas do "Ford " terão início em março de 2026, no SENAI Conde José Vicente de Azevedo, no bairro do Ipiranga. Serão duas turmas noturnas (20 vagas cada), com um programa de cerca de 400 horas que inclui formação em Front-End, Back-End, Phyton e Power BI. Há também turmas de manhã ou à tarde (20 vagas cada), com formação em Power BI, Phyton, Bancos de Dados, Data Warehouse e Inteligência Artificial, somando cerca de 250 horas de treinamento. Trilha de capacitação completa Lançado em 2023 em São Paulo, o "Ford " teve 15 mil inscritos e mil alunos atendidos, alguns deles contratados antes mesmo de concluir o curso. Essa procura motivou a Ford a ampliar o programa, que passou a ser oferecido na Bahia e também na Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Tanto na Bahia como em São Paulo, o curso inclui também aulas de lógica, habilidades comportamentais, sessões de mentoria e palestras. Os alunos recebem um certificado emitido pelo SENAI, apoio na busca por oportunidades de trabalho por meio da Rede Cidadã, além de ajuda de custo para alimentação e transporte, suporte pedagógico e assistência social. Em 2026, a Ford renovou a parceria com a Soul Bilíngue, permitindo que os estudantes participem de um processo seletivo para concorrer a 100 vagas de um curso de inglês online da ONG. Ao final, os dois alunos que mais pontuarem em um processo de gamificação ganharão uma bolsa de intercâmbio no exterior.

Palavras-chave: inteligência artificial

Injeção contra HIV: entenda por que Campinas é uma das 7 cidades do Brasil onde Fiocruz aplicará testes do medicamento

Publicado em: 27/01/2026 07:03

Droga, chamada comercialmente de Sunlenca, é um tratamento injetável aplicado somente duas vezes por ano. AP via Business Wire Campinas é uma das setes cidades do Brasil onde a Fiocruz conduzirá testes para avaliar a viabilidade do medicamento injetável lenacapavir ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida visa ampliar os métodos de prevenção ao HIV e foi divulgada após Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar, no último dia 12, o uso da injeção como profilaxia ao vírus. Segundo a Fiocruz, a unidade escolhida para realização dos testes em Campinas é o Centro de Referência em Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), HIV/Aids e Hepatites Virais, que fica na Rua Regente Feijó, 637, no centro da cidade. Ela foi escolhida por seu histórico de participação em projetos de prevenção ao HIV conduzidos pela Fiocruz. A previsão é de que o início dos testes em Campinas comecem em março. 📍As demais cidades selecionadas para os testes são: São Paulo (SP), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ), Nova Iguaçu (RJ), Salvador (BA) e Manaus (AM) — entenda abaixo por que essas cidades foram escolhidas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp A medicação, que tem alto custo (variando entre R$ 130 mil e R$ 200 mil por pessoa por ano, conforme a cotação do dólar), foi doada pela fabricante Gilead Scientes para realização do teste por dois anos e chegou à sede da fundação, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (23). No total, serão atendidos 1500 participantes em todo o Brasil. ⚠️A Fiocruz destaca que não haverá recrutamento ativo para o estudo. A participação será restrita a pessoas que procurarem espontaneamente as unidades de saúde e estiverem dentro do público-alvo. O g1 conversou com a médica infectologista Brenda Hoagland, coordenadora clínica do projeto pela Fiocruz, que explicou em detalhes como será a implementação dos testes. Veja abaixo. O que é o lenacapavir? Qual o objetivo dos testes com a medicação injetável? Injeção contra HIV é vacina? Como serão conduzidas as aplicações? Quantas pessoas devem participar? Por que essas cidades foram escolhidas? O que diz o Ministério da Saúde? Saiba como a profilaxia pré-exposição (PrEP) protege contra o HIV O que é o lenacapavir? O lenacapavir é um antirretroviral inovador da farmacêutica Gilead Sciences, com ação prolongada para a prevenção do HIV. Ele é um medicamento injetável (ou seja, aplicado por injeção, mas não se trata de uma vacina) usado como profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao vírus e administrado apenas duas vezes por ano, o que representa uma mudança significativa em relação aos comprimidos de uso diário. 💊ENTENDA: Disponível no SUS desde 2018, esses remédios são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente no país. O principal diferencial do lenacapavir, contudo, está na duração da proteção. Enquanto a PrEP oral exige uso frequente e contínuo, o medicamento injetável mantém níveis de proteção elevados por vários meses após a aplicação, o que pode facilitar a adesão e reduzir falhas no uso. Estudos clínicos de grande porte mostraram sua eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, inclusive entre mulheres, grupo que historicamente enfrenta mais limitações com os métodos disponíveis (entenda mais abaixo). Por esses resultados, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como opção adicional de PrEP e o classificou como a melhor alternativa disponível enquanto ainda não existe uma vacina contra o vírus. Veja como funciona o lenacapavir. Arte/g1 - Thalita Ferraz Qual o objetivo dos testes com lenacapavir? Apesar de o lenacapavir já ter eficácia comprovada em estudos internacionais, o foco da Fiocruz agora é outro: entender se o medicamento pode ser implementado como política pública no SUS. Segundo a médica infectologista Brenda Hoagland, o Brasil já oferece a profilaxia pré-exposição (PrEP) oral gratuitamente desde 2018, mas o acesso ainda não avançou como o necessário para conter a epidemia do HIV, especialmente entre os mais jovens. “A gente não está testando eficácia, a gente já passou dessa fase. Agora a gente quer ver a viabilidade de oferecer uma profilaxia injetável. O objetivo desse estudo hoje é avaliar como a gente também poderia ofertar uma nova modalidade de PrEP, que é a PrEP injetável com lenacapavir”, explica a médica. A proposta é analisar, na prática, se a versão injetável — aplicada apenas duas vezes ao ano — pode beneficiar pessoas que têm dificuldade de aderir ao uso diário de comprimidos. 📈Os dados comprovam. Os casos de infecção por HIV entre adolescentes de 13 a 19 anos em Campinas cresceram 75% de 2024 para 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde do município. Além disso, a faixa de 20 a 29 anos concentra o maior número de novos casos na cidade. Leia também: Lenacapavir: qual o futuro do medicamento com quase 100% de eficácia na prevenção do HIV; veja em 10 tópicos Injeção contra HIV não é vacina Com a aprovação da Anvisa, o medicamento passou a ser popularmente chamado de “injeção contra o HIV”, o que gerou dúvidas sobre se ele funcionaria como uma vacina — o que não é o caso. “Não, isso não é uma vacina. A gente ainda não tem uma vacina eficaz contra o HIV. Vacina é algo que a gente aplica na pessoa e a pessoa vai desenvolver no corpo dela defesas contra uma determinada doença. O que a gente faz com a PrEP injetável, a lenocatavir, na verdade, ele é uma prevenção”, esclareceu Brenda. A médica explicou que o lenacapavir é uma profilaxia, ou seja, um medicamento que protege enquanto está ativo no organismo. A proteção só é mantida se a aplicação for feita regularmente, a cada seis meses, sem atrasos. Como serão conduzidas as aplicações? O lenacapavir é aplicado por injeção subcutânea, podendo ser administrado no abdômen, parte posterior do braço ou glúteos. Cada dose garante proteção por cerca de seis meses. De acordo com a Fiocruz, os estudos indicam que o medicamento é bem tolerado. Os efeitos colaterais mais comuns são locais, como dor, desconforto ou formação de uma pequena nodulação no ponto da aplicação. Por isso, os profissionais de saúde que aplicarão o medicamento passam por treinamento específico, e o produto vem acompanhado de uma agulha própria, definida pelo fabricante. Quem poderá participar do estudo? O estudo não fará recrutamento ativo. Ou seja, não haverá busca direta por participantes. Poderão participar pessoas que já procurarem espontaneamente as unidades de saúde envolvidas para testagem, PrEP ou outras formas de prevenção, e que façam parte do público-alvo da pesquisa. Público-alvo: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. (Para participar do estudo, os voluntários precisarão realizar testes e apresentar resultado negativo para o vírus HIV). A escolha dessa faixa etária se deve ao aumento de novos casos de HIV entre adolescentes e jovens no Brasil nos últimos anos. A coordenadora clínica do projeto reforçou que esse público exige atenção especial nas estratégias de prevenção. Por que essas cidades foram escolhidas? Em geral, as cidades foram incluídas no estudo por já ter histórico de participação em projetos de prevenção ao HIV conduzidos pela Fiocruz. É o caso de Campinas, cuja unidade escolhida é o Centro de Referência em IST, HIV/Aids e Hepatites Virais, no Centro da cidade, que já atua em iniciativas semelhantes desde 2018. Além disso, a cidade integra uma rede estratégica de centros urbanos selecionados justamente por atenderem populações com maior vulnerabilidade e demanda por prevenção combinada. Já São Paulo foi incluída por ter uma unidade móvel de prevenção ao HIV. "Essa unidade móvel da cidade de São Paulo já oferece PrEP oral. Seria viável oferecer uma PrEP injetável? Nessas unidades móveis a gente acessa mais populações que têm uma maior vulnerabilidade de chegar a uma unidade física? É o que a gente quer investigar", indaga a coordenadora clínica. Segundo a médica, a inclusão de Nova Iguaçu se deu pelo fato de a unidade atender muitos municípios vizinhos da Baixada Fluminense. Quantas pessoas devem participar? Ao todo, o estudo prevê a participação de 1.500 pessoas nas sete cidades. O medicamento será doado pela fabricante Gilead para uso exclusivo no projeto, que terá duração de dois anos. Cada participante poderá receber até quatro doses, considerando aplicações semestrais. Custo e efetividade Além da logística de aplicação e da adesão dos usuários, o estudo também vai analisar a custo-efetividade do lenacapavir. Apesar dos medicamentos, nesta fase de teste, serem doados pela fabricante, a médica infectologista ressalta a importância de entender se o investimento no medicamento pode, de fato, reduzir novos casos de HIV, especialmente por ser muito caro. Nos Estados Unidos, o lenacapavir é vendido por valores que variam entre US$ 25 mil e US$ 28 mil por pessoa ao ano para uso como PrEP, podendo chegar a US$ 40 mil a US$ 44 mil anuais em indicações terapêuticas. “A gente sempre inclui um estudo de custo-efetividade, que é um estudo que diz: se eu comprar o produto para aquelas populações que realmente podem se beneficiar, isso é custo efetivo? Se eu comprar, eu realmente vou reduzir os casos novos de HIV?”, explica Brenda Hoagland, coordenadora clínica do projeto pela Fiocruz. O que diz o Ministério da Saúde O Ministério da Saúde afirmou, em nota, que a pesquisa com a Fiocruz contribui para a produção de evidências e o aprimoramento das políticas de profilaxia pré-exposição (PrEP), incluindo subsídios técnicos para a PrEP injetável no SUS. A pasta ainda indicou que para que haja incorporação do lenacapavir ao SUS, é necessária a aprovação na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que analisa critérios como eficácia, segurança e análises de custo-efetividade, e que não há, até o momento, nenhum pedido de análise para incorporação do lenacapavir. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias da região na página do g1 Campinas

Palavras-chave: tecnologia

Caso Master: PF começa a ouvir nesta segunda depoimentos em inquérito sobre compra do banco pelo BRB

Publicado em: 26/01/2026 07:18

PF começa a ouvir depoimentos de investigados no caso Master A Polícia Federal começa a ouvir nesta segunda-feira (26) oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão tomados na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessões presenciais e por videoconferência. Nesta segunda, serão ouvidos quatro investigados: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. Já na terça-feira (27), prestam depoimento: Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. O cronograma dos depoimentos teve aval do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. No dia 16, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias. O caso Dono do Banco Master diz à PF que conversou com Ibaneis Rocha sobre venda ao BRB O procedimento faz parte da investigação que apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Essa frente de apuração chegou ao STF em dezembro do ano passado, quando Toffoli decidiu que o caso deveria tramitar na Suprema Corte. Até então, a investigação estava sob responsabilidade da Justiça Federal em Brasília. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado. Para os investigadores, o retorno oferecido era irreal, e o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A PF afirma haver indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema. Em março, o banco chegou a fechar um acordo para comprar o Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado no âmbito da Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Segunda fase da investigação Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero para aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com a PF, o grupo investigado teria se aproveitado de forma sistemática de “vulnerabilidades do mercado de capitais” para realizar fraudes, por meio do uso de fundos de investimento e de elos societários, familiares ou funcionais. Os investigadores apontam indícios de que o grupo — formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco — pode ter cometido ao menos cinco crimes: organização criminosa; gestão fraudulenta de instituição financeira; induzimento ou manutenção em erro de investidores; uso de informação privilegiada e manipulação de mercado; e lavagem de dinheiro. A apuração identificou operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de pessoas com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. Segundo a PF, o esquema também teria contado com laranjas e sócios ocultos.

Palavras-chave: tecnologia

Caso Master: PF ouve nesta semana depoimentos em inquérito sobre compra do banco pelo BRB

Publicado em: 25/01/2026 04:01

Polícia Federal mira aplicações de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência no Banco Master; presidente e ex-diretores são alvo de buscas A Polícia Federal vai ouvir, a partir da próxima segunda-feira (26), oito investigados no inquérito que apura supostas irregularidades na proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão tomados na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessões presenciais e por videoconferência. Na segunda-feira (26), serão ouvidos quatro investigados: Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de uma empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário; Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. Já na terça-feira (27), prestam depoimento: Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Banco Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master; Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master. O cronograma dos depoimentos teve aval do relator do caso, o ministro Dias Toffoli. No dia 16, o inquérito foi prorrogado por mais 60 dias. O caso Dono do Banco Master diz à PF que conversou com Ibaneis Rocha sobre venda ao BRB O procedimento faz parte da investigação que apura os detalhes da tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Essa frente de apuração chegou ao STF em dezembro do ano passado, quando Toffoli decidiu que o caso deveria tramitar na Suprema Corte. Até então, a investigação estava sob responsabilidade da Justiça Federal em Brasília. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica de mercado. Para os investigadores, o retorno oferecido era irreal, e o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A PF afirma haver indícios de que dirigentes do BRB tenham participado do esquema. Em março, o banco chegou a fechar um acordo para comprar o Master, mas o negócio foi barrado pelo Banco Central. O dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em novembro do ano passado no âmbito da Operação Compliance Zero, mas acabou solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Segunda fase da investigação Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero para aprofundar as apurações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. De acordo com a PF, o grupo investigado teria se aproveitado de forma sistemática de “vulnerabilidades do mercado de capitais” para realizar fraudes, por meio do uso de fundos de investimento e de elos societários, familiares ou funcionais. Os investigadores apontam indícios de que o grupo — formado por Daniel Vorcaro, parentes e pessoas ligadas ao banco — pode ter cometido ao menos cinco crimes: organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento ou manutenção em erro de investidores, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado, além de lavagem de dinheiro. A apuração identificou operações com ativos sem liquidez e artificialmente precificados, além de transações entre partes relacionadas sob controle de pessoas com vínculos societários ou familiares com o Banco Master. Segundo a PF, o esquema também teria contado com laranjas e sócios ocultos.

Palavras-chave: tecnologia

Lenacapavir: qual o futuro do medicamento com quase 100% de eficácia na prevenção do HIV; veja em 10 tópicos

Publicado em: 24/01/2026 03:00

Droga, chamada comercialmente de Sunlenca, é um medicamento injetável aplicado somente duas vezes por ano. AP via Business Wire A recente aprovação do lenacapavir pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) coloca o Brasil diante de um novo capítulo na prevenção do HIV. Considerado um dos avanços mais relevantes da última década, o medicamento injetável é aplicado apenas duas vezes por ano e apresentou eficácia próxima de 100% em estudos internacionais. Agora, autorizado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, o lenacapavir passa a poder ser usado no país como profilaxia pré-exposição (PrEP). A decisão da Anvisa, porém, não significa incorporação automática ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que abre um debate central sobre acesso, custo e política pública. O principal ponto em discussão é se — e como — o medicamento pode chegar à rede pública. Isso porque a incorporação dependeria da negociação de preços, análise de custo-efetividade e definição de critérios de uso. Mas qual é de fato o futuro do medicamento no Brasil? Ele deve chegar ao SUS? Para quem seria indicado? O país tem condições de arcar com um tratamento de alto custo ou de negociar alternativas que tornem o acesso viável? E, na prática, o lenacapavir substituiria as estratégias de prevenção já disponíveis ou funcionaria como uma opção adicional? Entenda a seguir, em 10 tópicos: O que é o lenacapavir? O lenacapavir pode ser incorporado ao SUS? O preço é hoje o principal entrave para o SUS? O Brasil tem histórico para negociar esse tipo de medicamento? Quem poderia ser priorizado no SUS, caso o medicamento seja adotado? O lenacapavir substituiria a PrEP oral no Brasil? Como o lenacapavir age no organismo? Qual é a eficácia comprovada do lenacapavir? O que dizem os organismos internacionais sobre o lenacapavir? O que é essencial saber sobre o HIV e a Aids? Anvisa aprova lenacapavir injetável para prevenção do HIV 1. O que é o lenacapavir? O lenacapavir é um antirretroviral inovador da farmacêutica Gilead Sciences, com ação prolongada para a prevenção do HIV. Ele é um medicamento injetável (ou seja, aplicado por injeção, mas não se trata de uma vacina) usado como profilaxia de pré-exposição (PrEP) ao vírus e administrado apenas duas vezes por ano, o que representa uma mudança significativa em relação aos comprimidos de uso diário. 💊ENTENDA: Disponível no SUS desde 2018, esses remédios são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Atualmente, cerca de 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente no país. O principal diferencial do lenacapavir, contudo, está na duração da proteção. Enquanto a PrEP oral exige uso frequente e contínuo, o medicamento injetável mantém níveis de proteção elevados por vários meses após a aplicação, o que pode facilitar a adesão e reduzir falhas no uso. Estudos clínicos de grande porte mostraram sua eficácia próxima de 100% na prevenção do HIV, inclusive entre mulheres, grupo que historicamente enfrenta mais limitações com os métodos disponíveis (entenda mais abaixo). Por esses resultados, a Organização Mundial da Saúde passou a recomendar o lenacapavir como opção adicional de PrEP e o classificou como a melhor alternativa disponível enquanto ainda não existe uma vacina contra o vírus. Veja como funciona o lenacapavir. Arte/g1 - Thalita Ferraz 2. O lenacapavir pode ser incorporado ao SUS? Sim, a incorporação é possível, mas ainda não está em curso e depende principalmente de decisões políticas e de negociação de preço. Isso porque a aprovação do medicamento pela Anvisa autoriza o uso no país, mas não garante sua oferta automática na rede pública. Para que isso aconteça, é necessário que haja um pedido oficial de incorporação e que o medicamento passe por análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por avaliar critérios como eficácia, segurança e custo-benefício. ⚠️ Segundo o Ministério da Saúde, até o momento NÃO há solicitação em andamento para a análise do lenacapavir. Especialistas, no entanto, avaliam que o lenacapavir pode ampliar as estratégias de prevenção ao HIV ao reduzir um dos principais desafios da PrEP oral: a dificuldade de manter o uso diário do medicamento. Por ser aplicado apenas duas vezes por ano, o injetável tende a beneficiar principalmente pessoas em situação de maior vulnerabilidade ou com menos acesso regular aos serviços de saúde. Segundo a infectologista Rosana Del Bianco, diretora de Internação no Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids do Estado de São Paulo, o lenacapavir deve ser visto como mais uma ferramenta dentro dessa prevenção combinada. “Ele é mais uma arma no sentido da prevenção, porque é uma injeção apenas duas vezes por ano. A praticidade é muito grande. A PrEP oral é altamente efetiva e gratuita, mas envolve o uso diário do comprimido, e isso acaba falhando para muita gente”, afirma. Rosana destaca que o medicamento não substitui as estratégias já existentes, mas amplia as opções para diferentes perfis de usuários. “A gente já tem o tenofovir com a emtricitabina, os preservativos, o cabotegravir injetável. O lenacapavir vem para somar, principalmente para aquelas pessoas mais vulneráveis, que não conseguem fazer o uso oral diário”, explica. 3. O preço é hoje o principal entrave para o SUS? Sim. Hoje, o custo do lenacapavir é apontado por especialistas como o principal obstáculo para que o medicamento chegue ao sistema público. Nos Estados Unidos, o lenacapavir é vendido por valores que variam entre US$ 25 mil e US$ 28 mil por pessoa ao ano para uso como PrEP, podendo chegar a US$ 40 mil a US$ 44 mil anuais em indicações terapêuticas. Em contraste, estudos publicados em revistas científicas internacionais estimam que versões genéricas do lenacapavir poderiam custar entre US$ 25 e US$ 47 por ano, valor considerado compatível com sistemas públicos universais. O Brasil, no entanto, ficou de fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela fabricante, que autorizaram a produção de genéricos em cerca de 120 países de renda baixa e média-baixa. Essa exclusão mantém o medicamento sob monopólio e limita, ao menos no curto prazo, alternativas para redução significativa de custos no país. Assim, como do ponto de vista científico a eficácia do lenacapavir já está bem estabelecida, o foco do debate atualmente não é mais se o medicamento funciona, mas se ele é viável do ponto de vista financeiro e operacional dentro de um sistema público universal como o SUS. No Brasil, esse debate avança em meio à preparação de um estudo de implementação coordenado pela Fiocruz, que ainda não foi iniciado. A proposta é acompanhar, na rotina dos serviços de saúde, como o lenacapavir pode ser incorporado à prevenção do HIV, reunindo dados sobre adesão, organização da oferta, fluxos de atendimento e perfil do público. O estudo terá caráter observacional — sem reavaliar a eficácia clínica do medicamento — e será realizado em sete cidades: Campinas, Florianópolis, Manaus, Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Outro ponto central do estudo é o modelo de adesão. A participação será voluntária e espontânea, sem recrutamento ativo. Na prática, pessoas pertencentes ao público elegível que procurarem os serviços de saúde para iniciar ou manter a PrEP poderão optar entre o esquema oral já disponível no SUS ou a PrEP injetável com lenacapavir, no contexto do estudo. A infectologista Beatriz Grinsztejn, responsável pela coordenação do projeto pela Fiocruz, tem ressaltado que a iniciativa busca gerar dados práticos para subsidiar discussões futuras sobre políticas públicas, especialmente no que diz respeito à operacionalização da estratégia no SUS. Grinsztejn, que assumiu a presidência da International AIDS Society (IAS), também reforça que a prevenção ao HIV no país já conta com ferramentas eficazes. “A PrEP oral segue disponível no SUS e é uma estratégia consolidada de prevenção”, afirma. Prep oral disponibilizada pelo Ministério da Saúde. Ministério da Saúde 4. O Brasil tem histórico para negociar esse tipo de medicamento? Sim. O Brasil acumula uma experiência longa na negociação de medicamentos contra o HIV/Aids, construída desde os anos 1990 a partir da decisão de garantir tratamento gratuito e universal pelo SUS. Para sustentar esse modelo, o governo precisou negociar preços com a indústria farmacêutica, buscar alternativas de fornecimento e investir, ao longo do tempo, em produção nacional e parcerias tecnológicas. Esse histórico ajuda a entender por que o lenacapavir já está no radar das negociações, mesmo antes de qualquer decisão sobre incorporação ao SUS. Este mês, por exemplo, a Gilead Sciences assinou um memorando de entendimento com o Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz (Farmanguinhos) para avaliar formas de cooperação, incluindo uma possível transferência de tecnologia. O acordo, porém, não garante produção local nem redução imediata de preço; trata-se de uma etapa preliminar de diálogo. “Do ponto de vista da infectologia, o lenacapavir representa o nosso maior avanço desde o início das terapias antirretrovirais, principalmente por ser uma tecnologia injetável de longa ação, a cada seis meses. Mas, no cenário atual, ele não muda nada, porque estamos fora do acordo de genéricos e um tratamento que custa cerca de US$ 40 mil por ano é inviável para a saúde pública", diz a médica infectologista Mafê Medeiros, especialista em saúde da população LGBTQIA+ Por causa desse alto custo, Medeiros avalia que o lenacapavir só faz sentido como política pública se vier acompanhado de uma análise cuidadosa de custo-efetividade. Na leitura da especialista, o medicamento tem potencial para integrar o SUS sobretudo por reduzir a necessidade de consultas frequentes, exames e deslocamentos aos serviços de saúde, especialmente quando comparado a outras opções injetáveis, como o cabotegravir, aplicado a cada dois meses. Essa diferença, segundo ela, pode representar economia operacional para o sistema, ao diminuir o número de visitas e o uso de insumos ao longo do ano. "Em saúde pública, não tem como ignorar que o dinheiro é limitado", diz. Em nota enviada ao g1, a Gilead Sciences do Brasil afirmou que mantém conversas institucionais sobre o tema, mas ressaltou que “estratégias de acesso, precificação ou eventual incorporação ao SUS dependem de etapas regulatórias e de avaliações conduzidas pelas instâncias competentes”. A empresa acrescentou que “mantém diálogo contínuo com autoridades de saúde no Brasil e, à medida que esses processos avancem, compartilhará atualizações de forma oportuna e transparente”. Saiba como a profilaxia pré-exposição (PrEP) protege contra o HIV 5. Quem poderia ser priorizado no SUS, caso o medicamento seja adotado? Caso o lenacapavir venha a ser incorporado ao SUS, especialistas avaliam que a adoção dificilmente ocorreria de forma ampla e imediata. Como acontece com outras tecnologias novas e de alto custo, a tendência seria uma implementação gradual, guiada por critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde e pelas instâncias responsáveis pela avaliação de tecnologias em saúde. Nesse cenário, a priorização poderia considerar situações em que o risco de infecção permanece elevado apesar da existência da PrEP oral e de outras estratégias de prevenção. Especialistas apontam que há grupos e contextos em que barreiras estruturais, sociais ou logísticas dificultam o acesso contínuo aos serviços de saúde, o que acaba limitando a efetividade das políticas atuais. O lenacapavir, por ter aplicação semestral, poderia ser avaliado como uma alternativa nesses casos, desde que demonstrasse benefícios claros em relação às opções já disponíveis. Hoje, a adesão à PrEP oral gira em torno de 60%, enquanto cerca de 40% das pessoas têm dificuldade em manter o uso regular dos comprimidos. A introdução de uma opção injetável poderia justamente atender esse grupo que não consegue aderir ao esquema diário. 6. O lenacapavir substituiria a PrEP oral no Brasil? 🚫NÃO. A avaliação predominante entre especialistas é que o lenacapavir não substituiria a PrEP oral, que já é uma das bases da política de prevenção ao HIV no Brasil. O que está em discussão, segundo infectologistas e gestores, é a ampliação do conjunto de ferramentas disponíveis, e não a troca de uma tecnologia por outra. O lenacapavir entraria como uma opção adicional dentro da chamada prevenção combinada, permitindo que diferentes métodos coexistam e sejam utilizados de acordo com as necessidades e possibilidades do sistema de saúde. Essa lógica busca evitar dependência de uma única estratégia e aumentar a flexibilidade da política pública. Além disso, a substituição pura e simples da PrEP oral levantaria questões práticas e financeiras. A PrEP em comprimidos tem custo menor, logística conhecida e já está integrada aos serviços. O lenacapavir, por outro lado, envolve preço elevado, aplicação injetável e necessidade de adaptação da rede. Atualmente, 40,8 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o mundo Adobe Stock 7. Como o lenacapavir age no organismo? O lenacapavir atua no HIV de um jeito diferente dos remédios mais conhecidos. Em vez de atacar uma única etapa da infecção, ele mira a “carcaça” do vírus, o capsídeo: uma estrutura de proteína que funciona como uma cápsula protetora do seu material genético. Assim, ao atingir o capsídeo, o medicamento acaba atrapalhando várias fases do ciclo do HIV ao mesmo tempo (veja o INFOGRÁFICO do começo desta reportagem). Logo após a entrada do HIV na célula humana, o capsídeo precisa manter um equilíbrio delicado: ser estável o suficiente para proteger o material genético, mas flexível para se desmontar no momento certo. O lenacapavir interfere nesse processo, dificultando que o vírus faça esse “desencaixe” no tempo adequado e consiga levar seu material genético até o núcleo da célula, etapa essencial para que a infecção se estabeleça. Por isso, o efeito do medicamento não se limita ao início da infecção. Em fases mais avançadas, quando o HIV tenta produzir novas partículas, o lenacapavir também interfere na montagem dos vírus recém-formados. O resultado são partículas mal estruturadas, com menor capacidade de infectar outras células e de dar continuidade à infecção. Como essa ligação ao capsídeo é duradoura, o bloqueio se mantém por longos períodos no organismo. É isso que permite esquemas de uso espaçados, como a aplicação a cada seis meses, tanto em estratégias de prevenção quanto de tratamento. 8. Qual é a eficácia comprovada do lenacapavir? Em dados apresentados na 25ª conferência internacional sobre a Aids, que aconteceu em Munique, na Alemanha, em 2024, e publicados no NEJM, a Gilead Sciences mostrou que o lenacapavir tem uma eficácia geral de 100% na prevenção da infecção pelo HIV-1 - responsável por quase todas as infecções de HIV no mundo. Segundo a publicação, que trouxe dados desse acompanhamento de mais de 2 mil mulheres cisgênero na Uganda e na África do Sul, o medicamento injetável aplicado somente duas vezes por ano se provou tão eficaz que o estudo clínico chegou a ser interrompido precocemente, já que os números superaram os critérios de interrupção pré-definidos. O estudo provou que NENHUMA das 2.134 mulheres que recebeu o lenacapavir contraiu o HIV. Em comparação, 16 das 1.068 mulheres (ou 1,5%) que tomaram entricitabina (FTC) e fumarato de tenofovir desoproxila (TDF), a combinação farmacológica da PrEP, foram infectadas. Já 39 das 2.136 mulheres (1,8%) que receberam emtricitabina (FTC) e tenofovir alafenamida (TAF), um comprimido diário chamado comercialmente de Descovy, foram infectadas. Resultados semelhantes apareceram também no PURPOSE 2, estudo que incluiu homens cis, homens trans, mulheres trans e pessoas não binárias em países como Brasil, Argentina, México, Peru, África do Sul, Tailândia e Estados Unidos. Nesse ensaio, o lenacapavir injetável aplicado duas vezes por ano reduziu em 96% o risco de adquirir HIV quando comparado à chamada incidência “de base”, isto é, a taxa esperada de infecção em pessoas com perfil semelhante que não utilizavam PrEP. Na prática, isso significa que o risco observado entre usuários do lenacapavir foi apenas 4% do risco esperado sem prevenção. O estudo também comparou diretamente o lenacapavir com a PrEP oral diária padrão (FTC/TDF). Houve 2 infecções entre cerca de 2.180 participantes que receberam o injetável, contra 9 infecções entre pouco mais de mil pessoas que usaram a PrEP oral. Célula infectada por partículas do vírus HIV, anexas à superfície National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) 9. O que dizem os organismos internacionais sobre o lenacapavir? Por causa desses números tão positivos, o Unaids, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, emitiu um comunicado afirmando que o medicamento oferece uma esperança de acelerar os esforços para acabar com a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 - meta que faz parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. No entanto, para que isso aconteça, a agência da ONU diz que a Gilead precisará assegurar que todas as pessoas que necessitam desse medicamento tenham seu acesso garantido. "Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030", afirmou Winnie Byanyima, Diretora Executiva do Unaids. Na mesma linha, a Organização Mundial da Saúde classificou o lenacapavir como um avanço relevante na prevenção do HIV e publicou diretrizes recomendando o uso do medicamento injetável de longa duração como nova opção de PrEP, aplicada duas vezes ao ano. Para a OMS, o lenacapavir deve integrar a chamada prevenção combinada, ao lado da PrEP oral e de outros métodos já existentes, ampliando o leque de escolhas para pessoas em maior risco de infecção. Entenda como funciona a pesquisa da vacina contra o HIV 10. O que é essencial saber sobre o HIV e a Aids? A Aids é uma doença causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV, na sigla em inglês). Esse vírus invade e enfraquece o sistema imunológico, que protege o corpo contra doenças. O HIV atinge principalmente os linfócitos T CD4+. Ele modifica o DNA dessas células e se replica. Após se multiplicar, o vírus destrói os linfócitos e continua a infecção em novas células. Pessoas que vivem com HIV/Aids (PVHA) com carga viral indetectável têm risco zero de transmitir o vírus por via sexual. Já pessoas que vivem com HIV/Aids que não estão em tratamento ou possuem carga viral detectável podem transmitir o vírus a outras pessoas. A transmissão pode ocorrer por meio de relações sexuais sem proteção, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, caso não sejam adotadas as medidas preventivas necessárias. A maneira mais eficaz de prevenir o HIV é a prevenção combinada, que utiliza várias abordagens simultâneas para atender diferentes necessidades e formas de transmissão. Já a PrEP é uma das principais formas de prevenção do HIV. Comprimidos são tomados (PrEP diária e sob demanda) antes da relação sexual, o que permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Se você teve uma situação de risco, como sexo desprotegido ou uso compartilhado de seringas, faça o teste de HIV. Se a exposição ocorreu há menos de 72 horas, procure informações sobre a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP). VÍDEO: Preconceito e discriminação com quem vive com HIV são obstáculos para uma vida saudável Preconceito e discriminação com quem vive com HIV são obstáculos para uma vida saudável

Palavras-chave: tecnologia

O que a ciência sabe sobre os riscos dos fones bluetooth; tema viraliza em vídeos nas redes sociais

Publicado em: 23/01/2026 04:01

O que ciência sabe sobre vídeos na internet que apontam riscos dos fones Bluetooth Vídeos que circulam nas redes sociais afirmam que o uso de fones de ouvido bluetooth estaria relacionado ao surgimento de nódulos na tireoide e a outros riscos à saúde. Muitas dessas publicações mencionam um estudo publicado em uma revista científica do grupo Nature, mas nem sempre deixam claro que a pesquisa identificou apenas uma associação estatística, e não uma relação de causa e efeito. Os autores do estudo são claros ao afirmar que, embora tenham encontrado uma associação estatística importante, os resultados não implicam inerentemente uma relação de causalidade. Isso significa que a pesquisa mostra que os dois fatores, uso de fones e nódulos, aparecem juntos com frequência, mas não prova que um seja a causa direta do outro, ponto que não é explicado na maioria dos vídeos. A pesquisa foi conduzida como uma exploração epidemiológica (ciência que estuda a distribuição, frequência e os fatores determinantes de doenças) que utilizou inteligência artificial avançada para investigar a relação entre o uso de fones bluetooth e o risco de nódulos na tireoide. O processo seguiu etapas de coleta de dados, processamento estatístico e modelagem preditiva (técnica de análise de dados). Nesses estudos, uma associação indica que dois fatores podem ocorrer juntos com maior frequência, sem que um necessariamente provoque o outro. Para estabelecer causalidade, são necessários estudos mais aprofundados, como pesquisas prospectivas, com acompanhamento ao longo do tempo, grupos de controle e replicação dos resultados em diferentes populações. O que dizem os especialistas Segundo a médica Pauliana Lamounier, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), do ponto de vista da otorrinolaringologia, o maior risco para a audição está relacionado ao volume do som e ao tempo de exposição. O tipo de fone também tem influência: se for intra-auricular(encaixados dentro do canal auditivo), tende a concentrar mais energia sonora dentro do conduto auditivo do que os fones do tipo concha (cobre toda a orelha). “Quando surgem muitas falas alarmistas, é importante aguardar novos estudos antes de mudar comportamentos. São necessários estudos independentes, com diferentes populações e contextos, além de pesquisas prospectivas, com acompanhamento ao longo do tempo, grupo controle e replicação dos resultados. Existem vários critérios para que a gente consiga, de fato, comprovar uma relação de causalidade. Qualquer alarme que se faça em relação a isso, no momento, é excessivo”, afirma Carolina Ferraz, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Muitas crianças e jovens usam fones de ouvido para ouvir música, assistir a vídeos e jogar. Freepik Para jovens e crianças existe um risco maior? Jovens podem apresentar uma vulnerabilidade específica devido aos seus hábitos de consumo tecnológico. Crianças e adolescentes, possivelmente, terão uma exposição acumulativa maior a esses aparelhos ao longo da vida. Geralmente, crianças e adolescentes não percebem os sintomas iniciais do dano auditivo, como zumbido ou dificuldade de compreensão da fala. “Os fones de ouvido, por si só, não são vilões. O problema é o uso inadequado, especialmente ouvir música em volume elevado por períodos prolongados, o que representa o principal risco à saúde auditiva”. ressalta Pauliana Lamounier. Radiação não ionizante e limites conhecidos Os fones bluetooth emitem radiação de radiofrequência (RF) não ionizante, a mesma categoria usada por dispositivos como celulares, Wi-Fi e outros equipamentos eletrônicos de uso cotidiano. Trata-se de uma radiação de baixa energia, incapaz de ionizar átomos ou causar danos diretos ao DNA. A tecnologia bluetooth opera na frequência de 2,4 GHz, faixa amplamente estudada e regulada por órgãos internacionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há evidências consistentes de efeitos adversos à saúde associados à exposição à radiofrequência dentro dos limites recomendados. Até o momento, não existem diretrizes médicas ou regulatórias que limitem o uso de fones bluetooth por risco de radiação. Existe alguma recomendação? De acordo com Carolina Ferraz, esse estudo pode ser considerado um primeiro alerta, mas ainda são necessários outros trabalhos para avaliar se existe, de fato, alguma relação causal. Ela explica que as sociedades médicas são claras quanto às indicações de ultrassonografia e que as diretrizes não recomendam rastreamento para qualquer pessoa. Segundo ela, especialmente por causa desse artigo, não há indicação de que se passe a rastrear toda a população. Existe uma regra prática que pode ajudar, conhecida como regra do 60/60. A orientação é utilizar o som em até 60% do volume máximo do aparelho por, no máximo, 60 minutos seguidos, fazendo pausas para descanso da audição após esse período, como forma de prevenir a perda auditiva induzida por ruído. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

Atrito entre Trump e UE reflete nova ordem mundial e acende alerta para o Brasil

Publicado em: 22/01/2026 15:54

EUA estão negociando 'acesso total' à Groenlândia, diz Trump O presidente americano, Donald Trump, cruzou o Oceano Atlântico nesta quarta-feira (21) para, da cidade suíça de Davos, questionar de forma contundente os países europeus e a aliança transatlântica entre Estados Unidos e Europa, estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. O chefe da Casa Branca reafirmou que deseja ver a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, incorporada aos Estados Unidos – apesar do rechaço do governo dinamarquês e de outros países da União Europeia (UE), parceiros de aliança militar na Otan. Em discurso no Fórum Econômico Mundial, o presidente americano disse que não pretende usar a força para anexar o território, chamou a Dinamarca de "ingrata", minimizou a questão como um "pequeno pedido" e argumentou que uma aquisição não representaria uma ameaça à Otan – que, segundo ele, custa muito para Washington e oferece pouco retorno. O discurso foi salpicado de outras críticas ao continente. O presidente americano disse que a Europa "não está indo na direção certa", que seu foco em energias renováveis é equivocado e que "a migração em massa feriu" os países europeus. Horas depois veio o recuo: após um "encontro muito produtivo" com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump disse que ambos definiram "o quadro geral de um futuro acordo em relação à Groenlândia" e que, diante disso, as novas tarifas comerciais aos aliados europeus estavam canceladas. Abalo à noção de Ocidente A fala de Trump não trouxe grandes novidades em relação ao que ele e seus assessores já vinham dizendo sobre a Europa. Em fevereiro de 2025, no início do segundo mandato do republicano, seu vice, JD Vance, já fizera duras críticas à Europa num discurso de teor semelhante na Conferência de Segurança de Munique. Mas a insistência em anexar a Groenlândia, território da aliada Dinamarca, é um forte abalo à própria noção de Ocidente, afirma à DW o professor de relações internacionais Vinicius Vieira, da FAAP, e representa "o potencial fim de uma categoria política que, para o bem ou para o mal, serviu de baliza para uma série de decisões internacionais até mesmo antes da Segunda Guerra Mundial". "A noção de Ocidente como um bloco único de superioridade em relação ao mundo fez com que houvesse uma espécie de unidade político-cultural" entre Estados Unidos, de um lado do Atlântico Norte, e os países europeus, do outro. Agora, a política externa de Trump trata a Europa, "na prática, como um quintal dos Estados Unidos, tal como ironicamente os Estados Unidos sempre fizeram com a América Latina", diz Vieira. Ele vê a possível emergência de uma "nova era", na qual a Europa deixaria de ser vista como uma parceira estratégica dos Estados Unidos e estaria numa posição de subordinação. "De qualquer forma, será um mundo novo, porque a Europa, que sempre foi um exemplo de direitos humanos, de direitos sociais, terá menos recursos para isso porque vai precisar se rearmar." Ao tratar a aquisição de um território autônomo pertencente a um país europeu como algo legítimo, ainda que sob a retórica da compra, Trump rompe abertamente com princípios centrais das relações transatlânticas, reforça a pesquisadora Neusa Bojikian, da Unicamp e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU). Segundo ela, isso é particularmente preocupante para a Europa, que por um bom tempo "se apoiou justamente na defesa de que regras, instituições e interdependência econômica funcionariam como amortecedores de conflitos e aplacariam os arroubos de determinados governantes voluntariosos e as clássicas investidas de política de poder duro". Bojikian ressalta que essa era uma realidade já conhecida de muitos países e regiões, mas não dos europeus continentais, do Reino Unido, do Canadá, que eram os principais aliados e pareciam estar seguros de sua inviolabilidade territorial. "Agora esses aliados históricos estão testemunhando, de forma dura, que as regras estão sendo aplicadas de maneira seletiva e que nenhum país está resguardado com base no direito internacional." Palco para a extrema direita Quando Trump critica o pesado investimento feito pela Europa em energias renováveis e diz que o continente foi "ferido" pela migração, Vieira pontua que ele está dando vazão a posições racistas da extrema direita mundial, inclusive da europeia, que acredita na teoria da conspiração da "grande substituição" da população branca cristã por estrangeiros, em especial muçulmanos. O especialista considera que o presidente americano possa estar interessado, na verdade, em desmantelar a União Europeia, ou qualquer unidade europeia, e estabelecer laços com políticos e governos mais alinhados aos seus interesses. Ao atacar a transição energética europeia, Trump também tenta desqualificar a agenda climática como pilar da governança global, acrescenta Bojikian. "Para um continente que tenta conciliar urgentemente crescimento econômico, sustentabilidade e segurança energética, esse tipo de ataque atua como fator desestabilização", diz. Riscos para o Brasil A disposição de Trump de fazer bullying com a Europa, um aliado tradicional dos Estados Unidos, para obter a Groenlândia envia um sinal ruim também para outros aliados, como o Brasil, ou qualquer outro país rico em recursos naturais ou com territórios de valor geopolítico estratégico, avalia Vieira. Essa percepção é reforçada pela nova estratégia de segurança dos EUA para o Hemisfério Ocidental – que inclui o aumento da presença militar dos EUA e a disposição de realizar operações com uso de força militar, como a que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no início do ano. Vieira diz que, em meios militares brasileiros, circulam temores relacionados às ilhas marítimas brasileiras – incluindo Fernando de Noronha – e à Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte, construída em parceria com os EUA e usada pelos Aliados durante a Segunda Guerra. "Algo que seria muito fácil num [futuro] governo de direita, mais próximo à visão de mundo do Trump", observa. Vieira lembra que, durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos tinham planos para ocupar partes do Nordeste e do Norte brasileiros para assegurar o fornecimento de borracha. A revalorização explícita das zonas de influência, como fizeram os Estados Unidos em relação à América Latina em sua nova estratégia de segurança, estimula temores como esses. Ao mesmo tempo reduz a margem de manobra de países como o Brasil para adotar estratégias de desenvolvimento que combinem crescimento econômico, inclusão social e transição ecológica, afirma Bojikian, do INCT-INEU. Efeito positivo para o Mercosul Por outro lado, Bojikian avalia que as ameaças de Trump contra a Europa funcionam como um choque externo para os governos europeus e os forçam a buscar alternativas para reduzir sua vulnerabilidade estratégica. "Por exemplo retomando o acordo com o Mercosul" como parte de uma estratégia defensiva de diversificação de parceiros, diz. De fato, em entrevista à DW, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, não se furtou de agradecer a Trump pelo acordo entre o Mercosul e a UE. "Um grande agradecimento ao presidente Trump, é claro, porque ele veio com essa nova agenda sobre tarifas, o que assustou muitos países europeus. Então, eles acharam que seria bom assinar um acordo com outras regiões", disse Peña à DW em Assunção, no dia da assinatura do acordo.

Palavras-chave: tecnologia

Cuidado! Fones da JBL, Xiaomi, Logitech e outras marcas podem ser hackeados para espionar você

Publicado em: 22/01/2026 02:37 Fonte: Tudocelular

E parece que nem ao usar fones de ouvido estamos protegidos de invasores. Uma nova vulnerabilidade em dispositivos Bluetooth está colocando em risco milhões de usuários no mundo todo. Pesquisadores da Universidade KU Leuven, na Bélgica, descobriram falhas graves no protocolo Fast Pair — Pareamento Rápido — do Google, tecnologia usada para emparelhar fones e alto-falantes com apenas um toque. Essa mesma conveniência, que se assemelha ao recurso presentes nos iOS, pode ser explorada por hackers para se conectar a acessórios sem permissão, chegando a níveis assustadores. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hackerhackerstecnologia

Como um brasileiro invadiu os sistemas da Nasa e foi reconhecido pela agência espacial dos EUA

Publicado em: 21/01/2026 02:00

Como um brasileiro invadiu os sistemas da Nasa e foi reconhecido pela agência americana "Frustrante e muito irritante". É assim que o brasileiro Carlos Eduardo Zambelli Aloi, de 38 anos, profissional de segurança da informação, descreve os seis meses que passou, ao longo de 2025, em busca de falhas de segurança em sistemas da Nasa, a agência espacial americana. Segundo ele, os problemas encontrados nem sempre eram aceitos quando reportados à Nasa e, em alguns casos, o retorno com feedback demorava semanas. Em novembro de 2025, a agência reconheceu duas das 26 falhas de segurança identificadas por Carlos Eduardo em sistemas próprios. 'Me sinto suja', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok Em uma das vulnerabilidades, ele afirma ter acessado um documento no Google Docs com um artigo científico que deveria estar restrito a funcionários da Nasa. Na outra, foi possível acessar informações sensíveis, como senhas (saiba mais abaixo). Carlos Eduardo Zambelli Aloi trabalha há mais de 20 anos com tecnologia da informação. Arquivo pessoal Como resposta, Carlos recebeu uma carta de agradecimento assinada pela diretora de segurança da informação da Nasa, Tamiko Fletcher. Segundo ele, o reconhecimento não envolve recompensa financeira (leia a carta na íntegra ao final da reportagem). "Para mim, é uma conquista pessoal, de testar até onde consigo ir e saber se estou no caminho certo. Isso reforça que meus estudos e o trabalho que venho fazendo na área estão dando resultado", disse ao g1. Procurada, a Nasa não quis comentar as descobertas do brasileiro por "questões de segurança". Em nota, um porta-voz afirmou que a agência mantém um programa para o relato responsável de falhas encontradas por pesquisadores externos, aberto a qualquer pessoa. Além dele, o g1 encontrou outros dois brasileiros que também foram reconhecidos pela agência norte-americana. Os nomes aparecem no site Bugcrowd, plataforma usada pela Nasa para receber relatórios de vulnerabilidades. O g1 não conseguiu contato com eles até a publicação desta reportagem. Tamiko Fletcher, diretora de segurança da informação da Nasa. Divulgação/Nasa Seis meses de tentativas até a carta Os esforços de Carlos Eduardo começaram no meio do ano passado. A partir de novembro, ele intensificou as buscas, dedicando de três a quatro horas por dia (geralmente entre 21h e 2h da manhã) após o expediente de trabalho e as aulas da pós-graduação de cibersegurança ofensiva. No primeiro teste, Carlos afirma ter acessado diretórios restritos e manipulado identificadores de login para baixar documentos internos. Segundo ele, chegou a obter permissão de edição em um artigo científico armazenado no Google Drive. "Era um estudo sobre condições de vento solar e eventos magnéticos, possivelmente ligado à astronomia e à física espacial", afirmou. "Eu entrei e inseri um link para um site falso. A partir daí, se quisesse, poderia roubar credenciais, como e-mails e senhas, de pessoas da Nasa". O arquivo, ao qual o g1 conseguiu visualizar parte, continha a mensagem "for more content click here:" ("para mais conteúdo, clique aqui:"), acompanhada do site falso criado por ele. No segundo teste, o brasileiro afirmou ter encontrado uma pasta restrita com dados internos da Nasa, como repositórios de sistemas, credenciais de acesso (senhas) e endereços de IP usados pela agência. O material foi localizado após uma série de tentativas para mapear falhas na estrutura digital da instituição. Segundo ele, foram usadas técnicas de reconhecimento e enumeração para identificar diretórios e pastas que não deveriam estar visíveis. Ao encontrar uma brecha, disse ter conseguido explorá-la como ponto de entrada para acessar outras áreas do sistema, até localizar a pasta restrita. "Você encontra uma brecha, entra nela e descobre outra, avançando aos poucos", explicou. "É como um rato procurando um caminho. Nesse processo, acabei chegando a informações muito sensíveis da infraestrutura interna deles". Segundo ele, a Nasa demorou a responder. O relatório sobre a vulnerabilidade ficou semanas em análise e o retorno só veio após a correção do problema. "Você passa muito tempo testando, monta o relatório, envia e ele não é aceito ou a falha é considerada sem impacto. É frustrante ficar horas trabalhando e não receber retorno", disse. O g1 teve acesso a parte das evidências encontradas, mas a divulgação do material depende de autorização da Nasa. A liberação foi solicitada pelo brasileiro, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem. Mensagem da Nasa que pede autorização para divulgação de materiais Reprodução/Nasa LEIA TAMBÉM: Segurança da informação tem salário de R$ 38 mil, mas não encontra profissionais Apple fecha parceria com Google para levar o Gemini aos iPhones 'Você Morreu?': app faz sucesso por monitorar pessoas que vivem sozinhas Brasileiro trabalha com TI há mais de 20 anos Carlos Eduardo vive em São Paulo e diz que trabalha com tecnologia da informação (TI) há mais de 20 anos. Ele atua na área de cibersegurança há cerca de uma década. Atualmente, é analista de sistemas sênior em uma das maiores redes de estacionamentos do Brasil. Segundo ele, a persistência em buscar falhas nos sistemas da Nasa também foi influenciada por um momento pessoal delicado: a morte do pai, em outubro de 2025. Carlos afirma que o desafio técnico serviu como forma de distração durante o luto. "Eu me apoiei nisso para distrair a cabeça, porque é uma coisa que eu gosto de fazer", disse. Ele já tinha experiência em testes de invasão por meio de programas oferecidos por empresas, que convidam profissionais da área a buscar vulnerabilidades em seus sistemas. Segundo ele, em alguns desses casos há recompensas financeiras. Receber um reconhecimento da Nasa, mesmo sem pagamento, era um objetivo pessoal. "Eu sempre quis ter essa carta. Acompanhava outras pessoas que recebiam esse reconhecimento depois de encontrar falhas. Eu queria muito isso", contou. A carta foi emitida em nome de "Kazam", apelido que ele usa em comunidades de hacking (grupo de hackers) e que reúne "Kadu", seu apelido, com o sobrenome Zambelli. O feito também garantiu ao brasileiro um lugar na "hall da fama" da Nasa no site da Bugcrowd, plataforma de cibersegurança colaborativa usada pela agência para receber relatórios de falhas (veja na imagem abaixo). O site Bugcrowd é uma das principais plataformas que reúnem empresas interessadas em incentivar pesquisadores a identificar falhas de segurança. Em muitos casos, o reconhecimento se limita a uma menção no "hall da fama", mas algumas companhias oferecem recompensas mais atrativas, como dinheiro ou produtos. Em nota, a Nasa confirmou que o Bugcrowd é o canal usado por pesquisadores para relatar vulnerabilidades em seus sistemas, com concessão de cartas de reconhecimento após a correção dos problemas, e que o "hall da fama" é gerenciado pela própria Bugcrowd. Brasileiro aparece no "hall da fama" da Nasa no site da Bugcrowd. Reprodução/Bugcrowd O reconhecimento veio por meio da Vulnerability Disclosure Policy (Política de Divulgação de Vulnerabilidades), programa que conta com a ajuda de pesquisadores para identificar problemas de segurança em sistemas da agência, incluindo sites oficiais como nasa.gov e nsc.nasa.gov. Em seu site, a Nasa informa que nem todos os relatórios resultam em uma carta de reconhecimento, chamada de "Letter of Recognition" (LOR). Segundo a agência, o documento é concedido apenas a relatórios validados, aceitos e confirmados como corrigidos (veja todas as regras aqui). Na carta enviada ao brasileiro, a Nasa afirma que o relatório dele "contribuiu para ampliar a conscientização sobre vulnerabilidades que, de outra forma, poderiam permanecer desconhecidas, ajudando a proteger a integridade e a disponibilidade das informações da agência". Carlos diz conhecer outros brasileiros já reconhecidos pela Nasa e afirma que, após o reconhecimento, passou a receber mensagens de pessoas interessadas em participar do programa. Carta da Nasa enviada ao Brasileiro Eduardo Zambelli Aloi Arquivo pessoal/Eduardo Zambelli Aloi Leia a tradução da carta "Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço Sede da NASA Mary W. Jackson Washington, DC 20546-0001 Prezado Kazam, Em nome da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço e da Política de Divulgação de Vulnerabilidades (VDP) da NASA, gostaríamos de reconhecer seus esforços como pesquisador independente de segurança, tanto na identificação da vulnerabilidade que você submeteu quanto no cumprimento da política e das diretrizes da VDP da NASA ao reportá-la de forma responsável. A capacidade de detectar e relatar vulnerabilidades de segurança é uma habilidade valiosa na indústria de segurança da informação. Seu relatório contribuiu para ampliar a conscientização da NASA sobre vulnerabilidades que, de outra forma, poderiam permanecer desconhecidas, e nos ajudou a proteger a integridade e a disponibilidade das informações da NASA. Por favor, aceite esta carta como um sinal de nossa apreciação por seus esforços na detecção dessa vulnerabilidade, contribuindo para que a NASA possa continuar avançando nas áreas de ciência, tecnologia, aeronáutica e exploração espacial, com o objetivo de ampliar o conhecimento, a educação, a inovação, a vitalidade econômica e a preservação da Terra. Estamos todos juntos nisso como uma comunidade de segurança, e sua participação e expertise são dignas de reconhecimento. Atenciosamente, Tamiko Fletcher Atuante como Diretora Sênior de Segurança da Informação da Agência (SAISO) Escritório do Diretor de Informação da NASA (OCIO) Política de Divulgação de Vulnerabilidades da NASA (VDP) 22 de dezembro de 2025" O que diz a Nasa "A NASA reconhece que vulnerabilidades externas podem ser descobertas por qualquer pessoa a qualquer momento e criou a Política de Divulgação de Vulnerabilidades para que pesquisadores de segurança relatem de boa-fé as vulnerabilidades que descobriram. Relatórios de vulnerabilidades pelo canal oficial são reconhecidos, e pesquisadores de segurança podem ser contatados durante a remediação. Por questões de segurança, não é apropriado que a NASA comente relatórios específicos. Por favor, entre em contato com a Agência de Segurança de Cibersegurança e Infraestrutura para obter informações adicionais sobre sistemas federais. - Porta-voz" Ferramenta gratuita da rede social X tem sido usada para criar imagens íntimas falsas Cerco ao 'gatonet' derruba milhares de sites e apps piratas no Brasil Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil

Palavras-chave: hackerhackerstecnologia

Mar avança de novo e forma paredão de areia em praia de Matinhos, ao lado da estrutura onde Governo do Paraná promove shows de verão

Publicado em: 20/01/2026 10:50

Forte ressaca causa estragos no litoral do Paraná e forma novo paredão de areia A forte ressaca que atingiu Matinhos, no litoral do Paraná, formou um novo degrau de cerca de 2 metros de altura na faixa de areia no fim da tarde de segunda-feira (19). Banheiros químicos instalados na orla também caíram. O paredão surgiu após uma ressaca — quando ventos fortes e marés mais altas provocam a erosão da orla — e se formou próximo à estrutura dos shows do Verão Maior, promovido pelo Governo do Estado. ✅ Clique aqui e siga o g1 PR no WhatsApp A primeira ocorrência do fenômeno foi registrada em 4 de janeiro. Na ocasião, equipes do governo estadual fizeram uma contenção emergencial no local. No dia seguinte, a areia começou a ser recolocada na tentativa de nivelar a orla da praia. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos no litoral chegaram a 50 km/h. Uma equipe da Defesa Civil estadual esteve no local para avaliar os estragos, e a Prefeitura de Matinhos confirmou a ação intensa da ressaca na cidade. Degrau praia Matinhos Reprodução/RPC Degrau areia Matinhos Reprodução/RPC Em nota, o Instituto Água e Terra (IAT) informou que mobilizou equipes para atuar na região afetada. Segundo o órgão, os trabalhos de recomposição da areia serão feitos em conjunto com a empresa responsável pela obra, durante a noite e ao longo dos próximos dias. "A proteção que foi feita no começo do ano ajudou a conter a perda de estrutura da praia e evitou alagamentos na área central de Matinhos", disse o instituto. A ressaca também provocou transtornos no transporte marítimo. Quem tentou retornar da Ilha do Mel, enfrentou dificuldades por causa das condições do mar. A Prefeitura de Pontal do Paraná informou que o transporte por barca foi suspenso por determinação da Marinha. LEIA TAMBÉM: Agressão: Mãe é presa por espancar filhas após elas se recusarem a acompanhá-la em festa Doutor Camargo: Vice-prefeito é preso após ser parado em blitz e polícia descobrir que moto usada por ele tinha alerta de furto Foz do Iguaçu: Família tenta embarcar com mais de 100 iPhones escondidos em nove malas em aeroporto Alertas anteriores sobre a engorda da praia Obras de engorda da faixa de areia em Matinhos foram concluídas em 2022. Alessandro Vieria/AEN Entre 2020 e 2021, um grupo de pesquisadores da UFPR publicou três notas técnicas apontando para "graves consequências ambientais, paisagísticas e financeiras do empreendimento, assim como para a qualidade de vida da população afetada, especialmente a longo prazo". O parecer final recomendou o "cancelamento dos procedimentos de execução da obra e novo rito de licenciamento e viabilidade ambiental". De acordo com os pesquisadores, a erosão que atinge a orla de Matinhos tem origem na ocupação irregular da região de areia e degradação da vegetação nativa. "Com a retirada da vegetação primária de restinga, somada à ocupação da faixa de areia por edificações antrópicas, perdeu-se demasiadamente o equilíbrio ecossistêmico na região. Esses impactos culminam com o aumento da vulnerabilidade das áreas costeiras a ressacas", destacava o documento. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Paraná

Palavras-chave: tecnologia

Brasil é denunciado à Comissão da OEA por violação de direitos humanos nas operações Escudo e Verão

Publicado em: 20/01/2026 05:02

Família protesta morte de jovem em audiência pública sore a operação escudo/verão Gustavo Honório/g1 A Defensoria Pública de São Paulo e o Conectas Direitos Humanos denunciaram o Brasil à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), por violações dos direitos humanos nas operações Escudo e Verão. As operações ocorreram entre julho de 2023 e maio de 2024, na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, e resultaram na morte de 84 pessoas em supostos "confrontos" com policiais militares. Segundo a denúncia de 252 páginas, obtida com exclusividade pelo g1, as ações — que ficaram conhecidas como "operações vingança" — foram marcadas por execuções sumárias, tortura, racismo institucional, impunidade, falha nas investigações e violência estrutural do Estado. Signatário e membro fundador da OEA, o Estado brasileiro cometeu as seguintes violações, de acordo com a denúncia: Direito à vida: execuções extrajudiciais e uso letal da força sem ameaça real; Proibição da tortura: maus-tratos, execuções, sobreviventes algemados em coma e humilhações; Falta de investigação e impunidade: inquéritos arquivados, perícias falhas e prevalência da palavra policial; Uso desproporcional da força: emprego de fuzis, tiros pelas costas e mortes dentro de casas; Violação de direitos de crianças e adolescentes: mortes de adolescentes e abordagens armadas em horário escolar; Destruição de famílias e trauma coletivo: medo permanente, depressão e ruptura da vida comunitária; Racismo e discriminação: letalidade concentrada em pessoas negras e periféricas; Intimidação e silenciamento: ameaças a testemunhas e medo de denunciar; Descumprimento de decisões internacionais: Brasil não implementou reformas exigidas pela Corte Interamericana. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 O que é a Comissão Interamericana de Direitos Humanos? Criada em 1959, a CIDH é um órgão da OEA que recebe e analisa denúncias de violações de direitos humanos cometidas por países das Américas. Ela pode investigar casos, solicitar informações aos governos e emitir recomendações. Se o Estado não cumpre os pedidos, o caso pode ser enviado à Corte Interamericana, que pode condenar o país. Em julho do ano passado, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) arquivou os inquéritos que investigavam as mortes nas operações Escudo e Verão — mesmo diante indícios de execuções, fraude processual e adulteração das cenas dos crimes. A defensora pública Surrailly Fernandes Youssef, do Núcleo de Direitos Humanos, explica que a denúncia é mais uma etapa na luta das famílias das vítimas e dos sobreviventes por justiça, memória e reparação frente às violações de direitos humanos identificadas no decorrer das operações. A denúncia quer chamar a atenção para a persistência de um padrão de alta letalidade policial no estado de São Paulo, que teve um aumento nos últimos três anos do governo Tarcísio, exemplificando a importância de que a gente interrompa esse ciclo de aumento da letalidade policial e de perpetuação de padrões de atuação no uso excessivo da força. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que "todas as ocorrências de mortes registradas durante as operações foram rigorosamente investigadas". A pasta ainda disse que "a Polícia Militar atua dentro da legalidade, com base na Constituição e nas leis, e não tolera desvios de conduta de seus agentes" (veja a nota completa mais abaixo) . Já o Ministério Público de São Paulo informou, em nota, que "as alegações mencionadas pela reportagem não guardam a mínima relação com os fatos" e que "atuou de forma eminentemente técnica" (leia na íntegra abaixo). LEIA TAMBÉM: Mortes cometidas por PMs em serviço aumentam em SP em 2025; alta é maior no 2º semestre, após mudança no modelo de câmeras Operação Escudo: MP arquiva investigação contra motoboy baleado desarmado por PMs EXCLUSIVO: Corpos de vítimas da PM na Baixada Santista são levados a hospitais para evitar perícia, dizem funcionários da saúde Policiamento em Guarujá (SP) foi reforçado durante 'Operação Escudo' (esq.) / Soldado Patrick Reis foi assassinado em julho de 2023 (dir.) Montagem/g1/Reprodução Solicitações à Comissão Interamericana Na denúncia apresentada à CIDH, a Defensoria Pública e o Conectas solicitam, inicialmente, a decretação de sigilo absoluto sobre a identidade e os dados pessoais das vítimas diretas e indiretas das Operações Escudo e Verão, além de seus familiares, em todas as fases do processo. As instituições também pedem que o Estado brasileiro seja responsabilizado internacionalmente por violações a direitos previstos na Convenção Americana de Direitos Humanos e em outros tratados. Entre os pontos citados estão a violação ao direito à vida, à integridade física e psicológica, às garantias judiciais e à proteção judicial, além de práticas discriminatórias baseadas em raça e condição social, falta de acesso à informação e violações aos direitos de crianças e adolescentes. Como medidas de reparação, são solicitadas ações para evitar a repetição das violações, como o fortalecimento do controle sobre as polícias, a criação de uma perícia independente, regras claras para operações em comunidades e apoio material às famílias das vítimas. O pedido inclui ainda reabertura das investigações, atendimento psicológico e de saúde, reparação financeira, um pedido público de desculpas, a criação de um memorial e políticas permanentes de assistência às vítimas e seus familiares. Relembre as operações Escudo e Verão A Operação Escudo foi desencadeada logo após a morte do soldado Patrick Bastos Reis das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) em 27 de julho de 2023 em Guarujá. A ação tinha como objetivo inicial identificar e prender os suspeitos de envolvimento no assassinato do policial. Mesmo após a prisão dos suspeitos, a Polícia Militar manteve sucessivas incursões em comunidades da região, com o uso de armamento pesado, que resultaram na morte de 28 pessoas e deixaram outras duas gravemente feridas. Segundo a denúncia, "a motivação da operação foi retaliatória, caracterizando vingança institucional". A pesquisa “Vingança, uso da força e a utilização de provas nos casos de violência letal e lesões graves: dois anos da Operação Escudo/2023”, realizada pelo Grupo de Estudos de Novos Ilegalismos (GENI) da UFF e usada para embasar a denúncia, aponta que as operações foram realizadas sem planejamento operacional, análise de risco ou supervisão independente. Já a Operação Verão foi deflagrada em fevereiro de 2024, com os mesmos padrões da Escudo, e intensificada após as mortes dos policiais militares Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira Santos, ocorridas em 26 de janeiro, 2 de fevereiro e 7 de fevereiro de 2024, respectivamente. Ao todo, 84 pessoas foram mortas durante as duas operações. Segundo a denúncia, “a alta letalidade e o fato de as ações terem sido deflagradas após a morte de agentes do Estado revelam que as Operações Escudo e Verão configuraram práticas de retaliação institucional, incompatíveis com o Estado Democrático de Direito”. De acordo com o documento, as duas operações tiveram em comum: intensificação após a morte de agentes do Estado; alto índice de letalidade policial; boletins de ocorrência padronizados; denúncias das comunidades locais de violações de direitos e uso excessivo da força. Perfil das vítimas e criminalização Homens negros, jovens e moradores de regiões periféricas da Baixada Santista. Este é o perfil das vítimas das operações Escudo e Verão que revela um padrão seletivo e sistemático de direcionamento da força letal do Estado, segundo a denúncia. O relatório aponta ainda um histórico de vulnerabilidade social entre as vítimas. Entre os 28 mortos analisados na Operação Escudo, havia dois adolescentes, de 15 e 17 anos, e oito pessoas em situação de extrema vulnerabilidade (com dependência química, em situação de rua ou com transtornos mentais). Jovem morto em confronto com a polícia durante Operação Verão era deficiente visual Reprodução Um dos exemplos citados é do jovem Hildebrando Neto, de 24 anos, executado em março de 2024, durante a Operação Verão. Na época, a polícia alegou que ele apontou uma arma na direção deles e que, por isso, os agentes atiraram três vezes em legítima defesa. Contudo, o jovem era cego de um olho e tinha apenas 20% de visão no outro — condição que inviabilizaria o manuseio ou a mira de uma arma de fogo, de acordo com a denúncia à CIDH. Outro caso é do motoboy Evandro Alves da Silva, um dos sobreviventes da Operação Escudo. Em agosto de 2023, três PMs atiraram contra o homem, enquanto ele estava nu e usava o banheiro num imóvel onde funcionava um ponto de apoio para mototaxistas em Santos. Mesmo ferido com tiros de calibre 12, Evandro conseguiu pular a janela do banheiro, após quebrar o vidro, e caiu de uma altura de 7 metros nos fundos da casa. O g1 e a GloboNews divulgaram com exclusividade as imagens das câmeras corporais dos PMs que registraram toda a ação (veja abaixo). Exclusivo: câmeras corporais mostram PMs atirando em motoboy durante operação Para Gabriel Sampaio, diretor de litigância e incidência da Conectas, tanto as operações quanto as investigações evidenciam uma seletividade das vítimas marcada pelos aspectos racial e social. "As operações atingiram fundamentalmente pessoas negras, pobres, periféricas. E as investigações invisibilizaram todo o contexto onde as mortes ocorreram. Algo que é bastante representativo disso tudo é o fato de que versões, declarações de vítimas e familiares não tiveram peso na avaliação e nas conclusões feitas por parte de investigadores e do próprio Ministério Público", afirma Sampaio. Na avaliação da defensora Surrailly Youssef, as investigações também revelaram um processo de criminalização das vítimas, ocorrendo desde a seleção dos alvos das operações até o encerramento das investigações. Esse processo se deu por meio dos seguintes mecanismos por parte do Ministério Público e das polícias de São Paulo: Estigmatização territorial: comunidades da Baixada Santista foram tratadas como “áreas hostis” ou “zonas de risco”. Morar ou circular nesses locais, especialmente de madrugada, era considerado indício de envolvimento com o crime; Antecedentes criminais: cerca de 77,7% das vítimas fatais tinham histórico criminal. Há relatos de consultas prévias a fichas criminais para localizar pessoas específicas e justificar as mortes; Tatuagens como indício de crime: o MP teria usado a presença de tatuagens para associar vítimas à criminalidade, sem respaldo em provas técnicas; Suspeita de fraude processual: foram relatados flagrantes forjados, com armas e drogas supostamente “plantadas” nas cenas dos crimes. Câmeras corporais teriam registrado policiais inserindo objetos após os disparos; Versão padrão de confronto: boletins de ocorrência repetiam justificativas de legítima defesa e reação armada antes da realização de perícias; Tratamento a sobreviventes: pessoas feridas foram interrogadas ainda em estado grave, sob escolta armada, e passaram a ser investigadas por crimes como resistência e porte ilegal de arma; Desconsideração de testemunhas: depoimentos de familiares e moradores que relataram execuções sumárias foram tratados como relatos isolados ou suspeitos; Remoção de corpos: em 91,6% dos casos da Operação Escudo, os corpos foram retirados do local sob alegação de socorro, apesar de já estarem sem vida, dificultando a perícia. Em 2024, o g1 também revelou com exclusividade que pessoas baleadas pela Polícia Militar na Operação Verão, intensificada em fevereiro após a morte de um policial, já estavam mortas quando foram levadas às unidades de saúde. Impacto nas famílias e na comunidade Além das famílias das vítimas, toda a comunidade foi atravessada pela morte e teve a vida marcada pelas consequências do uso excessivo da força policial. Os impactos são de longo prazo e múltiplos: psicológico, social e econômico. Segundo Gabriel Sampaio, a omissão do Estado nas investigações e na responsabilização dos agentes de segurança também tira das vítimas e dos familiares o direito à memória e ao acesso à justiça, à verdade e à ampla defesa. Moradores descreveram à Defensoria um ambiente de terror, com a circulação quase diária de batalhões de choque, Rota e Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) armados com fuzis, entradas repentinas em vielas e abordagens indiscriminadas, inclusive de crianças. Em algumas regiões, como a Vila dos Pescadores, moradores relataram que as operações ocorriam nos horários de entrada e saída das escolas, interrompendo a rotina, gerando medo de deslocamento e levando à suspensão de atividades básicas. Há relatos de crianças abordadas com fuzis apontados para a cabeça, pressionadas a indicar supostos traficantes. A defensora Gabriele Estabile Bezerra, do Núcleo da Infância e Juventude, também chama a atenção para o impacto das mortes e as consequências entre as crianças e adolescentes, que passa pela desestruturação da família e dificuldades financeiras. "Tem os adolescentes que foram vítimas diretas. Então é o impacto de perder um ente que tinha todo um projeto de vida, que poderia ter se desenvolvido para ser arrimo de família e sustento - fora o luto dessas mães que têm que lidar e se reestruturar para ocupar esse espaço. Também o ponto de vista das crianças que vão ter que fazer o seu desenvolvimento pessoal, seja no aspecto financeiro, emocional, educacional, sem o sustento dos pais", explica Gabriele. Moradores, familiares de mortos e associações dizem que operação policial, em Guarujá (SP), foi 'chacina' Diego Bertozzi/TV Tribuna Condenações anteriores O Brasil já foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por ações policiais consideradas violações de direitos humanos. Dois dos casos mais emblemáticos são os da Favela Nova Brasília, no Rio de Janeiro, e da Operação Castelinho, em São Paulo. Em 2017, a Corte responsabilizou o Estado brasileiro por duas chacinas ocorridas na Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, em 1994 e 1995. Nas operações, 26 pessoas foram mortas e três mulheres sofreram violência sexual praticada por agentes de segurança. Já em 2024, o Brasil foi condenado pela Operação Castelinho, realizada em 2002, quando 12 pessoas foram executadas extrajudicialmente pela Polícia Militar de São Paulo. Segundo a decisão, a ação foi planejada para resultar em mortes ilegítimas e não foi seguida de investigação adequada. Na época, a sentença determinou medidas para reforçar o controle da atividade policial, como o afastamento temporário de agentes envolvidos em mortes durante as apurações e o aprimoramento de registro como câmeras corporais. Apesar dessas determinações, o Brasil promovou poucos avanços na avaliação da defensora Cecilia Nascimenyo Ferreira, do Núcleo de Direitos Humanos. A defensora aponta que o MP presidiou investigações sobre as operações Escudo e Verão - diferentemente do que aconteceu no caso Castelinho e em outros casos. Contudo, as apurações, incluindo a perícia, não foram executadas de forma autônoma em relação à Polícia Civil. "No caso Castelinho, já tinha uma condenação do Brasil para que provesse o Ministério Público de recursos financeiros e pessoais para esse tipo de atuação [independente]. Então, a gente vê que é um caminho, mas, de fato, muitas coisas que já foram repetidas em outras condenações internacionais contra o Brasil continuam sendo um problema. A gente vive muitos retrocessos. O caso da Favela Novo Brasília e o que aconteceu agora na Penha mostra repetição. Esses casos de violência policial mostram que os avanços ainda são muito tímidos, se é que eles existem de fato", afirma Cecília. A defensora pública Surrailly Youssef destaca que o uso de câmeras corporais representou um avanço importante na redução da letalidade policial, mas afirma que o recurso não foi utilizado de forma adequada nas Operações Escudo e Verão. "A gente percebeu que foi um padrão de não uso dessa tecnologia ou o mau uso dessas câmeras corporais pelos policiais envolvidos nessas ocorrências, com câmeras descarregadas, câmeras deixadas na viatura durante a operação [...] A criação de alguns mecanismos institucionais foram fragilizados nos últimos anos", afirma. O que diz a Secretaria da Segurança Pública "As operações Escudo e Verão, realizadas na Baixada Santista com foco no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado entre 2023 e 2024, resultaram na prisão de mais de dois mil criminosos, sendo 826 foragidos da Justiça, além da prisão de importantes lideranças de facções criminosas. As ações também possibilitaram a retirada de 119 armas de fogo das ruas, incluindo fuzis de uso restrito, e a apreensão de mais de 3,6 toneladas de drogas. Todas as ocorrências de mortes registradas durante as operações foram rigorosamente investigadas pelas polícias Civil, por meio do Deic de Santos, e Militar, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. O conjunto probatório reunido nas apurações, incluindo imagens de câmeras corporais, foi devidamente compartilhado com os órgãos de controle. A Polícia Militar atua dentro da legalidade, com base na Constituição e nas leis, e não tolera desvios de conduta de seus agentes. A Secretaria da Segurança Pública investe continuamente na capacitação do efetivo, na atualização de protocolos, no uso de equipamentos de menor potencial ofensivo e no aprimoramento das estruturas investigativas, com foco na redução da letalidade policial. Até o momento, a pasta não foi formalmente notificada sobre a denúncia mencionada." O que diz o Ministério Público "O MPSP informa que as alegações mencionadas pela reportagem não guardam a mínima relação com os fatos. O Ministério Público atuou de forma eminentemente técnica. Após analisar as imagens das câmeras corporais, colher depoimentos de testemunhas, ouvir a versão dos agentes e confrontar todos esses dados com os laudos periciais produzidos no curso da investigação — via perícia produzida pela instituição -, o MPSP ofereceu 7 denúncias, além de ter promovido arquivamentos, devidamente homologados pelo Poder Judiciário. Insta consignar, ainda, que a Defensoria Pública se habilitou em vários procedimentos, promovendo diligências e requerimentos que foram todos analisados pelo Parquet, de forma assim a promover uma investigação participativa e mantendo a centralidade da vítima. Houve também, no campo da tutela coletiva, a instauração de dois inquéritos civis para apuração de falhas no campo de Direitos Humanos, com a expedição de recomendação técnica para aperfeiçoamento de instrumentos do sistema de investigação na Secretaria da Segurança Pública. Ademais, no âmbito de um procedimento de acompanhamento, o MPSP expediu uma Recomendação ao secretário de Estado da Segurança Pública e ao comandante-geral da PM para que determinassem e assegurassem que todos os policiais militares envolvidos nas operações portassem câmeras corporais, ainda que os equipamentos não estivessem vinculados às tropas em sua rotina ordinária, ou que utilizassem efetivo proveniente de batalhões que já estivessem contemplados no Programa Olho Vivo, de modo a adequar a ação policial a parâmetros já consignados em precedentes nacionais e internacionais, sem prejuízo, ainda, do acompanhamento da linha de decisão do STF na Suspensão de Segurança 1.296, em que a Procuradoria-Geral teve protagonismo técnico. Por fim, reitera-se que todos os caos denunciados são acompanhados atualmente pelos promotores naturais, reiterando o compromisso do Ministério Público paulista com os Direitos Humanos, com o Estado Democrático de Direito e com as vertentes mais avançadas do efetivo controle concentrado da segurança pública."

Palavras-chave: tecnologia

Por que sistema de defesa antiaérea que Venezuela comprou da Rússia e China não adiantou contra os EUA

Publicado em: 17/01/2026 05:00

Diretor da CIA vai até a Venezuela e se reúne com a nova presidente do país "Nossa pátria é inexpugnável [inconquistável], ninguém poderá tocar nem um centímetro da pátria, que é sagrada". Com essas palavras pronunciadas em 2013, o então presidente Nicolás Maduro assegurava que seu governo havia instalado na Venezuela "o sistema antiaéreo mais poderoso do mundo" para que "jamais algum avião estrangeiro pudesse entrar e pisar no sagrado céu da pátria". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp No entanto, no último dia 3 de janeiro, quase 13 anos após o anúncio de Maduro, não um, mas mais de 150 aviões e helicópteros dos Estados Unidos atravessaram o espaço aéreo venezuelano e chegaram até Caracas em uma inédita operação militar que terminou com a captura do governante e de sua esposa, Cilia Flores. Os vídeos e as gravações dos acontecimentos que circularam nas redes sociais mostram pouca resistência por parte das custosas defesas antiaéreas venezuelanas, o que reforçou a tese de que houve algum tipo de colaboração interna, versão rejeitada pelas autoridades. "Aqui ninguém se entregou, aqui houve combate e houve combate por esta pátria e houve combate pelos libertadores", declarou a agora presidente Delcy Rodríguez durante um ato em homenagem às vítimas militares realizado cinco dias após os acontecimentos. O que aconteceu então? O que falhou? A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, consultou especialistas militares para tentar responder a essas e outras perguntas. O melhor dos melhores, em tese Investimento milionário que Maduro e Chávez fizeram se mostrou insuficiente AFP "A ineficácia da defesa aérea venezuelana é um mistério, já que, ao menos em teoria, ela era formidável", diz Mark Cancian, coronel reformado da infantaria de marinha dos Estados Unidos e pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, em Washington (CSIS, na sigla em inglês). Mas, antes de se aprofundar nas possíveis razões da ineficiência do sistema de defesa aérea do país sul-americano, vale explicar o que ele inclui. Desde 2009, Caracas passou a adquirir sistemas como o S-300 e o Buk-M2, de fabricação russa, no âmbito dos numerosos acordos firmados — ainda nos tempos do falecido Hugo Chávez — com o Kremlin. O S-300 é composto por lançadores móveis de foguetes, cujos projéteis, com 1.480 quilos e 7 metros de comprimento, podem atingir aviões, helicópteros ou mísseis de cruzeiro a uma distância de até 150 quilômetros, segundo dados do CSIS. Ele é considerado o rival do sistema americano Patriot. Já o Buk-M2 é um sistema semelhante, de médio alcance, capaz de destruir alvos aéreos que estejam a até 40 quilômetros de distância. Por fim, há os mísseis Pechora e Igla-S, ambos de curto alcance. Os Igla-S são portáteis, podem ser disparados por um único soldado e, por serem guiados por infravermelho, são capazes de derrubar aviões, helicópteros e drones em baixa altitude. "Qualquer força militar do mundo conhece o poder do Igla-S, e a Venezuela tem, nada mais, nada menos, que 5 mil", disse Maduro há algumas semanas. A tudo isso somam-se os radares de fabricação chinesa e os drones iranianos. "Para alguns adversários esse sistema é letal, mas para um oponente altamente sofisticado como os Estados Unidos não passa de sucata", afirmou à BBC Mundo Thomas Withington, especialista em guerra eletrônica e radares do Royal United Services Institute, em Londres (Rusi, na sigla em inglês). Essa avaliação foi compartilhada por Cancian. "Os sistemas russos parecem funcionar razoavelmente bem na Ucrânia, mas falharam contra adversários de primeiro nível, como Israel e agora os Estados Unidos", disse. O sistema de defesa aérea do Irã, assim como o da Venezuela, baseia-se em equipamentos russos e não conseguiu conter os bombardeios realizados primeiro pela aviação israelense e depois pela americana contra suas instalações nucleares, em meados de 2025. As hipóteses Forte Tiuna, a principal base militar de Caracas, foi atacada pelos Estados Unidos sem que as defesas aéreas venezuelanas reagissem AFP Até agora, as autoridades militares venezuelanas não explicaram por que suas defesas aéreas não reagiram. No entanto, os especialistas consultados consideram que houve uma combinação de fatores. "Nos últimos seis meses, os Estados Unidos começaram a formar uma frota no Caribe, e essa frota lhes deu a oportunidade de mapear as defesas aéreas da Venezuela e estudar seus pontos fortes e fracos", afirmou Withington, do Rusi. E, observando como os acontecimentos se desenrolaram, as forças americanas teriam identificado os pontos vulneráveis. "É provável que tenham ocorrido ataques cibernéticos aos computadores do sistema, ao mesmo tempo em que foram lançadas interferências que inutilizaram os radares e as comunicações", afirmou o especialista britânico. Essa avaliação foi confirmada por um major reformado do Exército venezuelano. "A tecnologia de guerra eletrônica dos Estados Unidos é muito avançada. Eles dispõem de equipamentos que anulam os radares e fazem com que seus aviões se tornem invisíveis", explicou o militar à BBC Mundo. "Ao neutralizar os radares, o restante foi muito fácil, porque eles tinham o fator surpresa", acrescentou o ex-comandante de uma unidade de tanques. Apenas alguns soldados venezuelanos foram capazes de tentar usar os Igla-S, mísseis capazes de derrubar aviões e helicópteres a uma curta distância AFP Já Cancian, do CSIS, afirmou que, além da superioridade tecnológica dos Estados Unidos, as forças venezuelanas cometeram erros graves durante a preparação para um eventual confronto com Washington. "Muitos sistemas estavam posicionados a céu aberto, sem camuflagem, o que facilitou sua destruição", afirmou. "Em retrospectiva, parece óbvio que essas unidades deveriam ter estado bem camufladas e deveriam ter utilizado iscas", acrescentou o coronel reformado da Infantaria de Marinha. Imagens divulgadas após os ataques mostraram uma bateria do Buk-M2 destruída ao lado da pista de pouso da base aérea de La Carlota, visível a partir da rodovia adjacente. "O treinamento e a preparação dos militares venezuelanos provavelmente foram poucos, como demonstra o mau posicionamento dos sistemas", acrescentou. Apesar de, nos últimos meses, as autoridades venezuelanas terem anunciado numerosos exercícios militares, o que ocorreu em 3 de janeiro mostra que eles não foram suficientes. "Não houve tempo para contra-atacar. Eles foram muito rápidos", declarou, ao jornal caraquenho Tal Cual, um militar que sobreviveu aos bombardeios. Algo semelhante disse à emissora Telesur o terceiro sargento Ricardo Salazar, que ficou ferido durante o bombardeio a La Carlota, a base aérea localizada no leste de Caracas. "Peguei meus dois Igla e coloquei o mecanismo de lançamento, mas quando os coloquei no ombro, caiu uma bomba ao meu lado e saí voando (…) e fiquei inconsciente", relatou. Mais que um Exército, uma polícia Algumas das baterias antiaéreas venezuelanas estavam posicionadas a céu aberto, o que facilitou às forças dos Estados Unidos localizá-las e destruí-las AFP Cancian também atribui os desdobramentos dos acontecimentos de 3 de janeiro às mudanças doutrinárias sofridas pelas Forças Armadas venezuelanas sob o chavismo. "Durante anos, o Exército concentrou-se mais na segurança interna do que nas ameaças externas", afirmou. Essa tese foi respaldada pelo general venezuelano Hebert García Plaza. "[Nos Estados Unidos] perceberam que a Força Armada Nacional Bolivariana estava preparada apenas para um esquema de guerra de resistência, e não para uma guerra convencional", declarou ao portal Infobae o ex-ministro dos Transportes e da Alimentação do governo Maduro. O oficial responsabilizou pelo ocorrido o atual ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e o general Domingo Hernández Lárez . "Padrino e Hernández Lárez foram os responsáveis por levar adiante essa doutrina da suposta guerra de resistência, que na realidade era uma guerra para conter a oposição política na Venezuela e garantir a governabilidade da revolução bolivariana", acrescentou. Por sua vez, veículos de imprensa internacionais como The New York Times também afirmaram que parte dos equipamentos de defesa aérea não estava ativa no momento da operação ordenada por Trump. O motivo? As dificuldades econômicas enfrentadas pelo país nos últimos anos e também a má gestão administrativa. "A corrupção nunca ajuda, sobretudo quando se trata de defesa e segurança nacional", observou Withington. Há algumas semanas, Andrei Serbin Pont, analista internacional especializado em política externa e defesa e presidente da Coordenadora Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais (CRIES), já havia colocado em dúvida a eficácia do sistema venezuelano. "Há uma grande discrepância entre o que a Venezuela tem na teoria e o material que de fato está operacional", disse Pont à BBC News Mundo. Golpeado, mas não derrotado Os aviões F-22 conseguiram entrar no espaço aéreo venezuelano depois que os radares do país foram neutralizados por recursos de guerra eletrônica Força Aérea Americana via Getty Images e BBC Embora os ataques e bombardeios dos Estados Unidos tenham atingido seriamente as defesas aéreas venezuelanas, o sistema não foi liquidado. "Os Estados Unidos quiseram destruir todo o sistema. Criaram um corredor para que os helicópteros pudessem entrar e retirar Maduro", afirmou Withington. A Venezuela ainda dispõe de vários lançadores de foguetes. Além disso, seu arsenal de drones parece permanecer intacto, assim como sua frota de caças Sukhoi Su-30MK2. Ainda assim, o especialista afirmou que o ocorrido obriga a liderança militar venezuelana a passar por uma revisão. "Não sabemos o que está acontecendo internamente, se cabeças rolaram, mas, para voltar a ter capacidade de combate, será necessária uma revisão", disse. Até o momento, apenas a destituição do general Javier Marcano Tábata veio a público. Ele era chefe da Casa Militar e do Regimento da Guarda de Honra Presidencial. Também circulam rumores sobre a demissão do major-general José Luis Tremont Jiménez, chefe do Comando de Defesa Aeroespacial Integrada (Codai). Não se sabe se haverá mudanças na estrutura militar após uma operação que expôs vulnerabilidades que, até pouco tempo atrás, pareciam impensáveis. VÍDEOS: mais assistidos do g1

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Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, recebe o primeiro 'sistema antiapagão' do país

Publicado em: 17/01/2026 04:00

Serra da Saudade inaugura sistema antiapagão com energia solar e baterias Dono de uma mercearia em Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Aloísio Aparecido Alves recebeu a notícia de que os prejuízos causados pela perda de mercadorias devido a falhas no fornecimento de energia podem estar chegando ao fim. “Já perdi muito picolé, sorvete e muitos pães. E não foi uma vez, não. Foram muitas vezes. Teve um dia que ficou quase 24 horas sem energia aqui. Se a energia firmar, melhora né?!” ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A esperança do comerciante é a instalação da microrrede da Cemig, em funcionamento no município desde quinta-feira (15). A cidade é a primeira do Brasil a receber o sistema antiapagão, que promete reduzir quase a zero as ocorrências de falta de energia para os 856 serrano-saudalenses, como são chamados os moradores da cidade. À base de energia captada por placas solares e armazenada em baterias, a microrrede de Serra da Saudade será utilizada como alternativa quando a energia convencional apresentar algum problema na distribuição. “A Cemig estudou esse projeto junto com a Universidade Federal de Minas Gerais. Não é um projeto-piloto, é um projeto definitivo que vai servir a população de Serra da Saudade com energia limpa e sustentável”, explicou o gerente de engenharia da companhia. A experiência em Serra da Saudade operou por 15 dias de forma experimental e, a partir de agora, servirá de referência para a expansão da tecnologia em Minas Gerais. A Cemig já mapeou pelo menos dez localidades que poderão receber sistemas capazes de operar de forma independente da rede principal. A prioridade são regiões que enfrentam maior vulnerabilidade no fornecimento e onde a construção de infraestrutura convencional se mostra inviável ou onerosa. Aloízio relata perdas de mercadoria devido a problemas no fornecimento de energias TV Integração/reprodução Como funciona a microrrede instalada em Serra da Saudade De acordo com a Cemig, foram instaladas 800 placas fotovoltaicas que transformam a luz do sol em eletricidade. O diferencial do sistema é que essa energia alimenta um banco de baterias que, segundo Henrique Parreiras Couto, engenheiro de gestão de ativos da Cemig, são utilizadas quando há falhas no fornecimento convencional, podendo manter o abastecimento de energia da cidade por até 48 horas. “No dia a dia, a rede que atende a Serra da Saudade continua sendo a rede convencional, com os cabos de distribuição, as redes e postes. Se houver qualquer problema na rede da Cemig, a gente consegue desconectar a Serra da Saudade da rede tradicional e utilizar as baterias para manter a cidade atendida enquanto a gente faz os reparos ou a manutenção necessária”, detalhou. As baterias são recarregadas pelas placas solares em cerca de 24 horas. O uso desse sistema é fundamental também para garantir um fornecimento mais consistente à população. “Apenas a usina solar não seria capaz de atender a cidade porque a geração solar é muito intermitente. A gente precisa das baterias para firmar essa rede e mantê-la estável”, completou Henrique. De acordo com a Cemig, o investimento para a instalação do sistema foi de R$ 7 milhões. Países como Estados Unidos e China já utilizam tecnologias semelhantes. No Brasil, existem outras soluções que usam baterias, mas que ainda operam integradas à rede convencional. 800 placas solares abastecem baterias para serem usadas em caso de necessidade Dirceu Aurélio/Imprensa MG LEIA TAMBÉM: Cidade menos populosa do país foi vítima de fake news envolvendo guerra na Ucrânia; entenda Na cidade menos populosa do país, jovens migram em busca de emprego Medidores inteligentes e redução de custos públicos Os moradores de Serra da Saudade também receberam novos aparelhos de medição de energia, conhecidos como “medidores inteligentes”. Eles permitem que o morador acompanhe, em tempo real, o consumo e a qualidade da energia fornecida por meio de um aplicativo no celular. Segundo Darlan Júnior Gonçalves, coordenador de engenharia de medição da Cemig, a tecnologia pretende agilizar a resolução de problemas enfrentados pela população. “Ele tem um alarme de falta de energia. Cada medidor que perceber que a rede está desenergizada envia, automaticamente, um aviso de que ali está faltando energia.” A Cemig também anunciou a instalação de placas solares na prefeitura, em um centro municipal de educação infantil e no único posto de saúde da cidade. A iniciativa gerou uma economia de 70% na conta de energia dessas três unidades. Para além do impacto financeiro da energia limpa, Guilherme Neves de Azevedo, médico do posto de saúde, afirma que o fornecimento ininterrupto de energia, garantido pela microrrede, trouxe reflexos ainda mais significativos. “Já teve vezes da gente perder várias vacinas e não atingir algumas metas de cobertura vacinal. Hoje mudou, a gente tem experienciado uma segurança maior. E acho que nunca mais depois que aconteceu a instalação”, contou. A microrrede usa baterias carregadas como alternativa para fornecimento de energia Dirceu Aurélio/Imprensa MG VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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