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Dentista se comove ao participar de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos na África: 'Transformador'

Publicado em: 10/10/2025 04:01

Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos Bonito e transformador. É assim que a dentista Rachel Di Batista, de 44 anos, descreve o período em que realizou o trabalho humanitário no Campo de Refugiados de Dzaleka, no Malawi, país do sudeste da África. Ela foi a única goiana em um grupo de profissionais da saúde que realizou mais de 2 mil atendimentos médicos de diversas especialidades e mais de 70 cirurgias em setembro de 2025. Rachel relatou ao g1 que o grupo é composto por voluntários do Brasil inteiro e que não conhecia nenhum dos profissionais que estiveram com ela no campo de refugiados. A ação é parte de um projeto da ONG Fraternidade Sem Fronteiras. “Eu fui para doar e para servir. Achei que foi uma experiência muito transformadora ver a diferença que você faz na vida da pessoa. Acho que outras pessoas também iam gostar de fazer”, contou. As viagens de Goiânia até chegar ao campo de refugiados no Malawi duraram mais de 15 horas, contabilizou Rachel . Ela saiu da capital goiana, passou por Joanesburgo, na África do Sul, e depois viajou para Lilongwe, capital do Malawi, onde pegou um transfer até o campo de refugiados. Quando decidiu ir para o Malawi, Rachel já conhecia o trabalho e era madrinha dos projetos da ONG. Além disso, ela contou que já fazia trabalho voluntário, como realizar palestras de prevenção em regiões periféricas. Entretanto, Rachel sempre teve o sonho de realizar um trabalho voluntário em lugares com maior vulnerabilidade social e econômica. “O que me motivou foi poder fazer a diferença na vida das pessoas, poder servir, ser útil”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Casal cria ONG para treinar voluntários, dar aulas para crianças carentes e doar roupas e livros pelo 'preço' de um abraço Cura e devoção: conheça histórias de voluntários da romaria que recebe milhões de pessoas por ano, em Goiás Voluntários se unem para terminar de construir creche em área de ocupação em Aparecida de Goiânia Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos e 70 cirurgias na África Arquivo pessoal de Rachel Di Batista Voluntários custeiam atendimentos e cirurgias Além dos custos da própria viagem, Rachel relatou que os voluntários também custeiam todo o material necessário para realizar os atendimentos e as cirurgias. “Nós somos todos voluntários. Cada um pagando seu custo, pagando a estadia, pagando as passagens, pagando tudo, no sentido de oferecer ajuda em um campo de refugiados”, explicou. Os profissionais tiveram que enfrentar diversas dificuldades para atender os refugiados no país africano, segundo a dentista. “O campo de refugiados não tem água, não tem esgoto, não tem energia. Mas o que choca são as pessoas vivendo nesse cenário trágico, a alegria delas, uma fé inabalável, a resiliência, a empatia, a coragem e a força”, declarou. Dificuldades A dentista relatou que exercer a profissão em um campo de refugiados oferece muitas limitações e dificuldades pela falta de estrutura típica de consultórios odontológicos. Para atender aos pacientes, a equipe montou um consultório adaptado. "A gente trabalha em quatro cadeiras, uma pessoa coladinha com a outra. O paciente cospe em um balde, porque não tem tubulação", descreveu. Os atendimentos eram, na maior parte, para solucionar dores de dente e doenças periodontais como gengivite e tártaro. Refugiados Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos e 70 cirurgias na África Arquivo pessoal de Rachel Di Batista A dentista contou que um dos atendimentos que mais a marcou no campo de refugiados foi uma extração de dente em uma paciente. Ela conta que, como profissional de saúde, às vezes fica chateada por tirar o dente da frente de um paciente para colocar implante. Quando acontece, o paciente costuma pedir para colocar uma máscara. Entretanto, a paciente que atendeu no Malawi era uma das poucas que tinha celular e pediu para tirar uma foto ao terminar o procedimento. "Quando tirei a foto da paciente sorrindo, com um buraco na frente, com o celular dela. Depois, ela ajoelhou e falou assim: 'Eu posso fazer uma oração para você? Obrigada por você ter tirado minha dor’, relatou. Volta para o Brasil Rachel declarou que realizar o trabalho voluntário no Malawi a transformou e que agora se sente mais motivada para trabalhar. Ela contou que, ao voltar, pensava que estaria tudo feito, mas agora pretende voltar para o campo de refugiados e poder ajudar mais. “Quero incentivar outras pessoas a irem, meus colegas de profissão, outros médicos a irem em outras caravanas e levar o seu trabalho e se doar”, incentivou. Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos e 70 cirurgias na África Arquivo pessoal de Rachel Di Batista Ação humanitária na África Segundo a ONG Fraternidade Sem Fronteiras, Rachel estava entre os 33 profissionais de saúde que participaram da Caravana da Saúde, parte do projeto Nação Ubuntu, no Malawi. Entre os profissionais na caravana, havia médicos, dentistas, enfermeira e farmacêutico. Ainda segundo a ONG, o campo de refugiados abriga quase 60 mil pessoas refugiadas, sendo a maior parte composta por mulheres e crianças. O projeto Nação Ubuntu é realizado no Malawi desde 2018, ao lado do campo de refugiados de Dzaleka. De acordo com a ONG, o trabalho visa acolher os refugiados de guerra, oferecendo oportunidades para mudar as histórias de vida de crianças, jovens e toda a população de refugiados em situação de extrema vulnerabilidade. A ONG Fraternidade Sem Fronteira tem sede em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e atua em 77 polos de trabalho espalhados por nove países. A ONG oferece alimentação, serviços de saúde, formação profissionalizante, cultivo sustentável e construção de casas. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

Palavras-chave: vulnerabilidade

'Fiquei com medo de a sensação sumir': Laís Souza sente o dedo após 11 anos e diz que toparia participar de estudo clínico

Publicado em: 10/10/2025 03:01

Laís Souza e as novas sensibilidades O vídeo começa com um ruído de celular e um riso fora de quadro. A mão da ex-ginasta Laís Souza está apoiada no sofá quando, de repente, ela diz: “Bem-vinda [nova sensibilidade]”. Não é metáfora. É o dedo mínimo da mão esquerda, que voltou a responder depois de onze anos. A sensação não chega a ser exatamente um toque — é pressão, formigamento, algo entre o nada e o quase. “Devo sentir uns três a cinco por cento”, calcula. O vídeo não foi planejado para registrar uma descoberta. Laís e a namorada apenas gravavam um momento banal de carinho quando, por acaso, a câmera flagrou o retorno do movimento no dedo. Surpresa, ela pediu que a namorada apertasse o mesmo ponto várias vezes, com medo de que a sensação desaparecesse. À noite, já na cama, testou de novo. Continuava ali. Não procurou os médicos. “Não tem muito o que fazer”, explica em entrevista exclusiva ao g1. Eles já tinham dito que pequenas melhoras são possíveis mesmo depois de anos, quando fibras preservadas voltam a conduzir sinais. “O corpo é incrível. Às vezes o estímulo está por um fio e algo resolve.” Desde sempre, o corpo da ex-ginasta foi assunto de trabalho. A partir de 2014, entretanto, esse assunto teve de mudar de lado. A agilidade deu lugar à paciência. Laís aprendeu a decifrar sinais que ninguém mais entende: ardência, espasmos, arrepios que podem significar dor, frio ou vontade de urinar. Aprendeu também a detectar o que não sente. Uma vez, passou horas com o tênis dobrado atrás do calcanhar sem perceber. O corpo tentou avisar de outro jeito: uma ardência que vinha com arrepio e dor de cabeça. “Era o calcanhar. O tênis estava dobrado e eu não tinha sentido”, conta. Laís treina cuidadores para reconhecer pintas, manchas, calos, dobras de roupa. Sabe que, se errar o tempo, o corpo responde com infecção, febre, ferida. A atleta que vivia de impulso hoje opera por antecipação. E estuda. O tempo todo. “Meu grande músculo é o cérebro”, afirma. A rotina é cronometrada: cuidados e higiene pela manhã, fisioterapia à tarde, trabalho e palestras no resto do dia. “Parece empresa”, diz, sobre a própria casa e os funcionários com quem trabalha. Tudo tem lugar e regra. Tirou, devolve. Sujou, lava. Se não, ela se perde. Aos 36 anos, aprendeu a planejar até o improvável. Treina todos os dias para estar pronta caso alguma pesquisa científica avance o suficiente para se tornar tratamento. Acompanha de perto os estudos brasileiros com polilaminina — uma proteína derivada da placenta que vem sendo testada para regeneração nervosa — e também o projeto da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que desenvolve uma medula espinhal em 3D feita com células do próprio paciente. Nos testes com animais, a técnica já restaurou parte da mobilidade. “Quero estar pronta quando chegar a hora. Se o movimento voltar, preciso estar forte. Se as pernas reagirem, quero conseguir me levantar. Se o braço recuperar a sensibilidade, quero segurar um copo de água, quero poder fazer carinho nos meus cachorros.” Fala de ciência com o mesmo pragmatismo com que organiza o dia. “Tenho esperança, mas tento não criar expectativa. Sei que pode não dar certo. Talvez, se o acidente tivesse acontecido hoje, as respostas da medicina seriam outras — mais rápidas, com base em resultados de estudos clínicos que ainda estavam longe há onze anos.” Relembre o acidente Laís Souza tinha 24 anos quando se chocou contra uma árvore durante um treino de esqui aéreo, nos Estados Unidos, às vésperas das Olimpíadas de Inverno de Sochi. Havia migrado da ginástica artística — onde representou o Brasil em duas Olimpíadas e conquistou um quarto lugar no Mundial de 2006 — para o novo esporte há menos de um ano. Naquele 27 de janeiro de 2014, a tentativa era apenas um salto de rotina. O impacto quebrou duas vértebras cervicais, C3 e C4, esmagando a medula. Laís lembra pouco: desmaiou, acordou, desmaiou outra vez. “Vomitei, aspirei o vômito, o que afetou meus pulmões. Mas não me lembro de muita coisa. Dormia e acordava”, conta. Só percebeu a gravidade dias depois, quando pediu à mãe que colocasse o celular em sua mão para mandar uma mensagem aos amigos. O aparelho escorregou, e ela não conseguiu segurá-lo. Pediu de novo. Caiu outra vez. “Foi aí que a ficha caiu.” A mãe, que acompanhou tudo de perto, ouviu dos médicos o prognóstico mais duro: se sobrevivesse às primeiras 12 horas –o que era improvável–, dependeria de máquinas para respirar, comer e urinar. Nada disso se confirmou. Ainda assim, onzparaanos depois, a mãe continua por perto. Quando passa a noite com a filha, entra no quarto a cada três horas, faz a sondagem, muda o decúbito, confere se está tudo certo. “Minha mãe é minha melhor amiga. Sabe tudo da minha vida”, conta. O abuso sexual Desde o acidente, o corpo de Laís também se viu em vigilância. “A gente que passa pela situação enxerga o que o médico não vê”, diz. A ardência nas mãos, por exemplo, pode significar quase qualquer coisa — de gases a infecção urinária. O aprendizado foi fisiológico e filosófico. O corpo voltou a ser tema público quando Laís revelou ter sido vítima de abuso sexual por parte de cuidadores. Ela contou que os episódios ocorreram em momentos de completa vulnerabilidade, quando estava deitada ou dormindo, sem sensibilidade em boa parte do corpo. “Já fui abusada antes, quando tinha quatro anos, e depois do acidente, que foi quando realmente fiquei supervulnerável. Foram abusos inesperados. Eu estava totalmente vulnerável: deitada, dormindo… não estava nem vendo o que estava rolando. E não tenho sensibilidade em 100% do corpo. Sinto que está tudo certo e a pessoa se aproveita daquilo”, conta. Ela denunciou os casos, mas teve medo de sofrer retaliação por parte dos abusadores, embora não tenha relatado ameaças. Desde então, passou a tratar a confiança como questão prática. “Minha confiança é bem abalada. Para confiar em alguém, tenho que saber realmente quem está ali, conversando, convivendo.” Depois disso, quando um novo cuidador chega, Laís treina cada gesto. “Explico como quero, deixo cada coisa no seu lugar para que não haja nenhum ponto em que ele precise dar um passo que eu não saiba. Tento fazer com que tudo esteja sob controle.” Instalou câmeras em casa, evita consultas sozinha e se mantém em alerta constante. Desde então, não aceita mais profissionais homens para tarefas íntimas. O serviço de home care que a atende chegou a enviar um cuidador substituto. Era um homem, e Laís dispensou o atendimento assim que ele chegou. “Para mim é impossível, não dá. Por mais fofo que ele seja, é um gatilho, não consigo. Não é nada pessoal com a pessoa”, relata. Acessibilidade, ou a falta dela Fora de casa, Laís enfrenta outro tipo de hostilidade. Fala da falta de acessibilidade como quem descreve o tempo: sem surpresa, mas com precisão. Restaurantes sem rampa, lojas inacessíveis, elevadores de lixo usados como entrada alternativa. “Às vezes fico no carro e peço para quem está comigo comprar o que quero. A cadeira de rodas, na maior parte das vezes, não passa pela porta das lojas. Quando passa, não tem espaço dentro dos estabelecimentos para que eu consiga me mover.” O isolamento imposto por essa falta de acesso acabou levando Laís de volta para dentro — da casa e de si mesma. Durante a pandemia, retomou um hábito antigo: pintar. “É uma atividade parada, mas me dá a mesma adrenalina do dever cumprido que o esporte me fazia sentir”, explica. As pinturas são figurativas e vibrantes, feitas com guache, sempre com ajuda de um cuidador. “Quando a arte termina, é como se o corpo tivesse se mexido.” A introspecção virou também curiosidade científica. Laís voltou a estudar: leu sobre o funcionamento do sistema nervoso, as etapas da cicatrização, a neuroplasticidade. Acompanhou estudos internacionais e se inscreveu em grupos que monitoram terapias experimentais para lesões medulares. “Quero estar pronta quando chegar a hora”, diz. Palestras, rotina e o trabalho de existir No palco, o corpo volta a ser centro. Já fez mais de duzentas palestras, de segurança do trabalho à inclusão. Às vezes, sobe ao palco com a pressão baixa, às vezes, com espasmos. “Tem que cuidar para não cair, para não dar tremor.” Fala sem roteiro. “De coração”, diz, sem romantismo. No meio do discurso, sente o peso do próprio nome — símbolo de superação que nunca quis ser. “Tem dia que não quero me superar. Só quero ficar deitada e chorar. Ou só ficar deitada, sem chorar”, ri. O acidente redefiniu o corpo, mas não o anulou. O dedo que mexeu, por acaso, é o mesmo que lembra a dimensão do possível. Laís não chama de milagre. Chama de corpo.

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WePink: empresa de Virginia fez publicidade enganosa, teve mais de 120 mil reclamações e censurou nas redes sociais, diz promotor

Publicado em: 10/10/2025 02:01

MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões A WePink, empresa da influenciadora Virginia Fonseca, teve 120 mil reclamações registradas em menos de 2 anos, de acordo com o Ministério Público de Goiás. Segundo o promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva, entre os problemas estão propaganda enganosa e censura nas redes sociais com a exclusão de reclamações (veja acima). Ao g1, o advogado da empresa, Felipe de Paula, informou que eles não foram citados na ação, portanto, ainda não tomaram conhecimento dos termos. A ação foi protocolada na quarta-feira (8), em conjunto com o Procon. O órgão explicou que a estratégia de "flash sales" (ofertas-relâmpago) criou um senso artificial de urgência, induzindo à compra impulsiva e explorando a vulnerabilidade psicológica das pessoas. O uso da imagem da influenciadora agravou isso, pois milhares de seguidores confiam em sua recomendação, destacou o MP. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Segundo o documento, em 2025 foram registradas 30 mil reclamações até a data da ação. Já em 2024 foram 90 mil queixas. O texto também destaca que o número total pode chegar a 300 mil consumidores, considerando aqueles que não reclamaram oficialmente. LEIA TAMBÉM: Empresa de Virginia, WePink é autuada pelo Procon por atrasos e falta de entrega de produtos comprados online WePink: MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões por práticas abusivas contra consumidores Queimadura nos olhos após uso de sérum para cílios: internautas relatam reações e médicos fazem alerta WePinl, de Virginia Fonseca, é autuada pelo Procon, em Goiás Reprodução/Instagram da WePink Élvio destacou que consumidores também denunciaram a falta de entrega de produtos pagos, dificuldades na hora de solicitar o reembolso e um péssimo atendimento pós-venda. Veja as práticas abusivas listadas na ação: Falta de entrega de produtos: consumidores que pagaram pelos produtos e nunca receberam; Descumprimento de prazos: alguns atrasos ultrapassaram sete meses; Dificuldade de reembolso: resistência da empresa em devolver valores pagos; Atendimento deficiente: o sistema é automatizado, mas não resolve os problemas; Exclusão de críticas: a empresa removeu comentários negativos nas redes sociais; Produtos com defeito: os cosméticos chegam estragados na entrega e estão diferente do enunciado. "Diante de toda essa situação, o Ministério Público pediu a suspensão dessas lives enquanto não forem regularizadas as pendências, criar um saque eficiente, humanizado, em 30 dias, com resposta em 24h por cada reclamação", destacou o promotor. O Ministério Público escreve na ação que o objetivo é ressarcir de forma integral todos os clientes lesados. Élvio também afirmou que foi pedido uma multa de R$ 1 mil por cada ofensa feita por consumidor, além de indenização em caráter punitivo e educativo de R$ 5 milhões, e outra reparatória para cada consumidor prejudicado, que ainda será calculada. Marca WePink, de Virgínia Fonseca Reprodução/Instagram/WePink WePink autuada pelo Procon A Wepink já havia sido notificada outras vezes, de acordo com o Procon, tendo sido autuada no final de setembro. De acordo com a fiscalização, a empresa anunciou e comercializou os produtos nacionalmente, mas não realizou a entrega no prazo estabelecido. O órgão lembrou ainda que a marca realizou lives nas redes sociais em que influenciadores anunciaram os produtos a preços muito atrativos e links promocionais, apesar da quantidade significativa de reclamações dos consumidores. Sobre a autuação do Procon, a defesa da WePink informou ao g1 que a empresa não recebeu a notificação enviada no começo deste ano. Disse ainda que apresentou defesa quando recebeu uma segunda notificação, informando o não recebimento e que a autuação ainda não é definitiva. Em nota, a empresa ainda informou que não sofre mais com atrasos frequentes. Empresa de Virginia Fonseca é autuada pelo Procon 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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Campanha oferece 2 mil bolsas de estudo para profissionais negros no RN; veja oportunidades

Publicado em: 09/10/2025 18:22

Bolsas são para trabalhadores negros Freepik O Movimento pela Equidade Racial (Mover) está disponibilizando mais de 2 mil bolsas de estudo em diferentes áreas do conhecimento para profissionais negros do Rio Grande do Norte. As inscrições para campanha, denominada de “Mover o seu Futuro”, entraram em reta final e se encerram em 15 de outubro deste ano, podendo ser feitas pelo site do Movimento. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Ao todo, são oferecidas mais de 60 mil bolsas de estudo em todo o país, em programas voltados para todas as etapas da carreira. Segundo a campanha, os participantes terão acesso a um teste on-line que indica os cursos mais adequados ao seu perfil, com possibilidade de inscrição em mais de uma formação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 O Mover (Movimento pela Equidade Racial) é uma associação sem fins lucrativos que, por meio de conscientização, fomento ao desenvolvimento de carreiras e à inovação inclusiva de pessoas negras, visa promover e acelerar a equidade racial. A iniciativa visa ampliar o acesso de pessoas negras à educação e ao desenvolvimento profissional. A ideia do Mover é gerar 3 milhões de oportunidades até 2030. A campanha conta com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e de organizações parceiras como Educafro, Instituto Four, ID_BR, Instituto Coca-Cola Brasil, Todxs, Future in Black, CEERT, Instituto Social Espaço Negro, Instituto Guetto, Empodera e Universidade Zumbi dos Palmares. Conheça as oportunidades Afreektech Voltado a jovens negros interessados em tecnologia e carreiras digitais; Oprograma Afreektech é realizado pelo Movimento Black Money, com apoio do Mover; Oferece trilhas em áreas como marketing digital com IA, ciência de dados, vendas B2B e transformação digital; Objetivo é democratizar o acesso ao mercado de tecnologia e reconhecer trajetórias por meio de certificações e uma comunidade de apoio. Lideranças do Futuro Desenvolvido em parceria com o Instituto Four; Programa online gratuito destinado a profissionais negros que almejam cargos de liderança; Objetivo é desenvolver competências de gestão de carreira, liderança de alta performance e protagonismo; Isso é feito por meio de masterclasses com líderes renomados, além de conteúdos de autoestudo com atividades práticas e certificação. Anhanguera Cursos Livres Programa oferece cursos livres em áreas como negócios, tecnologia e marketing; Objetivo é promover inclusão acadêmica e profissional, oferecendo formação contínua para impulsionar trajetórias de carreira; Grade contempla cinco eixos: Tecnologia e Inovação; Liderança e Gestão de Pessoas; Comunicação e Marketing Digital; Gestão Empresarial; e Sustentabilidade e Inclusão; Todos os cursos possuem duração de 40 horas e dão direito a certificado. Estácio Cursos Livres Serão oferecidas bolsas para cursos livres e destinados exclusivamente a pessoas negras; Iniciativa busca expandir oportunidades de formação acadêmica e profissional em áreas estratégicas para o mercado de trabalho; Todos os cursos possuem duração de 40 horas e dão direito a certificado. MOVER Mundo Para quem deseja aprender idiomas para ampliar suas oportunidades profissionais; Programa oferece curso online gratuito em parceria com a EF; Com duração de seis meses, serão oferecidas trilhas personalizadas de aprendizagem em quatro idiomas (alemão, espanhol, francês e sueco), com foco no conteúdo geral, profissional e de negócios; Ao se inscrever, fica liberado o acesso ao curso dos quatro idiomas de uma única vez e o usuário poderá navegar pela plataforma online na formação que preferir, alternando entre eles; Os cursos contam com certificado internacional. MOVER Mais Negócios Realizado em parceria com o Sebrae, a iniciativa é destinada a empreendedores negros (MEI, ME e EPP), que buscam fortalecer negócios já existentes e ampliar as oportunidades de integração com grandes empresas; Foco está em capacitação sobre temas relevantes; Uma outra iniciativa importante são as rodadas de negócios e networking dos empreendedores com empresas associadas ao Mover - ao longo do ano alguns participantes são contemplados com um convite para participar desta ação. Plataforma PROA Curso online desenvolvido pelo Instituto, que tem como objetivo preparar jovens entre 17 e 22 anos, vindos de escolas públicas; Visa capacitação para o mercado de trabalho; O curso foca no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e competências técnicas Além disso, oferece apoio para a conquista do tão sonhado primeiro emprego. Coletivo Coca-Cola Jovem: Curso 100% online, gratuito e ofertado em diferentes plataformas, como o Whatsapp, é feito para jovens em situação de vulnerabilidade social entre 16 e 29 anos. O programa capacita e conecta jovens a vagas de emprego que estejam alinhadas com os seus perfis, considerando uma base de mais de 400 empresas parceiras. O programa oferece 12 videoaulas criadas com base no conceito de nanolearning (pílulas de conteúdo) para capacitar jovens sobre o mundo do trabalho; Dá dicas de elaboração de plano de vida e preparação para entrevistas de emprego; Após a formação, os jovens recebem um certificado e podem se cadastrar em uma comunidade que oferece vagas exclusivas para os formandos. Vídeos mais assistidos do g1 RN

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WePink: MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões por práticas abusivas contra consumidores

Publicado em: 09/10/2025 17:46

MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões O Ministério Público de Goiás ajuizou uma Ação Civil Pública para que a empresa da influenciadora Virginia Fonseca, a WePink, pague R$ 5 milhões de indenização por práticas abusivas contra os consumidores. O promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva informou que o MP vai pedir dois tipos de indenização: uma coletiva (a de R$ 5 milhões) e uma individual para cada consumidor prejudicado, esse valor será definido no decorrer do processo (assista acima). Ao g1, o advogado da empresa, Felipe de Paula, informou que eles não foram citados na ação, portanto, ainda não tomaram conhecimento dos termos. A ação foi protocalada na quarta-feira (8) em conjunto com o Procon. Segundo o órgão, a WePink recebeu cerca de 340 reclamações entre 2024 e 2025. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Segundo o MP, a empresa comercializa cosméticos por meio de transmissões ao vivo (lives) nas redes sociais e acumula mais de 90 mil reclamações registradas somente em 2024 no site do Reclame Aqui. Em nota enviada ao g1, a investigação do MP constatou as seguintes práticas abusivas: Falta de entrega de produtos: consumidores que pagaram pelos produtos e nunca receberam Descumprimento de prazos: alguns atrasos ultrapassaram sete meses Dificuldade de reembolso: resistência da empresa em devolver valores pagos Atendimento deficiente: o sistema é automatizado, mas não resolve os problemas Exclusão de críticas: a empresa removeu comentários negativos nas redes sociais Produtos com defeito: os cosméticos chegam estragados na entrega e estão diferente do enunciado LEIA TAMBÉM: Empresa de Virginia, WePink é autuada pelo Procon por atrasos e falta de entrega de produtos comprados online Virginia e Vini Jr. estão entre os assuntos mais comentados na web após pedido de desculpas do jogador Virginia e Vini Jr. não estão mais juntos após divulgação de prints, diz assessoria Segundo o MP, a estratégia de "flash sales" (ofertas-relâmpago) criou um senso artificial de urgência, induzindo à compra impulsiva e explorando a vulnerabilidade psicológica das pessoas. O uso da imagem da influenciadora Virgínia Fonseca agravou essa vulnerabilidade, pois milhões de seguidoras e seguidores confiam em sua recomendação, destacou o órgão. WePink autuada pelo Procon Segundo o Procon, a autuação da empresa foi feita no final de setembro. De acordo com a fiscalização, a empresa anunciou e comercializou os produtos nacionalmente, mas não realizou a entrega no prazo estabelecido. O órgão lembrou ainda que a marca realizou lives nas redes sociais em que influenciadores anunciaram os produtos a preços muito atrativos e links promocionais, apesar da quantidade significativa de reclamações dos consumidores. MP quer que WePink pague R$ 5 milhões por práticas abusivas Reprodução/Instagram da WePink 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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'Guru' é indiciado por mais de 10 crimes após relatos de ex-integrantes de seita no RS

Publicado em: 09/10/2025 16:36

Comunidade Osho Rachana, em Viamão Reprodução/RBS TV A Polícia Civil indiciou, nesta quinta-feira (9), Adir Aliatti, investigado após denúncias de ex-integrantes de uma comunidade liderada por ele em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As investigações envolveram a comunidade Osho Rashana que funcionava em um sítio na cidade. Adir Aliatti, de 69 anos, atuava como um guru entre a comunidade. Em dezembro do ano passado, a polícia fez uma operação no local, depois de relatos de abusos psicológicos e extorsão financeira por parte do investigado. A Polícia indiciou o homem por 13 crimes, entre eles tortura, estelionato, curandeirismo, racismo, abuso infantil, trabalho escravo, violência sexual mediante fraude, entre outros. Ele cumpre medidas cautelares, com uso de tornozeleira. O g1 entrou em contato com a defesa de Aliatti, que não havia se manifestado até a mais recente atualização desta reportagem. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a polícia, Aliatti comportava-se como um "guru espiritual" da seita, que utiliza diversas práticas de meditação, entre elas, o sexo livre entre os praticantes. “O inquérito demonstra um padrão de manipulação psicológica e abuso de poder espiritual, no qual os líderes exploravam emocional, sexual e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis, muitas delas com sequelas permanentes”, destacou a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, responsável pela investigação. Relatos de 'cura gay' Uma ex-integrante da comunidade relatou práticas de "cura gay", além de casos de discriminação racial e de gênero por parte do responsável pela seita, investigado por tortura psicológica, curandeirismo, estelionato e outros crimes financeiros. Segundo a Polícia Civil, essa prática ficou comprovada durante a investigação. Segundo o relato da ex-moradora de 30 anos, que não quis ser identificada, as práticas aconteciam especialmente durante a pandemia de Covid-19. De acordo com a mulher, pessoas LGBTQIA+ eram incentivadas a “experimentar” relacionamentos heterossexuais. "Presenciei vários casos de cura gay", relata a ex-integrante. "O papo era: a gente está trancado num sítio, a gente não vai sair logo, então 'não faz sentido tu ficar com mulher, não tem porquê tu ficar com outra mulher e tu tem que ficar com um homem'", conta. A ex-moradora explica que essa abordagem era feita sempre levando para o lado terapêutico. Além disso, a mulher relatou que as pessoas no ambiente eram altamente machistas, misóginas e racistas. 'Uma grande manipulação', diz mulher que vivia em seita Adir Aliatti, apontado pela polícia como 'guru espiritual' de comunidade de Viamão Reprodução/RBS TV Suposta violência com cinta A ex-moradora descreveu um episódio em que o guru, durante uma sessão de um retiro, teria usado uma cinta para bater em uma participante até que ela lembrasse de um suposto episódio de violência sofrida na infância. "Ele pressionou até ela trazer uma memória, que inclusive, ela me contou depois que era mentira, que ela só falou para ele parar e deixar ela ali, parar de incomodar, parar de humilhar, torturar ela", diz. Suspeita de estelionato Mais de 20 pessoas já foram ouvidas pela polícia. Os depoentes relataram que sofriam tortura psicológica, violência física e patrimonial, além de crimes financeiros, sempre coagidos pelo "guru espiritual". O sítio da seita, localizado no interior de Viamão, tem 42 hectares e chegou a abrigar 80 pessoas. Elas dividiam tarefas cotidianas e cultivavam produtos orgânicos, vendidos na região. Além disso, o grupo comercializava cadernos e agendas em Porto Alegre. A renda era revertida para a manutenção da comunidade e das pessoas que viviam lá. Um homem, que também prefere não ser identificado, morou no local por 16 anos. A ideia de um espaço em meio à natureza em que amigos pudessem partilhar uma vida em comunidade foi o que encantou o antigo integrante do grupo. "Era a gente ter um lugar onde a gente podia viver com os amigos, onde a gente dividisse os custos das coisas, onde cada um pudesse contribuir com uma parte daquilo ali por igual", fala. Porém, depois da pandemia, alguns integrantes perceberam inconsistências nas contas da comunidade. De acordo com a polícia, o "guru espiritual" ficava com o dinheiro obtido através de empréstimos contraídos pelos participantes do grupo. "Uma administração caótica das finanças proposital, porque, aquela coisa: quanto mais caótica, menos você consegue controlar. Isso levava a gente a achar que sempre estava precisando de mais dinheiro, e como achava que estava precisando de mais dinheiro, as pessoas pediam empréstimo", conta o ex-morador. A mulher que afirma ter presenciado as cenas de agressão calcula ter gasto R$ 100 mil em terapias na seita. "Financeiramente, destruiu os sonhos que eu tinha", afirma. Investigações da Polícia Civil apontam que o "guru espiritual" teria desviado cerca de R$ 20 milhões em benefício próprio. Ele teria usado o dinheiro nas próprias empresas, na compra de imóveis, em viagens de luxo e até em apostas online. "As vítimas começaram a perceber que as contas tinham algum problema financeiro e constataram um prejuízo na casa dos R$ 4 milhões, agora no último ano. Ele teria perdido com dívidas, com apostas online, com viagens", relata a delegada Jeiselaure de Souza. Mulher que vivia em seita relata episódios de agressões no RS Tortura psicológica As investigações começaram quando ex-integrantes da seita acionaram o Ministério Público relatando supostos atos violentos cometidos pelo guru do grupo. Segundo a polícia, os seguidores pagavam pacotes de imersão que custavam entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, além de mensalidades para viver no local. As pessoas ouvidas pela polícia relataram ter sofrido tortura psicológica e patrimonial, além de crimes financeiros. A investigação aponta que o guru e outros integrantes do grupo coagiam os participantes, depois de descobrir "coisas muito íntimas dessas pessoas". "Ele torturava, ele coagia as vítimas com base nas informações que ele obtinha nas terapias que eram feitas nesses processos de imersão. Se alguém quisesse sair, se alguém percebesse ou dissesse que não tinha dinheiro, ele dizia: 'é por isso que a tua vida não dá certo', 'por isso que a tua relação com o familiar é ruim', 'por isso que tu não vai progredir'", detalha a delegada Jeiselaure de Souza. Sede de seita de sexo livre alvo de operação em Viamão Polícia Civil/Divulgação Nota da defesa de Aliatti "A defesa técnica de Adir Aliatti, realizada pelo advogado Rodrigo Oliveira de Camargo, ressalta que os fatos expostos na mídia estão distorcidos. Os denunciantes optaram por livre e espontânea vontade viver em sistema de subsistência, assim como ajudaram a gerenciar os valores arrecadados com os diferentes empreendimentos do grupo. O resultado de todos esses investimentos feitos pelos seus membros eram revertidos em favor da comunidade. Os empréstimos bancários que favoreceram o Namastê foram feitos em nome de Aliatti e com aval dos moradores. As alegações de coação jamais ocorreram. O advogado garante que o seu cliente sempre se manteve ao dispor das autoridades, além de assegurar que a maioria dos relatos são fictícios e/ou adulterados com o objetivo de atacar Adir. Para a defesa, cabe relembrar que a maioria dos denunciantes detinha cargos de coordenação na Comunidade, aplicavam as terapias, assim como convidavam novas pessoas para participar da comunidade. Por fim, a defesa afirma que a perseguição midiática tem por objetivo criar uma atmosfera de vulnerabilidade para eximir os denunciantes das devidas responsabilidades e escolhas." VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: vulnerabilidade

'Expliquei que era inocente, mas delegado não quis ouvir', diz jovem que passou 9 meses preso por engano

Publicado em: 09/10/2025 13:50

'Perdi nove meses naquele lugar', diz jovem que passou nove meses preso por engano Anderson Gabriel da Silva, de 25 anos, acordou de um pesadelo na última terça-feira (9). Após nove meses preso por engano, ele foi solto pela Justiça após a Defensoria Pública de Pernambuco constatar que ele havia sido detido por conta de um homicídio cometido por outra pessoa, de mesmo nome, natural da Paraíba. Além do nome idêntico, os dois Anderson são filhos de mulheres que se chamam Ana Paula da Silva e não têm os nomes dos pais no registro de nascimento. Isso facilitou a sequência de erros cometidos pela polícia e pela Justiça que resultou na prisão de um inocente (veja vídeo acima). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp “Eu expliquei que era inocente, mas o delegado não quis ouvir. Fui para o Cotel, fiquei um tempo na espera, depois já subi para o pavilhão”. Morador de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, o jovem foi acusado injustamente de participar de um homicídio ocorrido em 2023, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Na época, a irmã da vítima fez o reconhecimento fotográfico errado do suspeito preso. Desde o início, Anderson afirmou que não tinha qualquer relação com o crime. Mesmo assim, passou nove meses preso no Centro de Triagem e Observação Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife. “Eu nunca cometi nenhum crime de homicídio. Eu expliquei ao delegado que não fui eu que matei essa pessoa, que eu não tinha nada a ver. Ele e disse: ‘seu nome não é Anderson Gabriel da Silva? O nome da sua mãe não é Ana Paula? Então é você mesmo'”, contou ao g1. Sequência de erros De acordo com o subdefensor público da capital Wilker Neves, um mandado de prisão foi expedido por engano no nome de Anderson em 2023, logo após o crime. Ainda durante o inquérito, a investigação apontou que o verdadeiro criminoso, natural da Paraíba, tinha um homônimo em Pernambuco. Um segundo mandado de prisão foi expedido e o verdadeiro criminoso foi preso em junho de 2024, mas o primeiro mandado, com o CPF do Anderson de Pernambuco, não foi cancelado. “O Anderson paraibano foi preso antes do Anderson de Pernambuco e, ao ser preso, possivelmente contratou um advogado que atuou no processo. Foi a partir dessa atuação que a promotora do Ministério Público observou o equívoco, inclusive fazendo a correção. Mas essa correção não foi formalizada. Por um momento, havia dois mandados de prisão contra Andersons distintos pelo mesmo crime”, disse Wilker Neves. O Anderson de Pernambuco foi preso no dia 11 de janeiro de 2025, durante uma abordagem policial perto da Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Sem entender nada, ele descobriu que havia um mandado de prisão aberto em seu nome e foi encaminhado ao Cotel. Após a prisão, a esposa e a mãe dele procuraram a Defensoria Pública no fórum de Jaboatão dos Guararapes. Lá, a equipe conseguiu constatar que o rapaz tinha um homônimo na Paraíba e iniciou a juntada de documentos para tentar provar que o jovem estava preso injustamente. A primeira petição foi protocolada pela Defensoria em março, mas não foi apreciada pela Justiça. Em abril, foi realizada a primeira audiência após a prisão, na qual uma irmã da vítima do assassinato em Goiana reconheceu o Anderson pernambucano como o criminoso. Anderson Gabriel mostra procuração assinada pelo Anderson da Paraíba, em letra de forma, e sua assinatura, em letra cursiva Iris Costa/g1 Ainda segundo o defensor Wilker Neves, a advogada contratada pela família do verdadeiro criminoso chegou a acompanhar a primeira audiência de Anderson, em abril. O jovem acreditava se tratar de uma defensora pública, mas o órgão não foi convocado para participar da sessão. "Eu pensava que ela era defensora pública. Com a cabeça perturbada na hora, nem falei: 'Como é que ela é minha advogada? Quando eu contratei ela? Minha mãe não tem condição de contratar'", comentou Anderson. Segundo ele, a advogada chegou a pedir o número da mãe dele para cobrar pelo serviço prestado "por engano". A situação de Anderson precisou de uma ação conjunta entre as defensorias de Jaboatão, Goiana e do Cotel. A assessora da Defensoria Pública de Jaboatão Maria Diesia de Santana foi responsável por receber a documentação levada pela família e contatar os demais órgãos em busca de uma solução. “Eu verifiquei que existiam erros, dados diferentes na documentação que a família trouxe para a gente com os documentos que estavam no processo. Passei para o defensor-geral e ele entrou com o pedido de relaxamento da prisão. [...] Eu entrei em contato com ela [defensora do Cotel], e ela diligenciou o caso do Gabriel Anderson lá mesmo”, explicou. Ainda segundo Wilker Neves, a equipe da Defensoria realizou diversas petições para a Justiça analisar o erro, mas os pedidos não foram apreciados. A juíza responsável pelo caso apenas ficou sabendo da situação na última semana, quando a defensora do Cotel, Maria Cristina, procurou a magistrada diretamente para explicar a situação. Trauma Anderson já voltou à casa onde vive com a avó e a esposa. Embora já possa voltar a dormir na própria cama, ele conta que a cabeça ainda não se adaptou à nova rotina. “Ainda nem consegui dormir direito, porque afetou muito o meu psicológico. [...] Lá dentro daquele lugar faz muito frio. Tem muita gente com tuberculose lá, banheiro lotado. Também tem muita gente numa situação parecida com a minha também. Tem muita gente inocente”, contou. Vendedor de água e filho de uma empregada doméstica, Anderson Gabriel sempre teve pequenos trabalhos, mas, segundo ele, todos eram honestos. Precisar conversar com a mãe numa prisão, sabendo que era inocente, causou constrangimento ao rapaz. “A primeira visita foi a minha mãe. Eu estava muito constrangido, nem consegui olhar direito para ela. Ela estava conversando comigo, dizendo que ia dar tudo certo, mas aquele lugar era tão negativo que não conseguia nem ter um pouco de positividade. [...] Eu pensava que eu ia passar uns cinco, dez anos preso, com as pessoas enganadas, pensando que fui eu que tirei a vida dessa pessoa”, relembrou. Dona Margarida da Silva, avó que ajudou a criar Anderson, denunciou a falta de visibilidade para o caso, em decorrência da vulnerabilidade econômica e social da família. “Eu estava pensando em levar um bocado de gente para fazer um escândalo. Prender uma pessoa que não tem certeza, só por causa de um nome, mas não ter a data de nascimento, o nome da avó? O povo não liga, porque é pobre. Se fosse filho de rico, soltavam no outro dia. Já nasceu sem sorte, sem o pai, a mãe empregada doméstica. Eu trabalhava quando era mais nova, também de empregada por aí. A vida é assim, né?”, desabafou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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Padre preso por abusos sexuais no Paraná é denunciado por mais quatro crimes após novos depoimentos

Publicado em: 09/10/2025 12:46

Ministério Público oferece denúncia contra o padre investigado em Cascavel O padre afastado Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, preso desde agosto deste ano por crimes sexuais, foi denunciado por mais quatro crimes após novos depoimentos colhidos pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), em Cascavel, no oeste do Paraná. As novas acusações envolvem três vítimas da mesma família, de 17, 18 e 48 anos, segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR). Segundo a promotoria, o adolescente, de 17 anos, foi vítima de estupro e importunação sexual, enquanto a irmã e a mãe, de 18 e 48 anos, teriam sido induzidas à distribuição e ao consumo de drogas. Os três foram atendidos pelo padre na casa paroquial da igreja onde ele atuava, em 2023. A defesa de Genivaldo informou ao g1 que "está levantando provas que vão colocar em cheque os relatos das vítimas". A RPC, afiliada da TV Globo, questionou a Cúria de Cascavel sobre os relatos de que os crimes ocorrem dentro da casa paroquial, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp As novas vítimas procuraram o Nucria na última segunda-feira (6), e no mesmo dia as denúncias foram encaminhadas à Promotoria de Justiça e anexadas ao processo. Com o aditamento, o padre passa a responder por 25 crimes cometidos contra 16 vítimas, conforme o MP. Se condenado, as penas somadas podem passar de 500 anos de prisão, segundo a polícia. Genivaldo é padre há 12 anos Arquivo pessoal Leia também: Desvio de dinheiro público: Prefeito de Fazenda Rio Grande é preso em operação que mira fraudes e desvios de recursos públicos na saúde Dinheiro espalhado: Vizinhos ouvem gritos de socorro e polícia descobre R$ 1,2 milhão espalhado em casa vazia, no Paraná Incêndio: Porsche incendiado custa cerca de R$ 700 mil e tinha dívidas de IPVA; proprietário é suspeito de atear fogo no carro Entre as acusações estão nove estupros de vulnerável, dois casos de violação sexual mediante fraude (um tentado e outro consumado), seis de importunação sexual, um de entrega de substância nociva à saúde e sete de tráfico de drogas, por vender, entregar ou ministrar entorpecentes. As vítimas tinham entre 12 e 48 anos na época dos fatos. Além da condenação criminal, a Promotoria requer que o religioso pague indenização por danos morais e materiais a cada vítima, com valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 150 mil. O Ministério Público também pediu a manutenção da prisão preventiva do padre, alegando risco à ordem pública e à instrução do processo. O órgão aguarda o recebimento da denúncia e o deferimento da ação penal pelo Poder Judiciário. Leia mais sobre o caso: Padre é indiciado por crimes sexuais contra dez vítimas em Cascavel Quem é o padre preso por suspeita de estupro de vulnerável no Paraná 'Eu acordei com as mãos dele nas minhas partes íntimas', diz vítima de padre preso por estupro de vulnerável no Paraná Relembre o caso Padre foi preso na manhã deste domingo (24), em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) Genivaldo Oliveira dos Santos é investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais. Entre as vítimas apontadas pela polícia até o momento estão jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Segundo a polícia, as investigações apontam que os crimes cometidos pelo religioso começaram em 2009 e seguiram até julho deste ano. Ele foi preso por policiais do Nucria, que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa do padre. Segundo a polícia, ele está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano. Segundo a polícia, a prisão temporária do padre foi decretada porque ele estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas. Em setembro, ele foi transferido para o Complexo Médico Penal de Curitiba, onde permanece preso. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.

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Justiça determina que governo de Roraima abrigue idosos em situação de vulnerabilidade

Publicado em: 09/10/2025 11:49

Justiça determina que estado garanta abrigo para idosos em situação de vulnerabilidade — imagem ilustrativa. FreePink/Arquivo A Justiça de Roraima determinou que o governo do estado garanta abrigo para idosos em situação de risco e abandono familiar. A decisão atende a uma ação do Ministério Público de Roraima (MPRR) e foi divulgada nesta quarta-feira (8) pelo órgão. A decisão, publicada na terça-feira (7), é resultado de uma Ação Civil Pública protocolada em 2021, por meio da Promotoria de Justiça do Idoso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp De acordo com o MP, a decisão determina que o governo tome medidas emergências para garantir o acolhimento dos idosos indicados pelo órgão, no prazo de 10 dias. Eles devem ser levados para a instituições públicas, privadas ou conveniadas que ofereçam condições mínimas de acolhimento, mesmo que de forma provisória, até que o abrigo público estadual fique pronto. O cumprimento da decisão pode ser feito com a adaptação de espaços públicos, convênios com entidades assistenciais ou filantrópicas, aluguel de estruturas temporárias ou outras medidas legais disponíveis. Se a decisão não for cumprida, o governo deverá pagar multa diária de R$ 5 mil. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em nota, a Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) disse que atualmente acolhe 42 idosos em situação de vulnerabilidade social no abrigo estadual e, em breve, será inaugurado um novo prédio da instituição, com ampliação em mais 30 vagas, "reforçando o compromisso do Estado com a proteção integral e o cuidado da pessoa idosa". LEIA TAMBÉM: Justiça condena governo de Roraima a pagar indenização de R$ 20 mil por negligência a idosos abrigados na Casa do Vovô MP dá 5 dias para Caer regularizar abastecimento de água na segunda maior cidade de Roraima Ação Civil Pública A decisão foi tomada com base na Ação Civil Pública apresentada em 2021. O objetivo é garantir abrigo para idosos em situação de risco ou abandono familiar, em instituições de longa permanência de responsabilidade do Estado. De acordo com o órgão, o governo estadual pediu mais 90 dias para concluir as obras no abrigo público, mas o pedido foi negado. A Promotoria de Justiça do Idoso argumentou que a situação continua crítica, com a recusa sistemática de pedidos de acolhimento, inclusive em 18 casos de hipervulnerabilidade. O MP também destacou que todos os prazos razoáveis já foram concedidos e que não há justificativa para novo adiamento do cumprimento da decisão judicial. O juiz aceitou os argumentos. “O tempo decorrido, associado à ausência de solução provisória para os casos urgentes, torna injustificável o novo pedido de prorrogação. Diante disso, impõe-se o indeferimento do pedido de novo prazo, com determinação de cumprimento imediato e efetivo da obrigação judicial, inclusive por medidas emergenciais”, narra trecho da decisão judicial. Segundo a promotora de Justiça Érika Michetti, a situação é preocupante. Ela disse que há idosos vivendo em condições de "extrema vulnerabilidade, sem qualquer suporte institucional, enquanto obras e prazos se arrastam" "A decisão judicial vem justamente reafirmar que cada dia de espera representa sofrimento e risco concreto para vidas que deveriam estar sob proteção de políticas públicas”, afirmou a promotora. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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Por que o Brasil não tem sistema de monitoramento de bebidas alcoólicas?

Publicado em: 09/10/2025 08:08

Primeiros resultados descartam contaminação acidental de metanol em bebidas apreendidas O Brasil enfrenta um surto de casos de contaminação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas. O Ministério da Saúde informou, na última segunda-feira (6/10) que já recebeu 217 notificações. Desde que os casos vieram à tona, a maioria no Estado de São Paulo, governos estadual e federal mobilizaram polícia, agentes de saúde e outras equipes para cuidar do caso. A Polícia Técnico-Científica do estado confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras. As autoridades já confirmaram cinco mortes ligadas à intoxicação por metanol, todas no estado de São Paulo. 🔎 Uma das linhas de investigação trabalha com a hipótese de relação com o mercado de falsificação de bebidas. O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, montou um gabinete de crise e passou a fiscalizar festas universitárias, bares e adegas. Mais de 7 mil garrafas já foram apreendidas e 19 pessoas foram presas. ➡️ A crise trouxe à tona um problema no mercado de bebidas alcoólicas no país, que é a falta de rastreabilidade sobre esses produtos. E também críticas de que o governo federal desativou, ainda em 2016, no governo Michel Temer, um sistema que fazia controle do fluxo de bebidas direto das fabricantes, com foco em cervejas e refrigerantes. Uma investigação feita pela BBC News Brasil na última semana mostrou como grupos de Facebook se tornaram um caminho fácil para comprar garrafas, tampas e rótulos de bebidas alcoólicas e até selos que prometem ser idênticos aos utilizados pela Receita Federal, para transmitir autenticidade a produtos falsificados. O governo federal determinou à Meta, dona do Facebook, que remova as publicações com base na reportagem. ➡️ Mas será que esse sistema de fiscalização teria servido para evitar os casos de contaminação de agora? O que pode ter falhado? Jovem de 19 anos é internado em UTI com suspeita de intoxicação por metanol Quem fiscaliza? O papel de garantir que as bebidas que são vendidas no país são de origem legal e possuem qualidade é dividido por diversos órgãos nos municípios, Estados e também no governo federal. Bebidas alcoólicas têm seu registro e processo de produção regulados pelo Ministério da Agricultura (Mapa). O órgão também pode realizar fiscalizações em fabricantes e distribuidoras de bebidas, por exemplo. Há ainda a fiscalização feita por vigilâncias sanitárias, de responsabilidade dos Estados e municípios. Neste caso, os órgãos podem visitar os estabelecimentos e verificar se têm licença para operar, se armazenam alimentos de forma adequada, se há problemas de higiene, dentre outras ações. Os Procons, serviços de defesa ao consumidor, também podem participar dessas ações. Checam informações de origem, ingredientes, validade, preços e forma de pagamento, por exemplo. E orientam também para que as empresas comprem só de fornecedores confiáveis, com CNPJ ativo, e que sempre exijam a nota fiscal. Já se tiver alguma suspeita de falsificação, entra a investigação das polícias, como está acontecendo agora, que pode ser tanto em nível estadual quanto em federal. Mas como assegurar que uma bebida tem origem legal? Perícia mostra que metanol foi adicionado em parte de garrafas apreendidas em SP Rastreamento é feito com selos nas garrafas Há no Brasil hoje um controle da circulação de bebidas alcoólicas por meio de selos. Esses selos são emitidos pela Casa de Moeda e administrados pela Receita Federal. E têm como principal função a garantia do pagamento dos impostos. Não é um controle de qualidade do produto, mas de sua origem legal. Se não tiver o selo na tampa, a garrafa pode ser apreendida, e há risco de multa para a empresa. No caso de fabricantes nacionais, o selo fica a cargo do fabricante. De internacionais, do importador. A legislação diz que os estabelecimentos devem registrar qualquer movimentação de entrada e saída dos selos, inclusive dos que não foram usados ou devolvidos. Críticos dizem que os selos não suficientes, pois podem ser falsificados. A BBC News Brasil identificou que alguns desses selos eram vendidos em um grupo no Facebook. O vendedor ofereceu à reportagem 1 mil selos por R$ 1,3 mil. Não foi possível confirmar se os selos oferecidos eram originais ou cópias, e a Receita não quis comentar. A legislação diz que bebidas embaladas com um selo falso estão sujeitas à apreensão. Como era o sistema de monitoramento de bebidas que foi desativado em 2016? Regulamentado em 2008, no segundo mandato do presidente Lula, e vigente até o segundo semestre de 2016, sob o presidente Michel Temer, o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), vinculado à Receita Federal, monitorava a fabricação e origem dos produtos a partir de equipamentos nas linhas de produção das fábricas. O sistema não fazia qualquer tipo de aferição sobre a qualidade do produto e tinha como principal fim a cobrança de impostos. As bebidas eram marcadas com uma espécie de assinatura digital, pra permitir o rastreamento individual. O código continha informações do fabricante, da marca e da data de fabricação, por exemplo. O principal objetivo do sistema era, inicialmente, monitorar cervejas e refrigerantes. Em 2011, uma alteração nas regras do Sicobe passou a abranger também a categoria de "outras bebidas", o que poderia incluir destilados, por exemplo. Mas a Receita diz que a prioridade do sistema era para refrigerantes e cervejas, e que a entrada dos destilados no sistema era opcional. O sistema tinha um custo para as empresas, calculado com base no número de unidades envasadas, de três centavos por unidade, pago à Casa da Moeda. Esse custo depois podia ser abatido de impostos que seriam usados pelo governo para financiar seguridade social (previdência, assistência social, saúde, dentre outros). Uma dissertação de mestrado de Natalia Kirchner de Azevedo, defendida em 2016 no Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conclui que o Sicobe representava um custo elevado para as empresas, que recaía "para o consumidor e toda a sociedade." Esses abatimentos de impostos para cobrir os custos do sistema, segundo a pesquisa, somaram R$ 8 bilhões entre 2009 e 2016, ou R$ 1 bilhão por ano, que deixaram de ser arrecadados para a área social. Quando estava perto de ser descontinuado, em 2016, o Sicobe chegou a abranger cerca de 300 empresas, segundo o estudo. A dissertação de Azevedo faz uma comparação de custos com um exemplo concreto, com dados do faturamento da Ambev, maior cervejaria do mundo, e seus custos anuais com uma auditoria independente, que representariam menos de 0,1% do custo do Sicobe, concluindo que o gasto "mostra-se muito alto em comparação ao serviço de auditoria independente" e que "torna-se um custo para a sociedade, uma vez que deixa de arrecadar com contribuições sociais." A Receita Federal usou esse mesmo argumento, do alto custo, para descontinuar o sistema. Afirmam que o valor anual era de cerca de R$ 2,5 bilhões de reais em valores corrigidos pelo IPCA (o valor nominal Receita é de R$ 1,4 bilhão, em 2014). Para a Receita, "os custos eram desproporcionais aos benefícios, representando aproximadamente 10 vezes mais que sistemas similares." A BBC News Brasil questionou o órgão sobre quais seriam alternativas em discussão no momento, mas não houve resposta até o momento. Já a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) e a Federação de Hotéis Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) dizem que o sistema é importante para combater a sonegação. O governo federal, de outro lado, diz que a arrecadação do setor de bebidas cresceu, de R$ 9,2 bilhões em 2016 a R$ 13,4 bilhões em 2024, mesmo após desativação do Sicobe. Outro possível entrave para reestabelecimento do Sicobe, ao menos no modelo antigo, poderia ser a tecnologia: uma reportagem publicada no ano passado no blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, diz que o maquinário que fazia a marcação das embalagens de bebidas, instalado na linha de produção das fabricantes, está abandonado há oito anos em dependências da Casa da Moeda, e que a retomada do sistema exigiria adaptar as máquinas a novas tecnologias, além de fazer a manutenção desses equipamentos. Sistema de rastreamento de bebidas pode ser reativado? Existe um pedido para que esse monitoramento do Sicobe seja reativado, feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Mas houve um impasse. O governo federal recorreu para não reativar, em 2023, novamente sob Lula, e o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), por um questionamento sobre se o TCU poderia ou não ter feito uma intervenção em uma decisão da instituição. Mas por que a Receita é contrária ao uso desse sistema? Um dos argumentos foi que o custo do Sicobe era tão alto que seria o suficiente para contratar mais de 4 mil auditores fiscais. A Receita avalia também que o sistema tinha vulnerabilidades, citando casos de produtos que podiam ser marcados sem serem contabilizados. Outro ponto citado é que uma empresa privada, a Sicpa, tinha o total controle do sistema, o que poderia por em risco o sigilo de informações fiscais das empresas, segundo o órgão. Houve ainda uma denúncia de suspeita de corrupção. Uma investigação da Polícia Federal identificou, em 2015, que empregados da Casa da Moeda teriam tentado direcionar licitação em favor da Sicpa, que administrava o Sicobe. Havia indícios de que cerca de R$ 100 milhões teriam sido pagos em propinas a servidores da Receita e da Casa da Moeda. Um vice-presidente da empresa e um diretor da Receita Federal foram responsabilizados. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ainda em 2016, a empresa admitiu que ex-empregado participou do esquema de pagamento de propina, segundo o texto. A empresa firmou um acordo de leniência com a União no valor de R$ 762 milhões, com base na Lei Anticorrupção e de Improbidade Administrativa. O Sicobe, no entanto, acabou descontinuado. A Sicpa disse, em nota, que "a licitude da contratação do sistema foi atestada em três instâncias do judiciário brasileiro (TRF, STJ e STF), já com trânsito em julgado" e que "todas as decisões afastaram em definitivo qualquer hipótese que tenha sido aventada de atos lesivos ou condutas ilícitas em relação aos fatos apurados". Disse ainda que "não admitiu qualquer prática de corrupção. No acordo, a Sicpa assumir responsabilidade objetiva (ou seja, sem culpa da empresa ou de qualquer de seus funcionários ou executivos) por atos eventualmente praticados por um consultor externo, porque, naquela altura, esse consultor havia sido condenado em primeira instância por corrupção ativa." Afirmou também que "o acordo de leniência foi assinado antes da absolvição pela justiça criminal." Sistema de rastreamento resolveria problema da falsificação? Para Lucien Belmonte, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Vidro (Abividro), o rastreamento que existia com o Sicobe não resolveria o problema, já que o sistema tinha uma função mais voltada à questão fiscal. "A Receita Federal só quer saber de arrecadar imposto. Ela não quer saber de combater bebida falsificada, mas se você pagou imposto ou não. Temos de entender qual é a responsabilidade de cada um." Ele avalia que deve haver mais fiscalização especificamente sobre o uso e destinação das garrafas. "O Brasil é um país que não carece de leis. O crime compensa porque as pessoas sabem que não vão ser pegas, fiscalizadas ou ainda porque a interpretação da legislação é frouxa", diz. Ele avalia que a venda de garrafas para fins de adulteração deveria ser enquadrado também como crime, mas que isso depende de uma interpretação "alargada" da legislação. Há hoje um projeto no Congresso que discute transformar o crime de adulterar alimentos, como bebidas alcoólicas, em crime hediondo — o que aumentaria a pena e acabaria com a possibilidade de fiança. O projeto não fala em rastreabilidade de garrafas ou da fiscalização. Há visões que defendem que é preciso voltar a ter algum tipo de controle maior sobre os produtos, como era feito com o Sicobe. "Hoje não existe sistema de rastreabilidade das bebidas", diz Sérgio Pereira da Silva, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação. "A partir do momento que há rastreabilidade, melhora a fiscalização. Facilita identificar nas prateleiras o produto falsificado. Hoje os criminosos se aperfeiçoaram mais e fica cada vez mais difícil de o consumidor final saber diferenciar." Ele avalia que os selos não são suficientes para esse fim de fiscalizar. "Selo é um sistema que, em tese, tem objetivo de dificultar falsificação. Mas, como vocês mesmos identicaram, é fácil de comprar um selo falsificado. A mesma gráfica que falsifica o rótulo, falsifica o selo. Hoje há ferramentas muito mais avançadas do que usar um selo de papel colado na garrafa." Mas e os altos custos alegados pelo governo? Silva avalia que eles seriam cobertos pela maior quantidade de arrecadação de impostos com maior fiscalização. "O governo não vai desembolsar. O próprio sistema vai se pagar, com maior proteção ao consumidor." Ele diz também que há um incentivo financeiro claro para a pirataria. "Um comerciante mal-intencionado pode comprar a bebida original, vendê-la e depois, ao invés de mandar o vasilhame pra reciclagem, vender pra esse mercado paralelo, por um valor mais caro. Se tivesse rastreabilidade, saberíamos que o produto envasado com garrafa reaproveitada tem origem ilícita." Já o pesquisador-sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) Nívio Nascimento avalia que alguma forma de rastreamento das bebidas alcoólicas é necessária, ainda que não seja pelo mesmo sistema usado no passado. "A gente só vai conseguir responder esses ilícitos no setor quando tivermos formas de rastreamento mais robustas. Isso é muito controle. Quando não existe controle é muita circulação, é muita oportunidade de adulteração, de falsificação. É natural que os controles devam ser ampliados." O caso das contaminações por metanol na República Dominicana — e o novo sistema de monitoramento adotado Sérgio Pereira da Silva, da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, citou a República Dominicana como bom exemplo de ação contra as bebidas adulteradas. O país viveu um surto de contaminação de metanol em 2021. Um documento da Dirección General de Impuestos Internos (equivalente à Receita Federal) apontou que o uso de selos físicos era o mesmo mecanismo usado há 50 anos e que este deveria ser modernizado. Então foi proposto um novo mecanismo, com códigos de QR Code nas embalagens, proposto pela mesma empresa que operava o Sicobe no Brasil, a Sicpa. O Ministério da Saúde do país reportou, em 2023, que não tinha mais documentado nenum casos de contaminação por metanol em bebidas. Bruno Queiroga, CEO da Sicpa América do Sul, disse à BBC que o principal entrave hoje para investigar casos como esse de contaminação de bebidas alcoólicas por metanol é a falta de identificação única dessas bebidas. Ele diz que a empresa apresentou uma proposta de modernização do sistema de rastreamento ainda no governo Bolsonaro, que foi reapresentado no governo Lula, mas que não recebeu resposta. Nesse novo sistema, diz ele, qualquer cidadão poderia, com um smartphone, verificar a origem por meio da leitura de um código, aplicado com tinta de segurança na tampa da garrafa (uma espécie de QR Code). Ele rebateu as críticas sobre os custos do antigo Sicobe, diz que o valor de R$ 0,03 por garrafa permanece o mesmo desde 2009 e que esse valor poderia ser repassado à própria indústria. "Em outros países que operamos, quem paga o custo do sistema é a indústria." Disse ainda que a própria Receita poderia dizer quais elementos do sistema deveriam ser removidos para reduzir custos ou o que deveria ser adicionado ou modernizado.

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Auxílio Emergencial: mais de 2 mil famílias do DF terão que devolver R$ 5,8 milhões aos cofres públicos

Publicado em: 09/10/2025 02:01

Governo cobra devolução de R$ 478 milhões pagos indevidamente no Auxílio Emergencial O governo federal começou a cobrar a devolução de R$5,8 milhões recebidos de forma indevida por mais de 2 mil famílias do Distrito Federal durante o pagamento do Auxílio Emergencial na pandemia de Covid-19. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), 2.168 famílias do Distrito Federal terão de devolver o dinheiro. Ao todo, R$ 478,8 milhões deverão ser devolvidos aos cofres públicos em todo o país. Quem precisa devolver Devem restituir os valores as pessoas que apresentaram inconsistências nos critérios de elegibilidade, como: vínculo formal de trabalho; recebimento de benefício previdenciário; renda familiar acima do limite permitido; ou outras situações que caracterizam pagamento indevido. As mensagens são enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica, priorizando casos de maior valor ou maior capacidade de pagamento, conforme regras do Decreto nº 10.990/2022. Quem está isento da cobrança A devolução não se aplica a famílias em situação de vulnerabilidade. Ficam fora da cobrança: beneficiários do Bolsa Família; pessoas inscritas no Cadastro Único; quem recebeu menos de R$ 1,8 mil; famílias com renda per capita de até dois salários mínimos; ou renda mensal total de até três salários mínimos. Cartão do Bolsa Família Lyon Santos/MDS Como fazer a devolução O pagamento deve ser feito pelo sistema Vejae, via PagTesouro, com as opções de PIX, cartão de crédito ou boleto bancário (GRU). Segundo a diretora do Departamento de Auxílios Descontinuados do MDS, Érica Feitosa, o prazo para quitação é de 60 dias a partir da notificação, com possibilidade de parcelamento em até 60 vezes, sem juros nem multa, e parcela mínima de R$ 50. “O sistema garante o direito de defesa, permitindo que o cidadão apresente recurso se discordar da cobrança. É importante que todos acessem a plataforma e verifiquem sua situação”, afirmou Érica. O que acontece se não pagar Quem não devolver o valor dentro do prazo poderá ter o nome inscrito na Dívida Ativa da União e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados), além de ficar sujeito à negativação em órgãos de proteção ao crédito. LEIA TAMBÉM 'BEM BRASILEIRO': Iphan lança site com mais de 2 mil itens que compõem o patrimônio imaterial do país METEOROLOGIA: Nuvens carregadas se aproximam do céu do DF, diz Inmet, mas chuva ainda pode levar dias; entenda

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Governo cobra devolução de R$ 478 milhões pagos indevidamente no Auxílio Emergencial; 177 mil famílias foram notificadas

Publicado em: 08/10/2025 15:01

Governo publica norma para impedir beneficiários do Bolsa Família e BPC de fazer apostas e O governo federal começou a cobrar a devolução de R$ 478,8 milhões recebidos de forma indevida por 177,4 mil famílias durante o pagamento do Auxílio Emergencial — benefício criado na pandemia de Covid-19. As notificações estão sendo enviadas desde março pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Quem precisa devolver Devem restituir os valores as pessoas que apresentaram inconsistências nos critérios de elegibilidade, como: vínculo formal de trabalho; recebimento de benefício previdenciário; renda familiar acima do limite permitido; ou outras situações que caracterizam pagamento indevido. As mensagens são enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica, priorizando casos de maior valor ou maior capacidade de pagamento, conforme regras do Decreto nº 10.990/2022. Quem está isento da cobrança A devolução não se aplica a famílias em situação de vulnerabilidade. Ficam fora da cobrança: beneficiários do Bolsa Família; pessoas inscritas no Cadastro Único; quem recebeu menos de R$ 1,8 mil; famílias com renda per capita de até dois salários mínimos; ou renda mensal total de até três salários mínimos. Como fazer a devolução O pagamento deve ser feito pelo sistema Vejae, via PagTesouro, com as opções de PIX, cartão de crédito ou boleto bancário (GRU). Segundo a diretora do Departamento de Auxílios Descontinuados do MDS, Érica Feitosa, o prazo para quitação é de 60 dias a partir da notificação, com possibilidade de parcelamento em até 60 vezes, sem juros nem multa, e parcela mínima de R$ 50. “O sistema garante o direito de defesa, permitindo que o cidadão apresente recurso se discordar da cobrança. É importante que todos acessem a plataforma e verifiquem sua situação”, afirmou Érica. O que acontece se não pagar Quem não devolver o valor dentro do prazo poderá ter o nome inscrito na Dívida Ativa da União e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados), além de ficar sujeito à negativação em órgãos de proteção ao crédito. Estados com mais devoluções Os estados com maior número de notificações são: São Paulo: 55,2 mil famílias; Minas Gerais: 21,1 mil; Rio de Janeiro: 13,2 mil; Paraná: 13,2 mil.

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Bar que funcionava como prostíbulo entra na 'lista suja' do trabalho escravo; mulheres pagavam multa se deixassem local

Publicado em: 08/10/2025 12:41

Superintendência Regional do Trabalho de Pernambuco (SRTE-PE) fica no Centro do Recife Reprodução/Google Street View Um bar que funcionava como prostíbulo em Barreiros, no Litoral Sul de Pernambuco, entrou na "lista suja", que divulga os nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições semelhantes à escravidão. Além dele, outros sete nomes entraram no documento, que é publicado semestralmente (veja mais abaixo). Em todo o Brasil, foram 159 novas ocorrências. O local que funcionava como prostíbulo era o "Bar da Mamãe", administrado por Maria Elida Santana de Ataíde. De acordo com os autos, havia quatro mulheres sendo exploradas sexualmente no estabelecimento. Elas eram proibidas de sair do bar em dias específicos, sob pena de multa de R$ 100. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE As mulheres tinham 21, 23, 28 e 38 anos. Elas eram de Alagoas. A operação que as resgatou ocorreu em outubro de 2024, e foi realizada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco (SRTE-PE) e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Para além das violações trabalhistas, as mulheres eram vítimas de exploração sexual, crime que prevê pena de reclusão de dois a oito anos. No local, os auditores fiscais do trabalho encontraram as mulheres em condições degradantes e em condições sanitárias precárias, sem privacidade, higiene e conforto. 'Lista suja' do trabalho escravo é atualizada com 159 novos nomes Além disso, o bar retinha parte do dinheiro obtido pelas mulheres sob forma de "aluguel de quarto". O valor era cobrado mesmo se houvesse mais de uma trabalhadora utilizando o local ao mesmo tempo, o que, para os auditores fiscais, comprova que se tratava de retenção parcial do salário. "O valor de R$ 30 é cobrado para cada programa realizado, independentemente de um tempo de uso contínuo do quarto ou de um acordo prévio fixo. [...] 'Se duas meninas fizerem um programa juntas, cada uma paga o valor do quarto'. Essa prática revela que o valor cobrado não está relacionado ao uso efetivo do espaço, mas à quantidade de programas realizados, funcionando como uma retenção direta de parte do valor recebido pelas trabalhadoras", diz o auto de fiscalização. Às trabalhadoras, também era cobrado materiais de limpeza para higiene do local de trabalho, além de outros insumos necessários à própria atuação delas no bar. Além disso, nenhuma das trabalhadoras tinha carteira assinada, nem direitos trabalhistas previstos em lei, como acesso ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Previdência Social. Confira as irregularidades encontradas: Exploração da situação de vulnerabilidade de trabalhador para inserir no contrato de trabalho, formal ou informalmente, condições ou cláusulas abusivas; Arregimentação de trabalhador por meio de ameaça, fraude, engano ou coação; Manutenção do trabalhador na prestação de serviços por meio de coação ou outros artifícios; Inexistência de medidas para eliminar ou neutralizar riscos quando a atividade, o meio ambiente ou as condições de trabalho apresentarem riscos graves para a saúde e segurança do trabalhador; Instalações sanitárias que não assegurem utilização em condições higiênicas ou com preservação da privacidade; Trabalhadoras alojadas ou em moradia no mesmo ambiente utilizado para desenvolvimento da atividade laboral; Subdimensionamento de alojamento ou moradia que inviabilize sua utilização em condições de segurança, vedação, higiene, privacidade ou conforto; Transferência ao trabalhador arregimentado do ônus do custeio do deslocamento desde sua localidade de origem até o local de prestação dos serviços; Retenção parcial do salário. "Lista suja" Confira, abaixo, todos os nomes da "lista suja" em Pernambuco: Empregadores na 'lista suja' do trabalho escravo VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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'Golpista do Tinder' é condenado a 5 anos de prisão por enganar mulheres com perfis falsos no RS

Publicado em: 08/10/2025 11:15

Golpe do namoro virtual: entenda o que é e por que as pessoas ainda caem O homem conhecido como "golpista do Tinder", apontado como responsável por lesar ao menos cinco mulheres no Rio Grande do Sul, foi condenado a 5 anos, 5 meses e 5 dias de prisão em regime semiaberto pelo crime de estelionato continuado. A decisão da 3ª Vara Criminal de Caxias do Sul contra o caxiense Guilherme Selister também impõe o pagamento de indenização total de R$ 240.440, valor que, atualizado com juros e correção monetária, ultrapassa hoje os R$ 360 mil. A decisão encerra judicialmente um caso que ganhou repercussão no Estado após a revelação de uma série de fraudes afetivas que teriam sido praticadas por Selister, que se passava por médico, militar, nutricionista e engenheiro para conquistar mulheres e, depois, obter vantagens financeiras. O g1 RS tenta contato com a defesa de Selister. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O juiz André Luís Diedrich reconheceu cinco vítimas formais na ação, mas há registros de ao menos 12 mulheres que relataram terem sido lesadas. São citados, ainda, um casal de empresários e até um jornalista ameaçado após expor o esquema. O juiz observou que Selister mantinha relacionamentos amorosos fictícios com o intuito de induzir as mulheres ao erro, utilizando "histórias de sofrimento pessoal e doenças graves" para sensibilizá-las e obter dinheiro. Em um dos casos, ele chegou a afirmar que precisava de uma cirurgia cerebral urgente, forjando documentos e até a identidade de um falso neurologista que trocava mensagens com a vítima para dar sensação de verdade à farsa. Na fundamentação da sentença, o magistrado destacou a "crueza e o engano" característicos da conduta do réu, que explorou a vulnerabilidade emocional das vítimas para aplicar os golpes. "Trata-se de comportamento reiterado, voltado à exploração da confiança e dos sentimentos alheios. O réu instrumentalizou o afeto para fins econômicos, o que agrava sobremaneira a sua culpabilidade", escreveu o juiz na decisão. Fotos de Guilherme Selister nas redes sociais Reprodução/Redes sociais Perfis falsos e o "golpista dos aplicativos" Guilherme Selister aplicava golpes pelo Instagram e aplicativos de relacionamento. Redes sociais Conhecido por criar perfis diferentes em redes sociais e aplicativos de namoro, Guilherme Selister se apresentava como profissional bem-sucedido, atlético e financeiramente estável. Em suas contas — muitas delas desativadas ou alteradas — exibia fotos em trajes médicos, uniformes militares e academias de luxo, sempre acompanhadas de frases motivacionais. Investigadores apontam que ele mantinha diversos perfis falsos no Instagram e no Tinder, atraindo mulheres de diferentes cidades do RS. Os valores obtidos variavam conforme o vínculo criado. Uma vítima perdeu R$ 70 mil ao acreditar que custeava o tratamento médico do golpista; outra, R$ 100 mil, em empréstimos e pagamentos de despesas pessoais do acusado. Um casal de sócios de uma academia também foi enganado: Selister convenceu os empresários a ceder 10% da empresa e R$ 85 mil em transferências, alegando ser atleta militar e prometer retorno financeiro em competições que nunca ocorreram. Os processos que tramitavam em cidades diferentes foram unificados na Comarca de Caxias do Sul, no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, devido às semelhanças nos modos de operação do réu. Na audiência de instrução e julgamento, realizada de forma híbrida em 10 de setembro, vítimas e testemunhas prestaram depoimentos, enquanto Selister não compareceu e tampouco justificou sua ausência. Ele é representado pela Defensoria Pública. Entre os autos, também consta uma investigação por ameaça ao jornalista que revelou o caso — episódio que reforçou, segundo o juiz, a "personalidade manipuladora e intimidadora" do acusado. Perfil de Guilherme Selister em aplicativo de relacionamento Reprodução/Tinder Valores e danos A condenação fixou indenizações individuais às cinco vítimas reconhecidas: Vítima 1: R$ 9,1 mil Vítima 2: R$ 38 mil Vítima 3: R$ 73,8 mil Vítima 4: R$ 51,5 mil Vítima 5: R$ 67,9 mil Os valores deverão ser corrigidos pelo IPCA e acrescidos de juros de 12% ao ano a partir da data de cada golpe, o que faz com que o total atualizado supere R$ 360 mil. A sentença também impõe dias-multa equivalentes a 3.212,42 dias, calculados sobre o salário mínimo da época dos fatos. A pena de reclusão deverá ser cumprida em regime inicial semiaberto. Selister ainda poderá recorrer em liberdade, mas a decisão judicial destaca o "caráter reiterado e planejado dos crimes", reforçando que a atuação do condenado causou "grande dano moral e financeiro" às vítimas. O juiz conclui a sentença afirmando que o caso "revela a necessidade de resposta penal proporcional ao sofrimento imposto" e que "a reiteração de condutas demonstra ausência de arrependimento e desprezo pela dignidade alheia". G1 em 1 Minuto: Como trabalham mulheres que desmascararam o golpe do amor VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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Metanol: Unicamp recebe 75 amostras suspeitas de intoxicação para testagem

Publicado em: 08/10/2025 11:04

Cartilha mostra como identificar bebidas falsificadas O Centro de Informações Toxicológicas (CIATox) da Unicamp recebeu para testagem, nesta quarta-feira (8), 75 amostras de pacientes com suspeita de intoxicação por metanol. De acordo com informações apuradas pela EPTV, afiliada da TV Globo, o material veio de diferentes regiões do estado. O laboratório da unidade vem realizando a testagem desde que os primeiros casos vieram a público. Na terça-feira (7), a superintendente do Hospital de Clínicas da Unicamp, Elaine Cristina de Ataíde, detalhou que a capacidade de análise dos casos foi ampliada, com cerca de oito exames por hora. "São cerca de 190 exames por dia. Cada exame leva, em média, 15 minutos. Esse exame pode tanto ser sangue, quando a ingesta é mais precoce, quanto exame de urina, quando a ingesta é um pouco mais tardia". Além do CIATox de Campinas, o de Ribeirão Preto (SP) também tem capacidade para realizar cerca de 20 exames por dia. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça Unicamp recebeu doses de etanol para tratamento Nesta terça, o HC da Unicamp recebeu 100 ampolas de etanol farmacêutico, usado como antídoto para tratar casos de intoxicação por metanol. Também chamado de álcool absoluto, ele funciona como alternativa ao fomepizol, que é considerado tratamento de referência internacional, mas que não está disponível no mercado brasileiro. A substância age como antídoto, porque impede que o metanol seja convertido em ácido fórmico, uma substância ainda mais perigosa. "Nós recebemos 100 dessas ampolas. Cada ampola de álcool absoluto tem 10 ml. O estado de São Paulo disponibilizou 100 e estará disponibilizando mais se necessário", comentou Elaine. LEIA TAMBÉM: Perícia indica que metanol foi adicionado em parte de garrafas apreendidas em SP e não surgiu da destilação natural Unicamp recebe doses de metanol absoluto para o tratamento de pacientes com intoxicação por metanol Reprodução/EPTV Casos de intoxicação Nesta terça, o estado de São Paulo confirmou 18 casos de intoxicação por metanol no balanço divulgado pelo governo. Há 158 sendo investigados e 38 casos foram descartados. 176 casos 18 confirmados (há laudo atestando presença de metanol e confirmação de circunstâncias que indicam que a pessoa ingeriu bebida adulterada); 158 em investigação (há indícios clínicos, mas aguardam laudo para confirmar presença de metanol e investigações para entender circunstâncias de eventual ingestão da substância). 10 mortes 3 óbitos confirmados (com laudo e confirmação de ingestão de bebida adulterada); 7 mortes em investigação (sem laudo e sob investigação das circunstâncias). 85 casos descartados após análise clínica Infográfico explica ação dos antídotos em casos de intoxicação por metanol Arte/g1 Linhas de investigação A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação sobre as bebidas "batizadas" com metanol. Uma delas é que o metanol teria sido usado para a higienização de garrafas reaproveitadas que acabaram não indo para a reciclagem, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Outra hipótese é o uso do metanol para aumentar, na produção, o volume de bebidas falsificadas. Uma possibilidade é que a intenção do falsificador fosse adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminado com metanol. A perícia feita pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado. Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol? Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado. Como identificar metanol na bebida? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: desconfiar de preços muito baixos; comprar apenas em locais conhecidos; verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação. Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

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