Arquivo de Notícias Resultados para: "vulnerabilidade"

Padre preso por abusos sexuais no Paraná é denunciado por mais quatro crimes após novos depoimentos

Publicado em: 09/10/2025 12:46

Ministério Público oferece denúncia contra o padre investigado em Cascavel O padre afastado Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, preso desde agosto deste ano por crimes sexuais, foi denunciado por mais quatro crimes após novos depoimentos colhidos pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), em Cascavel, no oeste do Paraná. As novas acusações envolvem três vítimas da mesma família, de 17, 18 e 48 anos, segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR). Segundo a promotoria, o adolescente, de 17 anos, foi vítima de estupro e importunação sexual, enquanto a irmã e a mãe, de 18 e 48 anos, teriam sido induzidas à distribuição e ao consumo de drogas. Os três foram atendidos pelo padre na casa paroquial da igreja onde ele atuava, em 2023. A defesa de Genivaldo informou ao g1 que "está levantando provas que vão colocar em cheque os relatos das vítimas". A RPC, afiliada da TV Globo, questionou a Cúria de Cascavel sobre os relatos de que os crimes ocorrem dentro da casa paroquial, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp As novas vítimas procuraram o Nucria na última segunda-feira (6), e no mesmo dia as denúncias foram encaminhadas à Promotoria de Justiça e anexadas ao processo. Com o aditamento, o padre passa a responder por 25 crimes cometidos contra 16 vítimas, conforme o MP. Se condenado, as penas somadas podem passar de 500 anos de prisão, segundo a polícia. Genivaldo é padre há 12 anos Arquivo pessoal Leia também: Desvio de dinheiro público: Prefeito de Fazenda Rio Grande é preso em operação que mira fraudes e desvios de recursos públicos na saúde Dinheiro espalhado: Vizinhos ouvem gritos de socorro e polícia descobre R$ 1,2 milhão espalhado em casa vazia, no Paraná Incêndio: Porsche incendiado custa cerca de R$ 700 mil e tinha dívidas de IPVA; proprietário é suspeito de atear fogo no carro Entre as acusações estão nove estupros de vulnerável, dois casos de violação sexual mediante fraude (um tentado e outro consumado), seis de importunação sexual, um de entrega de substância nociva à saúde e sete de tráfico de drogas, por vender, entregar ou ministrar entorpecentes. As vítimas tinham entre 12 e 48 anos na época dos fatos. Além da condenação criminal, a Promotoria requer que o religioso pague indenização por danos morais e materiais a cada vítima, com valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 150 mil. O Ministério Público também pediu a manutenção da prisão preventiva do padre, alegando risco à ordem pública e à instrução do processo. O órgão aguarda o recebimento da denúncia e o deferimento da ação penal pelo Poder Judiciário. Leia mais sobre o caso: Padre é indiciado por crimes sexuais contra dez vítimas em Cascavel Quem é o padre preso por suspeita de estupro de vulnerável no Paraná 'Eu acordei com as mãos dele nas minhas partes íntimas', diz vítima de padre preso por estupro de vulnerável no Paraná Relembre o caso Padre foi preso na manhã deste domingo (24), em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) Genivaldo Oliveira dos Santos é investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais. Entre as vítimas apontadas pela polícia até o momento estão jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Segundo a polícia, as investigações apontam que os crimes cometidos pelo religioso começaram em 2009 e seguiram até julho deste ano. Ele foi preso por policiais do Nucria, que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa do padre. Segundo a polícia, ele está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano. Segundo a polícia, a prisão temporária do padre foi decretada porque ele estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas. Em setembro, ele foi transferido para o Complexo Médico Penal de Curitiba, onde permanece preso. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Justiça determina que governo de Roraima abrigue idosos em situação de vulnerabilidade

Publicado em: 09/10/2025 11:49

Justiça determina que estado garanta abrigo para idosos em situação de vulnerabilidade — imagem ilustrativa. FreePink/Arquivo A Justiça de Roraima determinou que o governo do estado garanta abrigo para idosos em situação de risco e abandono familiar. A decisão atende a uma ação do Ministério Público de Roraima (MPRR) e foi divulgada nesta quarta-feira (8) pelo órgão. A decisão, publicada na terça-feira (7), é resultado de uma Ação Civil Pública protocolada em 2021, por meio da Promotoria de Justiça do Idoso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp De acordo com o MP, a decisão determina que o governo tome medidas emergências para garantir o acolhimento dos idosos indicados pelo órgão, no prazo de 10 dias. Eles devem ser levados para a instituições públicas, privadas ou conveniadas que ofereçam condições mínimas de acolhimento, mesmo que de forma provisória, até que o abrigo público estadual fique pronto. O cumprimento da decisão pode ser feito com a adaptação de espaços públicos, convênios com entidades assistenciais ou filantrópicas, aluguel de estruturas temporárias ou outras medidas legais disponíveis. Se a decisão não for cumprida, o governo deverá pagar multa diária de R$ 5 mil. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em nota, a Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) disse que atualmente acolhe 42 idosos em situação de vulnerabilidade social no abrigo estadual e, em breve, será inaugurado um novo prédio da instituição, com ampliação em mais 30 vagas, "reforçando o compromisso do Estado com a proteção integral e o cuidado da pessoa idosa". LEIA TAMBÉM: Justiça condena governo de Roraima a pagar indenização de R$ 20 mil por negligência a idosos abrigados na Casa do Vovô MP dá 5 dias para Caer regularizar abastecimento de água na segunda maior cidade de Roraima Ação Civil Pública A decisão foi tomada com base na Ação Civil Pública apresentada em 2021. O objetivo é garantir abrigo para idosos em situação de risco ou abandono familiar, em instituições de longa permanência de responsabilidade do Estado. De acordo com o órgão, o governo estadual pediu mais 90 dias para concluir as obras no abrigo público, mas o pedido foi negado. A Promotoria de Justiça do Idoso argumentou que a situação continua crítica, com a recusa sistemática de pedidos de acolhimento, inclusive em 18 casos de hipervulnerabilidade. O MP também destacou que todos os prazos razoáveis já foram concedidos e que não há justificativa para novo adiamento do cumprimento da decisão judicial. O juiz aceitou os argumentos. “O tempo decorrido, associado à ausência de solução provisória para os casos urgentes, torna injustificável o novo pedido de prorrogação. Diante disso, impõe-se o indeferimento do pedido de novo prazo, com determinação de cumprimento imediato e efetivo da obrigação judicial, inclusive por medidas emergenciais”, narra trecho da decisão judicial. Segundo a promotora de Justiça Érika Michetti, a situação é preocupante. Ela disse que há idosos vivendo em condições de "extrema vulnerabilidade, sem qualquer suporte institucional, enquanto obras e prazos se arrastam" "A decisão judicial vem justamente reafirmar que cada dia de espera representa sofrimento e risco concreto para vidas que deveriam estar sob proteção de políticas públicas”, afirmou a promotora. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Por que o Brasil não tem sistema de monitoramento de bebidas alcoólicas?

Publicado em: 09/10/2025 08:08

Primeiros resultados descartam contaminação acidental de metanol em bebidas apreendidas O Brasil enfrenta um surto de casos de contaminação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas. O Ministério da Saúde informou, na última segunda-feira (6/10) que já recebeu 217 notificações. Desde que os casos vieram à tona, a maioria no Estado de São Paulo, governos estadual e federal mobilizaram polícia, agentes de saúde e outras equipes para cuidar do caso. A Polícia Técnico-Científica do estado confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras. As autoridades já confirmaram cinco mortes ligadas à intoxicação por metanol, todas no estado de São Paulo. 🔎 Uma das linhas de investigação trabalha com a hipótese de relação com o mercado de falsificação de bebidas. O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, montou um gabinete de crise e passou a fiscalizar festas universitárias, bares e adegas. Mais de 7 mil garrafas já foram apreendidas e 19 pessoas foram presas. ➡️ A crise trouxe à tona um problema no mercado de bebidas alcoólicas no país, que é a falta de rastreabilidade sobre esses produtos. E também críticas de que o governo federal desativou, ainda em 2016, no governo Michel Temer, um sistema que fazia controle do fluxo de bebidas direto das fabricantes, com foco em cervejas e refrigerantes. Uma investigação feita pela BBC News Brasil na última semana mostrou como grupos de Facebook se tornaram um caminho fácil para comprar garrafas, tampas e rótulos de bebidas alcoólicas e até selos que prometem ser idênticos aos utilizados pela Receita Federal, para transmitir autenticidade a produtos falsificados. O governo federal determinou à Meta, dona do Facebook, que remova as publicações com base na reportagem. ➡️ Mas será que esse sistema de fiscalização teria servido para evitar os casos de contaminação de agora? O que pode ter falhado? Jovem de 19 anos é internado em UTI com suspeita de intoxicação por metanol Quem fiscaliza? O papel de garantir que as bebidas que são vendidas no país são de origem legal e possuem qualidade é dividido por diversos órgãos nos municípios, Estados e também no governo federal. Bebidas alcoólicas têm seu registro e processo de produção regulados pelo Ministério da Agricultura (Mapa). O órgão também pode realizar fiscalizações em fabricantes e distribuidoras de bebidas, por exemplo. Há ainda a fiscalização feita por vigilâncias sanitárias, de responsabilidade dos Estados e municípios. Neste caso, os órgãos podem visitar os estabelecimentos e verificar se têm licença para operar, se armazenam alimentos de forma adequada, se há problemas de higiene, dentre outras ações. Os Procons, serviços de defesa ao consumidor, também podem participar dessas ações. Checam informações de origem, ingredientes, validade, preços e forma de pagamento, por exemplo. E orientam também para que as empresas comprem só de fornecedores confiáveis, com CNPJ ativo, e que sempre exijam a nota fiscal. Já se tiver alguma suspeita de falsificação, entra a investigação das polícias, como está acontecendo agora, que pode ser tanto em nível estadual quanto em federal. Mas como assegurar que uma bebida tem origem legal? Perícia mostra que metanol foi adicionado em parte de garrafas apreendidas em SP Rastreamento é feito com selos nas garrafas Há no Brasil hoje um controle da circulação de bebidas alcoólicas por meio de selos. Esses selos são emitidos pela Casa de Moeda e administrados pela Receita Federal. E têm como principal função a garantia do pagamento dos impostos. Não é um controle de qualidade do produto, mas de sua origem legal. Se não tiver o selo na tampa, a garrafa pode ser apreendida, e há risco de multa para a empresa. No caso de fabricantes nacionais, o selo fica a cargo do fabricante. De internacionais, do importador. A legislação diz que os estabelecimentos devem registrar qualquer movimentação de entrada e saída dos selos, inclusive dos que não foram usados ou devolvidos. Críticos dizem que os selos não suficientes, pois podem ser falsificados. A BBC News Brasil identificou que alguns desses selos eram vendidos em um grupo no Facebook. O vendedor ofereceu à reportagem 1 mil selos por R$ 1,3 mil. Não foi possível confirmar se os selos oferecidos eram originais ou cópias, e a Receita não quis comentar. A legislação diz que bebidas embaladas com um selo falso estão sujeitas à apreensão. Como era o sistema de monitoramento de bebidas que foi desativado em 2016? Regulamentado em 2008, no segundo mandato do presidente Lula, e vigente até o segundo semestre de 2016, sob o presidente Michel Temer, o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), vinculado à Receita Federal, monitorava a fabricação e origem dos produtos a partir de equipamentos nas linhas de produção das fábricas. O sistema não fazia qualquer tipo de aferição sobre a qualidade do produto e tinha como principal fim a cobrança de impostos. As bebidas eram marcadas com uma espécie de assinatura digital, pra permitir o rastreamento individual. O código continha informações do fabricante, da marca e da data de fabricação, por exemplo. O principal objetivo do sistema era, inicialmente, monitorar cervejas e refrigerantes. Em 2011, uma alteração nas regras do Sicobe passou a abranger também a categoria de "outras bebidas", o que poderia incluir destilados, por exemplo. Mas a Receita diz que a prioridade do sistema era para refrigerantes e cervejas, e que a entrada dos destilados no sistema era opcional. O sistema tinha um custo para as empresas, calculado com base no número de unidades envasadas, de três centavos por unidade, pago à Casa da Moeda. Esse custo depois podia ser abatido de impostos que seriam usados pelo governo para financiar seguridade social (previdência, assistência social, saúde, dentre outros). Uma dissertação de mestrado de Natalia Kirchner de Azevedo, defendida em 2016 no Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conclui que o Sicobe representava um custo elevado para as empresas, que recaía "para o consumidor e toda a sociedade." Esses abatimentos de impostos para cobrir os custos do sistema, segundo a pesquisa, somaram R$ 8 bilhões entre 2009 e 2016, ou R$ 1 bilhão por ano, que deixaram de ser arrecadados para a área social. Quando estava perto de ser descontinuado, em 2016, o Sicobe chegou a abranger cerca de 300 empresas, segundo o estudo. A dissertação de Azevedo faz uma comparação de custos com um exemplo concreto, com dados do faturamento da Ambev, maior cervejaria do mundo, e seus custos anuais com uma auditoria independente, que representariam menos de 0,1% do custo do Sicobe, concluindo que o gasto "mostra-se muito alto em comparação ao serviço de auditoria independente" e que "torna-se um custo para a sociedade, uma vez que deixa de arrecadar com contribuições sociais." A Receita Federal usou esse mesmo argumento, do alto custo, para descontinuar o sistema. Afirmam que o valor anual era de cerca de R$ 2,5 bilhões de reais em valores corrigidos pelo IPCA (o valor nominal Receita é de R$ 1,4 bilhão, em 2014). Para a Receita, "os custos eram desproporcionais aos benefícios, representando aproximadamente 10 vezes mais que sistemas similares." A BBC News Brasil questionou o órgão sobre quais seriam alternativas em discussão no momento, mas não houve resposta até o momento. Já a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) e a Federação de Hotéis Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) dizem que o sistema é importante para combater a sonegação. O governo federal, de outro lado, diz que a arrecadação do setor de bebidas cresceu, de R$ 9,2 bilhões em 2016 a R$ 13,4 bilhões em 2024, mesmo após desativação do Sicobe. Outro possível entrave para reestabelecimento do Sicobe, ao menos no modelo antigo, poderia ser a tecnologia: uma reportagem publicada no ano passado no blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, diz que o maquinário que fazia a marcação das embalagens de bebidas, instalado na linha de produção das fabricantes, está abandonado há oito anos em dependências da Casa da Moeda, e que a retomada do sistema exigiria adaptar as máquinas a novas tecnologias, além de fazer a manutenção desses equipamentos. Sistema de rastreamento de bebidas pode ser reativado? Existe um pedido para que esse monitoramento do Sicobe seja reativado, feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Mas houve um impasse. O governo federal recorreu para não reativar, em 2023, novamente sob Lula, e o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), por um questionamento sobre se o TCU poderia ou não ter feito uma intervenção em uma decisão da instituição. Mas por que a Receita é contrária ao uso desse sistema? Um dos argumentos foi que o custo do Sicobe era tão alto que seria o suficiente para contratar mais de 4 mil auditores fiscais. A Receita avalia também que o sistema tinha vulnerabilidades, citando casos de produtos que podiam ser marcados sem serem contabilizados. Outro ponto citado é que uma empresa privada, a Sicpa, tinha o total controle do sistema, o que poderia por em risco o sigilo de informações fiscais das empresas, segundo o órgão. Houve ainda uma denúncia de suspeita de corrupção. Uma investigação da Polícia Federal identificou, em 2015, que empregados da Casa da Moeda teriam tentado direcionar licitação em favor da Sicpa, que administrava o Sicobe. Havia indícios de que cerca de R$ 100 milhões teriam sido pagos em propinas a servidores da Receita e da Casa da Moeda. Um vice-presidente da empresa e um diretor da Receita Federal foram responsabilizados. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ainda em 2016, a empresa admitiu que ex-empregado participou do esquema de pagamento de propina, segundo o texto. A empresa firmou um acordo de leniência com a União no valor de R$ 762 milhões, com base na Lei Anticorrupção e de Improbidade Administrativa. O Sicobe, no entanto, acabou descontinuado. A Sicpa disse, em nota, que "a licitude da contratação do sistema foi atestada em três instâncias do judiciário brasileiro (TRF, STJ e STF), já com trânsito em julgado" e que "todas as decisões afastaram em definitivo qualquer hipótese que tenha sido aventada de atos lesivos ou condutas ilícitas em relação aos fatos apurados". Disse ainda que "não admitiu qualquer prática de corrupção. No acordo, a Sicpa assumir responsabilidade objetiva (ou seja, sem culpa da empresa ou de qualquer de seus funcionários ou executivos) por atos eventualmente praticados por um consultor externo, porque, naquela altura, esse consultor havia sido condenado em primeira instância por corrupção ativa." Afirmou também que "o acordo de leniência foi assinado antes da absolvição pela justiça criminal." Sistema de rastreamento resolveria problema da falsificação? Para Lucien Belmonte, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Vidro (Abividro), o rastreamento que existia com o Sicobe não resolveria o problema, já que o sistema tinha uma função mais voltada à questão fiscal. "A Receita Federal só quer saber de arrecadar imposto. Ela não quer saber de combater bebida falsificada, mas se você pagou imposto ou não. Temos de entender qual é a responsabilidade de cada um." Ele avalia que deve haver mais fiscalização especificamente sobre o uso e destinação das garrafas. "O Brasil é um país que não carece de leis. O crime compensa porque as pessoas sabem que não vão ser pegas, fiscalizadas ou ainda porque a interpretação da legislação é frouxa", diz. Ele avalia que a venda de garrafas para fins de adulteração deveria ser enquadrado também como crime, mas que isso depende de uma interpretação "alargada" da legislação. Há hoje um projeto no Congresso que discute transformar o crime de adulterar alimentos, como bebidas alcoólicas, em crime hediondo — o que aumentaria a pena e acabaria com a possibilidade de fiança. O projeto não fala em rastreabilidade de garrafas ou da fiscalização. Há visões que defendem que é preciso voltar a ter algum tipo de controle maior sobre os produtos, como era feito com o Sicobe. "Hoje não existe sistema de rastreabilidade das bebidas", diz Sérgio Pereira da Silva, que é vice-presidente da Associação Brasileira de Combate à Falsificação. "A partir do momento que há rastreabilidade, melhora a fiscalização. Facilita identificar nas prateleiras o produto falsificado. Hoje os criminosos se aperfeiçoaram mais e fica cada vez mais difícil de o consumidor final saber diferenciar." Ele avalia que os selos não são suficientes para esse fim de fiscalizar. "Selo é um sistema que, em tese, tem objetivo de dificultar falsificação. Mas, como vocês mesmos identicaram, é fácil de comprar um selo falsificado. A mesma gráfica que falsifica o rótulo, falsifica o selo. Hoje há ferramentas muito mais avançadas do que usar um selo de papel colado na garrafa." Mas e os altos custos alegados pelo governo? Silva avalia que eles seriam cobertos pela maior quantidade de arrecadação de impostos com maior fiscalização. "O governo não vai desembolsar. O próprio sistema vai se pagar, com maior proteção ao consumidor." Ele diz também que há um incentivo financeiro claro para a pirataria. "Um comerciante mal-intencionado pode comprar a bebida original, vendê-la e depois, ao invés de mandar o vasilhame pra reciclagem, vender pra esse mercado paralelo, por um valor mais caro. Se tivesse rastreabilidade, saberíamos que o produto envasado com garrafa reaproveitada tem origem ilícita." Já o pesquisador-sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) Nívio Nascimento avalia que alguma forma de rastreamento das bebidas alcoólicas é necessária, ainda que não seja pelo mesmo sistema usado no passado. "A gente só vai conseguir responder esses ilícitos no setor quando tivermos formas de rastreamento mais robustas. Isso é muito controle. Quando não existe controle é muita circulação, é muita oportunidade de adulteração, de falsificação. É natural que os controles devam ser ampliados." O caso das contaminações por metanol na República Dominicana — e o novo sistema de monitoramento adotado Sérgio Pereira da Silva, da Associação Brasileira de Combate à Falsificação, citou a República Dominicana como bom exemplo de ação contra as bebidas adulteradas. O país viveu um surto de contaminação de metanol em 2021. Um documento da Dirección General de Impuestos Internos (equivalente à Receita Federal) apontou que o uso de selos físicos era o mesmo mecanismo usado há 50 anos e que este deveria ser modernizado. Então foi proposto um novo mecanismo, com códigos de QR Code nas embalagens, proposto pela mesma empresa que operava o Sicobe no Brasil, a Sicpa. O Ministério da Saúde do país reportou, em 2023, que não tinha mais documentado nenum casos de contaminação por metanol em bebidas. Bruno Queiroga, CEO da Sicpa América do Sul, disse à BBC que o principal entrave hoje para investigar casos como esse de contaminação de bebidas alcoólicas por metanol é a falta de identificação única dessas bebidas. Ele diz que a empresa apresentou uma proposta de modernização do sistema de rastreamento ainda no governo Bolsonaro, que foi reapresentado no governo Lula, mas que não recebeu resposta. Nesse novo sistema, diz ele, qualquer cidadão poderia, com um smartphone, verificar a origem por meio da leitura de um código, aplicado com tinta de segurança na tampa da garrafa (uma espécie de QR Code). Ele rebateu as críticas sobre os custos do antigo Sicobe, diz que o valor de R$ 0,03 por garrafa permanece o mesmo desde 2009 e que esse valor poderia ser repassado à própria indústria. "Em outros países que operamos, quem paga o custo do sistema é a indústria." Disse ainda que a própria Receita poderia dizer quais elementos do sistema deveriam ser removidos para reduzir custos ou o que deveria ser adicionado ou modernizado.

Palavras-chave: tecnologiavulnerabilidade

Auxílio Emergencial: mais de 2 mil famílias do DF terão que devolver R$ 5,8 milhões aos cofres públicos

Publicado em: 09/10/2025 02:01

Governo cobra devolução de R$ 478 milhões pagos indevidamente no Auxílio Emergencial O governo federal começou a cobrar a devolução de R$5,8 milhões recebidos de forma indevida por mais de 2 mil famílias do Distrito Federal durante o pagamento do Auxílio Emergencial na pandemia de Covid-19. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), 2.168 famílias do Distrito Federal terão de devolver o dinheiro. Ao todo, R$ 478,8 milhões deverão ser devolvidos aos cofres públicos em todo o país. Quem precisa devolver Devem restituir os valores as pessoas que apresentaram inconsistências nos critérios de elegibilidade, como: vínculo formal de trabalho; recebimento de benefício previdenciário; renda familiar acima do limite permitido; ou outras situações que caracterizam pagamento indevido. As mensagens são enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica, priorizando casos de maior valor ou maior capacidade de pagamento, conforme regras do Decreto nº 10.990/2022. Quem está isento da cobrança A devolução não se aplica a famílias em situação de vulnerabilidade. Ficam fora da cobrança: beneficiários do Bolsa Família; pessoas inscritas no Cadastro Único; quem recebeu menos de R$ 1,8 mil; famílias com renda per capita de até dois salários mínimos; ou renda mensal total de até três salários mínimos. Cartão do Bolsa Família Lyon Santos/MDS Como fazer a devolução O pagamento deve ser feito pelo sistema Vejae, via PagTesouro, com as opções de PIX, cartão de crédito ou boleto bancário (GRU). Segundo a diretora do Departamento de Auxílios Descontinuados do MDS, Érica Feitosa, o prazo para quitação é de 60 dias a partir da notificação, com possibilidade de parcelamento em até 60 vezes, sem juros nem multa, e parcela mínima de R$ 50. “O sistema garante o direito de defesa, permitindo que o cidadão apresente recurso se discordar da cobrança. É importante que todos acessem a plataforma e verifiquem sua situação”, afirmou Érica. O que acontece se não pagar Quem não devolver o valor dentro do prazo poderá ter o nome inscrito na Dívida Ativa da União e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados), além de ficar sujeito à negativação em órgãos de proteção ao crédito. LEIA TAMBÉM 'BEM BRASILEIRO': Iphan lança site com mais de 2 mil itens que compõem o patrimônio imaterial do país METEOROLOGIA: Nuvens carregadas se aproximam do céu do DF, diz Inmet, mas chuva ainda pode levar dias; entenda

Palavras-chave: vulnerabilidade

Governo cobra devolução de R$ 478 milhões pagos indevidamente no Auxílio Emergencial; 177 mil famílias foram notificadas

Publicado em: 08/10/2025 15:01

Governo publica norma para impedir beneficiários do Bolsa Família e BPC de fazer apostas e O governo federal começou a cobrar a devolução de R$ 478,8 milhões recebidos de forma indevida por 177,4 mil famílias durante o pagamento do Auxílio Emergencial — benefício criado na pandemia de Covid-19. As notificações estão sendo enviadas desde março pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Quem precisa devolver Devem restituir os valores as pessoas que apresentaram inconsistências nos critérios de elegibilidade, como: vínculo formal de trabalho; recebimento de benefício previdenciário; renda familiar acima do limite permitido; ou outras situações que caracterizam pagamento indevido. As mensagens são enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica, priorizando casos de maior valor ou maior capacidade de pagamento, conforme regras do Decreto nº 10.990/2022. Quem está isento da cobrança A devolução não se aplica a famílias em situação de vulnerabilidade. Ficam fora da cobrança: beneficiários do Bolsa Família; pessoas inscritas no Cadastro Único; quem recebeu menos de R$ 1,8 mil; famílias com renda per capita de até dois salários mínimos; ou renda mensal total de até três salários mínimos. Como fazer a devolução O pagamento deve ser feito pelo sistema Vejae, via PagTesouro, com as opções de PIX, cartão de crédito ou boleto bancário (GRU). Segundo a diretora do Departamento de Auxílios Descontinuados do MDS, Érica Feitosa, o prazo para quitação é de 60 dias a partir da notificação, com possibilidade de parcelamento em até 60 vezes, sem juros nem multa, e parcela mínima de R$ 50. “O sistema garante o direito de defesa, permitindo que o cidadão apresente recurso se discordar da cobrança. É importante que todos acessem a plataforma e verifiquem sua situação”, afirmou Érica. O que acontece se não pagar Quem não devolver o valor dentro do prazo poderá ter o nome inscrito na Dívida Ativa da União e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados), além de ficar sujeito à negativação em órgãos de proteção ao crédito. Estados com mais devoluções Os estados com maior número de notificações são: São Paulo: 55,2 mil famílias; Minas Gerais: 21,1 mil; Rio de Janeiro: 13,2 mil; Paraná: 13,2 mil.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Bar que funcionava como prostíbulo entra na 'lista suja' do trabalho escravo; mulheres pagavam multa se deixassem local

Publicado em: 08/10/2025 12:41

Superintendência Regional do Trabalho de Pernambuco (SRTE-PE) fica no Centro do Recife Reprodução/Google Street View Um bar que funcionava como prostíbulo em Barreiros, no Litoral Sul de Pernambuco, entrou na "lista suja", que divulga os nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições semelhantes à escravidão. Além dele, outros sete nomes entraram no documento, que é publicado semestralmente (veja mais abaixo). Em todo o Brasil, foram 159 novas ocorrências. O local que funcionava como prostíbulo era o "Bar da Mamãe", administrado por Maria Elida Santana de Ataíde. De acordo com os autos, havia quatro mulheres sendo exploradas sexualmente no estabelecimento. Elas eram proibidas de sair do bar em dias específicos, sob pena de multa de R$ 100. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE As mulheres tinham 21, 23, 28 e 38 anos. Elas eram de Alagoas. A operação que as resgatou ocorreu em outubro de 2024, e foi realizada pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco (SRTE-PE) e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Para além das violações trabalhistas, as mulheres eram vítimas de exploração sexual, crime que prevê pena de reclusão de dois a oito anos. No local, os auditores fiscais do trabalho encontraram as mulheres em condições degradantes e em condições sanitárias precárias, sem privacidade, higiene e conforto. 'Lista suja' do trabalho escravo é atualizada com 159 novos nomes Além disso, o bar retinha parte do dinheiro obtido pelas mulheres sob forma de "aluguel de quarto". O valor era cobrado mesmo se houvesse mais de uma trabalhadora utilizando o local ao mesmo tempo, o que, para os auditores fiscais, comprova que se tratava de retenção parcial do salário. "O valor de R$ 30 é cobrado para cada programa realizado, independentemente de um tempo de uso contínuo do quarto ou de um acordo prévio fixo. [...] 'Se duas meninas fizerem um programa juntas, cada uma paga o valor do quarto'. Essa prática revela que o valor cobrado não está relacionado ao uso efetivo do espaço, mas à quantidade de programas realizados, funcionando como uma retenção direta de parte do valor recebido pelas trabalhadoras", diz o auto de fiscalização. Às trabalhadoras, também era cobrado materiais de limpeza para higiene do local de trabalho, além de outros insumos necessários à própria atuação delas no bar. Além disso, nenhuma das trabalhadoras tinha carteira assinada, nem direitos trabalhistas previstos em lei, como acesso ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e Previdência Social. Confira as irregularidades encontradas: Exploração da situação de vulnerabilidade de trabalhador para inserir no contrato de trabalho, formal ou informalmente, condições ou cláusulas abusivas; Arregimentação de trabalhador por meio de ameaça, fraude, engano ou coação; Manutenção do trabalhador na prestação de serviços por meio de coação ou outros artifícios; Inexistência de medidas para eliminar ou neutralizar riscos quando a atividade, o meio ambiente ou as condições de trabalho apresentarem riscos graves para a saúde e segurança do trabalhador; Instalações sanitárias que não assegurem utilização em condições higiênicas ou com preservação da privacidade; Trabalhadoras alojadas ou em moradia no mesmo ambiente utilizado para desenvolvimento da atividade laboral; Subdimensionamento de alojamento ou moradia que inviabilize sua utilização em condições de segurança, vedação, higiene, privacidade ou conforto; Transferência ao trabalhador arregimentado do ônus do custeio do deslocamento desde sua localidade de origem até o local de prestação dos serviços; Retenção parcial do salário. "Lista suja" Confira, abaixo, todos os nomes da "lista suja" em Pernambuco: Empregadores na 'lista suja' do trabalho escravo VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: vulnerabilidade

'Golpista do Tinder' é condenado a 5 anos de prisão por enganar mulheres com perfis falsos no RS

Publicado em: 08/10/2025 11:15

Golpe do namoro virtual: entenda o que é e por que as pessoas ainda caem O homem conhecido como "golpista do Tinder", apontado como responsável por lesar ao menos cinco mulheres no Rio Grande do Sul, foi condenado a 5 anos, 5 meses e 5 dias de prisão em regime semiaberto pelo crime de estelionato continuado. A decisão da 3ª Vara Criminal de Caxias do Sul contra o caxiense Guilherme Selister também impõe o pagamento de indenização total de R$ 240.440, valor que, atualizado com juros e correção monetária, ultrapassa hoje os R$ 360 mil. A decisão encerra judicialmente um caso que ganhou repercussão no Estado após a revelação de uma série de fraudes afetivas que teriam sido praticadas por Selister, que se passava por médico, militar, nutricionista e engenheiro para conquistar mulheres e, depois, obter vantagens financeiras. O g1 RS tenta contato com a defesa de Selister. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O juiz André Luís Diedrich reconheceu cinco vítimas formais na ação, mas há registros de ao menos 12 mulheres que relataram terem sido lesadas. São citados, ainda, um casal de empresários e até um jornalista ameaçado após expor o esquema. O juiz observou que Selister mantinha relacionamentos amorosos fictícios com o intuito de induzir as mulheres ao erro, utilizando "histórias de sofrimento pessoal e doenças graves" para sensibilizá-las e obter dinheiro. Em um dos casos, ele chegou a afirmar que precisava de uma cirurgia cerebral urgente, forjando documentos e até a identidade de um falso neurologista que trocava mensagens com a vítima para dar sensação de verdade à farsa. Na fundamentação da sentença, o magistrado destacou a "crueza e o engano" característicos da conduta do réu, que explorou a vulnerabilidade emocional das vítimas para aplicar os golpes. "Trata-se de comportamento reiterado, voltado à exploração da confiança e dos sentimentos alheios. O réu instrumentalizou o afeto para fins econômicos, o que agrava sobremaneira a sua culpabilidade", escreveu o juiz na decisão. Fotos de Guilherme Selister nas redes sociais Reprodução/Redes sociais Perfis falsos e o "golpista dos aplicativos" Guilherme Selister aplicava golpes pelo Instagram e aplicativos de relacionamento. Redes sociais Conhecido por criar perfis diferentes em redes sociais e aplicativos de namoro, Guilherme Selister se apresentava como profissional bem-sucedido, atlético e financeiramente estável. Em suas contas — muitas delas desativadas ou alteradas — exibia fotos em trajes médicos, uniformes militares e academias de luxo, sempre acompanhadas de frases motivacionais. Investigadores apontam que ele mantinha diversos perfis falsos no Instagram e no Tinder, atraindo mulheres de diferentes cidades do RS. Os valores obtidos variavam conforme o vínculo criado. Uma vítima perdeu R$ 70 mil ao acreditar que custeava o tratamento médico do golpista; outra, R$ 100 mil, em empréstimos e pagamentos de despesas pessoais do acusado. Um casal de sócios de uma academia também foi enganado: Selister convenceu os empresários a ceder 10% da empresa e R$ 85 mil em transferências, alegando ser atleta militar e prometer retorno financeiro em competições que nunca ocorreram. Os processos que tramitavam em cidades diferentes foram unificados na Comarca de Caxias do Sul, no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, devido às semelhanças nos modos de operação do réu. Na audiência de instrução e julgamento, realizada de forma híbrida em 10 de setembro, vítimas e testemunhas prestaram depoimentos, enquanto Selister não compareceu e tampouco justificou sua ausência. Ele é representado pela Defensoria Pública. Entre os autos, também consta uma investigação por ameaça ao jornalista que revelou o caso — episódio que reforçou, segundo o juiz, a "personalidade manipuladora e intimidadora" do acusado. Perfil de Guilherme Selister em aplicativo de relacionamento Reprodução/Tinder Valores e danos A condenação fixou indenizações individuais às cinco vítimas reconhecidas: Vítima 1: R$ 9,1 mil Vítima 2: R$ 38 mil Vítima 3: R$ 73,8 mil Vítima 4: R$ 51,5 mil Vítima 5: R$ 67,9 mil Os valores deverão ser corrigidos pelo IPCA e acrescidos de juros de 12% ao ano a partir da data de cada golpe, o que faz com que o total atualizado supere R$ 360 mil. A sentença também impõe dias-multa equivalentes a 3.212,42 dias, calculados sobre o salário mínimo da época dos fatos. A pena de reclusão deverá ser cumprida em regime inicial semiaberto. Selister ainda poderá recorrer em liberdade, mas a decisão judicial destaca o "caráter reiterado e planejado dos crimes", reforçando que a atuação do condenado causou "grande dano moral e financeiro" às vítimas. O juiz conclui a sentença afirmando que o caso "revela a necessidade de resposta penal proporcional ao sofrimento imposto" e que "a reiteração de condutas demonstra ausência de arrependimento e desprezo pela dignidade alheia". G1 em 1 Minuto: Como trabalham mulheres que desmascararam o golpe do amor VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: vulnerabilidade

Metanol: Unicamp recebe 75 amostras suspeitas de intoxicação para testagem

Publicado em: 08/10/2025 11:04

Cartilha mostra como identificar bebidas falsificadas O Centro de Informações Toxicológicas (CIATox) da Unicamp recebeu para testagem, nesta quarta-feira (8), 75 amostras de pacientes com suspeita de intoxicação por metanol. De acordo com informações apuradas pela EPTV, afiliada da TV Globo, o material veio de diferentes regiões do estado. O laboratório da unidade vem realizando a testagem desde que os primeiros casos vieram a público. Na terça-feira (7), a superintendente do Hospital de Clínicas da Unicamp, Elaine Cristina de Ataíde, detalhou que a capacidade de análise dos casos foi ampliada, com cerca de oito exames por hora. "São cerca de 190 exames por dia. Cada exame leva, em média, 15 minutos. Esse exame pode tanto ser sangue, quando a ingesta é mais precoce, quanto exame de urina, quando a ingesta é um pouco mais tardia". Além do CIATox de Campinas, o de Ribeirão Preto (SP) também tem capacidade para realizar cerca de 20 exames por dia. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça Unicamp recebeu doses de etanol para tratamento Nesta terça, o HC da Unicamp recebeu 100 ampolas de etanol farmacêutico, usado como antídoto para tratar casos de intoxicação por metanol. Também chamado de álcool absoluto, ele funciona como alternativa ao fomepizol, que é considerado tratamento de referência internacional, mas que não está disponível no mercado brasileiro. A substância age como antídoto, porque impede que o metanol seja convertido em ácido fórmico, uma substância ainda mais perigosa. "Nós recebemos 100 dessas ampolas. Cada ampola de álcool absoluto tem 10 ml. O estado de São Paulo disponibilizou 100 e estará disponibilizando mais se necessário", comentou Elaine. LEIA TAMBÉM: Perícia indica que metanol foi adicionado em parte de garrafas apreendidas em SP e não surgiu da destilação natural Unicamp recebe doses de metanol absoluto para o tratamento de pacientes com intoxicação por metanol Reprodução/EPTV Casos de intoxicação Nesta terça, o estado de São Paulo confirmou 18 casos de intoxicação por metanol no balanço divulgado pelo governo. Há 158 sendo investigados e 38 casos foram descartados. 176 casos 18 confirmados (há laudo atestando presença de metanol e confirmação de circunstâncias que indicam que a pessoa ingeriu bebida adulterada); 158 em investigação (há indícios clínicos, mas aguardam laudo para confirmar presença de metanol e investigações para entender circunstâncias de eventual ingestão da substância). 10 mortes 3 óbitos confirmados (com laudo e confirmação de ingestão de bebida adulterada); 7 mortes em investigação (sem laudo e sob investigação das circunstâncias). 85 casos descartados após análise clínica Infográfico explica ação dos antídotos em casos de intoxicação por metanol Arte/g1 Linhas de investigação A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação sobre as bebidas "batizadas" com metanol. Uma delas é que o metanol teria sido usado para a higienização de garrafas reaproveitadas que acabaram não indo para a reciclagem, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Outra hipótese é o uso do metanol para aumentar, na produção, o volume de bebidas falsificadas. Uma possibilidade é que a intenção do falsificador fosse adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminado com metanol. A perícia feita pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado. Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol? Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado. Como identificar metanol na bebida? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: desconfiar de preços muito baixos; comprar apenas em locais conhecidos; verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação. Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Ligação de golpista que se passou por membro de facção mostra simulação de execução que levou empresário a perder R$ 2 mil: 'Caçar a família'

Publicado em: 08/10/2025 07:26

Áudio de golpista se passando por integrante de facção para aplicar golpe O empresário de 32 anos de Araçatuba (SP) que perdeu R$ 2 mil ao receber uma ligação de um homem que se passou por um membro de uma facção criminosa no sábado (4) contou que viveu momentos de pânico. A reportagem teve acesso com exclusividade ao áudio da chamada, em que o criminoso faz ameaças de morte à vítima, à família dela e simula uma execução. Pelo áudio, é possível ouvir o golpista exigindo o pagamento de R$ 5 mil, alegando que o nome do empresário e da esposa consta no “livro administrativo do PCC”, no qual estariam pessoas “marcadas” pela facção. Caso não efetuasse o pagamento, a vítima e a família estariam “na mira”. Escute acima. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp “No livro administrativo do PCC, ainda mais quem está em uma residência que está denunciando nós da facção, certo? Se fizerem minha família chorar aqui dentro da quebrada, pode ter certeza que vou devolver na mesma moeda. Tamo chegando nas ideias, para evitar de ‘botar’ um fuzil, uma pistola na cara de morador”, diz o golpista. O empresário negociou o pagamento de R$ 2 mil via PIX. Na intimidação, o criminoso promete violência contra familiares da vítima caso não envie mais dinheiro e há a simulação de execução de um dos membros, que supostamente foi morto por ajudar a vítima ao negociar um valor menor do que o exigido inicialmente. "Vou mandar caçar a família do senhor. Vou decapitar um por um e vou mandar jogar na frente da casa do senhor pra mostrar que é nóis do PCC. Eu tive que matar o meu soldado aqui, porque ele quis ajudar o senhor com esse negócio de R$ 2 mil. Porque foi por causa do senhor que eu matei ele", diz o golpista na ligação. Ao g1, o empresário, que não vai ser identificado pela reportagem, informou que acreditou nas ameaças do homem uma vez que, há oito meses, sua sogra concedeu imagens de câmeras de segurança que flagrou um homicídio para a polícia. Empresário perde R$ 2 mil ao receber ligação de golpista se passando por membro de facção criminosa em Araçatuba (SP) Cacá Trovó/EPTV - Arquivo Na ocasião, o empresário detalhou que as câmeras ajudaram a polícia a localizar os suspeitos do crime. Por isso, afirmou que a ligação parecia convincente, porque acreditava que o falso membro do PCC estivesse se referindo ao homicídio meses antes. Segundo a vítima, o desespero foi tão grande que a esposa começou a rezar enquanto ouvia as ameaças. O empresário relatou o terror que viveu durante a ligação, uma vez que os golpistas repassaram dados e informações reais sobre ele e a família. “Eles disseram que tinha tido uma denúncia contra eles, que eles não iam aceitar, que tinha gente deles preso. Minha mulher já estava com o terço na mão, chorando aos prantos”, lembra o empresário. A vítima ainda comentou que percebeu que poderia estar sofrendo um golpe quando fez o PIX para a conta do golpista e outro suspeito assumiu a ligação, simulando a morte de um membro da facção. A ligação durou mais de uma hora. Mesmo enquanto ainda falava com os golpistas, o empresário procurou a delegacia, onde foi informado de que a ameaça era falsa. Ele registrou boletim de ocorrência e acionou o banco pedindo o bloqueio da transação. “Eu já saí de vários golpes, mas esse teve essa ligação de uma informação com a outra, eles mexem com a cabeça. Essa foi a mais pesada, porque a comunicação deles foi pesada. É chocante”, revela o empresário. Como se proteger? Delegado responsável pela Delegacia de Crimes Virtuais e Estelionato de Araçatuba (SP), Flávio Barbiere Brassioli Flávio Barbiere Brassioli/Arquivo pessoal De acordo com o delegado responsável pela Delegacia de Crimes Virtuais e Estelionato de Araçatuba, Flávio Barbiere Brassioli, de 43 anos, possivelmente se trata de um golpe telefônico praticado por estelionatários, muitas vezes praticado dentro de presídios. O delegado explicou que os golpistas se passam por integrantes para intimidar e extorquir as vítimas. Contudo, na maioria das vezes, não há qualquer vínculo real com a facção crimonosa. A combinação com a técnica de intimidação, menção de supostas listas, uso de vozes de terceiros na linha e sons que simulam violência, tornam o golpe mais eficaz. Veja abaixo como identificar o golpe. “É uma simulação destinada a provocar medo e obter vantagem financeira. Jamais se deve negociar ou permanecer em contato com o golpista, pois eles se aproveitam do medo e da vulnerabilidade emocional”, detalha o delegado. O delegado orienta que, diante de ligações com esse tipo de ameaça, a vítima deve encerrar imediatamente o contato, procurar a polícia para registrar o boletim de ocorrência e acionar o banco para o bloqueio da transação, em caso de pagamento. Segundo ele, as investigações podem identificar tanto a origem das ligações quanto os titulares das contas utilizadas nos golpes. Crimes dessa natureza costumam ser enquadrados como estelionato e fraude eletrônica, com penas de quatro a oito anos de prisão, além de multa. Quando há uso de meio eletrônico, a legislação prevê aumentos de pena. ⚠️Como identificar o golpe? Os indícios mais claros, de acordo com o delegado, são: Ligação inesperada com discurso agressivo e ameaçador; Pedido de pagamento via PIX para contas de terceiros desconhecidos; Proibição de desligar o telefone ou de acionar a polícia; Ausência de provas concretas sobre as supostas ameaças; Qualquer exigência de dinheiro sob ameaça deve ser entendida como tentativa de golpe. Delegacia de Polícia Civil de Araçatuba (SP) Eduardo Parede/TV TEM Veja mais notícias da região em g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Palavras-chave: vulnerabilidade

Tarcísio se desculpa por brincadeira com Coca-Cola durante coletiva sobre casos de intoxicação por metanol: 'Errei'

Publicado em: 07/10/2025 21:38

'No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar', diz Tarcísio sobre intoxicações por metanol em SP O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), divulgou nesta terça-feira (7) um vídeo em suas redes sociais pedindo desculpas pela brincadeira sobre a Coca-Cola feita durante coletiva sobre os casos de intoxicação por metanol no estado. Na ocasião, Tarcísio disse que "iria só se preocupar com o assunto no dia em que começassem a adulterar Coca-Cola". A declaração ocorreu após uma reunião com representantes do setor de bebidas, que, segundo ele, tem se mostrado disposto a ajudar nas investigações. "Errei. Ontem, ao prestar contas das ações do governo do estado no âmbito da crise do metanol, no momento em que falávamos das várias medidas que estamos tomando, como o convênio com o setor privado para o combate à falsificação, as proposições legislativas que pretendemos apresentar, a destruição de bebidas de origem duvidosa em estoque, o aperfeiçoamento da logística reversa das garrafas, o programa de qualidade para distribuidores e comerciantes, a suspensão das inscrições na fazenda, acabei fazendo uma brincadeira para descontrair a coletiva que foi muito mal interpretada e que de fato não cabia naquele momento em face da gravidade do que vem acontecendo." E continuou: "E é por isso que eu peço perdão. Perdão às famílias que sofrem por terem perdido entes queridos, aos comerciantes que estão vendo os seus negócios sofrerem, aos que dão duro, ao público que quer uma ação firme do estado, que quer segurança. Não tenho compromisso com erro. Nosso compromisso é com as pessoas, é resolver a crise, é dar tranquilidade às famílias. Não é a primeira vez que eu venho aqui pedir desculpas. Não será a última. Estou ciente das minhas limitações, das minhas falhas". O governador ainda disse que o arrependimento não vai apagar o passado. "Mas ensina e vai nos ajudar na construção de um caminho que queremos e estejam certos que nós vamos continuar dando o nosso melhor." O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros do país de intoxicação pelo metanol em bebidas, com 18 casos confirmados, segundo o último boletim divulgado nesta terça-feira (7). Há 158 sendo investigados e 38 casos foram descartados. 176 casos 18 confirmados (há laudo atestando presença de metanol e confirmação de circunstâncias que indicam que a pessoa ingeriu bebida adulterada); 158 em investigação (há indícios clínicos, mas aguardam laudo para confirmar presença de metanol e investigações para entender circunstâncias de eventual ingestão da substância). 10 mortes 3 óbitos confirmados (com laudo e confirmação de ingestão de bebida adulterada); 7 mortes em investigação (sem laudo e sob investigação das circunstâncias). 85 casos descartados após análise clínica A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação sobre as bebidas "batizadas" com metanol, que causaram diversas internações e mortes no estado. Uma delas é que o metanol teria sido usado para a higienização de garrafas reaproveitadas que acabaram não indo para a reciclagem, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Outra hipótese é o uso do metanol para aumentar na produção o volume de bebidas falsificadas. Uma possibilidade é que a intenção do falsificador fosse adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminando com metanol. 🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos. Ele é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiência pulmonar e renal. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (6). João Valério/GESP A perícia feita pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado. O governador disse ainda que vai solicitar à Justiça a destruição de garrafas, rótulos, lacres, tampas e selos apreendidos durante as ações de fiscalização. Só na última semana, mais de 7 mil garrafas suspeitas de falsificação ou adulteração foram recolhidas. Tarcísio e o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, afastaram qualquer participação do PCC ou de outras facções criminosas, argumentando que o negócio é pouco lucrativo em comparação com o tráfico de drogas. Brasil tem mais de 200 casos de intoxicação por metanol em investigação Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol? Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado. Como identificar metanol na bebida? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor, e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: Desconfiar de preços muito baixos; Comprar apenas em locais conhecidos; Verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação. Saiba como descartar garrafas de destilados para evitar falsificação Nunes veta emendas que queriam repassar ruas de SP para igreja e ONG de mãe de vereador Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano. Arte/g1

Palavras-chave: vulnerabilidade

Defensoria do AM pede criação de CPI no Senado para investigar operações contra garimpo no Rio Madeira

Publicado em: 07/10/2025 16:29

Operação contra garimpo ilegal assusta moradores e vira alvo de críticas no Amazonas A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) recomendou ao Senado Federal, nesta terça-feira (7), a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis abusos cometidos durante operações da Polícia Federal (PF) e de outros órgãos contra o garimpo ilegal na calha do Rio Madeira, no Sul do Amazonas. De acordo com o documento encaminhado aos senadores, as ações iniciadas em 15 de setembro de 2025 teriam causado “graves impactos humanitários” e colocado em risco mais de 25 mil pessoas, entre elas crianças, mulheres, idosos e povos tradicionais. A DPE-AM afirma que recebeu diversos relatos de famílias ribeirinhas denunciando destruição de moradias, barcos, motores e alimentos — bens considerados essenciais para a sobrevivência na região. O órgão alega que a operação federal tem provocado situações de extrema vulnerabilidade e pede que o Senado apure possíveis excessos de força e violações de direitos fundamentais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do AM em tempo real e de graça “Há indícios de que os procedimentos adotados extrapolaram os limites legais e geraram danos irreversíveis a grupos vulneráveis que dependem do rio e da floresta para sobreviver”, diz um trecho da recomendação. A Defensoria reforça que, embora reconheça a importância do combate à mineração ilegal, “não se combate ilegalidade com ilegalidade” e que as ações do Estado devem ocorrer dentro dos princípios da legalidade, proporcionalidade e respeito aos direitos humanos. O g1 entrou em contato com a Polícia Federal para um posicionamento sobre a recomendação da Defensoria Pública, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Operações com explosivos e destruição de embarcações As operações federais na calha do Rio Madeira, entre os municípios de Humaitá e Manicoré, têm incluído o uso de explosivos para destruir balsas e dragas usadas na extração ilegal de ouro. Segundo a Defensoria, o impacto ambiental e social dessas ações é severo: o vazamento de combustível e a destruição de embarcações têm comprometido a pesca, o transporte fluvial e a alimentação de comunidades inteiras. Em alguns casos, famílias relataram ter perdido o único meio de subsistência e o local onde viviam. A DPE-AM afirma estar prestando atendimento jurídico emergencial às famílias e cobrando medidas de reparação e assistência humanitária. Dragas são destruídas em operação contra garimpo ilegal no Amazonas Balanço sem plano de mitigação O documento cita informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério Público Federal (MPF), que acompanham as ações. O balanço aponta a destruição de dezenas de embarcações e equipamentos, mas, segundo a Defensoria, não há registros de planos de mitigação ou apoio às famílias afetadas. A instituição argumenta que a ausência de medidas compensatórias agrava o quadro de insegurança alimentar e desabrigo, e defende que o combate ao crime ambiental seja acompanhado de políticas sociais que garantam o mínimo existencial das comunidades atingidas. Visitas e relatos em campo Integrantes do Grupo de Trabalho Teko Porã – Vida Digna, da Defensoria, estiveram entre os dias 22 e 24 de setembro em Humaitá e comunidades próximas, onde ouviram relatos de famílias que perderam barcos e casas. Os defensores informaram que o órgão segue acompanhando de perto a situação, com o objetivo de assegurar o direito à moradia e à vida das populações tradicionais. Na recomendação, a DPE-AM pede que o Senado adote medidas imediatas de proteção e reparação às famílias e que o governo federal apresente um plano de apoio social e humanitário para os atingidos. “A Defensoria Pública não se opõe às ações de fiscalização, mas exige que elas respeitem os direitos fundamentais das pessoas que vivem da floresta e do rio. O combate à ilegalidade deve andar lado a lado com a proteção da vida”, conclui o documento. Operação Boiúna da PF destrói dragas utilizadas no garimpo ilegal no sul do Amazonas Divulgação/PF

Palavras-chave: vulnerabilidade

Intoxicações por metanol: Unicamp recebe 100 ampolas de etanol e aumenta capacidade de testagem

Publicado em: 07/10/2025 13:04

Intoxicação por metanol: HC da Unicamp recebe 100 frascos de antídoto O Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP), recebeu nesta terça-feira (7) 100 ampolas de álcool absoluto, usado como antídoto para tratar casos de intoxicação por metanol. De acordo com a superintendência do hospital, o Centro de Informações Toxicológicas (CIATox) também aumentou a capacidade de testagem dos pacientes (entenda abaixo). 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça No fim da última semana, o governo de São Paulo anunciou que distribuiria 2 mil novas frascos da substância nos principais centros de referência do Estado, o que inclui o HC. "Nós recebemos 100 dessas ampolas. Cada ampola de álcool absoluto tem 10 ml. O estado de São Paulo disponibilizou 100 e estará disponibilizando mais se necessário for", comentou Elaine Cristina de Ataide, superintendente da unidade. 🔍 O etanol farmacêutico, também chamado de álcool absoluto, funciona como alternativa ao fomepizol, que é considerado tratamento de referência internacional, mas que não está disponível no mercado brasileiro. A substância age como antídoto, pois impede que o metanol seja convertido em ácido fórmico, uma substância ainda mais perigosa. Unicamp recebe doses de metanol absoluto para o tratamento de pacientes com intoxicação por metanol Reprodução/EPTV Aumento da capacidade de testagem Elaine conta também que o CIATox ampliou a capacidade de testagem das amostras de pacientes com suspeita de intoxicação. Para isso, houve o remanejamento de profissionais do hospital. "A gente conseguia fazer um número um pouco menor, mas hoje nós conseguimos fazer oito exames por hora. São cerca de 190 exames por dia. Cada exame leva, em média 15 minutos por dia". "Esse exame pode tanto ser sangue, quando a ingesta é mais precoce, quanto exame de urina, quando a ingesta é um pouco mais tardia. Ele dando positivo, confirma a necessidade do etanol". Casos de intoxicação no Brasil O Ministério da Saúde confirmou 17 casos de intoxicação por metanol no país, segundo balanço divulgado na segunda-feira (6). Ao todo, foram 217 notificações relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas — 200 delas ainda em investigação. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros: 15 casos confirmados e 164 sob análise, o que representa 82,5% do total. Infográfico explica ação dos antídotos em casos de intoxicação por metanol Arte/g1 Linhas de investigação A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação sobre as bebidas "batizadas" com metanol. Uma delas é que o metanol teria sido usado para a higienização de garrafas reaproveitadas que acabaram não indo para a reciclagem, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Outra hipótese é o uso do metanol para aumentar na produção o volume de bebidas falsificadas. Uma possibilidade é que a intenção do falsificador fosse adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminando com metanol. A perícia feita pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado. Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol? Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado. Como identificar metanol na bebida? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor, e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: desconfiar de preços muito baixos; comprar apenas em locais conhecidos; verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação. Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Antídoto contra metanol deve chegar nesta semana ao Brasil, mas não vai ser vendido em farmácias, diz fabricante

Publicado em: 07/10/2025 11:57

Brasil tem mais de 200 casos de intoxicação por metanol em investigação O fomepizol, antídoto capaz de tratar intoxicações por metanol, deve chegar ao Brasil ainda nesta semana e não será vendido em farmácia, segundo Fabiana Sanches, diretora de Assuntos Médicos da Daiichi Sankyo Brasil, representante da farmacêutica japonesa responsável por fornecer o medicamento ao país. O fomepizol, que tem uso estritamente hospitalar, será importado dos Estados Unidos em caráter emergencial e distribuído pelo Ministério da Saúde. A negociação foi conduzida entre a farmacêutica, o ministério, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar da urgência, o envio ainda depende de trâmites burocráticos. A expectativa é que o medicamento esteja aqui essa semana, mas ainda não conseguimos precisar a data, porque tudo correu de maneira muito célere durante o fim de semana. Segundo ela, "a empresa, o ministério, a Opas e a afiliada nos Estados Unidos estão trabalhando para trazer o mais rápido possível para cá", mas não é possível "precisar datas ainda”. “Estão sendo trazidas 2.500 ampolas dos Estados Unidos, mas cem ampolas a empresa está fazendo essa doação”, disse. Uso restrito a hospitais O fomepizol não será vendido em farmácias, nem poderá ser adquirido livremente pela população. Segundo Sanches, o medicamento é de uso hospitalar e injetável, administrado via intravenosa sob supervisão médica. “Mesmo vindo para o Brasil, ele não vai ficar disponível em farmácias. É um medicamento de uso estritamente hospitalar. Ele deve ser administrado com supervisão médica dentro dos hospitais, e serão apenas alguns hospitais de referência que terão essa medicação disponível”, disse. Ela ressalta que essa restrição não é exclusiva do Brasil. “No mundo inteiro, ele não está disponível para o consumidor em farmácias. É um medicamento injetável, que vai na veia, e só deve ser usado em ambiente hospitalar”, completou. Como o antídoto age O fomepizol atua bloqueando a enzima álcool desidrogenase, responsável por transformar o metanol em substâncias altamente tóxicas ao organismo, como o formaldeído e o ácido fórmico; Essas substâncias são as principais responsáveis pelos efeitos graves da intoxicação, que incluem cegueira, danos neurológicos e falência de órgãos. “Todo o problema do metanol é o metabólito dele, que é transformado no fígado. O fomepizol atua inibindo essa enzima que faz a transformação do metanol nessas substâncias tóxicas. Com isso, o metanol permanece intacto na circulação e é eliminado pelos rins”, explicou. O antídoto é mais eficaz do que o etanol farmacêutico, usado atualmente em hospitais como alternativa temporária. “O fomepizol tem uma ligação mais potente com essa enzima, competindo de forma mais eficaz. Por isso ele é o antídoto específico para o metanol, enquanto o etanol não é”, disse. Tratamento O tratamento deve começar assim que houver suspeita de intoxicação, sem necessidade de confirmação laboratorial. “Os médicos não precisam esperar a confirmação de ser uma intoxicação por metanol. Com base na história clínica e no quadro do paciente, já podem iniciar o tratamento com o antídoto”, destacou Sanches. O protocolo inclui uma dose de ataque, seguida por doses menores a cada 12 horas, totalizando quatro aplicações principais. “Ele vai receber a dose de ataque, com um volume um pouco maior, e as doses subsequentes, até quatro doses com 12 horas de intervalo. A manutenção vai depender do quadro clínico do paciente e, se possível, dos níveis de metanol no sangue”, explicou. A melhora costuma ocorrer dentro de 48 horas, conforme o organismo elimina o metanol. Em casos graves, o tratamento pode ser combinado com diálise, para acelerar a eliminação da substância. “Se tiver alguma suspeita de ingestão de bebida adulterada, procure atendimento médico imediatamente. Os sintomas não aparecem de forma imediata — podem surgir em 12, 24 ou até 48 horas. E o mais importante: não se automedique, não tente contrabalançar a ingestão tomando outro tipo de álcool, porque isso pode piorar a situação". Casos de intoxicação no Brasil O Ministério da Saúde confirmou 17 casos de intoxicação por metanol no país, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (6). Ao todo, foram 217 notificações relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas — 200 delas ainda em investigação. O estado de São Paulo concentra a maior parte dos registros: 15 casos confirmados e 164 sob análise, o que representa 82,5% do total. Linhas de investigação A Polícia de São Paulo trabalha com duas linhas principais de investigação sobre as bebidas "batizadas" com metanol, que causaram diversas internações e mortes no estado. Uma delas é que o metanol teria sido usado para a higienização de garrafas reaproveitadas que acabaram não indo para a reciclagem, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Outra hipótese é o uso do metanol para aumentar na produção o volume de bebidas falsificadas. Uma possibilidade é que a intenção do falsificador fosse adicionar etanol puro, sem saber que o produto estava contaminando com metanol. A perícia feita pela Superintendência de Polícia Técnico-Científica confirmou a presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras no estado. 🔎 Segundo dados do governo, o estado de São Paulo tem 15 casos confirmados (incluindo 2 mortes) e 164 em investigação (incluindo 6 mortes). A morte da mulher de 30 anos em São Bernardo é a terceira no estado, mas não foi incluída ainda no último balanço porque foi informada depois da divulgação. 🔎 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiência pulmonar e renal. Existem regras de logística reversa que, infelizmente, não estão sendo cumpridas. Um grande insumo para o falsificador é a garrafa que foi consumida e que deveria ir para a reciclagem, o que não está acontecendo. Ela é comprada no mercado clandestino e facilita esse objeto de falsificação. LEIA MAIS: 'No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar', diz Tarcísio sobre intoxicações por metanol em SP SP tem 14 casos confirmados de intoxicação por metanol e 178 em investigação Perícia confirma presença de metanol em bebidas de duas distribuidoras em SP, diz Derrite Jovem de 30 anos morta em São Bernardo após tomar drinque 'batizado' com metanol será enterrada nesta terça O governador Tarcísio de Freitas durante entrevista coletiva sobre intoxicação de bebidas por metanol em SP ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol? Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado. Como identificar metanol na bebida? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor, e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: Desconfiar de preços muito baixos; Comprar apenas em locais conhecidos; Verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação. Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano. Arte/g1

Palavras-chave: vulnerabilidade

Comunidade terapêutica que mantinha dependentes químicos como trabalhadores é condenada por trabalho escravo em Juiz de Fora

Publicado em: 07/10/2025 11:56

Alojamento encontrado em comunidade terapêutica em Juiz de Fora Ministério do Trabalho/Divulgação A Justiça do Trabalho condenou uma comunidade terapêutica localizada em Juiz de Fora por manter seis dependentes químicos em situação análoga à escravidão. Embora fossem apresentados como “acolhidos”, eles viviam em condições degradantes e eram obrigados a trabalhar. A decisão, divulgada na segunda-feira (6), determina o pagamento de R$ 50 mil por danos morais coletivos, valor que será destinado ao Fundo de Direitos Difusos, e R$ 10 mil a cada trabalhador por danos morais individuais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Há um recurso em andamento para tentar reverter a sentença do juiz Luiz Olympio Brandão Vidal, da 4ª Vara do Trabalho, após o Ministério Público do Trabalho (MPT) entrar com uma Ação Civil Pública — ação judicial que serve para proteger interesses coletivos e responsabilizar quem causa danos a alguém. Ainda na segunda-feira, o governo federal também atualizou a “lista suja”, que divulga os nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições semelhantes à escravidão, e a Comunidade Terapêutica Tenda do Encontro foi incluída. Entenda mais abaixo. Em nota, a defesa da Comunidade Terapêutica Tenda do Encontro, representada pelo advogado Flávio Nunes, afirmou que, no processo criminal, a instituição foi absolvida de todas as acusações. Já na esfera trabalhista, foi interposto um recurso. A nota completa pode ser lido ao final da reportagem. Trabalhadores em condições degradantes Comunidade terapêutica localizada em Juiz de Fora Ministério do Trabalho/Divulgação A fiscalização que revelou o caso foi realizada por auditores do Ministério do Trabalho, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2023, após uma denúncia da Vigilância Sanitária de Juiz de Fora, que apontou diversas irregularidades. Confira abaixo quais: Seis homens que viviam e trabalhavam no local; Três trabalhavam em obras de construção civil e os demais, na cozinha, na horta e na supervisão do espaço; Nenhum tinha registro em carteira; Os trabalhadores afirmaram atuar como voluntários, mas os fiscais constataram que o trabalho ocorria em troca de abrigo e comida, sem salário e sem registro; O local apresentava obras inacabadas, condições precárias de higiene e ausência de saneamento básico. Os “acolhidos” residiam na propriedade e exerciam funções contínuas, sem remuneração e sem equipamentos de proteção individual (EPIs), mesmo em obras; Os homens eram dependentes químicos e não recebiam acompanhamento médico, psicológico ou social, conforme determina a legislação para tratamento terapêutico; O alojamento era improvisado, coberto por telhas de zinco e apresentava várias frestas; Os colchões estavam sujos e danificados; Havia alimentos vencidos, como feijão e maionese; A água usada para beber e cozinhar vinha de uma cisterna sem tampa e sem tratamento; Existia risco de explosão em uma panela de pressão com defeito; Os homens trabalhavam de chinelos e sem equipamentos de proteção. Resumo da condenação: entenda Além das indenizações, o juiz determinou que a instituição registre os vínculos na Carteira de Trabalho Digital, pague as verbas trabalhistas e corrija as irregularidades sanitárias e de segurança. O magistrado destacou que o dano moral “é presumido diante da violação da dignidade humana e da exploração da vulnerabilidade social dos trabalhadores”. Resumo da condenação: 1) Justiça reconheceu vínculo de emprego entre seis trabalhadores e a comunidade terapêutica. 2) Instituição e responsável foram condenados ao pagamento de indenizações. 3) Determinação para registro em carteira e correção das irregularidades sanitárias e de segurança. ‘Lista suja’ do trabalho escravo é atualizada 'Lista suja' do trabalho escravo é atualizada com 159 novos nomes O governo federal incluiu 159 novos empregadores na “lista suja” do trabalho escravo, divulgada na segunda-feira pelo Ministério do Trabalho. O número representa um aumento de 20% em relação à atualização anterior. Do total, 101 são pessoas físicas e 58 são empresas. Minas Gerais lidera o ranking, com 33 empregadores incluídos, sendo dois em Juiz de Fora. 🔎 Um dos casos registrados na cidade envolve a Comunidade Terapêutica Tenda do Encontro, e o outro envolve o Santuário Nacional de Bom Jesus. A reportagem tenta contato com este último. Veja abaixo na tabela quem entrou na “lista suja”, que também inclui registros de nove empregadores em Santa Bárbara do Monte Verde, Barbacena, Mar de Espanha, Santos Dumont, Bom Jardim de Minas, Orizânia, São João del Rei e Além Paraíba. Nota na íntegra "A COMUNIDADE TERAPEUTICA TENDA DO ENCONTRO, diante das recentes informações e interpretações equivocadas divulgadas a respeito de sua atuação, vem a público reafirmar seu compromisso com a verdade, com a justiça e com o acolhimento humano que sempre norteou suas atividades. Em primeiro lugar, é fundamental destacar que no processo criminal que tramitou perante a Justiça Federal, a Comunidade e seus Diretores foram absolvidos de todas as acusações, com trânsito em julgado da sentença absolutória, o que reafirma a lisura de sua atuação e a inexistência de qualquer prática ilícita. Essa decisão é definitiva e irrefutável. No âmbito trabalhista, a Comunidade, por meio de seus representantes legais, defende a incompetência da Justiça do Trabalho para o julgamento do caso, uma vez que a relação existente entre a instituição e os participantes era de natureza civil e voluntária, e não empregatícia. No recurso interposto, foi pleiteada a declaração de nulidade de todos os atos processuais, inclusive da sentença condenatória, com o consequente envio dos autos à Justiça Comum, foro adequado para apreciação de relações dessa natureza. Importa ressaltar que os vínculos firmados com os acolhidos tinham base em contratos de trabalho voluntário, nos termos da legislação vigente. Tratava-se de ex-dependentes químicos que, após longos períodos de exclusão social, encontraram na Comunidade uma oportunidade real de reabilitação, dignidade e reintegração. Muitos deles chegaram até a Comunidade Tenda do Encontro em situações extremas, abandonados por suas famílias, ignorados pelo poder público e ameaçados por facções criminosas, em razão de dívidas e envolvimento anterior com o tráfico de drogas. A missão da Comunidade é transformar dor em esperança. E é por isso que, mesmo diante das adversidades e dos mal-entendidos, segue firme na vocação de acolher, recuperar e reintegrar seres humanos que um dia foram esquecidos pela sociedade". VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

Governo do DF lança edital de R$ 15 milhões para decoração de Natal; relembre polêmicas e investigações passadas

Publicado em: 07/10/2025 11:42

Estrutura da decoração de natal de 2024, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília TV Globo O Governo do Distrito Federal vai gastar R$ 15 milhões para a decoração de fim de ano na Esplanada dos Ministérios, no centro de Brasília. O edital foi lançado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa nesta segunda-feira (6), em edição extra do Diário Oficial. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A contratação de empresas para a decoração já acumulou polêmicas, investigações e suspeitas de superfaturamento desde o início do governo de Ibaneis Rocha (MDB), em 2019. O g1 questionou a Secretaria de Cultura para saber se as regras do edital de 2025 foram pensadas para evitar irregularidades. A pasta ainda não respondeu. O valor do edital de 2025 é o maior já destinado para custear eventos de fim de ano, durante o governo de Ibaneis. Relembre casos passados 2019 – Iluminação com sobrepreço Auditoria aponta 35% de sobrepreço no gasto com iluminação de fim de ano em 2019 Em 2019, o governo do DF gastou R$ 4,5 milhões com a decoração de Natal. A contratação foi alvo de uma auditoria interna que apontou sobrepreço de 35% no valor pago pela iluminação. O pente-fino foi feito pela própria equipe de fiscalização do governo, que identificou falhas na execução e na justificativa dos custos. Apesar da constatação técnica, o caso não gerou investigação formal por parte do Ministério Público. 2020 – 'Brasília Iluminada' com verba redirecionada Brasília Iluminada em 2020. Joel Rodrigues (Agência Brasília)/Divulgação A primeira edição do projeto “Brasília Iluminada” custou R$ 9,6 milhões, pagos com recursos de emenda parlamentar do deputado distrital José Gomes. O dinheiro, inicialmente destinado à saúde, esporte e iluminação pública, foi redirecionado para o evento, o que motivou um pedido de apuração ao Ministério Público. O MP apontou indícios de superfaturamento, falhas na prestação de contas e entrega fora do prazo. À época, a Secretaria de Turismo, responsável pela execução, afirmou que todos os trâmites foram legais. O evento teve shows e atrações culturais ao ar livre, com promessa de geração de empregos e fomento ao turismo. 2021 – Superfaturamento e operação Tenebris Operação faz buscas na casa do ex-secretário de Economia André Clemente, no DF TV Globo A segunda edição do “Brasília Iluminada” teve orçamento de R$ 14 milhões e se tornou o caso mais emblemático. O MP e a Polícia Civil deflagraram a operação “Tenebris”, que investigou fraude, superfaturamento e uso de organização social de fachada. O Instituto Idheias, contratado sem licitação, teria servido apenas como intermediário para subcontratar empresas privadas. Um dos alvos foi o então secretário de Economia, André Clemente, que virou conselheiro do TCDF. Isso abriu brecha para a suspeita de que ele e outros alvos da operação tivessem conhecimento da investigação antes dela ser divulgada. A investigação apontou que o contrato foi estruturado para burlar a legislação e permitir repasses milionários a empresas amigas. O STJ chegou a suspender a investigação por questões de foro. 2022 – Edital cancelado após repercussão negativa Em 2022, o governo do DF lançou um novo edital com valor estimado em R$ 14 milhões, mas nenhuma proposta foi aceita. Diante da repercussão negativa e das investigações em curso, o governo decidiu cancelar o projeto. A Secretaria de Cultura anunciou que o orçamento seria redirecionado para uma festa de Réveillon mais modesta, com custo de R$ 3 milhões. A decisão foi vista como uma tentativa de evitar novos escândalos, após o desgaste causado pelo “Brasília Iluminada”. 2023 – Nova estratégia Em 2023, o governo reformulou o evento e lançou o projeto “Réveillon Cidade Luz”, com orçamento de R$ 12 milhões. A mudança de nome foi uma estratégia para se desvincular das polêmicas do “Brasília Iluminada”. O novo formato incluiu festas simultâneas em várias regiões do DF, com shows e iluminação temática. A festa se dividiu em pontos como a Esplanada dos Ministérios, Praça do Buriti, Praça do Cruzeiro e Rainha da Paz, além de shows em Ceilândia, Planaltina e na Praça dos Orixás. Apesar da tentativa, o histórico recente de investigações ainda pairou sobre a iniciativa. O governo prometeu mais controle e transparência, mas não detalhou mudanças estruturais no modelo de contratação. 2024 – 'Nosso Natal' vira alvo da operação Krampus Polícia deflagra operação "Krampus", que investiga desvio de recursos públicos no DF. O projeto “Nosso Natal 2024” foi contratado por R$ 14 milhões com a Associação Amigos do Futuro, sem licitação. Em 30 de dezembro, o MP do DF deflagrou a operação Krampus, que apontou superfaturamento de quase R$ 6 milhões e indícios de que a entidade era de fachada. Segundo o MP, a associação não tinha funcionários registrados e não apresentava consumo de energia elétrica no endereço informado como sede. Na segunda fase da operação, em 15 de maio de 2025, os promotores revelaram que os R$ 14 milhões recebidos pela associação foram repassados integralmente a empresas cujos sócios são amigos e têm parcerias comerciais antigas. A investigação apontou que a entidade foi usada apenas como intermediária para viabilizar os repasses, sem executar diretamente nenhuma etapa do projeto. O MP também destacou que a contratação foi feita sem transparência, e que a associação não possuía fins lucrativos, o que contraria os critérios legais para esse tipo de parceria. Edital de 2025 Pelo documento, a decoração do "Nosso Natal 2025" vai contar, entre outras coisas, com: cidade do Papai Noel, com ambientação temática e iluminação cênica; apresentações teatrais, musicais e corais; oficinas de Natal e ações comunitárias. As atrações vão se concentrar no quadrante entre o Teatro Nacional e o Museu Nacional, na Esplanada dos Ministérios. As empresas interessadas em participar da seleção deverão apresentar as propostas até o dia 4 de novembro e serão avaliadas conforme os critérios do edital. Como contrapartida, a organização selecionada deverá atender, no mínimo, 400 crianças em situação de vulnerabilidade social, sendo 100 em cada uma das regiões administrativas Norte, Sul, Leste e Oeste do Distrito Federal. A proposta apresentada pela entidade deve detalhar como esse atendimento será realizado, incluindo indicadores de desempenho e um plano de trabalho deverá atender. O documento não determinou o período em que a decoração estará disponível para visitação. LEIA TAMBÉM VÍDEO: Polícia prende grupo que se passava por policiais para roubar casas no DF PRESENTE DE AMIGO: Empresário alvo da PF em operação sobre fraudes no INSS diz ter dado Fusca de R$ 71 mil como presente a Ibaneis: 'Amigo querido' Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Palavras-chave: vulnerabilidade