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Feira de Santana recebe oficinas gratuitas em homenagem ao cantor e compositor Bel da Bonita; confira programação

Publicado em: 10/10/2025 17:45

Feira de Santana recebe oficinas gratuitas de em homenagem ao cantor e compositor Bel da Bonita Eduardo Quintela Oficinas gratuitas de percussão, cordas e dança serão ministradas em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, entre os dias 14 e 31 de outubro. A iniciativa faz parte de um projeto cultural em homenagem ao músico e produtor Bel da Bonita, que morreu em abril deste ano, aos 52 anos. A iniciativa inclui ainda ensaio coletivo e apresentação final, e acontece no Museu Casa do Sertão, localizado na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs). As inscrições devem ser realizadas por meio de um formulário digital. Cada oficina terá até 15 participantes, que receberão certificação de atividade de extensão emitida pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). As atividades são voltadas prioritariamente para mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e pessoas em situação de vulnerabilidade social. O projeto contará com seis encontros presenciais, que incluem abertura, oficinas e apresentação final. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região A iniciativa do projeto “Raízes do Samba de Roda Rural: Memória e Preservação com Mestre Bel da Bonita (In Memoriam) e o Curador do Museu do Imaginário” é idealizada pelo produtor musical Pedro Lucas Pires, mais conhecido como Lerry, e pelos artistas Ramiro Barbosa e Diogo Sampaio. 🥁Programação: 14/10 - Ajeum e abertura com exibição de vídeos, imagens e depoimentos sobre Mestre Bel da Bonita; 16 e 21/10 - Oficinas de Percussão com Amandêra Novais, envolvendo pandeiro, conga, ganzá, cabaça, pratos de esmalte, enxadas e prática de “parmeado”; 23/10 - Oficina de Instrumentos de Corda (violão, cavaquinho, contrabaixo e outros), com Daniel da Quixabeira, e Oficina de Dança de Samba de Roda, com Flávia Maisuma Silva; 30/10 - Ensaio geral com os participantes das oficinas; 31/10 - Encerramento com Ajeum e apresentação aberta ao público, com participação de mestres locais e alunos. Segundo a organização, o projeto busca formar novos sambadores e sambadeiras, fortalecer a tradição do samba de roda rural do sertão baiano e difundir suas variantes. Quem foi Bel da Bonita Bel da Bonita morreu em Feira de Santana, onde morava Eduardo Quintela Bel da Bonita foi internado após sofrer um infarto e faleceu no Hospital Dom Pedro II, em Feira de Santana. Ele morava na cidade desde os anos 1990. Autodidata, começou a tocar instrumentos ainda na juventude e construiu uma carreira de mais de três décadas anos na música e no audiovisual. Mais do que um percussionista, Bel da Bonita também foi um dos principais nomes da cena cultural da Bahia, engajado em fortalecer a identidade artística do interior. Além de cantar e compor, ele atuava como produtor, diretor de videoclipes e pesquisador. Bel integrou a “Banda da Paz”, acompanhando artistas como Gilberto Gil, Dominguinhos, Nando Cordel, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho em apresentações pelo país. Em 2006, ele idealizou e fundou o grupo Africania, que mescla elementos de ritmos afro-brasileiros, nordestinos, afro-jazz, música caribenha e acid rock. A banda lançou sete discos e assinou trilhas sonoras para três filmes. O projeto “Raízes do Samba de Roda Rural” também se inspira no disco O Curador do Museu do Imaginário, do Africânia, e propõe uma reflexão sobre as conexões entre o samba de roda e outras estéticas musicais. SERVIÇO O QUÊ: Projeto Raízes do Samba de Roda Rural: Memória e Preservação com Mestre Bel da Bonita (In Memoriam) e o Curador do Museu do Imaginário QUANDO: 14, 16, 21, 23, 30 e 31 de outubro de 2025 ONDE: Museu Casa do Sertão - Uefs, Feira de Santana (Ba) INSCRIÇÕES: Gratuitas, via Google Forms LEIA MAIS: Projeto leva oportunidades de emprego a bairros de Feira de Santana; confira Feira de Santana tem ruas com nomes de novelas, jogadores de futebol e até salmos; entenda origem dos títulos Morre cantor, compositor e percussionista Bel de Bonita em Feira de Santana Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻

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Mais de 2,6 mil famílias do Amazonas são notificadas para devolver Auxílio Emergencial pago indevidamente

Publicado em: 10/10/2025 16:35

Governo cobra devolução de R$ 478 milhões pagos indevidamente no Auxílio Emergencial No Amazonas, 2.640 famílias foram notificadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) para devolver valores do Auxílio Emergencial que teriam sido pagos indevidamente durante a pandemia da Covid-19 para beneficiários de todo o país. O montante a ser ressarcido no estado soma R$ 6,7 milhões. A medida faz parte de um programa nacional de ressarcimento em que 177,4 mil famílias no Brasil receberam notificações para devolver aproximadamente R$ 478,8 milhões aos cofres públicos. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Devem restituir os valores as pessoas que apresentaram inconsistências nos critérios de elegibilidade, como: vínculo formal de trabalho; recebimento de benefício previdenciário; renda familiar acima do limite permitido; ou outras situações que caracterizam pagamento indevido. As mensagens são enviadas por SMS, WhatsApp, e-mail e pelo aplicativo Notifica, priorizando casos de maior valor ou maior capacidade de pagamento, conforme regras do Decreto nº 10.990/2022. As notificações estão sendo enviadas desde março pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Quem está isento da cobrança A devolução não se aplica a famílias em situação de vulnerabilidade. Ficam fora da cobrança: beneficiários do Bolsa Família; pessoas inscritas no Cadastro Único; quem recebeu menos de R$ 1,8 mil; famílias com renda per capita de até dois salários mínimos; ou renda mensal total de até três salários mínimos. Como fazer a devolução O pagamento deve ser feito pelo sistema Vejae, via PagTesouro, com as opções de PIX, cartão de crédito ou boleto bancário (GRU). Segundo a diretora do Departamento de Auxílios Descontinuados do MDS, Érica Feitosa, o prazo para quitação é de 60 dias a partir da notificação, com possibilidade de parcelamento em até 60 vezes, sem juros nem multa, e parcela mínima de R$ 50. “O sistema garante o direito de defesa, permitindo que o cidadão apresente recurso se discordar da cobrança. É importante que todos acessem a plataforma e verifiquem sua situação”, afirmou Érica. O que acontece se não pagar? Quem não devolver o valor dentro do prazo poderá ter o nome inscrito na Dívida Ativa da União e no Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados), além de ficar sujeito à negativação em órgãos de proteção ao crédito. Cartão do Bolsa Família, em foto de arquivo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar/Divulgação

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IBGE: Fome atinge 6,48 milhões de pessoas no Brasil, menor nível em 20 anos

Publicado em: 10/10/2025 15:09

Brasil sai do Mapa da Fome, mas há desafios: insegurança alimentar grave ou moderada atinge 13,5% da população, segundo a ONU O número de pessoas que vivem em lares com insegurança alimentar grave — ou seja, que enfrentam a fome diariamente — caiu 23,5% em 2024. Em termos absolutos, dois milhões de brasileiros deixaram a fome em apenas um ano, passando de 8,47 milhões em 2023 para 6,48 milhões em 2024. Os dados fazem parte do levantamento sobre Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgado nesta sexta-feira (10) pelo IBGE, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Segundo Maria Lúcia Vieira, pesquisadora do IBGE, a insegurança alimentar moderada ou grave chegou ao menor nível desde 2004, quando teve início o levantamento. (leia mais abaixo) 🔎 O IBGE define insegurança alimentar grave como a situação em que há falta de qualidade e redução na quantidade de alimentos, incluindo crianças e adolescentes, transformando a fome em uma experiência vivida no domicílio. O cenário atingiu cerca de 2,5 milhões de famílias, segundo o IBGE. Essa foi a primeira pesquisa oficial sobre insegurança alimentar desde a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018 — ou seja, desde antes da pandemia de Covid-19. Quando considerada a insegurança alimentar moderada — caracterizada pela falta de qualidade e redução na quantidade de alimentos entre adultos — o número de pessoas afetadas caiu para 9,795 milhões em 2024, ante 11,662 milhões em 2023. Embora a fome tenha diminuído, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar — número que representa uma redução de 2,2 milhões de lares em relação a 2023. Proporcionalmente, a parcela de domicílios nessa condição caiu de 27,6% para 24,2%, mostrando que quase um em cada quatro lares ainda vive com insegurança alimentar. Em contrapartida, a proporção de domicílios em segurança alimentar aumentou de 72,4% para 75,8%. Proporção é maior no Norte e Nordeste As regiões com mais domicílios em insegurança alimentar são o Norte (37,7%) e o Nordeste (34,8%), sendo que o nível mais grave chegou a 6,3% e 4,8%, respectivamente. Nas outras regiões, os índices foram menores: 20,5% no Centro-Oeste, 19,6% no Sudeste e 13,5% no Sul. No Norte, a proporção de domicílios em situação grave foi quase quatro vezes maior que no Sul, que tem a menor taxa (1,7%). Em números absolutos, o Nordeste tem mais domicílios afetados (7,2 milhões), seguido pelo Sudeste (6,6 milhões), Norte (2,2 milhões), Sul (1,6 milhão) e Centro-Oeste (1,3 milhão). Entre 2023 e 2024, a maioria dos estados apresentou melhora na insegurança alimentar, com exceção de Roraima, Distrito Federal, Amapá e Tocantins, que registraram aumento. Nove estados tiveram menos de 20% dos domicílios nessa situação, incluindo Santa Catarina e Espírito Santo. Os estados com mais domicílios em insegurança alimentar são Pará (44,6%), Roraima (43,6%), Amazonas (38,9%), Bahia (37,8%) e Pernambuco (35,3%). No nível grave, os mais afetados foram Amapá (9,3%), Amazonas (7,2%) e Pará (7,0%). A insegurança alimentar é mais comum em áreas rurais (31,3%) do que urbanas (23,2%), e o nível grave atinge 4,6% dos domicílios rurais contra 3,0% dos urbanos. Mulheres, negros e pardos lideram domicílios com insegurança alimentar Em lares com insegurança alimentar, as mulheres respondiam por 59,9%, enquanto os homens eram 40,1%, sendo a diferença mais marcada no nível moderado (61,9% feminino ante 38,1% masculino). A desigualdade também se manifesta por cor e raça: entre os domicílios inseguros do ponto de vista alimentar, 28,5% tinham responsáveis brancos, 54,7% pardos e 15,7% pretos. No caso da insegurança alimentar grave, os pardos representavam 56,9%, mais que o dobro dos brancos (24,4%). Entre os domicílios em segurança alimentar, a maior parte tinha responsáveis brancos (45,7%), seguida de pardos (42,0%) e pretos (11,1%). O nível de instrução do responsável impactou a insegurança alimentar em 2024: 51,5% dos domicílios inseguros tinham responsáveis com ensino fundamental completo ou menos, chegando a 65,7% nos casos graves, enquanto nos domicílios em segurança alimentar esse percentual era de 35,1%. Quanto às ocupações, em domicílios com insegurança alimentar, 17% trabalhavam por conta própria, 8,6% eram empregados sem carteira e 6,5% trabalhadores domésticos. Entre os seguros, 23,4% tinham empregados com carteira, o maior grupo, enquanto sem carteira e trabalhadores domésticos representavam 6,6% e 3,4%, respectivamente. Menor renda e mais jovens A insegurança alimentar grave atingiu mais crianças e adolescentes: 3,3% da população de 0 a 4 anos e 3,8% dos 5 a 17 anos, contra 2,3% entre pessoas com 65 anos ou mais. Quanto ao tamanho dos domicílios, a maioria dos lares com insegurança alimentar tinha até 3 moradores (69,8%), enquanto domicílios graves concentravam 76,1% nessa faixa. Nos domicílios com segurança alimentar, 75,7% tinham até 3 moradores. A renda per capita (soma de toda a renda de uma família ou população dividida pelo número de integrantes) também influenciou a vulnerabilidade: dois em cada três domicílios com até um salário mínimo estavam em insegurança alimentar. As classes de menor rendimento — até um quarto de salário mínimo, até meio salário e 1 salário mínimo — concentraram 66,1% dos lares inseguros, apesar de representarem apenas 1% do total de domicílios, respondendo por 71,9% dos casos moderados ou graves. Em contraste, domicílios com mais de 2 salários mínimos representaram 7,4% dos casos, apesar de serem 24,4% do total de lares. A concentração de insegurança alimentar também é maior em áreas rurais, onde 82,2% dos lares com insegurança moderada ou grave pertencem às três menores classes de rendimento, evidenciando a forte relação entre baixa renda e vulnerabilidade alimentar. Insegurança alimentar grave, moderada ou leve? A pesquisa do IBGE utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), que classifica os domicílios em quatro categorias, de acordo com a falta ou acesso pleno e regular de seus moradores a alimentos de qualidade nutricional. São elas: segurança alimentar, insegurança alimentar leve, insegurança alimentar moderada e insegurança alimentar grave. A pesquisa classifica a insegurança alimentar em três níveis: Insegurança alimentar leve: preocupação ou incerteza quanto ao acesso a alimentos e redução da qualidade para não afetar a quantidade; Insegurança alimentar moderada: falta de qualidade e redução na quantidade de alimentos entre adultos; Insegurança alimentar grave: falta de qualidade e redução na quantidade de alimentos também entre menores de 18 anos. Nessa situação, a fome passa a ser uma experiência vivida no domicílio. A segurança alimentar é classificada como o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. ONU retira Brasil do Mapa da Fome A pesquisa do IBGE confirma as tendências apontadas pela FAO, agência da Organização das Nações Uunidas (ONU) especializada em alimentação e agricultura, que em agosto deste ano retirou o Brasil do Mapa da Fome. O cálculo é feito por triênios – e a melhora reflete a média de 2022 – último ano do governo de Jair Bolsonaro – e 2023 e 2024 – durante o governo Lula. O dado consta no relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025”, divulgado durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, na Etiópia. O documento revelou que menos de 2,5% da população brasileira está em risco de subnutrição, o que faz com que o país deixe a lista de nações com insegurança alimentar grave — posição que havia voltado a ocupar em 2022. Fome no Brasil Reprodução / TV Globo

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Hospital Alzira Velano implanta protocolo sigiloso para acolhimento de vítimas de violência sexual em Alfenas, MG

Publicado em: 10/10/2025 14:59

Hospital desenvolve protocolo para acolhimento de vítimas de violência sexual em Alfenas O Hospital Universitário Alzira Velano, em Alfenas (MG), referência em saúde para mais de 25 cidades do Sul de Minas, implantou um protocolo especial para o atendimento de vítimas de violência sexual. A iniciativa busca garantir acolhimento humanizado, sigiloso e seguro para quem chega à unidade em situação de vulnerabilidade. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram O chamado “Código Violeta” foi criado pela equipe médica e multidisciplinar do hospital para assegurar que o processo ocorra de forma discreta, respeitosa e sem exposição da vítima. Assim que chega ao pronto-socorro, a pessoa recebe um cartão de identificação e é direcionada a um espaço reservado, separado do fluxo geral do hospital. O local conta com uma sala de espera isolada e com janelas foscas, para preservar a identidade da vítima, além de oferecer acesso direto a profissionais da assistência social e da psicologia. O atendimento médico também é realizado em consultório exclusivo, preparado para a realização de exames e procedimentos específicos. Hospital Alzira Velano implanta protocolo sigiloso para acolhimento de vítimas de violência sexual em Alfenas, MG Reprodução / EPTV Conforme a médica Jordana, uma das responsáveis pela criação do protocolo, o objetivo é oferecer um atendimento ético e acolhedor. “Os números de casos de violência sexual têm aumentado, inclusive no Sul de Minas. Sentimos a necessidade de implantar um protocolo que garantisse um atendimento eficiente, seguro e sigiloso, tanto para mulheres quanto para homens e crianças”, explicou. O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e farmacêuticos. Os kits de exames e medicamentos já ficam prontos e são adaptados conforme a idade e o gênero da vítima. Além do acolhimento inicial, o protocolo prevê acompanhamento psicológico e encaminhamento para centros especializados. “Nossa preocupação não é apenas com o atendimento imediato. As pacientes são acompanhadas em outros serviços ambulatoriais e, caso queiram, são orientadas sobre como registrar o boletim de ocorrência”, completou a médica. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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Homem é condenado a mais de 13 anos de prisão por estupro e agressões em Iapu

Publicado em: 10/10/2025 11:40

Sede do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) em Belo Horizonte. TV globo Um homem foi condenado a 13 anos, 1 mês e 10 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de estupro, constrangimento ilegal e coação no curso do processo, cometidos contra uma mulher em Iapu, no Vale do Aço. A sentença foi proferida pela 1ª Vara da Comarca de Inhapim após denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). De acordo com o MPMG, o crime aconteceu em maio deste ano. O homem, que tinha 37 anos na época, abordou violentamente a vítima, de 42, e a arrastou para uma área de mata. No local, ele manteve a mulher em cárcere, a agrediu e a estuprou sob ameaça de morte caso procurasse a polícia. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 Vales no WhatsApp Violência contra mulher: como pedir ajuda Durante a ação, o agressor também atacou um homem que tentou socorrer a vítima, o que levou à condenação adicional por constrangimento ilegal. Após o crime, o condenado ainda tentou intimidar a mulher para que não o denunciasse, configurando coação no curso do processo. Na sentença, o juiz ressaltou a brutalidade e o planejamento do ataque, destacando que o réu se aproveitou da vulnerabilidade da vítima. Além da pena principal, ele recebeu 7 meses de detenção e 196 dias-multa. A Justiça manteve a prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade, considerando a gravidade dos crimes e o risco de novas ameaças à vítima. O Ministério Público de Minas Gerais classificou a condenação como uma importante vitória no combate à violência sexual e reafirmou o compromisso de garantir justiça às vítimas. Vídeos do Leste e Nordeste de Minas Gerais Veja outras notícias da região em g1 Vales de Minas Gerais.

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Justiça suspende lei que prevê placas antiaborto em hospitais e unidades de saúde de Vitória

Publicado em: 10/10/2025 11:34

O que é aborto legal Um mês depois da sanção de uma lei que determinava a instalação de placas ou cartazes sobre o aborto em unidades públicas de saúde e hospitais de Vitória, a Justiça suspendeu a prática após uma ação da Defensoria Pública do Espírito Santo. A lei sancionada pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) não chegou a ser executada porque o projeto foi declarado inconstitucional e teve seus efeitos suspensos. Os textos seriam direcionados a meninas e mulheres que planejam realizar o procedimento, mesmo nos casos em que o aborto é permitido por lei. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A decisão foi proferida pelo juiz Carlos Magno Moulin Lima, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Vitória, nesta quinta-feira (9). O magistrado entendeu que a Lei 10.218/2025 é inconstitucional e contraria tratados internacionais de direitos humanos, especialmente os que protegem os direitos das mulheres. O descumprimento da decisão pode gerar multa de R$ 5 mil por ato. Com a decisão, que tem caráter provisório até o julgamento do mérito, a Prefeitura de Vitória está proibida de instalar os cartazes e de aplicar sanções previstas na lei. Desde a sanção até a suspensão, o g1 apurou que nenhuma imagem de alguma placa foi instalada neste período. A prefeitura informou, por meio de assessoria, que não iria se manifestar sobre o assunto. Entenda A Lei 10.218/2025, foi sancionada pelo prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) no dia 19 de setembro de 2025, após aprovação na Câmara Municipal, e determinava a instalação de placas ou cartazes sobre o aborto em unidades públicas de saúde e hospitais da capital. Atualmente, existem três situações em que o aborto é permitido no Brasil. AFP LEIA TAMBÉM: REALIDADE NO ES: Quase 100 abortos legais foram feitos em 1,5 ano; 'É um direito, não é uma prática que vai contra a lei', diz especialista ABUSOS COMETIDOS PELO TIO: Relembre o caso da criança de 10 anos que fez aborto legal após estupro no ES A lei indicava as mensagens que as placas deveriam ter: “Aborto pode acarretar consequências como infertilidade, problemas psicológicos, infecções e até óbito”; “Você sabia que o nascituro é descartado como lixo hospitalar?”; “Você tem direito a doar o bebê de forma sigilosa. Há apoio e solidariedade disponíveis para você. Dê uma chance à vida!”. O projeto previa multa de R$ 1 mil para gestores de unidades de saúde que descumprissem a determinação. A decisão Câmara de Vereadores de Vitória Reprodução/TV Gazeta Na decisão, o juiz afirmou que a norma viola a dignidade da pessoa humana, o direito à saúde, o direito à informação e à liberdade de consciência, além de afrontar compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW) e a Convenção de Belém do Pará. “Em vez de garantir ambiente de acolhimento e neutralidade científica, [a lei] impõe às mulheres em situação de sofrimento e vulnerabilidade mensagens incompatíveis com os parâmetros internacionais de proteção”, escreveu o juiz. O juiz destacou ainda que a lei municipal extrapola a competência da Câmara e da Prefeitura, ao tratar de temas relacionados a direito penal e políticas públicas de saúde, que são de atribuição da União. “A interferência municipal não é abstrata, pois incide diretamente sobre a conduta de gestores e profissionais de saúde, impondo-lhes obrigação positiva de expor mensagens de cunho coercitivo, sob pena de advertência e multa”, afirmou Carlos Magno Moulin Lima. Críticas à proposta O projeto foi apresentado pelo vereador Luiz Emanuel (Republicanos), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e aprovado em regime de urgência, com pouca discussão nas comissões. Ele justificou a proposta dizendo que o “direito da mulher não pode comprometer a vitalidade intrauterina”. A medida recebeu críticas de vereadores da oposição, como Professor Jocelino (PT), Ana Paula Rocha (Psol), Pedro Trés (PSB) e Raniery Ferreira (PT), que apontaram inconstitucionalidade, revitimização de meninas e mulheres vítimas de estupro e riscos à saúde. Aborto legal no Brasil A legislação brasileira permite o abortamento induzido em três situações: Gravidez resultante de estupro ou estupro de vulnerável (menores de 14 anos); Risco de morte para a gestante; Anencefalia do feto (malformação cerebral). Especialista vê tentativa de intimidação A presidente da Sociedade Brasileira de Bioética e professora de Direito da Faculdade de Direito de Vitória (FDV), Elda Bussinguer, afirmou que a proposta aprovada pela Câmara de Vitória é inconstitucional e representa uma tentativa de intimidar meninas e mulheres que têm direito ao procedimento legal. “O aborto legal é feito dentro do hospital, com todo cuidado, e não implica nesses riscos relatados. A chance de infertilidade é zero. É um falso discurso para provocar medo”, afirmou Bussinguer, que também é enfermeira e obstetra. Com informações de Aline Nunes/A Gazeta. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Apple duplica recompensa milionária no seu programa Security Bounty

Publicado em: 10/10/2025 08:28 Fonte: Tudocelular

A Apple acaba de anunciar alguns ajustes no seu programa Security Bounty. As novidades o prometem sacudir o ecossistema de segurança, com explorações complexas em cadeia (exploit chains) com impacto comparável ao de spywares sofisticados. Segundo a gigante de Cupertino, o prêmio máximo do incentivo criado em 2020 será dobrado, chegando a US$ 2 milhões (~R$ 11 milhões), um valor que, segundo a empresa, não tem precedentes na indústria. Mas ela não parou por aí. Caso uma vulnerabilidade consiga, por exemplo, driblar o Modo de Isolamento (Lockdown Mode), ou seja descoberta em versão beta do sistema, o bônus pode ultrapassar os US$ 5 milhões (~R$ 27 milhões). Clique aqui para ler mais

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Virginia anuncia nova loja em meio à ação por supostas práticas abusivas: 'Brasil todo tem WePink'

Publicado em: 10/10/2025 07:21

Grande franquia de cosméticos é autuada pelo Procon em Goiânia Em meio à ação por práticas abusivas, a influenciadora e empresária Virginia Fonseca anuncia nova loja da WePink no Acre. Ela e a sócia Samara Pink divulgaram o lançamento da nova franquia em suas redes sociais no shopping Via Verde, na capital Rio Branco. Segundo Samara, a loja será aberta nesta sexta-feira (10). "A gente completa mapa do Brasil. Agora tem quiosque da WePink em todo Brasil. A gente vai inaugurar no Acre. Vocês têm noção disso? O mapa inteiro agora está rosa", disse Samara em post que foi compartilhado pela sócia Virgínia. A marca de cosméticos foi autuada pelo Procon Goiás por atrasos e falta de entrega de produtos comprados online (veja o vídeo acima). Segundo o órgão, a WePink recebeu cerca de 340 reclamações entre 2024 e 2025 e tem 20 dias a partir da autuação para prestar esclarecimentos. Ao g1, a empresa informou que não recebeu a notificação do Procon no começo deste ano. Disse também que apresentou defesa quando receberam uma segunda notificação, informando o não recebimento e que a autuação ainda não é definitiva. Em nota, a empresa ainda informou que não sofre mais com atrasos frequentes e que a decisão registra a ausência de defesa, fato esse que foi contestado e provado que houve apresentação de defesa, juntando como prova o aviso de recebimento da defesa pelo Procon Goiás (leia a nota na íntegra ao fim do texto). Ação por práticas abusivas MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões A ação do Procon é conjunta com o Ministério Público de Goiás (MP-GO). Segundo o órgão, a empresa da Virginia teve 120 mil reclamações registradas em menos de 2 anos. O promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva informou que, entre os problemas relatados, estão propaganda enganosa e censura nas redes sociais com a exclusão de reclamações (veja acima). A ação foi protocolada na quarta-feira (8). O Ministério Público explicou que a estratégia de "flash sales", que são as ofertas-relâmpago, criou um senso artificial de urgência nos consumidores, induzindo à compra impulsiva e explorando a vulnerabilidade psicológica das pessoas. Segundo o órgão, o uso da imagem da influenciadora agravou isso, pois milhares de seguidores confiam em sua recomendação. Segundo o documento, foram registradas 30 mil reclamações até a data da ação em 2025. No ano anterior, foram 90 mil queixas contra a empresa. O texto aponta que o número total pode chegar a 300 mil consumidores, considerando aqueles que não reclamaram oficialmente. Leia a nota da WePink na íntegra De fato nós recebemos notificação do PROCON - GO, inclusive mais de uma sobre os mesmos fatos, as quais foram devidamente respondidas, esclarecendo que hoje a WEPINK não sofre mais com atrasos frequentes, tanto que é nota 8.1 na plataforma RECLAMEAQUI, contando com um indíce de 93% de resolução, coisa que poucas empresas do e-commerce conseguem. Outro ponto importante é que a decisão registra a ausência de defesa, fato esse que contestamos e provamos que houve apresentação de defesa, juntando como prova o aviso de recebimento da nossa defesa pelo PROCON - GO. Portanto, acreditamos que tudo será esclarecido junto ao PROCON - GO nos próximos dias. Matéria em atualização. WePinl, de Virginia Fonseca, é autuada pelo Procon Reprodução/Instagram da WePink

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Dentista se comove ao participar de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos na África: 'Transformador'

Publicado em: 10/10/2025 04:01

Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos Bonito e transformador. É assim que a dentista Rachel Di Batista, de 44 anos, descreve o período em que realizou o trabalho humanitário no Campo de Refugiados de Dzaleka, no Malawi, país do sudeste da África. Ela foi a única goiana em um grupo de profissionais da saúde que realizou mais de 2 mil atendimentos médicos de diversas especialidades e mais de 70 cirurgias em setembro de 2025. Rachel relatou ao g1 que o grupo é composto por voluntários do Brasil inteiro e que não conhecia nenhum dos profissionais que estiveram com ela no campo de refugiados. A ação é parte de um projeto da ONG Fraternidade Sem Fronteiras. “Eu fui para doar e para servir. Achei que foi uma experiência muito transformadora ver a diferença que você faz na vida da pessoa. Acho que outras pessoas também iam gostar de fazer”, contou. As viagens de Goiânia até chegar ao campo de refugiados no Malawi duraram mais de 15 horas, contabilizou Rachel . Ela saiu da capital goiana, passou por Joanesburgo, na África do Sul, e depois viajou para Lilongwe, capital do Malawi, onde pegou um transfer até o campo de refugiados. Quando decidiu ir para o Malawi, Rachel já conhecia o trabalho e era madrinha dos projetos da ONG. Além disso, ela contou que já fazia trabalho voluntário, como realizar palestras de prevenção em regiões periféricas. Entretanto, Rachel sempre teve o sonho de realizar um trabalho voluntário em lugares com maior vulnerabilidade social e econômica. “O que me motivou foi poder fazer a diferença na vida das pessoas, poder servir, ser útil”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Casal cria ONG para treinar voluntários, dar aulas para crianças carentes e doar roupas e livros pelo 'preço' de um abraço Cura e devoção: conheça histórias de voluntários da romaria que recebe milhões de pessoas por ano, em Goiás Voluntários se unem para terminar de construir creche em área de ocupação em Aparecida de Goiânia Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos e 70 cirurgias na África Arquivo pessoal de Rachel Di Batista Voluntários custeiam atendimentos e cirurgias Além dos custos da própria viagem, Rachel relatou que os voluntários também custeiam todo o material necessário para realizar os atendimentos e as cirurgias. “Nós somos todos voluntários. Cada um pagando seu custo, pagando a estadia, pagando as passagens, pagando tudo, no sentido de oferecer ajuda em um campo de refugiados”, explicou. Os profissionais tiveram que enfrentar diversas dificuldades para atender os refugiados no país africano, segundo a dentista. “O campo de refugiados não tem água, não tem esgoto, não tem energia. Mas o que choca são as pessoas vivendo nesse cenário trágico, a alegria delas, uma fé inabalável, a resiliência, a empatia, a coragem e a força”, declarou. Dificuldades A dentista relatou que exercer a profissão em um campo de refugiados oferece muitas limitações e dificuldades pela falta de estrutura típica de consultórios odontológicos. Para atender aos pacientes, a equipe montou um consultório adaptado. "A gente trabalha em quatro cadeiras, uma pessoa coladinha com a outra. O paciente cospe em um balde, porque não tem tubulação", descreveu. Os atendimentos eram, na maior parte, para solucionar dores de dente e doenças periodontais como gengivite e tártaro. Refugiados Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos e 70 cirurgias na África Arquivo pessoal de Rachel Di Batista A dentista contou que um dos atendimentos que mais a marcou no campo de refugiados foi uma extração de dente em uma paciente. Ela conta que, como profissional de saúde, às vezes fica chateada por tirar o dente da frente de um paciente para colocar implante. Quando acontece, o paciente costuma pedir para colocar uma máscara. Entretanto, a paciente que atendeu no Malawi era uma das poucas que tinha celular e pediu para tirar uma foto ao terminar o procedimento. "Quando tirei a foto da paciente sorrindo, com um buraco na frente, com o celular dela. Depois, ela ajoelhou e falou assim: 'Eu posso fazer uma oração para você? Obrigada por você ter tirado minha dor’, relatou. Volta para o Brasil Rachel declarou que realizar o trabalho voluntário no Malawi a transformou e que agora se sente mais motivada para trabalhar. Ela contou que, ao voltar, pensava que estaria tudo feito, mas agora pretende voltar para o campo de refugiados e poder ajudar mais. “Quero incentivar outras pessoas a irem, meus colegas de profissão, outros médicos a irem em outras caravanas e levar o seu trabalho e se doar”, incentivou. Goiana participa de ação humanitária que realizou mais de 2 mil atendimentos e 70 cirurgias na África Arquivo pessoal de Rachel Di Batista Ação humanitária na África Segundo a ONG Fraternidade Sem Fronteiras, Rachel estava entre os 33 profissionais de saúde que participaram da Caravana da Saúde, parte do projeto Nação Ubuntu, no Malawi. Entre os profissionais na caravana, havia médicos, dentistas, enfermeira e farmacêutico. Ainda segundo a ONG, o campo de refugiados abriga quase 60 mil pessoas refugiadas, sendo a maior parte composta por mulheres e crianças. O projeto Nação Ubuntu é realizado no Malawi desde 2018, ao lado do campo de refugiados de Dzaleka. De acordo com a ONG, o trabalho visa acolher os refugiados de guerra, oferecendo oportunidades para mudar as histórias de vida de crianças, jovens e toda a população de refugiados em situação de extrema vulnerabilidade. A ONG Fraternidade Sem Fronteira tem sede em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e atua em 77 polos de trabalho espalhados por nove países. A ONG oferece alimentação, serviços de saúde, formação profissionalizante, cultivo sustentável e construção de casas. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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'Fiquei com medo de a sensação sumir': Laís Souza sente o dedo após 11 anos e diz que toparia participar de estudo clínico

Publicado em: 10/10/2025 03:01

Laís Souza e as novas sensibilidades O vídeo começa com um ruído de celular e um riso fora de quadro. A mão da ex-ginasta Laís Souza está apoiada no sofá quando, de repente, ela diz: “Bem-vinda [nova sensibilidade]”. Não é metáfora. É o dedo mínimo da mão esquerda, que voltou a responder depois de onze anos. A sensação não chega a ser exatamente um toque — é pressão, formigamento, algo entre o nada e o quase. “Devo sentir uns três a cinco por cento”, calcula. O vídeo não foi planejado para registrar uma descoberta. Laís e a namorada apenas gravavam um momento banal de carinho quando, por acaso, a câmera flagrou o retorno do movimento no dedo. Surpresa, ela pediu que a namorada apertasse o mesmo ponto várias vezes, com medo de que a sensação desaparecesse. À noite, já na cama, testou de novo. Continuava ali. Não procurou os médicos. “Não tem muito o que fazer”, explica em entrevista exclusiva ao g1. Eles já tinham dito que pequenas melhoras são possíveis mesmo depois de anos, quando fibras preservadas voltam a conduzir sinais. “O corpo é incrível. Às vezes o estímulo está por um fio e algo resolve.” Desde sempre, o corpo da ex-ginasta foi assunto de trabalho. A partir de 2014, entretanto, esse assunto teve de mudar de lado. A agilidade deu lugar à paciência. Laís aprendeu a decifrar sinais que ninguém mais entende: ardência, espasmos, arrepios que podem significar dor, frio ou vontade de urinar. Aprendeu também a detectar o que não sente. Uma vez, passou horas com o tênis dobrado atrás do calcanhar sem perceber. O corpo tentou avisar de outro jeito: uma ardência que vinha com arrepio e dor de cabeça. “Era o calcanhar. O tênis estava dobrado e eu não tinha sentido”, conta. Laís treina cuidadores para reconhecer pintas, manchas, calos, dobras de roupa. Sabe que, se errar o tempo, o corpo responde com infecção, febre, ferida. A atleta que vivia de impulso hoje opera por antecipação. E estuda. O tempo todo. “Meu grande músculo é o cérebro”, afirma. A rotina é cronometrada: cuidados e higiene pela manhã, fisioterapia à tarde, trabalho e palestras no resto do dia. “Parece empresa”, diz, sobre a própria casa e os funcionários com quem trabalha. Tudo tem lugar e regra. Tirou, devolve. Sujou, lava. Se não, ela se perde. Aos 36 anos, aprendeu a planejar até o improvável. Treina todos os dias para estar pronta caso alguma pesquisa científica avance o suficiente para se tornar tratamento. Acompanha de perto os estudos brasileiros com polilaminina — uma proteína derivada da placenta que vem sendo testada para regeneração nervosa — e também o projeto da Universidade de Tel Aviv, em Israel, que desenvolve uma medula espinhal em 3D feita com células do próprio paciente. Nos testes com animais, a técnica já restaurou parte da mobilidade. “Quero estar pronta quando chegar a hora. Se o movimento voltar, preciso estar forte. Se as pernas reagirem, quero conseguir me levantar. Se o braço recuperar a sensibilidade, quero segurar um copo de água, quero poder fazer carinho nos meus cachorros.” Fala de ciência com o mesmo pragmatismo com que organiza o dia. “Tenho esperança, mas tento não criar expectativa. Sei que pode não dar certo. Talvez, se o acidente tivesse acontecido hoje, as respostas da medicina seriam outras — mais rápidas, com base em resultados de estudos clínicos que ainda estavam longe há onze anos.” Relembre o acidente Laís Souza tinha 24 anos quando se chocou contra uma árvore durante um treino de esqui aéreo, nos Estados Unidos, às vésperas das Olimpíadas de Inverno de Sochi. Havia migrado da ginástica artística — onde representou o Brasil em duas Olimpíadas e conquistou um quarto lugar no Mundial de 2006 — para o novo esporte há menos de um ano. Naquele 27 de janeiro de 2014, a tentativa era apenas um salto de rotina. O impacto quebrou duas vértebras cervicais, C3 e C4, esmagando a medula. Laís lembra pouco: desmaiou, acordou, desmaiou outra vez. “Vomitei, aspirei o vômito, o que afetou meus pulmões. Mas não me lembro de muita coisa. Dormia e acordava”, conta. Só percebeu a gravidade dias depois, quando pediu à mãe que colocasse o celular em sua mão para mandar uma mensagem aos amigos. O aparelho escorregou, e ela não conseguiu segurá-lo. Pediu de novo. Caiu outra vez. “Foi aí que a ficha caiu.” A mãe, que acompanhou tudo de perto, ouviu dos médicos o prognóstico mais duro: se sobrevivesse às primeiras 12 horas –o que era improvável–, dependeria de máquinas para respirar, comer e urinar. Nada disso se confirmou. Ainda assim, onzparaanos depois, a mãe continua por perto. Quando passa a noite com a filha, entra no quarto a cada três horas, faz a sondagem, muda o decúbito, confere se está tudo certo. “Minha mãe é minha melhor amiga. Sabe tudo da minha vida”, conta. O abuso sexual Desde o acidente, o corpo de Laís também se viu em vigilância. “A gente que passa pela situação enxerga o que o médico não vê”, diz. A ardência nas mãos, por exemplo, pode significar quase qualquer coisa — de gases a infecção urinária. O aprendizado foi fisiológico e filosófico. O corpo voltou a ser tema público quando Laís revelou ter sido vítima de abuso sexual por parte de cuidadores. Ela contou que os episódios ocorreram em momentos de completa vulnerabilidade, quando estava deitada ou dormindo, sem sensibilidade em boa parte do corpo. “Já fui abusada antes, quando tinha quatro anos, e depois do acidente, que foi quando realmente fiquei supervulnerável. Foram abusos inesperados. Eu estava totalmente vulnerável: deitada, dormindo… não estava nem vendo o que estava rolando. E não tenho sensibilidade em 100% do corpo. Sinto que está tudo certo e a pessoa se aproveita daquilo”, conta. Ela denunciou os casos, mas teve medo de sofrer retaliação por parte dos abusadores, embora não tenha relatado ameaças. Desde então, passou a tratar a confiança como questão prática. “Minha confiança é bem abalada. Para confiar em alguém, tenho que saber realmente quem está ali, conversando, convivendo.” Depois disso, quando um novo cuidador chega, Laís treina cada gesto. “Explico como quero, deixo cada coisa no seu lugar para que não haja nenhum ponto em que ele precise dar um passo que eu não saiba. Tento fazer com que tudo esteja sob controle.” Instalou câmeras em casa, evita consultas sozinha e se mantém em alerta constante. Desde então, não aceita mais profissionais homens para tarefas íntimas. O serviço de home care que a atende chegou a enviar um cuidador substituto. Era um homem, e Laís dispensou o atendimento assim que ele chegou. “Para mim é impossível, não dá. Por mais fofo que ele seja, é um gatilho, não consigo. Não é nada pessoal com a pessoa”, relata. Acessibilidade, ou a falta dela Fora de casa, Laís enfrenta outro tipo de hostilidade. Fala da falta de acessibilidade como quem descreve o tempo: sem surpresa, mas com precisão. Restaurantes sem rampa, lojas inacessíveis, elevadores de lixo usados como entrada alternativa. “Às vezes fico no carro e peço para quem está comigo comprar o que quero. A cadeira de rodas, na maior parte das vezes, não passa pela porta das lojas. Quando passa, não tem espaço dentro dos estabelecimentos para que eu consiga me mover.” O isolamento imposto por essa falta de acesso acabou levando Laís de volta para dentro — da casa e de si mesma. Durante a pandemia, retomou um hábito antigo: pintar. “É uma atividade parada, mas me dá a mesma adrenalina do dever cumprido que o esporte me fazia sentir”, explica. As pinturas são figurativas e vibrantes, feitas com guache, sempre com ajuda de um cuidador. “Quando a arte termina, é como se o corpo tivesse se mexido.” A introspecção virou também curiosidade científica. Laís voltou a estudar: leu sobre o funcionamento do sistema nervoso, as etapas da cicatrização, a neuroplasticidade. Acompanhou estudos internacionais e se inscreveu em grupos que monitoram terapias experimentais para lesões medulares. “Quero estar pronta quando chegar a hora”, diz. Palestras, rotina e o trabalho de existir No palco, o corpo volta a ser centro. Já fez mais de duzentas palestras, de segurança do trabalho à inclusão. Às vezes, sobe ao palco com a pressão baixa, às vezes, com espasmos. “Tem que cuidar para não cair, para não dar tremor.” Fala sem roteiro. “De coração”, diz, sem romantismo. No meio do discurso, sente o peso do próprio nome — símbolo de superação que nunca quis ser. “Tem dia que não quero me superar. Só quero ficar deitada e chorar. Ou só ficar deitada, sem chorar”, ri. O acidente redefiniu o corpo, mas não o anulou. O dedo que mexeu, por acaso, é o mesmo que lembra a dimensão do possível. Laís não chama de milagre. Chama de corpo.

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WePink: empresa de Virginia fez publicidade enganosa, teve mais de 120 mil reclamações e censurou nas redes sociais, diz promotor

Publicado em: 10/10/2025 02:01

MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões A WePink, empresa da influenciadora Virginia Fonseca, teve 120 mil reclamações registradas em menos de 2 anos, de acordo com o Ministério Público de Goiás. Segundo o promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva, entre os problemas estão propaganda enganosa e censura nas redes sociais com a exclusão de reclamações (veja acima). Ao g1, o advogado da empresa, Felipe de Paula, informou que eles não foram citados na ação, portanto, ainda não tomaram conhecimento dos termos. A ação foi protocolada na quarta-feira (8), em conjunto com o Procon. O órgão explicou que a estratégia de "flash sales" (ofertas-relâmpago) criou um senso artificial de urgência, induzindo à compra impulsiva e explorando a vulnerabilidade psicológica das pessoas. O uso da imagem da influenciadora agravou isso, pois milhares de seguidores confiam em sua recomendação, destacou o MP. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Segundo o documento, em 2025 foram registradas 30 mil reclamações até a data da ação. Já em 2024 foram 90 mil queixas. O texto também destaca que o número total pode chegar a 300 mil consumidores, considerando aqueles que não reclamaram oficialmente. LEIA TAMBÉM: Empresa de Virginia, WePink é autuada pelo Procon por atrasos e falta de entrega de produtos comprados online WePink: MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões por práticas abusivas contra consumidores Queimadura nos olhos após uso de sérum para cílios: internautas relatam reações e médicos fazem alerta WePinl, de Virginia Fonseca, é autuada pelo Procon, em Goiás Reprodução/Instagram da WePink Élvio destacou que consumidores também denunciaram a falta de entrega de produtos pagos, dificuldades na hora de solicitar o reembolso e um péssimo atendimento pós-venda. Veja as práticas abusivas listadas na ação: Falta de entrega de produtos: consumidores que pagaram pelos produtos e nunca receberam; Descumprimento de prazos: alguns atrasos ultrapassaram sete meses; Dificuldade de reembolso: resistência da empresa em devolver valores pagos; Atendimento deficiente: o sistema é automatizado, mas não resolve os problemas; Exclusão de críticas: a empresa removeu comentários negativos nas redes sociais; Produtos com defeito: os cosméticos chegam estragados na entrega e estão diferente do enunciado. "Diante de toda essa situação, o Ministério Público pediu a suspensão dessas lives enquanto não forem regularizadas as pendências, criar um saque eficiente, humanizado, em 30 dias, com resposta em 24h por cada reclamação", destacou o promotor. O Ministério Público escreve na ação que o objetivo é ressarcir de forma integral todos os clientes lesados. Élvio também afirmou que foi pedido uma multa de R$ 1 mil por cada ofensa feita por consumidor, além de indenização em caráter punitivo e educativo de R$ 5 milhões, e outra reparatória para cada consumidor prejudicado, que ainda será calculada. Marca WePink, de Virgínia Fonseca Reprodução/Instagram/WePink WePink autuada pelo Procon A Wepink já havia sido notificada outras vezes, de acordo com o Procon, tendo sido autuada no final de setembro. De acordo com a fiscalização, a empresa anunciou e comercializou os produtos nacionalmente, mas não realizou a entrega no prazo estabelecido. O órgão lembrou ainda que a marca realizou lives nas redes sociais em que influenciadores anunciaram os produtos a preços muito atrativos e links promocionais, apesar da quantidade significativa de reclamações dos consumidores. Sobre a autuação do Procon, a defesa da WePink informou ao g1 que a empresa não recebeu a notificação enviada no começo deste ano. Disse ainda que apresentou defesa quando recebeu uma segunda notificação, informando o não recebimento e que a autuação ainda não é definitiva. Em nota, a empresa ainda informou que não sofre mais com atrasos frequentes. Empresa de Virginia Fonseca é autuada pelo Procon 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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Campanha oferece 2 mil bolsas de estudo para profissionais negros no RN; veja oportunidades

Publicado em: 09/10/2025 18:22

Bolsas são para trabalhadores negros Freepik O Movimento pela Equidade Racial (Mover) está disponibilizando mais de 2 mil bolsas de estudo em diferentes áreas do conhecimento para profissionais negros do Rio Grande do Norte. As inscrições para campanha, denominada de “Mover o seu Futuro”, entraram em reta final e se encerram em 15 de outubro deste ano, podendo ser feitas pelo site do Movimento. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Ao todo, são oferecidas mais de 60 mil bolsas de estudo em todo o país, em programas voltados para todas as etapas da carreira. Segundo a campanha, os participantes terão acesso a um teste on-line que indica os cursos mais adequados ao seu perfil, com possibilidade de inscrição em mais de uma formação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 🔎 O Mover (Movimento pela Equidade Racial) é uma associação sem fins lucrativos que, por meio de conscientização, fomento ao desenvolvimento de carreiras e à inovação inclusiva de pessoas negras, visa promover e acelerar a equidade racial. A iniciativa visa ampliar o acesso de pessoas negras à educação e ao desenvolvimento profissional. A ideia do Mover é gerar 3 milhões de oportunidades até 2030. A campanha conta com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e de organizações parceiras como Educafro, Instituto Four, ID_BR, Instituto Coca-Cola Brasil, Todxs, Future in Black, CEERT, Instituto Social Espaço Negro, Instituto Guetto, Empodera e Universidade Zumbi dos Palmares. Conheça as oportunidades Afreektech Voltado a jovens negros interessados em tecnologia e carreiras digitais; Oprograma Afreektech é realizado pelo Movimento Black Money, com apoio do Mover; Oferece trilhas em áreas como marketing digital com IA, ciência de dados, vendas B2B e transformação digital; Objetivo é democratizar o acesso ao mercado de tecnologia e reconhecer trajetórias por meio de certificações e uma comunidade de apoio. Lideranças do Futuro Desenvolvido em parceria com o Instituto Four; Programa online gratuito destinado a profissionais negros que almejam cargos de liderança; Objetivo é desenvolver competências de gestão de carreira, liderança de alta performance e protagonismo; Isso é feito por meio de masterclasses com líderes renomados, além de conteúdos de autoestudo com atividades práticas e certificação. Anhanguera Cursos Livres Programa oferece cursos livres em áreas como negócios, tecnologia e marketing; Objetivo é promover inclusão acadêmica e profissional, oferecendo formação contínua para impulsionar trajetórias de carreira; Grade contempla cinco eixos: Tecnologia e Inovação; Liderança e Gestão de Pessoas; Comunicação e Marketing Digital; Gestão Empresarial; e Sustentabilidade e Inclusão; Todos os cursos possuem duração de 40 horas e dão direito a certificado. Estácio Cursos Livres Serão oferecidas bolsas para cursos livres e destinados exclusivamente a pessoas negras; Iniciativa busca expandir oportunidades de formação acadêmica e profissional em áreas estratégicas para o mercado de trabalho; Todos os cursos possuem duração de 40 horas e dão direito a certificado. MOVER Mundo Para quem deseja aprender idiomas para ampliar suas oportunidades profissionais; Programa oferece curso online gratuito em parceria com a EF; Com duração de seis meses, serão oferecidas trilhas personalizadas de aprendizagem em quatro idiomas (alemão, espanhol, francês e sueco), com foco no conteúdo geral, profissional e de negócios; Ao se inscrever, fica liberado o acesso ao curso dos quatro idiomas de uma única vez e o usuário poderá navegar pela plataforma online na formação que preferir, alternando entre eles; Os cursos contam com certificado internacional. MOVER Mais Negócios Realizado em parceria com o Sebrae, a iniciativa é destinada a empreendedores negros (MEI, ME e EPP), que buscam fortalecer negócios já existentes e ampliar as oportunidades de integração com grandes empresas; Foco está em capacitação sobre temas relevantes; Uma outra iniciativa importante são as rodadas de negócios e networking dos empreendedores com empresas associadas ao Mover - ao longo do ano alguns participantes são contemplados com um convite para participar desta ação. Plataforma PROA Curso online desenvolvido pelo Instituto, que tem como objetivo preparar jovens entre 17 e 22 anos, vindos de escolas públicas; Visa capacitação para o mercado de trabalho; O curso foca no desenvolvimento de habilidades socioemocionais e competências técnicas Além disso, oferece apoio para a conquista do tão sonhado primeiro emprego. Coletivo Coca-Cola Jovem: Curso 100% online, gratuito e ofertado em diferentes plataformas, como o Whatsapp, é feito para jovens em situação de vulnerabilidade social entre 16 e 29 anos. O programa capacita e conecta jovens a vagas de emprego que estejam alinhadas com os seus perfis, considerando uma base de mais de 400 empresas parceiras. O programa oferece 12 videoaulas criadas com base no conceito de nanolearning (pílulas de conteúdo) para capacitar jovens sobre o mundo do trabalho; Dá dicas de elaboração de plano de vida e preparação para entrevistas de emprego; Após a formação, os jovens recebem um certificado e podem se cadastrar em uma comunidade que oferece vagas exclusivas para os formandos. Vídeos mais assistidos do g1 RN

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WePink: MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões por práticas abusivas contra consumidores

Publicado em: 09/10/2025 17:46

MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões O Ministério Público de Goiás ajuizou uma Ação Civil Pública para que a empresa da influenciadora Virginia Fonseca, a WePink, pague R$ 5 milhões de indenização por práticas abusivas contra os consumidores. O promotor de Justiça Élvio Vicente da Silva informou que o MP vai pedir dois tipos de indenização: uma coletiva (a de R$ 5 milhões) e uma individual para cada consumidor prejudicado, esse valor será definido no decorrer do processo (assista acima). Ao g1, o advogado da empresa, Felipe de Paula, informou que eles não foram citados na ação, portanto, ainda não tomaram conhecimento dos termos. A ação foi protocalada na quarta-feira (8) em conjunto com o Procon. Segundo o órgão, a WePink recebeu cerca de 340 reclamações entre 2024 e 2025. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Segundo o MP, a empresa comercializa cosméticos por meio de transmissões ao vivo (lives) nas redes sociais e acumula mais de 90 mil reclamações registradas somente em 2024 no site do Reclame Aqui. Em nota enviada ao g1, a investigação do MP constatou as seguintes práticas abusivas: Falta de entrega de produtos: consumidores que pagaram pelos produtos e nunca receberam Descumprimento de prazos: alguns atrasos ultrapassaram sete meses Dificuldade de reembolso: resistência da empresa em devolver valores pagos Atendimento deficiente: o sistema é automatizado, mas não resolve os problemas Exclusão de críticas: a empresa removeu comentários negativos nas redes sociais Produtos com defeito: os cosméticos chegam estragados na entrega e estão diferente do enunciado LEIA TAMBÉM: Empresa de Virginia, WePink é autuada pelo Procon por atrasos e falta de entrega de produtos comprados online Virginia e Vini Jr. estão entre os assuntos mais comentados na web após pedido de desculpas do jogador Virginia e Vini Jr. não estão mais juntos após divulgação de prints, diz assessoria Segundo o MP, a estratégia de "flash sales" (ofertas-relâmpago) criou um senso artificial de urgência, induzindo à compra impulsiva e explorando a vulnerabilidade psicológica das pessoas. O uso da imagem da influenciadora Virgínia Fonseca agravou essa vulnerabilidade, pois milhões de seguidoras e seguidores confiam em sua recomendação, destacou o órgão. WePink autuada pelo Procon Segundo o Procon, a autuação da empresa foi feita no final de setembro. De acordo com a fiscalização, a empresa anunciou e comercializou os produtos nacionalmente, mas não realizou a entrega no prazo estabelecido. O órgão lembrou ainda que a marca realizou lives nas redes sociais em que influenciadores anunciaram os produtos a preços muito atrativos e links promocionais, apesar da quantidade significativa de reclamações dos consumidores. MP quer que WePink pague R$ 5 milhões por práticas abusivas Reprodução/Instagram da WePink 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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'Guru' é indiciado por mais de 10 crimes após relatos de ex-integrantes de seita no RS

Publicado em: 09/10/2025 16:36

Comunidade Osho Rachana, em Viamão Reprodução/RBS TV A Polícia Civil indiciou, nesta quinta-feira (9), Adir Aliatti, investigado após denúncias de ex-integrantes de uma comunidade liderada por ele em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As investigações envolveram a comunidade Osho Rashana que funcionava em um sítio na cidade. Adir Aliatti, de 69 anos, atuava como um guru entre a comunidade. Em dezembro do ano passado, a polícia fez uma operação no local, depois de relatos de abusos psicológicos e extorsão financeira por parte do investigado. A Polícia indiciou o homem por 13 crimes, entre eles tortura, estelionato, curandeirismo, racismo, abuso infantil, trabalho escravo, violência sexual mediante fraude, entre outros. Ele cumpre medidas cautelares, com uso de tornozeleira. O g1 entrou em contato com a defesa de Aliatti, que não havia se manifestado até a mais recente atualização desta reportagem. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo a polícia, Aliatti comportava-se como um "guru espiritual" da seita, que utiliza diversas práticas de meditação, entre elas, o sexo livre entre os praticantes. “O inquérito demonstra um padrão de manipulação psicológica e abuso de poder espiritual, no qual os líderes exploravam emocional, sexual e financeiramente dezenas de pessoas vulneráveis, muitas delas com sequelas permanentes”, destacou a delegada Jeiselaure Rocha de Souza, responsável pela investigação. Relatos de 'cura gay' Uma ex-integrante da comunidade relatou práticas de "cura gay", além de casos de discriminação racial e de gênero por parte do responsável pela seita, investigado por tortura psicológica, curandeirismo, estelionato e outros crimes financeiros. Segundo a Polícia Civil, essa prática ficou comprovada durante a investigação. Segundo o relato da ex-moradora de 30 anos, que não quis ser identificada, as práticas aconteciam especialmente durante a pandemia de Covid-19. De acordo com a mulher, pessoas LGBTQIA+ eram incentivadas a “experimentar” relacionamentos heterossexuais. "Presenciei vários casos de cura gay", relata a ex-integrante. "O papo era: a gente está trancado num sítio, a gente não vai sair logo, então 'não faz sentido tu ficar com mulher, não tem porquê tu ficar com outra mulher e tu tem que ficar com um homem'", conta. A ex-moradora explica que essa abordagem era feita sempre levando para o lado terapêutico. Além disso, a mulher relatou que as pessoas no ambiente eram altamente machistas, misóginas e racistas. 'Uma grande manipulação', diz mulher que vivia em seita Adir Aliatti, apontado pela polícia como 'guru espiritual' de comunidade de Viamão Reprodução/RBS TV Suposta violência com cinta A ex-moradora descreveu um episódio em que o guru, durante uma sessão de um retiro, teria usado uma cinta para bater em uma participante até que ela lembrasse de um suposto episódio de violência sofrida na infância. "Ele pressionou até ela trazer uma memória, que inclusive, ela me contou depois que era mentira, que ela só falou para ele parar e deixar ela ali, parar de incomodar, parar de humilhar, torturar ela", diz. Suspeita de estelionato Mais de 20 pessoas já foram ouvidas pela polícia. Os depoentes relataram que sofriam tortura psicológica, violência física e patrimonial, além de crimes financeiros, sempre coagidos pelo "guru espiritual". O sítio da seita, localizado no interior de Viamão, tem 42 hectares e chegou a abrigar 80 pessoas. Elas dividiam tarefas cotidianas e cultivavam produtos orgânicos, vendidos na região. Além disso, o grupo comercializava cadernos e agendas em Porto Alegre. A renda era revertida para a manutenção da comunidade e das pessoas que viviam lá. Um homem, que também prefere não ser identificado, morou no local por 16 anos. A ideia de um espaço em meio à natureza em que amigos pudessem partilhar uma vida em comunidade foi o que encantou o antigo integrante do grupo. "Era a gente ter um lugar onde a gente podia viver com os amigos, onde a gente dividisse os custos das coisas, onde cada um pudesse contribuir com uma parte daquilo ali por igual", fala. Porém, depois da pandemia, alguns integrantes perceberam inconsistências nas contas da comunidade. De acordo com a polícia, o "guru espiritual" ficava com o dinheiro obtido através de empréstimos contraídos pelos participantes do grupo. "Uma administração caótica das finanças proposital, porque, aquela coisa: quanto mais caótica, menos você consegue controlar. Isso levava a gente a achar que sempre estava precisando de mais dinheiro, e como achava que estava precisando de mais dinheiro, as pessoas pediam empréstimo", conta o ex-morador. A mulher que afirma ter presenciado as cenas de agressão calcula ter gasto R$ 100 mil em terapias na seita. "Financeiramente, destruiu os sonhos que eu tinha", afirma. Investigações da Polícia Civil apontam que o "guru espiritual" teria desviado cerca de R$ 20 milhões em benefício próprio. Ele teria usado o dinheiro nas próprias empresas, na compra de imóveis, em viagens de luxo e até em apostas online. "As vítimas começaram a perceber que as contas tinham algum problema financeiro e constataram um prejuízo na casa dos R$ 4 milhões, agora no último ano. Ele teria perdido com dívidas, com apostas online, com viagens", relata a delegada Jeiselaure de Souza. Mulher que vivia em seita relata episódios de agressões no RS Tortura psicológica As investigações começaram quando ex-integrantes da seita acionaram o Ministério Público relatando supostos atos violentos cometidos pelo guru do grupo. Segundo a polícia, os seguidores pagavam pacotes de imersão que custavam entre R$ 8 mil e R$ 12 mil, além de mensalidades para viver no local. As pessoas ouvidas pela polícia relataram ter sofrido tortura psicológica e patrimonial, além de crimes financeiros. A investigação aponta que o guru e outros integrantes do grupo coagiam os participantes, depois de descobrir "coisas muito íntimas dessas pessoas". "Ele torturava, ele coagia as vítimas com base nas informações que ele obtinha nas terapias que eram feitas nesses processos de imersão. Se alguém quisesse sair, se alguém percebesse ou dissesse que não tinha dinheiro, ele dizia: 'é por isso que a tua vida não dá certo', 'por isso que a tua relação com o familiar é ruim', 'por isso que tu não vai progredir'", detalha a delegada Jeiselaure de Souza. Sede de seita de sexo livre alvo de operação em Viamão Polícia Civil/Divulgação Nota da defesa de Aliatti "A defesa técnica de Adir Aliatti, realizada pelo advogado Rodrigo Oliveira de Camargo, ressalta que os fatos expostos na mídia estão distorcidos. Os denunciantes optaram por livre e espontânea vontade viver em sistema de subsistência, assim como ajudaram a gerenciar os valores arrecadados com os diferentes empreendimentos do grupo. O resultado de todos esses investimentos feitos pelos seus membros eram revertidos em favor da comunidade. Os empréstimos bancários que favoreceram o Namastê foram feitos em nome de Aliatti e com aval dos moradores. As alegações de coação jamais ocorreram. O advogado garante que o seu cliente sempre se manteve ao dispor das autoridades, além de assegurar que a maioria dos relatos são fictícios e/ou adulterados com o objetivo de atacar Adir. Para a defesa, cabe relembrar que a maioria dos denunciantes detinha cargos de coordenação na Comunidade, aplicavam as terapias, assim como convidavam novas pessoas para participar da comunidade. Por fim, a defesa afirma que a perseguição midiática tem por objetivo criar uma atmosfera de vulnerabilidade para eximir os denunciantes das devidas responsabilidades e escolhas." VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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'Expliquei que era inocente, mas delegado não quis ouvir', diz jovem que passou 9 meses preso por engano

Publicado em: 09/10/2025 13:50

'Perdi nove meses naquele lugar', diz jovem que passou nove meses preso por engano Anderson Gabriel da Silva, de 25 anos, acordou de um pesadelo na última terça-feira (9). Após nove meses preso por engano, ele foi solto pela Justiça após a Defensoria Pública de Pernambuco constatar que ele havia sido detido por conta de um homicídio cometido por outra pessoa, de mesmo nome, natural da Paraíba. Além do nome idêntico, os dois Anderson são filhos de mulheres que se chamam Ana Paula da Silva e não têm os nomes dos pais no registro de nascimento. Isso facilitou a sequência de erros cometidos pela polícia e pela Justiça que resultou na prisão de um inocente (veja vídeo acima). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp “Eu expliquei que era inocente, mas o delegado não quis ouvir. Fui para o Cotel, fiquei um tempo na espera, depois já subi para o pavilhão”. Morador de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, o jovem foi acusado injustamente de participar de um homicídio ocorrido em 2023, em Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. Na época, a irmã da vítima fez o reconhecimento fotográfico errado do suspeito preso. Desde o início, Anderson afirmou que não tinha qualquer relação com o crime. Mesmo assim, passou nove meses preso no Centro de Triagem e Observação Criminológica Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife. “Eu nunca cometi nenhum crime de homicídio. Eu expliquei ao delegado que não fui eu que matei essa pessoa, que eu não tinha nada a ver. Ele e disse: ‘seu nome não é Anderson Gabriel da Silva? O nome da sua mãe não é Ana Paula? Então é você mesmo'”, contou ao g1. Sequência de erros De acordo com o subdefensor público da capital Wilker Neves, um mandado de prisão foi expedido por engano no nome de Anderson em 2023, logo após o crime. Ainda durante o inquérito, a investigação apontou que o verdadeiro criminoso, natural da Paraíba, tinha um homônimo em Pernambuco. Um segundo mandado de prisão foi expedido e o verdadeiro criminoso foi preso em junho de 2024, mas o primeiro mandado, com o CPF do Anderson de Pernambuco, não foi cancelado. “O Anderson paraibano foi preso antes do Anderson de Pernambuco e, ao ser preso, possivelmente contratou um advogado que atuou no processo. Foi a partir dessa atuação que a promotora do Ministério Público observou o equívoco, inclusive fazendo a correção. Mas essa correção não foi formalizada. Por um momento, havia dois mandados de prisão contra Andersons distintos pelo mesmo crime”, disse Wilker Neves. O Anderson de Pernambuco foi preso no dia 11 de janeiro de 2025, durante uma abordagem policial perto da Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Sem entender nada, ele descobriu que havia um mandado de prisão aberto em seu nome e foi encaminhado ao Cotel. Após a prisão, a esposa e a mãe dele procuraram a Defensoria Pública no fórum de Jaboatão dos Guararapes. Lá, a equipe conseguiu constatar que o rapaz tinha um homônimo na Paraíba e iniciou a juntada de documentos para tentar provar que o jovem estava preso injustamente. A primeira petição foi protocolada pela Defensoria em março, mas não foi apreciada pela Justiça. Em abril, foi realizada a primeira audiência após a prisão, na qual uma irmã da vítima do assassinato em Goiana reconheceu o Anderson pernambucano como o criminoso. Anderson Gabriel mostra procuração assinada pelo Anderson da Paraíba, em letra de forma, e sua assinatura, em letra cursiva Iris Costa/g1 Ainda segundo o defensor Wilker Neves, a advogada contratada pela família do verdadeiro criminoso chegou a acompanhar a primeira audiência de Anderson, em abril. O jovem acreditava se tratar de uma defensora pública, mas o órgão não foi convocado para participar da sessão. "Eu pensava que ela era defensora pública. Com a cabeça perturbada na hora, nem falei: 'Como é que ela é minha advogada? Quando eu contratei ela? Minha mãe não tem condição de contratar'", comentou Anderson. Segundo ele, a advogada chegou a pedir o número da mãe dele para cobrar pelo serviço prestado "por engano". A situação de Anderson precisou de uma ação conjunta entre as defensorias de Jaboatão, Goiana e do Cotel. A assessora da Defensoria Pública de Jaboatão Maria Diesia de Santana foi responsável por receber a documentação levada pela família e contatar os demais órgãos em busca de uma solução. “Eu verifiquei que existiam erros, dados diferentes na documentação que a família trouxe para a gente com os documentos que estavam no processo. Passei para o defensor-geral e ele entrou com o pedido de relaxamento da prisão. [...] Eu entrei em contato com ela [defensora do Cotel], e ela diligenciou o caso do Gabriel Anderson lá mesmo”, explicou. Ainda segundo Wilker Neves, a equipe da Defensoria realizou diversas petições para a Justiça analisar o erro, mas os pedidos não foram apreciados. A juíza responsável pelo caso apenas ficou sabendo da situação na última semana, quando a defensora do Cotel, Maria Cristina, procurou a magistrada diretamente para explicar a situação. Trauma Anderson já voltou à casa onde vive com a avó e a esposa. Embora já possa voltar a dormir na própria cama, ele conta que a cabeça ainda não se adaptou à nova rotina. “Ainda nem consegui dormir direito, porque afetou muito o meu psicológico. [...] Lá dentro daquele lugar faz muito frio. Tem muita gente com tuberculose lá, banheiro lotado. Também tem muita gente numa situação parecida com a minha também. Tem muita gente inocente”, contou. Vendedor de água e filho de uma empregada doméstica, Anderson Gabriel sempre teve pequenos trabalhos, mas, segundo ele, todos eram honestos. Precisar conversar com a mãe numa prisão, sabendo que era inocente, causou constrangimento ao rapaz. “A primeira visita foi a minha mãe. Eu estava muito constrangido, nem consegui olhar direito para ela. Ela estava conversando comigo, dizendo que ia dar tudo certo, mas aquele lugar era tão negativo que não conseguia nem ter um pouco de positividade. [...] Eu pensava que eu ia passar uns cinco, dez anos preso, com as pessoas enganadas, pensando que fui eu que tirei a vida dessa pessoa”, relembrou. Dona Margarida da Silva, avó que ajudou a criar Anderson, denunciou a falta de visibilidade para o caso, em decorrência da vulnerabilidade econômica e social da família. “Eu estava pensando em levar um bocado de gente para fazer um escândalo. Prender uma pessoa que não tem certeza, só por causa de um nome, mas não ter a data de nascimento, o nome da avó? O povo não liga, porque é pobre. Se fosse filho de rico, soltavam no outro dia. Já nasceu sem sorte, sem o pai, a mãe empregada doméstica. Eu trabalhava quando era mais nova, também de empregada por aí. A vida é assim, né?”, desabafou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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