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Salvador registra aumento de 60% no número de registros de estelionato contra idosos; veja como se prevenir

Publicado em: 27/08/2025 11:08

Mais de 2 mil ocorrências de estelionato são registradas na delegacia do idoso em Salvador O estelionato é o tipo de crime mais registrado na Delegacia de Atendimento ao Idoso, em Salvador. Segundo a Polícia Civil, foram mais de 2.300 ocorrências no primeiro semestre desse ano, um aumento de mais de 61% em relação ao mesmo período em 2024. "É um crime patrimonial que se aproveita da vulnerabilidade do idoso, da dificuldade do entendimento, de certa forma até de uma inocência. E são feitos empréstimos, transferências bancárias, principalmente porque está inserido também nesse contexto virtual, nessas redes sociais todas", explicou a delegada titular da unidade, Cristiane Leite. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Aos 79 anos, uma idosa, que preferiu não revelar a identidade, lamentou ter perdido R$ 80 mil ao tentar comprar uma casa. "Eu vendi a casa por R$ 90 mil. Uma casinha que tinha. Passei R$ 80 mil para ele e fiquei com R$ 10 mil no banco. Eu não sabia o que era consórcio". "Não entendia nada de consórcio. Pensei que era como comprar uma casa dando entrada e depois continuasse pagando", afirmou. Salvador registra aumento de 60% no número de registros de estelionato contra idosos Reprodução/TV Bahia Cerca de 35 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais têm direitos básicos estabelecidos pelo Estatuto da Pessoa Idosa, criado em 2003. A lei determina que é dever da família e de toda a sociedade assegurar que a pessoa idosa tenha acesso a saúde, alimentação, transporte, liberdade e outras garantias. Esse grupo é o que mais cresce a cada ano aqui no país, mas é, também, vítima de crimes graves. "As violência físicas e psicológicas, a negligência e tem crescido muito a violência patrimonial financeira", disse o secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva. Veja abaixo algumas dicas para prevenir golpes que tiram dinheiro de idosos: Caso faça uma compra equivocada, não confirme ou disponibilize algum dado por telefone. Prefira tratar de qualquer assunto na própria agência, de preferência com o gerente; Em casos de processos judiciais, antes de fazer qualquer pagamento, procure informações sobre o processo junto a associações de classe ou com advogados conhecidos; Se o seu cartão ficar retido no caixa eletrônico, procure um funcionário credenciado dentro da agência ou deixe o cartão na máquina e, posteriormente, peça você mesmo para que seja cancelado; Quando estiver no banco, recuse ajuda de estranhos e procure resolver pendências dentro da agência com funcionários credenciados. "A mesma importância que o idoso dá para a senha do banco, ele tem que dar aos aplicativos que ele tem em um dispositivo móvel do banco e aos aplicativos governamentais. Para além disso, é importante que desconfie de telefones estranhos, que falam que falam que é o sobrinho, filho e pedem a realização do PIX, pagamento de boletos", orientou o delegado da Delegacia de Atendimento ao Idoso de Salvador, Felipe Santos. LEIA TAMBÉM: Suspeito de enganar idoso em caixa eletrônico de Salvador é detido em flagrante após ser denunciado por mulher Entenda como funciona 'golpe da facção', que tem feito vítimas em cidade do interior da Bahia Mulher é presa suspeita de aplicar golpes com falsas ofertas de emprego na Bahia; prejuízo estimado em R$ 500 mil Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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Sicoob Credip acompanha execução de projetos que receberam recursos da cooperativa

Publicado em: 27/08/2025 10:49

Sicoob Credip acompanha projetos sociais apoiados pela cooperativa Sicoob Credip Com o objetivo de acompanhar de perto a aplicação dos recursos e garantir a transparência na execução das ações, a Sicoob Credip iniciou uma série de visitas técnicas a projetos sociais apoiados por meio de edital no ano passado. Somente em 2024, a cooperativa destinou mais de R$ 2,6 milhões para o fortalecimento de 162 iniciativas nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, em localidades onde está presente. As visitas estão sendo realizadas por analistas de Desenvolvimento Cooperativo da instituição, com apoio dos gerentes do Ponto de Atendimento e de delegados representantes da cooperativa. A ação faz parte do processo de prestação de contas e permite avaliar os impactos gerados nas comunidades atendidas. Entre os projetos visitados está o Albergue de Pimenta Bueno (RO), que acolhe atualmente 33 pessoas em situação de vulnerabilidade. A entidade já foi contemplada quatro vezes com recursos da cooperativa, o que possibilitou melhorias estruturais e o desenvolvimento de atividades voltadas à inclusão produtiva. A vice-presidente do Albergue, Elaine, conta que a instituição atua desde 2002 no acolhimento de pessoas em situação de rua, oferecendo alimentação, pernoite, encaminhamento à rede de apoio em saúde e assistência social, e, sempre que possível, apoio para o retorno ao convívio familiar. Ela ressalta que o apoio da Sicoob Credip fortalece esse trabalho. “Essa iniciativa da cooperativa em apoiar projetos sociais é de extrema importância, principalmente para nós. Ela auxilia diretamente na reestruturação física do local, proporcionando um ambiente mais digno para essas pessoas que muitas vezes são invisibilizadas. A gente sabe que, juntos, podemos fazer um futuro melhor para todos. Só tenho a agradecer”, disse Elaine. Já o presidente do albergue, Antonio Marcelino Ramalho Ferreira, destaca os resultados práticos dos investimentos recebidos. “Com os recursos da cooperativa, conseguimos construir uma área para oficinas de artesanato voltadas a pessoas em situação de rua, além de realizar melhorias como o calçamento e a reforma da cozinha. Isso tem refletido diretamente na qualidade do atendimento e no dia a dia dos acolhidos.” Para a analista de Desenvolvimento Cooperativo da Sicoob Credip, Laura Araujo Costa, a etapa de visitas técnicas é fundamental para verificar os resultados e garantir a efetividade das ações. “Temos visto que os recursos estão sendo aplicados conforme previsto, com impactos reais na vida das pessoas. Essa proximidade reforça a importância do investimento social feito com responsabilidade e alinhado às necessidades locais”, destaca. A delegada Elissa Gonçalves de Oliveira e Silva, acompanhou de perto diversas iniciativas apoiadas pela Sicoob Credip e destacou o impacto transformador dos recursos investidos. Segundo ela, os projetos têm promovido bem-estar e fortalecido a autoestima de mulheres e crianças atendidas, como no caso da produção de sutiãs com próteses mamárias, das oficinas de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência e das ações com crianças e adolescentes, incluindo a doação de equipamentos de informática e testes de visão. “Esse dinheiro foi essencial, fez a diferença e não viria de outro lugar. Não é só um sutiã, é autoestima e bem-estar. Assim como vimos mulheres ganhando confiança com a defesa pessoal, crianças tendo acesso ao computador e aos testes de visão. A cooperativa está cumprindo seu papel social, se interessando pela comunidade e transformando realidades”, afirmou. A Sicoob Credip é uma das maiores cooperativas de crédito do Brasil, presente nos estados de Rondônia, Amazonas e Mato Grosso. Ao todo são mais de 150 mil cooperados, 47 pontos de atendimento físicos, 1 digital, e um crescimento acima da média.

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Projeto para levar pessoas em situação de rua de volta à cidade de origem é aprovado em Juiz de Fora

Publicado em: 27/08/2025 10:44

Moradores de rua em Juiz de Fora, foto de arquivo TV Integração/Reprodução Um projeto de lei que cria o programa “De Volta para Minha Terra” foi aprovado na última segunda-feira (25) na Câmara de Juiz de Fora. A matéria, de autoria da vereadora Roberta Lopes (PL), pretende oferecer apoio a pessoas em condição de vulnerabilidade social que desejam retornar à cidade de origem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp A vereadora justifica que o projeto "busca promover a reintegração social, a reconstrução de vínculos familiares e devolver a dignidade a esses cidadãos em situação de vulnerabilidade". De acordo com a proposta, que agora segue para sanção ou veto da prefeita Margarida Salomão (PT), o morador deverá: estar em situação de vulnerabilidade social; comprovar vínculo com o município de destino, ou ter um núcleo familiar no local; O auxílio só poderá ser concedido apenas uma vez para cada pessoa. LEIA TAMBÉM: Projeto que proíbe arquitetura hostil é rejeitado por vereadores de Juiz de Fora Projeto de lei recebeu vistas O projeto de lei começou a tramitar na Câmara em fevereiro deste ano e teve oito pedidos de vista — quando o parlamentar solicita mais tempo para analisá-lo antes da votação. Na segunda-feira, ele foi aprovado em três discussões e recebeu uma emenda aditiva da vereadora Kátia Franco (PSB), que inclui a obrigatoriedade do transporte de animais de estimação dos moradores em situação de rua. Votaram contra a matéria os parlamentares do PT: Cida Oliveira, Juraci Scheffer, Laiz Perrut e Letícia Delgado. Entenda mais sobre o programa O programa deve oferecer os seguintes serviços e benefícios caso seja sancionado: Transporte para o destino solicitado, a partir de convênios com os entes federados competentes; Suporte logístico para o transporte de pertences pessoais, caso necessário; Auxílio na emissão de documentos necessários para o deslocamento; Intermediação com programas sociais da cidade de destino, quando aplicável; Acompanhamento social, com a realização de entrevistas e levantamentos socioeconômicos. Já a coordenação do programa fica sob a responsabilidade do órgão competente, conforme regulamentação do Executivo. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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Fim do dólar? Por que moeda vem perdendo força no mundo — e isso pode ser o que Trump quer

Publicado em: 27/08/2025 07:06

Trump diz que vai acabar com o BRICS se o bloco avançar com a proposta de substituição do dólar nas negociações comerciais No primeiro semestre de 2025, o dólar americano teve seu pior desempenho em mais de cinco décadas no índice usado para medir a força da moeda dos Estados Unidos. A desvalorização acumulada até junho foi de 11% no U.S. Dollar Index, criado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e que compara o dólar a outras seis moedas — o euro, yen japonês, a libra esterlina, o dólar canadense, o krona sueco e o franco suíço. Quedas como essa já foram registradas em outros momentos. Mas, desta vez, a desvalorização acontece ao mesmo tempo que outros eventos que preocupam alguns economistas, o que tem feito cada vez mais investidores, analistas financeiros e outras pessoas no ramo bancário questionarem a força do dólar americano, de acordo com fontes do próprio setor. Um dos pontos de preocupação apontados é a queda pequena, mas gradual, na participação da moeda nas reservas cambiais dos bancos centrais ao redor do globo. Somam-se a isso uma fuga de capital estrangeiro no mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e críticas sobre a forma como o governo americano tem usado a dominância do dólar para aplicar sanções em temas geopolíticos, segundo especialistas. A atual política de tarifas do governo de Donald Trump — e os rumores no mercado sobre a possibilidade de um enfraquecimento deliberado da moeda por parte da Casa Branca para impulsionar a indústria americana — também tem gerado especulações. Mas enquanto alguns demonstram preocupação, outros são céticos em relação ao apetite do mercado em buscar alternativas ou à capacidade de qualquer outra moeda de alcançar o status atingido pela americana. O dólar se consolidou como a moeda internacional após a 2ª Guerra Mundial, com o acordo de Bretton Woods. Desde então, tornou-se a mais usada nas reservas globais e nas transações no sistema Swift, uma rede de pagamentos globais que conecta 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países. Então, afinal, quão profunda é a desconfiança em torno da moeda que domina as transações comerciais em todo o mundo? E o que dizem aqueles que ainda preveem uma longa vida de dominância para o dólar? Participação nas reservas cambiais Um relatório elaborado pelo banco J.P. Morgan no início de julho apontou alguns dos fatores que ameaçam o domínio da moeda atualmente. O primeiro tem relação com a queda do dólar nas reservas internacionais — ou o conjunto de ativos externos em moeda estrangeira mantidos pelos bancos centrais ou autoridades monetárias para garantir sua estabilidade econômica e financeira. A soma das reservas mundiais em moedas estrangeiras equivalia a mais de US$ 12 trilhões em março de 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, mais de 57% estava alocado em dólar. Ou seja, a moeda americana ainda domina. No entanto, no começo dos anos 2000, essa fatia superava 70%. E enquanto o dólar viu uma diminuição em sua participação, o total em renminbis chineses dobrou na última década. Vale notar, no entanto, que as reservas na moeda chinesa ainda representam apenas 2% do total, bem atrás de outras mais tradicionais, como o euro e a libra esterlina. Segundo especialistas, no entanto, a principal tendência de "desdolarização" das reservas cambiais está relacionada à crescente demanda por ouro, que é visto como uma alternativa às moedas globais. Atualmente, o ouro corresponde a 9% das reservas de mercados emergentes, mais do que o dobro dos 4% observados há uma década. Mercado de commodities e títulos do Tesouro Outros fatores que, segundo a análise do JP Morgan, indicariam uma tendência de "desdolarização" são o uso de outras moedas no comércio internacional e a queda das participações estrangeiras nos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano. Quando o assunto é a moeda usada nas transações internacionais, há várias formas de medir qual é a mais influente. E o dólar ainda domina em termos de volumes de câmbio, faturamento comercial, denominação de passivos transfronteiriços (dívidas ou obrigações financeiras de um país, empresa ou banco perante credores estrangeiros) e emissão de dívida em moeda estrangeira. Mas, segundo analistas, a moeda americana vem perdendo espaço como referência nos mercados de commodities, especialmente no setor de energia. Por conta das sanções internacionais aplicadas contra a Rússia, o país tem usado moedas locais para as exportações de petróleo e derivados. Com isso, nações como Índia, China, Brasil, Tailândia e Indonésia podem comprar petróleo a preços mais baixos e pagar com suas próprias moedas. Já as posições estrangeiras em títulos americanos vêm sendo reduzidas há 15 anos. Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos — assim como os de outros países com economia forte — costumam ser vistos como investimentos de refúgio, para onde muitos direcionam seu dinheiro em momentos de crise nos mercados, como quedas nas bolsas de valores. E, embora os investidores estrangeiros continuem sendo o maior componente do mercado de títulos do Tesouro americano, sua participação vem caindo. Antes da grande crise financeira global de 2008, mais de 50% dos títulos estavam na mão de compradores de fora dos EUA. Agora, caiu para 30%, segundo o JP Morgan. "Em termos de transações internacionais, há um declínio muito modesto na porcentagem do que ocorre em dólar", diz Luis Oganes, chefe de Pesquisa Macro Global no J.P. Morgan, à BBC News Brasil. "Onde estamos observando a desdolarização, e certamente um grande afastamento do dólar, é nas reservas cambiais dos bancos centrais e na denominação monetária das transações de commodities." Desvalorização e queda das bolsas Para além do relatório, outros fatores que chamam a atenção são a desvalorização do dólar e as quedas no mercado de ações americano. Após acumular no primeiro semestre de 2024 a maior desvalorização registrada até aquele momento desde 1973, os índices que medem o valor do dólar ensaiaram uma recuperação em meados de julho, mas voltaram a cair em agosto. Segundo relatório do banco Morgan Stanley, embora a moeda tenha se fortalecido 3,2% em julho, o declínio deve continuar, possivelmente adicionando outros 10% em perdas até o final de 2026. Além disso, no início de abril deste ano, as bolsas dos Estados Unidos tiveram a sua pior semana desde a pandemia de covid-19, com o índice S&P 500 de Wall Street, que inclui as maiores empresas americanas, com uma queda de 10%. Em seguida, bolsas de todo o mundo despencaram. No Brasil, o dólar caiu mais de 12%. Tudo aconteceu diante de anúncios do presidente Donald Trump sobre a adoção de uma onda sem precedentes de tarifas de importação. Em abril, o republicano divulgou sua intenção de adotar uma tarifa básica universal de 10% sobre todas as importações para os EUA. O prazo para entrada em vigor da medida foi adiado algumas vezes depois disso, e novas alíquotas foram anunciadas para alguns países específicos. Entre eles o Brasil, que em 6 de agosto passou a enfrentar tarifa de 50% sobre alguns produtos. Desde que foi anunciado, o tarifaço de Trump preocupa investidores, que temem seu efeito sobre os lucros corporativos e a desaceleração em massa do crescimento econômico. Isso faz com que alguns tentem se proteger de novas quedas do dólar e diminui a confiança na economia americana e em sua moeda, dizem especialistas. Como resultado, investidores estrangeiros venderam US$ 63 bilhões em ações de empresas listadas em bolsas dos EUA entre março e abril de 2025, segundo o banco Goldman Sachs. O mesmo vale para o mercado de títulos, que serve como um termômetro da confiança na economia de um país. Quando há muitas compras, isso é um sinal de confiança. Mas, se os investidores começam a vender — como aconteceu nos Estados Unidos após os anúncios de Trump sobre as tarifas — é porque algo não vai tão bem. "Existe um movimento de desvalorização e de aumento da desconfiança no dólar que foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas erráticas e imprevisíveis em relação à política comercial americana", avalia Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por que a confiança no dólar está caindo? Mas a aplicação de novas tarifas pelo governo americano não é o único fator que, segundo os especialistas, vem erodindo a segurança no dólar. A forma como o governo americano usa a moeda como um instrumento para punição de transgressões na área geopolítica, por meio de sanções econômicas, é um dos principais motivos para a queda de confiança entre investidores, diz Robert McCauley, pesquisador sênior da Universidade de Boston que passou a maior parte de sua carreira no Banco de Compensações Internacionais e no Fed de Nova York. Países, empresas, bancos ou indivíduos sancionados pelos EUA podem ser totalmente excluídos do sistema monetário financeiro internacional e do sistema de pagamentos global, a depender do nível das sanções. Foi o que aconteceu com a Rússia, por exemplo, após a invasão da Ucrânia. Ou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, enquadrado na Lei Magnitsky, de violações de direitos humanos e práticas de corrupção, em meio a uma disputa política com os Estados Unidos. "As tarifas foram um choque adicional que se se somam ao congelamento dos ativos russos e da exclusão de alguns bancos russos da parcela do dólar do sistema financeiro internacional", diz McCauley. Segundo o pesquisador da Universidade de Boston, essas práticas podem estar encorajando alguns atores a tentar contornar o dólar para evitar, eventualmente, serem colocados em uma situação semelhante. Os títulos do Tesouro americano ocupam há décadas "a base da pirâmide da estrutura das finanças internacionais" como os ativos mais seguros, afirma o especialista. Mas quando detentores importantes, como bancos ou investidores russos, passam a ter seus ativos congelados, essa ideia fica ameaçada. "A presunção é que os títulos do Tesouro dos EUA são o lugar certo para se recorrer quando as coisas ficam difíceis", diz McCauley. "Mas o fato de que o ativo de refúgio pode repentinamente se tornar ativo nenhum para um grande detentor é um choque. Faz os investidores pensarem melhor." 'Movimento de aumento da desconfiança no dólar foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas', diz especialista à BBC Brasil Getty Images via BBC Outro ponto levantado é o aumento dos déficits fiscais dos países desenvolvidos nos últimos anos. No caso dos Estados Unidos, o país terminou 2024 com US$ 35,46 trilhões em dívida federal, uma quantia que equivale a 123% do seu PIB, de acordo com o Tesouro americano. Segundo Luis Oganes, há um temor entre investidores de que, no futuro, possa haver pressão sobre a moeda para que ela se desvalorize, a fim de reduzir ou liquidar os déficits comerciais — para alguns economistas, isso tornaria as exportações americanas mais competitivas, porque ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. "Há uma sensação de que há necessidade de diversificar as moedas, especialmente em países de mercados emergentes. No passado, vimos países encontrarem dificuldades quando sua relação dívida/PIB aumentou muito, o que poderia eventualmente levar à pressão sobre suas moedas para se depreciarem a fim de reduzir ou liquidar o ônus da dívida", diz Oganes. "Isso está se combinando com razões geopolíticas para fazer os investidores de longo prazo questionarem a sensatez de manter a alocação ao dólar ou se deve haver uma mudança estrutural ou uma maior diversificação." O pesquisador do J.P.Morgan afirma ainda que há a expectativa de que o Fed anuncie novos cortes nas taxas de juros nos próximos meses, o que pode reduzir o apelo do dólar para os investidores. Com juros menores nos EUA, os rendimentos de títulos americanos caem, e os investidores podem buscar países com juros maiores, o que aumenta a oferta de dólar no mercado e faz seu valor cair. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos EUA, está sob pressão para reduzir as taxas de juros Bloomberg via Getty Images/BBC O Fed normalmente reduz a taxa de juros quando a economia está em dificuldades e a aumenta se o ritmo de alta dos preços começar a acelerar demais. As autoridades do banco central americano há muito tempo indicam que esperam reduzi-las em algum momento deste ano, seguindo os passos de outros bancos centrais, incluindo o do Reino Unido. Mas eles têm adiado a redução por muito mais tempo do que o previsto, preocupados com o impacto das tarifas e outras novas políticas do governo Trump, incluindo cortes de impostos, na economia. Há ainda cada vez mais setores acusando o presidente americano de interferência no banco central americano, algo que também pode afastar investidores. O presidente americano chegou a ameaçar demitir o chefe do Fed, Jerome Powell embora tenha dito recentemente que não considerava mais tal medida necessária. Nesta semana, Trump anunciou que demitiria Lisa Cook, uma das diretoras do Fed e membro do comitê de 12 membros responsável por definir as taxas de juros nos EUA. Ele a acusa de fraude em um contrato imobiliário pessoal. Cook, que tem mandato previsto para durar até 2038, contesta a ordem de Trump, dizendo que ele não tem autoridade para isso, e se nega a pedir demissão. Seu advogado anunciou na terça-feira (26/08) um processo na Justiça contra a ordem do republicano, indicando uma longa disputa judicial sobre a questão. Trump também atacou o Fed por demorar muito para cortar as taxas de juros, afirmando que a medida ajudaria o governo a economizar dinheiro no pagamento da dívida pública e impulsionariam o mercado imobiliário. O presidente minimizou ainda nos últimos meses as preocupações de que suas tarifas pudessem elevar os preços ou prejudicar o crescimento do país. Brics e desdolarização Há ainda quem considere que a desconfiança em relação ao dólar data de antes da maior parte das sanções ou do tarifaço e suas consequências. "Começa nos anos de 2008 e 2009, quando uma crise financeira tem origem no mercado americano e leva a economia internacional a uma pequena recessão e, desde então, os países desenvolvidos a uma certa estagnação econômica", aponta Fernanda Brandão, do Mackenzie. "Essa crise é simbólica e importante porque apontou ou mostrou as vulnerabilidades em se depender do dólar como a moeda global." Segundo Brandão, depois desse momento, o mundo passou a ter mais clareza sobre o fato de que qualquer perturbação na economia americana que altere as políticas monetárias colocadas em práticas pelo Fed e pela Casa Branca pode gerar "consequências que vão afetar outras economias". E, segundo a especialista, é a partir daí que surgem os primeiros movimentos políticos encabeçados por nações em desenvolvimento em prol da desdolarização. Brics é visto hoje como uma das principais forças de apoio à desdolarização Anadolu via Getty Images/BBC Atualmente, o bloco Brics é visto como a principal força dessa corrente. O grupo era até pouco tempo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas se expandiu com a entrada de 10 novos membros desde 2024. Para Fernanda Brandão, o fato de muitos países emergentes terem sofrido as consequências da crise financeira de 2008, apesar da crise ter começado nos EUA, fez com que o Brics adotasse uma política de desdolarização desde sua criação. "A partir dali ficou muito claro que existe uma vulnerabilidade causada pela dependência em relação ao dólar", diz Brandão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seus desejos de desdolarização do comércio global durante a última cúpula do Brics, em julho no Rio de Janeiro. "Acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar. Quando for com a Argentina ou China, não precisa. Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado?', disse Lula. Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou ainda que a substituição de dólar no comércio internacional é "uma coisa que não tem volta, vai acontecer até que seja consolidada". O Brics já ampliou o uso das moedas nacionais de seus membros no comércio interno, em especial da chinesa. E a Rússia vem impulsionando o estabelecimento de uma plataforma digital própria para pagamentos, em uma tentativa de minimizar os impactos das sanções internacionais. O bloco também discute a criação de uma moeda própria. Nada oficial foi anunciado até agora, mas as tratativas já foram vistas como uma ameaça pelo governo americano. Trump já afirmou que o grupo é "um ataque ao dólar" e usou a participação da Índia no bloco como um agravante para a imposição de tarifas mais altas às exportações do país no Estados Unidos. "Eles têm o Brics, que é basicamente um grupo de países que são anti-Estados Unidos", disse o presidente americano no final de julho. "É um ataque ao dólar, e não vamos deixar ninguém atacar o dólar." Qual o plano de Trump? Dentro do governo Trump, parece haver perspectivas conflitantes e por vezes contraditórias sobre o que o domínio do dólar significa para os interesses políticos dos EUA, dizem analistas. Por um lado, com suas declarações sobre os Brics e alternativas de pagamentos globais, Trump trata o papel internacional da moeda como um símbolo do nacionalismo americano e de sua estratégia de "America first" (América em primeiro lugar, em português). Uma lei aprovada em julho nos Estados Unidos, que regulamenta as "stablecoins" com valor fixo em relação ao dólar, parece servir esse plano. Essas criptomoedas são projetadas para manter paridade com o valor do dólar e oferecer mais estabilidade dentro do ecossistema cripto. Por isso, dizem alguns economistas, elas podem ampliar ainda mais a preponderância da moeda americana no sistema financeiro mundial. Por outro lado, com sua política tarifária, Trump arrisca minar o domínio do dólar, segundo Fernanda Brandão, do Mackenzie. Especula-se na imprensa e no mercado que esse pode ser exatamente seu objetivo, seguindo uma corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana, como aponta em um artigo recente o centro de estudos de relações internacionais Atlantic Council. Essa ideia é defendida principalmente por Stephen Miran, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do governo americano que foi recentemente nomeado por Trump para o Conselho de Governadores do Fed. Em um artigo publicado em 2024, Miran afirma que por conta de sua posição como reserva mundial, o dólar "está persistentemente supervalorizado", levando a desequilíbrios comerciais e prejudicando os próprios cidadãos dos EUA. A demanda global por dólares, segundo este argumento, aumenta seu valor, encarecendo os produtos fabricados nos EUA — o que, por sua vez, gera déficits comerciais persistentes, e incentiva os fabricantes americanos a transferir a produção para o exterior, destruindo empregos locais. Outros assessores de Trump também já defenderam a ideia de que um enfraquecimento do dólar poderia tornar as exportações americanas mais competitivas no mercado internacional, uma vez que ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. Ao mesmo tempo, os produtos importados que entram nos EUA aumentariam de preço. "Trump não quer um dólar forte porque isso aumenta as importações", afirmou Gabriela Siller, diretora de análise econômica do grupo financeiro BASE, com sede no México, em junho à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. Stephen Miran: corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana Getty Images via BBC Uma teoria é que Trump tem um plano com vários de seus principais conselheiros — o chamado "Acordo Mar-a-Lago", que teria sido proposto por Miran, com o objetivo final de obrigar os parceiros comerciais dos EUA a desvalorizar o dólar americano no mercado internacional, aponta Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte. Tal medida tornaria as exportações americanas mais acessíveis aos mercados estrangeiros e diminuiria o valor das grandes reservas de moeda americana da China. Mas ideias defendidas por Miran e outros assessores de Trump não são bem aceitas por uma parcela dos economistas. "O plano de Miran, por mais astuto que pareça, se baseia em um diagnóstico equivocado", escreveu Kenneth Rogoff, professor de economia e políticas públicas da Universidade de Harvard, nos EUA, e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora a função do dólar como principal moeda de reserva do mundo tenha um papel importante, o economista observa que "este é apenas um dos muitos fatores que contribuem para os persistentes déficits comerciais dos EUA". E, se o déficit comercial tem várias causas, "a ideia de que as tarifas podem ser uma panaceia é, na melhor das hipóteses, duvidosa", acrescenta. É importante ressaltar que, a rigor, o presidente não controla diretamente o valor do dólar em relação a outras moedas porque a taxa de câmbio flutua livremente. Washington não pode intervir diretamente para fazer a moeda subir ou descer, já que seu valor é determinado por um vasto mercado global de divisas, e são os grandes investidores que compram ou vendem dólares de acordo com suas expectativas. No entanto, a política econômica do governo dos EUA envia sinais ao mercado, e isso influencia a evolução do valor do dólar e outros fatores importantes, como as taxas de juros. Dólar ainda 'é rei' Mas os últimos acontecimentos não são um sinal do fim da hegemonia da moeda americana na visão de parte dos analistas. Para alguns dos especialistas consultados pela BBC News Brasil, o início do fim do dólar ainda não chegou. "A afirmação de que estamos vivendo o começo do fim do dólar é prematura", diz Robert McCauley, da Universidade de Boston. Apesar de uma retração em alguns setores, a moeda ainda impera quando falamos de transações em comércio internacional. E segundo a grande maioria dos analistas, não há no momento nenhuma outra capaz de substituí-la. "A dolarização provavelmente continuará, mas o que vai limitá-la, a velocidade com que ela pode se desenvolver, é o fato de que 'para onde ir em vez disso', certo? Não há muitas outras moedas líquidas ou países nos quais você pode investir facilmente ou com um mercado de liquidez profunda", afirma Luis Oganes. Mesmo a moeda chinesa, que tem crescido e sendo usada por muitos bancos centrais para reservas, não tem ainda força suficiente ainda para substituir o dólar, segundo os especialistas. Além disso, os depósitos bancários em dólar americano cresceram em muitos países emergentes na última década, indicando uma tendência de busca pela moeda americana em momentos de estresse econômico. Há ainda quem argumente que mesmo países como Rússia e China, que promovem a discussão sobre a desdolarização, tem dificuldade de se desvincular totalmente do dólar americano. "Me impressiona o quão lenta a desdolarização foi na Rússia, apesar da clara intenção do governo de reduzir sua exposição ao dólar americano", diz Robert McCauley. "Acredito que isso se deve ao fato de o setor privado não ser facilmente persuadido a abandonar o uso do dólar como forma de empréstimo e transação, mesmo em detrimento da moeda nacional." O especialista afirma ainda que a China não tem usado todo o potencial de seus empréstimos ou projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento em meio à Iniciativa Cinturão e Rota para impulsionar alternativas à moeda americana. "As autoridades chinesas parecem estar satisfeitas em conceder empréstimos pelo Banco de Exportação-Importação da China [China Eximbank] e pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB) a países africanos e asiáticos em dólar", diz McCauley. "Há uma excelente oportunidade para desdolarizar as contas externas da China, mas que não tem sido aproveitada." Queda do dólar nas reservas internacionais é visto como sinal de perda de força da moeda americana Getty Images via BBC

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Casal que viveu 43 anos junto morre com diferença de menos de duas horas

Publicado em: 27/08/2025 05:03

Sebastião e Almezinda de Abreu morreram com menos de duas horas de diferença, após 43 anos de união Tiago Abreu/Arquivo Pessoal Uma história de amor que atravessou décadas chegou ao fim, ou talvez a um novo começo, em São João del Rei, no interior de Minas Gerais. Casados há 43 anos, Sebastião Francisco de Abreu, de 72 anos, e Almezinda Maria da Fonseca de Abreu, de 70, morreram com menos de duas horas de diferença. Para os filhos, a separação física nunca foi uma opção na vida deles. “Quando o coração do meu pai parou, parece que o da minha mãe também parou junto. Parece que ele saiu dali só para buscar ela”, contou Tiago Abreu ao g1, um dos dois filhos do casal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Sebastião enfrentava problemas de saúde há mais de um ano. Em 2024, passou por uma cirurgia após fraturar a cabeça do fêmur, um osso da coxa. A recuperação foi longa e exigiu fisioterapia constante. Nos últimos 40 dias, ele esteve internado por conta de uma infecção urinária e, posteriormente, uma pneumonia, agravadas pela insuficiência cardíaca. Almezinda esteve ao lado dele o tempo todo, como sempre fizeram ao longo da vida. “Ela ficou com ele todos esses dias no hospital. A gente tentava trocar, mas ela não aceitava. Ele também não queria que fosse outra pessoa. Ele dizia que ela era a médica dele”, lembra Tiago. O amor entre eles era do tipo que não aceita separações, nem temporárias. Na manhã da última quarta-feira (20), Sebastião piorou. “Minha mãe me mandou um áudio chorando, pedindo para eu descer para o hospital, porque ele não estava bem. Quando cheguei, ela já estava mal também. Sabia o que estava por vir. Ela conhecia os procedimentos do hospital, já tinha visto outras pessoas partirem”, conta o filho. Com muito esforço, a família convenceu Almezinda a ir até a casa de uma tia para descansar um pouco. “Ela já saiu de lá dizendo que não ia aguentar ficar sem ele. Disse com todas as letras que ia encontrá-lo. Era como se ela já soubesse que não viveria sem meu pai”. Mais tarde, naquela mesma noite, por volta das 23h, Sebastião faleceu na Santa Casa de São João del Rei. Pouco depois, a família foi surpreendida por uma ligação: Almezinda também estava na UPA, após sofrer um ataque cardiogênico fulminante, como se tivesse o coração partido e fosse acompanhar o marido na morte. Segundo Tiago, ela não tinha histórico de problemas de saúde e também não soube da morte do marido. Até o fim Casal que morreu com horas de diferença em MG Tiago Abreu/Arquivo Pessoal Na despedida no funeral, a união dos dois foi ainda mais evidente. Os filhos tentaram organizar o sepultamento em duas gavetas lado a lado, mas no cemitério havia somente uma gaveta e um túmulo no chão. “A gente não teve dúvida: os dois seriam enterrados juntos, na mesma sepultura no chão. Não tinha como separar. Nunca foram separados. Nem deveriam ser agora". O velório reuniu amigos, vizinhos, religiosos, congadeiros, evangélicos, católicos, moradores em situação de rua e crianças. Todos com histórias de carinho e gratidão por Almezinda e Sebastião. Muitos diziam que eram como pai e mãe para todos. “Ficamos com saudade, mas não com tristeza. Porque eles viveram e morreram do jeito que escolheram: juntos, em paz, com fé. E deixaram um legado que a gente carrega com orgulho”, conclui Tiago. LEIA TAMBÉM: Conheça casal que se conheceu em trilha e fez casamento no alto de serra ao nascer do sol Eternos namorados, casal de idosos que vive em abrigo reencontra o amor todos os dias Amor que nunca se separou A história de Sebastião e Almezinda começou em uma festa de bairro, ainda na juventude. Desde então, nunca mais se separaram. Tiago conta que nunca viu os pais brigando. “Tudo era conversado, dividido, feito junto. Minha mãe era mais ativa, mas nada acontecia sem antes ela ouvir meu pai. E ele sempre apoiou tudo que ela fazia", explicou. E o que Almezinda fazia era muito. Religiosa, solidária e determinada, dedicava boa parte do tempo a ações voluntárias e festas religiosas, como as celebrações de São Cosme e Damião, Congado, Festa do Divino, Nossa Senhora do Rosário e tantas outras que ajudava a organizar com o mesmo zelo com que cuidava da própria casa. Era conhecida por todos no Bairro São Dimas e além. As crianças sabiam que poderiam bater à porta dela e sair com pão, leite ou café. Adultos em situação de vulnerabilidade também recebiam acolhimento. Com jeito firme, mas acolhedor, Almezinda virou referência de solidariedade em São João del Rei. Almezinda de Abreu ajudava muita a comunidade de São João del Rei Camilla Nascimento/Arquivo pessoal Sebastião, mais reservado, também carregava fé e empatia. Músico, tocava na igreja e dizia com orgulho que era cursilhista — um cristão católico comprometido a aprofundar a fé e a transformar os ambientes onde vive. “Quando alguém lhe contava algo ruim sobre outra pessoa, ele respondia apenas: ‘Reza por ela’”, lembra Tiago. Com a morte dos pais, Tiago criou uma música para lembrar com carinho deles. Escute abaixo: Filho transforma luto em canção após morte dos pais em São João del Rei Na história desse casal, não há espaço para tragédia. Existe um sentimento raro, que resistiu ao tempo, às dificuldades e até à morte. Eles provaram que o verdadeiro amor existe e pode durar para sempre. *estagiária sob supervisão de Carol Delgado. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

Cidade de SP precisaria do dobro do nº de Conselhos Tutelares; rede de proteção a crianças está sucateada, dizem conselheiros

Publicado em: 27/08/2025 05:02

O que faz um Conselho Tutelar?  As denúncias recentes do influenciador e youtuber Felipe Bressanim, o Felca, sobre exploração e exposição de crianças e adolescentes na internet reacenderam o debate nacional sobre proteção à infância. Mas em São Paulo a rede responsável por zelar por esses direitos enfrenta falhas na articulação e falta de estrutura. A capital precisaria ter pelo menos o dobro de Conselhos Tutelares para atender à demanda de proteção de crianças e adolescentes. A recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é de uma unidade para cada 100 mil habitantes, mas São Paulo conta apenas com 52 órgãos, número insuficiente para os cerca de 12 milhões de moradores. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp O Conselho Tutelar funciona como guardião dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cobrando que as políticas públicas funcionem e que a rede de proteção atue de forma integrada em diferentes regiões da cidade. A cidade de São Paulo possui 52 conselhos, cada um formado por cinco membros eleitos pela população. Eles estão vinculados à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura, responsável por providenciar estrutura física, serviços de limpeza e segurança, entre outros apoios. O g1 conversou com sete conselheiros tutelares das zonas Leste, Oeste, Norte e Sul da capital. Eles relataram sobrecarga de responsabilidades, ausência de recursos básicos — como internet, armários e até telefone — e problemas de articulação entre saúde, assistência social, educação e Justiça. O resultado é um atendimento precário para famílias em situação de vulnerabilidade. A cidade de São Paulo possui 52 Conselhos Tutelares, como o CT Cidade Tiradantes II, na Zona Leste. Reprodução Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma mãe com seis filhos, em depressão pós-parto, agrediu um dos meninos. A escola acionou o Conselho Tutelar, mas os encaminhamentos não tiveram retorno da rede. “A mãe estava tendo atendimento da Casa Ser, mas não tinha acolhimento da UBS [Unidade Básica de Saúde] e do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que são equipamentos essenciais nessa fase. A mãe está com depressão, precisa de ajuda”, relatou a conselheira Vanuza Fonseca, que atende no Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II. Sem acompanhamento, o quadro se agravou. A mãe foi presa, e as crianças, retiradas de casa. Hoje, estão sob cuidado de uma tia, que é mãe solo e já cria dois filhos. “Se a rede não funcionar, essa mãe vai perder os seis filhos. Vai chegar uma hora que a tia não vai aguentar”, ressalta a conselheira. Casos semelhantes se repetem em outras regiões. Em Perus e Anhanguera, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Em Perus, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Reprodução Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Também na Zona Leste, um conselheiro foi alvo de uma ameaça de morte depois que um oficial cometeu um descuido e deixou seu nome aparecer em um documento entregue a um pai. Na Zona Sul de São Paulo, há relatos de conselheiros que recebem denúncias de abusos e, sem comunicar um oficial, teriam decidido resolver a situação "com as próprias mãos", segundo dois profissionais ouvidos pelo g1 que não quiseram se identificar. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de haver melhor estrutura física no local, falta material básico, como armários e pastas, que, segundo a conselheira Carlina Henrique, muitas vezes são comprados com recursos do próprio bolso. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Reprodução Uma defensora pública do estado de São Paulo da área da infância, que pediu para não ser identificada, afirmou que existe uma falta de estrutura generalizada. Segundo ela, o Conselho Tutelar da Sé, no Centro, ficou um longo período sem computadores e arquivos no início de 2023. Ao g1, ela apontou um entendimento equivocado da função do Conselho Tutelar por parte de outras instituições, como transportar crianças entre serviços. “A função do Conselho Tutelar é garantir direitos, fiscalizar políticas públicas e, em casos emergenciais, determinar o acolhimento, mas não executar serviços que cabem a outras secretarias.” De acordo com Sandra Massud, promotora de justiça da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, a atuação dos Conselhos Tutelares vai além de simplesmente remover crianças e adolescentes de situações de risco. “Os conselheiros têm que realizar um trabalho preventivo que é previsto, inclusive em lei municipal, com o objetivo de evitar o acolhimento de crianças e adolescentes. Contudo, é muito difícil da gente ver isso acontecer”, disse. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de melhor estrutura física no local, falta material básico como armários e pastas. Arquivo pessoal O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que os órgãos são tratados com negligência e até desprezo. "Conselhos são órgãos fiscalizadores que requisitam e exigem serviços, políticas públicas e medidas de proteção para as crianças e adolescentes. Isso acaba prejudicando seriamente a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes e as colocando em situações de riscos" afirmou. "São Paulo está longe de cumprir a resolução do Conanda e várias cidades da região metropolitana também." O que fazem os conselhos em SP: Aplicar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como encaminhamentos, orientações e acompanhamento das famílias; Buscar alternativas ao afastamento familiar, acionando serviços como Cras, Creas ou outras redes de proteção social para evitar a separação da criança da família; Elaborar planos de ação com a criança, o adolescente, a família e, quando necessário, com o próprio agente violador, respeitando os limites de cada situação; Atuar de forma preventiva, buscando proteger crianças e adolescentes antes que seja necessária uma medida extrema, como o acolhimento institucional; Encaminhar casos graves ao Ministério Público, ao Judiciário ou à Segurança Pública, sem deixar de aplicar as medidas protetivas cabíveis; Tomar decisões de forma colegiada, com participação de todos os conselheiros, para evitar decisões isoladas ou sem planejamento. O acolhimento institucional, realizado em unidades chamadas de Saicas (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), e popularmente conhecidas como abrigos, deveria ser a última medida, usada apenas quando não há alternativa segura de permanência com a família. Na prática, porém, faltam vagas. Segundo ação civil pública movida pelo MP-SP na semana passada, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas, irmãos acabam separados, e adolescentes chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. “Já tivemos casos de cinco crianças dormindo dentro do próprio conselho, sem nenhuma estrutura para isso. Mas vamos fazer o quê? Jogar na rua?”, indagou Carlina, conselheira em Pinheiros. Segundo ela, os casos mais comuns na região são de trabalho infantil e mendicância. Ela explica que, embora haja uma equipe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo que realiza abordagens diurnas, no período noturno não há quem faça esse serviço. Em nota, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que "tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões" (leia a íntegra mais abaixo). Sistema integrado O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), criado pelo governo federal para registrar violações e integrar políticas públicas, praticamente não funciona na capital paulista. Conselheiros afirmam que não conseguem acessar a plataforma por falta de internet, falhas técnicas e ausência de capacitação. Apesar de a cidade ter registrado 1.087 casos de estupro de vulnerável nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Sipia aponta apenas 49 casos. Em 2024, a capital contabilizou 2.231 casos do mesmo crime. Nas contas dos conselheiros, porém, foram somente 60 registros. “A gente não consegue acessar o Sipia tem vários dias. Quando perguntam por que a gente não está usando, quero saber quem vai defender os conselheiros. O programa não funciona”, disse a conselheira Juliana Cleiri, da Cidade Tiradente II, na Zona Leste. A promotora Sandra Massud, do MP-SP, aponta ainda baixa escolaridade de parte dos conselheiros, falta de interesse e até uso político do cargo como entraves para o funcionamento adequado do sistema. Como consequência, os atendimentos muitas vezes são registrados rudimentarmente em cadernos de papel, sem um banco de dados que permita o acompanhamento adequado. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu que há desafios históricos na utilização do sistema e que tem promovido uma série de melhorias para qualificar a experiência dos usuários e ampliar a adesão ao Sipia. "Em 2025, 471 conselheiros tutelares do estado de São Paulo foram capacitados para operar a atual versão do sistema. Esse número representa 49% dos Conselhos Tutelares do estado." Políticas para a infância Profissionais da rede afirmam que a desarticulação entre secretarias e a ausência de políticas contínuas agravam a situação. “Na prática, tenho visto fechamento de serviços. Fecham com a justificativa de que vão abrir em outro lugar, mas esse serviço não reabre”, disse uma defensora pública que pediu para não ser identificada. "Como que você elabora um projeto de começo, meio e fim de uma política pública? Quando você sempre começa do zero, fica muito mais difícil." Segundo ela, a falta de orçamento na assistência social na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com menos verba prevista do que a necessária, impacta salários e repasses a entidades e gera um cenário de sucateamento. Para 2025, o orçamento destinado à administração dos Conselhos Tutelares no município de São Paulo está previsto em cerca de R$ 53 milhões. No começo deste mês, após protesto de assistentes sociais, Nunes prometeu reajustar o valor de repasse para organizações. Os profissionais conveniados da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social cobraram valores não pagos e o reajuste no repasse às entidades de assistência social que têm convênio com o município. Segundo a promotora Sandra, mesmo propostas viáveis já apresentadas por técnicos e especialistas tanto da prefeitura quanto do MP-SP não foram implementadas. "Já participei de reuniões em que técnicos da própria prefeitura assumiram compromissos e, na semana seguinte, foram exonerados", afirmou. “Quando você está tratando de um problema social, ele não é definitivo. É uma situação que muda conforme a sociedade e outros problemas que influenciam. O fato é que as soluções muitas vezes não são colocadas em prática." O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões. Ao longo deste ano, esses recursos já foram atualizados para R$ 54,9 milhões, sendo 77% aplicados até agora para o funcionamento das 52 unidades. Isso inclui remuneração dos conselheiros, locação de imóveis, manutenção, limpeza, veículos, entre outros. Para assegurar melhor estrutura, acessibilidade e condições de atendimento, a atual gestão realizou a transferência de 28 conselhos para novos imóveis, ampliou a banda larga de internet em todos os conselhos, adquiriu novo mobiliário para unidades e fornece materiais de escritório periodicamente. No caso do Conselho de Guaianases, o local possui linhas móveis de telefone ativas para atendimento emergencial e casos pontuais de manutenção estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A Pasta também investe em requalificação para os 260 conselheiros tutelares e, em relação ao Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), ele já é adotado por mais da metade das unidades. Cabe ressaltar que a criação de novos Conselhos Tutelares obedece à legislação municipal e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente), que consideram não apenas a proporção populacional, mas também a vulnerabilidade dos territórios e as especificidades locais."

Palavras-chave: vulnerabilidade

Abrigos para crianças que sofrem maus-tratos não têm vagas na cidade de SP; adolescente dormiu em Conselho Tutelar

Publicado em: 27/08/2025 05:01

Em um e-mail endereçado ao conselho, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) afirmou que não atendeu a solicitação “por falta de vaga” e que entraria em contato “havendo disponibilidade.” Arquivo pessoal Os abrigos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo não têm vagas suficientes para atender a demanda. No começo de agosto, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma ação civil pública cobrando uma solução da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre o tema. A ação, que tramita em segredo de Justiça, é assinada pela promotora de Justiça da Infância e Juventude do MP-SP Sandra Massud. Os abrigos são oficialmente chamados de Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saicas). ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp Segundo o processo, jovens chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. Quando há a vaga, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas. Sandra afirmou que, mesmo com decisões judiciais que obrigam a prefeitura a garantir vaga em até duas horas, o município não consegue cumprir a determinação. “É um problema muito sério, porque, ao mesmo tempo em que a Justiça determina que sejam criadas vagas, a prefeitura acaba contratando de forma emergencial e sem planejamento. Isso não resolve o problema, só perpetua a falta de estrutura”, disse. Maria da Cruz, conselheira tutelar em Sapopemba, na Zona Leste, relatou dificuldade para conseguir uma vaga de acolhimento para um adolescente atendido pelo órgão na última segunda-feira (25). Segundo ela, o jovem chegou ao conselho por volta das 7h, mas permaneceu até as 20h sem encaminhamento, mesmo após diversas tentativas de contato com a Central de Vagas da prefeitura. “Ligamos várias vezes e ninguém nos atendeu. O adolescente acabou pedindo ajuda ao avô, que prontamente veio buscá-lo para dormir em casa. Só no dia seguinte, às 11h, conseguimos a vaga — mas em Parelheiros, na Zona Sul, a quase duas horas de distância de Sapopemba. Isso é recorrente e representa uma falta de respeito com os conselheiros da cidade”, afirmou Maria. A conselheira disse que já perdeu as contas de quantas vezes adolescentes dormiram no banco da sede por falta de vagas. Em julho, o Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II, também na Zona Leste, registrou um caso parecido. Um adolescente em situação de rua procurou os conselheiros, pediu ajuda para ser encaminhado a um abrigo e passou o dia no local aguardando vaga. Por volta das 22h30, porém, voltou para a rua. Em um e-mail endereçado ao conselho, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) afirmou que não atendeu a solicitação “por falta de vaga” e que entraria em contato “havendo disponibilidade”. Segundo a conselheira Juliana Cleiri, que atendeu o adolescente, ele não retornou mais. No processo, o MP-SP também pede a criação de novos Saicas, com prazo de até seis meses para apresentação de um cronograma, além da ampliação da divulgação do Programa Família Acolhedora, em famílias cadastradas previamente oferecem acolhimento provisório à criança afastada do convívio familiar. Dados da Smads informam que havia, em 2021, 2.055 vagas em abrigos, distribuídas em 137 unidades. Em nota, a prefeitura informou que "tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões" (leia a íntegra abaixo). Não houve resposta, no entanto, sobre a falta de vagas em abrigos. Vontade política Para a promotora Sandra, a ausência de vontade política trava propostas já discutidas entre técnicos e gestores. “Muitas soluções já foram pensadas, mas não são colocadas em prática. Vi pessoas que apresentaram propostas, chegaram a assumir compromissos, mas foram exoneradas na semana seguinte”, relatou. Ela também cobra a ampliação do Programa Famílias Acolhedoras, que hoje considera “muito pequeno” em São Paulo. “É muito mais barato para a prefeitura e melhor para a criança, que não fica institucionalizada por mais tempo do que o necessário”, explicou. Na cidade de São Paulo, O Instituto Fazendo História, organização sem fins lucrativos, atua há mais de 20 anos com crianças e adolescentes acolhidos. A ONG tem parceria com a prefeitura e recebe famílias voluntárias que passam por uma série de entrevistas e análises até se tornarem famílias acolhedoras. Atualmente, 21 famílias estão aptas para receber crianças de até 6 anos. O Profissão Repórter acompanhou o trabalho do instituto e de famílias voluntárias que decidiram abrir suas casas para receber bebês e crianças em situação de vulnerabilidade e que, por alguma razão, a Justiça determinou o afastamento da família de origem. Além da falta de vagas, a promotora critica falhas no registro e no acompanhamento dos atendimentos feitos pelos Conselhos Tutelares. “Tem conselhos que ainda registram em cadernos de papel, com poucas informações. Isso é muito sério. Sem dados confiáveis, fica impossível planejar políticas de prevenção”, afirmou. Falta de Conselhos Tutelares Em Perus, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Reprodução A capital precisaria ter pelo menos o dobro de Conselhos Tutelares para atender à demanda de proteção de crianças e adolescentes. A recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é de uma unidade para cada 100 mil habitantes, mas São Paulo conta apenas com 52 órgãos, número insuficiente para os cerca de 12 milhões de moradores. O Conselho Tutelar funciona como guardião dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cobrando que as políticas públicas funcionem e que a rede de proteção atue de forma integrada em diferentes regiões da cidade. A cidade de São Paulo possui 52 Conselhos Tutelares, cada um formado por cinco membros eleitos pela população. Eles estão vinculados à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) da Prefeitura, responsável por providenciar estrutura física, serviços de limpeza e segurança, entre outros apoios. O g1 conversou com sete conselheiros tutelares das zonas Leste, Oeste, Norte e Sul da capital. Eles relataram sobrecarga de responsabilidades, ausência de recursos básicos — como internet, armários e até telefone — e problemas de articulação entre saúde, assistência social, educação e Justiça. O resultado é um atendimento precário para famílias em situação de vulnerabilidade. Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma mãe com seis filhos, em depressão pós-parto, agrediu um dos meninos. A escola acionou o Conselho Tutelar, mas os encaminhamentos não tiveram retorno da rede. “A mãe estava tendo atendimento da Casa Ser, mas não tinha acolhimento da UBS [Unidade Básica de Saúde] e do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que são equipamentos essenciais nessa fase. A mãe está com depressão, precisa de ajuda”, relatou a conselheira Vanuza Fonseca, que atende no Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II. Sem acompanhamento, o quadro se agravou. A mãe foi presa, e as crianças, retiradas de casa. Hoje, estão sob cuidado de uma tia, que é mãe solo e já cria dois filhos. “Se a rede não funcionar, essa mãe vai perder os seis filhos. Vai chegar uma hora que a tia não vai aguentar”, ressalta a conselheira. Casos semelhantes se repetem em outras regiões. Em Perus e Anhanguera, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Também na Zona Leste, um conselheiro foi alvo de uma ameaça de morte depois que um oficial cometeu um descuido e deixou seu nome aparecer em um documento entregue a um pai. Na Zona Sul de São Paulo, há relatos de conselheiros que recebem denúncias de abusos e, sem comunicar um oficial, teriam decidido resolver a situação "com as próprias mãos", segundo dois profissionais ouvidos pelo g1 que não quiseram se identificar. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de haver melhor estrutura física no local, falta material básico, como armários e pastas, que, segundo a conselheira Carlina Henrique, muitas vezes são comprados com recursos do próprio bolso. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Reprodução Uma defensora pública do estado de São Paulo da área da infância, que pediu para não ser identificada, afirmou que existe uma falta de estrutura generalizada. Segundo ela, o Conselho Tutelar da Sé, no Centro, ficou um longo período sem computadores e arquivos no início de 2023. Ao g1, ela apontou um entendimento equivocado da função do Conselho Tutelar por parte de outras instituições, como transportar crianças entre serviços. “A função do Conselho Tutelar é garantir direitos, fiscalizar políticas públicas e, em casos emergenciais, determinar o acolhimento, mas não executar serviços que cabem a outras secretarias.” De acordo com Sandra Massud, a atuação dos Conselhos Tutelares vai além de simplesmente remover crianças e adolescentes de situações de risco. “Os conselheiros têm que realizar um trabalho preventivo que é previsto, inclusive em lei municipal, com o objetivo de evitar o acolhimento de crianças e adolescentes. Contudo, é muito difícil da gente ver isso acontecer”, disse. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de melhor estrutura física no local, falta material básico como armários e pastas. Arquivo pessoal O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que os órgãos são tratados com negligência e até desprezo. "Conselhos são órgãos fiscalizadores que requisitam e exigem serviços, políticas públicas e medidas de proteção para as crianças e adolescentes. Isso acaba prejudicando seriamente a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes e as colocando em situações de riscos" afirmou. "São Paulo está longe de cumprir a resolução do Conanda e várias cidades da região metropolitana também." O que fazem os CTs em SP: Aplicar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como encaminhamentos, orientações e acompanhamento das famílias; Buscar alternativas ao afastamento familiar, acionando serviços como Cras, Creas ou outras redes de proteção social para evitar a separação da criança da família; Elaborar planos de ação com a criança, o adolescente, a família e, quando necessário, com o próprio agente violador, respeitando os limites de cada situação; Atuar de forma preventiva, buscando proteger crianças e adolescentes antes que seja necessária uma medida extrema, como o acolhimento institucional; Encaminhar casos graves ao Ministério Público, ao Judiciário ou à Segurança Pública, sem deixar de aplicar as medidas protetivas cabíveis; Tomar decisões de forma colegiada, com participação de todos os conselheiros, para evitar decisões isoladas ou sem planejamento. O acolhimento institucional, realizado em unidades chamadas de Saicas (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), e popularmente conhecidas como abrigos, deveria ser a última medida, usada apenas quando não há alternativa segura de permanência com a família. Na prática, porém, faltam vagas. Segundo ação civil pública movida pelo MP-SP na semana passada, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas, irmãos acabam separados, e adolescentes chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. “Já tivemos casos de cinco crianças dormindo dentro do próprio conselho, sem nenhuma estrutura para isso. Mas vamos fazer o quê? Jogar na rua?”, indagou Carlina, conselheira em Pinheiros. Segundo ela, os casos mais comuns na região são de trabalho infantil e mendicância. Ela explica que, embora haja uma equipe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo que realiza abordagens diurnas, no período noturno não há quem faça esse serviço. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania não respondeu, até a última atualização desta reportagem, sobre o que vem sendo realizado para enfrentar os problemas. Sistema integrado O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), criado pelo governo federal para registrar violações e integrar políticas públicas, praticamente não funciona na capital paulista. Apesar de a cidade ter registrado 1.087 casos de estupro de vulnerável nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Sipia aponta apenas 49 casos. Em 2024, a capital contabilizou 2.231 casos do mesmo crime. Nas contas dos conselheiros, porém, foram somente 60 registros. Conselheiros afirmam que não conseguem acessar a plataforma por falta de internet, falhas técnicas e ausência de capacitação. “A gente não consegue acessar o Sipia tem vários dias. Quando perguntam por que a gente não está usando, quero saber quem vai defender os conselheiros. O programa não funciona”, disse a conselheira Juliana Cleiri, da Cidade Tiradente II, na Zona Leste. A promotora Sandra aponta ainda baixa escolaridade de parte dos conselheiros, falta de interesse e até uso político do cargo como entraves para o funcionamento adequado do sistema. Como consequência, os atendimentos muitas vezes são registrados rudimentarmente em cadernos de papel, sem um banco de dados que permita o acompanhamento adequado. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu que há desafios históricos na utilização do sistema e que tem promovido uma série de melhorias para qualificar a experiência dos usuários e ampliar a adesão ao Sipia. "Em 2025, 471 conselheiros tutelares do estado de São Paulo foram capacitados para operar a atual versão do sistema. Esse número representa 49% dos Conselhos Tutelares do estado." Políticas para a infância Profissionais da rede afirmam que a desarticulação entre secretarias e a ausência de políticas contínuas agravam a situação. “Na prática, tenho visto fechamento de serviços. Fecham com a justificativa de que vão abrir em outro lugar, mas esse serviço não reabre”, disse uma defensora pública que pediu para não ser identificada. "Como que você elabora um projeto de começo, meio e fim de uma política pública? Quando você sempre começa do zero, fica muito mais difícil." Segundo ela, a falta de orçamento na assistência social na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com menos verba prevista do que a necessária, impacta salários e repasses a entidades e gera um cenário de sucateamento. Para 2025, o orçamento destinado à administração dos Conselhos Tutelares no município de São Paulo está previsto em cerca de R$ 50,6 milhões. No começo deste mês, após protesto de assistentes sociais, Nunes prometeu reajustar o valor de repasse para organizações. Os profissionais conveniados da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social cobraram valores não pagos e o reajuste no repasse às entidades de assistência social que têm convênio com o município. Segundo a promotora Sandra, mesmo propostas viáveis já apresentadas por técnicos e especialistas tanto da prefeitura quanto do MP-SP não saíram do papel. "Já participei de reuniões em que técnicos da própria prefeitura assumiram compromissos e, na semana seguinte, foram exonerados", afirmou. “Quando você está tratando de um problema social, ele não é definitivo. É uma situação que muda conforme a sociedade e outros problemas que influenciam. O fato é que as soluções muitas vezes não são colocadas em prática." O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões. Ao longo deste ano, esses recursos já foram atualizados para R$ 54,9 milhões, sendo 77% aplicados até agora para o funcionamento das 52 unidades. Isso inclui remuneração dos conselheiros, locação de imóveis, manutenção, limpeza, veículos, entre outros. Para assegurar melhor estrutura, acessibilidade e condições de atendimento, a atual gestão realizou a transferência de 28 conselhos para novos imóveis, ampliou a banda larga de internet em todos os conselhos, adquiriu novo mobiliário para unidades e fornece materiais de escritório periodicamente. No caso do Conselho de Guaianases, o local possui linhas móveis de telefone ativas para atendimento emergencial e casos pontuais de manutenção estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A Pasta também investe em requalificação para os 260 conselheiros tutelares e, em relação ao Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), ele já é adotado por mais da metade das unidades. Cabe ressaltar que a criação de novos Conselhos Tutelares obedece à legislação municipal e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente), que consideram não apenas a proporção populacional, mas também a vulnerabilidade dos territórios e as especificidades locais."

Palavras-chave: vulnerabilidade

Por que ‘The Miseducation of Lauryn Hill’ foi eleito o melhor álbum da história

Publicado em: 27/08/2025 04:01

Lauryn Hill fez o melhor álbum de todos os tempos? Lauryn Hill lançou apenas um álbum solo, e ele chegou a ser eleito nada menos do que o melhor álbum de todos os tempos. Com impacto duradouro na cena musical, "The Miseducation of Lauryn Hill" é aclamado desde o momento em que chegou ao público, em 1998. Não é para menos. O disco é mesmo uma obra-prima. A cantora, que se apresenta no The Town no dia 6 de setembro, aparece no topo do ranking da Apple Music que elege os 100 Melhores Álbuns da História. A lista foi divulgada em 2024, mesmo ano em que "The Miseducation of Lauryn Hill" foi considerado pela "Billboard" o 3º melhor disco de rap já lançado. O álbum aparece ainda em outros 45 rankings desse tipo. Entenda a seguir as razões pelas quais ele é tão consagrado e como se tornou um marco na história da música. Capa do disco 'The Miseducation of Lauryn Hill' Divulgação Primeiras vezes Sucesso instantâneo, "The Miseducation of Lauryn Hill" quebrou vários recordes globais quando foi lançado. Para você ter noção: a artista vendeu mais de 422 mil cópias só na primeira semana. Foi a primeira vez que uma mulher estreou em 1º lugar na Billboard 200, parada que contabiliza a venda de discos nos Estados Unidos. O álbum também fez de Lauryn a primeira mulher a ganhar cinco Grammys em uma mesma noite, em 1999. Entre os troféus, estava o de Melhor Álbum do Ano, outro ineditismo para a época — até então, nenhum rapper havia conquistado o prêmio. "Isso é loucura, porque é hip hop", afirmou a cantora emocionada, quando Whitney Houston entregou a estatueta a ela. Bastante criticada por sua baixa diversidade musical, a premiação do Grammy só voltou a entregar seu principal troféu para um álbum de rap uma única vez. Foi em 2004, quando a dupla OutKast venceu o prêmio por "Speakerboxxx/The Love Below". Lauryn Hill venceu cinco Grammys por 'The Miseducation of Lauryn Hill', em 1999 AP Photo/Reed Saxon, file Mistura ambiciosa e som cru Apesar do ineditismo no Grammy, "The Miseducation of Lauryn Hill" não é um álbum exclusivamente de rap. Na verdade, a americana mistura ali diversos estilos musicais: rap, R&B, reggae, soul, blues, funk, dancehall e gospel. Ambiciosa, a ideia deu origem a uma sequência de faixas criativas que conversam muito bem entre si. O disco também inovou trazer o som de arpa, clarinete, tímpanos, órgão e saxofone, instrumentos até então pouco explorados na cultura hip hop. Lauryn quis gravar as faixas de forma orgânica, sem grandes ajustes eletrônicos. Comum no punk rock, esse tipo de gravação causa no ouvinte uma sensação de proximidade com a sala de estúdio. "Gosto da crueza de conseguir ouvir o ''scratch' nos vocais. Não quero que tirem isso de mim. Não gosto de usar compressores e tirar minhas texturas, porque fui criada ouvindo músicas gravadas antes que a tecnologia avançasse a ponto de ser assim", afirmou Lauryn a "Rolling Stone" em 2008. "Quero ouvir essa densidade sonora. Você não consegue isso em um computador, porque um computador é perfeito demais. Mas esse elemento humano é o que me arrepia. Eu adoro isso." A cantora também explicou que a composição foi planejada para ela "se sentir tocada liricamente" com "a integridade do reggae, a batida do hip hop e a instrumentação do soul clássico". Lauryn Hill em 1998, em sessão de fotos para 'The Miseducation of Lauryn Hill' Reprodução Conceito bem amarrado "The Miseducation of Lauryn Hill" traz referências potentes, que vão desde grooves dançantes da Jamaica até críticas ao sistema de ensino dos Estados Unidos. O título, aliás, é uma homenagem ao livro "The Miseducation of the Negro" (ou “A Deseducação do Negro”), de Carter G. Woodson. O conceito de deseducação é o que norteia o álbum. Nas músicas, Lauryn é como uma estudante que aprende — e também ensina — sobre as belezas e durezas da vida. Entre as faixas, há interlúdios de conversas escolares. O álbum inicia com a voz de um professor lendo uma lista de chamada estudantil. O nome Lauryn Hill é citado, mas ninguém responde. Em seguida, vem o primeiro verso cantado: "É engraçado como o dinheiro muda uma situação". A frase é de "Lost Ones", música super dançante que faz uma interpolação do hit "Bam Bam", da jamaicana Sister Nancy. Sua letra tem muito a ver com o momento que Lauryn vivia. Antes de lançar o álbum, ela era parte dos Fugees, trio americano com Pras Michel e Wyclef Jean. O grupo fez bastante sucesso com "The Score" — outro disco mega elogiado pela crítica. Mas eles se separaram em 1997, após uma sucessão de brigas que envolvem principalmente questões financeiras e o término de namoro entre Lauryn e Wyclef. Sem o Fugees, a americana apostou na carreira solo. Levou um ano e meio para gravar "The Miseducation of Lauryn Hill". No disco, ela joga indiretas aos ex-parceiros, por quem ainda sentia mágoas. "É engraçado como o dinheiro muda uma situação. Falta de comunicação leva a complicações. Minha emancipação não se encaixa na sua equação. Eu estava humilde, você em todas as estações. Alguns querem interpretar a jovem Lauryn como se ela fosse burra. Mas lembre-se de que não é um jogo novo sob o sol", canta ela em "Lost Ones". Além das referências aos Fugees, o álbum fala de negritude, da experiência de ser mulher, da busca por mudanças e, principalmente, do amor em suas múltiplas formas: amor romântico, amor de mãe, amor pela vida e amor-próprio. Capa do disco 'The Score', do Fugees Divulgação A caneta esperta Quando compôs as faixas, a artista era uma mulher de 23 anos, grávida do segundo filho e cheia de incertezas. "O hip hop começou no coração, e agora todo mundo está tentando mapear", canta ela em "Superstar", música em que se mostra desiludida com a vida pós-fama. "Agora me diga sua filosofia sobre o que exatamente um artista deveria ser. Eles devem ser alguém com prosperidade e nenhum conceito de realidade?" A caneta de Lauryn também usou referências bíblicas para abordar questões sociais. É o caso do reggae gospel de "Forgive Them Father", que abre com um trecho do "Pai Nosso". A faixa oscila entre versos de ódio e paz — como rancor pelo racismo e celebração do movimento negro: "Por que as pessoas negras sempre são as únicas que pagam? Marche por estas ruas como em Soweto". Maior hit de sua carreira solo, "Doo Wop (That Thing)" critica relacionamentos vazios, em que o sexo ou o status superam o interesse genuíno. Na letra, a cantora faz um apelo para as mulheres recusarem a objetificação: "É bobagem quando as meninas vendem suas almas porque está na moda". As faixas ostentam coragem, mas também vulnerabilidade. Tudo ali é bem emotivo. Se em "Lost Ones" Lauryn soa durona, em "Ex-Factor", ela implora para colar seu coração partido. "Amar você é como uma batalha, e nós dois terminamos com cicatrizes. Me diz, quem eu preciso que ser para ter um pouco de reciprocidade." Toda essa carga sentimental de "The Miseducation of Lauryn Hill" ia na contramão do que estava bombando na cena hip hop da época: o rap gangsta, vertente que aborda questões ligadas ao crime e à vida nos subúrbios dos Estados Unidos. Mesmo assim, o álbum foi uma explosão de sucesso e ajudou a popularizar o rap emotivo. Lauryn Hill em show no Espaço das Américas em 2019 Fabrizio Toniolo/Flash Bang Media House Emoção que vai da voz ao acorde Além da lírica e dos beats envolventes do disco, o vocal de Lauryn Hill é cheio de emoção. A cantora transita entre rimas rápidas de rap e cantos melódicos quase angelicais — outra raridade para o hip hop da época. Um ótimo exemplo disso é “To Zion”, talvez a faixa mais bonita do álbum. Com piruetas vocais de Lauryn e um coro gospel de arrepiar, a música homenageia Zion, filho da cantora. A letra também é uma resposta às pressões que a cantora sofreu por engravidar no auge do sucesso. "Eu sabia que a vida dele merecia uma chance, mas todo mundo me disse para eu ser inteligente. 'Olhe para a sua carreira', disseram eles. 'Lauryn, querida, use sua cabeça'. Mas em vez disso escolhi usar meu coração. Agora, a alegria do meu mundo está em Zion", canta ela em "To Zion". O álbum também emociona pelos feats. A artista cantou ao lado de estrelas como D'Angelo, Carlos Santana e Mary J. Blige. Depois do lançamento Com tanto êxito, "The Miseducation of Lauryn Hill" entrou para a história e continua a ser um dos discos de maior impacto na música. Mesmo assim, o álbum trouxe dores de cabeça para Lauryn. No fim de 1998, a cantora chegou a ser processada por quatro homens que trabalharam no disco, alegando que ela havia reivindicado todo o crédito por músicas com as quais eles também tinham colaborado. Isso fez com que a cantora tivesse que entrar em uma batalha judicial, prestar depoimentos e discutir assuntos delicados com advogados. As partes chegaram a um acordo em 2001 e, segundo a “Rolling Stone”, os quatro produtores receberam US$ 5 milhões. A polêmica foi um dos motivos que desmotivaram Lauryn Hill de voltar a compor. Desde "The Miseducation", ela continua com a carreira ativa, mas se recusa a lançar um álbum de inéditas. Mas seus fãs não parecem incomodados. Eles já têm muito a desfrutar.

Palavras-chave: tecnologiavulnerabilidade

Fiscais aplicam quase 200 autuações ao Madero por irregularidades trabalhistas

Publicado em: 27/08/2025 03:00

Rede de restaurantes Madero é atuado em quase 200 infrações de trabalho Reprodução/Divulgação A rede de restaurantes Madero foi alvo de uma operação que gerou 193 autos de infração devido a diversas irregularidades trabalhistas. A fiscalização, realizada entre março e julho de 2025 por auditores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE/MG), inspecionou 12 unidades da rede no estado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O relatório dos fiscais, obtido com exclusividade pelo g1, aponta problemas como falta de registro de empregados, alojamentos inadequados, discriminação por idade e estado civil, jornadas exaustivas, e ausência de políticas de prevenção ao assédio moral e sexual. Em nota, o Grupo Madero diz que recebeu o relatório com atenção e investe em capacitação, alimentação e acompanhamento das equipes. A empresa disse ainda estar aberta ao diálogo com as autoridades para avaliar os pontos indicados e adotar melhorias quando necessário. (veja o texto na íntegra abaixo) De acordo com auditores fiscais do trabalho, o modelo de gestão do Madero “viola direitos fundamentais” e “aumenta a vulnerabilidade de jovens recrutados” em cidades do interior do Norte e Nordeste. O relatório aponta que os jovens eram enviados para unidades em outras regiões do país sem poder escolher o destino e, em alguns casos, começavam a trabalhar antes de ter o registro formal na carteira de trabalho. Parte dos anúncios, segundo os auditores, incluía exigências de faixa etária entre 18 e 25 anos ou questionamentos obrigatórios sobre estado civil e filhos. Essas práticas são consideradas discriminatórias e proibidas pela Lei nº 9.029/1995 e por convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Encontramos editais de contratação que pediam faixa etária específica, o que é proibido por lei. Isso gerou autos de infração por discriminação etária”, explicou Odete Cristina Pereira Reis, auditora fiscal que coordenou a ação. Os auditores identificaram regras rígidas nos alojamentos, descontos salariais variáveis e penalizações por descumprimento de normas internas, como não fazer faxina ou receber visitas. Em alguns casos, os alojamentos ficavam a até 40 minutos a pé dos restaurantes, sem fornecimento de vale-transporte, mesmo para funcionários que terminavam o turno após a meia-noite. Os auditores também apontaram práticas de assédio moral organizacional, com monitoramento constante, metas rígidas de produtividade e campanhas como “funcionário do mês” baseadas em critérios subjetivos. A rede foi autuada ainda por desrespeitar o direito à desconexão, já que, segundo a investigação, os funcionários permaneciam sob vigilância constante, inclusive nos alojamentos. Os auditores concluíram que o modelo de gestão do Madero “intensifica a exploração da força de trabalho” e “afronta direitos constitucionais”, como o convívio familiar e a proteção integral da juventude. As 193 autuações foram aplicadas às unidades de Belo Horizonte (MG) e à matriz da empresa, em Ponta Grossa (PR). Os autos de infração serão encaminhados aos órgãos competentes, como o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual, sindicatos e coordenações da Secretaria de Inspeção do Trabalho. Cada infração pode gerar multas administrativas, cujo valor varia de acordo com a gravidade e o porte da empresa. A Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) estima que o total possa alcançar R$ 3,4 milhões. 🔎 No entanto, a secretaria ressalta que os autos de infração ainda estão em análise e os valores são aproximados, podendo aumentar em alguns casos ou ser reduzidos se a empresa apresentar defesa. O Madero poderá ser obrigado a regularizar os registros dos empregados, adaptar os alojamentos às normas legais e implementar medidas de combate ao assédio. Caso não cumpra essas exigências, a empresa poderá enfrentar ações judiciais e novas fiscalizações mais rigorosas. “Nosso trabalho termina com os autos e com o relatório. A partir daí, o Ministério Público do Trabalho e outros órgãos acompanham os desdobramentos. O que podemos afirmar é que as irregularidades foram comprovadas e a empresa precisará responder”, concluiu a auditora Odete Cristina. O que diz o Madero O Grupo Madero recebeu com respeito e atenção o relatório da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais e reafirma seu compromisso em garantir o bem-estar de seus colaboradores, de acordo com o previsto pela legislação trabalhista brasileira. A empresa tem orgulho de cumprir uma função social importante, oferecendo oportunidades de primeiro emprego a milhares de jovens de todo o Brasil, especialmente em regiões onde o mercado formal é escasso. Muitos desses jovens encontram no Grupo Madero a chance de ingressar no mercado de trabalho e construir uma trajetória profissional que talvez não fosse possível sem essa iniciativa. O Grupo Madero também reforça sua preocupação com o conforto e a segurança de seus times, investindo em programas de capacitação, alimentação balanceada durante a jornada e acompanhamento constante para garantir condições adequadas de trabalho. A empresa está aberta ao diálogo com a Superintendência e demais autoridades, bem como disposta a analisar cada ponto trazido pelo relatório, implementando ajustes e melhorias sempre que necessário. O Grupo Madero acredita que a transparência e a cooperação são os melhores caminhos para seguir contribuindo com o desenvolvimento de seus colaboradores e da sociedade. Assédio moral e assédio sexual: entenda como reconhecer agressões no ambiente de trabalho

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Lei Felca: Câmara de São Vicente aprova projeto contra adultização infantil após denúncia de youtuber

Publicado em: 26/08/2025 20:30

Lei 'Felca': Câmara aprova projeto que combate pedofilia e 'adultização' de crianças em São Vicente, SP Vanessa Rodrigues/AT e Reprodução/Youtube/Felcaseita Os vereadores da Câmara de São Vicente, no litoral de São Paulo, aprovaram por unanimidade, em primeira discussão, o Projeto de Lei 84/2025, que prevê o combate à 'adultização' de crianças e adolescentes no município. O texto passará por nova votação, prevista para quinta-feira (28), antes de ser encaminhado à sanção do prefeito Kayo Amado (Pode). O tema ganhou destaque após o youtuber e influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, denunciar casos de sexualização infantil na internet. O projeto, chamado de “Lei Felca”, é de autoria do vereador Edivaldo da Auto Escola (MDB). Se aprovado em definitivo, o texto estabelecerá medidas de prevenção, enfrentamento e conscientização contra crimes de pedofilia e sexualização, além de outras providências. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. “A exposição precoce a conteúdos de cunho sexual prejudica o desenvolvimento emocional, compromete o rendimento escolar, aumenta a vulnerabilidade a abusadores e impacta negativamente a saúde mental”, justificou o vereador. Segundo Edivaldo, a execução da lei será custeada por dotações orçamentárias próprias, podendo receber suplementação, caso necessário. O projeto, de autoria dele, foi aprovado com 10 votos na última quinta-feira (21). Medidas previstas Articulação entre escolas, famílias, entidades religiosas, associações comunitárias, órgãos de segurança pública e conselhos tutelares para ações conjuntas de combate; Divulgação ampla de canais de denúncia, incluindo contatos do Conselho Tutelar e da Polícia Civil, no site da prefeitura e em outros meios digitais; Capacitação de profissionais da educação, saúde, assistência social, segurança pública e lideranças comunitárias para identificar e agir diante de casos suspeitos; Criação de um banco de dados estatístico sobre denúncias e ocorrências, garantindo o sigilo das vítimas; Responsabilização de agressores e incentivo à criação de ambientes seguros e protetivos para crianças e adolescentes; Institui a Semana Municipal de Prevenção e Combate à Pedofilia e à Sexualização Infantil em maio, em alinhamento ao movimento nacional Maio Laranja. Vídeo denúncia Quem é Felca, youtuber que denunciou o influencer Hytalo Santos por exploração de menores A lei foi proposta após a grande repercussão do vídeo do youtuber Felca, no qual ele denuncia o fenômeno da 'adultização' de menores através da internet. O fenômeno culminou na prisão do influenciador Hytalo Santos na última sexta-feira (15), alvo de uma investigação contra crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes. O influenciador paraibano e o marido, Israel Nata Vicente, foram presos em uma casa em Carapicuíba, na Grande São Paulo. O caso é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por exploração e exposição de menores de idade em conteúdos produzidos para as redes sociais. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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'Sou+ Bauru': voluntários unem solidariedade e cuidado para mudar a rotina de pacientes de hospitais e pessoas em situação de rua

Publicado em: 26/08/2025 20:22

SoU+ Bauru: Ação solidária oferece café, janta e escuta a quem vive nas ruas de Bauru Grupos de voluntários têm se destacado em Bauru, por ações que unem solidariedade e cuidado com o próximo. Entre as iniciativas, estão projetos que oferecem refeições e roupas para pessoas em situação de rua e apoio a acompanhantes de pacientes em hospitais. No projeto “Sou+ Bauru”, idealizado pela TV TEM com o objetivo de fortalecer o orgulho dos bauruenses, a equipe de reportagem da emissora acompanhou de perto duas dessas iniciativas que fazem a diferença na cidade. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Grupos de voluntários têm se destacado em Bauru, por ações que unem solidariedade e cuidado com o próximo TV TEM/Reprodução LEIA TAMBÉM '65 ANOS DA TV BAURU': Italiano, marceneiro e amigo de Getúlio Vargas: quem foi João Simonetti, pioneiro da TV no interior do Brasil EVOLUÇÃO DA 'TELINHA': Do teleteatro ao jornalismo comunitário com entretenimento: como evoluiu a programação da TV Bauru até a TV TEM Entre Amigos Todos os domingos de manhã, quando muita gente ainda está descansando, integrantes do grupo "Entre Amigos" se reúnem para preparar café da manhã para pessoas em situação de rua. "É muito gratificante estar aqui, tanto na parte da alimentação, a parte de servir eles, de estar junto com eles, de ouvi-los. É algo que a gente não consegue falar, é algo que a gente consegue só sentir", conta a voluntária Noemi Ottaiano. Todos os domingos de manhã, integrantes do grupo Entre Amigos se reúnem para preparar café da manhã para pessoas em situação de rua TV TEM/Reprodução Criado no fim de 2023, o grupo hoje mantém quatro projetos sociais voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade. As ações são financiadas com rifas, doações de amigos e empresas. "A gente conversa com empresas, conversa com amigos, fazemos rifas e vamos conseguir uma coisinha aqui, uma coisinha lá e estamos conseguindo nos sobreviver.", explica o voluntário Fernando Vieira. Criado no fim de 2023, o grupo hoje mantém quatro projetos sociais voltados a pessoas em situação de vulnerabilidade TV TEM/Reprodução No domingo em que a equipe de reportagem acompanhou o projeto, os voluntários prepararam 70 pães, 6 litros de café, bolachas e frutas, que foram distribuídos na Praça Machado de Melo, onde muitas pessoas já esperavam. Além do café da manhã aos domingos, o grupo também oferece jantar às sextas-feiras no mesmo local, além de distribuir roupas. “Pode ser que em alguma dessa ajuda, uma conversa, ele muda de vida. Como a gente já teve casos de pessoas que veio aqui com a gente, hoje estão trabalhando, conseguiram sair das drogas, se reinseriu na sociedade e isso para a gente é muito gratificante.", afirma o idealizador do projeto, Lucas Cammarosano. Além do café da manhã aos domingos, o grupo também oferece jantar às sextas-feiras TV TEM/Reprodução "Amarelinhos" Outra ação de destaque é a do grupo Irmã Scheilla, ligado ao Centro Espírita Amor e Caridade (CEAC). Conhecidos como “Os Amarelinhos”, os voluntários atuam diariamente no Hospital de Base de Bauru para auxiliar acompanhantes de pacientes internados. Outra ação de destaque é a do grupo Irmã Scheilla, ligado ao Centro Espírita Amor e Caridade (CEAC) TV TEM/Reprodução O projeto, que existe desde 1999, conta atualmente com cerca de 200 voluntários que se revezam entre os turnos. O coordenador do grupo, Milton Minei, explicou qual é o principal foco do projeto. "O nosso foco é os acompanhantes dos pacientes. Esses acompanhantes nem sempre são da cidade, são de fora, de alguma cidade vizinha, que uma internação dificilmente é programada. Então, a pessoa acaba vindo de emergência, às vezes não tem roupa, não tem alimentação, então a gente fornece desde o alimento até a disponibilidade para o banho." O coordenador do grupo, Milton Minei, explicou que o principal foco do projeto são os acompanhantes dos pacientes TV TEM/Reprodução Além de alimentação, o espaço oferece livros para leitura e acolhimento. Para Fátima Fontes, que acompanha um idoso, o trabalho faz toda a diferença. "É muito importante que a gente já vem trazendo a dor, que vai deixar a pessoa aqui ou muitas vezes está ali acompanhando, mas tem outras pessoas que agregam com a gente, até mesmo eles, que vêm com aquela situação de bondade, trazendo aquele amor, aquela paz, aquele conforto. A gente é muito bem recebido aqui todos os dias", relata a cuidadora. Apesar de atenderem públicos distintos, os dois projetos têm em comum a solidariedade. E quem recebe o carinho dos voluntários reconhece o esforço. Para Fátima Fontes, que acompanha um idoso, o trabalho faz toda a diferença TV TEM/Reprodução Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da região

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'Eu acordei com as mãos dele nas minhas partes íntimas', diz vítima de padre preso por estupro de vulnerável no Paraná

Publicado em: 26/08/2025 18:29

Polícia fala com mais três vítimas de padre investigado por abuso sexual em Cascavel Uma dos homens que diz ter sido abusado pelo padre preso em Cascavel, no oeste do Paraná, relatou que foi tocado nas partes íntimas por ele. A RPC, afiliada da TV Globo, apurou que o religioso, que é suspeito de abusar sexualmente de adolescentes em vulnerabilidade, é Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, que trabalhava como sacerdote há 12 anos na Arquidiocese da cidade. A vítima - que não foi identificada por motivos de segurança - prestou depoimento à polícia e o relato faz parte das denúncias que surgiram após a prisão do religioso. Até o momento, a polícia identificou oito pessoas que afirmam ter sido abusadas por ele. Todas são do sexo masculino. O padre está preso na Cadeia Pública de Cascavel e, posteriormente, será encaminhado ao sistema penitenciário. O advogado de defesa, Alessandro Rosseto, disse que tenta revogar a prisão e vai provar a inocência do padre. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp Padre foi preso na manhã de domingo (24), em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) LEIA TAMBÉM: Vídeo: chuva de granizo deixa cidade com cenário parecido com neve no Paraná Luto: Médico e ex-vice-prefeito de Guarapuava morre 20 dias após sofrer acidente de moto, no Paraná Acidente: Casal morre após carro aquaplanar na chuva, capotar em rodovia e bater em árvore Abuso aconteceu durante semana vocacional, diz vítima A vítima relatou à RPC que a tentativa de abuso aconteceu em 2010, quando ambos eram seminaristas. Ela disse que foi assediada por Genivaldo quando tiveram que dormir no mesmo quarto durante uma semana vocacional em Guaraniaçu, cidade próxima a Cascavel. Na época, os dois eram maiores de 18 anos. "Eu acordei com as mãos dele nas minhas partes íntimas. [ …] Por três vezes ele tentou colocar as mãos nas minhas partes íntimas e na quarta vez eu empurrei e falei: 'Oh, você se retira daqui, porque senão a gente vai ter algum outro tipo de problema", disse a vítima. Após a situação, a vítima afirma que conversou com o arcebispo sobre o ocorrido. Contudo, ela e Genivaldo tiveram que assinar um documento concordando que não falariam sobre o assunto. "Você via que tinha uma predileção [por Genivaldo] e chegou um momento que toda aquela questão era ordenada e fazendo a gente até se sentir culpado. Você sabe que é a tua palavra conta dele. A partir daquele momento, eu fiz um documento dizendo que da minha parte estaria tudo resolvido e fiz acompanhamento psicológico", contou a vítima. A coragem para denunciar o caso, surgiu depois que a vítima foi procurada pela polícia. A delegada Thais Zanatta, responsável pela investigação, confirmou que a denúncia chegou ao arcebispo da época, mas não foi comunicada às autoridades policiais. "Esse caso foi levado para o arcebispo da igreja católica de Cascavel, porém nada foi feito. Esse arcebispo fez esses dois seminaristas assinarem um termo de acordo que esse fato não seria levado até as autoridades, então não foi levado", disse Zanatta. O arcebispo em questão, Dom Mauro Aparecido dos Santos, morreu em 2021, vítima da Covid-19. Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que a Igreja Católica foi informada de parte dos abusos, mas não levou os casos às autoridades. RPC Outros depoimentos apontam que parte das vítimas era adolescente quando sofreu os abusos. Um jovem relatou que entrou em depressão grave, tentou suicídio e só conseguiu contar o que aconteceu anos depois. Conforme a delegada, até o momento, o abuso sexual mais recente cometido pelo padre aconteceu há duas semanas, com uma vítima de 20 anos, dentro da clínica em que ele oferecia "terapias complementares". O arcebispo de Cascavel, Dom José Mário Scalon Angonese, disse em comunicado à RPC, que o padre foi suspenso assim que a denúncia chegou oficialmente à diocese, no dia 14 de agosto. "Um processo de investigação já está em andamento. Temos um prazo de 90 dias na diocese e depois encaminhamos para a Congregação da Doutrina da Fé, no Vaticano. Se confirmado que houve pedofilia, a decisão de Roma tem sido clara: a demissão do estado clerical. Ele deixará de ser padre", afirmou. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil também foi contactada, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem. Ao g1, o advogado do padre enviou uma nota dizendo que ele atua há 12 anos como sacerdote e "desenvolve com retidão, às questões dos menos favorecidos, moradores de rua, dependentes químicos, vulneráveis, mas sempre com a questão do auxílio ao próximo". Primeiras denúncias chegaram à Polícia Militar As primeiras denúncias contra Genivaldo chegaram à Polícia Militar (PM-PR). A tia de uma das vítimas procurou a corporação em março de 2024, depois que o sobrinho enfrentou uma depressão grave e tentou suicídio. O serviço de inteligência da PM passou a monitorar o padre e elaborou um relatório que foi encaminhado à Polícia Civil (PC-PR), após um ano e quatro meses de trabalho. Segundo a delegada, o padre estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas e, por isso, foi necessário decretar a prisão temporária dele. Genivaldo foi preso por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) no domingo (24). As equipes também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa dele e em uma clínica onde ele atuava como terapeuta. Computadores e o celular do padre foram apreendidos para serem periciados. Conforme a polícia, também foram identificadas irregularidades na gestão financeira da paróquia onde o padre atuou com pároco até o fim de 2024. Na investigação, a polícia também descobriu que ele oferecia "terapias complementares" em um consultório próprio, praticando o exercício ilegal da medicina. Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.

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Governo brasileiro acompanha caso de trans brasileira presa nos EUA e cobra garantias de direitos

Publicado em: 26/08/2025 14:51

Brasileira trans é detida de forma truculenta por agentes de imigração nos Estados Unidos O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) informou nesta terça-feira (26) que acompanha, em articulação com o Itamaraty e a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), o caso da brasileira Alice Barbosa, mulher trans de 28 anos, detida de forma brusca por agentes de imigração no último sábado (23) em Maryland, nos Estados Unidos. Segundo comunicado do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), Alice permanecerá presa até ser deportada. O governo americano justificou a medida alegando detenções anteriores “por posse de substância controlada e posse de maconha”. O texto do ICE, no entanto, tratou Alice pelo nome de nascimento masculino — e não pelo nome social. A prática segue uma diretriz do presidente Donald Trump, que, ao reassumir o cargo em janeiro, determinou como política oficial a classificação binária de gênero (“masculino e feminino”), além de prometer combater o que chamou de “loucura transgênero”. Um vídeo feito por amigos no momento da detenção mostra Alice sendo puxada para fora do carro de forma truculenta. Nas imagens, um dos agentes se refere a ela no gênero masculino e é corrigido por uma mulher que acompanhava a ação. Reação do governo brasileiro Em nota, o MDHC afirmou que segue acompanhando o caso “para garantir assistência consular e o resguardo dos direitos da vítima”. A pasta manifestou solidariedade à brasileira e reiterou compromisso em apoiar pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade no exterior. “Nos solidarizamos com a cidadã brasileira, reconhecendo a coragem de todas as pessoas que, em situação de vulnerabilidade, enfrentam diariamente a xenofobia, a violência institucional e a discriminação”, diz o texto. O ministério ainda destacou que o acompanhamento será permanente, para garantir que Alice tenha seus direitos respeitados enquanto durar a detenção. Risco de violência O uso do nome de nascimento pela imigração norte-americana reforça o temor de que Alice esteja sendo tratada como homem e levada a um centro de detenção masculino, o que aumenta os riscos de abuso e violência. Segundo a comentarista da GloboNews Flávia Oliveira, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) já havia relatado situação semelhante ao renovar seu visto nos EUA, sem o uso do nome social. Hilton procurou o Itamaraty para pedir atenção ao caso de Alice.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Prorrogadas inscrições para casamento comunitário em Petrolina

Publicado em: 26/08/2025 06:44

Petrolina abre inscrições para casamento comunitário com 600 vagas disponíveis A prefeitura de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, prorrogou o prazo de inscrições para casamento comunitário. Foram disponibilizadas 600 vagas, em parceria com Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC), Cartório de Registro Civil e o projeto Transforma Petrolina. A data e o local da cerimônia serão divulgados em breve. Os casais interessados podem se inscrever até o dia 29 de agosto, no prédio onde funcionam o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), localizado na Avenida Gilberto Freire, s/n°, Vila Mocó, em frente ao SESI, das 8h às 13h. Casamento comunitário abre inscrições em Petrolina Pexels 📱:Baixe o app do g1 para ver notícias de Petrolina e Região em tempo real e de graça Segundo a prefeitura, embora não haja custo para participar, os casais são convidados a levar, no momento da inscrição, dois quilos de alimento que serão destinados ao programa de voluntariado Transforma Petrolina, com o objetivo de garantir segurança nutricional para pessoas em situação de vulnerabilidade social. No ato da inscrição, não é necessário levar testemunhas, basta que uma pessoa do casal compareça com a documentação exigida. Casais maiores de 18 anos devem apresentar certidão de nascimento (original), folha resumo do Cadastro Único atualizada, comprovante de residência em Petrolina (no nome dos noivos ou dos pais), além de cópias do CPF e RG dos noivos e das testemunhas. Casais a partir de 16 anos também podem participar, desde que apresentem os documentos dos pais. Situações como divórcio ou viuvez exigem documentação complementar. A medida busca garantir a segurança jurídica e facilitar o acesso de todos ao direito fundamental de oficializar a união. Relação de documentos para o Casamento Comunitário Solteiro(a): Certidão de nascimento atualizada (emitida nos últimos 90 dias) RG e CPF ou CNH (original) do noivo e da noiva Comprovante de endereço em Petrolina (conta de água, energia) em nome do noivo(a), dos pais ou contrato de aluguel Divorciado(a): Certidão de casamento com averbação de divórcio atualizada (emitida nos últimos 90 dias) RG e CPF ou CNH (original) do noivo e da noiva Comprovante de endereço em Petrolina (conta de água, energia) em nome do noivo(a), dos pais ou contrato de aluguel Viúvo(a): Certidão de casamento Certidão de óbito do cônjuge falecido RG e CPF ou CNH (original) do noivo e da noiva Comprovante de endereço em Petrolina (conta de água, energia) em nome do noivo(a), dos pais ou contrato de aluguel Casamento comunitário: 160 casais oficializaram a união em Petrolina Vídeos: mais assistidos do Sertão de PE

Palavras-chave: vulnerabilidade

Erika Hilton pede prisão de conselheira tutelar do DF que coagiu jovem agredida e disse que 'lésbica e ateia é coisa do demônio'

Publicado em: 25/08/2025 19:45

Deputada Erika Hilton (PSOL) Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público do Distrito Federal nesta segunda-feira (25) para pedir providências contra a conselheira tutelar do DF Cláudia Damiana da Silva – investigada por condutas violentas no atendimento a uma adolescente em 2024. No documento de nove páginas (veja detalhes abaixo), Erika Hilton sugere que o MP peça à Justiça a destituição de Cláudia Damiana do cargo e a prisão preventiva da conselheira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O pedido será analisado pela Promotoria de Justiça dos Direitos da Infância e Juventude. Um inquérito civil sobre o caso foi aberto pelo MP no último dia 18. O g1 revelou nesta segunda que Cláudia Damiana é acusada de: violência institucional após comentários discriminatórios; coação psicológica; revitimização; exibição de conteúdo sensível para a jovem. 🔎 Violência institucional: é quando o agente público submete uma vítima de infração penal ou testemunha de crimes violentos a procedimentos desnecessários, repetitivos ou invasivos, que a leve a reviver a situação de violência ou gere sofrimento ou estigmatização. "Estou pedindo a prisão de Cláudia Damiana por homotransfobia - termo utilizado pelo STF ao criminalizar todas as formas de LGBTFobia - e pela indução ao suicídio", escreveu a deputada em uma rede social. "Pois não basta ela apenas perder o cargo. Quem pratica a lesbofobia e induz uma pessoa em vulnerabilidade ao suicídio não precisa ser Conselheira Tutelar para fazer isso. Quero que ela pague por este crime vil. Que, na prisão, ela tente provar para as paredes a existência desse seu "Deus" deturpado feito à imagem de sua própria maldade", seguiu a parlamentar. Suicídio: sinais de alerta, como ajudar e como buscar ajuda Suicídio: como pais e educadores podem trabalhar a prevenção Infância despedaçada: como curar o trauma do abuso sexual? Violência, coação e ultimato O caso foi em 19 de setembro de 2024. Nesse dia, a vítima foi atendida por Cláudia Damiana na UPA do Sol Nascente – e durante a conversa, relatou ter sido vítima de violência psicológica e violência sexual cometidas pelo próprio pai. Em resposta, a conselheira tutelar disse uma série de ofensas e repreendeu a adolescente, com frases como: "ser lésbica e ateia é coisa do demônio" "vou te provar que Deus existe" "você precisa ler a Bíblia" "o que você está me dizendo é pecado" Depois, ainda segundo o relato da vítima, Cláudia Damiana deu um ultimato à jovem. "Você escolhe: mudar de cidade para um lugar desconhecido, com outra família, sem celular; ou ficar com sua mãe?" Já ao fim do atendimento, a conselheira tutelar teria mostrado à jovem uma foto com um conteúdo sobre automutilação. Após a visita de Cláudia Damiana, a adolescente de 17 anos tentou se matar. Uma medida protetiva de urgência foi aplicada contra a conselheira sob pena de prisão em caso de descumprimento. O g1 perguntou ao Conselho Tutelar do Sol Nascente se Cláudia Damiana segue atendendo na unidade. Até a publicação deste texto, ainda não havia resposta. Segundo o Portal da Transparência do Governo do Distrito Federal, o último salário recebido pela conselheira tutelar foi em junho, um valor líquido de R$ 9.092,23. O pedido de prisão No documento enviado ao MP, Erika Hilton diz que a "gravidade das condutas exige responsabilização imediata da conselheira, tanto na esfera administrativa quanto na penal". "É necessária a decretação de prisão preventiva e a destituição do cargo de Cláudia Damiana, considerando que a medida não se limita à perda funcional, mas visa proteger crianças e adolescentes de uma pessoa que demonstrou comportamento criminoso e abusivo, inclusive por homotransfobia, conforme previsto pelo STF ao criminalizar todas as formas de LGBTFobia", escreve. "Quem pratica lesbofobia e induz uma pessoa em vulnerabilidade ao suicídio representa risco à sociedade e deve ser responsabilizado criminalmente, tanto para garantir justiça à vítima quanto para prevenir novos atos de violência institucional", segue Erika. Investigação em múltiplas esferas Além da Polícia Civil (PCDF) e do Ministério Público (MPDFT), a Comissão de Ética e Disciplina dos Conselheiros Tutelares (Cedicon) abriu um processo administrativo. Entenda abaixo como cada órgão apura o caso: MPDFT: começou o inquérito civil na segunda-feira (18), publicado no Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira (22). O Ministério Público aguarda andamento e conclusão das apurações em outras instâncias, mas vai intimar envolvidos e pedir informações. PCDF: a Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM II), em Ceilândia, investiga o caso. Cedicon: começou o processo administrativo em fevereiro de 2025 após denúncia anônima na Ouvidoria do DF. Em junho, a comissão informou que o caso seguia em apuração e que Cláudia Damiana da Silva Teixeira tinha sido ouvida e informações foram solicitadas ao Conselho Tutelar do Sol Nascente. 📽️ Veja abaixo sobre a escuta protegida: 'Lei da Escuta Protegida' completa oito anos LEIA TAMBÉM: PRESO EM MINAS GERAIS: homem é preso após tentar estuprar e matar mulher em Águas Claras, no DF SOBRADINHO: menina de 1 ano cai em piscina, se afoga e é salva no DF; reanimação levou cerca de 30 minutos Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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