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Suicídio: o silêncio que aumenta a dor

Publicado em: 25/08/2025 11:49

Quando recebemos a notícia de que alguém tirou a própria vida, é comum que reações como perplexidade, surpresa, choque, impotência nos invadam. E, quando essa pessoa é próxima, o impacto psicológico costuma ser ainda mais devastador. Lembramos da última conversa ou encontro que, na maioria das vezes, parecia estar tudo bem. Ficamos, então, atônitos, procurando respostas, que quase nunca são simples, para entender o ato. Situações assim, demonstram que sinais de alerta da ideação suicida nem sempre são perceptíveis. Às vezes, até percebemos algo diferente, mas por defesa, acabamos ignorando-os. Agimos assim porque, no fundo, não sabemos o que dizer ou como ajudar. Conversar sobre suicídio nos coloca em contato com nossos medos e emoções, mais angustiantes, fazendo-nos refletir sobre a finitude e o sentido da vida. Por isso, nem todos estão preparados para esse diálogo. O ser humano sabe que um dia vai morrer, mas existe uma sensação de onipotência que o faz levar a vida, na maior parte do tempo, como se fosse imortal. O suicídio é o ato intencional de tirar a própria vida. No entanto, por mais paradoxal que pareça, quem se mata não busca a morte em si, e sim o fim de uma dor psíquica percebida como intolerável. Diante da incapacidade de encontrar alternativas para lidar com os conflitos, passa a enxergar a morte como única saída. As razões que levam a esse gesto extremo nunca se resumem a um único motivo. O suicídio geralmente é resultado da combinação de vários fatores, como perdas afetivas, problemas emocionais, dificuldades financeiras, depressão, abuso de substâncias, entre outros. Esses elementos, isoladamente, não conduzem necessariamente ao ato, mas, pode aumentar a vulnerabilidade quando despertam sentimentos de desespero e desesperança. O tema ainda incomoda porque continua sendo um tabu. Há uma crença equivocada de que falar sobre o assunto pode induzir alguém a se matar. Porém, ficar em silencio ou “empurrar para debaixo do tapete” apenas aumenta o risco. Em contrapartida, abrir espaço para um diálogo acolhedor, empático e sem julgamentos pode salvar vidas. A vida moderna nos mantém cada vez mais conectados, mas nem sempre atentos de verdade às pessoas ao nosso redor. Toda essa agitação e falta de tempo podem fazer com que o sofrimento silencioso do outro passe despercebido. Isso, em muitos casos, nos impede de dar um novo final a uma história que, ao invés de terminar em dor e gerar perplexidade ou choque, como descritos no início deste texto, se transforma em cuidado e esperança. Créditos: Joselene L. Alvim- psicóloga

Palavras-chave: vulnerabilidade

Sebrae Ceará na trilha por um estado mais empreendedor

Publicado em: 25/08/2025 11:25

Empreendedorismo é uma das principais alternativa como fonte de renda. adobe stock O Brasil vive um momento de transformação silenciosa e poderosa. Ao longo dos últimos meses, milhares de famílias estão deixando o Bolsa Família. Algumas conquistaram emprego formal e muitas outras optaram pelo empreendedorismo como caminho de construir uma nova realidade. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, cerca de 1 milhão de famílias saíram do programa em julho e um dos fatores determinantes para isso foi o aumento de renda vindo de pequenos negócios. É o empreendedorismo mudando destinos e abrindo oportunidades. No Ceará, essa realidade ganha contornos ainda mais fortes. O Estado é território fértil para quem ousa sonhar e agir. O Sebrae Ceará tem sido o parceiro estratégico para apoiar essas trajetórias. A instituição tem intensificado suas ações para estimular a criação e o crescimento de negócios entre pessoas em situação de vulnerabilidade social apostando em três frentes estratégicas: capacitação e formalização, acesso ao crédito facilitado e o apoio ao empreendedorismo social. “O Sebrae Ceará traçou como meta contribuir para que o Ceará seja um estado cada vez mais empreendedor. Isso passa necessariamente pela realização de ações regionalizadas em todos os territórios cearenses e por parcerias estratégicas, com instituições públicas e privadas, visando a melhoria do ambiente de negócios, fortalecimento das cadeias produtivas, incentivo à inovação e pela implantação de uma cultura empreendedora no estado”, afirma Joaquim Cartaxo, superintendente do Sebrae Ceará. Os pequenos que movem o grande Dados do Sebrae, com base no Caged, mostram que as micro e pequenas empresas foram responsáveis por 747,6 mil contratações formais no primeiro semestre de 2025. Isso equivale a quase dois terços de todas as admissões do país. O setor de serviços se consolida como a principal porta de entrada para milhares de trabalhadores, gerando emprego, renda e dignidade. Esse movimento ganha ainda mais relevância quando se observa que 30% dos microempreendedores individuais (MEI) estão no CadÚnico, o que demonstra como o empreendedorismo é uma saída concreta para superar a vulnerabilidade social. Em 2024, o Brasil registrou a abertura de 1,2 milhão de novos negócios, e em 2025 as micro e pequenas empresas já contrataram mais de 635 mil pessoas, mais de 60% do total de vagas criadas no período. No Ceará, esse compromisso se traduz em programas de capacitação, consultorias, feiras de negócios e iniciativas que estimulam a inovação e a competitividade. Nessa empreitada, o Sebrae é uma ponte para que mais cearenses possam transformar talento e esforço em prosperidade. “Um dos indicadores que apontam o êxito dessas ações é o número de empregos gerados pelas Micro e Pequenas Empresas cearenses, onde a cada dez carteiras assinadas no primeiro semestre deste ano no Ceará, oito vieram dos pequenos negócios. Um resultado expressivo, que mostra o papel estratégico deste segmento para a nossa economia”, ressalta Cartaxo. Por um Ceará mais empreendedor Nos últimos anos, o empreendedorismo tem se tornado uma das principais alternativa de renda, ferramenta de inclusão e desenvolvimento. Ao impulsionar quem começa pequeno negócio, o Sebrae Ceará contribui para um movimento maior: um Ceará que gera mais empregos, reduz desigualdades e fortalece sua economia local. A formalização como Microempreendedor Individual é uma das principais portas de entrada para promover a inclusão produtiva e a autonomia financeira. Isso permite que os novos empreendedores tenham acesso a benefícios previdenciários, emissão de notas fiscais, mais chances de conseguir crédito e a possibilidade de prosperar. Todas essas ações têm contribuído para transformar histórias, promover inclusão produtiva e criar caminhos reais de desenvolvimento econômico em regiões de baixa renda, porque quando o pequeno cresce, o Ceará inteiro avança. E o Sebrae está ao lado de quem empreende por um Ceará mais empreendedor.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Morre Dona Cida, presidente da ONG Mão Amiga, em Juiz de Fora

Publicado em: 25/08/2025 08:06

Dona Cida foi homenageada pela TV Globo em 2022 Mão Amiga/Divulgação Morreu na noite deste domingo (24) Maria Aparecida da Silva, conhecida como Dona Cida, presidente e fundadora da Sociedade Beneficente Mão Amiga, em Juiz de Fora. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Cida tinha 63 anos e, há mais de trinta, atuava no Bairro Vila Olavo Costa e região com famílias em situação de vulnerabilidade, onde, além de alimento, oferecia acolhimento psicológico, jurídico, assistência social e serviços de saúde e beleza. Em 2022, foi uma das premiadas no quadro “Inspiração”, em uma edição do “Melhores do Ano”, no programa Domingão com Huck, da TV Globo. “Foi na minha dificuldade como mãe de família e empregada, anos atrás, na Vila Olavo Costa, que tomei uma decisão: fazer de tudo para amenizar as dificuldades e o sofrimento das famílias em vulnerabilidade, lhes dando a oportunidade de uma vida mais digna”, afirmou Cida na época. Nas redes sociais, a Associação Mão Amiga divulgou uma nota de luto. Nota de luto da Associação Mão Amiga Redes Sociais/Reprodução O velório acontece na manhã desta segunda-feira (25), no Cemitério Municipal. O sepultamento está marcado para as 16h. A causa da morte não foi divulgada. ASSISTA TAMBÉM: Conheça Cida que criou uma associação em Juiz de Fora 'Heróis do Cotidiano': conheça Cida que criou uma associação em Juiz de Fora VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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Sob ameaças de pai e madrasta, adolescentes do PR eram forçadas a produzir até 20 conteúdos sexuais por dia

Publicado em: 25/08/2025 04:00

Mensagens que suspeitos enviavam às adolescentes. Divulgação/RPC Conversas reveladas pela polícia mostram como pai e madrasta impunham metas diárias de dez vídeos por dia de conteúdo sexual a duas adolescentes, de 14 e 16 anos. O esquema usava linguagem de “seita” para coagir as vítimas, segundo o delegado de Polícia Civil (PC-PR), Gabriel Fontana. Veja acima. As conversas obtidas com exclusividade pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, expõem como os suspeitos faziam cobranças constantes, utilizando mensagens com tons de misticismo e ameaças para garantir o envio dos conteúdos diariamente até as 22h. Em alguns trechos, os suspeitos determinavam que as meninas tinham apenas uma hora para concluir o “acordo diário”. "Por favor, não hesite em errar de novo, ou novamente para que apaguem-se todas as suas oportunidades, ok? Seja esperta e não faça por errar para que tenhas que ser punida sem chance de volta [...] Você tem apenas uma hora a partir de agora para concluir seu acordo diário, ok? Não perca tempo e mais esta oportunidade de redenção", escreveram. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PR no WhatsApp A madrasta foi presa na quinta-feira (21), em Curitiba. No mesmo dia, uma segunda mulher também foi detida em Cerro Azul, na região metropolitana da capital. O pai continua foragido, segundo a polícia. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados para proteger a identidade das vítimas. A segunda mulher foi presa por ligação com números de telefone usados para solicitar e divulgar as imagens. As duas mulheres foram levadas à delegacia de Rio Branco do Sul para depoimento. As jovens vítimas de exploração são irmãs e apenas a mais velha, de 16 anos, é filha do homem que está foragido. As duas moram com a mãe, segundo a polícia. Os investigados respondem por coação, divulgação e armazenamento de imagens de exploração sexual infantojuvenil, associação criminosa e ameaça. Leia também: Veja previsão do tempo: Paraná volta a ficar gelado após registrar 37,6ºC no fim de semana, diz Simepar Cascavel: Padre é preso por ser suspeito de abusar sexualmente de adolescentes religiosos e em situação de vulnerabilidade 'Amarrados, com magreza extrema e doenças graves': Polícia flagra 11 cachorros e filhotes em situação de maus-tratos no Paraná Mãe denunciou o crime Mensagens que suspeitos enviavam às adolescentes Divulgação/RPC Segundo o delegado, em outubro de 2024, durante um passeio em um parque de Curitiba, o pai vendou as adolescentes e as levou para a casa dele. Com ajuda da atual esposa, ele gravou os primeiros vídeos de conteúdo sexual das vítimas. Após isso, o homem passou a chantagear constantemente as jovens, estipulando metas diárias de até dez vídeos por dia, com prazo de entrega até as 22h. Os suspeitos ameaçavam divulgar amplamente as imagens, caso as vítimas não cumprissem com os prazos, segundo o delegado. "Fato esse que inclusive aconteceu em um determinado momento. As meninas não encaminharam esse conteúdo que havia sido estipulado e houve a divulgação de vídeos dessas meninas por meio das redes sociais", disse o delegado. O caso foi denunciado em fevereiro deste ano, quando a mãe das vítimas recebeu ameaças de divulgação de vídeos de conteúdo sexual das filhas. As mensagens eram enviadas pelo suspeito. Por causa da divulgação de um dos conteúdos, uma das adolescentes perdeu o emprego. Além do pai, a madrasta e outra mulher participavam das ameaças e se revezavam no envio das mensagens às garotas. "As mensagens tinham um contexto de um culto, uma espécie de seita, ele se passava por oráculo [...] Era um conteúdo de pornografia explícita não só entre as duas vítimas, mas também delas com terceiros", explicou o delegado. Polícia prende mulheres suspeitas de exploração sexual infantil Investigação Durante as diligências, os agentes apreenderam celulares e computadores e encontraram provas de conversas entre o pai e a madrasta, além de registros de números de telefone com DDD do Amazonas. A polícia trabalha com a hipótese de que o material produzido era comercializado em redes criminosas especializadas nesse tipo de conteúdo. A polícia continua investigando o caso, tenta localizar o pai e verifica se há mais pessoas envolvidas no crime. Delegacia de Rio Branco do Sul Elessandra Amaral/RPC Vídeos mais assistidos do g1 PR: Leia mais notícias em g1 Paraná.

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Capitais do Nordeste e do Norte concentram mais lares em risco de insegurança alimentar; entenda

Publicado em: 25/08/2025 04:00

Entre novembro de 2024 e maio de 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) identificou que 1,4 milhão de domicílios estavam em risco de insegurança alimentar. Capitais do Nordeste e do Norte são as que têm mais lares nessa situação. O levantamento foi feito a partir de um questionário aplicado na atenção primária, chamado de Triagem para Risco de Insegurança Alimentar, usado para identificar famílias sem acesso regular e suficiente a alimentos nutritivos. A ideia é detectar precocemente situações de vulnerabilidade e orientar políticas de cuidado para garantir alimentação adequada. O vaivém do Brasil no Mapa da Fome Parâmetros internacionais A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) define os níveis de insegurança alimentar: Grave: quando pessoas ficam sem comida, podendo passar um ou mais dias sem se alimentar. Moderada: quando há incerteza sobre a obtenção de alimentos, com necessidade de reduzir a qualidade e/ou quantidade do consumo. Capitais mais afetadas As maiores proporções de domicílios em risco foram registradas em: Salvador (27,3%) São Luís (27,1%) Belém (24,3%) Boa Vista (23,7%) Manaus (18,1%) Segundo Ramonildes Gomes, pesquisadora da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), os números refletem desigualdades históricas. “Estamos falando de regiões onde a maior parte da população é negra, de comunidades e povos tradicionais, indígenas, camponeses e agricultores familiares. É, sobretudo, nas periferias dessas capitais que vivem as famílias mais pobres”, afirmou.

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Padre é preso por ser suspeito de abusar sexualmente de adolescentes religiosos e em situação de vulnerabilidade, no Paraná

Publicado em: 24/08/2025 12:46

Padre foi preso na manhã deste domingo (24), em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) Um padre de 41 anos foi preso temporariamente na manhã deste domingo (24), em Cascavel, no oeste do Paraná. Ele está sendo investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais contra jovens da comunidade católica e de adolescentes em situação de vulnerabilidade. Entenda mais abaixo. Ele foi preso por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (NUCRIA) que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa dele. Segundo a polícia, o padre está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp Durante a investigação, 11 pessoas foram ouvidas. Dentre elas, três vitimas foram identificadas, sendo uma adolescente na época do crime e dois adultos. Segundo a polícia, o padre estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas e, por isso, foi necessário decretar a prisão temporária dele. O nome do padre não foi divulgado pela polícia. O g1 tenta localizar a defesa dele. LEIA TAMBÉM: De Toledo à Aparecida: Paranaense caminha mais de mil quilômetros por 20 dias para conhecer Santuário: ‘Uma das melhores coisas que fiz na vida’ São José dos Pinhais: Motociclista invade marcha estudantil da PM, atropela oito alunos e morre após bater em estrutura de concreto Mega-Sena: Quatro apostas do Paraná acertam quina e faturam prêmios; veja cidades e valores "Comportamento predatório", irregularidades na gestão financeira de paróquia e exercício ilegal da medicina Segundo a polícia, foi possível apurar na investigação que o padre possui um "padrão de comportamento predatório" desde 2010, quando ainda era seminarista. Na época, ele tentou abusar de outro seminarista. A polícia informou que a maioria das vítimas eram jovens envolvidos em atividades religiosas. A investigação ainda apurou que ele atraía adolescentes em situação de vulnerabilidade social com ofertas de dinheiro, viagens, presentes e convites para pernoitar na casa dele. Conforme a polícia, também foram identificadas irregularidades na gestão financeira da paróquia onde o padre atuou com pároco até o fim de 2024. Na investigação, a polícia também descobriu que ele oferecia "terapias complementares" em um consultório próprio, praticando o exercício ilegal da medicina. Padre foi afastado da Igreja Católica antes de ser preso Segundo a Polícia Civil, após o aparecimento das primeiras evidencias dos casos de abuso, o padre foi afastado das funções eclesiásticas no dia 14 de agosto. O g1 questionou a Arquidiocese de Cascavel sobre o caso, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil (PC-PR) com o objetivo de identificar novas vítimas e testemunhas. Denúncias podem ser feitas ao Nucria pelo telefone (45) 3326-4909, ou pelo canal nacional de denúncias de violação de direitos humanos, o Disque 100, ou o Disque-Denúncia do Paraná, pelo 181. Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias da região em g1 Oeste e Sudoeste.

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Sharenting: entenda o que é e o risco para crianças nas redes

Publicado em: 24/08/2025 00:05

Você sabe o que é sharenting? A palavra é uma junção de share (compartilhar, em inglês) e parenting (parentalidade, em inglês), e define o hábito de compartilhar fotos, vídeos e hábitos dos filhos na internet. Apesar de muitas vezes ser motivada por boas intenções - como o desejo de compartilhar momentos da vida familiar com parentes ou amigos -, essa prática carrega riscos e consequências. É o que explicou a psicóloga Nay Macedo, especialista em proteção infanto-juvenil na era digital, em entrevista ao podcast O Assunto da segunda-feira (18). Ouça, no player acima, a partir do minuto 28:14. "O sharenting é esse termo que foi cunhado para definir quando os pais ou responsáveis compartilham informações relacionadas às crianças e adolescentes." "Frequentemente, a gente tem a tendência a achar que isso está relacionado somente às imagens, mas tanto podem ser as imagens, fotos e vídeos, como podem ser informações pessoais dos filhos." O perigo está nos algoritmos das redes sociais, que podem fazer um conteúdo viralizar e ser distribuído amplamente, inclusive para abusadores. Por isso, uma das principais orientações de especialistas é manter perfis fechados nas redes sociais. Segundo Nay, uma pesquisa da Universitat Oberta, em parceria com a Polícia Nacional da Espanha, revelou um dado alarmante: até 72% do material de abuso sexual infantil apreendido na internet tinha origem em postagens feitas pelos próprios familiares das vítimas. "A gente tem muitas evidências hoje para dizer que, por exemplo, imagens de crianças que tenham menos roupa e mesmo que essas imagens não sejam sexualizadas, [...] a maioria dessas imagens estava na escala zero. Ou seja, não tinha nenhum nível de erotização." Diante desses riscos, a conscientização dos pais é fundamental. Nay Macedo sugere algumas recomendações para minimizar a vulnerabilidade das crianças no ambiente digital. A proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual é um esforço que demanda a participação de toda a sociedade, não apenas dos pais, mas também do poder público, das grandes empresas de tecnologia e até das escolas. A discussão sobre a exposição de imagens de crianças e adolescentes ganhou repercussão após o YouTuber Felca divulgar um vídeo alertando sobre a adultização de crianças e adolescentes e o uso de imagens de menores para monetizar nas redes sociais. A publicação soma quase 50 milhões de visualizações e rompeu bolhas na sociedade. Ouça a íntegra do episódio aqui. O que você precisa saber: 'Internet é lugar público e perigoso': Juíza faz alerta sobre perigo de redes sociais para crianças REDES SOCIAIS: Vídeo viral levanta debate sobre exploração de crianças e adolescentes Denúncias de exploração sexual na internet mais do que dobram em seis dias INFLUENCIADOR: Por que Hytalo Santos foi preso? Veja os argumentos do juiz do caso Defesa de Hytalo diz que decisão é 'ilegal' e que vai pedir habeas corpus ENTENDA: O que é 'adultização' e por que ela traz danos à infância? Como proteger a imagem de crianças na internet O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

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Governo de SP repassa R$ 450 mil a famílias afetadas por incêndio em Santos

Publicado em: 23/08/2025 20:15

Incêndio de grandes proporções atingiu comunidade na Zona Noroeste de Santos O governo de SP liberou R$ 450 mil para as famílias afetadas por incêndio na Comunidade Caminho São Sebastião, no Dique da Vila Gilda, em Santos, no litoral de São Paulo. As 329 famílias, cadastradas pela Prefeitura de Santos, começarão a receber recursos do governo estadual nos próximos dias. Segundo o governo de SP, a Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) efetuou, na quinta-feira (21), o pagamento de R$ 448.350 para benefícios eventuais e cofinanciamento de serviços. O depósito foi feito em conta-corrente no BB Ágil e caberá ao município o pagamento às famílias cadastradas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. O valor corresponde ao repasse de R$ 70 mil em cofinanciamento, de Serviços de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e Emergências, ou seja, para efetuar o trabalho social com as famílias. Cerca de R$ 378.350 serão para benefícios eventuais dos 739 moradores de 329 famílias atingidas pelo incêndio, em situação de vulnerabilidade social. Incêndio atingiu comunidade na Zona Noroeste de Santos, SP Abner Reis Quanto receberão as vítimas? Cada família receberá R$ 1.150, que poderá ser utilizado para as necessidades básicas de sobrevivência, como garantir a segurança alimentar e minimizar perdas e danos materiais, comprar utensílios domésticos, entre outras utilizações. Segundo o governo estadual, o aumento de R$ 150 por família, neste caso, se deve ao percentual de acréscimo previsto na resolução, para alguns casos específicos. Sandra Sarmento da Silva morreu em incêndio na Zona Noroeste de Santos, SP Reprodução e Abner Reis/TV Tribuna Entenda o caso O fogo começou na manhã do dia 1º de agosto na comunidade Caminho São Sebastião, que faz parte do complexo do Dique da Vila Gilda, a maior favela sobre palafitas do Brasil. Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros, Thiago Pinheiro Duarte, 46 agentes e quinze viaturas foram mobilizados para combater o incêndio. Devido à dificuldade de acesso à comunidade, as chamas se alastraram rapidamente. Galerias Relacionadas Com o apoio dos moradores, as equipes conseguiram controlar o fogo. Em meio a chamas, muitos moradores correram para pegar documentos, móveis e eletrodomésticos, como fogões e geladeiras, das moradias que estão sendo atingidas. Sandra Sarmento da Silva, de 64 anos, morreu no incêndio. Segundo os bombeiros, Sandra havia sido retirada de casa, mas decidiu voltar para pegar seus pertences, mesmo com o fogo já se espalhando. No fim do combate ao incêndio, durante a fase de rescaldo, os bombeiros encontraram um corpo, que era da moradora. Por meio do Decreto Municipal nº 10.917, o prefeito Rogério Santos (Republicanos) autorizou a mobilização de órgãos municipais e a convocação de voluntários para “ações de resposta ao desastre, reabilitação do cenário afetado e reconstrução” Segundo o documento, 25 famílias foram encaminhadas para o abrigo temporário no Complexo Esportivo Zona Noroeste, na Rua Fausto Felício Bruzarosco, 8-120, no bairro Castelo. Além das perdas materiais, a prefeitura citou os danos psicológicos à população como um dos reflexos do incêndio, que afetou uma área de aproximadamente 4.800,00 m². VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos S

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Quais são os direitos da criança dentro da escola? Entenda proteções e saiba identificar sinais de violência

Publicado em: 23/08/2025 04:30

Professora é investigada por agredir criança de 4 anos em escola particular no RS O caso de uma professora filmada agredindo um menino de 4 anos com uma pilha de livros, em uma escola infantil de Caxias do Sul, chamou atenção para a responsabilidade da escola e dos profissionais da educação na proteção da infância. (entenda o caso abaixo) Mas o que a lei prevê em situações como essa? Quais são os direitos da criança na escola? 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Para responder, o g1 conversou com a professora Ana Paula Motta Costa, da Faculdade de Direito da UFRGS, especialista em Direito da Criança e do Adolescente. Para ela, a educação é um direito fundamental e só pode acontecer em um ambiente seguro, protegido e adequado. Responsabilidade compartilhada Segundo Ana Paula, ao deixar um filho na escola, os pais partem da confiança de que a criança será cuidada por responsáveis. "No mínimo, o direito da criança é estar protegida e cuidada por algum adulto que é responsável por ela na ausência dos seus pais ou dos seus responsáveis legais", comenta. Para a especialista, a escola não é apenas um lugar de ensino, mas também um espaço de cuidado e proteção, e que essa responsabilidade começa no momento em que os pais confiam seus filhos à instituição. Assim, o dever não recai apenas sobre o professor, mas também sobre a instituição: “Além de fiscalizar e acompanhar, [a escola] deve orientar os seus professores sobre como devem conduzir o trabalho com as crianças”, completa. O que diz o ECA Conforme a professora, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê diferentes formas de responsabilização em casos de violência, desde a esfera criminal até indenizações por danos morais. Em algumas situações, a escola, inclusive, pode ser responsabilizada judicialmente e até ter suas atividades suspensas. “Existem várias possibilidades de responsabilização institucional por maus-tratos, a ponto de chegar ao fechamento de uma instituição que trabalha com criança, o desligamento, o afastamento do seu dirigente”, explica Ana Paula. O dever legal da escola e dos professores A Constituição Federal, no artigo 227, estabelece que é dever do Estado, da família e da sociedade assegurar os direitos das crianças e adolescentes, protegendo-os de qualquer forma de violência. Essa proteção abrange não apenas agressões físicas e psicológicas, por exemplo, mas também situações como o bullying, que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento dos alunos no ambiente escolar. "As crianças estão para a Constituição como um grupo social que, para atingir um patamar de igualdade de tratamento em relação aos adultos, precisa de um atendimento especial", comenta a professora. Ana Paula explica que a infância é uma fase peculiar e intensa do desenvolvimento humano, o que exige uma proteção especial por parte dos adultos. Durante esse período, a criança ainda não possui autonomia plena, e por isso depende do cuidado e da responsabilidade dos adultos para garantir seu crescimento saudável e seguro. Essa proteção deve ser assegurada até que o processo gradativo de autonomia se estabeleça, momento em que o sujeito passa a assumir mais responsabilidades por si mesmo. O papel dos pais Para a professora, a família não pode se afastar da vida escolar. A participação ativa dos pais na rotina é essencial para garantir a proteção e o bem-estar das crianças. Isso inclui atitudes básicas, como conversar regularmente com os professores, comparecer às reuniões escolares, acompanhar os registros enviados pela escola e observar atentamente o comportamento dos filhos. “A gente conhece os filhos. Então, quando os filhos vão para a escola e voltam de um jeito diferente, e voltam reclamando muito de um respectivo professor ou de um funcionário ou de alguém nesse espaço escolar, os pais devem ficar atentos", orienta Ana Paula. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado ao validar automaticamente todas as reclamações dos filhos sobre a escola, desconsiderando a autoridade dos professores. Conforme a professora, esse tipo de postura também é prejudicial, pois o docente precisa ter sua autoridade respeitada dentro do ambiente escolar. No entanto, essa autoridade, assim como a dos pais, tem limites: ela deve ser exercida com responsabilidade e sem ultrapassar os direitos da criança. "A autoridade dos pais vai até o momento da escola assumir a responsabilidade sobre os filhos, mas não quer dizer que os pais tenham que se desonerar das suas responsabilidades", diz. A quem recorrer Em casos de suspeita ou confirmação de violência, a escola, segundo Ana Paula, deve ser a primeira instância de diálogo, mas situações graves, como a agressão registrada em Caxias do Sul, exigem ação imediata dos órgãos competentes. Os pais ou qualquer pessoa podem acionar o Conselho Tutelar, a polícia e até o Ministério Público da Infância. O Disque 100 também é uma alternativa para denúncias anônimas. Responsabilidade de todos Para a professora, a proteção da criança é dever coletivo. “No espaço escolar, todos que estão ali são responsáveis. Claro, institucionalmente, a escola é responsável, a professora que agrediu [também] é, mas o profissional que trabalha do lado, em ver a situação, em levar adiante para o seu superior, tudo isso faz parte do conceito de que a sociedade é responsável pelas crianças”, conclui. Conforme Ana Paula, essa vulnerabilidade da criança está relacionada tanto à estrutura física, por serem pequenas, quanto à sua capacidade de compreensão, já que muitas vezes não entendem exatamente o que está acontecendo ao seu redor. Por isso, ela defende que todos, não apenas os pais e educadores, mas qualquer pessoa, devem estar atentos e comprometidos com a proteção da infância. Agressão em Caxias do Sul Professora que agrediu menino de 4 anos é presa preventivamente A professora Leonice Batista dos Santos, de 49 anos, foi presa preventivamente na manhã de sexta-feira (22). A criança agredida perdeu um dente e teve outros cinco comprometidos, precisando usar aparelho. De acordo com a delegada Thalita Giacomiti Andriche, foi instaurado um inquérito para investigar o caso, que é tratado como maus-tratos qualificado pela lesão grave. Ela não descarta que o crime também possa ser enquadrado como tortura. O advogado Henrique Bischoff Hartmann, responsável pela defesa de Leonice em Palmeira das Missões, informou ao g1 que ela "permanecerá em silêncio" e que será solicitado um pedido de habeas corpus. Nas imagens registradas pela câmera de segurança da escola, a professora aparece gritando com o menino e, logo depois, atingindo ele com uma pilha de livros. É possível ouvir o barulho da batida. Em seguida, a docente coloca os materiais sobre uma mesa, pega um papel para limpar a criança e, por fim, a conduz para outro local. (veja acima) Segundo os pais, a educadora foi a primeira a primeira a entrar em contato e afirmou que a criança havia sofrido uma queda no banheiro e batido a boca. No entanto, ao levarem o filho ao consultório de uma dentista, ouviram dela que os ferimentos talvez não fossem resultado de uma queda. A escola teria entrado em contato por telefone em seguida. Os pais pediram imagens de câmeras de segurança para verificar o que realmente havia acontecido. Pouco tempo depois, a escola retornou a ligação dizendo que o assunto era urgente e pedindo que eles eles fossem até a instituição. Lá, os pais viram o vídeo e ficaram sabendo o que aconteceu. A Escola Infantil Xodó Da Vovó, que atende cerca de 90 alunos, demitiu a profissional após verificar as imagens das câmeras de segurança. A direção divulgou, em nota, que "segue à disposição das famílias para quaisquer esclarecimentos e reitera seu compromisso diário com uma educação baseada no cuidado, na ética e no bem-estar das crianças". LEIA TAMBÉM Mais duas famílias registram boletim de ocorrência por agressões de professora 'Trauma para sempre', dizem pais de aluno agredido Como está o menino Conforme informado pelos pais, o menino está em recuperação, mas enfrenta restrições alimentares e emocionais. "Ele não pode fazer força nos dentes. Então, é só papinha, só iogurte, sopinha, arroz e feijão amassado. É triste falar, é ruim. Sinto ele muito com medo. Qualquer barulho para ele, ele está assustado, até conosco. E é um trauma. Fica um trauma. Trauma para sempre", desabafa o pai. Apesar do choque, os pais afirmam que não culpam a escola, mas querem justiça: "Quero que ela vá presa. A situação é difícil. O pior de tudo é ver o filho da gente ter que almoçar de canudo, jantar de canudo. Isso é o que mais dói. Isso não se faz, é um inocente", disseram. Professora é investigada por agredir criança de 4 anos em escola particular no RS Reprodução/ Câmera de segurança O que diz a escola "A Escola Xodó da Vovó lamenta profundamente o episódio ocorrido envolvendo uma professora e um de nossos alunos. A profissional foi imediatamente afastada, as autoridades policiais comunicadas e a família da criança está recebendo todo o apoio necessário. Reforçamos que a apuração dos fatos e a devida responsabilização estão sendo conduzidas pelas autoridades competentes, que contam com o total apoio e colaboração desta instituição. Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a segurança, o respeito e a integridade de todos os nossos alunos e não toleraremos situações que contrariem os valores desta Escola Infantil. Seguiremos colaborando integralmente com as autoridades e trabalhando para garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos os nossos alunos. A Escola Xodó da Vovó segue à disposição das famílias para quaisquer esclarecimentos e reitera seu compromisso diário com uma educação baseada no cuidado, na ética e no bem-estar das crianças. Estamos juntos com nossa comunidade para fortalecer ainda mais um ambiente de confiança, aprendizado e acolhimento. Departamento Jurídico Escola Xodó da Vovó" VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: vulnerabilidade

Como a floresta fabrica a própria chuva? Pesquisa desvenda segredo da Amazônia

Publicado em: 23/08/2025 04:01

COP30 - O que é o Fundo Amazônia? Quando pensamos na Amazônia, imaginamos uma floresta imensa e cheia de vida. É a maior floresta tropical do mundo, abriga a maior diversidade de espécies do planeta e concentra imensos volumes de água. Além do Rio Amazonas, o mais extenso do mundo, há também os chamados “rios voadores”, correntes invisíveis de vapor que transportam umidade na atmosfera acima da Amazônia e geram chuvas em várias regiões do Brasil. As florestas têm grande influência sobre a geração desses rios voadores e o ciclo da água. Isso porque grande parte da umidade gerada na Amazônia e que retorna para a atmosfera vem de um processo conhecido como transpiração. As árvores retiram água do solo através das raízes, transportam-na até as folhas e a liberam para a atmosfera em forma de vapor. Esse vapor vindo das copas se transforma em chuva — localmente ou a centenas de quilômetros de distância. Estudos já mostraram que, na estação seca, cerca de até 70% da chuva que cai na Amazônia tem origem na própria transpiração da floresta, que retorna a água para atmosfera. Como a seca é um período de chuvas reduzidas, surge uma pergunta essencial: de onde vem a água que as árvores usam para manter esse ciclo? A investigação na Floresta Nacional do Tapajós Um estudo realizado recentemente por pesquisadores brasileiros e internacionais, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), buscou responder a essa questão. A pesquisa foi conduzida dentro da Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, território tradicional dos Mundurukus, em duas áreas contrastantes: o platô, uma floresta mais elevada, na qual o lençol freático esta mais profundo (cerca de 40 metros), e o baixio, uma floresta que fica mais próxima ao igarapé, com um lençol freático mais raso, e abrange uma área próxima e acima do leito do rio, com aproximadamente até 30 metros do mesmo. Os resultados surpreenderam. Ao contrário do que se pensava, a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais. Em um ano de chuvas normais, sem secas ou chuvas extremas, em média, 69% da transpiração no platô e 46% no baixio vieram da água armazenada nos primeiros 50 centímetros do solo. Essa água armazenada nos primeiros centímetros do solo caiu das nuvens recentemente, no período da estação seca. Isso significa que a floresta recicla rapidamente a água da própria estação: a chuva cai, infiltra-se no solo raso, é absorvida pelas raízes e retorna quase imediatamente para a atmosfera, na forma de transpiração. Por estar na seca, este é o momento em que a floresta mais precisa da água, e é quando ela mais contribui para produzi-la. Vista do rio Xingu mostra uma propriedade usada para criação de gado (à esquerda) e uma área preservada da floresta amazônica, na Terra Indígena Koatinemo, no estado do Pará Carlos FABAL/AFP O papel da diversidade das árvores Nem todas as árvores retornam iguais quantidades de chuva da seca para a atmosfera da mesma forma. A Amazônia é extremamente diversa em árvores, e diferentes espécies possuem estratégias distintas para acessar a água armazenada no solo. O estudo mostrou que a chave para entender essas diferenças na fonte de água da transpiração está em um traço hidráulico chamado resistência ao embolismo. Esse mecanismo indica a vulnerabilidade de uma árvore à seca. Quando a árvore absorve água do solo, é como se houvesse um “cabo de guerra”, em que a corda é a própria água: de um lado, o solo retém a água; do outro, a raiz da árvore tenta puxá-la. Quanto mais seco o solo, com mais “força” o solo segura a água, e mais força é necessária para puxá-la. Espécies com maior resistência ao embolismo conseguem extrair água solos mais secos. Espécies mais resistentes retornam grandes proporções da água da chuva da estação seca para atmosfera, portanto, estão mais adaptadas a utilizar água de solos rasos, e usam mais dessa água que caiu recente. Já as espécies com menor resistência ao embolismo, e maior vulnerabilidade, são mais “fracas” nesse cabo de guerra, e precisam de outras estratégias, como por exemplo, utilizar raízes mais profundas, para potencialmente alcançar camadas do solo com reserva de água mais estável. O estudo mostra que quanto maior a resistência ao embolismo, mais água rasa as árvores utilizam na transpiração. Essa descoberta é inédita, e ajuda a explicar como diferentes árvores contribuem para a reciclagem da chuva. E ainda mais interessante, o estudo mostra que mesmo na estação seca, grande parte da água utilizada na transpiração vem das camadas mais rasas do solo abastecidas pela chuva. Muitas dessas espécies estudadas estão utilizando grandes proporções de água rasa. Por que isso importa? Sem floresta, sem chuva A mensagem é clara: sem floresta, não há chuva. E, sem chuva, não há floresta. A água rapidamente reciclada pela transpiração não só mantém a Amazônia durante a estação seca, como também é essencial para dar início às chuvas da estação chuvosa, algo já mostrado em estudos anteriores. Se a floresta perde sua capacidade de reciclar a água, o risco é de um colapso do ciclo hidrológico. Comunidades tradicionais e indígenas são as mais diretamente afetadas pelas mudanças no ciclo da água, sofrendo impactos intensos em seu cotidiano. Mas as consequências ultrapassam os limites da Amazônia. Os chamados “rios voadores” transportam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, sustentando a agricultura em algumas das principais regiões produtoras de grãos. Com menos floresta, há menos chuva. O desafio Esse alerta se torna ainda mais urgente diante da recente aprovação do chamado PL da Devastação. A mudança na legislação pode acelerar o desmatamento em áreas nacionais críticas, como a Amazônia, e outras florestas, que também são importantes para o ciclo da água, como o Cerrado e a Mata Atlântica. A equação é simples: menos árvores, menos chuva, menos floresta. E esse ciclo negativo ameaça não só a biodiversidade e o clima, mas também a segurança alimentar e o transporte de muitas comunidades locais e da região, e também a economia brasileira. O estudo mostra que o ciclo da água na Amazônia é rápido mesmo na seca: a própria chuva da estação seca alimenta a transpiração, que depois vira chuva. O estudo reforça algo que já sabemos, mas nem sempre levamos a sério: a Amazônia é uma verdadeira fábrica de chuvas. Cada árvore, ao transpirar, coloca em movimento o vapor que ajuda a manter a vida, dentro e fora da floresta. Proteger a Amazônia não é apenas uma questão ambiental. É garantir chuva, alimento e futuro econômico para o Brasil. Magali Nehemy recebe financiamento da Natural Sciences and Engineering Research Council of Canada. Ela é afiliada à Universidade de British Columbia (UBC), Okanagan.

Palavras-chave: vulnerabilidade