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Com a 2ª pior cobertura de CAPS do país, DF segue ritmo lento para ampliar atenção à saúde mental

Publicado em: 20/10/2025 02:01

Placa mostra CAPS no DF. Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde-DF Há mais de seis anos com a segunda pior cobertura de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do país, o Distrito Federal conta com um total de 18 unidades e segue em ritmo lento para ampliar a rede extra-hospitalar de saúde mental. 🔎 Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): serviço de saúde voltado para o atendimento de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes ou com sofrimento psíquico após uso prejudicial de álcool e drogas. No DF, há 0,54 CAPS para cada 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Saúde. O número é maior apenas que o da cobertura do Amazonas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do DF em tempo real e de graça O índice permanece abaixo da taxa de cobertura nacional – de 1,13 CAPS/100 mil habitantes – e ocupa a mesma posição durante todo o mandato de Ibaneis Rocha (MDB), eleito em 2018 e reeleito em 2022. Ao mesmo tempo, o DF mantém 116 leitos psiquiátricos ativos – modelo que reproduz a lógica manicomial e é proibido na legislação federal e na lei distrital (entenda mais abaixo). Ao g1, a Secretaria de Saúde afirma que a cobertura não aumentou porque o crescimento populacional não foi acompanhado pela expansão da rede de serviços de saúde mental. Além disso, a pasta diz que a implantação de novos CAPS exige investimentos, contratação de profissionais especializados e tempo para adequação orçamentária e administrativa. 📌 A Secretaria de Saúde afirmou ao g1 que não é "possível aferir um valor exato do investimento em saúde mental na rede pública", mas estima que o investimento médio anual é em torno de R$ 285 milhões (veja nota completa no fim da reportagem). Há cinco novos CAPS previstos para 2026, segundo a Secretaria de Saúde. No entanto, apenas dois tiveram as obras iniciadas: um no Recanto das Emas e outro no Gama (veja abaixo lista completa de CAPS no DF). O investimento é de R$ 28 milhões, de acordo com a pasta. Segundo o psicólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB) Pedro Henrique Antunes da Costa, o baixo número de CAPS impacta no cuidado em saúde mental, já que os serviços são para garantir a atenção especializada. "Se há poucos CAPS, já quebra bastante do fluxo assistencial da rede que tem os CAPS como dispositivos fundamentais. Eles são os principais dispositivos especializados", aponta o professor. Como é a Rede de Atenção Psicossocial? Sem apoio público famílias buscam clínicas precárias Segundo o Ministério da Saúde, a Rede de Atenção Psicossocial, criada em 2011, engloba sete níveis: Atenção primária em saúde: UBSs, estratégia de saúde da família, consultório na rua, centros de convivência e cultura Atenção psicossocial especializada: CAPS Atenção de urgência e emergência: SAMU 192, UPA 24h, pronto-socorro em hospitais Atenção residencial de caráter provisório: unidade de acolhimento, serviço de atenção em regime residencial Atenção hospitalar: enfermaria especializada em hospital geral, serviço hospitalar de referência Estratégias de desinstitucionalização: serviços residenciais terapêuticos, programa de Volta para Casa Estratégias de reabilitação psicossocial: cooperativas sociais, empreendimentos solidários, iniciativas de geração de trabalho e renda No Distrito Federal, em relação aos serviços especializados, há: 18 CAPS 1 Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (COMPP) 1 Adolescentro 2 residências terapêuticas 1 unidade de acolhimento 59 leitos clínicos em saúde mental 121 leitos psiquiátricos 121 psiquiatras 285 psicólogos Segundo Pedro Henrique Antunes da Costa, o Distrito Federal apresenta gargalos severos nos sete níveis, comprometendo o acesso à atenção psicossocial da população. "A RAPS [Rede de Atenção] no DF tem lacunas severas nos sete níveis de atenção. No nível de atenção básica, por exemplo, a gente tem poucos consultórios nas ruas, a gente não tem nenhum centro de convivência", diz o professor. Situação no DF Dobra a procura por atendimentos nos CAPS A demanda pelo atendimento psicossocial no DF vem crescendo nos últimos anos, segundo dados da Secretaria de Saúde. Em 2022, foram 212 mil atendimentos especializados em saúde mental no CAPS do DF. O número saltou para 354 mil em 2024, ou seja, um aumento de 66%. No primeiro semestre de 2025, foram 199.088 procedimentos nos CAPS do DF, uma média de 1.106 atendimentos por dia. Para quem busca atendimento, as portas de entrada são as equipes dos três Consultórios de Rua – em Ceilândia, Taguatinga e no Plano Piloto – e as UBSs. Já no segundo nível de atendimento, voltado a transtornos mentais graves ou uso de drogas e álcool, há 18 CAPS em funcionamento: 1 CAPS I: atende pessoas de todas as idades e fica em Brazlândia. 5 CAPS II: atende adultos e unidades ficam no Paranoá, Planaltina, Asa Norte, Taguatinga e Riacho Fundo. 1 CAPS III: atende pessoas adultas e funciona 24 horas por dia, incluindo finais de semana e feriados. Fica em Samambaia. Tem até 5 leitos para acolhimento noturno. 4 CAPS Álcool e Drogas AD II: atende pessoas a partir de 16 anos e há unidades no Guará, em Santa Maria, em Sobradinho e no Itapoã. 3 CAPS Álcool e Drogas AD III: atende pessoas a partir de 16 anos e funcionado 24 horas por dia, incluindo finais de semana e feriados. Tem, no máximo, 12 leitos. As unidades ficam em Ceilândia, Samambaia e Asa Sul. 4 CAPSi: atendem crianças e adolescentes e ficam na Asa Norte, em Taguatinga, no Recanto das Emas e em Sobradinho. 🔎Para as crianças de 0 a 12 anos com sofrimento mental moderado, há o Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (COMPP). Segundo o GDF, a fila de espera pelo atendimento é bem grande, e o primeiro atendimento demora cerca de dois anos. Criada em 1969, a unidade oferece atendimento ambulatorial, orientação médica, psicológica, pedagógica e social para as crianças. 🔎 Já para adolescentes de 12 até 17 anos com casos moderados de saúde mental ou vítimas de violência, ou que façam uso de substâncias psicoativas, há o Adolescentro. A unidade oferece atendimento ambulatorial multiprofissional e interdisciplinar, por meio de atendimentos individuais e em grupos. Residências terapêuticas Depois do atendimento no segundo nível da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), os pacientes podem ser encaminhados para outras esferas como serviços residenciais terapêuticos (SRT), unidades de acolhimento (UA) e hospitais gerais. Entenda abaixo: 🔎 Residência terapêutica: tem o objetivo de garantir residência para pessoas em situação de vulnerabilidade social ou familiar egressas de internações psiquiátricas de longa duração. A vaga é vitalícia. No DF, há duas residências terapêuticas: uma feminina e uma masculina, com 10 vagas cada no Paranoá, que foram criadas em 2024. Atualmente, estão com capacidade máxima de lotação, com 10 residentes em cada. Há 83 pessoas na fila de espera, segundo a subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer. "Estamos manejando o impacto de muitos anos que não houve investimento na rede, tem pessoas aguardando há mais de 15, 20 anos esperando a residência terapêutica. A hospitalização tira questão do sujeito, usa uniforme, não prepara comida, tira a vontade", afirma a subsecretária. 🔎 Unidade de acolhimento: é uma residência temporária para pessoas acompanhadas no CAPS que demandam acolhimento terapêutico e protetivo. As UA contam com equipe qualificada e funcionam exatamente como uma casa. Oferece cuidados contínuos de saúde, com funcionamento 24h, em um ambiente que funciona como uma casa por até no máximo 6 meses. No DF, há uma com 15 vagas que fica em Samambaia. Atualmente, 8 pacientes utilizam o serviço. A unidade de acolhimento, segundo a subsecretária de Saúde Mental, tem uma rotatividade alta. "Está sempre ocupada e lida com a questão da complexidade de álcool e drogas. Existe rotatividade por conta da complexidade do caso, mas sempre com a lotação máxima. A pessoa mora na UA e faz atendimento no CAPS, para melhorar questão da adicção e restabelecer vínculos trabalhistas, de renda, familiares, com a ajuda da equipe do CAPS para retomar a vida", afirma Fernanda. 📌Para cada 10 leitos em enfermarias especializadas em hospital geral, é preciso uma unidade de acolhimento com 15 vagas para adultos. No DF, por conta dos 59 leitos clínicos existentes (veja abaixo), o ideal seria, no mínimo, 10 unidades de acolhimento. 📌 Segundo o Ministério da Saúde, municípios com mais de 2,5 mil a 5 mil crianças e adolescentes com potencial uso de drogas ilícitas precisam de ao menos uma unidade de acolhimento infanto-juvenil. O DF não tem nenhuma unidade de acolhimento para crianças e adolescentes. Questionado sobre o parâmetro utilizado para quantificar crianças e adolescentes nesse contexto, a Secretaria de Saúde não respondeu ao g1 até a última atualização da reportagem. No entanto, com base na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), de 2021, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um em cada cinco jovens de 13 a 17 anos teve contato com drogas no DF. Ou seja: seriam necessárias, no mínimo, 10 unidades de acolhimento para crianças e jovens somente levando em conta o número de adolescentes. Atendimento hospitalar no DF No DF, os atendimentos de emergência em saúde mental em hospitais também aumentaram, segundo a Secretaria de Saúde: Em 2021, foram 21.276 atendimentos de emergência em saúde mental em hospitais. Em 2024, o número subiu para 48.764, um aumento de 129% em dois anos. De janeiro a abril de 2025, foram 14.074 atendimentos de emergência em saúde mental nos hospitais, uma média de 117 por dia. 🔎 Leito clínico em saúde mental: oferece tratamento hospitalar para casos graves relacionados a problemas de saúde mental ou uso prejudicial de álcool e drogas. É utilizado em crises, abstinências e intoxicações severas e as internações são de curta duração até a estabilização clínica. No DF, os 59 leitos clínicos em saúde mental estão divididos em oito hospitais, veja abaixo: Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB): 10 leitos Hospital Regional de Ceilândia (HRC): 3 leitos Hospital Regional do Guará (HRGu): 5 leitos Hospital Universitário de Brasília (HUB): 14 leitos Hospital Regional do Gama (HRG): 8 leitos Hospital Região Leste (HRL) no Paranoá: 3 leitos Hospital Regional de Sobradinho (HRS): 10 leitos Hospital Regional de Santa Maria (HRSM): 6 leitos 📌 É preciso um leito clínico de saúde mental para cada 23 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Ou seja, no DF, seriam necessários cerca de 130 – mais que o dobro da capacidade atual. Leitos psiquiátricos: sem data para sumir Contrariando uma lei local e uma lei federal, o DF ainda mantém 121 leitos psiquiátricos de longa permanência em funcionamento. Eles estão distribuídos em três hospitais: Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF): 36 leitos Hospital São Vicente de Paulo (HSVP): 83 leitos Hospital da Criança de Brasília José Alencar: 2 leitos Este tipo de leito não deveria existir, segundo: Uma lei distrital publicada há quase 30 anos que determina o fim desse tipo de leito em Brasília Lei federal sancionada em 2001, conhecida como reforma psiquiátrica, que prevê a extinção progressiva dos leitos para internação de longa permanência em manicômios e sanatórios no Brasil Mesmo após estas definições, os 121 leitos psiquiátricos continuam em funcionamento no DF. Nos hospitais gerais, como da Criança e o de Base, o leito é visitado sempre por psiquiatras e não há um clínico geral. Já no Hospital São Vicente de Paulo, o único hospital psiquiátrico do DF e onde a maioria dos leitos está concentrada, a internação é de longa permanência. Há anos, o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos, vem denunciando más condições da estrutura do HSVP e tratamento desumano dado aos pacientes. Em menos de quatro meses, duas pessoas morreram no hospital: Eva de Oliveira: aos 52 anos, foi encontrada morta em um dos banheiros da unidade, com indícios de parada cardíaca, no dia 22 de abril de 2025. Raquel Franca de Andrade: aos 24 anos, morreu em 25 de dezembro de 2024. Entrada do Hospital São Vicente de Paulo, primeira maternidade de Taguatinga, no Distrito Federal Raquel Morais/G1 Precisa de ajuda? O ideal é sempre procurar ajuda de um profissional habilitado. O Ministério da Saúde divulga os seguintes canais: CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da Família, Postos e Centros de Saúde). Veja aqui a UBS mais próxima e veja aqui o CAPS mais próximo. UPA 24h, SAMU 192, Pronto Socorro, Hospitais Centro de Valorização da Vida – telefone 188 (ligação gratuita). O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e voip, 24 horas por dia, todos os dias. A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype, e-mail e mais informações sobre a ligação gratuita. O que diz a Secretaria de Saúde "A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) esclarece que organiza a atenção à saúde mental por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), instituída nacionalmente pela Portaria GM/MS nº 3.088/2011 e consolidada nas Portarias de Consolidação nº 3 e nº 6/2017. A RAPS integra serviços em todos os níveis do SUS — da Atenção Primária às estratégias de reabilitação psicossocial — garantindo acesso oportuno, cuidado contínuo e territorializado. A Atenção em Saúde Mental na rede da SES-DF é organizada em níveis de atendimento, com critérios definidos para direcionamento conforme as necessidades específicas dos usuários. Esse direcionamento não se baseia exclusivamente em diagnósticos, mas também considera sinais e sintomas de agravamento psíquico, aspectos multifatoriais do sujeito, como grau de funcionalidade, avaliação psicossocial abrangente e os recursos disponíveis na rede. Dessa forma, atendimentos biopsicossociais podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (Atenção Primária), enquanto outros podem demandar serviços de maior densidade tecnológica, como as Policlínicas, os CAPS e ambulatórios especializados (Atenção Secundária), ou, em situações específicas, atenção hospitalar (Atenção Terciária). Por conta dessa estrutura da RAPS, não é possível aferir um valor exato do investimento em saúde mental na rede pública, uma vez que a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) está inserida em todos os níveis de atenção do sistema de saúde, desde a atenção primária até a alta complexidade. Dessa forma, os custos relacionados à saúde mental acabam sendo diluídos dentro do orçamento geral de cada nível de atenção. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), por exemplo, o valor não aparece de forma individualizada, mas integrado ao custo global de manutenção e funcionamento da unidade. Além disso, os recursos destinados à construção de novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são contabilizados apenas em relação à parte estrutural da obra, não incluindo despesas de custeio e manutenção do serviço. De maneira geral, estima-se que o investimento médio nos serviços especializados em saúde mental gire em torno de R$ 285 milhões anualmente e serão investidos 28 milhões na construção de 5 novos CAPS. Esclarecemos que porta de entrada preferencial para os atendimentos é a Atenção Primária à Saúde, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), responsáveis pela avaliação inicial, manejo dos casos e encaminhamentos quando necessários. Também é possível procurar diretamente um dos 18 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que ofertam cuidado especializado a pessoas em sofrimento psíquico grave e persistente, atuando tanto na prevenção do suicídio quanto na intervenção em situações de crise. Nesses serviços, as equipes multiprofissionais realizam atendimentos individuais, grupos terapêuticos, acompanhamento psicossocial e ações de inclusão social, em articulação com políticas intersetoriais. Apenas no período de janeiro a junho de 2025, os Caps realizaram mais de 199 mil atendimentos. Para situações de risco agudo — como ideação suicida com planejamento, tentativas em curso ou alteração grave do juízo crítico — o acesso deve ocorrer pelas portas de Urgência e Emergência do SUS ou pelo SAMU 192, que no DF conta com o Núcleo de Saúde Mental (NUSAM), equipe especializada para esses atendimentos. Há ainda pronto-socorro psiquiátrico de referência no Hospital São Vicente de Paulo (24h). O suporte também é oferecido no pronto-socorro do Hospital de Base e suporte em UPAs e hospitais gerais, conforme a gravidade. Um projeto piloto em andamento também viabilizou a inclusão de psiquiatras em algumas UPAs, fortalecendo a resposta às situações de crise. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), serviços de saúde de base territorial, abertos e comunitários, são voltados ao atendimento de pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, bem como aquelas com sofrimento psíquico decorrente do uso prejudicial de álcool e outras drogas. As equipes dos CAPS atuam de forma interdisciplinar, articulando-se com a rede de atenção e os recursos do território. Atualmente, o Distrito Federal conta com 18 CAPS em funcionamento sendo 07 CAPS AD voltados para o atendimento de pessoas com transtornos decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas, com equipe multiprofissional especializada para o tratamento, distribuídos entre diferentes modalidades, conforme o perfil populacional, a faixa etária atendida e a complexidade do cuidado requerido." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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Araguaína realiza nova etapa de seleção do Minha Casa Minha Vida com mais de 400 apartamentos

Publicado em: 19/10/2025 16:43

Previsão de entrega está marcada para o primeiro semestre de 2026 Thiago Santos/Prefeitura de Araguaína Famílias de Araguaína, na região norte do estado, que se cadastraram no programa Minha Casa Minha Vida serão selecionadas na 3ª etapa do processo para conseguirem a casa própria em dois empreendimentos na cidade. A seleção será na quinta-feira (23), às 18h, no Complexo Poliesportivo Pedro Quaresma. De acordo com o município, as famílias concorrem a um dos 416 apartamentos que estão sendo construídos em uma área entre os setores Martins Jorge e São Miguel, que dão os nomes dos residenciais. Além das mais de 400 famílias escolhidas, haverá a seleção de 30% de suplentes, para o caso de desclassificação dos titulares. A previsão de entrega é para o primeiro semestre de 2026. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Os interessados enfrentam um cronograma com cinco etapas que, segundo a prefeitura, vai atuar com rigor para garantir a transparência do processo de seleção. As fases estão sendo executadas de acordo com a Lei Federal nº 14.620, que dispõe sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida. Confira: Cadastro; Análise dos critérios; Hierarquização/seleção; Enquadramento; Verificação documental. O cadastro ou atualização de dados ocorreu entre os meses de março e abril. Em seguida, ocorreu a verificação dos critérios de renda, tempo de moradia, composição familiar e histórico habitacional. Nesta 3ª etapa, segundo a prefeitura, será feita a distribuição das unidades habitacionais. Conforme a lei federal, do total, 208 unidades (50%) serão reservadas para beneficiários em situação de vulnerabilidade atendidos pelo Bolsa Família, BPC ou famílias com pessoa com microcefalia. Outras 26 unidades (6%) serão para idosos e pessoas com deficiência, sendo 3% (13 unidades) para cada grupo. LEIA TAMBÉM: Vídeo mostra momento em que jovem se envolve em confusão e é morto com a própria arma Veja o que está proibido e o que pode levar para a prova do Exato Acidente entre carros deixa um morto e três feridos na TO-342 Na próxima etapa, as listas dos selecionados serão enviadas para a Caixa Econômica Federal, a fim de realizar a conferência e o cruzamento de dados. Na 5ª etapa, será a convocação dos selecionados para entrega de documentos e possíveis visitas domiciliares, para confirmação das informações de cadastro. Após a checagem, os dossiês são enviados à Caixa para a elaboração dos contratos. A Secretaria Municipal da Habitação, Caixa Econômica Federal, OAB, Ministério Público, Defensoria Pública e a Câmara de Vereadores vão acompanhar o processo. A lista com todos os inscritos aptos a participar da seleção estará disponível na edição n° 3379 do Diário Oficial do Município, que deve ser publicada nesta semana. Entre os critério analisados dentro do processo para conseguir as unidades habitacionais, estão: Residir em Araguaína há, no mínimo, cinco anos; Ser maior de 18 anos ou emancipado; Ser maior de 60 anos para entrar no grupo de idosos; Ter renda bruta familiar máxima de R$ 2.850,00 e estar inscrito no CadÚnico; Não ter unidade habitacional popular em algum programa público; Não ter financiamento habitacional ativo ou inativo; Estar no Cadastro Habitacional do Município atendendo aos critérios do cadastro; Não estar inscrito no Cadin – Cadastro Informativo de Créditos não quitados com o Governo Federal. VEJA TAMBÉM: Entenda as próximas etapas do 'Programa Minha Casa, Minha Vida' em Araguaína Entenda as próximas etapas do 'Programa Minha Casa, Minha Vida' em Araguaína Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

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Recicle, doe e aprenda: Drive Thru da Reciclagem acontece em Campo Grande; veja o que levar

Publicado em: 19/10/2025 15:50

Evento acontece nos dias 23, 24 e 25 de outubro em Campo Grande PMCG O Drive Thru da Reciclagem, promovido pelo Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) em parceria com a DU Bem, acontece em Campo Grande nos dias 23, 24 e 25 de outubro, das 9h às 18h. O evento será no estacionamento do BioParque Pantanal, nos Altos da Avenida Afonso Pena. Esta é a 16ª edição, que comemora cinco anos de ações de sustentabilidade, solidariedade e educação ambiental na cidade. Nos três dias de evento, a população poderá entregar materiais recicláveis sem sair do carro, de forma prática e segura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp ♻️ Serão aceitos: papel, papelão, plástico, vidro, metais, ferro e aço, óleo de cozinha usado, pilhas, baterias, pequenos eletrodomésticos, medicamentos vencidos e banners ou lonas usadas. Esses itens serão reaproveitados em atividades de artesanato sustentável. O evento também terá um lado solidário. Serão arrecadados livros, roupas, calçados, brinquedos e alimentos não perecíveis, que serão doados as famílias em situação de vulnerabilidade social. O Drive Thru também terá programação educativa e de bem-estar, com: Cursos gratuitos de Artesanato Sustentável, como confecção de moranga e travesseiro de agulha; Curso de Alimentação Saudável e Reaproveitamento de Alimentos; Oficina de Compostagem, para reaproveitar resíduos orgânicos; Aula de Yoga, promovendo bem-estar; Atividades de educação ambiental e conscientização sobre sustentabilidade. O Drive Thru da Reciclagem une solidariedade, sustentabilidade e cidadania. A iniciativa incentiva a comunidade a adotar práticas conscientes e contribuir para uma cidade mais limpa, sustentável e inclusiva. Datas: 23, 24 e 25 de outubro Horário: 9h às 18h Local: Estacionamento do BioParque Pantanal, Altos da Avenida Afonso Pena Em suas edições anteriores, o evento já registrou resultados expressivos: • Mais de 141 milhões de litros de água preservados; • 34 mil mudas doadas; • 127 mil toneladas de resíduos coletados; • 2.800 estudantes participaram das atividades educativas; • 1.800 pessoas fizeram oficinas; • 46 mil visitantes foram sensibilizados sobre sustentabilidade. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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Restaurante-escola Estação Bistrô passa por modernização e é reaberto ao público em Santos, SP

Publicado em: 19/10/2025 15:34

Modernizado, restaurante-escola de Santos reabre ao público Henrique Teixeira/Prefeitura de Santos O restaurante-escola Estação Bistrô teve a cozinha totalmente modernizada e vai reabrir ao público, na próxima terça-feira (12), em Santos, no litoral de São Paulo. O local é utilizado para formar jovens em vulnerabilidade social para o mercado de trabalho nas áreas de gastronomia e serviços, além de ser uma das opções gastronômicas mais procuradas do Centro Histórico de Santos. De acordo com a Prefeitura de Santos, a modernização completa da infraestrutura da cozinha do restaurante foi possível graças ao investimento de R$ 700 mil do PetroChef – Projeto de Capacitação Profissional em Alimentos e Bebidas desenvolvido com recursos da Petrobras. O evento de reinauguração do restaurante ocorreu, na sexta-feira (17), e contou com a participação do prefeito Rogério Santos, do secretário de Turismo, Comércio e Empreendedorismo, Thiago Papa, além de funcionários da Unisantos, parceira do projeto, e outras autoridades. Chef Junior e a equipe do restaurante-escola em Santos, SP Henrique Teixeira/Prefeitura de Santos “O Estação Bistrô representa o que Santos tem de melhor, união entre poder público, universidade e iniciativa privada em prol da inclusão. Aqui, o jovem aprende uma profissão, ganha confiança e tem a chance de transformar a própria história”, disse o prefeito, segundo nota divulgada pela prefeitura. Já o reitor da Unisantos, Marcos Medina Leite, reforçou o compromisso com a formação humana e social. “A Unisantos acredita que educação é transformação. Projetos como o Estação Bistrô demonstram que é possível unir conhecimento acadêmico, responsabilidade social e oportunidades reais de emprego para nossos jovens”. Modernizado, restaurante-escola de Santos reabre ao público Henrique Teixeira/Prefeitura de Santos Restaurante-Escola Estação Bistrô Desde sua criação em 2012, o Restaurante-Escola Estação Bistrô é referência em gastronomia, hospitalidade e formação cidadã. Com a nova estrutura, retoma suas atividades com uma cozinha com equipamentos modernizados, preparados para atender tanto o público quanto os alunos em formação. O projeto já formou mais de 500 alunos e foi um dos 34 selecionados em todo o País, entre 357 propostas inscritas, no edital do Programa Petrobras Socioambiental. A turma atual começou em setembro de 2025 e segue até 2 de dezembro de 2027. Com a nova parceria com a PetroChef, serão contempladas mais de 60 turmas nos seguintes cursos: Qualificação em serviços de alimentos e bebidas; Formação de ajudante de cozinha; Formação de cozinheiro profissional; Formação de cozinheiro para coletividade; Capacitação em higiene e manipulação de alimentos para ambulantes e Aceleradora de Empreendedorismo em alimentos e bebidas. Os alunos, além da gratuidade dos cursos, recebem bolsa-auxílio durante a formação. As aulas são realizadas no Centro de Tecnologia e Inovação em Gastronomia e Nutrição da Unisantos (Vila Mathias); no Estação Bistrô e na Capela Nossa Senhora Aparecida (Saboó). Meca santista Um dos pratos oferecidos pelo restaurante-escola de Santos é a meca santista, considerado o prato oficial da cidade de Santos. Veja a receita: Culinária #013: Meca santista é o prato oficial da cidade de Santos, veja a receita

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As 'crianças-souvenir' que crescem separadas dos pais migrantes e condenadas a futuro de miséria e exclusão

Publicado em: 19/10/2025 14:16

As irmãs Esti, Aminah e Fatma foram criadas por parentes na Indonésia enquanto sua mãe trabalhava na Arábia Saudita. BBC/Hanna Samosir Aviso: o artigo contém informações que podem ser consideradas perturbadoras. Elas são conhecidas na Indonésia como "crianças-souvenir". Essa alusão pejorativa a lembrancinhas de viagem é aplicada a milhares de filhas e filhos de trabalhadores migrantes que tiveram relacionamentos em outros países. Muitas dessas crianças acabam indo morar na Indonésia, mas crescem sem os pais, enquanto enfrentam estigma social, exclusão e violência. Historicamente, essas crianças têm dificuldade para obter documentos de identidade, o que limita o acesso a escolas e serviços de saúde e contribui para pobreza, gravidez precoce, casamento infantil e abuso. Grande parte dessas "crianças-souvenir" vive na província de Nusa Tenggara Ocidental, uma das principais fontes de trabalhadores migrantes da Indonésia. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Crescendo em isolamento Siti Aminah, 23, é uma dessas "crianças-souvenir". Na década de 1990, sua mãe deixou Lombok, uma das ilhas da província de Nusa Tenggara Ocidental, a leste de Bali e a oeste de Sumbawa, em busca de trabalho na Arábia Saudita. Lá, ela teve um casamento sem registro oficial (prática conhecida localmente como nikah siri) com um homem paquistanês e depois com um homem saudita, e voltou brevemente à Indonésia para dar à luz. Siti Aminah afirma ter sofrido exclusão escolar. BBC/Hanna Samosir Na Indonésia, as "crianças-souvenir" geralmente nascem desses casamentos, que são celebrados segundo a lei islâmica, mas que não constam no registro civil. A mãe de Aminah deixou os seis filhos com diferentes familiares em Lombok Oriental. Criada sem os pais, Aminah enfrentou discriminação. Ela lembra que os vizinhos diziam: "Você é árabe. Os pais das suas irmãs são todos diferentes". Quase 14 mil crianças nasceram de meninas de até 14 anos no Brasil em 2023 Fatma, irmã mais velha de Aminah, relata tratamento ainda mais severo. "Se minha mãe não nos mandasse dinheiro, elas gritavam conosco e às vezes nos batiam", afirma. Endang Susilowati, coordenadora de Atenção a Migrantes na província, explica: "Muitos trabalhadores migrantes indonésios se casam e se divorciam porque precisam de companhia ao enfrentar uma vida difícil no exterior". A pequena Fatma cresceu na casa de um parente em Lombok Oriental. Arquivo pessoal via BBC A BBC entrou em contato com a mãe de Fatma e Aminah, mas ela não quis comentar. As irmãs são apenas algumas das muitas crianças de trabalhadores migrantes que enfrentam dificuldades por serem "crianças-souvenir". ONGs locais em Lombok, como o Instituto Rudat, oferecem assistência legal a esses filhos e buscam garantir documentos de identidade que permitam acesso à educação e a serviços de saúde. O risco do casamento infantil O instituto Rudat alerta que o estigma aumenta a vulnerabilidade das "crianças-souvenir" em relação ao casamento precoce. A Indonésia ocupa o quarto lugar mundial em casamento infantil, e a província de Nusa Tenggara Ocidental registra a maior taxa do país. Incapaz de suportar o tratamento que recebem de familiares, Fatma abandonou o ensino médio para cuidar dos irmãos mais novos e se casou aos 15 anos. "É melhor casar. Assim alguém pode cuidar de você", diz. Fatma se casou pela primeira vez quando tinha 15 anos. BBC/Hanna Samosir Segundo especialistas, o casamento precoce geralmente termina em separação. Foi o que ocorreu com Fatma, que aos 25 anos já tinha três casamentos não registrados e dois filhos. A lei indonésia estabelece 19 anos como idade mínima para casar. O casamento infantil é considerado forma de violência sexual segundo a Lei nº 12 de 2022 sobre Crimes de Violência Sexual (Undang-Undang Tindak Pidana Kekerasan Seksual — UU TPKS). Quem realiza ou permite casamentos infantis pode ser condenado a até nove anos de prisão ou a multa de até 200 milhões de rúpias (cerca de R$ 12.340). Na prática, porém, a aplicação da lei é ineficiente. Embora a legislação permita que os pais solicitem permissão especial para casar menores de idade, muitos casamentos infantis acontecem sem autorização e não são registrados oficialmente. Gravidez precoce Os casamentos infantis expõem adolescentes a gestações de alto risco. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), braço da Organização das Nações Unidas (ONU) voltado à saúde reprodutiva e à igualdade de gênero, alerta que mães adolescentes têm maior probabilidade de sofrer complicações, como hipertensão, endometriose pós-parto e infecções. Seus filhos também correm risco de nascer prematuros, com baixo peso ou morrer na infância. Aminah deu à luz aos 16 anos um bebê prematuro que morreu dois meses depois. Pouco depois, relata Aminah, seu lar se desfez porque o marido "se tornou cada vez mais agressivo". Sem diploma, Aminah teve opções limitadas. De acordo com ONGs locais, o estigma dificulta que "crianças-souvenir" encontrem emprego. Aminah trabalhou como empregada doméstica em Jacarta por seis meses. Aos 19 anos, migrou para a Arábia Saudita para trabalhar por canais ilegais, já que a Indonésia impôs uma moratória ao envio de trabalhadores migrantes para o país em 2015. Lá, enfrentou condições de trabalho "desumanas" que a levaram a pensar em suicídio. "Nos batiam até ficarmos roxas, nos torturavam fisicamente", diz Aminah. Ela relata que, ao retornar à Indonésia, descobriu que o dinheiro que tinha enviado havia sido roubado. "Voltei para casa sem nada", afirma. O Instituto Rudat diz ter registrado casos semelhantes. "As famílias que recebem os depósitos geralmente enfrentam dificuldades, porque aqui é difícil encontrar emprego. Quando há dinheiro guardado, acabam levando", explica Zurhan Afriadi, do Rudat. Esti, 18 anos, tem um filho e dois casamentos não registrados. BBC/Hanna Samosir 'Círculo vicioso' Apesar das dificuldades, houve progressos. Desde o ano passado, graças a fundos de ONGs, o governo forneceu documentos de identidade a quase todas as "crianças-souvenir" que vivem em Lombok Oriental, permitindo-lhes acesso à escola e a cuidados médicos. Mesmo assim, o assédio e a exclusão persistem. "O estigma continua; é preciso eliminá-lo aos poucos", diz Turmawazi, funcionária de uma ONG. Esti, irmã mais nova, abandonou a escola e se casou aos 14 anos. Teve um filho, mas depois se separou do marido. Para sustentar a si e ao filho, trabalhou em um ferro-velho, ganhando o mínimo para eles dois. O Instituto Rudat alerta que esse ciclo se repete: muitas "crianças-souvenir" tornam-se trabalhadores migrantes e enfrentam novamente as mesmas dificuldades. Aminah, Fatma e Esti querem quebrar esse ciclo. Aminah depende da renda do marido imigrante para criar o filho. Esti decidiu não migrar e criar o filho sozinha. Fatma, casada novamente com um parceiro que a apoia, defende mudanças sistêmicas. "É uma pena para crianças como eu, que continuaremos nesse círculo vicioso", afirma Fatma.

Palavras-chave: vulnerabilidade

O que leva alguém a confessar um crime que não cometeu? Entenda como o método de investigação pode ser a resposta

Publicado em: 19/10/2025 02:01

Vídeo mostra interrogatórios de Mairlon, Paulo e Leonardo O que leva uma pessoa a confessar um crime que não cometeu? Essa pergunta esteve no centro da defesa de Francisco Mairlon Barros Aguiar, inocentado nesta semana após passar quase 15 anos preso pelo triplo homicídio da 113 Sul. Em 2010, a condenação do então jovem de 22 anos teve como principal base a confissão feita na delegacia, durante interrogatórios conduzidos sob pressão (veja vídeo acima). Nas entrevistas de Francisco Mairlon, há: mudanças constantes de interrogadores; menções sobre possíveis consequências da prisão; afirmações sobre a família dos acusados; discussões sobre as penas que poderiam receber. “Incluindo a afirmação de que a pena por homicídio seria maior do que a de ‘matar e roubar’. Expressões como ‘você sabe sim por que está aqui’ reforçam o tom de autoridade e o contexto de pressão”, completa a advogada Lívia Moscatelli, mestre em direito penal pela Universidade de Coimbra. Francisco Mairlon durante coletiva de imprensa Reprodução/TV Globo Abordagens coercitivas podem levar o interrogado a ceder e admitir um crime que não cometeu, gerando falsas confissões, segundo Dora Cavalcanti, advogada de Mairlon e fundadora do Innocence Project Brasil. “Muitas pessoas podem ser quebradas sob pressão policial: abatidas, exaustas, desorientadas, privadas do sono, de boa alimentação. Depois de seis horas, a chance de alguém assumir a responsabilidade de um crime que não cometeu, sob a falsa promessa de que vai ser liberado para casa, aumenta exponencialmente”, afirma Dora. O g1 ouviu especialistas para entender como a condução de interrogatórios pode influenciar o curso de investigações policiais e resultar na produção de falsas confissões. Entenda abaixo. Homem preso por 15 anos sai da cadeia depois de STJ anular condenação Interrogatório acusatório Quando um crime é cometido e denunciado, a Polícia Civil dá início a uma investigação. No processo, são coletados depoimentos, provas e informações para identificar o autor. Há diversas formas de coletar cada tipo de prova – e diferentes métodos, por exemplo, para ouvir uma testemunha ou um acusado. Um modelo que ficou bastante famoso, eternizado em séries e filmes hollywoodianos, é o interrogatório acusatório, baseado no Método Reid. Ele surgiu nos Estados Unidos, por volta de 1940. A técnica utiliza manipulação de fatos, persuasão e coerção – e substituiu a tortura física por pressão psicológica, segundo as advogadas Luiza Ferreira e Lívia Moscatelli. Esta abordagem pode levar a erros graves, como falsas confissões, especialmente entre jovens, pessoas com transtornos mentais ou sob efeito de substâncias. "A principal crítica é que o método não busca reconstruir o que realmente aconteceu, mas sim obter uma confissão a qualquer custo, o que compromete a qualidade da investigação e viola direitos fundamentais”, aponta Lívia Moscatelli. E como funciona o método? Entenda abaixo: Entenda como funciona um interrogatório acusatório. Arte/g1 Confronto direto e impositivo: perguntas afirmativas, sugestivas, diretas e rápidas, além de blefes para observar reação do interrogado Sem defesa: o advogado não pode acompanhar a sessão Minimização das consequências da confissão: o interrogador oferece a possibilidade de redução de pena, ou de ser liberado para ver a família Apresentação de alternativas: o agente oferece duas versões do crime (uma mais leve e outra mais grave), e o suspeito tende a escolher a menos condenável Negações interrompidas: o investigador impede negativas e tenta fazer suspeito refletir Retenção da atenção: o interrogador busca manter a atenção ininterrupta do suspeito, se aproxima fisicamente e faz perguntas retóricas Suspeito "de castigo": pessoa é mantida na sala sozinha, privada de sono, alimentação e hidratação e manutenção da entrevista por longos períodos Confissão escrita: uma vez obtida, a confissão é registrada por escrito o quanto antes para evitar retratação No julgamento do caso de Francisco Mairlon no STJ, na última semana, os próprios ministros criticaram a prática de interrogatórios "incisivos" no país. “É um método que permite e incentiva o policial a usar de todo tipo de subterfúgio, estratagemas, incentivos, chantagens e ameaças para obter confissões. [...] E o resultado é um incremento enorme do risco de condenações injustas”, apontou o ministro Rogério Schietti durante o julgamento de Francisco Mairlon. As consequências psicológicas para quem passa por um interrogatório deste tipo, segundo a psicóloga forense Elisa Krüger, podem incluir quadros depressivos e ansiosos. "Depende da estrutura psíquica da pessoa, do motivo pelo qual foi feita a falsa confissão, da natureza do crime, da reação social e da penalidade", aponta a psicóloga. "[A confissão] Envolve percepção de alternativa (continuar negando ou confessar), avaliação de custos/benefícios, influência de estresse, fadiga, sugestões do interrogador, estados afetivos (medo, vergonha, culpa) e capacidades individuais (idade, nível intelectual, saúde mental). Não é apenas 'verdade ou mentira': é produto de interação situacional entre vulnerabilidades do interrogado e táticas do investigador", afirma a psicóloga Elisa Krüger. STJ manda soltar Francisco Mairlon condenado pelo "Crime da 113 Sul" em Brasília Ao g1, o Ministério da Justiça afirmou que não adota e nem recomenda qualquer método específico de interrogatório, inclusive o Método Reid. Segundo a pasta, a formação para policiais na área de entrevistas investigativas é definida por cada estado. No DF, a Polícia Civil destaca que há um curso de "Entrevista e Interrogatório" que tem como bases psicologia, comunicação, neurociência, criminologia, direito processual penal e direitos humanos. Em relação à entrevista acusatória, a polícia afirmou que as técnicas ensinadas na corporação buscam a eliminação de qualquer forma de coerção. Confissão como a “rainha das provas” no Brasil Casos como o de Francisco Mairlon Barros Aguiar, em que pessoas são condenadas por falsas confissões, não são uma exceção no sistema criminal brasileiro. 📌 Em 80% das investigações policiais em Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte, a confissão foi o mecanismo que direcionou a descoberta da autoria dos fatos. O dado é da pesquisa “O inquérito policial no Brasil: uma pesquisa empírica”, de 2010, de Michel Misse, referência no campo da sociologia criminal. Ou seja, no Brasil, a confissão continua sendo tratada como uma prova de peso desproporcional e é considerada a “rainha das provas”, tanto na fase investigativa como na judicial. O termo é usado pela advogada Luiza Ferreira, do Innocence Project. “A rainha das provas, a confissão, estimula a autoridade policial a adotar um caminho mais fácil que é a conclusão da investigação ao apontar o autor de um crime. [...] Como pode privilegiar um depoimento testemunhal a uma prova técnica? [...] A prova técnica é imbatível”, diz a advogada. O sistema criminal brasileiro tem tratado os depoimentos orais como suficientes para realizar condenações, aponta o ministro do STJ Rogério Schietti. Ele afirma que a justiça criminal brasileira vem usando de meios viciados de obtenção de provas, posicionando a confissão como a mais importante. "Há uma verdadeira obsessão pelas confissões. E em nome da confissão, muitas vezes, se usam de expedientes que fogem de qualquer conceito de civilidade de um devido processo legal", aponta o ministro. Ao usar apenas a confissão feita em investigação policial como base para a condenação, são violados: Artigo 155 do Código do Processo Penal: o juiz não pode basear sua decisão apenas nos elementos colhidos durante a investigação policial, como depoimentos. Artigo 197 do Código do Processo Penal: a confissão não é prova absoluta, ou seja, ela não pode ser usada isoladamente para condenar o réu. O juiz precisa verificar se ela faz sentido e se há compatibilidade com outras provas do processo. Artigo 5º da Constituição Federal: um dos pontos do texto é o direito ao contraditório e à ampla defesa. Ou seja, em qualquer processo judicial ou administrativo, os envolvidos têm o direito de conhecer as acusações contra si, apresentar sua versão dos fatos, produzir provas e utilizar todos os meios legais para se defender. Já para o Ministério Público do DF, que avalia recorrer da decisão do STJ sobre o caso de Francisco Mairlon, os depoimentos são válidos e respeitaram a legislação brasileira. Segundo o MP, a confissão de Francisco Mairlon foi integralmente registrada em áudio e vídeo, com acompanhamento de profissional regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), garantindo o pleno exercício do direito à ampla defesa. "Não foi constatada qualquer violação à integridade física ou psicológica do investigado pelos agentes públicos responsáveis pela condução do procedimento", diz o órgão. Questionados sobre dados de reversão de condenações baseadas em falsas confissões, tanto o Ministério da Justiça como o Conselho Nacional de Justiça e a Defensoria Pública do DF afirmaram não ter dados sobre o assunto. Nos Estados Unidos, o National Registry of Exonerations (Registro Nacional de Exonerações) é o responsável por esse levantamento. Segundo banco de dados, em 2024, foram 147 reversões de condenações nos EUA, com uma média de 13 anos de detenção. Destas, 22 envolveram confissões falsas. Como evitar erros policiais e jurídicos? Tipos de interrogatório. Arte/g1 Os especialistas entrevistados apontam alternativas para evitar interrogatórios acusatórios, falsas confissões e condenações apenas com base em depoimentos. O primeiro passo é a regulamentação de um método de interrogatório, ou seja, de como tomar depoimentos éticos e eficazes. O foco é obter dados confiáveis de forma ética e não repressiva. Ao g1, especialistas explicaram que há três diretrizes internacionais de entrevista focadas em substituir métodos coercitivos por técnicas que respeitam os direitos humanos e a ética: Peace: criado no Reino Unido, define seis etapas de estruturas para entrevistas investigativas, inclui planejamento cuidadoso, construção de confiança, relato livre, esclarecimento de informações, encerramento respeitoso e avaliação crítica. Princípios Méndez: publicados em 2021 pela Organização das Nações Unidas, abrangem fundamentos teóricos, práticas não violentas, proteção de grupos vulneráveis, treinamento especializado, responsabilização institucional e implementação estatal. Rapport: método consiste em estabelecer uma relação de confiança e respeito com o suspeito para facilitar a obtenção de informações. É um relacionamento positivo, de atenção mútua e livre de julgamento entre o entrevistado e o entrevistador. Veja abaixo como deve ser um interrogatório segundo diretrizes internacionais da ONU: Entenda como são feitos interrogatórios eficazes para coleta de informações. Arte/g1 A advogada Luiza Ferreira defende que é preciso entender a realidade brasileira e desenvolver, junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um método para o país. Para que casos como o de Francisco Mairlon não se repitam, a advogada aponta um princípio jurídico fundamental que deve ser respeitado desde o início da investigação policial até o fim do julgamento: a presunção de inocência. “Por mais grave que seja o crime, e mesmo que a pessoa seja culpada, é preciso tratá-la como inocente. A gente trata todo mundo como se fosse culpado e é preciso inverter esse método”, afirma Luiza. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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De vandalismo à excelência: escola estadual de Cubatão ganha reconhecimento mundial

Publicado em: 18/10/2025 21:28

Escola de Cubatão supera adversidades e vai a Cúpula Mundial Representantes de uma escola pública de Cubatão, em São Paulo, vão participar de uma cúpula mundial em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. É o resultado de um prêmio que mudou radicalmente a vida e alunos e professores. A escuridão de anos atrás rendeu um apelido para a escola estadual Parque dos Sonhos. "O nome era Parque dos Pesadelos, meus pais não queriam me deixar aqui, mas o Régis foi e falou que aqui seria a melhor escola e ele realmente conseguiu cumprir isso", revela a estudante Evelyn Gomes. Régis Marques é o diretor da escola que fica numa região de vulnerabilidade social de Cubatão (SP), no litoral paulista. "Tinham entrado na escola e roubado os ventiladores. Outro dia a gente chegou, isso antes de eu ser diretor, entraram na escola e roubaram todos os computadores que tinha na escola. Uma vez eu lembro que a gente olhou na câmera e tinham roubado é a porta da caixa d’água. Os professores tinham autoestima baixa, mas quando cheguei eu disse: essa vai ser a melhor escola do estado em 5 anos", diz Régis Marques. "Conseguimos! Ser a melhor escola do mundo em 9 anos", aponta. A confirmação veio numa cerimônia transmitida ao vivo. Quadra lotada para acompanhar a transmissão dos prêmios de melhores escolas do mundo da T4 Education — responsável por identificar práticas inspiradoras com impacto nas comunidades. A organização internacional avaliou 10 mil escolas inscritas de vários cantos do mundo. E quando anunciou a categoria 'Superação das Adversidades': Brazil! A premiação veio a partir de iniciativas de acolhimento que resgataram a autoestima dos alunos, professores e dos moradores do entorno da escola. Os episódios de violência foram sendo superados com foco em 21 projetos extracurriculares mantidos na escola, um deles é a patinação artística. Foi no Parque dos Sonhos que Rafael, de 12 anos, começou a deslizar sobre rodinhas. De 2023 pra cá, ele ganhou 37 medalhas, entre elas, a do título mundial. "Antes de eu entrar, eu tirava notas que eu não gostava. Só que ai ,quando eu comecei a entrar na patinação, eu pervebi que se eu não me esforçasse nos estudos, eu não conseguiria avançar na patinação. Aí, nisso, eu comecei a estudar, estudar e eu comecei a evoluir também na patinação", comenta Rafael. Por vontade própria, depois das aulas, os alunos continuam na escola praticando esportes. E discutindo temas que vão estampar o jornal feito por eles. "No primeiro ano eu vinha para a escola com muito medo e aqui eu me sinto muito mais feliz, porque aqui eu tenho os meus amigos, aqui eu tenho os meus professores, aqui eu tenho um diretor que é incrível", comenta a estudante Raphaella Vitória da Silva. Após o prêmio, a escola de Cubatão recebeu o convite e vai representar o Brasil, em novembro, na Cúpula Mundial de Escolas, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. "Aqui a gente faz com que o aluno realmente acredite no seu potencial, no seu projeto de vida. Independente de onde ele vem, a gente vai mostrar que o sonho é possível ser realizado. É só mostrar hoje né, uma escola aqui fundo do bairro, na periferia, numa área de vulnerabilidade, ser a melhor escola do mundo", diz o diretor Régis.

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Quase cinco toneladas de alimentos são doadas para pastorais da Arquidiocese de Manaus

Publicado em: 18/10/2025 12:51

Quase cinco toneladas de alimentos foram arrecadadas durante a gincana solidária do Programa Qualidade Amazonas (PQA 2025). Os alimentos foram entregues na Cúria da Arquidiocese nesta sexta-feira (17), bairro Centro, na Zona Sul de Manaus. De acordo com a coordenadora do Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria (Dampi) Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Erlen Montefusco, os alimentos serão distribuídos entre as pastorais Carceária, dos Povos de Rua e da Saúde. Além disto, as duas organizações que doaram o maior quantitativo de alimentos deverão receber um troféu. “É muito gratificante a gente conseguir sensibilizar outras organizações para essa questão social. Através do PQA, essas empresas veem uma forma de fazer a ação solidária e entregar, porque, às vezes, a nossa dificuldade é saber para quem doar. Este ano, tivemos um aumento tanto de participantes na Feira da Qualidade como de doações, chegando a quase cinco toneladas arrecadadas. Conforme as feiras vão acontecendo, a gincana vai tomar mais força”, destacou. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Os alimentos foram doados por empresas e secretarias de estado participantes da Feira da Qualidade como a Tutiplast, AJM Condomínios, Polícia Militar, Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), Polícia Militar, Knauf, Inventus, 2º Grupamento do Exército, Tellescom, Cigás, Musashi da Amazônia e Cigs. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A secretária da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, Daniele Silva, agradeceu ao PQA. “Esses alimentos serão destinados para as famílias que são acompanhadas por essas pastorais. Só temos a agradecer por essas doações, pois elas vão fazer toda a diferença. Agradecemos de coração, grandemente à Fieam e aos demais envolvidos nas doações", disse. Doação combate insegurança alimentar A doação de alimentos de forma social é fundamental para combater a fome e a insegurança alimentar, garantindo que famílias em situação de vulnerabilidade tenham acesso a refeições dignas. Além de promover a solidariedade e o senso de responsabilidade coletiva, essa prática ajuda a reduzir o desperdício de alimentos e fortalece as redes comunitárias, aproximando pessoas e instituições em torno de um propósito comum. Também contribui para a conscientização social, estimulando atitudes mais humanas e sustentáveis no enfrentamento das desigualdades. Segundo o Tenente Polari, da PM, os alimentos foram arrecadados nas escolas de formação de soldados e de oficiais. “Como são os batalhões que têm uma quantidade maior de policiais dentro da unidade, é muito mais fácil o acionamento deles para que a gente pudesse mobilizar e fazer esse recolhimento. A participação da Polícia Militar nesse evento já é um grande passo para a gente. Poder contribuir, fazer uma contribuição social só engrandece tanto o evento quanto o nosso sentimento com relação ao evento”, disse ao ressaltar que os soldados e oficiais conseguiram arrecadar mais de uma tonelada de alimentos. A 2ª Tenente Katiany Lima, representante do 2º Grupamento de Engenharia do Exército, explicou que a doação serve de impulso para que as pessoas possam buscar melhorias de vida de forma digna. “Essa distribuição de cestas básicas mostra um pouco da caridade que o ser humano deve ter com os menos favorecidos a fim de ajudá-las a reintegrá-las à sociedade, a ter o mínimo de dignidade, uma alimentação diária e isso faz com que dê um ar a mais para essas pessoas continuarem lutando, vivendo, buscando alguma melhoria de vida”, avalia. Feira da Qualidade 2025 A Feira da Qualidade 2025 encerrou após quatro dias de inovação, gestão e responsabilidade social, consolidando Manaus como referência nacional em excelência corporativa. Com aumento de 30% na participação, o evento destacou projetos inovadores, avanços tecnológicos e iniciativas sociais inclusivas. Este ano, mais de 80 instituições disputam o Prêmio Qualidade Amazonas que ocorrerá dia 28 de novembro. Promovido pelo Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria (Dampi) da Fieam, o PQA 2025 recebe apoio do Sesi, Senai, Sebrae e do Governo do Amazonas, por meio da Sedecti. A iniciativa privada também participa, representada pelas empresas Pam Plásticos, Q3 Qualidade, Click IP e TS Suprimentos. PQA entrega quase cinco toneladas de alimentos arrecadadas em gincana solidária para pastorais da Arquidiocese de Manaus Divulgação

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Crustáceo descoberto em cavernas do RN guarda traços de um passado marinho

Publicado em: 18/10/2025 10:59

Brasilana spelaea é a primeira espécie troglóbia descoberta no RN Diego M Bento / ICMBio-Cecav Um pequeno crustáceo branco e cego, com antenas alongadas e corpo achatado, acaba de se tornar o mais novo representante da fauna subterrânea brasileira. Trata-se da Brasilana spelaea, a primeira espécie troglóbia descrita no Rio Grande do Norte, encontrada em cavernas inundadas da região oeste do estado. O estudo, publicado recentemente na revista científica Subterranean Biology, aponta que o animal pode já estar ameaçado de extinção devido às pressões humanas sobre os aquíferos e cavernas onde vive. Mas por que troglóbia? Uma espécie troglóbia é um ser vivo adaptado exclusivamente à vida em ambientes subterrâneos, como cavernas, aquíferos ou fendas rochosas, e que não consegue sobreviver fora deles. O termo vem do grego: troglo (caverna) + bios (vida), ou seja, “vida da caverna”. Parque da Furna Feia é um dos locais de ocorrência do crustáceo Carmém Felix/governo do RN Segundo o pesquisador Diego Bento, analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que assina a descrição da espécie, a descoberta amplia o conhecimento sobre a biodiversidade subterrânea brasileira e revela um cenário de vulnerabilidade ambiental. O crustáceo vive em cavernas de águas subterrâneas estáveis, ambientes sensíveis a variações climáticas e à exploração de recursos naturais. “Como todos os isópodes, existem machos e fêmeas e a reprodução é sexuada. A fêmea guarda e incuba os ovos”, explica Luiz Ricardo. Sendo relativamente grande para um invertebrado troglóbio, o corpo da nova espécie mede cerca de 1,2 a 1,5 cm de comprimento, podendo chegar a quase 2 cm nos maiores exemplares. “Sabemos que é uma espécie troglóbia, que passa o tempo todo em cavernas e outros habitats subterrâneos. Ou seja, os indivíduos nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem e morrem nesses ambientes, e não conseguem sobreviver na superfície”, acrescenta. Um relicto oceânico Além de sua raridade, a Brasilana spelaea chama atenção por sua origem evolutiva. Ela pertence à família Cirolanidae, composta majoritariamente por espécies marinhas. “A espécie é muito importante para o entendimento da evolução dos troglóbios, principalmente porque é um relicto oceânico”, diz o pesquisador. “Seus ancestrais viviam no mar e, após uma transgressão oceânica, colonizaram espaços subterrâneos. Quando o mar recuou, ficaram presos nesses ambientes e continuaram a viver ali, adaptando-se às condições subterrâneas” Esses registros ajudam a reconstruir a história geológica da região. O Rio Grande do Norte é o único lugar do Brasil onde são conhecidos relictos oceânicos - espécies que mantêm vestígios dessa transição do mar para o subsolo. Adaptações à escuridão O pequeno crustáceo apresenta um conjunto de características típicas de animais que vivem em ambientes sem luz: ausência de pigmentação e de olhos, antenas longas e órgãos sensoriais aguçados. “Resumindo, provavelmente vai ser um bicho branco (ou transparente), cego e antenudo. E é exatamente assim com Brasilana spelaea”, diz o pesquisador Espécie já pode estar correndo risco de extinção, segundo os autores do artigo Rodrigo Lopes Ferreira /UFLA Além das modificações físicas, os troglóbios também possuem um metabolismo lento, o que lhes permite sobreviver com poucos recursos alimentares. “Eles conseguem se alimentar de uma variedade maior de coisas e sobreviver com menos recursos, pois o metabolismo é mais lento. Isso quer dizer também que vivem por muito mais tempo”, explica. Função ecológica e ameaças Nas cavernas onde ocorre, o crustáceo tem papel importante como espécie detritívora generalista, ajudando a decompor matéria orgânica por se aliemntar de fezes de morcegos, biofilmes bacterianos e restos vegetais e animais. Também serve de alimento para alguns peixes. Mas sua sobrevivência já está em risco. Segundo Diego, as cavernas que abrigam suas populações vêm sendo impactadas por mineração artesanal, desmatamento, turismo desordenado e superexploração da água subterrânea. Fatores que reduzem o lençol freático e, consequentemente, deterioram seu habitat. Os planos de manejo são instrumentos que orientam o uso sustentável de áreas protegidas, como unidades de conservação. Na região onde Brasilana spelaea ocorre, há apenas uma: o Parque Nacional da Furna Feia, que já possui plano de manejo. No entanto, a maioria das cavernas conhecidas fica fora de unidades de conservação e acabam ficando vulneráveis à degradação. Algumas cavernas com uso turístico organizado também contam com um documento específico - o Plano de Manejo Espeleológico -, que considera a presença de espécies sensíveis. Nessas áreas, portanto, a espécie está protegida. “Com a descrição da espécie e a sua divulgação, ela poderá ter o seu risco de extinção oficialmente avaliado. Se confirmado que está ameaçada, pode ser inserida na lista nacional da fauna ameaçada de extinção e em iniciativas de conservação como os Planos de Ação Nacionais (PAN)”, orienta. Distribuição restrita De acordo com o autor do estudo, a Brasilana spelaea foi registrada em nove cavernas, numa área de cerca de 1.400 km² no oeste do Rio Grande do Norte, que inclui os municípios de Felipe Guerra, Governador Dix-Sept Rosado e Baraúna; e no nordeste do Ceará, em Quixeré. Estudos genéticos sugerem que há fluxo gênico entre populações distantes, indicando que a espécie pode se dispersar pelo lençol freático e, talvez, ocorra em outras cavernas ainda não exploradas. Apesar dessa relativa amplitude, o número de ambientes adequados é pequeno: “Poucas são as cavernas que possuem corpos d’água perenes na região, então a grande maioria não tem habitats adequados para a espécie”, alerta Luiz Ricardo. Com a descoberta, o Brasil soma mais um exemplo da biodiversidade oculta de seus ambientes subterrâneos. Este e outros achados reforçam a urgência de proteger ecossistemas invisíveis, mas fundamentais, que abrigam espécies únicas e indispensáveis para o equilíbrio natural. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

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Como a China conseguiu encontrar 'ponto fraco' de Trump com restrição às terras raras

Publicado em: 17/10/2025 15:29

Trump ameaça 'corte de laços' no comércio com a China O Ministério do Comércio da China publicou na semana passada o documento "Anúncio nº 62 de 2025". Este não era, porém, um simples comunicado burocrático. O texto conseguiu abalar a frágil trégua tarifária da China com os Estados Unidos. Ao detalhar amplas restrições às exportações de terras raras — grupo de 17 elementos químicos, como neodímio, lantânio, ítrio e cério, usados na fabricação de produtos tecnológicos e equipamentos de alta precisão —, o documento em certa medida reforça o controle de Pequim sobre o fornecimento global desses minerais essenciais e lembra o presidente americano, Donald Trump, do quanto a China ainda detém poder de influência na guerra comercial. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A China detém quase o monopólio da extração das terras raras e seu refino, que é o processo de sua separação de outros minerais. As terras raras são cruciais para a produção de diversas tecnologias, incluindo smartphones, painéis solares, carros elétricos e equipamentos militares. Um caça F-35, por exemplo, requer mais de 400 quilos de terras raras em seus revestimentos furtivos, motores, radares e outros componentes. Pelas novas regras, empresas estrangeiras precisarão de autorização do governo chinês para exportar produtos que contenham até pequenas quantidades de terras raras e deverão declarar o uso pretendido. Em resposta, o presidente americano ameaçou impor uma tarifa adicional de 100% nos produtos chineses e colocar controles de exportação em softwares estratégicos. "Isso é a China contra o mundo. Eles apontaram uma bazuca para as cadeias de suprimentos e a base industrial de todo o mundo livre, e nós não vamos permitir isso", disse o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Mina de terras raras em porto na China Reuters via BBC Na quinta-feira (16/10), a China disse que os EUA "provocam deliberadamente desentendimentos e pânico desnecessário" sobre os controles chineses acerca de terras raras. "Se os pedidos de licença de exportação estiverem em conformidade e forem destinados a uso civil, serão aprovados", afirmou um porta-voz do Ministério do Comércio da China. Nesta semana, as duas maiores economias do mundo (EUA e China) também impuseram novas taxas portuárias sobre navios uma da outra. A intensificação da guerra comercial encerra meses de relativa calmaria após a trégua acertada em maio por autoridades americanas e chinesas. Ainda neste mês, Trump e o presidente da China, Xi Jinping, devem se reunir para discutir esses assuntos. Especialistas ouvidos pela BBC afirmam que as restrições às terras raras darão vantagem à China na negociação. As novas medidas da China devem "abalar o sistema" ao atingir vulnerabilidades das cadeias de suprimento americanas, disse o professor de negócios internacionais, Naoise McDonagh, da Universidade Edith Cowan (Austrália). "O momento frustrou o cronograma de negociações que os americanos esperavam", afirmou. As exportações chinesas desses materiais respondem por cerca de 70% do fornecimento mundial dos metais usados em imãs de motores de veículos elétricos, segundo Natasha Jha Bhaskar, da consultoria Newland Global Group. A China tem trabalhado intensamente para conquistar sua posição dominante no processamento global de terras raras globais, afirmou Marina Zhang, da Universidade de Tecnologia de Sydney (Austrália). O país formou uma base de especialistas na área e tem uma rede de pesquisa e desenvolvimento anos à frente dos concorrentes, acrescentou. Embora os EUA e outros países estejam investindo pesado para reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, eles ainda estão longe de atingir esse objetivo. Os minerais de terras raras são essenciais para a fabricação de caças como o F-35 Getty Images via BBC Com grandes reservas próprias, a Austrália é vista como uma potencial rival da China, mas sua infraestrutura de produção ainda é pouco desenvolvida, o que torna o processamento caro, explicou Zhang. "Mesmo que os EUA e todos os seus aliados transformem o processamento de terras raras em um projeto nacional, eu diria que levará pelo menos cinco anos para alcançarem a China." Nessa corrida global, o Brasil também tem um papel importante: o relatório U.S. Mineral Commodity Summaries estima que o país detenha até 23% das reservas conhecidas de terras raras no mundo. O professor Sidney Ribeiro, do Instituto de Química da Unesp (Universidade Estadual Paulista), explicou à BBC News Brasil que o país acumula décadas de pesquisas acadêmicas sobre esses minérios e já faz a mineração de terras raras em Estados como Minas Gerais e Goiás. Ainda assim, responde por menos de 1% da produção, porque muitas das reservas inexploradas estão em áreas como a Amazônia. Então, é enorme o desafio de aproveitar o potencial mineral brasileiro e ao mesmo tempo manter de pé uma floresta já muito degradada. A maioria das terras raras é abundante na natureza. Mas elas são chamadas de "raras" porque é muito difícil encontrá-las em forma pura – e sua extração é muito arriscada. As terras raras frequentemente ocorrem junto a elementos radioativos, como tório e urânio, e separá-los exige o uso de muitos produtos químicos tóxicos, tornando o processo de extração às vezes difícil e caro. Vale lembrar que as terras raras também devem fazer parte das negociações entre Brasil e EUA sobre tarifas comerciais. Restrições chinesas As novas restrições chinesas ampliam medidas anunciadas pela China em abril, que haviam provocado uma escassez global antes de uma série de acordos com a Europa e os EUA aliviar o problema. Dados oficiais mais recentes mostram que as exportações chinesas desses minerais caíram mais de 30% em setembro em relação ao mesmo mês do ano anterior. Mas analistas dizem que a queda nas exportações dificilmente afetará a economia chinesa. As terras raras representam uma parcela mínima dos US$ 18,7 trilhões (cerca de R$ 106 trilhões) do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas) anual do país, disse a professora Sophia Kalantzakos, da Universidade de Nova York (EUA). A título de comparação, o PIB brasileiro atingiu R$ 11,7 bilhões em 2024. Algumas estimativas calculam o valor das exportações em menos de 0,1% do PIB chinês. Embora o peso econômico das terras raras para a China seja pequeno, seu valor estratégico é "enorme", afirmou Kalantzakos, já que o setor dá à China mais poder de pressão nas negociações com os EUA. Apesar de acusar a China de "traição", Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que ainda há espaço para diálogo. "Acredito que a China esteja aberta a discussões e sou otimista quanto à possibilidade de reduzir as tensões", disse Bessent. Durante uma reunião na quinta-feira (16/10) com o presidente do grupo americano de private equity Blackstone, Stephen Schwarzman, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, também destacou a necessidade de negociações. "Os dois lados devem manter comunicação efetiva, resolver adequadamente as divergências e promover um desenvolvimento estável, saudável e sustentável das relações entre China e EUA", disse Yi, segundo o site do ministério. As recentes medidas da China são uma forma de "organizar suas peças antes das negociações comerciais" com os EUA, afirmou Kalantzakos, da Universidade de Nova York. Ao restringir as exportações de terras raras, a China encontrou "seu melhor instrumento imediato" para pressionar Washington em busca de um acordo mais favorável, disse Bhaskar, da consultoria Newland Global Group. Jiao Yang, da Universidade de Administração de Singapura, afirma que, embora a China detenha as cartas no curto prazo, os EUA ainda têm algumas opções estratégicas à disposição. Os EUA poderiam, por exemplo, oferecer a redução de tarifas, algo que provavelmente interessa à China, já que a guerra comercial tem afetado fortemente seus fabricantes, disse Yang. A economia chinesa depende da receita obtida com os produtos que fabrica e exporta. Segundo dados oficiais recentes, as exportações do país para os EUA caíram 27% em relação ao ano anterior. Os EUA também podem ameaçar impor novas restrições comerciais para dificultar o avanço do setor tecnológico chinês, afirmou McDonagh, da Universidade Edith Cowan. Por exemplo, a Casa Branca já mirou a dependência chinesa de semicondutores avançados ao bloquear a compra dos chips mais sofisticados da Nvidia. Mas especialistas dizem que é provável que tenha apenas efeitos limitados. As medidas que miram a indústria tecnológica da China podem desacelerar o país asiático, mas não "paralisá-la completamente", disse McDonagh. A China já mostrou, com sua estratégia econômica recente, estar disposta a enfrentar dificuldades para alcançar seus objetivos a longo prazo, acrescentou. "A China pode continuar, mesmo se pagar muito mais pelos controles de exportação dos EUA. Mas se a China interromper o fornecimento de terras raras, pode de fato interromper a indústria de todos os outros. Essa é a grande diferença."

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Filha é investigada por fazer empréstimo de R$ 17 mil no nome da mãe idosa para pagar casamento, diz polícia

Publicado em: 17/10/2025 15:04

Viatura da Polícia Civil do Tocantins Divulgação/PCTO Cinco filhos foram indiciados pelo crime de abandono material contra a própria mãe de 65 anos, em Palmas. Segundo a Polícia Civil, a filha mais nova, de 38 anos, teria feito um empréstimo de R$ 17 mil no nome da idosa e, por isso, os irmãos a fizeram cuidar da mãe até que as parcelas fossem quitadas. Investigações apontaram que a filha de 38 anos usou o dinheiro do empréstimo para comprar um veículo e pagar despesas com a própria festa de casamento. Conforme a polícia, ela foi indiciada pelo crime de apropriação de valores. Os nomes dos filhos não foram divulgados, por isso, o g1 não conseguiu contato com a defesa deles. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Ainda segundo a polícia, após descobrirem sobre o contrato do empréstimo, os cinco filhos, que têm idades entre 40 e 48 anos, decidiram que não iriam oferecer qualquer tipo de apoio à mãe até o término do pagamento das parcelas do empréstimo pela irmã mais nova. A polícia identificou que a mãe estava em situação de vulnerabilidade social em razão da escassez de recursos financeiros. O delegado José Lucas Melo informou que os filhos admitiram acreditar que a mãe poderia estar em situação de maus-tratos, mas decidiram deixá-la sem qualquer apoio, com a intenção de punir a irmã. Segundo a polícia, não foram constatados sinais de maus-tratos contra a idosa. "A decisão de abandonar a mãe, mesmo diante de sua vulnerabilidade, demonstra a gravidade da conduta praticada", disse o delegado. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis. Conforme a delegado, a filha que fez o empréstimo pode cumprir pena de até quatro anos de prisão pelo crime de apropriação previsto no Estatuto do Idoso. Os outros cinco filhos foram indiciados pelo crime de abandono material, que também prevê pena de um a quatro anos de prisão, conforme o Código Penal. VEJA TAMBÉM: Mulher é investigada suspeita de fazer empréstimo em nome da mãe sem autorização Mulher é investigada suspeita de fazer empréstimo em nome da mãe sem autorização Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

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Como fortalecer a segurança digital da sua empresa para as vendas de Black Friday e Natal?

Publicado em: 17/10/2025 15:03

Black Friday e Natal são as datas mais valiosas para o varejo brasileiro. Mas o aumento expressivo de compras online nesse período também atrai cibercriminosos em busca de brechas nos sistemas de segurança dos ecommerces. Na Black Friday de 2024, por exemplo, foram identificadas cerca de 18 mil tentativas de fraude, que poderiam ter causado prejuízos de R$ 27,6 milhões caso não tivessem sido interceptadas. Segundo dados da Cloudflare, ataques como DDoS (negação de serviço distribuída) cresceram 78% no quarto trimestre de 2024, justamente por explorarem o período de maior movimento para sobrecarregar sites e extorquir empresas. Ataques cibernéticos não afetam apenas o faturamento da empresa: eles também podem manchar a reputação dos negócios e abalar a confiança dos clientes em compras futuras. Principalmente em períodos tão importantes nas vendas, investir em soluções robustas de proteção digital ajuda as empresas a se destacar em um mercado altamente competitivo, além de reforçar para os clientes que eles estão seguros na sua loja online. Golpes digitais que crescem no pico das vendas Durante a Black Friday e o Natal, cibercriminosos aproveitam o aumento do tráfego online para intensificar ataques sofisticados, entre eles: Ransomware: criptografa dados essenciais da loja, paralisando meios de pagamento, estoques, atividades logísticas e sistemas até que um resgate seja pago. Além de paralisar a logística de vendas, pode causar o vazamento de informações sensíveis DDoS (negação de serviço distribuída): sobrecarrega servidores e torna os sites indisponíveis. Com a página fora do ar, os clientes tendem a migrar para ecommerces concorrentes em segundos Skimming/Magecart: códigos maliciosos inseridos em páginas de checkout roubam informações de cartões de crédito em tempo real. Além de os clientes poderem ser alvo de golpes financeiros e de roubo de identidade, as lojas ficam com a reputação manchada e sujeitas a multas de leis de privacidade Como proteger a sua loja online Para garantir que a sua operação online se mantenha segura durante a Black Friday e o Natal, é essencial adotar medidas estratégicas que cubram toda a infraestrutura digital. O passo inicial é uma análise detalhada de vulnerabilidades para identificar e corrigir possíveis falhas antes que o tráfego online aumente. Realizar auditorias de segurança e testes de penetração também ajudam a prever ataques e ajustar a sua defesa digital de forma preventiva. Outras soluções que podem ajudar o seu negócio a se proteger são: Implementar ferramentas de SD-WAN e Anti-DDoS: enquanto a SD-WAN organiza a rede de forma inteligente, segmentando conexões e garantindo redundância entre os links, o Anti-DDoS protege servidores contra ataques que visam sobrecarregar o site durante picos de acesso Criptografar dados e restringir acessos: as informações sensíveis dos clientes e da empresa devem estar protegidas através de políticas rigorosas de controle de acesso, o que garante conformidade com a LGPD e diminui os riscos de violações de dados Capacitar a sua equipe: os colaboradores são a primeira linha de defesa contra ataques baseados em engenharia social. Eles devem estar preparados para identificar e-mails suspeitos e reconhecer sites falsos Monitorar transações e acessos: é possível configurar alertas automáticos para conter ameaças vindas de ações como múltiplas tentativas de login, acessos de locais incomuns ou compras com valores atípicos Exigir autenticação multifator: isso ajuda a fortalecer a proteção contra acessos indevidos ao acessar as contas de clientes Implementar filtros antifraude: o bloqueio automático de transações suspeitas, como aquelas vindas de IPs previamente associados a atividades fraudulentas, ajudam a reduzir riscos financeiros e danos à reputação da empresa Tudo o que não pode parar no Paraná é conectado pela Ligga Telecom. Conte com as nossas soluções para o seu e-commerce seguir a todo vapor nas datas de maior acesso: Internet dedicada: infraestrutura robusta para suportar grandes volumes de dados Anti-DDoS: monitoramento de tráfego 24h para proteger a sua empresa contra ataques em tempo real SD-WAN Gerenciado: Roteamento otimizado, firewall e suporte a múltiplos links

D'Moreira Peixe Bar conquista bicampeonato no Festival Gastronômico e Cultural

Publicado em: 17/10/2025 14:26

O D’Moreira Peixe Bar foi o grande vencedor do 5º Festival Gastronômico e Cultural de Uberaba, conquistando o 1º lugar pelo segundo ano consecutivo. O restaurante apresentou o prato “Dueto”, que combina carne vermelha e peixe em uma proposta que surpreendeu o público e o júri técnico. Em 2024, o D’Moreira também venceu o festival, realizado em novembro, consolidando-se como um dos principais nomes da gastronomia uberabense. A nova edição do festival aconteceu no último fim de semana, nos dias 4 e 5 de outubro, no CDL Hall, e foi marcada por um grande público, com cerca de 2 mil pessoas por dia, solidariedade e uma programação cultural diversificada. O evento foi promovido pela Prefeitura de Uberaba, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, em parceria com a Associação Geoparque Uberaba e o SINHORES (Sindicato dos Proprietários de Hotéis, Restaurantes e Bares de Uberaba), com apoio do Sebrae Minas, por meio do programa Prepara Gastronomia, da Fecomércio MG, do Sesc Minas e da CDL Uberaba. A edição de 2025 foi marcada por grande público, solidariedade e programação cultural diversificada André Santos Além da vitória do D’Moreira, o festival premiou a Pina Pizzaria, que ficou em segundo lugar, e o Esquina do Pato, em terceiro. A votação foi realizada durante o circuito gastronômico, entre os dias 11 de setembro e 2 de outubro, com participação do público e de um júri técnico. O D’Moreira também liderou a premiação solidária de arrecadação de alimentos não perecíveis, seguido por Esquina do Pato e Mascavo Canela. A ação beneficiará famílias em situação de vulnerabilidade, com doações destinadas ao programa Sesc Mesa Brasil. O balanço final da arrecadação ainda está sendo concluído, mas a instituição já confirmou que a campanha foi expressiva, com alto volume de alimentos coletados. O evento reuniu 19 restaurantes, com uma ampla estrutura: praça de alimentação, espaço infantil e atrações culturais Alfredo Neto “A campanha de arrecadação teve resultados expressivos e beneficiará inúmeras pessoas. Essa ação mostra o compromisso social dos participantes e o engajamento da população com causas solidárias”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, Celso Neto. O evento reuniu 19 restaurantes e ofereceu ao público uma ampla estrutura, com praça de alimentação, espaço infantil e atrações culturais. Um dos momentos mais marcantes foi a apresentação da Escola de Samba Tom Maior, que emocionou o público com um samba-enredo em homenagem a Uberaba, exaltando a história e a identidade da cidade. A agremiação paulista levara o enredo “Chico Xavier: Nas Entrelinhas da Alma, as Raízes do Céu em Uberaba” no desfile do Carnaval 2026. A programação contou ainda com shows de artistas locais e regionais e foi encerrada com a apresentação do cantor e compositor Renato Teixeira, que levou clássicos da música brasileira ao palco, encerrando o festival em grande estilo. Renato Teixeira levou clássicos da música brasileira para o palco André Santos O presidente do SINHORES, Fernando Abdalla, destacou o crescimento do evento e o comprometimento dos participantes: “Agradeço a todos que prestigiaram o festival e aos restaurantes que se dedicaram de coração. A cada edição, o evento se fortalece e melhora. Parabéns a todos os envolvidos!” Durante o encerramento, a organização agradeceu o apoio da Fundação Cultural, dos patrocinadores, e da EXP, responsável pela produção. “Este é um momento de emoção e orgulho. Agradecemos a todos que contribuíram para o sucesso do festival, sob a liderança da prefeita Elisa e do vice-prefeito Maurício de Sá. O evento mostra a força da nossa gastronomia e da cultura local, unindo sabor, arte e solidariedade”, destacou Celso Neto.

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Campanha 'Pão em Todas as Mesas' firma parceria com a Caminhada de Fé com Maria

Publicado em: 17/10/2025 08:45

Alimentos arrecadados na Campanha Natal Sem Fome 2023 Arquivo A Arquidiocese de Santarém, no oeste do Pará, relança neste ano a campanha “Pão em Todas as Mesas”, versão local do tradicional Natal Sem Fome. A iniciativa volta a mobilizar as paróquias e comunidades católicas da região, com o objetivo de arrecadar alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp De acordo com o frei João Messias, coordenador da Pastoral Socioambiental da Arquidiocese, a ação retoma uma tradição que une fé e solidariedade, que tem como foco, aproveitar os grandes eventos religiosos do período para reforçar o espírito de partilha. “Nada melhor do que no nosso período maior da festa, que é a festa da Mãe de Jesus, a Nossa Senhora da Conceição”, destacou. Ainda de acordo com Frei Messias, as coletas acontecerão durante o Círio e a Caminhada de Fé com Maria, em pontos estratégicos como as paróquias de São Sebastião, Santa Clara, Nossa Senhora de Fátima e no Convento de São Francisco. O frei também anunciou que o lançamento oficial da campanha será no dia 16 de novembro, quando se celebra o Dia Mundial dos Pobres. “A gente quer dar essa alegria dos pobres e alegria para nós também de sermos agentes do amor”, afirmou. O arcebispo Dom Irineu Roman fará o lançamento em nível arquidiocesano, e as doações poderão ser feitas tanto por voluntários quanto por quem queira ajudar com transporte ou logística. Abel Solano, coordenador da Caminhada de Fé com Maria, disse que a parceria é a principal novidade deste ano. Segundo ele, a arrecadação de alimentos durante a caminhada vai reforçar o alcance social da campanha, beneficiando famílias de Santarém e de outros municípios. “É uma parceria que estamos fechando justamente com essa novidade de arrecadar alimentos não perecíveis para um Natal sem fome nas famílias mais carentes”, disse. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A camisa oficial da caminhada será lançada no próximo dia 19 de outubro, na Praça de Eventos Anísio Chaves. O coordenador lembrou que a venda das camisas também ajudará na manutenção das ações e na estrutura do evento, além de fortalecer o vínculo de fé e solidariedade entre os fiéis. VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região

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Orquídea Fest em Poá tem shows de Alok, Péricles e Simone mendes; troca de ingressos está disponível

Publicado em: 17/10/2025 08:35

Péricles, Alok, Simone Mendes e Bruna Karla se apresentam na festa Divulgação / Redes Sociais Os ingressos solidários para o Orquídea Fest Poá 2025, que acontece de 23 a 26 de outubro, já estão disponíveis. Para participar, é necessário reservar antecipadamente o ingresso no site oficial do evento e, no dia de cada show, fazer a doação do alimento específico indicado para aquela apresentação (veja lista abaixo). No site, também é possível adquirir camarotes e acesso à área VIP, que fica em frente ao palco. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp A festa contará com shows de Bruna Karla, Simone Mendes, DJ Alok e Péricles, além de artistas locais. Todos os alimentos arrecadados serão destinados a famílias em situação de vulnerabilidade atendidas pelo Fundo Social de Solidariedade de Poá. No 'Rolê no Alto Tietê' é possível descobrir a programação cultural desta semana na região: Rolê no Alto Tietê: Fim de semana tem muito humor com e muita música O Orquídea Fest também oferecerá exposição de orquídeas e flores ornamentais, feira de artesanato, feira da indústria e comércio, e praça de alimentação. Clique aqui para reservar o ingresso; Alimentos para cada show Foram definidos alimentos específicos para cada dia de apresentação. Veja as datas dos shows e as doações necessárias: 23/10 – Bruna Karla (macarrão) 24/10 – Simone Mendes (arroz) 25/10 – Alok (feijão) 26/10 – Péricles (leite) O Orquídea Fest será realizada na Praça de Eventos Lucilia Gomes Fellipe (avenida Antonio Massa, 150, Centro), a partir das 10h, com abertura dos portões dos shows às 19h. Assista a mais notícias sobre o Alto Tietê

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