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Câmara de BH aprova em 1º turno pagamento de auxílio-aluguel a mulheres vítimas de violência

Publicado em: 15/12/2025 18:31

Projeto que prevê auxílio-aluguel para vítimas de violência foi aprovado por unanimidade Denis Dias/ CMBH A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em 1º turno, nesta segunda-feira (15), um projeto de lei que institui o pagamento de auxílio-aluguel a mulheres vítimas de violência doméstica. O texto avançou para o 2º turno por unanimidade, com 38 votos favoráveis. A proposta, da vereadora Loíde Gonçalves (MDB), estabelece que, para ter direito ao benefício, as vítimas devem ter medida protetiva contra o agressor e comprovar que estão em situação de vulnerabilidade – não necessariamente econômica. "Não adianta só a medida protetiva, [a mulher] tem que tomar alguns caminhos para ficar longe desse agressor. E a ideia do projeto de lei é trazer esse auxílio-aluguel para qualquer mulher, não importa se ela tem uma condição financeira estável", afirmou a parlamentar. Segundo a justificativa do PL 312/ 2025, o objetivo é que as vítimas de violência doméstica possam "se estabelecer em local seguro para resguardar a sua integridade física e psicológica". ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 O auxílio-aluguel será pago por até 12 meses. O projeto prevê que o Executivo vai definir o valor, que não poderá ser inferior a meio salário mínimo. O texto ainda precisa ser aprovado em 2º turno antes de ser encaminhado para sanção ou veto do prefeito Álvaro Damião (União Brasil).

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MP move ação de improbidade que pode tirar mandato de vereador acusado de crimes sexuais em Piracicaba

Publicado em: 15/12/2025 16:22

Vereador Cássio Fala Pira é preso por tempo indeterminado O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) entrou com uma ação de improbidade administrativa contra o vereador Cássio Luiz Barbosa, conhecido como Cássio Fala Pira (PL), de Piracicaba (SP). Ele está preso desde outubro após ser denunciado por 12 mulheres por crimes sexuais. A ação do MP-SP foi confirmada nesta segunda-feira (15) pelo promotor Luciano Gomes de Queiroz Coutinho e pode levar à perda de mandato do vereador — veja abaixo. Cassio Fala Pira está com a função pública suspensa desde outubro pela Justiça de Piracicaba. Segundo o MP-SP, a medida teve como base um inquérito policial que identificou um padrão de conduta em que o parlamentar teria usado o cargo público e da influência associada à função para praticar atos de abuso sexual contra mulheres em situação de vulnerabilidade social e econômica. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Pedidos do Ministério Público Na ação, o Ministério Público pediu a condenação do vereador por atos de improbidade administrativa e a aplicação das seguintes sanções: perda da função pública; suspensão dos direitos políticos por cinco anos; pagamento de multa civil equivalente a 24 vezes a remuneração recebida no cargo de vereador; proibição de contratar com o poder público pelo prazo de cinco anos. De acordo com a promotoria, trata-se de uma ação civil, independente da ação criminal proposta anteriormente pela Promotoria Criminal de Piracicaba. Apesar de tratarem dos mesmos fatos, os processos têm enfoques jurídicos distintos. Leia também: Após prisão, Cássio Fala Pira tem função como vereador suspensa pela Justiça de Piracicaba Vereador de Piracicaba denunciado por crimes sexuais tem prisão temporária convertida em preventiva Denunciado por crimes sexuais, vereador preso também é investigado por posse de imagens de abuso infantil Acusações Com base no inquérito policial, o MP apontou que o vereador utilizava a imagem de "ajudador social", o gabinete parlamentar, escritórios políticos, veículo particular e outros recursos do mandato para atrair vítimas. “Sob o pretexto de oferecer emprego e outras formas de auxílio e suporte, ele as submetia a situações de constrangimento e violência sexual”, afirma o promotor Luciano Coutinho. Os episódios teriam ocorrido em diferentes locais, incluindo o gabinete na Câmara Municipal, escritórios políticos, no veículo do vereador e por meio de videochamadas. “A conduta do vereador, conforme apurado, configura grave, brutal e inaceitável violação aos princípios da Administração Pública, como a moralidade, impessoalidade, lealdade às instituições e honestidade, com propósito específico de obter benefício sexual indevido”, escreve o promotor. Segundo o MP-SP, as provas incluem depoimentos considerados coerentes das vítimas, relatórios de investigação com imagens de câmeras de segurança e o interrogatório do próprio vereador. Segundo a promotoria, ele admitiu relações sexuais com algumas das mulheres e a realização de videochamadas com nudez, embora alegue que os atos foram consensuais. Situação do processo A ação foi recebida pela 2ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Piracicaba e, no momento, aguarda a citação do vereador para apresentação de defesa. Em nota, o Ministério Público afirmou que mantém o compromisso com a defesa dos princípios da Administração Pública, o combate à corrupção e a proteção dos direitos humanos, especialmente de mulheres em situação de vulnerabilidade. O g1 buscou a defesa do Cássio, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem. Vereador Cassio Luiz Barbosa, o Cássio Fala Pira, de Piracicaba Rubens Cardia/ Câmara Municipal de Piracicaba VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

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Comitê de Governança apresenta diagnóstico e avanços durante prestação de contas

Publicado em: 15/12/2025 09:58

Comitê de Governança apresenta diagnóstico e avanços durante prestação de contas – Crédito: Divulgação Durante a prestação de contas anual realizada na segunda-feira, 8 de dezembro, por iniciativa da Presidência do vereador Dr. Edson, o Comitê de Governança (CGov) apresentou um balanço detalhado das ações e diagnósticos conduzidos ao longo do segundo semestre de 2025. Criado a partir da Resolução nº 1.309/2024, o CGov atua como núcleo estratégico de liderança, conectando a alta administração aos setores internos para fortalecer práticas de transparência, integridade, responsabilidade e eficiência na Câmara Municipal de Pouso Alegre. O relatório revelou os principais resultados da consultoria técnica contratada em 2024 para implantar o modelo de governança pública, identificar vulnerabilidades e planejar ações estruturais. Entre os achados, chamou atenção o baixo nível de conhecimento interno sobre governança — com 47% dos servidores declarando conhecer pouco ou nada sobre o tema — e fragilidades sensíveis no processo de contratações, especialmente na aplicação da Lei 14.133/2021. O diagnóstico apontou desafios institucionais em comunicação, estabilidade administrativa e sobrecarga de pessoal. A consultoria também apresentou um conjunto de recomendações distribuídas em três eixos: governança e conformidade legal; melhoria operacional e processual; e gestão de pessoas e recursos. Entre as prioridades classificadas como críticas estão a implantação da LGPD, a criação de um setor de Ouvidoria, a estruturação do Sistema de Controle Interno e a padronização institucional de processos. O balanço reforçou que a consolidação da governança pública é um processo contínuo, que exige compromisso técnico e político, além de mudanças culturais voltadas à integridade e à profissionalização da gestão.

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Lei que reserva 30% das casas populares a mulheres chefes de família passa por MP e espera regulamentação em Nova Odessa

Publicado em: 14/12/2025 08:24

Câmara de Nova Odessa Divulgação/Câmara Municipal de Nova Odessa A lei que reserva 30% das casas populares para mulheres chefes de família em Nova Odessa (SP) foi considerada constitucional após análise do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que g1 teve acesso nesta quinta-feira (11). Apesar de aprovada, a lei não é regulamentada pela prefeitura e segue sem aplicação – saiba mais abaixo. A decisão do MP-SP veio após a lei ter sido alvo de questionamento sigiloso sobre a constitucionalidade. Após a análise, o MP arquivou o processo. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Por que a lei é importante De acordo com o MP-SP, a lei n.º 3.452/2021 é uma ação afirmativa para proteger famílias em situação de vulnerabilidade e conferir efetividade ao direito à moradia. O parecer também apontou que mulheres chefes de família formam um grupo que pode receber tratamento especial em políticas públicas. Aprovada, mas não regulamentada Embora a lei tenha sido aprovada, ela não pode ser aplicada na prática enquanto não for regulamentada pelo Poder Executivo. Segundo a prefeitura de Nova Odessa, um dos limitadores foi a “pendência da referida ação” no MP-SP. No entanto, com o atual reconhecimento da constitucionalidade, a prefeitura disse ao g1 que a lei será regulamentada em breve, mas não passou datas. Importância da regulamentação: a prefeitura consegue definir como a regra vai ser aplicada em novos projetos. Vereadora Márcia Rebeschini (UNIÃO BRASIL) Câmara Municipal de Nova Odessa Sobre a lei A Lei Municipal n.º 3.452/2021 determina que 30% das moradias populares construídas com participação do Município sejam destinadas a mulheres responsáveis pelo sustento da família. Ela foi proposta pela vereadora Márcia Rebeschini (UNIÃO BRASIL) e aprovada em 2021. Por que a lei foi questionada A representação noticiou ao MP a possível existência de inconstitucionalidades da lei. Segundo a representação, os vereadores não poderiam propor esse tipo de norma. Além disso, o representante sustentou que a política pública habitacional deve ser de iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo, ou seja, o prefeito e que haveria vício de iniciativa e violação à separação dos poderes. O que decidiu o Ministério Público O MP-SP entendeu que não há inconstitucionalidade e que a iniciativa parlamentar é válida nesse caso. Segundo o parecer, a lei não cria órgãos; não modifica atribuições da administração; não mexe no regime jurídico de servidores; e se enquadra no entendimento do Supremo Tribunal Federal (Tema 917), que permite a iniciativa de vereadores em matérias que não alteram a estrutura administrativa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

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Vítimas de estupro de vulnerável têm dados expostos por anos em site jurídico após vazamento de processo do TJ-SP: 'Sempre alguém me manda um print'

Publicado em: 13/12/2025 05:00

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos Um processo sigiloso envolvendo crimes sexuais contra crianças e adolescentes, em uma cidade da Grande São Paulo, tramitou por anos com todas as informações abertas ao público, permitindo que sites jurídicos reproduzissem o conteúdo integral, incluindo nomes completos das vítimas, endereço aproximado, escola, bairro onde moravam e detalhes suficientes para identificá-las. O material permaneceu acessível por anos no Diário Oficial da Justiça de São Paulo e no Jusbrasil, mesmo se tratando de um procedimento que deveria ter segredo absoluto, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Jusbrasil retirou o material do ar nesta sexta-feira (12), após o g1 acioná-lo. O caso é mais um do vazamento massivo de dados de crianças e adolescentes em decisões e registros públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que o g1 revelou nesta semana. Saiba mais: Dados sigilosos de crianças e adolescentes de processos do TJ-SP vazam em sites jurídicos e expõem jovens a constrangimentos e riscos Como ocorreu o vazamento de dados de crianças e adolescentes de processos de SP; veja as principais suspeitas Após reportagem do g1, Jusbrasil identifica falha que reproduziu dados de crianças do Diário Oficial de Justiça e remove conteúdo Vítima relata anos de exposição: “Sempre aparece alguém me julgando” Um dos jovens atingidos pelo vazamento, que teve seu nome publicado tanto como vítima de abuso sexual quanto, posteriormente, como suposto aliciador, afirma que a divulgação do processo inteiro marcou sua vida. “Esse processo já me causou muita coisa ruim. Já rolou em grupos de WhatsApp, já fui exposto na minha comunidade. Eu tive que mudar de escola”, disse ao g1. O jovem explica que, embora tenha sido inicialmente tratado como se participasse dos crimes, a Justiça posteriormente reconheceu que ele era vítima, usada e manipulada pelo agressor, um militar, amigo da sua mãe, que também o havia violentado aos sete anos de idade. Ele cumpriu medida socioeducativa e passou por diversas unidades da Fundação Casa, onde chegou a sofrer ameaças. Em uma das unidades, houve até tentativa de agressão durante uma rebelião. Mais tarde, um juiz determinou a extinção do processo, reconhecendo que ele era vítima, mas a decisão que o colocava como autor de ato infracional continuou publicada online. "Eu tenho áudios, tenho prints das pessoas me perguntando, me julgando, sabe? Porque ali é só uma parte do processo, né? Onde expõe o meu nome, até onde eu moro, onde eu frequento, onde eu estudava, mas não fala o processo, o que desenrolou no processo, né? Então as pessoas acabam julgando aquilo que elas veem, então elas não sabem exatamente o que aconteceu", diz. “Eu me formei, fiz faculdade, trabalho. Mas vira e mexe aparece alguém me mandando print, perguntando o que aconteceu. É uma ferida que não fecha porque o processo está lá, público, até hoje”, afirma. Atualmente, ele tem 29 anos e trabalha como motorista de aplicativo. Processo trazia nome de criança de 8 anos vítima do mesmo agressor O mesmo documento que teve as informações do adolescente expostas também revelava o nome da outra vítima, um menino de 8 anos à época dos fatos. O processo trazia: nome completo bairro onde morava escola que frequentava descrição cronológica dos fatos depoimentos detalhados Segundo especialistas consultados pelo g1, qualquer parte desses dados já configuraria violação grave de direitos. “Faz mais de dez anos que isso está aberto. Eu era criança. Nunca imaginei que algo tão grave ficaria exposto por tanto tempo”, afirma o jovem. Ao ver a reportagem do g1 sobre o vazamento no TJ-SP, ele entrou em contato com a reportagem. “Quando eu vi a matéria, foi um alívio. Eu pensei: finalmente alguém está falando disso.” Tratamento e reconstrução da vida Depois da medida socioeducativa, o jovem passou três anos em acompanhamento psicológico especializado para vítimas de abuso sexual na infância. “Não superei, porque isso não se supera. Mas aprendi a viver com isso. O que não dá é continuar sendo exposto por causa de um erro do sistema”, diz. O que diz a lei O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina: segredo absoluto em processos que envolvem crimes contra crianças e adolescentes; proibição de divulgação de nomes, imagens ou informações que permitam identificar vítimas ou adolescentes em procedimentos judiciais; sanções administrativas a quem divulgar ou permitir a divulgação — incluindo agentes públicos. A Defensoria Pública de São Paulo afirma que a exposição pode gerar indenização aos jovens. Remoção de conteúdos O Jusbrasil, um dos sites jurídicos que divulgou informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes, afirmou na sexta-feira (12) que identificou a falha e removeu os conteúdos. O site não sabe o número exato de dados expostos, mas afirmou que retirou centenas de processos, oriundos de fontes oficiais, só entre quinta e esta sexta. "A partir de investigações internas detalhadas, o Jusbrasil identificou que houve uma falha operacional em nossos mecanismos de identificação e remoção de conteúdos reproduzidos na plataforma com informações que identificam adolescentes envolvidos em atos infracionais, que foram original e indevidamente publicadas nos diários oficiais de justiça. Trata-se de um tema relevante, que demanda ação coordenada, responsabilidade compartilhada e total transparência", diz. "Diante dessa situação, revisamos imediatamente nossos fluxos internos de prevenção e monitoramento proativo, bem como conduzimos uma varredura técnica para identificar os documentos jurídicos com esse tipo de informação. Estamos removendo do site todos os conteúdos identificados até o momento com este tipo de informação em nossos sistemas. Seguimos com o monitoramento para garantir que novos casos sejam prontamente tratados. Temos um canal de atendimento que funciona 24h por dia para a solicitação de desidentificação de informações. Nos casos em que os conteúdos têm origem em diários oficiais, o pedido de desidentificação é tratado de forma imediata", completa. O Jusbrasil afirmou ainda que a exposição "contraria os princípios de proteção à infância e adolescência, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não reflete os valores da nossa plataforma". "Reconhecemos a gravidade do impacto que esse tipo de exposição pode causar a adolescentes e suas famílias", dizem. Além do Jusbrasil, o Escavador também reproduziu dados de crianças e adolescentes. O Tirbunal de Justiça segue investigando a origem do vazamento. Segundo a instituição, as apurações têm como "intuito principal esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." Os dados divulgados Como o g1 mostrou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Um desses serviços mapeou 40 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. "É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz Gabriele Estabile Bezerra, coordenadora Auxiliar do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave", completou. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorre na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. Um desses casos é de um adolescente que cumpriu medida socioeducativa por seis meses em uma creche para crianças pequenas. O pai explica que o filho só passou a responder ao processo porque se aproximou de um adolescente que, segundo ele, era o verdadeiro responsável pelo ato infracional investigado. “O principal adolescente no processo é o 'fulano'. Meu filho acabou sendo investigado por estar perto dele, mas o juiz enxergou que ele não tinha cometido nada. Ele foi inocentado”, afirma. O pai conta que o jovem ficava muito tempo sozinho em casa e acabou se envolvendo com um grupo que considerava perigoso, mas que o acolhia. “Ele mesmo dizia: 'Eu sabia que eles faziam coisa errada, mas eu falava que era contra. Eram as pessoas que conversavam comigo, que jogavam joguinho online comigo'.” Por isso, ele acabou recebendo uma medida socioeducativa leve, voltada para orientação. “O juiz entendeu que ele precisava aprender a selecionar amizades, a tomar cuidado com internet, com redes sociais”, diz o pai. O processo do adolescente foi arquivado após seis meses, quando a Justiça concluiu que ele não havia participado do ato infracional. Mesmo assim, passou a ser alvo de estigma na escola depois que o processo apareceu ao se digitar seu nome no Google. “Eu tenho o print do Jusbrasil. Se digitava o nome dele na internet, aparecia o processo”, disse. Ele afirma que, a partir disso, o adolescente passou a ser visto como “perigoso” e “agressivo” por colegas e funcionários. “O segurança falava no rádio: 'menino chegou, toma cuidado', como se ele fosse um ladrão”, relatou. O pai conta ainda que a coordenadora o chamou numa sala fechada e insistiu para que ele admitisse ter machucado alguém, o que ele negou repetidas vezes. A família também acredita que a escola vasculhou as redes sociais do jovem, já que um vídeo postado apenas para amigos acabou enviado ao técnico da medida. O pai diz que o conjunto dessas situações fez o filho voltar a apresentar sintomas de depressão. “Ele estava muito bem, mas voltou a ficar triste, revoltado. Parou de ir para a escola.” Hoje, o adolescente estuda em regime domiciliar. TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Sombra de adolescente, menino, garoto Navneet Kaur/Pexels Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." Nova nota na quinta-feira, após publicação da reportagem: "O TJSP continua as apurações no âmbito interno nos expedientes já abertos, não tendo arquivado nenhum deles, mesmo considerando que as conclusões obtidas indicam, como já informado, que não houve vazamento de dados por parte do Tribunal. O intuito principal, como não poderia deixar de ser, é esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador "Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação."

Após reportagem do g1, Jusbrasil identifica falha que reproduziu dados de crianças do Diário Oficial de Justiça e remove conteúdo

Publicado em: 12/12/2025 17:19

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos O Jusbrasil, um dos sites jurídicos que divulgou informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes, afirmou nesta sexta-feira (12) que identificou a falha e removeu os conteúdos. Reportagem do g1 desta quinta-feira (11) mostrou que o vazamento, considerado inédito pela Defensoria Pública de São Paulo, já provocou demissões, abandono escolar e situações de constrangimento entre jovens cujos nomes passaram a aparecer em buscas simples na internet. O site não sabe o número exato de dados expostos, mas afirmou que retirou centenas de processos, oriundos de fontes oficiais, só entre quinta e esta sexta. "A partir de investigações internas detalhadas, o Jusbrasil identificou que houve uma falha operacional em nossos mecanismos de identificação e remoção de conteúdos reproduzidos na plataforma com informações que identificam adolescentes envolvidos em atos infracionais, que foram original e indevidamente publicadas nos diários oficiais de justiça. Trata-se de um tema relevante, que demanda ação coordenada, responsabilidade compartilhada e total transparência", diz. "Diante dessa situação, revisamos imediatamente nossos fluxos internos de prevenção e monitoramento proativo, bem como conduzimos uma varredura técnica para identificar os documentos jurídicos com esse tipo de informação. Estamos removendo do site todos os conteúdos identificados até o momento com este tipo de informação em nossos sistemas. Seguimos com o monitoramento para garantir que novos casos sejam prontamente tratados. Temos um canal de atendimento que funciona 24h por dia para a solicitação de desidentificação de informações. Nos casos em que os conteúdos têm origem em diários oficiais, o pedido de desidentificação é tratado de forma imediata", completa. O Jusbrasil afirmou ainda que a exposição "contraria os princípios de proteção à infância e adolescência, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não reflete os valores da nossa plataforma". "Reconhecemos a gravidade do impacto que esse tipo de exposição pode causar a adolescentes e suas famílias", dizem. Além do Jusbrasil, o Escavador também reproduziu dados de crianças e adolescentes. O Tirbunal de Justiça segue investigando a origem do vazamento. Segundo a instituição, as apurações têm como "intuito principal esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." Os dados divulgados Como o g1 mostrou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Raio X da violência contra a criança e o adolescente no Brasil Justiça vai contra a lei e expõe nomes e até endereços de crianças e mulheres vítimas de estupro e violência doméstica Um desses serviços mapeou 40 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz a defensora responsável pelo núcleo. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorre na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Dados de adolescente expostos em site jurídico Reprodução Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. Um desses casos é de um adolescente que cumpriu medida socioeducativa por seis meses em uma creche para crianças pequenas. O pai explica que o filho só passou a responder ao processo porque se aproximou de um adolescente que, segundo ele, era o verdadeiro responsável pelo ato infracional investigado. “O principal adolescente no processo é o 'fulano'. Meu filho acabou sendo investigado por estar perto dele, mas o juiz enxergou que ele não tinha cometido nada. Ele foi inocentado”, afirma. Sombra de adolescente, menino, garoto Navneet Kaur/Pexels O pai conta que o jovem ficava muito tempo sozinho em casa e acabou se envolvendo com um grupo que considerava perigoso, mas que o acolhia. “Ele mesmo dizia: 'Eu sabia que eles faziam coisa errada, mas eu falava que era contra. Eram as pessoas que conversavam comigo, que jogavam joguinho online comigo'.” Por isso, ele acabou recebendo uma medida socioeducativa leve, voltada para orientação. “O juiz entendeu que ele precisava aprender a selecionar amizades, a tomar cuidado com internet, com redes sociais”, diz o pai. O processo do adolescente foi arquivado após seis meses, quando a Justiça concluiu que ele não havia participado do ato infracional. Mesmo assim, passou a ser alvo de estigma na escola depois que o processo apareceu ao se digitar seu nome no Google. “Eu tenho o print do Jusbrasil. Se digitava o nome dele na internet, aparecia o processo”, disse. Ele afirma que, a partir disso, o adolescente passou a ser visto como “perigoso” e “agressivo” por colegas e funcionários. “O segurança falava no rádio: 'menino chegou, toma cuidado', como se ele fosse um ladrão”, relatou. O pai conta ainda que a coordenadora o chamou numa sala fechada e insistiu para que ele admitisse ter machucado alguém, o que ele negou repetidas vezes. A família também acredita que a escola vasculhou as redes sociais do jovem, já que um vídeo postado apenas para amigos acabou enviado ao técnico da medida. O pai diz que o conjunto dessas situações fez o filho voltar a apresentar sintomas de depressão. “Ele estava muito bem, mas voltou a ficar triste, revoltado. Parou de ir para a escola.” Hoje, o adolescente estuda em regime domiciliar. Dados sigilosos de menores em processos do TJ-SP vazam em sites TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." Nova nota na quinta-feira, após publicação da reportagem: "O TJSP continua as apurações no âmbito interno nos expedientes já abertos, não tendo arquivado nenhum deles, mesmo considerando que as conclusões obtidas indicam, como já informado, que não houve vazamento de dados por parte do Tribunal. O intuito principal, como não poderia deixar de ser, é esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação. 1. Compromisso com proteção de dados e com a legislação O Escavador reafirma seu compromisso integral com: a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD); o Marco Civil da Internet (MCI); o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o chamado ECA Digital. Nosso modelo de atuação não envolve a coleta clandestina, a venda ou o vazamento de dados sigilosos. A plataforma organiza e indexa informações que já foram tornadas públicas em bases oficiais do Poder Judiciário, com o objetivo de facilitar o acesso e a compreensão de dados públicos. O Escavador não tem poder de alterar, classificar como sigiloso ou tornar público qualquer dado na origem. Toda informação exibida reflete, de forma automatizada, o status com que ela é disponibilizada pelos órgãos oficiais competentes. 2. Origem das informações exibidas A partir da análise técnica já realizada, constatamos que os processos mencionados na reportagem constavam como publicamente acessíveis em bases oficiais de consulta, incluindo a plataforma Jus.br, administrada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesses casos, o Escavador: apenas reproduziu e indexou informações que já estavam abertas à consulta pública; não teve participação na decisão de tornar tais dados públicos; não realizou qualquer ação de invasão, extração indevida ou quebra de sigilo. A responsabilidade pela correta classificação (público/sigiloso) dos processos e pela proteção especial de dados de crianças e adolescentes é, por lei, dos órgãos que administram esses sistemas oficiais. Ainda assim, o Escavador entende que faz parte do mesmo ecossistema de Justiça digital e, por isso, age de forma colaborativa e preventiva. 3. Medidas imediatas adotadas pelo Escavador Assim que fomos notificados sobre as alegações, adotamos, com máxima prioridade, as seguintes medidas: Remoção imediata de conteúdo Todas as páginas relacionadas aos processos citados foram prontamente removidas da plataforma, impedindo novos acessos por meio do Escavador. Reforço de rotinas de monitoramento Intensificamos nossos mecanismos de verificação e monitoramento de dados provenientes de fontes oficiais, com atenção especial a situações que possam envolver crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis. Colaboração técnica com o Poder Judiciário Colocamos nossa equipe técnica à disposição do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e demais órgãos competentes para: apoiar na identificação da origem das publicações indevidas em bases oficiais; colaborar em melhorias de prevenção e correção de eventuais inconsistências na classificação de processos sigilosos. As informações colhidas em nossa análise técnica estão à disposição das autoridades para quaisquer apurações que entenderem cabíveis. 4. Papel do Escavador no ecossistema de Justiça digital O Escavador é uma das mais de 20 lawtechs e legaltechs associadas à AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) que atuam de forma legítima e transparente na organização de dados públicos, contribuindo para a democratização do acesso à Justiça. Situações em que processos que deveriam ser sigilosos aparecem como públicos em bases oficiais representam um desafio relevante para todo o sistema de Justiça digital. Por isso, o enfrentamento desse tipo de problema exige: correções na origem, nos sistemas oficiais que classificam e divulgam os dados; diálogo técnico constante entre Poder Judiciário, órgãos reguladores, especialistas em proteção de dados e empresas de tecnologia jurídica. O Escavador reitera sua postura colaborativa e responsável, colocando-se à disposição para contribuir com soluções que reforcem a proteção de dados – em especial de crianças e adolescentes – em todo o ciclo de vida da informação, desde a publicação oficial até eventuais indexadores de busca. 5. Exercício de direitos e canais de atendimento O Escavador incentiva que qualquer titular de dados exerça plenamente seus direitos de privacidade e autodeterminação informativa. Para isso, mantém canais específicos e acessíveis: Política de Privacidade https://www.escavador.com/politica-de-privacidade Formulário de Remoção de Dados Disponível na plataforma para solicitações de exclusão, ocultação ou desindexação de resultados associados a nomes de pessoas físicas ou jurídicas, analisadas com a maior brevidade possível. Canais de atendimento: contato@escavador.com dpo@escavador.com O Escavador permanece à disposição da imprensa, das autoridades e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários.

TJ-SP investiga origem da publicação de dados de crianças e adolescentes em sites jurídicos

Publicado em: 12/12/2025 04:01

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos O Tribunal de Justiça de São Paulo investiga a divulgação de informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes que responderam por atos infracionais em sites jurídicos, como Escavador e Jusbrasil. Por lei, estes dados são sigilosos. Segundo o Tribunal, as apurações têm como "intuito principal esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O vazamento, considerado inédito pela Defensoria Pública de São Paulo, já provocou demissões, abandono escolar e situações de constrangimento entre jovens cujos nomes passaram a aparecer em buscas simples na internet. Os sites jurídicos lamentaram a exposição dos jovens e alegaram que apenas reproduziram dados. A origem do vazamento é desconhecida. (leia mais abaixo) Como o g1 mostrou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Raio X da violência contra a criança e o adolescente no Brasil Justiça vai contra a lei e expõe nomes e até endereços de crianças e mulheres vítimas de estupro e violência doméstica Um desses serviços mapeou 40 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz a defensora responsável pelo núcleo. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorre na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. "Embora os portais se esquivem de assumir uma responsabilidade, o fato é que qualquer divulgação, independentemente da fonte de obtenção, é uma infração administrativa. Então, os portais são responsáveis por essa divulgação, sim. Além da indenização, que esses adolescentes podem fazer jus. E aí, teria que investigar a origem para poder pensar em espécies de responsabilidade seja penal, administrativa ou cível", completou Gabriele. Dados de adolescente expostos em site jurídico Reprodução Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. Um desses casos é de um adolescente que cumpriu medida socioeducativa por seis meses em uma creche para crianças pequenas. O pai explica que o filho só passou a responder ao processo porque se aproximou de um adolescente que, segundo ele, era o verdadeiro responsável pelo ato infracional investigado. “O principal adolescente no processo é o 'fulano'. Meu filho acabou sendo investigado por estar perto dele, mas o juiz enxergou que ele não tinha cometido nada. Ele foi inocentado”, afirma. Sombra de adolescente, menino, garoto Navneet Kaur/Pexels O pai conta que o jovem ficava muito tempo sozinho em casa e acabou se envolvendo com um grupo que considerava perigoso, mas que o acolhia. “Ele mesmo dizia: 'Eu sabia que eles faziam coisa errada, mas eu falava que era contra. Eram as pessoas que conversavam comigo, que jogavam joguinho online comigo'.” Por isso, ele acabou recebendo uma medida socioeducativa leve, voltada para orientação. “O juiz entendeu que ele precisava aprender a selecionar amizades, a tomar cuidado com internet, com redes sociais”, diz o pai. O processo do adolescente foi arquivado após seis meses, quando a Justiça concluiu que ele não havia participado do ato infracional. Mesmo assim, passou a ser alvo de estigma na escola depois que o processo apareceu ao se digitar seu nome no Google. “Eu tenho o print do Jusbrasil. Se digitava o nome dele na internet, aparecia o processo”, disse. Ele afirma que, a partir disso, o adolescente passou a ser visto como “perigoso” e “agressivo” por colegas e funcionários. “O segurança falava no rádio: 'menino chegou, toma cuidado', como se ele fosse um ladrão”, relatou. O pai conta ainda que a coordenadora o chamou numa sala fechada e insistiu para que ele admitisse ter machucado alguém, o que ele negou repetidas vezes. A família também acredita que a escola vasculhou as redes sociais do jovem, já que um vídeo postado apenas para amigos acabou enviado ao técnico da medida. O pai diz que o conjunto dessas situações fez o filho voltar a apresentar sintomas de depressão. “Ele estava muito bem, mas voltou a ficar triste, revoltado. Parou de ir para a escola.” Hoje, o adolescente estuda em regime domiciliar. Dados sigilosos de menores em processos do TJ-SP vazam em sites TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." Nova nota na quinta-feira, após publicação da reportagem: "O TJSP continua as apurações no âmbito interno nos expedientes já abertos, não tendo arquivado nenhum deles, mesmo considerando que as conclusões obtidas indicam, como já informado, que não houve vazamento de dados por parte do Tribunal. O intuito principal, como não poderia deixar de ser, é esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação. 1. Compromisso com proteção de dados e com a legislação O Escavador reafirma seu compromisso integral com: a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD); o Marco Civil da Internet (MCI); o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o chamado ECA Digital. Nosso modelo de atuação não envolve a coleta clandestina, a venda ou o vazamento de dados sigilosos. A plataforma organiza e indexa informações que já foram tornadas públicas em bases oficiais do Poder Judiciário, com o objetivo de facilitar o acesso e a compreensão de dados públicos. O Escavador não tem poder de alterar, classificar como sigiloso ou tornar público qualquer dado na origem. Toda informação exibida reflete, de forma automatizada, o status com que ela é disponibilizada pelos órgãos oficiais competentes. 2. Origem das informações exibidas A partir da análise técnica já realizada, constatamos que os processos mencionados na reportagem constavam como publicamente acessíveis em bases oficiais de consulta, incluindo a plataforma Jus.br, administrada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesses casos, o Escavador: apenas reproduziu e indexou informações que já estavam abertas à consulta pública; não teve participação na decisão de tornar tais dados públicos; não realizou qualquer ação de invasão, extração indevida ou quebra de sigilo. A responsabilidade pela correta classificação (público/sigiloso) dos processos e pela proteção especial de dados de crianças e adolescentes é, por lei, dos órgãos que administram esses sistemas oficiais. Ainda assim, o Escavador entende que faz parte do mesmo ecossistema de Justiça digital e, por isso, age de forma colaborativa e preventiva. 3. Medidas imediatas adotadas pelo Escavador Assim que fomos notificados sobre as alegações, adotamos, com máxima prioridade, as seguintes medidas: Remoção imediata de conteúdo Todas as páginas relacionadas aos processos citados foram prontamente removidas da plataforma, impedindo novos acessos por meio do Escavador. Reforço de rotinas de monitoramento Intensificamos nossos mecanismos de verificação e monitoramento de dados provenientes de fontes oficiais, com atenção especial a situações que possam envolver crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis. Colaboração técnica com o Poder Judiciário Colocamos nossa equipe técnica à disposição do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e demais órgãos competentes para: apoiar na identificação da origem das publicações indevidas em bases oficiais; colaborar em melhorias de prevenção e correção de eventuais inconsistências na classificação de processos sigilosos. As informações colhidas em nossa análise técnica estão à disposição das autoridades para quaisquer apurações que entenderem cabíveis. 4. Papel do Escavador no ecossistema de Justiça digital O Escavador é uma das mais de 20 lawtechs e legaltechs associadas à AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) que atuam de forma legítima e transparente na organização de dados públicos, contribuindo para a democratização do acesso à Justiça. Situações em que processos que deveriam ser sigilosos aparecem como públicos em bases oficiais representam um desafio relevante para todo o sistema de Justiça digital. Por isso, o enfrentamento desse tipo de problema exige: correções na origem, nos sistemas oficiais que classificam e divulgam os dados; diálogo técnico constante entre Poder Judiciário, órgãos reguladores, especialistas em proteção de dados e empresas de tecnologia jurídica. O Escavador reitera sua postura colaborativa e responsável, colocando-se à disposição para contribuir com soluções que reforcem a proteção de dados – em especial de crianças e adolescentes – em todo o ciclo de vida da informação, desde a publicação oficial até eventuais indexadores de busca. 5. Exercício de direitos e canais de atendimento O Escavador incentiva que qualquer titular de dados exerça plenamente seus direitos de privacidade e autodeterminação informativa. Para isso, mantém canais específicos e acessíveis: Política de Privacidade https://www.escavador.com/politica-de-privacidade Formulário de Remoção de Dados Disponível na plataforma para solicitações de exclusão, ocultação ou desindexação de resultados associados a nomes de pessoas físicas ou jurídicas, analisadas com a maior brevidade possível. Canais de atendimento: contato@escavador.com dpo@escavador.com O Escavador permanece à disposição da imprensa, das autoridades e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários. O que diz o Jusbrasil "O Jusbrasil organiza e disponibiliza dados públicos extraídos de fontes oficiais do sistema de justiça. Desde a entrada no ar do Jusbrasil, criamos mecanismos de remoção de informações pessoais, mesmo que estejam disponíveis em sites oficiais. Já foram mais de 15 milhões de processos que tiveram informações desidentificadas de forma proativa. Essas medidas incluem casos de adolescentes que cumprem ou cumpriram medidas socioeducativas. Nos casos de informações que tenham sido publicadas erroneamente pelas fontes oficiais e não tenham sido contempladas em nossos mecanismos automáticos de prevenção, temos um canal de atendimento que funciona 24 horas por dia para solicitação de desidentificação das informações. Nos diários oficiais, havendo o pedido, a desidentificação é imediata."

Farofa Carioca com Seu Jorge, 'Última Ponta' do Planet Hemp, Amaro Freitas, Jazz Proibidão: veja o que fazer no Rio

Publicado em: 11/12/2025 05:33

A programação cultural do Rio nos próximos dias tem como destaques a despedido do Planet Hemp dos palcos da cidade onde nasceu no sábado (13), na Fundição Progresso. Outros destaques são a apresentação do Farofa Carioca com participação de Seu Jorge no Brava Arena Jockey também no sábado (13) e o show de Amaro Freitas no Blue Note quinta-feira (10). Veja abaixo dicas de cultura e lazer no Rio. 🎤 Shows e festas 🥁 Sambas 🎭 Teatro 🖼️ Exposições 🎪 Outros eventos 🎤 Shows e festas Amaro Freitas Henrique Albino, Amaro de Freiras, Marie-Pascale Dubé e Joachim Florent Divulgação O pianista pernambucano Amaro Freitas apresenta o espetáculo “Espelho/Miroir” no Blue Note Rio, em duas sessões. O projeto, desenvolvido na Temporada França–Brasil 2025, reúne músicos de Recife e Nantes: Henrique Albino (sax e flauta), Marie-Pascale Dubé (voz) e Joachim Florent (contrabaixo). O quarteto propõe uma criação inédita que conecta as histórias e memórias das cidades portuárias de Recife e Nantes, explorando temas como cidade, floresta, migração e povos originários. 🗓️ Quando? 11 de dezembro (quinta-feira), às 20h e 22h30. 📍 Onde? Blue Note Rio — Av. Atlântica, 1910, Copacabana. 💲 Quanto? A partir de R$120 (inteira), R$ 60 meia 🎟️ Classificação: livre. Cordão do Boitatá O Cordão do Boitatá faz sexta-feira (12) sua última apresentação da temporada na Brava Arena Jockey. Desta vez, participam também músicos da orquestra de rua do bloco que toca durante o carnaval. 🗓️ Quando? Sexta-feira (12), a partir das 20h 📍 Onde? Praça Santos Dumont, 31 - Gávea 💲Quanto ? Gratuito, mediante retirada de ingresso no site TZ da Coronel O rapper TZ da Coronel apresenta a turnê “Odisseia” no Circo Voador, com um espetáculo dividido em três atos que percorre sua trajetória do funk ao trap. O show combina tecnologia, artes visuais e cenografia inovadora, criando uma experiência imersiva para o público. A apresentação destaca diferentes fases da carreira do artista, com repertório de sucessos e participações especiais. 🗓️ Quando? Sábado (13), às 20h. 📍 Onde? Circo Voador — Rua dos Arcos, s/n, Lapa, Rio de Janeiro. 💲 Quanto? A partir de R$ 80 Moreno Veloso O cantor, compositor e produtor musical Moreno Veloso apresenta o show do álbum “Mundo Paralelo” no Blue Note Rio, em duas sessões. O repertório traz as canções do disco lançado em 2023, incluindo a faixa-título e o samba de roda “A Donzela se Casou”. 🗓️ Quando? 13 de dezembro (sábado), às 20h e 22h30. 📍 Onde? Blue Note Rio — Av. Atlântica, 1910, Copacabana. 💲 Quanto? Ingressos à venda no site do Blue Note Rio. 🎟️ Classificação: livre. Jazz Proibidão Nesta sexta acontece a última edição do ano do Jazz Proibidão, a festa que mistura o clássico jazz norte-americano com a potência do funk brasileiro. Criado pelo músico Josiel Konrad, nascido e criado em Nova Iguaçu, o projeto nasceu do desejo de romper fronteiras musicais e mostrar que o funk e o jazz compartilham a mesma essência e origem. O resultado é uma experiência sonora única, que conecta públicos, estilos e linguagens. 🗓️ Quando? Sexta (12), das 20h30 às 5h 📍 Onde? Rua Costa Barros, 34 - Gamboa💲Quanto: Ingressos a partir de R$ 20 no site Planet Hemp – A Última Ponta Planet Hemp se prepara para turnê de despedida 'A Última Ponta' O Planet Hemp faz o último show da turnê de despedida “A Última Ponta” no Rio de Janeiro, encerrando uma trajetória de 30 anos marcada por letras combativas e mistura de rap, rock, psicodelia e reggae. O grupo, formado por Marcelo D2, BNegão, Formigão, Nobru, Pedro Garcia e Daniel Ganjaman, apresenta repertório que atravessa todas as fases da carreira, em uma noite que promete reunir fãs de diferentes gerações. 🗓️ Quando? Sábado (13). Abertura da casa às 21h, show às 23h30. 📍 Onde? Fundição Progresso- Rua dos Arcos, 24 – Centro 💰 Quanto? Ingressos de R$ 162,50 (meia-entrada) a R$ 625 (inteira), à venda pelo site da Eventim. 🔞 Classificação: 5 a 15 anos acompanhados de responsáveis; 16 e 17 anos desacompanhados. Farofa Carioca convida seu Jorge A Brava Arena Jockey recebe no domingo (14) um show de Farofa Carioca, apresentação que terá como convidado o ex-vocalista do grupo, Seu Jorge. Juntos, eles fizeram sucessos como "São Gonça", "Moro no Brasil", entre outras. 🗓️ Quando? Domingo (14) 📍 Onde? Praça Santos Dumont, 31 - Gávea 💲 Quanto? A partir de R$ 130 (ingresso solidário) Paralamas do Sucesso A banda Paralamas do Sucesso apresenta a turnê “40 anos de clássicos” na Brava Arena Jockey, com um repertório que reúne sucessos de diferentes fases da carreira, como “Alagados”, “Meu Erro” e “Lanterna dos Afogados”. O grupo, formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, é referência do rock brasileiro desde os anos 1980. A abertura fica por conta da Roda de Ska, projeto carioca que mistura ska, rocksteady e reggae, com releituras de clássicos jamaicanos, versões inusitadas e músicas autorais. 🗓️ Quando? Domingo (14). Abertura da casa às 18h, show da Roda de Ska às 18h30 e Paralamas do Sucesso às 20h 📍 Onde? Brava Arena Jockey - Praça Santos Dumont, 31 – Gávea💲 Quanto? A partir de R$ 160 (Ingresso solidário) Homenagem a Cássia Eller com Nando Reis, Os Garotin, Céu e Lan Lanh O Museu do Amanhã recebe domngo (14) um show em homenagem a Cássia Eller, reunindo Nando Reis, Céu, Os Garotin e participação de Lan Lanh. O show terá repertório que inclui sucessos como “Malandragem”, “All Star” e “Segundo Sol”. 🗓️ Quando? Domingo (14), abertura da casa às 15h📍 Onde? Museu do Amanhã (Praça Mauá, 1 – Centro). 💰 Quanto? Ingressos de R$ 175 (meia-entrada) a R$ 350 (inteira), à venda pelo site da Eventim. 🔞 Classificação: 18 anos. 🥁 Sambas Sambotica na Capiberibe O Sambotica faz sua penúltima edição do ano na Capiberibe com três sets de samba, e nos intervalos charme e funk. O evento começa cedo e conta com entrada colaborativa, além de opções de caipirinha e comidas da Cozinha da Tia Cris. 🗓️ Quando? Sexta (12)📍 Onde? Rua Capiberibe, 27 – Santo Cristo/Morro do Pinto. 💰 Quanto? Entrada colaborativa, espaço sujeito à lotação Quintal da Magia O grupo Quintal da Magia celebra oito anos de trajetória com uma edição especial do projeto "Na Rua", na Penha. O evento reúne o grupo, formado por Jorge Alexandre, Hamilton Fofão, Leo Cerqueira e Gil Calazans, e convidados como Marquinhos Sensação. O repertório inclui composições autorais e parcerias que marcaram a história do grupo, com destaque para a ligação com o samba de rua. 🗓️ Quando? Sábado (13), a partir das 18h. 📍 Onde? Rua Conde Agrolongo, altura do nº 223 — Penha, Zona Norte do Rio. 💲 Quanto? Entrada gratuita. 🎟️ Classificação: livre. Marvvila no Carnaval do Samuka A cantora Marvvila é a atração principal da 2ª edição do Carnaval do Samuka, evento realizado no Casarão do Firmino, na Lapa. A programação conta ainda com a Roda de Samba Caminho de Casa na abertura e DJ Nicolle Neumann nos intervalos. O evento oferece chopp liberado das 18h às 19h30. 🗓️ Quando? Sábado (13), a partir das 18h 📍 Onde? Casarão do Firmino (Rua da Relação, 19 – Lapa, Centro do Rio) 💲 Quanto? Ingressos a partir de R$ 20 (1º lote), à venda pelo Sympla. 🔞 Classificação: 18 anos. Samba da Volta O Samba da Volta faz uma edição neste sábado (13), com três sets ao vivo para animar o público. A programação começa com a abertura da casa às 18h e a roda de samba tem início às 19h30. Nos intervalos, quem comanda o som é o DJ Leo Black. 🗓️ Quando? Sábado (13). Abertura da casa às 18h, roda de samba às 19h30 📍 Onde? Rua da Constituição, 54 – Centro 💲 Quanto? R$ 15 (ingressos na porta) 🎭 Teatro O Que Nos Passô Espetáculo 'O que nos passô' Cláudia Ribeiro/Divulgação O projeto Sede Viva recebe o espetáculo “O Que Nos Passô – Espirais Cênicas na Obra de Grace Passô”, criado pelos Residentes da Sede 2025. A montagem reúne quatro peças inspiradas na obra da dramaturga e atriz mineira Grace Passô, resultado de um processo coletivo de criação. As apresentações fazem parte da residência artística da Sede da Cia. dos Atores. 🗓️ Quando? 12, 13 e 14 de dezembro, às 19h. 📍 Onde? Sede da Cia. dos Atores (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón, Lapa) 💰 Quanto? R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), ingressos pelo Sympla 🖼️Exposições Òkòtó: Espiral da Evolução Museu de Arte do Rio inaugura “Òkòtó: Espiral da Evolução”, exposição individual de Goya Lopes Divulgação O Museu de Arte do Rio inaugura sábado (13) a exposição “Òkòtó: Espiral da Evolução”, dedicada à obra da artista Goya Lopes. A mostra reúne pinturas, gravuras, tecidos e peças de vestuário que destacam a trajetória de Goya, referência na estamparia afro-brasileira. A exposição apresenta um panorama da produção da artista ao longo de cinco décadas, com símbolos e referências à cultura afro-brasileira e baiana. 🗓️ Quando? Abertura sábado (13), a partir das 14h. Visitação de terça a domingo, das 11h às 18h (última entrada às 17h). Fechado às quartas. 📍 Onde? Museu de Arte do Rio (MAR) — Praça Mauá, 5, Centro. 💲 Quanto? Abertura e terças-feiras com entrada gratuita; demais dias R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). 🎟️ Classificação: livre. Coletiva Z A Z42 Arte inaugura a exposição “Coletiva Z”, reunindo 64 obras inéditas de oito artistas que mantêm ateliê no espaço. A mostra apresenta pinturas, esculturas, instalação e fotografias, abordando temas como identidade, relações sociais, paisagem e natureza. Entre os participantes estão Benoit Fournier, Cláudia Lyrio, Fernanda Leme, Ilana Zisman, Kakati de Paiva, Laura Fragoso, Marcio Atherino e Maria Raeder. 🗓️ Quando? Abertura sábado (13), sábado, das 16h às 20h; visitação até 21 de dezembro, de 12h às 18h 📍 Onde? Z42 Arte - Rua Filinto de Almeida, 42 – Cosme Velho)💲 Quanto? Entrada gratuita. 🔞 Classificação: livre. 🎪 Outros eventos Necrotour no Cemitério da Penitência O projeto Necrotour realiza o último passeio do ano neste sábado (13), conduzindo o público por histórias e memórias preservadas no Crematório e Cemitério da Penitência. As inscrições são feitas pelo Instagram do projeto e, nesta edição, a organização pede doações de absorventes para mulheres em situação de vulnerabilidade. 🗓️ Quando? Sábado (13), às 17h30. 📍 Onde? Crematório e Cemitério da Penitência (Rua Monsenhor Manuel Gomes, 307 – Caju) 💰 Quanto? Entrada gratuita, com doação de absorventes 🔞 Classificação: livre. Campanha de Adoção Pet no Bangu Shopping O Bangu Shopping realiza a última Campanha de Adoção Pet do ano neste sábado, reunindo cães e gatos resgatados e prontos para adoção responsável. A ação, em parceria com a Unisuam e a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Animal, oferece também orientações sobre guarda responsável e bem-estar animal. 🗓️ Quando? Sábado (13), das 12h às 17h. 📍 Onde? Corredor do Cinema – Bangu Shopping (Rua Fonseca, 240 – Bangu). 💰 Quanto? Entrada gratuita. 🔞 Classificação: livre. 22ª Parada LGBTI+ de Madureira A 22ª edição da Parada LGBTI+ de Madureira reforça a luta contra o feminicídio e a LGBTfobia Divulgação A tradicional Parada LGBTI+ de Madureira chega neste domingo (14) à 22ª edição com um recado forte: a luta contra o feminicídio e a LGBTfobia. Além da celebração, o evento oferece serviços gratuitos de saúde, como testes rápidos de HIV e sífilis, imunização para HPV, ACWY, febre amarela, tríplice viral, hepatite B, hepatite A, influenza e distribuição de preservativos. Entre as atrações, DJs, baterias das escolas Portela, Império Serrano e Beija-Flor, além de um trio de apresentadores formado por Milton Cunha, Bianca Monteiro e Sabrina Ginga. Nicole Bahls será coroada rainha, e Carla Akotirene, referência na luta antirracista, será a madrinha. 🗓️ Quando? Domingo (14), a partir das 13h. 📍 Onde? Parque Madureira (Rua Soares Caldeira, 115 – Madureira). 💰 Quanto? Entrada gratuita. 🔞 Classificação: Livre.

Palavras-chave: tecnologia

Dados sigilosos de crianças e adolescentes de processos do TJ-SP vazam em sites jurídicos e expõem jovens a constrangimentos e riscos

Publicado em: 11/12/2025 04:01

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos Informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes que responderam por atos infracionais, que, por lei, deveriam estar completamente protegidas, têm sido divulgadas por sites jurídicos como Escavador e Jusbrasil. O vazamento, considerado inédito pela Defensoria Pública de São Paulo, já provocou demissões, abandono escolar e situações de constrangimento entre jovens cujos nomes passaram a aparecer em buscas simples na internet. O Tribunal de Justiça nega falha, e a Defensoria afirma que cabe indenização aos jovens. Os sites jurídicos amentaram a exposição dos jovens e alegaram que apenas reproduziram dados. A origem do vazamento é desconhecida. (leia mais abaixo) Segundo o g1 apurou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Raio X da violência contra a criança e o adolescente no Brasil Um desses serviços mapeou 45 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. “É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz a defensora responsável pelo núcleo. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave", diz Gabriele Estabile Bezerra, coordenadora Auxiliar do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorrem na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado, membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. "Nesse momento, embora os portais se esquivem de assumir uma responsabilidade, o fato é que qualquer divulgação, independentemente da fonte de obtenção, ela é uma infração administrativa, então os portais são responsáveis por essa divulgação, sim. Além da indenização, que esses adolescentes podem fazer jus. E aí, teria que investigar qual que é a origem para a gente poder pensar em espécies de responsabilidade seja penal, seja administrativa, seja na indenização da história cível", completou Gabriele. Dados de adolescente expostos em site jurídico Reprodução Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. Um desses casos é de um adolescente que cumpriu medida socioeducativa por seis meses em uma creche para crianças pequenas. O pai explica que o filho só passou a responder ao processo porque se aproximou de um adolescente que, segundo ele, era o verdadeiro responsável pelo ato infracional investigado. “O principal adolescente no processo é o 'fulano'. Meu filho acabou sendo investigado por estar perto dele, mas o juiz enxergou que ele não tinha cometido nada. Ele foi inocentado”, afirma. O pai conta que o jovem ficava muito tempo sozinho em casa e acabou se envolvendo com um grupo que considerava perigoso, mas que o acolhia. “Ele mesmo dizia: 'Eu sabia que eles faziam coisa errada, mas eu falava que era contra. Eram as pessoas que conversavam comigo, que jogavam joguinho online comigo'.” Por isso, ele acabou recebendo uma medida socioeducativa leve, voltada para orientação. “O juiz entendeu que ele precisava aprender a selecionar amizades, a tomar cuidado com internet, com redes sociais”, diz o pai. O processo do adolescente foi arquivado após seis meses, quando a Justiça concluiu que ele não havia participado do ato infracional. Segundo o pai, o processo foi arquivado e o filho inocente pelo juiz. Mesmo assim, passou a ser alvo de estigma na escola depois que o processo apareceu ao se digitar seu nome no Google. “Eu tenho o print do Jusbrasil. Se digitava o nome dele na internet, aparecia o processo”, disse. Ele afirma que, a partir disso, o adolescente passou a ser visto como “perigoso” e “agressivo” por colegas e funcionários. “O segurança falava no rádio: 'menino chegou, toma cuidado', como se ele fosse um ladrão”, relatou. O pai conta ainda que a coordenadora o chamou numa sala fechada e insistiu para que ele admitisse ter machucado alguém, o que ele negou repetidas vezes. A família também acredita que a escola vasculhou as redes sociais do jovem, já que um vídeo postado apenas para amigos acabou enviado ao técnico da medida. O pai diz que o conjunto dessas situações fez o filho voltar a apresentar sintomas de depressão. “Ele estava muito bem, mas voltou a ficar triste, revoltado. Parou de ir para a escola.” Hoje, o adolescente estuda em regime domiciliar. TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação. 1. Compromisso com proteção de dados e com a legislação O Escavador reafirma seu compromisso integral com: a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD); o Marco Civil da Internet (MCI); o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o chamado ECA Digital. Nosso modelo de atuação não envolve a coleta clandestina, a venda ou o vazamento de dados sigilosos. A plataforma organiza e indexa informações que já foram tornadas públicas em bases oficiais do Poder Judiciário, com o objetivo de facilitar o acesso e a compreensão de dados públicos. O Escavador não tem poder de alterar, classificar como sigiloso ou tornar público qualquer dado na origem. Toda informação exibida reflete, de forma automatizada, o status com que ela é disponibilizada pelos órgãos oficiais competentes. 2. Origem das informações exibidas A partir da análise técnica já realizada, constatamos que os processos mencionados na reportagem constavam como publicamente acessíveis em bases oficiais de consulta, incluindo a plataforma Jus.br, administrada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesses casos, o Escavador: apenas reproduziu e indexou informações que já estavam abertas à consulta pública; não teve participação na decisão de tornar tais dados públicos; não realizou qualquer ação de invasão, extração indevida ou quebra de sigilo. A responsabilidade pela correta classificação (público/sigiloso) dos processos e pela proteção especial de dados de crianças e adolescentes é, por lei, dos órgãos que administram esses sistemas oficiais. Ainda assim, o Escavador entende que faz parte do mesmo ecossistema de Justiça digital e, por isso, age de forma colaborativa e preventiva. 3. Medidas imediatas adotadas pelo Escavador Assim que fomos notificados sobre as alegações, adotamos, com máxima prioridade, as seguintes medidas: Remoção imediata de conteúdo Todas as páginas relacionadas aos processos citados foram prontamente removidas da plataforma, impedindo novos acessos por meio do Escavador. Reforço de rotinas de monitoramento Intensificamos nossos mecanismos de verificação e monitoramento de dados provenientes de fontes oficiais, com atenção especial a situações que possam envolver crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis. Colaboração técnica com o Poder Judiciário Colocamos nossa equipe técnica à disposição do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e demais órgãos competentes para: apoiar na identificação da origem das publicações indevidas em bases oficiais; colaborar em melhorias de prevenção e correção de eventuais inconsistências na classificação de processos sigilosos. As informações colhidas em nossa análise técnica estão à disposição das autoridades para quaisquer apurações que entenderem cabíveis. 4. Papel do Escavador no ecossistema de Justiça digital O Escavador é uma das mais de 20 lawtechs e legaltechs associadas à AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) que atuam de forma legítima e transparente na organização de dados públicos, contribuindo para a democratização do acesso à Justiça. Situações em que processos que deveriam ser sigilosos aparecem como públicos em bases oficiais representam um desafio relevante para todo o sistema de Justiça digital. Por isso, o enfrentamento desse tipo de problema exige: correções na origem, nos sistemas oficiais que classificam e divulgam os dados; diálogo técnico constante entre Poder Judiciário, órgãos reguladores, especialistas em proteção de dados e empresas de tecnologia jurídica. O Escavador reitera sua postura colaborativa e responsável, colocando-se à disposição para contribuir com soluções que reforcem a proteção de dados – em especial de crianças e adolescentes – em todo o ciclo de vida da informação, desde a publicação oficial até eventuais indexadores de busca. 5. Exercício de direitos e canais de atendimento O Escavador incentiva que qualquer titular de dados exerça plenamente seus direitos de privacidade e autodeterminação informativa. Para isso, mantém canais específicos e acessíveis: Política de Privacidade https://www.escavador.com/politica-de-privacidade Formulário de Remoção de Dados Disponível na plataforma para solicitações de exclusão, ocultação ou desindexação de resultados associados a nomes de pessoas físicas ou jurídicas, analisadas com a maior brevidade possível. Canais de atendimento: contato@escavador.com dpo@escavador.com O Escavador permanece à disposição da imprensa, das autoridades e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários. O que diz o Jusbrasil "O Jusbrasil organiza e disponibiliza dados públicos extraídos de fontes oficiais do sistema de justiça. Desde a entrada no ar do Jusbrasil, criamos mecanismos de remoção de informações pessoais, mesmo que estejam disponíveis em sites oficiais. Já foram mais de 15 milhões de processos que tiveram informações desidentificadas de forma proativa. Essas medidas incluem casos de adolescentes que cumprem ou cumpriram medidas socioeducativas. Nos casos de informações que tenham sido publicadas erroneamente pelas fontes oficiais e não tenham sido contempladas em nossos mecanismos automáticos de prevenção, temos um canal de atendimento que funciona 24 horas por dia para solicitação de desidentificação das informações. Nos diários oficiais, havendo o pedido, a desidentificação é imediata."

Perigo no WinRAR: falha crítica permite invasão e execução de código remoto no PC

Publicado em: 10/12/2025 13:58 Fonte: Tudocelular

A Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura dos EUA (CISA) adicionou uma falha de segurança que afeta o utilitário de compressão de arquivos WinRAR à sua lista de Vulnerabilidades Conhecidas e Exploradas (sigla KEV, em inglês), o que confirma a exploração ativa por diversos grupos de hackers.A vulnerabilidade, rastreada como CVE-2025-6218 tem pontuação CVSS de 7.8 e é um bug de percurso de caminho (path traversal) que permite a execução de código no sistema do usuário. Para que a exploração seja bem-sucedida, a vítima precisa visitar uma página maliciosa ou abrir um arquivo contaminado. Segundo a CISA, o ataque permite que o invasor execute código no contexto do usuário atual. A própria RARLAB, desenvolvedora do software, notou que a falha poderia ser explorada para colocar arquivos em locais sensíveis, como a pasta de inicialização do Windows, o que leva à execução de código não intencional no próximo login.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hackerhackerswindows

Profissionais do futuro: a formação que prepara para um mercado em transformação

Publicado em: 10/12/2025 08:22

Como a Univassouras prepara talentos para um mercado em mudança, unindo técnica, comportamento e visão de futuro. Em um mercado que evolui em ritmo acelerado, ser um profissional relevante não depende apenas de dominar conteúdos, mas de desenvolver visão crítica, autonomia, sensibilidade humana e capacidade real de transformar conhecimento em ação. É essa combinação que sustenta a empregabilidade, hoje e nos próximos anos. É justamente com essa perspectiva que nasce a segunda edição do Projeto Mentoria de Carreiras, da Univassouras, conduzido pela recrutadora e mentora Mariana Reis. A iniciativa aproxima jovens talentos das exigências atuais do mercado e apresenta, de forma clara e prática, o que de fato diferencia os profissionais que serão contratados, promovidos e reconhecidos no futuro. Toda trajetória se sustenta sobre dois pilares: competências técnicas e competências comportamentais. Mariana reforça que o domínio técnico é seu saber; o comportamento é seu “fazer acontecer”. E nenhuma carreira evolui quando essa balança pesa só de um lado. Segundo ela, muitos jovens não conseguem se destacar porque desconhecem suas próprias forças e pontos de desenvolvimento. “Você só vende aquilo que conhece”, reforça. Por isso, autoconhecimento profissional é o primeiro passo para construir posicionamento e narrativas que abram portas. Na Univassouras, esse processo é fortalecido pela atuação da CCOE, que apoia alunos desde o início da graduação, estimulando reflexão, escolhas intencionais e clareza sobre a identidade profissional em construção. Mentoria de Carreiras - Profissional do Futuro O que o mercado procura e por que isso importa O profissional do futuro é quem soma técnica, visão sistêmica e comportamento protagonista. Entre as competências mais demandadas hoje, Mariana destaca: Sensibilidade para o cliente: entender quem você atende, interna ou externamente, é o ponto de partida para gerar valor. Melhoria contínua de processos: profissionais que dominam suas rotinas e, depois, buscam aprimorá-las, se destacam naturalmente. Fluência digital: não se trata de programar, mas de reconhecer as tecnologias que impactam sua área e usá-las a favor do trabalho. Curadoria de informações: em meio a um excesso de dados, saber identificar fontes seguras é uma habilidade decisiva para tomadas de decisão. Visão crítica e coragem de sugerir: inovar exige vulnerabilidade, análise e disposição para propor caminhos ainda não explorados. Para Mariana, autonomia para aprender e curadoria para decidir resumem a demanda do mercado atual. Hoje, as empresas esperam profissionais que saibam priorizar tarefas, buscar conhecimento por conta própria, organizar informações e sustentar decisões com base sólida. Na universidade, esse desenvolvimento é estimulado com projetos aplicados, vivências multidisciplinares, oficinas de comunicação e atividades que fortalecem protagonismo, inteligência emocional e visão de mercado. Uma formação que acompanha o ritmo do mundo real Ser um profissional do futuro não significa esperar estar “pronto”, mas avançar continuamente. A Univassouras orienta seus estudantes a começar com o que já têm, aprimorar o que funciona, desenvolver o que falta e construir caminhos alinhados ao propósito pessoal e às exigências do mercado. A CCOE, as mentorias, o contato com empresas e as experiências práticas criam um ambiente onde intenção, clareza e consistência se transformam em resultados. Aqui, carreira é movimento e cada passo consciente amplia as possibilidades. O mercado precisa de profissionais inovadores, críticos e autônomos. Na Univassouras, esse profissional começa a ser formado hoje, com pilares firmes, reflexão contínua e uma educação que prepara, ao mesmo tempo, para o agora e para o que vem depois.

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Projeto oferece 500 vagas em oficinas e formação profissional com bolsa de R$ 500 para jovens; saiba como se inscrever

Publicado em: 09/12/2025 15:26

IFPE e UFPE abrem 500 vagas em oficinas e formação profissional Jovens do Recife e do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana, podem participar concorrer a 500 vagas para oficinas e formação profissional. Os selecionados também recebem acompanhamento multiprofissional e auxílio mensal de R$ 500. A oportunidade é oferecida pelo Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No estado, o projeto é executado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), em parceria com a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE (Fade). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Os interessados podem se inscrever até 23 de dezembro pelo site do programa. Para os jovens sem acesso à internet, serão disponibilizados pontos de apoio com computadores durante todo o prazo de inscrição, de segunda a sexta-feira. Os locais estão listados no edital. Podem participar jovens entre 15 e 24 anos, que morem nos bairros do Cordeiro, Ibura ou Joana Bezerra, no Recife, e de Gaibu ou Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho. Os selecionados receberão auxílio permanência por até 12 meses, a depender da frequência e participação nas atividades do projeto. LEIA TAMBÉM: Recife abre 300 vagas para quem quer tirar CNH de graça Atividades e oficinas O Pronasci Juventude oferece acompanhamento multiprofissional com equipes formadas por profissionais de serviço social, psicologia, pedagogia, direito, redução de danos e articulação territorial. Os alunos também vão participar de oficinas de arte, cultura, esporte e lazer, além de atividades voltadas à comunidade e formação profissionalizante. Todas as ações são gratuitas para os estudantes selecionados. Para participar, é necessário que os beneficiários tenham disponibilidade para atividades presenciais três vezes por semana, totalizando 12 horas semanais. A seleção será feita por entrevistas individuais presenciais, conduzidas pelas equipes técnicas locais, entre os dias 5 e 30 de janeiro. Serão avaliados interesse, motivação, disponibilidade, condições socioeconômicas e situação de vulnerabilidade sócio-racial agravada. O resultado será divulgado no dia 23 de fevereiro. As aulas começam em 16 de março e são realizadas nas unidades: Escola Professora Maria Thamar Leite da Fonseca, Gaibu - Cabo de Santo Agostinho Centro Cultural Mestre Dié, Ponte dos Carvalhos - Cabo de Santo Agostinho Escola Municipal Arraial Novo do Bom Jesus, Cordeiro - Recife Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EMTI) Professor José da Costa Porto, Joana Bezerra - Recife Escola Municipal Maria de Sampaio Lucena, Ibura - Recife Imagem de arquivo mostra sede do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), na Zona Oeste do Recife Pedro Alves/g1 VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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Mundo pode registrar primeira alta em mortes infantis em 25 anos

Publicado em: 09/12/2025 04:00

Rede SUS recebe vacina contra vírus sincicial respiratório Depois de 25 anos de queda contínua, o mundo deve voltar a registrar um aumento nas mortes de crianças menores de 5 anos. A projeção faz parte do relatório Goalkeepers 2025, da Fundação Gates, que estima um salto de 4,6 milhões de mortes em 2024 para 4,8 milhões em 2025 — um acréscimo de 200 mil vidas perdidas em apenas um ano. O documento descreve 2025 como um “ponto de virada” em que avanços tecnológicos convivem com sistemas de saúde fragilizados, cortes em financiamento e desigualdades ampliadas. A combinação, segundo os autores, ameaça desfazer parte do progresso que reduziu pela metade a mortalidade infantil desde o início dos anos 2000. Prefeitura de BH prorroga campanha de vacinação contra a paralisia infantil Divulgação/PBH Por que as mortes estão voltando a subir Não há uma única causa, mas uma convergência: queda nas coberturas vacinais, enfraquecimento da atenção primária, retorno de doenças evitáveis, insegurança alimentar e vulnerabilidade social, sistemas de saúde sobrecarregados e desiguais. Para o pediatra e infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o cenário global reflete uma “combinação perigosa”. Ele cita queda nas taxas de vacinação, aumento da pobreza e impacto residual da Covid-19 na estrutura de saúde: “É um conjunto de fatores que pressiona todos os indicadores. A pandemia desacelerou muito as quedas e expôs fragilidades profundas. Quando sistemas de saúde não conseguem responder, esses retrocessos aparecem primeiro nas crianças.” Kfouri relembra que a mortalidade neonatal — mortes nos primeiros 28 dias — continua sendo um dos pontos mais críticos. “As principais causas de morte infantil ainda estão associadas à gestação, ao parto e às infecções preveníveis. A chave para virar esse jogo está justamente nas vacinas e no fortalecimento da atenção básica.” Vacina contra a Covid-19 passa a fazer parte do calendário nacional de vacinação infantil de rotina Prefeitura de Jundiaí/Divulgação Vacinação baixa aumenta internações e mortes O relatório aponta que a queda na vacinação é um dos fatores centrais para o aumento das mortes infantis. No Brasil, essa relação já aparece na prática: hospitais registram mais internações e óbitos por doenças evitáveis, especialmente entre não vacinados. Diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o pediatra Juarez Cunha explica que a baixa adesão a vacinas que já estão disponíveis leva a um aumento imediato de internações e de mortes: “Quando uma vacina deixa de ser aplicada, reflete nos números. No Rio Grande do Sul, a maioria das pessoas que foram internadas e morreram por influenza este ano não estava vacinada —e estamos falando de uma vacina que está disponível.” Ele relembra que, entre crianças, a cobertura de gripe não chegou a 50% em 2024, o que amplia o número de casos graves. A pediatra Isabella Balallai, também diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que o efeito não é apenas individual: “Com baixa adesão, a demanda explode. E, dependendo da estrutura do serviço de saúde, isso leva a consequências muito importantes, não só para a criança, mas para a saúde pública inteira.” Atenção primária frágil amplia risco de mortes evitáveis Segundo o relatório, até 90% das mortes infantis poderiam ser evitadas com atenção primária forte, que inclui: pré-natal adequado, acompanhamento do bebê, acesso a vacinas, detecção precoce de infecções, nutrição segura. Cunha reforça essa visão: “Grande parte das mortes infantis é evitável. O pré-natal de qualidade é decisivo, porque muitos óbitos ocorrem no período neonatal. Se não cuidamos bem da gestante, essa morte aparece depois no bebê. Inovações que podem reverter a tendência O documento destaca avanços capazes de salvar milhões de vidas: Vacinas maternas, como a do vírus sincicial respiratório (VSR), recém-introduzida no Brasil. Esquemas reduzidos de pneumocócica (PCV), que mantêm proteção e reduzem custos. Tecnologias contra malária, como mosquiteiros com duplo inseticida e mapas digitais para direcionar ações. Tratamentos de longa ação para HIV, que diminuem novas infecções e mortes em bebês. Para Cunha, a vacinação materna contra o VSR é emblemática: “É uma estratégia com impacto enorme: protege o bebê antes mesmo do nascimento. Mas, para funcionar, a adesão precisa melhorar — e isso vale para todas as vacinas da gestante, como gripe, Covid-19, coqueluche.” Criança sendo imunizada contra a poliomielite em Porto Velho; paralisia infantil; gotinha; vacinação Divulgação/Prefeitura de Porto Velho E o Brasil? País avança, mas desigualdades preocupam Ao contrário da tendência global apontada pela Fundação Gates, o Brasil tem registrado queda recente na mortalidade infantil, segundo o Ministério da Saúde. Os especialistas ouvidos pela reportagem, porém, fazem um alerta: essa melhora não é homogênea. Eles destacam que existem regiões com 100% de cobertura vacinal e outras, mais vulneráveis, “com índices muito baixos dentro da mesma cidade”: "Essa desigualdade de acesso cria bolsões de risco. Foi o que vimos desde 2016, quando as coberturas começaram a cair e as mortes por doenças imunopreveníveis subiram. Agora estamos recuperando as coberturas, e isso se reflete nos números", diz Cunha. Kfouri complementa que o Brasil tem vantagens — como o SUS e um PNI robusto —, mas não está imune ao cenário global: “Quando há fragilidade sistêmica, a criança é sempre a primeira a adoecer e a primeira a morrer. A lição do mundo vale para nós também: sem cobertura vacinal alta e atenção básica forte, as mortes evitáveis voltam.” O que está em jogo O relatório projeta que cortes internacionais em saúde podem resultar em: 12 milhões de mortes infantis adicionais até 2045, se o corte for de 20%; 16 milhões de mortes, se o corte chegar a 30%. Ao mesmo tempo, inovações já disponíveis poderiam salvar até 9 milhões de crianças no mesmo período — combinando vacinas de nova geração, prevenção de malária e imunização materna. O futuro, dizem os autores, depende de uma escolha global: continuar perdendo terreno ou investir para que as crianças sobrevivam aos primeiros anos de vida, o período mais vulnerável da existência humana. EUA mudam diretriz de vacinação infantil

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Hiperconectividade e cobrança excessiva são combustíveis para adoecimento mental, diz psicóloga

Publicado em: 08/12/2025 07:19

Os cuidados com o excesso de uso de celular e a saúde mental A saúde mental tornou-se um tema central em um contexto social marcado pela aceleração, hiperconexão e múltiplas exigências. Para discutir os desafios impostos por essa realidade, especialmente o uso excessivo de tecnologia, o g1 conversou com a psicóloga clínica Ana Grasieli Lustosa. Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Em entrevista, a especialista desmistificou o conceito de saúde mental, alertou para os perigos do "adoecimento silencioso" e deu orientações sobre como manejar a relação com as telas e as cobranças do cotidiano. O que é (e o que não é) saúde mental De acordo com a psicóloga, é importante entender que saúde mental não é a ausência de sofrimento. "Saúde mental na verdade é a gente conseguir lidar com os nossos sentimentos, com as nossas frustrações. Sofrer é humano, mas de uma forma que a gente não entra em colapso", explica Ana Grasieli. Ela critica a cobrança social por um estado de felicidade e equilíbrio constante. "A gente se cobra muito esse bem-estar o tempo inteiro, mas o sofrimento existe, e a gente tem que saber lidar com ele." Ela enfatiza que todos os sentimentos têm uma função. "A ansiedade, a tristeza, a raiva, tudo isso tem uma função. Quando a gente está triste, a gente pensa melhor, a gente para para refletir." O problema, segundo ela, surge no desequilíbrio e no excesso dessas emoções. 'Sofrimento silencioso' e pressão por produtividade Um fenômeno preocupante observado por Ana Grasieli em seu consultório é o "adoecimento silencioso". "As pessoas conseguem ser funcionais, vão ali para o seu dia a dia... mas internamente a alma está cansada, e aí isso não é dito, isso vai acumulando e rompe". Ela atribui parte desse quadro à cultura da produtividade tóxica. "Não posso sofrer, tenho que estar bem, tenho que produzir, esse excesso de produtividade o tempo inteiro." A psicóloga também alerta para a "era do motivacional", que prega a necessidade de estar sempre motivado para agir. "Isso adoece muito... se eu fosse para a motivação o tempo inteiro, a gente não fica motivado o tempo inteiro, todo dia, toda hora, isso não é verdade". Ela aconselha a ação em pequenos passos, sem esperar pela motivação plena. Hiperconectividade: excesso de estímulos e comparação Ana Grasieli afirma que uso excessivo de telas pode adoecer: "Isso acaba adoecendo porque a gente se compara o tempo todo com o que é perfeito, e não é real". Ela explica que o cérebro humano não foi preparado para o volume de informações e estímulos recebidos atualmente. "É muito estímulo para o nosso interno." Como sinal de alerta para uma relação prejudicial com o celular, ela cita a nomofobia (medo de ficar desconectado) e comportamentos como ser a primeira e a última atividade do dia. "Quando você se vê realmente conectado o tempo inteiro, pegando na hora da refeição... é de manhã quando acorda, a primeira coisa é ver o celular... aí já é um sinal de alerta." A especialista recomenda pausas intencionais ao longo do dia e a qualidade do uso em vez de focar apenas na quantidade. "É importante você se desconectar, tem gente que dorme com estímulo com a tela e aquilo bloqueia a substância que é importante para dormir." Desigualdades de gênero e acesso à ajuda A entrevista também abordou como questões sociais impactam a saúde mental. Ana Grasieli citou que pessoas em situação de vulnerabilidade, como a pobreza, têm maior exposição à frustração e ao estresse, fatores de risco para transtornos. Sobre a diferença entre gêneros, ela confirmou que as mulheres são mais diagnosticadas com depressão, atribuindo isso à sobrecarga da dupla ou tripla jornada e a cobranças externas e internas por perfeição. Já os homens, segundo sua experiência clínica, ainda enfrentam mais resistência em buscar e dar continuidade à terapia. "Eles até buscam quando estão em crise, já, mas muitos não sustentam... acham que não precisa." Ela reforça que a terapia é uma ferramenta de prevenção e não apenas de crise. Como atravessar o fim de ano e a "dezembrite" Falando sobre o fenômeno conhecido como "dezembrite", a psicóloga explicou que é um período de tensão agravada pela reflexão sobre o ano, expectativas para o próximo, reuniões familiares que podem gerar conflitos e comparações sociais. "Juntando todas essas questões... é um momento de cobranças". Para atravessar este e qualquer período com mais saúde mental, Ana Grasieli deixa recomendações finais: Reduza a autocobrança e as comparações. Aceite que o sofrimento é natural e permita-se sentir. Faça pausas ao longo do dia para respirar e refletir. Fale sobre o que sente com alguém de confiança ou com um profissional. "Quando você fala, você já entra no processo de cura". Não tenha medo de buscar ajuda profissional (psicólogo ou psiquiatra). Sobre a medicação, ela tranquiliza: "é um tratamento assim como qualquer outro, você toma por um tempo, faz o desmame". Hiperconectividade e cobrança excessiva são combustíveis para adoecimento mental, diz psicóloga Hollie Adams/Reuters Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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Vereadores aprovam gratuidade nos ônibus em datas da programação natalina em Rio Branco

Publicado em: 07/12/2025 15:35

Acender das luzes do governo do AC e prefeitura é adiado por conta de chuvas em Rio Branco A Câmara Municipal de Rio Branco aprovou por unanimidade, no último sábado (6), um Projeto de Lei Complementar que garante gratuidade no transporte coletivo urbano em nove datas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. A medida votada em caráter de urgência, chamada de 'De Carona com a Dignidade', busca facilitar o deslocamento da população durante a programação natalina no Centro da capital. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Pelo texto, a tarifa será zerada nos dias 6, 7 (dia do acender das luzes da prefeitura e governo após fortes chuvas), 14, 20 (dia da apresentação com drones), 21, 28 e 31 de dezembro de 2025, além de 4 e 10 de janeiro de 2026 (último dia da decoração natalina). Em todos os dias, a gratuidade valerá das 17h30 às 23h30, faixa de maior circulação de famílias que visitam as atrações de fim de ano. LEIA TAMBÉM: Por conta das chuvas, acender das luzes de Natal é adiado para este domingo (7) Veja a programação natalina do governo do AC em 2025 Acender das luzes natalinas ocorre neste domingo (7) em Rio Branco Marcos Araújo/Assecom A proposta também define que a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (RBTrans) será responsável por ajustar o sistema de bilhetagem eletrônica para aplicar o benefício, monitorar o número de passageiros transportados e repassar à concessionária os valores referentes ao subsídio. O pagamento será feito com base no Relatório Individual de Controle (RIC), documento que registra a circulação de usuários. Orçada em R$ 4,5 milhões, a ornamentação 'Natal de Vida, Esperança e Dignidade 2025' conta com painéis de LED e uma árvore de Natal de cerca de 20 metros, quatro metros a mais que a estrutura montada ano passado, segundo a gestão municipal. Vereadores aprovam PL que autoriza compra de brinquedos para crianças carentes na capital Outro projeto aprovado Na mesma sessão, também foi aprovado um projeto de lei complementar que autoriza a prefeitura comprar e distribuir 50 mil brinquedos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social em datas comemorativas. O projeto foi encaminhado pelo prefeito Tião Bocalom (PL) com previsão de gastos de R$ 1,5 milhão dos cofres públicos. No pedido, enviado na última quinta-feira (4), a prefeitura solicitou que seja feita a análise do impacto orçamentário-financeiro da lei. Cada brinquedo deve custar cerca de R$ 30, segundo a estimativa de compra. Os recursos utilizando devem ser do fundo municipal da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH). Prefeitura de Rio Branco pretende gastar R$ 1,5 mi em brinquedos para crianças em vulnerabilidade Assessoria TJ/AC VÍDEOS: g1

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