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Zoológico de João Pessoa não tem previsão de reabertura após jovem morrer em recinto de leoa

Publicado em: 02/12/2025 10:18

Homem é morto por leoa após entrar em jaula em zoológico de João Pessoa O Parque Zoobotânico Arruda Câmara, conhecido como Bica, ficará fechado por tempo indeterminado para visitação, após a morte de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que invadiu o recinto da leoa, neste domingo (30), em João Pessoa. O fechamento aconteceu no dia do incidente. Segundo a Prefeitura de João Pessoa, foi realizada uma reunião técnica para discutir o caso. A direção do parque, médicos-veterinários, especialistas técnicos e gestores da Bica avaliaram os pontos de vulnerabilidade e definiram medidas adicionais de segurança para o local. Novas ações de monitoramento e controle, como câmeras de vigilância equipadas com reconhecimento facial e análise de comportamento, serão viabilizadas pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Cidadania (Semusb) para ampliar a segurança do parque. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) abriu uma investigação para acompanhar as medidas adotas pela prefeitura, após a morte de Gerson. Segundo a prefeitura, uma equipe do Conselho Regional de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV-PB) também participará de uma inspeção técnica para contribuir com as normas técnicas. A Secretaria de Meio Ambiente (Semam) informou, ainda, que já formalizou pedido à Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) para a criação de uma comissão de acompanhamento formada por parlamentar. A Semam afirmou que o parque é um espaço de acolhimento de animais vítimas de maus-tratos ou do tráfico, com rigor técnico no tratamento e cuidado veterinário, e que vai permanecer à disposição dos órgãos de controle e fiscalização. Corpo do homem é sepultado O corpo de Gerson de Melo Machado, de 19 anos, foi sepultado na tarde desta segunda-feira (1º) no Cemitério do Cristo, em João Pessoa. O jovem morreu no domingo (30) após invadir o recinto de uma leoa no Parque Arruda Câmara, a Bica, onde acabou atacado pelo animal. O velório ocorreu no início da tarde, no próprio cemitério, e reuniu parentes e integrantes da assistência social que acompanharam Gerson nos últimos anos. Gerson morava com a avó no bairro de Mangabeira, na zona sul da capital paraibana. Ainda de acordo com a família, a avó era uma das pessoas mais abaladas durante o velório. Homem que morreu após entrar em recinto de leoa em João Pessoa é sepultado Ícara Menezes/Arquivo Pessoal ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Entenda o caso O que se sabe sobre o caso do homem que entrou na jaula de uma leoa em João Pessoa Um vídeo mostra o momento em que Gerson entrou no recinto de uma leoa no zoológico Parque Arruda Câmara, neste domingo (30). O animal reage e o homem acaba morrendo em decorrência dos ferimentos. As imagens, que circulam nas redes sociais, registram inclusive o ataque do animal ao invasor. No vídeo é possível observar Gerson subindo por uma estrutura lateral da jaula, e, em seguida, ele usa a árvore do recinto da leoa como apoio para entrar no espaço. Logo após, é atacado pelo animal. De acordo com informações repassadas à TV Cabo Branco, ele tinha transtornos mentais. Em nota, a Prefeitura de João Pessoa informou que o homem escalou rapidamente uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de segurança, usou uma árvore como apoio e entrou no recinto da leoa. A prefeitura disse que já começou a apurar as circunstâncias do caso, manifestou solidariedade à família da vítima e afirmou que o espaço segue normas técnicas e de segurança. A Polícia Militar e o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) foram acionados para o local do ocorrido. O zoológico foi fechado após o ataque e as visitas foram suspensas. Ainda não há previsão para reabertura. No momento em que o homem entrou na jaula, o parque estava aberto e recebia visitantes. Homem invade jaula e é morto por leoa em zoológico de João Pessoa Reprodução LEIA TAMBÉM: O que se sabe sobre o caso do homem morto por leoa após invadir recinto em zoológico de João Pessoa Homem morto por leoa tinha esquizofrenia e foi tratado com descaso pelo Estado, diz conselheira tutelar Morte de homem que entrou em jaula de leoa em João Pessoa repercute na imprensa internacional Justiça determinou internação dele mais de uma vez CASO GERSON: conselheira tutelar relata anos de acompanhamento do jovem A Justiça determinou, por mais de uma vez, que Gerson de Melo Machado, de 19 anos, fosse internado em uma instituição de longa permanência. O g1 teve acesso a uma decisão de 30 de outubro, do juiz Rodrigo Marques de Silva Lima, e a juíza Conceição Marsicano disse à TV Cabo Branco que também determinou a medida. Na decisão à qual o g1 teve acesso, do juiz Rodrigo Marques de Silva Lima, Gerson foi colocado como inimputável por ter esquizofrenia. Pela gravidade de seu caso, a decisão diz que o tratamento ambulatorial era insuficiente, sendo necessária uma internação. “O tratamento ambulatorial seria insuficiente para conter o ímpeto perigoso do réu e para garantir a eficácia do tratamento psiquiátrico inicial. A internação, em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), é a medida mais adequada para resguardar a ordem pública e,principalmente, assegurar a Gerson de Melo Machado o tratamento”. A juíza Conceição Marsicano informou à TV Cabo Branco que também solicitou o acompanhamento especializado de Gerson. “Ele foi encaminhado para o CAPS, porque ele tem atestado, ele tem laudo nesse sentido. As condições, qual o procedimento que se dá lá, aí fica por conta do órgão técnico, que é quem fiscaliza tudo e aí teria obrigação de acompanhar, não só acompanhar, penso que iria além”, explicou a juíza. Leoa não será sacrificada Leona, leoa que matou homem que invadiu recinto dela no zoológico de João Pessoa Reprodução/PMJP Leona, leoa que matou Gerson após ele invadir o recinto dela no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa, no domingo (30), nasceu no próprio zoológico, há 19 anos, e não vai ser sacrificada. Segundo a direção da Bica, Leona está recebendo cuidados pela equipe técnica pois passou por um nível elevado de estresse. A leoa ficou "estressada" e em "choque" neste domingo (30). A informação foi confirmada pelo veterinário do parque, Thiago Nery. Segundo Nery, o animal passou por treinamentos que ajudaram a equipe a contê-lo sem uso de armas ou tranquilizantes. “Ele obedeceu e voltou para o recinto, mas houve demora porque estava muito estressado e em choque”, explicou. O ataque ocorreu durante o horário de funcionamento do parque e foi registrado por visitantes que estavam no local. Segundo a prefeitura de João Pessoa, o homem escalou uma parede de mais de 6 metros, passou por grades de proteção e usou uma árvore como apoio para acessar o recinto do animal. INFOGRÁFICO: Homem é morto por leoa em zoológico da Paraíba Fonte: Arte/g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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Cuiabá inicia processo de desapropriação para regularizar área do Contorno Leste

Publicado em: 01/12/2025 10:29

Medida permitirá dar início ao processo de regularização fundiária, segundo Abilio Erlan Aquino A Prefeitura de Cuiabá informou que será protocolado, nesta segunda-feira (1º), o pedido formal de desapropriação da área do Contorno Leste. O anúncio foi feito pelo prefeito Abilio Brunini (PL) durante reunião realizada neste domingo (30) com moradores da região. Segundo Abilio, a medida permitirá dar início ao processo de regularização fundiária e oferecer segurança sobre a moradia às famílias instaladas no local. Ele ainda afirmou que a desapropriação é o melhor caminho para resolver o impasse, devido a presença de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade, que moram no local. Ele ressaltou que, embora a devolução da terra aos proprietários fosse a solução juridicamente mais adequada, o cenário social exige atenção especial, já que muitas famílias investiram recursos na construção das moradias e não têm outro lugar para onde ir. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias de MT em tempo real e de graça O prefeito destacou que eventuais irregularidades individuais serão tratadas separadamente ao longo do procedimento. O objetivo, segundo ele, é garantir tranquilidade para que os moradores possam concluir o ano com mais segurança. Conforme a prefeitura, além do pagamento aos proprietários via Justiça, a administração pública enviará à Câmara Municipal um projeto de lei para desafetar uma área pública localizada na via que passa pelo Aeroporto Bom Futuro, para resolver pendências relacionadas ao aeroporto e, ao mesmo tempo, viabilizar a solução para o Contorno Leste. No entanto, até a última atualização desta reportagem, nenhuma emenda parlamentar foi destinada ao processo de regularização. A decisão de desapropriar o terreno e iniciar a regularização fundiária foi tomada no sábado (29), após diálogos com a comunidade, representantes do Judiciário e do Ministério Público. De acordo com a administração municipal, os proprietários serão indenizados. Com o início da regularização, a prefeitura poderá implantar serviços essenciais, como iluminação pública, abastecimento de água e outros atendimentos básicos. A equipe da Assistência Social deve fazer visitas técnicas para avaliar a situação de cada família. Suspensão de desocupação Em outubro, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a desocupação em uma área do Contorno Leste, onde vivem cerca de 5 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social, em Cuiabá. A liminar foi assinada pelo ministro Flávio Dino, que apontou irregularidades no relatório social elaborado pelo Governo de Mato Grosso e considerou que os critérios adotados para definir quem é vulnerável desrespeitam decisões já fixadas pelo STF e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na época da ação, movida pelo morador José Leonardo Vargas Galvis, foram citados como réus o CNJ, a Comissão de Soluções Fundiárias de Mato Grosso e o governador Mauro Mendes (União Brasil). A suspensão foi determinada após o ministro considerar que a triagem do Estado ignorou a realidade local e violou direitos fundamentais, como o acesso à moradia digna. Manifestação Moradores fazem protesto em Cuiabá Duas semanas antes da decisão, vários moradores se reuniram e protestaram em frente à Prefeitura Municipal. Na época, pediram a regularização do local após serem notificados pela Justiça para deixarem a região, que é propriedade privada. A decisão deu às famílias 40 dias para desocupar a área, mas agora, com a decisão do STF, esse prazo está suspenso até o julgamento final do processo. Segundo os moradores, eles ocupam a área desde 2023, antes de o proprietário entrar com uma ação pedindo a reintegração de posse do local. Moradores durante o protesto, em Cuiabá TVCA

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'Dou uma ligada e você toma dois tiros na cabeça', diz pastor em discurso contra pessoas em situação de rua

Publicado em: 01/12/2025 10:26

'Dou uma ligada e você toma dois tiros', pastor faz discurso contra pessoas em situação de rua Um vídeo gravado na Câmara dos Vereadores de Divinópolis, em Minas Gerais, mostra um pastor identificado como Wilson Botelho fazendo ameaças a pessoas em situação de rua. "Você não fica aqui, que aqui, se você atravessar aquela ponte, amanhã às 4 horas da tarde, eu vou fazer seu sepultamento", diz o homem em uma gravação. "É só eu dar uma ligada e você toma dois tiros na cabeça”, continua (veja vídeo acima). Divinópolis é uma das cidades brasileiras em que algumas autoridades são acusadas de retirar à força pessoas em situação de rua das cidades. As declarações ocorrem em meio a denúncias de expulsões, remoções irregulares e medidas de “higienização” adotadas por prefeituras em diferentes regiões do país. Pastor Wilson Botelho foi gravado fazendo ameaças a pessoas em situação de rua. Reprodução/TV Globo/Fantástico O Ministério Público apura práticas como transporte compulsório, abordagens irregulares e deslocamentos forçados — condutas proibidas desde 2023 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Botelho afirmou ter sido mal interpretado. Disse que sua fala foi “infeliz” e que não costuma agir dessa forma. "Eu nunca maltratei um mendigo. Eu invisto a minha vida em outras vidas. Eu fui infeliz na fala porque eu nunca usei dessa artimanha", declarou. As investigações do Ministério Público incluem relatos de ameaças feitas por autoridades locais, vídeos de prefeitos confrontando moradores de rua e denúncias de que cidades têm usado a oferta de passagens de ônibus — autorizada apenas para situações emergenciais — como ferramenta para afastar pessoas consideradas indesejadas. Em Divinópolis, cidade de Botelho, a prefeitura pagou 564 passagens de ônibus para pessoas em situação de rua nos últimos seis meses. Em Chapecó (SC), uma vistoria apontou falhas graves em uma unidade de acolhimento e o uso de guardas municipais armados na internação de pessoas. Especialistas alertam para o caráter ilegal e discriminatório dessas medidas. Eles afirmam que o direito de circulação é garantido a qualquer cidadão e que deslocamentos forçados configuram violação constitucional. O Ministério Público em diferentes estados acompanha os casos e afirma que prefeituras podem ser responsabilizadas se continuarem promovendo práticas que resultem em expulsões, ameaças ou remoções forçadas. Envio para outras cidades A lei prevê que municípios ofereçam passagens de ônibus para famílias em casos emergenciais ou de vulnerabilidade temporária. Mas, segundo denúncias, o benefício tem sido usado para evitar a presença da população de rua. Municípios de Minas Gerais estão no centro das investigações. Em Divinópolis, por exemplo, o próprio prefeito Gleidson Azevedo (Novo) reclamou: “A própria Polícia Militar já viu carros da saúde de outras cidades despejando eles [pessoas em situação de rua] na rua como se fossem um lixo, infelizmente”, afirmou o prefeito. Aparecida Araújo, de 60 anos, é uma das pessoas pelas quais a prefeitura de Divinópolis pagou uma passagem de ônibus para mudar de cidade. Ela foi encaminhada para Oliveira, mas afirma não ter vínculos com a cidade. Questionada se recebeu alguma orientação sobre trabalho na cidade, ela negou. "Estou indo com a cara e a coragem", disse Aparecida. Em nota, a prefeitura de Divinópolis informou que a mulher não quis ficar na cidade. Segundo a defensora pública Raquel Passos, não é normal que as pessoas sejam encaminhadas para outra cidade no mesmo dia. "Não tem como um gestor público conhecer, numa tarde, os problemas que trouxeram aquela pessoa para a situação de rua", afirmou. Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades Reprodução/TV Globo 'Falaram para eu não voltar, senão seria ruim para mim' Em Santa Catarina, moradores em situação de rua relatam que sofrem ameaças de autoridades. "Me tiraram da cidade e me falaram para eu não voltar mais, que seria ruim para mim", afirma Alejandro Gallego, uruguaio que vive no Brasil há dez anos. Em Balneário Camboriú, a prefeita Juliana Pavan (PSD) aparece em vídeos confrontando pessoas em situação de rua: “Na rua, aqui, a gente não vai aceitar ninguém”. Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades Reprodução/TV Globo Decisão do STF e levantamento nacional Em 2023, o Supremo Tribunal Federal proibiu a remoção forçada e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua. O direito se estende a refugiados. Mesmo assim, levantamento indica municípios de 18 estados adotaram medidas semelhantes. Um motivo sempre citado é a dependência de álcool e drogas. "É uma situação absolutamente inconstitucional. Qualquer cidadão brasileiro tem direito a livre locomoção no território nacional”, afirma Wallace Corbo, professor de Direito Constitucional da UERJ. Em Belo Horizonte, a Câmara Municipal aprovou, em primeira votação, um projeto para enviar pessoas em situação de rua de volta para suas cidades de origem. "A princípio, ela parece ser uma medida higienista, no sentido de organizar o espaço urbano, retirando as pessoas desse espaço urbano. Isso não pode, é inconstitucional", diz a defensora pública Raquel Passos. Todas as prefeituras citadas na reportagem informaram que promovem ações para recolocar no mercado de trabalho pessoas em situação de rua. Assista à reportagem completa abaixo: O "jogo de empurra" denunciado por prefeitos Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

Palavras-chave: câmara municipal

Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades: ‘despejados como lixo’

Publicado em: 30/11/2025 21:49

O "jogo de empurra" denunciado por prefeitos O Fantástico repercutiu uma polêmica que ganhou as redes sociais. Prefeituras do Sul e do Sudeste estão divulgando vídeos que mostram ações para expulsar ou impedir a entrada de pessoas desempregadas e sem-teto. Elas estariam sendo ameaçadas e coagidas. A reportagem ouviu prefeitos que denunciam uma espécie de “jogo de empurra” entre municípios que não seguem leis previstas para essas populações. Veja a reportagem completa no vídeo acima. Envio para outras cidades A lei prevê que municípios ofereçam passagens de ônibus para famílias em casos emergenciais ou de vulnerabilidade temporária. Mas, segundo denúncias, o benefício tem sido usado para evitar a presença da população de rua. O município de Minas Gerais está no centro das investigações. Em Divinópolis (MG), por exemplo, o próprio prefeito reclamou: “A própria polícia militar já viu carros da saúde de outras cidades despejando eles [pessoas em situação de rua] na rua como se fossem um lixo, infelizmente”, afirmou o prefeito Gleidson Azevedo (Novo). Nos últimos seis meses, a prefeitura de Divinópolis pagou 564 passagens de ônibus para pessoas em situação de rua, como é o caso de Aparecida Araújo, de 60 anos, que chegou de Nova Serrana, que fica a 70 quilômetros dali. Ela foi atendida pela assistência social de Divinópolis e ganhou uma passagem para seguir viagem para Oliveira, mas ela afirma que não tem vínculos com a cidade. Repórter: Você recebeu algum conselho para procurar algum serviço lá em Oliveira? Aparecida: Não, em Oliveira, não. Eu estou indo pela cara e a coragem. Em nota, a prefeitura de Divinópolis informou que Cida não quis ficar na cidade. Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades Reprodução/TV Globo 'Falaram para eu não voltar se não seria ruim para mim' Em Santa Catarina, moradores em situação de rua relatam que sofrem ameaças de autoridades. "Me tiraram da cidade e me falaram para eu não voltar mais que seria ruim para mim", afirma Alejandro Gallego, uruguaio que vive no Brasil há dez anos. Em Balneário Camboriú, a prefeita Juliana Pavan (PSD) aparece em vídeos confrontando pessoas em situação de rua: “Na rua aqui a gente não vai aceitar ninguém”. Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades Reprodução/TV Globo Decisão do STF e levantamento nacional Em 2023, o Supremo Tribunal Federal proibiu a remoção forçada e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua, o direto se estende a refugiados. Mesmo assim, levantamento indica que 18 estados já adotaram medidas semelhantes. Um motivo sempre citado é a dependência de álcool e drogas. "É uma situação absolutamente inconstitucional. Qualquer cidadão brasileiro tem direito a livre locomoção no território nacional”, afirma Wallace Corbo, professor de Direito Constitucional da UERJ. Em Belo Horizonte, a Câmara Municipal aprovou em primeira votação um projeto para enviar pessoas em situação de rua de volta para suas cidades de origem. "A princípio, ela parece ser uma medida higienista, no sentido de organizar o espaço urbano, retirando as pessoas desse espaço urbano. Isso não pode, é inconstitucional", diz Raquel Passos, defensora Pública de direitos humanos de Belo Horizonte. O Ministério Público investiga a tentativa de livrar as cidades de moradores indesejados. Todas as Prefeituras citadas na reportagem informaram que promovem ações para recolocar no mercado de trabalho pessoas em situação de rua. Vídeos e denúncias revelam ações polêmicas para expulsar pessoas em situação de rua das cidades Reprodução/TV Globo Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida.

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#casadaaos14: meninas expõem rotina de casadas no TikTok; 'romantização do casamento infantil', diz especialista

Publicado em: 30/11/2025 09:17

Meninas expõem rotina de casadas no TikTok “Montando a marmita do marido”, diz uma garota aparentemente menor de idade em um vídeo de 2023 com mais de 2 milhões de visualizações no Tiktok. Na postagem, ela marca a hashtag #casadaaos14, que reúne ao menos 213 vídeos na plataforma. O perfil, com mais de 190 mil seguidores, publica vídeos de uma rotina de dona de casa, atualizando a hashtag de acordo com a sua idade, mostrando receitas, limpeza e tarefas domésticas, com menções ao suposto marido. Outro perfil, na mesma hashtag, mostra a legenda "mini rotina, casada e grávida aos 14 anos". O vídeo aparece acompanhado de hashtags como #cuidandodolar e #donadecasaporamor. Há também outros 582 vídeos com #casadaaos15 e 32 com #casadaos13. Em comum entre eles, meninas que relatam a rotina de uma vida de casal – em alguns, os companheiros aparecem ou são mencionados pelas jovens. O TikTok removeu alguns desses conteúdos e um dos perfis citados após ser procurado pela reportagem do g1. A plataforma informou que os conteúdos compartilhados foram removidos porque violam Diretrizes da Comunidade. Leia nota ao final da reportagem. 🔞A postagem dos vídeos, hoje, não é ilegal. No entanto, o presidente Lula sancionou em setembro o que ficou conhecido como PL da Adultização, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que define obrigações para provedores de serviços digitais (confira abaixo). Para Mariana Zan, do Instituto Alana e membro da Coalizão de Direitos nas Redes, mesmo com o ECA Digital, esses conteúdos podem não ser considerados uma violação. Mas, independentemente da legalidade, esse conteúdo "romantiza" o casamento infantil. A pesquisadora afirma que a presença desse fenômeno nas redes coloca como “aceitável, bonito ou romântico” uma adolescente ou criança estar casada. “Isso reforça estereótipos de gênero, estereótipos de idade. E, ao mesmo tempo, retira o caráter de violência”. No Brasil, os dados do Censo Demográfico do IBGE, mostraram que 34 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos viviam em união conjugal em 2022, sendo 77% meninas. Embora os técnicos do instituto afirmem que o número pode estar superestimado, especialistas ressaltam que a existência desses casos não é surpresa. ⚖️ Pela legislação brasileira, é proibido casar antes dos 16 anos, mesmo com consentimento dos pais. Na apuração do g1, foram encontradas contas que são de crianças de fato e outras que são de pessoas fora dessa faixa etária, mas que utilizam das hashtags para ganhar destaque. Para Zan, isso indica o grande apelo midiático do tema. “A romantização do casamento infantil e infantojuvenil, como tem sido colocada nas redes, é uma das razões pelas quais, em alguns momentos, esse tema aparece de forma impensada, ou até mesmo com outra conotação. Existe um apelo midiático do tema e que gera like. Porque, no geral, é isso: conteúdos que envolvem crianças e adolescentes têm um grande potencial de gerar engajamento”. De acordo com Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec), os jovens utilizam essas postagens principalmente para viralizar, mas também há um interesse em mostrar suas experiências e receber validação. "De forma geral, existe uma necessidade das pessoas se mostrarem nas redes sociais e tentar viralizar algum tipo de conteúdo. E isso entre parcela mais jovem da população é até um pouco mais frequente, porque existe essa ideia de que a rede social vai transformar elas em pessoas famosas, e assim elas vão conseguir ganhar dinheiro com isso". Para a pesquisadora, os perfis mostram uma necessidade de afirmação perante uma decisão dos envolvidos. "É como se tivesse sido uma decisão delas. Tem umas que dizem: 'Ah, fugi de casa e me casei' ou 'porque eu realmente decidi casar aos 14 anos', 'as pessoas deviam julgar menos e apoiar mais'. Só que um casamento abaixo de 16 anos é nulo pela lei, nem devia acontecer", diz Raquel. A pesquisa por hashtags exibe não somente vídeos de adolescentes que dizem ser casadas, como também vídeos relacionados. O TikTok explica em seu site que "a página de hashtags exibe os vídeos que começaram a tendência e depois outros vídeos populares relevantes à hashtag popular". Entre as hashtags associadas, estão #donadecasa, #casamento, #gravideznaadolescencia e #mulherdepreso. “Montando a marmita do marido” Nos vídeos analisados, é possível ver meninas muito jovens exibindo atividades atribuídas à vida conjugal: preparando refeições, mostrando a casa onde moram, falando em “marido” e até dando conselhos para outras adolescentes. Em alguns casos, a família aparece apoiando a união; em outros, há alusão a relacionamentos com homens mais velhos. Nos comentários, outras adolescentes contam suas experiências sobre a união conjugal ou sobre o desejo de saírem de casa para viver com o namorado uma "vida de casados". Meninas expõem rotina conjugal em vídeos de TikTok Arte/g1 Raquel explica que o conteúdo divulgado pelas jovens é o chamado lifestyle, que mostra um modo de vida e rotina. "Ele acaba sendo até mais fácil de produzir porque a pessoa tá compartilhando ali o seu próprio dia a dia". O que diz a legislação A união estável, apesar de não ter idade mínima definida em lei, não é reconhecida quando envolve menores de 16, pois implica em estabelecer uma relação de caráter conjugal incompatível com a proteção integral prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Organizações que atuam no combate ao casamento infantil afirmam que essas uniões, quando ocorrem, estão frequentemente ligadas à vulnerabilidade econômica, evasão escolar, gravidez precoce e violência. Casamento é considerado infantil quando ao menos um dos cônjuges tem 18 anos ou menos Reprodução/Globo News Segundo Viviana Santiago, diretora executiva na Oxfam Brasil, “até bem pouco tempo, o Brasil era o quinto país do mundo em casamentos infantis. Como a maioria dessas uniões são informais, era muito difícil ter dados sobre casamento infantil”. Santiago explica que o casamento infantil pode ser considerado como um fenômeno invisível com múltiplas causas. Invisível, por ser evidente em diferentes bases de dados públicas, como as administradas pelo Ministério da Saúde (como registros de nascidos vivos e notificações de violência) e as do IBGE (o Censo Demográfico e as estatísticas do registro civil), mas ainda ser alvo de dúvidas pela sociedade brasileira. "O casamento infantil é um fenômeno invisível porque na verdade ele é considerado uma solução moral. Aquilo que leva uma menina a estar casada, embora isso seja um processo de violação de direitos, é algo que não é entendido dessa forma". Ela explica que a união conjugal aparece como uma "solução" para algumas situações como a gravidez não planejada na adolescência, a pobreza, a violência intrafamiliar e as imposições de gênero. Moderação das plataformas "Do ponto de vista das redes sociais, existe uma falha de moderação de conteúdo”, comenta Saraiva. “Porque se o casamento aos 14 anos é proibido por lei, um conteúdo dessa natureza devia ser considerado também um conteúdo sensível. Então uma atitude mais proativa das redes sociais seria esperada nesse sentido." Segundo ela, as ferramentas utilizadas para moderação hoje são automáticas e mais efetivas para conteúdos explícitos (como nudez e pornografia). E as meninas supostamente casadas não estão fazendo algo explícito. "Vários vídeos, por exemplo, mostram uma menina cozinhando. Lavando a louça, fazendo a janta, fazendo o almoço. Isso não é explícito, mas passa uma mensagem que fica escrita na tela: 'Casada aos 14'. E isso tem um impacto. Não é o vídeo dela estar cozinhando, isso é perfeitamente normal, aceitável". O artigo 227 da Constituição Federal é a referência para a proteção de crianças e adolescentes no Brasil, dentro e fora do ambiente digital, pois reconhece esses grupos como sujeitos de direitos e também determina que a garantia desses direitos deve ter prioridade absoluta, colocando crianças e adolescentes no topo das agendas social e política. Além disso, a Constituição estabelece a responsabilidade compartilhada: garantir direitos é dever do Estado, das famílias e da comunidade como um todo. “Isso implica, portanto, também na responsabilidade das plataformas. Elas estão inseridas nessa comunidade e têm o dever de garantir direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital”, conclui Zan. PL da Adultização 🔞Em setembro, o presidente Lula sancionou o que ficou conhecido como PL da Adultização, o ECA Digital, que define obrigações para provedores de serviços digitais, como a exigência de vincular contas de crianças e adolescentes a um responsável e remover conteúdos considerados inadequados para esse público. 👧 A movimentação surgiu após o influenciador Felca denunciar em um vídeo a prática de fazer com que crianças adotem comportamentos ou responsabilidades que não correspondem à idade delas nas redes sociais. No vídeo, Felca mostra casos de adultização que aconteceram em publicações do influenciador Hytalo Santos, preso após repercussão do tema e investigação do Ministério Público. 📱 O objetivo da lei é assegurar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, aplicando-se a qualquer produto ou serviço de tecnologia da informação que possa ser utilizado por eles. Segundo Mariana Zan, no caso do casamento infantil, não é possível afirmar que o ECA digital possa barrar. "Diferentemente, por exemplo, de uma cena explícita de violência em que a gente compreende socialmente, a gente tem uma compreensão mais social de que isso é uma violência. Esses outros casos em que essas violações ficam mais numa linha tênue de compreensão social de que não se trata de uma violência, pode ser que não seja barrado", diz a pesquisadora. Leia nota do TikTok: Os conteúdos compartilhados foram removidos da plataforma por violarem as nossas Diretrizes da Comunidade. Não permitimos mostrar, promover ou se envolver em abuso ou exploração sexual de jovens, incluindo relacionamentos românticos entre um adulto e um jovem. Dados da aplicação das nossas diretrizes No Centro de Transparência, publicamos trimestralmente relatórios de moderação. O mais recente, referente ao segundo trimestre de 2025, aponta que 99,1% dos vídeos com violações foram removidos proativamente, e 94,4% deles foram retirados do ar em menos de 24 horas. Esse mesmo relatório aponta que conteúdos identificados com potenciais riscos de abuso físico ou sexual de crianças, assim como aqueles com exposição significativa do corpo de menores, tiveram 99,8% de remoção proativa na plataforma, antes mesmo de qualquer denúncia. Dispomos de diretrizes específicas para menores entre 13 e 18 anos Usuários entre 13 e 18 anos têm configurações específicas para preservar sua segurança e seu bem-estar, como limite de tempo de tela e restrição de recursos. As contas de adolescentes no TikTok contam com mais de 50 recursos e configurações específicas, projetadas para que possam explorar sua criatividade, se conectar com amigos e aprender de forma segura. Nossas diretrizes de Segurança e bem-estar dos jovens não permitem seu acesso a uma série de conteúdos, incluindo os que contenham beijos íntimos, enquadramento ou comportamento sexualizado. Restrições por faixa etária: jovens de 13 a 15 anos não têm seus vídeos recomendados no feed Para Você, e mensagens diretas estão disponíveis apenas para maiores de 16 anos, entre outras configurações de privacidade e segurança de adolescentes. As contas de menores de idade são definidas como privadas por padrão, e não autorizamos a monetização de contas de menores.

Palavras-chave: tecnologia

De MT ao exterior: como práticas adotadas no estado ajudam a reduzir fome a nível global

Publicado em: 29/11/2025 12:09

Como Mato Grosso atua no combate à insegurança alimentar Em um mundo onde a fome ainda é um desafio, Mato Grosso mostra que possui condições de enfrentar o problema de forma mais efetiva. O estado, um dos maiores produtores de alimentos do planeta, reúne solos férteis, produção em larga escala e rebanhos robustos, formando um verdadeiro celeiro capaz de abastecer não apenas o Brasil, mas também mercados internacionais, como comprovam os expressivos números de exportação. Um exemplo disso é o salto recente da produção agrícola no estado. Impulsionado pela expansão das áreas cultivadas e pelo avanço da produtividade, Mato Grosso alcançou 111,9 milhões de toneladas de grãos em 2024/25, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O crescimento é de 18,7% em relação à safra anterior e evidencia, de forma perceptível, a força do campo mato-grossense. Nesta reportagem você vai ver: Como o avanço tecnológico impulsiona a liderança agrícola no estado De que forma o estado atua para reduzir a insegurança alimentar Políticas públicas de incentivo à agricultura familiar As oportunidades geradas pelo crescimento de Mato Grosso Panorama atualizado da produção agrícola Mato Grosso é um dos maiores produtores de alimentos do planeta Sebrae/divulgação 🛤️Liderança de MT vem do avanço no campo Um levantamento da Conab destacou a significativa produção de grãos em Mato Grosso na safra 2024/2025. No ranking, Paraná aparece em segundo lugar, com 44,2 milhões de toneladas, o que representa aproximadamente 153% a menos em comparação com o estado mato-grossense (veja produção por região e Unidade de Federação no infográfico mais abaixo). Esse desempenho expressivo é reforçado pelos avanços tecnológicos no campo. A pesquisadora da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan), Verônica Gronau Luz, destacou que esses avanços têm grande potencial, mas para que os benefícios se concretizem de forma ampla, é essencial integrar práticas de rastreabilidade sustentável, sistema já adotado em Mato Grosso. Segundo ela, é importante uma articulação entre a sociedade civil e o governo para implementar essas tecnologias de forma eficaz. A pesquisadora observa que, por meio de conselhos municipais e estaduais de segurança alimentar e nutricional, já existem esforços para garantir que práticas sustentáveis cheguem a todos os produtores. Infográfico comparativo da produção agrícola por região e safra por Unidade da Federação, destacando o crescimento significativo na produção de Mato Grosso Conab Além do avanço na produção agrícola, outros indicadores reforçam o impacto social e econômico do desenvolvimento em Mato Grosso. Os efeitos das políticas públicas e do desempenho do setor produtivo aparecem em diferentes áreas da vida dos mato-grossenses, como mostram os parâmetros abaixo. Quem vive no estado sente efeitos concretos da força do agronegócio, da diversidade produtiva e da agricultura familiar. Mato Grosso não apenas gera uma grande quantidade de empregos, mas também garante acesso a alimentos produzidos localmente e, em algumas regiões, proporciona uma qualidade de vida acima da média nacional. Especialistas, como a pesquisadora Verônica, destacam que esses resultados só são possíveis quando avanços tecnológicos e práticas como a rastreabilidade sustentável são incorporados de forma ampla, ampliando os benefícios do setor agropecuário para a sociedade. Números mostram a quantidade de empregos gerados, saldo positivo da agricultura familiar e qualidade de vida g1 É preciso adequar uma maneira que permita que o alimento seja produzido com mais responsabilidade e que essa comida seja mais acessível para as pessoas. Isso precisa ser fortalecido e articulado junto com as políticas e programas de alimentação e nutrição 🥧MT contra a insegurança alimentar A fome ainda atinge cerca de 673 milhões de pessoas no mundo, segundo relatório das Nações Unidas de 2025, o equivalente a 8,2% da população mundial. Em um cenário em que a produção de alimentos se torna cada vez mais estratégica, o avanço de Mato Grosso no abastecimento interno e externo, aliado a práticas que elevam a qualidade e a rastreabilidade, contribui para reforçar a segurança alimentar e ajudar a reduzir vulnerabilidades em escala global. Especialistas ressaltam que a segurança alimentar não depende apenas de volume de produção, mas também da capacidade de acompanhar cada etapa da cadeia que leva o alimento da propriedade rural até a mesa do consumidor. A nutricionista Caroline Cardoso Ferreira Faria explicou que políticas de combate à fome e estratégias de distribuição só funcionam plenamente quando baseadas em informações precisas sobre origem, qualidade e fluxo dos alimentos. Nutricionista Caroline Cardoso fala da importância de políticas de combate à fome g1 Além de reforçar o planejamento das políticas públicas, a rastreabilidade também desempenha um papel essencial na proteção direta do consumidor. Para Caroline, acompanhar cada etapa do percurso dos alimentos — desde a produção até o armazenamento e a distribuição — é fundamental para prevenir riscos e garantir respostas rápidas em situações de emergência sanitária. "A rastreabilidade na cadeia produtiva garante maior segurança alimentar e nutricional, visto que permite identificar rapidamente as falhas, minimizando os erros e agilizando a solução dos problemas, como uma contaminação por bactéria. Ela atua aumentando a eficiência, a segurança e a transparência do sistema alimentar", contextualizou. A perspectiva nutricional reforça que políticas de rastreabilidade e segurança alimentar não ficam restritas ao campo teórico: elas têm impacto direto no sistema produtivo e nos resultados econômicos do estado. Conforme dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), esses avanços já aparecem de forma clara nas exportações. No acumulado de 2024/2025, a soja foi o grande destaque de Mato Grosso, liderando com folga em volume e receita, com 53,73 milhões de toneladas exportadas e uma movimentação de US$ 22,14 bilhões. O milho vem em seguida, com 38,83 milhões de toneladas, seguido pela carne bovina, com 1,51 milhão de toneladas, e pelo algodão, que somou 2,86 milhões de toneladas e registrou receita de US$ 5,15 bilhões. O Imea aponta ainda que Mato Grosso liderou a exportação nacional em todos esses setores, consolidando a posição como principal estado exportador do país. Os dados mostram a dimensão do protagonismo mato-grossense no agronegócio nacional. No gráfico abaixo, é possível comparar o volume exportado por cada cadeia produtiva: 🥗Como a agricultura familiar amplia a segurança alimentar Os dados mostram que a agricultura familiar vem ganhando espaço em Mato Grosso impulsionada por políticas públicas. Segundo a secretária estadual de agricultura familiar, Andreia Carolina Domingues Fujioka, o foco é ampliar a renda, garantir apoio técnico, aproximar o pequeno produtor das cadeias de consumo e contribuir para a segurança alimentar. Ao g1, Fujioka mencionou que a Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf-MT) tem investido em projetos que estimulam a regularização, a agroindustrialização e a agregação de valor à produção familiar. A estratégia funciona assim: Entrega de equipamentos e infraestrutura básica, garantindo que os produtores tenham condições mínimas para iniciar ou ampliar atividades; Organização das cadeias produtivas, conectando quem produz, quem compra e quem distribui; Fortalecimento das agroindústrias, criando valor agregado ao que é produzido no campo; Transição do cultivo para a comercialização estruturada, permitindo que os agricultores avancem nas etapas da produção até alcançar mercados de forma competitiva. Secretária estadual de agricultura familiar, Andreia Fujioka, informa a importância de políticas públicas g1 Segundo a Seaf, as principais iniciativas em execução reforçam produtividade, inclusão e sustentabilidade no campo. Algumas delas são: Iniciativas de incentivo à agricultura familiar Além disso, a Seaf ainda destaca os seguintes projetos: Serviço de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte (SIAPP-MT) auxilia na regularização e certificação das agroindústrias; agrega valor à produção e amplia canais de comercialização; melhora competitividade dos produtos da agricultura familiar. Floresta+ Amazônia pagamentos anuais de R$ 1.500 a R$ 28 mil a produtores que preservam floresta; financiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), incentiva conservação ambiental. A secretária destaca que ampliar oportunidades para quem produz em regiões com menor acesso a crédito e infraestrutura é hoje um dos pilares da política estadual. Segundo ela, as iniciativas atuam de forma complementar, desde o apoio a quem está começando até a viabilização de modelos sustentáveis que permitam ampliar escala e renda no campo. Essa regularização que a gente entrega para a agroindústria e ao produtor de pequena escala, ocorre de forma simplificada e segura. Ela traz uma segurança e uma rastreabilidade muito grande para o produto que está indo para a ponta Andreia explica ainda que as políticas voltadas à agricultura familiar não apenas ampliam a capacidade produtiva, como também elevam o padrão de qualidade dos alimentos que chegam ao consumidor. “Essas iniciativas ajudam a melhorar a qualidade, regularização e a rastreabilidade dos alimentos que chegam ao consumidor. Além disso, também convergem para a sustentabilidade, segurança alimentar e nutricional, uma vez que elas fortalecem o trabalho de quem produz em áreas pequenas e com sustentabilidade”, ressaltou. Mato Grosso consolidou, em 2022, um avanço econômico impulsionado pela agropecuária, que permanece como principal motor do estado. Soja, milho, algodão e cana apresentaram alta produtividade e recordes de produção. A pecuária também manteve peso significativo, com aumento nos rebanhos bovino e suíno (confira os detalhes abaixo). Entre 2002 e 2022, Mato Grosso registrou um crescimento real acumulado de 154,7% no Produto Interno Bruto (PIB), com média anual de expansão de 4,79% ao longo dessas duas décadas, segundo o Governo de Mato Grosso. Em 2022, o estado também alcançou um dos melhores desempenhos do país em renda individual, com um PIB per capita de R$ 69.838,85, o quarto maior entre todas as unidades da federação. 🎓Oportunidades A nutricionista Juliana Rodrigues Palma, de 28 anos, vive em Cuiabá há pouco mais de um ano. Natural do Rio de Janeiro (RJ) ela se mudou para Mato Grosso em busca de melhores oportunidades de trabalho, e logo percebeu as diferenças no custo de vida, mercado de trabalho e alimentação. Ela destaca a facilidade de encontrar vagas e a valorização da mão de obra. Além disso, ressaltou a sensação de segurança, algo que considera um grande ponto positivo. Nutricionista Juliana Palma conta experiência ao se mudar do Rio de Janeiro para Mato Grosso Foto g1 Outra fluminense que escolheu Mato Grosso para viver é a empresária Laura Cristina Candido Andrade, de 26 anos. Morando no estado há nove meses, ela afirma ter encontrado uma rotina mais tranquila, segura e acolhedora. Para Laura, que mora em Cuiabá, a qualidade de vida na capital mato-grossense é bastante surpreendente. Ao comparar preços, estrutura e localização, ela disse que o que mais pesa na balança é a alimentação, o custo-benefício e a sensação de segurança no dia a dia. Empresária Laura Candido destaca qualidade dos alimentos como uma das melhores características do estado g1 Ao g1, a empresária relatou que também se sentiu acolhida pela cidade. Pela cor da pele, ela disse já ter enfrentado episódios de discriminação em outras regiões e lembra do receio que sentiu antes de se mudar para um estado que até então não conhecia. “Sou uma mulher preta, meu cabelo é crespo e sou toda tatuada, então já sofri episódios de racismo no Rio de Janeiro e em outros lugares que estive. Quando decidi me mudar, vim para Mato Grosso com receio, só que fui muito bem recebida. As pessoas aqui elogiam muito, acolhem e me respeitam. Nunca sofri racismo aqui”, contou. 📈Produção agrícola em alta Com o uso maior de tecnologia no campo e a adoção de práticas mais sustentáveis, Mato Grosso mantém desempenho forte na safra 2024/2025. Os levantamentos mostram que o milho segue na frente em volume de produção, com previsão de 51,7 milhões de toneladas na safra 2025/2026. A soja aparece em segundo, com expectativa de 47,1 milhões de toneladas, enquanto o algodão deve alcançar 6,3 milhões de toneladas no mesmo período. Os dados consideram o período desde o início da safra até o dia 27 de julho. Indicadores da safra de soja, milho e algodão em MT O avanço da produção de milho, soja e algodão em Mato Grosso, refletido nos números das últimas safras, também ajuda a explicar a mudança recente no comportamento do mercado. Segundo o Imea, o estado registrou recordes de produtividade na safra 2024/25 tanto na soja quanto no milho. Para o coordenador de inteligência de mercado agropecuário no Imea, Rodrigo Silva, o clima favorável foi determinante para o salto produtivo, mas não foi o único fator. Segundo ele, a expansão da demanda interna, puxada por esmagadoras de soja e pelas usinas de etanol à base de milho, também mudou a dinâmica do campo e estimulou o produtor a investir mais em tecnologia e manejo. Com um avanço de produtividade bem considerável e esse aumento de área, a gente teve uma produção recorde no estado. Quando a gente soma as duas commodities, passa de 100 milhões de toneladas de grãos só em Mato Grosso Rodrigo destacou ainda que Mato Grosso registra níveis históricos de esmagamento de soja e milho, ampliando a oferta de farelo e DDG, grãos secos de destilaria usados na alimentação animal. Ele acrescenta que o estado também vive recordes no confinamento de bovinos e avanço na produção de suínos, o que fortalece a cadeia produtiva. Rodrigo Silva comenta a contribuição de Mato Grosso para a segurança alimentar g1 Entre lavouras que avançam até o horizonte e cidades que crescem ao ritmo do campo, Mato Grosso mostra que produzir alimento vai além de números: é construir futuro. No estado onde tecnologia e tradição dividem espaço, cada safra gera oportunidades e fortalece comunidades. A produção que sai do campo ajuda a reduzir a fome dentro e fora do Brasil. E quem chega para trabalhar descobre que é fácil criar raízes em um lugar que também sabe nutrir pessoas.

Palavras-chave: tecnologia

Lei garante escola particular para crianças carentes que não têm vaga em creche municipal em Poços de Caldas

Publicado em: 28/11/2025 08:15

Famílias em situação de vulnerabilidade podem ser beneficiadas com vale-creche em Poços Uma lei sancionada em Poços de Caldas criou o vale-creche, que garante às famílias em situação de vulnerabilidade que suas crianças de 0 a 5 anos tenham vaga no ensino infantil. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram A lei nº 10.049/2025, aprovada na Câmara Municipal em outubro e sancionada pelo prefeito na segunda-feira (24), determina que crianças acompanhadas pelo Conselho Tutelar ou pelo Ministério Público cadastradas na rede municipal de ensino, mas que ainda não conseguiram vaga próxima de casa ou do local de trabalho do responsável estudem em outras escolas por conta da prefeitura. Creche municipal em Poços de Caldas Prefeitura de Poços de Caldas/Divulgação O benefício é provisório e emergencial e assim que surgir uma vaga na rede municipal, será encerrado. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, 570 crianças aguardam vaga em creches nas regiões Sul e Oeste, mas nenhuma se encaixa nos critérios do vale-creche. Ainda de acordo com a secretaria, há uma previsão de ampliação de mais de 600 vagas em 2026. Temporal, casamento após 50 anos e linhas de ônibus: veja as notícias mais lidas da semana Pagamento direto para as escolas O pagamento do atendimento será feito diretamente às instituições de ensino credenciadas. A prioridade será dada a instituições sem fins lucrativos, comunitárias, confessionais ou filantrópicas. As escolas participantes terão que garantir atendimento gratuito, alimentação adequada, inclusão de crianças com deficiência e os mesmos padrões de qualidade exigidos na rede municipal. As vagas serão liberadas conforme a ordem do cadastro da Secretaria de Educação. O benefício não se aplica às crianças cujos responsáveis já recebem auxílio-creche pelo trabalho, que tenham recusado vaga na rede municipal ou que tenham sido desligadas de unidades da própria rede. O valor do benefício será definido anualmente pela prefeitura e não pode exceder o valor per capita das parcerias municipais de educação infantil, o auxílio vale por ano letivo e pode ser renovado enquanto não houver vaga na rede municipal e a família continuar em condições de vulnerabilidade. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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Saneamento em palafitas de Manaus apresentado na COP30 inspira soluções para periferias amazônicas

Publicado em: 28/11/2025 07:00

Saneamento em palafitas de Manaus inspira soluções para periferias na Amazônia O Beco Nonato, em Manaus, se tornou um dos principais exemplos brasileiros de como o avanço no saneamento pode transformar áreas de palafitas. A chegada de água tratada e coleta de esgoto mudou a realidade de uma região antes marcada pela vulnerabilidade, pelo lixo acumulado, pelas enchentes e pela exposição constante a doenças. A transformação no local, conduzida pela Águas de Manaus, do Instituto Aegea, foi apresentada na Zona Verde da COP30, em Belém, onde especialistas e participantes puderam conhecer o projeto por meio de uma experiência de realidade virtual. Assista ao vídeo acima. De Manaus para Belém: como o modelo virou referência No estande da COP30, o público percorria virtualmente as passarelas do Beco Nonato e acompanhava como redes de abastecimento e esgoto foram instaladas em estruturas frágeis suspensas sobre igarapés na Zona Sul da capital amazonense. Segundo o presidente do Instituto Aegea, Édison Carlos, a experiência no Beco Nonato redefiniu a forma de implantar saneamento básico em regiões vulneráveis. “Aprendemos muito em Manaus. Nossa área técnica desenvolveu tecnologias específicas para levar água e coletar esgoto em palafitas, algo inédito no Brasil. É um case premiado e que recebe visitas de especialistas do país inteiro”, afirmou. Beco Nonato no bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, após intervenção da Águas e Manaus Águas de Manaus A mudança no local começou a ser percebida no primeiro semestre de 2023, quando moradores antes expostos à lama, lixo e alagamentos passaram a receber água tratada e ter coleta e tratamento de esgoto. Para garantir que famílias de baixa renda pudessem acessar o sistema, a concessionária criou a Tarifa 10, modelo em que moradores em situação de alta vulnerabilidade pagam apenas R$ 10 pelos serviços. “Elas querem pagar, querem dignidade. Isso também faz parte da sustentabilidade do sistema”, disse Édison. O projeto foi desenhado para resistir às variações do nível dos rios e às condições sociais e urbanas da região, associando engenharia adaptada à realidade amazônica com políticas tarifárias que evitam exclusão. Para o presidente do Instituto Aegea, os avanços em saneamento ainda enfrentam grandes desafios no país. Ele ressalta que muitas regiões do Norte e do Nordeste têm áreas isoladas, comunidades rurais e pessoas distantes dos centros urbanos, que também têm direito a água potável e esgoto tratado. “A tecnologia existe, mas não são as mesmas soluções usadas nas cidades. São necessários sistemas menores, compactos, muitas vezes movidos a energia solar, adaptados a cada território. O que falta é visão política e educação para que as comunidades consigam operar e manter os sistemas funcionando ao longo do tempo”, afirmou Édison. Tecnologia manauara aplicada na maior comunidade de palafitas do Pará Obra leva esgoto de áreas nobres de Belém para comunidade de palafita sem saneamento. A experiência do Beco Nonato serviu de referência para a implantação de saneamento na Vila da Barca, a maior comunidade de palafitas de Belém, com cerca de 5 mil moradores distribuídos entre casas suspensas e edificações de alvenaria às margens da Baía do Guajará. De acordo com o presidente do Instituto Aegea, em apenas três meses de obras, os moradores começaram a receber água tratada em casa, um avanço que transforma a rotina da população e reduz os riscos de doenças e infecções. “A Vila da Barca é ainda maior que o Beco do Nonato, mas a tecnologia funcionou com muito sucesso. Trouxemos a experiência de Manaus e aplicamos em Belém, porque os desafios eram muito semelhantes. Hoje, milhares de pessoas deixaram de conviver com risco diário de infecções e doenças”, afirmou Édison Carlos. Vila da Barca, no bairro do Telégrafo, identificada pela extrema precariedade de moradia, em palafitas TV Liberal A comunidade conta atualmente com cerca de 600 moradias de palafitas, onde vivem mais de mil famílias, além de áreas urbanizadas em alvenaria. A primeira fase de abastecimento de água já foi concluída, com hidrômetros individuais instalados para cada família. O valor da conta, que ainda não está sendo cobrado, será de R$ 66,42, dentro de uma taxa social. Já a rede de esgoto deve ser finalizada até abril do próximo ano. Os sistemas foram concebidos para operar mesmo diante das variações nos níveis dos rios, entre períodos de cheia e seca, e adaptados às condições sociais e geográficas da periferia urbana. Saneamento como proteção climática Para Édison, a crise climática reforça o papel do saneamento básico como ferramenta essencial de proteção à vida. “Quem mais sofre nas crises climáticas são os ribeirinhos, moradores de palafitas, de favelas. O saneamento aumenta a resiliência dessas comunidades”, disse. A apresentação na COP30 evidenciou que discutir água e esgoto está diretamente conectado aos impactos das mudanças climáticas, especialmente em territórios vulneráveis. “Até pouco tempo, nem a água era tema central da COP. Hoje, é impossível falar de clima sem falar de saneamento”, ressaltou. Avanços e desafios no Amazonas Dados do Instituto Trata Brasil mostram que, no Amazonas, o acesso à água encanada caiu de 87,58% em 2019 para 81,14% em 2023, distante da meta de 99% prevista pelo Marco Legal do Saneamento. Em Manaus, o abastecimento de água apresentou leve melhora, passando de 97,5% em 2019 para 97,98% em 2023, um aumento de 0,48%. O estudo "Avanços do Marco Legal do Saneamento Básico no Brasil de 2025" também analisou a coleta de esgoto. No Amazonas, o acesso cresceu de 14,95% para 28,63% da população entre 2019 e 2023. Mesmo com o avanço de 13,68 pontos percentuais, o estado ainda está longe da meta de 90% de cobertura prevista pelo Marco Legal. Para superar esses índices, o estado depende de investimentos contínuos. No âmbito da Aegea, R$ 6 bilhões já foram aplicados na Amazônia Legal, e há previsão de mais R$ 19 bilhões apenas no Pará nas próximas décadas. “Para áreas densamente povoadas, a solução não depende só de recursos financeiros, mas também de tecnologia e de um bom diálogo com a população. Respeitar as diversidades locais é fundamental”, disse o presidente da Aegea. Um modelo que pode mudar a Amazônia urbana A experiência do Beco Nonato e da Vila da Barca mostrou, na COP30, que soluções de saneamento desenhadas para a Amazônia não precisam ser excepcionais, precisam ser replicáveis. A tecnologia, aliada à adaptação geográfica e ao diálogo comunitário, aponta caminhos reais para transformar periferias ribeirinhas e reduzir desigualdades estruturais. O que começou em uma viela de palafitas em Manaus se tornou referência continental e agora inspira novas cidades na busca por soluções sustentáveis, acessíveis e resilientes para enfrentar os desafios climáticos e sociais da região. Saneamento em palafitas de Manaus é destaque na COP30 e inspira soluções para a Amazônia Patrick Marques, g1 AM

Palavras-chave: tecnologia

Caetano Veloso, Festival Cultura em Direitos Humanos, feira de livros da USP, Beetlejuice, exposições e festas; veja o que fazer em SP

Publicado em: 28/11/2025 04:01

27ª Festa do Livro da USP começa com descontos grandes pra incentivar a leitura O fim de semana promete em São Paulo: Tem festival, musical e muita festa rolando pelo Centro. A cidade recebe o 5º DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos, com programação espalhada por vários espaços e tudo de graça. Tem cinema, música, debates, teatro e ações comunitárias que falam de memória, território e justiça social. Entre os destaques: sessões no Espaço Petrobras de Cinema e na Cinemateca, debates no CCSP, uma maratona cultural no Galpão Elza Soares com show da Leci Brandão, e o encerramento com o Prêmio Marimbás e um pocket show da Zezé Motta. Na USP, a 27ª Festa do Livro já está lotando corredores com gente atrás de desconto. Quem curte teatro pode aproveitar os últimos dias de Beetlejuice – O Musical, no Teatro Liberdade. Na noite paulistana, o cardápio está forte: Baile da Serpentte, na VOID, com line-up potente e ação social (e entrada gratuita para pessoas trans e não-binárias); Madre Celebration, na Praça da Bandeira, com dois palcos e artistas da cena eletrônica; Tesãozinho Inicial: Bacantes, no iBT, na Bela Vista, animando a madrugada de sábado até depois do sol nascer. Veja os destaques da agenda: 🔥 Programas em alta 🎤 Shows e festas 🎥 Cinema 🖼️ Exposições 🐕‍🦺 Passeios 🔥 Programas em alta 5º DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos Festival dos Direitos Humanos. Divulgação SP recebe o 5º DH Fest – Festival de Cultura em Direitos Humanos em diversos espaços culturais com entrada gratuita. A programação reúne cinema, música, debates, teatro e atividades comunitárias que discutem memória, território, democracia e justiça social. Entre os destaques estão a exibição de filmes no Espaço Petrobras de Cinema, Reserva Cultural e na plataforma CultSP Play; o espetáculo “Cerrado!”; debates no CCSP; uma maratona cultural no Galpão Elza Soares com show de Leci Brandão; e a sessão especial de “A Vida de Vlado” na Cinemateca. O festival encerra com a entrega do Prêmio Marimbás e pocket show de Zezé Motta, reforçando sua proposta de ampliar o acesso à cultura e promover reflexões sobre direitos humanos no país. 🗓️ Quando? até 2 de dezembro de 2025 📍 Onde? Diversos espaços de São Paulo, incluindo Espaço Petrobras de Cinema, Reserva Cultural, CCSP, Galpão Elza Soares e Cinemateca Brasileira 💲 Quanto? Gratuito Festa do Livro da USP A 27ª edição da Festa do Livro da USP começou na quarta-feira (26) com corredores lotados, centenas de editoras e uma multidão atrás de promoções que já viraram tradição no calendário cultural de São Paulo. Até domingo (30), o público encontra títulos com, no mínimo, 50% de desconto no campus do Butantã, na Zona Oeste. 🗓️ Quando? Até domingo (30); quinta e sexta, das 9h às 21h; sábado e domingo, das 9h às 19h 📍 Onde? Av. Prof. Mello Moraes, travessa C, Cidade Universitária, Zona Oeste 💲 Quanto? Entrada gratuita Beetlejuice com Edu Sterblitch Beetlejuice - O Musical Leo Aversa Beetlejuice – O Musical está encerrando mais uma temporada na capital. Não perca a chance de apreciar o gênio Edu Sterblitch encarnando um dos fantasmas mais icônicos da cultura pop. O melhor de tudo é a liberdade que o artista tem de encaixar elementos, piadas e fatos da atualidade para deixar o espetáculo ainda mais próximo do público. Tem imitação do Silvio Santos, tem Freddie Mercury Prateado, tem citação ao casal mais bombado das redes sociais (Vini Jr. e Virginia) e muito mais. O cenário é um show à parte, e o elenco é incrível tanto na atuação quanto da musicalidade. Vale (e muito) o ingresso. 🗓️ Quando? sexta (28), sábado (29) e domingo (30) 📍 Onde? Teatro Liberdade | R. São Joaquim, 129 – Liberdade 🕘 Sessões: sexta às 20h | sábado às 16h e 21h | domingo às 16h e 20h30 💲 Quanto? entre R$ 21 e R$ 350 ⏱️ Duração: 2h30 (com intervalo) ➡️ Mais informações e ingressos Harry Potter: Um Grande Baile Tribruxo Harry Potter Baile Tribruxo Divulgação O universo bruxo chega à Avenida Paulista com o evento “Harry Potter: Um Grande Baile Tribruxo”, que transforma o Shopping Cidade São Paulo em um grande salão inspirado no Baile de Inverno d'O Cálice de Fogo. Durante cerca de duas horas, os visitantes podem curtir atividades temáticas das casas de Hogwarts, interagir com anfitriões, fazer fotos em cenários icônicos, explorar o Mercado do Baile e provar comidas e bebidas inspiradas no filme. 🗓️ Quando? Qua e qui: 18h e 20h30; Sex: 16h, 18h30 e 21h; Sáb: 11h, 13h30, 16h, 18h30 e 21h; Dom: 11h, 13h30, 16h e 18h30 📍 Onde? Shopping Cidade São Paulo | Av. Paulista, 1.230, Bela Vista, Centro 💲 Quanto? A partir de R$ 95 (meia-entrada) ➡️ Mais informações e ingressos 👗 Dica: Trajes de gala ou roupas das casas de Hogwarts são incentivados 🎤 Shows e festas Caetano Veloso Caetano Veloso. Divulgação Caetano Veloso se apresenta no Espaço Unimed neste sábado (29) com a turnê “Caetano nos Festivais”, em única data na cidade. O show reúne clássicos de várias fases da carreira, como “Vaca Profana” e “Não Enche”, além de faixas do álbum Meu Coco e a inédita “Um Baiana”, apresentada recentemente. Aos 83 anos, enquanto prepara um novo disco previsto para 2026, Caetano segue rodando festivais pelo país e chega a São Paulo em uma performance que promete repertório vibrante e público de diferentes gerações. 🗓️ Quando? Sábado, 29 de novembro de 2025 — abertura às 20h; show às 22h 📍 Onde? Espaço Unimed — Rua Tagipuru, 795, Barra Funda, São Paulo 💲 Quanto? a partir de R$ 380 Mais informações e ingressos Diogo Nogueira Diogo Nogueira Reprodução / Facebook Diogo Nogueira O Hospital Israelita Albert Einstein promove, no dia 29 de novembro, um show beneficente com Diogo Nogueira no Auditório Moise Safra. Toda a renda será destinada à construção da Casa da Criança, em Paraisópolis, projeto do PECP que vai ampliar atividades de educação e arte para a comunidade. 🗓️ Quando? 29 de novembro de 2025 — portões às 20h, show às 21h 📍 Onde? Auditório Moise Safra – Av. Albert Einstein, 627, Morumbi, São Paulo 💲 Quanto? R$ 350 (estacionamento gratuito) Baile da Serpentte Acontece nesta sexta (28) a segunda edição do Baile da Serpentte, na VOID, no Centro de São Paulo, com programação artística e ações sociais idealizadas pela artista Glenda Teixeira. O evento promove arrecadação de roupas para o brechó da biblioteca da UNAS Heliópolis e integra uma semana de oficinas voltadas à comunidade LGBTQI+ da região. O line-up reúne Tessuto, Avante, Annyl e LoLa, que lança seu terceiro single, além dos visuais de PARIZ. Os ingressos custam a partir de R$30 na plataforma Zig, com entrada gratuita para pessoas Trans e Não-binárias. A festa ocorre das 20h à 1h. 🗓️ Quando? sexta (28), das 20h à 1h 📍 Onde? VOID — Rua Dom José de Barros, 253, República, Centro de SP 💲 Quanto? a partir de R$30 - Pessoas Trans e Não-binárias têm entrada gratuita Mais informações e ingressos Madre Celebration Poster Madre Celebration Divulgação Na sexta (28) ocorre também a Madre Celebration, na Praça da Bandeira, no Centro de São Paulo, celebrando a produtora MADRE, idealizada por Turmalina Nogueira. Os ingressos custam a partir de R$90, o evento reúne dois palcos e uma série de encontros b2b entre artistas da cena eletrônica, incluindo Omoloko, Clementaum, Cyberkills, Delcu, Vicx, BADSISTA, Paranoia, Crazed BR, Tessuto e outros nomes que formam uma programação marcada por fusões de gêneros e experimentações sonoras. 🗓️ Quando? De 28 para 29 de novembro, das 22h às 6h 📍 Onde? Praça da Bandeira, 137 — Centro, São Paulo 💲 Quanto? a partir de R$90 Mais informações e ingressos Tesaozinho Inicial Já no sábado (29) o Instituto Brasileiro de Teatro, na Bela Vista, recebe a Tesãozinho Inicial: Bacantes, das 22h às 7h45, com ingressos a partir de R$60. A edição — última do ano — reúne shows e DJs como Mimosa, Alirio, Davs, Paranoia, Idlibra, Higashi, Salnasalada e Tomi Mercado, além de performances da Casa de Mutatis. 🗓️ Quando? Sábado, 29 de novembro, das 22h às 7h45 📍 Onde? iBT — Instituto Brasileiro de Teatro - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277 — Bela Vista, São Paulo 💲 Quanto? Ingressos a partir de R$60 Mais informações e ingressos 🎥 Cinema Exibição de curtas no Sesc Bom Retiro A APAN realiza neste sábado (29), no Sesc Bom Retiro, uma edição especial do Pré-FIANB, com exibição gratuita de cinco curtas infantis protagonizados por crianças negras e um bate-papo com a cineasta Thais Scabio. A atividade antecipa a 6ª edição do Festival Internacional do Audiovisual Negro do Brasil e tem como foco a representatividade na infância, a valorização da autoestima e a ampliação de narrativas negras no audiovisual. Com ingressos distribuídos 30 minutos antes da sessão, o evento reúne filmes que abordam sonhos, aventuras, cotidiano e ancestralidade, reforçando o compromisso da APAN em democratizar o acesso à cultura e formar novos olhares desde cedo. 🗓️ Quando? 29 de novembro — sessão às 14h e bate-papo às 15h20 📍 Onde? Sesc Bom Retiro — Rua da Consolação, 901, Bom Retiro, São Paulo 💲 Quanto? Gratuito (retirada de ingressos 30 minutos antes) 🖼️ Exposições Exposição "20 anos da Residência Artística" na FAAP Ali Cherri_Slippage, 2007 Divulgação A FAAP celebra os 20 anos de sua Residência Artística com a exposição “20 anos da Residência Artística FAAP – São Paulo: contribuições para uma coleção de arte contemporânea”, em cartaz no MAB FAAP até 1º de março de 2026. A mostra reúne 135 obras de 91 artistas brasileiros e internacionais que passaram pelo programa sediado no Edifício Lutetia, no centro de São Paulo. Entre os destaques estão trabalhos de Ali Cherri, Coletivo Etcétera, Aileen Gavonel, Rita Ponce de León e Guerreiro do Divino Amor, evidenciando a relevância da residência como espaço de experimentação e diálogo cultural. A visitação é gratuita, de terça a domingo, das 10h às 18h, na FAAP, em Higienópolis. 🗓️ Quando? Até 1º de março de 2026 (terça a domingo, das 10h às 18h; última entrada às 17h30) 📍 Onde? MAB FAAP — Sala Annie Alvares Penteado - FAAP, R. Alagoas, 903 — Higienópolis, São Paulo 💲 Quanto? Entrada gratuita José Antônio da Silva: Pintar o Brasil no MAC-USP O MAC-USP inaugurou em 15 de novembro “José Antônio da Silva: Pintar o Brasil”, mostra integrante da Temporada Brasil-França 2025, com 142 obras — incluindo trabalhos exibidos na Europa e no Sul do país, além de 15 pinturas e desenhos do livro Romance da minha vida. A exposição reforça a relevância de Silva, um dos principais artistas brasileiros do século 20, cuja produção enraizada na vida rural segue em circulação internacional e ganha novo destaque na capital paulista. Além do MAC-USP, quadros do artista também na galeria Estação. A mostra “Eu sou o Silva” reúne 26 obras das décadas de 1940 a 1980. 🗓️ Quando? Galeria Estação — “Eu sou o Silva”: 13/11 a 23/12 - MAC-USP — “José Antônio da Silva: Pintar o Brasil”: 15/11/2025 a 15/03/2026 📍 Onde? Galeria Estação — Rua Ferreira de Araújo, 625, Pinheiros e MAC-USP — Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 💲 Quanto? Entrada gratuita em ambas as exposições 🐕‍🦺 Passeios Jipe Solidário 2025 Jipe Solidário 2025 Divulgação A 2ª etapa de Interlagos do “Jipe Solidário 2025 – Trilhando Sonhos” leva inclusão social ao Autódromo de Interlagos com um dia inteiro de atividades gratuitas. O evento reúne mais de 5 mil participantes, mais de 200 jipeiros voluntários e oferece passeio off-road adaptado, oficinas sensoriais, pista de bike, brinquedos infláveis, atendimentos de saúde, apoio jurídico e ações voltadas a pessoas com deficiência, mães atípicas e mulheres em situação de vulnerabilidade. Classificação é livre. 📅 Quando? 30 de novembro de 2025 (domingo) — Das 9h às 17h 📍 Onde? Autódromo de Interlagos — Av. Senador Teotônio Vilela, 261 — Interlagos, São Paulo (SP) 💲 Quanto? Gratuito ➡️ Mais informações Salão do Automóvel de São Paulo O maior evento automotivo da América Latina entra no seu último fim de semana em São Paulo. Em cartaz no Distrito Anhembi, o Salão do Automóvel reúne lançamentos de carros, modelos elétricos e híbridos, superesportivos, clássicos e experiências interativas, como pista coberta para test-drives. Além de conhecer de perto veículos de grandes montadoras, o público pode visitar áreas especiais com carros de luxo, raridades e espaços imersivos voltados para tecnologia e mobilidade do futuro. 📅 Quando? Até este domingo 📍 Onde? Distrito Anhembi — Av. Olavo Fontoura, 1.209, Santana 💲 Quanto? A partir de R$ 126 (meia e inteira disponíveis) 🕒 Horários: Sábado e domingo, das 10h às 21h (entrada até 20h) Mais informações ingressos

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A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza

Publicado em: 27/11/2025 18:14

Pesquisas da ONU, UNESCO e universidades de ponta como Harvard e Stanford revelam uma crise silenciosa que atinge milhões de crianças. O chamado déficit de natureza está afetando a saúde mental, o aprendizado e o futuro da juventude. A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo Muitas crianças começam o dia apressadas por ruas de concreto, olhos baixos, fones de ouvido, mochilas pesadas. Poucas vêem árvores no caminho. Poucas tocam a terra. Poucas sobem em uma árvore. O mundo mudou, e a infância também. Em vez de brincadeiras ao ar livre, telas. Em vez de parques, apartamentos. Em vez de liberdade, medo. O resultado começa a aparecer nas estatísticas: aumento de ansiedade, queda de atenção, sedentarismo, obesidade infantil e declínio de habilidades cognitivas e sociais. O nome disso tem sido chamado por especialistas de “déficit de natureza”, e pode ser um dos maiores desafios de saúde pública e educacional do século XXI. A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo Quando brincar virou luxo A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança afirma que toda criança tem o direito de brincar e de crescer em contato com a natureza. No entanto, segundo o Comitê dos Direitos da Criança da ONU, “a falta de acesso a espaços naturais e a baixa valorização do brincar ao ar livre comprometem o desenvolvimento físico, emocional e social das crianças” (Comentário Geral nº 17, ONU, 2013). A urbanização acelerada, somada à hiperconectividade digital, vem limitando essas experiências. De acordo com a Natural Learning Initiative, “a redução do acesso a ambientes verdes e experiências físicas e lúdicas ao ar livre eleva riscos para a saúde mental e aprendizagem” (citado no estudo do NCPI, 2025). “As crianças, de modo geral, são naturalmente encantadas pela natureza, pelos animais, pela água. Com o tempo, porém, a sociedade foi se afastando desses ambientes — e as crianças, inevitavelmente, também. Resgatar esse contato, ‘desemparedar’ nossas crianças, é uma experiência profundamente recompensadora e inspiradora. Como educadores — e aqui retomo as palavras de Lea Tiriba — precisamos refletir continuamente se estamos favorecendo ou, sem perceber, criando barreiras para a potência de agir das crianças sobre o ambiente que as toca e transforma”, acrescenta Marilize Diniz, diretora pedagógica da Maple Bear Penedo. A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo A infância que adoece entre muros Pesquisas em neurociência confirmam que o cérebro infantil precisa de estímulos reais e variados para se desenvolver plenamente. Segundo Kolb & Whishaw, autores do livro Neurociência do Comportamento (2002), “ambientes empobrecidos em estímulos naturais conduzem a sérias desvantagens no desenvolvimento cerebral e comportamental”. Essas desvantagens se tornam ainda mais graves quando combinadas à pobreza. Estudos de Campos e Baran mostram que “crianças em ambientes de vulnerabilidade social apresentam atrasos cognitivos e emocionais devido à falta de estímulos adequados, incluindo o contato com a natureza” (Periódicos UEM). O Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), em relatório de 2025, reforça que “ambientes de aprendizagem externos e naturais impactam positivamente o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social de crianças na primeira infância”. Para o grupo, ampliar o acesso a áreas verdes é essencial “para garantir um desenvolvimento saudável e sustentável, além de mitigar os impactos da crise climática sobre a infância”. A arquiteta Camila Morais, fundadora sócia da Tropicália e mãe na Maple Bear Penedo, também defende a importância dos ambientes integrados a natureza: “Eu sempre pensei o seguinte: a criança é o começo da vida, e a natureza é a essência da existência. Por isso, acredito que ambos precisam estar conectados de forma genuína. Como arquiteta e também como mãe de uma aluna da Maple Bear, vejo diariamente como essa relação com a natureza faz diferença no bem-estar, na curiosidade e no desenvolvimento da minha filha. Na arquitetura, o design biofílico nos permite criar essa conexão ao trazer elementos naturais para dentro da escola, criando espaços que acolhem, inspiram e potencializam a aprendizagem.” A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo Natureza como política pública A UNESCO e a ONU defendem que combater o déficit de natureza exige “políticas de educação baseadas em práticas como aprendizagem na natureza (nature-based learning) e ecossistemas de aprendizagem conectados ao meio ambiente”. Essas estratégias, segundo os relatórios, melhoram a saúde mental, reduzem o déficit de atenção e aumentam o engajamento escolar. O jornalista Richard Louv, autor do clássico A Última Criança na Natureza, resume: “Há dados impressionantes mostrando que alunos de escolas baseadas no meio ambiente se saem melhor em testes tradicionais e também desenvolvem pensamento crítico e capacidade de resolver problemas” (BBC Brasil, 2016). Em nova análise (2024), Louv reforça que “brincar na natureza aumenta a criatividade, reduz o estresse e melhora a concentração”, fatores determinantes para o sucesso escolar e profissional. A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo Da Natureza à sala de aula Pesquisas de Harvard e Stanford demonstram que o contato regular com a natureza estimula a plasticidade cerebral, melhorando a memória, a atenção e o aprendizado. “Ambientes enriquecidos, que incluem o contato com a natureza, potencializam o desempenho escolar e o desenvolvimento de habilidades valiosas para o mercado de trabalho”, aponta estudo citado pela iniciativa Criança e Natureza (2024). O psicólogo Marco Aurélio Carvalho, do Instituto Brasileiro de Ecopsicologia, reforça que “a resiliência, o pensamento crítico e a capacidade de resolver problemas são aprimorados pelo contato com a natureza” (entrevista, 2025). A gerente de Conservação do WWF-Brasil, Mariana Napolitano, acrescenta: “Estar perto da natureza melhora o humor, reduz o estresse e aumenta a sensação de calma e felicidade” (WWF, 2023). Mesmo breves períodos — dez minutos por dia — em ambientes verdes já produzem efeitos positivos, segundo estudo publicado na Ecopsychology (2025). A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo O que dizem os médicos A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Médica Brasileira são unânimes: as crianças precisam passar ao menos uma hora por dia ao ar livre. Segundo o pediatra Dr. Daniel Becker, “a natureza é o território essencial da infância — ela relaxa o cérebro, melhora a imunidade e reduz a ansiedade” (Drauzio Varella, 2023). Relatórios da UNIFESP e da Universidade de Brasília apontam que o contato com ambientes naturais reduz a depressão, melhora o foco e aumenta a empatia. “O tempo na natureza é tão poderoso que deveria ser prescrito como remédio”, resume a Sociedade Brasileira de Pediatria (2024). Elaine Moreira, gastroenterologista, pós graduada em Medicina integrativa e mãe na Maple Bear Penedo também defende sobre o tema: “A ausência de Natureza adoece! Nós somos a natureza e o distanciamento físico e mental têm um alto custo. O grounding, o simples ato de aterrar, é um reset natural, que reduz a inflamação crônica e restaura o fluxo energético. Grounding não é misticismo; é biofísica. Aterrar é a terapia mais acessível para a nossa saúde física e mental. Como médica, eu prescrevo: mais pés descalços!” A geração sem céu: a infância que perdeu o direito à natureza Foto/Divulgação: Maple Bear Penedo Reconectar é urgente e possível O autor Richard Louv defende uma equação simples: “Quanto mais tempo passarmos na companhia da tecnologia, mais tempo precisaremos na companhia da natureza.” Empreendedores e educadores brasileiros concordam. A reconexão com o meio ambiente é vista não só como questão de saúde, mas de inovação e liderança. “A sensibilidade para entender o mundo, inovar e enfrentar desafios nasce na infância, e nasce do contato com o ambiente natural”, dizem representantes da Aliança pela Infância (2024). No Sul Fluminense, a Maple Bear Penedo é um exemplo de escola que já entendeu isso. Em meio a árvores e jardins, as crianças aprendem em dois idiomas e exploram a natureza como parte do currículo. O ambiente se torna um educador: cada galho é um laboratório, cada pedra, uma descoberta. “Como pesquisadora das infâncias, vejo no brincar livre ao ar livre não apenas um direito, mas um antídoto ao déficit de natureza que atravessa esta geração. Quando as crianças exploram o vento, a terra e os pássaros que vivem onde nós vivemos — como no projeto ‘Quem Vive Onde Eu Vivo' da Maple Bear Penedo — elas desenvolvem corpo, mente e pertencimento. Afinal, só cuidamos do que conhecemos: cada encontro com a natureza é um convite para formar cidadãos mais sensíveis, curiosos e protetores do mundo que os acolhe”, diz Carla Cruz, coordenadora pedagógica da Educação Infantil na Maple Bear Penedo. Um novo direito humano O déficit de natureza já é reconhecido por cientistas, médicos e educadores como um problema de saúde pública global. Mas também é uma oportunidade: reconstruir o elo entre infância e mundo natural. Como resume o relatório do NCPI (2025): “Colocar a primeira infância no centro do enfrentamento da crise climática é garantir às crianças o direito mais básico de todos — o de crescer sob um céu aberto.”

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Facens é reconhecida como referência nacional no Prêmio Brasil Digital Ozires Silva

Publicado em: 27/11/2025 16:14

Prof. Me. Luciano Freire – Pró-Reitor de Ciências Exatas e Profa. Dra. Patrícia Klahr – Reitora Facens/Divulgação O Centro Universitário Facens foi reconhecido como Referência Nacional na 21ª edição do Prêmio Brasil Digital Ozires Silva, considerado um dos mais importantes do país em aprendizado, desempenho e transformação digital. A cerimônia oficial de premiação aconteceu no dia 3 de novembro de 2025, em São Paulo. Profa. Dra. Patrícia Klahr – Reitora, Prof. Me. Luciano Freire – Pró-Reitor de Ciências Exatas, Prof. Dr. Christian Tirelli – Diretor de Educação Continuada, Dra. Danielle Rachel dos Santos Carvalho – Qualidade e Inovação Evelyn Abreu – Especialista em Qualidade Acadêmica e Professora de Engenharia Elis Marina Nunes – Jornalista, Produtora de Conteúdo e Marketing Facens/Divulgação O prêmio demonstra que a Facens ocupa um lugar de destaque nacional, servindo de inspiração para outras organizações em práticas inovadoras, sustentáveis e inclusivas. A experiência inscrita pela Instituição, “Facens: Tecnologia, inovação e educação sustentável”, destaca o compromisso institucional em integrar academia, mercado e comunidade. O reconhecimento foi conquistado na modalidade Aprendizado & Desempenho Criado em 2002, o Prêmio Ozires Silva celebra iniciativas que impulsionam a inovação e a transformação digital em processos e modelos de negócio, alinhando-se às diretrizes de ESG (Ambiental, Social e Governança) e à E-Digital – Estratégia Brasileira para Transformação Digital. Representantes da Facens recebendo o Prêmio Brasil Digital Ozires Silva Facens/Divulgação Ecossistema de inovação O Centro Universitário Facens, que completará 50 anos em 2026, construiu ao longo dos anos um ecossistema que proporciona um aprendizado "hands on" ("mão na massa") para os seus estudantes. Seus principais diferenciais se concentram em uma estrutura única de dez centros de inovação que funcionam como laboratórios vivos: LIGA: desenvolvimento de games, apps, realidade aumentada e virtual, metaverso e blockchain. SMARTLAB FACENS: soluções em Cidades Inteligentes. ED+ Content Hub: produção de conteúdo digital de alta qualidade. LIS: Laboratório de Inovação Social, focando em impacto na comunidade. FabLab: laboratório de fabricação digital que oferece acesso a ferramentas e máquinas como impressoras 3D, cortadoras lasers, entre outras. BRAIN: pesquisa e desenvolvimento em Inteligência Artificial. CEDEPS: desenvolvimento de produtos e sistemas em hardware, software e firmware. FACE: Centro de Empreendedorismo e Inovação Aberta. ENLACE: promoção do bem-estar e qualidade de vida. LINCE: Laboratório de Competições Estudantis de tecnologia e engenharia. Essa estrutura, somada à governança com base nos princípios do ESG, um Instituto de Pesquisas (IP Facens) e a presença de diversas empresas e multinacionais no campus – como Huawei, Veolia, CPFL Energia, Splice e Trina Solar – permitem que tecnologias como inteligência artificial, robótica, realidades digitais, impressão 3D, biotecnologia, cibersegurança e energia renovável sejam exercidas na prática, com foco nos desafios reais do mercado, aplicando tecnologias para inclusão social e colaboração com empresas públicas, privadas e comunidades em vulnerabilidade. Para a Reitora do Centro Universitário Facens, Profa. Dra. Patrícia Klahr, o prêmio reforça a visão estratégica da instituição e a pertinência de seu modelo educacional. "Este reconhecimento como Referência Nacional no Prêmio Ozires Silva é a prova de que estamos no caminho certo, construindo um ecossistema educacional que conecta, de forma genuína, inovação, sustentabilidade e impacto social. É uma validação do nosso modelo, que não apenas utiliza soluções tecnológicas, mas as aplica para gerar impactos reais e sustentáveis, desenvolvendo profissionais para um futuro que exige a integração de tecnologia e propósito." Campus Alexandre Beldi Netto – Centro Universitário Facens Facens/Divulgação Sobre o Centro Universitário Facens O Centro Universitário Facens é um hub de inovação e tecnologia - um Smart Campus - conceito premiado dentro e fora do país, que alinha o desenvolvimento de projetos aos eixos de cidades inteligentes e aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. É o 1º Campus 5G do Estado de São Paulo, está entre as top 10 universidades brasileiras, ocupa o 1º lugar no ranking internacional de sustentabilidade UI Green Metrics entre as universidades privadas brasileiras e é signatária do Pacto Global da ONU, em um espaço verde de 100 mil m², com mais de 60 laboratórios especializados e diversos Centros de Inovação. Nota máxima (5) no Ministério da Educação (MEC) e 43 estrelas no Guia da Faculdade (Quero Educação/Estadão), somente reforçam o compromisso em se manter como uma das melhores instituições privadas de ensino superior no Brasil. Seus 49 anos de história sempre priorizaram a integração do mercado com a academia, foco no desenvolvimento empreendedor e cidadão de seus estudantes e colaboradores, a busca constante por inovação social e tecnológica e o fomento por um ecossistema de educação completo. Oferece atualmente cursos de graduação, pós-graduação e extensão, abrangendo áreas da Saúde, Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, Tecnologia, entre outros. Possui um Instituto de Pesquisas, IP Facens, que atua há mais de 20 anos com os serviços de pesquisa, desenvolvimento e inovação para conectar empresas, organizações sociais e órgãos públicos ao futuro.

O fim da restauração prateada e os novos caminhos da odontologia

Publicado em: 25/11/2025 15:06

Se você já foi ao dentista nas últimas décadas, é provável que tenha notado uma grande transformação: a cadeira de tratamento não é mais aquele lugar frio e temido, e os materiais usados parecem ter saído de um laboratório de alta tecnologia. A Odontologia está em constante modernização, incorporando a cada dia novas técnicas, tecnologias e materiais que não só amplificam o conforto do paciente – com anestesias mais eficazes e procedimentos menos invasivos – mas também priorizam a estética. O Ministério da Saúde anunciou o fim gradual do uso de amálgama em restaurações dentárias até 2030. NorGal/AdobeStock Os tempos em que uma cárie resultava em um remendo escuro ou metálico na boca estão se tornando cada vez mais distantes. Hoje, a busca é por restaurações que se camuflam perfeitamente no dente, a ponto de serem invisíveis, feitas de resinas compostas ou porcelanas que imitam a cor e a textura natural do esmalte. Essa onda de inovações nos leva a revisitar um personagem clássico da história odontológica: o amálgama. Por muito tempo, a restauração "prateada" – ou, para ser mais preciso, a liga metálica acinzentada – foi a principal solução para tratar cáries. Tão onipresente quanto os aparelhos dentários gigantes da ficção científica, ele cumpriu seu papel com distinção. Mas, como todo herói que se preza, o amálgama precisou dar lugar a uma nova geração. Um sinal definitivo desse adeus veio recentemente do poder público. O Ministério da Saúde anunciou que o Brasil caminha para a eliminação gradual do uso do amálgama com mercúrio até 2030. A decisão, alinhada à Convenção de Minamata, reforça a tendência global de substituição desse material, principalmente por questões ambientais ligadas ao descarte incorreto do mercúrio. Apesar do anúncio sinalizar o fim de uma era, especialistas tranquilizam a população: a substituição não é motivada por riscos de saúde para quem já tem o amálgama na boca, mas sim pelo impacto ambiental. O que é o amálgama e por que ele dura tanto? O amálgama é um material de restauração dentária que, em sua composição, leva uma mistura de metais, sendo o mercúrio elementar o principal componente líquido que se une a uma liga de prata, estanho e cobre. É por isso que ele tem aquela aparência inconfundível, que destoa do branco dos dentes. Resina e porcelana são materiais que vieram como substitutos estéticos do amálgama em restaurações dentárias. Freepik Historicamente, o amálgama era a escolha número um por algumas razões de peso: Durabilidade: Uma vez aplicado, o amálgama era notório por sua longevidade. Sua resistência à mastigação e ao desgaste era incomparável, fazendo com que uma restauração pudesse durar décadas; Facilidade de aplicação: O procedimento de restauração era relativamente simples. O dentista removia o tecido cariado e preenchia o espaço com a mistura maleável, que endurecia rapidamente; Custo-benefício: Em comparação com os materiais estéticos mais recentes, o amálgama era um material de custo mais acessível. No entanto, o mundo mudou, e a Odontologia evoluiu para além das necessidades puramente funcionais. O principal "pecado" do amálgama sempre foi a estética. Ninguém gosta de exibir um sorriso cheio de pontos escuros. Além disso, a presença do mercúrio, mesmo que em forma ligada e estável, sempre gerou debates e receios no público e na comunidade científica. O fim de uma era e a visão do especialista Com a ascensão das resinas compostas, que oferecem resultados estéticos e mecânicos cada vez mais superiores, o amálgama foi gradativamente perdendo espaço nas faculdades e nos consultórios. Para contextualizar essa transição, o Dr. Frederico Coelho (CRO-GO 5621), fundador do Crool Centro Odontológico, Mestre e Doutor em Implantodontia, oferece uma visão de quem vivenciou essa mudança: "A maioria dos dentistas, pelo menos em clínicas particulares, já não usa o amálgama há muitos anos. Aqui no Crool, a gente já não usa o amálgama há mais de 20 anos. As novas turmas de graduação em Odontologia nem aprendem mais o amálgama como material de primeira escolha, ou sequer o aprendem em detalhe na parte clínica", afirma o Dr. Frederico. Essa declaração é um reflexo do que acontece nas melhores clínicas: a prioridade é a harmonia do sorriso e a utilização de materiais que se integram perfeitamente. Preciso trocar minha restauração prateada? Aqui chegamos à principal dúvida que tira o sono de muitos pacientes: "Se o amálgama contém mercúrio e é antigo, preciso correr para trocá-lo?" A resposta, na maioria dos casos, é um sonoro "Não". O alarme social sobre a necessidade de remover todas as restaurações de amálgama muitas vezes se baseia em equívocos e receios. O Dr. Frederico Coelho é categórico ao desmistificar essa preocupação, reforçando a importância da avaliação profissional: "O que acontece é que existem pessoas que ainda têm restauração de amálgama na boca, porque essas restaurações têm longa durabilidade e a gente não vê necessidade de troca quando a restauração tem boa adaptação. Então, mesmo se chegar um paciente hoje com amálgama, ele tem uma boa adaptação e, se não o incomodar esteticamente, não tem necessidade de retirar". É crucial entender que o mercúrio no amálgama, uma vez que se liga aos outros metais, torna-se uma substância estável. A quantidade liberada ao longo da vida útil da restauração é extremamente baixa e, para a grande maioria das pessoas, não representa um risco significativo à saúde sistêmica, de acordo com as principais agências de saúde globais. A preocupação com a exposição ao mercúrio é muito maior durante o processo de remoção ou inserção do material, motivo pelo qual as clínicas modernas adotam protocolos rígidos para proteger o paciente e o profissional. Quando a troca é realmente indicada: A remoção de uma restauração de amálgama deve ser uma decisão clínica, não um pânico estético. Os motivos primários para a troca são: Adaptação comprometida: Se a restauração apresentar fraturas, infiltração (cárie por baixo da restauração) ou má adaptação na interface com o dente, ela deve ser trocada, independente do material. É aí que a vulnerabilidade entra em jogo; Estética: Se o paciente se sente desconfortável com o aspecto metálico, a troca por uma resina composta ou cerâmica é uma escolha pessoal e válida; Indicações raras: Em casos muito específicos, como alergia comprovada a algum componente da liga, a remoção pode ser indicada. O Dr. Frederico ressalta que a qualidade do trabalho é mais importante que o material em si: "Se uma restauração for bem feita, independente do material, e se o paciente tiver todos os cuidados orientados pelo dentista, essa restauração pode durar uma vida". O segredo da longevidade: Higiene e profilaxia O maior inimigo de qualquer restauração, seja ela de amálgama, resina ou porcelana, é a cárie secundária, que se forma na margem entre a restauração e o tecido dentário. O Dr. Frederico Coelho define essa área como o ponto de maior risco: "A maior vulnerabilidade na restauração é a interface entre ela e o dente, mas uma boa higienização e profilaxia rotineira, evitam lesões de cárie", explica o fundador do Crool. A mensagem é clara: o material é apenas uma parte da equação. O sucesso a longo prazo depende da sua dedicação em casa e da sua frequência ao consultório para a manutenção. Check-list para uma restauração duradoura e saudável: Escovação disciplinada: Use uma escova de dentes macia e creme dental com flúor, realizando movimentos suaves e circulares, alcançando todas as superfícies do dente e da restauração; Fio dental sem falhas: O uso do fio dental é vital para limpar a área mais crítica, a interface entre os dentes e a margem da restauração; Acompanhamento profissional: Visitas regulares ao dentista (a cada 6 meses, em geral) para profilaxia e check-up. Somente o profissional pode identificar infiltrações em estágios iniciais. O anúncio do fim das restaurações de amálgama assustou muita gente, mas calma, se informe antes de se alertar. Freepik Um olhar para o futuro, respeitando o passado O amálgama cumpriu sua missão. Ele foi crucial para a Odontologia por mais de um século, garantindo que milhões de pessoas pudessem mastigar e sorrir. Hoje, ele é uma relíquia histórica, substituído por materiais que unem função e estética de forma brilhante. Se você tem restaurações prateadas, não entre em pânico. Se elas estiverem em bom estado, a melhor atitude é a vigilância e a manutenção. A Odontologia moderna não é sobre remover o que é antigo, mas sim sobre preservar o que é funcional e melhorar o que é estético, sempre com base na ciência e no bem-estar do paciente. O Crool Centro Odontológico é o local ideal para quem busca um atendimento que alinha a tradição do cuidado com a inovação dos materiais. Se você precisa de uma avaliação profilática ou quer tirar dúvidas sobre a condição e a necessidade de troca de suas restaurações de amálgama, a equipe do Dr. Frederico Coelho está preparada para te oferecer um diagnóstico ético, seguro e baseado nas mais atuais evidências científicas. Tratamento odontológico? Crool, é lógico! Fonte: Crool Centro Odontológico Dentista responsável: Dr. Frederico Coelho (CRO-GO 5621), fundador do CROOL Centro Odontológico, é Mestre e Doutor em Implantodontia. Instagram: @fredericocoelho Endereço: Av. 85, n°1.909, Setor Marista, Goiânia-GO. Contatos: 62 3941-3131 e 62 99254-4365. Instagram: @croolodontologia

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A tecnologia está a serviço da vida no Hospital GACC

Publicado em: 25/11/2025 05:04

São José dos Campos é conhecida por ser um polo de tecnologia, sede da Embraer, do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do PIT (Parque de Inovação Tecnológica). Mas você sabia que o Hospital GACC também tem o seu Parque Tecnológico? Único complexo de tratamento multiprofissional especializado em oncologia infantojuvenil do Vale do Paraíba e Litoral Norte, o Hospital GACC tem os mais modernos equipamentos para diagnóstico, tratamento e cirurgias, e se tornou referência no país. Estrutura do Hospital GACC GACC “O hospital está um passo à frente das outras instituições, com os melhores equipamentos disponíveis no mercado, de marcas reconhecidas, para procedimentos de alta complexidade, oferecendo mais precisão, eficiência e segurança”, destaca Thiago da Silva Chaves, engenheiro clínico que atende hospitais de toda a região. O Centro Cirúrgico é equipado com aparelho de anestesia, aspirador ultrassônico, microscópio e foco cirúrgicos que contam com alta tecnologia embarcada e câmera, que permite, por exemplo, conferências em tempo real com médicos de todo o mundo. No Centro de Diagnóstico e Imagem, equipamentos de última geração para ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética garantem diagnósticos precisos com agilidade. “O tomógrafo de 128 canais oferece imagens com resolução dez vezes melhor do que os convencionais”, destaca Chaves. Estrutura do Hospital GACC GACC Cuidados que vão do detector de metais nas portas e do sistema de armazenamento e tratamento de medicamentos, até o potente equipamento para ressonância – o mais moderno da região, que custou R$ 6,3 milhões e está em operação há poucos meses –, tornam o local diferenciado, inclusive com inovações como o sistema de som e projeção de imagens, capaz de criar um ambiente mágico na sala de ressonância magnética com tecnologia de imersão virtual, transformando o exame em uma experiência lúdica, com cenários como uma floresta, o mar ou o espaço, e as músicas preferidos das crianças e jovens. A estrutura agiliza o diagnóstico e tratamento dos pacientes oncológicos e de outras especialidades atendidos pela instituição, utilizando recursos audiovisuais para proporcionar uma experiência mais confortável aos pacientes durante os exames. A tecnologia é especialmente importante para o público infantil, reduzindo a necessidade de sedação e tornando o processo mais acolhedor. O Hospital GACC também realiza exames de alta complexidade, como os de NGS (sequenciamento de nova geração), imunohistoquímica, biomolecular, citogenética e perfil de metilação, além de oferecer medicamentos de última geração, alguns deles indisponíveis no mercado nacional, que precisam ser importados. Por dentro da UTI Os cinco leitos de UTI seguem a máxima do Hospital GACC, de oferecer o melhor para seus pacientes. A excelência é comprovada em indicadores como os 15 meses sem registro de casos de infecção de corrente sanguínea, ultrapassando o número de 1.250 pacientes/dia sem esse tipo de intercorrência. O local conta com a tecnologia prisma para diálise e hemodiálise, sala de isolamento com sistema de fluxo de ar, ventiladores pulmonares, equipamentos de alto fluxo para tratamentos respiratórios e sistema de monitoramento, com uma central com acompanhamento 24 horas. Estrutura do Hospital GACC GACC “Para aproveitar todas as funcionalidades, temos uma equipe que passa por treinamentos constantes. Também acompanhamos congressos e eventos, no Brasil e exterior, para conhecer novidades e avaliar tecnologias que possam ser usadas no Hospital GACC”, afirma Chaves. Para manter essa estrutura e equipamentos de ponta, o desafio é garantir recursos o ano todo. “É uma estrutura única, que tem uma manutenção cara, por isso a necessidade de intensificarmos os esforços para obter apoio financeiro com campanhas e doações”, destaca Rosemary Sanz, fundadora e representante institucional do Hospital GACC. Estrutura do Hospital GACC GACC Campanha Árvore da Esperança Com a proximidade do Natal, o espírito de solidariedade ganha força, e a tradição das campanhas de fim de ano consegue beneficiar projetos, instituições e pessoas em situação de vulnerabilidade em toda a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale. No Hospital GACC, a campanha Árvore da Esperança é um exemplo. Em sua terceira edição, ela tem como objetivo arrecadar recursos para garantir o diagnóstico e tratamento de crianças e jovens com câncer de todas as cidades do Vale do Paraíba. Hospital GACC Divulgação Quem doar, além de ajudar centenas de crianças e jovens com câncer de todas as cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, vai ter uma bolinha personalizada que será pendurada na árvore de Natal do hospital. As doações são feitas diretamente ao hospital, por meio do PIX (e-mail): arvoredaesperanca@hospitalgaccvale.com.br Ao doar o valor, basta enviar o comprovante ao WhatsApp (12) 99798-1698 e escolher os nomes para personalizar as bolinhas. O número de doações por pessoa é ilimitado. É possível obter mais informações no WhatsApp e no Instagram do Hospital GACC. Sobre o Hospital GACC Referência em oncologia infantojuvenil, o Hospital GACC é o único complexo hospitalar infantojuvenil de alta complexidade da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale, para pacientes com câncer entre 0 e 23 anos. Oferece uma estrutura de excelência, com os equipamentos mais modernos para diagnóstico com equipe multidisciplinar especializada, realizando todos os atendimentos de forma gratuita, desde o diagnóstico, passando por todas as fases do tratamento integral, incluindo suporte sociofamiliar, educacional, emocional, recreativo e espiritual. O Hospital GACC participa do St. jude Global, do St. Jude Children's Research Hospital, a maior referência em tratamento e pesquisa em câncer infantojuvenil do mundo. Em 2024, realizou mais de 70 mil exames, 60 mil atendimentos multidisciplinares, 4.700 internações paciente/dia e 1.127 internações paciente/dia na UTI, entre outros. A média de sobrevida de pacientes infantojuvenis com câncer no Hospital GACC é de 71%, enquanto a média nacional é de 64% (fonte: Inca). Diretor Técnico: Dr. Marcelo Milone - CRM 57542

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GACC é referência nacional em diagnóstico e tratamento de câncer infantojuvenil

Publicado em: 24/11/2025 14:20

Você sabia que a região do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira tem um hospital que é referência no tratamento de câncer infantojuvenil localizado em São José dos Campos? O Hospital GACC, único complexo de tratamento multiprofissional especializado em oncologia e alta complexidade para crianças e jovens entre 0 a 23 anos dos 39 municípios da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale, atende atualmente 850 pacientes em tratamento oncológico contínuo, tendo como base suas instalações de 7 mil m² no bairro Urbanova. Inaugurado em 2009, o complexo hospitalar do Hospital GACC mantém hoje uma estrutura de ponta, com 215 profissionais de saúde, mais de 130 médicos de todas as especialidades infantojuvenis em seu corpo clínico e 204 voluntários, permitindo um atendimento de excelência, que resulta em uma taxa de sobrevida de pacientes de 71%, acima da média nacional, de 64%. Estrutura Hospital GACC GACC Os números do Hospital GACC impressionam. em 2024, por exemplo, foram realizados 70.135 exames, 60.334 atendimentos multidisciplinares, 13.421 consultas especializadas, 1.148 cirurgias, 4.072 sessões de quimioterapia, 4.700 pacientes/dia em internações hospitalares, 1.127 pacientes/dia na UTI e 30.626 medicamentos fornecidos para continuidade os tratamentos em casa. Com 20 leitos hospitalares e 5 de UTI, todos equipados com as tecnologias mais modernas; aparelhos de última geração para exames como tomografia computadorizada e ressonância magnética; e um espaço de cuidados avançados – onde um time de profissionais especializados em cuidados paliativos dá todo o suporte, do diagnóstico aos momentos mais delicados da jornada –, o Hospital GACC tem uma estrutura de dar inveja a qualquer instituição de saúde do país, inclusive hospitais particulares. Quanto custa o Hospital GACC Muita gente que vê a engrenagem do Hospital GACC funcionar com tanta eficiência não imagina os desafios diários da equipe. O primeiro deles é financeiro: para manter esse padrão e atender uma demanda crescente – em 2024, foram 1.087 novos pacientes – são necessários R$ 36 milhões por ano, e SUS e convênios cobrem apenas 49% dos R$ 100 mil gastos por dia. Isso exige um esforço para conseguir doações de empresas e pessoas físicas, além de participar de seleções em iniciativas como o Pronon (Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica), por meio do qual o hospital conseguiu verba para equipamentos e realização de capacitações. Estrutura Hospital GACC GACC “É raro encontrar médicos nas especialidades pediátricas e profissionais com especialidade hospitalar e oncológica de crianças e jovens, e aqui temos uma equipe multidisciplinar completa, que tem à disposição uma estrutura que permite fechar um diagnóstico detalhado em uma semana, no máximo 15 dias, em casos mais complexos. Temos exames biomoleculares e citogenéticos que são rotina apenas em cerca de dez hospitais do Brasil. Seguimos protocolos internacionais que garantem um atendimento de alto nível para os pacientes e suas famílias”, destaca Rosemary Sanz, fundadora e representante institucional do Hospital GACC. Suspeitou? Encaminhou! Outro ponto delicado é a constante luta contra o relógio para realizar diagnósticos e iniciar tratamentos com assertividade. “Nossa missão é atender o paciente de forma integral com a qualidade necessária. Para isso, precisamos que o paciente chegue até a gente, com facilidade e rapidez. Recebemos cerca de 300 casos suspeitos por ano, e um terço deles acaba confirmado como câncer, necessitando início imediato no tratamento”, conta Marcelo Milone, diretor técnico do Hospital GACC. Para promover o rápido encaminhamento da rede de saúde para o Hospital GACC, há seis anos foi criada a Campanha “Suspeitou? Encaminhou!”, que tem como objetivo alertar sobre a importância da suspeita oncológica precoce e o rápido encaminhamento de crianças e jovens para o Hospital GACC, em uma parceria com hospitais e profissionais de saúde da região. Ao contrário do protocolo tradicional de outras instituições que tratam casos de câncer, que só recebem pacientes com diagnóstico fechado, o Hospital GACC acolhe todos os casos suspeitos. O Hospital GACC é habilitado como unidade reguladora da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, e todas as unidades de saúde devem encaminhar os casos suspeitos direto para o Hospital GACC. GACC Divulgação “Nosso desafio é fazer o paciente chegar aqui, pois temos todas as ferramentas disponíveis para um diagnóstico ágil, assertivo, detalhado, integral e com alta tecnologia, muito acima do que qualquer hospital da rede de saúde para a faixa etária de 0 a 19 anos. Realizamos exames de alta complexidade, com diagnóstico biomolecular, anatomopatológico, imunohistoquímica, perfil de metilação, NGS (sequenciamento de nova geração). Em casos urgentes, temos os resultados de tomografia e ressonância em até quatro horas”, diz Milone. O Hospital GACC também consegue importar medicamentos que não estão disponíveis no mercado nacional e não são fornecidos pelo SUS e por convênios. “A actinomicina (antibiótico antitumoral), por exemplo, é um medicamento que cerca de 15% dos pacientes necessitam, e precisa ser importado”, conta. GACC Divulgação Campanha Árvore da Esperança Com a proximidade do Natal, o espírito de solidariedade ganha força, e a tradição das campanhas de fim de ano consegue beneficiar projetos, instituições e pessoas em situação de vulnerabilidade em toda a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale. No Hospital GACC, a campanha Árvore da Esperança é um exemplo. Em sua terceira edição, ela tem como objetivo arrecadar recursos para garantir o diagnóstico e tratamento de crianças e jovens com câncer de todas as cidades do Vale do Paraíba. Visão aérea do Hospital GACC GACC Quem doar, além de ajudar centenas de crianças e jovens com câncer de todas as cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, vai ter uma bolinha personalizada que será pendurada na árvore de Natal do hospital. As doações são feitas diretamente ao hospital, por meio do PIX (e-mail): arvoredaesperanca@hospitalgaccvale.com.br Ao doar o valor, basta enviar o comprovante ao WhatsApp (12) 99798-1698 e escolher os nomes para personalizar as bolinhas. O número de doações por pessoa é ilimitado. É possível obter mais informações no WhatsApp e no Instagram do Hospital GACC. Sobre o Hospital GACC Referência em oncologia infantojuvenil, o Hospital GACC é o único complexo hospitalar infantojuvenil de alta complexidade da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale, para pacientes com câncer entre 0 e 23 anos. Oferece uma estrutura de excelência, com os equipamentos mais modernos para diagnóstico com equipe multidisciplinar especializada, realizando todos os atendimentos de forma gratuita, desde o diagnóstico, passando por todas as fases do tratamento integral, incluindo suporte sociofamiliar, educacional, emocional, recreativo e espiritual. O Hospital GACC participa do St. jude Global, do St. Jude Children's Research Hospital, a maior referência em tratamento e pesquisa em câncer infantojuvenil do mundo. Em 2024, realizou mais de 70 mil exames, 60 mil atendimentos multidisciplinares, 4.700 internações paciente/dia e 1.127 internações paciente/dia na UTI, entre outros. A média de sobrevida de pacientes infantojuvenis com câncer no Hospital GACC é de 71%, enquanto a média nacional é de 64% (fonte: Inca). Diretor Técnico: Dr. Marcelo Milone - CRM 57542

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Cidades resilientes: aumento de eventos climáticos extremos no PR exige novo modelo de construções, alertam especialistas

Publicado em: 24/11/2025 03:00

Aumento de eventos climáticos extremos exigem novo modelo de construções A destruição em cidades no Paraná por tornados ao longo dos anos, como aconteceu em Rio Bonito do Iguaçu em 7 de novembro, se soma à discussão mundial sobre a capacidade de resistência estrutural de casas e comércios a eventos climáticos extremos – e a recorrência e intensidade dos eventos reforça a questão. Antes de Rio Bonito do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, no oeste do estado, teve diversas casas destruídas, em 2015, também durante a passagem de um tornado. Veja números abaixo. Para especialistas, o Paraná vive um momento em que precisa se discutir como o estado pode ajudar a população a se preparar para enfrentar adversidades como essas e, ao mesmo tempo, proporcionar a construção das chamadas cidades resilientes. O conceito, de caráter interdisciplinar, dá condições dos municípios se prepararem para enfrentar tornados, enchentes e outros eventos climáticos extremos com o menor dano possível e maior capacidade de recuperação. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp A pesquisadora Karin Linete Hornes, especialista em tornados e professora na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que os desastres climáticos no Paraná têm sido cada vez mais frequentes. O estado é considerado, inclusive, o segundo maior corredor de tornados do mundo. “Nós sofremos constantemente desastres relacionados a eventos climatológicos e meteorológicos. O Paraná teve mais de 12 mil ocorrências e aproximadamente 15 milhões de pessoas afetadas nas últimas quatro décadas. Todos os municípios tiveram algum prejuízo ligado a esse tipo de evento [...] Os órgãos de emergências, hospitais e prefeitura precisam ser extremamente bem construídos, porque esses locais servem de abrigo e vão auxiliar a população", afirma a pesquisadora Karin Linete Hornes. Segundo ela, os vendavais são os fenômenos que mais provocam danos no estado. "São 3.867 registros de ocorrências no mesmo período, segundo a Defesa Civil. E há subnotificação, porque muitos lugares sofrem prejuízos, mas não acionam o órgão", diz. Para Hornes, o Paraná ainda não trabalha de forma consistente com educação climática e prevenção. “Nós precisamos atuar na educação ambiental e na educação climática, explicando quais fenômenos mais acontecem no Paraná e como eles nos afetam, assim, conseguimos construir cidades que resistam aos fenômenos que ocorrem aqui”, afirma. Fotos: como está sendo a reconstrução de Rio Bonito do Iguaçu Veja se você tem direito: Paranaenses de 29 cidades podem sacar 'FGTS Calamidade' Preparo, impacto e capacidade de recuperação Rio Bonito do Iguaçu (PR), após o tornado de 7 de novembro Henrique Cabral Segundo o pesquisador Eduardo Gomes Pinheiro, doutor em Gestão Urbana pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o conceito de cidades resilientes prevê uma relação direta entre preparo, impacto do evento climático e capacidade de recuperação. Segundo ele, as cidades resilientes, que se antecipam ao problema, sofrem menos danos e retomam as atividades mais rapidamente. “A resiliência atravessa todas as etapas do ciclo de desastres, a prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação, e deve orientar o planejamento urbano como um todo”, diz ele. Pinheiro destaca que muitos municípios ainda não consideram que podem enfrentar desastres recorrentes, o que é um erro, segundo ele, especialmente em estados como o Paraná, onde enchentes, granizo e estiagens se repetem todos os anos. Para ele, cada obra e ação pública deveria partir da pergunta: isso aumenta ou reduz a vulnerabilidade do município aos eventos climáticos que fazem parte da nossa realidade? Como esse tipo de raciocínio costuma ficar fora das práticas administrativas, cidades seguem sendo construídas sem infraestrutura adequada, o que intensifica perdas humanas, destruição de patrimônio, impactos na economia local e até interrupções no calendário escolar Reconstrução emergencial com casas pré-fabricadas Segundo a Defesa Civil, 90% de Rio Bonito do Iguaçu ficou destruída e mais de mil pessoas ficaram desabrigadas. Sete pessoas morreram e cerca de 830 ficaram feridas. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) realizou cerca de 2,2 mil laudos de inspeção técnica depois da passagem do tornado e observou preliminarmente que 40% dos imóveis da cidade foram totalmente destruídos. Outros 60% podem ser recuperados, com danos que variam de reparos simples a intervenções estruturais complexas. No processo de reconstrução, o secretário de Estado das Cidades, Guto Silva, explica que o governo realiza atua em duas frentes. Na primeira, 140 engenheiros voluntários produziram laudos sobre cada residência afetada. De acordo com ele, os documentos vão orientar a distribuição de recursos. Paralelamente, o governo estadual autorizou a construção de 320 unidades habitacionais com casas pré-fabricadas. As obras começaram em 17 de novembro e priorizam casas de modelo construtivo mais rápido, que levam cerca de dois meses para estarem prontas. Dessas moradias, 200 serão erguidas nos próprios terrenos devastados e 120 em um novo bairro, que está sendo estruturado. No dia 20 de novembro, o estado divulgou que as casas são pré-fabricadas em woodframe, uma estrutura de madeira leve, e possuem sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço, com tamanhos que variam entre 46 m², 51 m² e 53 m². Segundo o governo, a previsão é de que a primeira casa seja concluída em até 10 dias. O coronel Ivan Ricardo Fernandes, coordenador executivo da Defesa Civil, explica que a instalação das casas pré-fabricadas exigem preparações técnicas, como a fundação dos terrenos, antes delas serem efetivamente levantadas. Projeto mostra divisão das casas pré-fabricadas de Rio Bonito do Iguaçu Eduardo Andrade/RPC O secretário Guto Silva afirma que a Secretaria das Cidades firmou protocolos com a Organização das Nações Unidas (ONU Migração) para desenvolver projetos de municípios, segundo ele, mais resilientes. “Vamos analisar todos os episódios com calma, identificar as causas e construir soluções de longo prazo. É um trabalho detalhado para reduzir impactos ambientais e fortalecer a segurança das cidades”, afirma. Rio Bonito do Iguaçu (PR) após o tornado de 7 de novembro Henrique Cabral Tornados têm sido mais destrutivos no Paraná ao longo dos anos Segundo estudos da pesquisadora Maria Cristina Pietrovski, de 2018 a 2023, a região Sul registrou 92 tornados - a maior ocorrência em comparação com as outras regiões do país. No período, 17 deles foram no Paraná. Anos antes do período analisado, outros eventos similares também causaram grandes problemas no estado, entre eles, o tornado de maio de 1992, que atingiu Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, classificado como F3. À época, seis pessoas morreram. Outro tornado aconteceu no mesmo mês e ano em Borrazópolis, no norte do estado, deixando 12 mortos. Em Nova Laranjeiras, um evento registrado em 1997 provocou quatro mortes e 72 feridos. Paraná é o terceiro estado do país com a maior ocorrência de tornados RPC Um dos episódios mais recentes foi em Marechal Cândido Rondon, no oeste, em novembro de 2015. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos ultrapassaram 115 quilômetros por hora. A prefeitura informou que 1,5 mil casas foram danificadas, 200 empresas tiveram prejuízos e cerca de 14 mil residências ficaram sem energia. A pesquisadora Karin Hornes estava em Marechal Cândido Rondon no dia do tornado e diz que a lembrança nunca se apaga. Ela conta que o desespero foi maior porque um de seus filhos estava na escola e ela não conseguia contato devido à falta de energia e telefone. “Quem passou por isso nunca mais esquece. A destruição é muito rápida e intensa. Eu nunca mais esqueci o som, a velocidade, a força. Quando saí de casa, vi um portão levantado e uma árvore arrancada pela raiz na Avenida Rio Grande do Sul. Eu realmente chorei. Não conseguia passar e não sabia como estava o meu filho.” Para o climatologista Francisco Mendonça, a repetição e a força dos tornados no Paraná têm relação direta com o aquecimento global. “Os tornados estão mais repetitivos e mais intensos do que no passado. Um ou outro antigo pode ter tido magnitude semelhante, mas não havia essa frequência.” Ele afirma que é necessário repensar a estrutura urbana, com áreas de proteção e mata ao redor das cidades para amortecer os ventos. Sem isso, diz ele, comunidades podem ser destruídas novamente por futuros eventos severos. Orientações para proteção Hornes orienta que moradores acompanhem alertas de institutos como Simepar, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e também observem o céu, nuvens e mapas de radar. Ela recomenda que as casas tenham pelo menos um cômodo seguro, mais resistente que os demais, como um porão ou um espaço com vigas, laje e colunas reforçadas. "Entre embaixo de uma mesa, de uma cama. Isso ajuda a evitar ferimentos por estilhaços", recomenda. Para quem estiver dirigindo, a orientação é se afastar do fenômeno e estacionar longe de postes e árvores. "Estacione em local seguro, coloque o cinto e fique em posição fetal. Se não houver abrigo, use cobertores ou colchões para proteção extra", diz. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Oeste e Sudoeste.

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