Arquivo de Notícias Resultados para: "tecnologia"

Como ultrassom inaugura nova era de tratamento de câncer sem cirurgias

Publicado em: 19/10/2025 12:38

A histotripsia é uma das várias abordagens que usam o ultrassom em tratamentos avançados contra o câncer. Erica Bass/ Rogel Cancer Center/ Michigan Medicine via BBC Se Zhen Xu não tivesse irritado seus colegas de laboratório com barulho, talvez ela nunca tivesse descoberto um tratamento revolucionário para o câncer de fígado. Como estudante de doutorado em engenharia biomédica na Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, no início dos anos 2000, Xu estava tentando encontrar uma maneira que permitisse aos médicos destruir e remover tecidos doentes sem a necessidade de uma cirurgia invasiva. Ela teve a ideia de usar ondas sonoras de alta frequência — ultrassom — para quebrar mecanicamente o tecido, e estava testando essa teoria em corações de porcos. O ultrassom não deveria ser audível aos ouvidos humanos, mas Xu estava usando um amplificador tão potente em seus experimentos que outros pesquisadores com quem ela compartilhava o laboratório começaram a reclamar do barulho. "Nada funcionava", lembra. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Então, ela decidiu atender ao pedido dos colegas aumentando a frequência dos pulsos de ultrassom, o que elevaria o nível sonoro para além do alcance da audição humana. Para sua surpresa, aumentar o número de pulsos por segundo — o que também significava que cada pulso seria reduzido a um microssegundo — não só incomodou menos as pessoas ao redor, mas também se mostrou mais eficaz no tecido vivo do que sua abordagem anterior. Enquanto observava o resultado, um buraco apareceu no tecido cardíaco do porco, menos de um minuto após a aplicação do ultrassom. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024 "Achei que estava sonhando", disse Xu, que hoje é professora de engenharia biomédica na Universidade de Michigan. Décadas depois, a descoberta de Xu, conhecida como histotripsia, é uma das várias abordagens que usam o ultrassom — que inaugura uma nova era de tratamentos avançados contra o câncer, oferecendo aos médicos métodos não invasivos para livrar pacientes de tumores cancerígenos usando som em vez de cirurgia. Aumentar o número de pulsos de ultrassom produzidos a cada segundo levou Xu a fazer uma descoberta. Erica Bass/ Rogel Cancer Center/ Michigan Medicine via BBC Em outubro de 2023, a histotripsia foi aprovada pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) para o tratamento de tumores no fígado. No ano seguinte, um pequeno estudo financiado pela HistoSonics, empresa criada para comercializar a tecnologia criada por Xu, descobriu que o método obteve sucesso em 95% de tumores hepáticos. Embora efeitos colaterais como dor abdominal e sangramento interno possam acontecer, pesquisas indicam que as complicações são raras e o método é geralmente seguro. Em junho, o Reino Unido se tornou o primeiro país europeu a aprovar a histotripsia. O tratamento foi disponibilizado pelo NHS (sistema nacional de saúde britânico) como um projeto piloto do seu Innovative Devices Access Pathway, voltado para necessidades clínicas ainda não atendidas. "As pessoas associam o ultrassom à imagem", diz Julie Earl, pesquisadora do Instituro de Pesquisa em Saúde Ramón y Cajal, na Espanha, que estuda a tecnologia. Mas, segundo ela, um número crescente de pesquisas indica que o ultrassom também pode destruir tumores, conter doenças metásticas (cânceres que se espalharam para outras parte do corpo) e aumentar a eficácia de outros tratamentos contra o câncer, tudo isso sem a necessidade de cirurgia. Como o ultrassom funciona Para muitas pessoas, a palavra "ultrassom" leva à associação imediata com exames de imagem durante a gravidez. Para criar uma imagem médica como um ultrassom, um transdutor portátil envia ondas de som de alta frequência para o corpo, que ricocheteia os tecidos internos. Um sensor no dispositivo capta as ondas que retornam e converte essa atividade em sinais elétricos, que são usados para criar uma imagem do que está acontecendo sob a pele. No tratamento, as ondas de ultrassom são concentradas em uma pequena área do tumor para destruí-lo. Para o tratamento de câncer de fígado, dispositivos de histotripsia direcionam as ondas de ultrassom para uma zona focal de aproximadamente 2x4 milímetros, "basicamente, do tamanho da ponta de uma canetinha", diz Xu. Em seguida, o braço robótico guia o transdutor sobre o tumor para atingir a área certa. O ultrassom é aplicado em rajadas rápidas. Esses pulsos criam pequenas "microbolhas" que se expandem e depois colapsam em questão de microssegundos, desintegrando o tecido tumoral. O sistema imunológico do paciente é então capaz de eliminar os restos. Tudo acontece muito rápido, sem toxicidade e de uma forma não invasiva, geralmente permitindo que os pacientes voltem para casa no mesmo dia. Embora o tempo exato do tratamento varie, a maioria dos procedimentos é concluída de uma a três horas, de acordo com a HistoSonics. Os tumores geralmente são destruídos em uma única sessão, embora os pacientes com lesões maiores ou múltiplas precisem de várias sessões. Apesar de os benefícios da histotripsia serem promissores, existem perguntas ainda sem respostas. Não há, por exemplo, dados robustos de longo prazo sobre a recorrência do câncer após o tratamento. Alguns pesquisadores levantam preocupações sobre a possibilidade da histotripsia dispersar células cancerígenas à medida que os tumores são fragmentados dentro do corpo, podendo ser transportadas para outras áreas. Essa preocupação, contudo, não se confirmou em estudos com animais até o momento. Ao ajustar a quantidade de energia ultrassônica produzida, o dispositivo de histotripsia pode controlar a quantidade de tecido afetado. Erica Bass/ Rogel Cancer Center/ Michigan Medicine via BBC Pesquisas sugerem que a histotripsia pode não funcionar contra todos os tipos de câncer. O osso pode bloquear o ultrassom de alcançar seu alvo, tornando impossível tratar tumores em determinadas partes do corpo. E o uso da histotripsia em órgãos cheios de gases, como os pulmões, pode ser perigoso e potencialmente causar danos a tecidos saudáveis que ficam próximos. Mas a HistoSonics está atualmente estudando a histotripsia como potencial tratamento para tumores no rim e no pâncreas. 'Cozinhando' o câncer com ultrassom A histotripsia não é o primeiro tratamento que usa o ultrassom contra o câncer. O ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), uma tecnologia mais antiga e estabelecida, também pode ser usado para atacar tumores. O "jato" concentrado de ultrassom é aplicado em um tumor para gerar calor que basicamente "cozinha" o tecido, diz Richard Price, co-diretor do Centro de Imunoterapia do Câncer por Ultrassom Focalizado na Universidade de Virgínia, nos EUA. "Se você pegar uma lupa e segurar ao sol sobre uma folha seca, você poderia, de fato, começar a queimar a folha", diz Price. O HIF faz essencialmente a mesma coisa com o tecido cancerígeno, só que usando energia sonora. Na oncologia, o HIFU é mais conhecido como uma forma não invasiva de tratamento de câncer de próstata, e sua aplicação parece ser tão eficaz quanto a cirurgia, de acordo com um estudo de 2025. Os pacientes podem sentir algum desconforto e efeitos urinários ao acordar, mas a recuperação é geralmente mais rápida do que após terapias intensivas, como cirurgia. Tanto a histotripsia quanto a terapia por HIFU são geralmente realizadas com uso de anestesia geral, para que os pacientes não se mexam durante o tratamento, minimizando a possibilidade de danos acidentais a órgãos ou tecidos próximos. Porém, a histotripsia não gera o calor produzido pelo HIFU, que pode prejudicar tecidos saudáveis próximos. A tecnologia de HIFU é bem estabelecida para o tratamento do câncer de próstata que depende do aquecimento do tecido. Getty Images via BBC Mas nem todos os cânceres podem ser tratados com HIFU — mais uma vez, ossos ou gases podem impedir o ultrassom de atingir os tumores. Normalmente, não é uma opção para pacientes cujo câncer de próstata se espalhou pelo corpo. Ainda assim, pesquisadores em diversos países estão conduzindo estudos na esperança de tratar outros cânceres, como o de mama. Ultrassom e outros medicamentos Pesquisadores afirmam que o poder do ultrassom também poderia ser potencializado ao combiná-lo com outras formas existentes de tratamento do câncer. Pesquisas recentes sugerem, por exemplo, que injetar microbolhas na corrente sanguínea e estimulá-las com ultrassom pode abrir temporariamente a barreira hematoencefálica. Essa barreira geralmente impede que toxinas presentes no sangue entrem e danifiquem o cérebro. Mas abri-la propositalmente durante o tratamento de sangue poderia permitir que os medicamentos alcançassem os tumores que devem atacar. "Essa parte não invasiva é incrível, mas o componente de entrega de medicamentos é realmente incomparável em qualquer outro lugar", diz Price. Deepa Sharma, cientista pesquisadora do Sunnybrook Health Sciences Centre, em Ontário, no Canadá, afirma que esses benefícios não se limitam ao câncer cerebral. Ela estudou a combinação do ultrassom e microbolhas em diversos tipos de câncer, constatando que ela pode melhorar amplamente a entrega de medicamentos. A pesquisa de Sharma também sugere que as microbolhas potencializadas com ultrassom podem aumentar os efeitos da radiação ao danificar a vasculatura dos tumores, levando a um maior número de células mortas. Esses resultados indicam que médicos poderiam usar quantidades menores de tratamentos tóxicos contra o câncer, como quimioterapia e radiação, se elas forem combinadas com ultrassom e microbolhas. "A radioterapia cura o câncer, mas também causa muitos efeitos colaterais a longo prazo", diz Sharma. Se seus efeitos podem ser potencializados graças às microbolhas estimuladas por ultrassom, segundo ela, os médicos poderiam teoricamente usar doses menores para obter os mesmos efeitos do tratamento com menos efeitos devastadores. O ultrassom também parece ser uma boa opção para imunoterapia, um tratamento cuja abordagem busca estimular o sistema imunológico a combater células cancerígenas que podem estar escapando ou se escondendo das defesas naturais do corpo. À medida que o ultrassom focalizado aquece e danifica os tumores, ele parece tornar esses tecidos mais visíveis para o sistema imunológico e, portanto, mais vulneráveis às suas defesas, diz Price, cujo centro de pesquisa se concentra no uso do ultrassom aliado à imunoterapia. Segundo Price, um caminho para pesquisas futuras é determinar se essa combinação pode funcionar contra cânceres em estágio avançado. O câncer metastático é muito mais difícil de tratar do que a doença localizada — quando o câncer se espalha pelo corpo, não basta remover um único tumor. O Santo Graal — objetivo final — seria que os médicos pudessem algum dia usar o ultrassom para forçar um tumor a sair do esconderijo ao fragmentá-lo, permitindo que o sistema imunológico detectasse suas características e lançasse um ataque sistêmico contra células cancerígenas em outras partes do corpo, diz Price. Isso ainda precisa ser testado em qualquer tipo de ensaio clínico, mas, teoricamente, os médicos poderiam "tratar 10, 15, 20 tumores apenas no tratamento de um", afirma. Dito isso, Price alerta que os ensaios com ultrassom e imunoterapia ainda estão em estágios relativamente iniciais. Isso significa que são necessárias muito mais pesquisas para determinar se, quando ou como essa abordagem combinada poderia transformar o cuidado aos pacientes. Mas as técnicas de ultrassom já em uso estão abrindo uma nova era na oncologia — uma era que tem como objetivo substituir ou, pelo menos melhorar terapias eficazes, porém devastadoras, como cirurgias, quimioterapia e radioterapia. "O câncer é terrível", diz Xu. "E o que o torna ainda pior é o próprio tratamento." O ultrassom não é uma "cura mágica" para o câncer, afirma. Assim como qualquer tratamento médico, ele tem limitações e efeitos indesejáveis. Mas assim como ela conseguiu poupar seus colegas de laboratório dos ruídos irritantes décadas atrás, a pesquisadora espera que sua descoberta— e de outros cientistas — ajudem pacientes a evitar sofrimentos desnecessários nos anos que virão.

Palavras-chave: tecnologia

Inpe abre votação popular para escolha do nome do novo supercomputador; veja opções

Publicado em: 19/10/2025 11:54

Supercomputador vai trazer nível de detalhe inédito na previsão do tempo no país Giaccomo Voccio/g1 O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) abriu nesta semana o período de votação para a escolha do nome do novo supercomputador, instalado em Cachoeira Paulista (SP). O novo supercomputador é responsável por gerar os alertas meteorológicos do país. A promessa é de um nível de precisão inédito: será possível saber, por exemplo, em quais regiões de um bairro vai chover e em que momento (saiba mais aqui). De acordo com o Inpe, a campanha lançada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), batizada de 'Um Nome Para o Futuro' traz quatro opções para que a população possa escolher. São eles: Jaci Arani Aracy Arandu A votação ocorre nos perfis oficiais do Inpe e do MCTI nas redes sociais, até 26 de outubro. Os nomes escolhidos têm origem em línguas de povos originários brasileiros e seguem o legado do Tupã, o antigo supercomputador. Veja abaixo o significado dos nomes: Jaci: Jaci é a deusa da lua e parceira de Tupã na mitologia tupi-guarani. O mito apresenta Tupã e Jaci como forças complementares - o dia e a noite, o masculino e o feminino - cuja união simboliza o equilíbrio e a harmonia necessários para a existência. Jaci representa a sabedoria, a renovação e a proteção da natureza, sendo uma entidade feminina associada ao ciclo da noite e às forças cósmicas, o que representa bem a missão científica do INPE. Arani: Em tupi, Arani é traduzido como “relâmpago”, remetendo a rapidez, energia e clareza. Se Tupã representa o trovão, Arani simboliza a luz que o acompanha, trazendo a ideia de continuidade e renovação. O nome associa força e velocidade (atributos essenciais de um supercomputador) e ainda valoriza a representatividade feminina. Aracy: Na tradição Tupi-Guarani, significa mãe do dia ou aurora. Simboliza renovação, clareza e a promessa de um novo começo. Assim como a aurora traz a luz após a escuridão, o supercomputador proporcionará conhecimento sem precedentes sobre clima, meteorologia e meio ambiente. Arandu: Em guarani, Arandu significa “sabedoria”. O termo resulta da junção de ára (“tempo, espaço, cosmos”) e andu (“sentir, ouvir”), remetendo à capacidade de compreender profundamente o tempo e o mundo. Representa o papel do supercomputador em transformar dados da atmosfera, do oceano e da Terra em conhecimento científico, ampliando a precisão de previsões e cenários climáticos. Supercomputador O novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) chegou ao Brasil no dia 20 de maio. O novo equipamento foi adquirido em 2024, com um investimento de R$ 200 milhões, e está em fase de testes no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), em Cachoeira Paulista (SP). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O supercomputador foi adquirido por meio de licitação em 2024 pela empresa HPE-Cray. O novo sistema será operado no Inpe para a realização de previsões numéricas de tempo, clima e ambientais. O instituto destaca que o novo sistema representará um salto significativo na capacidade de processamento de dados do Inpe, pois será possível aprimorar modelos numéricos de previsão do tempo e clima, desenvolver simulações ambientais mais detalhadas e reforçar o monitoramento de eventos extremos, como secas e tempestades. Novo supercomputador do Inpe, que deve fazer a previsão do tempo mais exata, chega ao Brasil Divulgação/Inpe O novo supercomputador do Brasil será o coração da previsão meteorológica no país. Mesmo em fase de testes, já funciona sem parar: 24 horas por dia, 7 dias por semana, recebendo informações e realizando mais de trilhões de cálculos por segundo. De acordo com o Inpe, além de beneficiar o trabalho do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Defesa Civil, que atua em casos de desastres naturais, o equipamento também vai ajudar os setores de energia e agricultura. Inpe começa a desmontar o supercomputador Supercomputador Tupã, do Inpe, será substituido pelo novo equipamento de R$ 25 milhões. Divulgação/Inpe Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: tecnologia

Fim das chuvas? Paraná amanhece com sol e termômetros a menos de 5ºC; veja previsão do tempo

Publicado em: 19/10/2025 11:41

Foto ilustrativa RPC Ponta Grossa Após dias de chuva com temporais localizados, a maior parte do Paraná amanheceu com tempo seco neste domingo (19). O sol apareceu em diversas regiões, mas não foi suficiente para evitar baixas temperaturas no sul do estado; em Palmas, os termômetros chegaram a 4,7ºC, por exemplo. As informações são do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Segundo o órgão, durante o dia, as máximas podem chegar a 19ºC em Palmas e a até 26ºC na faixa norte do estado, em cidades como Paranavaí, Londrina e Maringá. Veja a previsão do tempo por região mais abaixo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ponta Grossa no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 A estimativa do Simepar é que, agora, o tempo permaneça estável em todo o estado ao longo deste domingo (19) e de toda semana. A exceção é o litoral, que pode registrar pancadas de chuva neste domingo. "O dia começou com predomínio de tempo estável no interior do Paraná, onde o Sol atua com variação de nuvens. Destaque vai para o sul e sudeste em função do frio no amanhecer. Os ventos sopram, em geral, com moderada intensidade na faixa central, nos Campos Gerais e no norte pioneiro durante o dia, enquanto no período da noite fica ventoso em boa parte do estado", destaca o órgão. Para segunda-feira (20), a previsão do órgão é que o tempo continue "firme" no interior, com Sol entre algumas nuvens e temperaturas agradáveis. "As temperaturas máximas seguem ao redor dos 25ºC, 26°C. No centro-sul e sudeste, nos municípios que fazem divisa com Santa Catarina, o amanhecer ainda será gelado, com valores abaixo dos 10°C, assim como na capital. Na faixa leste a nebulosidade permanece mais densa, com sensação de frio e chuviscos a qualquer hora do dia", ressalta. Os meteorologistas também explicam que de terça (21) a quinta (23) o Sol deve continuar predominando e as temperaturas devem continuar subindo gradativamente ao longo dos dias. A nebulosidade deve ficar mais variável na faixa leste, e nas praias ainda há possibilidade de chuviscos passageiros. 🥶Amanhecer gelado Temperaturas mínimas registradas no Paraná neste domingo (19) Reprodução/Simepar Veja, abaixo, quais cidades registraram temperaturas abaixo de 10ºC neste domingo (19), segundo o Simepar: Palmas: 4,7ºC Guarapuava: 7,6ºC União da Vitória: 7,8ºC Fazenda Rio Grande: 8,1ºC Clevelândia: 8,4ºC Pinhais: 8,6ºC Santa Maria do Oeste: 9,0ºC Pato Branco: 9,1ºC Pinhão: 9,2ºC Laranjeiras do Sul: 9,3ºC Curitiba: 9,6ºC Lapa: 9,7ºC Cascavel: 9,9ºC 🌤️Previsão do tempo Veja, abaixo, a previsão do tempo divulgada pelo Simepar neste domingo (19): Domingo, 19 de outubro Previsão do tempo do Simepar para domingo, 19 de outubro Reprodução/Simepar Segunda-feira, 20 de outubro Previsão do tempo do Simepar para segunda-feira, 20 de outubro Reprodução/Simepar Terça-feira, 21 de outubro Previsão do tempo do Simepar para terça-feira, 21 de outubro Reprodução/Simepar Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná

Palavras-chave: tecnologia

Chocolate sem leite e glúten? fábrica aposta na inovação e cria sabor inclusivo em RO

Publicado em: 19/10/2025 11:07

Chocolate sem leite e glúten em RO Reprodução/acervo pessoal Uma fábrica de chocolate em Ouro Preto do Oeste (RO) decidiu unir inovação, sustentabilidade e inclusão alimentar para criar uma nova forma de fazer chocolate: sem leite e sem glúten. O processo desenvolvido pela chocolateira Jhanne Franco pode até parecer algo de outro mundo, mas ela garante que o sabor é tão bom ou até melhor que o tradicional. De acordo com Jhanne, ao contrário do que muita gente pensa, não é preciso usar leite para fazer um bom chocolate, apenas cacau e açúcar bastam para alcançar um sabor intenso. O processo de fabricação segue padrões rigorosos de pureza, e nenhum ingrediente com leite ou glúten entra na fábrica. “O chocolate é gostoso, saudável e sustentável. As pessoas têm um certo receio, mas quando provam se surpreendem". O segredo do sabor está na origem: o cacau rondoniense, cultivado por produtores locais. Ao g1, Jhanne conta que faz questão de valorizar o que é daqui. “Tudo o que posso comprar aqui dentro, eu compro direto dos produtores. Só recorro a outros estados quando realmente não há produção local.” O início de tudo Chocolate sem leite e glúten em RO Amanda Oliveira/g1 A fábrica nasceu quando Jhanne descobriu que sua afilhada era alérgica a leite e glúten. Em um gesto de carinho, decidiu criar um chocolate de alta qualidade que pudesse ser consumido por pessoas com as mesmas restrições. Mas o caminho até aqui não foi doce o tempo todo. Jhanne precisou investir em equipamentos, tecnologia e conhecimento para se destacar no mercado. “Eu não tinha público nem recursos. Comecei com equipamentos pequenos, produção pequena e fui reinvestindo tudo que entrava.” Segundo Jhanne, o setor de cacau fino ainda era novo em Rondônia, o que tornava tudo mais desafiador. Mas com o tempo, o estado começou a ganhar reconhecimento nacional e sua trajetória se misturou com a do próprio desenvolvimento da cacauicultura regional. “Quase ninguém falava do cacau daqui. Hoje nossos produtores estão ganhando prêmios e mostrando que Rondônia pode não ser o maior, mas pode ser o melhor. Nós crescemos juntos.” Chocolate sem leite e glúten em RO Reprodução/acervo pessoal Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: tecnologia

Geração Z está derrubando governos — mas protestos nas redes sociais geram mudanças duradouras?

Publicado em: 19/10/2025 10:38

Protestos recentes no Nepal escalaram para atos violentos, deixando ao menos 70 pessoas mortas; primeiro-ministro renunciou ao cargo. Prabin Ranabhat / AFP via Getty Images O coronel Michael Randrianirina foi empossado como novo presidente de Madagascar na sexta-feira (17/10), dias após um golpe militar no país. Ele trocou o uniforme de combate por um terno e agradeceu aos jovens que foram às ruas durante semanas de protestos que levaram o presidente Andry Rajoelina a fugir do país e resultaram em seu impeachment. De Madagascar ao Marrocos, do Paraguai ao Peru, protestos liderados por jovens estão se espalhando pelo mundo, enquanto a Geração Z — pessoas nascidas entre 1995 e 2010 — demonstra sua frustração com governos e exige mudanças. Além da juventude dos participantes, esses movimentos têm em comum a forma como são organizados e impulsionados: pelas redes sociais. Mas especialistas alertam que esse mesmo fator pode ser a causa do seu enfraquecimento. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em Madagascar, manifestações contra falta de energia e água derrubaram o governo. Uma unidade militar de elite afirmou na terça-feira (14/10) ter assumido o poder, destituindo o então presidente, após parlamentares votarem por seu impeachment. No Nepal, protestos contra corrupção e nepotismo levaram o primeiro-ministro a renunciar o cargo. No Quênia, a Geração Z foi para as ruas e para as redes sociais exigir responsabilização e reformas no governo. No Peru, uma multidão de jovens marchou até ao Congresso, ao lado de motoristas de ônibus e táxi, para demonstrar sua revolta diante dos escândalos de corrupção e aumento da insegurança. Em meio aos protestos, o Congresso peruano aprovou por unanimidade, no último dia 10, o afastamento da presidente Dina Boluarte do cargo. José Jerí, que liderava o Parlamento, assumiu interinamente a presidência, mas os protestos persistem e agora pedem sua renúncia. Na Indonésia, trabalhadores informais protestam contra os cortes em programas sociais. E no Marrocos, a população testemunha a maior manifestação antigoverno dos últimos anos. Manifestantes exigem melhorias na saúde e educação e criticam os bilhões gastos na construção de estádios para a Copa do Mundo. A Geração Z lidera manifestações antigoverno no Marrocos, pedindo por mais investimento em saúde e educação. Abu Adem Muhammed / Anadolu via Getty Images Em todas essas manifestações, as redes sociais têm desempenhado um papel fundamental, servindo de plataforma para compartilhar histórias, construir solidariedade, coordenar táticas e promover a troca de experiências com jovens de outros países. Mas, segundo Janjira Sombatpoonsiri, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais, esses protestos são apenas os mais recentes de "uma onda de 15 anos de manifestações lideradas por jovens e moldadas pela conectividade digital". Essa onda inclui a Primeira Árabe (2010-2011), o movimento Occupy Wall Street (2011-2012), o Movimento Indignados, contra a austeridade na Espanha (2011), além de protestos pró-democracia na Tailândia (2020-2021), Sri Lanka (2022) e Bangladesh (2024). 'Corrupção se torna visível' Steven Feldstein, pesquisador sênior do centro de estudos norte-americanos Carnegie Endowment for International Peace, traça a origem desse fenômeno a um período ainda anterior — durante a Segunda Revolução do Poder Popular, nas Filipinas, em 2001, quando as mensagens de texto por SMS tiveram papel central. "Jovens utilizando tecnologia para impulsionar movimentos de massa não é novidade", disse. A diferença agora está no nível de sofisticação da tecnologia, com uso generalizado de celulares, redes sociais, aplicativos de mensagem e, mais recentemente, inteligência artificial, o que facilitou a mobilização de pessoas. Jovens no Sri Lanka entraram em confronto com a polícia durante protestos em 2022. Akila Jayawardana / NurPhoto via Getty Images "Foi com isso que eles [Geração Z] cresceram e é essa a forma que eles se comunicam", destaca Feldstein. "Essa forma de organização é uma manifestação natural disso." Hoje, imagens e publicações circulam cada vez mais longe e mais rápido, ampliando tanto a indignação quanto a solidariedade das pessoas. Athena Charanne Presto, socióloga da Universidade Nacional da Austrália, afirma que as redes sociais "transformaram algo que poderia parecer apenas um post sobre estilo de vida em política e, em muitos casos, mobilizações". "A corrupção parece algo abstrato quando é mencionada em relatórios ou processos judiciais, mas quando as pessoas a veem em seus celulares, na forma de mansões, carros esportivos, bolsas de luxo, a corrupção se torna algo concreto", destaca a socióloga. "A distância entre o privilégio da elite e as dificuldades do dia a dia se torna um insulto pessoal, em que a ideia abstrata de corrupção se desintegra em pedaços palpáveis." Foi isso que aconteceu em setembro no Nepal, onde protestos se desencadearam após o filho de um político postar uma foto no Instagram posando ao lado de uma árvore de Natal feita de caixas de marcas de luxo. A situação também foi semelhante nas Filipinas. "Assim como no Nepal, isso repercutiu entre os jovens filipinos porque eles visualizaram algo que já sabiam: que as elites políticas vivem com excesso", disse Presto. "E no caso das Filipinas, esses excessos estão diretamente ligados ao fato de que os políticos estão desviando dinheiro de projetos de controle de enchentes, que atingem cada vez mais os filipinos." Manifestantes tailandeses adotaram a tática 'seja como a água' de Hong Kong, mudando locais de manifestações de última hora, via Telegram, para enganar a polícia. Getty Images via BBC As redes sociais também tornaram possível a troca de táticas de protesto entre manifestantes em diferentes países. A hashtag #MilkTeAlliance, uma rede pan-asiática pró-democracia que surgiu a partir dos protestos de Hong Kong em 2019, tornou-se um ponto de encontro para ativistas em Mianmar, Tailândia e outros países. Manifestantes tailandeses, por exemplo, adotaram a abordagem "seja como a água" usada em Hong Kong, anunciando protestos para, de última hora, mudar o local por meio de canais do Telegram, frustrando os bloqueios policiais. "Essa tática ajudou os cidadãos a escapar da vigilância e de prisões", afirma Sombatpoonsiri. Uma faca de dois gumes À medida que a dissidência online se espalha, muitos regimes autoritários respondem com censura e força. Mas especialistas alertam que tais repressões muitas vezes têm o efeito contrário ao esperado, desencadeando manifestações ainda maiores, principalmente quando imagens de violência do Estado são transmitidas ao vivo, inflamando a indignação pública. O episódio em Bangladesh, em 2021, é um exemplo claro: o governo de Awami League bloqueou a internet, prendeu dissidentes com base na Lei de Segurança Digital e usou munições reais para atirar contra estudantes ativistas. Mas uma imagem, do estudante Abu Sayed, morto a tiros pela polícia, o tornou um mártir e fez com que mais pessoas saíssem às ruas para protestar. Bangladesh viu uma nova onda de protestos após morte de estudante pela polícia. Getty Images via BBC Padrões semelhantes se repetiram no Sri Lanka, na Indonésia e no Nepal, onde a morte de manifestantes alimentou ainda mais a indignação das pessoas, endureceu as reivindicações e, em alguns casos, derrubou governos. No entanto, embora as redes sociais fortaleçam protestos, elas também os tornam mais suscetíveis à fragmentação e repressão. A organização desses movimentos sem um líder fixo oferece "flexibilidade e uma sensação de igualdade", afirma Sombatpoonsiri, mas também pode deixar os grupos mais vulneráveis a infiltrações, violência ou mudanças de agenda. Um manifestante antigoverno durante comício pedindo a revogação da Seção 112 do Código Penal tailandês, que criminaliza insultos ao monarca. Getty Images via BBC Na Tailândia, uma monarquia, debates online fragmentaram o movimento pró-democracia depois que hashtags como #RepublicofThailand (República da Tailândia, em português) e publicações com símbolos comunistas afastaram possíveis aliados. Já no Nepal e em Bangladesh, manifestações pouco coordenadas acabaram em violência. Enquanto isso, pesquisas indicam que os regimes estão usando ferramentas digitais contra ativistas. "Desde a Primavera Árabe, os governos implementaram um sistema de vigilância com uso de inteligência artificial, censura mais rígida e leis repressivas, forçando os ativistas a atuar sob risco constante", disse Sombatpoonsiri. A Primavera Árabe envolveu revoltas no Oriente Médio e no norte da África. Getty Images via BBC Especialistas também debatem o impacto a longo prazo dos protestos organizados pelas redes sociais. Um estudo da Universidade de Harvard de 2020 sugere que, nos anos de 1980 e 1990, 65% das campanhas não violentas foram bem-sucedidas, mas entre 2010 e 2019, esse índice caiu para 34%. "Mesmo quando os movimentos de massa conseguem provocar mudanças em governos ou regimes, transformações de longo prazo estão longe de serem garantidas", afirma Sombatpoonsiri. "Protestos podem evoluir para guerras civis, como aconteceu na Síria, Mianmar e no Iêmen, levando facções rivais a disputar o poder, ou autocratas podem retornar e consolidar sua influência, como no Egito, Tunísia e na Sérvia, já que as reformas falharam em desmontar a infraestrutura enraizada nos regimes anteriores." Além das hashtags Estratégias híbridas, que combinam abordagens online e offline, são essenciais para promover mudanças reais. AFP via BBC "Por natureza, [as redes sociais] não foram feitas para promover mudanças de longo prazo. Você depende de algoritmos, indignação e hashtags para manter o movimento de pé", afirma Feldstein. "A mudança exige que as pessoas encontrem uma forma de transformar um movimento online disperso em algo com visão de longo prazo, com vínculos que sejam tanto físicos quanto online." Os especialistas também enfatizam a necessidade de "estratégias híbridas". "Essas estratégias deveriam combinar ativismo online com tradicionais formas de protesto, como greves e comícios. Igualmente importantes são alianças amplas que fortaleçam a colaboração entre sociedade civil, partidos políticos, atores institucionais e movimentos baseados na internet." Protestos da Geração Z contra o governo do Peru têm confronto com a polícia e feridos Geração 'Z': jovens buscam equilíbrio entre vida profissional e pessoal

Plataforma reúne bens culturais do Amapá reconhecidos como patrimônio imaterial

Publicado em: 19/10/2025 09:01

Pesquisa nacional aponta que marabaixo e technobrega são práticas culturais predominantes O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou neste mês a plataforma Bem Brasileiro, que reúne mais de 2 mil manifestações culturais reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil. O site destaca tradições do Amapá, como o Marabaixo, a Arte Kusiwa e os ofícios das parteiras, reforçando a diversidade e a ancestralidade do povo amapaense. O lançamento marca os 25 anos da política nacional de preservação do patrimônio imaterial, criada pelo Decreto nº 3.551, de 2000. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp Segundo Michel Flores, superintendente do Iphan no Amapá, a nova plataforma representa um avanço na valorização do patrimônio cultural. Clique aqui para acessar a plataforma “A plataforma amplia o acesso às informações e reforça o compromisso do Iphan com a preservação e publicização das nossas tradições (...)", afirmou. Desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e a Universidade de Brasília (UnB), o Bem Brasileiro funciona como um acervo virtual. O site permite consultas públicas e gratuitas sobre tradições e saberes reconhecidos como patrimônio cultural pelo Iphan. LEIA TAMBÉM: Amazônia abriga atualmente 55 milhões de árvores gigantes, revela pesquisa; Roraima e Amapá lideram concentração Exposição apresenta obras de arte sacra do artista Carlos Cantuária, em Macapá Como funciona A plataforma oferece filtros de busca por estado, data de registro, tema ou tipo de arquivo. Os bens imateriais são registrados em quatro livros: Saberes, Celebrações, Formas de Expressão e Lugares. Já os bens materiais são inscritos nos chamados Livros do Tombo, origem do termo “tombamento”. O sistema também permite cruzar informações entre bens com características semelhantes. Uma busca por “Marabaixo”, por exemplo, pode levar a registros como a Arte Kusiwa ou o Ofício das Parteiras Tradicionais, também presentes no Amapá. Além disso, o site lista mestres, grupos culturais e instituições que atuam na preservação do patrimônio imaterial em todo o país, com informações de contato. “A salvaguarda do patrimônio imaterial é responsabilidade de todos: poder público e sociedade civil”, afirma Deyvesson Gusmão, diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan. Conexão com os ODS Cada bem registrado na plataforma é associado a metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). A proposta é mostrar que preservar tradições culturais pode ajudar a enfrentar desafios sociais, econômicos e ambientais do país. Encontro de Bandeiras do marabaixo Isadora Pereira/g1 Arte Kusiwa, no Amapá Iphan/Divulgação Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Palavras-chave: tecnologia

Criança do AC com mutação genética rara faz cirurgia após doação de Gusttavo Lima: 'Vibrações positivas'

Publicado em: 19/10/2025 07:01

Criança do AC com mutação genética passa por cirurgia após doação do cantor Gusttavo Lima A família de Bruno Vinícius Troiani Teixeira, carinhosamente chamado por 'Bruninho', de 11 anos, tem mais um motivo pra comemorar. É que a criança, que nasceu com uma mutação no gene KCNQ5, localizado no cromossomo 6, já está em casa após uma cirurgia complexa chamada estimulação cerebral profunda (DBS). O caso repercutiu após o cantor Gusttavo Lima se sensibilizar com a história da família. Ao saber que ainda faltavam R$ 260 mil para o custeio da cirurgia, o artista prometeu arcar com o valor restante durante um show na ExpoJuruá, no dia 2 de julho. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A mutação genética provoca atraso global no desenvolvimento e enquadra Bruninho no espectro autista, além de outras comorbidades. A mais grave era a epilepsia farmacorresistente, que causava crises severas e frequentes no menino. Com o dinheiro arrecadado, a família viajou para Porto Alegre (RS), onde o procedimento foi feito no Hospital Moinhos de Vento, o único da América Latina com a tecnologia necessária, segundo o pai. “Controlando as crises, o Bruno pode ter ganhos em várias áreas. Há casos em que o controle chega a 70% e, em alguns, até à cura total. Tenho muita fé em Deus de que o Bruninho vai alcançar isso”, disse Marcus Vinícius. LEIA MAIS: Síndrome rara faz acreana de 2 anos ter fome insaciável: 'Precisa ser acompanhada pro resto da vida' Família de acreana com síndrome rara intensifica terapias para estimular desenvolvimento: 'Fome não é 5% das dificuldades' Antes da cirurgia, Bruninho passou por um exame de imagem detalhado (PET Scan) e por avaliações de risco cirúrgico. A cirurgia durou cerca de cinco horas e envolveu uma equipe de 12 profissionais, entre cirurgiões, anestesistas, enfermeiros e técnicos, com o auxílio de um braço robótico. Foram implantados dois eletrodos no núcleo do tálamo e um marca-passo cerebral. Bruno Vinícius Troiani Teixeira, de 11 anos, nasceu com uma mutação no gene KCNQ5, localizado no cromossomo 6 Reprodução/Rede Amazônica Mutação no gene KCNQ5 A família, que mora em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, obteve o diagnóstico quando o garoto tinha quatro anos e dez meses, por meio do exame genético chamado sequenciamento do exoma. Ao longo dos anos, os pais testaram oito medicamentos diferentes e também o canabidiol, mas sem sucesso. Diante do sofrimento do filho, o pai, Marcus Vinícius Teixeira, iniciou uma vaquinha virtual para custear a cirurgia. O tratamento é indicado em casos graves de epilepsia e consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro para reduzir as crises. Bruno Vinícius Troiani Teixeira, de 11 anos, nasceu com uma mutação no gene KCNQ5, localizado no cromossomo 6 Reprodução/Rede Amazônica Após o procedimento cirúrgico, segundo o pai do garoto, a expectativa é de melhora significativa nas crises, no sono e na parte cognitiva. De volta a Cruzeiro do Sul desde o dia 8 de outubro, Bruninho retomou o convívio com familiares e amigos. “Graças às orações de pessoas que nem conhecíamos, recebemos mensagens, vibrações positivas e isso nos deu força no momento da cirurgia, e com certeza também tranquilizou o Bruninho”, completou o pai. VÍDEO: g1

Palavras-chave: tecnologia

Observatório Antares promove Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em Feira de Santana; veja programação

Publicado em: 19/10/2025 07:01

Observatório Antares, em Feira de Santana Divulgação/Uefs O Observatório Astronômico Antares (OAA) promove a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. O evento será realizado de terça (21) a quinta-feira (23), das 9h às 12h e das 14h às 17h, na sede do observatório, localizada no bairro Jardim Cruzeiro. Com o tema “A origem da vida e o ambiente marinho”, a programação é voltada para estudantes e professores de escolas públicas e privadas, mas também estará aberta ao público, que poderá participar das atividades sem necessidade de agendamento prévio. Para grupos com mais de 10 pessoas, o agendamento deve ser feito por meio do site do observatório. As atividades incluem exposições, mostras e oficinas. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região Durante os três dias, o público poderá participar de um circuito expositivo e interativo. O percurso começa com o painel em grafite sobre a origem da vida, instalado no muro do observatório, e segue com mostra de fósseis, sessões de planetário e exposições temáticas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entre as atrações, estão: Exposição da Embasa, sobre o tratamento da água; Mostra “Entre rochas e águas: o tesouro negro”, que aborda o petróleo, sua origem, extração, impactos ambientais e ações mitigadoras — resultado de parceria entre o Museu Geológico da Bahia (MGB), o programa PopGeo da UEFS e o Museu Antares; Oficina “Oceano em Mudança: Refletir e Agir”, que discutirá a poluição marítima e possíveis ações de limpeza dos oceanos. Ao longo da semana, serão debatidos temas como a origem da vida nos oceanos, a preservação marinha e os desafios ambientais diante das mudanças climáticas, em uma proposta educativa e interativa que busca aproximar a ciência da comunidade. O evento é organizado pelo Museu Antares de Ciência e Tecnologia (MACT) e conta com o apoio de instituições parceiras como a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), o Museu Geológico da Bahia, a Organização Socioambientalista Pró-Mar e o Projeto Tamar. LEIA MAIS: Planetário da Ufba inicia programação gratuita; ação permite público observar eclipse lunar e equinócio de primavera Programa oferece capacitação em tecnologia exclusiva para mulheres em Feira de Santana; saiba como participar 'BioFemme': projeto incentiva estudantes a se tornarem cientistas em cidades da Bahia Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻

Palavras-chave: tecnologia

Quer viver mais? Conheça conceito aplicado aos empreendimentos M Vituzzo

Publicado em: 19/10/2025 06:01

O conceito de wellness vem transformando o modo de pensar os espaços de moradia, e na M Vituzzo ele se tornou parte da própria essência construtiva. Há 15 anos, a empresa adota a inovação e a saúde como fundamentos do que produz. Cada empreendimento é projetado e executado com o objetivo de oferecer qualidade de vida para todas as pessoas que habitam os espaços: crianças, jovens, adultos e idosos. Bosque Encantado do Next Home M Vituzzo Mais do que erguer edifícios, a M Vituzzo entende a construção como um processo que deve gerar impacto positivo no cotidiano. Desde a escolha dos terrenos e localizações premium até a entrega das unidades, cada decisão considera como a estrutura e o uso dos ambientes podem contribuir para o conforto e a vitalidade dos moradores. Inovação aplicada à longevidade Nos empreendimentos da marca, o wellness se traduz em soluções que unem tecnologia, mobilidade e convivência. O Next Home, por exemplo, integra natureza e cidade, com áreas voltadas à socialização e ao lazer, promovendo equilíbrio e conexão com o entorno. Já o Le Monde introduz o conceito Longlife, que incorpora tecnologias e flexibilidade de layout para acompanhar diferentes etapas da vida, permitindo que a moradia evolua junto com o morador. Fitness by CIA Athletica no Kingdom Towers M Vituzzo O Kingdom Towers leva o wellness à escala da experiência física, com infraestrutura completa para saúde e lazer e parceria com a Cia. Athletica, reforçando o compromisso da M Vituzzo com a longevidade e o movimento. No Art Paisage, o conceito se expande para o coletivo: o diálogo com a arte e com o Parque da Cidade transforma o entorno em extensão da casa, promovendo equilíbrio entre urbanidade e natureza. Construir para o tempo e para as pessoas Serena, o novo empreendimento no bairro Vila Adyana M Vituzzo O Serena, breve lançamento no terreno do antigo ginásio do Tênis Clube, é a continuidade dessa visão. Com o conceito “o futuro do bem-estar”, o empreendimento será o primeiro de São José dos Campos com a certificação internacional Fitwel, acreditada para projetos que promovem a saúde e qualidade de vida. Tal iniciativa, reforça o compromisso da M Vituzzo com o desenvolvimento urbano de São José dos Campos, ao mesmo tempo em que oferece espaços que acompanham o ritmo da vida em todas as idades. Clique aqui para saber mais sobre o Serena e antecipar-se ao lançamento! Na M Vituzzo, o wellness é mais do que uma tendência. É a compreensão de que construir é cuidar do tempo, do espaço e das pessoas. Cada projeto nasce com o propósito de garantir que a vida dentro dos empreendimentos seja plena, saudável e sustentável, hoje e nas próximas gerações. Conheça nossos empreendimentos aqui ou fale diretamente com nossos executivos.

Palavras-chave: tecnologia

Empresas do agro se preparam para Exposição-feira Agropecuária de Roraima

Publicado em: 19/10/2025 06:01

Tratores que serão expotos na Expoferr 2025 em Roraima Reprodução/Amazônia Agro Empresas que comercializam produtos do ramo do agronegócio se preparam para Exposição-feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), que ocorre entre os dias 4 e 8 de novembro de 2025, no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado no Monte Cristo. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (18). O evento reúne produtores, empresas e investidores de Roraima e de outras regiões do país. Tudo é planejado com antecedência para reforçar os estoques, atender à demanda e garantir boas oportunidades de negócio. Ao menos meio milhão pessoas devem passar pela feira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Com experiência no setor, a empresa do engenheiro agrônomo Acássio Brito vai participar do evento. Ele enxerga no evento uma oportunidade de ampliar os negócios e fortalecer parcerias. "A gente já participou nos anos de 2023, 2024 e 2025 agora. Vamos lá com força total para representar o melhor de tecnologia agrícola, falando em drone no estado de Roraima", afirmou Acássio. LEIA TAMBÉM: Agronegócio, produção rural: tudo sobre o Amazônia Agro Expoferr 2025 será de 4 a 8 de novembro e deve reunir meio milhão de pessoas João Gomes, Zé Felipe, Murilo Huff e mais quatro são atrações da Expoferr O público pode esperar novidades para o campo, com foco em estratégias e tecnologias voltadas a quem deseja investir em grandes máquinas e inovação agrícola. O assistente de marketing Caio Lopes destacou que a feira é uma oportunidade de apresentar as novidades do setor a um público diversificado. "A gente aproveita que a Expoferr tem uma participação absurdamente grande de agricultores, de gestores de outros estados para abraçar e oferecer nossos serviços e nossos produtos. Nós temos a tecnologia muito grande na nossa linha de tratores, nós temos plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores e todas essas máquinas têm um altíssimo grau de tecnologia”, disse Caio. 🌱 Em 2025, a Expoferr tem com tema "Colhendo o progresso, semeando o futuro!". O evento, que é organizado pela Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), teve investimento de R$ 15 milhões. A feira terá sete atrações nacionais: Taty Girl, Murilo Huff, Natanzinho Lima, Manu Bahtidao, Forró Anjo Azul, João Gomes e Zé Felipe. Além disso, programação inclui espaço infantil, praça de alimentação, vendas de produtos da agricultura familiar, além dos tradicionais rodeios e leilões de animais. Expoferr Show 2025 ocorrerá entre os dias 4 e 8 de novembro Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Palavras-chave: tecnologia

Veja o que está proibido e o que pode levar para a prova do Exato

Publicado em: 19/10/2025 06:01

Estudantes durante a aplicação do Exato, na UFT Anne Karoline/Sucom-UFT Neste domingo (19) mais de 12 mil candidatos vão fazer as provas da 2ª edição do Exame de Acesso ao Ensino Superior do Tocantins (Exato), em 2025. É preciso estar atento às exigências do edital para não correr o risco de desclassificação antes e durante a aplicação das provas. Conforme o edital, as provas vão ocorrer nas cidades de Araguaína, Araguatins, Arraias, Colinas, Dianópolis, Formoso do Araguaia, Gurupi, Lagoa da Confusão, Miracema, Palmas, Paraíso do Tocantins, Pedro Afonso, Porto Nacional e Tocantinópolis. Pela manhã, os portões dos locais de prova fecham às 8h, e os cadernos começam a ser entregues a partir das 8h10. À tarde, o limite para realizar a prova será menor, sendo apenas três horas. A entrar nas unidades será permitido até as 14h30. Os candidatos devem chegar com uma hora de antecedência, para que não percam o horário de fechamento dos portões. Será permitido o uso de caneta somente na cor preta, de material transparente. O uso de lápis, lapiseira, marca-texto, corretivo ou borracha está proibido. O candidato que for surpreendido dando ou recebendo auxílio para a execução das provas, usando equipamentos eletrônicos como celulares, tablets, calculadoras ou similares, será desclassificado. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Confira aqui os locais das provas O que é o Exato O exame é realizado pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) para servir como meio para ingresso em cursos de graduação. Além da UFT, os candidatos também podem disputar vagas na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e no Instituto Federal de Educação (IFTO). Com a nota do Exato, os participantes poderão concorrer aos processos seletivos que serão anunciados por cada instituição durante o primeiro semestre letivo de 2026. Provas e gabarito As provas serão compostas por 80 questões de múltipla escolha, divididas em quatro áreas do conhecimento, além da redação. Durante a manhã, os candidatos vão ter quatro horas para responder 20 questões de linguagens, códigos e suas tecnologias, 20 de ciências humanas e suas tecnologias, além de fazer uma redação. A partir das 14h40, os candidatos deverão responder 20 questões sobre matemática e suas tecnologias e outras vinte sobre ciências da natureza e suas tecnologias. A publicação das provas e dos gabaritos provisórios deve sair na segunda-feira (20), pelo site da universidade. LEIA MAIS: Prefeitura de Palmas envia LDO à Câmara com previsão de orçamento de R$ 2,7 bilhões Delegacia no Tocantins tem casos de violência doméstica sem investigação, inquéritos parados e prescritos, diz MP Quais documentos levar De acordo com o edital, os participantes vão ter que apresentar um documento de identificação original com foto. Veja quais serão aceitos no edital. Caso o participante esteja impossibilitado de apresentar documento de identidade original, por motivo de perda, roubo ou furto, ele deverá apresentar documento impresso (original e cópia) que ateste o registro da ocorrência em órgão policial (B.O.), expedido há no máximo 60 dias. Não serão aceitos documentos como certidões de nascimento, CPF, títulos eleitorais, carteiras de motorista (modelo sem foto), carteiras de estudante, carteiras funcionais sem valor de identidade, nem documentos ilegíveis, não identificáveis e/ou danificados. Também não serão aceitas cópias do documento de identidade, ainda que autenticada, nem protocolo do documento. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins. VEJA TAMBÉM: Estudantes se preparam para as provas da segunda edição do Exato 2025 Estudantes se preparam para as provas da segunda edição do Exato 2025

Palavras-chave: tecnologia

Como a IA generativa pode mudar a forma como pensamos e falamos

Publicado em: 19/10/2025 05:01

Uso de IA na saúde. Freepik Não há dúvida de que a inteligência artificial (IA) terá um impacto profundo em nossas economias, trabalho e estilo de vida. Mas será que essa tecnologia também poderá moldar a maneira como pensamos e falamos? A IA pode ser usada para redigir redações e resolver problemas em meros segundos que, de outra forma, levariam minutos ou horas. Quando passamos a confiar excessivamente nessas ferramentas, é provável que deixemos de exercitar habilidades essenciais, como o pensamento crítico e nossa capacidade de usar a linguagem de forma criativa. Os precedentes das pesquisas em psicologia e neurociência sugerem que devemos levar essa possibilidade a sério. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O ChatGPT está nos deixando burros? Há vários precedentes para a tecnologia reconfigurar nossas mentes, em vez de apenas auxiliá-las. Pesquisas mostram que as pessoas que dependem de GPS tendem a perder parte de sua capacidade de formar mapas mentais. Antes do advento da navegação por satélite, os motoristas de táxi de Londres memorizavam centenas de ruas. Como resultado, esses motoristas desenvolveram hipocampos aumentados. O hipocampo é a região do cérebro associada à memória espacial. Em um de seus estudos mais marcantes, o psicólogo russo Lev Vygotsky examinou pacientes que sofriam de afasia, um distúrbio que prejudica a capacidade de entender ou produzir a fala. Quando solicitados a dizer que “a neve é preta” ou a dizer o nome errado de uma cor, eles não conseguiam. Suas mentes resistiam a qualquer separação entre palavras e coisas. Vygotsky via isso como a perda de uma habilidade fundamental: usar a linguagem como um instrumento para pensar de forma criativa e ir além do que nos é dado. Será que o excesso de confiança na IA pode gerar problemas semelhantes? Quando a linguagem vem pré-embalada em telas, feeds ou sistemas de IA, o vínculo entre o pensamento e a fala pode começar a enfraquecer. Na educação, os alunos estão usando IA generativa para escrever redações, resumir livros e resolver problemas em segundos. Em uma cultura acadêmica já moldada pela competição, métricas de desempenho e resultados rápidos, essas ferramentas prometem eficiência ao custo da reflexão. Muitos professores reconhecem aqueles alunos que produzem textos eloquentes e gramaticalmente impecáveis, mas revelam pouca compreensão do que escreveram. Isso representa a erosão silenciosa do pensamento como uma atividade criativa. As pessoas que se recusam a usar IA Soluções rápidas Uma revisão sistemática, publicada em 2024, constatou que o excesso de confiança na IA afetou as habilidades cognitivas das pessoas, pois cada vez mais os indivíduos privilegiam soluções rápidas em detrimento das lentas. Um estudo que pesquisou 285 alunos de universidades no Paquistão e na China descobriu que o uso da IA afetava negativamente a tomada de decisões humanas e tornava as pessoas preguiçosas. Os pesquisadores disseram: “A IA executa tarefas repetitivas de forma automatizada e não permite que os humanos memorizem, usem habilidades mentais analíticas ou usem a cognição.” Há também um extenso trabalho sobre o desgaste do idioma. Trata-se da perda de proficiência em um idioma que pode ser observada em cenários do mundo real. Por exemplo, as pessoas tendem a perder a proficiência em seu primeiro idioma quando se mudam para um ambiente onde se fala um idioma diferente. O neurolinguista Michel Paradis diz que “o desgaste é o resultado da falta de estímulo a longo prazo”. O psicólogo Lev Vygotsky acreditava que o pensamento e a linguagem co-evoluíram. Eles não nasceram juntos, mas, por meio do desenvolvimento humano, fundiram-se no que ele chamou de pensamento verbal. De acordo com esse cenário, a linguagem não é um mero recipiente para ideias, mas é o próprio meio pelo qual as ideias tomam forma. A criança começa com um mundo cheio de sensações, mas pobre em palavras. Por meio da linguagem, esse campo caótico torna-se inteligível. À medida que crescemos, nossa relação com a linguagem se aprofunda. A brincadeira se torna imaginação e a imaginação se torna pensamento abstrato. O adolescente aprende a traduzir emoções em conceitos, a refletir em vez de reagir. Essa capacidade de abstração nos libera do imediatismo da experiência. Ela nos permite nos projetar no futuro, remodelar o mundo, lembrar e ter esperança. Mas esse relacionamento frágil pode se deteriorar quando a linguagem é ditada em vez de descoberta. O resultado é uma cultura de imediatismo, dominada pela emoção sem compreensão, pela expressão sem reflexão. Os alunos, e cada vez mais todos nós, corremos o risco de nos tornarmos editores do que já foi dito, onde o futuro é construído apenas a partir de fragmentos reciclados dos dados de ontem. As implicações vão além da educação. Quem controla a infraestrutura digital da linguagem também controla os limites da imaginação e do debate. Entregar a linguagem aos algoritmos é terceirizar não apenas a comunicação, mas também a soberania - o poder de definir o mundo que compartilhamos. As democracias dependem do trabalho lento de pensar por meio de palavras. Quando esse trabalho é substituído pela fluência automatizada, a vida política corre o risco de se dissolver em slogans gerados por ninguém em particular. Isso não significa que a IA deva ser rejeitada. Para aqueles que já formaram uma relação profunda e reflexiva com a linguagem, essas ferramentas podem ser aliadas úteis - extensões do pensamento em vez de substitutas. O que precisa ser defendido é a beleza conceitual da linguagem: a liberdade de construir significado por meio da própria busca por palavras. No entanto, defender essa liberdade exige mais do que conscientização — exige prática. Para resistir ao colapso do significado, devemos restaurar a linguagem à sua dimensão viva e corporal, o trabalho difícil e prazeroso de encontrar palavras para nossos pensamentos. Somente assim poderemos recuperar a liberdade de imaginar, deliberar e reinventar o futuro. *Antonio Cerella é professor sênior de Estudos Sociais e Políticos na Notthingham Tren University. **Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.

Entenda como tecnologia brasileira dobrou tempo de conservação de órgãos para reduzir filas de transplantes

Publicado em: 19/10/2025 05:01

Tecnologia dobra tempo de conservação de órgãos para reduzir filas de transplantes Uma tecnologia desenvolvida no Brasil está transformando o transporte de órgãos para transplante. A caixa Taura, criada por uma empresa de Santa Rosa, na Região Noroeste do RS, monitora temperatura, permite rastreamento em tempo real e já foi usada com sucesso em procedimentos complexos. À primeira vista, parece uma maleta comum. Mas por dentro, reúne tecnologia de ponta. O equipamento conta com um compressor que trabalha em 12 volts e controladores homologados para manter a temperatura ideal. "Esse equipamento atende a todos os requisitos para transporte de órgãos. Ele mantém a temperatura dentro do range esperado e com uma homogeneidade incomparável", explica Nerci Link, diretor da empresa fabricante. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A caixa é equipada com baterias internas, sensores e um sistema de monitoramento remoto. Isso permite acompanhar a temperatura e a localização do órgão em tempo real, garantindo segurança durante todo o trajeto. Diferente das tecnologias usadas em outros países, que são descartáveis e caras, o modelo brasileiro é reutilizável e tem custo reduzido. A Taura substitui o método tradicional com gelo, ainda usado na maioria dos casos, e elimina riscos de congelamento. Além disso, dobra o tempo em que o órgão pode ficar fora do corpo: de quatro para oito horas. Segundo o médico Juglans Alvarez, do Instituto de Cardiologia do RS, o ajuste ideal de temperatura evita complicações. "Quando o órgão fica muito tempo perto do gelo, ele congela. Depois do descongelamento, o coração pode ficar fraco e não recuperar", afirma. Essa tecnologia já foi usada no transporte de três corações entre estados. Em um dos casos, o trajeto foi mais longo que o convencional, e o órgão manteve plena funcionalidade após o transplante. "É uma revolução que tem acontecido fora do Brasil e agora estamos fazendo acontecer aqui também", completa Juglans. Caixa tem tecnologia permite transporte de órgãos em longas distâncias Reprodução/RBS TV Histórias de quem ganhou uma nova vida O impacto é visível. Só no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, foram realizados sete transplantes de coração em um mês e meio, quase o dobro da média anual, que era quatro. Entre os pacientes beneficiados está Rodrigo Martínez Moura, comerciante de Uruguaiana. "Acordo todo dia com mais ânimo, não tenho mais falta de ar. É outra vida", diz. Márcio Balen, motorista de aplicativo, também comemora. "Antes eu dormia sentado, faltava ar. Agora posso respirar direito. Vida nova", relata. Para as famílias, o sentimento é de gratidão. "Presente de Deus no dia do meu aniversário, a vida do meu filho", disse Rosa Martínez Moura, mãe de Rodrigo. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado realizou 961 transplantes de órgãos e tecidos no primeiro semestre de 2025, sendo oito de coração, 65 de fígado, 20 de pulmão, 262 de rim, 511 de córnea e 95 de medula óssea. O resultado acompanha o avanço nacional, que atingiu 14,9 mil transplantes no período, um crescimento de 21% em relação a 2022. Apesar do bom desempenho, o Ministério alerta que o número poderia ser ainda maior, já que 45% das famílias brasileiras ainda recusam a doação. O Rio Grande do Sul realizou 961 transplantes de órgãos e tecidos no primeiro semestre de 2025 Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: tecnologia

De revolução arquitetônica a fracasso imobiliário: 1º 'prédio giratório' do mundo tem futuro incerto após duas décadas

Publicado em: 19/10/2025 04:01

Conheça o prédio giratório de Curitiba Concebido para permitir ao morador mudar de ambiente e também a vista da janela com apenas um comando de voz, o Edifício Suite Vollard, em Curitiba (PR), representou uma revolução para a arquitetura e tecnologia imobiliária no final dos anos 1990. Em 2004, quando foi lançado, ele foi anunciado como o primeiro prédio giratório do mundo. Apesar da proposta inovadora, o edifício não teve sucesso comercial e está abandonado há anos. 🏗️🧱O edifício de 11 andares em formato cilíndrico fica no bairro Mossunguê e começou a ser idealizado em 1994. As obras duraram de 1998 a 2004. Mas qual foi a inovação arquitetônica? Cada andar tem um único apartamento e pode girar 360 graus de forma independente em relação aos demais. O projeto permite, inclusive, que dois andares girem ao mesmo tempo em sentidos opostos. Esse movimento é impulsionado por um pequeno motor. Prédio giratório de Curitiba Divulgação/Arquivo RPC ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp O projeto foi pensado como um edifício de alto padrão e a novidade atraiu atenção nacional e internacional. No entanto, os apartamentos "encalharam". O edifício acabou sendo penhorado para pagar dívidas da construtora e leilões fracassados marcam os mais de 20 anos de abandono da estrutura. Para o arquiteto Bruno Franco, que projetou o Suite Vollard, o problema foi ter erguido um 'prédio redondo em uma cidade quadrada'. (leia abaixo) 🏢'Edifício conceito' No fim dos anos 90, a Moro Construções Civis Ltda., construtora que lançou o projeto do Suite Vollard, era movida por projetos conceituais, afirma Sérgio Luiz Silka. Ele foi gerente da empresa e trabalhou ao lado de Bruno na concepção do projeto do prédio giratório. "A Moro não fazia o feijão com arroz, ela fazia trabalhos bem elaborados, sempre com propostas diferenciadas. Se a gente pegar o histórico da Moro você vai perceber que existem trabalhos icônicos dentro daquilo que foi proposto para a época", afirma. O Suite Vollard nasceu com o objetivo de virar ponto de referência para quem visse de fora e proporcionar aos moradores experiências que pareciam de ficção. Em um artigo de 2012, Bruno de Franco escreveu: "Viver em um apartamento giratório é o máximo que o minimalismo pode oferecer. [...] A rotação permite levar a cama, o bar ou o estar, até uma aconchegante lareira junto ao volume do cilindro central; ou levar você de onde estiver para assistir o próximo filme. Estacionar sua mesa onde você quiser, jantar à luz de velas e contemplar as luzes da cidade; ir dormir com a lua se escondendo e acordar com o sol nascendo. [...] É um edifício conceito." Apesar das ambições grandiosas da construtora, Sérgio Silka detalha que a criação de cada projeto considerava fatores como o número de possíveis compradores e o interesse do público pelos projetos. "Sempre era uma preocupação nossa. Era um balizador para a gente entender até onde se podia ir com uma proposta. 'Existem 11 pessoas que comprariam apartamentos nesse prédio? Existem em Curitiba 11 pessoas para isso?'", conta. O lançamento, porém, frustrou as expectativas: desde a inauguração, o Suite Vollard nunca foi habitado. Submetido ao abandono e ao vandalismo, o empreendimento acabou penhorado por dívidas judiciais da construtora. 💰Em 2004, as unidades – cada uma com 164,75 m² – eram vendidas por cerca de R$ 835 mil (cerca de R$ 2,5 milhões em valores atuais). Em 2022, dois leilões foram feitos para tentar vender os apartamentos. O lance inicial era de R$ 1,4 milhão, mas nenhum comprador apareceu. Outro leilão foi feito, desta vez com lances a partir de R$ 849 mil. Apenas uma unidade foi arrematada. No mesmo ano, os imóveis foram para venda direta, com 50% de desconto, novamente sem sucesso. A Construtora Moro entrou em recuperação judicial em 2023. A reportagem entrou em contato com o escritório de advocacia que representa a empresa no processo, mas os pedidos para agendar uma entrevista não foram respondidos. A Coordenadoria de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi), órgão da Prefeitura de Curitiba responsável por fiscalizar edificações no município, informou que não fez nenhuma vistoria recente no prédio. "É necessário que haja uma solicitação ou denúncia via [central de atendimento] 156 para que os fiscais verifiquem se há algum risco estrutural", informou a Cosedi. A prefeitura afirma também que o Suite Vollard não tem hoje as documentações e autorizações necessárias para ser habitado. Infográfico - Saiba detalhes de como é o edifício Suite Vollard Arte/g1 'Mercado mudou' Sérgio avalia que hoje a arquitetura é mais imediatista e que a lógica do mercado mudou. Com isso, segundo ele, não há mais espaço para a proposta e conceito nos projetos. "A Moro teve em uma época um centro tecnológico. Era uma preocupação em se estudar novas tecnologias e tal. Sempre esteve arraigado dentro do nosso processo buscar coisas novas, propostas novas, materiais novos, novas soluções", afirma. LEIA MAIS: Conheça: 7 perguntas e respostas sobre o prédio giratório Vídeo: Veja como funciona o prédio giratório Destino: Apartamentos foram a leilão em 2022 'Prédio redondo em uma cidade quadrada' Conhecido como "prédio giratório", edifício fica no bairro Mossunguê, começou a ser idealizado em 1994 e foi lançado em 2004. Divulgação Se referindo a Curitiba, Bruno define o Suite Vollard como um "prédio redondo em uma cidade quadrada". Ele e Sérgio atribuem o fracasso imobiliário a uma série de fatores. Segundo Bruno, no lançamento do projeto foram vendidas quatro unidades, porém, três delas foram renegociadas e voltaram para a empresa. Depois, com a crise do mercado imobiliário, o Suite Vollard entrou no ostracismo. Conforme o arquiteto, se o prédio fosse lançado hoje, em Curitiba, nada mudaria. "Eu acho que em São Paulo, por exemplo, caberia alguma coisa. Curitiba, não. Curitiba ainda é muito conservadora", afirma. Sérgio avalia que um novo prédio giratório não faz sentido, porque o alto custo do empreendimento não se justificaria. Ambos concordam que o Suite Vollard está superado. Apesar das perspectivas, nenhum dos dois se arrepende do projeto. "Foi ótimo, foi um sonho possível, foi uma ideia genial", descreve Sérgio. Bruno de Franco ao lado de Sérgio Luiz Silka, idealizadores do prédio giratório de Curitiba Rodrigo Matana/g1 Leia também: Entenda: Fósseis que paralisaram obras comprovaram, no passado, teoria de 'supercontinente' Saúde: Mãe que perdeu filha após falhas de atendimento luta por segurança de pacientes Curiosidade: Hotel que hospedou reis e princesas no Paraná conquista três chaves Michelin Desde a inauguração, as estruturas do prédio têm se deteriorado diante da falta de manutenção. Um vigia, contratado pela empresa dona de um dos apartamentos, faz a segurança do local. Bruno acredita que transformar o prédio em hotel seria um caminho possível para o renascimento do edifício. "Aí o cliente vai usufruir. Gostou, girou, viu, dormiu e foi embora. Depois vem outro. Dois, três dias, uma semana, pronto, acabou", sugere. Olhares internacionais A existência de um prédio giratório chamou a atenção de pessoas do mundo todo. O Suite Vollard chegou a estampar reportagens no jornal "The New York Times", no site da emissora norte-americana NBC e na revista inglesa "The Economist". Publicação do New York Times sobre o Suite Vollard em 2005. Reprodução/New York Times Bruno lembra que a Construtora Moro recebeu propostas de empresários de outros países para reproduzirem a ideia. Nenhuma delas, porém, foi para frente. A ideia de um prédio giratório atraiu curiosos e lendas – por muito tempo circulou o boato de que a apresentadora Xuxa teria comprado um dos apartamentos. Também atraiu pessoas que o arquiteto classifica como "caçadores de ideias". De acordo com Sérgio, outras pessoas venderam a ideia de edifícios giratórios, mas que, ao contrário do Suite Vollard, esses projetos nunca saíram do papel. "Houve sempre essa preocupação de você entregar algo real. Era a proposta giratória, mas que ele realmente girasse. O resto do mundo vendia fantasia", afirma. Bruno lembra que, em certo momento, recebeu uma ligação de um russo pedindo para que fosse até o endereço do prédio. "Cheguei no giratório. Estava lá um taxista e o russo dentro do táxi. Ele se apresentou e disse que estava chegando da Rússia naquele momento e queria ver o prédio. Mostrei o prédio para ele. [Perguntei] 'onde é que o senhor vai?'. Ele disse: 'Vou voltar para a Rússia. Só vim ver se é verdade que tem o prédio que gira aqui'", lembra. Prédio giratório de Curitiba Divulgação/RPC Além do prédio giratório Além do Suite Vollard, o arquiteto Bruno de Franco assina a autoria de outros prédios icônicos na capital do Paraná. Entre eles, o Antoni Gaudí, no bairro Bigorrilho; o Brasil 500, no Batel; e o Business Tower, na Avenida Sete de Setembro, no Centro. Em todos, conforme Bruno, houve uma preocupação com a inovação. O trabalho com as cores é uma marca do profissional. Pipeline, em Matinhos; Brasil 500, em Curitiba; e Gaudí, também na capital paranaense Topo Leilões/Mariah Colombo g1/Google Street View Exemplo disso é o Flat Batel, construído no final dos anos 1990 em Curitiba. O edifício ganhou destaque pela cor vermelha, novidade à época. "Um edifício vermelho em uma cidade bege e cinza. Não existia prédio colorido em Curitiba", afirma Sérgio. Outro exemplo de uso das cores é o Pipeline, entregue em 1989 na cidade de Matinhos, no litoral paranaense. "Eu cheguei na frente do prédio, olhei para a direita, só tinha prédio cinza. Olhei para a esquerda, só tinha marrom. Vi o mar azul, então: prédio azul", conta Bruno. *Com colaboração de Rodrigo Matana, estagiário do g1 Paraná, com supervisão de Mariah Colombo e Douglas Maia. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

Palavras-chave: tecnologia

Torres de vigilância em prédios monitoram todos, mas levantam dúvidas sobre uso dos dados e eficácia contra o crime

Publicado em: 19/10/2025 03:01

Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade Quem anda por São Paulo e pelo Rio de Janeiro já está acostumado a ver torres com câmeras de vigilância em frente a prédios residenciais. A maioria desses equipamentos está instalada em condomínios, mas eles também começam a aparecer em edifícios comerciais. Apesar de serem apresentadas como reforço à segurança, essas torres levantam dúvidas entre pesquisadores em segurança pública, que apontam falta de transparência sobre o uso das imagens e incertezas quanto ao impacto real na diminuição do crime. "Além da ausência de regras, há preocupação com o uso indevido dos dados, que podem servir à segurança corporativa ou à produção de informações privadas sem qualquer controle do cidadão", diz Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Esse tipo de vigilância começou a ganhar espaço a partir de 2019, principalmente após o uso de câmeras com reconhecimento facial nos carnavais de Salvador e do Rio de Janeiro, explica Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). E a expansão desse tipo de tecnologia acontece em um momento em que a população se sente cada vez mais insegura. A violência é a principal preocupação para 28% dos brasileiros, segundo pesquisa da Quaest encomendada pela Genial Investimentos no mês passado. Como essas torres funcionam Torre de vigilância da empresa CoSecurity Darlan Helder/g1 Essas torres coloridas, com luzes de LED e câmeras voltadas para calçadas e carros, são oferecidas por empresas como CoSecurity (do Grupo Haganá), Gabriel e White Segurança. Elas concentram a oferta do serviço nas principais cidades do país e prometem monitorar o movimento no entorno dos prédios. Os moradores costumam ter acesso às imagens por aplicativo — em uma das empresas, o histórico fica disponível por até 14 dias. Alguns modelos têm ainda um botão de pânico que aciona a central responsável por contatar a polícia ou o Corpo de Bombeiros em caso de emergência. O custo do serviço varia conforme o número de torres contratadas. Uma empresa cobra cerca de R$ 1,5 mil por unidade ao mês, enquanto outra afirma que o valor mensal fica entre R$ 389 e R$ 749, dependendo do modelo e dos recursos oferecidos. Parceria com programas de segurança pública Central de monitoramento do Smart Sampa Reprodução/Prefeitura de São Paulo As câmeras não fazem reconhecimento facial, e as gravações podem ser compartilhadas com a polícia mediante solicitação formal. Em São Paulo, as empresas destacam como diferencial a integração dos equipamentos a programas públicos, como o Smart Sampa (prefeitura) e o Muralha Paulista (governo estadual), que ajudam a identificar rostos de procurados e placas de veículos roubados. Condomínios e empresas podem, sem custo, aderir voluntariamente e conectar suas câmeras às centrais de monitoramento, onde agentes policiais acompanham as imagens em tempo real. Segundo a prefeitura, o Smart Sampa reúne 40 mil câmeras, sendo pelo menos 20 mil de condomínios e empresas parceiras. A CoSecurity afirma ser hoje a maior participante privada do programa, com cerca de 8 mil câmeras — o equivalente a 25% da rede. No Rio, a Gabriel diz fornecer imagens ao vivo ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e afirma repassar registros à polícia sempre que há solicitação formal. As duas principais empresas afirmam ter colaborado na solução de crimes nas cidades onde atuam. A Gabriel, criada em 2019, diz ter ajudado na recuperação de mais de 100 veículos e no indiciamento de 566 suspeitos. Já a CoSecurity relata 2 mil foragidos capturados e 3.245 prisões em flagrante após integrar o Smart Sampa. O g1 procurou a Prefeitura de São Paulo para confirmar quantas câmeras privadas integradas ao Smart Sampa ajudaram a solucionar crimes, mas foi informado que "o sistema não distingue se a prisão foi feita por meio de câmera privada ou pública; os dados englobam ambas". Preocupação com dados e eficácia Totem de câmera de vigilância da Gabriel instalado na região do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo Darlan Helder/g1 O g1 ouviu quatro pesquisadores em segurança pública que questionam a eficácia dessas torres, citando falta de transparência no uso dos dados e ausência de regras claras. Segundo eles, ainda não há estudos que comprovem resultados no combate ao crime. "Como não há regulamentação, também não existe transparência nem responsabilização sobre os sistemas privados de segurança", explica Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP). Ele questiona de que forma as empresas garantem que os dados não estão sendo usados para outros fins, como produção de informação privada ou segurança corporativa. "É preciso ter um controle mais rigoroso sobre o acesso a essas informações, porque estamos falando de empresas privadas que lidam com imagens de muitas pessoas", completa Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz. "Um lojista do outro lado da rua pode ter sua rotina registrada diariamente por essas torres: a hora em que ele chega, sai e fecha o caixa. E se esses dados vazarem?", questiona. Apesar das promessas de eficiência, há casos de frustração. Recentemente, o Profissão Repórter mostrou que, em um condomínio de São Paulo, moradores recorreram a vasos de planta para tentar evitar roubos de celular de quem ficava na portaria, após as torres deixarem de coibir os assaltos (veja no vídeo abaixo). Moradores de prédio em SP se frustram com totens de câmera e recorrem a vasos de planta para evitar assalto Rafael Rocha afirma que a polícia não tem estrutura suficiente para investigar todos os crimes patrimoniais, mesmo com o apoio das imagens de alta resolução fornecidas por empresas. "Um delegado já tem milhares de casos de roubo acumulados. Ele não tem efetivo nem estrutura para agir rapidamente quando ocorre um assalto em frente ao totem", diz. Os especialistas citam ainda roubos cometidos por criminosos de moto com capacete, o que dificulta a identificação pelas câmeras integradas ao programa Smart Sampa. "Não há uma padronização técnica", ressalta Thallita Lima, coordenadora do projeto O Panóptico, que monitora o uso de tecnologias de vigilância no Brasil. Ela também aponta para a falta de uma reflexão sobre os impactos do uso do espaço urbano, "já que há totens bem na calçada". O g1 encontrou torres de vigilância instaladas em calçadas de São Paulo, o que só é permitido com autorização das prefeituras. Na capital paulista, foram identificados totens das empresas Defender, MasterCam e Gabriel em vias públicas. Nenhuma delas informou se obteve autorização. Thallita ainda aponta que as imagens captadas muitas vezes circulam informalmente, como fotos de pessoas consideradas suspeitas que são compartilhadas em grupos de WhatsApp. "Isso pode gerar problemas sérios, porque estamos falando do risco de se fazer justiça com as próprias mãos por meio da tecnologia". Rafael Rocha sugere que uma das medidas essenciais de regulamentação deveria ser impedir que moradores façam prints (capturas de tela) das imagens, para evitar sua circulação indevida em grupos de WhatsApp, como acontece atualmente. Procurada pelo g1 para comentar esse tipo de monitoramento, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) afirmou que o tema é prioridade e está na agenda de discussões para o biênio 2025-2026, com ênfase nas questões envolvendo biometria facial. Reconhecimento facial: veja dilemas na implantação da tecnologia em condomínios Criminosos podem usar suas fotos nas redes para aplicar golpes financeiros? Implante cerebral é usado para controlar assistente virtual Alexa

Palavras-chave: tecnologia