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I2GO Bass 300 em oferta: potência e graves profundos por menos de R$ 100 na Amazon

Publicado em: 19/03/2026 09:37 Fonte: Tudocelular

Com design simples, qualidade sonora, boa autonomia e recursos interessantes para a sua faixa de preço, o I2GO Bass 300 é uma excelente opção de headphone para quem busca praticidade e custo-benefício! E, para quem precisa adquirir um fone novo, surgiu uma ótima oportunidade, já que esse notável dispositivo entrou em promoção na Amazon e, por tempo limitado, pode ser comprado por R$ 91,80 à vista, ou em até 12x de R$ 8,40 com juros! I2GO, Headphone Bass 300, Bluetooth, Microfone Integrado, Controle Multimídia, Até 10h de bateria, Tecnologia Dual Connect, Entrada cabo auxiliar P2 (incluso), Dobrável, Preto Amazon R$91 Ver Oferta Sobre o I2Go Bass 300Com o formato over the ear, o I2GO Bass 300 apresenta atributos bastante interessantes, como a conectividade Bluetooth 5.1, que assegura estabilidade aprimorada e alcance de até 10 metros.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Investigada na Alesp, deputada Fabiana Bolsonaro é filha de pastor evangélico de SP e não é parente do ex-presidente; saiba quem é ela

Publicado em: 19/03/2026 07:52

Deputada do PL faz 'blackface' durante discurso e questiona identidade de mulheres trans Investigada pelo Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de SP (Alesp) por uso de ‘blackface’ em plenário, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) não tem parentesco com a família do ex-presidente preso em Brasília. Ela adotou o sobrenome Bolsonaro por estratégia política e alinhamento ideológico na eleição de 2022, não por parentesco com Jair Bolsonaro e seus filhos políticos. Nas redes sociais, a parlamentar se posiciona como política conservadora, se declarando apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro e das pautas defendidas por ele. Mas, na verdade, Fabiana de Lima Barroso Souza é filha do pastor evangélico Adilson Barroso, fundador e presidente nacional do antigo Partido Patriota, que atualmente se chama Partido Renovação Democrática (PRD). Barroso se candidatou várias vezes como deputado federal e prefeito em cidades do interior paulista, mas nunca foi eleito. Ele atua nos bastidores da política partidária, organizando candidaturas e alianças. O pastor incentivou a filha a entrar na política e na adoção da pauta conservadora e política-ideológica da família Bolsonaro. O que é 'blackface' e por que é considerado tão ofensivo? A deputada estadual Fabiana Bolsonaro, que na verdade se chama Fabiana de Lima Barroso Souza e é filha do pastor evangélico Adilson Barroso. Reprodução/Alesp O primeiro cargo político exercido por ela foi de vice-prefeita da cidade de Barrinha, no interior de São Paulo (região de Ribeirão Preto), entre 2021 e 2023. No pleito de 2022, se candidatou a deputada estadual com o sobrenome Bolsonaro e se elegeu para a Alesp com 65.497 votos. Na Alesp, a deputada de 30 anos de idade diz que “tem muito orgulho em fazer parte da Frente Parlamentar Evangélica, carinhosamente chamada de Bancada Evangélica”. Formada em Direito, ela diz que atualmente faz outras duas faculdades: Jornalismo e Gestão Pública. Na Alesp, a parlamentar faz parte de três comissões permanentes da Casa: a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a Comissão de Defesa e dos Direitos das Mulheres e a Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação. Fabiana Bolsonaro e o pai, Adilson Barroso, que tentou ser deputado federal e não foi eleito. Reprodução/Redes Sociais Pedido no Conselho de Ética Dezoito deputados estaduais de partidos como PT, PSOL, PCdoB e PSB protocolaram uma representação no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) pedindo a apuração de possível quebra de decoro parlamentar pela deputada Fabiana Bolsonaro (PL). No pedido, eles solicitam a aplicação de punições que podem chegar à perda do mandato. O pedido tem como base o discurso feito pela parlamentar na tribuna durante a 27ª sessão ordinária nesta quarta-feira (18), quando ela se pintou de marrom, prática conhecida como blackface, e fez declarações sobre identidade de gênero. 🔍Blackface é considerada um ato racista por remeter a estereótipos históricos usados para ridicularizar pessoas negras. Na representação, os parlamentares afirmam que a conduta configura prática discriminatória, com conteúdo racista e transfóbico, e que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar. O documento sustenta que o episódio foi “previamente concebido e intencional”, com o objetivo de provocar reação, caracterizando, segundo os autores, dolo na ação. Sobre o uso de blackface, o texto aponta que a prática é historicamente associada à ridicularização e desumanização da população negra e que sua reprodução em plenário representa uma “revitimização coletiva”. Os deputados também argumentam que a atitude pode se enquadrar na Lei nº 7.716/1989, que tipifica crimes de racismo, além de violar princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e a igualdade. Deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) durante sessão nesta quarta-feira (18) Reprodução/Youtube/Alesp A representação também destaca trechos do discurso em que a deputada questiona a atuação de pessoas trans em espaços de poder, afirmando que as falas deslegitimam a participação desse grupo e reforçam estigmas. Segundo o documento, esse tipo de manifestação pode ser enquadrado como discriminação, com base em entendimento do Supremo Tribunal Federal que equipara a homotransfobia ao crime de racismo. Os autores argumentam ainda que a utilização da tribuna para esse tipo de manifestação configura abuso das prerrogativas parlamentares e compromete a imagem institucional da Alesp, caracterizando quebra de decoro. Ao final, a representação solicita a adoção das providências necessárias pelo Conselho de Ética, com respeito ao contraditório e à ampla defesa, para que a deputada seja responsabilizada pelos fatos narrados. Além da representação, a deputada estadual Monica Seixas (PSOL) registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) por racismo contra a deputada Fabiana Bolsonaro. Nas redes sociais, a deputada Fabiana Bolsonaro se pronunciou sobre o discurso. "Muitos estão distorcendo a minha fala e o sentido do meu protesto. Isso vai além de 'lugar de fala': trata-se de ser, de sentir, para poder representar. As mulheres merecem ser representadas por mulheres, os negros merecem ser representados por negros e os travestis também merecem ser representados. Um não precisa ocupar o lugar do outro. É sobre isso. Mas a esquerda prefere distorcer e atacar". Em nota, a Alesp disse que o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa é o órgão com autoridade e legitimidade para analisar casos que eventualmente excedam a imunidade parlamentar. "A Constituição assegura que os parlamentares são invioláveis, civil e penalmente, por suas opiniões, palavras e votos, especialmente quando manifestados em Plenário. Trata-se de garantia destinada a assegurar a liberdade necessária ao pleno exercício do mandato", afirmou. Blackface durante discurso A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) faz blackface no plenário da Alesp, em São Paulo. Divulgação/Alesp A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) se pintou de marrom em plenário durante discurso e ao justificar o ato, ela afirmou que a encenação era uma forma de argumentar que pessoas trans não são mulheres, mesmo que se maquiem, o que gerou reação imediata entre colegas parlamentares e críticas nas redes sociais. Durante a fala, a deputada iniciou dizendo que é uma mulher branca e passou a indagar que, se decidir se maquiar se passando por uma pessoa negra, ela se tornaria alguém que entende as causas dos negros. Foi neste momento que a parlamentar passou a pintar sua pele durante o discurso. "Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos, decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra, me maquiando e deixando só o fora parecer. E aqui, eu pergunto: e agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra que jamais deveria existir? Eu te pergunto, você que está me assistindo, eu me pintando de negra, sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo? Por não conseguir um trabalho, um emprego?", afirmou. "Eu, sou negra agora? Eu estou sentindo as dores de uma mãe e teu filho que sofre tudo que sofre na rua por ser negro? Não é isso? Não é essa luta?". Fabiana, então, compara o fato de não entender as causas das mulheres negras porque se maquiou e compara a maquiagem ao fato das mulheres transexuais não entenderem determinadas pautas, como parto, amamentação e endometriose. Ela fala sobre o fato de a deputada federal Érika Hilton ter sido escolhida a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, em Brasília. "Eu quero justamente mostrar que não adianta me maquiar. Não adianta eu fingir algo. Eu não sei as dores que as mulheres negras lá, naquele evento que tiveram no governo federal, sentiram quando dormiam no estábulo. Mas agora eu não sou negra. Eu estou pintado de negra por fora [...]. Eu não sei as dores da essência que essas pessoas tiveram. E aqui, agora, tirando essa maquiagem, eu digo pra vocês, como uma mulher. Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Não estou ofendendo nenhum transexual. Eu estou dizendo que eu sou mulher. A mulher do ano não pode ser transexual. Isso está tirando a mulher que inventou a vacina. Alguém tirou o lugar dela para colocar uma transexual". E continua: "Transexual tem que ser respeitado sim. Estamos vendo um aumento na história de assassinato de pessoas transexuais. Transexual tem que ser respeitado sim. Não quero que nenhum trans passe por situação de preconceito, que seja assassinato e discriminado por ser trans. Mas não quero que nenhum trans tire meu lugar". "Como que a gente vai cuidar da endometriose, do parto, da amamentação, da menopausa, se a pessoa não tem um lugar de fala? Se eu sou branca, e mesmo me pintando de negra, eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o racismo por não saber na essência o que elas passaram. É exatamente isso que um trans não pode fazer comigo". Fabiana completa dizendo que Érika Hilton "tira o espaço de mulheres". "[..] você, que é trans, tem a sua própria pauta para cuidar. Crie uma comissão para cuidar das transsexuais do país. A gente viu agora essa semana, na Comissão Federal, lá em Brasília, que uma mulher trans, Érika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher e isso me interessa muito. Não porque ela, uma trans, está como presidente. Mas porque uma trans está tirando o espaço de fala de uma mulher, assim como várias outras estão tirando". Durante transmissão da sessão, internautas comentaram: "Racismo é crime", "Blackface é crime", "Racismo não é liberdade de expressão". Ao g1, a advogada Dina Alves afirmou que a prática de blackface pode ser considerada crime, com enquadramento na Lei 7.716, por seu caráter discriminatório, e também no Código Penal, no artigo 140, parágrafo 3º, como injúria racial — equiparada ao crime de racismo. "É um atitude potencialmente ilícita, sobretudo porque atinge a honra subjetiva de comunidades, coletivos", afirmou. Origem do 'blackface' Entenda a diferença entre racismo e injúria racial Do inglês, black, "negro" e face, "rosto", a prática consiste na pintura da pele com tinta escura. Estipula-se que tenha iniciado por volta de 1830, nos Estados Unidos, em meio ao período de transição entre escravidão e abolição da escravatura. “Após a abolição nos Estados Unidos, para poder criar um mecanismo de subjetividade negativa sobre a população negra, passaram a usar estereótipos de forma negativa para poder caracterizar a população negra como incapaz de conviver com os direitos democráticos de liberdade. Ou seja, ela tinha liberdade, mas não tinha cidadania”, explicou o professor da Unesp e ativista antirracista Juarez Xavier, em entrevista ao g1 Bauru. Ao contrário do que a normalização da prática deu a entender por muitos anos, o "blackface" não se trata apenas de pintar a pele de cor diferente. Para Juarez, a origem da prática está diretamente atrelada à ridicularização de pessoas negras e tinha como finalidade a privação ao negro no exercimento da cidadania. “A pesquisadora Patrícia Collins classificou essa e outras práticas como imagens de controle. Essas imagens negativas da população negra criam uma subjetividade que legitima as práticas de violência e negação da cidadania da população negra. Ela criminaliza o direito de cidadania da população negra e cria um viés social que legitima a brutalidade e a destruição dos corpos negros nas sociedades racistas”. No século 19, atores brancos usavam tinta para pintar os rostos de preto em espetáculos humorísticos, se comportando de forma exagerada para ilustrar comportamentos que os brancos associavam aos negros. Essas personagens não tinham características positivas: falavam errado, eram mal caráter, preguiçosas, atrapalhadas, sexualizadas, violentas e animalescas. Por meio do "blackface", pessoas negras eram ridicularizadas para o entretenimento de brancos. Estereótipos negativos vinham associados às piadas, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. “Não é inocente a construção dessa imagem, ela tem consequência. Da destruição dos corpos não normalizados, da segregação desses corpos e da negação da cidadania. Essa estratégia foi utilizada em todas sociedades abertamente racistas que brutalizaram as populações não brancas”, conta Juarez. O professor explica que o uso do "blackface" surgiu numa época em que os negros nem eram autorizados a subir nos palcos e atuar, por causa da cor da pele. Popular, a prática continuou em programas de TV e no teatro por boa parte do século 20, chegando a se tornar um gênero de teatro próprio. No contexto brasileiro, a prática se popularizou especialmente durante o carnaval, quando pessoas brancas se fantasiam de “Nega Maluca” ou de “Índio” usando o argumento de que estão fazendo uma homenagem. No entanto, a prática é considerada desrespeitosa para essas culturas. Juarez pontua que no cerne do problema, seja nos Estados Unidos, na Europa ou no Brasil, há a construção de mecanismos para justificar o racismo, sendo o "blackface" mais uma artimanha que busca atuar na representação do que seria a população negra. “Dizer que esse [blackface] é um problema lá de fora é falacioso e mentiroso. No Brasil, se você pega toda a representação do negro ao longo do século 19, ela é totalmente negativa. O homem negro é apontado como vagabundo, vadio, preguiçoso, incapaz de raciocínio lógico. Já a mulher negra é tida como lasciva, incapaz de confiança. Desse modo, vai se construindo um imaginário para justificar o extermínio dessa população”, explica.

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Do laboratório para o pulso: Citizen lança novos relógios Photon com inspiração em experimento físico

Publicado em: 19/03/2026 07:51 Fonte: Tudocelular

Celebrando os 50 anos da sua tecnologia Eco-Drive, a Citizen acaba de anunciar dois novos relógios da série Photon. De edição limitada, os modelos BJ6560-53W e BJ6569-59X são projetados em torno de um novo mostrador, capaz de explorar a interação entre a luz externa e a profundidade.Os novos modelos trazem caixa em Super Titanium de 39,6 mm de diâmetro por 9,9 mm de espessura, e chegam com pulseira de titânio e vidro em cristal de safira com cobertura antirreflexo. Para maior durabilidade, a Citizen aplica aos relógios o seu conhecido revestimento Duratect: o BJ6560-53W em carboneto de titânio e o BJ6569-59X com visual bicolor, utilizando o amarelo âmbar Duratect junto a um revestimento mais escuro em DLC (Diamond-Like Carbon).Clique aqui para ler mais

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Anvisa apreende dispositivos médicos, cosméticos e alimentos irregulares em centro logístico do Mercado Livre

Publicado em: 19/03/2026 06:53

Produtos irregulares apreendidos pela Anvisa Reprodução/Anvisa A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apreendeu produtos irregulares durante uma fiscalização realizada nesta quarta-feira (18) em um centro logístico do Mercado Livre, em Cajamar, na Grande São Paulo. A ação mirou itens vendidos com pronta entrega pela plataforma e identificou problemas que vão de falta de registro sanitário a irregularidades na rotulagem. Segundo a agência, os fiscais encontraram dispositivos médicos, cosméticos e alimentos sendo comercializados sem autorização ou em desacordo com as regras sanitárias. Parte dos produtos também tinha anúncios com alegações não permitidas. O que foi encontrado Entre as irregularidades identificadas estão: Produtos sem registro ou autorização da Anvisa. Rotulagem em idioma estrangeiro em itens de saúde. Falta de certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Composição irregular. Alegações terapêuticas e de saúde não aprovadas. Uso de nomes comerciais que sugerem efeitos medicinais sem comprovação. De acordo com a Anvisa, os itens foram retirados do estoque e também tiveram seus anúncios removidos da plataforma. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Itens apreendidos A fiscalização identificou os seguintes produtos com irregularidades: 1.677 medidores de pressão 511 lubrificantes íntimos 270 produtos entre probióticos e enzimas digestivas 19 suplementos alimentares 17 termômetros 14 pomadas modeladoras 6 tintas de tatuagem 3 oxímetros As mercadorias foram alvo de termo de apreensão e ficaram sob responsabilidade do Mercado Livre como fiel depositário, o que impede sua movimentação. Fiscalização em marketplaces Segundo o diretor da Anvisa, Daniel Meirelles Fernandes Pereira, a atuação em plataformas digitais tem ganhado relevância diante do crescimento do comércio eletrônico. “A fiscalização da Anvisa em marketplaces representa um novo campo de atuação para a vigilância sanitária, essencial para garantir que o avanço do comércio digital não comprometa a segurança da população”, afirmou. A operação focou produtos com oferta de “entrega full”, ou seja, aqueles que já estão armazenados nos centros de distribuição da empresa. O que diz a Anvisa A agência reforça que produtos de saúde, alimentos e cosméticos precisam cumprir regras específicas antes de serem comercializados no país, incluindo registro, autorização ou notificação, dependendo da categoria. Itens fora dessas normas podem representar riscos à saúde, especialmente quando envolvem dispositivos médicos ou produtos com alegações terapêuticas não comprovadas. O g1 tenta contato com o Mercado Livre.

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Prova de conceito de bateria quântica atinge carregamento quase instantâneo com laser

Publicado em: 19/03/2026 06:50 Fonte: Tudocelular

Uma equipe de pesquisadores da agência nacional de ciência da Austrália, a CSIRO, desenvolveu um protótipo de bateria quântica que promete revolucionar o armazenamento de energia, oferecendo vantagens como recarga instantânea. Contudo, embora prove que a tecnologia é viável, o dispositivo ainda esbarra em um obstáculo temporal: a energia é mantida por apenas uma fração de segundo.O protótipo recém-criado apresenta uma dinâmica de extremos. O dispositivo leva apenas femtossegundos (quadrilionésimos de segundo) para atingir a carga máxima, mas consegue reter essa energia por meros nanossegundos. A capacidade atual também é minúscula, restrita a alguns bilhões de elétron-volts. O pesquisador líder do projeto, Dr. James Quach, explica que, apesar de não empolgar à primeira vista, a diferença de seis ordens de magnitude entre o tempo de recarga e o de armazenamento é um sinal promissor para o futuro:Clique aqui para ler mais

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Justiça decide: Apple pode remover qualquer app da App Store sem justificativa

Publicado em: 19/03/2026 06:48 Fonte: Tudocelular

Uma nova disputa judicial nos Estados Unidos envolvendo a Apple abre um precedente duvidoso: a empresa pode apagar qualquer aplicativo de sua loja sem fornecer uma justificativa específica. A ação que inclui essa brecha envolve a gigante de Cupertino e o aplicativo de streaming musical Musi. Em uma decisão desfavorável ao app, o juiz de um tribunal da Califórnia estabeleceu que a Apple pode remover aplicativos da App Store sem fornecer nenhuma justificativa específica, desde que seja respeitado o procedimento previsto nos acordos com desenvolvedores. A decisão parte da conclusão de um embate judicial iniciado quando a empresa removeu o Musi, em setembro de 2024.Para entender a situação, o que teria levado a Apple a remover o aplicativo da loja foram reclamações externas, inclusive por parte de outra gigante da tecnologia, o Google.Clique aqui para ler mais

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O fim dos apps? Carl Pei afirma que o futuro está nos agentes de IA

Publicado em: 19/03/2026 05:50 Fonte: Tudocelular

Cofundador e CEO da Nothing – companhia de smartphones e acessórios – Carl Pei é visto por muitos como uma mente inovadora. Em uma entrevista recente no SXSW, festival de tecnologia, cultura e negócios, Pei imaginou um futuro além do iPhone, com dispositivos alimentados por agentes de inteligência artificial (IA), e não por aplicativos. O executivo acredita que os aplicativos, como os conhecemos hoje, deverão sumir e que um dispositivo futuro baseado em IA preverá o que queremos antes mesmo que saibamos. “Você não precisa ter ideias manualmente”, afirma.Essa não é a primeira vez que Pei fala sobre um dispositivo baseado em inteligência artificial, já que essa mesma visão o ajudou a fechar uma rodada de financiamento Série C de US$ 200 milhões no ano passado. À época, a Nothing apresentou a ideia de um smartphone que utilizava IA com precisão suficiente para que os usuários não precisassem conferir o resultado do processamento manualmente.Clique aqui para ler mais

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Radares já conseguem medir seus batimentos cardíacos à distância, e a ciência debate como usar isso sem invadir sua privacidade

Publicado em: 19/03/2026 05:04

Radar usado em laboratório para captar sinais vitais à distância, como batimentos cardíacos. Pesquisadores desenvolveram o sistema MetaHeart, que consegue enganar o sensor ao refletir um padrão de batimento cardíaco fabricado. Rice University Por décadas, medir os batimentos cardíacos de alguém exigiu contato físico: um eletrodo, um oxímetro, uma pulseira colada ao pulso. Hoje, sensores de rádio já conseguem fazer isso à distância, sem fio, sem que a pessoa precise vestir qualquer aparelho. Nos últimos anos, esse tipo de tecnologia vem avançando num ritmo acelerado e já mostra resultados clínicos expressivos, desde detectar apneia do sono e acompanhar pacientes cardíacos em casa até monitorar bebês prematuros sem eletrodos na pele e identificar sinais precoces de sofrimento psicológico em trabalhadores. Mas à medida que esses sensores ficam menores, mais baratos e mais precisos (e passam a ser embutidos em laptops, roteadores e dispositivos domésticos), uma pergunta vem se tornando inevitável para especialistas: quem controla os dados que eles captam? Essa questão tem mobilizado pesquisadores de várias áreas. Enquanto alguns desenvolvem formas cada vez mais sofisticadas de monitorar sinais do corpo à distância, outros tentam criar mecanismos para impedir que essas informações sejam capturadas sem o conhecimento ou o consentimento Mas como essa tecnologia funciona — e por que ela preocupa especialistas em privacidade? Enteda mais abaixo: O que um radar consegue ver no seu corpo Os sensores no centro desse debate funcionam como um morcego: emitem ondas de rádio e analisam como elas retornam após bater em superfícies e objetos. A grande diferença aqui, contudo, é que eles são muito mais precisos que os mamíferos voadores. O coração faz o tórax vibrar a cada batimento, e essa vibração microscópica fica registrada no sinal que volta ao sensor. Grosso modo, computadores conseguem extrair esse padrão do ruído de fundo e estimar a frequência cardíaca de uma pessoa, mesmo que ela esteja sentada normalmente, com roupas comuns, a vários metros de distância. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo E os resultados já alcançados com isso são expressivos. Estudos recentes mostram que sensores de radar comerciais conseguem estimar a frequência cardíaca com erro médio de cerca de 5 a 6 batimentos por minuto em relação a faixas de referência, inclusive dentro de carros em movimento, com leituras de apenas cinco segundos. É uma precisão inferior à de equipamentos médicos de contato, mas suficiente para monitoramento contínuo em situações do dia a dia. Para o sono, revisões recentes indicam que wearables e sensores com inteligência artificial conseguem detectar episódios de apneia com acurácia entre 80% e 90%, em janelas de análise de pelo menos alguns segundos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além de contar batimentos, esses sensores conseguem captar algo mais revelador: a variação no intervalo entre um batimento e outro, um índice chamado de HRV, sigla em inglês para variabilidade da frequência cardíaca. Esse dado é um espelho do sistema nervoso autônomo, a parte do sistema nervoso que regula funções involuntárias como ritmo cardíaco e resposta ao estresse. Quando uma pessoa está sob pressão intensa ou com fadiga acumulada, o coração perde parte da sua capacidade natural de variar esse intervalo, e essa queda é mensurável. Em outras palavras: o coração revela, mesmo sem permissão, muito sobre o estado interno de quem o carrega. Paralelamente, outra tecnologia já avança bastante pelo mesmo caminho usando câmeras comuns. O princípio é simples: a cada batimento cardíaco, a pele muda sutilmente de cor porque o sangue pulsa pelos vasos próximos à superfície. Câmeras convencionais conseguem captar essa variação e, a partir daí, extrair a frequência cardíaca, respiração e outros sinais, apenas analisando o vídeo do rosto de uma pessoa, sem nenhum contato físico. A técnica já tem aplicações em consultas médicas remotas, mas levanta um problema imediato: qualquer câmera, em princípio, pode virar um sensor cardíaco sem que o alvo perceba. Sensores de rádio e até câmeras comuns já conseguem medir batimentos cardíacos à distância, sem contato físico. Mas quem controla esses dados biométricos? Pexels As promessas médicas O fato é que a maior parte da pesquisa nessa área tem motivação claramente médica, e os resultados são genuinamente promissores. Uma revisão publicada em 2022 reuniu as aplicações clínicas já demonstradas: acompanhamento de pacientes cardíacos e respiratórios em casa, diagnóstico de apneia do sono, prevenção de morte súbita em berços de prematuros, monitoramento de queimados sem encostar na pele lesionada, e até detecção de sinais vitais sob escombros em resgates após desastres. O instituto alemão Fraunhofer IDMT tem um projeto voltado especificamente a isso: começou com detecção de respiração durante o sono e foi expandido para outros sinais vitais, com foco em apneia, doenças pulmonares crônicas e quedas de idosos. A lógica é direta, um sensor no quarto pode acompanhar a saúde de um idoso continuamente, sem que ele precise vestir nada ou lembrar de carregar um aparelho. Na saúde mental, a conexão entre esses sensores e o sofrimento psicológico também começa a ganhar evidências. Um estudo de 2024 testou esse tipo de sensor em cadeiras de escritório com 30 voluntários, medindo a variação dos batimentos em sessões de cinco minutos duas vezes ao dia. Os resultados se alinharam bem aos de um eletrocardiograma convencional, e o sistema conseguiu identificar pessoas com alto sofrimento psicológico com boa precisão, sugerindo uso como ferramenta de triagem precoce. Um trabalho anterior, de 2019, mostrou que sensores semelhantes conseguem classificar estados mentais, incluindo fadiga cognitiva, com cerca de 82% de acurácia. E se os sensores à distância conseguem medir a variação dos batimentos com boa fidelidade (o que as pesquisas recentes indicam), eles se tornam candidatos naturais para detectar precocemente sinais de estresse crônico e fadiga acumulada, antes mesmo que a pessoa perceba o que está acontecendo com seu próprio corpo. O mesmo sensor, dois usos É exatamente aí que o debate se complica. A tecnologia que permite acompanhar a respiração de um idoso durante a noite é a mesma que poderia permitir a um empregador monitorar os batimentos cardíacos de funcionários durante o expediente, inferindo níveis de estresse e fadiga sem que eles soubessem ou concordassem. Pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, publicaram em fevereiro um estudo que torna essa ameaça concreta. O grupo demonstrou que sensores do tipo já presente em laptops e smartphones modernos conseguem medir batimentos cardíacos à distância com precisão suficiente para inferir presença, fadiga e estados fisiológicos de uma pessoa sentada em frente ao computador. "A razão principal pela qual esse tipo de sensoriamento tende a se tornar um método de vigilância prevalente no futuro é exatamente a falta de regulamentação governamental sobre ele", disse ao g1 a pesquisadora Dora Zivanovic, responsável pelo estudo. "Isso decorre precisamente do fato de as pessoas não associarem esses sensores ao monitoramento biométrico [a coleta de dados do corpo]". Zhambyl Shaikhanov, professor da Universidade de Maryland especializado em sistemas sem fio de próxima geração, aponta uma outra vantagem desses sensores que os torna especialmente difíceis de detectar ou evitar. "Radares de ondas milimétricas podem penetrar certos tipos de obstruções, como tecido ou roupa, e capturar sinais fisiológicos sutis sem exigir contato visual direto", explicou Shaikhanov ao g1, que não teve relação com o estudo da Universidade Rice. "Isso torna o radar uma tecnologia complementar poderosa para sensoriamento em ambientes onde câmeras podem ser ineficazes." A pesquisadora Dora Zivanovic, da Rice University, testa em laboratório o sistema MetaHeart. Rice University LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Diferente de câmeras, que já geram um debate público razoavelmente maduro sobre vigilância, esses sensores são completamente invisíveis na prática cotidiana. Não há como saber, por exemplo, ao entrar num ambiente, se há um deles capturando sinais do seu corpo. E, ao contrário de senhas ou outros dados digitais, informações cardíacas não podem ser trocadas se vazadas ou mal utilizadas. No mundo corporativo, empresas já coletam dados biométricos de funcionários por meio de smartwatches em programas de bem-estar. Especialistas em regulação alertam que esse dado, uma vez coletado, pode ser reutilizado para decisões sobre desempenho ou demissões, muitas vezes em zonas cinzentas da legislação, onde não há proibição expressa, mas também não há transparência sobre o que está sendo medido. Como proteger o que o sensor não deveria ver Diante desse cenário, uma linha de pesquisa emergente vem buscando criar formas de proteger os sinais do corpo antes que sejam capturados. O sistema desenvolvido pela equipe da Rice, chamado de MetaHeart, é uma das primeiras propostas nessa direção. O dispositivo usa um painel especial — uma metassuperfície capaz de manipular ondas eletromagnéticas de formas que materiais comuns não conseguem — posicionado entre a pessoa e o sensor. Assim, em vez de bloquear o sinal, o que poderia ser detectado, ele o substitui: troca o eco real dos batimentos por um padrão cardíaco fabricado na hora. "Enganamos o radar no nível do próprio sinal eletromagnético", disse Zivanovic. "Você pode programar o dispositivo com qualquer padrão de batimento cardíaco que quiser." Em laboratório, o sistema conseguiu falsificar as leituras com precisão acima de 98%. Para que esse tipo de proteção se torne viável fora do laboratório, porém, há obstáculos consideráveis a superar. Shaikhanov, que pesquisa justamente sistemas baseados em metassuperfícies, aponta dois desafios centrais. O primeiro é que a pessoa precisaria saber a frequência exata do radar que está tentando enganar, informação que raramente está disponível. O segundo é de escala: "O dispositivo precisaria cobrir uma porção suficientemente grande da área do corpo de onde os sinais biométricos se originam. As demonstrações atuais são protótipos pequenos, de escala laboratorial. Para implantação prática e ampla, a tecnologia precisaria ser dimensionada significativamente em tamanho e capacidade de fabricação, permanecendo leve, de baixo custo e vestível." Por décadas, medir os batimentos cardíacos exigia contato direto com o corpo, com sensores e eletrodos colados à pele. Pexels O que diz o direito brasileiro No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados — a LGPD — classifica dados biométricos como dados pessoais sensíveis, categoria que exige um tipo de proteção reforçada. Mas quando o sensor não coleta uma impressão digital ou uma imagem do rosto, e sim uma frequência cardíaca ou um padrão de respiração, o enquadramento jurídico fica menos evidente. "A LGPD não categoriza de forma exaustiva o que sejam sinais fisiológicos, razão pela qual o enquadramento depende do contexto técnico e do uso que se fará dessas informações", explica Eduardo Telles, sócio do Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown. Segundo ele, a análise parte de dois eixos: a possibilidade de vincular os dados a uma pessoa identificável e as inferências que o tratamento possibilita. "Quando medições como frequência cardíaca ou microexpressões faciais permitem inferências sobre saúde, como inferir obesidade ou risco cardíaco do usuário, tende a justificar-se proteção mais rigorosa", diz. A coleta silenciosa, característica central dos sensores discutidos nessa área, é o ponto de maior risco jurídico imediato. "A falta de transparência pode gerar riscos jurídicos relevantes e sanções regulatórias", alerta Ana Letícia Allevato, associada do mesmo escritório. Ela explica que, antes de qualquer implantação desse tipo de tecnologia, organizações deveriam elaborar um Relatório de Impacto à Proteção de Dados, documento que mapeia riscos, avalia alternativas menos invasivas e documenta a necessidade e a proporcionalidade do que está sendo coletado. Allevato também chama atenção para o chamado desvio silencioso de finalidade: quando dados coletados para um propósito — saúde ou segurança, por exemplo — migram para usos comerciais não autorizados. Aliado a isso, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados — a ANPD — tem sinalizado que quer endurecer as regras nessa área. Em 2025, chegou a suspender um programa que oferecia recompensas financeiras a quem cedesse a leitura da íris para empresas de tecnologia. E já anunciou que a biometria será uma das prioridades regulatórias nos próximos anos. Na Europa, o caminho já está mais avançado: uma lei de inteligência artificial aprovada pela União Europeia passou a proibir, em 2025, o uso de qualquer tecnologia que tente inferir o estado emocional de trabalhadores a partir de dados do corpo, seja por câmera, smartwatch ou radar. Para Shaikhanov, o desafio maior dos próximos anos será garantir que a evolução dessas tecnologias venha acompanhada de proteções equivalentes. "Sistemas avançados de sensoriamento são cada vez mais capazes de extrair informações sensíveis sem o conhecimento ou o consentimento de uma pessoa", diz. "Isso levanta questões importantes sobre como essas tecnologias devem ser projetadas, regulamentadas e implantadas." Em busca de vida alienígena, Nasa dá passo decisivo para mergulhar no oceano congelado da lua de Júpiter Nova espécie de dinossauro gigante é descoberta no Brasil e tem ligação com fóssil da Espanha Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

Armas nucleares: o cálculo de sobrevivência de Kim Jong-un diante da guerra no Irã

Publicado em: 19/03/2026 05:00

Coreia do Norte quer expandir produção de mísseis A guerra no Irã vêm sendo vista por analistas como um sinal de que o presidente dos EUA, Donald Trump, não está disposto a abandonar o intervencionismo. A morte do aiatolá Ali Khamenei, precedida pela captura do ditador Nicolás Maduro, acendeu o alerta sobre até onde pode ir esse movimento, e se o interesse americano poderia se estender também à Coreia do Norte de Kim Jong-un. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Embora haja paralelos entre Irã e Coreia do Norte, ambos isolados e fortemente sancionados pelo Ocidente, uma diferença na relação dos dois países com os EUA é crucial: Pyongyang tem armas nucleares. Impedir o desenvolvimento de artefatos do tipo foi justamente a justificativa da Casa Branca para bombardear o Irã. Mas isso é o suficiente para que Kim Jong-un se mantenha a salvo da pressão americana? Para Jeongmin Kim, diretora da consultoria Korea Risk Group, a Coreia do Norte tenta manter um perfil discreto neste momento, longe do frenesi do discurso por desnuclearização que antes pressionava sua política externa e colocava o país na lista de prioridades dos EUA. "Há várias razões para a Coreia do Norte ser muito cuidadosa sobre como abordar isso. O arsenal nuclear norte-coreano é supostamente muito mais desenvolvido [que o do Irã]", afirmou. "Mas, ainda assim, o que aconteceu no Irã foi que, durante o que eles acreditavam ser uma negociação com o governo Trump, o ataque ocorreu. Da perspectiva da Coreia do Norte, esse é um cenário que eles realmente não querem ver acontecer com eles mesmos." Um dos ensinamentos mais valiosos dos acontecimentos recentes é que manter armas nucleares é fundamental para a sobrevivência do regime liderado por Kim Jong-un. Pyongyang pode usar a ameaça de seu arsenal nuclear, combinada com avanços na tecnologia de mísseis balísticos, tanto como instrumento de pressão em negociações quanto para garantir que os EUA teriam de arriscar uma guerra nuclear para derrubar o regime. Desnuclearização sai da lista de prioridades O líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante encontro em Panmunjom, na Coreia do Sul, em junho de 2019 Kevin Lamarque/Reuters/Arquivo Durante o governo do ex-presidente americano Barack Obama, os EUA mantiveram o que chamavam de "paciência estratégica" em relação ao programa nuclear norte-coreano. O primeiro governo Trump tentou atuar na pauta de forma mais incisiva. Os dois líderes se encontraram em Singapura em junho de 2018 para uma cúpula inédita, após meses de uma retórica hostil – o americano chegou a chamar Kim de um "homem-foguete em uma missão suicida". A reunião rendeu uma declaração não vinculativa de Pyongyang com o compromisso de "desnuclearização completa" da Península Coreana. Um ano depois, porém, o andamento da proposta já havia fracassado. No governo de Joe Biden, a Coreia do Norte ficou oficialmente em segundo plano na política externa de Washington. "Ironicamente, embora o dossiê da Coreia do Norte tenha perdido prioridade tanto para os EUA quanto para a Coreia do Sul, seu arsenal foi muito fortalecido, quase exponencialmente, porque agora eles têm combustível sólido, combustível líquido e mísseis balísticos que podem atacar o Japão", afirma a pesquisadora Jeongmin Kim. A própria Coreia do Norte diz ser capaz de atingir até o território continental dos EUA. Analistas concordam, porém, que caso Trump decida recorrer a táticas mais robustas pela desnuclearização da Coreia do Norte, Kim buscará ajuda de seus dois aliados mais poderosos: Rússia e China. Contudo, os dois países se abstiveram de entrar no conflito iraniano e fizeram pouca pressão contra a derrocada de Maduro na Venezuela. "É algo que os líderes norte-coreanos observam: embora tenhamos uma cláusula e um tratado de defesa mútua com Rússia e China, eles não serão capazes de nos defender completamente quando algo assim acontecer", avalia a especialista. Sem a certeza de apoio de seus únicos aliados, a desnuclearização parece uma alternativa distante para a Coreia do Norte. Em setembro, o país afirmou que sua posição como um Estado com armas nucleares é irreversível e que comentários americanos sobre o tema são "anacrônicos". "Pode-se dar adeus a qualquer esperança que ainda restasse de que Pyongyang abriria mão de suas armas nucleares, já que a Coreia do Norte simplesmente não vai participar de nenhuma negociação sobre nada", avalia Andrei Lankov, professor de história e relações internacionais na Universidade Kookmin, em Seul. "Os ataques ao Irã são o último prego nesse caixão." Coreia do Sul também é pressionada Caças sul-coreanos F-15K disparam sinalizadores durante exercícios militar conjunto com os EUA em Puncheon, na Coreia do Sul, em 6 de março de 2025. Yonhap via AP Além disso, o fato de a Coreia do Norte possivelmente depender agora mais do que nunca de seu programa nuclear para garantir a sobrevivência do regime pode ter enormes implicações para seu vizinho do Sul. Esse é um problema para Seul porque eles também não sabem o quão confiáveis seus melhores aliados são neste momento. "O único aliado de sangue que a Coreia do Sul tem, que são os Estados Unidos, tornou‑se pouco confiável ou, basicamente, não tradicional", lembra Jeongmin Kim. Na Estratégia de Defesa Nacional mais recente dos EUA, a Coreia do Sul foi tomada como capaz de se defender com seus próprios meios, o que limita o apoio militar americano ao país a casos críticos. "Da perspectiva da Coreia do Sul, o risco e a ameaça aumentaram, mas também aumentou a pressão sobre suas próprias defesas quando se trata de capacidades convencionais." Um relatório da 38 North, um think tank especializado em assuntos norte-coreanos administrado pelo Stimson Center, sediado em Washington, publicado nesta segunda-feira (16), pontua que Coreia do Norte conseguiu desenvolver seu programa nuclear ao dissuadir os Estados Unidos, em 1994, de atacar suas instalações de pesquisa nuclear graças à sua capacidade de infligir danos massivos a Seul. Dessa maneira, a ameaça de retaliação iraniana diante de ataques ao seu programa nuclear nunca foi tão extrema quanto a ameaça de Pyongyang contra a Coreia do Sul. Derrubar Kim Jong-un nos planos de Trump? O líder norte-coreano Kim Jong Un visita uma fábrica de munições em Pyongyang, Coreia do Norte, nesta foto divulgada em 12 de março de 2026 pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), órgão oficial da Coreia do Norte. KCNA via REUTERS Apesar do estado de alerta com a incerta atuação americana, uma tentativa de derrubar Kim Jong-un por meios militares parece mais distante. A analista do Korea Crisis Group argumenta que a ação no Irã foi justificada pelos EUA como um apoio a Israel. Se a mesma lógica fosse usada por Washington, seria necessária uma ofensiva de Seul para legitimar a presença americana em uma eventual intervenção contra Kim. "Mas não há nenhuma possibilidade da Coreia do Sul, pelo menos o governo atual, realizar um ataque inicial contra a Coreia do Norte, a menos que haja um sinal confiável e iminente de um ataque em massa do lado norte-coreano contra o lado sul-coreano", afirma. O relatório do 38 North afirmou ainda que outra lição para o regime de Kim é que a liderança precisa ser protegida e posições de contingência devem estar prontas caso o governante seja eliminado. Ainda assim, a Coreia do Norte certamente ficou encorajada pela forma como o Irã conseguiu resistir até agora a uma força militar muito superior, avalia Kim Sang-woo, ex-político sul-coreano e atualmente membro do conselho da Fundação para a Paz Kim Dae-jung. "Creio que Pyongyang está observando como a situação está evoluindo e eles devem estar bastante satisfeitos com os resultados até agora", opina. "O Irã conseguiu colocar os EUA em uma posição difícil. Eles achavam que terminariam o trabalho rapidamente, como fizeram na Venezuela, mas agora parecem estar presos e sofrendo pressão interna e internacional." VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1

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O momento de comprar chegou: TV Hisense 4K de 65" com desconto imperdível no Mercado Livre

Publicado em: 19/03/2026 04:56 Fonte: Tudocelular

Com bordas finas e qualidade de imagem 4K, a Smart TV Hisense 65A6NV chegou ao mercado para intensificar ainda mais a disputa no segmento de televisores intermediários premium, já que reúne tecnologias avançadas a um valor mais acessível! E, para quem pretende renovar a televisão da sala, surgiu uma ótima oportunidade, já que o modelo de 65 polegadas entrou em promoção no Mercado Livre e, por período limitado, pode ser adquirido por R$ 2.882 à vista, ou por R$ 3.099 em 10 parcelas de R$ 309,90 sem juros! Hisense Smart TV 4K 65 Polegadas 65A6NV com Dolby Vision, HDR10, HLG, Dolby Gaming, Film Maker, DTS Virtual X, Compatibilidade Alexa e Google Home Mercadolivre R$2.882 Ver Oferta Sobre a Hisense 65A6NVCom opções de 50 a 75 polegadas, a linha A6NV surge como uma excelente alternativa para quem deseja tecnologia avançada de imagem sem precisar desembolsar uma fortuna.Clique aqui para ler mais

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Samu, denúncias na polícia e demandas nas prefeituras: veja como acionar serviços públicos por aplicativo ou WhatsApp no ES

Publicado em: 19/03/2026 04:01

Do Samu ao Disque-Denúncia: veja serviços que já podem ser acessados sem ligação no ES Carlos Dias/G1 Pedir socorro ou uma ambulância com urgência, fazer uma denúncia ou até resolver demandas do dia a dia com a prefeitura já não depende mais de uma ligação telefônica no Espírito Santo. Vários serviços públicos já podem ser acionados por aplicativos ou pelo WhatsApp. O objetivo é agilizar atendimentos e ampliar o acesso da população. A novidade mais recente é o 192 Fácil, aplicativo lançado no início deste mês para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo a Secretaria de Saúde, um dos principais avanços da ferramenta é o envio automático da localização do usuário. Com isso, as equipes conseguem chegar mais rápido ao local da ocorrência, sem depender apenas da descrição de quem pede ajuda. A tecnologia também ajuda a reduzir um problema antigo: as chamadas “zonas de sombra”, áreas rurais ou de difícil acesso onde o sinal de telefonia é instável. Nesses casos, o aplicativo pode facilitar o acionamento do serviço. O app 192 Fácil está disponível gratuitamente nas lojas de aplicativos. LEIA TAMBÉM: CNH SOCIAL: ES oferece 9 mil vagas para habilitação gratuita; veja como participar CONFIRA AS ALTERAÇÕES: Começa a valer sistema binário em Vila Velha Samu tem aplicativo para usuário no ES Denúncias também pelo WhatsApp Outro serviço que passou por modernização foi o Disque-Denúncia 181. Desde o fim de 2025, denúncias anônimas também podem ser feitas pelo WhatsApp, no número (27) 99253-8181. Ao iniciar a conversa, o cidadão é atendido por uma assistente virtual, que conduz o envio das informações em um passo a passo semelhante ao do site oficial. Todo o processo é automatizado e sem contato humano. Segundo o serviço, a tecnologia garante o anonimato, com uso de criptografia e sistemas que impedem a identificação do denunciante. Atualmente, o Disque-Denúncia pode ser acionado por três canais: Telefone (181) Site (disponível desde 2018) WhatsApp - (27) 99253-818 Outros serviços disponíveis no celular Um levantamento feito pelo g1 mostra que outros serviços públicos também já podem ser acessados sem ligação telefônica. Confira: Sistema prisional O Conecta Sejus, da Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, funciona pelo WhatsApp e reúne informações sobre o sistema prisional. Pelo canal, é possível consultar dados como cadastro de visitantes, localização de presos, regras de visita, atendimentos de saúde e contatos das unidades. Atualmente, o sistema prisional capixaba possui mais de 25 mil presos e mais de 60 mil familiares cadastrados. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça, a demanda de informação é grande, por isso a ferramenta foi desenvolvida. O Conecta Sejus pode ser acessado por meio do WhatsApp, no número (27) 99291-5689, ou pelo site. Prefeituras da Grande Vitória Vitória Vitória Online: É um App gratuito que disponibiliza aos moradores e visitantes da cidade, acesso a diversos serviços públicos, que vão desde a visualização de boletins escolares dos alunos, agendamentos de saúde, acionamento de serviços, até a ferramenta "Vitória 360º" para identificação de pontos turísticos via câmera. A ferramenta está disponível para download gratuito nas lojas de aplicativo. VitórIA: Canal para facilitar o acesso dos munícipes aos agendamentos, confirmação e desmarcação de consultas serviços de saúde. A população pode interagir com a VitórIA, uma assistente virtual baseada em Inteligência Artificial integrada ao sistema de gestão em saúde do município, a Rede Bem-Estar. O contato pode ser feito por meio do número (27) 98107-0240. Projeto Visitar: O Projeto Visitar Centro Histórico oferece monitoria gratuita em monumentos históricos de quarta a domingo, 13h às 17h (com variações). O roteiro inclui a Catedral Metropolitana, Convento São Francisco e Igreja do Carmo, focando na revitalização e turismo cultural no Centro. O agendamento de visitas para grupos com mais de 10 pessoas pode ser feito pelo WhatsApp, no número (27) 99634-0234. Vila Velha O Vila Velha On é um aplicativo gratuito desenvolvido pela Prefeitura de Vila Velha, ES, para conectar cidadãos aos serviços públicos municipais via smartphone. Ele permite agendar consultas e vacinas, consultar a disponibilidade de medicamentos nas unidades de saúde (UBS), solicitar reparos urbanos, atualizar o CadÚnico e acessar notícias, facilitando o acesso sem sair de casa. A ferramenta está disponível para download gratuito nas lojas de aplicativo. Serra Na Serra, a plataforma Colab reúne mais de 100 serviços, como denúncias de irregularidades e pedidos de manutenção urbana. Entre os serviços mais utilizados pelos moradores estão as denúncias de ocupação irregular de via pública e de obras em desacordo com as normas legais, além de solicitações relacionadas à infraestrutura urbana e fiscalização. O Colab pode ser baixado gratuitamente em qualquer loja de aplicativos ou acessado por meio do site. Viana Em Viana, o Disque-Silêncio pode ser acionado por meio do WhatsApp no número (27) 99967-9873 ou pelo site. A Guarda Municipal de Viana também atende pelo aplicativo de conversa, no número (27) 99738-8787, e a Defesa Civil, no número (27) 99860-4360. Já serviços de saúde, podem ser acionados no aplicativo CONSUS, disponível nas plataformas para ANDROID e lOS. Cariacica Já a prefeitura de Cariacica informou que mantém os canais disponíveis no site oficial do município. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

'Primeiro emprego' aos 27 anos: jovem explica viral e abre debate: existe idade para começar a trabalhar?

Publicado em: 19/03/2026 04:01

O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. X/ Reprodução "Hoje é um dia especial. Pela primeira vez, nos meus 27 anos, consegui meu primeiro emprego". O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. A mensagem emocionada, escrita no primeiro dia de trabalho, rapidamente viralizou. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, entre elogios e mensagens de apoio, também surgiram críticas: "Me pergunto como tu chegou nessa idade sem se sentir um completo inútil", escreveu um usuário. Diante da repercussão, Matheus voltou às redes para explicar o que não havia dito no primeiro post. Não se tratava de nunca ter trabalhado. Ao contrário: ele construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Já foi office-boy, fotógrafo, garçom, vendedor, corretor, motoboy, motorista de aplicativo, mecânico, camelô, trabalhou com manutenção de celulares e chegou a abrir pequenos negócios. Ao g1, ele detalhou: o 'primeiro emprego" a que se referia era, na verdade, o primeiro vínculo com uma empresa — ainda que não seja no regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Aos 27 anos, nunca fui CLT. Mas agora tenho meu primeiro emprego formal, meu primeiro cargo, meu primeiro vínculo com uma empresa. Antes eu tinha trabalhos. Agora tenho um emprego”, resume. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo Matheus, a oportunidade como engenheiro de software surgiu por meio de um contrato como pessoa jurídica (PJ) em uma empresa de São Paulo (SP). CLT: profissional contratado com carteira assinada, possui vínculo empregatício e tem acesso a direitos como férias, 13º salário e FGTS. PJ: contratado como pessoa jurídica, atua como prestador de serviços, emite nota fiscal e não tem vínculo empregatício nem benefícios previstos na CLT. Mas, apesar da explicação de Matheus, a repercussão já havia tomado grandes proporções. O tweet — acompanhado da foto no primeiro dia de trabalho — viralizou e extrapolou a história individual. A discussão ganhou novos contornos: existe idade certa para começar a trabalhar? Profissionais sem vínculo formal são mal vistos? É possível construir carreira fora da CLT? Mudar de área depois dos 25 anos é arriscado? Em um Brasil em que 38,5 milhões de pessoas ainda vivem na informalidade, segundo dados recentes do IBGE, e com o envelhecimento da população em andamento, histórias como a de Matheus ajudam a iluminar uma transformação mais profunda no mercado de trabalho. Trajetória fora do mercado formal Antes de chegar à tecnologia, Matheus percorreu um caminho irregular. Começou cedo: aos 14 e 15 anos, conciliava escola, cursinho e trabalho como office-boy no centro de São Paulo. Na época, queria seguir carreira militar, mas não conseguiu aprovação antes de atingir o limite de idade. Depois disso, vieram mudanças de cidade, trabalhos diversos e dificuldade para acessar o mercado formal. Em Canoas (RS), atuou como motoboy, teve os primeiros contatos com tecnologia e chegou a abrir uma loja de manutenção. Mais tarde, voltou a dirigir por aplicativo. Com problemas no carro e sem dinheiro para consertos, aprendeu mecânica por conta própria, o que acabou virando profissão por um período. Ao longo desses anos, Matheus afirma que nunca deixou de trabalhar. Mas também nunca teve um vínculo formal. O momento atual do mercado também influencia esse movimento, explica o economista Bruno Imaizumi. O desemprego atingiu o menor nível da série histórica do IBGE ano passado, indicando maior abertura de vagas. "No momento em que o Brasil se encontra (mercado de trabalho aquecido), todos os tipos de ocupação vem ganhando força, especialmente com carteira assinada e conta própria. Nos últimos anos, vimos o avanço da formalização do mercado de trabalho, mas ainda há muito para melhorar". Entre elogios e mensagens de apoio, post de Matheus Tavares também surgiram críticas X/ Reprodução Há uma idade certa para começar? O cenário exposto por Imaizumi ajuda a explicar por que trajetórias como a de Matheus são mais comuns do que parecem — e abre espaço para um debate que foi além do caso individual: afinal, ainda faz sentido falar em uma idade “certa” para começar uma carreira? Para o economista, a resposta passa por mudanças estruturais que vêm redesenhando o mercado de trabalho. O envelhecimento da população, o maior tempo dedicado aos estudos e a transformação do próprio conceito de carreira ajudam a explicar por que entradas mais tardias no mercado formal deixaram de ser exceção. "Hoje, buscamos pessoas com maior qualificação por meio do estudo. Há também diferenças no que significa sucesso profissional para um jovem de hoje em comparação com duas gerações atrás. Antes, sucesso estava ligado a fazer carreira em uma única empresa. Hoje, isso não é mais verdade". A avaliação é compartilhada pelo professor Edgard Rodrigues. Segundo ele, a ideia de um “timing ideal” perdeu força diante de trajetórias cada vez mais diversas. “As carreiras estão menos lineares, e o momento de entrada não define o potencial do profissional”, afirma. Na prática, isso significa que começar mais tarde não é, necessariamente, um problema — desde que haja preparo. Para Daniel Consani, CEO do Top RH, o mercado já começou a absorver essa mudança. “As pessoas entram, saem, mudam de área, empreendem. O que conta hoje não é quando você começou, mas o quanto está preparado agora", afirma. Matheus Tavares construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Matheus Tavares Desafios para validar a experiência profissional A história de Matheus também expõe uma distinção importante — e muitas vezes invisível: a diferença entre trabalhar e ter um emprego formal. Durante anos, ele acumulou experiências, responsabilidades e aprendizados. Ainda assim, enfrentou barreiras ao tentar acessar o mercado formal, especialmente em processos seletivos. “Eu era barrado no RH antes de falar com o gestor técnico”, relata. A dificuldade revela um desafio comum a quem vem da informalidade: transformar experiência prática em algo reconhecido pelas empresas. Segundo Rodrigues, esse filtro ainda existe, mas vem mudando. “Empresas mais modernas estão migrando para modelos de recrutamento que focam mais em competências reais do que no histórico formal”, explica. Consani reforça que essa mudança já é perceptível no dia a dia do recrutamento. “A ausência de carteira assinada pode gerar questionamentos, mas não é mais um impeditivo. O que pesa é a consistência e a capacidade de gerar resultado.” Como apresentar experiências fora da CLT Se antes a informalidade era vista como fragilidade, hoje ela pode se transformar em vantagem competitiva — dependendo de como o profissional apresenta sua trajetória. “Quem trabalhou como PJ, freelancer ou em aplicativos desenvolveu habilidades como autonomia, gestão do tempo e relação com o cliente”, afirma Consani. Rodrigues complementa que até experiências consideradas simples podem gerar repertório relevante. O ponto central está na capacidade de traduzir essas vivências para a linguagem do mercado. Ou seja, mais do que listar atividades, é preciso mostrar impacto: o que foi feito, como foi feito e quais resultados foram alcançados. A repercussão do caso também evidenciou um julgamento ainda presente: a ideia de que quem não seguiu uma trajetória tradicional está "atrasado". Para os especialistas, esse tipo de visão persiste, sobretudo em ambientes mais conservadores. Mas vem perdendo espaço. “Empresas mais competitivas já perceberam que trajetórias diferentes contribuem para inovação”, diz Consani. Rodrigues acrescenta que novas gerações tendem a reduzir esse tipo de preconceito, inclusive em relação à idade e ao tempo de carreira. “Não adianta ter experiência se você não consegue organizá-la e comunicá-la”, ressalta Rodrigues. Consani concorda que o problema, muitas vezes, não está na trajetória, mas na forma como ela é apresentada. “Não é sobre quanto tempo você levou, mas sobre o que construiu nesse tempo.” Para ele, assumir a própria história, estruturar uma linha de evolução e destacar aprendizados e resultados pode mudar completamente a percepção do recrutador.

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Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos?

Publicado em: 19/03/2026 04:01

Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos? BBC Guerras raramente têm vencedores claros. E as populações civis costumam pagar o preço mais alto. Com os mercados globais de energia e as cadeias de abastecimento desordenadas, alguns países estão se preparando para enfrentar severas consequências econômicas. Mas outros conseguiram encontrar novas oportunidades estratégicas em meio ao caos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã trazem consequências dramáticas para a região e para o mundo. Ela desestabilizou os países do Golfo e levou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas em todo o Oriente Médio. Além da zona de guerra, o pico dos preços do petróleo e a interrupção do tráfego marítimo no Golfo, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, elevam os custos para empresas e consumidores. Mas quais países podem sair ganhando ou perdendo em meio à crise? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Rússia O Irã é um importante aliado e parceiro militar da Rússia. A morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), marca mais um revés para Moscou no campo externo, após a deposição de Bashar al-Assad, na Síria, e a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, pelos Estados Unidos. Ainda assim, o conflito no Oriente Médio poderá oferecer à Rússia uma vantagem na sua própria guerra, afastando os recursos militares americanos da Ucrânia. "O esgotamento dos interceptadores e mísseis Patriot é benéfico para a Rússia, pois ele limita o que a Ucrânia pode conseguir no mercado", explica à BBC News Rússia a professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na França. A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, marca mais um revés diplomático para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Anadolu via Getty Images via BBC Mas a maior demanda de drones iranianos Shahed por Teerã, provavelmente, não trará impactos significativos às capacidades de Moscou na Ucrânia, segundo especialistas. "A Rússia dependeu do Irã para cooperação no setor de defesa durante um período muito específico, no início da guerra na Ucrânia, quando o Irã forneceu drones Shahed e, o mais importante, a tecnologia de produção e licenças desses drones, em 2022-2023", explica à BBC News Hanna Notte, diretora para a Eurásia do Centro de Estudos sobre Não Proliferação, nos Estados Unidos. "Estamos, agora, em um estágio em que a Rússia não precisa do Irã para prosseguir com a guerra na Ucrânia", prossegue ela. "A Rússia pode produzir drones Shahed sozinha." Shahed-136, drone 'kamikaze' BBC Paralelamente, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem asfixiado o transporte de petróleo e gás, fazendo os preços dos combustíveis dispararem. Isso pode dar um certo alívio financeiro para a Rússia, que sofre pressões significativas devido à guerra na Ucrânia. O orçamento federal da Rússia considera a exportação do petróleo do país a US$ 59 por barril. Mas, agora, o preço do petróleo bruto aumentou significativamente e chegou a atingir quase US$ 120 por barril. E, com a maior parte dos países do Golfo reduzindo sua produção, a Rússia pode conseguir exportar mais petróleo para mercados importantes, como a China e a Índia. Na última semana, o governo americano anunciou uma flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo da Rússia. A medida prevê uma isenção temporária de cerca de 30 dias para permitir que países comprem petróleo e produtos petrolíferos russos sancionados que já estavam em navios no mar, numa tentativa de conter a alta global dos preços da energia. Embora limitada, a medida pode facilitar temporariamente as exportações russas e gerar receitas adicionais para Moscou. China A China ainda não sofreu efeitos graves da guerra no Irã. Mas ainda irá sentir as pressões. Apenas cerca de 12% do petróleo bruto importado pela China vem do Irã, segundo o Centro de Política Energética Global. Além disso, Pequim detém estoques de petróleo suficientes para vários meses e poderá facilmente pedir ajuda à Rússia em seguida. Mas o "setor industrial orientado à exportação" da China também será atingido, segundo Fyfe. As exportações representam cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês — o valor total das mercadorias produzidas e dos serviços fornecidos pelo país. Por isso, elas se tornaram um importante motor da sua economia, prejudicada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo doméstico. A interrupção do tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz não é um grande problema para a China, mas chegar ao Oceano Atlântico é fundamental para os produtos chineses que se dirigem ao Ocidente. E, no outro lado da Península Arábica, o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia, a Europa e a África, sofreu ataques dos houthis do Iêmen, uma milícia armada apoiada pelo Irã. "É muito provável que o tráfego no mar Vermelho seja novamente muito prejudicado, com navios cargueiros de longo curso da Ásia que desejam chegar à bacia do Atlântico sendo desviados para contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança", explica Fyfe. "Existe um alto custo a pagar por isso", afirma o especialista em Oriente Médio Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres. O trajeto "aumenta a viagem em 10 a 14 dias. E, dependendo da mercadoria, para um navio médio, o custo adicional é de cerca de US$ 2 milhões. Mas a guerra no Irã pode oferecer oportunidades diplomáticas para a China, que tenta se posicionar como um parceiro responsável em comparação com os Estados Unidos, segundo Philip Shetler-Jones, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês). O presidente chinês, Xi Jinping, continuará projetando sua imagem como líder global estável e previsível, em oposição ao líder americano, Donald Trump. E o conflito poderá também ser uma chance para Pequim "procurar indicações" sobre como Trump pode reagir sobre outros temas polêmicos, como Taiwan, a ilha autogovernada reivindicada pela China. Economias emergentes Imensamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, os países do sudeste asiático devem ser fortemente atingidos pela guerra. Alguns deles já tomaram medidas drásticas de austeridade, na esperança de reduzir seus impactos econômicos o mais cedo possível. No Vietnã, o preço do óleo diesel já aumentou em 60% desde o início da guerra. E o governo pediu a todos que trabalhem de casa, quando possível. As Filipinas importam cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio. Os funcionários do setor público do país, agora, trabalham quatro dias por semana, exceto pelos serviços de emergência. Restrições similares foram impostas no Paquistão, com exceção dos bancos. Sempre que possível, foram emitidas ordens para que os funcionários trabalhassem de casa e as aulas das universidades ocorrem via internet. Em pronunciamento pela televisão, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif declarou que é fundamental conservar e racionar cuidadosamente as reservas de combustível do país. Em Bangladesh, o governo enfrenta o pânico dos consumidores. Longas filas nos postos de gasolina levaram ao racionamento. É permitida a compra de 10 litros por dia para os carros e apenas dois litros para as motocicletas. Mas as consequências da guerra podem ir muito além da falta de energia. Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes para abastecer o solo com nutrientes necessários para o cultivo de alimentos e aumentar a resistência das safras. Qualquer interrupção pode gerar insegurança alimentar global. "30% da ureia do mundo, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz", explica Quilliam. "A ureia vem de produtos petroquímicos, derivados do processo de refração de petróleo bruto." "Por isso, se você retirar 30% da ureia dos mercados globais, haverá impactos concretos sobre a segurança alimentar mundial." Após os ataques às suas instalações, a QatarEnergy — um dos maiores exportadores de gás do mundo e produtor de ureia para a fabricação de fertilizantes — precisou declarar força maior, uma medida de emergência que permite às empresas suspender temporariamente a produção e fornecimento. "Você poderá muito bem observar impactos em termos de segurança alimentar e inflação daqui a seis a nove meses", segundo Quilliam. "Pode ainda não se materializar, mas, à medida que a produção for prejudicada ou os agricultores enfrentarem dificuldades para conseguir fertilizantes, veremos um impacto de longo prazo." Com colaboração da BBC News Hindi e de Elizaveta Fokht, da BBC News Rússia.

Palavras-chave: tecnologia

O anticristo na porta do Vaticano: palestra de bilionário de IA em Roma causa mal-estar na Igreja

Publicado em: 19/03/2026 03:01

Peter Thiel na Conferência Bitcoin, em 7 de abril de 2022, em Miami Beach, Flórida. AP Photo/Rebecca Blackwell, Arquivo O bilionário de tecnologia Peter Thiel iniciou, neste domingo (15), uma série de palestras em Roma que geraram mal-estar na Igreja Católica. Os encontros, que duraram até esta quarta-feira (18), discutiram o conceito de anticristo. Segundo o jornal "The New York Times", nesta segunda-feira (16), o crachá dos convidados indicava que a conferência se chamava "O Anticristo Bíblico". O jornal afirmou ainda que ao menos um padre participou do evento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos em alta do g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o jornal, embora Thiel já tenha realizado encontros semelhantes em outras cidades, a Igreja só começou a se manifestar por causa da proximidade do evento com o Vaticano. Na véspera da chegada de Thiel a Roma, o padre Paolo Benanti, que aconselha o papa sobre inteligência artificial, publicou um ensaio com o título: "Heresia americana: Peter Thiel deveria ser queimado na fogueira?". No texto, ele afirma que o bilionário atua como um "teólogo político" no Vale do Silício. "Toda a ação de Thiel pode ser vista como um ato prolongado de heresia contra o consenso liberal: um desafio aos próprios fundamentos da convivência civil, que ele agora considera ultrapassados", escreveu Benanti. Em outra frente, um jornal da Conferência Episcopal Italiana — que reúne bispos do país — também publicou textos com críticas a Thiel. Um artigo alertava que líderes de tecnologia não deveriam definir seus próprios limites éticos e defendia que governos garantam a supervisão democrática das plataformas digitais e combatam a disseminação de desinformação. Interesses de Thiel Conhecido por ter fundado a PayPal e a Palantir Technologies, Thiel vem ampliando o interesse por temas religiosos e filosóficos. Thiel já realizou encontros semelhantes em São Francisco e Paris. Nas palestras, o empresário discutiu cenários em que uma figura com características do anticristo poderia surgir no mundo. O empresário afirma se basear em profecias bíblicas para alertar que um anticristo poderia surgir ao tentar criar um governo mundial único, prometendo evitar desastres como guerras nucleares, avanços da inteligência artificial e mudanças climáticas. Os encontros desta semana foram fechados ao público e à imprensa, com participação restrita a convidados. O endereço não foi divulgado e, segundo os organizadores, o grupo reuniu participantes dos setores acadêmico, tecnológico e religioso.

Dois sistemas operacionais anunciam saída do Brasil e 'culpam' ECA Digital; entenda o que está em jogo

Publicado em: 19/03/2026 03:00

ECA Digital: estão em vigor as novas regras para menores em redes sociais, jogos e sites Com a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) na terça-feira (17), ao menos dois sistemas operacionais independentes anunciaram que não prestarão mais serviços no Brasil. Os comunicados foram feitos pelos projetos MidnightBSD e Arch Linux 32, ambos de software livre e código aberto. Eles alegam que não têm condições de cumprir as exigências do ECA Digital. (saiba mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A lei determina, por exemplo, que sistemas operacionais e lojas de aplicativos devem aferir a idade ou a faixa etária dos usuários. Depois, a informação precisa ser enviada para plataformas como redes sociais, que devem oferecer experiência adequada. As decisões dos dois sistemas levaram tanto a críticas ao ECA Digital, conhecido como Lei Felca, quanto a avaliações de que a saída deles foi uma decisão precoce. LEIA MAIS ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária Google, Meta e TikTok explicam como verificam idade de usuários no Brasil Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes MidnightBSD, sistema operacional de código aberto que funciona como alternativa ao Windows Lucas Holt/Wikimedia Commons Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, disse que, como os sistemas têm código aberto, cada pessoa poderia modificar a programação e derrubar verificações exigidas pelo ECA Digital. "Qualquer um dos recursos exigidos pela Lei Felca, se implantados no sistema [de código aberto], podem ser modificados, adulterados, desligados ou até removidos pelo próprio usuário", afirmou. "A lei não dá garantias explícitas e não arbitrárias de que [os projetos] possam continuar desenvolvendo essa tecnologia com segurança jurídica e financeira no país". Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), afirmou que o ECA Digital estabelece sistemas operacionais como parceiros, e não como alvos, na fiscalização para proteger crianças e adolescentes. "Os sistemas operacionais não são nem mesmo apontados como a causa dos problemas das violações de direitos de crianças e adolescentes como a gente verifica, por exemplo, na dinâmica das redes sociais", disse. "O foco da lei não é derrubar o sistema operacional, é trazê-los como parceiros para auxiliar especificamente na questão da aferição de idade, sem nenhuma caça às bruxas". ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária O que dizem os sistemas O MidnightBSD classificou a verificação prevista no ECA Digital como uma "bobagem" e incentivou usuários a pedirem uma mudança da lei. "Jamais conseguiremos cumprir as exigências do Brasil". "Não somos uma empresa e não temos receita para pagar por serviços de verificação. Também não acreditamos nessas leis. Elas foram criadas para proteger grandes empresas, não crianças", disse o projeto. "Revisamos nossa licença para incluir jurisdições adicionais que implementem leis de verificação de idade. Residentes do Brasil não estão mais autorizados a usar o MidnightBSD". Apesar da declaração, até terça-feira (17), ainda era possível baixar o sistema operacional por meio do site oficial do projeto. Já os administradores do Arch Linux 32 suspenderam o site no Brasil e disseram que "não é possível prestar serviços na sua jurisdição". Eles citaram ainda uma restrição na Califórnia por conta de uma lei parecida com o ECA Digital. "Não possuímos a infraestrutura legal ou os recursos financeiros para implementar os mecanismos de 'garantia de idade auditável' e 'verificação de identidade' exigidos por essas leis", diz o comunicado. "Para evitar multas catastróficas que forçariam o encerramento permanente deste projeto globalmente, fomos obrigados a implementar este bloqueio regional". O bloqueio será mantido até as leis serem esclarecidas, revogadas ou alteradas para isentar projetos de software livre e de código aberto, segundo o Arch Linux 32. Arch Linux 32, sistema operacional de código aberto que funciona como alternativa ao Windows Reprodução ECA Digital exige representante no Brasil O ECA Digital também determina que os serviços tenham representante legal no Brasil para responder a eventuais intimações e questionamentos de autoridades. Isso não exige a criação de uma empresa no país. "Basta um representante que, nesse momento, pode ser uma pessoa física com CPF, um advogado. É só um ponto de contato que pode servir até para as comunidades descentralizadas", explicou Rená, do IRIS. Na avaliação de Ayub, da Sage Networks, a lei força as plataformas de código aberto a tomarem uma decisão: bloquear o acesso no Brasil para não descumprir as regras ou ignorar as exigências e torcer para escaparem de uma punição. "A maioria desses sistemas são desenvolvidos por programadores voluntários, sem financiamento ou receita. Ter um escritório ou advogado os representando no Brasil antes de terem desrespeitado qualquer outra lei além do ECA Digital é um custo proibitivo", avaliou. Pessoa digitando computador FreePik Ele apontou ainda para uma "insegurança jurídica" e disse que a exigência de aferição de idade em todos os sistemas e lojas de aplicativos pode afetar serviços como redes sociais e assistentes de inteligência artificial, por exemplo. Plataformas que não demonstrarem estar agindo para proteger crianças e adolescentes poderão ser punidas com advertência, multa de até 10% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração, suspensão ou proibição no Brasil. "Qualquer inovação via internet, novo site, app, inteligência artificial ou serviço que surja de alguma garagem ou quarto universitário no mundo será, desde o seu nascimento, ilegal no Brasil e sujeita às sanções de multa e bloqueio de forma discricionária da ANPD". Rená, por outro lado, disse que sistemas podem terceirizar a aferição para parceiros, o que facilitaria a adequação à lei. E destacou que eventuais sanções seguem um rito, considerando a gravidade da violação e o direito à defesa. "Esse descumprimento vai ser analisado com o devido processo legal, com proporcionalidade e razoabilidade. Isso quer dizer que não é qualquer pequena violação que vai gerar um bloqueio", afirmou. ECA Digital começa a valer e impõe novas regras para crianças e jovens