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O relógio que começa a contar quando algo morre

Publicado em: 31/08/2025 16:56

Willard Libby, químico americano, queria encontrar na natureza uma forma radioativa de carbono, o carbono-14. Getty Images/BBC Aquilo deveria estar no esgoto em grande quantidade. Willard Libby tinha certeza disso. Em meados dos anos 1940, o objetivo do químico americano (1908-1980) era encontrar na natureza uma forma radioativa de carbono, o carbono-14. Libby havia descoberto que, se a substância estivesse ali, ela deixaria um rastro de lento decaimento em plantas e animais mortos. Por isso, descobrir a quantidade presente nos seus restos revelaria quando eles morreram. Mas Libby precisava provar que o carbono-14 existe na natureza em concentrações condizentes com suas estimativas. Outros cientistas, antes dele, só haviam detectado carbono-14 sintetizando a substância em laboratório. Libby imaginou que os animais vivos depositassem carbono-14 nos seus excrementos. Por isso, ele recorreu ao esgoto. Mais precisamente, esgoto produzido pelas pessoas de Baltimore, nos Estados Unidos. Ali, ele encontrou o que estava procurando. Libby não sabia na época, mas sua ideia de usar carbono radioativo (radiocarbono) para datar objetos viria a ter todo tipo de aplicação no futuro. Willard Libby recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1960 Getty Images/BBC Desde meados do século 20, a datação por radiocarbono confirmou a idade de inúmeros artefatos antigos. Ela também ajudou a resolver casos de pessoas desaparecidas, colocou traficantes de marfim na cadeia e chegou a permitir que os cientistas compreendessem as complexidades do clima no planeta. A datação por radiocarbono é uma das chaves que abrem as portas para entender o nosso mundo. Mas como surgiu o carbono-14? Libby entendia que a substância é produzida constantemente por raios cósmicos que atingiriam átomos de nitrogênio na atmosfera da Terra, alterando sua estrutura. O átomo de carbono-14 resultante se combina rapidamente com oxigênio, para produzir dióxido de carbono (CO₂) radioativo. De volta ao solo, as plantas absorvem parte daquele CO₂ radioativo no ar à medida que crescem, bem como os animais que se alimentam delas (incluindo os seres humanos). Enquanto a planta ou o animal estiver vivo, ele continua reabastecendo seu estoque interno de carbono-14. Quando morre, esse processo é interrompido. Como o radiocarbono se decompõe em velocidade conhecida, a medição da quantidade restante no material orgânico irá revelar a sua idade. Por isso, o carbono-14 é um relógio que começa a contar no momento da morte. 'Colocando tudo em ordem' Quando Libby confirmou a presença de carbono-14 no gás metano dos esgotos de Baltimore, ele começou a detectar radiocarbono em muitos objetos diferentes, o que permitiu que ele comprovasse a sua idade. Estes objetos incluíram, entre outros, o linho que envolvia os Manuscritos do Mar Morto e um pedaço de um navio encontrado na tumba do faraó egípcio Sesóstris 3°, que viveu cerca de 4 mil anos atrás. "O problema é que você não vai contar a ninguém o que está fazendo. É maluco demais", disse Libby posteriormente. "Você não pode dizer a ninguém que os raios cósmicos podem escrever a história humana. Você não pode contar isso a eles. De jeito nenhum. Por isso, mantivemos em segredo." Mas, quando Libby comprovou que funcionava, ele contou ao mundo. E, em 1960, ganhou o Prêmio Nobel de Química. Sua técnica funciona com material orgânico com até 50 mil anos de idade. Acima disso, existe muito pouco carbono-14 remanescente. Manuscritos do Mar Morto foram um dos primeiros objetos datados usando a tecnologia de carbono-14 Getty Images/BBC Atualmente, a datação por radiocarbono é fundamental para entendermos a nossa história. "Para colocar tudo em ordem, em termos de podermos comparar diferentes regiões específicas e compreender a velocidade da mudança, tem sido muito importante", explica Rachel Wood. Ela trabalha em um dos mais renomados laboratórios de datação por radiocarbono do mundo, a Unidade Aceleradora de Radiocarbono de Oxford, no Reino Unido. Wood e seus colegas datam materiais que incluem ossos humanos, carvão, conchas, sementes, cabelos, algodão, pergaminhos e cerâmica, mas também algumas substâncias mais estranhas. "Fazemos coisas realmente incomuns, como analisar urina de morcego fossilizada", ela conta. O laboratório usa um aparelho chamado espectrômetro de massa acelerador, para quantificar diretamente os átomos de carbono-14 em uma amostra. O processo é diferente do usado por Libby, que só conseguia medir a radiação emitida e deduzir, a partir dela, a quantidade de carbono-14 contida em uma amostra. O acelerador também pode datar amostras minúsculas, de apenas 1 miligrama em alguns casos. Libby precisava de uma quantidade de material muito maior. Datação de esqueletos A retirada de contaminantes que contêm carbono pode levar semanas. Mas o acelerador emite a idade estimada de uma amostra rapidamente em seguida. "É realmente emocionante poder observar os resultados imediatamente", afirma Wood. A datação por radiocarbono já resolveu antigas disputas. O caso do esqueleto humano descoberto em 1823 pelo teólogo e geólogo William Buckland (1784-1856) no País de Gales é um exemplo. Buckland defendia que o esqueleto não tinha mais de 2 mil anos, mas ninguém conseguia comprovar que ele estava errado. Por fim, a datação por radiocarbono demonstrou que, na verdade, os ossos tinham entre 33 mil e 34 mil anos de idade. Trata-se dos mais antigos restos humanos enterrados conhecidos no Reino Unido. Restos humanos bem mais recentes também revelaram seus segredos graças a esta tecnologia. Em 1975, uma menina de 13 anos de idade chamada Laura Ann O'Malley desapareceu em Nova York, nos Estados Unidos. E, nos anos 1990, foram encontrados restos humanos no leito de um rio na Califórnia, cuja origem foi atribuída a um túmulo histórico. Mas a datação por radiocarbono demonstrou no início deste ano que eles pertenciam a alguém nascido entre 1964 e 1967, que provavelmente morreu entre 1977 e 1984. As datas coincidem com a época do desaparecimento de O'Malley e análises de DNA confirmaram que os restos humanos eram da menina. Análises forenses costumam fazer uso do "pulso de bomba". Este método de datação por radiocarbono é possível devido às centenas de testes de armas nucleares atmosféricas ocorridos durante os anos 1950 e 1960. As explosões emitiram no ar imensas quantidades de carbono-14. Mas esses níveis artificialmente altos vêm caindo desde então. Por isso, ao comparar as medições de carbono-14 com esta curva de queda, é possível datar materiais de meados do século 20 para cá com muita precisão — de até cerca de um ano, em alguns casos. "Não conheço nenhuma outra técnica que chegue tão perto quanto esta", afirma Sam Wasser, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. "Sua utilidade é extraordinária." 'Prova concreta' Wasser analisou resultados de datação por radiocarbono de amostras de marfim, como parte das tentativas para desmantelar o comércio ilegal. Os dados podem comprovar se os elefantes morreram antes ou depois da proibição da venda de marfim, em 1989, independentemente das alegações dos traficantes. Edouodji Emile N'Bouke foi preso com base neste tipo de evidências. Ele foi condenado em Togo, em 2014. Os testes de DNA não descobriram a origem geográfica do marfim objeto de tráfico, mas a datação por radiocarbono mostrou exatamente quando os elefantes foram abatidos. Estas duas linhas de evidência foram "a prova concreta, fundamental para levar N'Bouke à justiça", segundo declarou posteriormente o Departamento de Estado americano. A datação por carbono-14 permite aos cientistas determinar se o marfim é de origem ilegal Getty Images/BBC A mesma técnica já revelou obras de arte como sendo fraudes. Um exemplo é a pintura de uma cena em uma aldeia, que um falsificador afirmava ter sido produzida em 1866. A datação por radiocarbono confirmou que, na verdade, ela foi pintada e envelhecida artificialmente nos anos 1980. A datação por radiocarbono também trouxe informações sobre as mudanças climáticas. Ela ajuda os cientistas a compreender o efeito das emissões de combustíveis fósseis para o clima do planeta. Os estudos de glaciares e ecossistemas antigos, por exemplo, passaram a ser muito mais precisos, graças à tecnologia. Estas pesquisas foram empregadas em relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). O organismo recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007 (ao lado do ex-vice-presidente americano Al Gore) pelo seu trabalho de disseminação de informações sobre as mudanças do clima. A datação por carbono-14 "também é muito útil para pessoas que desejam usar modelos climáticos para prever qual será o possível clima no futuro", explica Tim Heaton, da Universidade de Leeds, no Reino Unido. Os cientistas podem usar os registros de radiocarbono para determinar as mudanças do clima da Terra ao longo do tempo e verificar os modelos climáticos em comparação com estes resultados, para confirmar sua precisão. Diluição de carbono-14 Mas existe outro relógio em funcionamento. Os combustíveis fósseis contêm imensas quantidades de carbono, mas não de carbono-14. Os organismos que geraram o carvão, gás natural e petróleo morreram há tanto tempo que o carbono-14 que eles continham desapareceu muito tempo atrás. Com isso, as emissões de combustíveis fósseis estão diluindo o carbono-14 existente na atmosfera da Terra, o que traz efeitos diretos sobre a quantidade de radiocarbono que acaba nos organismos vivos. Heather Graven, do Imperial College de Londres, afirma que, no pior cenário, com emissões extremamente altas no próximo século, a precisão da datação por radiocarbono poderá desmoronar. "Algo recém-produzido terá a mesma composição [de radiocarbono] de algo que tenha, talvez, 2 mil anos de idade", explica ela. E a datação por carbono-14 não conseguiria diferenciar os dois materiais. A queima de combustíveis fósseis pode diluir a concentração de carbono-14 na atmosfera Getty Images/BBC Rachel Wood defende que estes problemas não irão surgir no futuro próximo. Mas a professora emérita Paula Reimer, da Universidade Queen's em Belfast, no Reino Unido, acredita que as emissões de combustíveis fósseis "amorteçam" a datação por radiocarbono e, em última análise, ameaçam sua precisão. Reimer passou vários anos trabalhando para que a datação por carbono-14 ficasse mais precisa. Ela realizou trabalhosas medições do radiocarbono encontrado nos anéis das árvores, para revelar variações dos níveis de carbono-14 ao longo de milênios. Agora, existem curvas extremamente precisas dos níveis de radiocarbono, que datam de cerca de 14 mil anos atrás. Mas as emissões de combustíveis fósseis podem, um dia, trazer o fim desta era de incrível precisão. Esta reportagem foi criada em coprodução entre a instituição Nobel Prize Outreach e a BBC. COP30 - Onde vai ser a COP 30?

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Seleções e concursos em PE oferecem 534 vagas com salários de até R$ 13,2 mil; saiba como se inscrever

Publicado em: 31/08/2025 16:21

Cartão-resposta de prova de concurso katemangostar/Freepik Ao menos 534 vagas são oferecidas em concursos públicos e seleções simplificadas que estão com inscrições abertas em Pernambuco. As oportunidades incluem cargos de níveis fundamental, médio, técnico e superior, com salários de até R$ 13,2 mil. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Confira, abaixo, a lista que o g1 preparou com as principais informações sobre cada processo seletivo: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) Inscrições até quinta-feira (4); 77 vagas de ensino médio e superior para técnicos-administrativos; Salários de até R$ 4,9 mil; Confira o edital. Prefeitura de Gravatá Inscrições até sexta-feira (5); 154 vagas para cargos de níveis fundamental, médio e superior Salários de até R$ 2,1 mil; Confira o edital. Faculdade de Petrolina (Facape) Inscrições até 8 de setembro; 51 vagas para docente auxiliar, assistente e adjunto; Salários de até R$ 8,5 mil; Confira o edital. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Inscrições até 18 de setembro; 52 vagas para docente; Salários de até R$ 13,2 mil; Confira o edital. Prefeitura de Angelim Inscrições até 18 de setembro; 131 vagas de nível fundamental, médio, técnico e superior; Salários de até R$ 7,5 mil; Confira o edital. Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) Inscrições a partir de segunda-feira (1º) até 30 de setembro; 69 vagas para cargos de níveis médio e superior; Salários de até R$ 9,5 mil; Confira o edital. ⬇️ Veja como estudar legislação para concursos: Como estudar legislação para concurso? VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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Como aeroporto de Bogotá desbancou os de São Paulo e Cidade do México e se tornou o mais movimentado da América Latina

Publicado em: 31/08/2025 15:13

Desde 2012, o nome do candidato presidencial assassinado Luis Carlos Galán Sarmiento (1943-1989) acompanha a denominação do aeroporto El Dorado em Bogotá, na Colômbia Getty Images Não é surpresa que São Paulo e a Cidade do México tenham dominado por décadas o tráfego aéreo na América Latina e na região do Caribe. Seus aeroportos internacionais, incrustados um no sul e o outro no norte do continente, representam as duas cidades mais povoadas e as maiores economias da América Latina. Mas o aeroporto El Dorado de Bogotá, na Colômbia, vem crescendo muito — mesmo sendo de menor porte e estando localizado em uma cidade com pelo menos a metade dos habitantes das duas principais concorrentes. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Este crescimento fez com que, entre 2024 e 2025, ele passasse a ser o aeroporto com maior tráfego da América Latina, pela primeira vez desde sua inauguração, em 1959. Em 2024, 45.802.360 passageiros transitaram pelo aeroporto internacional de Bogotá, segundo o Conselho Internacional de Aeroportos para a América Latina e o Caribe (ACI-LAC, na sigla em inglês). O Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU), em São Paulo, deixou de ocupar a vice-liderança e caiu para a terceira posição no ranking regional, com 43.565.746 milhões de passageiros em 2024. A Cidade do México, que historicamente liderava a lista, ficou em segundo lugar, com 45.359.485 milhões. Mesmo com a queda no ranking latino-americano, Guarulhos segue como o maior aeroporto do Brasil. Seu movimento foi muito superior ao de Congonhas (23,1 milhões), que aparece em sétimo lugar, e quase o triplo do registrado em Brasília (15,1 milhões), em décimo lugar. Os números mostram ainda que Guarulhos recuperou o patamar pré-pandemia. Em 2019, o terminal havia registrado 43,1 milhões de passageiros, praticamente igual ao total de 2024. Mas a nova liderança de Bogotá não para apenas no fluxo de passageiros. El Dorado também encabeça os rankings de volume de carga aérea e de movimentação de aeronaves no continente. Enquanto as autoridades da capital colombiana comemoram o feito, analistas elogiam e, ao mesmo tempo, questionam a alta competitividade do setor e os desafios enfrentados por El Dorado. Afinal, frente ao aumento do número de passageiros, o aeroporto de Bogotá é considerado pequeno e, às vezes, burocrático. Mudança de percepção María Fernanda Sánchez recorda que, apenas 20 anos atrás, El Dorado se mostrava "pequeníssimo, como um grande casarão, pouco funcional, velho, com apenas seis ou sete portas de saída". Na época, ele estava longe de ficar de igual para igual com diversos aeroportos das capitais latino-americanas. "Hoje, há dezenas de portas, uma grande infraestrutura, modernidade, eficiência e tecnologia de ponta", declarou Sánchez à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC). Ela é especialista em turismo e diretora da consultoria Tourism Innovation Consulting. Sánchez conta que, em 2006, o governo decidiu remodelar, ampliar e transformar progressivamente o aeroporto da capital colombiana. Aeroporto El Dorado, de Bogotá, é a principal porta de entrada para a Colômbia, que vive o auge do seu setor turístico Alejandro Martínez/AFP via Getty Images Este projeto coincidiu com a transformação da percepção internacional sobre a Colômbia. Os especialistas consultados pela BBC afirmam que esta transformação caminha lado a lado com a decolagem do setor aeroportuário. "Era a época da política de segurança democrática de Álvaro Uribe [presidente da Colômbia, 2002-2010]", explica Sánchez. "O país começou a transmitir uma percepção de segurança, de que era possível visitá-lo sem que acontecesse nada de grave." A política de Uribe foi duramente criticada, devido aos relatos de abusos das forças do Estado e de grupos paramilitares frente à população civil. Mas ela reduziu os índices de violência e debilitou as guerrilhas de esquerda, que estavam em guerra contra o Estado colombiano. Em 2016, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o governo do país assinaram um acordo de paz histórico, que mudou ainda mais a percepção internacional sobre a Colômbia. "Até aquela época, para muitas pessoas, éramos apenas Cartagena, uma cidade caribenha quase considerada fora de um país taxado de violento e inseguro", relembra Sánchez. Desde então, o número de turistas que visitam a Colômbia vem aumentando, exceto pelo colapso causado pela pandemia de covid-19, e atingiu o recorde de 6,7 milhões de visitantes estrangeiros em 2024. A maioria destes visitantes entra no país pelo aeroporto El Dorado, que foi reformado e ampliado. Com sua localização vantajosa, ele ultrapassou os aeroportos mais competitivos do continente. Conectividade e economia Basta procurar no mapa as cidades de São Paulo, Bogotá e a Cidade do México e localizar alguns destinos populares para cidadãos latino-americanos — como Madri, na Espanha, Miami e Nova York, nos Estados Unidos, ou Londres — para perceber que Bogotá, aberta para o Oceano Atlântico, perto do Caribe e da linha do Equador, detém posição estratégica como porto de entrada para a América do Sul. "Estamos a cerca de três horas e meia ou menos de diversos dos principais destinos da região na América Central, do Sul e de Miami, nos Estados Unidos", defende Andrés Santamaría, diretor do Instituto Distrital de Turismo da Prefeitura de Bogotá. Altitude e localização como porta de entrada da América do Sul, tornam Bogotá uma alternativa competitiva para as companhias aéreas, que podem economizar tempo e combustível Anadolu Agency via Getty Images As companhias aéreas também aproveitam a altitude de Bogotá. A capital colombiana fica a mais de 2,6 mil metros sobre o nível do mar. É a terceira capital mais alta do continente, atrás de Quito, no Equador (2,8 mil metros), e de La Paz, a capital administrativa da Bolívia, a 3,6 mil metros. Em aeroportos situados a grande altitude, os aviões economizam tempo e combustível na decolagem e na aterrissagem, atingindo a altura necessária com mais eficiência, segundo Sánchez e Santamaría. Esta economia de tempo e combustível também pode repercutir em preços de passagens aéreas mais competitivos para os clientes, destacam os especialistas. "Com condições como estas, não surpreende que uma companhia aérea de prestígio como a Emirates Airlines tenha criado voos diários entre Bogotá, Miami e Dubai e que tantas companhias com códigos compartilhados façam escala no El Dorado", explica Sánchez. Centro de negócios e turismo O alto fluxo de passageiros mostrou às autoridades que Bogotá tem um filão turístico e de negócios para explorar. Elas acreditam que este campo pode aumentar ainda mais os números de El Dorado. Cidadãos de Bogotá acostumados a viajar ainda observam com surpresa o boom turístico colombiano e da sua capital. Eles costumavam considerar sua cidade "a capital feia da América Latina" e observavam outras cidades colombianas se tornarem mais atraentes para os turistas internacionais, como Medellín e Cartagena. "Dos mais de 45 milhões de passageiros [que passam anualmente por El Dorado], cerca de seis milhões são cidadãos estrangeiros em trânsito, o que é uma oportunidade para Bogotá", destaca Santamaría. "É algo que muitas cidades fazem ao redor do mundo: atrair passageiros para que fiquem por mais tempo e que, no futuro, pensem em Bogotá como destino turístico." Diversas empresas e instituições parecem estar se coordenando com este propósito. A empresa aérea colombiana Avianca, por exemplo, é uma das mais antigas do mundo e seu principal hub é Bogotá. Ela mantém uma estratégia chamada stopover, que oferece aos passageiros em trânsito a troca da sua passagem sem custos para as 24 horas seguintes. Empresas de turismo, transporte, hotelaria e autoridades trabalham para visibilizar mais a cidade como atraente destino gastronômico e cultural para passageiros de longa e curta permanência. Estas estratégias também são destinadas ao grande fluxo de passageiros que viajam a negócios. "Bogotá vem trabalhando há tempos no turismo de reuniões, com congressos, simpósios, cursos e encontros", afirma Sánchez. "É impressionante a quantidade de eventos acolhidos pela cidade graças ao aeroporto." "Se preciso fazer uma reunião com meus executivos, o ponto para todos na América Latina é Bogotá. Existem voos de toda a região e de aeroportos importantes da Europa e dos Estados Unidos." Os analistas apontam que, quando o aeroporto de Bogotá cresce, a cidade acompanha esse crescimento e vice-versa. "Se esta coordenação for bem implementada, ela poderia gerar mais 700 mil a um milhão de passageiros por ano no futuro próximo", calcula Santamaría. Concorrência, burocracia e infraestrutura Mas uma coisa é a intenção e outra é a realidade, que não está livre de desafios. Diversas capitais latino-americanas concorrem pelos céus do continente e a liderança de Bogotá enfrenta suas limitações. Além do aeroporto Benito Juárez, a Cidade do México inaugurou, em 2022, o Aeroporto Internacional Felipe Ángeles. Este é um fator que a própria prefeitura de Bogotá reconhece como fundamental para a redução do número de passageiros no principal aeroporto da capital mexicana e o crescimento de El Dorado no ranking latino-americano. Por outro lado, Lima, no Peru, inaugurou um novo aeroporto em maio de 2025. Sua localização é privilegiada para destinos do Canadá e da Argentina, em aviões de fuselagem estreita. E também está mais próximo de países asiáticos como a China, uma potência que vem fortalecendo suas relações de investimento e cooperação com a América do Sul nas últimas décadas. A necessidade de modernização e ampliação é exatamente o ponto que lança dúvidas sobre a liderança do aeroporto El Dorado a curto e médio prazo. "Hoje, ele consegue atender o grande número de passageiros, mas precisará ser ampliado para continuar crescendo", explica Santamaría. "É evidente. Existem planos de ampliação para 2027." Analistas indicam que El Dorado ficou pequeno para o grande volume de passageiros que passam pelo aeroporto todos os anos Getty Images Com seus dois terminais, El Dorado concorre com os dois do aeroporto Benito Juárez, na Cidade do México, mais o novo aeroporto Felipe Ángeles, além dos três terminais de Guarulhos. "Nós cresceríamos muito com a ampliação do aeroporto, mas cumprir com este objetivo a tempo é um desafio", reconhece Santamaría. "A Colômbia e Bogotá não esperavam ter esta percepção turística que se observa agora." Outras preocupações também surgem no horizonte. A primeira delas é a burocracia, que permeia praticamente todas as instituições estatais colombianas. Passageiros e analistas se queixam do longo tempo passado na imigração. Nas horas de pico, ela estende a experiência da viagem. "O boom de Bogotá e seu aeroporto ficou fora de controle na imigração", destaca Sánchez. "Existem ocasiões em que as pessoas ficam três horas paradas, esperando por um carimbo. Isso não pode acontecer." Mas ela reconhece os avanços tecnológicos, como as portas de reconhecimento biométrico. Avanços como a instalação de sistemas de reconhecimento biométrico aumentaram a eficiência do aeroporto de Bogotá, mas ainda se verificam atrasos na imigração Juan Barreto/AFP via Getty Images "Por fim, existe a segurança", acrescenta Sánchez. "A percepção é muito diferente de décadas atrás, mas percebo uma preocupação crescente, devido a casos como o recente assassinato do senador Miguel Uribe Turbay [1986-2025], ocorrido na cidade." Saberemos nos próximos meses se esses desafios prejudicam o dinamismo de Bogotá como centro turístico e aeroportuário, quando os números e rankings forem atualizados. Por enquanto, as autoridades e empresas do setor tentam maximizar esse boom. Eles esperam que seja muito mais do que uma moda passageira. Marsia Taha Mohamed, melhor chef mulher da América Latina, é fã do Brasil e de boteco

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De óculos virtual a café de açaí: como tecnologia e saberes indígenas se uniram no Glocal Amazônia 2025

Publicado em: 31/08/2025 14:27

Amazônia protagoniza evento evento de sustentabilidade em Manaus Tecnologia e tradição se encontraram no Glocal Amazônia 2025, um dos maiores eventos de sustentabilidade do país, realizado em Manaus. A programação de três dias reuniu experiências imersivas com realidade virtual, oficinas práticas, arte indígena e soluções inovadoras que mostraram caminhos para preservar a floresta e construir um futuro mais sustentável. ​​📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Entre os destaques, experiências com óculos de realidade virtual permitiu que o visitante "entrasse" na rotina de mulheres indígenas, conhecesse os desafios de comunidades ribeirinhas e visse de perto o processo de reflorestamento. "A importância foi justamente as pessoas conseguirem ter essa vivência imersiva, de estar dentro de uma história que, às vezes, está distante delas, mas que agora podem se ver nesse contexto", explicou Clarissa Hungria, gerente de conteúdo do evento. Óculos virtual permitiu imersão em floresta durante o Glocal Amazônia 2025 Rede Amazônica As inovações foram além da tecnologia. A artista Kim Puremunã, da etnia Sateré-Mawé, mostrou como a arte indígena pode carregar mensagens de conexão com a floresta. Com tinta natural de jenipapo, ela pinta grafismos tradicionais e reforça a importância da preservação. "Desde criança, aprendi com minha mãe a extrair a tinta da natureza — jenipapo, urucum. A gente usa de forma natural, preservando nossa Amazônia, que é o nosso bem mais precioso", contou Kim. Em outra ala, oficinas ensinaram como criar negócios de impacto com responsabilidade ambiental. Um exemplo foi o café feito da semente desidratada do açaí, apresentado pelo empreendedor Antônio Mota. "Não tem cafeína, glúten, lactose nem sódio. Mas tem proteína vegetal e sete minerais. É uma bebida 100% natural", explicou Antônio, enquanto oferecia o produto ao público. Com auditórios cheios e visitantes atentos, o evento, realizado em espaços como o Palácio da Justiça e o Largo de São Sebastião, buscou incentivar o diálogo entre diferentes setores da sociedade, segundo o gestor Artur Barros. "Queremos construir um futuro saudável, colocando todos os lados para conversar. Sem diálogo, não avançamos como sociedade" O secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, reforçou que a proposta era tornar o tema ambiental mais acessível "Quando as pessoas entendem como a mudança climática afeta o cotidiano, elas passam a cobrar mais do poder público e a entender quais devem ser as prioridades", declarou. Entre aprendizados, negócios e cultura, o Glocal Amazônia propôs uma imersão na realidade da floresta,com espaço também para o relaxamento, o encontro de saberes e a valorização da Amazônia viva. Primeiro dia de Glocal Amazônia 2025, em Manaus Divulgação

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Exposição em Marília leva público a viver os filmes de Billy Wilder em realidade virtual

Publicado em: 31/08/2025 14:22

Mostra em Marília convida visitantes à experiência imersiva no universo de Billy Wilder A Galeria Municipal de Artes de Marília (SP) abriu oficialmente, na última quarta-feira (20), a exposição MIS Experience 360° – O Cinema de Billy Wilder, organizada pelo Museu da Imagem e do Som (MIS Experience), em parceria com a Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal da Cultura. A mostra utiliza nove óculos de realidade virtual, que permitem aos visitantes uma verdadeira viagem no tempo pelos cenários recriados de clássicos dirigidos pelo cineasta. Além de passear pelos ambientes, o público pode ouvir narrativas com sinopses e curiosidades. O projeto é uma versão itinerante da exposição realizada originalmente em São Paulo e se apresenta como um convite à imersão no universo de Billy Wilder, unindo ineditismo e riqueza de conteúdo. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Impressão do público A recepcionista Roseli Alves Magalhães Siqueira, que trabalha no espaço, elogiou a experiência proporcionada pela tecnologia: “Eu estou achando maravilhosa, é uma experiência muito boa e incrível. Eu vi aqui no óculos 3D e consegui observar um pouco sobre os filmes. Muito bom! É uma experiência bastante legal.” Roseli testa óculos de realidade virtual e mergulha nos filmes de Billy Wilder Maycon Oliveira/TV TEM “Estamos muito felizes em receber essa exposição maravilhosa, que traz uma tecnologia inovadora. Temos aqui a utilização dos óculos de realidade virtual, que transportam o visitante para 13 salas onde aconteceram filmes desse renomado cineasta, um produtor premiado”, destacou a secretária da Cultura de Marília, Taís Vanessa Monteiro. O cineasta Billy Wilder (1906-2002) foi roteirista, cineasta e produtor norte-americano, com carreira de mais de 50 anos e mais de 60 filmes reconhecidos pelo público e pela crítica. Nascido Samuel Wilder, na Galícia (atual Polônia), mudou-se para os Estados Unidos em 1933 após a ascensão do nazismo. Sua mãe e avós foram vítimas de Auschwitz. Em Hollywood, aprendeu rapidamente o inglês e iniciou a carreira com a ajuda do ator Peter Lorre. Wilder se destacou por abordar, com humor e inteligência, temas controversos da vida moderna norte-americana. Entre os filmes exibidos na mostra estão Crepúsculo dos Deuses, Sabrina, Quanto Mais Quente Melhor, O Pecado Mora ao Lado e Se Meu Apartamento Falasse. Visitantes conferem obras expostas na Galeria Municipal de Artes de Marília Maycon Oliveira/TV TEM Visitação A exposição segue aberta ao público até o dia 20 de setembro, com entrada gratuita e classificação livre, embora seja mais indicada para adultos, adolescentes e crianças a partir de 7 anos. A Galeria Municipal de Artes fica na Avenida Sampaio Vidal, 245, piso térreo do Complexo Cultural “Braz Alécio”. O funcionamento é de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, e às segundas e sábados, das 13h às 17h. Para grupos a partir de dez pessoas, é necessário agendamento pelo telefone (14) 98195-0186. Billy Wilder - Exposição itinerante Maycon Oliveira/TV TEM Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

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Firjan IEL disponibiliza R$ 1 milhão em edital para implementar IA em indústrias do RJ

Publicado em: 31/08/2025 13:45

Edital da Firjan IEL incentiva soluções com uso de IA na indústria fluminense getty images A Firjan IEL abriu edital para destinar R$ 1 milhão a pequenas e médias indústrias do estado do Rio de Janeiro que adotarem soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA). Os recursos são não reembolsáveis e o valor será direcionado a até 20 empresas, que tenham entre 20 e 499 funcionários. Cada uma poderá receber até R$ 50 mil e terá seis meses para concluir o projeto. A seleção ocorre por meio do programa Conecta Lab, uma aceleradora voltada à inovação e ao fortalecimento da indústria fluminense. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. "O projeto oferece às indústrias selecionadas uma jornada estruturada de aceleração. As contempladas passarão por uma fase de imersão com especialistas do Conecta Lab, com foco na identificação de desafios internos e no desenvolvimento de um plano de ação para aplicação prática da IA em seus processos. Após essa etapa, as participantes que atenderem aos critérios definidos poderão seguir para a fase de implementação, com apoio financeiro direto", divulgou a Firjan IEL. As inscrições podem ser feitas até o dia 24 de outubro de 2025. O edital com todas as informações pode ser consultado no site da instituição. Podem se candidatar indústrias com propostas baseadas em Inteligência Artificial (IA), incluindo, por exemplo, machine learning, visão computacional, robótica inteligente, sistemas de recomendação, análise preditiva, entre outras aplicações reais da IA. A iniciativa busca ampliar o acesso à transformação digital e estimular o uso estratégico de tecnologias emergentes como diferencial competitivo, alinhando-se às diretrizes da Nova Indústria Brasil, da Agenda Brasil 4.0 e do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial. “Com o Conecta Lab, a Firjan IEL reforça seu compromisso em ampliar a competitividade da indústria fluminense por meio da inovação, oferecendo não apenas recursos financeiros, mas também suporte técnico e estratégico em todo o processo”, afirma Julia Zardo, gerente de Ambientes de Inovação da Casa Firjan e uma das coordenadoras do projeto. Serviço: Edital de Seleção de Indústrias da Firjan IEL (Aceleração Industrial com IA - Conecta Lab) Para quem Indústrias em operação do no estado do Rio de pequeno e médio porte Recursos R$ 1 milhão em recursos não reembolsáveis, destinados a até 20 empresas, com aportes de até R$ 50 mil para cada Prazo de inscrição Até 24 de outubro Acesso ao Edital Disponível no link: conectalab.firjan.com.br/edital Estudo da Firjan aponta que RJ pode receber mais de R$ 500 bilhões em investimentos até 2027

Formado no ITA, empreendedor de São José dos Campos recebe prêmio de inovação do MIT por desenvolver 'barco voador'

Publicado em: 31/08/2025 12:10

Lucas Guimarães recebe o prêmio 'Innovators Under 35', do MIT. Arquivo pessoal/Lucas Guimarães O empreendedor Lucas Guimarães, morador de São José dos Campos, foi um dos vencedores do prêmio 'Innovators Under 35', promovido pelo Massachusetts Institute of Technology, o MIT, uma das mais renomadas instituições de ensino em tecnologia do mundo. O prêmio internacional, que já foi concedido a nomes como Mark Zuckerberg (Meta) e Larry Page (Google), reconhece e nomeia os 35 maiores inovadores do mundo com menos de 35 anos de idade. Mestre e doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o engenheiro mecânico recebeu o prêmio neste mês, durante o Rio Innovation Week, ao lado de outros 17 jovens brasileiros. Ele conseguiu essa conquista pelo desenvolvimento do 'barco voador'. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O chamado 'barco voador' é um tipo de aeronave que irá decolar e pousar sobre rios. A princípio, o veículo será utilizado no transporte de pessoas e cargas na região amazônica. Lucas contou que tudo começou como um sonho entre amigos para a resolução de um problema regional na Amazônia, local onde ele cresceu, e que, aos poucos, está se tornando uma realidade. Lucas e seus amigos Túlio Duarte e Felipe Bortolete, fundaram a AeroRiver, startup sediada em São José dos Campos. A ideia foi pensada com o objetivo de resolver os problemas logísticos na Amazônia. Lucas Guimarães, Túlio Duarte e Felipe Bortolete são fundadores da AeroRiver. Arquivo pessoal/Lucas Guimarães Segundo o trio, a região amazônica é extensa, mas sofre com a falta de estradas e aeroportos. Por conta disso, a maior parte do transporte é feita por barcos, que são veículos muito lentos, o que deixa toda a cadeia logística bem travada, principalmente na época de seca dos rios - período em que as viagens de barco ficam inviabilizadas e não há estradas alternativas. Foi então que, no fim de 2020, quando Lucas e Felipe estavam concluindo o mestrado no ITA, Túlio ligou para parabenizá-los e fez uma provocação sobre pegar o conhecimento adquiro por eles e ajudar de alguma maneira a região Norte do Brasil. Após surgir a ideia, eles começaram a pesquisar maneiras e acabaram vendo um vídeo sobre um veículo de efeito solo - uma mistura de barco e avião, que voa sempre sobre a água, mas baixinho, a apenas 5 metros de altura. A grande vantagem desse tipo de veículo é que nessa baixa altura surge um efeito aerodinâmico chamado de efeito solo, que deixa o veículo até 40% mais eficiente que as aeronaves tradicionais. "Outra grande vantagem é a regulamentação, pois o veículo é considerado uma embarcação e não um avião", disse Lucas. Prontamente, perceberam que seria a melhor opção e começaram a projetar, com adaptações para operar na Amazônia. Protótipo do 'barco voador' projetado pelos fundadores da AeroRiver. Arquivo pessoal/Felipe Bortolete Com quatro anos de empresa, eles já têm o primeiro veículo construído em escala real. "O projeto como um todo é bem complexo. Estamos desenvolvendo um veículo que irá transportar dez pessoas ou uma tonelada de carga a 150 km/h, isso faz com que a gente tenha que ter um extremo cuidado para fazer com que o projeto seja o melhor possível, tanto em eficiência quanto em segurança", explicou o engenheiro. "Já temos um protótipo em subescala que já foi bem testado e estamos agora trabalhando para que ele seja um drone de transporte de pequenas cargas, em torno de 20 kg. Em paralelo, estamos construindo nosso veículo em escala real. Os testes dele serão feitos no começo de 2026", continuou. Lucas Guimarães contou que o sentimento de ter conquistado o prêmio é de bastante alegria e orgulho. "Recebi a premiação sabendo que o trabalho que estamos fazendo dentro da AeroRiver está sendo reconhecido, inclusive por pessoas de fora da Amazônia e até mesmo do Brasil. A gratificação veio para chancelar a seriedade da nossa missão e do nosso comprometimento em ajudar a região Amazônica, que é tão próspera, a evoluir socioeconomicamente", afirmou. Segundo o engenheiro mecânico, seus próximos objetivos são a realização dos primeiros testes do veículo de efeito solo no início de 2026 e começar a operar no fim do ano. *Estagiário Thiago Ventura colaborou sob supervisão de Alice Aires. Protótipo do 'barco voador' projetado pelos fundadores da AeroRiver. Arquivo pessoal/Felipe Bortolete Escola de negócios do MIT é referência mundial Formado no ITA, jovem de São José recebe prêmio do MIT por criar 'barco voador' Arquivo pessoal Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

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Estudante de Rondônia participa de intercâmbio educacional no Egito aos 16 anos

Publicado em: 31/08/2025 11:39

Estudante de Rondônia faz intercâmbio no Egito Arquivo Pessoal A estudante Letícia Almeida, de 16 anos, saiu de Porto Velho (RO) para viver uma experiência única no Egito. Durante um mês, ela participou de um intercâmbio voltado para ciência, tecnologia, engenharia e matemática, ao lado de jovens de diferentes países. Desde pequena, Letícia sempre foi apaixonada por viagens. Aos dez anos, começou a aprender inglês por conta própria. Com o tempo, a vontade de conhecer outros países e culturas só aumentou. Ela foi uma das cinco brasileiras selecionadas para o programa. "Quando descobri, comecei a me preparar, pesquisei sobre os processos, entrei em contato com antigos intercambistas e busquei dicas de como me inscrever e ser aprovada", diz a estudante. O programa aconteceu entre 18 de julho e 18 de agosto e ofereceu uma imersão completa, com oficinas práticas, visitas a fábricas sustentáveis e debates sobre temas atuais. Letícia visitou locais históricos como as pirâmides de Gizé e a Biblioteca de Alexandria, além de nadar no mar Mediterrâneo. “Foi um mês que pareceu muito mais longo, de tão intensa que foi a experiência. Aprendi muitas coisas que vou aplicar no meu desenvolvimento pessoal, nas relações interpessoais e na minha trajetória acadêmica”, contou. A jovem descobriu o programa em junho de 2023 e começou a se preparar antes mesmo da abertura das inscrições, que só ocorreram no fim do ano. O processo seletivo exige três redações sobre sustentabilidade, energia e diversidade, além de um texto pessoal, histórico escolar e documentos de saúde. Segundo ela, o programa valoriza não apenas boas notas, mas também o envolvimento em atividades extracurriculares e causas sociais. "Eles procuram pessoas que realmente desejam fazer mudanças. Por isso, comecei a me engajar mais com projetos sociais, inicialmente para aumentar minhas chances, mas acabei me apaixonando por essas causas. Por isso eu gosto de dizer que esse programa, já tinha mudado a minha vida muito antes de eu ter sido selecionada", afirma. Estudante de Rondônia faz intercâmbio no Egito Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM:  Feminicídios dobram em Rondônia: 17 mulheres foram mortas entre janeiro e julho Cinco réus são condenados por assassinato de procurador em Cacoal, RO; penas somam mais de 100 anos Conheça a história de outro rondoniense que também conseguiu um intercâmbio: Estudante de Rondônia é selecionado para estudar nos Estados Unidos

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Plantio de açaí com irrigação automatizada é destaque no Amazontech 2025 em Boa Vista

Publicado em: 31/08/2025 10:37

Açaí de produtor da zona rural de Boa Vista é irrigado com água mineral por sistema automatizado Ronny Alcântara/Rede Amazônica Com irrigação automatizada e uso sustentável de água mineral, uma propriedade na zona rural de Boa Vista cultiva 18 hectares de açaí e recebe o Amazontech 2025, evento sobre desenvolvimento sustentável da Amazônia. A tecnologia aplicada no campo foi um dos destaques do Amazônia Agro deste domingo (31). Dono de uma propriedade de 171 hectares, o produtor Almir Sá investiu no plantio do açaí durante a pandemia, como forma de aproveitar uma área pouco explorada da terra dele, onde a principal atividade sempre foi a produção de grama. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A primeira colheita superou as expectativas. Mesmo com o pouco tempo de cultivo, análises técnicas apontaram um rendimento superior ao de outras regiões. Atualmente, a plantação se estende por 18 hectares, com quase 15 mil pés de açaí. A expectativa é de uma colheita de cerca de 90 toneladas por ano. 💧 A área é irrigada de forma totalmente automatizada, com água mineral retirada de um poço artesiano. Sá acredita que o diferencial do produto dele está justamente na qualidade do processo de irrigação e cultivo. Almir Sá, produtor rural que investiu no açaí durante a pandemia após anos de plantio de grama Ronny Alcântara/Rede Amazônica Nós já fizemos testes produzindo suco. Na análise de quem tem experiência, o nosso rendimento foi superior aos outros da região de Roraima. A textura, a qualidade do suco também foi superior, então acho que estamos no rumo certo, garante o produtor. LEIA TAMBÉM: Agronegócio, produção rural: tudo sobre o Amazônia Agro Campo experimental testa variedades do café robusta amazônica em Roraima Pecuaristas investem em touros de alta genética em Roraima Com os resultados positivos, o produtor pensa em ampliar o negócio. O projeto prevê a expansão da plantação de açaí para até 40 hectares, o que aumentaria a capacidade produtiva e abriria espaço para novos investimentos. Esperamos atingir pelo menos 5 toneladas por hectare, então essa área vai depender do desenvolvimento da nossa adubação, afirma. Amazontech 2025 O crescimento da produção atraiu também iniciativas de inovação. A propriedade de Almir Sá vai receber atividades do Amazontech 2025, evento que reúne produtores, empresas, pesquisadores e líderes da Amazônia Legal para discutir sustentabilidade, tecnologia e desenvolvimento socioeconômico. Sistema automatizado que irriga plantação de 15 mil pés de açaí em Boa Vista Ronny Alcântara/Rede Amazônica No local, serão realizadas oficinas sobre a cultura do açaí e produção intensiva de pasto, ações que promovem a troca de experiências e fortalecem os investimentos no setor. As visitas de campo serão parte da programação do evento, e têm o objetivo de promover uma imersão no agronegócio local, como explica o Rodrigo Rosa, Analista do Sebrae em Roraima. Com essas visitações e dias de campo no agronegócio, queremos trazer uma oportunidade de demonstrar culturas, casos e experiências de sucesso do meio rural, então nada mais justo que privilegiar propriedades do entorno de Boa Vista que tenham culturas que podem ser demonstradas, justifica. Promovido pelo Sebrae, em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima (Faperr) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) o Amazontech 2025 acontece de 4 a 6 de setembro, em Boa Vista. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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Último dia da Glocal Amazônia destaca turismo sustentável e cultura no coração da floresta

Publicado em: 31/08/2025 10:06

Terceiro dia da Glocal Amazônia 2025 encerra com shows gratuitos no Largo São Sebastião Manaus se transformou em palco de discussões sobre o futuro da floresta e seu papel no mundo durante a Glocal Amazônia 2025. Foram três dias de programação intensa, encerrada na noite de sábado (30), com painéis, oficinas e atrações culturais que conectaram saberes tradicionais, inovação e sustentabilidade. O evento ocupou espaços como o Palácio da Justiça e o Largo de São Sebastião, e reuniu empresas, estudantes e comunidades em torno de temas como meio ambiente, arte e turismo sustentável. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp No último dia, o foco foi o turismo sustentável e os impactos da COP30 na região Norte. A despedida teve dança no Teatro Amazonas, roda de rap, pintura corporal indígena e feira de empreendedorismo no Largo. “O futuro é agora, e a Glocal mostra que as comunidades são essenciais nesse processo”, disse Stephanye Chaves, analista de marketing. A programação contou com painéis sobre arte, patrimônio imaterial e o papel da Amazônia como potência global. Oficinas aproximaram saberes ancestrais da tecnologia, criando pontes entre tradição e inovação. A estudante Carla Roberta acompanhou o último dia do evento e destacou a importância de estimular a consciência socioambiental nas pessoas. Extremamente importante eventos como esse que colocam a gente no pensamento crítico, será que a gente tá fazendo muito pouco pelo Amazonas”, disse. A arte urbana também teve espaço. Na batalha de rimas, jovens das periferias deram voz às suas realidades e fortaleceram a expressão cultural local. Durante a noite, o Largo de São Sebastião foi tomado pelas cor vermelha do Boi Garantido. O bumbá, atual campeão do Festival Folclórico de Parintins, resgatou toadas históricas e novos sucessos para a alegria dos brincantes, e fechou a programação. A Glocal Amazônia 2025 chegou ao fim, mas deixou um recado: pensar global e agir local é essencial para que a voz da floresta ecoe além de suas fronteiras. Glocal Amazônia 2025 aconteceu entre os dias 28 e 30 de agosto em Manaus Diego Oliveira/Rede Amazônica Boi Garantido leva multidão ao Largo de São Sebastião no encerramento da Glocal Amazônia 2025. Ruan Souza

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Escola troca professores por inteligência artificial e tem só 2 horas de aula por dia; mensalidades partem de R$ 18 mil

Publicado em: 31/08/2025 09:28

'Sem distrações. Só foco profundo', diz a Alpha School, escola americana baseada em IA Reprodução/Redes sociais Uma escola para crianças e adolescentes baseada em inteligência artificial está em expansão nos Estados Unidos: ela substitui professores por programas digitais capazes (em tese) de detectar o nível de conhecimento de cada aluno e oferecer um ensino personalizado e acelerado. 💻Por isso, na Alpha School, não há divisão de séries a partir da idade dos estudantes. E as disciplinas básicas, como matemática e inglês, ocupam apenas 2 horas por dia — o restante do tempo é preenchido por atividades de socialização e de aprendizados para a vida. 💰Estudar em uma das unidades já abertas (Texas, Flórida, Arizona e Califórnia) custa, no mínimo, 40 mil dólares por ano (cerca de R$ 217,3 mil; ou R$ 18 mil por mês). Segundo o próprio colégio, há previsão de abertura de novas filiais neste semestre, inclusive em Nova York. Abaixo, veja os detalhes de como a escola funciona: 🎓Não há mesmo professores? Não. O colégio diz que oferece guias de aprendizagem: profissionais cujo papel principal é incentivar os alunos. Sua função é identificar as necessidades individuais [dos estudantes] e oferecer suporte emocional e motivacional durante o processo de aprendizado, diz a Alpha School. Os guias monitoram o progresso dos estudantes por meio de relatórios gerados pela IA e organizam oficinas e atividades que desenvolvem habilidades para a vida, como práticas de oratória e ensinamentos sobre finanças pessoais. Eles são selecionados por sua excelente formação acadêmica e experiência em áreas como tecnologia e startups, além de sua capacidade de se conectar e motivar os alunos, afirma a instituição. Não há nenhuma menção à obrigatoriedade de licenciatura ou de graduação em alguma disciplina específica. 🕣Por que apenas 2 horas de aula por dia? Propaganda da escola reforça que aluno tem apenas duas horas de aula por dia, em vez de seis Reprodução/Redes sociais Os alunos estudam conteúdos fundamentais (matemática, ciências, leitura) entre 9h e 11h da manhã, com acompanhamento personalizado da IA. Na proposta da escola, isso seria possível porque a ferramenta identifica dificuldades e acelera o progresso acadêmico individual até o domínio completo de cada tópico. Diante da crítica ao uso abusivo de telas, a Alpha School alega que o restante do dia é dedicado à interação social, a partir de workshops, projetos colaborativos e atividades práticas com os colegas. 🧑‍🧑‍🧒‍🧒Como os alunos são motivados? A escola usa modelos de motivação individuais e coletivos, com recompensas e incentivos. A partir do desempenho de cada um e das metas atingidas, é possível ganhar tempo para atividades extras ou usar a moeda interna da escola para acessar experiências especiais. 🚸Qual é o sistema de níveis na Alpha School? A instituição oferece o equivalente ao período entre pré-escola e ensino médio, utilizando níveis baseados em habilidades específicas atingidas por cada aluno. A idade não determina o progresso; estudantes avançam nas disciplinas de acordo com suas capacidades. 💰De quanto é a mensalidade? O site oficial informa que a mensalidade da Alpha School cobre todas as atividades do estudante — incluindo viagens, materiais didáticos e eventos especiais. Como mencionado no início da matéria, a taxa anual é de US$ 40 mil dólares (cerca de R$ 217,3 mil). 📝Como funciona a admissão? Fachada da unidade de Miami Reprodução/Redes sociais É preciso preencher e enviar o formulário de candidatura e pagar uma taxa não reembolsável de US$ 100 por aluno. Depois disso, o estudante deve participar de uma Showcase (apresentação da escola) e, então, agendar o Shadow Day — um dia para vivenciar Alpha School, usando os aplicativos de IA e participando das oficinas focadas em habilidades de vida. Após o Shadow Day, a equipe de admissões revisa os resultados, os comentários da visita e discute os objetivos acadêmicos com a família. Se o aluno for aprovado, a escola faz uma oferta de matrícula. É necessário pagar um depósito não reembolsável de US$ 1.000 para garantir a vaga (o valor é descontado do total da anuidade). ✖️Quais críticas são feitas ao modelo da escola? Nos EUA, especialistas levantam questionamentos sobre: a reduzida carga horária voltada às disciplinas tradicionais (apenas 2 horas por dia); o excesso de contato com telas provocado pelo uso da IA; a robotização dos alunos, que passam a ser estimulados apenas por recompensas externas; a formação dos guias, que não necessariamente têm licenciatura ou experiência em sala de aula; os possíveis prejuízos em questões relacionadas a habilidades sociais, pensamento crítico e concentração por períodos mais prolongados; a regularidade da existência dessa escola (a falta de alinhamento aos padrões acadêmicos barrou esse modelo na Pensilvânia, por exemplo); a falta de discussões sobre diversidade e inclusão. Vídeos de Educação Celular proibido nas escolas?

'Fator Trump': a sombra do presidente americano sobre julgamento de Bolsonaro — e as consequências de eventual condenação

Publicado em: 31/08/2025 08:03

Entenda como será o cumprimento da pena se Bolsonaro e outros réus forem condenados O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação que apura sua suposta participação em tentativa de golpe de Estado, acontece em um momento de aprofundamento da crise entre Brasil e Estados Unidos. Previsto para começar na terça-feira (2/9), o julgamento é uma questão doméstica, mas a sombra do presidente americano, Donald Trump, projeta-se sobre o caso, apontam especialistas. Seja pelas declarações públicas de apoio a Bolsonaro ou pelas medidas econômicas e diplomáticas recentes de Washington — das tarifas impostas a produtos brasileiros às sanções contra ministros do STF —, a dimensão internacional do processo foi ampliada. Cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil apontam ainda que um eventual resultado desfavorável para o ex-presidente pode aprofundar ainda mais o desgaste na relação com os EUA e, possivelmente, levar a mais medidas de retaliação pela Casa Branca (leia mais abaixo). O julgamento decidirá o futuro de Jair Bolsonaro e mais sete réus que integraram seu governo. Eles fazem parte do chamado "núcleo crucial" da suposta organização criminosa que, segundo a acusação, teria tentado subverter o resultado das eleições de 2022, vencidas pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre eles, estão três generais do Exército — Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil) — e Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha. Também são réus Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Mauro Cid, e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e que fez uma delação premiada que embasa parte da acusação. Todos negam as acusações. Como os EUA 'entraram' no caso? Trump disse que 'julgamento não deveria estar ocorrendo' e que é 'caça às bruxas' contra Bolsonaro Reuters Antes mesmo de Jair Bolsonaro se tornar réu, seu filho e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) começou a acionar sua rede de contatos nos Estados Unidos em busca de apoio internacional. Ele pediu licença de seu mandato para, em suas palavras, "fazer justiça e criar o ambiente para anistiar os reféns de 8 de janeiro e os demais perseguidos que fizeram parte do governo Bolsonaro". Eduardo viajou para os EUA para a posse de Donald Trump e está no país desde então. Pelas redes sociais, documenta encontro com autoridades americanas e esforços para buscar o que chamou de "as justas punições que Alexandre de Moraes e a sua gestapo da Polícia Federal merecem" pelo que acredita ser uma perseguição ao seu pai e os demais acusados no caso. As primeiras manifestações de apoio do governo Trump aos Bolsonaro vieram por meio de declarações de integrantes de seu governo. Em abril, Jason Miller, conselheiro do presidente americano, classificou o ministro Alexandre de Moraes como uma "ameaça à democracia". Em maio, o secretário de Estado, Marco Rubio, admitiu que os EUA consideravam impor sanções contra Moraes durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados americana. Naquele momento, parlamentares norte-americanos haviam enviado cartas ao presidente Trump e ao secretário solicitando a aplicação da Lei Magnitsky, legislação que permite aos Estados Unidos punir estrangeiros acusados de violações de direitos humanos, alegando que o ministro do STF teria transformado o sistema judicial do país em uma arma política. O Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos também já havia aprovado um projeto para barrar a entrada de Moraes no país. Em 7 de julho, Donald Trump se pronunciou pela primeira vez contra o processo judicial enfrentado por Bolsonaro. Em uma mensagem em rede social, disse que "o Brasil está fazendo uma coisa terrível em seu tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro". "Tenho assistido, assim como o mundo, como eles não fizeram nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano! Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo", disse ainda Trump, sem citar nominalmente o STF ou outro órgão do Judiciário nacional. Dois dias depois, o presidente americano anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos importados pelos EUA do Brasil, a alíquota mais alta entre os países sobretaxados, e pediu o fim do julgamento de Jair Bolsonaro. A medida foi comunicada ao governo por meio de uma carta assinada por Trump e endereçada ao presidente Lula. Na mensagem, o republicano afirma que o "julgamento não deveria estar ocorrendo" e que é uma "caça às bruxas" contra Bolsonaro. Trump também citou como motivos para a imposição da tarifa elevada uma relação comercial "injusta" causada pelo protecionismo brasileiro e as decisões do STF que obrigaram plataformas de mídias sociais a bloquear usuários investigados ou acusados por cometer crimes como ameaça e apologia a golpe de Estado – segundo o líder americano, tais decisões seriam "ordens de censura secretas e ilegais". No final de julho, o governo dos EUA ainda anunciou a imposição de sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. O magistrado já estava impedido de entrar em território americano desde 18 de julho, quando Washington determinou a revogação do seu visto, de seus familiares e de "aliados". O governo Trump também revogou os vistos de brasileiros envolvidos na criação do programa Mais Médicos, quando cubanos atuaram no Brasil para suprir a falta de atendimento em áreas remotas ou periféricas do país, em mais um sinal do aprofundamento da crise. Washington também tem feito ameaças e pressão por conta da atuação do Judiciário brasileiro em casos relacionados à regulamentação das redes sociais e grandes empresas de tecnologia brasileiras. Uma investigação comercial foi aberta contra o Brasil em julho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) por, entre outras questões, supostas práticas que estariam prejudicando a competitividade das empresas americanas no setor de comércio digital e serviços de pagamento. Em um relatório que detalha a apuração, o USTR acusa a Justiça brasileira de ter emitido "ordens secretas" instruindo companhias de mídia social americanas a "censurar centenas de postagens e retirar dezenas de críticos políticos, incluindo cidadãos dos EUA, de suas plataformas por discursos legais em solo americano". A afirmação é uma referência à determinação do ministro Alexandre de Moraes para bloqueio de diversos perfis em redes sociais administrados por usuários acusados de atentar contra a democracia brasileira e o processo eleitoral, levando à invasão, em 8 de janeiro de 2023, das sedes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal. O USTR também aponta uma decisão do STF sobre regulamentação das plataformas digitais no país e um suposto favorecimento do Pix como meio de pagamento pelo governo como evidências de que o Brasil estaria prejudicando a competitividade das empresas norte-americanas. Mais recentemente, Trump ameaçou com novas tarifas "substanciais" países que mantenham regras digitais "discriminatórias" contra os Estados Unidos. O presidente não especificou quais nações poderiam ser afetadas, mas autoridades americanas fazem críticas frequentes às legislações e ações tomadas pelo Brasil e pela União Europeia (UE) para regulamentação do ambiente digital. 'Trump poderia estar na mesma situação de Bolsonaro' Bolsonaro pode ser preso mesmo sem ter assinado nada? Para Luciana Veiga, professora do Departamento de Estudos Políticos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), o apoio de Trump a Bolsonaro está ligado a um sentimento de "empatia" do republicano em relação ao brasileiro. "Os dois têm muitas similaridades entre eles e Trump provavelmente enxerga que poderia estar na mesma situação de Bolsonaro se a Justiça americana tivesse agido da mesma forma da brasileira", avalia. As similaridades e diferenças apontadas por muitos especialistas se debruçam especialmente no fato de tanto Bolsonaro quanto o presidente americano Donald Trump terem sido acusados de agir para reverter o resultado de uma eleição, divulgar informações falsas sobre fraude e incitar seus apoiadores a invadirem prédios públicos para impedir a posse de seus adversários políticos. No caso americano, Trump se tornou réu em ações estaduais e federais por suas ações após sua derrota na eleição presidencial de 2020 para o democrata Joe Biden. Segundo uma das acusações, ele teria espalhado "mentiras de que houve fraude" e conspirado para mudar ilegalmente a eleição a seu favor, levando eventualmente à invasão da sede do Congresso americano em 6 de janeiro de 2021. Trump refuta as alegações. Quando os casos foram abertos, o republicano já se preparava para ser candidato às eleições de 2024, e os processos não chegaram a ser concluídos antes de ele voltar à Casa Branca no início deste ano, após derrotar a democrata Kamala Harris nas urnas. Já Bolsonaro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023 por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros em 2022. No julgamento de setembro, o ex-presidente brasileiro é acusado de cinco crimes: liderança de organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. Os dois últimos se referem aos ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes da República. Na ocasião, milhares de apoiadores radicais de Bolsonaro, insatisfeitos com a eleição e posse do presidente Lula, invadiram e depredaram o Palácio do Planalto, o Congresso e o STF — em um episódio amplamente comparado ao que aconteceu em 2021 em Washington. Em entrevista à BBC News Brasil em julho, após o anúncio das tarifas americanas e da revogação dos vistos dos ministros do STF, Steven Levitsky, autor do best-seller Como as democracias morrem e professor da Universidade de Harvard, afirmou que Donald Trump foi convencido de que Bolsonaro está sendo injustiçado, "assim como ele acredita que foi injustiçado". "Creio que ele acredite que, de alguma forma, está fazendo justiça no Brasil", disse. Segundo Levitsky, as recentes decisões do governo americano sobre o Brasil são ações de intimidação e bullying que estão "minando" o processo democrático no país. O professor de Harvard afirmou ainda que a tentativa de interferência atual dos EUA no Brasil é mais "personalizada", "desinformada" e "arrogante" do que as ações desempenhadas pelos americanos na América Latina durante a Guerra Fria - quando Washington apoiou golpes militares que instalaram ditaduras que perseguiram e em alguns casos torturam e assassinaram inimigos políticos. "Quer concordemos ou não com a política dos EUA em 1964 no Brasil, ou em 1973 no Chile, pelo menos se tratou de uma política de Estado´[...]. Não é isso [que está acontecendo agora]. O que vemos é um capricho pessoal de Trump baseado em muita desinformação, muita ignorância e muita arrogância", disse. "Não se trata de uma política séria, mas de um país muito grande, rico e poderoso, fazendo política externa de uma república das bananas." Levitsky disse acreditar ainda que as instituições brasileiras respondem melhor às ameaças à sua democracia do que as americanas fizeram em um cenário semelhante. "Acho que hoje o Brasil é um sistema mais democrático do que os Estados Unidos. Esse pode não ser o caso daqui a um ano, mas hoje as instituições brasileiras estão funcionando melhor", afirmou o cientista político. As tarifas e a visão sobre Bolsonaro Apesar das expectativas de Jair Bolsonaro e seus aliados de que um apoio americano pudesse favorecer sua posição doméstica, os efeitos internos da interferência de Trump no caso são, até o momento, mais negativos para Bolsonaro e sua popularidade, segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil. "O vínculo entre a família Bolsonaro e Donald Trump - e as ações tomadas pelos EUA que decorreram disso - geraram um desgaste na opinião pública", aponta Luciana Veiga. Pesquisa Genial/Quaest do final de agosto mostrou que cresceu, entre os brasileiros, a percepção de que Bolsonaro participou do plano de golpe de Estado. Atualmente, são 52% os que consideram que o ex-presidente esteve envolvido na trama. Em dezembro de 2024 eram 47% e em março deste ano, 49%. A mesma pesquisa ainda mostrou que 55% dos brasileiros acreditam que a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro é justa, contra 39% que a julgam injusta. Para Veiga, as medidas de Donald Trump e a divulgação de evidências sobre o envolvimento do ex-presidente e seus aliados na tomada de decisão de Washington influenciaram nesse cenário. "A sequência de acontecimentos dos últimos meses reforçaram uma narrativa contra Bolsonaro", diz a especialista. A professora da UNIRIO ressalta especialmente o efeito da divulgação, pela Polícia Federal, dos áudios e conversas por mensagem entre o ex-presidente e seus aliados sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e um projeto de anistia. As evidências foram incluídas no relatório final de indiciamento pela PF de Jair e Eduardo Bolsonaro. Ambos foram acusados de coação (intimidação) a autoridades que atuam no processo que apura a suposta tentativa de golpe de Estado. Em um dos áudios divulgados, em um diálogo com o pastor Silas Malafaia, Bolsonaro afirma que tem mantido contato com "pessoas mais acertadas" e estabelece uma condição clara: "Se não começar votando a anistia, não tem negociação sobre tarifa". Ele ressalta ainda que tentativas isoladas de governadores em negociar com autoridades americanas não teriam sucesso. Veiga diz: "Para as pessoas que vêm acompanhando fragmentos da história, a leitura feita de tudo isso é que o ex-presidente está tentando se livrar de uma situação pessoal difícil e fazendo o país inteiro pagar". Para Silvio Cascione, diretor da consultoria Eurasia Group no Brasil, há uma associação junto ao eleitorado entre as tarifas impostas sobre as importações brasileiras e Jair Bolsonaro. Mas nada disso parece ter mudado a opinião da base de apoiadores mais fiéis do ex-presidente, aponta ele. "Para aqueles que entendem que a última eleição foi uma fraude e que todo o processo é uma perseguição, nada mudou", diz. A pesquisa Quest do final de agosto mostra que entre eleitores lulistas ou de esquerda, mais de 80% concordam com a visão de que Bolsonaro participou do plano de golpe de Estado. Já entre eleitores de direita ou bolsonaristas, mais de 70% discordam da tese. Entre eleitores de centro, 58% tem a percepção de envolvimento do ex-presidente na trama. Os dados e o crescimento, ainda que discreto, da visão negativa em relação a Jair Bolsonaro também têm tido um efeito direto na classe política brasileira, dizem os especialistas. "Ao mesmo tempo em que existe uma pressão para que o sistema político afeito a Bolsonaro mostre uma defesa contundente dele, a opinião pública está se afastando dele", diz Luciana Veiga. "Os partidos agora fazem seus cálculos sobre os custos de uma mobilização [pró-Bolsonaro]." Consequências de eventual condenação Segundo os cientistas políticos ouvidos, há uma tendência de que Bolsonaro e os demais réus julgados pelo STF sejam considerados culpados ao final do juízo. "Tendo em vista como o processo evoluiu e os sinais que vêm sendo dados, é muito difícil imaginar algo diferente de uma condenação. A dúvida que fica é em relação ao placar [de votos] e o tamanho da pena", avalia Silvio Cascione, da Eurasia Group. E se o cenário de condenação for confirmado, diz o analista, novas medidas de retaliação podem ser esperadas da Casa Branca. "O que é o desenrolar natural do processo para o Brasil será provavelmente visto pelos Estados Unidos como uma escalada", diz. "Quais medidas adicionais poderiam ser tomadas? É um exercício de adivinhação nesse caso." Cascione cita a adoção de novas sanções contra outros membros do STF ou do governo brasileiro com base na Lei Magnitsky como um caminho provável, mas não descarta a possibilidade de um aumento ainda maior na alíquota aplicada para os produtos brasileiros nos EUA. "E infelizmente não só o governo, mas até o setor privado do Brasil tem tido uma dificuldade grande de construção de canais de diálogo e engajamento [para negociar] nos Estados Unidos", diz. Indulto? Silvio Cascione afirma, porém, que se a pressão dos Estados Unidos sob o Brasil continuar até 2026, uma mudança nos rumos do governo nas eleições presidenciais poderia significar uma abertura maior para a extinção da pena e das acusações contra Jair Bolsonaro e seus aliados. O indulto é uma prerrogativa do presidente da República no Brasil prevista na Constituição, mas perdões concedidos no passado já foram anulados por ordem do STF. "A pressão dos Estados Unidos pode mudar o cálculo dentro do Supremo para permitir um indulto presidencial", avalia o diretor da consultoria Eurasia Group no Brasil. "É algo a se observar." A possibilidade de um aliado conceder um perdão presidencial a Jair Bolsonaro já foi aventada publicamente por membros do seu núcleo mais próximo. O tema também tem sido debatido nos bastidores das negociações entre o ex-presidente e potenciais candidatos à presidência no campo da direita em 2026, como seu ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Em julho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, disse que o STF deveria respeitar um indulto para beneficiar o pai. "Como é uma competência privativa do presidente da República, e a única certeza que eu tenho é a de que o Lula não será o próximo presidente do Brasil, o próximo presidente fará o indulto e espero que o Supremo respeite a Constituição. Como não tem nenhuma formalidade ilegal, nenhum vício de formalidade, não tem por que derrubar", disse ao jornal O Globo. As eleições de 2026 estão a mais de um ano de distância, mas pesquisas de intenções de voto já consideram diferentes cenários, com algumas alternativas de representantes do campo bolsonarista concorrendo contra Lula como favoritos. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada no final de agosto mostra Lula liderando uma eventual disputa pelo Palácio do Planalto com 44,1% das intenções de voto, contra 31,8% do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

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EUA revoga licença e dificulta produção de chips da Samsung e SK Hynix na China

Publicado em: 31/08/2025 06:09 Fonte: Tudocelular

O Departamento de Comércio dos EUA tornou a vida da Samsung e da SK Hynix mais difíceis neste final de semana. O órgão norte-americano revogou a licença que permitia a fabricação de chips de ambas as fabricantes sul-coreanas na China. De acordo com o diário oficial do governo americano, as empresas não terão mais as isenções a restrições abrangentes que foram criadas em 2022. Isso significa que elas terão de obter novas licenças para voltar a operar as suas instalações já existentes em solo chinês.Contudo, não será permitido às duas qualquer expansão da capacidade ou atualização da tecnologia. Apenas a manutenção das plantas atuais e de seus equipamentos. No caso da Samsung, ela foca na fabricação de chips antigos por lá, enquanto os de última geração já são produzidos na Coreia do Sul ou nos Estados Unidos.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Uberlândia deve avançar rumo às regiões leste e sul; serviços e inovação puxam mapa de crescimento

Publicado em: 31/08/2025 06:00

Cidade de Uberlândia, Avenida Rondon Pacheco Guilherme Bergamini/ALMG/Divulgação Uberlândia acorda neste domingo (31) com o vigor de quem nunca parou de crescer. Entre galpões logísticos e centros de inovação, a segunda maior de Minas Gerais celebra 137 anos como polo de serviços e uma economia que já ultrapassa os R$ 43 bilhões. A cidade continua expandindo e reafirmando seu papel como protagonista do desenvolvimento regional. Agora, com os olhos voltados para as regiões Sul e Leste, onde serviços e inovação desenham os próximos capítulos do seu mapa de crescimento. Com o setor de serviços predominando na cidade, desde janeiro deste ano a cidade recebeu mais de R$ 10 bilhões em investimentos, com expectativa de criar mais de 25 mil empregos em diversos setores da economia, incluindo a indústria, tecnologia, construção civil, agroindústria, logística e outras áreas. Os números são da Prefeitura. Para entender os caminhos do crescimento e os vetores que devem impulsionar o desenvolvimento de Uberlândia nos próximos anos, o g1 preparou esta reportagem especial com especialistas e representantes das principais entidades do setor produtivo, que ajudam a desenhar o futuro econômico da cidade. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp 🚩Uberlândia, uma cidade estrategicamente bem localizada A localização privilegiada de Uberlândia é um dos pilares que sustentam a segunda maior economia de Minas, e a dependência do país em relação a essas rodovias fortalece a economia local da cidade, segundo o economista e professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Filipe Prado Macedo da Silva. "A vantagem de Uberlândia é estar perto de São Paulo, pois concentra toda a participação industrial. E também é mais fácil subir por Brasília ou descer", destacou. O professor ainda comentou que o que atrai mais investimentos para a cidade é o seu potencial de crescimento populacional. "À medida que a cidade vai crescendo, vai atraindo investimentos. O que faz Uberlândia se tornar uma cidade polo, atraindo diversos serviços", acrescentou Prado. A malha viária também é apontada como um dos principais motores do crescimento urbano e industrial da cidade na opinião do presidente regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) do Vale do Paranaíba, José Alves. Segundo ele, o setor logístico dá impulsionamento ao crescimento da cidade rumo a três principais setores geográficos, onde se concentram as principais conexões rodoviárias com os grandes centros. "A cidade hoje tende a ter um crescimento mais forte nas zonas norte, leste e oeste, em virtude até da questão logística, já que nessas regiões estão concentrada a maior parte das rodovias que ligam as grandes cidades a Uberlândia, como Belo Horizonte, São Paulo e Brasília", comentou Alves. 💼Zona Sul x Zona Leste: concentração de oportunidades e novos negócios Quando o assunto é localização estratégica, duas regiões de Uberlândia despontam como protagonistas do crescimento urbano e econômico. A Zona Sul, em especial, tem ganhado destaque como principal vetor de expansão, segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Uberlândia (Aciub), Fábio Túlio Felippe. Ele aponta que fatores como o Polo Tecnológico Sul, a proximidade com rodovias importantes — como a BR-050 e o Anel Viário — e a expansão imobiliária têm atraído investimentos em moradia e comércio. Mas, para além da Zona Sul, o empresário comentou ao g1 que Uberlândia tem a característica de crescer em todas as direções, sendo o Setor Leste representando um dos maiores potenciais. "Observamos um dinamismo interessante na Zona Leste, impulsionada pelo crescimento residencial que naturalmente atrai serviços e comércios [...] e ainda tem ainda o setor da Granja Marileusa, que gera uma nova dinâmica com investimentos e desenvolvimento para a região leste", acrescentou Fábio. Mapa das zonas sul e leste de Uberlândia PMU/Reprodução 🖥️Serviços, tecnologia e inovação Conforme o último levantamento econômico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a base de dados de 2021, Uberlândia se destacou com o setor de serviços, que representou 66,1% da economia. Em seguida, veio a indústria com 31%, enquanto o setor agropecuário ficou em terceiro lugar com 2,7%. Veja gráfico abaixo. Apesar de serviços ainda ser a principal atividade econômica, Uberlândia vem dando claros sinais de que tem potencial para expandir sua economia para a área de tecnologia. Além dos constantes investimentos das empresas de inovação no Polo Tecnológico Sul, neste ano, foi anunciado um investimento superior a R$ 6 bilhões para a construção do primeiro Data Center de Inteligência Artificial (IA) na região sudeste do Brasil. A expectativa de criar mais de 2 mil postos de trabalho. "Tecnologia, porque é o setor do futuro. Grandes empresas da tecnologia nasceram aqui e hoje têm presença nacional. O setor tecnológico hoje está em alta", comentou Prado sobre o setor que mais deve crescer na cidade nos próximos anos. Diversidade setorial como força competitiva Para além dos recentes investimentos em inovação e tecnologia, Uberlândia mantém uma economia diversificada. O presidente da Aciub citou o agronegócio, a logística e os serviços como pilares do desenvolvimento. "Um dos pontos de destaque do desenvolvimento de Uberlândia é a sua diversificação de setores. Somos referência em agronegócio, com cooperativas e tradings que movimentam bilhões em commodities. Nossa posição geográfica estratégica nos transformou em um centro logístico nacional, com empresas escolhendo a cidade como base de distribuição para todo o Brasil", disse o presidente. Essa diversidade setorial, que posiciona Uberlândia como um polo econômico, também impõe novos desafios à cidade, especialmente no que diz respeito à infraestrutura urbana. Com o crescimento acelerado e regionalizado, torna-se essencial alinhar o desenvolvimento econômico ao planejamento estratégico, garantindo que a expansão ocorra de forma sustentável e com qualidade de vida para a população. É nesse contexto que a Aciub intensifica sua atuação, articulando com o poder público e promovendo iniciativas que fortalecem o ambiente de negócios e fomentam o empreendedorismo em todas as regiões da cidade. "Atuamos como conexão entre empreendedores, o que gera novas parcerias, oportunidades e desenvolvimento de negócios. Também oferecemos capacitações, encontros, rodadas de negócios, e diversas outras atividades e serviços que contribuem com o desenvolvimento dos negócios e das pessoas envolvidas, sejam sócios das empresas assim como seus colaboradores", complementou. LEIA TAMBÉM: Uberlândia receberá investimento de R$ 200 milhões em fábrica de cal Uberlândia receberá empreendimento logístico com previsão de 1.800 empregos Empresa americana fará aporte milionário na construção de Data Center em Uberlândia Logística a agro impulsionam crescimento Dados recentes da Fiemg mostram que Uberlândia tem registrado avanços significativos nas exportações, com maior diversificação e volume. A produção de lavouras temporárias, por exemplo, somou R$ 453 milhões, enquanto outros produtos como fumo (R$ 25,6 milhões), couro (R$ 17,6 milhões) e sementes certificadas (R$ 13,4 milhões) também ganharam destaque. A diversificação inclui ainda exportações voltadas para o abate e fabricação de carne (R$ 9,4 milhões) e eletrodomésticos (R$ 4,8 milhões), fortalecendo a economia local. José Alves acredita que a cidade deve manter seu protagonismo no crescimento econômico, continuando a ser um ator principal na região, pois é onde estão localizadas as grandes empresas do agronegócio. "A questão de Uberlândia hoje, a perspectiva da indústria é continuar crescendo e mais ainda ligada ao agronegócio, que é uma tendência nossa, da região inclusive, e com várias empresas vindo para Uberlândia, nessa área do agronegócio, de alimentação, que está muito forte", disse o presidente da Fiemg. 💰Principais investimentos de Uberlândia neste ano O ritmo acelerado de crescimento de Uberlândia tem se refletido em uma série de investimentos robustos anunciados ao longo deste ano, além da instalação de um Data Center voltado para inteligência artificial. Veja quais são: 🛒O Grupo Bahamas anunciou a abertura de mais quatro lojas com um investimento superior a R$ 71 milhões, o que deve resultar na criação de mais de 336 postos de trabalho. 🧀Em março, uma multinacional produtora de queijos confirmou que investirá mais de R$ 291 milhões na cidade. O empreendimento deve gerar 200 empregos no Bairro Distrito Industrial. 🚛Em abril, duas companhias do segmento logístico divulgaram um investimento de R$ 150 milhões na construção de um galpão a ser construído na região Leste. 🏭Já julho deste ano, a empresa multinacional belga Carmeuse anunciou um investimento de R$ 200 milhões para construir uma fábrica de cal, que criará 80 postos de trabalho. Essas são algumas empresas que anunciaram investimentos em Uberlândia, em diversos setores, o que deve resultar na criação de mais de 25 mil empregos e na atração de R$ 10,3 bilhões para a cidade. *Estagiário sob supervisão de Caroline Aleixo. ASSISTA: Uberlândia terá primeiro data center com IA de Minas Gerais Uberlândia terá primeiro data center com IA de Minas Gerais VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Exame realizado no Hospital de Amor de Barretos analisa pulmão em 10 segundos e identifica câncer em estágio inicial

Publicado em: 31/08/2025 05:03

Exame nos Hospital de Amor de Barretos identifica câncer de pulmão em estágios iniciais Uma tecnologia desenvolvida pelo Hospital de Amor de Barretos (SP) permite analisar o pulmão de forma rápida e precisa em dez segundos e indicar a presença de tumores. O procedimento é uma tomografia de baixa dose e o radiologista avalia as imagens em tempo real. O laudo detalhado é entregue em até 15 dias. 📱 Siga o g1 Ribeirão Preto e Franca no Instagram Desde 2019, quando a tecnologia foi desenvolvida, o Hospital de Amor já realizou mais de 1,6 mil exames de rastreamento de câncer de pulmão e mais de 30 pacientes tiveram a doença detectada em fase inicial, quando o tratamento tem maiores chances de sucesso. A iniciativa é voltada a pessoas de 50 a 80 anos que fumam ou já fumaram, após uma triagem médica. Pacientes diagnosticados com alterações recebem acompanhamento anual. LEIA TAMBÉM Ana Castela surpreende crianças do Hospital de Amor na inauguração de brinquedoteca Hospital de Barretos testa ferramenta com IA para facilitar diagnóstico do câncer infantil Sertanejos famosos doam milhões ao Hospital de Amor; parceria começou com Xuxa e Gugu Segundo Fabiana Vazquez, pesquisadora em oncologia e prevenção do câncer no Hospital de Amor, a prevenção é o foco principal do programa. “Mais de 90% dos pacientes que chegam com câncer de pulmão aqui são fumantes ou ex-fumantes. Identificar a doença antes do aparecimento de sintomas aumenta muito a chance de cura. Muitas vezes, apenas a cirurgia é suficiente". Exame rápido realizado no Hospital de Amor de Barretos identifica câncer de pulmão em estágio inicial Valdinei Malaguti | EPTV O hospital enfatiza que o rastreamento não substitui consultas regulares, mas é uma ferramenta importante para prevenir o avanço da doença, principalmente em pessoas com histórico de tabagismo. Diagnóstico precoce que salva vidas Alice de Fátima Rodrigues, 51 anos, começou a fumar aos 17 e só conseguiu abandonar o vício há quatro anos. No ano passado, durante um exame preventivo no Hospital de Amor, recebeu o diagnóstico de um nódulo de 2 centímetros no pulmão esquerdo. “Foi um choque imenso. Você fica imaginando 'será que vou conseguir? Será que meu caso vai ter salvação?'”, conta. Mesmo sem sintomas, o rastreamento precoce permitiu que ela passasse por cirurgia logo no início deste ano. Hoje, Alice se adapta a viver com apenas um dos pulmões e relata melhora significativa na disposição e na qualidade de vida. “O cansaço ainda existe, mas é menor do que quando fumava. Cada dia melhora mais. Agora é lutar para voltar à rotina de antes”. Alice de Fátima Rodrigues recebeu o diagnóstico de um nódulo de 2 centímetros no pulmão esquerdo Valdinei Malaguti | EPTV Tabagismo e câncer de pulmão O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que mais de 80% dos casos estão associados ao consumo de cigarro. Além disso, a doença é frequentemente diagnosticada em estágio avançado, quando as opções de tratamento são mais limitadas e a taxa de sobrevivência diminui. O rastreamento realizado pelo Hospital de Amor busca reduzir esse impacto, permitindo a detecção precoce e aumentando a chance de cura. Hospital de Amor de Barretos, SP, completa 60 anos em março de 2022 Divulgação/Hospital de Amor O exame é indicado para fumantes ou ex-fumantes entre 50 e 80 anos, após triagem médica. O Hospital de Amor recebe pacientes de todo o país e, anualmente, atende cerca de 500 casos de câncer de pulmão em estágio avançado. O atendimento é gratuito e os interessados podem entrar em contato pelo telefone (17) 3321-6600, ramais 7010 ou 7080, ou pelo site oficial do Hospital. Importância da prevenção Referência nacional em oncologia, o Hospital de Amor desenvolve diversos programas de prevenção, incluindo rastreamento de câncer de pulmão, mama, próstata e colo do útero. Fabiana Vazquez enfatiza que, quanto mais cedo a doença é detectada, maior a chance de tratamento bem-sucedido e recuperação total. “A prevenção salva vidas. Identificar o câncer ainda sem sintomas e acompanhar o paciente anualmente é uma estratégia fundamental. Quando identificamos um nódulo pequeno em alguém sem sintomas, tratamos rapidamente e o paciente pode voltar a viver normalmente com a família, filhos e netos. Isso é extremamente gratificante". Exame rápido em Barretos identifica câncer de pulmão em estágio inicial e aumenta chances de cura Valdinei Malaguti | EPTV *Sob a supervisão de Flávia Santucci Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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