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Controles do INSS para evitar descontos irregulares são 'frágeis' e 'meramente formais', aponta auditoria da CGU

Publicado em: 14/09/2025 16:32

PF prende "Careca do INSS" e recolhe mais de R$ 67 mi em bens de suspeitos de fraudes Uma auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU) afirma que eram “frágeis” e “meramente formais” os mecanismos de controle adotados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para evitar fraudes em descontos feitos por entidades associativas na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. ➡️Segundo uma investigação da Polícia Federal, associações e entidades que oferecem serviços a aposentados cadastravam pessoas sem autorização, com assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS. O prejuízo entre os anos de 2019 e 2024 pode chegar a R$ 6,3 bilhões. Quando o caso veio à tona, em abril, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido. Nesta sexta-feira (12) a Polícia Federal prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o "Careca do INSS", e o empresário Maurício Camisotti, suspeitos de envolvimento nas fraudes do INSS. Fraude no INSS: mais de 170 mil vítimas contestam as justificativas apresentadas pelas associações que retiraram o dinheiro Jornal Nacional/ Reprodução Entre outras coisas, a auditoria da CGU, divulgada em 2 de setembro, avaliou os Acordos de Cooperação Técnica (ACT) celebrados entre o INSS e as entidades associativas, para saber como era feito o acompanhamento e a fiscalização da execução. A CGU analisou uma amostra de doze processos de ACTs celebrados entre 2020 a 2024. A conclusão do relatório aponta: Fragilidade dos controles adotados pelo INSS na celebração de parcerias com as entidades. Esses controles eram “meramente formais"; Não adoção, por parte da alta administração do INSS, de medidas efetivas e imediatas para reduzir os riscos de fraudes, mesmo tendo acesso a informações de diversas fontes que sinalizavam a ocorrência de descontos irregulares; Autorização para que entidades utilizassem tecnologia própria de biometria, ignorando manifestação da Dataprev, empresa pública que desenvolve tecnologias para os órgãos governamentais. As soluções de tecnologias indicadas pelas próprias entidades não atendiam aos requisitos necessários para evitar fraudes, segundo a CGU. Contrariando normas e requisitos previstos pela Dataprev, a autorização foi concedida pelo então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em maio de 2024. Ele atendeu ao pedido das associações. “O INSS assumiu o risco de as entidades realizarem novas averbações sem a devida autorização dos beneficiários”, diz o relatório em sua conclusão. O risco se materializou, segundo a CGU: 97% dos termos de adesão aos descontos, analisados na auditoria, foram produzidos a partir das soluções adotadas pelas entidades e não tinham validação biométrica com base em dados de órgãos governamentais. Esse era um dos requisitos técnicos estabelecidos pela Dataprev. Recomendações da CGU devem ser cumpridas até dezembro A partir das conclusões da auditoria, a CGU fez oito recomendações ao INSS, que devem ser cumpridas até dezembro de 2025. Estudar a criação de um banco de registros biométricos para segurados do INSS que não possuem biometria em outros órgãos do governo; Reavaliar se o ACT é o mecanismo apropriado, considerando que há repasse de recursos do INSS para as entidades associativas; No caso de celebração de acordos, fazer análises mais robustas, seguindo a lei e as regulamentações vigentes; Revisar acordos suspensos e evitar retomar parcerias com entidades sem capacidade de atendimento; Revalidar todas as autorizações de descontos, usando ferramenta da Dataprev para cancelar os que não forem confirmados; Retirar a possibilidade de desconto autorizado apenas com documento e biometria por similaridade; Aperfeiçoar monitoramento, fiscalização e aplicação de penalidades nos acordos com as entidades; Calcular despesas e prever fonte de custeio com gestão e auditorias dos acordos. Em junho, o INSS informou uma série de medidas que vem adotando após os apontamentos da CGU. A suspensão de acordos e a devolução dos valores descontados indevidamente estão entre elas. Acordos celebrados apenas com “informações declaratórias” Segundo a CGU, em 92% dos processos analisados, o INSS considerou suficiente para a realização do acordo com a entidade apenas a previsão em estatuto de que a associação representava aposentados ou pensionistas. Em muitos casos, porém, a auditoria identificou alterações nos estatutos em datas próximas aos pedidos de celebração do acordo. Para a CGU, isso indica uma prática de adequação apenas para viabilizar a autorização dos descontos. O relatório também identificou que o INSS adotava procedimentos frágeis para avaliar a capacidade técnica e operacional das associações, considerando apenas “informações declaratórias, ou seja, produzidas e prestadas diretamente pela própria entidade ou obtidas a partir dos seus sites na internet”. INSS fazia “checagem básica de assinaturas” e ignorou alertas A fiscalização dos acordos, segundo a CGU, também era insuficiente. Isso foi constatado a partir da análise dos processos instaurados pelo INSS em 2023 e 2024. “A atuação do Instituto se limitava à verificação sobre a existência da documentação que legitimaria o desconto para cada beneficiário e em relação à completude dos dados informados, complementada por uma checagem básica de assinaturas”, diz o relatório. Nas fiscalizações iniciadas entre dezembro de 2023 e abril de 2024, a amostra de beneficiários considerada pelo INSS para checar a documentação era definida pela própria entidade interessada. “Essa fragilidade somente foi contornada a partir das fiscalizações instauradas em dezembro de 2024, cinco meses após a CGU ter recomendado a utilização de amostra com seleção efetuada pelo próprio INSS em avaliação de conformidade documental”, aponta o relatório. Por fim, a CGU identificou que o INSS ignorou diversos alertas que estavam disponíveis em sistemas do próprio Instituto e da Dataprev. As informações sinalizavam problemas na execução dos acordos, mas não eram utilizadas para “mitigar, de forma tempestiva, inclusões indevidas de descontos de mensalidades associativas na folha de pagamento”. Além disso, o INSS ignorou o aumento significativo na quantidade de demandas por serviços de exclusão de descontos. A média mensal subiu de 4.373 pedidos em 2021 para 114.685 em 2024. Já os pedidos de desbloqueio de descontos subiu de 2.711 em 2022 para 72.890 em 2024, enquanto as solicitações de inclusão de descontos apresentados pelas entidades, aumentou de 100 mil em outubro de 2021 para 1,8 milhão em março de 2024. Segundo a CGU, todos esses alertas “poderiam ter subsidiado ações de fiscalização”. Medidas adotadas pelo INSS Em junho, o INSS informou à CGU que criou uma ferramenta que permite ao segurado confirmar previamente a autorização para desconto em folha de pagamento. Desde março, essa passou a ser a única forma de inclusão da cobrança. Além disso, os acordos com as entidades foram suspensos e só poderão ser retomados após a conclusão das investigações e o ressarcimento dos segurados. Para garantir a devolução dos valores descontados indevidamente, o INSS desenvolveu uma funcionalidade de consulta e registro de cobranças irregulares pelo aplicativo Meu INSS, pela Central 135 ou em agências dos Correios. Também foram iniciadas investigações das entidades e dos agentes públicos envolvidos na fraude.

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Embalagem criada na USP Ribeirão a partir de mandioca pode ser alternativa para uso de isopor

Publicado em: 14/09/2025 15:03

USP Ribeirão cria embalagem que se desfaz em 30 dias para substituir isopor Pesquisadores do Departamento de Química da USP em Ribeirão Preto (SP) desenvolveram uma embalagem biodegradável que pode se tornar uma alternativa ao poliestireno expandido, o tradicional isopor. A nova descoberta é capaz de se decompor em até 30 dias, enquanto o isopor, tradicionalmente utilizado para armazenar alimentos para entrega, leva, no mínimo, 500 anos. O material foi desenvolvido no Laboratório de Biopolímeros Agroindustriais a partir de amido de mandioca e farinhas de sementes. Foram quatro anos até os pesquisadores chegarem ao produto. 📱Siga o g1 Ribeirão Preto e Franca no Instagram À EPTV, afiliada da TV Globo, o pesquisador Guilherme José Aguilar afirmou que a nova embalagem é totalmente sustentável e tem custo reduzido por utilizar resíduos alimentares. "Adicionando resíduo, diminuímos esse custo, porque a gente reduz a quantidade de amido de mandioca que precisa ser usada na bandeja". O processo de produção inclui a mistura dos ingredientes em batedeira, prensagem hidráulica e aquecimento em 150 °C por cinco minutos, até chegar ao formato final. O processo de produção inclui a mistura dos ingredientes em batedeira, prensagem hidráulica e aquecimento em 150°C por cinco minutos, até chegar ao formato final Ronaldo Gomes/EPTV Ainda segundo Aguilar, a bandeja não aceita qualquer tipo de alimento ou temperatura. "É melhor utilizar (a bandeja) para alimentos frescos ou até uma temperatura de até 100° Celsius". Apesar dos avanços com o estudo, a equipe ainda enfrenta desafios. A pesquisadora Maísa Mitiko Takahashi diz que uma das limitações é a absorção de líquidos, que impede a utilização do material em alguns tipos de alimentos. "Ainda precisaríamos achar alguma forma de impermeabilizar essas embalagens, para que possam ser usadas na área de alimentos". Impacto ambiental e alimentar Para a professora Delia Rita Tapia Blacido, da área de Tecnologia de Alimentos, o estudo responde uma preocupação global sobre o impacto ambiental dos derivados de petróleo. "Esses materiais não se degradam na natureza e acabam formando micropartículas que trazem danos também à saúde humana". Ainda segundo a professora, além da sustentabilidade, há um benefício nutricional nas embalagens. "Como são coloridos, eles tem compostos fenólicos e carotenoides que, em contato com os alimentos, podem fundir e enriquecer a comida com essas propriedades também". Embalagem criada por pesquisadores da USP Ribeirão é feita a partir de amido de mandioca e cúrcuma Ronaldo Gomes/EPTV Do laboratório para o comércio A expectativa é que os estudos avancem para ampliar as possibilidades de uso e viabilizar a produção em escala comercial, oferecendo uma alternativa mais sustentável às embalagens tradicionais de poliestireno. Nova bandeja biodegradável tem como objetivo substituir as marmitas tradicionais de poliestireno Ronaldo Gomes/EPTV O comerciante Robson Ziotti, dono de um restaurante em Ribeirão Preto, acredita que a mudança será inevitável. "Hoje essas embalagens biodegradáveis têm um preço elevado, mas com o tempo e novas pesquisas, vão ser bem mais em conta. Isso é um movimento que o mundo está adotando em não agredir o meio ambiente. Eu acho que no futuro todas vão ser biodegradáveis". Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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Inmet emite alerta de tempestades para 199 cidades do Paraná; veja quais

Publicado em: 14/09/2025 14:01

Instabilidade aumenta e Inmet emite alerta de chuvas intensas para mais de 200 cidades do PR; veja quais Geraldo Bubniak/AEN O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de perigo potencial de tempestade para 199 municípios do paraná neste domingo (14). O aviso é válido até às 10h de segunda-feira (15). Veja quais abaixo. O alerta atinge mais as regiões Oeste, Sudeste, Sudoeste, Centro-Sul e Norte Central. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp A previsão indica chuvas de até 50 milímetros por dia, acompanhadas de ventos intensos, que podem variar de 40 a 60 km/h. Também existe a possibilidade de queda de granizo. De acordo com o órgão, existe o risco baixo de corte no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e estragos em plantações. O Inmet orienta que, em caso de rajadas de vento, a população não se abrigue debaixo de árvores, para evitar acidentes com quedas e descargas elétricas, e que veículos não sejam estacionados próximos a torres de transmissão e placas de propaganda. Inmet emitiu alerta de perigo potencial de tempestade para 199 cidades do Paraná. Inmet LEIA TAMBÉM: Confusão mental e condições precárias: Mulher que ficou 10 anos em cárcere privado acreditava que seria morta se deixasse a casa, diz delegada Polícia: Família pede exumação do corpo de bebê que morreu após ter atendimento negado em posto de saúde Previsão para os próximos dias De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), neste domingo o estado apresenta variação de nebulosidade, com abertura de sol em algumas localidades. Entre as regiões Oeste e Sudoeste, há o registro de chuvas pontuais com raios e de intensidade moderada. "Essa condição meteorológica observada nesta manhã está associada à presença de um cavado — sistema alongado de baixa pressão — que se estende desde as proximidades do Paraguai até o Sul do Brasil", informou a meteorologista, Júlia Crepaldi Munhoz. Cidades com alerta de tempestade no Paraná Altamira do Paraná Altônia Alto Paraíso Alto Piquiri Amaporã Ampére Anahy Arapuã Araruna Ariranha do Ivaí Assis Chateaubriand Barbosa Ferraz Barracão Bela Vista da Caroba Bituruna Boa Esperança Boa Esperança do Iguaçu Boa Ventura de São Roque Boa Vista da Aparecida Bom Jesus do Sul Bom Sucesso do Sul Braganey Brasilândia do Sul Cafelândia Cafezal do Sul Campina da Lagoa Campina do Simão Campo Bonito Campo Mourão Cândido de Abreu Candói Cantagalo Capanema Capitão Leônidas Marques Cascavel Catanduvas Céu Azul Chopinzinho Cianorte Cidade Gaúcha Clevelândia Corbélia Coronel Domingos Soares Coronel Vivida Corumbataí do Sul Cruzeiro do Iguaçu Cruzeiro do Oeste Cruz Machado Diamante D'Oeste Diamante do Sul Dois Vizinhos Douradina Enéas Marques Engenheiro Beltrão Entre Rios do Oeste Esperança Nova Espigão Alto do Iguaçu Farol Fênix Flor da Serra do Sul Formosa do Oeste Foz do Iguaçu Foz do Jordão Francisco Alves Francisco Beltrão General Carneiro Godoy Moreira Goioerê Goioxim Guaíra Guaporema Guaraniaçu Guarapuava Honório Serpa Ibema Icaraíma Iguatu Inácio Martins Indianópolis Iporã Iracema do Oeste Irati Iretama Itaipulândia Itapejara d'Oeste Ivaiporã Ivaté Janiópolis Japurá Jardim Alegre Jesuítas Juranda Jussara Laranjal Laranjeiras do Sul Lidianópolis Lindoeste Luiziana Lunardelli Mamborê Manfrinópolis Mangueirinha Manoel Ribas Marechal Cândido Rondon Maria Helena Mariluz Mariópolis Maripá Marmeleiro Marquinho Matelândia Mato Rico Medianeira Mercedes Missal Moreira Sales Nova Aurora Nova Cantu Nova Esperança do Sudoeste Nova Laranjeiras Nova Olímpia Nova Prata do Iguaçu Nova Santa Rosa Nova Tebas Ouro Verde do Oeste Palmas Palmital Palotina Pato Bragado Pato Branco Peabiru Peroba Pérola Pérola d'Oeste Pinhal de São Bento Pinhão Pitanga Planaltina do Paraná Planalto Porto Barreiro Porto Vitória Pranchita Prudentópolis Quarto Centenário Quatro Pontes Quedas do Iguaçu Querência do Norte Quinta do Sol Ramilândia Rancho Alegre D'Oeste Realeza Renascença Reserva do Iguaçu Rio Bonito do Iguaçu Rio Branco do Ivaí Roncador Rondon Salgado Filho Salto do Lontra Santa Cruz de Monte Castelo Santa Helena Santa Isabel do Ivaí Santa Izabel do Oeste Santa Lúcia Santa Maria do Oeste Santa Mônica Santa Tereza do Oeste Santa Terezinha de Itaipu Santo Antônio do Sudoeste São João São João do Ivaí São Jorge d'Oeste São Jorge do Ivaí São Jorge do Patrocínio São José das Palmeiras São Manoel do Paraná São Miguel do Iguaçu São Pedro do Iguaçu São Tomé Saudade do Iguaçu Serranópolis do Iguaçu Sulina Tapejara Tapira Terra Boa Terra Roxa Toledo Três Barras do Paraná Tuneiras do Oeste Tupãssi Turvo Ubiratã Umuarama União da Vitória Vera Cruz do Oeste Verê Virmond Vitorino Xambrê Cuidados Segundo o Inmet, a população deve tomar alguns cuidados: Em caso de rajadas de vento, não se abrigar debaixo de árvores, pelo risco de queda e descargas elétricas; Não estacionar veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda; Evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada; Evitar enfrentar o mau tempo; Observar alteração nas encostas. Para mais informações a orientação é que a população entre em contato com a Defesa Civil pelo telefone 199, ou com o Corpo de Bombeiros, pelo 193. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias em g1 Norte e Noroeste.

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Em artigo no New York Times, Lula diz a Trump que Brasil está aberto a negociar, mas que 'soberania e democracia não estão na mesa'

Publicado em: 14/09/2025 11:40

Foto de Arquivo: Lula na reunião ministerial de 26 de agosto Reuters/Adriano Machado/File Photo Em artigo publicado neste domingo (14) no jornal norte-americano "The New York Times", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que o Brasil está disposto a negociar, mas que a “soberania e democracia são inegociáveis” ao Brasil. "Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta", escreveu Lula, em tradução livre. "Em seu primeiro discurso à Assembleia-Geral das Nações Unidas, em 2017, o senhor afirmou que 'nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes, não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo'". "É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos". O artigo foi publicado pouco mais de dois meses depois de Trump impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, sem abrir espaço para negociação. O tarifaço entrou em vigor em 6 de agosto, mas com uma lista de exceções. Ao justificar a elevação da taxa, Trump disse, em carta endereçada à Lula, que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) era "uma vergonha internacional". No artigo deste domingo, Lula defendeu a atuação do Supremo, que condenou de Bolsonaro e outros sete réus pela atuação na trama golpista após as eleições de 2022. “Não se tratou de uma 'caça às bruxas'. O julgamento foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar", disse Lula. "A decisão foi tomada após meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do Supremo Tribunal Federal. As autoridades também descobriram um projeto de decreto que teria efetivamente anulado os resultados das eleições de 2022”, acrescentou. Ainda no artigo, Lula reconheceu que a reindustrialização e a recuperação de empregos nos EUA são objetivos legítimos, mas criticou a adoção de medidas unilaterais, classificando-as como “remédios equivocados”. “O aumento tarifário imposto ao Brasil não é apenas equivocado, mas ilógico”, escreveu. Big techs No artigo, Lula também criticou a administração Trump de ter acusado o "sistema de Justiça brasileiro de perseguir e censurar empresas de tecnologia americanas" "Essas alegações são falsas. Todas as plataformas digitais, sejam nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às mesmas leis no Brasil", escreveu. "É desonesto chamar de censura a regulação, sobretudo quando o que está em jogo é a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra sem lei, onde pedófilos e abusadores tenham liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes", acrescentou.

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Grupo suspeito de ataque bilionário é preso pela PF ao tentar invadir sistema PIX da Caixa Econômica

Publicado em: 14/09/2025 08:55

PF prende 8 por ataques hackers contra bancos A Polícia Federal (PF) prendeu, na madrugada de sexta-feira (12), oito pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em ataques cibernéticos contra o sistema financeiro nacional. O grupo é suspeito de envolvimento em fraudes que já somam R$ 1,2 bilhão. Os policiais chegaram a um imóvel onde o grupo estava reunido no momento em que tentavam acessar indevidamente o sistema da Caixa Econômica Federal para desviar valores via PIX. No local, foi encontrada uma estação de trabalho subtraída da Caixa, que permitiria acesso privilegiado ao sistema interno da instituição, como a senhas e ao sistema do PIX. Com esse equipamento, planejavam movimentar recursos de forma ilícita. As prisões em flagrante foram confirmadas pela Justiça Federal durante audiência de custódia e, em seguida, convertidas em prisão preventiva. Os detidos têm idades entre 22 e 46 anos. Os policiais chegaram ao imóvel onde o grupo estava reunido e confirmaram que o ataque já estava em andamento. A investigação também aponta que os presos são suspeitos de envolvimento em outros dois desvios de grandes proporções: um ataque em junho contra o BMP, que gerou prejuízo estimado em R$ 800 milhões, e; outro mais recente contra uma plataforma de tecnologia ligada ao PIX, com desvio de cerca de R$ 400 milhões. Somados, os dois ataques representam pelo menos R$ 1,2 bilhão em prejuízos ao sistema financeiro. As apurações continuam para identificar outros envolvidos e mapear a extensão das fraudes. A PF investiga ainda se houve participação de pessoas ligadas a instituições financeiras. O computador dos criminosos. Reprodução

Na Mangueira, projeto transforma óleo de cozinha usado em sabão ecológico e ajuda no tratamento de esgoto

Publicado em: 14/09/2025 08:29

Projeto transforma óleo de cozinha usado em sabão ecológico e ajuda no tratamento de esgoto Um projeto social, implementado na Comunidade da Mangueira, Zona Norte do Rio, reutiliza óleo de cozinha para produção de sabões e detergentes ecológicos.  Além de ajudar na limpeza da casam os produtos também desenvolvem um papel importante para o meio ambiente.  O reaproveitamento do óleo evita a contaminação da água e do solo, e ainda promove consciência sustentável entre os moradores da comunidade. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A iniciativa é do Projeto Omìaye, do Instituto Singular. A fábrica funciona há 5 meses em um prédio dentro da comunidade e já conta com uma equipe formada por 7 moradoras. O óleo chega por meio de doações e passa por um processo de filtragem antes de virar matéria-prima. “Assim que ele chega aqui, é peneirado, depois filtrado. A gente segue uma receita fixa, só mudamos as essências para fazer o sabão”, explica Rosângela de Souza, auxiliar de produção. Óleo de cozinha vira sabão na Mangueira Reprodução/TV Globo Hoje, são produzidos dois tipos de produtos: sabão em barra e sabão líquido. Mas o diferencial está na tecnologia desenvolvida em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).  Os produtos levam microrganismos — como bactérias, leveduras e fungos — que são inofensivos à saúde humana e atuam diretamente no esgoto. “Esse sabão é diferente de todos os que você já conheceu. Ele começa a tratar o esgoto já na pia, na torneira, dentro da casa do morador”, afirma Bruno da Silva Pierre, coordenador do projeto. Segundo a coordenadora Jéssica Delgado, o impacto ambiental é significativo.  Sabão e detergente são feitos de óleo de cozinha Reprodução/TV Globo “Um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. Aqui, conseguimos produzir até duas toneladas de sabão em barra por mês e 1.500 litros de detergente.” A produção é totalmente gratuita e os produtos são distribuídos para moradores da região.  O projeto tem dado tão certo que uma nova unidade será inaugurada ainda este ano na Rocinha, também na Zona Sul do Rio.

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Corações nas penas e pólen na cabeça: fotógrafo amador revela beleza oculta da fauna da região de Sorocaba

Publicado em: 14/09/2025 08:00

Fotógrafo de SP registra a vida animal na região de Sorocaba Apesar de contraintuitivo, observar animais e registrar seus movimentos sutis tem sido um refúgio essencial para um profissional de tecnologia, que encontra equilíbrio ao mesclar o mundo digital com o encanto da natureza. Felipe Andreucci, de 48 anos, mora em São Paulo, mas aproveita o trabalho remoto de Tecnologia da Informação (TI) para percorrer cidades da região de Sorocaba (SP) em busca de momentos únicos da vida animal, eternizando seus pequenos comportamentos com uma câmera fotográfica. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "A fotografia, que começou como passatempo, hoje é parte essencial da minha vida e da forma como enxergo o mundo. Enquanto estou fotografando, eu me desconecto de tudo. Sinto uma conexão profunda com a natureza, como se o tempo desacelerasse. Às vezes basta um clique para eu sentir que o dia valeu a pena, aquele instante de luz e foco perfeito", conta. Durante a pandemia, Felipe criou um perfil no Instagram para postar fotos de suas viagens, uma forma de passar o tempo em meio a dias pesados. Foi então que um colega de trabalho lhe emprestou uma câmera. "Comecei a explorar a fotografia dentro do condomínio onde morava. Ali encontrei um pequeno refúgio: tucanos, saguis, esquilos e pôr do sol. Aos poucos, mergulhei no estudo por conta própria, acompanhando canais de fotografia no YouTube, especialmente os voltados para a natureza", conta. Com o tempo, o tecnólogo foi adquirindo equipamentos melhores até chegar a uma câmera profissional. Com uma máquina capaz de capturar imagens de longa distância com precisão e perfeição, passou a registrar e publicar suas fotos nas redes sociais. "Foi nessa fase que percebi o impacto transformador da fotografia na minha saúde mental. Uma verdadeira combinação entre técnica, olhar e bem-estar. Descobri que fotografar era mais que um hobby: funcionava como uma válvula de escape diante da rotina estressante da tecnologia. Desde então, cada final de semana se tornou uma oportunidade de conexão com a natureza. Alguns lugares visito apenas uma vez; outros acabam se tornando reencontros frequentes". Durante suas viagens, o tecnólogo encontrou na fotografia amadora uma forma de se afastar da Internet. Em uma seleção especial, o g1 reuniu imagens capturadas na região pelo fotógrafo, que também recordou o contexto em que foram imortalizadas. Veja as imagens abaixo. Pica-pau-verde-barrado Fotógrafo registra pica-pau com manchas em formato de coração em Sorocaba (SP) Felipe Andreucci Uma de suas fotografias mais famosas é a do pica-pau-verde-barrado com manchas em formato de coração, registrada no Parque Campolim, em Sorocaba. O tecnólogo contextualiza que, naquele dia, desceu do carro e planejou métodos para atrair o animal. "Peguei o celular, abri o aplicativo Merlin e coloquei a vocalização. Para minha surpresa, ele apareceu e pousou bem perto de mim. Assim consegui registrar os cliques. Na edição, veio outra surpresa: ao dar zoom no pica-pau, encontrei vários corações na sua plumagem", relembra. Beija-flor-de-peito-azul Beija-flor-de-peito-azul é fotografado com pólen na cabeça em Sorocaba (SP) Felipe Andreucci Com a cabecinha coberta por pólen, o profissional conta que registrou um beija-flor-de-peito-azul ainda no mesmo parque. Segundo o profissional de TI, no local, existe um canto cheio de flores de Caliandra, que são carregadas de pólen. "Essa imagem viralizou bastante no Instagram. O beija-flor-de-peito-azul estava com a cabeça praticamente toda coberta de pólen. Não acreditei quando fui olhar a imagem, porque não tinha percebido isso na hora do clique", diz. Euglossa Fotógrafo registra euglossas no Jardim Botânico de Sorocaba (SP) Felipe Andreucci No Jardim Botânico de Sorocaba, Felipe fotografou as Euglossas, também conhecidas como abelhas das orquídeas. Segundo o fotógrafo, o inseto possui o corpo brilhante e metálico, o que faz muitas pessoas confundirem com a mosca-varejeira. "No jardim existe uma plantação de boldo. Muitas vezes encontro a abelha Euglossa, voando entre as flores e fazendo a polinização. Fotografá-la é sempre um desafio, já que está quase sempre em movimento. Mas, ocasionalmente, ela me dá uma chance. Fica paradinha na minha frente ou tão concentrada em coletar o pólen que consigo fazer o clique", conta. Borboleta asa-de-vidro Fotógrafo registra borboleta asa-de-vidro em Cabreúva (SP) Felipe Andreucci Intrigante e de asas transparentes, Felipe conseguiu capturar o momento em que uma borboleta asa-de-vidro pousa em uma folha, em Cabreúva (SP). De acordo com ele, avistar esse inseto é um acontecimento extremamente raro. "Fui fazer uma trilha numa fazenda já no final do caminho, avistei a borboleta. O guia que me acompanhava ficou impressionado, disse que há muito tempo queria ver essa espécie e ainda não tinha conseguido. Então preparei a minha macro com o meu difusor e fiz a foto desse encontro raro", relembra. Maritaca Fotógrafo registra maritacas em Sorocaba (SP) Felipe Andreucci Bastante comuns em Sorocaba, as maritacas também foram registradas por Felipe em diferentes ocasiões. No Parque Campolim, ele conta que encontrou a ave pousada nos galhos de um pé de amora. Já em um sítio mais afastado da região urbana, o tecnólogo relata ter avistado um casal de maritacas trocando carinho. "Os periquitões sempre aparecem no Parque Campolim para se alimentar, muitas vezes em silêncio. Sempre que passo, procuro com atenção no meio do verde, que se confunde com a cor deles. E sempre consigo encontrar alguns aproveitando as amoras", explica. "Estar em rede social mostrando a natureza às vezes me abre portas para conhecer lugares novos. No fim da tarde, enquanto caminhava pelo sítio, vária maritacas começaram a chegar em uma árvore próxima. Entre tantos, dois deles chamaram minha atenção. Ficaram trocando carinho e eu não perdi tempo. Passei cerca de meia hora fotografando esse momento especial", relembra. Tucano-toco Fotógrafo registra Tucano em Itatiba (SP) Felipe Andreucci Usando o zoom da câmera, Felipe também fotografou um tucano-toco no Zoológico de Itatiba (SP). Ele conta que, pelas imagens, conseguiu capturar cada detalhe do animal, que se assemelha a uma verdadeira pintura. "No Zoo de Itatiba é possível viver uma experiência de imersão com os tucanos. Essa conexão de pertinho me permitiu observar cada detalhe e resultou nessa imagem com bastante nitidez, destacando toda a beleza do tucano", diz. Coruja-buraqueira Fotógrafo registra coruja em Jundiaí (SP) Felipe Andreucci Em Jundiaí (SP), o tecnólogo revela que memorizou o local onde algumas corujas-buraqueiras vivem. Ao passar pela área, registrou uma delas olhando fixamente para a câmera. "Sempre que vou a Jundiaí, passo para visitar umas corujinhas. Na minha opinião, ali acontece o melhor pôr do sol da cidade. E o mais incrível é que o sol fica bem de frente para elas, trazendo uma luz perfeita para fotografar e filmar", diz. Sagui Fotógrafo registra sagui em Jundiaí (SP) Felipe Andreucci Também em Jundiaí, Felipe registrou o momento em que um sagui desce de uma árvore em um parque da cidade e mostra seus pequenos dentinhos. Segundo ele, é comum avistar esses animais subindo ou descendo pelos troncos. "Esse da foto resolveu descer e ficou bem perto de mim, como se estivesse brincando de esconde-esconde. Em um desses momentos, colocou o rostinho para fora e mostrou os dentes, rendendo um clique", relembra. Cachorro-do-mato Cachorro-do-mato é registrado por fotógrafo em Jundiaí (SP) Felipe Andreucci Ainda na cidade, o fotógrafo relembra que foi surpreendido quando dois cachorros-do-mato surgiram de uma tubulação. Assim como as outras fotografias, os animais foram eternizados em sua câmera fotográfica. "Eles surgiram da tubulação e seguiram caminhando tranquilamente até se deitarem na grama. Foi um daqueles encontros inesperados que só a natureza oferece", diz. Abelha-africana Fotógrafo registra abelha-africana em Sorocaba (SP) Felipe Andreucci Semelhante ao beija-flor, a abelha-africana foi registrada com as “perninhas” cobertas de pólen no Jardim Botânico de Sorocaba. Segundo o tecnólogo, as abelhas armazenam o fertilizador nas corbículas, pequenas cestinhas localizadas nas patas traseiras do inseto. "Lá existe a flor chamada Echinacea, que atrai muitas abelhas. Quase sempre encontro elas com as corbículas cheias de pólen. As corbículas servem para transportar o pólen coletado nas flores", explica. Fotógrafo coleciona imagens de animais da região de Sorocaba (SP) Felipe Andreucci Felipe Andreucci fotografa diversos animais pela região de Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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Médico perde 80 kg, publica livro nos EUA e compartilha trajetória contra a obesidade: 'pode ser vencida'

Publicado em: 14/09/2025 06:08

Marcelo Bechara perdeu 80 kg após começar a estudar sobre obesidade Arquivo Pessoal O médico clínico e cirurgião-geral Marcelo Bechara, de 45 anos, passou mais da metade da vida lutando contra a obesidade. Ao reconhecer que enfrentava uma doença, começou a estudá-la e mudou de vida: perdeu mais de 80 kg e transformou a própria história em inspiração para pacientes e livros. “Sou a prova viva de que a obesidade é uma luta que pode ser vencida. Desde então, minha missão é levar saúde e qualidade de vida aos meus pacientes”, afirmou o especialista, que atua em uma clínica própria de Medicina Integrativa em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Há um mês, Bechara se tornou o primeiro médico brasileiro a lançar um livro na Biblioteca Pública de Orlando, nos Estados Unidos. A obra 'Obesidade – O saber e a inovação curam patologias' agora faz parte do acervo permanente da instituição. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Ao g1, o médico disse que o feito fortalece a literatura médica brasileira em espaços culturais internacionais. “A população mais obesa do mundo é a americana, e o mercado americano é conhecido como o mercado do futuro”, explicou. Médico perde 80 kg, publica livro nos EUA e conta trajetória contra a obesidade Luta contra obesidade Bechara chegou a pesar 170 kg e começou a enfrentar a obesidade ainda na adolescência. Passou por bullying, constrangimentos e dificuldades, como não conseguir entrar em um carrinho de montanha-russa em um parque de diversões. “Foram inúmeras tentativas frustradas de emagrecimento, desde o uso de medicamentos até as dietas mais restritivas”, lamentou o cirurgião. Em 2018, Bechara optou pela cirurgia bariátrica. Na época, ele pesava 160 kg e chegou a eliminar 50 kg com o procedimento. No entanto, o médico voltou a engordar dois anos depois porque não desenvolveu hábitos saudáveis. "Ao perceber que estava perdendo a qualidade de vida e até deixando de lado momentos simples, como brincar com as minhas filhas, entendi que estava na hora de mudar”, explicou o cirurgião, dizendo que foi quando reconheceu a obesidade como doença. "Hoje, por meio da medicina, entendo que o tratamento se baseia em entender todo o organismo, incluindo a mente, os hábitos e, claro, a alimentação”. O médico começou a contar com ajuda de medicamentos para combater a compulsão alimentar e adotou uma rotina de alimentação saudável, além de fazer exercícios físicos, com musculação e cardio. Segundo ele, o tratamento é um protocolo completo, pois só o uso de remédios não faz efeito, além de ser perigoso à saúde sem um acompanhamento profissional. Com a nova rotina, Bechara chegou aos atuais 87 kg, melhorando significativamente a qualidade de vida. Em 2023, ele inaugurou a clínica de Medicina Integrativa para proporcionar aos pacientes cuidados que vão além do tratamento de doenças, promovendo melhora no bem-estar. Marcelo Bechara lutou contra obesidade por aproximadamente três décadas Arquivo Pessoal Livros e lançamento nos EUA Em maio deste ano, Bechara lançou seu primeiro livro: 'A Chave do Emagrecimento'. "[Ele] narra a trajetória de 30 anos lutando contra a obesidade e vários episódios marcantes da minha vida”, explicou. Já a segunda obra, 'Obesidade – O saber e a inovação curam patologias', conta com uma linguagem um pouco mais técnica para abordar os tratamentos e as abordagens multidisciplinares. De acordo com Bechara, o livro busca traduzir a ciência de forma clara, conscientizar sobre os riscos da obesidade e inspirar outros profissionais brasileiros a fazerem a diferença na vida dos pacientes. “Hoje temos muitas tecnologias que ajudam os pacientes a perder peso e a vencer a obesidade, como os medicamentos, por exemplo. Essa evolução toda elimina as populares dietas restritivas. O livro também fala um pouco sobre as tecnologias que estão previstas para o futuro”, disse o médico. O lançamento em Orlando ocorreu em julho, junto com outras sete obras de brasileiros, todas da Editora Suardi. A CEO, Giselle Suardi, explicou que foi o primeiro evento com livros brasileiros na biblioteca. Marcelo Bechara lançou livro “Obesidade – O saber e a inovação curam patologias” nos EUA Neto Soares "Eles [da biblioteca] ficaram surpresos, pois lá não tem nenhum registro de livros em português. Então tivemos esse feito pela primeira vez”, celebrou. A editora atua no Brasil e nos Estados Unidos, e pretende expandir para a Europa. “A iniciativa surgiu para fortalecer a carreira dos escritores no exterior e trazer conteúdos riquíssimos de profissionais, como Bechara, para dar oportunidades as pessoas de receberem o conhecimento”, explicou. Médico Marcelo Bechara escreveu livro sobre obesidade após lutar contra doença Neto Soares Segundo o médico, o lançamento foi muito produtivo. “Até achamos que os americanos são mais ‘frios’ do que os brasileiros, mas muito pelo contrário, o livro foi muito bem recebido”. Bechara ressaltou ter sido uma honra fazer parte do evento, considerado por ele marcante e histórico. VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

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Queijo com maracujá? Conheça o Passionata, receita criada em laboratório, que ganhou prêmios internacionais

Publicado em: 14/09/2025 06:00

Entre Serras e Queijos - 2ª temporada EPTV Você já imaginou experimentar um queijo com sabor de maracujá? A fruta, símbolo brasileiro, que normalmente aparece em sucos e sobremesas, virou ingrediente de uma receita premiada no Paraná. O Passionata, como foi batizado, é feito com leite de vaca, leva sementes da fruta e flores de calêndulas no acabamento, e já está entre os melhores queijos do mundo. A EPTV Sul de Minas, Afiliada Rede Globo, exibe neste mês de setembro o programa "Entre Serras e Queijos", que mostra a história e as curiosidades da cultura queijeira. Nesta 2ª temporada, viagens, tradições e premiações que mostram por que o queijo é paixão nacional. A ideia nasceu no Biopark, em Toledo, no oeste paranaense. Foi lá que Kennidy de Bortoli, queijeiro responsável pelo desenvolvimento do produto, decidiu apostar na ousadia. “Foi através do Passionata que a gente viu que a tecnologia queijeira brasileira é extremamente rica. Não precisamos trazer só referências europeias para cá para ter um queijo de altíssima qualidade”, explica. Queijo com maracujá? Conheça o Passionata, receita criada em laboratório, que ganhou prêmios internacionais Devanir Gino/EPTV O Passionata passa por um processo de maturação que dura cerca de 40 dias. Mas o detalhe que faz toda a diferença está escondido dentro da massa. “É um segredo que eu não posso revelar hoje, mas sim, a gente inclui maracujá no processo produtivo. Quando você mastiga, sente o sabor ali dentro”, diz Kennidy. Do Brasil para o mundo Em 2024, o queijo garantiu ao criador o título de melhor queijeiro do Brasil em um concurso em São Paulo. Pouco depois, chegou ao World Cheese Awards, realizado em Viseu, Portugal, considerado o “Oscar dos queijos”. O Passionata surpreendeu: foi o primeiro queijo brasileiro a chegar à final, ficando em nono lugar entre mais de 4 mil concorrentes de 50 países. Além disso, conquistou o título de melhor queijo da América Latina. “Nós disputamos em Portugal com queijos de pessoas que produzem há 150 anos. Para quem está começando, tivemos sucesso não só com o Passionata, mas também com outros dois queijos que ficaram entre os melhores do mundo. Isso não é trivial”, comemora Kennidy. Queijo com maracujá? Conheça o Passionata, receita criada em laboratório, que ganhou prêmios internacionais Devanir Gino/EPTV Paixão até no nome O Biopark onde nasceu o Passionata, é um projeto idealizado pelos empresários Carmen e Luiz Donaduzzi, que se apaixonaram pelos queijos quando estudaram na França. “Aprendemos a gostar do queijo e descobrimos que existem diferentes tipos. Aí pensamos: por que não podemos fazer isso aqui? Por que não transferir tecnologia para produzir? E o resultado está aí”, conta Luiz. No laboratório do Biopark, o Passionata segue seu ciclo até o ponto ideal de maturação. E enquanto o sabor fica guardado para os próximos lotes, Carmen resume a trajetória em uma palavra: paixão. “Nós temos o sonho, nós respiramos queijos. Isso que é o legal". Queijo com maracujá? Conheça o Passionata, receita criada em laboratório, que ganhou prêmios internacionais Devanir Gino/EPTV Veja tudo sobre o Programa "Entre Serras & Queijos"

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Por que peças da Linha 4-Amarela do Metrô quebradas em descarrilamento vêm da França

Publicado em: 14/09/2025 06:00

Linha 4-Amarela continua com operação parcial pelo 3º dia após descarrilamento O descarrilamento de um trem da Linha 4-Amarela, entre as estações Vila Sônia e São Paulo-Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, deixou parte da operação prejudicada desde terça-feira (9). Apesar do susto, ninguém se machucou fisicamente. O problema, no entanto, não tem data para ser solucionado. Quatro dias depois, a circulação ainda ocorre em via única, com velocidade reduzida e maior intervalo entre as viagens. A retomada completa só deve acontecer quando peças do sistema de sinalização, o CBTC — fabricadas sob encomenda na França — chegarem à capital paulista. Segundo a concessionária ViaQuatro, que administra a linha, essas peças não ficam em estoque porque são produzidas e configuradas para cada trecho da via. Não há previsão de prazo para chegar à capital paulista. 🔎 O que é CBTC? É o sistema de sinalização que conecta trens e centro de controle por rádio. Na Linha 4-Amarela, permite a operação sem maquinista, automatizando partidas, paradas e abertura das porta Na Linha 4-Amarela, ele opera no nível máximo de automação, em que não há condutor na cabine. Todo o processo é automatizado: partida, parada e abertura das portas nas estações. Essa tecnologia é a base que viabiliza a operação de trens sem maquinista, reduzindo falhas humanas e garantindo maior regularidade na circulação. O g1 explica abaixo os pontos principais do caso: Trem da linha 4-amarela descarrilou em SP TV Globo O que aconteceu no descarrilamento? Um dos trens se soltou da composição que circulava entre Vila Sônia e São Paulo-Morumbi e saiu dos trilhos. O sistema de sinalização detectou a falha e acionou automaticamente a parada do trem, evitando uma tragédia. “Essa questão da segurança é muito importante porque quem parou esse trem foi o sistema de sinalização. Quando ele detectou que tinha alguma irregularidade, já deu o comando de parada. Isso foi super bom porque acabou não causando nenhuma vítima”, disse Antonio Marcio Barros Silva, diretor de operações da Via Quatro. Por que as peças precisam vir da França? O sistema de sinalização da Linha 4 é o CBTC (sigla em inglês para Controle de Trens Baseado em Comunicação). Ele funciona a partir de equipamentos espalhados por toda a extensão da linha, que se comunicam com antenas instaladas nos trens e com o centro de controle operacional. Cada equipamento é fabricado e programado de acordo com as características específicas do trecho em que está instalado. Por isso, não é possível usar uma peça de outro ponto da linha como substituta. Segundo a ViaQuatro, não há peças em estoque justamente por conta dessa personalização. Quando ocorre uma falha grave, é preciso solicitar diretamente ao fabricante internacional. A ViaQuatro não informou qual é o nome da empresa, tampouco o prazo para as peças ficarem prontas e chegarem ao Brasil para os reparos começarem. Ou seja, não se sabe quando o problema será resolvido. Dá para ter essas peças em estoque? De acordo com o engenheiro Peter Alouche, que trabalhou por 35 anos no Metrô de São Paulo, a resposta é não. “Não dá. Não é fabricação em série. Cada metrô automático, como Hong Kong, Paris e Lyon, tem seu projeto específico de sinalização. Não é coisa de prateleira”, afirmou ao g1. Alouche explica que a Linha 4-Amarela utiliza o sistema CBTC e que, como alguns dos equipamentos que ficam instalados ao longo da via foram danificados com o descarrilamento, vai levar tempo para consertar. “São componentes específicos que precisam ser refabricados para serem instalados. Vai levar tempo”, disse. Qual a consequência da falta dessas peças? Sem os equipamentos de sinalização, a operação plena e circulação normal dos trens é afetada, porque os trens não podem circular com controladores, somente de maneira automatizada. “Sem esses equipamentos a ViaQuatro, que opera sem condutor, não tem possibilidade de operar no trecho danificado”, explica Alouche. Por isso, a linha segue funcionando em via única e com intervalos maiores. Quando a linha volta ao normal? Ainda não há previsão de prazo. A concessionária diz estar em contato direto com o fabricante para acelerar a entrega. Segundo a ViaQuatro, assim que os equipamentos chegarem, as equipes de manutenção podem instalar e retomar a operação normal em pouco tempo. Até lá, a Linha 4-Amarela segue operando parcialmente, com impacto direto na vida dos passageiros. Entre as estações São Paulo-Morumbi e Vila Sônia, a via que segue em direção ao Centro permanece interditada. Com isso, os trens que vão para a Zona Sul circulam nos dois sentidos. O intervalo no trecho chega a 5 minutos — mais que o dobro do restante da linha.

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MG terá o primeiro laboratório de reciclagem de ímãs de terras raras do Hemisfério Sul

Publicado em: 14/09/2025 05:00

MG terá o primeiro laboratório de reciclagem de Ímãs de terras raras do Hemisfério Sul O primeiro laboratório de reciclagem de superimãs de terras raras do Hemisfério Sul deverá entrar em operação no final de 2026, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram A estrutura irá operar por meio de uma associação entre a mineradora Viridis, que está em processo de licenciamento para a exploração de terras raras no Brasil, e a Ionic, que detém tecnologia para a separação de óxidos de terras raras de materiais. Superimãs são utilizados em equipamentos dos setores energético, médico e de transporte. Reprodução/TV Globo O processo funciona como uma mineração urbana que utiliza ímãs em fim de vida útil, que foram utilizados de diversos tipos de equipamentos, como aparelhos de ressonância magnética, veículos elétricos e aerogeradores. Este material passa por um processo de separação dos elementos de terras raras que são novamente captados com alto grau de pureza e podem ser reutilizados. “Esse ímã vai passar por um processo de separação de todos os elementos terras raras que contém lá dentro e a gente consegue também trazer esse material separado em óxidos, com uma vantagem de um alto grau de pureza, que permite que a gente consiga reaplicar esses óxidos na manufatura de um novo ímã. É um modelo totalmente voltado para a economia circular”, afirmou o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Viridium, empresa dona do laboratório, Gabriel Longo. O neodímio é um dos elementos terras raraas empregado para fabricar os poderosos ímãs Getty Images via BBC O novo empreendimento terá capacidade para reciclar mais de 30 toneladas de ímãs por ano, o que deve gerar 10 toneladas de elementos de terras raras. O material gerado pelo laboratório será destinado ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa, também em Minas Gerais, que é o primeiro laboratório-fábrica de ligas e ímãs de terras-raras do Hemisfério Sul. LEIA MAIS: Corrida por terras raras: descoberta de jazida em MG atrai mais de 100 pedidos de mineração Cratera de vulcão em MG pode suprir 20% da demanda global por terras raras, minerais estratégicos cobiçados pelos EUA 'Terras raras': jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil na liderança da transição energética 'Terras raras' são ponto-chave na geopolítica mundial, e Brasil tem potencial na área; entenda MP investiga pedidos de licença ambiental para exploração de terras raras no Sul de MG Separação e refino Amostras de argila e solo com terras raras retiradas em Minas Anova Mineração RCO Mineração A pedra fundamental do novo laboratório foi lançada na sexta-feira (12) no terreno de 2.071,35 m² no Distrito Industrial, que foi doado pela prefeitura, por meio do programa "Avança Poços". Com um investimento de R$ 51 milhões, o empreendimento deverá gerar 50 empregos e tem o objetivo de atender toda a América Latina. O processo que será aplicado no Brasil foi testado na planta da Ionic em Belfast, capital da Irlanda do Norte, e dará um fim sustentável aos ímãs que, até o momento, não têm uma destinação adequada. “Esses ímãs, em algumas ocasiões, foram para empresas que fabricam vergalhão de ferro para ser fundido, o que é uma grande perda, porque a gente está falando de um material extremamente rico e, em alguns casos, pararam em aterros, o que também é uma pena, além de incorrer em alguns outros prejuízos e problemas”, afirmou Longo. O novo laboratório deverá receber, inclusive, os equipamentos resultantes da desativação do Maglev-Cobra, trem de levitação magnética do Rio de Janeiro, que deve gerar toneladas de material para ser processado. Na Viridium também serão testados os processos de separação dos minérios de terras raras da argila iônica que será extraída da na mina que será construída pela Viridis na caldeira de Poços de Caldas. “Essa tecnologia de reciclagem é um processo igual, mas com menos complexidade que separar o carbonato de terras raras da argila. Na reciclagem de ímãs, você tem dois, três componentes de terras raras. São normalmente fáceis de separar. Quando você pega o carbonato (produto produzido na mina), ele tem todos os 17 elementos de terras raras. Então a complexidade é maior, mas o método é o mesmo. A gente vai usar essa mesma tecnologia para iniciar a oferta de óxidos que virão da mina”, explicou o gerente da Viridis, Klaus Petersen. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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Garimpeiros usam explosivos e aliciam jovens em terra indígena de Roraima, denunciam moradores

Publicado em: 14/09/2025 04:00

Garimpo ilegal ameaça a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima Lideranças indígenas de Roraima denunciam que garimpeiros ilegais têm devastado a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, inclusive com o uso de explosivos, e submetido jovens das comunidades a condições semelhantes à escravidão. Segundo o Conselho Indígena de Roraima (CIR), ao menos 500 invasores atuam na região. As comunidades mais atingidas são Napoleão, Tarame, Raposa I, Raposa II, em Normandia, e Urucá, em Uiramutã. O CIR cobra medidas do governo federal. 🌄 A Raposa Serra do Sol é a segunda maior terra indígena do Brasil em população, de acordo com o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é um instituto (IBGE). Mais de 26 mil indígenas dos povos Macuxi, Taurepang, Patamona, Ingaricó e Wapichana vivem na região, demarcada pelo Supremo Tribunal Federal. ⛰️ O território, com 1,7 milhão de hectares que abrangem os municípios de Normandia e Uiramutã, fica na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana. A região é formada por montanhas e serras, como a Serra de Pacaraima, na fronteira entre os três países, e o Monte Roraima, um dos pontos mais altos do país. O relevo, com platôs e nascentes, concentra rios e rochas ricas em minerais, o que atrai a ação do garimpo ilegal. Segundo o CIR, os garimpeiros atuam com: Uso de explosivos, compressores e bombas para quebrar rochas nas serras, além de moinhos para separar a terra do ouro — esse é o principal método de exploração; Escavações manuais com picaretas, pás e outras ferramentas para abrir crateras em busca do minério; Em menor escala, há o uso de motores de médio porte nos leitos de igarapés e rios, com aplicação de mercúrio para separar o ouro dos sedimentos. O g1 esteve nas comunidades Tarame e Raposa II, onde os acampamentos dos garimpeiros ficam a poucos quilômetros. Na Tarame, com cerca de 50 moradores, o tuxaua (liderança indígena), de 40 anos, que preferiu não se identificar, falou sobre a mudança no modo de exploração praticado pelos garimpeiros, que se tornou mais agressivo, com uso de tecnologias. "Eles começaram manual, depois passaram a usar explosivos. Montaram compressores e bombas, e aí a gente viu que a situação está se agravando. Todo mundo ouve as explosões, chega o chão treme. Acorda todo mundo", detalhou a liderança. Perto de Tarame, a reportagem flagrou um acampamento com maquinário, fiação elétrica, ferramentas e buracos recém-abertos (veja imagem abaixo). Infográfico - garimpo na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima Arte/g1 Jovens aliciados Na comunidade Raposa II, com 150 moradores, um ex-tuxaua relatou que adolescentes são atraídos ao garimpo com promessas de pagamento, mas trabalham em condições degradantes, apenas para pagar dívidas com alimentação. "Ouvi relato de um rapaz que foi obrigado a descer 100 metros de profundidade [em buraco aberto na serra] para tirar pedra e subir de novo. Ele me disse: ‘Não temos outra opção’. Para mim, isso se parece com escravidão", contou. "Eles passam o tempo todo quebrando pedra, fazem dívidas, compram fiado e trabalham apenas para pagar a alimentação. Uma refeição lá chega a custar R$ 100", afirmou. De acordo com ele, a presença de garimpeiros traz degradação ambiental e social, pois jovens são afastados dos costumes indígenas e, ao mesmo tempo, incentivados a consumir drogas e bebidas. O morador também destaca que igarapés e lagos da região estão contaminados por mercúrio. "O igarapé e os lagos onde pescamos estão contaminados com mercúrio. Em pouco tempo, talvez não possamos mais comer peixe", afirmou. Garimpeiros vieram da Terra Yanomami, diz CIR O CIR acredita que parte dos garimpeiros tenha sido expulsa da Terra Yanomami, a cerca de 300 quilômetros de distância. As denúncias de moradores também incluem prostituição, consumo de drogas e ameaças de morte. "São garimpeiros que foram expulsos da Terra Indígena Yanomami e agora estão visando outros territórios indígenas, como a Raposa Serra do Sol", disse o coordenador geral do CIR, tuxaua Amarildo Macuxi. O governo federal afirmou, por meio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Casa do Governo, que está ciente das denúncias, mas não detalhou quais ações de combate estão sendo colocadas em prática. O Ministério Público Federal (MPF) disse que instaurou um inquérito civil em 2023 para acompanhar a atuação do poder público e que recentes ações de combate foram resultado de recomendações do órgão. Em junho, a PF prendeu 10 pessoas em uma operação contra o garimpo e destruiu uma balsa. Depois, fechou um laboratório clandestino que funcionava para tratar ouro extraído da Raposa Serra do Sol. Ameaças de morte e sumiço de animais O tuxaua da comunidade Tarame relatou que tentativas de diálogo com os garimpeiros foram ignoradas. De acordo com ele, desapareceram animais da comunidade, que vive da criação de gado e da agricultura familiar. Além disso, os invasores ameaçam ataques em caso de operação militar e moradores têm medo de circular perto das serras. "Nosso vaqueiro tem medo de andar sozinho perto da serra por causa das ameaças. Já tivemos sumiço de animais e acreditamos que tenha relação com eles", afirmou. As lideranças suspeitam que parte dos animais esteja sendo furtada pelos garimpeiros para consumo, enquanto outros fogem assustados com o barulho das explosões. Uma professora, de 44 anos, que preferiu não se identificar descreveu a situação como "insustentável": "Antes nunca tivemos esse tipo de convivência. Agora, essa presença só traz destruição para nós, para as crianças, para nossos filhos e netos. Essa é uma terra conquistada com muita luta pelos nossos pais. Peço justiça às lideranças maiores". Garimpo ilegal ameaça povos que vivem na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima Igarapé com água barrenta Na comunidade Urucá, em Uiramutã, o garimpo também alterou o igarapé da região. A prefeitura enviou ofício à Funai e ao MPF relatando assoreamento, alteração do curso da água e perda de vegetação. Imagens anexadas no ofício mostram a água barrenta, com areia acumulada nas margens e buracos que mudaram o fluxo do igarapé. O levantamento foi feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo. Igarapé Urucá com água barrenta por atividade garimpeira, em Uiramutã Reprodução/Defesa Civil Conselho cobra plano permanente O CIR prepara um relatório com os impactos do garimpo e cobra do governo federal um plano permanente de proteção ao território. "Não adianta operação isolada. Enquanto o Estado não tiver um plano permanente de fiscalização e proteção do território, o garimpo vai continuar se espalhando", disse Amarildo Macuxi. Moinho usado por garimpeiros para extrair ouro ilegalmente na Terra Indígenas Raposa Serra do Sol Josivan Antelo/Rede Amazônica O que dizem os órgãos citados Funai A Funai informou que está ciente das invasões e das denúncias de aliciamento de indígenas. Disse que um novo plano de ação está em elaboração para reprimir os crimes e desenvolver projetos de futuro, como o etnoturismo. Em entrevista à Rede Amazônica, a ministra Sonia Guajajara afirmou que o governo federal monitora a situação e prepara novas ações contra o garimpo ilegal na Raposa Serra do Sol. MPF O MPF informou que instaurou um inquérito civil em 2023 para monitorar a atuação do poder público. Disse que operações recentes são resultado direto das recomendações do órgão e que novas estratégias dependem de relatórios em andamento. Casa de Governo, da Casa Civil A Casa de Governo, que coordena ações contra o garimpo em territórios indígenas, confirmou que recebeu as denúncias do CIR e as repassou à Polícia Federal. Ibama O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que deflagrou, em junho, a aperação Xapiri-Omama para combater o garimpo na Raposa Serra do Sol. A ação teve o apoio da PF, Funai das Forças Armadas, e resultou na apreensão de equipamentos usados no garimpo. Além disso, constatou danos ambientais em rios e áreas de floresta. O órgão disse que o monitoramento do território é constante. Polícia Federal A Polícia Federal não respondeu até a última atualização desta reportagem. O Exército informou que o tema deve ser tratado com a Casa de Governo. Veja fotos do garimpo na Raposa Serra do Sol Comunidade Tarame, na Raposa Serra do Sol Caíque Rodrigues/g1 RR Cratera feita por garimpeiros ilegais em serra na Raposa Serra do Sol Josivan Antelo/Rede Amazônica Acampamento de garimpo nas proximidades da comundiade Raposa II, na raposa Serra do Sol Caíque Rodrigues/g1 RR Professora de 44 anos reclama da presença de garimpeiros na comunidade Tarame, na Raposa Serra do Sol Caíque Rodrigues/g1 RR Danos causados pelo garimpo ilegal no território da Raposa Serra do Sol Divulgação/CIR Acampamento de garimpeiros no Vale do Cavalo, na comunidade do Tarame, Raposa Serra do Sol Caíque Rodrigues/g1 RR Crateras feitas por garimpeiros ilegais na Raposa Serra do Sol, em Roraima Divulgação/CIR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo

Publicado em: 14/09/2025 04:00

Agricultores apostam no uso de drones A tradição anda lado a lado com o progresso na Fazenda Uliana... Ou melhor, ela voa! A propriedade localizada em Brejetuba, na Região Serrana do Espírito Santo, passou a usar drones para otimizar o cuidado contra as pragas. Com a tecnologia, a família passou a economizar dinheiro e tempo. Isso porque o aparelho ajudou a reduzir as horas gastas com aplicação de inseticidas. Na propriedade, a pulverização das plantas em uma área de um hectare durava até dois dias para ficar pronta. Agora, com o aparelho, em apenas seis minutos o mesmo tamanho de área plantada recebe os produtos, dando agilidade aos processos. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O uso desses equipamentos só foi possível graças a uma nova profissão que surgiu dessa demanda: o operador de drones especiais para a agropecuária. A Fazenda Uliana possui 500 hectares plantados com café arábica, então o tempo economizado representa uma grande mudança. Se tivesse que aplicar os inseticidas a mão, o proprietário gastaria mil dias para completar todo o processo. Com o drone, são gastos apenas dois dias. Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo. Espírito Santo. TV Gazeta Tecnologia e tradição A tecnologia dos drones veio para se somar aos ensinamentos que foram passados por quatro gerações da família, que desde o início se dedica à plantação de café. No entanto, os equipamentos que levantam voo não são iguais aos pequenos drones vistos na cidade. Com 4 metros, 8 hélices e capacidade de carregar até 40 litros ou 50 quilos, a aeronave consegue sobrevoar por até dez minutos. O tempo é o suficiente para aplicar os defensivos em até dois hectares. LEIA TAMBÉM: POLÊMICA: Quem é professora suspensa após declarar que ganha mais com vídeos no Privacy e OnlyFans do que em sala de aula NOVIDADE? Você conhece a juçara? Árvore da Mata Atlântica produz fruto semelhante ao açaí e palmito Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo. Espírito Santo. TV Gazeta Na fazenda, o aparelho vem sendo utilizado há algum tempo, adiantando desde o plantio até a colheita. Ao todo, 200 famílias trabalham no local, e, ainda assim, era difícil cuidar de uma área desse tamanho, segundo Ângelo Uliana, produtor rural e proprietário das terras. "Uma das maiores dificuldades, entre outras, é pulverizar, por ser uma região que tem um declive muito acentuado. Para pulverizar, meu avô usava uma (máquina) de cobre, depois veio a tecnologia, até motorizado, um atomizador que a gente falava, só que é um negócio muito bruto. Fazia um trabalho perfeito, só que espalhava muito, tinha muito contato com o ser humano. Depois, veio o costal, em seguida, o pressurizado", explicou Ângelo. Melhora no campo A chegada dos drones trouxe um novo marco no campo: o trabalho de pulverização mais rápido, com menos risco à saúde (uma vez que os funcionários são menos expostos aos produtos) e organização. Esses detalhes são atrativos oferecidos pelo drone ao setor agrícola, que sempre vem buscando na tecnologia um avanço na produção. Para Darcy Junior, vice-presidente da Associação Espírito Santense de Drones Agrícolas (Aesda), as máquinas voadoras também estão ajudando a alcançar os resultados que o mundo do agro deseja. Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo. Espírito Santo. TV Gazeta Inclusive, segundo ele, atingindo resultados nunca antes vistos em plantações de café e em outros tipos de cultivos. “Só em números positivos, comecei ver que ele faz um bom trabalho. Deu resultado. A eficiência da aplicação do drone é melhor do que a mão de obra humana", disse Ângelo Uliana. Retorno financeiro Além de bons resultados na lavoura de café, Ângelo destaca um ótimo retorno financeiro. Isso porque a pulverização por hectare custa, em média, R$ 180. O valor é ainda mais vantajoso para quem tem grandes plantações. Já que, com o uso de bombas costais, na mesma área, o trabalho pode durar até dois dias e custar R$ 400. “Então, o ganho final é financeiro mesmo, porque você vai ter um aumento de produção com um custo igual ou um pouquinho menor do que você fazendo manual. Realmente, a lavoura respondeu. O custo de início acaba assustando a pessoa devido ao valor do custo. Mas depois, o produtos vê que tem resultado", frisou Ângelo. Investimento capixaba Os drones vêm auxiliando não só os Uliana, mas também muitas outras regiões do Espírito Santo. A presença de maquinário volante no campo cresceu tanto que o estado se tornou o sétimo com maior número de operadores do aparelho em todo o Brasil. O investimento vem marcando presença no setor empresarial. Até o mês de agosto deste ano, 75 empresas capixabas de serviços aéreos agrícolas já se cadastraram no sistema integrado de produtos e estabelecimentos agropecuários do Ministério de Agricultura e Pecuária (MAPA). Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo. Espírito Santo. TV Gazeta Para organizar todo esse crescimento, no começo deste ano foi criada a primeira Associação Espírito Santense de Drones Agrícolas (Aesda), que reúne 28 empresas e 24 pilotos habilitados. O vice-presidente da Aesda, Darcy Junior, contou que a tecnologia utilizada ajuda ainda em um outro problema enfrentado no campo: a falta de mão de obra. "A escassez de mão de obra existe no Espírito Santo, mas não só aqui, no Brasil inteiro. Além disso, existe a situação da nossa região, que é muito declivosa, causando dificuldade de pulverizar. Por isso os drones são importantes e começamos com essa aposta, lá em 2019", destacou Junior. O negócio se expandiu de forma surpreendente e hoje as aeronaves prestam outros tipos de serviço além da pulverização. "O drone é um caminho sem volta para a agricultura de precisão. Temos drones de monitoramento, de acompanhamento, de planejamento da gestão da propriedade. Temos um de multiespectral que detecta praga, doença, déficit hídrico, falha de plantio, conseguimos fazer contagem de planta... E tudo isso para assessorar o produtor da melhor maneira possível", detalhou o vice-presidente da Aesda. Novo mercado Os drones abriram uma oportunidade não só para o mercado agropecuário como para o de trabalho. Isso porque pessoas vêm mudando de profissão por interesse na pilotagem das aeronaves. Entre elas está Luana Machado, que cuida da pulverização na fazenda Uliana. Na profissão há pouco mais de cinco anos, a pilota cuida de pelo menos oito propriedades por semana nos municípios de Brejetuba, Muniz Freire e Alegre. "Geralmente, a gente faz o planejamento, para não se perder. Aí, a gente consegue fazer tudo, o plano de voo vai seguindo, e a gente não se perde", explicou Luana. Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo. Espírito Santo. TV Gazeta A nova profissão também atraiu a atenção de Filipe Machado de Oliveira. Ao terminar a faculdade de agropecuária, Machado já embarcou no curso de aplicador aéreo agrícola. Agora, só faltam seis meses de aulas práticas no campo para de fato começar a mover o drone no ar. "Vai ser muito importante, porque hoje está difícil para ter mão de obra na zona rural. E uma coisa nova que eu achei muito interessante, e aí resolvi começar a trabalhar nessa área. Até conhecer, eu nunca imaginaria essa tecnologia. Agora, eu já vejo que é extremamente importante. Cada vez mais vai crescer no mercado, sempre com tecnologia mais avançada", reforçou. Gerações Hoje, a fazenda Uliana é comandada por Ângelo Neto ao lado da esposa, Rozane e dos filhos do casal. Já conta até com a participação dos genros. Apesar da nova geração estar participando da organização, tudo só existe devido ao fundador Ângelo. Há oito décadas, ele comprou as terras e começou o que se tornaria a Fazenda Uliana. O espaço passou dele para o filho, que deixou de herança para Ângelo, que hoje cuida, desfruta e batalha para manter as plantações bem cuidadas. "A agricultura na nossa família tá no sangue. É uma devoção, é uma força de vida, é uma coisa que te leva para frente. É uma coisa que te faz levantar de madrugada e dormir cedo. É muito gratificante", detalhou o proprietário. Fazendas economizam tempo e dinheiro com uso de drones na pulverização e impulsionam nova profissão no campo. Espírito Santo. TV Gazeta E é a força desse amor que faz com que o investimento na propriedade seja cada vez maior. E não só para ter retorno com a lavoura, mas também pelo que a fazenda representa para a família: afeto, carinho, parceria e legado familiar. “Meu avô, que eu não conheci, e meu pai, são pessoas que foram à frente do seu tempo. Pessoas visionárias que queriam ver o mundo diferente e ver o crescimento não só deles, queriam ver o crescimento de todo mundo junto”, lembrou Ângelo. VÍDEOS: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

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Huawei Pura 90?! Empresa quer lançar celular com bateria acima de 7.000 mAh

Publicado em: 14/09/2025 03:20 Fonte: Tudocelular

A Huawei deve seguir suas principais concorrentes e começar a apostar em baterias de alta capacidade em seus celulares topo de linha. A previsão é de que essa mudança seja implementada em 2026. Segundo informações levantadas pelo Digital Chat Station, a série Mate 80 deste ano já começa a dar indícios dessa nova estratégia ao adotar 6.000 mAh. Mas, o próximo carro-chefe da Huawei - que provavelmente será o Pura 90 - deve ultrapassar a barreira dos 7.000 mAh graças ao uso da tecnologia de silício-carbono.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Os trabalhos que vão crescer ou encolher até 2034, segundo o 'IBGE' dos EUA

Publicado em: 14/09/2025 03:00

g1 em 1 Minuto: Começar carreira ganhando R$ 13 mil - Veja 10 profissões com maiores salários de entrada Um estudo sobre o futuro do mercado de trabalho revelou os setores que mais devem gerar empregos até 2034. A pesquisa foi feita pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, equivalente ao IBGE no Brasil. O levantamento aponta que mudanças estruturais, como o envelhecimento populacional e a transformação digital, devem impulsionar profissões ligadas à saúde, assistência social, serviços científicos e técnicos, tecnologia da informação e mídia digital. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Embora baseado na realidade americana, especialistas afirmam que as tendências também se refletem no Brasil, ainda que em ritmos diferentes. Segundo a consultora de carreiras Taís Targa, o envelhecimento da população e o avanço tecnológico afetam tanto EUA quanto Brasil. Porém, questões políticas, sociais e econômicas atrasam os impactos por aqui. Confira a lista com os setores que devem crescer ou encolher até 2034: Saúde e assistência social (+8,4%) Serviços profissionais, científicos e técnicos (+7,5%) Informação -TI, mídia digital, telecom (+6,5%) Artes, entretenimento e recreação (+5,1%) Serviços públicos (+4,9%) Gestão de empresas (+4,4%) Construção (+4,4%) Hospedagem e alimentação (+3,9%) Comércio atacadista (+3,4%) Finanças e seguros (+3,4%) Imobiliário e aluguel (+3,3%) Transporte e armazenamento (+3,0%) Outros serviços - exceto administração pública (+2,9%) Serviços administrativos (+1,1%) Agropecuária e pesca (+0,1%) Educação pública e privada (+0,1%) Indústria de transformação (0%) Governo (-0,1%) Comércio varejista (-1,2%) Mineração, petróleo e gás (-1,6%) O grande destaque é saúde e assistência social. Com a média de idade da população subindo e o aumento de doenças crônicas, cresce a demanda por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, cuidadores e profissionais de apoio — tanto em hospitais quanto em serviços domiciliares e de longa permanência. Na sequência vêm os serviços profissionais, científicos e técnicos. A demanda é puxada por inteligência artificial, análise de dados e softwares integrados à rotina de empresas e governos. Consultorias, pesquisas e serviços especializados também ganham espaço. O setor de informação também se destaca, incluindo telecomunicações, mídia digital, serviços de dados e software. A popularização do streaming, o consumo de conteúdo online e a busca por internet rápida sustentam a expansão de 6,5%. Construção, transporte e armazenamento também devem crescer. No transporte, o e-commerce aumenta a demanda por motoristas, operadores de armazém e profissionais de logística. Hospedagem, alimentação, artes e entretenimento acompanham a retomada pós-pandemia e novas formas de consumo. Por outro lado, setores como comércio varejista e mineração tendem a encolher. No varejo, o avanço do e-commerce e da automação reduz a demanda por vendedores em lojas físicas. Na mineração, robôs e drones tornam a operação mais eficiente, mas com menos mão de obra. E o Brasil? Ao aplicar essas projeções ao Brasil, é preciso cautela. Segundo Taís Targa, apesar das semelhanças em tecnologia e envelhecimento populacional, o país enfrenta barreiras adicionais. “Questões políticas, sociais, econômicas e burocráticas tornam as mudanças mais lentas no Brasil. Não sei se os impactos da transição energética, por exemplo, serão sentidos no médio prazo”, afirma Targa. Ela acrescenta que, em média, o Brasil adota novas tendências com cerca de cinco anos de atraso em relação aos EUA, embora o avanço tecnológico recente possa reduzir essa diferença. Outro fator é o custo da mão de obra: com salários mais baixos, nem sempre compensa para as empresas substituir pessoas por tecnologia. “Implementar soluções digitais ou automatizadas é caro e depende também de infraestrutura energética. Por isso, o Brasil pode não reproduzir exatamente os números projetados para os EUA”, completa Targa. Além de saúde e tecnologia, a transição energética também deve transformar o mercado de trabalho. É mais uma área que o Brasil pode se sair bem. A maior demanda por eletricidade, o avanço dos carros elétricos e a expansão de data centers e da inteligência artificial tornam as energias renováveis um dos setores mais promissores da próxima década. Fontes como energia solar, eólica e geotérmica devem crescer rapidamente, impulsionadas por compromissos ambientais e pela busca por segurança energética. Alternativas como energia das marés também devem gerar vagas para engenheiros, técnicos de manutenção e operadores de sistemas. A fabricação de baterias e componentes elétricos também ganha destaque, com potencial de gerar quase 50 mil novas vagas de trabalho. Como a projeção foi feita O levantamento foi elaborado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), agência oficial do governo americano responsável por acompanhar o mercado de trabalho. As projeções são revisadas anualmente e servem como cenário de referência, não como previsão absoluta. O estudo parte de um cenário de pleno emprego, sem crises econômicas inesperadas, e considera tendências históricas de produtividade, avanços tecnológicos já consolidados e mudanças demográficas. Segundo o BLS, a economia americana deve gerar 5,2 milhões de empregos líquidos até 2034, uma expansão de 3,1%. Embora mais lenta que na década passada, a projeção mostra como mudanças sociais, tecnológicas e ambientais vão moldar o futuro do trabalho. Crescimento no setor de saúde e assistência social está diretamente relacionado ao envelhecimento da população Getty Images