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UFSC desenvolve 1º satélite 100% nacional lançado do Brasil para monitorar o clima; veja data

Publicado em: 12/11/2025 05:31

Veja as características dos satélites da UFSC que serão lançados no espaço 🛰️O Brasil vai lançar, até o fim de novembro, o primeiro satélite com tecnologia 100% nacional. Desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, o equipamento será usado para coletar dados ambientais (confira abaixo sobre o lançamento). O satélite faz parte de uma constelação criada para monitorar e coletar dados ambientais em todo o país. Por serem menores, esses equipamentos podem integrar o sistema brasileiro de coleta de dados, usado para prever o tempo e acompanhar mudanças ambientais. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O projeto foi desenvolvido por professores e alunos no Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais (SpaceLab), da UFSC. A aluna Maria Eduarda EmilianR ezende, do curso de engenharia mecânica, destacou a troca de experiências entre diferentes áreas como um dos pontos fortes do projeto. "A gente atua em diversas áreas. Tem o pessoal da engenharia elétrica, eletrônica, materiais, mecânica, eu sou da mecânica. Então acho que é uma troca muito interessante, principalmente para a gente poder crescer dentro da engenharia", disse a aluna Maria Eduarda Emiliano Rezende. O trabalho começou há cinco anos e agora está na fase final, com o lançamento em órbita previsto para este mês. O sucesso foi tão grande que a UFSC conseguiu incluir um segundo satélite na mesma missão, o que vai ampliar os testes da nova tecnologia. 🚀Lançamento A Força Aérea Brasileira prevê o lançamento para o dia 22 de novembro. Ao todo vão ser cinco satélites e três experimentos no mesmo foguete. De Florianópolis, os satélites foram levados para base de Alcântara, no Maranhão, de onde vão ser lançados. Uma parceria com a agência espacial brasileira e uma empresa privada da Coreia do Sul vai garantir que o lançamento seja feito sem custos para a universidade. Confira os detalhes do lançamento: 🚀os satélites vão ser lançados em um foguete, a cerca de 300 km de altitude 📅eles vão ficar cerca de 4 semanas do espaço 🌎os satélites vão dar 19 voltas ao redor da Terra, coletando dados 🔎De lá as informações voltam para a universidade para o processamento e rastreamento "A gente tem um acesso remoto à estação de Natal, estação terrestre deles, e a gente consegue se comunicar com ela e ter esse acesso, ao os dados aqui, fazer todo o processamento, todo o rastreamento do satélite. A gente processa os dados e armazena aqui", explicou a mestranda em engenharia elétrica, Victoria Beatriz Bianchini. Satélites feitos pela UFSC têm entre 1 e 2 kg, enquanto tradicionais pesam meia tonelada Reprodução/NSC TV Leia também: Cidades de SC cancelam aulas por alerta vermelho e previsão de ciclone VÍDEO: Avião desce 'de lado' durante pouso por causa do vento forte em aeroporto Ciclone extratropical coloca SC em alerta vermelho 🔎Monitoramento Todo o equipamento é feito na universidade, incluindo o projeto das placas, software e a parte mecânica. O objetivo é validar o uso de satélites menores para monitorar temperatura, umidade e outras variáveis ambientais. Esses dados vão ajudar, por exemplo, a prevenir eventos extremos, como as enchentes. "Existem estações de coleta de dados ambientais, estações meteorológicas, espalhadas por todo no Brasil e a nossa ideia é usar uma tecnologia desenvolvida no Brasil também para fazer essa coleta de dados", explicou Eduardo Augusto Bezerra, professor do SpaceLab. O modelo desenvolvido na UFSC pesa entre um e dois quilos, enquanto satélites tradicionais chegam a meia tonelada. Segundo os pesquisadores, a compactação permite equipamentos mais modernos, leves e econômicos. O menor deles têm 10 centímetros. Na sala onde os satélites são manuseados, os pesquisadores usam roupas especiais e luvas para evitar qualquer tipo de contaminação no equipamento. "A gente não pode deixar nada de impureza entrar no case e também precisa garantir que durante o transporte, por conta de toda a turbulência, o satélite tenha interferência. Por isso todas essas espumas e proteções", explicou o pós-graduando em engenharia elétrica João Cláudio Elsen Barcellos. Pesquisadores usam roupa especial e caixa com espumas para proteger satélites Reprodução/NSC TV VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Palavras-chave: tecnologia

Sistema com IA prevê nível dos rios no AM com até 30 dias, podendo antecipar secas e enchentes

Publicado em: 12/11/2025 05:05

Sistema com IA prevê nível dos rios no AM com até 30 dias, podendo antecipar secas e enchentes Marcelo Dutra/Rede Amazônica Uma tecnologia desenvolvida no Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre (LabClim), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), está ajudando a prever o comportamento dos rios da região com o apoio da inteligência artificial (IA). O sistema, criado por alunos e pesquisadores do laboratório, calcula a variação das cotas dos rios com até 30 dias de antecedência. O modelo utiliza redes neurais, uma forma de IA inspirada no funcionamento do cérebro humano, para "aprender" a dinâmica natural dos rios, analisando séries históricas de dados de cota, chuvas e outros fatores. As informações são cruzadas com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), além de bancos meteorológicos e hidrológicos mantidos pelo próprio laboratório. A equipe multidisciplinar do LabClim, formada por meteorologistas e geólogos, trabalha na coleta, atualização e análise dos dados. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A partir desse conjunto de informações, o sistema projeta o nível das águas para as próximas semanas, com erro médio inferior a 2%, segundo os pesquisadores. "A rede neural funciona como o cérebro humano. Cada neurônio processa as informações que recebe, como cotas e índices de chuva, e, com o tempo, o modelo aprende o comportamento do rio”, explicou Diogo Gomes dos Santos, aluno de Engenharia de Computação da UEA e responsável pelo desenvolvimento do projeto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O estudante testou dois tipos de redes neurais: Multilayer Perceptron (MLP) e Long Short-Term Memory (LSTM) para comparar o desempenho e a precisão de cada uma. "Como o nível do rio é uma série temporal, o modelo consegue prever o que vem depois com base nos dados anteriores”, disse o aluno. Antes de entrar em operação, cada nova previsão gerada pela IA passa por um processo de simulação e validação. Os pesquisadores comparam os resultados obtidos com dados reais. Quando há diferença significativa, o modelo é ajustado e reprocessado para aumentar a confiabilidade das projeções. Inicialmente aplicado ao Rio Negro, em Manaus, o sistema está sendo expandido para outras bacias, como os rios Madeira, Solimões e Amazonas. Hoje, ele gera previsões de até 30 dias, com precisão considerada alta para a complexidade dos fenômenos naturais da região. Apoio direto Os resultados das simulações feitas no laboratório já são utilizados em boletins e relatórios que abastecem o sistema de informações do governo do estado. Os dados ajudam órgãos de gestão ambiental, logística e defesa civil a se anteciparem a períodos de estiagem ou cheia, que impactam desde o transporte fluvial até o abastecimento de comunidades ribeirinhas. "É uma IA criada dentro da UEA, no Amazonas, com potencial de apoiar tanto o poder público quanto o setor privado. Ela contribui para o planejamento da logística, do transporte, da agricultura e de ações emergenciais”, afirmou o coordenador do LabClim, professor e doutor em meteorologia, Francis Wagner. Além de integrar o sistema de monitoramento estadual, a equipe prepara o lançamento de um aplicativo próprio, previsto para os próximos meses. A ferramenta vai reunir informações de chuva, temperatura e nível dos rios em tempo real, permitindo que qualquer pessoa, de gestores a ribeirinhos, acompanhe as previsões diretamente pelo celular. Atualmente, as previsões do laboratório são divulgadas a cada 15 dias em boletins disponíveis no site e nas redes sociais do LabClim. "A ideia é que o modelo evolua para previsões cada vez mais detalhadas e acessíveis, permitindo que as comunidades e o poder público consigam agir antes que os impactos climáticos sejam sentidos”, completou Francis. Tecnologia com DNA amazônico A iniciativa reforça o papel da ciência produzida na Amazônia para enfrentar desafios típicos da região. Com o avanço das mudanças climáticas e a intensificação de fenômenos como El Niño e La Niña, o uso da inteligência artificial tem se mostrado essencial para antecipar eventos extremos e reduzir prejuízos ambientais e econômicos. "É uma tecnologia feita aqui, por gente daqui, voltada para resolver problemas do nosso território", resumiu o professor. Equipe do LabClim que conta com meteorologistas e geológos Marcelo Dutra/Rede Amazônica Doutor em Meteorologia e coordenador do LabClim, Francis Wagner Marcelo Dutra/Rede Amazônica

Adolescente prodígio, eleito um dos 100 jovens mais brilhantes do planeta, compartilha dicas para o 2º dia de Enem

Publicado em: 12/11/2025 05:05

Caio Temponi aos 17 anos Laurismara Temponi/Arquivo Pessoal Reconhecido pelas 18 aprovações em vestibulares e concursos militares pelo Brasil, Caio Temponi está na lista dos 100 prodígios do mundo. Hoje, ele divide a rotina entre dar aulas em cursos preparatórios e concluir as graduações em Direito e Matemática. Além disso, tem estudado para concursos públicos. Nascido em Três Rios (RJ) e morador de Juiz de Fora desde 2023, o adolescente conversou com o g1 e compartilhou dicas para quem vai fazer o segundo dia do Enem, no próximo domingo (16). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Segundo Caio, manter a calma, focar nas matérias em que o candidato tem mais facilidade e saber gerenciar o tempo são estratégias importantes para ir bem na prova, considerada cansativa. “Focar bem nas matérias como matemática e ciências da natureza. A matemática tem mais valor então é importante fazer essa análise. Além disso, começar pelas questões mais fáceis para cada um ajuda a ganhar confiança e ir se tranquilizando durante o exame”, alertou. Outra dica é não deixar para marcar o cartão de respostas só no final. “Quando eu fazia o Enem eu ia marcando as questões ao invés de esperar fazer as 90 porque podia marcar alguma errada e não perceber. Eu terminava uma matéria, marcava e depois ia para outra”, completou. LEIA TAMBÉM: Adolescente de 15 anos com aprovação em quase 20 universidades se torna representante na sociedade internacional de alto QI Adolescente brasileiro de 16 anos é reconhecido como um dos 100 prodígios do mundo Estudante de 14 anos passa em 3º lugar e vai cursar Direito na UFJF: 'Só a educação muda o mundo'' Talento intelectual descoberto aos 12 anos Caio Temponi tem 16 anos é um dos prodígios 2025 da GCP Awards Reprodução/Redes Sociais Caio Temponi tem 17 anos e é um dos prodígios de 2025 do Global Child Prodigy Awards (GCP Awards). Ele começou a se destacar aos 12 anos, quando foi aprovado em 1º lugar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), um dos concursos mais concorridos do país. Aos 13, passou em cinco vestibulares, incluindo Medicina e Direito na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Veja outras conquistas: Passou em 1º lugar na Colégio Militar de Juiz de Fora (CMJF); Foi aprovado em 1º lugar na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar), da Força Aérea Brasileira (FAB), na qual gabaritou a prova aos 12 anos; Aos 13, foi aprovado em 1º em Administração na Universidade Estadual do Ceará (Uece); Passou em 1º em Direito na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); Obteve o 1º lugar em Engenharia Civil na Universidade Federal do Cariri (UFCA); Passou em Medicina na Universidade de Fortaleza (Unifor) ainda com 13 anos; Aprovado no Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), aos 14 anos; Academia da Força Aérea aos 13 anos; Aprovado em medicina pela Universidade de Fortaleza (Unifor); Aprovado em medicina pelo Centro Universitário de João Pessoa (Unipê); Aprovado em matemática pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Aprovado em 3º lugar em educação física pela Universidade de São Paulo (USP); Aprovado em 3º lugar em direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); Aprovado em medicina na Cruzeiro do Sul; Aprovado em 1º lugar para engenharia da computação pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ); Aprovado em matemática pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselv); Aprovado em direito na Universidade de Brasília (UNB). Caio também conquistou três medalhas de ouro em competições nacionais e internacionais de matemática. Aos 15 anos, se tornou representante de crianças e jovens na Sociedade Internacional de Superdotados (IIS). Um dos mais prodígios do mundo Aos 16 anos, Caio entrou para a lista dos 100 jovens considerados prodígios no mundo pelo GCP Awards, na categoria Inteligência e Memória – QI. A premiação reconhece crianças e adolescentes com talentos extraordinários em áreas como música, ciência, esportes, empreendedorismo, artes e inteligência. “Ser reconhecido entre os maiores talentos do mundo é uma honra que carrego com responsabilidade. Gostaria muito de estar lá, representar meu país e mostrar que o Brasil também é terra de talentos excepcionais”, afirmou. ASSISTA TAMBÉM: Estudante vira representante da Sociedade Internacional de Superdotados Estudante de Três Rios vira representante da Sociedade Internacional de Superdotados VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: tecnologia

SC já registrou 4 tornados da categoria EF3, mesma do fenômeno que devastou cidade no PR; relembre

Publicado em: 12/11/2025 04:31

Imagens mostram como ficou Xanxerê, no Oeste, após passagem de tornado da categoria EF3 em 2015 Flávio Carvalho/TudosobreXanxerê/Arquivo O tornado classificado na categoria EF3 e que causou destruição no Paraná na sexta-feira (7) já foi registrado em Santa Catarina, devastando cidades e deixando mortos. O mais recente ocorreu há 10 anos, em 2015, em Xanxerê, município no Oeste que fica a 200 km de Rio Bonito do Iguaçu (PR). A mesma classificação também foi dada ao tornado em São Joaquim, na Serra, em 2004. Anos depois, em 2009, o mesmo fenômeno atingiu Guaraciaba, também no Oeste. Em 2014, Ibirama, no Vale do Itajaí, registrou o tornado EF3. 🔍 "EF3" é a abreviação de "Enhanced Fujita 3", ou seja, o tornado chegou à classificação 3 na escala Fujita Aprimorada. O índice é usado para avaliar a intensidade dos tornados com base na destruição causada pelo fenômeno (leia mais aqui). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Inmet confirma tornado em Xanxerê, no Oeste catarinense SC soma 15 fenômenos no ano; entenda o fenômeno As informações foram divulgadas pela Epagri/Ciram, órgão que monitora o tempo no estado. Conforme o órgão, os eventos desta natureza ocorrem com frequência no sul do Brasil, sendo mais raros o de maior categoria como o EF3. "Os tornados estão entre os fenômenos meteorológicos mais complexos e imprevisíveis da natureza. Mesmo com tecnologia avançada, ainda é difícil prever exatamente quando e onde um tornado vai se formar", disseram em nota os meteorologistas Gilsânia Cruz e Marcelo Martins. Poste e casas foram atingidos em Xanxerê, em 2015. Flávio Carvalho/TudosobreXanxerê/Arquivo Lista de tornados classificados na categoria EF3 em SC São Joaquim: 2004 Guaraciaba: 07/09/2009 Ibirama: 07/07/2014 Xanxerê: 20/04/2015 Xanxerê No tornado de Xanxerê, duas pessoas morreram e outras 120 pessoas ficaram feridas. Aproximadamente mil moradores ficaram desabrigados por conta dos estragos. À época, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) afirmou que os ventos que formaram o tornado variaram de 100km/h até 330km/h. Ao menos cinco torres de energia, que suportariam ventos de até 200 km/h, desabaram. Na cidade, muitos carros foram virados com o fenômeno, capotando lateralmente, o que também indicaria a característica cíclica dos ventos. Pai salvou mulher e bebê antes de morrer em tornado Cerca de 2,6 mil casas foram danificadas em Xanxerê, em 2015. Flávio Carvalho/TudosobreXanxerê 🌪️ SC é propícia para ocorrência de tornados Conforme a Defesa Civil, os tornados são bastante propícios em Santa Catarina porque o estado está localizado em uma região de encontro de diferentes massas de ar: as frias e secas (vindas do sul do país) e as quentes e úmidas (vindas do interior do continente). "O encontro dessas massas de ar deixa o ambiente bastante instável, o que favorece a formação de tempestades severas", afirmou o órgão estadual em resposta ao g1. 🤔Tornado x ciclone O tornado é caracterizado por uma coluna de ar em rotação que se estende da base de uma nuvem de tempestade até o solo, apresentando alto potencial destrutivo devido aos ventos intensos. Os ciclones são todos os sistemas de baixa pressão atmosférica. Eles "puxam" o ar quente e úmido da superfície e jogam para cima, formando as nuvens de chuva. Os chamados ciclones extratropicais movimentam massas de ar de temperaturas diferentes, ou seja, quentes e frias. Surgem em latitudes médias do planeta, fora da zona tropical, como no Atlântico Sul (a costa do Sul do Brasil). Dionísio Cerqueira, Faxinal dos Guedes e Xanxerê foram as cidades atingidas por tornados VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Palavras-chave: tecnologia

'Deathbots': testamos os robôs de IA que permitem 'conversar com os mortos'

Publicado em: 12/11/2025 03:00

Alguns sistemas se concentram em preservar a memória, ajudando os usuários a gravar e armazenar histórias pessoais, organizadas por tema, com a IA indexando o conteúdo em um arquivo pesquisável. Já outros usam IA generativa para criar conversas contínuas. Pongsawat Pasom/Unsplash A inteligência artificial (IA) está sendo cada vez mais usada para preservar as vozes e as histórias dos mortos. De chatbots baseados em texto que imitam entes queridos a avatares de voz que permitem que você “converse” com os falecidos, uma crescente indústria digital do além promete tornar a memória interativa e, em alguns casos, eterna. Em nossa pesquisa, publicada recentemente na revista científica Memory, Mind & Media, exploramos o que acontece quando a lembrança dos mortos é deixada a cargo de um algoritmo. Nós até tentamos conversar com versões digitais de nós mesmas para descobrir. Os “deathbots” são sistemas de IA projetados para simular as vozes, os padrões de fala e as personalidades dos falecidos. Eles se baseiam nos traços digitais de uma pessoa — gravações de voz, mensagens de texto, e-mails e postagens nas redes sociais — para criar avatares interativos que parecem “falar” do além-túmulo. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como disse a teórica da mídia Simone Natale, essas “tecnologias da ilusão” têm raízes profundas nas tradições espiritualistas. Mas a IA as torna muito mais convincentes e comercialmente viáveis. Nosso trabalho faz parte de um projeto chamado Synthetic Pasts, que explora o impacto da tecnologia na preservação da memória pessoal e coletiva. Salários de até R$ 20 mil: como é o trabalho de quem cria agentes de IA Os detalhes da operação contra apps de streaming ilegal no Brasil Neo: quanto custa robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas Para nosso estudo, analisamos serviços que afirmam preservar ou recriar a voz, as memórias ou a presença digital de uma pessoa usando IA. Para entender como eles funcionam, nos tornamos nossas próprias cobaias. Carregamos nossos próprios vídeos, mensagens e notas de voz, criando “duplos digitais” de nós mesmas. Em alguns casos, desempenhamos o papel de usuários preparando nossas próprias vidas pós-morte sintéticas. Em outros, atuamos como enlutados tentando conversar com uma versão digital de alguém que faleceu. O que descobrimos foi fascinante e inquietante. Alguns sistemas se concentram em preservar a memória. Eles ajudam os usuários a gravar e armazenar histórias pessoais, organizadas por tema, como infância, família ou conselhos para entes queridos. A IA então indexa o conteúdo e orienta as pessoas por ele, como um arquivo pesquisável. Outros usam IA generativa para criar conversas contínuas. Você carrega dados sobre uma pessoa falecida — mensagens, postagens, até mesmo amostras de voz — e o sistema cria um chatbot que pode responder no tom e estilo dela. Ele usa um subconjunto da IA chamado aprendizado de máquina (que melhora com a prática) para fazer seus avatares evoluírem ao longo do tempo. Alguns se apresentam como divertidos (“faça uma sessão espírita com IA”), mas a experiência pode parecer assustadoramente íntima. Todas as plataformas afirmam oferecer uma conexão emocional “autêntica”. No entanto, quanto mais personalização tentávamos, mais artificial parecia. DeepSeek, ChatGPT e Gemini: qual é a melhor inteligência artificial? Quando solicitados por esses sistemas, fornecemos mais informações sobre nós mesmas, apenas para que o bot repetisse exatamente as frases que usamos em respostas rígidas e programadas. Às vezes, o tom era incongruente, como quando emojis alegres ou frases otimistas apareciam mesmo ao discutir a morte — um lembrete claro de que os algoritmos são ruins em lidar com o peso emocional da perda: Oh, querida… 😔 Isso (a morte) não é algo que eu gostaria que alguém ficasse remoendo. Para ser sincera, tudo está um pouco confuso agora. 🌫️ Vamos conversar sobre algo um pouco mais alegre, ok? As ferramentas mais baseadas em arquivos que testamos proporcionaram uma experiência mais tranquila, mas também impuseram categorias rígidas e nuances limitadas. Como observou o estudioso de mídia digital Andrew Hoskins, a memória na era da IA se torna “conversacional” — moldada pelas interações entre humanos e máquinas. Mas, em nossos experimentos, essas conversas muitas vezes pareciam monótonas, expondo os limites da intimidade sintética: Humano: Você sempre foi tão encorajador e solidário. Sinto sua falta. Deathbot: Estou aqui para você, sempre pronto para oferecer incentivo e apoio sempre que precisar. E sinto sua falta também… Vamos enfrentar o dia de hoje juntos, com positividade e força. Por trás dessas experiências existe um modelo de negócios. Não se trata de instituições funerárias de caridade, mas de startups de tecnologia. Taxas de assinatura, níveis “freemium” e parcerias com seguradoras ou prestadores de serviços de saúde revelam como a lembrança está sendo transformada em um produto. Como os filósofos Carl Öhman e Luciano Floridi argumentaram, a indústria digital do além-vida opera dentro de uma “economia política da morte”, onde os dados continuam a gerar valor muito tempo depois do fim da vida de uma pessoa. As plataformas incentivam os usuários a “capturar sua história para sempre”, mas também coletam dados emocionais e biométricos para manter o engajamento alto. A memória se torna um serviço — uma interação a ser projetada, medida e monetizada. Isso, como o professor de tecnologia e sociedade Andrew McStay mostrou, faz parte de uma economia mais ampla de “IA emocional”. Ressurreição digital? A promessa desses sistemas é uma espécie de ressurreição — a reanimação dos mortos por meio de dados. Eles oferecem o retorno de vozes, gestos e personalidades, não como memórias relembradas, mas como presenças simuladas em tempo real. Esse tipo de “empatia algorítmica” pode ser persuasivo, até mesmo comovente, mas existe dentro dos limites do código e altera silenciosamente a experiência de lembrar, suavizando a ambiguidade e a contradição. Essas plataformas demonstram uma tensão entre as formas arquivísticas e generativas da memória. Todas as plataformas, porém, normalizam certas formas de lembrança, privilegiando a continuidade, a coerência e a capacidade de resposta emocional, ao mesmo tempo em que produzem novas formas de personalidade baseadas em dados. Como observou a teórica da mídia Wendy Chun, as tecnologias digitais muitas vezes confundem “armazenamento” com “memória”, prometendo uma lembrança perfeita enquanto apagam o papel do esquecimento — a ausência que torna possível tanto o luto quanto a lembrança. Nesse sentido, a ressurreição digital corre o risco de interpretar erroneamente a própria morte: substituir a finalidade da perda pela disponibilidade infinita da simulação, onde os mortos estão sempre presentes, interativos e atualizados. A IA pode ajudar a preservar histórias e vozes, mas não pode replicar a complexidade viva de uma pessoa ou de um relacionamento. As “vidas pós-morte sintéticas” que encontramos são atraentes precisamente porque falham. Elas nos lembram que a memória é relacional, contextual e não programável. Nosso estudo sugere que, embora você possa conversar com os mortos usando IA, o que você ouve em resposta revela mais sobre as tecnologias e plataformas que lucram com a memória — e sobre nós mesmos — do que sobre os fantasmas com os quais eles afirmam que podemos conversar. Jenny Kidd recebeu financiamento do Leverhulme Trust e do Arts and Humanities Research Council. Eva Nieto McAvoy não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico. Neo: conheça robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas

Mototáxi volta a ser permitido em SP; veja regras, motos aceitas e onde o serviço já funciona

Publicado em: 12/11/2025 03:00

Mototáxi volta a ser permitido em SP; veja regras, motos aceitas O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou na última segunda-feira (10) a lei estadual de São Paulo que dava aos municípios paulistas o poder de proibir ou regular o serviço de mototáxi — transporte de passageiros em motocicletas. Entenda a decisão ao final desta reportagem. Com isso, a profissão de mototaxista volta a ser legalmente permitida em São Paulo, alinhando os municípios paulistas às demais cidades do país. O que é necessário para atuar como mototaxista? A legislação federal que regula o transporte de passageiros por motocicleta está prevista na lei nº. 12.009, de 2009. Segundo o texto, o serviço pode ser prestado se o condutor cumprir os seguintes requisitos: Ter no mínimo 21 anos; Possuir habilitação na categoria “A” há pelo menos dois anos; Ser aprovado em curso especializado; Utilizar colete de segurança com faixas retrorreflexivas. Além disso, a motocicleta deve estar equipada com: Dispositivo de proteção para as pernas e o motor, fixado na estrutura do veículo; Aparador de linha instalado no guidão; Alças metálicas traseiras e laterais para o transporte de passageiros. Entre os aplicativos, Uber e 99 — duas das maiores empresas do setor — seguem regras semelhantes à lei federal para quem deseja atuar como mototaxista. Veja abaixo: 99 A motocicleta deve estar com a documentação em dia; Deve estar regularizada conforme as normas municipais, quando houver regulamentação específica para mototáxi; Não é permitido o uso de motos alugadas; Não são aceitas motocicletas sem assento para o passageiro; Não há restrições quanto ao modelo ou à idade do veículo. Uber A motocicleta deve estar com a documentação em dia; Não é permitido o uso de motos alugadas; Não são aceitas motocicletas com placas vermelhas; Não são permitidas motocicletas sem assento para o passageiro. A principal diferença entre as duas plataformas está na lista de modelos aceitas. Embora haja restrições, todas as 10 motos mais vendidas de 2025 são permitidas. São elas: Honda CG 160 Honda Biz Honda Pop 110i Honda NXR 160 Bros Mottu Sport 110I Yamaha YBR 150 Honda CB300F Honda PCX 160 Yamaha Fazer 250 Shineray XY 125 Mototaxi em Porto Velho Prefeitura de Porto Velho/Divulgação Mais de 2 mil municípios já oferecem o serviço Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o serviço de mototáxi é oferecido por 2.925 dos 5.570 municípios brasileiros. A modalidade está presente em todos os estados brasileiros, sendo o terceiro meio de transporte mais popular do país. A presença do serviço está atrás apenas da van (presente em 3.338 municípios) e do táxi convencional (4.427 municípios). O transporte por ônibus nas cidades aparece abaixo desses três (1.735 municípios). Ainda segundo o instituto, o mototáxi é o único meio de transporte em 21 cidades brasileiras. São elas: Aldeias Altas (MA); Anapurus (MA); Bacuritiba (MA); Lagoa Grande do Maranhão (MA); Palmeirândia (MA); Turilândia (MA); Itajá (RN); Jardim de Angicos (RN); Jundiá (RN); Pureza (RN); Santana do Matos (RN); Viçosa (RN); São Domingos do Cariri (PB); Flores (PE); Ipecaetá (BA); Monte Santo (BA); Nova Soure (BA); Serra Nova Dourada (MT); Britânia (GO); Cromínia (GO); Professor Jamil (GO). O que disse o STF? Na segunda-feira (10), o STF declarou inconstitucional a lei estadual de São Paulo que dava aos municípios poder para autorizar ou regulamentar o transporte remunerado de passageiros por motocicleta — os mototáxis. O relator, ministro Alexandre de Moraes, aceitou o argumento da Confederação Nacional de Serviços de que a lei estadual invadia a competência da União para legislar sobre transporte e trânsito. Em outras palavras, a autorização para o serviço de mototáxi é uma atribuição exclusiva da legislação federal. Com a decisão, as cidades paulistas — assim como todos os outros municípios do país — podem apenas regulamentar o funcionamento do serviço — criando regras locais para a sua oferta, por exemplo —, mas sem proibir ou criar barreiras que inviabilizem a atividade. Ao g1, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes — que pleiteou pela proibição do serviço de mototáxi na cidade com base na segurança viária —, lamentou a decisão e argumentou que em 2024 foram 483 mortes de motociclistas no trânsito da cidade paulista, mesmo sem o serviço de transporte de passageiros. "A gente vai ter um número muito maior de acidentes e óbitos se, por acaso, a gente perder essa batalha. Tenho mutia fé em Deus que a gente não vai perder", disse. A prefeitura tem até o dia 8 de dezembro para regulamentar o serviço de mototáxi na cidade de São Paulo (SP). Já a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como a 99 e a Uber, disse que "a decisão traz segurança jurídica para São Paulo e para todo o Brasil". A associação ainda reforçou que o serviço é uma atividade privada e legal, regida pela Política Nacional de Mobilidade Urbana e sustentada pela Lei Federal n° 13.640. "Desta forma, os aplicativos têm autorização legal para atuar em todo o território nacional, cabendo aos municípios regulamentar a atividade, e não proibir", disse a Amobitec em nota.

Palavras-chave: tecnologia

Rosalía, Madonna, 'Conclave': por que a cultura pop é fascinada pelo catolicismo?

Publicado em: 12/11/2025 03:00

De onde vem o fascínio da cultura pop pelo catolicismo? Coral de igreja, hábito de freira, auréola nos cabelos. A catalã Rosalía entrou de vez no universo católico com seu disco “Lux”, lançado na semana passada. Não à toa: no ano pós “Conclave” (2024), e com o primeiro escolha de Papas que teve memes em tempo real, a Igreja Católica tem marcado presença no nosso repertório cultural como não fazia há algum tempo. Volta e meia, a Igreja volta a ser pop. Madonna que o diga: a cultura tem um caso de amor e obsessão pelo catolicismo, o que não é exatamente recíproco. Isso, claro, é parte do apelo — ter a Igreja Católica condenando a sua arte é uma espécie de chancela. Até porque, se você não é ninguém, o Papa não vai se dar ao trabalho. Mas o que na Igreja atrai tanto os artistas (e o público) e por que esse tema sempre volta? Entenda: O Papa é mesmo pop Primeiramente, existe um argumento muito simples: o catolicismo é um fundamento da sociedade ocidental. Por aqui, ninguém precisa ser padre (ou sequer batizado) pra reconhecer de longe uma referência à Igreja Católica. Já é uma linguagem pop, digamos. Então, é claro que a cultura vai refletir esse repertório onipresente. “A gente é uma sociedade muito marcada pelo catolicismo como referência. Não tem como fugir disso”, diz David Moreno-Cárdenas, psicanalista e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Aliás, o catolicismo e a arte compartilham uma história milenar. Foi na Igreja Católica que a teoria musical ocidental se desenvolveu; foi atendendo a pedidos de sacerdotes, ou inspirados nesse universo, que muitos pintores fizeram suas obras-primas. Dessa relação, nasceram imagens que são referência até hoje, como "A Última Ceia", de Da Vinci, e "A Criação de Adão", de Michelangelo. Ariana Grande faz referência à obra 'Criação de Adão' no clipe de 'God is a Woman' Reprodução/YouTube Mesmo hoje, muitos artistas aprendem música graças ao contato com ambientes religiosos, e a nossa percepção cultural ainda é muito atravessada por esses ensinamentos. Aprendemos a associar o coral e o canto lírico ao divino, por exemplo. Apesar disso, nos Estados Unidos, falar em catolicismo não é a mesma coisa que aqui. A pesquisadora Helen Teixeira estuda religião na Yale Divinity School Ela reforça que, historicamente, o catolicismo é minoria nos EUA — tanto que imigrantes católicos, como italianos e irlandeses, foram racializados por não serem protestantes. Então, se por um lado, artistas ítalo-americanas como Madonna e Lady Gaga querem questionar símbolos católicos, por outro, elas os usam como reafirmação da comunidade de onde vêm. "Na cultura, esses símbolos religiosos vão além da fé individual de cada um necessariamente. Tem a ver também com uma afirmação cultural, comunitária, dessas comunidades de imigrantes", diz a especialista. Já Rosalía vem da Espanha, um país em que o catolicismo é enraizado, e canta em treze idiomas no disco “Lux”. No caso dela, a estética religiosa facilita a compreensão desse trabalho: você pode não entender o idioma, mas basta ver as imagens (ou ouvir a música) para sacar a intenção. Já diria a cantora: "Sou uma cidadã do mundo". Além do mais, essa temática também não faz mal comercialmente. Abordar (e incomodar) a igreja sempre tem um poderoso efeito de marketing — e hoje, mais do que nunca, a polêmica é um dos principais motores da fama e do dinheiro. Initial plugin text O fascínio pela imagem A Igreja Católica fascina artistas porque é rica em imagens e histórias, dois elementos primordiais para a cultura. Qualquer pessoa que já entrou em uma catedral ou abriu uma Bíblia sabe que, estética e narrativamente, não falta inspiração. “A Igreja Católica cria uma estética própria para simbolizar a transcendência espiritual, essa abstração religiosa em ícones, em símbolos, em imagens. Isso, para a cultura pop, é um prato cheio. Então, ela pega esse conjunto de imagens e transforma isso, vai dessacralizar esses símbolos. Quando a gente vê os artistas se apropriando disso, tem muitas vezes ali uma crítica, uma contestação, uma ressignificação”, diz Mariana Lins, pesquisadora em cultura pop pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ralph Fiennes interpreta o cardeal Lawrence no filme 'Conclave' Divulgação No mundo de hoje, em que os objetos são cada vez menos presentes — tudo é online, passageiro e pouco palpável —, os rituais e imagens tradicionais do catolicismo podem ter ganhado mais impacto. Por outro lado, quanto mais a tecnologia e o mundo mudam por intervenção humana, mais desafios a fé enfrenta. É aí que entra um filme como “Conclave”, por exemplo: respondendo à curiosidade de como uma instituição milenar se mantém de pé nos dias de hoje. E como, por trás da faceta sagrada, os sacerdotes ainda são seres humanos (com crises de fé, inclusive). Assim como o catolicismo tem uma infinidade de símbolos, usá-los pode ter vários significados. Afinal, uma igreja é, ao mesmo tempo, intimidadora e contemplativa; é misteriosa e ornamentada; é luz e sombra. Tudo depende de quem usa esse repertório, como, e por quê. Da madona à Madonna Madonna no controverso clipe de 'Like a Prayer' Reprodução/YouTube Na maior parte das vezes, recuperar (e desafiar) esse tema na cultura pop tem a ver com transgressão e liberdade. Afinal, o catolicismo lida muito com as ideias de controle e disciplina: tem a culpa cristã, o celibato obrigatório e os conceitos de pecado e perdão. Esses conceitos formaram uma parte significativa da nossa sociedade, patriarcal e hierárquica, e recaem mais sobre uns que outros. Não à toa, o catolicismo aparece tanto na obra de artistas femininas: “tem esse lugar imaculado da mulher, que a Igreja Católica promove, e que essas mulheres vão chegar lá para subverter”, diz David. Na religião católica, mulheres representam sofrimento, altruísmo e pureza, mas não ganham o mesmo tipo de adoração: como o próprio Papa Leão XIV reforçou recentemente, nem a chamada "Mãe de Deus" deve ser venerada. Para alguém como Madonna, sempre coube questionar essa figura da mulher "santa" e passiva. Aliás, com um nome de batismo que significa "nossa senhora" em italiano, Madonna era predestinada a se relacionar com o catolicismo — e, claro, cresceu em um lar religioso e tradicional. Para ela (assim como muitos de nós), a Igreja foi a primeira referência de disciplina e regras na vida cotidiana. Então, a cultura pop permitiu a ela quebrar tabus e desafiar um pouco essas normas. Mariana argumenta que Madonna sempre buscou exatamente essa subversão: ao reivindicar símbolos católicos, a cantora fala de feminismo, de sexualidade e de política. E coloca em xeque o que é sagrado, o que é profano e até onde o ser humano vai "em nome de Deus". Através do humor, a série "Fleabag" mostra um raciocínio parecido com o de Madonna. A religião é o fio condutor da segunda temporada, em que a protagonista se apaixona (e tenta seduzir) um padre católico. Dessa forma, a autora Phoebe Waller-Bridge reflete sobre o lugar do corpo e do desejo feminino (e por que, por definição, ele é associado ao pecado). “Vários autores falam sobre a utilização dessa estética católica para pensar essa forma de disciplinar, pela vida monástica, celibatária, o corpo e o desejo. Na cultura, essa iconografia muitas vezes se apresenta como uma válvula de escape para toda essa repressão”, afirma Mariana. Lil Nas X em clipe de 'Montero (Call Me By Your Name)' Reprodução/YouTube/Lil NasX O catolicismo também serve para reflexões sobre a masculinidade, como fez o artista Lil Nas X. Gay assumido (e, portanto, condenado a "queimar no fogo eterno"), ele imaginou um inferno divertido no clipe de "Call Me By Your Name". Assim, ele inverte um pouco a lógica da religião: já que não há espaço para ele no céu, Lil Nas não tenta se negar para alcançar a redenção — simplesmente "abraça o capeta". Uma relação sociopolítica O assunto nunca desaparece, mas há épocas em que a Igreja fica mais recorrente na cultura pop. Para Mariana, dá para fazer um paralelo: quando o catolicismo volta a ser tema, é porque, provavelmente, vem como resposta ou reflexão sobre o momento sociopolítico. E historicamente, o catolicismo costuma estar associado ao conservadorismo. “Existe uma tendência nesse tema do conservadorismo, de vir à tona a partir desse repertório do catolicismo em momentos de muita tensão política. Ascensão do conservadorismo, da extrema-direita… tem uma ligação, sim". Foi assim com Madonna, que lançou “Like a Prayer” durante o governo de Ronald Reagan e na epidemia da AIDS nos EUA; ou Almodóvar, que lançou “Maus Hábitos”, uma comédia sobre freiras, enquanto a Espanha se recuperava da ditadura franquista. Até Rita Lee usou Eva e o "fruto proibido", nos anos 70, em tempos de repressão e censura no Brasil. Rita Lee se veste de Nossa Senhora ao abrir show dos Rolling Stones, em 1995 Reprodução Entre os idiomas escolhidos por Rosalía em “Lux”, há letras em hebreu e árabe. Nada mais atual. Ainda que ela não tenha a intenção de acabar com os conflitos em Gaza através do disco, existe uma relação clara entre o que está acontecendo globalmente e a produção pop que ela entrega. Afinal, essa é uma "missão" importante das obras pop: pra vender e fazer sucesso, é preciso dialogar com o mundo. Se o mundo está falando em Deus e religião, a cultura pop tende a seguir o mesmo caminho.

Palavras-chave: tecnologia

CNU 2025: notas e convocação para prova discursiva saem nesta quarta; veja próximos passos

Publicado em: 12/11/2025 00:01

Gabaritos oficiais do 'Enem dos Concursos' são divulgados O governo federal vai divulgar, a partir das 10h desta quarta-feira (12), as notas finais das provas objetivas do Concurso Nacional Unificado (CNU), apelidado de “Enem dos concursos”. Essa é a segunda edição do concurso. Com os resultados, os candidatos saberão se foram aprovados para a prova discursiva, prevista para dezembro. (Veja o cronograma e saiba como acessar as notas mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp Os candidatos também poderão acessar os gabaritos definitivos das provas objetivas, as respostas aos recursos contra os gabaritos preliminares das provas objetivas, os espelhos do seu próprio cartão-resposta, as listas de classificação de todos os cargos e a tabela com as notas mínimas para classificação em cada cargo. As convocações para a fase de envio de títulos — como pós-graduação, mestrado e doutorado — também serão divulgadas nesta quarta-feira e podem contribuir para a pontuação em determinados cargos. Os participantes que concorrem às vagas reservadas (para pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência) serão chamados para os procedimentos de verificação. Veja nesta reportagem: 🗒️Como acessar os resultados? 📌 Como será a próxima etapa? 🧮 Como será o procedimento de verificação? ➡️ Como será feita a Avaliação de Títulos? 📆 Confira o cronograma oficial Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 🗒️Como acessar os resultados? Para acessar as informações, o candidato precisará acessar a página oficial (clique aqui para ser direcionado), fazer login com os dados da conta gov.br e clicar na Área do Candidato. Ao abrir o menu de atividades, o candidato deve clicar em "Minhas Inscrições', localizar o card referente à sua inscrição do CNU 2 e clicar no botão "Ver Resultado". Após clicar em “Ver Resultado”, ele será direcionado para um tela na qual é possível visualizar o resultado da prova objetiva. Segundo o Ministério da Gestão, os inscritos também poderão consultar as imagens dos seus cartões de resposta e conferir como preencheram o gabarito das questões objetivas. 📌 Como será a próxima etapa? A próxima etapa do CNU 2025 será a prova discursiva, marcada para 7 de dezembro. Nessa fase, participarão apenas os candidatos aprovados na prova objetiva. Os participantes serão avaliados conforme o nível de escolaridade exigido para o cargo pretendido. Veja como serão as provas: Nível superior: os candidatos responderão duas questões discursivas, com duração de três horas (das 13h às 16h); Nível intermediário: os candidatos farão uma redação dissertativa-argumentativa, com duração de duas horas (das 13h às 15h). Além de avaliar a capacidade de argumentação e o domínio do conteúdo, essa etapa será decisiva para a classificação final dos candidatos. Nesta edição, a seleção segue um único edital, o que facilita o acesso às informações. As vagas estão distribuídas em nove blocos temáticos, que agrupam os cargos por áreas como saúde, tecnologia, administração, justiça, entre outras. A versão impressa do Cartão de Confirmação de Inscrição, com o local da prova da discursiva, será disponibilizada em 1º de dezembro de 2025. A nota preliminar da prova discursiva, acompanhada do espelho de correção, será divulgada 23 de janeiro de 2026. Os candidatos poderão pedir revisão das notas nos dias 26 e 27 de janeiro. Já o resultado dos pedidos de revisão e a nota final da prova discursiva serão divulgados em 18 de fevereiro de 2026. As primeiras listas de classificação devem sair em 20 de fevereiro de 2026. O cronograma também prevê que as convocações comecem em março do próximo ano. Segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU Ministério da Gestão e Inovação 🧮 Como será o procedimento de verificação? A nova edição traz regras mais rígidas para garantir a reserva de vagas para pessoas negras, indígenas, com deficiência e candidatos quilombolas. Segundo o governo, a medida reforça o compromisso com a promoção da equidade no acesso ao serviço público federal. Com isso, a distribuição das cotas ficou definida da seguinte maneira: 25% para pessoas negras; 3% para pessoas indígenas; 2% para pessoas quilombolas; 5% para pessoas com deficiência (PcD). Nos casos em que o número de vagas é inferior ao mínimo exigido para aplicação das cotas, o MGI realizou um sorteio para definir a reserva proporcional, conforme previsto na norma. Os candidatos que optaram por disputar vagas reservadas a pessoas negras, indígenas, quilombolas ou pessoas com deficiência passarão por etapas de verificação da condição declarada. Segundo o edital, as avaliações ocorrerão entre 8 e 17 de dezembro. Quem se autodeclarou pessoa negra e concorre às vagas reservadas deverá se apresentar ao procedimento de confirmação complementar da autodeclaração (heteroidentificação). Essa etapa será presencial, realizada por uma comissão específica, que utiliza exclusivamente o critério fenotípico — ou seja, características físicas observáveis — para verificar a condição declarada. Durante o procedimento, o candidato terá dados biométricos coletados e passará por exame grafológico. Todo o processo será filmado para registro e análise da comissão, conforme regras previstas pelo edital. Perderá o direito à vaga reservada o candidato que: Não comparecer ao procedimento de heteroidentificação; Recusar-se a ser filmado; Recusar-se a coletar os dados biométricos ou a fazer o exame grafológico. Candidatos indígenas passarão por uma análise documental, feita por uma comissão formada majoritariamente por pessoas indígenas. Serão exigidos documentos oficiais que comprovem o pertencimento étnico, como declaração de comunidade reconhecida ou registros de órgãos públicos ligados à pauta indígena Candidatos quilombolas deverão apresentar documentos que comprovem o vínculo com comunidades reconhecidas pelo Estado, seguindo regras semelhantes à adotada para indígenas, com análise por uma comissão específica. Por fim, os candidatos que se declararam com deficiência deverão passar por uma perícia médica (avaliação biopsicossocial), que inclui a análise da documentação enviada durante a inscrição. Esses candidatos serão avaliados por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, que poderá solicitar a presença física ou realizar avaliação complementar por telemedicina. A equipe será responsável por emitir parecer conclusivo sobre o enquadramento da deficiência conforme a legislação. Serão avaliados: Tipo e grau da deficiência; Compatibilidade com as atribuições do cargo; Possibilidade de uso de tecnologias assistivas. Se a condição não for confirmada, o candidato perde o direito à cota, mas poderá permanecer na lista de ampla concorrência, caso tenha nota suficiente. Os resultados preliminares dessas verificações serão divulgados em 15 de janeiro de 2026. O prazo para recursos será de 16 a 19 de janeiro, e as decisões finais serão publicadas em 18 de fevereiro de 2026. ➡️ Como será feita a Avaliação de Títulos? A Avaliação de Títulos será classificatória e poderá acrescentar até dois pontos para cargos de nível intermediário e até cinco pontos para cargos de nível superior. O envio dos documentos deve ser feito entre 13 e 19 de novembro, exclusivamente pelo site oficial do concurso. Os candidatos devem digitalizar e enviar certificados, diplomas e comprovantes de experiência profissional dentro do prazo, seguindo os formatos e limites de tamanho exigidos. Os títulos devem ser enviados em formato digital — imagem do documento original ou cópia autenticada, frente e verso — nos formatos JPG, JPEG, PNG ou PDF, com tamanho máximo de 5 MB por arquivo. Serão aceitos os seguintes documentos: Diplomas, certificados ou declarações de conclusão de cursos (em papel timbrado da instituição, com data de conclusão, carga horária e aprovação da banca); Para pós-graduação, é necessário incluir o histórico escolar junto à declaração; Títulos obtidos no exterior devem estar reconhecidos por instituições brasileiras e traduzidos por tradutor juramentado, se estiverem em língua estrangeira. Cada título será analisado pela comissão, que verificará sua autenticidade e relevância, atribuindo pontos conforme os critérios do edital. A soma dos pontos definirá a nota final nesta etapa. O resultado será publicado no sistema, com possibilidade de recurso em caso de divergência. Durante o envio dos documentos, o candidato deve observar algumas orientações importantes: Títulos exigidos como requisito básico para o cargo não serão pontuados; Cada título será considerado apenas uma vez; O envio fora do prazo ou por outro meio que não o sistema online será desconsiderado; A ausência de envio de títulos não elimina o candidato, mas resultará em nota zero nesta etapa. O resultado preliminar será divulgado em 8 de janeiro de 2026, com prazo para recursos entre 9 e 12 de janeiro. O resultado definitivo está previsto para 18 de fevereiro de 2026. 📆 Confira o cronograma oficial Disponibilização da imagem do cartão de respostas: 12/11/2025 Convocação para prova discursiva: 12/11/2025 Convocação para confirmação de cotas e PcD: 12/11/2025 Convocação para a avaliação de títulos: 12/11/2025 Envio de títulos: de 13 a 19/11/2025 Cartão de confirmação de inscrição para prova discursiva: 1/12/2025 Prova discursiva (para habilitados na 1ª fase): 7/12/2025 Procedimentos de confirmação de cotas: de 8 a 17/12/2025 Resultado preliminar da avaliação de títulos: 2/1/2026 Divulgação da nota preliminar da prova discursiva: 6/1/2026 Pedidos de revisão das notas da discursiva: de 7 a 8/1/2026 Divulgação da 1ª lista de classificação: 30/1/2026 Como estudar para o CNU

Palavras-chave: tecnologia

Segundo dia de COP30 tem confronto após cerca de 50 pessoas tentarem invadir área restrita

Publicado em: 11/11/2025 22:19

Confronto marca segunda noite da COP30 em Belém No segundo dia de COP30, em Belém, teve confronto no pavilhão principal depois que manifestantes tentaram invadir a área restrita. Eles foram contidos pelas forças de segurança. Na entrada principal da COP, na Zona Azul, a segurança foi reforçada e os negociadores foram sendo orientados a deixar a conferência por uma saída lateral. A tentativa de invasão começou por volta das 19h. Representantes de tribos indígenas, estudantes e movimentos sociais tentaram entrar na Blue Zone, área restrita da conferência. Houve quebra-quebra. Aparelhos de raio-x foram destruídos e um segurança ficou ferido. As forças da ONU contiveram o grupo, que também tentou forçar entradas laterais. O grupo com cerca de 50 manifestantes estava em uma marcha. A Marcha Global Saúde e Clima, que reuniu cerca de 3 mil pessoas nesta terça-feira (11), em Belém, pedindo políticas públicas de saúde e que já se manifestou dizendo que não tem nada a ver com a tentativa de invasão. O episódio encerrou um dia de negociações sobre adaptação e inclusão de novos temas na pauta oficial. Um dos temas que estão na mesa de negociação formal é a adaptação às mudanças climáticas. Formas de preparar o planeta para os efeitos do aquecimento global. Como, por exemplo, produzir alimentos mesmo em um clima mais seco e quente, ou construir moradias que resistam a um tornado. Abdul Shaheed veio das ilhas Fiji até Belém e contou que os ciclones estão mais frequentes: "Estamos enfrentando a elevação do nível do mar, as pessoas estão perdendo suas casas", conta. Nessa COP, a meta é garantir financiamento para a adaptação, principalmente para os países mais vulneráveis, e adotar indicadores que consigam medir o avanço desse processo - monitorar, com uma mesma régua, como os países estão se preparando para eventos climáticos. Mas logo na primeira sessão sobre o tema, o grupo de países africanos propôs adiar a definição desses indicadores para a COP de 2027. Um dos negociadores de Gana disse que as nações africanas precisam de mais tempo para se preparar e adotar os indicadores e que a prioridade é avançar em financiamento. Os países árabes também apoiam deixar para depois a discussão sobre indicadores. Segundo dia de COP30 tem confronto após cerca de 50 pessoas tentarem invadir área restrita Jornal Nacional/ Reprodução Uma representante da sociedade civil acompanhou a reunião e criticou a posição desses países: “Eles gostariam de estender a discussão dos indicadores para entender como é que esses indicadores podem ser implementados nesse contexto mais específico de cada região e de cada necessidade do país. Então, a gente não tem como adiar essa discussão porque esses indicadores precisam ser o caminho que a gente usa para implementar uma agenda efetiva de adaptação", afirma Thaynah Gutierrez, assessora internacional do Instituto Geledés. O resultado dessa primeira rodada de negociação será apresentado nesta quarta-feira (12). Em paralelo, a presidência da COP fez mais uma rodada de consultas com as delegações. Na mesa, a possibilidade de incluir assuntos sensíveis que ficaram de fora da agenda oficial. Um deles é a necessidade de metas nacionais mais ambiciosas para reduzir das emissões de gases de efeito estufa - que causam o aquecimento global. A Arábia Saudita é contra. Os Estados Unidos, segundo maior emissor do mundo, não enviaram delegação para a COP30, mas alguns governadores, como o da Califórnia, Gavin Newsom, estão em Belém. Ele visitou o Parque de Bioeconomia e Inovação e assinou com o governador do Pará, Hélder Barbalho, um memorando para trocar experiências e impulsionar a tecnologia do Pará. Em entrevista à jornalista Andréia Sadi, o governador da Califórnia criticou a ausência do presidente americano Donald Trump. Ele disse que é uma abdicação completa da responsabilidade de liderar no cenário mundial em um dos desafios mais críticos do nosso tempo. Newsom destacou que a transição para uma economia limpa é uma grande oportunidade e que a China entende isso melhor do que ninguém. Ele afirmou: "Trump está cedendo liderança para a China". Depois, em uma entrevista coletiva, o governador - que é do partido Democrata, de oposição a Donald Trump - voltou a criticar a ausência de representantes da Casa Branca. Ele disse que é uma abominação e uma desgraça. LEIA TAMBÉM VÍDEOS: a COP 30 e o nosso futuro Lula discursa na abertura da COP30 e diz ser preciso 'impor nova derrota' aos negacionistas TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 1: boletim do g1 mostra o que esperar da cúpula em Belém Governador da Califórnia diz que ausência dos EUA na COP30 é 'guerra ideológica' e 'aposta na estupidez'

Palavras-chave: tecnologia

Saiba por que usinas nucleares voltaram ao foco dos debates sobre produção de energia nos EUA

Publicado em: 11/11/2025 21:32

Crise do clima: a nova corrida dos EUA por energia nuclear Um dos dilemas ambientais mais urgentes do planeta é a geração de energia. Como aumentar a oferta de eletricidade sem poluir? Antes de viajar para a COP30, em Belém, o Felipe Santana preparou uma reportagem sobre a nova corrida nos Estados Unidos por energia nuclear. Nunca dormir virou símbolo máximo de modernidade, que Nova York espalhou para o mundo. De Xangai a São Paulo. De Tóquio a Las Vegas. As luzes que nunca se apagam transformaram o século 20. Por décadas, esse sonho foi abastecido por uma estrutura na beira do rio, 60 km ao norte da Times Square. A usina nuclear de Indian Point chegou a gerar um quarto da eletricidade de Nova York. A sala de comando parece realmente um filme dos anos 1970. Em um dia normal de trabalho, a pessoa que trabalha lá não está fazendo nada. Está só olhando o painel de controle e vendo se está tudo correndo bem. Agora, em caso de emergência, um botão é o mais importante: é o que desliga a usina imediatamente. LEIA TAMBÉM VÍDEOS: a COP 30 e o nosso futuro Entenda por que o avanço da tecnologia gera um desafio a mais para o futuro do planeta Entenda como as mudanças climáticas influenciam estratégias econômicas e a disputa de poder entre os dois países que mais poluem o planeta Conheça os interesses e a história por trás do negacionismo climático Veja como decisões políticas dos EUA afetam a vida no planeta Esse botão foi acionado pela última vez em 2021. Foi quando os donos da usina resolveram desativá-la para sempre. Foi um dia triste para o engenheiro mecânico Brian Vangor, que trabalha lá há muito tempo. “Eu passei 32 anos na sala de comando”, conta Brian. A usina nuclear de Indian Point, nos EUA Jornal Nacional/ Reprodução Usinas nucleares do mundo todo tiveram o mesmo fim, depois de uma tragédia que entrou para a história. É impressionante andar pelas ruas de Fukushima e perceber como as casas estão abandonadas. Muitas foram saqueadas em um dos países mais seguros do mundo. Algumas áreas estão até hoje contaminadas. Depois de um terremoto e um tsunami, os reatores explodiram. O material radioativo se espalhou pela região. E o medo se espalhou pelo mundo. Vários países aprovaram novas regras para que as usinas nucleares ficassem mais seguras. As restrições tornaram as operações mais caras e muitas usinas começaram a ser desativadas. Só que demora muito. Fukushima, por exemplo, só vai ser totalmente desativada em 2080, de acordo com algumas estimativas. Na usina de Nova York, a equipe do Jornal Nacional foi entender por que demora tanto. “A gente está se preparando para entrar em uma zona de alta radiação. Por isso, a gente tem que colocar o uniforme para se proteger. Nossa equipe entrou no reator 2, que deve ser completamente desativado só daqui a 30 anos. A partir de agora, a gente vai entrar na área contaminada. Eles estão pedindo para a gente ter cuidado no que a gente toca, porque as superfícies estão contaminadas - e principalmente não botar a mão no rosto. Claro que agora está dando muita coceira no nariz”, conta o correspondente Felipe Santana. Fukushima, no Japão Jornal Nacional/ Reprodução Quando a usina estava funcionando, na piscina não tinha água. Era só o buraco onde ficava o reator nuclear. Para fazer esse reator parar de funcionar, tiveram que encher de água para conter a radiação, e instalaram guindastes que têm, na verdade, serras que vão cortando em fatias para poder tirar de lá. E aí ele vai para dentro de grandes barris para ser levado lá para fora. Ou seja, o reator nuclear contaminado tem que ser cortado que nem um grande salame. E tem que ser embaixo da água, o que dificulta tudo, mas é essencial. “Na hora em que você abre o reator, tem que encher imediatamente de água para não ficar exposto à radiação”, afirma Brian Vangor. Mas em maio de 2025, os ventos começaram a mudar de direção. “Eu tenho um grande anúncio hoje e tem a ver com energia nuclear", disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O secretário do Interior Doug Burgum explicou: "A gente vai voltar 50 anos no tempo e reverter décadas de regulação". O plano dos Estados Unidos é aumentar em quatro vezes a capacidade nuclear. O Brian até já fez as contas: “Agora que os maiores componentes já foram cortados, teríamos que comprar tudo de novo. Ia demorar anos e custar US$ 10 bilhões para reativar a usina”. Desde 2015, com a demanda crescente de energia, outro movimento vem ocorrendo na economia americana. Principalmente na Califórnia, onde ficam as grandes empresas de tecnologia. Elas precisam de data centers que consomem muita energia, e aí uma constelação de pequenas empresas, startups, surgiu para pesquisar novas formas de produzir usinas nucleares com eficiência. Uma empresa na Califórnia desenvolveu uma tecnologia nova. Lembra do reator que está virando salame? Quando ele estava em funcionamento, dentro dele, o urânio que serve de combustível nuclear vinha em salsichas de 4 metros de altura. Essa empresa está colocando o urânio em bolinhas. “Esse é um exemplo do nosso combustível. Esses pontinhos representam o urânio e eles são envolvidos em um revestimento muito robusto. A gente coloca essas bolinhas dentro de sal derretido, que funciona para resfriar as bolinhas. E esse sistema vai aquecer a água que vai fazer as turbinas girarem e produzirem energia”, explica Mike Laufer, CEO da Kairos Power. A promessa é que o sal nunca vai superaquecer e explodir como aconteceu em Fukushima e que, se explodir, o urânio vai cair, mas vai estar dentro da bolinha que não quebra. Seria como bolinhas de gude se espalhando pelo chão. "Então, não há um impacto da usina nuclear na população", afirma Mike Laufer. Saiba por que usinas nucleares voltaram ao foco dos debates sobre produção de energia nos EUA Jornal Nacional/ Reprodução Essa guinada da energia nuclear tem animado até alguns ambientalistas porque ela não emite gases causadores do efeito estufa. O problema está aqui: o urânio enriquecido, que aquece a água que faz girar as turbinas de uma usina nuclear é material radioativo. Uma dose extrema pode provocar a morte em dias. Ele é radioativo para sempre. Por enquanto, as usinas nucleares guardam em grandes tambores de concreto. “Eles são projetados para serem à prova de explosão, fogo, terremoto, enchente”, afirma Brian Vangor. Mas a pergunta é: e daqui a 100 anos? “Até lá, a gente espera que ele já tenha sido tirado daqui", diz Brian Vangor. A maior esperança das usinas é que o governo tire essa batata quente da mão deles e coloque em algum lugar em que sejam esquecidos para sempre. As novas tecnologias repetem o mesmo problema: geram resíduos. “Nossa estratégia é similar: colocar o combustível em contêineres. E vamos agir de acordo com o que for desenvolvido a longo prazo”, afirma Mike Laufer. Vamos ter que produzir cada vez mais energia se a gente quiser aproveitar a capacidade da inteligência artificial. Matriz energética é poder. As grandes potências não querem que ninguém mude a estratégia do jogo. Mas as mudanças climáticas já são tragédia hoje na vida de muita gente e prometem ser ainda mais no futuro. É uma equação com muitos fatores, que levou o mundo a Belém do Pará para tentar se entender. A ausência dos Estados Unidos dificulta tudo. Mas essa é a discussão mais urgente das nossas vidas. Pelo menos se a gente quiser continuar vivendo como vive: sem nunca dormir.

Em Belém, representantes da agricultura e cientistas mostram como a floresta em pé pode gerar renda e melhorar a produção de alimentos

Publicado em: 11/11/2025 21:31

Agronegócio leva exemplos de sustentabilidade para a COP30 O repórter Tiago Eltz conversou com representantes do agronegócio e com cientistas que estudam o futuro da agricultura. Todos defendem que é fundamental manter a Floresta em pé para aumentar a renda e melhorar a produção de alimentos no Brasil. Representantes da agricultura brasileira estão mostrando, em Belém, como a floresta em pé pode gerar renda e ainda melhorar a produção de alimentos. A Amazônia tem recebido o mundo com algo difícil de explicar de longe: o tamanho da nossa riqueza. “São mais de 265 espécies de árvores inventariadas aqui dentro. Isso é mais de cinco vezes o número de espécies que tem em um país todo como a Inglaterra. Somente nesse fragmento aqui. Maravilhosa, né? A gente se sente pequeno, é como se você estivesse diante de uma divindade mesmo”, diz Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa. É riqueza que dá em árvore. Repórter: Não precisa nem cheirar nela, né? Joice Ferreira: É maravilhoso. Repórter: O que é isso? Joice Ferreira: Chama breu. Ela era usada tradicionalmente pelas comunidades amazônicas e acabou que ganhou o mundo a partir da indústria cosmética. A gente tem várias que têm essa utilidade. Esse papel social e econômico, como é o caso do breu. A floresta da Embrapa está no meio de lavouras experimentais. Não por acaso. “A gente mostra a inter-relação entre agricultura e as florestas. São as florestas as fontes de polinizadores. Florestas são importantes inclusive em um cenário que a gente tem agora, que precisa de adaptação às mudanças do clima. Precisamos de mais florestas para que a agricultura seja mais resiliente”, afirma Joice Ferreira. Mas a resiliência da agricultura brasileira também é construída sem tanta opulência, com algo que a gente quase nunca vê. Repórter: Isso aqui é milho? Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa: Aqui é milho. Repórter: A gente tem o quê? Uma raiz de milho de uns quatro metros? Mariangela Hungria: É, olha aqui, dois, três metros pelo menos. A Mariangela Hungria é a pesquisadora que ganhou em 2025 o Prêmio Mundial de Alimentação, considerado o Nobel da agricultura. Resultado de uma vida pesquisando uma tecnologia que hoje o Brasil lidera. “É o uso de biológicos substituindo os químicos. E um desses biológicos muito importantes é um que faz crescer as raízes. E por que raiz é importante? Porque raiz é a base de tudo. Ela que vai absorver a água e os nutrientes, vai correndo atrás do solo onde tem água, ela resiste mais aos períodos de seca, ela tem maior resiliência”, explica Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa. A Agrizone brasileira foi montada em uma fazenda de 3 mil hectares da Embrapa, em Belém. Apresenta alternativas em discussões lideradas pelo enviado especial da COP para agricultura, Roberto Rodrigues. “Nós ouvimos 41 instituições ligadas ao agronegócio, direta ou indiretamente, com suas propostas e ideias para o mundo com agricultura tropical sustentável e regenerativa. Então, fizemos um documento amplo que conta a história do Brasil em 50 anos sob essa ótica de tecnologia com sustentabilidade”, diz Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV e enviado especial da COP30. O professor emérito da FGV diz que o Brasil tem muitos desafios a vencer, mas muitos exemplos a dar: “Hoje a agricultura tropical é um fator que ajuda o clima. O Brasil, 50 anos atrás, importava 30% da comida que consumíamos aqui. Hoje, nós exportamos comida para 150 países, 190 países do mundo inteiro. O que que é isso? O que aconteceu no Brasil, esse milagre? Simples: tecnologia, inovação, ciência, sustentabilidade”. Repórter: Mariangela, dá para produzir mais comida com menos impacto ambiental? Mariangela Hungria: Se dá. E nós estamos aqui. Hoje, nós somos líderes no uso de biológicos na agricultura, mas eles representam 15% em relação aos químicos. Só que, hoje, a gente já tem coisas, biológicos, soluções que estão aí prontinhas para 50%. Então, implementação é a cara dessa COP. Em Belém, representantes da agricultura mostram como a floresta em pé pode gerar renda e melhorar a produção de alimentos Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM VÍDEOS: a COP 30 e o nosso futuro Lula discursa na abertura da COP30 e diz ser preciso 'impor nova derrota' aos negacionistas TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 1: boletim do g1 mostra o que esperar da cúpula em Belém Governador da Califórnia diz que ausência dos EUA na COP30 é 'guerra ideológica' e 'aposta na estupidez'

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Marinha abre 56 vagas em processo seletivo com salário inicial de R$ 7,5 mil; veja como concorrer

Publicado em: 11/11/2025 20:34

Processo seletivo conta com 56 vagas temporárias. Divulgação/Marinha do Brasil A Marinha do Brasil abriu processo seletivo para Oficiais de 2ª Classe da Reserva (RM2) pelo Serviço Militar Voluntário Temporário. São 56 vagas destinadas ao 8º Distrito Naval, com salário inicial a partir de R$ 7,5 mil. As inscrições ficam abertas até 8 de janeiro de 2026. Os interessados devem ter entre 18 e 41 anos e podem se inscrever no portal da Marinha. O valor da taxa é de R$ 140 e o local da prova será divulgado no dia 5 de fevereiro. Além da remuneração, há também benefícios como assistência médico-hospitalar, alimentação e alojamento, quando previstos para a situação de serviço. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Sobre a prova A prova objetiva será a primeira etapa do processo seletivo, marcada para o dia 22 de fevereiro de 2026, às 10h. Com duração de 3 horas, o exame terá 40 questões de múltipla escolha sobre Língua Portuguesa. Cada questão valerá 2,5 pontos, totalizando 100 pontos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 No dia da prova, candidatos devem estar com o comprovante de inscrição, documento de identificação em meio físico, canetas esferográficas pretas ou azuis de material transparente, lápis e borrachas. Os aprovados terão contratos temporários com duração inicial de 12 meses até 8 anos. O edital e mais informações estão disponíveis neste link. Confira as vagas Odontologia Enfermagem Farmácia Administração Biblioteconomia Comunicação Social Informática Segurança Do Tráfego Aquaviário Pedagogia Matemática Engenharia Civil Engenharia De Material Engenharia De Produção Engenharia De Sistemas Da Computação Engenharia Elétrica Engenharia Eletrônica Engenharia Mecânica Das vagas, duas são previstas para Santos: 1 vaga para Pedagogia; 1 vaga para Segurança do Tráfego Aquaviário (STA): destinada a profissionais formados em Bacharelado em Ciências Náuticas (Máquinas ou Náutica), Engenharia Naval, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Tecnologia em Construção Naval ou Tecnologia em Sistemas de Navegação. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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Santos recebe 1ª edição do Digital Week com CEO do WhatsApp, mais de 100 palestrantes e entrada gratuita

Publicado em: 11/11/2025 19:54

Santos Convention Center, que é administrado pela GL Events Foto: Divulgação Santos recebe pela primeira vez o Santos Digital Week (SDW), evento que reúne tecnologia, inovação e negócios. O encontro terá palestrantes como o CEO do WhatsApp e a cofundadora do Nubank, e acontece nesta quinta (13) e sexta-feira (14). A entrada é gratuita mediante entrega de 1 kg de alimento não perecível. A edição será realizada no Santos Convention Center, na Praça Almirante Gago Coutinho, 29, Ponta da Praia. A estrutura contará com três palcos simultâneos de palestras, painéis e talks sobre marketing, vendas, liderança, inovação, tecnologia e inteligência artificial. O espaço terá cerca de 70 estandes de produtos e soluções corporativas, além de uma feira criativa com mais de 80 marcas regionais. Serão aproximadamente 100 palestrantes ao longo dos dois dias, incluindo nomes de destaque do mercado, como os listados abaixo: ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Rafa Brito: especialista em Instagram, que ensina empresas e criadores a transformarem audiência em vendas; Rafael Kiso: fundador da mLabs, a maior plataforma de gerenciamento de redes sociais da América Latina, e referência em marketing digital e estratégia de marca; Camila Vidal: fundadora da Moving Girls, comunidade que já formou mais de 60 mil alunas a empreender; Thammy Manuella: especialista em vendas; Lincoln Fracari: referência em importação da China, que ensina empresários brasileiros a ampliarem negócios e lucrarem com o comércio internacional; Ernesto Haberkorn: cofundador da TOTVS, uma das maiores empresas de tecnologia da América Latina; Carolina Martins: dona do maior perfil feminino do LinkedIn no Brasil, com mais de 2,9 milhões de seguidores, especialista em comunicação e posicionamento profissional; Thiago Rocha: influenciador e um dos maiores professores de inglês do país. Como participar? A programação completa do evento e os ingressos podem ser conferidos no site do SDW. Participar existem duas formas: entrada gratuita, que dá acesso ao primeiro pavilhão com expositores locais e palestras selecionadas, ou através do ingresso pago, que custa a partir de R$ 197 e dá acesso aos dois pavimentos da feira, com palestras liberadas, incluindo os seguintes nomes: Cris Junqueira - Co-fundadora do Nubank Clóvis de Barros Filho - Professor e filósofo Joel Jota - Empresário e embaixador do evento Caio Carneiro - Especialista em vendas Guilherme Horn - CEO do Whatsapp Netão Bom Beef - um dos maiores churrasqueiros do Brasil Juliana Goes, influenciadora referência em vendas e inovação Segundo Marcel Roxo, idealizador do evento junto com Lara Finochio, a expectativa é que o encontro contribua para posicionar a Baixada Santista no cenário nacional de inovação e negócios, fortalecendo o ecossistema local e criando conexões estratégicas com outras partes do País. O evento é voltado a empreendedores, investidores, executivos, startups, profissionais de marketing, criadores de conteúdo e integrantes da economia criativa. Revolução da IA A especialista em inteligência artificial Gabriela Morais tirou as principais dúvidas sobre o crescimento da IA. Confira: IAgora: Especialista desmistifica inteligência artificial VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos

Imagens exclusivas mostram passagem de tornado com ventos de 330 km/h que destruiu cidade do Paraná; ASSISTA

Publicado em: 11/11/2025 19:15

Imagens exclusivas mostram tornado com ventos de 330 km/h atingindo Rio Bonito do Iguaçu A câmera de segurança de uma casa registrou a passagem do tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, na última sexta-feira (7). As imagens foram obtidas com exclusividade pela RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. Assista acima. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o tornado atingiu a classificação F3 na escala Fujita e os ventos atingiram a velocidade de 330 km/h. Rio Bonito do Iguaçu ficou 90% destruída. Seis pessoas morreram na cidade e uma em Guarapuava. No total, pelo menos 835 ficaram feridas e precisaram de atendimento médico, de acordo com Secretaria de Estado de Saúde (Sesa). ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp As imagens foram cedidas por um morador da cidade. No vídeo é possível perceber que a tempestade começa por volta das 18h03. Em alguns segundos, luzes das ruas começam a piscar e as árvores começam a balançar. Às 18h04, todas as luzes se apagam e a chuva ganha força. Em seguida, o muro de vidro da casa começa a balançar e, logo depois, é quebrado pela força do vento. Um minuto depois, a imagem da rua é coberta por estilhaços lançados durante a passagem do tornado. A câmera para de gravar às 18h05. Câmera de segurança registrou passagem de tornado em Rio Bonito do Iguaçu. Cedidas/Arcílio Pazetto De acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), que vistoria a cidade desde sábado (8), cerca de 30% do que sobrou das edificações terá que ser demolido devido à estrutura estar comprometida. Os outros 70% passarão por reformas. Na segunda-feira (10), o Governo do Paraná anunciou a construção de 320 casas emergenciais e a suspensão da cobrança de energia e de água. VEJA TAMBÉM: Solidariedade: Saiba como ajudar cidade atingida por tornado no Paraná Atendimento: Cerca de 20 animais morreram e outros 50 foram encontrados perdidos e feridos Veja: Vídeo mostra chegada de tornado em cidade que foi devastada no Paraná Imagens exclusivas mostram tornado com ventos de 330 km/h atingindo Rio Bonito do Iguaçu Cidade foi atingida por tornado classificado pelo Simepar como F3 na escala Fujita. Rio Bonito do Iguaçu foi a cidade mais afetada Rio Bonito do Iguaçu foi a cidade mais afetada pelo tornado, proporcionalmente. O município tem cerca de 14 mil habitantes e teve 90% dos imóveis destruídos. Segundo o prefeito Sezar Augusto Bovino, a cidade terá que ser reconstruída, e o governo estadual vai destinar R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para isso. O valor poderá ser repassado diretamente às famílias, com previsão de até R$ 50 mil por residência, conforme um projeto de lei aprovado em regime de urgência na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Até o momento, foi autorizada a reconstrução das escolas destruídas, e a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria aplicada neste domingo, foi adiada na cidade. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda informou que moradores de Rio Bonito do Iguaçu que recebem benefícios assistenciais poderão solicitar a antecipação da renda mensal. Rio Bonito do Iguaçu ficou 90% destruída após passagem de tornado Jefferson Silva/ Rádio Campo Aberto/ Coprossel VEJA HISTÓRIAS: Esposa de vítima estava em viagem para missa da morte da irmã quando marido foi soterrado 'Foi como se caísse uma bomba na casa', diz filho de vítima de tornado Idoso chora ao contar que perdeu tudo em tornado no Paraná Vítima de tornado no Paraná planejava comemorar Crisma com família Vitimas do tornado Veja, abaixo, quem são as vítimas que morreram durante os tornados de sexta-feira (7) no Paraná: José Neri Geremias, de 53 anos, morreu em Guarapuava; Julia Kwapis, de 14 anos, morreu em Rio Bonito do Iguaçu; Jurandir Nogueira Ferreira, 49 anos, morreu em Rio Bonito do Iguaçu; Claudino Paulino Risse, 57 anos, morreu em Rio Bonito do Iguaçu; Adriane Maria de Moura, 47 anos, morreu em Rio Bonito do Iguaçu; José Gieteski, de 83 anos, morreu em Rio Bonito do Iguaçu; José Eronides de Almeida, de 70 anos, morreu em Rio Bonito do Iguaçu. Mais de 830 pessoas ficaram feridas durante os tornados que atingiram o Paraná Samu/Sesa Na manhã desta terça (11), a Sesa também atualizou que, quatro dias após o Paraná ser atingido por três tornados, 20 pessoas continuam internadas devido a ferimentos causados pelos estragos provocados pelas tempestades. 11 estão em hospitais de Guarapuava, 6 em Laranjeiras do Sul e 3 em Cascavel. No total, pelo menos 835 ficaram feridas e precisaram de atendimento médico, de acordo com as informações mais recentes do órgão. "Os atendimentos hospitalares continuam sendo realizados com o apoio dos insumos e medicamentos enviados pela Sesa no fim de semana. [...] Ao todo, foram encaminhados 16 mil itens de 18 tipos diferentes, como frascos de soro, ataduras, seringas, compressas e agulhas, entre outros insumos hospitalares". Ainda no domingo (9) o Corpo de Bombeiros informou que não havia mais desaparecidos e que as buscas na área urbana foram encerradas. As equipes, agora, concentram o trabalho na reorganização dos serviços essenciais, como o restabelecimento da água e energia elétrica e a coordenação da distribuição de alimentos, água potável e demais donativos recebidos. 'Cenário de guerra' Os efeitos do tornado no Paraná Reprodução/TV Globo O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, descreveu o cenário encontrado em Rio Bonito do Iguaçu como “de guerra”. Antonio Gieteski, filho de José Gieteski - uma das vítimas que morreram na tragédia -, disse que o pai estava dentro de uma casa que foi arremessada com a força do vento. "O pai estava com a mãe em casa, como de costume. De repente veio o tornado e, em questão de um minuto, um minuto e 20 segundos, foi como se caísse uma bomba na casa deles. A casa dele foi arremessada uns 30 metros de distância, era uma casa de madeira. Nesse impulso, ele foi junto e as madeiras caíram em cima", conta o filho. Infográfico: tornado deixa rastro de destruição no Paraná g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: A Leia mais notícias no g1 Paraná

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Manifesto sobre a Amazônia é apresentado na COP30 por Instituto Mapinguari, do AP

Publicado em: 11/11/2025 18:50

Amapá na COP30: pavilhão reúne vários serviços e palestras de empreendedores O Instituto Mapinguari do Amapá lança em Belém (PA) durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) o manifesto 'E depois da COP30? Queremos uma Amazônia com justiça climática e transição justa!'. O texto foi entregue a representantes da sociedade civil, organizações e lideranças nacionais e internacionais. O documento reúne 45 assinaturas de organizações e aponta divergências entre compromissos climáticos assumidos pelo Brasil e práticas de desenvolvimento na Amazônia. Baixe o app do g1 para ver notícias do AP em tempo real e de graça Instituto Mapinguari leva carta-manifesto a COP30 Divulgação/Instituto Mapinguari A carta também sugere medidas como a suspensão de projetos ligados a combustíveis fósseis e mudanças nos sistemas alimentares. Veja a carta-manifesto Participação das comunidades Segundo a diretora executiva do Instituto Mapinguari, Anália Barreto, o manifesto busca ampliar a participação das comunidades amazônicas nas decisões sobre clima e desenvolvimento. “Transicionar para uma economia de baixo carbono requer participação e escuta ativa das comunidades e de suas necessidades, requer pensar uma governança climática que dê voz aos territórios, e é justamente isso que buscamos com o manifesto”, afirmou. Diretora executiva do Instituto Mapinguari, Anália Barreto Divulgação/Instituto Mapinguari O texto será divulgado em painéis, palestras, mesas redondas e outras atividades da conferência. Segundo o instituto, a intenção é reunir apoio de diferentes setores e estimular debates sobre transição energética, reconhecimento de povos indígenas, quilombolas, pescadores, ribeirinhos, extrativistas e agricultores familiares. Principais pontos do manifesto O documento opina sobre a possibilidade de prospecção petrolífera na região da Foz do Rio Amazonas. De acordo com o Instituto, a atividade pode afetar a biodiversidade e os modos de vida tradicionais em áreas do Amapá e do arquipélago do Marajó, no Pará. O manifesto também destaca que cerca de 75% das emissões de gases de efeito estufa brasileiras estão ligadas à agropecuária e ao uso da terra, conforme dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). O texto defende o fortalecimento da agricultura familiar, da pesca artesanal e da agroecologia, além da ampliação de programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O documento apresenta recomendações em quatro áreas: Transição energética, com investimento em pesquisa e tecnologias sociais; Sistemas alimentares resilientes, com apoio à agroecologia, reforma agrária e demarcação de territórios; Cultura como eixo de educação e mobilização climática; Comunicação popular e regulação democrática, com combate à desinformação e apoio a mídias comunitárias. Equipe do Instituto Mapinguari leva questões da Amazônia a COP30 Divulgação/Instituto Mapinguari Instituto Mapinguari leva carta-manifesto à COP30 Divulgação/Instituto Mapinguari Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

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