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Novos detalhes expõem as versões globais dos celulares OPPO Reno 16, 16 Pro e Reno 16 FS

Publicado em: 02/06/2026 06:41 Fonte: Tudocelular

As especificações e imagens da versão global de alguns modelos da linha Reno 16 da OPPO vazaram online. Segundo informantes da indústria, já é possível ter uma boa noção não apenas do design que deve ser adotado pela marca nos aparelhos, como também do seu desempenho. OPPO Reno 16 aparece em vazamento com visual e especificações globaisEm geral, foi possível saber os detalhes sobre três dos dispositivos que serão vendidos no mercado internacional: Reno 16, 16 Pro e 16 FS. A variante padrão deve apostar em um formato mais compacto, com tela de 6,3 polegadas, tecnologia AMOLED e taxa de 120 Hz. Além disso, ele deve ser equipado com o chip Snapdragon 7 Gen 4 e bateria de 6.000mAh.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Crime organizado na Faria Lima: por que fintechs viraram meio 'fácil' de lavar dinheiro?

Publicado em: 02/06/2026 05:38

Seis fintechs alvo da Fluxo Oculto movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos Receita Federal O crime organizado continuou lavando dinheiro e ocultando patrimônio no coração financeiro de São Paulo mesmo depois da deflagração da Carbono Oculto, a operação que chamou atenção para a entrada do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. Nove meses depois, a segunda fase da operação, batizada de Fluxo Oculto, cumpriu parte dos 59 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (29/5) em seis fintechs, empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros, e quatro fundos de investimentos. Eles eram a ponta final de um esquema de desvio de nafta, um solvente químico, importado por empresas de fachada e repassado para distribuidoras e postos de gasolina para adulteração de combustíveis. O papel crescente da Faria Lima nos negócios do crime organizado chama atenção. Nos últimos anos, organizações criminosas se aproveitaram de exigências regulatórias e de transparência mais brandas às quais as fintechs eram sujeitas para movimentarem bilhões de reais com contas e operações de difícil rastreamento, segundo apontam as investigações. As práticas acenderam um alerta entre as autoridades, que têm tentado fechar essas brechas e o fluxo de dinheiro. E também podem mobilizar o próprio mercado financeiro, especialmente depois que os Estados Unidos passaram a classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida que, para alguns analistas, pode trazer consequências para empresas de diversos segmentos. As engrenagens do esquema Fluxograma mostra caminho do dinheiro no esquema mirado pelo Fluxo Oculto Receita Federal De acordo com porta-vozes do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo (ANP), as fintechs alvo da Fluxo Oculto funcionavam como "bancos paralelos", responsáveis por introduzir dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro. Por elas, passaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. "Nesse caminho do dinheiro sujo — tanto das atividades da organização criminosa quanto aquele ganho com a própria venda do combustível adulterado —, ele entra no sistema financeiro via fintech", afirmou o secretário da Receita Federal Robinson Barreirinhas em coletiva de imprensa logo após a deflagração da operação. "A fintech é a porta de entrada." Os fundos de investimentos eram o elo da etapa seguinte, para ocultar o patrimônio dos criminosos. "O valor é investido em um fundo de investimento, que investe em outro, que investe outro, buscando nessa cadeia dificultar o rastreamento", explicou o secretário. "E, na ponta final, o próprio fundo faz os investimentos, e pode investir em empresas, adquirir bens ou inclusive remeter recursos ao exterior, que depois voltam e beneficiam o próprio criminoso", afirmou Barreirinhas. Provas colhidas nos últimos meses, inclusive os celulares de contadores do PCC, apontaram que essas seis fintechs haviam substituído as três que foram alvo da Carbono Oculto em agosto de 2025 e foram usadas para que o crime continuasse lavando dinheiro mesmo depois da primeira operação. "Identificamos toda uma movimentação dos principais líderes do esquema redirecionando todo o dinheiro pra essas novas fintechs", afirmou o promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP João Paulo Gabriel. Outro ponto que chamou atenção foi o fato de que a estrutura não era usada apenas por uma organização criminosa — no caso, o PCC. "O eixo que talvez seja o mais preocupante é o fenômeno que a gente vem identificando das convergências criminosas", destacou Gabriel. "Essas fintechs estão sendo exploradas não apenas por essa organização criminosa, como também por outros grupos criminosos. [São] diversas organizações criminosas compartilhando os mesmos espaços de fluxo financeiro." Operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão Receita Federal Como fintechs viraram 'duto' para dinheiro ilícito Ainda que atuem no setor financeiro, as fintechs não são bancos, de acordo com a classificação do Banco Central — e essa é uma diferença relevante. Ao contrário dos bancos, instituições de pagamentos não podem usar o dinheiro depositado pelos clientes para oferecer empréstimos, por exemplo. Também é exigida das fintechs uma reserva financeira de segurança bem menor para poderem operar do que as regras estipulam para bancos tradicionais. Nos últimos anos, as organizações criminosas se aproveitaram de uma série de particularidades da regulamentação das fintechs para lavar bilhões de reais em dinheiro ilícito, de acordo com as investigações. Entre elas, exigências mais brandas de transparência e a possibilidade de criação de contas de difícil rastreamento. Desde a Carbono Oculto, as autoridades têm tentado bloquear algumas dessas vias. Em agosto de 2025, a Receita Federal equiparou o tratamento de fintechs ao de bancos, obrigando-as a apresentarem informações detalhadas sobre suas movimentações por meio da e-Financeira, um conjunto de arquivos digitais que bancos, corretoras, seguradoras e administradoras de consórcios enviam para a Receita. "A Receita passou a exigir a identificação de cada pessoa que fazia uma movimentação bancária, isso antes não era necessário", diz a professora do Insper Juliana Facklmann. A norma deveria ter começado a valer em janeiro do ano passado, mas foi alvo de uma onda de desinformação, que ficou conhecida como a "fake news do Pix", e acabou sendo temporariamente suspensa. "Fomos vítimas da maior onda de fake news da história da Receita", afirmou o secretário da Receita durante a coleta. 'Fluxo Oculto': operação faz buscas na Faria Lima, em SP "Mentiras dizendo que a Receita iria monitorar ou tributar o Pix, que volta e meia tentam emplacar novamente. Vimos quem era o interessado nisso: as organizações criminosas que se valiam e valem ainda dessas fintechs para lavagem de dinheiro." Um dia depois da deflagração da Carbono Oculto, quando as investigações revelaram o uso das fintechs como braços financeiros do crime organizado, a norma passou a valer. Três meses depois, a Receita institui também a DeCripto, uma declaração que as prestadoras de serviços de ativos financeiros virtuais passaram a ter que enviar todos os meses, informando sobre as transações realizadas em criptomoedas. Esse tipo de ativo também é popular entre criminosos, porque é fácil de ser movimentado internacionalmente, e seus donos são mantidos em relativo anonimato. A Fluxo Oculto identificou a movimentação de R$ 365 milhões em criptoativos nas instituições alvo da operação. O Banco Central também divulgou medidas no mesmo sentido. Em setembro do ano passado, determinou que todas as novas instituições de pagamento peçam autorização formal do BC para começar a operar. Dois meses depois, fechou o cerco contra as chamadas contas-bolsão, modalidade que reúne recursos de várias pessoas em uma única conta, sem identificação individualizada dos titulares. Fluxo Oculto envolveu a cooperação de diferentes órgãos, que detalharam as investigações em coletiva de imprensa na última quinta Receita Federal Juliana Facklmann ressalta que essa modalidade foi bastante explorada por grupos criminosos. Eles se aproveitavam do fato de que muitas fintechs não têm acesso direto ao sistema de liquidação do Banco Central e precisam de um terceiro (um banco tradicional, por exemplo) para acessar essa infraestrutura, onde a transferência de fato dos recursos entre bancos e instituições de pagamentos é realizada todos os dias. A conta-bolsão entrava aí. Era a modalidade que a fintech usava para movimentar recursos com a instituição que tinha acesso ao sistema de liquidação do Banco Central. Como as operações não eram detalhadas por titular, mas um bolo só, o BC não conseguia fiscalizá-las. "Era quase como se tudo o que estivesse ali fosse da fintech em si", ilustra a professora. "Da parte dela, [para evitar que o dinheiro que circulava por ela tivesse origem ilícita], a fintech deveria ter todos os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo e seguir o princípio do 'conheça o seu cliente' para saber quem está movimentando o que ali dentro", acrescenta Facklmann. "Então, foi esse mecanismo que esses grupos criminosos utilizaram para conseguir infiltrar dinheiro dentro da Faria Lima: essa questão de não identificação das contas-bolsões, mais o ponto de que fintechs — mais especificamente instituições de pagamento — não tinham bons controles de prevenção à lavagem de dinheiro." Ela considera "importantes" as medidas tomadas pelo Banco Central e pela Receita nos últimos meses e avalia que elas devem evitar muitas situações parecidas com as reveladas pela Carbono Oculto e pela Fluxo Oculto. "Agora, o Banco Central consegue fazer os cruzamentos que ele precisa, as verificações e as análises que ele precisa para entender que a 'padaria do seu Francisco' está movimentando muito mais do que deveria e ir atrás para questionar", ilustra ela. Fintechs e fundos eram elo final de esquema de desvio de nafta para adulteração de combustíveis Receita Federal Repressão e fiscalização O superintendente-adjunto da Receita Federal em São Paulo, Claudio Ferrer de Souza, ressaltou que, das seis fintechs alvo da Fluxo Oculto, três cumpriam as obrigações com a e-Financeira. Ou seja, submetiam dados detalhados ao Fisco. As outras três não enviavam as informações, chamando atenção para outro ponto importante no problema da infiltração do crime na Faria Lima: a fiscalização. À reportagem da BBC News Brasil, Souza comentou após a coletiva de imprensa que a fiscalização é fundamental e que o problema não vai ser resolvido apenas com repressão. No início de abril, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado que a autarquia não tem recursos suficientes para supervisionar de forma satisfatória as empresas do setor financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por sua vez, responsável pela regulação do mercado de capitais, sobre quem recai a responsabilidade sobre os fundos de investimentos, tem se visto no centro de diversas polêmicas e é acusada por críticos de falhar em sua missão. Questiona-se, por exemplo, por que ela não foi capaz de identificar as diversas irregularidades cometidas pelo Banco Master no que se desenha como a maior fraude bancária do país. O delegado-chefe de repressão a crimes financeiros da Polícia Federal (PF), Guilherme Siqueira, disse em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) no início de maio que a CVM opera com déficit de capacidade humana e tecnológica e não consegue acompanhar a expansão do mercado. Essas fragilidades, segundo ele, são exploradas pelo crime organizado. Além da repressão, é preciso focar também em fiscalização, diz superintendente-adjunto da Receita Receita Federal Efeito Trump A pressão para melhorar a fiscalização e fechar as brechas regulatórias ganhou novo impulso quando os Estados Unidos anunciaram que passariam a classificar PCC e CV como organizações terroristas. De um lado, especialistas alertam que a medida pode abrir possibilidade para que o governo Trump promova intervenções militares em território brasileiro. De outro, para que imponha, por meio do Departamento do Tesouro, sanções a organizações financeiras que mantenham relação com as facções. Para alguns analistas, é aí que o mercado financeiro brasileiro e empresas de outros segmentos poderiam ser impactados. Pedro Henrique Rezende, sócio especialista em compliance (mecanismo para garantir que a operação esteja de acordo com as normas legais) e investigações do Aroeira Salles Advogados, avalia que a medida "tem potencial para ampliar significativamente o risco regulatório para empresas brasileiras com exposição ao sistema financeiro internacional ou com relações comerciais com os Estados Unidos". Ele recomenda a empresas que tenham negócios com vínculos com os EUA que façam uma análise minuciosa das organizações com as quais trabalham para conhecer de fato seus beneficiários finais e garantir que estes não tenham qualquer relação com o crime organizado para que não estejam sujeitas a punições como bloqueio de recursos aplicados no sistema bancário americano. A professora do Insper Juliana Facklmann, por sua vez, avalia que "quem já está trabalhando da forma correta não vai ter maiores impactos". "Não vejo como algo que vai aumentar as regras de compliance", ela opina. "Acho que seria somente sobre o aumento da eficácia das regras de compliance, ou seja, ter certeza, por exemplo, que uma fintech conhece o cliente que está entrando, que tem um monitoramento eficiente, que percebe a movimentação de grandes fluxos e se pergunta: 'Mas por que esse cliente está movimentando grandes fluxos?' E vai atrás do cliente para entender."

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Estudantes criam jogo para ajudar crianças com TDAH e permitir acompanhamento dos pais; entenda

Publicado em: 02/06/2026 05:00

Estudantes criam jogo digital para crianças com TDAH na Baixada Santista, SP Reprodução/Instagram e Arquivo Pessoal Um grupo de estudantes utilizou a tecnologia para auxiliar crianças diagnosticadas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Os jovens desenvolveram um jogo digital, que oferece desafios educativos enquanto o desempenho é compartilhado com os pais e responsáveis. 🔎Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), da Associação Americana de Psiquiatria, o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento definido por níveis prejudiciais de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Ao g1, a estudante Eduarda Belles, de 20 anos, contou que o jogo é destinado às crianças entre 8 e 10 anos. "Nosso objetivo não é substituir acompanhamento profissional ou fornecer diagnósticos, mas oferecer uma ferramenta complementar que une aprendizado, tecnologia e diversão", explicou. Agora no g1 De acordo com os especialistas ouvidos pelos estudantes, as atividades propostas não apenas estimulam a atenção aos detalhes, como também aprimoram a coordenação motora das mãos e dos dedos das crianças. Iniciativa Eduarda afirmou que a ideia surgiu durante o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Desenvolvimento de Sistemas, na Escola Técnica Estadual (ETEC) Adolpho Berezin, em Mongaguá, no litoral de São Paulo, em 2024. "Resolvemos nos desafiar a criar um jogo com propósito social. A partir de pesquisas e observações, percebemos como o TDAH está cada vez mais presente no cotidiano e como métodos tradicionais de aprendizagem podem ser desestimulantes para algumas crianças. Então, surgiu a pergunta: e se aprender pudesse ser divertido?", lembrou a estudante. Com o auxílio de psicólogos, psicopedagogos, educadores e profissionais da área de jogos, o projeto foi desenvolvido em menos de um ano. Inclusive, a ideia já recebeu os prêmios de "Melhor Jogo Educativo", escolhido por júri técnico, e "Jogo da Galera", por voto popular, no Santos Game Power Up. Projeto foi premiado no Santos Game Power Up Arquivo Pessoal Neste ano, a iniciativa tem sido ampliada na Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Praia Grande (SP), onde Eduarda estuda Desenvolvimento de Software Multiplataforma. A novidade é que os pais, responsáveis e profissionais podem acompanhar o desempenho das crianças em uma plataforma. "As crianças estão cada vez mais conectadas ao universo digital e dos jogos, então buscamos transformar esse interesse em uma experiência que também possa estimular habilidades importantes de forma leve e envolvente", destacou Eduarda. Como funciona o jogo? A estudante afirmou que o Cosmic Mind é um jogo com temática espacial em que a criança é protagonista de uma jornada de exploração e descoberta, guiada por personagens ao longo da experiência. A narrativa estimula a curiosidade, a imaginação e a construção de forma lúdica, incentivando reflexões sobre escolhas, evolução e futuro. Alguns detalhes são mantidos em sigilo para preservar a propriedade intelectual e a vantagem competitiva do jogo, que deve ser lançado nos próximos anos. Eduarda destacou que o foco atual é continuar aperfeiçoando a solução, ampliar o contato com especialistas e buscar oportunidades de validação junto a clínicas, profissionais e instituições parceiras. Projeto foi apresentado na Fatec Praia Grande na última semana Fatec Praia Grande/Divulgação Integrantes O desenvolvimento do jogo é realizado pelas equipes Spectrum e Selenes, formadas por estudantes das áreas de Desenvolvimento de Software Multiplataforma, Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Jogos Digitais, da Fatec Praia Grande e da Fatec São Caetano do Sul. Além de Eduarda, a equipe é composta por Ângelo Ferreira, Luigi Campregher, Raiza Antoneli, Takeshi Aoki, Ellen Gouveia, Luana Fontenele, Brenno D'Luca, Zeus Machado, Ellen Gouveia e Luana Fontenele. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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Por que é urgente a inclusão digital dos idosos

Publicado em: 02/06/2026 04:02

Saiba quais os benefícios da inclusão digital na terceira idade No fim de maio, o governo federal encerrou a consulta pública para a criação do “guia orientativo para o desenvolvimento de competências digitais e midiáticas da pessoa idosa no Brasil”. Traduzindo o jargão burocrático, estamos falando de algo da maior relevância: a inclusão digital dos 60 mais. Apesar de estarem cada vez mais enfronhados nesse ambiente, inúmeras barreiras ainda atrapalham seu acesso. Maioria dos idosos não tem acesso pleno ao mundo digital Ageing without limits O relatório da Conferência Livre Nacional “Pelo direito da pessoa idosa à educação digital para ampliação do acesso ao cuidado integral” (CLNDPI-EDigital) aponta uma lista extensa de desafios. Para começar, pense no idoso que depende de um plano de dados pré-pago e limitado, utilizando um smartphone com interface pouco amigável. Ele pode até ser capaz de trocar mensagens em aplicativos, mas a situação fica bem mais complicada se precisar preencher formulários do governo (Gov.br), agendar uma consulta no Sistema Único de Saúde (SUS) ou checar seus benefícios previdenciários (Meu INSS). Na prática, o que se vê é uma cidadania digital de duas classes entre a população idosa: uma minoria com acesso pleno e qualificado, capaz de usufruir dos benefícios da tecnologia, e uma vasta maioria relegada a uma participação precária e de baixa autonomia – ou simplesmente excluída. O relatório afirma que se trata de uma violação de direitos assegurados pelo Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003). O cenário contribui para um sentimento de intimidação e baixa autoeficácia que leva muitas pessoas idosas a internalizar a crença de que são incapazes de aprender, resultando no abandono da tecnologia e no aprofundamento de seu isolamento. Portanto, a inclusão digital desse grupo não é uma questão central de direitos humanos. Seguem alguns dos principais pontos reivindicados pelos grupos de apoio à causa: Política de democratização: acesso a ferramentas e dispositivos digitais (computadores, tablets, internet), com oferta gratuita para idosos de baixa renda. Acessibilidade de dispositivos: estímulo para que a indústria desenvolva celulares adaptados às necessidades específicas dos idosos. Estruturas comunitárias e descentralizadas: criação de centros de informática aproveitando equipamentos sociais e estruturas públicas (como conselhos, centros de convivência, Terceiro Setor, escolas, bibliotecas, praças públicas e pontos de cultura). Atendimento humanizado: profissionais capacitados e com perfil adequado para mentorias e capacitação em letramento, educação, desinformação e segurança digital. Uso seguro: foco na capacitação para o desenvolvimento de competências digitais, com ênfase na aprendizagem e utilização segura de aplicativos, sistemas bancários e plataformas da saúde e de seguridade social. Prevenção de golpes, fraudes e informações enganosas: abordagem sobre o uso seguro de serviços financeiros (manuseio de caixas eletrônicos e aplicativos) e capacitação para identificar fake news. Vamos torcer não somente pelo guia, mas também pela implementação dessas diretrizes. Em ano eleitoral, é fundamental saber o que pensam seus candidatos a respeito.

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Antenas que tentam burlar novo bloqueio de sinal são achadas em cadeia de chefes do CV em Bangu

Publicado em: 02/06/2026 04:01

Antenas e celulares apreendidos em Bangu 3 Reprodução Há cinco meses, começaram a funcionar os novos bloqueadores de sinal de celular no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio. A nova tecnologia promete impedir que presos falem por celular ou usem wi-fi, assim como bloquear a aproximação de drones. Mas, uma apreensão feita na semana passada, revelou que os detentos estão tentando outras formas de comunicação, o sinal via satélite. Foram apreendidas quatro antenas com a tecnologia para tentar burlar os bloqueadores no presídio Gabriel Ferreira de Castilho, Bangu 3, onde ficam os chefes da facção Comando Vermelho. Também foram encontrados 14 aparelhos de telefone celular. Entre eles, modelos de última geração, que chegam a custar mais de R$ 8 mil. O material foi localizado pelo setor de inteligência da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), que usou uma ferramenta específica para localizar os aparelhos. De acordo com a secretaria, a apreensão das antenas mostra a "tentativa de burlar o sistema de bloqueio de sinal". Veja reportagem sobre o anúncio da instalação de bloqueadores em Bangu, em 2025: RJ anuncia que presídios terão bloqueadores de sinal de celular ainda em 2025 A Seppen abriu uma sindicância para apurar o caso. Os novos bloqueadores começaram a ser instalados em janeiro desse ano. Dois presídios já têm a tecnologia: Bangu 3 e Jonas Lopes de Carvalho (Bangu 4), onde ficam os chefes do Terceiro Comando Puro (TCP). A licitação prevê que 49 unidades prisionais sejam cobertas pelos novos bloqueadores, ao custo total de R$ 431 milhões.

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Apple Watch vai receber upgrade de tela importante em 2027, aponta rumor

Publicado em: 02/06/2026 03:31 Fonte: Tudocelular

Um novo rumor sugere que a Apple está de olho em uma nova tecnologia de painéis OLED que promete reduzir drasticamente o consumo de energia do Apple Watch. Desenvolvida pela LG, a novidade poderia estrear nos relógios já em 2027, e até eventualmente migrar para a linha iPhone no futuro.As informações foram compartilhadas pelo site sul-coreano The Elec, que teria ouvido de fontes da indústria que a LG Display, divisão de fabricação de telas da marca, testa uma tecnologia chamada de High-Mobility Oxide, ou HMO. A solução seria vista como a sucessora natural do atual Low-Temperature Polycrystalline Oxide (LTPO), padrão que hoje permite recursos como o Always-On Display (AOD) e a taxa de atualização variável nos smartphones e outros dispositivos. Pelo que explica o portal, o que torna a HMO especial é sua promessa de facilitar o movimento dos elétrons nos transistores — o salto de mobilidade seria de 3 a 5 vezes, indo de 10 cm²/Vs (centímetro quadrado por volt-segundo) oferecido no momento para uma meta de 30 a 50 cm²/Vs. Na prática, essa facilitação se traduziria em uma redução significativa no consumo de energia e, por consequência, uma autonomia de bateria superior.Clique aqui para ler mais

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BYD procura Samsung e pode usar chips de 2 nm em carros com direção autônoma

Publicado em: 02/06/2026 03:22 Fonte: Tudocelular

A Samsung pode fechar um acordo comercial para fornecimento de chips avançados para a BYD após iniciar a produção de componentes para a Tesla. Segundo fontes com acesso às negociações, a gigante chinesa quer comprar chips voltados à direção autônoma para acelerar a venda de modelos compatíveis com a tecnologia. Inclusive, as discussões entre as duas empresas envolvem o uso dos processos de fabricação mais avançados da Samsung, incluindo as tecnologias de 4 nanômetros e a futura geração de 2 nanômetros.Clique aqui para ler mais

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Corsair lança novos periféricos com foco em alto desempenho e streamers

Publicado em: 02/06/2026 03:11 Fonte: Tudocelular

A Corsair aproveitou a Computex 2026 para apresentar uma nova geração de periféricos voltada ao público gamer. Os aparelhos trazem atualizações importantes em desempenho, conectividade e personalização. Entre os destaques estão um teclado compacto com tecnologia Hall Effect, um mouse sem fio com integração inédita ao ecossistema Stream Deck e dois novos headsets desenvolvidos para diferentes perfis de usuários. Clique aqui para ler mais

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Jovem e desempregado? Estudo mostra que home office pode ser mais problema que a IA

Publicado em: 02/06/2026 03:01

Connor Scott, 24, e Zoe Lloyd, 21, estudam em uma cafeteria e restaurante local em 20 de abril de 2026, em Flagstaff, no Arizona. AP/Cheyanne Mumphrey O aumento do trabalho remoto desde a pandemia fez com que empresas se tornassem mais relutantes em contratar jovens sem experiência, e esse é o principal fator por trás das maiores taxas de desemprego entre recém-formados, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (1). A pesquisa, realizada pelo Federal Reserve Bank de Nova York, comparou profissões que podem ser exercidas remotamente — como desenvolvimento de software — com ocupações presenciais, como enfermagem. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pesquisa concluiu que a taxa de desemprego entre jovens recém-formados em empregos “remotáveis” subiu cerca de 1 ponto percentual entre os períodos de 2017-2019 e 2022-2024. Já entre trabalhadores mais velhos dessas áreas — com 29 anos ou mais — a taxa de desemprego caiu levemente, ampliando a diferença entre jovens e profissionais mais experientes em ocupações remotas. Agora no g1 Em profissões que não permitem trabalho remoto, porém, houve pouca diferença nas taxas de desemprego entre graduados mais jovens e mais velhos, segundo o estudo. Um padrão semelhante também foi observado entre trabalhadores sem diploma universitário. A pesquisa, liderada pela economista Natalia Emanuel, do Fed de Nova York, conclui que empresas evitam contratar recém-formados para vagas remotas porque é mais difícil treiná-los e orientá-los fora do ambiente presencial. “O trabalho remoto enfraqueceu os incentivos para contratar jovens trabalhadores ao dificultar o treinamento no próprio emprego”, afirma o estudo. “Empregadores podem não querer contratar recém-formados para equipes distribuídas porque é mais difícil ensiná-los as habilidades necessárias à distância.” O estudo é divulgado em meio à crescente preocupação com as perspectivas de emprego para jovens graduados, enquanto a inteligência artificial avança sobre diversas profissões de escritório, incluindo finanças, direito, entretenimento e mídia. Neste semestre, formandos chegaram a vaiar referências à IA durante discursos de formatura. Mas o levantamento ressalta que a piora no mercado de trabalho para jovens graduados começou antes da popularização de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT. E, ao analisar o grau de exposição das diferentes profissões à IA, os pesquisadores concluíram que a tecnologia teve pouco impacto sobre o desemprego juvenil. A taxa de desemprego entre graduados universitários com menos de 29 anos subiu 20% em relação ao período pré-pandemia, chegando a uma média de 3,7% entre 2022 e 2025, segundo o Fed de Nova York. Entre graduados de 22 a 27 anos, o desemprego alcançou 5,8% no ano passado — o maior nível fora do período da pandemia desde 2012. As conclusões do estudo reforçam o cenário atual do mercado de trabalho, marcado por poucas contratações e poucas demissões: embora as dispensas permaneçam baixas e o desemprego relativamente estável, quem perde o emprego tem encontrado mais dificuldade para conseguir uma nova vaga. O estudo também analisou dados detalhados de uma empresa de tecnologia da Fortune 500, não identificada, e constatou que seus padrões de contratação refletiam a tendência observada nos dados gerais. Quando os escritórios estavam fechados e os funcionários trabalhavam remotamente, “a empresa contratava menos trabalhadores inexperientes e mais profissionais experientes, que provavelmente precisavam de menos orientação para desempenhar bem suas funções”, afirma o estudo. “Assim que os escritórios reabriram, a empresa voltou a contratar mais jovens trabalhadores”, diz a pesquisa. Ainda assim, mesmo após a reabertura, a companhia continuou favorecendo profissionais mais experientes para equipes que mantinham algum nível de trabalho remoto. Mesas vazias em um prédio de escritórios no bairro de Manhattan, em Nova York, em 2 de agosto de 2024. AP/Ted Shaffrey

Fim da 'tempestade perfeita': por que o agro já prevê dificuldades com El Niño e fertilizantes mais caros

Publicado em: 02/06/2026 03:00

PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.

Palavras-chave: tecnologia

PCs com IA: o que é a nova aposta da Nvidia e como ela pode mudar a forma de usar notebooks

Publicado em: 02/06/2026 03:00

CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresenta a RTX Spark GPU. REUTERS/Ann Wang A Nvidia voltou a chamar atenção para os chamados PCs com inteligência artificial após o presidente-executivo da empresa, Jensen Huang, apresentar um novo chip capaz de executar recursos de IA diretamente em notebooks e computadores de mesa. A aposta da companhia acontece em um momento de incerteza sobre a demanda por esse tipo de equipamento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto a HP afirma que os computadores com IA ajudaram a impulsionar seus resultados financeiros, a Dell disse que o interesse dos consumidores ainda não cresceu no ritmo esperado. Agora no g1 O que é um PC com IA? Fabricantes definem os PCs com IA como computadores capazes de executar tarefas de inteligência artificial diretamente no aparelho, sem depender tanto da internet ou de servidores remotos. Na prática, eles podem processar recursos de IA mais rapidamente e executar funções como assistentes virtuais, chatbots e ferramentas de criação de conteúdo no próprio computador. Hoje, grande parte dos serviços de IA, como ChatGPT e Claude, funciona em data centers. Já os PCs com IA transferem parte desse processamento para a máquina do usuário. Alguns modelos também são capazes de realizar tarefas mais avançadas relacionadas à IA, que normalmente exigiriam servidores mais potentes. Jensen Huang apresenta modelos de laptops usando GPUs RTX Spark. REUTERS/Ann Wang O interesse por esses computadores também cresceu com o avanço dos chamados agentes de IA, programas capazes de executar tarefas de forma mais autônoma, com pouca intervenção humana. A Nvidia apresentou recentemente o chip RTX Spark, desenvolvido em parceria com a MediaTek e a Microsoft. Segundo a empresa, o componente foi criado para permitir que agentes de IA funcionem diretamente no computador, sem depender da computação em nuvem. Os fabricantes esperam que esses recursos atraiam consumidores que já usam IA para atividades como escrever e-mails, organizar compromissos e planejar viagens. A HP informou no fim de maio que os PCs com IA representaram 44% de suas vendas de computadores no segundo trimestre, acima dos mais de 35% registrados no trimestre anterior. Apesar disso, analistas apontam desafios para a popularização desses equipamentos. Entre eles estão a possível escassez de chips de memória e o aumento nos custos de componentes. A consultoria IDC prevê que as vendas globais de computadores poderão cair em 2026 devido à falta de alguns componentes e ao encarecimento da produção. Que tecnologia esses computadores usam? trabalho notebook laptop Pexels Os PCs com IA contam com um componente chamado NPU (unidade de processamento neural), projetado especificamente para tarefas de inteligência artificial. Esse processador trabalha em conjunto com a CPU, responsável pelas tarefas gerais do computador, e com a GPU, usada principalmente para gráficos e processamento paralelo. A combinação desses componentes permite executar aplicações de IA de forma mais eficiente e rápida. Existem preocupações? Logo da Microsoft Unsplash Sim. Uma das principais discussões envolve privacidade. Em 2024, a Microsoft anunciou o recurso Recall, que registrava as atividades realizadas no computador para permitir que o usuário encontrasse informações acessadas anteriormente. A ferramenta gerou críticas por armazenar um histórico detalhado do uso do aparelho. Após questionamentos sobre privacidade e segurança, a empresa adiou o lançamento e reforçou as proteções antes de disponibilizá-la para parte dos usuários. Por outro lado, especialistas afirmam que executar tarefas de IA diretamente no computador pode aumentar a privacidade em alguns casos, já que reduz a necessidade de enviar dados pessoais para servidores externos. Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas nas redes com exposição de terceiros Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular Veja o momento em que a Starship faz a separação no espaço

Investigação aponta que contrato do WiFi Livre SP com ONG cobrava pelo menos duas vezes mais por ponto de internet do que a Prodam

Publicado em: 02/06/2026 00:01

Polícia Civil faz buscas em ONG e na prefeitura de São Paulo A Polícia Civil apontou indícios de sobrepreço na execução do programa WiFi Livre SP ao comparar os valores cobrados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) com os praticados pela Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura de São Paulo. Segundo representação do delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, a Prodam cobrava R$ 230 para instalar cada ponto de internet e R$ 306 por mês para mantê-lo em funcionamento, enquanto o contrato firmado com o ICB previa pagamento de R$ 1.800 por ponto, valor que, segundo o documento, era superior aos preços normalmente praticados pela administração municipal. A investigação não mencionou se o valor da mensalidade estava embutido no preço do ponto. "Correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal", diz o delegado. A Prodam, que atua nessa área de wi-fi, não participou do chamamento público para a execução do WiFi livre, que teve a ONG como única participante. Em nota, a prefeitura alegou que a decisão de firmar uma parceria com uma organização social foi por conta da instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social (leia mais abaixo). Nesta segunda-feira (1º), uma operação cumpriu mandados de busca e apreensão na Instituto Conhecer Brasil por suspeita de fraude em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. O instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP, produtora do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado "Dark Horse" ("Azarão", na tradução do inglês). Na operação, foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na Prefeitura de SP e na ONG. Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. O apontamento do delegado dos valores acima do mercado consta de pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal encaminhado pela Polícia Civil à Justiça no âmbito da investigação sobre a contratação do instituto para operar o programa de internet gratuita em regiões vulneráveis da capital. No documento, o delegado afirma que as suspeitas não se limitam à diferença de preços e cita possíveis irregularidades desde a seleção da entidade até a execução do contrato. De acordo com a representação, o Tribunal de Contas do Município teria apontado ao menos 20 irregularidades no chamamento público que resultou na contratação do ICB. Entre elas, a utilização de critérios considerados genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações. O delegado afirma ainda que o instituto, que atuava na promoção de eventos religiosos e literários gospel, foi a única entidade a apresentar proposta no processo. A Polícia Civil também destaca que a execução do contrato teria sofrido influência do calendário eleitoral. Segundo o documento, 1.605 pontos de internet já estavam ativos no fim de outubro de 2024. Após as eleições municipais, porém, o ritmo de implantação teria diminuído significativamente, chegando a 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes previstos inicialmente não teriam sido instalados. A representação sustenta ainda que houve antecipação de pagamentos públicos durante a execução do programa. Com base nas informações reunidas pela investigação, o delegado afirma que a prefeitura desembolsou R$ 69 milhões, embora o valor correspondente ao período de efetiva prestação dos serviços fosse estimado em cerca de R$ 43 milhões, o que representaria uma diferença de R$ 26 milhões. Outro ponto mencionado pela Polícia Civil envolve as subcontratações realizadas pelo instituto. O documento cita contratos que somariam R$ 98 milhões, incluindo pagamentos de R$ 36 milhões à empresa Make One, R$ 30 milhões à UltraIP e cerca de R$ 12 milhões às empresas Complexys e Fast Future. O delegado também menciona suspeitas relacionadas à produtora Go Up Entertainment, ligada à investigada Karina Ferreira da Gama. Segundo a representação, há a hipótese de confusão patrimonial e da possível utilização de recursos oriundos do programa municipal para financiar a produção do filme "Dark Horse", circunstância que ainda depende do aprofundamento das investigações. Ao pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, a Polícia Civil argumentou ainda que as medidas eram necessárias para rastrear a movimentação dos recursos e esclarecer se houve eventual desvio de verbas públicas. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante entrevista coletiva em SP Reprodução/TV Globo O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), saiu em defesa da empresária Karina Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil. Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (1º), Nunes afirmou que considera Karina uma mulher "decente" e "trabalhadora" e sugeriu "perseguição política", caso a investigação esteja relacionada à ligação dela com o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando e que conhece o Bolsonaro, né? Então está passando por isso". Segundo o prefeito, a contratação foi feita após um chamamento público que ficou aberto por 30 dias e não recebeu impugnações, questionamentos ou propostas de outras entidades. "Durante trinta dias não houve nenhum pedido de impugnação, nenhum questionamento, nenhuma outra entidade quis participar. Ainda bem que essa entidade se propôs a, dentro daqueles moldes, de colocar pontos dentro das favelas, das comunidades", afirmou. Nunes afirmou ainda que a Prefeitura de São Paulo não encontrou irregularidades no contrato firmado com a entidade e sustentou que os 3,2 mil pontos de internet previstos estão instalados e em funcionamento. Segundo o prefeito, eventual ilegalidade identificada pela Polícia Civil ou pelo Ministério Público será apurada pela administração municipal. Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. "Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços", disse. Sobre a escolha da ONG, a prefeitura alega que a "decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação" (veja nota completa abaixo). PERFIL: Como Karina Gama, produtora do 'Dark Horse', foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de Wi-Fi com a Prefeitura Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro Notas canceladas A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais Alem da Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. Em 20 de maio, o g1 publicou uma reportagem dizendo que ao menos R$ 4 milhões em notas canceladas ou para si própria foram apresentados à Prefeitura de SP pela ONG para justificar despesas do contrato. Levantamento feito nas prestações de contas da ONG apontou o uso de notas milionárias canceladas no site da própria prefeitura de junho de 2024 a dezembro de 2025. ➡️ Uma nota fiscal só pode ser cancelada pelo emitente (vendedor ou prestador de serviço), mas a operação deve ser regularizada com a emissão de uma nova para comprovar o devido recolhimento de impostos. A nota fiscal, que detalha o valor exato e a alíquota do imposto correspondente, é a forma que o governo tem de rastrear as operações comerciais e o seu registro é crucial para a fiscalização da Receita Federal. Deixar de emitir nota fiscal é crime de sonegação fiscal. As notas fiscais canceladas apresentadas pela a ONG Instituto Conhecer Brasil à Prefeitura de São Paulo na prestação de contas. Reprodução/PMSP Ao g1, Karina disse desconhecer notas canceladas por fornecedores contratados e que os problemas nas notas fiscais do próprio instituto foram apontados por ela e "já estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. Já a prefeitura negou que exista alguma irregularidade no contrato e disse que "a execução do contrato para o programa é monitorada rigorosamente e não há nenhuma decisão definitiva ou processo administrativo que aponte a existência de irregularidades estruturais, desvios ou ilegalidades". A gestão Ricardo Nunes também afirmou que o contrato não tem qualquer relação com a produção do filme sobre o ex-presidente. Os pontos de wi-fi gratuitos instalados pela Instituto Conhecer Brasil na periferia de São Paulo. Reprodução/PMSP O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços. Chamamento Público É importante esclarecer que a forma de seleção da entidade foi por Chamamento Público, que ficou aberto por 30 dias para a participação de quaisquer entidades interessadas, e seguiu rigorosamente a Lei Federal nº 13.019/2014, marco regulatório das parcerias da administração pública com organizações sociais. O ICB atendeu integralmente aos requisitos de habilitação estabelecidos no Chamamento Público, apresentando toda a documentação necessária para comprovar sua capacidade técnica, regularidade jurídica e aptidão para celebrar a parceria. Portanto, é errado falar em licitação nessa situação. Cabe ressaltar que os apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Município em relação ao chamamento público em 2024 foram todos sanados à época, e a própria Corte concordou com a continuidade do processo. Modelo de repasses à OSC A Prefeitura destaca que as parcerias firmadas pela administração pública com Organizações Sociais (OSCs) seguem um rito de execução completamente distinto dos contratos firmados com empresas, conforme determina a Lei Federal n.º 13.019/2024. Respeitando o previsto nessa legislação, os recursos destinados ao Programa WiFi Livre SP são repassados antecipadamente pela administração municipal para uma conta específica do projeto e as despesas apresentadas pela entidade são analisadas posteriormente por meio de prestação de contas. A fiscalização do Município ocorre por semestre, período mais rigoroso do que o mínimo legal. Em caso de despesas não comprovadas devidamente, os valores são restituídos aos cofres municipais, como já ocorreu com o ICB. Foram devolvidos em 2024 cerca de R$ 1,2 milhão e em 2025 cerca de R$ 930 mil. Portanto, o repasse antecipado ao ICB e qualquer outra organização social é uma determinação da lei para a prestação de serviços junto à administração pública. Parceria com organização social A decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação junto a territórios periféricos, algo que não havia sido feito até então no programa. Antes de optar pela parceria com uma OSC, a Prefeitura fez um chamamento voltado a empresas privadas, mas não houve interessados. O termo de parceria firmado com o ICB permite a subcontratação de serviços de telecomunicações em conformidade com os procedimentos e requisitos legais aplicáveis. Valores repassados para o Programa É equivocada a informação de que a Prefeitura já repassou R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano da parceria (junho de 2024 a maio de 2025), foram repassados à entidade R$ 69,12 milhões. O valor corresponde a 3.200 pontos de wi-fi em funcionamento, considerando o custo mensal inicial de R$ 1.800 por ponto ao longo de 12 meses (R$ 1.800 x 3.200 pontos x 12 meses = R$ 69,12 milhões). Esse valor incluiu a compra de equipamentos, links de conexão, intermediação com as lideranças comunitárias e a mobilização de equipes para instalação. Ao término do primeiro ano de vigência do Termo de Colaboração, foi realizada uma readequação para a continuidade da operação e manutenção dos 3.200 pontos já instalados. É equivocada a informação de que aditivos foram feitos para a prorrogação de prazo para a instalação de 5.000 pontos, assim como, não procede a afirmação de que a administração municipal pagou por 5 mil pontos de wi-fi. Nos dois aditivos realizados, os valores por ponto de WiFi foram reduzidos para R$ 1.280,80 por ponto. Dessa forma, de junho de 2025 a dezembro de 2025 (6 meses), foram pagos R$ 24,59 milhões para manutenção de operação de 3.200 pontos ao custo do novo valor mensal. De janeiro a dezembro de 2026 (12 meses), o valor é de R$ 49,18 milhões, ou seja, custo mensal de R$ 1.280,80 para manutenção e operação por cada um dos 3.200 pontos durante um ano. O valor é significativamente inferior às propostas recebidas de empresas particulares em 2022 durante pesquisa de preço de mercado, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14". Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

Palavras-chave: tecnologia

Polícia investiga se dinheiro de contrato da Prefeitura de SP com ONG foi usado para financiar filme sobre Bolsonaro

Publicado em: 02/06/2026 00:00

Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de SP foi desviado para filme sobre Bolsonaro A Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos de um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) foram desviados para financiar a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação foi aberta a pedido do Ministério Público de São Paulo. A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em sete endereços ligados ao ICB e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação da Prefeitura de São Paulo na segunda-feira (1º). Durante a operação, os policiais recolheram computadores, celulares, documentos e notas fiscais. Segundo o inquérito, o contrato previa a instalação de 5 mil pontos de internet wi-fi gratuita em bairros da periferia da capital paulista. Na decisão que autorizou as buscas, o juiz cita suspeitas de irregularidades na licitação e na execução do contrato, além de possível uso irregular de verbas públicas. Entre os pontos destacados pela investigação está um suposto direcionamento da concorrência pública. De acordo com o inquérito, apenas uma entidade participou do processo licitatório: o Instituto Conhecer Brasil, que, segundo os investigadores, não teria experiência técnica na área de telecomunicações. LEIA TAMBÉM: ONG da produtora de filme de Bolsonaro é alvo de operação por suspeita de desvio de recursos em contrato milionário de wi-fi com a Prefeitura de SP Karina Gama: produtora de 'Dark Horse' foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de wi-fi com Prefeitura de SP O que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro A investigação também questiona os valores contratados. Segundo o juiz, o ICB foi selecionado para prestar o serviço cobrando cerca de R$ 1.800 por mês por ponto de wi-fi instalado. O inquérito compara os valores aos praticados anteriormente pela Prodam, empresa de tecnologia da própria prefeitura, que teria cobrado R$ 230 pela instalação e R$ 306 pela manutenção de cada ponto. Os investigadores também apontam que, dos 5 mil pontos de internet previstos no contrato, apenas 3.200 teriam sido instalados. O prazo de entrega foi prorrogado por meio de três aditivos. Outra suspeita é a de pagamento antecipado por serviços que não teriam sido prestados, em um valor total de R$ 26 milhões. O inquérito ainda aponta possível utilização de notas fiscais irregulares para justificar despesas na prestação de contas de R$ 4,7 milhões. Suspeita de financiamento de filme A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais O Instituto Conhecer Brasil é uma organização social sem fins lucrativos ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da produtora cinematográfica Go Up, responsável pela produção do filme "Dark Horse". O g1 identificou que o ICB e a produtora funcionam oficialmente no mesmo endereço, na cidade de São Paulo. Segundo o inquérito policial, há indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up. Operação investiga contrato da prefeitura de SP com ONG Ligações com Mário Frias A reportagem do g1 apurou ainda que, em 2022, Karina Ferreira da Gama prestou serviços de consultoria para a campanha do atual deputado federal Mário Frias (PL-SP). A empresa responsável pela consultoria foi a Go7 Assessoria, que também funciona no mesmo endereço do Instituto Conhecer Brasil e da produtora Go Up. Antes de assumir o mandato de deputado federal, Mário Frias foi secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. Já na Câmara dos Deputados, Frias destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. Esse repasse também é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de falta de transparência que dificultaria a rastreabilidade dos recursos. Em visita a Belo Horizonte, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi questionado sobre a investigação. "São duas coisas distintas. O que eu estou sabendo é que a Prefeitura de São Paulo anunciou uma investigação sobre um contrato antigo de prestação de serviço de internet e absolutamente nada a ver com o filme", afirmou. O senador disse ainda que espera que a apuração não seja utilizada para atingir a produção cinematográfica. "Eu não quero crer que a gente está sendo vítima mais uma vez de uma pescaria probatória. Investiguem, vejam que não tem nada e vida que segue. Se for isso, sem problemas", declarou. Nunes fala em 'perseguição política' caso a investigação de ONG seja por relação com filme Após a operação, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a administração municipal não identificou irregularidades na prestação do serviço e negou qualquer relação entre o contrato e o filme. "Se durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor e estava atendendo todos os parâmetros que a gente precisava, não teria por que não contratar", disse. O prefeito também afirmou que o município contratou apenas os pontos efetivamente instalados. "Eu contratei 3.200 pontos. Os 3.200 pontos estão instalados. Eu paguei por aquilo que a gente contratou. As pessoas estão tendo o serviço. Não tem relação disso com o filme do Bolsonaro", declarou. O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços. Chamamento Público É importante esclarecer que a forma de seleção da entidade foi por Chamamento Público, que ficou aberto por 30 dias para a participação de quaisquer entidades interessadas, e seguiu rigorosamente a Lei Federal nº 13.019/2014, marco regulatório das parcerias da administração pública com organizações sociais. O ICB atendeu integralmente aos requisitos de habilitação estabelecidos no Chamamento Público, apresentando toda a documentação necessária para comprovar sua capacidade técnica, regularidade jurídica e aptidão para celebrar a parceria. Portanto, é errado falar em licitação nessa situação. Cabe ressaltar que os apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Município em relação ao chamamento público em 2024 foram todos sanados à época, e a própria Corte concordou com a continuidade do processo. Modelo de repasses à OSC A Prefeitura destaca que as parcerias firmadas pela administração pública com Organizações Sociais (OSCs) seguem um rito de execução completamente distinto dos contratos firmados com empresas, conforme determina a Lei Federal n.º 13.019/2024. Respeitando o previsto nessa legislação, os recursos destinados ao Programa WiFi Livre SP são repassados antecipadamente pela administração municipal para uma conta específica do projeto e as despesas apresentadas pela entidade são analisadas posteriormente por meio de prestação de contas. A fiscalização do Município ocorre por semestre, período mais rigoroso do que o mínimo legal. Em caso de despesas não comprovadas devidamente, os valores são restituídos aos cofres municipais, como já ocorreu com o ICB. Foram devolvidos em 2024 cerca de R$ 1,2 milhão e em 2025 cerca de R$ 930 mil. Portanto, o repasse antecipado ao ICB e qualquer outra organização social é uma determinação da lei para a prestação de serviços junto à administração pública. Parceria com organização social A decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação junto a territórios periféricos, algo que não havia sido feito até então no programa. Antes de optar pela parceria com uma OSC, a Prefeitura fez um chamamento voltado a empresas privadas, mas não houve interessados. O termo de parceria firmado com o ICB permite a subcontratação de serviços de telecomunicações em conformidade com os procedimentos e requisitos legais aplicáveis. Valores repassados para o Programa É equivocada a informação de que a Prefeitura já repassou R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano da parceria (junho de 2024 a maio de 2025), foram repassados à entidade R$ 69,12 milhões. O valor corresponde a 3.200 pontos de wi-fi em funcionamento, considerando o custo mensal inicial de R$ 1.800 por ponto ao longo de 12 meses (R$ 1.800 x 3.200 pontos x 12 meses = R$ 69,12 milhões). Esse valor incluiu a compra de equipamentos, links de conexão, intermediação com as lideranças comunitárias e a mobilização de equipes para instalação. Ao término do primeiro ano de vigência do Termo de Colaboração, foi realizada uma readequação para a continuidade da operação e manutenção dos 3.200 pontos já instalados. É equivocada a informação de que aditivos foram feitos para a prorrogação de prazo para a instalação de 5.000 pontos, assim como, não procede a afirmação de que a administração municipal pagou por 5 mil pontos de wi-fi. Nos dois aditivos realizados, os valores por ponto de WiFi foram reduzidos para R$ 1.280,80 por ponto. Dessa forma, de junho de 2025 a dezembro de 2025 (6 meses), foram pagos R$ 24,59 milhões para manutenção de operação de 3.200 pontos ao custo do novo valor mensal. De janeiro a dezembro de 2026 (12 meses), o valor é de R$ 49,18 milhões, ou seja, custo mensal de R$ 1.280,80 para manutenção e operação por cada um dos 3.200 pontos durante um ano. O valor é significativamente inferior às propostas recebidas de empresas particulares em 2022 durante pesquisa de preço de mercado, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14".

Palavras-chave: tecnologia

Gabinete de Mario Frias pagou R$ 154 mil a empresa citada em investigação do contrato de wi-fi da Prefeitura de SP

Publicado em: 02/06/2026 00:00

ONG da produtora de filme de Bolsonaro é alvo de operação da Polícia por desvio de recurso O gabinete do deputado federal Mario Frias (PL) destinou ao menos R$ 154 mil da cota parlamentar para a Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa citada na investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de irregularidades em contratos entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo. O ICB é presidido pela empresária Karina Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na segunda-feira (1º), a Polícia Civil realizou uma operação para investigar o contrato da entidade com a gestão Ricardo Nunes (MDB). A operação foi deflagrada na segunda-feira (1º). Dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados mostram que a Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. Entre abril de 2023 e agosto de 2024, a GTrend recebeu R$ 115,6 mil do gabinete do deputado. Antes da contratação da Complexsys, o mesmo serviço era prestado pela GTrend, empresa de Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama. A troca de empresas ocorreu logo após o fim do relacionamento entre Wemerson e Karina. Segundo apuração da GloboNews, Wemerson afirmou acreditar que sua empresa foi contratada em razão da ligação familiar com a empresária. Segundo ele, embora tenha executado parte dos serviços, muitas das propostas apresentadas ao gabinete eram recusadas. Os pagamentos à Complexsys foram realizados com recursos da cota parlamentar de Mario Frias para serviços descritos como "CRM Político", sistema utilizado para gestão de relacionamento com eleitores, organização de demandas e acompanhamento de atividades do mandato. O empresário André Feldman, dono da Complexsys Soluções Integradas Ltda, que emitiu nota e cancelou em favor do instituto de Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Documentos obtidos pela equipe de reportagem mostram ainda que as notas fiscais emitidas pela GTrend e pela Complexsys ao gabinete de Mario Frias utilizavam descrições idênticas para os serviços prestados, apesar de terem sido emitidas por empresas diferentes e em períodos distintos. O g1 procurou Mario Frias, Karina Gama, o Instituto Conhecer Brasil e a Complexys, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Nota de R$ 2 milhões Um dos focos da investigação da Polícia Civil é a relação entre o Instituto Conhecer Brasil e a Complexsys, que era contratada pela ONG para prestar serviços à Prefeitura de São Paulo (leia mais abaixo). A empresa pertence ao empresário André Feldman, que aparece em fotografias publicadas nas redes sociais ao lado de Karina Gama. A polícia apura pagamentos e documentos apresentados pela organização social à Prefeitura de São Paulo para comprovar a execução do contrato de instalação de redes de wi-fi em comunidades da capital. Entre os documentos analisados está uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela Complexsys em novembro de 2025 por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. O g1 consultou os registros da Prefeitura de São Paulo e verificou que a nota consta como cancelada no sistema oficial. Segundo os dados municipais, o cancelamento ocorreu no mesmo dia da emissão, em 6 de novembro de 2025. Apesar disso, o documento foi incluído pelo Instituto Conhecer Brasil na prestação de contas entregue à prefeitura em fevereiro deste ano. Em maio, a Complexsys Soluções Integradas Ltda. afirmou que acompanha "com serenidade" a investigação conduzida pelas autoridades e que atua como "mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil". A empresa declarou ainda que não existem, até o momento, conclusões definitivas que justifiquem qualquer responsabilização e defendeu a observância dos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. "A empresa permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários", informou. Operação A Polícia Civil investiga suspeitas de irregularidades no contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil para instalação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades. Segundo o inquérito, há suspeitas de direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade, pagamentos por serviços não executados e possível sobrepreço. A polícia também apura a relação entre o instituto e empresas subcontratadas, entre elas a Complexsys. Na operação, foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na Prefeitura de SP e na ONG. A polícia cumpriu, ao todo, sete mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. Conforme o g1 publicou, tanto a ONG quanto a empresa do filme funcionam oficialmente no mesmo endereço da Avenida Paulista, mas as duas mudaram para endereços na Rua Haddock Lobo, nos Jardins, sem atualização formal nos registros estaduais e federais. A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais PERFIL: Como Karina Gama, produtora do 'Dark Horse', foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de Wi-Fi com a Prefeitura Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que colabora com investigações e que todo o material requisitado na manhã desta segunda já havia sido encaminhado às autoridades e é, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município. Acrescentou ainda que "o programa funciona normalmente na cidade". (Leia a íntegra da nota ao final.) A reportagem também procurou a ONG para comentar a operação, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. A investigação da Polícia Civil foi aberta a pedido do Ministério Público. No inquérito da operação desta segunda (1°), a promotora Marina Pedersolli diz que o contrato com a gestão Nunes tem indícios de "possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, suposto sobrepreço nos valores pagos pela Administração Municipal, antecipação de repasses públicos e pagamentos por serviços supostamente não executados". "A autoridade policial também menciona suspeitas de pulverização dos recursos públicos por meio de subcontratações com empresas privadas, além de possível utilização de valores oriundos do contrato público para financiamento de produção cinematográfica vinculada à investigada Karina Gama", escreveu Pedersolli. Os registros oficiais que indicam que a produtora do filme sobre Bolsonaro e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) funcionam no mesmo endereço. Reprodução/Jucesp e Rede Sim/Receita Federal O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade. A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês." Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

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Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de São Paulo foi desviado e parte usada para financiar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

Publicado em: 01/06/2026 22:46

Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de SP foi desviado para filme sobre Bolsonaro A Polícia Civil fez, nesta segunda-feira (1º), uma operação para investigar irregularidades em um contrato de uma ONG para instalar pontos de internet na cidade de São Paulo. Uma das linhas de investigação aponta que o contrato pode ter sido superfaturado e que parte do dinheiro pode ter sido usada para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Justiça autorizou buscas em sete endereços ligados ao Instituto Conhecer Brasil, o ICB, e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação da Prefeitura de São Paulo. A polícia recolheu computadores, celulares, documentos e notas fiscais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O inquérito foi aberto a pedido do Ministério Público de São Paulo. A polícia investiga um contrato entre a prefeitura e o ICB no valor de R$ 108 milhões para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito em bairros da periferia da cidade. Na decisão da Justiça que autoriza as buscas, o juiz aponta indícios de irregularidades na execução do contrato e de uso irregular de verbas públicas: “Possível direcionamento na licitação, que teve apenas um participante, o ICB, que não teria experiência técnica em telecomunicações”. Em contratos anteriores, a Prodam, empresa de tecnologia da própria prefeitura, havia cobrado bem menos: R$ 230 para instalação e R$ 306 para manutenção de cada ponto. Segundo o inquérito, o contrato com o ICB prevê o pagamento de R$ 1,8 mil por mês por ponto de wi-fi instalado. A polícia investiga se, dos 5 mil pontos de wi-fi contratados, só 3,2 mil teriam sido instalados, com três aditivos para prorrogar o prazo. Se houve pagamento antecipado por serviços que não teriam sido prestados no valor total de R$ 26 milhões e também o possível uso de notas irregulares para justificar despesas na prestação de contas de R$ 4,7 milhões. Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de São Paulo foi desviado e parte usada para financiar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro Jornal Nacional/ Reprodução O Instituto Conhecer Brasil é uma organização social sem fins lucrativos de propriedade de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora de cinema Go Up, que produz o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a apuração do g1, o instituto e a empresa do filme funcionam oficialmente no mesmo endereço, na região da Avenida Paulista, em São Paulo. O inquérito da polícia descreve indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up. Ainda segundo o inquérito, durante a vigência do contrato com a prefeitura, Karina teria iniciado a produção do longa-metragem denominado "Dark Horse", havendo suspeitas de utilização indireta de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento da produção audiovisual. Em visita a Belo Horizonte, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, foi questionado sobre as investigações: “Eu quero confiar que a polícia está fazendo um bom trabalho e que se investigue e que se chegue à conclusão, não fique criando narrativas falsas. Investiguem, vejam que não tem nada e vida que segue e, se for isso, sem problemas”. Depois da operação de busca e apreensão, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, disse que contratou 3,2 mil pontos de internet, que até o momento não apurou qualquer irregularidade na prestação do serviço e que o edital de contratação seguiu exatamente o que manda a lei, já que apenas uma empresa se apresentou durante a concorrência: “Se durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor e estava atendendo todos os parâmetros que a gente precisava, não teria por que não contratar. Mas, até agora, de tudo que me falaram, não procede com os fatos reais, que eu faço questão de, como prefeito, vir aqui abertamente e falar para vocês com muita transparência e com muita tranquilidade". GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro Nunes diz que dona de ONG investigada é 'trabalhadora e decente' e fala em perseguição política por filme sobre Bolsonaro Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro

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