Arquivo de Notícias Resultados para: "tecnologia"

BYD procura Samsung e pode usar chips de 2 nm em carros com direção autônoma

Publicado em: 02/06/2026 03:22 Fonte: Tudocelular

A Samsung pode fechar um acordo comercial para fornecimento de chips avançados para a BYD após iniciar a produção de componentes para a Tesla. Segundo fontes com acesso às negociações, a gigante chinesa quer comprar chips voltados à direção autônoma para acelerar a venda de modelos compatíveis com a tecnologia. Inclusive, as discussões entre as duas empresas envolvem o uso dos processos de fabricação mais avançados da Samsung, incluindo as tecnologias de 4 nanômetros e a futura geração de 2 nanômetros.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Corsair lança novos periféricos com foco em alto desempenho e streamers

Publicado em: 02/06/2026 03:11 Fonte: Tudocelular

A Corsair aproveitou a Computex 2026 para apresentar uma nova geração de periféricos voltada ao público gamer. Os aparelhos trazem atualizações importantes em desempenho, conectividade e personalização. Entre os destaques estão um teclado compacto com tecnologia Hall Effect, um mouse sem fio com integração inédita ao ecossistema Stream Deck e dois novos headsets desenvolvidos para diferentes perfis de usuários. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Jovem e desempregado? Estudo mostra que home office pode ser mais problema que a IA

Publicado em: 02/06/2026 03:01

Connor Scott, 24, e Zoe Lloyd, 21, estudam em uma cafeteria e restaurante local em 20 de abril de 2026, em Flagstaff, no Arizona. AP/Cheyanne Mumphrey O aumento do trabalho remoto desde a pandemia fez com que empresas se tornassem mais relutantes em contratar jovens sem experiência, e esse é o principal fator por trás das maiores taxas de desemprego entre recém-formados, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (1). A pesquisa, realizada pelo Federal Reserve Bank de Nova York, comparou profissões que podem ser exercidas remotamente — como desenvolvimento de software — com ocupações presenciais, como enfermagem. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A pesquisa concluiu que a taxa de desemprego entre jovens recém-formados em empregos “remotáveis” subiu cerca de 1 ponto percentual entre os períodos de 2017-2019 e 2022-2024. Já entre trabalhadores mais velhos dessas áreas — com 29 anos ou mais — a taxa de desemprego caiu levemente, ampliando a diferença entre jovens e profissionais mais experientes em ocupações remotas. Agora no g1 Em profissões que não permitem trabalho remoto, porém, houve pouca diferença nas taxas de desemprego entre graduados mais jovens e mais velhos, segundo o estudo. Um padrão semelhante também foi observado entre trabalhadores sem diploma universitário. A pesquisa, liderada pela economista Natalia Emanuel, do Fed de Nova York, conclui que empresas evitam contratar recém-formados para vagas remotas porque é mais difícil treiná-los e orientá-los fora do ambiente presencial. “O trabalho remoto enfraqueceu os incentivos para contratar jovens trabalhadores ao dificultar o treinamento no próprio emprego”, afirma o estudo. “Empregadores podem não querer contratar recém-formados para equipes distribuídas porque é mais difícil ensiná-los as habilidades necessárias à distância.” O estudo é divulgado em meio à crescente preocupação com as perspectivas de emprego para jovens graduados, enquanto a inteligência artificial avança sobre diversas profissões de escritório, incluindo finanças, direito, entretenimento e mídia. Neste semestre, formandos chegaram a vaiar referências à IA durante discursos de formatura. Mas o levantamento ressalta que a piora no mercado de trabalho para jovens graduados começou antes da popularização de ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT. E, ao analisar o grau de exposição das diferentes profissões à IA, os pesquisadores concluíram que a tecnologia teve pouco impacto sobre o desemprego juvenil. A taxa de desemprego entre graduados universitários com menos de 29 anos subiu 20% em relação ao período pré-pandemia, chegando a uma média de 3,7% entre 2022 e 2025, segundo o Fed de Nova York. Entre graduados de 22 a 27 anos, o desemprego alcançou 5,8% no ano passado — o maior nível fora do período da pandemia desde 2012. As conclusões do estudo reforçam o cenário atual do mercado de trabalho, marcado por poucas contratações e poucas demissões: embora as dispensas permaneçam baixas e o desemprego relativamente estável, quem perde o emprego tem encontrado mais dificuldade para conseguir uma nova vaga. O estudo também analisou dados detalhados de uma empresa de tecnologia da Fortune 500, não identificada, e constatou que seus padrões de contratação refletiam a tendência observada nos dados gerais. Quando os escritórios estavam fechados e os funcionários trabalhavam remotamente, “a empresa contratava menos trabalhadores inexperientes e mais profissionais experientes, que provavelmente precisavam de menos orientação para desempenhar bem suas funções”, afirma o estudo. “Assim que os escritórios reabriram, a empresa voltou a contratar mais jovens trabalhadores”, diz a pesquisa. Ainda assim, mesmo após a reabertura, a companhia continuou favorecendo profissionais mais experientes para equipes que mantinham algum nível de trabalho remoto. Mesas vazias em um prédio de escritórios no bairro de Manhattan, em Nova York, em 2 de agosto de 2024. AP/Ted Shaffrey

Fim da 'tempestade perfeita': por que o agro já prevê dificuldades com El Niño e fertilizantes mais caros

Publicado em: 02/06/2026 03:00

PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.

Palavras-chave: tecnologia

PCs com IA: o que é a nova aposta da Nvidia e como ela pode mudar a forma de usar notebooks

Publicado em: 02/06/2026 03:00

CEO da Nvidia, Jensen Huang, apresenta a RTX Spark GPU. REUTERS/Ann Wang A Nvidia voltou a chamar atenção para os chamados PCs com inteligência artificial após o presidente-executivo da empresa, Jensen Huang, apresentar um novo chip capaz de executar recursos de IA diretamente em notebooks e computadores de mesa. A aposta da companhia acontece em um momento de incerteza sobre a demanda por esse tipo de equipamento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Enquanto a HP afirma que os computadores com IA ajudaram a impulsionar seus resultados financeiros, a Dell disse que o interesse dos consumidores ainda não cresceu no ritmo esperado. Agora no g1 O que é um PC com IA? Fabricantes definem os PCs com IA como computadores capazes de executar tarefas de inteligência artificial diretamente no aparelho, sem depender tanto da internet ou de servidores remotos. Na prática, eles podem processar recursos de IA mais rapidamente e executar funções como assistentes virtuais, chatbots e ferramentas de criação de conteúdo no próprio computador. Hoje, grande parte dos serviços de IA, como ChatGPT e Claude, funciona em data centers. Já os PCs com IA transferem parte desse processamento para a máquina do usuário. Alguns modelos também são capazes de realizar tarefas mais avançadas relacionadas à IA, que normalmente exigiriam servidores mais potentes. Jensen Huang apresenta modelos de laptops usando GPUs RTX Spark. REUTERS/Ann Wang O interesse por esses computadores também cresceu com o avanço dos chamados agentes de IA, programas capazes de executar tarefas de forma mais autônoma, com pouca intervenção humana. A Nvidia apresentou recentemente o chip RTX Spark, desenvolvido em parceria com a MediaTek e a Microsoft. Segundo a empresa, o componente foi criado para permitir que agentes de IA funcionem diretamente no computador, sem depender da computação em nuvem. Os fabricantes esperam que esses recursos atraiam consumidores que já usam IA para atividades como escrever e-mails, organizar compromissos e planejar viagens. A HP informou no fim de maio que os PCs com IA representaram 44% de suas vendas de computadores no segundo trimestre, acima dos mais de 35% registrados no trimestre anterior. Apesar disso, analistas apontam desafios para a popularização desses equipamentos. Entre eles estão a possível escassez de chips de memória e o aumento nos custos de componentes. A consultoria IDC prevê que as vendas globais de computadores poderão cair em 2026 devido à falta de alguns componentes e ao encarecimento da produção. Que tecnologia esses computadores usam? trabalho notebook laptop Pexels Os PCs com IA contam com um componente chamado NPU (unidade de processamento neural), projetado especificamente para tarefas de inteligência artificial. Esse processador trabalha em conjunto com a CPU, responsável pelas tarefas gerais do computador, e com a GPU, usada principalmente para gráficos e processamento paralelo. A combinação desses componentes permite executar aplicações de IA de forma mais eficiente e rápida. Existem preocupações? Logo da Microsoft Unsplash Sim. Uma das principais discussões envolve privacidade. Em 2024, a Microsoft anunciou o recurso Recall, que registrava as atividades realizadas no computador para permitir que o usuário encontrasse informações acessadas anteriormente. A ferramenta gerou críticas por armazenar um histórico detalhado do uso do aparelho. Após questionamentos sobre privacidade e segurança, a empresa adiou o lançamento e reforçou as proteções antes de disponibilizá-la para parte dos usuários. Por outro lado, especialistas afirmam que executar tarefas de IA diretamente no computador pode aumentar a privacidade em alguns casos, já que reduz a necessidade de enviar dados pessoais para servidores externos. Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas nas redes com exposição de terceiros Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular Veja o momento em que a Starship faz a separação no espaço

Investigação aponta que contrato do WiFi Livre SP com ONG cobrava pelo menos duas vezes mais por ponto de internet do que a Prodam

Publicado em: 02/06/2026 00:01

Polícia Civil faz buscas em ONG e na prefeitura de São Paulo A Polícia Civil apontou indícios de sobrepreço na execução do programa WiFi Livre SP ao comparar os valores cobrados pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) com os praticados pela Prodam, empresa de tecnologia da Prefeitura de São Paulo. Segundo representação do delegado Antonio Carlos Munuera Silveira, a Prodam cobrava R$ 230 para instalar cada ponto de internet e R$ 306 por mês para mantê-lo em funcionamento, enquanto o contrato firmado com o ICB previa pagamento de R$ 1.800 por ponto, valor que, segundo o documento, era superior aos preços normalmente praticados pela administração municipal. A investigação não mencionou se o valor da mensalidade estava embutido no preço do ponto. "Correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela Administração Municipal", diz o delegado. A Prodam, que atua nessa área de wi-fi, não participou do chamamento público para a execução do WiFi livre, que teve a ONG como única participante. Em nota, a prefeitura alegou que a decisão de firmar uma parceria com uma organização social foi por conta da instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social (leia mais abaixo). Nesta segunda-feira (1º), uma operação cumpriu mandados de busca e apreensão na Instituto Conhecer Brasil por suspeita de fraude em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. O instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go UP, produtora do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado "Dark Horse" ("Azarão", na tradução do inglês). Na operação, foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na Prefeitura de SP e na ONG. Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. O apontamento do delegado dos valores acima do mercado consta de pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal encaminhado pela Polícia Civil à Justiça no âmbito da investigação sobre a contratação do instituto para operar o programa de internet gratuita em regiões vulneráveis da capital. No documento, o delegado afirma que as suspeitas não se limitam à diferença de preços e cita possíveis irregularidades desde a seleção da entidade até a execução do contrato. De acordo com a representação, o Tribunal de Contas do Município teria apontado ao menos 20 irregularidades no chamamento público que resultou na contratação do ICB. Entre elas, a utilização de critérios considerados genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações. O delegado afirma ainda que o instituto, que atuava na promoção de eventos religiosos e literários gospel, foi a única entidade a apresentar proposta no processo. A Polícia Civil também destaca que a execução do contrato teria sofrido influência do calendário eleitoral. Segundo o documento, 1.605 pontos de internet já estavam ativos no fim de outubro de 2024. Após as eleições municipais, porém, o ritmo de implantação teria diminuído significativamente, chegando a 3.200 pontos em junho de 2025. Os 1.800 pontos restantes previstos inicialmente não teriam sido instalados. A representação sustenta ainda que houve antecipação de pagamentos públicos durante a execução do programa. Com base nas informações reunidas pela investigação, o delegado afirma que a prefeitura desembolsou R$ 69 milhões, embora o valor correspondente ao período de efetiva prestação dos serviços fosse estimado em cerca de R$ 43 milhões, o que representaria uma diferença de R$ 26 milhões. Outro ponto mencionado pela Polícia Civil envolve as subcontratações realizadas pelo instituto. O documento cita contratos que somariam R$ 98 milhões, incluindo pagamentos de R$ 36 milhões à empresa Make One, R$ 30 milhões à UltraIP e cerca de R$ 12 milhões às empresas Complexys e Fast Future. O delegado também menciona suspeitas relacionadas à produtora Go Up Entertainment, ligada à investigada Karina Ferreira da Gama. Segundo a representação, há a hipótese de confusão patrimonial e da possível utilização de recursos oriundos do programa municipal para financiar a produção do filme "Dark Horse", circunstância que ainda depende do aprofundamento das investigações. Ao pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, a Polícia Civil argumentou ainda que as medidas eram necessárias para rastrear a movimentação dos recursos e esclarecer se houve eventual desvio de verbas públicas. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) durante entrevista coletiva em SP Reprodução/TV Globo O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), saiu em defesa da empresária Karina Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil. Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (1º), Nunes afirmou que considera Karina uma mulher "decente" e "trabalhadora" e sugeriu "perseguição política", caso a investigação esteja relacionada à ligação dela com o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando e que conhece o Bolsonaro, né? Então está passando por isso". Segundo o prefeito, a contratação foi feita após um chamamento público que ficou aberto por 30 dias e não recebeu impugnações, questionamentos ou propostas de outras entidades. "Durante trinta dias não houve nenhum pedido de impugnação, nenhum questionamento, nenhuma outra entidade quis participar. Ainda bem que essa entidade se propôs a, dentro daqueles moldes, de colocar pontos dentro das favelas, das comunidades", afirmou. Nunes afirmou ainda que a Prefeitura de São Paulo não encontrou irregularidades no contrato firmado com a entidade e sustentou que os 3,2 mil pontos de internet previstos estão instalados e em funcionamento. Segundo o prefeito, eventual ilegalidade identificada pela Polícia Civil ou pelo Ministério Público será apurada pela administração municipal. Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. "Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços", disse. Sobre a escolha da ONG, a prefeitura alega que a "decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação" (veja nota completa abaixo). PERFIL: Como Karina Gama, produtora do 'Dark Horse', foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de Wi-Fi com a Prefeitura Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro Notas canceladas A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais Alem da Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. Em 20 de maio, o g1 publicou uma reportagem dizendo que ao menos R$ 4 milhões em notas canceladas ou para si própria foram apresentados à Prefeitura de SP pela ONG para justificar despesas do contrato. Levantamento feito nas prestações de contas da ONG apontou o uso de notas milionárias canceladas no site da própria prefeitura de junho de 2024 a dezembro de 2025. ➡️ Uma nota fiscal só pode ser cancelada pelo emitente (vendedor ou prestador de serviço), mas a operação deve ser regularizada com a emissão de uma nova para comprovar o devido recolhimento de impostos. A nota fiscal, que detalha o valor exato e a alíquota do imposto correspondente, é a forma que o governo tem de rastrear as operações comerciais e o seu registro é crucial para a fiscalização da Receita Federal. Deixar de emitir nota fiscal é crime de sonegação fiscal. As notas fiscais canceladas apresentadas pela a ONG Instituto Conhecer Brasil à Prefeitura de São Paulo na prestação de contas. Reprodução/PMSP Ao g1, Karina disse desconhecer notas canceladas por fornecedores contratados e que os problemas nas notas fiscais do próprio instituto foram apontados por ela e "já estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. Já a prefeitura negou que exista alguma irregularidade no contrato e disse que "a execução do contrato para o programa é monitorada rigorosamente e não há nenhuma decisão definitiva ou processo administrativo que aponte a existência de irregularidades estruturais, desvios ou ilegalidades". A gestão Ricardo Nunes também afirmou que o contrato não tem qualquer relação com a produção do filme sobre o ex-presidente. Os pontos de wi-fi gratuitos instalados pela Instituto Conhecer Brasil na periferia de São Paulo. Reprodução/PMSP O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços. Chamamento Público É importante esclarecer que a forma de seleção da entidade foi por Chamamento Público, que ficou aberto por 30 dias para a participação de quaisquer entidades interessadas, e seguiu rigorosamente a Lei Federal nº 13.019/2014, marco regulatório das parcerias da administração pública com organizações sociais. O ICB atendeu integralmente aos requisitos de habilitação estabelecidos no Chamamento Público, apresentando toda a documentação necessária para comprovar sua capacidade técnica, regularidade jurídica e aptidão para celebrar a parceria. Portanto, é errado falar em licitação nessa situação. Cabe ressaltar que os apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Município em relação ao chamamento público em 2024 foram todos sanados à época, e a própria Corte concordou com a continuidade do processo. Modelo de repasses à OSC A Prefeitura destaca que as parcerias firmadas pela administração pública com Organizações Sociais (OSCs) seguem um rito de execução completamente distinto dos contratos firmados com empresas, conforme determina a Lei Federal n.º 13.019/2024. Respeitando o previsto nessa legislação, os recursos destinados ao Programa WiFi Livre SP são repassados antecipadamente pela administração municipal para uma conta específica do projeto e as despesas apresentadas pela entidade são analisadas posteriormente por meio de prestação de contas. A fiscalização do Município ocorre por semestre, período mais rigoroso do que o mínimo legal. Em caso de despesas não comprovadas devidamente, os valores são restituídos aos cofres municipais, como já ocorreu com o ICB. Foram devolvidos em 2024 cerca de R$ 1,2 milhão e em 2025 cerca de R$ 930 mil. Portanto, o repasse antecipado ao ICB e qualquer outra organização social é uma determinação da lei para a prestação de serviços junto à administração pública. Parceria com organização social A decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação junto a territórios periféricos, algo que não havia sido feito até então no programa. Antes de optar pela parceria com uma OSC, a Prefeitura fez um chamamento voltado a empresas privadas, mas não houve interessados. O termo de parceria firmado com o ICB permite a subcontratação de serviços de telecomunicações em conformidade com os procedimentos e requisitos legais aplicáveis. Valores repassados para o Programa É equivocada a informação de que a Prefeitura já repassou R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano da parceria (junho de 2024 a maio de 2025), foram repassados à entidade R$ 69,12 milhões. O valor corresponde a 3.200 pontos de wi-fi em funcionamento, considerando o custo mensal inicial de R$ 1.800 por ponto ao longo de 12 meses (R$ 1.800 x 3.200 pontos x 12 meses = R$ 69,12 milhões). Esse valor incluiu a compra de equipamentos, links de conexão, intermediação com as lideranças comunitárias e a mobilização de equipes para instalação. Ao término do primeiro ano de vigência do Termo de Colaboração, foi realizada uma readequação para a continuidade da operação e manutenção dos 3.200 pontos já instalados. É equivocada a informação de que aditivos foram feitos para a prorrogação de prazo para a instalação de 5.000 pontos, assim como, não procede a afirmação de que a administração municipal pagou por 5 mil pontos de wi-fi. Nos dois aditivos realizados, os valores por ponto de WiFi foram reduzidos para R$ 1.280,80 por ponto. Dessa forma, de junho de 2025 a dezembro de 2025 (6 meses), foram pagos R$ 24,59 milhões para manutenção de operação de 3.200 pontos ao custo do novo valor mensal. De janeiro a dezembro de 2026 (12 meses), o valor é de R$ 49,18 milhões, ou seja, custo mensal de R$ 1.280,80 para manutenção e operação por cada um dos 3.200 pontos durante um ano. O valor é significativamente inferior às propostas recebidas de empresas particulares em 2022 durante pesquisa de preço de mercado, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14". Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

Palavras-chave: tecnologia

Polícia investiga se dinheiro de contrato da Prefeitura de SP com ONG foi usado para financiar filme sobre Bolsonaro

Publicado em: 02/06/2026 00:00

Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de SP foi desviado para filme sobre Bolsonaro A Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos de um contrato de R$ 108 milhões por ano firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) foram desviados para financiar a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação foi aberta a pedido do Ministério Público de São Paulo. A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão em sete endereços ligados ao ICB e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação da Prefeitura de São Paulo na segunda-feira (1º). Durante a operação, os policiais recolheram computadores, celulares, documentos e notas fiscais. Segundo o inquérito, o contrato previa a instalação de 5 mil pontos de internet wi-fi gratuita em bairros da periferia da capital paulista. Na decisão que autorizou as buscas, o juiz cita suspeitas de irregularidades na licitação e na execução do contrato, além de possível uso irregular de verbas públicas. Entre os pontos destacados pela investigação está um suposto direcionamento da concorrência pública. De acordo com o inquérito, apenas uma entidade participou do processo licitatório: o Instituto Conhecer Brasil, que, segundo os investigadores, não teria experiência técnica na área de telecomunicações. LEIA TAMBÉM: ONG da produtora de filme de Bolsonaro é alvo de operação por suspeita de desvio de recursos em contrato milionário de wi-fi com a Prefeitura de SP Karina Gama: produtora de 'Dark Horse' foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de wi-fi com Prefeitura de SP O que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro A investigação também questiona os valores contratados. Segundo o juiz, o ICB foi selecionado para prestar o serviço cobrando cerca de R$ 1.800 por mês por ponto de wi-fi instalado. O inquérito compara os valores aos praticados anteriormente pela Prodam, empresa de tecnologia da própria prefeitura, que teria cobrado R$ 230 pela instalação e R$ 306 pela manutenção de cada ponto. Os investigadores também apontam que, dos 5 mil pontos de internet previstos no contrato, apenas 3.200 teriam sido instalados. O prazo de entrega foi prorrogado por meio de três aditivos. Outra suspeita é a de pagamento antecipado por serviços que não teriam sido prestados, em um valor total de R$ 26 milhões. O inquérito ainda aponta possível utilização de notas fiscais irregulares para justificar despesas na prestação de contas de R$ 4,7 milhões. Suspeita de financiamento de filme A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais O Instituto Conhecer Brasil é uma organização social sem fins lucrativos ligada à empresária Karina Ferreira da Gama, que também é proprietária da produtora cinematográfica Go Up, responsável pela produção do filme "Dark Horse". O g1 identificou que o ICB e a produtora funcionam oficialmente no mesmo endereço, na cidade de São Paulo. Segundo o inquérito policial, há indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up. Operação investiga contrato da prefeitura de SP com ONG Ligações com Mário Frias A reportagem do g1 apurou ainda que, em 2022, Karina Ferreira da Gama prestou serviços de consultoria para a campanha do atual deputado federal Mário Frias (PL-SP). A empresa responsável pela consultoria foi a Go7 Assessoria, que também funciona no mesmo endereço do Instituto Conhecer Brasil e da produtora Go Up. Antes de assumir o mandato de deputado federal, Mário Frias foi secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. Já na Câmara dos Deputados, Frias destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. Esse repasse também é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de falta de transparência que dificultaria a rastreabilidade dos recursos. Em visita a Belo Horizonte, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, foi questionado sobre a investigação. "São duas coisas distintas. O que eu estou sabendo é que a Prefeitura de São Paulo anunciou uma investigação sobre um contrato antigo de prestação de serviço de internet e absolutamente nada a ver com o filme", afirmou. O senador disse ainda que espera que a apuração não seja utilizada para atingir a produção cinematográfica. "Eu não quero crer que a gente está sendo vítima mais uma vez de uma pescaria probatória. Investiguem, vejam que não tem nada e vida que segue. Se for isso, sem problemas", declarou. Nunes fala em 'perseguição política' caso a investigação de ONG seja por relação com filme Após a operação, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a administração municipal não identificou irregularidades na prestação do serviço e negou qualquer relação entre o contrato e o filme. "Se durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor e estava atendendo todos os parâmetros que a gente precisava, não teria por que não contratar", disse. O prefeito também afirmou que o município contratou apenas os pontos efetivamente instalados. "Eu contratei 3.200 pontos. Os 3.200 pontos estão instalados. Eu paguei por aquilo que a gente contratou. As pessoas estão tendo o serviço. Não tem relação disso com o filme do Bolsonaro", declarou. O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que o Programa WiFi Livre funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Os serviços previstos no Termo de Colaboração com o Instituto Conhecer Brasil que abrange 3200 pontos, estão sendo executados e não foi identificada até o momento qualquer irregularidade no processo de contratação da parceria e execução dos serviços. Chamamento Público É importante esclarecer que a forma de seleção da entidade foi por Chamamento Público, que ficou aberto por 30 dias para a participação de quaisquer entidades interessadas, e seguiu rigorosamente a Lei Federal nº 13.019/2014, marco regulatório das parcerias da administração pública com organizações sociais. O ICB atendeu integralmente aos requisitos de habilitação estabelecidos no Chamamento Público, apresentando toda a documentação necessária para comprovar sua capacidade técnica, regularidade jurídica e aptidão para celebrar a parceria. Portanto, é errado falar em licitação nessa situação. Cabe ressaltar que os apontamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Município em relação ao chamamento público em 2024 foram todos sanados à época, e a própria Corte concordou com a continuidade do processo. Modelo de repasses à OSC A Prefeitura destaca que as parcerias firmadas pela administração pública com Organizações Sociais (OSCs) seguem um rito de execução completamente distinto dos contratos firmados com empresas, conforme determina a Lei Federal n.º 13.019/2024. Respeitando o previsto nessa legislação, os recursos destinados ao Programa WiFi Livre SP são repassados antecipadamente pela administração municipal para uma conta específica do projeto e as despesas apresentadas pela entidade são analisadas posteriormente por meio de prestação de contas. A fiscalização do Município ocorre por semestre, período mais rigoroso do que o mínimo legal. Em caso de despesas não comprovadas devidamente, os valores são restituídos aos cofres municipais, como já ocorreu com o ICB. Foram devolvidos em 2024 cerca de R$ 1,2 milhão e em 2025 cerca de R$ 930 mil. Portanto, o repasse antecipado ao ICB e qualquer outra organização social é uma determinação da lei para a prestação de serviços junto à administração pública. Parceria com organização social A decisão de firmar uma parceria com uma organização social para a expansão do Programa WiFi Livre em 2024 justificou-se pela natureza da nova fase do projeto: instalação de pontos de internet em áreas vulneráveis da cidade como favelas e comunidade, o que exige uma experiência de cunho social na atuação junto a territórios periféricos, algo que não havia sido feito até então no programa. Antes de optar pela parceria com uma OSC, a Prefeitura fez um chamamento voltado a empresas privadas, mas não houve interessados. O termo de parceria firmado com o ICB permite a subcontratação de serviços de telecomunicações em conformidade com os procedimentos e requisitos legais aplicáveis. Valores repassados para o Programa É equivocada a informação de que a Prefeitura já repassou R$ 157 milhões ao ICB. No primeiro ano da parceria (junho de 2024 a maio de 2025), foram repassados à entidade R$ 69,12 milhões. O valor corresponde a 3.200 pontos de wi-fi em funcionamento, considerando o custo mensal inicial de R$ 1.800 por ponto ao longo de 12 meses (R$ 1.800 x 3.200 pontos x 12 meses = R$ 69,12 milhões). Esse valor incluiu a compra de equipamentos, links de conexão, intermediação com as lideranças comunitárias e a mobilização de equipes para instalação. Ao término do primeiro ano de vigência do Termo de Colaboração, foi realizada uma readequação para a continuidade da operação e manutenção dos 3.200 pontos já instalados. É equivocada a informação de que aditivos foram feitos para a prorrogação de prazo para a instalação de 5.000 pontos, assim como, não procede a afirmação de que a administração municipal pagou por 5 mil pontos de wi-fi. Nos dois aditivos realizados, os valores por ponto de WiFi foram reduzidos para R$ 1.280,80 por ponto. Dessa forma, de junho de 2025 a dezembro de 2025 (6 meses), foram pagos R$ 24,59 milhões para manutenção de operação de 3.200 pontos ao custo do novo valor mensal. De janeiro a dezembro de 2026 (12 meses), o valor é de R$ 49,18 milhões, ou seja, custo mensal de R$ 1.280,80 para manutenção e operação por cada um dos 3.200 pontos durante um ano. O valor é significativamente inferior às propostas recebidas de empresas particulares em 2022 durante pesquisa de preço de mercado, que foram de R$ 2.026,26 e R$ 5.092,14".

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Gabinete de Mario Frias pagou R$ 154 mil a empresa citada em investigação do contrato de wi-fi da Prefeitura de SP

Publicado em: 02/06/2026 00:00

ONG da produtora de filme de Bolsonaro é alvo de operação da Polícia por desvio de recurso O gabinete do deputado federal Mario Frias (PL) destinou ao menos R$ 154 mil da cota parlamentar para a Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa citada na investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de irregularidades em contratos entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo. O ICB é presidido pela empresária Karina Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na segunda-feira (1º), a Polícia Civil realizou uma operação para investigar o contrato da entidade com a gestão Ricardo Nunes (MDB). A operação foi deflagrada na segunda-feira (1º). Dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados mostram que a Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. Entre abril de 2023 e agosto de 2024, a GTrend recebeu R$ 115,6 mil do gabinete do deputado. Antes da contratação da Complexsys, o mesmo serviço era prestado pela GTrend, empresa de Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama. A troca de empresas ocorreu logo após o fim do relacionamento entre Wemerson e Karina. Segundo apuração da GloboNews, Wemerson afirmou acreditar que sua empresa foi contratada em razão da ligação familiar com a empresária. Segundo ele, embora tenha executado parte dos serviços, muitas das propostas apresentadas ao gabinete eram recusadas. Os pagamentos à Complexsys foram realizados com recursos da cota parlamentar de Mario Frias para serviços descritos como "CRM Político", sistema utilizado para gestão de relacionamento com eleitores, organização de demandas e acompanhamento de atividades do mandato. O empresário André Feldman, dono da Complexsys Soluções Integradas Ltda, que emitiu nota e cancelou em favor do instituto de Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Documentos obtidos pela equipe de reportagem mostram ainda que as notas fiscais emitidas pela GTrend e pela Complexsys ao gabinete de Mario Frias utilizavam descrições idênticas para os serviços prestados, apesar de terem sido emitidas por empresas diferentes e em períodos distintos. O g1 procurou Mario Frias, Karina Gama, o Instituto Conhecer Brasil e a Complexys, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Nota de R$ 2 milhões Um dos focos da investigação da Polícia Civil é a relação entre o Instituto Conhecer Brasil e a Complexsys, que era contratada pela ONG para prestar serviços à Prefeitura de São Paulo (leia mais abaixo). A empresa pertence ao empresário André Feldman, que aparece em fotografias publicadas nas redes sociais ao lado de Karina Gama. A polícia apura pagamentos e documentos apresentados pela organização social à Prefeitura de São Paulo para comprovar a execução do contrato de instalação de redes de wi-fi em comunidades da capital. Entre os documentos analisados está uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela Complexsys em novembro de 2025 por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. O g1 consultou os registros da Prefeitura de São Paulo e verificou que a nota consta como cancelada no sistema oficial. Segundo os dados municipais, o cancelamento ocorreu no mesmo dia da emissão, em 6 de novembro de 2025. Apesar disso, o documento foi incluído pelo Instituto Conhecer Brasil na prestação de contas entregue à prefeitura em fevereiro deste ano. Em maio, a Complexsys Soluções Integradas Ltda. afirmou que acompanha "com serenidade" a investigação conduzida pelas autoridades e que atua como "mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil". A empresa declarou ainda que não existem, até o momento, conclusões definitivas que justifiquem qualquer responsabilização e defendeu a observância dos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. "A empresa permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários", informou. Operação A Polícia Civil investiga suspeitas de irregularidades no contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil para instalação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades. Segundo o inquérito, há suspeitas de direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade, pagamentos por serviços não executados e possível sobrepreço. A polícia também apura a relação entre o instituto e empresas subcontratadas, entre elas a Complexsys. Na operação, foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na Prefeitura de SP e na ONG. A polícia cumpriu, ao todo, sete mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. Conforme o g1 publicou, tanto a ONG quanto a empresa do filme funcionam oficialmente no mesmo endereço da Avenida Paulista, mas as duas mudaram para endereços na Rua Haddock Lobo, nos Jardins, sem atualização formal nos registros estaduais e federais. A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais PERFIL: Como Karina Gama, produtora do 'Dark Horse', foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de Wi-Fi com a Prefeitura Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que colabora com investigações e que todo o material requisitado na manhã desta segunda já havia sido encaminhado às autoridades e é, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município. Acrescentou ainda que "o programa funciona normalmente na cidade". (Leia a íntegra da nota ao final.) A reportagem também procurou a ONG para comentar a operação, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. A investigação da Polícia Civil foi aberta a pedido do Ministério Público. No inquérito da operação desta segunda (1°), a promotora Marina Pedersolli diz que o contrato com a gestão Nunes tem indícios de "possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, suposto sobrepreço nos valores pagos pela Administração Municipal, antecipação de repasses públicos e pagamentos por serviços supostamente não executados". "A autoridade policial também menciona suspeitas de pulverização dos recursos públicos por meio de subcontratações com empresas privadas, além de possível utilização de valores oriundos do contrato público para financiamento de produção cinematográfica vinculada à investigada Karina Gama", escreveu Pedersolli. Os registros oficiais que indicam que a produtora do filme sobre Bolsonaro e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) funcionam no mesmo endereço. Reprodução/Jucesp e Rede Sim/Receita Federal O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade. A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês." Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

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Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de São Paulo foi desviado e parte usada para financiar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

Publicado em: 01/06/2026 22:46

Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de SP foi desviado para filme sobre Bolsonaro A Polícia Civil fez, nesta segunda-feira (1º), uma operação para investigar irregularidades em um contrato de uma ONG para instalar pontos de internet na cidade de São Paulo. Uma das linhas de investigação aponta que o contrato pode ter sido superfaturado e que parte do dinheiro pode ter sido usada para financiar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Justiça autorizou buscas em sete endereços ligados ao Instituto Conhecer Brasil, o ICB, e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação da Prefeitura de São Paulo. A polícia recolheu computadores, celulares, documentos e notas fiscais. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O inquérito foi aberto a pedido do Ministério Público de São Paulo. A polícia investiga um contrato entre a prefeitura e o ICB no valor de R$ 108 milhões para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito em bairros da periferia da cidade. Na decisão da Justiça que autoriza as buscas, o juiz aponta indícios de irregularidades na execução do contrato e de uso irregular de verbas públicas: “Possível direcionamento na licitação, que teve apenas um participante, o ICB, que não teria experiência técnica em telecomunicações”. Em contratos anteriores, a Prodam, empresa de tecnologia da própria prefeitura, havia cobrado bem menos: R$ 230 para instalação e R$ 306 para manutenção de cada ponto. Segundo o inquérito, o contrato com o ICB prevê o pagamento de R$ 1,8 mil por mês por ponto de wi-fi instalado. A polícia investiga se, dos 5 mil pontos de wi-fi contratados, só 3,2 mil teriam sido instalados, com três aditivos para prorrogar o prazo. Se houve pagamento antecipado por serviços que não teriam sido prestados no valor total de R$ 26 milhões e também o possível uso de notas irregulares para justificar despesas na prestação de contas de R$ 4,7 milhões. Operação investiga se dinheiro da Prefeitura de São Paulo foi desviado e parte usada para financiar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro Jornal Nacional/ Reprodução O Instituto Conhecer Brasil é uma organização social sem fins lucrativos de propriedade de Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora de cinema Go Up, que produz o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a apuração do g1, o instituto e a empresa do filme funcionam oficialmente no mesmo endereço, na região da Avenida Paulista, em São Paulo. O inquérito da polícia descreve indícios de desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama e a empresa Go Up. Ainda segundo o inquérito, durante a vigência do contrato com a prefeitura, Karina teria iniciado a produção do longa-metragem denominado "Dark Horse", havendo suspeitas de utilização indireta de recursos públicos oriundos do programa municipal para financiamento da produção audiovisual. Em visita a Belo Horizonte, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, foi questionado sobre as investigações: “Eu quero confiar que a polícia está fazendo um bom trabalho e que se investigue e que se chegue à conclusão, não fique criando narrativas falsas. Investiguem, vejam que não tem nada e vida que segue e, se for isso, sem problemas”. Depois da operação de busca e apreensão, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, disse que contratou 3,2 mil pontos de internet, que até o momento não apurou qualquer irregularidade na prestação do serviço e que o edital de contratação seguiu exatamente o que manda a lei, já que apenas uma empresa se apresentou durante a concorrência: “Se durante 30 dias somente essa entidade se propôs a fazer esse serviço por esse valor e estava atendendo todos os parâmetros que a gente precisava, não teria por que não contratar. Mas, até agora, de tudo que me falaram, não procede com os fatos reais, que eu faço questão de, como prefeito, vir aqui abertamente e falar para vocês com muita transparência e com muita tranquilidade". GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro Nunes diz que dona de ONG investigada é 'trabalhadora e decente' e fala em perseguição política por filme sobre Bolsonaro Suspeita de confusão patrimonial e de desvio de recursos: o que levou a polícia até a ONG da mesma dona de produtora do filme de Bolsonaro

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Unesp suspende concursos para contratar professores e servidores e cita dificuldades financeiras

Publicado em: 01/06/2026 21:25

Unesp Sorocaba promove Semana do Meio Ambiente com palestras e oficinas Divulgação/Unesp Sorocaba A Universidade Estadual Paulista (Unesp) anunciou a suspensão de concursos públicos para a contratação de novos professores, pesquisadores e servidores técnico-administrativos. Nesta segunda-feira (1º), a instituição informou que a medida deve permanecer em vigor ao menos até o período pós-eleitoral, ou seja, 25 de outubro (em caso de 2º turno). O documento, assinado pela reitora Maysa Furlan, começou a circular na sexta-feira (29) e foi divulgado poucos meses após a aprovação de um orçamento para 2026 com déficit previsto de R$ 189 milhões (leia mais abaixo). Furlan justificou a decisão com base no cenário orçamentário e financeiro da instituição: "A medida visa equilibrar as questões orçamentárias da Universidade, haja vista a retração fiscal, nos últimos meses, da arrecadação do ICMS – principal fonte de recursos das três universidades públicas paulistas (Unesp, USP e Unicamp)", disse a universidade em nota. A Unesp informou ainda que, junto com USP, Unicamp e a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, vai apresentar ao governo de São Paulo o quadro orçamentário das instituições e discutir alternativas ao seu financiamento, "em função da transição fiscal prevista para ser finalizada até 2033, com a substituição pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS)". 🔎 O repasse dos 9,57% do ICMS-Quota-Parte do Estado é a principal fonte de financiamento das universidades estaduais paulistas. Apesar do anúncio, mais de 30 concursos seguem com inscrições abertas no site da Unesp. Quatro deles foram publicados no Diário Oficial no mesmo dia ou após o anúncio da reitoria, entre o dia 29 de maio e esta segunda (1º): Galerias Relacionadas Em comunicado, a entidade pa parcela do ICMS destinada às universidades permanece inalterada desde 1995, apesar da expansão das instituições ao longo das últimas décadas. Em nota, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação disse que "reafirma o compromisso do Governo do Estado de São Paulo com as universidades estaduais e ressalta que executa os repasses orçamentários conforme previsto na legislação vigente. Desde 2023, as instituições receberam mais de R$ 64,3 bilhões, valor 28,9% superior ao investido nos quatro anos anteriores. A pasta ressalta que as universidades possuem autonomia administrativa, financeira e científica". Orçamento já previa déficit em 2026 A suspensão ocorre em um contexto de preocupação financeira já manifestado pela própria universidade no fim do ano passado. Em dezembro de 2025, o Conselho Universitário da Unesp já previa o ano de 2026 com déficit de R$ 189 milhões. A estimativa de despesas ficou em R$ 4,98 bilhões, enquanto a previsão de receitas alcançou R$ 4,79 bilhões. Do total das receitas previstas, R$ 4,38 bilhões viriam da parcela do ICMS destinada à universidade, correspondente a aproximadamente 2,3% da arrecadação do imposto. Na ocasião, a administração da universidade informou que o déficit representava cerca de 4% dos repasses previstos do Tesouro Estadual para o ano e que a instituição precisaria utilizar recursos de superávit financeiro acumulado para equilibrar as contas. O documento aprovado pelo Conselho Universitário também alertava para a necessidade de cautela na execução das despesas, especialmente diante da dependência da arrecadação do ICMS e das negociações salariais previstas para maio de 2026. A própria reitora Maysa Furlan afirmou, durante a aprovação da peça orçamentária, que a universidade poderia eventualmente revisar o orçamento ao longo do ano devido às incertezas econômicas. "Temos que estar preparados para rediscutir esta peça orçamentária porque podemos ter surpresas, especialmente porque há muitas variáveis que compõem essa previsão", afirmou à época. Contratações estavam previstas O orçamento aprovado em dezembro previa justamente a continuidade da política de reposição do quadro de servidores da universidade. Entre as medidas anunciadas estavam 150 contratações de docentes e 100 de servidores técnico-administrativos. A peça orçamentária também reservava R$ 50 milhões para investimentos em infraestrutura acadêmica por meio do Programa Unesp 50+ e destinava R$ 110,7 milhões às políticas de permanência estudantil, valor apontado pela universidade como recorde histórico para a área. Agora, com a suspensão das homologações dos concursos, a efetivação dessas contratações deve ficar temporariamente interrompida. O g1 procurou a Unesp para entender o que vai acontecer com os concursos abertos e em andamento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Estudantes criticam medida O Diretório Central dos Estudantes da Unesp (DCE-Unesp) avalia que os problemas financeiros enfrentados pelas universidades estaduais paulistas estão relacionados a questões estruturais do modelo de financiamento. Em comunicado, a entidade apontou que a parcela do ICMS destinada às universidades permanece inalterada desde 1995, apesar da expansão das instituições ao longo das últimas décadas. Segundo ela, a Unesp possuía cerca de 15 campi quando a atual divisão dos recursos foi estabelecida. Hoje, a universidade conta com 24 campi e 34 institutos e faculdades. "O número de campi, cursos e vagas praticamente dobrou, enquanto o número de professores e servidores diminuiu", afirmou. A estudante Eduarda Dalava, representante do DCE, argumenta que a situação financeira atual das universidades não pode ser analisada apenas pelos valores disponíveis em caixa. Segundo ela, parte dos recursos acumulados decorre de políticas de contenção de gastos adotadas ao longo dos anos, incluindo a redução de contratações, programas de demissão voluntária e a precarização das políticas de permanência estudantil. Ela destaca, ainda, que o perfil dos alunos das universidades estaduais mudou significativamente desde a instituição da política de cotas em 2014. "Hoje, mais da metade dos estudantes vem de escolas públicas e necessita de apoio financeiro e institucional para se manter dentro da universidade", afirmou. Há mais de um mês, estudantes de Unesp, USP e Unicamp estão em greve e pedem tanto melhorias de estrutura física quanto aumento dos valores destinados às políticas de permanência estudantil. Nas últimas semanas, professores da USP e da Unesp também aprovaram greve da categoria por melhoria salarial. Professores e servidores da Unesp paralisam atividades no campus de Bauru

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Número de brasileiros que conseguem poupar e investir cresce e chega a 36% da população

Publicado em: 01/06/2026 21:07

Cresceu o número de brasileiros que conseguem poupar e investir dinheiro Milhões de brasileiros têm procurado apoio para poupar dinheiro no fim do mês, porque estão com as contas em atraso. É o sonho de quase todo mundo, que a consultora comercial Adriana Lourenzi conseguiu alcançar depois de uma guinada na vida cinco anos atrás: “Estava devendo, assim, mais ou menos, uns R$ 50 mil. Empréstimo, cartão, tudo junto. Consegui, em menos de seis meses, quitar as dívidas. Obviamente, não todo o dinheiro, eu fui fazendo negociações, então fui diminuindo essa dívida”, conta. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A inadimplência é recorde no país. Atinge mais de 83 milhões de brasileiros. A Adriana conseguiu sair dessa estatística com muito esforço. Ela arrumou um segundo trabalho e bateu metas para ganhar mais. Passou de devedora a poupadora e conseguiu financiar um imóvel na planta. “Eu cheguei na corretora no dia que eu vim comprar, eu falei assim: ‘Olha, você vai ter a venda mais fácil da sua vida. Eu quero o apartamento mais barato que você tiver’”, conta Adriana Lourenzi. São 30 m² que já estão ficando com a cara das futuras moradoras. Adriana Lourenzi, consultora comercial: Consegui fazer o planejado. Repórter: Quando é que você pegou as chaves? Qual foi a sensação? Adriana Lourenzi: Eu com a minha filha pusemos uma mão junto com a outra assim para abrir a porta. Entramos, aí ela ficou toda doida aqui. Chorei e agradeci. Porque eu sei que, por mais que eu consegui, não foi nada fácil, olhando para trás, todas as coisas que eu passei. O apartamento ainda nem está montado e a Adriana já tem novos planos para o dinheiro guardado: “Eu quero conhecer a Bahia, que eu ainda não conheço, carimbar o dinheiro para poder sempre estar realizando os sonhos. Eu sempre tenho de curto prazo, de médio prazo e de longo prazo. Esse aqui é o de longo”. O número dos brasileiros que conseguem poupar e investir tem crescido aos poucos. Hoje, são mais de 60 milhões de pessoas - 36% da população. A maior parte dos que guardam dinheiro tem uma renda maior. Entre a população que ganha menos, os pequenos investidores também vêm crescendo, mas o percentual é menor. Também tem mais gente investindo na Bolsa de Valores. O aumento foi de 33% em quatro anos. Os números mostram que muitos começam a aplicar em ações com menos de R$ 100. “Hoje, no Brasil, a partir de R$ 50 é possível começar a investir. Para os mais jovens, por exemplo, quanto antes eu começar, mais rápido o meu dinheiro vai crescer, mesmo que seja economias pequenininhas ao longo dos meses”, afirma Marcelo Billi, superintendente de Educação da Anbima. Número de brasileiros que conseguem poupar e investir cresce e chega a 36% da população Jornal Nacional/ Reprodução Um planejamento financeiro que deve ser adaptado ao longo da vida. “Essa relação com o dinheiro, ela é permanente e os desafios que a gente tem, dependendo da fase da vida, vão mudando e exigindo da gente uma preparação diferente”, diz Marcelo Billi, superintendente de Educação da Anbima. Para uma turma, o primeiro passo é perder o medo da tecnologia. A aula de letramento digital é a mais procurada no instituto que atende idosos em São Paulo. “A gente procura sempre se atualizar, para não ficar para trás”, diz a aposentada Irene Alves de Oliveira. Irene está começando a jornada para se tornar mais independente: “O PIX eu faço assim, mas ainda com um pouco de receio. Meus filhos falam assim: ‘Mãe, para de ir no banco para pegar dinheiro, para de usar dinheiro’. Cada dia eu estou aprendendo um pouquinho, que é para poder não, também, todo tempo precisar, ficar pedindo ajuda para os filhos”. A aposentada Alaíde Duque da Silva também frequenta as aulas no instituto. Ela ainda não consegue acessar a conta pelo celular, mas sempre soube administrar bem o salário que ganhava como empregada doméstica. “Dava para manter a casa e ainda guardar um pouquinho todo mês. Nem que fosse R$ 10 na época, eu guardava. A gente procura as coisinhas mais em conta, não gastar dinheiro à toa, comprar coisa que não precisa. Igual, eu tenho dois pares de sapato”, conta Alaíde Duque da Silva. Ela foi se preparando para a aposentadoria, como recomendam os economistas. “O ideal é que a gente pense: o que eu quero fazer quando eu estiver aposentada? Onde eu quero ir? Quais lugares eu quero conhecer? Que tipo de independência eu quero garantir para mim? Tudo isso faz parte de um cálculo para a gente entender o quanto eu devo guardar já desde a juventude até a aposentadoria”, explica a economista Regiane Vieira. "Eu sempre pensei em viajar, passear", conta Alaíde Duque da Silva. A Alaíde colocou o plano em prática: “Eu vou sempre para Pernambuco, Porto de Galinhas. Para fora do Brasil, Itália, Alemanha, e Argentina”, conta. A maior emoção foi ver o Papa Francisco de pertinho no Vaticano em 2025 - a última aparição pública dele. “Aquilo foi uma emoção tão grande. Mas eu chorei tanto”, lembra Alaíde Duque da Silva. As viagens são com a companhia e a ajuda da filha, e do pagamento parcelado, que ela não atrasa para não se endividar. Alaíde Duque da Silva: Ela faz o pacote e a gente vai pagando. Ela paga a viagem e eu pago a estadia. Então, a gente, nós duas, controlada. Repórter: Qual é o próximo sonho? Próxima viagem? Alaíde Duque Da Silva: Quero fazer o cruzeiro. Ficar lá de boa no navio. De gaiato no navio. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional

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Pirelli apresenta pneus com alta tecnologia para SUVs e picapes em rotas de turismo e aventura no Sul de Minas

Publicado em: 01/06/2026 18:13

Aderência, tração, estabilidade e durabilidade são diferenciais/ Foto: Divulgação O crescimento do turismo pelas autoestradas e das viagens de aventura no Sul de Minas aumenta a presença de SUVs e picapes nas estradas da região. Conhecida por cidades cercadas por serras, áreas rurais e destinos de ecoturismo, a região reúne motoristas que buscam veículos preparados para diferentes condições de trajeto: do asfalto urbano às estradas de terra. Esse movimento também impulsiona a procura por pneus que ofereçam mais segurança, resistência e versatilidade. Para atender a essa demanda, a Pirelli possui a linha Scorpion, desenvolvida especialmente para SUVs e picapes e voltada a diferentes estilos de condução. O portfólio inclui modelos para uso urbano, pneus mistos para quem alterna estrada e terra, além de versões off-road voltadas a condições severas de rodagem. A proposta é atender desde motoristas que utilizam o veículo no dia a dia até consumidores que percorrem longas distâncias em viagens e atividades de lazer. Além da robustez, a linha aposta em tecnologias voltadas à segurança e eficiência. Uma delas é o Seal Inside, o pneu que fecha furos sozinho, que é um sistema que permite continuar rodando mesmo após perfurações, garantindo uma viagem mais tranquila e a prova de imprevistos. Para regiões com forte circulação em estradas variadas, como o Sul de Minas, características como aderência, tração, estabilidade e durabilidade se tornam diferenciais importantes. Segundo a fabricante, os produtos são desenvolvidos e testados considerando as condições reais de uso encontradas na América Latina. “O consumidor brasileiro utiliza SUVs e picapes de forma muito ampla, especialmente em regiões ligadas tanto ao turismo e ao agronegócio. Isso exige pneus preparados para diferentes cenários de rodagem”, afirma Fabio Magliano, consultor de treinamentos e produtos da Pirelli para a América Latina. O executivo destaca ainda que o desenvolvimento local permite maior adaptação às necessidades do mercado nacional. “Os testes realizados no Brasil ajudam a entregar produtos alinhados às condições climáticas, às estradas e aos hábitos dos motoristas da região”, diz. A estratégia também inclui investimentos em sustentabilidade, eficiência energética e novos materiais, alinhados às transformações da indústria automotiva global. Detalhes que fazem a diferença Os pneus são o único ponto de contato do veículo com o solo e exercem influência direta na estabilidade, na frenagem e no conforto ao dirigir, tanto no asfalto quanto fora dele. Por isso, antes de viajar, é fundamental dedicar atenção especial a alguns pontos: Pressão correta, sempre de acordo com as recomendações do fabricante do veículo e considerando a carga transportada, incluindo o estepe; Nível de desgaste da banda de rodagem, fator que impacta diretamente a aderência, especialmente em pisos soltos como terra e areia; Condições gerais dos pneus, observando possíveis/ cortes, bolhas ou deformações que possam comprometer a segurança. Para saber mais, acesse: https://www.pirelli.com/tyres/pt-br/carro/catalogo-pneus/tipo-veiculo/pneu-suv Serviço

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SUVs e picapes ganham espaço em Ribeirão Preto e impulsionam mercado de pneus

Publicado em: 01/06/2026 17:58

Proposta é oferecer mais versatilidade sem abrir mão da segurança/ Foto: Divulgação O crescimento na utilização das SUVs e picapes no interior paulista transforma o mercado automotivo na região de Ribeirão Preto. Com uma frota de aproximadamente 622 mil veículos em 2026, segundo o Ministério dos Transportes, a cidade mostra a preferência regional por modelos com maior capacidade de carga e altura elevada. Utilizados tanto em deslocamentos urbanos quanto nas atividades ligadas ao agronegócio, esses veículos demandam pneus mais resistentes, seguros e preparados para diferentes condições de rodagem. De olho nesse cenário, a Pirelli possui a linha Scorpion, família de pneus voltada especificamente para SUVs e picapes. O objetivo é acompanhar os novos hábitos dos consumidores brasileiros, que utilizam os veículos em trajetos urbanos, viagens rodoviárias, atividades no campo e até em experiências de ecoturismo de aventura. A linha reúne modelos destinados a diferentes perfis de uso. Há versões focadas na segurança, conforto e eficiência no asfalto, opções mistas para quem alterna cidade e estrada de terra, além de pneus desenvolvidos para uso off-road, com maior resistência e tração em terrenos desafiadores. A proposta é oferecer mais versatilidade sem abrir mão da segurança. Entre as tecnologias presentes está o Seal Inside, o pneu que fecha furos sozinho, que é sistema capaz de manter o pneu inflado, sem perda de pressão, mesmo após perfurações, reduzindo riscos e imprevistos em deslocamentos longos. O conjunto de soluções da linha Scorpion se destaca por: Boa dirigibilidade em rodovias, com redução de ruído e mais conforto e durabilidade para longas distâncias; Tração eficiente em pisos irregulares, como terra, areia e lama; Robustez, importante para encarar trechos mais exigentes sem comprometer a segurança e a integridade do pneu. Esse conjunto permite que o motorista encare estradas não pavimentadas com mais confiança, sem abrir mão do desempenho no asfalto. Soluções específicas Com forte presença no agronegócio, Ribeirão Preto concentra consumidores que utilizam picapes e SUVs em rotinas intensas, muitas vezes alternando estradas asfaltadas e vias rurais. Para esse perfil, fatores como durabilidade, aderência e eficiência energética se tornam decisivos. “O Brasil possui uma característica muito particular de uso desses veículos. Em um mesmo dia, o motorista pode circular no ambiente urbano, enfrentar estradas rurais e viajar longas distâncias”, explica Fabio Magliano, consultor de treinamentos e produtos da Pirelli para a América Latina. Segundo ele, essa diversidade exige soluções específicas para o mercado nacional. “Os pneus precisam entregar desempenho em diferentes superfícies, mantendo estabilidade, segurança, tração e conforto em todas as situações”, afirma. A fabricante também destaca investimentos em sustentabilidade, com desenvolvimento de materiais mais eficientes e foco na redução do impacto ambiental durante o processo produtivo. Para saber mais, acesse: https://www.pirelli.com/tyres/pt-br/carro/catalogo-pneus/tipo-veiculo/pneu-suv Serviço

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Proibidos no Brasil, Polymarket e Kalshi viralizam na direita como alternativa às pesquisas eleitorais

Publicado em: 01/06/2026 16:26

Sites de apostas não são um bom termômetro da disputa eleitoral, alertam especialistas Reprodução via BBC Em abril, o governo brasileiro bloqueou ao menos 27 sites do chamado mercado de previsão, como Kalshi e Polymarket — plataformas onde se compram e vendem contratos apostando se um evento vai ou não acontecer, de eleições a jogos esportivos. No jargão do mercado financeiro, são chamados de derivativos. Mesmo proibidas, essas plataformas continuam a ser tratadas nas redes sociais brasileiras como termômetro político e uma espécie de "alternativa" às pesquisas eleitorais tradicionais — embora especialistas ressaltem que não são uma boa forma de estimar intenções de voto nem de traçar um cenário da disputa ou prever seu resultado, apesar do nome dado a esse mercado. O discurso é puxado, em grande parte, por uma rede de políticos e influenciadores de direita que apresenta os números das apostas como contraponto aos institutos de pesquisa, sugerindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) lideraria a corrida presidencial, conforme uma análise de publicações feitas pela BBC News Brasil na rede social X. A análise identificou um aumento no número de menções ao Polymarket e Kalshi em português em 2026, com alguns dos posts mais populares feitos depois da proibição. Agora no g1 A reportagem fez buscas em que os nomes das plataformas apareciam ligados a candidatos à Presidência da República e à eleição de 2026. No topo da lista das medidas de engajamento nas redes, como curtidas, comentários e compartilhamentos, predominam contas ligadas ao bolsonarismo e à direita. A publicação mais engajada do recorte é do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) é um post de 6 de maio de 2026. Em referência à decisão do governo brasileiro de bloquear as plataformas, o deputado escreveu: "Lula proibiu o Polymarket no Brasil, mas não quer só te impedir de ver que Flávio Bolsonaro lidera a corrida presidencial", junto de um vídeo. O post recebeu 16,7 mil curtidas e 5,6 mil compartilhamentos. Na mesma linha, o empresário Paulo Figueiredo, apoiador da família Bolsonaro, publicou em sua conta no X três dias depois, em 9 de maio, a seguinte mensagem: "Por que o Dario Durigan (atual ministro da Fazenda) e Lula proibiram a plataforma de tecnologia preditiva Polymarket? Porque eles têm um histórico de acerto eleitoral de 90% em mercados de alta liquidez e Flávio já abriu quase 5 pontos de vantagem. Censura." O texto teve 11,6 mil curtidas e 3 mil compartilhamentos. O cenário descrito por eles, no entanto, mudou no fim de maio, quando postagens no X que destacavam a "virada" de Lula na plataforma Polymarket passaram a ter mais engajamento na rede social. Essas novas publicações associam a queda de Flávio nas apostas do site à revelação de áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro com pedidos de financiamento para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. Contratos ligados à eleição presidencial brasileira de 2026 no Polymarket somavam cerca de US$ 86,8 milhões (cerca de R$ 435 milhões) em volume negociado na última semana de maio — com Lula (US$ 5,79 milhões), Flávio Bolsonaro (US$ 5,98 milhões) e Renan Santos (US$ 5,80 milhões) à frente em movimentação financeira. Lula aparecia na plataforma com cerca de 44% de chances de vitória. Por sua vez, Flávio Bolsonaro tinha perto de 28%. Renan Santos, em terceiro, tinha 13%. Como o acesso ao site está bloqueado no Brasil, uma forma de entrar nas plataformas é por meio de VPN, um serviço de rede privada virtual que mascara o endereço IP do usuário e criptografa sua conexão, permitindo acessar conteúdos em uma dada localização. 'Pesquisa e mercado de apostas respondem perguntas diferentes' Para especialistas ouvidos pela reportagem, o mercado de apostas e as pesquisas eleitorais não medem a mesma coisa. Raphael Nishimura, estatístico da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, explica a distinção. "A pesquisa eleitoral está tentando estimar qual vai ser a intenção de voto de cada candidato. Já essas plataformas de apostas estão literalmente respondendo qual é a probabilidade de um candidato vencer a eleição. São perguntas diferentes que vão dar resultados diferentes." Ou seja, um candidato aparecer com 40% ou 50% no Polymarket não significa que ele terá aquela proporção de intenção de votos. Significa que o mercado está calculando a probabilidade de vitória com base no quanto os usuários desse tipo de plataforma estão dispostos a pagar para apostar naquele desfecho. O estatístico observa que o mercado de previsão, na prática, se alimenta das sondagens eleitorais. "Assim que sai uma pesquisa, principalmente dependendo do resultado, tem uma mudança nas probabilidades. Os apostadores estão absorvendo as informações da pesquisa e atualizando aquilo que eles acreditam ser de quem vai ser o vencedor", explica. Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que pesquisas e sites de apostas operam em ritmos diferentes: as pesquisas exigem coleta de campo em amostra representativa e levam dias entre apuração e divulgação, enquanto os contratos se movem em tempo real, reagindo a fatos novos. "Quem usa esses mercados está apostando, colocando o próprio dinheiro lá. Não é simplesmente uma opinião desinteressada", diz Cordenonssi. "Eles estão apostando naquilo que é mais provável, porque o objetivo é ganhar dinheiro, não é ganhar politicamente, manipular o eleitorado." Quem aposta — e quem ganha A reação rápida do mercado a novos fatos que ainda não foram captados por pesquisas é, para Nishimura, o que essas plataformas têm de diferente. Mas ele alerta que essa mesma característica abre uma janela para riscos. Segundo uma análise da Bloomberg News, entre o início de 2025 e o fim de abril deste ano, o número de contas da Polymarket que perderam dinheiro após apostar mais de US$ 1 mil (cerca de R$ 5,6 mil) foi quase o dobro do total de contas que tiveram lucro. Outro levantamento, publicado pelo jornal americano The Wall Street Journal, mostrou que 67% dos ganhos da Polymarket estão concentrados em apenas 0,1% das contas. De acordo com o jornal, quase US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) foram parar nas mãos de menos de 2 mil usuários. A análise também indicou que quem costuma se sair melhor nessas plataformas são empresas com equipes especializadas, capazes de pagar por recursos que ajudam a embasar suas apostas, como ter acesso a dados em tempo real e usar servidores e robôs de inteligência artificial para analisar um grande volume de informações. Os dados sugerem que o que se vende como "termômetro coletivo" pode, na prática, refletir mais o comportamento de poucos operadores sofisticados do que uma intuição pública coletiva. Há ainda o risco do uso de informação privilegiada — situação em que apostadores com acesso antecipado a um fato que ainda não veio a público fazem movimentações de vulto que alteram o cálculo das probabilidades informadas por uma plataforma. Em janeiro deste ano, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos denunciou Gannon Ken Van Dyke, militar das forças especiais americanas, por suposto uso de informação privilegiada. Van Dyke teria ganho mais de US$ 409 mil (cerca de R$ 2 milhões) apostando no Polymarket sobre a captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, antes de a operação se tornar pública. Ele se declarou inocente. Para Nishimura, o caso ilustra o problema. "Aquela pessoa que sabia [da captura de Maduro] era usuário dessa plataforma, acabava fazendo apostas de valores muito grandes, que acabaram puxando a probabilidade de aquele evento ocorrer, porque tinha ali uma informação interna." Outro risco apontado pelo estatístico é a manipulação direta. "Por serem cálculos de probabilidade feitos com base em volumes de apostas, de fato existe ali uma janela em que, se uma pessoa ou grupo de pessoas com muito dinheiro quiserem, de alguma forma, manipular aqueles números." Isso não acontece nas pesquisas eleitorais, ressalta o estatístico. "Os institutos têm seus métodos para averiguar as questões de voto da população para estimar aquilo que é o mais próximo possível. Não vai haver um grupo de pessoas que vai conseguir manipular o resultado das pesquisas. Institutos não têm interesse em vender um resultado distorcido, porque isso fere a própria reputação deles." Nishimura também faz um contraponto sobre o que se espera de uma pesquisa. "Pesquisa não serve como prognóstico. O papel dela é retratar um momento do eleitorado, que pode continuar ou não. Pode haver mudanças." Como exemplo, cita as eleições estaduais de 2018, quando pesquisas divulgadas na véspera apontavam Romeu Zema (Novo) em terceiro lugar na disputa pelo governo de Minas Gerais, e Wilson Witzel (então no PSC, hoje DC), no Rio de Janeiro, fora da liderança. Ambos acabaram à frente no primeiro turno após uma arrancada associada à onda bolsonarista na reta final. O estatístico aponta uma alternativa a quem busca a probabilidade de vitória de cada candidato — sem precisar recorrer a plataformas de aposta. "Existem agregadores que calculam probabilidades com base em pesquisas eleitorais apenas. Não só agrega e tira a média das pesquisas de intenção de voto, mas também tem um modelo por trás para calcular qual a probabilidade do Lula vencer a eleição, ou do Flávio vencer, ou de ter um segundo turno." (Para a eleição de 2026, o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, feito em parceria com a consultoria PollingData, compila resultados de pesquisas eleitorais e calcula a estimativa de intenção de voto para os pré-candidatos à Presidência.) Por que as plataformas foram proibidas no Brasil O bloqueio feito pelo governo federal partiu de uma resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), orgão que regula o sistema financeiro brasileiro. Na ocasião, o ministro Dario Durigan afirmou que o setor "sofreu um espaço de anarquia" entre 2018 e 2022 e que esse tipo de aposta não pode ser tratado como derivativo regular no Brasil. "A gente não vai ter aqui previsão de chuva, morte de uma determinada celebridade, como possibilidade de ser encarado como derivativo regular no Brasil", disse Durigan. Hoje, é permitido no país o mercado de apostas em eventos esportivos reais, conhecidas como bets, e jogos online com regras definidas. A pressão pelo bloqueio veio também do próprio mercado regulado, segundo noticiou a imprensa brasileira. A Folha de S. Paulo afirmou que as bets brasileiras — que pagaram outorgas de R$ 30 milhões cada para operar legalmente no país — solicitaram ao governo, em reuniões com o Ministério da Fazenda, que plataformas como a Kalshi fossem bloqueadas. O argumento das bets é que essas empresas não poderiam operar no Brasil por não terem sede no país nem terem pago por outorgas. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a fundadora da Kalshi disse que a empresa está em expansão e que estuda a possibilidade de abrir um escritório no Brasil. Para Cordenonssi, do Mackenzie, o problema central é regulatório. "Eles driblam toda a regulamentação do mercado financeiro", diz o professor sobre as plataformas do mercado de previsão. "Acharam melhor proibir esse tipo de aposta, deixando para o mercado financeiro organizar esse tipo de atividade aqui no Brasil."

Jornada da Produtividade impulsiona indústria no Paraná

Publicado em: 01/06/2026 16:18

Em um cenário de crescente pressão por competitividade, eficiência e inovação, a indústria paranaense vem acelerando a adoção de tecnologias e práticas voltadas à modernização dos processos produtivos e à redução de custos operacionais. É nesse contexto que se insere o Brasil Mais Produtivo, uma iniciativa que apoia micro, pequenas e médias empresas brasileiras por meio de metodologias de manufatura enxuta, eficiência energética, transformação digital e tecnologias inovadoras. Coordenado pelo MDIC, o programa envolve uma articulação nacional entre Senai, Sebrae, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES, formando uma das maiores redes brasileiras de apoio ao aumento da produtividade industrial. A iniciativa atua com uma abordagem estruturada de consultoria e inovação industrial, apoiando empresas na adoção de tecnologias, na melhoria de processos produtivos e no aumento da eficiência operacional. O trabalho é organizado em três eixos estratégicos: manufatura enxuta, eficiência energética e transformação digital. No Paraná, a estratégia ganha força com a Jornada da Produtividade, iniciativa do Senai Paraná em parceria com o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA) e da Fundação Araucária. Lançado em dezembro de 2024, o programa foi criado para impulsionar a modernização da indústria e fortalecer a competitividade no estado. A iniciativa promove a inserção de profissionais mestres e doutores como agentes de eficiência produtiva, atuando no desenvolvimento de estudos e estratégias de mercado baseadas em dados, na implementação de soluções tecnológicas e no mapeamento da maturidade de inovação, além das principais barreiras tecnológicas enfrentadas pela indústria. Com presença em diferentes regiões do Paraná, o programa já contabiliza 1.972 atendimentos, alcance em 162 municípios e mais de 115 mil horas executadas pelo Instituto Senai de Tecnologia em Produtividade, além de mais de 13 mil visitas técnicas realizadas nas indústrias. Os resultados econômicos reforçam o impacto da iniciativa, que já gerou mais de R$ 202,2 milhões em ganhos para as empresas atendidas. O programa também registra NPS de 91,95, indicador que evidencia alto nível de satisfação e aderência às necessidades da indústria paranaense. Manufatura enxuta aumenta produtividade industrial no Paraná O eixo de manufatura enxuta é responsável pela maior parte dos atendimentos e concentra ganhos expressivos de produtividade industrial. A metodologia busca eliminar desperdícios, otimizar fluxos produtivos e aumentar a eficiência das operações. Até o momento, foram 1.012 atendimentos neste eixo, com crescimento médio de 60,72% na produtividade das empresas participantes e retorno financeiro estimado em mais de R$ 200 milhões. O programa também contribui para a implantação de práticas de melhoria contínua e gestão de processos industriais. Na INEOS Fabricação e Comercialização Ltda., empresa do setor de dispositivos médicos, os resultados foram diretos na linha de produção. O diretor da empresa, Irineu Vitor Leite, explica as mudanças. O programa foi fundamental para ampliar nossa capacidade produtiva e melhorar processos. Antes, a eletrólise era feita peça por peça. Depois do apoio, passamos a trabalhar com múltiplas peças simultaneamente. Segundo ele, a mudança também trouxe ganhos de qualidade e eficiência. “Ganhamos mais agilidade na produção e também melhoramos a biocompatibilidade dos produtos utilizados em cirurgias de reconstrução facial”. O executivo destaca ainda o papel da consultoria técnica. “O suporte do programa foi essencial para uma empresa de pequeno porte, que muitas vezes não tem estrutura para investir sozinha em inovação industrial”. Eficiência energética reduz custos e amplia sustentabilidade O eixo de eficiência energética da Jornada da Produtividade tem ajudado indústrias a reduzir consumo, cortar custos e avançar em sustentabilidade industrial. A iniciativa também contribui para metas de descarbonização e redução de emissões de CO₂. Foram registrados 176 atendimentos com resultados relevantes, incluindo redução de 53% no consumo energético, economia anual de 2,37 mil MWh e diminuição de R$ 1,6 milhão em custos com energia. O programa também evitou a emissão de 100,83 toneladas de CO₂. Na MetalKraft, os ganhos vieram acompanhados de capacitação e estruturação interna. O especialista de processos Atílio Talamini destaca o impacto. O programa trouxe um olhar mais estratégico sobre nossos processos e ajudou a aprofundar o trabalho de eficiência energética que já realizávamos internamente. Um dos principais resultados veio da otimização de equipamentos industriais. “Conseguimos um ganho de 10% de eficiência energética na operação dos compressores”. Segundo ele, o programa também deixou um legado interno. “Foram capacitados cerca de 10 colaboradores em eficiência energética, o que segue gerando novos projetos dentro da empresa”. Transformação digital moderniza a indústria e amplia competitividade A transformação digital é o terceiro eixo da Jornada da Produtividade e apoia empresas na modernização industrial, automação de processos e integração de sistemas produtivos. O objetivo é ampliar a competitividade e preparar a indústria para os desafios da indústria 4.0. Na Daiken Elevadores, o programa acompanha uma fase de forte crescimento. O diretor geral Osmar Yamawaki explica o contexto da empresa. O crescimento da empresa exigiu novos investimentos em tecnologia para sustentar a expansão e melhorar nossa estrutura produtiva. A empresa passou por um diagnóstico de maturidade tecnológica dentro do programa. “A metodologia SIRI identificou oportunidades importantes de ganho em eficiência e competitividade com a adoção de novas tecnologias”. Mesmo em fase de implementação, os resultados já são esperados. “A expectativa é alcançar um novo patamar de competitividade, ampliando nossa atuação no Brasil e no mercado internacional”. Impacto regional da produtividade industrial no Paraná A Jornada da Produtividade tem forte presença regional, com atendimentos distribuídos em diferentes polos industriais do Paraná, incluindo Oeste, Norte, Leste e Campos Gerais. A iniciativa fortalece cadeias produtivas locais e amplia o acesso à inovação industrial. O programa também tem alta adesão de micro e pequenas empresas, que representam mais de 90% dos atendimentos realizados. Os principais setores atendidos incluem metalmecânica, madeira e móveis, alimentos e bebidas e têxtil e vestuário. Ao integrar transformação digital, eficiência energética e manufatura enxuta, a Jornada da Produtividade consolida-se como um dos principais programas de inovação industrial do Paraná, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade e da competitividade da indústria paranaense.