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Pedido para criar estacionamento no Vale do Anhangabaú levou Prefeitura de SP a anunciar fim da concessão; entenda

Publicado em: 11/04/2026 06:00

Concessionária tem descumprido contrato de concessão do Vale do Anhangabaú desde o ano passado, dizem documentos O prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou na quinta-feira (9) que já iniciou o processo de encerramento do contrato de concessão do Novo Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, que está sob responsabilidade da Viva o Vale, consórcio ligado à construtora WTorre. O início do processo de caducidade do contrato acontece depois de uma série de infrações contratuais por parte da concessionária, que vinha descumprindo o acordo com a gestão municipal na administração do espaço desde a assinatura do contrato de concessão, em julho de 2021. 🔎 Considerada uma medida extrema, a caducidade (ou extinção do contrato) pode ocorrer quando confirmado que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população. Depois da reforma de mais de R$ 105 milhões, a gestão Bruno Covas (PSDB), que tinha Nunes como vice, concedeu o espaço à Viva o Vale, mas a empresa infringiu diversos itens do contrato. Levantamento feito pelo g1 apontou que, desde que a área foi concedida à iniciativa privada, a empresa foi multada 32 vezes, no valor de R$ 1,5 milhão. Além de não ocupar adequadamente os quiosques, demorar a instalar equipamentos obrigatórios, a empresa também teve problemas com barulho em shows de música eletrônica que raiavam o dia no espaço (veja mais aqui). A gota d'água para o deterioramento da relação da WTorre com a prefeitura foi a proposta que a empresa fez, em agosto de 2025, de transformar 80% da área concedida em um bolsão de estacionamento para 333 vagas de carros. O pedido veio à tona na quarta-feira (8), após o vereador Nabil Bonduki (PT) flagrar grades com cobrança de valet na área de concessão, sem a devida autorização da gestão municipal. O chamado 'Novo Vale do Anhangabaú', que pode abrigar um bolsão de estacionamento para 333 vagas de carro no Centro de São Paulo. Reprodução/Rodrigo Rodrigues, g1 e Nabil Bonduki/Redes Sociais Após a denúncia do vereador, a Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que “notificou a empresa ‘Viva o Vale’ por infração contratual ao instalar irregularmente um estacionamento na área da concessão e apreendeu nesta quarta-feira (08) os equipamentos como gradis, guarda-sol e demais acessórios que estavam no local”. “A atividade foi encerrada no mesmo instante da ação de fiscalização por não ter as devidas licenças e autorizações administrativas exigíveis, além das demais vedações contratuais”, declarou a pasta. O g1 procurou a assessoria da concessionária para comentar o assunto, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. A instalação do estacionamento no Vale do Anhangabaú sem a devida autorização municipal foi a primeira iniciativa da concessionária para tentar implantar o projeto, protocolado em agosto passado na prefeitura. A empresa apresentou um plano para criação de um grande estacionamento na área, com 333 vagas distribuídas em 35 mil metros quadrados da área concedida pela prefeitura. A área total de concessão do Anhangabaú tem cerca de 43 mil metros quadrados. Pelo plano, a empresa pretendia transformar 81% da área de concessão em estacionamento. “A implantação do Projeto de Estacionamentos do Vale do Anhangabaú, proporcionará diversas vantagens ao usuário, incluindo maior segurança, melhor fluxo de trânsito e mais acessibilidade para visitantes”, diz trecho da proposta da empresa ligada à WTorre. Estacionamento irregular debaixo do Viaduto do Chá, Centro de SP, montado pela concessionária Viva o Vale, sem autorização da prefeitura. Reprodução Opinião dos urbanistas O g1 ouviu alguns urbanistas sobre a proposta de transformar o local em bolsão de estacionamento, e eles foram unânimes em dizer que se tratava de um “retrocesso e é uma violação do interesse público na cidade”. “O Vale do Anhangabaú é um espaço simbólico e histórico na cidade, que já foi estacionamento na década de 50, e estava coalhado de automóveis. Ao longo da história, se conseguiu reverter isso e retomar a ideia original do Anhangabaú como uma espécie de 'sala de visitas' da cidade. E essa sala de visitas pública tem que ser de usufruto público, democrático, coletivo. Foi um retrocesso sugerir o retorno para a condição de estacionamento privado. É um retrocesso e é uma violação do interesse público na cidade”, afirmou o professor Kazuo Nakano, do Instituto das Cidades da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os arquitetos e urbanistas Kazuo Nakano, Silvio Oksman e Fernado Túlio Franco discutem o destino do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo. Reprodução/Redes Sociais O arquiteto e urbanista Silvio Oksman, sócio do escritório Metrópole Arquitetos e estudioso da história do Centro de São Paulo, avalia a proposta da concessionária como uma provocação da empresa. “Me parece, e eu estou aqui levantando uma hipótese, que esse plano de estacionamento é a concessionária dizendo para a prefeitura: ‘Eu não quero mais isso. Pega de volta, pelo amor de Deus. E eu vou te dar motivos pra isso. Fazer uma proposta absurda.’ Só faltou dizer que vai se cercar com muros...”, afirmou. “É uma proposta que só poderia ser olhada pela prefeitura – proprietária do espaço - como quebra contratual. E te digo mais: é uma quebra contratual que deveria ter a aplicação de multa. Porque a concessionária não propôs uma qualificação do espaço público pra população paulistana. Me parece que esticaram a corda pra prefeitura pegar o espaço de volta”, disse. Busca de novo administrador Na quinta (9), o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que já está em contato com outros "players" do mercado de entretenimento para sondar ser há outras empresas interessadas em assumir a concessão do Novo Vale do Anhangabaú assim que o atual contrato for finalizado. Mas o urbanista Silvio Oksman diz que o problema de rentabilidade do espaço que a empresa Viva o Vale apresentou durante os quase cinco anos de concessão do espaço são indícios de que a própria gestão municipal precisa assumir a gestão. “Então, é um equívoco ceder o espaço de novo para iniciativa privada, como se isso fosse uma possibilidade de uma mina de dinheiro. O Anhangabaú nunca vai ter retorno financeiro se o caráter público dele for realmente mantido. A rentabilidade descaracteriza o próprio objeto da concessão”, argumentou. O arquiteto Fernando Tulio Franco, professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich), na Suíça, e ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), defende que associações sem fins lucrativos sejam usadas para a gestão desses espaços. “A gente tem uma possibilidade agora [com a caducidade do contrato] da gestão pública ser realizada por outro caminho. Acho que é muito interessante que a gestão por meio de associações sem fins lucrativos. E esse é o modelo que estou vendo na Suíça”, comentou. "Tem uma série de áreas públicas, por exemplo, jardins voltados para produção de alimentos, para hortas urbanas. São terrenos públicos em que você tem uma concessão de 30, 40, 50 anos. E isso se dá justamente por meio de uma associação sem fins lucrativos. A entidade está lá justamente para apoiar e para dialogar com o poder público, para promover a zeladoria, a qualificação desses espaços." Polêmicas e devolução da concessão Barulho, luzes e tapumes: as festas que viram a noite e tiram o sono de vizinhos do Vale do Anhangabaú A concessionária Viva o Vale tem encontrado dificuldades para gerar receitas dentro do Novo Vale do Anhangabaú para manter a concessão da área. Uma das alternativas foram os shows de música eletrônica, que durante todo o ano passado ocuparam a agenda cultural do espaço. Mas depois de reclamações dos moradores, após as "raves" invadirem a madrugada e as manhãs, diante de muito barulho e luzes que perturbavam a vizinhança, a gestão Ricardo Nunes (MDB) proibiu esse tipo de evento na área, impondo horários e limites de emissão de ruídos no local. Isso inviabilizou uma fonte importante de receita da concessionária, que já começou tratativas com a prefeitura para negociar uma possível devolução da concessão, segundo o g1 apurou. O g1 questionou as duas partes sobre como estão essas tratativas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Palavras-chave: tecnologia

Quem é Satoshi Nakamoto? Investigação reacende debate sobre identidade de criador do bitcoin

Publicado em: 11/04/2026 05:01

Adam Back, indicado por investigação do NYT como possível criador do bitcoin Getty Images Quem criou o bitcoin? Dezessete anos depois, a pergunta continua sem resposta. Em 31 de outubro de 2008, foi publicado o white paper intitulado "Bitcoin: Um Sistema de Dinheiro Eletrônico Peer-to-Peer" (documento técnico que descreve o funcionamento e os fundamentos de uma tecnologia), assinado por Satoshi Nakamoto — um pseudônimo. Assim como outras figuras contemporâneas envoltas em anonimato — da autora napolitana Elena Ferrante ao artista de rua britânico Banksy — a identidade por trás de Nakamoto permanece um mistério. Há, no entanto, um elemento que torna tudo ainda mais intrigante: uma simples busca na internet coloca Nakamoto em diferentes listas das pessoas mais ricas do mundo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como alguém que revolucionou o sistema financeiro, criando um sistema de transação global descentralizado de governos, deu origem a uma indústria avaliada em US$ 2,4 trilhões e acumulou uma das maiores fortunas do planeta poderia continuar completamente anônimo — e, ao que tudo indica, sem jamais tentar reivindicar publicamente esse poder? Satoshi Nakamoto nunca movimentou suas bitcoins, e sua última interação pública aconteceu em 2010, por meio de um post no fórum BitcoinTalk, um fórum online onde os usuários se reuniam para discutir o software, a economia e a filosofia da moeda digital. Último post de Nakamoto no Bitcointalk, lançando uma nova versão do Bitcoin (0.3.19) e explicando ajustes técnicos BBC Lista de 'suspeitos' Sua identidade, desde a criação do sistema, é cercada por teorias. Há quem suponha que, quem quer que esteja por trás do nome, já não esteja mais vivo — já que não há qualquer indício de atividade desde 2010. Outros acreditam que se trate de alguém que já acumulava grande fortuna em outras áreas de negócio e que, por isso, nunca precisou recorrer aos bilhões associados a criptomoeda. Diversos nomes já foram apontados como, potencialmente, a verdadeira identidade do criador do bitcoin. Ao longo dos anos, uma longa lista de "suspeitos" surgiu. Em 2014, a revista americana Newsweek publicou uma reportagem de grande repercussão afirmando que o criador da criptomoeda seria Dorian Nakamoto, um nipo-americano radicado na Califórnia. Ele negou, e a teoria acabou sendo amplamente desacreditada. No ano seguinte, o cientista da computação australiano Craig Wright foi apontado por jornalistas como o verdadeiro Satoshi. Ele primeiro negou, depois passou a afirmar que era, mas nunca conseguiu comprovar — e, em 2024, o Tribunal Superior de Londres concluiu que Wright não é o criador do bitcoin, após considerar que ele apresentou documentos falsos e fez alegações enganosas por anos. Outros nomes também já foram levantados, celebridades como o bilionário Elon Musk — que também negou qualquer envolvimento — e até Jeffrey Epstein, também bilionário e que foi condenado por abusos sexuais. Nenhuma dessas hipóteses resistiu ao escrutínio, e agora, uma nova investigação do New York Times aponta para outro nome, já levantado em outras ocasiões: Adam Back, um criptógrafo britânico altamente ativo na comunidade de bitcoin. Evidências sobre Adam Back O texto do New York Times sobre a possibilidade de Adam Back ser o verdadeiro criador da criptomoeda aponta que, ao longo dos últimos 16 anos, as teorias mais atraentes se apoiaram em coincidências que se encaixavam no pouco que se sabe sobre Satoshi: um estilo específico de programação, um histórico profissional nebuloso, domínio dos conceitos técnicos centrais do Bitcoin e até uma visão de mundo crítica ao Estado. Ainda assim, essas hipóteses costumavam ruir diante de álibis ou inconsistências. A reportagem destaca paralelos em relação à Beck: ele é o criador do Hashcash, um sistema de prova de trabalho citado diretamente no white paper do Bitcoin; participou ativamente das discussões iniciais sobre criptografia e dinheiro digital; e usava expressões e construções linguísticas semelhantes às encontradas nos textos atribuídos a Satoshi. Além disso, análises apontam que sua atividade online diminui em períodos que coincidem com a atuação mais intensa de Satoshi — e volta a crescer após o desaparecimento do pseudônimo. O texto também chama atenção para características da escrita de Satoshi, que misturava ortografia britânica com expressões americanas. Para alguns, isso poderia indicar uma tentativa deliberada de disfarce. Mas há um indício que aponta na direção oposta: na primeira transação registrada no blockchain, Satoshi incluiu a manchete de um jornal — "The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks" — publicada na edição impressa britânica do The Times, o que indica uma conexão com o Reino Unido. Sua trajetória acadêmica e profissional, desde o interesse precoce por codificação até a atuação em comunidades que discutiam dinheiro digital anônimo, também se encaixa no perfil esperado do criador da criptomoeda. Ao mesmo tempo, há pontos que complicam essa hipótese: Back apresentou e-mails de 2008 mostrando que Satoshi entrou em contato com ele antes da publicação do white paper, o que, em tese, indicaria que eram pessoas diferentes — embora o próprio texto levante a possibilidade, ainda que especulativa, de que essa troca pudesse ter sido criada como forma de despistar. A reportagem também aponta paralelos mais sutis — e, em alguns casos, mais ideológicos — entre Back e Satoshi. Ambos demonstravam uma visão libertária sobre dinheiro e Estado, defendendo o uso da criptografia como forma de reduzir o poder governamental. Há coincidências curiosas: Back questionou, anos antes, as restrições ao ouro nos EUA — tema que Satoshi parece ter referenciado simbolicamente ao indicar sua data de nascimento; os dois também compartilhavam uma preocupação incomum com spam e propunham soluções semelhantes para lidar com mensagens indesejadas usando sistemas de custo computacional. Além disso, Back já defendia o uso de pseudônimos e estratégias para escapar da vigilância estatal — algo que dialoga diretamente com o anonimato extremo de Satoshi. Em comum, eles também tinham posições críticas a patentes e copyright e optaram por tornar seus projetos de código aberto. Ainda assim, como destaca a própria reportagem, esses paralelos — embora intrigantes — permanecem circunstanciais e não constituem prova definitiva. Bitcoin: Saiba o que é e como funciona a mais popular das criptomoedas A investigação vai além das coincidências de perfil e linguagem e aponta que Back chegou a descrever, ainda nos anos 1990, um sistema de dinheiro eletrônico com características quase idênticas às do Bitcoin: descentralizado, baseado em uma rede de computadores independentes, com oferta limitada para evitar inflação e sem necessidade de confiança em instituições ou intermediários. Em diferentes mensagens na lista dos cypherpunks, ele também discutiu soluções para problemas centrais da moeda digital — como a validação pública das transações, a emissão de novas unidades por meio de esforço computacional e até o aumento progressivo da dificuldade de mineração. Em um dos pontos mais destacados, a reportagem sugere que o Bitcoin pode ser visto como a combinação direta de duas ideias já debatidas por Back: o Hashcash e o sistema b-money, de Wei Dai — exatamente como descrito por Satoshi anos depois. A reportagem também destaca momentos posteriores que alimentam as suspeitas. Quando a fortuna atribuída a Satoshi começou a ser mapeada publicamente, Back chegou a sugerir que investigações muito precisas poderiam prejudicar o próprio Nakamoto — um comentário visto como incomum. Pouco depois, aponta o texto, ele passou a se envolver intensamente com o ecossistema do Bitcoin, propondo mudanças técnicas, ganhando influência entre desenvolvedores e fundando empresas centrais para o desenvolvimento da rede. Em alguns episódios, há paralelos diretos até no discurso: análises apontam que posições defendidas por Back em debates técnicos (como a oposição ao aumento do tamanho dos blocos) coincidem com mensagens atribuídas a Satoshi que surgiram anos depois, com linguagem e argumentos semelhantes. Para o autor do texto, John Carreyrou, não se trata de uma prova definitiva, mas de um conjunto de coincidências que, somadas, tornam difícil ignorar a hipótese. A reportagem também recorre a análises linguísticas mais detalhadas para tentar aproximar Back de Satoshi. Em um dos exercícios, ao filtrar milhares de participantes de fóruns de criptografia por esses traços específicos, apenas um nome permanecia ao final do cruzamento de critérios: Adam Back. Ainda assim, especialistas ouvidos ressaltam que esse tipo de análise não é conclusivo, especialmente porque o próprio Satoshi poderia ter ajustado deliberadamente seu estilo de escrita para evitar identificação. Investigação reacende debate sobre identidade de criador do bitcoin Getty Images A negativa de Back Em entrevista à BBC, Adam Back negou qualquer envolvimento com a identidade de Satoshi Nakamoto. Após reportagem do New York Times sugerir que ele poderia estar por trás da criptomoeda, Back classificou a investigação como fruto de "viés de confirmação" e reiterou: "Eu não sou o Satoshi". Em publicação na plataforma X, ele afirmou que, embora não seja o criador, esteve entre os primeiros a se dedicar às implicações da criptografia para a privacidade online e o dinheiro eletrônico. Back também contestou pontos centrais da apuração, dizendo que as semelhanças apontadas — tanto de linguagem quanto de atividade online — são "uma combinação de coincidência e frases semelhantes usadas por pessoas com experiências e interesses parecidos". A hipótese de que Back seria Satoshi não é nova, e ele já foi apontado outras vezes como possível autor do Bitcoin. Desta vez, a investigação destacou paralelos entre seus escritos e os de Nakamoto, além de sugerir que sua atividade online teria coincidido com o desaparecimento do pseudônimo. Back rebateu, afirmando que participou ativamente de fóruns na época e que a interpretação dos dados está incorreta. Ele também ironizou as especulações sobre a fortuna atribuída ao criador do Bitcoin — estimada em cerca de US$ 70 bilhões — dizendo que gostaria de ter minerado mais moedas no início. "Me arrependo de não ter minerado com mais intensidade em 2009", escreveu. Para Back, o mistério em torno da identidade de Satoshi pode, inclusive, ser positivo. "Não sei quem é Satoshi — e acho que isso é bom para o Bitcoin", afirmou. Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária

Teranóstica: abordagem que rastreia e ataca câncer com radiação direto na célula é testada no Brasil

Publicado em: 11/04/2026 05:01

Teranóstica: abordagem detecta e trata câncer com radiação direto na célula Uma pesquisa realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está testando a abordagem teranóstica no combate ao câncer, uma estratégia inovadora que combina diagnóstico e tratamento em um mesmo processo com o uso de radiofármacos (medicamentos com elementos radioativos). A técnica permite identificar tumores por meio de exames de imagem e, em seguida, direcionar a radiação, em doses muito pequenas, diretamente às células cancerígenas. O resultado é um tratamento preciso, personalizado e com efeitos adversos minimizados - veja abaixo detalhes sobre como funciona. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Ainda em fase de investigação acadêmica e sem resultados publicados, o trabalho é conduzido pelo Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera), que fica na Unicamp, e já foi aplicado em ao menos 100 pacientes, incluindo casos oncológicos avançados de diferentes tipos. E para avançar, o grupo firmou neste ano uma parceria com o Centro Uruguaio de Imagenologia Molecular (Cudim), que prevê a troca de pesquisadores, conhecimentos e insumos, além do desenvolvimento conjunto de estudos, fortalecendo a cooperação científica. Ao g1, o coordenador Carmino Antonio de Souza, professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) e diretor do centro, explicou que a iniciativa e a colaboração entre os dois institutos, neste momento, buscam gerar conhecimento e contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. 🔬 Nesta reportagem você vai entender: O que é a abordagem teranóstica Por que ela é considerada inovadora Quais testes já foram realizados Em que fase as pesquisas estão hoje Como uma parceria entre Brasil e Uruguai pode acelerar os estudos O que é a abordagem teranóstica Paciente faz exame de imagem no CancerThera, na Unicamp, em Campinas CancerThera/Divulgação A abordagem teranóstica utiliza a medicina nuclear, por meio de fármacos com radioatividade para detectar e, ao mesmo tempo, tratar tumores. Ela já é praticada em alguns países, mas está sendo ampliada com o avanço da tecnologia. Funciona assim: É injetada na veia do paciente uma substância especial que emite um sinal detectável em exames, como o Flúor-18 ou o Lutécio-177. Ela é "programada" para ir direto ao tumor. A substância circula pelo corpo e gruda apenas nas células do câncer, quando elas têm um "alvo" específico. Por exemplo, no câncer de próstata, ela se liga à proteína PSMA. Depois, o paciente faz exames de imagem, como PET ou SPECT, para ver se o tumor realmente absorveu essa substância. Se isso acontecer, significa que o tratamento pode funcionar. No tratamento, uma substância parecida é aplicada e vai direto para as células cancerígenas, onde libera radiação. Essa radiação ataca as células do câncer, ajudando a diminuir o tumor e os sintomas, como a dor. Como é muito direcionado, o tratamento afeta menos as células saudáveis. "Teranóstica vem da junção de diagnóstico e terapia. Faz parte da medicina personalizada. A gente utiliza radiofármacos para marcar o tumor e entender onde ele está, em qualquer parte do corpo. Isso acontece porque eles se conectam ao tumor. Depois de detectado, o radiofármaco se acumula nas células cancerígenas e emite radiação que danifica o DNA delas", diz Carmino. LEIA TAMBÉM: Entenda parceria entre ONU e Unicamp para criação de centro de medicina nuclear inédito na América Latina CNPEM testa acelerador de prótons capaz de dar mais precisão em radioterapias contra câncer CAR-T Cell: Unicamp integra projeto pioneiro no Brasil de terapia genética contra o câncer que usa células do próprio paciente Por que a teranóstica é considerada inovadora Essa técnica contra o câncer é como uma radioterapia por dentro da célula, mas com toxicidade muito baixa, pois basta uma pequena quantidade do elemento radioativo. O protocolo prevê de quatro a seis infusões com intervalos médios de seis semanas. O pesquisador pontua que a estratégia não é totalmente inédita porque se assemelha ao que já é feito na iodoterapia no tratamento de tireoide, quando um paciente utiliza o componente radioativo tanto para realizar exames quanto para destruir as células do tumor. Apesar disso, a abordagem testada no CancerThera se diferencia das convencionais por ser mais precisa, com maior possibilidade de personalização, e por ter toxicidade mais baixa do que outras formas de terapia, o que acaba minimizando os efeitos colaterais do paciente. Veja: a quimioterapia age em todo o corpo, inclusive em tecidos saudáveis, e provoca efeitos adversos importantes; a radioterapia externa é mais direcionada do que a quimioterapia, mas também atinge células saudáveis; a teranóstica atua diretamente nas células doentes, preservando tecidos saudáveis. Em que fase as pesquisas estão hoje Carmino, que também é diretor do centro, diz que a pesquisa é translacional, pois há diversas etapas ocorrendo simultaneamente dentro do âmbito acadêmico. Hoje, são conduzidas em ambiente controlado e com aprovação de comitês de ética, incluindo testes em pacientes, mas ainda não fazem parte de um processo regulatório para aprovação como medicamento. Ainda segundo o pesquisador, não há, neste momento, intenção de submeter à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), já que, agora, o objetivo não é desenvolver um fármaco para uso comercial, mas, sim, entender a terapia. A possibilidade de submissão à agência só deve ocorrer futuramente, caso algum composto avance para desenvolvimento industrial e obtenção de patente. “Nós temos várias pesquisas. Temos oito pesquisadores principais, eu sou o responsável, e temos mais de 30 pesquisadores associados, além de dezenas de alunos em várias fases, desde iniciação científica até pós-doutorados, trabalhando no projeto [...] Temos trabalhos feitos dentro da Unicamp, na química, na física, na biologia, na farmacologia e na medicina, na Universidade de São Paulo, em São Carlos, e na Santa Casa de São Paulo”. “Não há uma linha contínua entre pesquisa pré-clínica e clínica. A ciência é muito demorada no sentido de que eu não posso esperar o que a área básica desenvolve, para ir para a pré-clínica e depois para a clínica. É um trabalho enorme e que não tem um resultado único, um resultado imediato, para ser colocado para a população”. Quais testes já foram realizados Pesquisadora faz análise em laboratório do CancerThera, na Unicamp, em Campinas CancerThera/Divulgação De acordo com a Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que financia o CancerThera como um de seus Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs), a unidade já avaliou a aplicação da substância PSMA-Lutécio-177 em mais de 100 pacientes com casos avançados. Também são realizados testes em células e animais. 🔬 O PSMA é uma proteína que fica na superfície das células da próstata e aparece em quantidade muito maior nas células cancerígenas. Ela ajuda a identificar e tratar o tumor de forma mais precisa e, por isso, é usada como um “alvo”, tanto em exames de imagem quanto em terapias direcionadas. Ainda não há resultados delimitados e publicados, mas o coordenador da iniciativa afirma que, do ponto de vista clínico, a resposta dos tratamentos tem sido promissora. "A gente tem vários pacientes que se beneficiaram, tem paciente que melhorou da dor. Até esse momento, estamos priorizando pacientes com doenças muito avançadas, que não tiveram resposta em outras terapias". Outra frente realiza revisões acadêmicas, que é quando estudiosos analisam artigos já publicados por outros cientistas ao redor do mundo, a fim de avaliar, comparar e sintetizar os resultados disponíveis na literatura científica, identificando avanços, limitações e possíveis aplicações clínicas. Faz parte da investigação teórica. Um dos artigos de revisão, assinado por equipe do CancerThera e publicado na revista científica Translational Andrology and Urology, indica que o tratamento com Lutécio-177 pode trazer benefícios em pacientes com câncer de próstata avançado. Segundo os dados, a terapia: retardou a piora da qualidade de vida; melhorou o controle da dor com atraso na progressão dos sintomas; reduziu eventos relacionados a metástases ósseas; diminuiu a ocorrência de efeitos adversos graves em comparação às terapias padrão. A análise da sobrevida global dos pacientes ainda é considerada inconclusiva, em parte devido à mudança de tratamento entre os grupos durante. Os autores destacam, no entanto, que os achados reforçam o potencial da estratégia como uma alternativa promissora, especialmente quando utilizada antes da quimioterapia, contribuindo para preservar a qualidade de vida dos pacientes. Como a parceria entre Brasil e Uruguai pode acelerar pesquisas Para acelerar o desenvolvimento e a aplicação de tratamentos oncológicos baseados em substâncias teranósticos, o CancerThera firmou, em fevereiro deste ano, uma parceria com o Centro Uruguaio de Imagenologia Molecular (Cudim). Segundo a Fundação de Apoio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), a expectativa é promover a cooperação científica e tecnológica entre as duas instituições. Isso será feito por meio da troca de pesquisadores e de estudos, podendo resultar em terapias mais avançadas e acessíveis no futuro. A parceria é estratégica porque o Cudim tem experiência no desenvolvimento de radiofármacos, enquanto o CancerThera tem acesso a pacientes e estrutura para testes clínicos. Juntos, poderão acelerar a transformação de descobertas científicas em tratamentos disponíveis para a população. É uma forma de unir forças em diferentes etapas da pesquisa. Entenda: CancerThera tem capacidade de testagem clínica e recrutamento de pacientes, com alto volume de atendimentos; é o ambiente ideal para validar radiofármacos em diferentes tipos de câncer, testando a eficácia em humanos; integra pesquisadores de áreas diversas (química, biologia e medicina), facilitando o desenvolvimento e aplicação clínica. Cudim tem experiência na produção de radiofármacos; conta com infraestrutura avançada, com acesso a medicações inovadoras; possui expertise em imagem molecular e medicina nuclear, sendo referência na área. Como resultado, a parceria deve: permitir o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos; aumentar a capacidade de testagem e implementação de novos radiofármacos na prática clínica; facilitar a formação de pesquisadores e intercâmbio de conhecimento, fortalecendo a área na região; contribuir para redução de custos e maior disponibilidade desses tratamentos. A parceria ainda contribui para maior autonomia regional, reduzindo a dependência de importações caras de fármacos e ampliando o acesso a tratamentos mais avançados na América Latina. Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

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Sony INZONE H6 Air: novo headset gamer tem ficha completa e possíveis preços vazados

Publicado em: 11/04/2026 05:01 Fonte: Tudocelular

Após ser visto em listagens colocadas no ar antes da hora, o Sony INZONE H6 Air, primeiro headset gamer de design aberto (open-back) da marca, teve agora a ficha técnica completa e os possíveis preços apontados por um novo vazamento. Ao que parece, o acessório deve apostar em especificações caprichadas, dignas de fones de estúdio, junto a um valor de venda agressivo para chamar atenção.As informações foram compartilhadas pelo leaker Billbil-kun, famoso por vazamentos precisos da Sony, e reforçam que o grande diferencial do INZONE H6 Air é sua arquitetura de conchas abertas com grade de alumínio, conhecido como open-back. Esse formato permite maior circulação de ar e cria um palco sonoro (a noção espacial) mais amplo e natural, que foge da sensação de "abafamento" comum nos headphones fechados tradicionais. Para garantir a qualidade sonora, a Sony adotou uma proposta interessante ao supostamente importar a tecnologia de drivers de seu fone de estúdio profissional MDR-MV1, adaptando-a para entregar graves fortes e alto nível de detalhamento nos games. O pacote é potente e incluiria processamento surround virtual de 7.1 canais, som espacial 360 Reality Audio e perfis de escuta desenvolvidos em colaboração com os desenvolvedores dos PlayStation Studios.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

A guerra no Irã abalou a imagem de 'paraíso' passada por Dubai?

Publicado em: 11/04/2026 04:01

O turismo contribui com cerca de 12% da renda anual de Dubai — uma receita que foi severamente impactada pela guerra. Fatima Shbair/AP Photo/picture alliance via DW Uma série de manchetes recentes sugere que a guerra no Irã marca o fim do chamado "paraíso" ou "sonho de Dubai", no qual estrangeiros ostentam um estilo de vida luxuoso, isento de impostos, nos Emirados Árabes Unidos. "O desmonte de Dubai como porto seguro", apontou a revista norte-americana "The New Yorker". "Será este o fim de Dubai?", perguntou um colunista do "The New York Times". Colapso do turismo: lojas de luxo em Dubai sentem baque da guerra no Oriente Médio ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O "Daily Mail", por sua vez, demonstrou um certo deleite com o fato de influencers obcecados por redes sociais, que até então exibiam vidas glamorosas em Dubai, estarem sendo forçados a deixar o país. O tabloide britânico publicou dezenas de matérias sobre "o grande êxodo de Dubai" e sobre como "a fantasia reluzente e isenta de impostos dos influencers está desmoronando". Parte desse "desmoronamento" envolve a prisão de influenciadores e outras pessoas por divulgarem imagens dos danos causados à cidade por ataques iranianos. A organização de assistência jurídica Detained in Dubai acredita que mais de 100 indivíduos, incluindo europeus, foram presos pelas autoridades dos Emirados Árabes sob leis de crimes cibernéticos ou de segurança nacional. Se condenados, podem enfrentar multas elevadas ou até anos de prisão. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos, o Irã lançou mais de 2,2 mil drones e mais de 500 mísseis balísticos contra o país desde o início da guerra, com alguns ataques supostamente atingindo o aeroporto de Dubai, além de prédios residenciais e hotéis na cidade. Ao mesmo tempo, porém, as autoridades dos Emirados tentaram manter a impressão de segurança e normalidade em Dubai. Líderes visitaram shopping centers, onde empresas foram orientadas a permanecer abertas e operar normalmente. Alguns veículos de mídia locais e contas influentes nas redes sociais promoveram uma narrativa contrária. Ela insiste que a vida segue normalmente e que Dubai continua segura. Veja mais: Como a guerra no Irã quebrou a imagem de segurança de locais do Golfo como Dubai e Catar — e o que isso está custando Países do Oriente Médio relatam nova onda de ataques do Irã Quem está certo sobre o 'sonho de Dubai'? Não há dúvida de que sérios danos econômicos foram causados a Dubai, o segundo maior emirado dos sete que compõem os Emirados Árabes Unidos. A maior parte do petróleo dos Emirados — cerca de 96% — é propriedade do emirado de Abu Dhabi, razão pela qual a maior parte da renda de Dubai vem de atividades não petrolíferas, tais como turismo, serviços financeiros, tecnologia, mercado imobiliário e logística. Dubai tem uma população de cerca de 3,8 milhões de pessoas, mas apenas cerca de 10% são emiradenses nativos. O influxo de imigrantes, como residentes, investidores ou turistas, impulsionou o crescimento econômico de Dubai à medida que a demanda por bens e serviços aumentou junto com a população. "A população expatriada dos Emirados Árabes Unidos é central para as trajetórias de desenvolvimento econômico do país", apontou uma análise de 2021 do Instituto dos Estados Árabes do Golfo, um think tank sediado em Washington. É por isso que "contrações populacionais impulsionadas pela saída de expatriados tendem a ter um impacto econômico desproporcional". Não há números disponíveis sobre quantos residentes estrangeiros deixaram Dubai, de forma permanente ou temporária, desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no fim de fevereiro. Relatos sugerem, no entanto, que dezenas de milhares fugiram. O índice de referência da bolsa de Dubai recuperou cerca de 7% após o anúncio de um cessar-fogo. Waleed Zein/Anadolu/picture alliance via DW O turismo também demonstrou uma redução substancial. Entrevistas com empresas focadas no setor indicam quedas no número de visitantes de até cerca de 80%. Em março, por exemplo, as taxas de ocupação dos hotéis de Dubai despencaram, segundo observou a publicação Arabian Gulf Business Insight. Também houve perdas em outras áreas. O índice de referência da bolsa de Dubai perdeu 16% de seu valor durante a guerra. Gestores do setor de serviços financeiros pediram que funcionários trabalhassem de casa e alguns até evacuaram empregados. Os preços dos imóveis caíram após atingirem níveis recordes, e observadores do mercado disseram que compradores estavam desistindo de aquisições planejadas. Assistência governamental As autoridades locais estão tentando conter danos. Nas últimas duas semanas, os Emirados Árabes Unidos montaram um pacote de medidas no valor de cerca de US$ 272 milhões (1,39 bilhões de reais) como forma de apoio. O pacote concede três meses adicionais para o pagamento de taxas governamentais, incluindo taxas de vendas de hotéis e impostos turísticos, além de mais tempo para a apresentação de declarações aduaneiras. As autoridades também estão financiando planos para estimular o turismo após o fim da guerra. Segundo informou o Financial Times em meados de março, elas também querem flexibilizar regras sobre status fiscal e residência para estrangeiros, a fim de convencer aqueles que partiram a retornar. "Dubai foi um dos primeiros governos regionais a lançar um programa de apoio econômico que vai além de pacotes de resiliência dos bancos centrais", disse Robert Mogielnicki, pesquisador não residente do Instituto dos Estados Árabes do Golfo. "Há um entendimento de que Dubai precisa se adiantar na sua resposta, dada a forte ofensiva contra os Emirados Árabes Unidos e a importância da economia não petrolífera de Dubai." Mogielnicki e outros avaliam que, em termos financeiros, Dubai está longe de acabar. "A economia de Dubai, duramente atingida, exigirá uma grande recuperação para se aproximar da normalidade", disse Mogielnicki à DW. "Muitos observadores continuam otimistas quanto à resiliência do emirado. Um Dubai bem ajustado à economia política regional do pós-conflito parece bastante plausível." Karen Young, pesquisadora sênior do centro de política energética global da Universidade Columbia, concorda. "Minha visão geral é que, sim, Dubai pode se recuperar", disse a especialista em economias dos Estados do Golfo à DW. "Dubai sempre será um polo regional. Representa um ideal de liberdade econômica e luxo, aliado a serviços estatais confiáveis e a uma regularidade nas operações legais e empresariais que poucos na região desfrutam em seus países de origem." "Na minha avaliação, as forças centrais dos Emirados Árabes Unidos permanecem intactas", confirmou Martin Henkelmann, chefe do Conselho Conjunto Germano-Emiradense para Indústria e Comércio, que apoia empresas alemãs nos Emirados. "Mesmo diante dos desafios atuais, os Emirados estão bem posicionados para se recuperar rapidamente." Henkelmann aponta para a forma como os Emirados se recuperaram após a pandemia de covid-19. "Mas essa perspectiva positiva depende de uma resolução rápida do conflito", disse ele à DW. Locais sagrados em Jerusalém reabrem após 40 dias fechados devido à guerra Como funciona o novo sistema de entrada na União Europeia, que entra em vigor nesta sexta-feira (10) 'Sonho de Dubai' – uma pausa, mas não o fim Um dos primeiros indicadores econômicos de guerra vindos dos Emirados também sustenta esse argumento. No início de abril, a empresa americana de inteligência financeira S&P Global publicou o índice de gerentes de compras (PMI) de março para os Emirados Árabes Unidos. Para o cálculo, gerentes de compras em empresas são questionados sobre suas expectativas em relação a pedidos e produção. O PMI de Dubai caiu de 54,6 em fevereiro para 53,2 em março. A boa notícia é que um PMI acima de 50 ainda representa crescimento. "O setor privado não petrolífero dos Emirados Árabes Unidos sofreu um revés com os impactos da guerra", disse David Owen, economista sênior da S&P Global, em comunicado. "Ainda assim, para muitas empresas, as carteiras de pedidos foram resilientes e a produção cresceu." Em março, o Aeroporto Internacional de Dubai, um dos mais movimentados da região, foi atingindo por um drone Reuters Mas também houve perdas menos tangíveis para Dubai. Elas giram no âmbito da reputação, sendo algumas até emocionais, e incluem imagens de hotéis de luxo em chamas e manchetes sobre prisões de influenciers em um Estado que permanece autoritário. Essas perdas podem ser muito mais difíceis de corrigir. "Durante anos, a marca dos Emirados Árabes Unidos — e a de Dubai em particular — foi sustentada por sua alegação de ser uma ilha de estabilidade em uma vizinhança perigosa", escreveu o Financial Times. Por isso, é incerto se indivíduos de alto patrimônio e influenciadores amantes do luxo retornarão em números semelhantes aos de antes, especialmente se tiverem outras opções. "Expatriados são um público-chave para Dubai", argumentou Mogielnicki. "Portanto, suspeito que haverá esforços concentrados e incentivos fortes para reter, trazer de volta e continuar atraindo expatriados no futuro. Não será fácil, mas é um discurso comercial que Dubai seguirá fazendo."

Palavras-chave: cibernéticotecnologia

Marina, heliponto e mansões: cidade submersa pelas águas de Furnas vira novo refúgio de milionários em MG

Publicado em: 11/04/2026 04:01

Guapé, cidade de MG submersa pelas águas de Furnas, vira novo refúgio de milionários Guapé, no Sul de Minas Gerais, tem uma história marcada pela água. Na década de 1960, grande parte do município foi inundada com a formação do Lago de Furnas. Ruas, casas e áreas agrícolas desapareceram. Mais de 60 anos depois, o lago que mudou o território voltou a ganhar protagonismo — desta vez como motor de turismo, investimentos e transformação econômica. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram 📺 Durante duas semanas, o g1 Sul de Minas e a EPTV percorreram o Lago de Furnas na expedição especial “Travessia das Águas”, que mostrou a dimensão, a importância econômica e as histórias de quem vive da água em torno do maior reservatório de água doce do Sudeste e um dos maiores do Brasil. Além das reportagens especiais no portal e de conteúdos exibidos nos telejornais da EPTV, foi possível acompanhar os bastidores da expedição em um diário de bordo em tempo real. 📹 Reveja os bastidores da viagem Guapé (MG) renasce às margens de Furnas e atrai investimentos de alto padrão Divulgação Um município moldado pela água Guapé fica em uma posição singular no Lago de Furnas. É o único município localizado entre os dois maiores rios que formam o reservatório: o Rio Grande e o Rio Sapucaí. “A qualidade da água aqui é extremamente limpa e profunda para navegação. Guapé tem cerca de 220 quilômetros de orla. É um diamante a ser lapidado”, afirma Lenilton Soares, presidente da Associação Guapeense de Turismo (Aguatur). O nome da cidade vem de uma palavra indígena associada a plantas aquáticas, numa referência simbólica aos “caminhos nas águas” — significado que só ganharia dimensão real décadas depois. À beira de Furnas, Guapé (MG) vive boom imobiliário e expansão do turismo Oswaldo Henrique/EPTV 🌊 Parte do município foi inundada nos anos 1960 com a criação do Lago de Furnas 🏠 Ruas, casas e áreas agrícolas desapareceram sob as águas 🔄 Mais de 60 anos depois, o lago deixa de ser símbolo de perda e vira motor de desenvolvimento A chegada de Furnas e o impacto social Com o fechamento das comportas da Usina Hidrelétrica de Furnas, em 1963, as águas avançaram rapidamente sobre Guapé. Em poucos meses, quase toda a área urbana original foi submersa. Ao todo, cerca de 206 km² do território municipal ficaram debaixo d’água, incluindo as terras mais férteis. “Quando foi anunciado o lago, muita gente não acreditou. Só acreditaram quando viram a água chegando. Foi um momento de desespero”, relembra o escritor e ativista cultural Felipe José Dutra. Segundo ele, o impacto foi profundo, principalmente para uma população majoritariamente pobre. “As pessoas tiveram que desmanchar as próprias casas para reaproveitar o material. A cidade foi reconstruída na resistência. Muita gente perdeu tudo e foi embora. Hoje, a gente costuma dizer que existem mais guapeenses fora de Guapé do que dentro”, explica. Leia também: Engolida pelas águas de Furnas, cidade mineira se reconstrói e busca futuro além da hidrelétrica no turismo ‘Trancosinha’ mineira: conheça o vilarejo no Lago de Furnas que aponta como novo roteiro turístico impulsionado pelas redes sociais Piscicultura, espécies exóticas e poluentes alteram ecossistema do Lago de Furnas; veja os riscos à água e à fauna Diretor Gabriel Villela transforma casa histórica às margens de Furnas em refúgio criativo do teatro brasileiro Conheça 'Gilda', a garça que criou rotina com dona de pousada e aceita peixe na mão no Lago de Furnas Pesca no Lago de Furnas sustenta famílias e impulsiona turismo, mas enfrenta desafios no Sul de Minas Do camping à lancha: 5 rotas para explorar o Lago de Furnas e aproveitar o melhor de cada região Casa no meio da água? Flutuantes viram 'point' e transformam o Lago de Furnas em novo polo de experiências turísticas Furnas: lago criado para ser ‘caixa d’água do Brasil’ tem 11 vezes o volume da Baía de Guanabara e 'cidades submersas' De cidade inundada a refúgio de alto padrão: a virada econômica de Guapé (MG) Júlia Reis/g1 Reconstrução e adaptação A nova Guapé foi construída em áreas mais altas, à beira do lago. A cidade passou a ter formato de península, cercada pela água. Mas os primeiros anos foram difíceis. As áreas planas, ideais para agricultura, ficaram submersas. Restaram terrenos de cerrado e encostas, inicialmente pouco produtivos. “Guapé ficou um tempo estagnada, em situação muito difícil. A retomada veio só depois, com a correção do solo, a agricultura moderna e a pecuária”, afirma Felipe Dutra. A partir da década de 1970, a assistência técnica e novas tecnologias permitiram a produção de café, grãos, carne e leite, dando fôlego à economia local. Guapé (MG) transforma passado submerso em ativo turístico e econômico Oswaldo Henrique/EPTV O lago como vocação turística Com o tempo, a relação de Guapé com Furnas passou a mudar. O lago deixou de ser apenas memória de perda e passou a ser visto como ativo natural e econômico. Hoje, o município reúne turismo náutico, pesca autorizada, cachoeiras, trilhas e esportes de aventura. Segundo estimativas da IGR Nascentes das Gerais e Canastra, Guapé recebe de 80 mil a 120 mil visitantes por ano. “O potencial turístico de Guapé é enorme. Além da água, temos agroturismo, pequenas propriedades e agora também o enoturismo”, destaca Lenilton Soares. 🔁 Furnas deixou de ser só memória de perda e virou oportunidade 👥 Guapé recebe entre 80 mil e 120 mil visitantes por ano 🍇 Além da água, cresce o agroturismo e o enoturismo Empreendimentos de alto padrão e novo perfil de visitante Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, Guapé passou a atrair um novo público. Pessoas de grandes centros urbanos buscam tranquilidade, natureza e qualidade de vida — muitas delas como investidores. “Esse crescimento mais estruturado e voltado ao alto padrão ficou muito evidente nos últimos anos. Hoje temos compradores de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e até do exterior”, explica a corretora Flávia Rangel, que atua no mercado imobiliário local. Turismo, natureza e luxo: Guapé (MG) entra na rota de investidores do Sudeste Divulgação Empreendimentos com marinas privativas, aeródromos e helipontos passaram a fazer parte do cenário. “O cliente hoje consegue chegar de lancha, helicóptero ou avião”, afirma Flávia. “Isso posiciona Guapé como um destino muito mais completo dentro do Lago de Furnas.” 🏙️ Investidores de SP, BH, RJ e até do exterior descobrem Guapé ✨ Empreendimentos com marinas, helipontos e aeródromos 🚁 Visitantes chegam de lancha, helicóptero ou avião 📈 Lotes dobraram de valor em poucos anos Economia aquecida e efeitos locais A movimentação já impacta a economia. A construção civil cresce, bares, restaurantes e pousadas se fortalecem, e novas funções surgem no mercado de trabalho local. “Esse mercado de alto padrão simplesmente não existia aqui dez anos atrás. “Hoje, a procura explodiu. Lotes que custavam R$ 80 mil há três anos já foram negociados por R$ 160 mil.””, conta o corretor Éverton Rubens Teixeira. Segundo ele, além da valorização imobiliária, surgiram novas oportunidades. “Hoje tem piloto de lancha, jardineiro, camareira, aluguel por temporada, marina. O lago está em movimento o tempo todo.” Guapé (MG), cidade reconstruída após inundação, agora aposta no alto padrão e na natureza Divulgação Crescimento e planejamento O avanço também desperta preocupação com infraestrutura, custo de vida e planejamento urbano. A prefeitura afirma que acompanha o crescimento com cautela. “O desenvolvimento é bem-vindo, gera emprego, renda e divulga Guapé, mas precisa acontecer com equilíbrio. O nosso compromisso é garantir que quem já vive aqui cresça junto, com dignidade e qualidade de vida”, afirma o prefeito Pedro Luis Simões (PL). Segundo ele, antes de grandes novos projetos, a prioridade é estruturar a cidade. “Estamos organizando a casa, investindo em acessos, saúde, infraestrutura e planejamento urbano. O crescimento precisa ser seguro e sustentável.” Com marinas e helipontos, Guapé ganha destaque no turismo de luxo em Minas Gerais Divulgação 🕯️ Guapé carrega duas cidades: a submersa e a reconstruída 🌊 O lago que causou ruptura virou um dos maiores ativos do município 🔗 Desafio atual: unir desenvolvimento, preservação e história 🚀 A cidade transforma sua geografia única em oportunidade de futuro Entre memória, água e futuro Guapé hoje carrega duas cidades em sua história: a que ficou sob as águas e a que surgiu depois delas. O lago que provocou uma das maiores rupturas do município virou também um dos seus principais ativos. “Furnas foi uma ruptura completa. A cidade teve que mudar até a forma de enxergar o mundo”, resume Felipe Dutra. Entre memórias submersas e novos empreendimentos à beira d’água, a cidade segue tentando transformar sua geografia única em desenvolvimento com planejamento, preservação e identidade. Infográfico - Usina de Furnas em números Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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R$ 500 mil por ano: jovens americanos abandonam a faculdade e fazem fila por vagas na construção civil

Publicado em: 11/04/2026 04:01

Jovens americanos estão abandonando a faculdade para trabalhar na construção civil PMBV. Em vez de mochilas rumo à faculdade, barracas na calçada. Reportagem do "The New York Times" mostra que jovens dos Estados Unidos estão virando a madrugada em filas por vagas na construção civil, de olho em salários mais altos e em um tipo de trabalho que, ao menos por enquanto, a inteligência artificial não consegue executar. Segundo a reportagem, cenas como essas têm se tornado cada vez mais comuns no mercado de trabalho dos EUA, especialmente em Nova York. A disputa é tão intensa que, em alguns casos, as empresas esgotam as inscrições em poucos minutos, com cerca de uma centena de pessoas concorrendo a menos de 20 vagas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O perfil de quem busca esse caminho também mudou. Antes, os candidatos costumavam ter mais de 30 anos. Agora, a maioria está na casa dos 20, com um número crescente de jovens que vão direto do ensino médio para a construção civil, sem sequer passar pela faculdade. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A mudança ocorre em um momento pouco animador para quem tenta entrar no mercado de trabalho tradicional. Dados citados pelo jornal mostram que, em Nova York, o número de vagas de nível inicial caiu 37% entre 2022 e 2024. "Os jovens estão tendo cada vez mais dificuldade para conseguir emprego", afirmou ao jornal Mark Levine, auditor financeiro da cidade. Para ele, a tendência acende um alerta sobre o rumo da economia. Muitos dos jovens ouvidos pela reportagem relataram frustração após se candidatar a diversas vagas, principalmente no varejo e em funções administrativas, sem receber retorno. Para eles, a construção civil passou a parecer uma alternativa mais concreta e previsível. Medo da inteligência artificial pesa na decisão Outro fator decisivo é o avanço da inteligência artificial. Segundo o jornal, uma pesquisa da Universidade de Harvard revelou que a maioria dos jovens americanos acredita que a tecnologia ameaça suas perspectivas profissionais. Outro relatório, agora da Universidade de Stanford, reforça essa percepção ao apontar queda significativa no emprego de jovens em áreas mais expostas à automação, como programação e atendimento ao cliente. Trabalhos manuais, como construção, manutenção e instalações, são vistos como menos vulneráveis. Entrevistados pelo jornal afirmaram que a possibilidade de exercer uma função pouco suscetível à automação pesou na decisão de mudar de carreira. Salários chamam atenção Além da sensação de segurança, o salário também pesa. Aprendizes sindicalizados recebem pagamento por hora e benefícios, como plano de saúde, desde o início do treinamento. Segundo líderes sindicais ouvidos pelo "The New York Times", em algumas especializações os salários podem chegar a cerca de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 508 mil) por ano, após a conclusão dos programas de aprendizagem. O resultado é uma corrida por vagas. Em Nova York, o sindicato dos trabalhadores do ferro registrou aumento de 20% no número de candidatos nos últimos dois anos. Já o setor de acabamento teve crescimento de 50% entre 2023 e 2024. As redes sociais ajudaram a impulsionar esse movimento. Perfis que avisam quando as inscrições se abrem passaram a atrair jovens que antes sequer cogitavam trabalhar na construção civil. Faculdade deixa de ser o único caminho Para pesquisadores, o fenômeno revela uma mudança de mentalidade. Melissa Shetler, especialista da Universidade Cornell, disse ao jornal que a faculdade vem perdendo o status de único caminho para o sucesso profissional. “Por muito tempo, existiu a promessa de que ir para a universidade garantiria ascensão social (...) Essa geração está percebendo que isso nem sempre acontece e está encontrando orgulho e senso de pertencimento em outro tipo de trabalho.” Ainda assim, a decisão nem sempre é simples para as famílias, especialmente por se tratar de uma carreira fisicamente exigente. Muitos jovens relataram ter enfrentado resistência ou preocupação dos pais ao optar pela construção civil. Mais obras, mais vagas O aumento da procura ocorre em meio a investimentos em infraestrutura. Segundo o "The New York Times", a prefeitura de Nova York anunciou que US$ 7 bilhões (R$ 35,6 blhões) m projetos da cidade seguirão acordos trabalhistas com sindicatos. A expectativa é criar cerca de 30 mil novas vagas de aprendizagem até 2030. Programas municipais de formação profissional e organizações sem fins lucrativos também registraram alta procura. Em um curso de eletricista citado pelo jornal, mais de 250 pessoas disputaram apenas 18 vagas. "Há muito trabalho vindo pela frente", afirmou o presidente do conselho sindical de construção, Gary LaBarbera, ao jornal.

OpenAI, dona do ChatGPT, vê ameaça da IA ao emprego e defende semana de 4 dias

Publicado em: 11/04/2026 03:00

Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Um relatório da OpenAI, dona do ChatGPT, propõe que o avanço da inteligência artificial não seja usado apenas para aumentar lucros, mas também para ampliar o bem-estar da população. O documento da bigtech, intitulado "Política Industrial para a Era da Inteligência", foi divulgado neste mês. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Nele, a empresa afirma que, enquanto novas formas de trabalho surgirão, "alguns empregos desaparecerão" e indústrias inteiras serão remodeladas em uma velocidade sem precedentes históricos. Entre as propostas apresentadas, a OpenAI defende a redução da jornada de trabalho sem corte de salários. A sugestão é incentivar testes com semanas de quatro dias (32 horas), mantendo os níveis de produção e serviço. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o relatório, o tempo economizado com a automação de tarefas poderia ser convertido em folgas ou em uma jornada menor. A empresa argumenta que a automação de atividades repetitivas e administrativas tende a liberar tempo, que deveria ser "devolvido" aos trabalhadores. O documento também sugere ampliar contribuições para aposentadoria e oferecer apoio para cuidados com filhos e idosos. Outro ponto destacado é a participação dos funcionários na adoção da IA nas empresas. A OpenAI diz que trabalhadores deveriam ter voz formal nesse processo, ajudando a definir como a tecnologia será usada, com foco na redução de tarefas perigosas ou exaustivas, e não apenas no aumento da produtividade ou da vigilância. O relatório também menciona a criação de um fundo para distribuir parte dos ganhos econômicos gerados pela IA à população, independentemente da renda. Por fim, a empresa afirma que a IA deve ser tratada como infraestrutura essencial, semelhante à eletricidade e à internet, e defende a oferta de versões acessíveis da tecnologia para pequenos negócios e comunidades de baixa renda. Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil O que acontece com seus dados na internet quando você morre? ECA Digital: estão em vigor as novas regras para menores em redes sociais, jogos e sites

Anthropic no Brasil: dona do Claude prepara escritório no país e inicia contratações

Publicado em: 11/04/2026 03:00 Fonte: Tudocelular

A Anthropic, startup de inteligência artificial responsável pelo assistente Claude, está estruturando sua chegada oficial ao Brasil. Segundo informações da Bloomberg Línea, a empresa planeja inaugurar um escritório em São Paulo ainda em 2026, visando consolidar sua presença no terceiro maior mercado global da plataforma. A decisão sinaliza uma ofensiva direta contra a hegemonia da OpenAI no território nacional, focando especificamente no atendimento de grandes contas. A operação brasileira terá como prioridade absoluta o segmento enterprise, atendendo corporações que demandam segurança e escala em modelos fundacionais de IA. Fontes familiarizadas com o assunto indicam que o processo de recrutamento para a equipe comercial já foi iniciado, inclusive com a contratação de ao menos um profissional estratégico para desbravar o mercado local. A instalação em solo paulista deve encurtar a distância entre a Anthropic e os 'unicórnios' — as startups que valem mais de um bilhão de dólares — e outras empresas de tecnologia em franca expansão.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Aparelho inovador criado em universidade do RS ajuda jovem que perdeu movimentos após AVC a se recuperar: 'Surpreendente'

Publicado em: 11/04/2026 02:00

Ana Moraes/Arquivo Pessoal Um equipamento que ajuda a reabilitar pacientes em estado grave foi desenvolvido pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). A função do aparelho é ajudar pacientes acamados a mover, de forma automatizada, os membros inferiores. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O procedimento, que até então era feito manualmente, garante mais conforto e bem-estar aos pacientes. Segundo a fisioterapeuta Fernanda Trubíán, que ajudou a desenvolver o Autofisio 500, o estímulo aumenta as chances de recuperação. “Pacientes acamados tendem a apresentar uma série de complicações associadas à imobilidade, como rigidez articular, perda de força muscular, dor, edema e até piora da circulação. A mobilização passiva, nesse contexto, é fundamental para manter as articulações em movimento, preservar as propriedades musculoesqueléticas e favorecer a circulação”, explica. Oito unidades do aparelho são testadas na Clínica de Fisioterapia da UCS, em pacientes com sequelas motoras, causadas por problemas neurológicos. Um desses casos é o da Ana Moraes, de 26 anos. Em abril de 2025, a jovem sofreu um AVC e passou por cirurgia. Ficou 21 dias internada; 15 deles, em coma induzido. Quando acordou, não conseguia falar, escrever, nem mover o lado direito do corpo. “Desde então, estou em um processo intenso de reabilitação, com terapia ocupacional, acompanhamento psicológico, fisioterapia e fonoaudióloga. Hoje, minha rotina é totalmente voltada para essa recuperação”, conta. Graças ao Autofisio 500, a evolução dela é considerada surpreendente. “Os profissionais que me acompanham destacam isso com frequência. Hoje, já não preciso mais de cadeira de rodas nem de apoio para caminhar. Uso apenas uma órtese no pé em caminhadas mais longas.” Equipe que desenvolveu projeto. Bruno Zulian/UCS/Cedidas Foram cinco anos de estudos para desenvolver o equipamento. O trabalho foi realizado com aporte de mais de R$ 3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com uma empresa do setor privado. O projeto foi coordenado pelo diretor-técnico do Hospital Geral de Caxias do Sul, Alexandre Avido. Para Fernanda, ver o projeto sair do papel é um misto de felicidade e expectativa. “Gera uma grande responsabilidade em continuar pesquisando e aprimorando a tecnologia, para que ela realmente contribua, de forma segura e eficaz, tanto para os pacientes quanto para a prática clínica dos fisioterapeutas”, completa. A Ana, como paciente, considera um privilégio participar das sessões de teste: “poder ter acesso a uma tecnologia inovadora como essa, que está contribuindo diretamente para a minha evolução e para os outros pacientes que vão utilizá-la, é algo que faz toda a diferença.” Equipamentos criado na UCS ajuda a reabilitar pacientes com sequelas motoras. Bruno Zulian/UCS/Cedidas VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: tecnologia

Astronautas da Artemis II estão felizes, saudáveis e prontos para voltar para casa, diz Nasa

Publicado em: 11/04/2026 01:46

Artemis II pousa no mar às 21h07; veja momento Os quatro astronautas da missão Artemis II estão “felizes, saudáveis e prontos para voltar para casa”, informou a Nasa neste sábado (11), após o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico. A nave pousou às 21h07 (de Brasília), perto da costa de San Diego, nos Estados Unidos, encerrando a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. Após a chegada à Terra, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen foram resgatados por um helicóptero e levados até um porta-aviões dos Estados Unidos, onde passam por exames médicos. Até a última atualização desta reportagem, a Nasa não havia dado mais detalhes sobre os exames. Por outro lado, o diretor de voo da missão, Rick Henfling, afirmou que a tripulação apresentou bom estado após o resgate. “Vimos a tripulação algumas vezes depois que eles saíram da nave. Todo mundo estava feliz e com boa saúde. E tudo o que temos ouvido dos médicos é que a tripulação está bem, saudável e pronta para voltar para Houston”, disse. A expectativa é que os astronautas cheguem a Houston ainda neste sábado. Os astronautas Victor Glover e Christina Koch sentados em um helicóptero no convés do USS John P. Murtha NASA/Bill Ingalls Pouso A etapa final foi marcada por uma desaceleração extrema. Em poucos minutos, a nave reduziu sua velocidade de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h antes do impacto controlado no mar. A maior parte dessa redução aconteceu durante a reentrada na atmosfera, quando o atrito com o ar funciona como um “freio natural” e gera temperaturas superiores a 2.700 °C ao redor do escudo térmico. Após essa fase mais intensa, a cápsula iniciou a abertura dos paraquedas em etapas. Primeiro, os de estabilização ajudaram a controlar a trajetória. Em seguida, os três paraquedas principais entraram em ação, permitindo uma descida segura até o splashdown. Gif mostra pouso da cápsula oreon no mar Reprodução Com o pouso concluído, equipes de resgate da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos iniciaram a operação para retirada dos astronautas. A tripulação deixou a cápsula por volta das 22h e foi levada de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passará pelas primeiras avaliações médicas antes de seguir para o continente. A Artemis II marca o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua desde o programa Apollo, na década de 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas —Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen— viajaram mais de 1,1 milhão de quilômetros, testando sistemas essenciais para as próximas etapas da exploração espacial. O sucesso da missão abre caminho para a Artemis III, prevista para os próximos anos, que deve levar astronautas de volta à superfície lunar e inaugurar uma nova fase de presença humana fora da Terra. Gif mostra cápsula desacoplando Reprodução ⏱️ Passo a passo do retorno da Artemis II Acompanhe os principais momentos da reentrada da cápsula Orion (horários de Brasília): ✅ 20h33 — Separação do módulo de serviço; escudo térmico fica exposto para a reentrada ✅ 20h37 — Queima de motores ajusta o ângulo de entrada na atmosfera ✅ 20h53 — Cápsula atinge 122 km de altitude; começa a reentrada e o apagão de comunicação (blackout) ✅ 21h03 — Abertura dos paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude ✅ 21h04 — Abertura dos três paraquedas principais, a cerca de 1,8 km ✅ 21h07 — Splashdown no Oceano Pacífico, a cerca de 32 km/h ➡️ Após o pouso: Equipes de resgate se aproximaram da cápsula. Tripulação foi retirada por volta das 22h Astronautas seguem de helicóptero para o navio USS John P. Murtha. Depois, retornam ao Centro Espacial Johnson, no Texas. A descida intensa Durante a descida, os astronautas enfrentaram forças de até quase quatro vezes a gravidade da Terra. Para tornar essa desaceleração suportável ao corpo humano, a cápsula entra na atmosfera em um ângulo muito específico, o que prolonga o tempo de descida e evita impactos ainda mais bruscos. Após a frenagem inicial —responsável pela maior parte da perda de velocidade— a Orion segue para a fase final. A cerca de 6,7 km de altitude, são abertos os paraquedas de estabilização, que ajudam a controlar a trajetória e reduzir ainda mais a velocidade. Pouco depois, por volta de 1,8 km, entraram em ação os três paraquedas principais, responsáveis por desacelerar a cápsula até cerca de 32 km/h. Foi nessa velocidade que a Orion tocou o Oceano Pacífico, em um procedimento conhecido como splashdown. Após o pouso, a operação de resgate começou na sequência. Equipes da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos se deslocaram até a cápsula, mas a retirada dos astronautas deve acontecer em até duas horas. Eles serão levados de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passam pelas primeiras avaliações médicas ainda no mar. Na sequência, a tripulação retorna ao continente e embarca para o Centro Espacial Johnson, no Texas, onde continuará sendo monitorada por equipes médicas nos dias seguintes. Gif mostra Artemis II Nasa/Reprodução Missão histórica e o que vem agora A Artemis II marca o retorno de missões tripuladas ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen —percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço. Diferentemente das missões Apollo, o objetivo não foi pousar na Lua, mas testar todos os sistemas necessários para futuras missões: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os protocolos de segurança para voos tripulados em espaço profundo. A missão incluiu uma órbita ao redor da Lua e o retorno à Terra em alta velocidade —uma das manobras mais complexas da engenharia espacial. O sucesso dessa etapa é considerado fundamental para os próximos passos do programa. Com os dados coletados, a NASA avança agora para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve marcar o retorno de astronautas à superfície lunar —incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua— e abrir caminho para uma presença mais contínua no satélite natural. A Lua é vista como um laboratório para futuras missões mais ambiciosas, como viagens a Marte. Por isso, a Artemis II não encerra apenas uma jornada histórica: ela inaugura uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência, tecnologia e expansão das fronteiras humanas no espaço. Leia também: 'Arrepios': astronautas da Artemis ainda sentem efeitos da passagem pela Lua Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis II O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo O que aconteceu com as bandeiras dos EUA deixadas na Lua? Saiba o que sobrou após mais de 50 anos

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Ataque a agência do Banco do Brasil em MG durou menos de 15 minutos: entenda ponto a ponto do assalto

Publicado em: 11/04/2026 00:01

Veja movimentação de criminosos antes de explodir agência bancária em MG Imagens de câmeras de monitoramento obtidas pelo g1 mostram que a ação dos criminosos que explodiram uma agência do Banco do Brasil em Guidoval na madrugada de sexta-feira (10) durou cerca de 15 minutos. Os registros mostram desde a chegada dos homens armados até a detonação do caixa eletrônico. Segundo a Polícia Militar (PM), oito pessoas são apontadas como envolvidas no assalto. Até a última atualização desta reportagem, dois homens de 21 e 35 anos foram presos e um menor, de 17, apreendido. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Para dificultar a chegada da polícia e a perseguição, o grupo bloqueou ruas da cidade com barricadas feitas de pneus e veículos incendiados. Além disso, espalharam objetos de metal pontiagudos, conhecidos como "miguelitos", pelas vias para furar os pneus das viaturas policiais. ‘Cena de guerra’: tiros e explosões marcam assalto ao Banco do Brasil em cidade de 7 mil habitantes em Minas Gerais VÍDEO mostra destruição de agência do Banco do Brasil após explosão por criminosos em MG Ponto a ponto: o que mostram as imagens 02h19: Um carro branco é visto circulando em frente à agência bancária; 02h26: Dois homens encapuzados e armados aparecem e começam a rondar o local; 02h29: Outros suspeitos surgem e o grupo passa a transitar entre a agência e o veículo. Um dos criminosos faz um sinal de "pare" para os comparsas aguardarem a preparação da carga; 02h31: A EXPLOSÃO: Uma forte fumaça toma conta da rua após a detonação dos caixas; 02h32: Integrantes do grupo entram na agência carregando sacos pretos 02h33: A FUGA: O grupo deixa o banco correndo e entra no carro para fugir. Prisões e buscas Carro usado na fuga após ataque a banco em MG é encontrado em chamas Logo após o crime, a polícia iniciou as buscas pelos criminosos. O carro branco usado no assalto foi encontrado incendiado em uma área rural de Rodeiro, cidade a cerca de 25 km do local do crime. A partir dessa localização, os suspeitos foram identificados e passaram a ser procurados. Um dos envolvidos, que já era conhecido pelas forças de segurança, foi encontrado em um imóvel. Ele estava ferido no ombro, foi preso em flagrante e confessou participação no crime. Ainda no mesmo local, o irmão dele, que estava escondido em outro imóvel próximo, se entregou e também foi preso. O terceiro suspeito preso foi apontado como líder do grupo. Os nomes dos suspeitos presos, apreendidos e procurados não foram divulgados pela polícia. As buscas continuam nos próximos dias. Um helicóptero da PM de Juiz de Fora atuou em apoio às buscas por outros suspeitos que teriam fugido por matagais na região. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Ubá. Impacto na cidade Pelo menos um caixa eletrônico foi totalmente destruído. O Banco do Brasil não confirmou se valores foram levados, mas informou que a agência passará por perícia e reforma. Devido aos danos estruturais, o comércio vizinho foi orientado a permanecer fechado durante a vistoria do Bope e da Polícia Civil. Nota Banco do Brasil O Banco do Brasil ressalta que o investimento em tecnologia de monitoramento e inteligência, em dispositivos para tingir e dilacerar papel-moeda em caso de ataques e ainda o uso de cofres mais modernos, resistentes à desintegração, explicam a diminuição de casos deste tipo ao longo dos últimos anos e o sucesso da instituição contra ações criminosas. No caso de Guidoval (MG), o BB explica que acionou a polícia exatamente um minuto após identificar a movimentação dos suspeitos ao redor da agência e ressalta que os criminosos não levaram qualquer cédula da unidade. O Banco indica que a agência está fechada para perícia e atua para restabelecer o atendimento no menor tempo possível. Os clientes que necessitarem de serviços presenciais podem procurar as agências nas cidades mais próximas, em Rodeiro e Guiricema. Os clientes contam ainda com atendimento via aplicativo, Internet Banking, Central de Relacionamento e pelo telefone 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 729 0001 (demais localidades). Grupo armado explode agência do Banco do Brasil em Guidoval Defesa Civil/Divulgação Infográfico - Grupo Armado explode agência em MG Arte/g1 VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campo das Vertentes

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Artemis II: o que aprendemos com o ‘teste de fogo’ para voltar à Lua e quais são os próximos passos?

Publicado em: 11/04/2026 00:00

Após mais de 50 anos, a humanidade voltou às vizinhanças da Lua — e foi mais longe do que nunca. A missão Artemis II levou astronautas à maior distância da Terra já registrada por um ser humano. A viagem lunar revelou mais do que imagens impressionantes: ajudou a estudar o cenário para planos mais ambiciosos, como, no futuro, permanecer na Lua e chegar até Marte. A missão foi organizada pela Nasa, agência espacial americana, e levou quatro astronautas em uma jornada ao redor da Lua. Pela primeira vez em uma missão tripulada desse tipo, os olhos humanos puderam observar ao vivo regiões pouco exploradas do satélite e alcançar o ponto mais distante já percorrido em relação ao planeta natal. Nesta sexta-feira (10), eles retornaram à Terra. Enquanto a missão acontecia, a internet se dividia entre quem estava deslumbrado com as imagens compartilhadas pela agência e quem questionava: como, tantos anos depois de já ter ido à Lua e pisado nela, o homem nem pousou no satélite e ainda chamou a viagem de "um avanço para a ciência"? O lado oculto da Lua é crucial para o futuro da exploração espacial NASA via Getty Images O primeiro ponto é que, mesmo já tendo estado lá, não dá para banalizar o desafio de repetir o feito. Mas há também uma mudança de objetivo. Se antes a ida ao satélite era uma visita curta, como foi com a Apollo, agora a proposta é outra: permanecer e chegar a Marte. Esta viagem funcionou como um laboratório em movimento, reunindo dados inéditos sobre o corpo humano, novas tecnologias, a comunicação a longas distâncias e o próprio ambiente lunar. Em vez de repetir o passado, a missão foi desenhada como um “teste de fogo”. E, até aqui, o que já se sabe é que o ser humano conseguiu, com segurança, avançar nesse caminho e se aproximar de uma nova etapa na exploração espacial. “Hoje, por toda a humanidade, vocês estão ultrapassando essa fronteira”, disse Jenni Gibbons, astronauta canadense que atuava como comunicadora da cápsula, no Centro de Controle da Missão. Apollo 14: Alan Shepard ao lado do símbolo americano, em 1971 NASA/Heritage Space/picture alliance Esse retorno à Lua acontece em um cenário diferente do da Guerra Fria. A nova corrida espacial envolve não só governos, como Estados Unidos e China, mas também empresas privadas, interessadas em recursos e novas tecnologias. É um movimento com potencial científico — mas que também exige cautela, diante das disputas e dos interesses que passam a se projetar para além da Terra. Nesta reportagem, o g1 mostra o que a Artemis II ensinou, o que mudou em relação às missões do passado e por que essa nova fase da exploração espacial pode redefinir o futuro da presença humana fora da Terra. Você vai ler: Por que voltar à Lua não é simplesmente repetir o passado? De Apollo a Artemis: o que mudou? Quais são os ganhos para a ciência com a Artemis II? O que a Artemis II fez e o que já sabemos? Harrison Schmitt, da Apollo 17, ao lado da bandeira dos EUA na última missão lunar da Nasa NASA/Bildagentur-online/picture alliance Por que voltar à Lua não é simplesmente repetir o passado? Voltar à Lua mais de 50 anos depois não é como apertar o botão “repetir” de um projeto antigo. Apesar de o ser humano já ter pisado no satélite, a missão Artemis II foi construída praticamente do zero. A tecnologia usada nas missões Apollo, entre as décadas de 1960 e 1970, hoje é considerada obsoleta. “Quase nada daquela tecnologia pode ser reaproveitado hoje. É como se fosse uma missão praticamente do zero”, diz o astrofísico Filipe Monteiro, do Observatório Nacional. O astrofísico Ricardo Ogando explica que esse é um projeto que, embora se baseie no que foi feito na missão Apollo, precisa ser testado passo a passo como algo novo. Todo o aparato nunca esteve fora da Terra antes. “É como dirigir um carro novo, que você desconhece. Se você dirige um carro antigo, manual, e pega pela primeira vez um carro com uma tecnologia mais nova, elétrico e automático, você não vai querer pegar a estrada de primeira. Precisa experimentar antes”, explica. A Artemis II cumpre justamente esse papel: é o “test drive” antes de uma missão mais arriscada, como o pouso na superfície lunar. Veja o que foi testado: Sistemas digitais e suporte à vida Diferente dos controles analógicos das missões Apollo, a cápsula Orion opera com sistemas digitais que monitoram o oxigênio, removem o gás carbônico e regulam a temperatura em tempo real. "Selfie" da nave Orion feita por uma das câmeras em seus painéis solares durante a missão Artemis II NASA Comunicação por laser A missão validou o envio de dados e vídeos em alta definição por laser, mais rápido e eficiente que as tradicionais ondas de rádio. Apesar disso, durante o trajeto pelo lado oculto da Lua, a tripulação e a cápsula ficaram sem contato com a Terra por um intervalo de 40 a 50 minutos — um desafio técnico que ainda precisa ser aprimorado. Astronautas da Artemis II Jornal Nacional/ Reprodução A cápsula e o escudo térmico A cápsula é o ambiente onde o ser humano é posto à prova em condições extremas. A Orion foi projetada para suportar a reentrada na atmosfera a cerca de 40 mil km/h — uma condição que precisava ser validada com tripulação a bordo. Dentro dela, sistemas monitoram o oxigênio, removem o gás carbônico e regulam a temperatura interna — funções essenciais para manter os astronautas vivos em um ambiente hostil. Nem tudo, porém, funcionou de forma ideal. O banheiro, por exemplo, apresentou falhas, e os astronautas precisaram usar soluções improvisadas durante parte da missão. “Passar cerca de dez dias em um espaço reduzido, lidando com limitações até no sistema sanitário, mostra que até as necessidades básicas ainda são parte dos testes tecnológicos e que melhorias ainda são necessárias”, explica Ricardo Ogando. Além da tecnologia, o próprio ambiente da missão também impôs novos desafios. As missões Apollo exploraram regiões mais iluminadas e acessíveis da Lua. Agora, a proposta é diferente. A Artemis mirou o Polo Sul lunar, uma região mais hostil, com terreno acidentado, áreas permanentemente sombreadas e temperaturas que podem chegar a -200 °C — um ambiente que exige outro nível de planejamento e tecnologia. Imagem feita pela missão Artemis II mostra o lado oculto da Lua (à esquerda) e o lado visível (à direita), com destaque para a bacia de Orientale. NASA Ou seja, a ideia de que “já fizemos isso antes” não se sustenta quando se observa o tipo de missão que está sendo construída agora. A diferença entre as missões do século passado e o programa atual não está apenas na tecnologia, mas também no objetivo. Entre 1969 e 1972, durante o programa Apollo, a meta era chegar à Lua, coletar amostras e voltar em segurança. Eram missões curtas, em regiões mais acessíveis do satélite. “As missões Apollo eram como um grande acampamento: pousava em uma área, fazia as pesquisas por algumas horas ou dias e voltavam”, resume o astrônomo Filipe Monteiro. Agora, o plano é outro. A ideia é estabelecer uma presença contínua na Lua, com estruturas capazes de sustentar astronautas por mais tempo. Isso exige um salto de complexidade: novos sistemas de suporte à vida, novas formas de comunicação e a capacidade de operar em ambientes muito mais hostis. O veículo-robô Perseverance em Marte. NASA/JPL-Caltech Essa mudança de planos também levou a missão a um destino diferente. Enquanto a Apollo pousou em regiões próximas ao equador lunar — mais planas, iluminadas e conhecidas —, a Artemis mira o Polo Sul da Lua. É uma área ainda pouco explorada, com terreno irregular, crateras em sombra permanente e temperaturas que podem chegar a -200 °C. E por que essa região? Ela concentra indícios de gelo de água, um recurso considerado estratégico para o futuro da exploração espacial. Além de servir para consumo humano, essa água pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio — os dois elementos usados como combustível em foguetes. Na prática, isso abre a possibilidade de produzir combustível fora da Terra. A Lua deixaria de ser apenas um destino e passaria a funcionar como uma base logística — um ponto de apoio para missões mais longas, como a ida até Marte. Quais são os ganhos para a ciência com a Artemis II? Mesmo sem pouso, a Artemis II deu grandes passos para a ciência, segundo os especialistas. Durante o voo, os astronautas observaram regiões pouco exploradas da Lua, coletaram dados inéditos sobre o ambiente espacial e ajudaram a testar, na prática, sistemas que serão usados em voos mais longos. A missão gerou mais de 175 GB de dados, que agora serão analisados por pesquisadores para novos achados sobre o espaço lunar e até para se prepararem para os próximos passos do desafio no espaço. Entre as principais pontos para a ciência estão: Astronautas da Artemis II em entrevista à imprensa neste sábado (4). Reprodução Observação humana em tempo real Durante o sobrevoo, os tripulantes descreveram crateras, relevo e variações de cor diretamente para o controle da missão — um tipo de leitura que complementa as imagens das sondas. Isso pode ajudar a entender melhor a composição da Lua, por exemplo. Estudar como o corpo humano reage no espaço A Artemis II levou células humanas cultivadas em estruturas tridimensionais — a tecnologia conhecida como “órgão em chip”. Essas células foram expostas às condições de radiação e microgravidade e agora, na Terra, serão analisadas para entender os efeitos de exposições prolongadas. Isso ajuda a planejar futuras missões com mais segurança. “Levar um ser humano ao espaço é uma atividade de alto risco. Entender se é seguro para a tripulação antes de mandar um grupo de pessoas para uma base, como a Nasa quer, é imprescindível. E esse vai ser um ganho para a ciência em geral”, explica Ricardo Lua em eclipse em imagem feita pela Artemis II Divulgação/Nasa A Lua sob outra luz A Artemis fez um sobrevoo prolongado até o lado oculto da Lua. As imagens captadas em diferentes ângulos agora serão analisadas para estudar crateras, vales e montanhas com mais precisão — algo essencial para futuras missões. Onde estão os recursos para sustentar uma base Os dados coletados ajudam a refinar a busca por gelo de água no polo sul lunar, recurso considerado essencial para a instalação de uma base permanente. A importância da Artemis II vai além de levar o homem novamente às proximidades da Lua. A missão também funciona como um motor de inovação, com tecnologias que podem ter impacto direto na vida na Terra. Soluções desenvolvidas para enfrentar desafios extremos acabam incorporadas ao cotidiano — como aconteceu com tecnologias como o GPS e o Wi-Fi. Ao mesmo tempo, esse avanço traz novos debates. A retomada das missões tripuladas à Lua acontece em um contexto de disputa global. Imagem feita pela missão Artemis II mostra o lado oculto da Lua (à esquerda) e o lado visível (à direita), com destaque para a bacia de Orientale. NASA No centro dessa corrida está o Polo Sul lunar. A região concentra gelo de água e minerais estratégicos, como o hélio-3, e passou a ser alvo de interesse de diferentes países. A China já avançou com missões robóticas e análises no lado oculto da Lua, enquanto o programa Artemis busca consolidar a presença dos Estados Unidos e desenvolver as tecnologias necessárias para explorar esses recursos. Mais do que uma conquista científica, a Lua volta a ocupar um papel estratégico. E, desta vez, o que está em jogo não é apenas chegar — mas permanecer, explorar e definir quem lidera a próxima fase da presença humana fora da Terra.

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VÍDEO mostra astronautas da Artemis II deixando cápsula após chegada à Terra

Publicado em: 10/04/2026 22:41

Artemis II: Astronautas deixam a cápsula Orion Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen foram retirados da cápsula Orion na noite desta sexta-feira (10) após a histórica missão Artemis II. A retirada aconteceu duas horas após o pouso no Oceano Pacífico. Equipes da NASA e das forças armadas dos EUA resgataram a tripulação e a transportaram de helicóptero até o porta-aviões USS John P. Murtha. A bordo do navio, os astronautas passarão por avaliações médicas pós-missão antes de retornarem à costa, onde aeronaves os levarão ao Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston. Astronautas da Artemis II são retirados da cápsula da Orion por equipes de resgate no Oceano Pacífico NASA/Handout via REUTERS Como foi o pouso? A cápsula Orion, da missão Artemis II, pousou no Oceano Pacífico às 21h07 (de Brasília) desta sexta-feira, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos, encerrando a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. A etapa final foi marcada por uma desaceleração extrema. Em poucos minutos, a nave reduziu sua velocidade de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h antes do impacto controlado no mar. A maior parte dessa redução aconteceu durante a reentrada na atmosfera, quando o atrito com o ar funciona como um “freio natural” e gera temperaturas superiores a 2.700 °C ao redor do escudo térmico. Gif mostra Artemis descendo Reprodução ⏱️ Passo a passo do retorno da Artemis II Acompanhe os principais momentos da reentrada da cápsula Orion (horários de Brasília): ✅ 20h33 — Separação do módulo de serviço; escudo térmico fica exposto para a reentrada ✅ 20h37 — Queima de motores ajusta o ângulo de entrada na atmosfera ✅ 20h53 — Cápsula atinge 122 km de altitude; começa a reentrada e o apagão de comunicação (blackout) ✅ 21h03 — Abertura dos paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude ✅ 21h04 — Abertura dos três paraquedas principais, a cerca de 1,8 km ✅ 21h07 — Splashdown no Oceano Pacífico, a cerca de 32 km/h Artemis II inicia retorno para a Terra Nasa/Reprodução Missão histórica e o que vem agora A Artemis II marca o retorno de missões tripuladas ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen —percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço. Diferentemente das missões Apollo, o objetivo não foi pousar na Lua, mas testar todos os sistemas necessários para futuras missões: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os protocolos de segurança para voos tripulados em espaço profundo. A missão incluiu uma órbita ao redor da Lua e o retorno à Terra em alta velocidade —uma das manobras mais complexas da engenharia espacial. O sucesso dessa etapa é considerado fundamental para os próximos passos do programa. Com os dados coletados, a NASA avança agora para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve marcar o retorno de astronautas à superfície lunar —incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua— e abrir caminho para uma presença mais contínua no satélite natural. A Lua é vista como um laboratório para futuras missões mais ambiciosas, como viagens a Marte. Por isso, a Artemis II não encerra apenas uma jornada histórica: ela inaugura uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência, tecnologia e expansão das fronteiras humanas no espaço. Leia também: 'Arrepios': astronautas da Artemis ainda sentem efeitos da passagem pela Lua Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis II O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo O que aconteceu com as bandeiras dos EUA deixadas na Lua? Saiba o que sobrou após mais de 50 anos

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Sensor de câmera do celular e travesseiro: veja tecnologias testadas em missões da Nasa que fazem parte do nosso dia a dia

Publicado em: 10/04/2026 21:45

Tecnologia das missões espaciais é aplicada na Terra Muito além das descobertas espaciais, cada missão da Nasa é uma oportunidade de testar novas tecnologias. São inovações que depois começam a fazer parte do nosso dia a dia. Às vezes, de uma forma que a gente nem imagina. A quase 400 mil km do nosso planeta, pela janelinha pequena, os astronautas fotografaram a Terra, inclusive com telefones celulares. Mas não foi pelo celular que enviaram as fotos. Mandaram imagens, vídeos em 4K e informações com um sistema de comunicação novo, a laser, 100 vezes mais potente do que os sistemas de rádio usados até agora na comunicação espacial e que deve ser usado no futuro para conectar à Terra a lugares ainda mais distantes no espaço profundo - ou para ajudar você a ver vídeos melhores no streaming do celular. “Hoje, a gente usa a nossa tecnologia 5G do telefone, que é uma compressão de dados. O que virá depois dessa experiência que eles estão fazendo vai ser novas tecnologias de compressão e de criptografia também. Então, as nossas conversas vão ficar mais rápidas, mais precisas e mais seguras, com certeza. O como, isso a gente ainda não sabe”, diz Annibal Hetem Junior, professor de propulsão espacial. Ttravesseiro: veja tecnologias testadas em missões da Nasa que fazem parte do nosso dia a dia Jornal Nacional/ Reprodução E se isso acontecer, não vai ser a primeira vez que uma tecnologia desenvolvida para a gente viajar no espaço acaba sendo incorporada no nosso dia a dia. Em exploração espacial, muitas vezes, se o seu destino é a Lua, você acaba encontrando um caminho melhora para a gente aqui na Terra mesmo. “Quando pisaram na Lua pela primeira vez, no século passado, ninguém imaginava que aquilo teria o início da indústria de satélites - que hoje, por exemplo, é usado para comunicação, para controle climático. Hoje, todo mundo usa a internet, todo mundo usa comunicação por satélite, todo mundo usa GPS. Isso é uma consequência direta no nosso dia a dia”, afirma Fábio Rodrigues, pesquisador do Instituto de Química da USP. Se a gente ainda ficar no exemplo do aparelhinho que todo mundo tem no bolso, foi no Laboratório de Propulsão da Nasa, na Califórnia, que se criou o sensor que está na câmera do seu celular hoje; o termômetro que mede a temperatura aproximando do ouvido; uma espuma de travesseiro. Mas nada disso foi criado, originalmente, para essas funções. O sensor era para permitir fotografia no espaço. O infravermelho do termômetro, para medir temperatura de estrelas. A espuma, para dar segurança às poltronas dos foguetes. Termômetro que mede a temperatura aproximando do ouvido Jornal Nacional/ Reprodução “A gente ganha muita coisa. E são todos benefícios secundários. Por ser uma missão complexa, grande e que envolve atividades que a gente nunca fez antes, a gente tem que desenvolver novas tecnologias. E a gente ganha as novas tecnologias. Esse é o maior prêmio que a gente recebe”, explica Annibal Hetem Junior. O objetivo da Artemis II é avançar no processo que nos levará a uma base na Lua e, depois, a Marte. Todos os testes e pesquisas foram feitos para isso. Mas é quase certo que, no caminho rumo aos confins do espaço, a gente mude nossa realidade bem mais cotidiana aqui embaixo. “Talvez, as nossas roupas, a forma como a gente se comunica, os nossos relógios. Tão logo a missão comece a dar seus frutos financeiros, vão começar a aparecer produtos com essa tecnologia. Novas ligas metálicas, novos plásticos, cerâmicas diferentes. Com certeza vai acontecer”, afirma Annibal Hetem Junior. LEIA TAMBÉM Artemis II: calor extremo, velocidade altíssima e pouso no mar; veja como será o retorno da espaçonave à Terra Artemis II voltará à atmosfera a 40 mil km/h e 3 mil °C; saiba como astronautas se protegem O que astronautas da Artemis II trazem de viagem à Lua: 'A parte boa está voltando com a gente'

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